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	<title>Arquivos Festival de San Sebastián &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 13:34:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori “Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com A Mulher que Fugiu, presente na Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24395" aria-describedby="caption-attachment-24395" style="width: 1499px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e está sentada dentro de uma sala de cinema vazia. As poltronas da sala de cinema são vermelhas." width="1499" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png 1499w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1200x644.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24395" class="wp-caption-text">Premiado com Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2020, A Mulher que Fugiu compõe a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Acompanhando a crônica contemporânea de Gam-hee, uma mulher que decide visitar três amigas nos arredores de Seul, são nas variações, simples ou não, que o cineasta </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontra recurso para remodelar sutilmente cada nova história, ao mesmo tempo que caminha por repetições</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24390"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Domangchin Yeoja</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) é construída por três blocos e três visitas: Young-soon (Seo Young-hwa), divorciada que gosta de jardinagem e vive com uma colega; Su-young (Song Seon-mi), artista amarrada por dois romances desventurados; e Woo-jin (Kim Sae-byuk), uma amiga distante que trabalha em um pequeno cinema. A protagonista é Gam-hee – interpretada pela extraordinária </span><a href="https://www.thenation.com/article/archive/hong-sang-soo-kim-min-hee-hotel-by-the-river-grass-movies-new/"><span style="font-weight: 400;">musa do diretor, Kim Min-hee</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, uma esposa aparentemente feliz que pela primeira vez, após 5 anos de casamento, passa três dias distante do marido que viaja a negócios.</span></p>
<p><figure id="attachment_24392" aria-describedby="caption-attachment-24392" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e saia comprida cinza. Ela está de costas para a câmera, olhando o exterior através de uma janela com moldura branca. No fundo está uma parede branca, mesa de jantar de madeira, cadeiras de madeira e cadeiras verde musgo em volta, além de entulhos no canto esquerdo. Acima da mesa estão dois pratos brancos, duas taças com vinho branco, uma garrafa verde de vinho e uma caneca cinza." width="1650" height="888" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1200x646.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24392" class="wp-caption-text">Escrito, produzido e realizado por Hong Sang-soo, o drama investiga paulatinamente as contrariedades das relações humanas, através dos (des)encontros [Foto: Jeonwonsa Film]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A princípio, a narrativa parece simples – até demais. As personagens são comuns, os eventos ordinariamente corriqueiros. Paira sobre o drama um naturalismo improvisado que preserva a autoria consagrada do </span><a href="http://revistadecinema.com.br/2021/07/retrospectiva-hong-sang-soo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema de Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, através de um enquadramento minimalista, põe-se em foco duas pessoas dialogando frente a frente, numa perspectiva que quase torna o espectador parte das cenas, como um observador inapto desse universo silenciosamente acinzentado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, por trás dos três longos diálogos, inicialmente banais, são aflorados uma sucessão de autoavaliações suavemente exteriorizadas pelas expressões faciais da protagonista. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas apaixonadas devem permanecer juntas</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221;, ela afirma repetidamente para as amigas e, de certa maneira, para si mesma enquanto encara vagamente o vazio. Nada é declarado. Seja por meio de um toque de mão singelo, seja mediante um sorriso torto compartilhado, é na delicadeza das performances que </span><span style="font-weight: 400;">são transmitidos ternos momentos de conexão humana genuína, ainda que breve.</span></p>
<figure id="attachment_24393" aria-describedby="caption-attachment-24393" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24393 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Na cena estão Gam-hee e Woo-jin, em ordem. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Woo-jin, interpretada por Kim Sae-byuk, é uma mulher coreana de cabelo longo preto, preso por um rabo de cavalo baixo, com cerca de 35 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Ambas estão sentadas frente a frente numa mesa de café. A mesa de café é de madeira e sobre ela está uma xícara branca, dois blocos de papel e duas canetas. No fundo está uma grande janela de vidro que permite ver a vegetação exterior." width="1650" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1200x645.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24393" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Um dos principais expoentes do novo Cinema sul-coreano, o método de produção de Sang-soo se decorre </span></i><i><span style="font-weight: 400;">por </span></i><i><span style="font-weight: 400;">baixos orçamentos e estruturas mínimas à beira da indústria cinematográfica local (Foto: </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Jeonwonsa Film</span></i><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses instantes sublimes ainda são revestidos por camadas humorísticas de um </span><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">dramático impagável que dilata as dimensões das relações expostas em tela e, gradativamente, reforça a densidade presente nas </span><a href="https://expresso.pt/cultura/2021-01-10-A-Mulher-que-Fugiu-de-Hong-Sang-soo.-O-abismo-das-coisas-simples"><span style="font-weight: 400;">simplicidades da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas mulheres. Assim, extraindo sentido das situações triviais do cotidiano, o caráter insólito de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Woman Who Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> enfrenta as realidades de seu tempo, oferecendo retiro no familiar e, simultaneamente, nas estranhezas, encantando e surpreendendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como descendente devoto do universo íntimo de Sang-soo, o drama continua ensaiando furtivamente as relações humanas, ao servir-se da mesma temática e estética formal comum do cineasta sul-coreano. O silêncio e a ausência de cor permanecem até os últimos momentos do filme, quando Gam-hee, ou melhor, Kim Min-hee, pessoa, encara o horizonte do oceano no ecrã – primeiro preto e branco, agora, colorido. E mirando os </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/na-praia-a-noite-sozinha-o-escandalo-e-o-sentimento-por-tras-do-destaque-da-berlinale/"><span style="font-weight: 400;">fantasmas do passado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i> <a href="https://youtu.be/XdXE-MC9qwM"><span style="font-weight: 400;">retorna à praia, sozinha</span></a><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, com a quietude pacífica do mar, das cores, do som.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Woman Who Ran - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3ge6f3bDmWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 20:30:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da Lua Azul e na trama narrativa de Lua Azul, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24253" aria-describedby="caption-attachment-24253" style="width: 1852px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24253" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra uma jovem em primeiro plano, de costas e posicionada à esquerda. Ela é branca, tem cabelos lisos castanhos presos numa trança, e olha para frente. À frente dela, existe uma mesa onde uma família faz uma refeição. O lugar é alto e tem vista para montanhas." width="1852" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png 1852w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-800x303.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1024x388.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-768x291.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1536x582.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1200x455.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24253" class="wp-caption-text">Carregado de uma indigesta fábula sobre relações de poder permeadas por questões de gênero, Lua Azul compõe a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da </span><a href="https://www.ips-planetarium.org/page/a_hiscock1999"><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na trama narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama traz para a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, depois de sair com o prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2021, é um fenômeno em todos os sentidos. </span></p>
<p><span id="more-24252"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa do filme também faz jus à complexidade proposta por </span><a href="https://www.instagram.com/alina.al.grigore/"><span style="font-weight: 400;">Alina Grigore</span></a><span style="font-weight: 400;">, que nos apresenta “a jornada emocional de uma jovem que caminha rumo a um processo de desumanização”. Ela é Irina (Ioana Chitu) e vive na zona rural da Romênia trabalhando no negócio de sua família, que é responsável pela sua criação e a de sua irmã Victoria (Ioana Ilinca Neacsu) na ausência dos pais divorciados. Sustentando o núcleo poderoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, as garotas vivem de forma quase dupla quando fora do ambiente familiar, marcado por dinâmicas abusivas, e sonham com uma vida independente na capital, como forma de fugir daquele contexto de muitas </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme diz a que veio logo no primeiro contato que estabelece com o outro lado da tela, num choque assustador que se cria ao ver Irina sendo acordada com gritos autoritários, broncas e ordens violentas. De forma apática e indigesta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> já dissipa qualquer suavidade romântica que seu título possa sugerir para se estabelecer como um drama de ação, no sentido amplo do termo. Durante seus 90 minutos, as pessoas sempre estarão conversando (leia-se gritando), andando (leia-se correndo) e/ou trabalhando (leia-se brigando), e nas mãos de Alina, essa construção cotidiana é mais do que o necessário para criar uma fábula sobre relações familiares, de </span><a href="https://revistas.ufpr.br/diver/article/download/34041/21201"><span style="font-weight: 400;">poder e de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24255" aria-describedby="caption-attachment-24255" style="width: 1682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra o rosto de uma jovem branca em close. Ela tem cabelos lisos castanhos e usa uma franja e blusa preta de gola alta. Ela olha para o lado direito da imagem, com desconfiança." width="1682" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg 1682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24255" class="wp-caption-text">Repleta de significado para as civilizações que olhavam para o céu em busca de compreender a Terra, a Lua Azul é definida pela astronomia como o fenômeno que permite a ocorrência de duas luas cheias num mesmo ciclo lunar (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenrola seguindo o que já conhecemos do Cinema romeno: </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">rejeitando caminhos fáceis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><span style="font-weight: 400;">valendo-se de muita ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;">. E no recorte de gênero muito bem proposto pela diretora, o filme só ganha mais relevância: através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crai Nou</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alina Grigore é a segunda mulher a vencer o Concha de Ouro, prêmio máximo do Festival de San Sebastián, sucedendo a georgiana Dea Kulumbegashvili, que venceu a honraria em 2020 com </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/88426-beginning-a-impressionante-e-avassaladora-estreia-de-dea-kulumbegashvili.html"><i><span style="font-weight: 400;">Beggining</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de protagonizarem o marco histórico e o futuro do Cinema do Leste Europeu, as duas diretoras também estão de mãos dadas quando o assunto é tomar como objeto de estudo o contexto de opressão que envolve jovens mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando os homens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparecem em cena, a narrativa de Alina é potencializada, num movimento em que a diretora parece conscientemente usá-los para fortalecer a sua crítica. Na presença do primeiro núcleo masculino, que é protagonizado por Liviu (Mircea Postelnicu), um primo da protagonista que trabalha de forma mais próxima à dela no hotel da família, o filme reflete sobre como </span><a href="https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/5436#:~:text=Este%20sistema%20organiza%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es,massa%20(Engels%2C%202007)."><span style="font-weight: 400;">as noções de amor e afeto são distorcidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relações doentias fundamentadas no patriarcado. Depois, o roteiro, também de Grigore, desenvolve as consequências disso fora do contexto familiar, quando Irina suspeita ter sido </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">abusada sexualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa festa, e acaba envolvendo-se emocionalmente com o seu possível agressor, que existe no olhar esperto de Tudor (Emil Mandanac).</span></p>
<p><figure id="attachment_24254" aria-describedby="caption-attachment-24254" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png" alt="Cena do filme Lua Azul mostra uma família fazendo uma refeição em volta de uma mesa branca e farta." width="1916" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-800x299.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1024x383.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-768x287.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1536x574.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1200x448.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24254" class="wp-caption-text">Antes de estrear na direção com Lua Azul, Alina Grigone fez-se conhecida por suas atuações em Aurora (2010), Best Intentions (2011) e Ilegitimo (2016) [Foto: Patra Spanou]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tudo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é orientado pelo olhar de Alina Grigone, que sabe tratar a violência explícita e a implícita com a mesma maestria. Fora do plano da conceituação, o filme não precisa de nada além dos </span><a href="https://www.tjdft.jus.br/informacoes/infancia-e-juventude/noticias-e-destaques/2021/maio/fique-atento-aos-sinais-de-maus-tratos-infantojuvenis-1"><span style="font-weight: 400;">silêncios amargos e omissões amedrontadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista para nos apresentar os seus sentimentos, que diante da atmosfera explosiva, insensível e direta de todo o resto &#8211; muito bem capturada pela câmera atribulada de Adrian Paduretu -, coloca a personagem para existir dentro da narrativa em uma outra vibração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso impulso é querer acreditar que uma hora tudo vai fazer sentido, mas como a própria sinopse avisa, trata-se de um processo de desumanização. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, fenômenos sociais e naturais são colocados no mesmo patamar de regência das leis da natureza, e infelizmente, Alina Grigore identifica que </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1339/1/A%20influ%C3%AAncia%20da%20estrutura%20patriarcal%20na%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20emancipa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20na%20sociedade%20contempor%C3%A2nea.pdf"><span style="font-weight: 400;">a sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como se fosse parte delas. Como, então, se libertar de um ciclo de violência que nos cerca por todos os lados debaixo do céu?</span> <span style="font-weight: 400;">Diante da reincidência deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não sabe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BLUE MOON / CRAI NOU by Alina Grigore - TRAILER (EN subt.)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nFojUjO6XXg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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