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	<title>Arquivos Festival de Roterdã &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Pedregulhos e o poder silencioso dos oprimidos</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 20:30:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Um pai, um filho, e uma árida paisagem. Estes são os três protagonistas de Pedregulhos, longa indiano selecionado para representar o país na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022, e que está em exibição na programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme parte de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedregulhos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pedregulhos e o poder silencioso dos oprimidos"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24245" aria-describedby="caption-attachment-24245" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A imagem mostra um homem e um menino, ambos indianos, em pé sobre um chão de areia, a uma certa distância um do outro. No fundo há uma pequena cabana com diversos produtos pendurados. O cenário é seco, mas com verde nas copas de algumas árvores." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-768x427.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24245" class="wp-caption-text">Pedregulhos integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um pai, um filho, e uma árida paisagem. Estes são os três protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedregulhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa indiano selecionado para representar o país na </span><a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/india-escolhe-pebbles-como-seu-representante-ao-oscar-2022-de-melhor-filme-internacional"><span style="font-weight: 400;">corrida pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional em 2022, e que está em exibição na programação da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. O filme parte de um pai alcoólatra que retira o filho da escola, forçando-o a acompanhá-lo na procura da mãe, que fugiu de casa devido à violência doméstica sofrida pelas mãos do marido. </span></p>
<p><span id="more-24244"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem longe dos domínios de Bollywood, </span><span style="font-weight: 400;">o longa de estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oONq4J75FCQ"><span style="font-weight: 400;">P.S. Vinothraj</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi realizado no estado de Tamil Nandu, situado no extremo sul do país, e que tem uma grande potência cinematográfica própria no idioma tamil, conhecida como </span><a href="https://www.thehindu.com/entertainment/movies/the-commerce-of-kollywood/article30451817.ece"><i><span style="font-weight: 400;">Kollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Periférico à própria indústria regional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pebbles </span></i><span style="font-weight: 400;">foi realizado entre amigos, fruto de uma intensa dedicação do diretor em contar uma história que funciona como uma espécie de vingança para uma experiência vivida por sua irmã. Com elenco de não-atores e locações na região de uma minúscula vila no interior do estado, a produção transborda de realidade e verossimilhança, preservando o legado de mestres do Cinema indiano como </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/satyajit-ray-100-anos/"><span style="font-weight: 400;">Satyajit Ray</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24246" aria-describedby="caption-attachment-24246" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A foto mostra uma menina junto a uma mulher adulta, ambas de pele escura, e cabelos pretos, vestindo roupas coloridas. Elas se encontram agachadas em meio a um mato seco. Ao fundo, vemos um morro com pedras marrons. " width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24246" class="wp-caption-text">Embora a personagem da mãe nunca nos seja apresentada, diversas figuras femininas enriquecem a jornada (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com algumas longas cenas em plano sequência, onde a câmera na mão persegue os atores de um lado para o outro, a fotografia de </span><span style="font-weight: 400;">Jeya Parthiban e Vignesh Kumulai</span> <span style="font-weight: 400;">se alterna entre acrescentar intensidade aos conflitos, como quando o pai encontra a família da esposa, e capturar a vastidão e a solidão das paisagens. No trabalho de sonorização, Hari Prasad optou com o diretor por captar o som diretamente nas locações, o que levou a fazer com que a </span><a href="https://filmmakermagazine.com/111316-everybody-had-to-work-barefoot-p-s-vinothraj-on-his-tiger-award-winning-pebbles/#.YXlZfp7MLIU"><span style="font-weight: 400;">equipe tivesse que ficar descalça</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que o ruído dos passos sobre os pedregulhos do chão não pudesse ser ouvido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais seco que a natureza semi-desértica que ocupa a tela do </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/festival-de-roterda-2021-indiano-pebbles-vence-o-premio-principal-do-evento/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Tiger Award</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Festival de Roterdã, é o coração do pai (Karuththadaiyaan, o único do elenco com experiência prévia em atuação). Inconformado de não ter mais controle sob sua família, e incapaz de enxergar para além de seu próprio desejo de preservar a posição de poder que acreditava ser legítima, ele se afunda na frustração potencializada pelo calor e a secura. Já o menino (</span><span style="font-weight: 400;">Chellapandi</span><span style="font-weight: 400;">), é um observador silencioso, que às vezes foge, outras segue, ou mesmo enfrenta,  transparecendo em seu olhar e em suas ações a indecisão de não saber o que fazer diante daquela figura raivosa que o obriga a caminhar sob o sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ainda há uma quarta protagonista em <em>Pedregulhos</em>, uma que nunca aparece em tela, mas cuja presença sempre permanece pairando no ar. A personagem da mãe é muito mais que mero </span><a href="https://ambrosia.com.br/filmes/entenda-o-que-e-um-macguffin-com-11-exemplos-classicos/"><i><span style="font-weight: 400;">MacGuffin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para levar o pai do ponto A ao ponto B, pois não apenas sabemos de algumas de suas ações dramáticas em determinados momentos, como podemos claramente perceber seus obstáculos e motivações a partir das ações do pai e de outros personagens. Para compensar a sua ausência física, o filme guarda a sua carta mais preciosa para o final inconclusivo.</span></p>
<figure id="attachment_24247" aria-describedby="caption-attachment-24247" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A foto mostra ao longe um menino em pé, sob a sombra escassa de uma grande árvore seca. Do outro lado da árvore, ao fundo, vemos a silhueta de uma mulher conduzindo uma vaca. A paisagem é seca, com árvores visíveis ao fundo. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24247" class="wp-caption-text">Koozhangal foi aclamado em diversos festivais ao redor do mundo (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nele, </span><span style="font-weight: 400;">P.S. Vinothraj não opta por dar todas as respostas para o conflito acompanhado até então, mas sim por oferecer um retrato do outro lado daquela moeda, onde percebemos que todo o ódio de um homem como aquele protagonista não seria suficiente para a manutenção de sua posição dominante. Em um longo e paciente plano estático, o mais impactante do filme, vemos um fio de esperança ser tecido a partir de uma das muitas atividades que dão a aquelas mulheres mostradas uma possibilidade de exercer um poder silencioso sobre a opressão de homens como o pai que acompanhamos, assim como o menino o fez em seus pequenos atos de rebeldia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como aquele homem poderia sobreviver sem ter aquela mulher para lhe buscar água no poço e lhe preparar comida? Aquele que acreditava estar no controle passa a ser assombrado pelo medo ao se descobrir em uma relação de dependência. E aquela, outrora oprimida, resolve sua própria posição anterior de submissão como arma. A imagem final não representa essa transformação em si, mas profetiza o potencial para que ela possa acontecer. Enquanto o homem sofre com o calor e a sede da região semi-árida, a mulher já sabe onde conseguir água. E assim, aos poucos cresce o silencioso poder dos oprimidos.</span></p>
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		<title>A liberdade como sacrifício em O Cão que Não Se Cala</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 21:06:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Pense naquele famoso discurso de paraninfo intitulado Isto é água, proferido por David Foster Wallace aos formandos do Kenyon College em 2005. Nele, lemos que a “verdadeira liberdade requer atenção, consciência, disciplina, esforço e a capacidade de se importar genuinamente com os outros”. Pronto, esse pequeno trecho pode muito bem apresentar a ideia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-cao-que-nao-se-cala-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A liberdade como sacrifício em O Cão que Não Se Cala"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24172" aria-describedby="caption-attachment-24172" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1.jpeg" alt="Cena do filme O cão que não se cala. Na foto em preto e branco, há um homem branco com o braço direito levantado, segurando-se em uma fina barra de ferro acima de sua cabeça. Ele possui cabelos curtos e lisos de cor preta, barba de cor preta, e veste uma blusa de cor cinza. Ele está dentro da parte de carga de um pequeno caminhão, coberto por uma lona de cor cinza clara. Atrás dele, há uma mulher branca olhando desconfiada, cuja roupa constitui-se em uma blusa com listras cinzas e uma macacão cinza. Mais ao fundo, há mais dois homens brancos, onde o primeiro, à esquerda, veste uma jaqueta de cor preta e possui cabelo preto, e o segundo, à direita, veste também uma jaqueta preta e utiliza um boné de cor branca." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-1-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24172" class="wp-caption-text">Compondo a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Cão que Não Se Cala é um retrato fantástico de uma vida comum (Foto: Oh my Gomez)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pense naquele famoso discurso de paraninfo intitulado </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-liberdade-de-ver-os-outros/"><i><span style="font-weight: 400;">Isto é água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, proferido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos formandos do Kenyon College em 2005. Nele, lemos que a </span><i><span style="font-weight: 400;">“verdadeira liberdade requer atenção, consciência, disciplina, esforço e a capacidade de se importar genuinamente com os outros”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pronto, esse pequeno trecho pode muito bem apresentar a ideia por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cão que Não Se Cala </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">El Perro que No Calla</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título original), filme argentino exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, dirigido e co-roteirizado por Ana Katz.</span></p>
<p><span id="more-24171"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 73 minutos dessa comédia dramática, acompanhamos a vida de Sebastian (Daniel Katz), um homem comum que dedica sua vida ao cão fiel. Ele trabalha em diversos empregos temporários e tenta adequar-se à mudança constante da vida adulta, em paralelo aos problemas impostos por uma Argentina em crise. À moda de Tolstói, Sebas (como também é chamado) resolve as adversidades com delicadeza e empatia, mas não se sente pertencente ao mundo, vivendo cabisbaixo como um cão sem dono, embora nunca reclame ou apareça chorando. </span><a href="https://iffr.com/en/iffr/2021/films/el-perro-que-no-calla"><span style="font-weight: 400;">No filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um equilíbrio entre o absurdo e o drama empático.</span></p>
<figure id="attachment_24173" aria-describedby="caption-attachment-24173" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1.jpg" alt="Cena do filme O cão que não se cala. Na foto em preto e branco, há um homem conversando com uma mulher em um escritório. Os dois estão de pé e, cada um está utilizando um cilindro transparente na cabeça, e ambos são pessoas brancas. O rapaz possui cabelos curtos de cor preta, e barba de cor preta. Ele veste uma camisa cinza escura. A mulher possui cabelos de cor cinza, e veste uma blusa também de cor cinza. Ela está com sua mão esquerda levantada." width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24173" class="wp-caption-text">O Cão que Não Se Cala ganhou o Big Screen Award no Festival de Roterdã, e também foi apresentado no Festival de Cinema de Sundance (Foto: Oh my Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O protagonista — um </span><a href="https://www.revistabula.com/41538-o-homem-sem-qualidades-de-robert-musil-chega-ao-seculo-21-pleno-de-sentido-e-beleza/"><i><span style="font-weight: 400;">homem sem qualidades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — caminha por terrenos distintos, compondo sua visão fragmentada do mundo. Ele nos é apresentado como </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">gráfico de uma empresa, mas prefere ser demitido a deixar de levar o cão ao trabalho, em decorrência de sua tentativa de evitar o incômodo dos vizinhos, visto que, ao sair de casa, o cão não para de chorar (essa é a cena inicial do filme, e também a que justifica seu título). Depois, inicia um emprego em uma cooperativa de alimentos naturais, confrontando suas concepções nesse ambiente singular e humilde, como na sequência em que ensina os demais a utilizarem um </span><i><span style="font-weight: 400;">smartphone.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Transforma-se, ainda, em professor universitário e, anos depois, retorna a empresa em que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">para ser uma espécie de atendente, visto que agora é pai e suas escolhas tornaram-se escassas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das metáforas que não passam batido em </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/may/18/the-dog-who-wouldnt-be-quiet-review-ana-katz"><i><span style="font-weight: 400;">O Cão que Não Se Cala</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o da chegada de um misterioso cometa. Ao colidir com a Terra, o corpo celeste torna o ar tóxico — </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/11/21/interna_internacional,1208467/covid-19-e-poluicao-atmosferica-uma-relacao-toxica.shtml"><span style="font-weight: 400;">parece familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de alguma forma? —, obrigando as pessoas a utilizarem um cilindro para respirar. Por uma razão estranha, somente uma determinada altura da atmosfera é comprometida, e a utilização do aparelho permite que os indivíduos caminhem de forma ereta. Porém, mesmo com a situação de calamidade, o apetrecho permanece caro e inacessível a muitos, o que obriga os mais pobres a andarem agachados. Após ter seu cilindro furtado, Sebastian compõe o grupo dos que se locomovem sob essas circunstâncias, mas não parece se incomodar.</span></p>
<figure id="attachment_24174" aria-describedby="caption-attachment-24174" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24174" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1.jpg" alt="Cena do filme O cão que não se cala. Na foto em preto e branco, o personagem Sebastian está sentado em uma praia com os dois braços apoiados para trás, ao lado de um cachorro que está sentado ao seu lado. Os dois estão olhando para a frente. Sebastian é interpretado por um homem branco, e veste camiseta branca e shorts cinza. Ele possui cabelos longos e lisos de cor preta e barba preta. O cão possui os pêlos de cor cinza e branca, e está com as duas orelhas levantadas." width="1998" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Foto-3-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24174" class="wp-caption-text">Daniel Katz, ator que interpreta o protagonista Sebastian, é irmão de Ana Katz, diretora do longa-metragem (Foto: Oh my Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a superação da condição pandêmica, Sebas não está mais casado — algo que fica subentendido como uma consequência dos desgastes ocasionados durante o </span><a href="https://personaunesp.com.br/zoey-e-sua-fantastica-playlist-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">período atípico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, através das pausas silenciosas do filme, somos jogados a sensação de que a vida é composta por pequenos fragmentos intensos, nos quais a beleza consiste justamente na efemeridade dessas parcelas visuais. De certa forma, a aposta da diretora Ana Katz são as reflexões, e o que está em voga é essa visão existencialista, acompanhada da consciência de que a imprevisibilidade da vida é o que a torna especial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A composição em preto e branco do filme sinaliza para uma simplicidade que foi deixada de lado em troca de um mundo complexo e interconectado. O saudosismo dessa época menos complicada, na qual a urgência não havia dominado o todo, diz respeito à infância e à juventude, observadas no filme como fases infelizmente passageiras. Devido a brevidade da existência — sinalizadas no longa através dos cortes em eclipse, que ilustram os saltos temporais na vida do protagonista —, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-not-split-critica/"><span style="font-weight: 400;">liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> verdadeira materializa-se como algo difícil, pois não tem a ver exclusivamente com o que é feito diante de uma situação, mas sobre como os demais a recebem por você. Trata-se de entender que o livre-arbítrio é sobre os outros, e, sabendo disso, decidir seguir ou abdicar. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cão que Não Se Cala </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma ode aos recomeços.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="El perro que no calla – trailer | IFFR 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JO-XdX9Nmbo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Felicidade das Coisas se exprime entre angústias</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 18:00:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Uma família de classe média-baixa, desajustada, que viaja na expectativa de sair da rotina, fugir da monotonia e recarregar as energias, mas que ao chegar lá, precisa enfrentar todas as tensões que transbordam do lado de fora, dessa vez acompanhadas da frustração de que não há como escapar dos infortúnios da vida. É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-felicidade-das-coisas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Felicidade das Coisas se exprime entre angústias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24161" aria-describedby="caption-attachment-24161" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme ‘A Felicidade das Coisas’. Em foco, vemos o rosto de Paula, uma mulher de pele parda, cabelos da cor preta, curtos e lisos, que veste um suéter branco e vermelho, e uma camiseta branca por baixo. Ela olha para frente, séria e reflexiva. Ao fundo, vemos desfocado o pôr-do-sol tímido de um dia ligeiramente nublado." width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24161" class="wp-caption-text">O drama familiar em questão integra tanto a seção Mostra Brasil quanto a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família de classe média-baixa, desajustada, que viaja na expectativa de sair da rotina, fugir da monotonia e recarregar as energias, mas que ao chegar lá, precisa enfrentar todas as tensões que transbordam do lado de fora, dessa vez acompanhadas da frustração de que não há como escapar dos infortúnios da vida. É essa experiência, tão relacionável e tão próxima de nós, que é relatada em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme brasileiro que marca presença na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, revelando, por fim, a potência dessas pacatas relações, e o que encontramos ao investigá-las.</span></p>
<p><span id="more-24160"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, vemos o mundo pelos olhos de Paula (</span><a href="https://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/curta-que-concorre-a-vaga-no-oscar-tem-atriz-campo-grandense"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Saravy</span></a><span style="font-weight: 400;">), mãe de duas crianças, e que agora espera uma terceira filha. O cenário é o de uma casa de veraneio em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, onde ela passa as férias com os filhos e sua mãe (</span><a href="https://revistaquem.globo.com/TV-e-Novelas/noticia/2020/02/magali-biff-de-amor-de-mae-ja-foi-bruxa-em-chiquititas-nos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">Magali Biff</span></a><span style="font-weight: 400;">). Acompanhamos o cotidiano daquele espaço, a família frequentando a praia suja e modesta; observando, do outro lado da grade, as outras crianças brincando e relaxando no clube riquíssimo da cidade, que eles não podem pagar; convivendo com a vizinhança, para eles ainda estranha; enquanto lidam com suas desconfianças e aprendem a confiar uns nos outros.</span></p>
<p><figure id="attachment_24162" aria-describedby="caption-attachment-24162" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme ‘A Felicidade das Coisas’. Vemos, em foco, duas pessoas. A primeira, à esquerda, é uma mulher branca, idosa, com cabelos lisos e castanhos-claros presos, vestindo uma regata florida e um colar no pescoço. Ela olha para cima, encarando as mãos de sua neta. A garota, à esquerda, é uma menina negra, com cabelos pretos e lisos, presos em um rabo-de-cavalo. Ela está de perfil, veste uma regata azul, e tem suas duas mãos levantadas em direção à cabeça de sua avó, onde ela coloca presilhas em seu cabelo. O cenário diurna, e as duas estão na parte interna de um carro, onde sentam no banco de trás." width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24162" class="wp-caption-text">A ambientação e temas de A Felicidade das Coisas compartilham semelhanças com outra produção brasileira: Benzinho (2018), de Gustavo Pizzi [Foto: Embaúba Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do tempo, a narrativa gira em torno de um grande objeto: a piscina que Paula pretendia construir na casa. Esse desejo, contudo, desvanece quando seus problemas financeiros vêm à tona. Ela não consegue pagar pelos materiais para a construção, e seu marido mantém-se distante, recusando a ajudá-la financeiramente. A piscina, antes a solução imediata para seus problemas, agora torna-se apenas mais um dos inúmeros fardos que Paula precisa carregar, que culminam no seu </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/05/09/sobrecarga-desemprego-e-inseguranca-a-vida-das-maes-um-ano-apos-chegada-da-covid-19"><span style="font-weight: 400;">completo sufocamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. O sentimento que fica é que, não importa o quanto se esforce, ela nunca terá </span><a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/download/42114/23913"><span style="font-weight: 400;">direito ao alívio</span></a><span style="font-weight: 400;">. E sua reação instintiva a essas viscerais emoções é a dureza e hostilidade, o que faz com que ela, ainda que não se dê conta, gradualmente se afaste daqueles que ama.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Joy of Things</span></i><span style="font-weight: 400;">, no inglês) é a estreia de </span><a href="https://45.mostra.org/diretores/thais-fujinaga"><span style="font-weight: 400;">Thais Fujinaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> na direção de longas-metragens e, através do filme, a diretora demonstra de cara sua inventividade e visão sofisticada. Sua direção ambienta o espectador de forma orgânica, e nos entrega elementos a respeito daquele microuniverso com plena naturalidade. Informações como ‘o lugar onde a história se passa’ ou ‘o período no tempo em que eles estão’ são ditas sutilmente, de modo que o público as absorva espontaneamente, mesmo que não perceba. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, não necessariamente o filme segue uma estrutura narrativa de três atos, apostando em uma divisão mais ramificada, quase como uma sequência de esquetes independentes que se conectam. Esse caminho poderia ser um ponto negativo, mas aqui ele potencializa as qualidades do longa, pelo caráter sólito e corriqueiro daqueles conflitos. Isso dá verossimilhança para a trama, sugerindo que ela carrega muito mais história do que os registros que temos acesso, ao mesmo tempo que traz a sensação de que estamos realmente vivendo aquelas intempéries com a família. No fim, nos conectamos facilmente com esses personagens exatamente porque as situações retratadas ali são absolutamente cotidianas.</span></p>
<figure id="attachment_24163" aria-describedby="caption-attachment-24163" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme ‘A Felicidade das Coisas’. Vemos, de perfil, e em foco, Guto, um garoto negro, de cabelos lisos e curtos da cor preta, que veste uma camiseta laranja com gola branca. Ele tem fones de ouvido presos em suas orelhas, e ele fecha os olhos enquanto ouve a música. O menino está sentado no banco de passageiro de um carro, e apoia sua cabeça sobre o banco. O cenário é diurno e, ao fundo, do lado de fora, vemos materiais de construção dispostos pelo terreno onde o carro está estacionado." width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24163" class="wp-caption-text">A fotografia de André Luiz de Luiz aposta em uma iluminação natural com cores sóbrias, reforçando a natureza ordinária daqueles registros (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fujinaga também sabe precisamente no que dar foco e quando dar foco. Um exemplo é a imagem do marido de Paula, pai das crianças. Ele não tem voz, não tem rosto, nem presença. Nunca explica-se a real conjuntura do casamento entre ele e a protagonista, mas sabe-se que o homem é negligente, tanto com sua esposa, que precisa mais do que nunca da sua ajuda pela chegada do bebê, quanto com seus filhos, que sentem com pesar essa ausência. A escolha de manter o personagem nas sombras, praticamente apagado, é primorosa, não só por traduzir com exatidão como a família se sente a seu respeito, como também por parecer partir da intenção ativa de não apagar o </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/cuidado-maes-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">sofrimento e aflição</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Paula, que poderiam, com facilidade, ser menosprezados por um cineasta menos sensível e sem a </span><a href="http://centrodaterra.org.br/thais-fujinaga"><span style="font-weight: 400;">bagagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vivência de Thais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que o título primariamente dá a entender, </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/a-felicidade-das-coisas"><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Coisas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trata muito mais sobre as angústias que acompanham a vida e nossas relações afetivas. Mas, principalmente, trata sobre as alternativas que procuramos na tentativa de nos livrarmos dessas angústias: sobre o Guto (</span><a href="https://www.instagram.com/messiasbarrosgois/"><span style="font-weight: 400;">Messias Barros Góis</span></a><span style="font-weight: 400;">) desprendendo-se da mãe e buscando validação entre os garotos da comunidade; sobre a Gabi (</span><a href="https://www.instagram.com/laviniacastelari.oficial/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Lavínia Castelari</span></a><span style="font-weight: 400;">) se esforçando para compreender os conflitos da família através de suas lentes ainda ingênuas; sobre a Paula lutando contra seus desencantos, e sobre a avó encontrando maneiras de colocar aquela piscina em pé, almejando restaurar os vínculos familiares, já em cacos. A mensagem final do filme é dúbia, sem saber concluir se a busca por essa felicidade vale ou não seu preço. Porém, ratifica que é apenas por meio desses elos tão complexos que conseguimos perceber o mundo à nossa volta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A felicidade das coisas – trailer | IFFR 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OvvXfpjJeJc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O austero encanto das Bruxas do Oriente</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 20:52:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra “Era uma vez, um grupo de mulheres dotadas de poderes sobrenaturais&#8230;” poderia sussurar o âmago de As Bruxas do Oriente (Les Sorcières De L&#8217;Orient, no original), apenas no caso de o filme em questão não se dedicar à uma história real que em nada se assemelha com os contos de fadas que conhecemos. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-bruxas-do-oriente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O austero encanto das Bruxas do Oriente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24015" aria-describedby="caption-attachment-24015" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24015" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400.jpeg" alt="Cena do documentário As Bruxas do Oriente. A imagem mostra um momento de uma partida de voleibol. Ao centro, está uma jogadora japonesa de cabelos curtos pretos, vestindo o uniforme da esquipe que consiste numa camiseta branca de mangas e golas vermelhas e um short azul marinho. Ela segura a bola branca na mão direita, preparando-se para realizar um saque. Ao fundo, pode-se observar o público que acompanha a partida." width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400.jpeg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/images-w1400-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24015" class="wp-caption-text">Uma história real fantástica é o que o longa As Bruxas do Oriente traz para a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Lightdox)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma vez, um grupo de mulheres dotadas de poderes sobrenaturais&#8230;</span></i><span style="font-weight: 400;">” poderia sussurar o âmago de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Bruxas do Oriente </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Les Sorcières De L&#8217;Orient</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas no caso de o filme em questão não se dedicar à uma história real que em nada se assemelha com os contos de fadas que conhecemos. A atmosfera que o documentário cria na seleção da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, no entanto, é quase a mesma de um conto fantástico, criada na tela do diretor Julien Faraut à medida em que ele nos apresenta a narrativa de uma equipe de voleibol do Japão da década de 60 considerada uma das melhores do mundo todo.</span></p>
<p><span id="more-24014"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção francesa mergulha no fascínio da história daquele time composto por mulheres imparáveis. A partir dos relatos de cada uma delas sobre o tempo em que dominavam as quadras de vôlei mundo afora, o filme avança na desmistificação do imaginário que cerca as chamadas</span> <a href="https://coisasdojapao.com/2021/07/bruxas-do-oriente/"><i><span style="font-weight: 400;">Bruxas do Oriente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que na verdade, bem longe de corresponderem à ideia de figuras mágicas, eram trabalhadoras de uma fábrica têxtil no interior do Japão, que chegou onde chegou através de um treinamento extremamente rigoroso.</span></p>
<figure id="attachment_24016" aria-describedby="caption-attachment-24016" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24016" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280.jpg" alt="Cena do documentário As Bruxas do Oriente. A imagem mostra um time de vôlei feminino do Japão treinando. Duas fileiras de mulheres uniformizadas com camisetas brancas e shorts vermelhos estão fazendo flexões no chão. No meio das fileiras, existe um homem, o treinador, que usa um moletom verde e observa as atletas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1055048-witches-orientstill13-1280-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24016" class="wp-caption-text">Os números da equipe são impressionantes: As Bruxas do Oriente treinavam seis dias por semana, em 51 semanas do ano, e saíram vencedoras de um número recorde de 258 partidas consecutivas (Foto: Lightdox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre imagens do presente e do passado, a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XfT6HFfBeWw"><span style="font-weight: 400;">Julien Faraut</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a fotografia de Yukata Yamazaki, a edição de Andrei Bogdanov e a trilha de Jason Lytle K-Raw explora livremente o encanto da narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Witches Of The Orient</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quase como o balé organizado de um jogo de vôlei real, o filme trabalha com jogos de cena que criam a noção de algo fantástico: a câmera gira em torno das mulheres enquanto cenas delas em quadra são congeladas ao lado das imagens atuais, num anseio de capturar a magia daquele tempo e transportá-la para o ambiente ordinário que hoje sedia um encontro das lendas do esporte mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo fica ainda mais interessante, único e fantasioso quando o filme incorpora ilustrações animadas como aliadas ao desenvolvimento de sua narrativa. Assim, a linguagem singular de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Bruxas do Oriente</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega um documentário cheio de personalidade, tão preocupado com a sua experiência estética quanto com a sua história. Nesse sentido, o segundo ponto, no fim das contas, se torna algo complexo no desenvolvimento do longa, já que o apreço pelos depoimentos das mulheres, compartilhando experiências muito similares de uma </span><a href="https://site.aliancacultural.org.br/1964-bruxas-do-oriente/#:~:text=O%20apelido%20T%C5%8Dyo%20no%20Majo,da%20sele%C3%A7%C3%A3o%20japonesa%20de%20v%C3%B4lei."><span style="font-weight: 400;">origem humilde e busca por ascensão</span></a><span style="font-weight: 400;"> através do esporte, confunde o fio narrativo com um ciclo de conteúdo.</span></p>
<figure id="attachment_24018" aria-describedby="caption-attachment-24018" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24018" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B.jpg" alt="Cena do documentário As Bruxas do Oriente. A imagem mostra, em primeiro plano no lado direito, uma atleta japonesa de vôlei. Ela olha para a direita, fora da imagem, e tem cabelos curtos pretos e veste o uniforme do time, uma camiseta branca de golas e mangas vermelhas. Atrás dela, existe outra atleta, e é possível observar o teto da quadra onde elas estão em desfoque." width="2000" height="1332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Oriental-Witches-B-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24018" class="wp-caption-text">A época em que o time surpreendeu o mundo era também o momento em que o Japão buscava mostrar sua reconstrução, depois das bombas nucleares que devastaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki e da derrota na Segunda Guerra Mundial (Foto: Lightdox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme traz apenas vislumbres para mostrar que </span><a href="https://www.nikkeyweb.org.br/as-bruxas-do-oriente-e-o-que-fizeram-para-ganhar-a-medalha-de-ouro-pelo-japao/"><span style="font-weight: 400;">nada na vida daquelas vitoriosas era um conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que muito menos </span><i><span style="font-weight: 400;">As Bruxas</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram personagens maquiavélicas e  implacáveis. Não é na bruxa número 7, na bruxa número 5 ou na bruxa número 3 &#8211; como elas mesmas se apresentam &#8211; que os traços místicos são encontrados. O único e verdadeiro deles é atribuído ao treinador Hirobumi Daimatsu, um ex-comandante de pelotão do Exército Imperial Japonês, conhecido popularmente como um legítimo demônio entre as pessoas que conheciam o ritmo dos treinos da equipe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dificuldade em lidar com as histórias daquelas mulheres parece surgir da mesma direção que lida muito bem com todos os outros elementos do filme. Afinal, não é uma surpresa que a dedicação do olhar do diretor francês </span><a href="https://personaunesp.com.br/pieces-of-a-woman-critica/"><span style="font-weight: 400;">não consiga identificar o potencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma narrativa permeada por questões de gênero, nem trabalhar a importância do contexto de atuação das </span><i><span style="font-weight: 400;">Bruxas do Oriente</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ninguém imaginava que um time de vôlei feminino oriental iria trazer uma experiência mágica para o mundo dos anos 60, mas o centro do documentário é categórico em sua representação: de pessoas ordinárias nascem histórias fantásticas.</span></p>
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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-bruxas-do-oriente-critica/">O austero encanto das Bruxas do Oriente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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