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	<title>Arquivos Exposição &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Exposição &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Beyond Van Gogh borra a linha entre exposição e imersão</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 17:27:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eva Aprilanti Beyond Van Gogh é uma exposição que ocorreu em São Paulo no Morumbi Shopping desde o dia 17 de março até o dia 03 de julho de 2022, e chegou ao Brasil este ano em homenagem ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A instalação é imersiva, pois o público vivencia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/beyond-van-gogh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beyond Van Gogh borra a linha entre exposição e imersão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28178" aria-describedby="caption-attachment-28178" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-28178 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7493.jpeg" alt="Foto da sala principal da exposição. Nela há pessoas sentadas no chão ou em pé, vendo as projeções das obras nas paredes e no chão, na projeção aparece uma parte de uma pintura de Van Gogh na qual se vê várias folhas e uma floresta criando um ambiente esverdeado." width="3024" height="2621" /><figcaption id="caption-attachment-28178" class="wp-caption-text">Imagem da sala principal durante a apresentação do vídeo (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><b>Eva Aprilanti</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Beyond Van Gogh</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma </span><a href="https://www.livepass.com.br/beyond-van-gogh"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ocorreu em São Paulo no Morumbi Shopping desde o dia 17 de março até o dia 03 de julho de 2022, e chegou ao Brasil este ano em homenagem ao centenário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;">. A instalação é imersiva, pois o público vivencia a experiência entre as telas e multimídias a vida do artista holandês como se estivesse mergulhando na sua história e nas suas obras.</span></p>
<p><span id="more-28174"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma parte da apresentação destinada somente à leitura da </span><a href="https://www.todamateria.com.br/van-gogh/"><span style="font-weight: 400;">biografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista. Vincent Van Gogh teve uma vida complicada e repleta de crises, não tinha uma boa relação com seus familiares, com exceção de seu irmão Theo, que o apoiou durante toda sua trajetória. Em 1880, ele foi para Bruxelas onde iniciou a sua carreira além de começar a estudar Arte, nessa época ele enviou uma carta ao seu irmão dizendo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase que descreve bem as obras do autor. O pintor holandês nasceu em uma pequena aldeia chamada Zundert em 1853 e se suicidou em 1890, após longos anos doente e isolado do mundo.</span></p>
<figure id="attachment_28177" aria-describedby="caption-attachment-28177" style="width: 2943px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28177 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7458.jpeg" alt="Foto dos girassóis iluminados com luzes nas pétalas, na frente de um fundo com uma imagem de um campo de girassóis, a qual passa a sensação de continuidade das flores, e uma montanha no fundo durante um pôr de sol." width="2943" height="3461" /><figcaption id="caption-attachment-28177" class="wp-caption-text">Girassóis que fazem referência a obra de Van Gogh (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início da exibição, o público passeia por girassóis cheios de luzes que fazem referência às famosas flores de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtrj5zCkpyM"><span style="font-weight: 400;">Van Gogh</span></a><span style="font-weight: 400;">, e passam a sensação de estar caminhando em um campo mágico, alegre e acolhedor. Nessa sala já existe um ambiente perfeito para tirar boas fotos, além de ser um lugar que desperta a  curiosidade para o restante da apresentação, já que não é possível ver os outros espaços. Após isso, as pessoas são encaminhadas para uma sala que conta a bibliografia do autor, em um ambiente com ar mais sério e que exige concentração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente, o ambiente com a sua biografia escrita em telas é a sala menos imersiva da apresentação, pois não tem uma interação com o público e exige um pouco de paciência, concentração, além da vontade de ler e entender a </span><a href="https://www.ebiografia.com/van_gogh/#:~:text=Vincent%20van%20Gogh%20"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Van Gogh. Esse lugar certamente pode ser entediante para as crianças, deixando-as mais inquietas pois não há pinturas ou girassóis bonitos, além disso é o único local da apresentação onde não é tão propício tirar fotos. </span></p>
<figure id="attachment_28176" aria-describedby="caption-attachment-28176" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28176 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7478.jpeg" alt="Foto da sala principal da exposição com projeções nas paredes e no chão de flores sobre uma pintura de Van Gogh, para dar efeito de fluidez na transição das imagens durante o vídeo, também contém pessoas tirando fotos e algumas sentadas no chão apreciando." width="3024" height="4032" /><figcaption id="caption-attachment-28176" class="wp-caption-text">Pessoas sentadas observando as projeções na exposição Beyond Van Gogh  (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a sala que conta a biografia do autor, o público é encaminhado para a sala principal, na qual será reproduzido um vídeo, de aproximadamente 20 minutos, nas paredes e no chão por meio de projetores. Essa definitivamente é a melhor sala da apresentação, pois dá a sensação de estar dentro das obras de Van Gogh, criando um local emocionante e maravilhoso. O vídeo mostra em ordem cronológica as obras, dando vida a elas juntamente com algumas frases importantes na vida de Van Gogh e uma trilha sonora sentimental, fazendo-nos mergulhar na sua história e entender as diferentes fases da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WJEWdwfcmA8"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista, sendo possível sentir as tristezas e o clima tenso no qual ele vivia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa sala principal, o público pode caminhar ou sentar em banquinhos para apreciar a apresentação, e as crianças se divertem com a fluidez das obras ganhando vida e passando por baixo de seus pés. Além disso, o lugar também traz um tom melancólico, e nos faz refletir em como ele não recebeu a devida importância em vida, tendo apenas uma obra vendida em toda a sua carreira. Apesar desse tom melancólico e emocionante, a sala proporciona um cenário maravilhoso e criativo para tirar fotos com o fundo das obras de Van Gogh. </span></p>
<figure id="attachment_28175" aria-describedby="caption-attachment-28175" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-scaled.jpeg" alt="Imagem da sala principal projetando uma das obras mais famosas de Van Gogh, A Noite Estrelada, e várias pessoas prestigiando a apresentação, tanto em pé quanto sentadas, no chão ou em bancos." width="2560" height="1455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-800x455.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1024x582.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-768x437.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1536x873.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-2048x1164.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1200x682.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28175" class="wp-caption-text">Foto da projeção de A Noite Estrelada, uma das obras mais famosas de Van Gogh (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A exibição encerra após os 20 minutos deixando o público emocionado com a beleza das obras e com a sutileza da apresentação. A experiência é realmente imersiva e emocionante, uma chuva de sentimentos, nos remete a memórias da infância, das fases difíceis da vida e da sensação de estar vivo. Estava disponível para o público de todas as idades, além de ser acessível para pessoas com deficiência. Ela ocorreu no estacionamento superior do </span><a href="https://www.morumbishopping.com.br/dicas-e-novidades/beyond-van-gogh-brasil"><span style="font-weight: 400;">Shopping Morumbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o acesso se deu por elevadores, mas a sinalização para chegar na exposição era bem falha, o que gerou certa dificuldade para encontrar o local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvidas, nesse lugar existiu uma experiência única e tranquila, um ambiente repleto de pessoas interessadas nas obras e um ótimo programa cultural para se fazer em São Paulo. Além disso, é perfeito para quem buscava atualizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Instagram com fotos bonitas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-light-for-attracting-attention-critica/"><span style="font-weight: 400;">criativas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O valor variava dependendo do dia da semana, do período e do pacote que o indivíduo deseja, pagando meia-entrada vale cada centavo, mas de fato o preço do ingresso inteiro pode ser salgado para a maioria dos bolsos. Os ingressos para os dias de semana eram R$80,00 no período diurno e R$100,00 no período noturno, e nos finais de semana os valores saíam a partir de R$140,00, todos com a opção de meia-entrada para estudantes. Além disso, existiam os pacotes </span><i><span style="font-weight: 400;">Vip Experience</span></i><span style="font-weight: 400;"> de acordo com a sua preferência que garantiam benefícios exclusivos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">drinks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">posters</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28180" aria-describedby="caption-attachment-28180" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28180 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7487.jpeg" alt="Imagem de uma criança apoiada na parede com a projeção que tem um fundo azul claro e um galho com flores brancas pintado por Van Gogh." width="3024" height="4032" /><figcaption id="caption-attachment-28180" class="wp-caption-text">Criança encostada na parede durante a projeção de uma árvore (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
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		<title>Nirvana e Philip Glass: o popular no Ibirapuera</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Sep 2017 20:48:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira A popularidade talvez seja o único aspecto inquestionável nas discussões sobre o Nirvana, a banda que uniu todas as tribos, em 2017. Apesar do status de clássico, Nevermind (1991) permanece um álbum mais discutido do que ouvido: revolucionou o rock ou é um plágio superestimado de antecessoras menos conhecidas? E o tal grunge, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nirvana e Philip Glass: o popular no Ibirapuera"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8541" aria-describedby="caption-attachment-8541" style="width: 506px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-8541" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_160048-e1505758419807-768x1024.jpg" alt="Nirvana Taking Punk to the Masses Samsung Exposição Ibirapuera" width="506" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_160048-e1505758419807-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_160048-e1505758419807-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_160048-e1505758419807-1200x1600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 506px) 85vw, 506px" /><figcaption id="caption-attachment-8541" class="wp-caption-text">Come as You Are: entrada da exposição sobre a banda no Ibirapuera (foto: Jesus Cristo)</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>A popularidade talvez seja o único aspecto inquestionável nas discussões sobre o Nirvana, a banda que uniu todas as tribos, em 2017. Apesar do status de clássico, <a href="http://personaunesp.com.br/nirvana-25-anos-depois-espirito-adolescente-prevalece-mais-forte-nunca/" target="_blank" rel="noopener"><em>Nevermind</em></a> (1991) permanece um álbum mais discutido do que ouvido: revolucionou o rock ou é um plágio superestimado de antecessoras menos conhecidas? E o tal <em>grunge</em>, foi movimento ou só rótulo da MTV?<span id="more-8539"></span></p>
<p>No centro dessas discussões &#8211; carregadas de dicotomias fatalistas &#8211; está a figura de Kurt Cobain. Mesmo falecido há décadas, a figura do loiro canhoto de voz rouca ainda se mostra bastante vendável; e tome <a href="https://www.discogs.com/Kurt-Cobain-Montage-Of-Heck-The-Home-Recordings/master/912104" target="_blank" rel="noopener">registros caça-níquel, </a><a href="http://time.com/4106514/kurt-cobain-sweater-auction/" target="_blank" rel="noopener">leilões mórbidos</a> e o que mais pintar pra sugar o defunto. Um artista que morreu agonizado com a fama messiânica, diga-se de passagem. Nada mais natural, então, do que desconfiar que a exposição <em>Nirvana: Taking Punk to The Masses </em>pudesse ser só mais um item de luxo nesse cenário sanguessuga.</p>
<p>Uma visita ao parque do Ibirapuera em São Paulo (<a href="https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=58743#!/tickets" target="_blank" rel="noopener">onde a mostra permanece até o dia 12 de dezembro deste ano</a>) provou não ser o caso. É provável que Cobain não gostasse da ideia de ter roupas suas expostas como algo histórico, mas a seleção de outros itens como fitas demo, <em>setlists </em>e destroços de instrumentos quiçá fosse de seu agrado. Em tempos de debates inflamados sobre o que é ou deixa de ser arte, relembrar que até sucata pode fazer parte da história é uma ode contra o elitismo. É popular, raíz. <em>Punk</em>, acima de tudo &#8211; como o próprio Kurt.</p>
<figure id="attachment_8543" aria-describedby="caption-attachment-8543" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_163229-e1505761889143-768x1024.jpg" alt="" width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_163229-e1505761889143-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_163229-e1505761889143-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_163229-e1505761889143-1200x1600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8543" class="wp-caption-text">Nazi Punks Fuck Off: camiseta do acervo pessoal de Krist Novoselic e lembrete do teor político da arte do Nirvana (foto: Eu Mesmo)</figcaption></figure>
<p>O maior acerto da curadoria, porém, é recordar que Nirvana não se resumiu a &#8220;Smells Like Teen Spirit&#8221;, <em>Nevermind</em> ou dramas da família Cobain. Fazendo jus ao nome, a exposição recorda o próprio surgimento da estética <em>do it yourself </em>do rock <em>underground </em>em murais e vídeos, com comentários de nomes seminais de diferentes cenas nos Estados Unidos. <a href="https://i2.wp.com/coisosonthego.com/wp-content/uploads/2017/09/Exposicao-Nirvana-Taking-Punk-to-the-Masses-Mural-com-20-discos-da-colecao-pessoa-de-Krist-Novoselic-que-mais-o-inspiraram.jpg?ssl=1" target="_blank" rel="noopener">Os painéis com discos</a> merecem destaque especial, com amplos panoramas ilustrados por seleções precisas de canções.</p>
<p>Apenas uma hora de duração não bastou para desfrutar tudo ali &#8211; como resistir à tentação de passar dez minutos só no cenário do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AhcttcXcRYY" target="_blank" rel="noopener">clássico Acústico MTV</a>? -, mas o investimento se mostrou correto. Mais do que guia da história do trio de Aberdeen ou uma chance de ouvir bandas diferentes, <em>Taking Punk to the Masses </em>serve como jornada ao centro de um fenômeno popular. E não falo do próprio Nirvana. Eles podem ter sido a explosão perfeita para uma era mas, acima de tudo, souberam catalisar ensinamentos de um movimento muito amplo e traduzi-los maneira criativa, sem perder o apelo às raízes. As palavras do baixista Krist Novoselic não poderiam ser mais precisas: acima de revoluções, tratava-se de uma banda evolutiva.</p>
<figure id="attachment_8542" aria-describedby="caption-attachment-8542" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_164552-e1505760825710-768x1024.jpg" alt="" width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_164552-e1505760825710-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_164552-e1505760825710-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_164552-e1505760825710-1200x1600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-8542" class="wp-caption-text">Seção dedicada à era In Utero: entre as poucas guitarras inteiras expostas (Foto: Igor Piaga)</figcaption></figure>
<p><strong>Philip Glass&#8230; on the grass?</strong></p>
<p>Agora restava esperar pela segunda parte da programação daquele domingo, o show <em>Philip Glass 80 + Piano. </em>Um dos principais nomes da música erudita contemporânea, Glass se consolidou como expoente do gênero minimalismo ao lado de nomes como Steve Reich e Arvo Pärt. Sua carreira inclui colaborações com <a href="http://personaunesp.com.br/?s=david+bowie" target="_blank" rel="noopener">David Bowie</a>, <a href="http://personaunesp.com.br/baladinha-top-persona/" target="_blank" rel="noopener">Aphex Twin</a> e <a href="https://www.publico.pt/culturaipsilon/jornal/marisa-monte-nao-me-preocupo-em-ser-pop-mas-em-ser-propria-96241" target="_blank" rel="noopener">Marisa Monte</a>, dentre incontáveis outros, além de trilhas sonoras conceituadas.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5eqszU2O7a1XCf6NOrvd9K" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>Popular não me parecia uma palavra aplicável a Glass, embora o músico desfrute de maior fama em relação a contemporâneos. Talvez o teor canônico que envolve tudo acerca da famigerada música clássica tenha transformado o adjetivo em uma ofensa &#8211; o velho papo de Bordieu sobre a construção social dos gosto.</p>
<p>Essa impressão foi embora no momento em que, após a insistência do camarada <a href="http://personaunesp.com.br/?s=lucas+marques" target="_blank" rel="noopener">Lucas Marques,</a> aceitei assistir ao concerto sentado na grama. Oras, como assim, ver um pianista renomado de pé deveria ser pré-requisito&#8230;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Philip-Glass-Ibirapuera-80-piano.png" alt="" width="970" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Philip-Glass-Ibirapuera-80-piano.png 970w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Philip-Glass-Ibirapuera-80-piano-300x157.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/Philip-Glass-Ibirapuera-80-piano-768x402.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Ao nível do chão, percebi que havia feito confusão semântica. Philip Glass pode não ser <em>mainstream</em>, mas sua música não deixa de ter forte apelo popular. A começar pelo formato do show que, além do próprio, incluiu apresentações de quatro pianistas (Ricardo Castro, Heloísa Fernandes, Jenny Lin e Maki Namekawa) interpretando suas obras. Juntar nomes fortes dos dois lados do oceano &#8211; pra tocar piano em um espetáculo gratuito! &#8211; não podia ser resultado de apenas bons contatos.</p>
<p>Valia a pena dividir a atenção ente o palco e o público. Ali perto de onde estávamos, um casal brincava com seu bebê no ritmo das teclas, uma moça só abria os olhos na hora de aplaudir e um rapaz ficou com as pernas dormentes, buscando a melhor posição para enxergar os músicos. Enquanto trocava piadas e perguntas com o senhor Marques, reparei que meu celular era dos mais ativos na região; e isso porque só o ligava para tirar uma foto ao fim de cada ato, mais pelo registro do que qualquer coisa.</p>
<figure id="attachment_8545" aria-describedby="caption-attachment-8545" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-8545" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_195407-1024x768.jpg" alt="" width="840" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_195407-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_195407-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_195407-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/20170917_195407-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8545" class="wp-caption-text">A patota teclera completa no palco: quando a existência da foto é mais relevante que a qualidade (Foto: Eu mesmo)</figcaption></figure>
<p>De modos distintos, todos os presentes pareciam estar em comunhão com o que saía das caixas de som. Os nomes dos intérpretes ou das peças pouco importavam: ao tom da primeira nota, o silêncio se tornava quase lei no auditório externo do Ibirapuera. Discutir a trajetória de Glass ou tentar explicar as nuances dos subgêneros atribuídos à sua música não era prioridade. A experiência única ali proposta, sim.</p>
<p>Na corrida de volta para o metrô (que incluiu a perda de duas viagens no Uber), o público pareceu triplicar. Dentre os comentários que pesquei, nenhuma crítica foi detectada. A ideia de que apenas uma elite era capaz de fruir o que havia sido oferecido na programação daquele dia foi ralo abaixo, e lembrei de um comentário de Hugo Wilcken em seu livro sobre <a href="http://personaunesp.com.br/bowie-o-homem-que-caiu-em-berlim/" target="_blank" rel="noopener"><em>Low</em></a> (1977): quando artistas dão acento pop a vanguardas complexas, eles as legitimam para um público maior. Fica a esperança de que a crença de que popular não é, por natureza, pasteurizado ou banal caia por terra cada vez mais. Punk ou erudito, tudo é possível e passível de criatividade acentuada &#8211; mesmo em um domingo qualquer no parque.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Olhares distantes na Exposição &#8220;Arte Contemporânea no acervo Sesc&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 May 2017 22:26:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adriano Arrigo Os olhos de Ana Júlia Lucarelli não paravam de acompanhar os traços de carvão que a artista Letícia Sekito desenhava no chão da entrada do Sesc Bauru. Letícia era convidada do Sesc para a abertura da mostra Arte Contemporânea no Acervo Sesc, apresentação itinerante que chegou a Bauru em 30 de Abril e permanecerá &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/arte-contemporanea-no-acervo-sesc/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Olhares distantes na Exposição &#8220;Arte Contemporânea no acervo Sesc&#8221;"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_7636" aria-describedby="caption-attachment-7636" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7636 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-1024x682.jpg" alt="capa" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7636" class="wp-caption-text">Reprodução/SESC</figcaption></figure>
<p><strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<p>Os olhos de Ana Júlia Lucarelli não paravam de acompanhar os traços de carvão que a artista Letícia Sekito desenhava no chão da entrada do Sesc Bauru. Letícia era convidada do Sesc para a abertura da mostra <em>Arte Contemporânea no Acervo Sesc</em>, apresentação itinerante que chegou a Bauru em 30 de Abril e permanecerá até 2 de Julho. Assim como Ana Júlia, outras crianças permaneciam no local, bem no limiar entre a performance de Letícia e o espaço dedicado ao público. <span id="more-7635"></span><br />
Para elas, algo muito interessante acontecia ali. Ao som das texturas musicais do artista Manuel Pessoa Lima, que ambientavam com tons obscuros o <em>hall</em> de entrada da unidade, Letícia, melada de pó preto, desenhava riscos aparentemente sem conexão no chão. As crianças vinham de todos os lados e pegavam pufes para sentar e observar esse evento. Já os adultos ficaram de longe escoltando a performance com suas câmeras, luzes e celulares.</p>
<figure id="attachment_7637" aria-describedby="caption-attachment-7637" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7637 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/1-1024x575.jpg" alt="1" width="840" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/1-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/1-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7637" class="wp-caption-text">Crédito: Adriano Arrigo</figcaption></figure>
<p>“Pelo que eu entendi, o carvão é a árvore. E ela estava tentando reconstruir a árvore ali porque ela estava fazendo o pezinho da árvore com o carvão. Achei muito interessante porque no meio tinha som de carro na rua, ônibus, essas coisas. E aí que a gente tem que ajudar a preservar a natureza”, conta Ana Júlia, sobre sua interpretação da performance. Os sons produzidos para a performance assustavam as pessoas que passavam pela entrada, mas Ana se manteve concentrada. “Não fiquei assustada. Achei interessante pelo que ela estava fazendo.”</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/6mzLeWJuUjA?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>A performance se tratava do experimento #15, que compõe a série <em>Fluxos em Preto e Branco</em>, iniciada em 2011. Cada apresentação única mostra a relação entre dança e desenho mas, sobretudo, a relação corporal, gesto e acaso. “A pergunta é o que pode acontecer quando eu escuto o que está acontecendo no momento e no meu corpo, sempre em relação a alguma coisa, que começa com uma relação física. Eu considero o carvão um corpo, então é a minha relação com o peso, a forma e a sensação que ele me dá. E isso gera a ação física”, explica Letícia.</p>
<p>Ana Júlia estava correta em sua interpretação. Naquela noite, a artista também enxergou os 15 quilos de carvão usadas em sua performance e sua relação com a natureza. “Até então, eu pensava o carvão como algo que era apenas objeto de marcação e traço. Mas aqui, veio o carvão como matéria, algo que tem memória; como algo que, a princípio, está carbonizada gera vida? Extrapola a questão do desenho e do vestígio. Veio-me a sensação da memória, tempo e ancestralidade”, conta Letícia.</p>
<p>E, por coincidência ou não, a escultura <em>Espírito Santo Negro</em> (2002) de Ronaldo Brandão, apresentada também de material carbonizado, reflete a materialização da memória. A peça é somente uma das dez escolhidas pelo Sesc que garantem a representatividade de materiais como aço, cerâmica e acrílico e que perpassam fotografias, esculturas e objetos na exposição. No caso da obra de Brandão, pode-se também identificar o mito do Espírito Santo, aqui representado por uma pomba &#8211; além de certa subversão, em tratar o objeto provido de um material morto para representar a vida. Mas essa é somente uma das interpretações possíveis que a mostra pode proporcionar.</p>
<figure id="attachment_7638" aria-describedby="caption-attachment-7638" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7638" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/2.jpg" alt="2" width="750" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/2-300x243.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/05/2-768x622.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-7638" class="wp-caption-text">Polissemia N (2003) de Suzy Okamoto e Karlla Girotto. Reprodução/SESC</figcaption></figure>
<p>A materialização de um gosto, sentimento ou ideia ultrapassa a questão da matéria nas obras apresentadas na exposição. Elas também são representadas pelo fragmento de um momento como é o caso das peças <em>Polissemia N</em> (2003) de Suzy Okamoto e Karlla Girotto e <em>Narciso 5 – A Primeira Fala</em> (1998), de José Luiz de Pellegrin. Em ambas, a fotografia é suporte para valorização de uma ideia; na criação da dupla Okamoto e Girotto, temos o busto nu de uma mulher traçado por pérola. O cabelo azul de Girotto já coloca em xeque os padrões de beleza no mundo contemporâneo. E como na performance de Letícia, o corpo também é palco de demonstração artística. Já o trabalho de Pellegrin nos remete a pensar sobre a aparência vista pela ótica deformatória de espelhos e fotografias.</p>
<p>Por apenas essas duas obras e a performance da Letícia, é fácil perceber a presença do corpo na mostra além de temas correlatos a este tema. O trabalho de José Paulo intitulado Círculos (2010) é composto de aros de ferro preenchidos parcialmente por objetos ovais feitos de cerâmica. Um convite da dureza da gestão ou ainda sobre manipulação genética e seus desborramentos éticos, como sugere <a href="https://issuu.com/sesc.bauru/docs/livreto_exposicao_arte_acervo_sesc_" target="_blank">o material educativo da exposição</a>.</p>
<p>A exposição tem um carácter bastante educativo, mas não lúdico, como na última apresentação da unidade, <a href="http://personaunesp.com.br/exposicao-inedita-sesc-bauru-criancas-adultos-cativados-arte-contemporanea/" target="_blank">Arte à primeira vista</a>. Porém, a programadora cultural do Sesc Bauru, Eli Pimenta, conta que a escolha do tema possui carácter pedagógico. “É uma forma de informar além de formar o público. No período da manha e da tarde recebemos escolas para visitação guiada. A visita guiada serve para que a pessoa se questione como a arte lhe toca”, explica Eli.</p>
<p>O supervisor da exposição José Victor Oliveira, mais conhecido como Zeca, acredita que o ambiente da mostra traz um certo receio nas visitas. “Será que eu posso tocar na obra? Será que eu não posso? Se eu for falar, será que eu vou falar besteira?”, conta Zeca, que então destaca a importância dos instrutores. “Mas é óbvio que a interpretação está a cargo do visitante, e as leituras são baseadas na vivência e pessoal de cada um. As vezes as pessoas têm uma peça de arte em casa, mas a arte contemporânea chama atenção pelo seu tamanho. A obra de entrada (Círculos) desperta uma curiosidade enorme do público.”</p>
<p>Em seu espaço fechado somente por paredes que retém as obras, a curiosidade, de fato, é um dos objetivos que a exposição proporciona. A curadoria foi bastante precisa nesse sentido, já que as criações merecem ser vistas de perto, observadas e detalhadas. Ao final, a curiosidade vai dando espaço para a reflexão sob o impacto da arte contemporânea que, aos primeiros olhares, podem parecer estranhos, mas fazem mais sentido quando vistas de longe de firmes paradigmas e convenções.</p>
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		<title>Kandinsky: As cores do gigante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2016 22:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[CCBB]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Branco, 1920 Paula F. Vermeersch, docente em História da Arte e da Arquitetura no FCT/Unesp Exposta no ano passado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, nos Centros Culturais do Banco do Brasil, a mostra &#8220;Kandinsky: Tudo começa num ponto&#8221; trouxe, para o público brasileiro, a primeira oportunidade de ver não só quase &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kandinsky-cores-gigante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Kandinsky: As cores do gigante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1446" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/onwhite.jpg" alt="onwhite" width="1170" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/onwhite.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/onwhite-300x205.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/onwhite-768x526.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/onwhite-1024x701.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>No Branco, 1920</p>
<p><strong>Paula F. Vermeersch</strong><em>,</em><strong> </strong><em><span style="font-weight: 400;">docente em História da Arte e da Arquitetura no </span><span style="font-weight: 400;">FCT/Unesp</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exposta no ano passado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, nos Centros Culturais do Banco do Brasil, a mostra &#8220;Kandinsky: Tudo começa num ponto&#8221; trouxe, para o público brasileiro, a primeira oportunidade de ver não só quase toda a trajetória do gigante Wassily Kandinsky (1866-1944), mas também dos artistas ucranianos, russos e alemães que circularam nas vanguardas do início do século XX, além de artefatos sacros e cotidianos, que atestam a ligação destes artistas modernos com tradições figurativas ancestrais.</span></p>
<p><span id="more-1439"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percorrer a exposição foi, de certa forma, ser apresentado ao grande acervo do Museu Estatal de São Petersburgo, de difícil acesso, e coleções particulares de vários países. Ver um Kandinsky desconhecido pela maioria- um Kandinsky figurativo, paisagista, e criador de narrativas oníricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez muitos que foram na exposição se surpreenderam com estes Kandinsky- aparentemente tão distantes dos mais célebres do inventor da Arte Abstrata, do professor da Bauhaus e do escritor de textos tão belos quanto difíceis como “</span><b>O espiritual na Arte</b><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<figure id="attachment_1444" aria-describedby="caption-attachment-1444" style="width: 494px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1444" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/redchurch.jpg" alt="redchurch" width="494" height="812" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/redchurch.jpg 494w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/redchurch-183x300.jpg 183w" sizes="auto, (max-width: 494px) 85vw, 494px" /><figcaption id="caption-attachment-1444" class="wp-caption-text">Igreja Vermelha, 1901-1903</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mostra dividia-se em </span><span style="font-weight: 400;">cinco blocos: &#8220;Kandinsky e as raízes de sua obra em relação com a cultura popular e o folclore russo&#8221; e &#8220;Kandinsky e o universo espiritual do xamanismo no Norte da Rússia&#8221;, onde as telas de juventude do artista conviviam com ícones do século XIII, peças de madeira trabalhada como cadeiras e artefatos da vida camponesa. Na seqüência, &#8220;Kandinsky na Alemanha e as experiências no grupo Der Blaue Reiter, vida em Murnau&#8221; trazia o Kandinsky paisagista do período alemão- a explosão de cores próxima de Van Gogh, Matisse e os chamados expressionistas, mas totalmente original e visualmente inesquecível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Diálogo entre música e pintura: a amizade entre Kandinsky e Schonberg&#8221;  nos explicava os caminhos da Abstração- quando o paisagista dedicou-se a pintar as suas paisagens interiores, o seu sentimento diante de peças musicais, os experimentos em traduzir em linhas, cores, áreas e pontos os ritmos e cadências dos mais variados estilos musicais. Por último, &#8220;Caminhos abertos pela abstração: Kandinsky e seus contemporâneos&#8221; explicitava os múltiplos entendimentos da Abstração- as diferenças não residem apenas nas caracterizações de estilos individuais, mas de propostas concretas- do que a Abstração parte? Do que o artista trata, ou não? O que significam as cores?.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível, a partir da mostra do CCBB, repensar, portanto, nosso conceito de vanguarda. O termo, retirado da linguagem militar (avant-garde, a linha de frente de um exército), foi utilizado a partir do século XIX para designar os artistas que estão “à frente” do gosto médio de sua época, da compreensão do público e do aplauso imediato da crítica. Serviu tanto para o ataque quanto para a defesa dos grupos de artistas que uniam-se ao redor de ideias, propostas formais e posições políticas.</span></p>
<figure id="attachment_1445" aria-describedby="caption-attachment-1445" style="width: 548px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1445" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/stgeorge.jpg" alt="stgeorge" width="548" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/stgeorge.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/stgeorge-259x300.jpg 259w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-1445" class="wp-caption-text">São Jorge I, 1911</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas duas primeiras décadas do século XX, divididos nestes grupos, os artistas empreenderam verdadeiras batalhas por uma nova compreensão de Arte, uma reconfiguração do pensamento estético- um dos “generais” mais aguerridos foi justamente Kandinsky. Uma primeira aproximação nos leva a crer que um artista de vanguarda é aquele que rompe definitivamente com a tradição que lhe é anterior; em atos de rebeldia e insubordinação, o vanguardista quebraria com os códigos não só de gosto, mas de construção formal, da estrutura interna da obra. Nesse sentido, quem mais se encaixaria nesta definição, que não o responsável pela quebra do figurativismo ocidental?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não é só isso. E para além disso- apareceu, para o público brasileiro, a força de um artista que partia, sim, do que veio antes dele- não necessariamente das obras que estavam em museus, não dos mármores clássicos, mas dos baús de guardados das avós camponesas, nas insondáveis profundezas da Russa czarista. Um artista que quebrou, deliberadamente, com a divisão acadêmica da Pintura e da Música- para criar outra, perene e magnífica em sua precisão.  Que as belezas do gigante nos façam refletir sobre nossas visões mais imediatas da História da Arte, no nosso país.</span></p>
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