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	<title>Arquivos Evil Dead &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Morte do Demônio: Em Chamas é fogo que não arde e nem se vê</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Davi Marcelgo O primeiro filme da franquia, Evil Dead (1981), recebeu, no Brasil, o título de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio propriamente, pois não só o protagonista Ash Williams (Bruce Campbell) foi levado ao limite – de covarde para bad ass na mesma madrugada – como as produções &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-em-chamas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Demônio: Em Chamas é fogo que não arde e nem se vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37394" aria-describedby="caption-attachment-37394" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37394" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-800x492.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em Chamas Na imagem, vista de cima, Alice encara o teto. Na bochecha esquerda, há gotas de sangue escorrendo. Ela está com expressão de medo e veste uma camiseta cinza escuro com marcas de suor. Seu cabelo está desarrumado e possui mechas rosa. Alice é uma mulher na faixa dos 30 anos, de origem tunisiana e europeia. " width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1024x629.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-768x472.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1536x944.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1200x737.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF.jpg 1738w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37394" class="wp-caption-text">Souheila Yacoub, de Clímax (2018), protagoniza o sexto filme da franquia (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro filme da franquia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), recebeu, no Brasil, o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio </span></i><span style="font-weight: 400;">propriamente, pois não só o protagonista Ash Williams (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/pop/cinema/bruce-campbell-de-evil-dead-e-diagnosticado-com-cancer-incuravel/"><span style="font-weight: 400;">Bruce Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;">) foi levado ao limite – de covarde para </span><i><span style="font-weight: 400;">bad ass</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma madrugada – como as produções sucessoras dobraram a aposta, enriquecendo a mitologia dos </span><i><span style="font-weight: 400;">deadites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Army of Darkness </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), o terceiro capítulo da saga, a cabana deixa de ser o cenário e é substituída pela paisagem medieval; Williams é sugado por um portal e enviado para o período do aço e das espadas. Já a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Ash vs. Evil Dead </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015-2018) aproveitou o terreno construído por </span><a href="https://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos três longas para extrapolar tanto a </span><i><span style="font-weight: 400;">lore </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto os temas abordados. </span><a href="https://www.denofgeek.com/tv/ash-vs-evil-dead-season-3-episode-7-review-twist-and-shout/"><i><span style="font-weight: 400;">Twist and Shout</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sétimo episódio do terceiro ano, tateia os massacres em escolas americanas, por exemplo. Enquanto a trajetória da franquia é marcada por inovação, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se contenta em apenas ser uma faísca. </span><span id="more-37393"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Sébastien Vaniček, o novo filme narra o processo de luto de Alice (Souheila Yacoub) após seu marido falecer em um acidente. Além disso, ela precisa enfrentar as opressões da família do cônjuge, esta que encara questões como abandono paterno e a função de cuidadora que sobressai às mulheres. Esses três tópicos podem ser encontrados nas duas últimas obras da franquia que foram para o cinema, no </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013 e em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-a-ascensao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), já indicando que, tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem frescor. Porém, não significa que o cineasta não consiga criar discursos de forma criativa, ainda que sejam breves os momentos em que essa capacidade aparece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois planos chamam atenção nesse sentido, o mais marcante já havia sido revelado no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YXSzInyFFXQ"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, Vaniček faz um plano sequência inspirado em filmes de guerra. Em destaque, Alice rasteja em fuga, como um soldado apoiado pelos cotovelos e antebraços, enquanto ao fundo, a família briga, trocando agressões um ao outro. Uma explosão acontece, fumaça e poeira sobem, um corpo caído no chão. Há vários elementos postos em cena que remetem ao gênero e o diretor não faz à toa. Alice é uma pessoa de fora daquela família, mas que precisa lidar com os problemas que a constituem, assim o diretor compara essa experiência à de um jovem convocado para lutar uma batalha que não é sua. </span></p>
<figure id="attachment_37395" aria-describedby="caption-attachment-37395" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-800x335.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em Chamas Na imagem, a personagem Polly está possuída por um demônio. Seus olhos estão amarelados, o cabelo desarrumado e está sem os dentes da frente. Polly é uma mulher idosa, de cabelos curtos e grisalhos. Ela veste um pijama e a fotografia da cena é acinzentada. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37395" class="wp-caption-text">Lee Cronin, Sam Raimi e Bruce Campbell assinam a produção (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para comentar papéis de gênero e ausência, um outro momento traz vigor à alegoria dos demônios que castigam uma família. Polly (Maude Davey), a matriarca que convive com demência, após ser possuída por um </span><i><span style="font-weight: 400;">deadite</span></i><span style="font-weight: 400;">, chama sua filha, Susan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tandi Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">), pelo nome. Ambas fazem um pacto e a cena termina com Edgar (Erroll Shand), também com o corpo danificado pela invasão, beijando Susan, sua esposa. Ela diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">há anos você não me beija dessa maneira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, transformando a cena em um comentário sobre os afetos entre homens e mulheres em um casamento heteronormativo. Enquanto todo o longa é acinzentado, o plano do beijo é bem iluminado, romântico e possui um mau gosto que é a cara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, as boas execuções são sufocadas por um pastiche de características da franquia, o que decepciona, pois sem essas cenas interessantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas repetiria o que os </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/a-morte-do-demonio-onde-ver-todos-os-filmes-antes-de-em-chamas/"><span style="font-weight: 400;">outros dois</span></a><span style="font-weight: 400;"> filmes já haviam feito. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">É compreensível a guinada das produções contemporâneas, que se aproximam de pautas atuais e dialogam com o público que torce pelas </span><a href="https://personaunesp.com.br/qual-e-o-seu-filme-de-terror-favorito-definitivamente-nao-e-panico-7/"><i><span style="font-weight: 400;">final girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém é desestimulante perceber que a obra se tornou apenas um espaço para famílias lavarem a roupa suja em uma espiral temática. Há possibilidade de discutir questões do nosso tempo, mas que seja longe de uma casa isolada, algo que já foi realizado em outras ocasiões. Diante de uma reprise, que pelo menos a forma seja diferente. Não é o caso daqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-evil-dead-criando-os-deadites/"><i><span style="font-weight: 400;">deadites</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não são simples mortos-vivos e já assumiram formas para além do antropomorfo, como demonstraram domínio de fenômenos da natureza. O longa de 1981 possui uma cena de agressão sexual envolvendo árvores, por exemplo. Isto até poderia ser um detalhe que Vaniček está negando, no entanto, a abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas </span></i><span style="font-weight: 400;">traz uma entidade que controla varas de pesca e ferve rios. Depois dessa sequência, toda a fita afunda-se em criaturas que apenas batem ou mordem. Zumbis quaisquer. </span></p>
<figure id="attachment_37396" aria-describedby="caption-attachment-37396" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37396" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-800x335.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em ChamasNa imagem, uma deadite encara à frente através de um buraco feito em uma porta de madeira, sendo possível apenas ver metade de seu rosto. Ela possui a pele escura e olhos amarelados. Está sorrindo com uma expressão sádica. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37396" class="wp-caption-text">O filme faz referência a O Iluminado, longa de Stanley Kubrick (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A falta de criatividade não se abstém apenas no roteiro ou na direção dos planos, mas também em uma precarização da aparência dos antagonistas. Se a conjuntura da obra já entregou visuais impressionantes, de grotescos a estilizados, como o de </span><a href="https://movieweb.com/evil-dead-best-deadites-ranked/"><span style="font-weight: 400;">Henrietta Knowby</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Lou Hancock), em </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">(1987), com seu largo pescoço e dentes afiados, a maquiagem comandada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghost-in-the-shell-vigilante-do-amanha/"><span style="font-weight: 400;">Jane O’Kane</span></a><span style="font-weight: 400;"> se baseia em pele escurecida ou acinzentada e olhos amarelados. Um sangue ali, um machucado aqui. Seria passível de considerar que o visual básico para as personagens é proposital para evidenciar a aparência do </span><i><span style="font-weight: 400;">final boss</span></i><span style="font-weight: 400;"> Will (George Pullar), anunciado durante todo o enredo como alguém que está chegando – e que deve ser temido. Só que Will pouco aparece e nunca de corpo inteiro, sendo impossível ver em totalidade sua podridão. E ainda bem: ele é apenas um esqueleto defumado. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o filme mais preso aos dogmas da franquia ao mesmo tempo que a descaracteriza no sentido negativo, de um esvaziamento da criatividade. Um filme cinza que contenta aqueles que acham que histórias tristes precisam ser escuras. Um longa que esbanja </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vX7uxCW58IQ"><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> numa série que sempre se dedicou ao artesanal. Para quem traz fogo no título, Vaniček se esforça pouco para, de fato, fazer com que o público arda nas poltronas. Se o ato de queimar fosse um desmonte da saga, ainda que por birra, seria muito mais interessante que o genérico, algo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi. </span></p>
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		<title>A Morte do Demônio: A Ascensão é mais um sangrento acerto para a franquia de Evil Dead</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 17:10:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Mateus Não há fenômeno mais comum na história do Cinema, principalmente no gênero do terror, do que a maldição da franquia não planejada. Basta um filme fazer sucesso suficiente na bilheteria que mais da mesma trama entrará em cartaz nos próximos anos, até que o público esteja exausto. A situação se torna cada vez &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-a-ascensao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Demônio: A Ascensão é mais um sangrento acerto para a franquia de Evil Dead"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31363" aria-describedby="caption-attachment-31363" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2.png" alt="Cena de abertura do filme A Morte do Demônio: A Ascensão. Na imagem, a silhueta de uma mulher, iluminada por trás pelo sol, flutua acima de um rio, os dedos dos pés arrastando sobre a superfície d'água avermelhada. Ao fundo, vê-se uma densa floresta e o céu também avermelhado, com o título do filme preenchendo o horizonte: Evil Dead Rise." width="1280" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-2-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31363" class="wp-caption-text">A Morte do Demônio: A Ascensão é o filme mais bem avaliado da franquia (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Mateus</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há fenômeno mais comum na história do Cinema, principalmente no gênero do terror, do que a maldição da franquia não planejada. Basta um filme fazer sucesso suficiente na bilheteria que mais da mesma trama entrará em cartaz nos próximos anos, até que o público esteja exausto. A situação se torna cada vez mais exacerbada com a tendência de </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/theres-a-reason-horror-films-get-so-many-reboots#:~:text=A%20popular%20horror%20movie%20is,of%20money%20to%20be%20made."><i><span style="font-weight: 400;">remakes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da última década, recheando o cenário </span><a href="https://cinemascope.com.br/colunas/extras/especial-terror-slasher-que-terror-e-esse/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">atual com produtos repetitivos e franquias desnecessariamente revitalizadas anos após seus dias de ouro iniciais, como aconteceu com </span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31361"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus mais de 40 anos de susto, porém, a pérola do terror de baixo orçamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), só produziu cinco filmes, todos com a benção de seu idealizador, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sam-raimi/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jornada comicamente violenta das produções faz com que nenhuma seja decepcionante, e apesar de não impressionar, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que uma franquia que sabe </span><a href="https://www.odeoncinemas.ie/odeon-scene/evil-dead-movies/"><span style="font-weight: 400;">exatamente o que é</span></a><span style="font-weight: 400;"> não vai perder seu charme tão cedo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ascensão</span></i><span style="font-weight: 400;">, os demônios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandonam as sombrias cabines no meio da floresta americana e os grupos de amigos adolescentes que as visitam para encontrar seu mais novo lar com uma família moderna em um decrépito apartamento na selva de pedra de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b0zPraLuaCA"><span style="font-weight: 400;">Los Angeles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Beth (Lily Sullivan), que acaba de descobrir que está grávida, deixa sua vida de turnê como assistente de palco para procurar apoio de sua irmã, Ellie (Alyssa Sutherland), mãe de Danny (Morgan Davies), Bridget (Gabrielle Echols) e Kassie (Nell Fisher). A noite começa como um repentino terremoto e, após a possessão e morte de quase toda a família, termina com Beth e Kassie cobertas de sangue e destruindo o mal da melhor maneira possível: com uma motosserra. </span></p>
<figure id="attachment_31362" aria-describedby="caption-attachment-31362" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.png" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: A Ascensão. Na imagem, Beth, protagonizada por Lily Sullivan, está coberta de sangue e segura uma motosserra enquanto encara para algo fora de cena com convicção e raiva expressos no rosto. Ela é uma mulher branca de olhos e cabelos castanhos, de comprimento médio, e veste uma blusa de mangas curtas azulada. Seu rosto, braços e roupas estão manchados de sangue." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31362" class="wp-caption-text">Beth segue o legado de Ash Williams e bate de frente com o mal (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As particularidades da descoberta do </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/por-que-a-morte-do-demonio-a-ascensao-tem-outro-livro-dos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Livro dos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; sempre responsável pelo início da loucura &#8211; e os dramas familiares são apenas pano de fundo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> de horrores que segue ao longo do filme, o qual </span><a href="https://www.thewrap.com/evil-dead-rise-director-puke/"><span style="font-weight: 400;">promete enjoar</span></a><span style="font-weight: 400;"> (e</span><a href="https://www.tiktok.com/@horrorwithme/video/7223979777403686149?is_from_webapp=1&amp;sender_device=pc&amp;web_id=6941193654930081286"><span style="font-weight: 400;"> já enjoou</span></a><span style="font-weight: 400;">) muitos da plateia. A criatividade da violência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead </span></i><span style="font-weight: 400;">continua com força nessa nova entrada na franquia, mas não consegue decidir entre a hiper-seriedade de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) e o </span><a href="https://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/Slapstick"><i><span style="font-weight: 400;">slapstick</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987). No fim, o longa se leva a sério demais para o humor não parecer fora do lugar, e não vai longe o suficiente com o </span><a href="https://www.videomaker.com/how-to/directing/film-history/a-look-into-the-gore-horror-genre/"><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para chegar aos pés da versão da década passada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ritmo do filme também tem suas complicações. O diretor Lee Cronin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jIAgt5RSWVk"><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">hole in the Ground</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) perde os primeiros 10 minutos com uma cena de </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/cutaway-shot-explained"><i><span style="font-weight: 400;">cut-away</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> inicial, totalmente deslocada da atmosfera claustrofóbica do resto da história. Essa escolha faz com que o enredo demore para engatar seu furor com a introdução demorada do grupo de protagonistas. As personagens são cativantes e é fácil sentir compaixão, principalmente pelo fato de grande parte do elenco interpretar crianças, mas, além de compreender a dinâmica entre a família, detalhes alheios como o ativismo de Bridget são desnecessários ao resto da narrativa. </span></p>
<figure id="attachment_31365" aria-describedby="caption-attachment-31365" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3.gif" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: A Ascensão. O GIF mostra a visão através de um olho mágico sujo com gotas de sangue na parte superior, fazendo com que os cantos da imagem tenham uma leve vinheta e que ao fundo certas partes do corredor estejam encobertas. Em centro está Ellie, interpretada por Alyssa Sutherland, sorrindo para a câmera. Seus olhos são brancos e brilhantes, seus cabelos são vermelhos, e sua boca e roupas estão ensanguentadas. " width="540" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-31365" class="wp-caption-text">&#8220;Você não parece estar bem, mãe&#8221; (GIF: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, essa má gestão de tempo é perdoável devido à formidável atuação de todos os atores, pré e pós-possessão. Os dois destaques são de longe Alyssa Sutherland e Nell Fisher. Sutherland entrega uma performance física incrivelmente horripilante, fazendo com que até os mínimos movimentos de seu corpo pareçam sobrenaturais, e que o sorriso da personagem carinhosamente apelidada de &#8220;</span><a href="https://twitter.com/RealAlyssaS"><span style="font-weight: 400;">mamãe dos vermes</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; se torne uma imagem tão icônica à franquia quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">Livro dos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fisher, por sua vez, impressiona com sua versatilidade. Para uma atriz tão jovem, ela transparece desde esperança ao desespero com uma maestria impecável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento positivo é o uso de efeitos especiais práticos. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue com a tradição da franquia de violência palpável e ferimentos realistas até demais. Ao longo dos seus 95 minutos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead: Rise</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o título original) impressiona com os </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/evil-dead-rise-director-lee-cronin-blood-1235577048/"><span style="font-weight: 400;">mais de 6,500 litros de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;"> vindos de tesouras, máquinas de tatuagem, um cajado com uma cabeça de boneca chamado Staffanie e um </span><a href="https://www.cbr.com/evil-dead-rise-better-bloody-elevator-scene-than-the-shining/"><span style="font-weight: 400;">elevador demoníaco emprestado de Stanley Kubrick</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31364" aria-describedby="caption-attachment-31364" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1.png" alt="Fotografia por trás das câmeras durante as gravações de A Morte do Demônio: A Ascensão. Na imagem, o diretor Lee Cronin está dando instruções à atriz Alyssa Sutherland, com uma câmera de cinema apontada em sua direção no canto inferior direito. Lee Cronin é um homem branco, bronzeado, de cabelos curtos e encaracolados e barba curta. Ele está usando uma jaqueta de gomos preta, e tem uma palma aberta para Sutherland, enquanto a outra está em formato de tesoura. Alyssa Sutherland é uma mulher branca e alta, de cabelos pintados de vermelho e levemente ondulados. Ela está usando uma calça cinza e blusa de botões branca com as mangas arregaçadas, e segura um caixa com equipamentos eletrônicos em uma mão e seus óculos na outra, olhando para as instruções de Cronin. " width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-31364" class="wp-caption-text">Lee Cronin arrasa pela segunda vez na direção (Foto: Everett Collection/Variety)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem e o trabalho de câmera de Lee Cronin demonstram seu carinho e cuidado com o legado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;">, e honra a presença de Raimi e Bruce Campbell (Ash em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> 3</span></i><span style="font-weight: 400;">) como </span><a href="https://butwhytho.net/2023/04/exclusive-passing-the-chainsaw-with-sam-raimi-and-bruce-campbell/"><span style="font-weight: 400;">produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cinematografia é menos inventiva que o original, mas igualmente desnorteadora em seus enquadramentos. A utilização de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qW1UFLnEU2g"><span style="font-weight: 400;">dioptria dividida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os diferentes ângulos de câmera, como a filmagem através do olho mágico da porta do apartamento, contribuem para o sentimento de aprisionamento na pequena e abarrotada residência em que a maior parte do filme se passa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee não reinventa a roda do terror e nem revoluciona a fórmula de <em>Evil Dead</em>. No entanto, apesar de suas mudanças, entretém com o grotesco, o violento e com sua reverência ao original. Talvez todos estejam cansados de franquias e </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas ao apostar na diversão em vez da </span><a href="https://english.elpais.com/culture/2023-03-22/nostalgia-and-popcorn-cinema-takes-a-look-in-the-rearview-mirror.html"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova que para termos uma noite alucinante, só é preciso muito, muito, muito sangue. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-a-ascensao-critica/">A Morte do Demônio: A Ascensão é mais um sangrento acerto para a franquia de Evil Dead</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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