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	<title>Arquivos Donnie Yen &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 17:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos John Wick 4: Baba Yaga reflete e pode ser definido pelo seu subgênero neo-noir, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31192" aria-describedby="caption-attachment-31192" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. John Wick em uma capela, protagonista da saga de filmes de mesmo nome, interpretado por Keanu Reeves. Um homem branco de cabelos longos na altura do ombro que veste um terno totalmente preto. Ele está andando de costas para o altar de uma capela com várias velas acesas em castiçais ao seu redor. A exibição está ao nível de sua cintura mostrando uma passarela cercada de cadeiras em que a frente está um homem sentado." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31192" class="wp-caption-text">Keanu Reeves, conhecido por participar de vários filmes de ação e ser referência no gênero, chegou a doar parte de seu salário para a equipe de efeitos especiais de Matrix (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete e pode ser</span> <span style="font-weight: 400;">definido pelo seu subgênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/noir/"><i><span style="font-weight: 400;">neo-noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto pela direção de Chad Stahelski, à atuação do veterano Keanu Reeves. Em contrapartida às motivações triangulares – de construção simples, capazes de suportar grandes tensões e únicas –, todo desenrolar da narrativa segue a busca do protagonista pela vingança de um passado e uma esperança destruídos em atos simplórios em sua prequela, que ocasionaram uma sequência de desestruturações de escala mundial, </span><a href="https://collider.com/john-wick-chapter-4-global-box-office-306-million/"><span style="font-weight: 400;">reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fictícias.</span></p>
<p><span id="more-31186"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O epílogo da saga, de quase três horas, passa a impressão de ser insuficiente para fãs da trama e excessivo aos não familiarizados. Com cenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/acao/"><span style="font-weight: 400;">ação</span></a><span style="font-weight: 400;"> intensas e quase longas demais, o filme amarra as pontas soltas da narrativa – como fazem os assassinos de aluguel – e apresenta adições orgânicas que, felizmente, ainda carregam suas nuances individuais, independente de sua trajetória. </span></p>
<figure id="attachment_31189" aria-describedby="caption-attachment-31189" style="width: 853px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. Akira, personagem do filme interpretada pela artista japonesa Rina Sawayama. A personagem está vestindo uma roupa de couro preto iluminada por uma luz vermelha em um vagão de metrô enquanto segura uma barra com sua mão ensanguentada. Seu cabelo está amarrado e sua franja desce as laterais de seu rosto. Marcado por uma expressão de raiva e tristeza com seu olhar fixado à frente." width="853" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png 853w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31189" class="wp-caption-text">Além de interpretar Akira, Rina Sawayama também faz parte da trilha sonora de John Wick 4: Baba Yaga com a música Eye For An Eye (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os novos personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;">, se destacam Caine (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donnie Yen</span></a><span style="font-weight: 400;">), um assassino cego da alta cúpula e velho amigo de John, que faz referência ao personagem Zatoichi da série de </span><a href="https://mubi.com/pt/films/zatoichi"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> japoneses de mesmo nome; Mr. Nobody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-abril-de-2021/#:~:text=Passageiro%20Acidental%20(Stowaway%2C%20Joe%20Penna)"><span style="font-weight: 400;">Shamier Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um caçador de recompensas; e Akira, a filha de Shimazu Koji e concierge do Hotel Continental em Osaka, interpretada por Rina Sawayama. Sawayama foi selecionada para estrear no Cinema devido à exigência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZP7bvJxF3ew)"><span style="font-weight: 400;">coreografias da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, e suas produções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TO2c06p6m5w&amp;ab_channel=RinaSawayamaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">XS</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bad Friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> impressionaram Stahelski. O roteiro da obra também foi influenciado, segundo o roteirista Michael Finch, pelos clássicos de faroeste </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez no Oeste</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bom, o Mau e o Feio</span></i><span style="font-weight: 400;">; além dos das basilares perseguições cinematográficas feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bullitt</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Perseguidor Implacável</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores Chad Stahelski e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2018/#:~:text=Vale%20a%20conferida.-,Deadpool%202,-(Foto%3A%20Reprodu%C3%A7%C3%A3o)"><span style="font-weight: 400;">David Leitch</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos ex-dublês, trouxeram suas habilidades em artes marciais e experiência em cenas de ação para a franquia, criando sequências de luta que são consideradas algumas das melhores da história do Cinema de ação. No entanto, dessa vez apenas Stahelski continuou na direção. Assim, é fácil entender que </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> não funciona sozinho. O longa é uma parte de um espaço ficcional maior e mais intrincado, cuidadosamente construído ao longo de três filmes anteriores, que inicialmente haviam sido programados para serem parte de uma pentalogia. Longe de uma pancadaria sem rumo, seu sucesso é um reflexo do trabalho anterior dos realizadores e atores envolvidos.</span></p>
<figure id="attachment_31188" aria-describedby="caption-attachment-31188" style="width: 1066px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png" alt="Dois homens sentados em uma mesa de frente para o outro. Ambos estão segurando xícaras de chá acima de seus cotovelos em um comprimento. O ambiente é marcado por um cenário rodeado por árvores em um templo japonês à noite. Iluminados por uma luz vermelha." width="1066" height="711" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png 1066w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31188" class="wp-caption-text">Além da música tema Eye For An Eye, interpretada pela cantora japonesa Rina Sawayama, John Wick 4: Baba Yaga tem influências do Cinema de ação japonês, especialmente do gênero wuxia, que envolve artes marciais e armas brancas (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem aceita e tecnicamente impressionante, outro ponto certeiro é a fotografia, mais um trabalho primoroso entregue por Dan Laustsen, que estabelece quase uma imagética própria para cada um dos </span><a href="https://www.slashfilm.com/938072/the-five-countries-where-john-wick-4-takes-place/"><span style="font-weight: 400;">tantos países</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde o filme é locado. O contraste de cenas diurnas com noturnas, bem iluminadas, constroem a atmosfera da narrativa e encaminham a um clímax ambientado pelo nascer do sol no Sacré-Cœur de Paris, que também oferece os cenários do Jardim de Luxemburgo, da Igreja de St. Eustache e da perseguição ao redor do Arco do Triunfo. A </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230314-almost-ballet-keanu-reeves-brings-john-wick-to-paris"><span style="font-weight: 400;">cidade das luzes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocasionou atrasos nas filmagens que se seguiram para a Alemanha, Nova York e Japão, encerrando as gravações em Outubro de 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua proposta, talvez sem tantas pretensões, o desafio de como inovar em uma narrativa de ação sempre esteve à espreita, e como fechamento de uma saga principal, a superação dessa meta se tornou um dos focos da produção do último filme. Assim nasceu a cena do tiroteio no apartamento, uma das mais memoráveis da série. Filmada em uma tomada única com a câmera posicionada acima dos personagens, o </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada em uma sequência semelhante a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hong Kong Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">, um jogo lançado em 2019, que apresenta a ação de uma visão aérea. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma cena que faz valer por si só a ida ao cinema, a equipe de produção relata que se deparou com vários obstáculos em sua criação: desde a construção – em apenas um mês – de paredes altas o suficiente para a câmera seguir o personagem por uma escada e depois flutuar sobre sua perspectiva, até a coreografia de luta e tiroteio, que foi ensaiada exaustivamente pelos dublês antes das filmagens e seguida pelo uso de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa"><i><span style="font-weight: 400;">Spidercam</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acima do estúdio. </span></p>
<figure id="attachment_31187" aria-describedby="caption-attachment-31187" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1.gif" alt="" width="480" height="270" /><figcaption id="caption-attachment-31187" class="wp-caption-text">&#8220;Havia uma imagem ali que não deveria ter feito sentido, mas fez. Era parte de videogame, parte de anime, parte de experiência cinematográfica&#8221;, disse o diretor em entrevista ao portal Vulture (GIF: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O universo cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é regido por uma sistema de leis único, repleto de regras e códigos de conduta estabelecidos nos filmes anteriores da franquia. O quarto lançamento segue os eventos de toda saga, na qual os coadjuvantes são tão relevantes quanto John Wick. A sequência já apresentou figuras marcantes como Winston, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Ian McShane</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adjudicadora (que define as regras) interpretada por Asia Kate Dillon, e Charon, interpretado por </span><a href="https://www.indiewire.com/gallery/lance-reddick-best-roles-film-tv/22the-wire22/"><span style="font-weight: 400;">Lance Reddick</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidez e versatilidade de Reddick em seus papéis é uma característica que se reflete na criação de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, que impressiona por ser uma junção harmoniosa de tantas facetas moldadas pelas circunstâncias do enredo. Principalmente, dentro de um gênero tão específico e característico como ação e suspense, não se limita a entreter, se destacando pela sua originalidade e complexidade.</span></p>
<figure id="attachment_31191" aria-describedby="caption-attachment-31191" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png" alt="Imagem dos atores Lance Reddick e Keanu Reeves, um homem negro e careca que veste uma camiseta social e um homem branco de cabelos longos de terno preto. Lance está com uma expressão séria com suas sobrancelhas levantadas e veste um óculos pequeno de armação metálica fina. Ao fundo, desfocado, uma sala com vários quadros e ornamentos. Lance está segurando um cartucho de bala em oferecimento a Keanu, atrás está uma parede de armas." width="1500" height="890" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-800x475.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1024x608.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-768x456.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1200x712.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31191" class="wp-caption-text">Reddick, que dá vida ao concierge do fictício Continental Hotel, em Nova York, estava previsto no elenco de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa">Ballerina</a>, spin-off do universo de Wick em produção, mas faleceu poucos dias antes do lançamento mundial de John Wick 4: Baba Yaga (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu mundo subterrâneo de assassinos profissionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> é inacreditavelmente composto por sequências de ação violentas e deslumbrantes, sobrepostas a uma </span><a href="https://hyperallergic.com/812479/john-wick-gives-a-bone-cracking-lesson-in-greco-roman-mythology/"><span style="font-weight: 400;">mitologia impressionantemente construída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um profundo desenvolvimento da relação entre violência e moralidade, com destaque para a ambiguidade da justiça. Sem fôlego, é impossível que a série de filmes seja definida em poucas palavras ou com apenas em um tópico principal. A tentativa da descrição de sua composição cinematográfica em palavras sequer alcança a realidade da experiência criada pelo seu universo.</span></p>
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		<title>Mulan mostra que a diversidade também deve estar atrás das câmeras</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2020 17:48:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ellen Sayuri Com tantos filmes live-actions sendo produzidos, finalmente chegou a vez de Mulan. Claro que essas produções sempre estão sujeitas a dar certo, como A Bela e a Fera e a dar errado, como O Rei Leão. Afinal, dependendo da animação, é impossível trazer alguns elementos para o mundo real sem parecer estranho. Sem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mulan mostra que a diversidade também deve estar atrás das câmeras"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15669" aria-describedby="caption-attachment-15669" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15669" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan.jpg" alt="" width="1224" height="965" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan-300x237.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan-1024x807.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan-768x605.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-Mulan-1200x946.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15669" class="wp-caption-text">Por causa da pandemia de Covid-19, o filme foi lançado diretamente na plataforma de streaming Disney+ por US$ 29,99, cerca de R$ 160 reais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Ellen Sayuri</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tantos filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">live-actions</span></i><span style="font-weight: 400;"> sendo produzidos, finalmente chegou a vez de <em>Mulan</em>. Claro que essas produções sempre estão sujeitas a dar certo, como </span><a href="http://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a dar errado, como </span><em><a href="http://personaunesp.com.br/o-rei-leao-critica/"><span style="font-weight: 400;">O Rei Leão</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. Afinal, dependendo da animação, é impossível trazer alguns elementos para o mundo real sem parecer estranho. Sem contar que as expectativas sempre são altas, porque o público espera uma adaptação fiel ao material original. Nesse caso, podemos incluir filmes que se originaram de livros também. Bem, se você espera que <em>Mulan</em> seja igual a animação de 1998, pode se decepcionar. </span></p>
<p><span id="more-15668"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com certeza, este era um dos filmes que eu mais estava ansiosa para assistir esse ano. Uma produção da <em>Disney</em> com uma protagonista e elenco </span><a href="https://medium.com/@ayumingues/quem-s%C3%A3o-os-asi%C3%A1ticos-4c4f54dfe6f"><span style="font-weight: 400;">amarelos</span></a><span style="font-weight: 400;"> atraía demais. Poder revisitar essa história que me marcou na infância, me fez sentir representada&#8230; poxa, quantos personagens da <em>Disney</em> são asiáticos? E amarelos então? Fiquei muito animada, mas é aquilo: quanto mais alto se vai, maior vai ser o tombo. Assim, acho que já deu para imaginar o que achei da </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_15670" aria-describedby="caption-attachment-15670" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-Mulan-695x1024.jpg" alt="" width="450" height="663" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-Mulan-695x1024.jpg 695w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-Mulan-204x300.jpg 204w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-Mulan.jpg 738w" sizes="auto, (max-width: 450px) 85vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-15670" class="wp-caption-text">A animação de 1998 foi marcante, principalmente pela representatividade que trouxe para pessoas amarelas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto a animação do final dos anos 90 quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> deste ano são baseados em uma lenda chinesa, intitulada </span><a href="https://rainhastragicas.com/2016/09/03/a-balada-de-hua-mulan/"><i><span style="font-weight: 400;">A Balada de Mulan</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Como dito anteriormente, mudanças são inevitáveis, mas elas precisam ser trabalhadas de maneira que a história original se mantenha, compreendendo o limite de não ser possível reproduzir todo o conteúdo do material base, mas ainda despertando interesse no público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa da lenda original é iniciada com o imperador da China convocando um homem de cada família para ir à guerra. Mulan vai no lugar do seu pai, que não tem condições de lutar, e se disfarça de homem para poder entrar no exército imperial. Esse é o pretexto que a animação e a </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> seguem, mas fazem isso por caminhos diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A figura de Mulan é um símbolo de empoderamento feminino. Mas no filme, ela consegue lutar de igual para igual por possuir poderes sobrenaturais, diminuindo a grandeza natural da personagem. Por conta disso, não é possível criar uma identificação com Mulan (Liu Yifei). Ela consegue vencer as lutas de uma maneira tão fácil por conta dos poderes que nem tem graça acompanhar. Nessa direção, é apresentada uma personagem nova, a feiticeira </span><span style="font-weight: 400;">Xian Liang (Gong Li), que reforça também a ideia de ser preciso ter essa habilidade mágica para conseguir estar no mesmo patamar que os homens.</span></p>
<figure id="attachment_15671" aria-describedby="caption-attachment-15671" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15671" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Gif-3-Mulan.gif" alt="" width="650" height="322" /><figcaption id="caption-attachment-15671" class="wp-caption-text">Cena de luta no filme (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando sobre mudanças, uma que teve grande repercussão quando anunciada foi a exclusão do dragão Mushu. Muitos internautas ficaram chateados sem a presença desse personagem tão marcante da animação. Para “cobrir” o personagem, foi inserida uma fênix para representar os antepassados e para mostrar a relação entre Mulan e seu pai, Fa Zhou (Tzi Ma). E como a diretora Niki Caro </span><a href="https://ovicio.com.br/mulan-diretora-diz-que-fenix-nao-e-versao-atualizada-de-mushu/"><span style="font-weight: 400;">tinha antecipado</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela não é uma “atualização” do dragão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas em que a fênix apareceu são lindas, mas poderiam ser cortadas sem prejudicar a história tranquilamente, sendo um personagem descartável que não interfere diretamente na história. Ela serve como apoio, diferentemente de Mushu, que é essencial no enredo e no desenvolvimento de Mulan. O dragão existia fisicamente, ajudando de maneira concreta, e ainda funcionava como um alívio cômico. Além dele ter a sua própria narrativa, mostrando que pode ser um mascote ao mesmo tempo em que pode proteger a família de Mulan. </span></p>
<figure id="attachment_15672" aria-describedby="caption-attachment-15672" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15672" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Gif-4-Mulan.gif" alt="" width="600" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-15672" class="wp-caption-text">Os animais mágicos não aparecem na lenda original, sendo algo feito pela Disney (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do desenho não apresentar uma construção aprofundada dos personagens secundários, é possível simpatizarmos com eles, diferente da <em>live-action</em>, em que é difícil criar uma simpatia até pela protagonista. Essa falta de identificação pode ter acontecido tanto pela atuação do elenco como a maneira que os personagens são propostos e apresentados. Exemplo disso é o Comandante Tung (Donnie Yen), anunciado como o mentor de Mulan, que teve pouco tempo de tela no filme e não foi importante e desenvolvido como o esperado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, fica óbvio que a </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action </span></i><span style="font-weight: 400;">não foi feita para quem é fã do desenho. Ela trouxe algumas referências como a cena do chá, mas nada demais. É uma outra releitura da lenda, e mudanças nem sempre são ruins, mas na nova versão de <em>Mulan</em>, acabaram prejudicando o apreço que muitos têm pela história. </span><span style="font-weight: 400;">Ela traz uma narrativa em que os personagens, assim como a própria China, são vistos como exóticos. Cá entre nós, não é o primeiro filme ao mostrar a Ásia com esse olhar. Assim, o filme cai numa mesmice e, além de tudo, é um tanto desrespeitoso.</span></p>
<figure id="attachment_15673" aria-describedby="caption-attachment-15673" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15673" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Gif-5-Mulan.gif" alt="" width="1920" height="1080" /><figcaption id="caption-attachment-15673" class="wp-caption-text">Cena da animação (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já dito, eu esperei ansiosamente para ver <em>Mulan</em> pela </span><a href="http://www.garotasgeeks.com/a-importancia-da-representatividade-no-novo-filme-de-mulan/"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela iria trazer. Não é comum ver filme com personagens amarelos, quando falamos de protagonistas, então, é mais raro ainda. O </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos trouxe isso, uma protagonista feminina leste asiática, além do elenco inteiro ser também. </span><span style="font-weight: 400;">Porém, como tudo não é um mar de rosas, trouxe também alguns questionamentos: até onde a representatividade na tela pode ser vista realmente como uma mudança concreta? É só colocar personagens pertencentes às minorias?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de <em>Mulan</em> é formada majoritariamente de pessoas brancas, mas o elenco é todo amarelo. Podemos chamar isso de representatividade? Não buscamos proibir brancos de fazerem produções sobre pessoas não brancas, mas cobrando uma diversidade atrás da câmeras também. Estamos falando de <em>Mulan</em>, mas olhando além, quantos filmes visam ter diversidade, que só fica na tela? Temos que se atentar a essa suposta representação, pois a maioria é feita visando o lucro. As minorias estão conseguindo ocupar mais espaços, mas até onde é possível ter essa presença?</span></p>
<figure id="attachment_15734" aria-describedby="caption-attachment-15734" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15734 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/mulan-2-1.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/mulan-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/mulan-2-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/mulan-2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15734" class="wp-caption-text">Existe um outro filme sendo produzido pela Disney com uma protagonista asiática, intitulado Raya e o Último Dragão. A história será baseada em um folclore do sudeste da Ásia e o lançamento está previsto para o ano que vem (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Meu erro ao assistir <em>Mulan</em> foi estar apegada ao desenho. Talvez se eu separasse as duas produções, poderia ter uma experiência melhor. Citei algumas </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/177483-mulan-maiores-diferencas-entre-animacao-live-action.htm"><span style="font-weight: 400;">diferenças</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre elas e foi interessante ver que a </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe uma outra versão da lenda que fez com que as pessoas tivessem uma reação mista. Teve uma </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/criticos-dizem-que-mulan-e-epico-arrebatador-e-espetacular"><span style="font-weight: 400;">recepção positiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> aqui no Ocidente, mas na China, o filme está sendo um fracasso nas bilheterias e </span><a href="https://cabanadoleitor.com.br/mulan-publico-chines-critica-filme-da-disney/"><span style="font-weight: 400;">extremamente criticado</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega até ser irônico ver que o público-alvo não gostou da produção, visto que a <em>Disney</em> fez mudanças para justamente agradar eles. Quem sabe se na produção tivesse pessoas chinesas ou descendentes, não poderia ter uma recepção melhor por lá? </span><span style="font-weight: 400;">Esperamos que <em>Mulan</em>, apesar dos problemas que apresenta, abra portas para que mais produções com protagonistas asiáticas sejam feitas. Ressaltando a importância de serem feitos de maneira adequada, sem </span><a href="https://capricho.abril.com.br/comportamento/por-que-devemos-falar-sobre-representatividade-asiatica/"><span style="font-weight: 400;">estereótipos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que incluam pessoas asiáticas nas produções também. </span></p>
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