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	<title>Arquivos Direitos civis &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Apr 2023 15:47:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Em 2017, quando aconteceu a passeata de Charlottesville, Infiltrado na Klan provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30631" aria-describedby="caption-attachment-30631" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-30631 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos os personagens Ron, um homem negro de cabelo black power e barba cheia e Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ron veste uma camisa vermelha e um relógio na mão direita. Patrice veste uma espécie de poncho, com algumas pedrarias em seus dois punhos. Os dois apontam uma arma para a câmera. Eles estão em um corredor de apartamentos e a fotografia está granulada." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-1-768x322.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30631" class="wp-caption-text">A exibição do longa no Sesc Bauru encerrou a Mostra “Cinema é Direito”, e contou com a participação do Prof. Dr. Juarez Xavier, referência no ativismo antirracista, no debate após a apresentação do filme (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, quando aconteceu a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40913908"><span style="font-weight: 400;">passeata de Charlottesville</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> provavelmente estava finalizando seu processo de pesquisa e escrita ou começando suas filmagens. Talvez Spike Lee não esperasse que sua história, apesar de latente na sociedade contemporânea, se manteria tão atual. Muito além de apenas tocar na ferida do racismo, a obra também assumiu o papel de estancar um sangramento que, em sua esmagadora maioria, continua derramando sangue negro. De acordo com a mensagem que antecede o logo do filme, “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa parada é baseada em merdas reais pra caralho</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que no seu aniversário de cinco anos encerrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CpN2Cb7uTur/"><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-ron-stallworth-o-policial-negro-se-que-infiltrou-na-ku-klux-klan.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ron Stallworth</span></a><span style="font-weight: 400;"> (John David Washington), um policial negro da extremamente branca cidade de Colorado Springs. No local, em um momento de ebulição social americana, ele descobre uma célula da Ku Klux Klan ativa na cidade e decide se infiltrar na organização, dividindo sua identidade com o detetive branco ‘Flip’ Zimmerman (Adam Driver). Mas é no teor dessa mesma mensagem que está escondida a intenção de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/spike-lee"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, na verdade, trazer um meio termo entre fato e ficção para transmitir a ótica do diretor para o público. Tal aspecto transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma das obras mais conscientes e contundentes da extensa carreira do cineasta.</span></p>
<p><span id="more-30628"></span></p>
<figure id="attachment_30632" aria-describedby="caption-attachment-30632" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30632 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos um discurso feito em uma associação de estudantes negros. Nela temos o personagem Stokely Carmichael, um homem negro de cabelo curto. Ele veste um terno preto uma camisa branca e um óculos preto. Ao seu lado direito, está Patrice, uma mulher negra de cabelo black power. Ela veste uma jaqueta de couro preta, um vestido preto e um óculos. Ao lado dos dois, há mais duas pessoas negras, mas somente uma é visível: um homem que veste uma jaqueta verde e uma camiseta preta. No palco, há um púlpito com os dizeres “POWER” e ao fundo, um cartaz escrito “COLORADO COLLEGE BLACK STUDENT UNION”. Todos estão com o punho erguido." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30632" class="wp-caption-text">“Todo o poder para todas as pessoas” (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, ao mesmo tempo que retoma as raízes do idealizador, que levou referências do Cinema </span><a href="https://darkside.blog.br/o-que-e-blaxploitation-veja-5-exemplos-de-filmes-do-genero/"><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para Hollywood com </span><a href="https://ultraverso.com.br/garimpo-faca-a-coisa-certa/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1989), revitaliza o diretor. A ideia é de Jordan Peele, que um ano antes despontava como o novo e excelente nome do Cinema negro, mas que, diante de uma absurda história real, repleta de meandros factíveis com a atualidade, só via um nome capaz de traduzir essa crítica para as telas: Spike Lee.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Stallworth, de fato, existiu, assim como o execrável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344"><span style="font-weight: 400;">simpatizante de certos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros, David Duke. ‘Flip’ Zimmerman, detetive parceiro de Ron nas telas, na verdade é Chuck. Não se tem noção se ele realmente era judeu, mas nessa história fazia total sentido atribuir ao personagem cético de Adam Driver à parcela étnico-religiosa que também era odiada pelo grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história também tem um choque de datas: Ron só se infiltrou na organização seis anos após se tornar policial, em 1978, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>BlacKkKlansman</em>, no original)</span><span style="font-weight: 400;">, em que toda a narrativa se passa em 1972. Porém, era essencial atribuir um período que tanto a Ku Klux Klan como o Movimento Negro Americano estavam marginalizados, para, assim, traçar um paralelo de origem e suas ressonâncias atualmente. Por tais aspectos, a obra é uma pérola de adaptação, que não a toa rendeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, sendo também um respiro de esperança na lamentável edição da premiação em 2019, que premiou o &#8211; antirracista até a página dois &#8211; </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/02/por-que-green-book-e-criticado-por-ativistas-e-familiares-de-don-shirley.html"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Filme.</span></p>
<figure id="attachment_30629" aria-describedby="caption-attachment-30629" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30629 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um homem negro,d e cabelo black power e barba cheia. Ele veste uma jaqueta marrom em couro e uma camisa listrada branca. Ao seu fundo,há uma parede de madeira e um mapas cidade de Colorado Springs" width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30629" class="wp-caption-text">O longa venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2018 (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece que a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer provocar é aquela de quando rimos de algo questionável e o riso, a princípio de alegria, se transforma em nervosismo. Ele começa flertando com a comédia sarcástica e termina na crítica, justamente para evidenciar que esses formatos de ódio, assim como as fantasias brancas e pontudas, são tão repugnantes que passam por períodos em disfarces. Quando os indivíduos ali sentirem-se seguros, se exibem sem pudor. E com o cineasta tendo mesclado esses dois gêneros durante toda sua filmografia, nesse longa, mais uma vez ele se sente em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade tanto do diretor como do roteiro, encabeçado por Lee e acompanhado de Kevin Willmott, David Rabinowitz e Charlie Wachtel, são traduzidos em tela através de uma montagem espetacular, guiadas por </span><a href="https://www.instagram.com/barryalexanderbrown/"><span style="font-weight: 400;">Barry Alexander Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela abusa do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dar vida à ideia das mentes criadoras e desenvolver um ritmo delicioso de se acompanhar, intercalando passagens mais calmas com o desenvolvimento dos personagens, de cortes rápidos e cheios de invencionismos como telas divididas ou inserção de pôsteres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aspectos nos presenteiam com cenas lindas, como a da Associação de Estudantes Negro do Colorado, na qual o discurso sobre a beleza negra é sobreposto com </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> da plateia atenta acompanhando. Mas a passagem que resume o primor da montagem é o momento em que Jerome, interpretado por Harry Belafonte (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) conta a história do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51657141"><span style="font-weight: 400;">Linchamento de Waco</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1916. Nesse momento, a cena é divida com a Ku Klux Klan se preparando para assistir uma sessão de </span><a href="https://incinerrante.com/textos/o-nascimento-de-uma-nacao-estetica-ideologia-mascaras/"><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 1915 (um ano antes da tragédia) que é uma das bases simbólicas da KKK e do movimento supremacista americano.</span></p>
<figure id="attachment_30633" aria-describedby="caption-attachment-30633" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30633 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos, da esquerda para a direita, David Duke, um homem branco de cabelos e bigode castanho claro e olhos azuis. Ele veste um terno marrom, um colete preto, uma camisa branca e uma gravata listrada em preto. Ele segura uma taça de espumante. Ron Stallworth, um homem branco de cabelo black power e barba cheia está abraçado em Duke. Ele veste uma camisa jeans e uma camiseta preta. Ao seu lado há um homem branco de cabelos castanhos. Ele veste um suéter preto e uma camisa marrom. Os três posam para uma foto, de forma que os dois brancos estão visivelmente incomodados pelo abraço do homem negro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30633" class="wp-caption-text">A cena em que o verdadeiro Ron Stallworth é designado para fazer a segurança de David Duke realmente aconteceu (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o primor do longa por trás das câmeras consegue ser replicado à frente delas. O grande nome que carregava o longa era do próprio Spike Lee, porém o elenco entrou afiadíssimo no projeto. John David Washington (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm &amp; Marie</span></i><span style="font-weight: 400;">), filho de Denzel Washington, emula perfeitamente o deslocamento de uma figura que não é bem-vinda em seus espaços, seja a polícia da época (uma espécie de Klan) ou a Ku Klux Klan. Já Adam Driver, que ganhava relevância com a nova trilogia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-despertar-da-forca-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais um na sua sequência de escolhas acertadas. Ele é um retrato preciso da branquitude que, por muito tempo, escanteou o problema da propagação de ódio por acreditar não ser afetada, e sutilmente demonstra um ódio genuíno por fazer parte daquele grupo e perceber sua negligência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do lado da organização nefasta, Topher Grace (</span><i><span style="font-weight: 400;">That ‘70s Show</span></i><span style="font-weight: 400;">) impressiona pela semelhança com David Duke, desde sua postura assustadoramente serena e até mesmo pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6Yx3c0i5Fyk&amp;ab_channel=APArchive"><span style="font-weight: 400;">voz</span></a><span style="font-weight: 400;"> do supremacista ter timbres de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65p80XAMxhw&amp;ab_channel=That%2770sShow"><span style="font-weight: 400;">Eric Forman</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jasper Pääkkönen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vikings</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Ryan Eggold (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjw_QTKr2rc&amp;ab_channel=FocusFeatures"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também são extremamente convincentes e cada um atribui uma persona típica desse tipo de grupo: o primeiro, um lunático imprevisível, enquanto o segundo, uma figura “boa pinta” que pontualmente destila ódio.</span></p>
<figure id="attachment_30630" aria-describedby="caption-attachment-30630" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30630 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg" alt="Cena de Infiltrado na Klan. Nela vemos uma reunião da Ku Kux Klan. Há um certo número de homens sentados com a fantasia do grupo: uma túnica branca e um chapéu branco pontudo. Todos estão sentados e seguram uma vela. No meio deles. de costas para a câmera, há seu líder, com a roupa branca, sem o chapéu e com uma túnica azul nas costas. Há também uma espécie de altar, com velas e cálices dourados." width="1440" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Infiltrado-na-Klan-Imagem-5-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30630" class="wp-caption-text">No Brasil, grupos neonazistas e simpatizantes da Ku Klux Klan tiveram um crescimento de <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/01/16/grupos-neonazistas-crescem-270percent-no-brasil-em-3-anos-estudiosos-temem-que-presenca-online-transborde-para-ataques-violentos.ghtml">270%</a> nos últimos anos (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse museu de grandes novidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i><span style="font-weight: 400;"> constata que, mais uma vez, o futuro está repetindo o passado, sem deixar de explicitar que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VYOjWnS4cMY&amp;ab_channel=ChildishGambinoVEVO"><span style="font-weight: 400;">essa é a América</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma nação arrebatadora que expropria de qualquer minoria para estabelecer seu conceito de supremacia, nos sentidos mais asquerosos da palavra. Por isso Spike Lee, conhecido pelo Cinema crítico, inverte os papéis, e mesmo assim consegue abordar as dores do povo negro. Mas aqui, a queima de cruzes troca lugar com uma reflexão que cauteriza à força uma ferida que insistimos em deixar aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra renova os estudos de </span><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=49121"><span style="font-weight: 400;">W. E. B. Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro negro a se tornar PhD em Harvard. Du Bois, através de seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">As Almas da Gente Negra </span></i><span style="font-weight: 400;">(1903), discutiu a dificuldade existencial das minorias, desenvolvendo o conceito de “dupla consciência”, ou a necessidade de entender como tais grupos se enxergam e como o mundo os enxerga; o longa tem êxito ao tratar essa dualidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan </span></i><span style="font-weight: 400;">é um grito de ‘não’ e ‘basta’: NÃO podemos aceitar essa formas de ódio, e BASTA de racismo. Mais do que isso, o filme é um lembrete de que somente não ser racista, não basta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Infiltrado Na Klan - Trailer 1 (Universal Pictures) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bbOJwWSEUmo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/">Circuito Cineclube Sesc &#8211; Infiltrado na Klan e as veias abertas da América racista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Mar 2023 19:57:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Clara Sganzerla Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ana-sem-titulo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc &#8211; Onde está Ana?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30593" aria-describedby="caption-attachment-30593" style="width: 2160px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30593 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem, há seis fotografias de uma mulher negra. As fotos trabalham de forma documental, registrando as mudanças físicas da personagem em uma organização linear - três fotografias em cima e mais três fotografias em baixo. As mudanças físicas são principalmente no cabelo: na primeira imagem, ele permanece preso em um coque alto, e acompanhamos sua transformação até o penteado em estilo afro" width="2160" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.png 2160w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30593" class="wp-caption-text">Em Ana. Sem título, exibido na Mostra “Cinema é Direito” no Sesc Bauru, entramos em uma jornada sobre governos totalitários, o feminismo nos anos 70 e 80 e sobre a Arte como forma de denúncia (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viajamos, todos os dias, do passado ao futuro. Seja por meio de memórias, lembranças, fatos históricos ou até mesmo dentro de nossos planejamentos; desaparecemos em uma inércia pendular difícil de desvencilhar &#8211; nunca vivemos propriamente no presente. No entanto, a atriz brasileira Stella Rabello consegue parar por alguns momentos em algumas dessas duas realidades para ir em uma jornada que ultrapassa as </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nosso país, esbarrando em uma história sangrenta que, infelizmente, também nos pertence. Em </span><a href="http://taigafilmes.com/ana/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), longa que integrou a Mostra </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-cinema-e-direito/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> no Sesc Bauru, a cineasta Lúcia Murat nos transporta para o passado latino-americano marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-tio-jose-critica/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, atrás, apenas, de uma resposta: onde está Ana? </span></p>
<p><span id="more-30590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definida como livre, talentosa, bonita e até mesmo perigosa, o grande mistério acerca da artista brasileira é o que nos envolve na trama. Através de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem feita, a sensação do telespectador é similar a estar fisicamente presente com a equipe de filmagem, apurando as poucas pistas que Ana nos deixou, na tentativa de montar um quebra-cabeça em que faltam muitas peças. Durante essa viagem, temos o prazer de conhecer a beleza de Cuba, México, Argentina e </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-francisca-uma-juventude-chilena-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chile</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos olhos do diretor de fotografia </span><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt, e ouvir até mesmo o som dos passarinhos através do trabalho da técnica de som Andressa Clain Neves.</span></p>
<figure id="attachment_30591" aria-describedby="caption-attachment-30591" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30591 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na imagem temos, à esquerda, a atriz brasileira Stella Rabello. Ela tem cabelos loiros um pouco acima do busto, usa uma jaqueta na cor cinza e uma blusa vermelha. Do lado direito, temos a cineasta Lúcia Murat. Ela tem cabelos grisalhos e curtos e usa uma blusa de manga longa azul. O cenário da foto é em uma arquibancada à luz do dia. Ambas estão com expressões concentradas, com olhares atentos ao horizonte." width="1313" height="758" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1200x693.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30591" class="wp-caption-text">Lúcia e Stella buscam respostas em nossos vizinhos latinos através de um road-movie (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na exposição </span><a href="https://pinacoteca.org.br/programacao/exposicoes/mulheres-radicais-arte-latino-americana-1960-1985/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, realizada na Pinacoteca de São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho em muitas questões, como o racismo, a opressão e o feminismo como forma revolucionária, mas destaca-se na maneira de retratar as cicatrizes ainda abertas que as </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">ditaduras militares latinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixaram. O olhar de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/ana-sem-titulo-se-nao-fosse-a-existencia-dos-movimentos-feminista-e-negro-esse-filme-nao-existiria-diz-lucia-murat/"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Murat</span></a><span style="font-weight: 400;">, nesse contexto, é mais do que simbólico, principalmente pela sua trágica experiência como ex-presa política durante o regime militar brasileiro. O longa é, acima de tudo, um lembrete da importância de não nos esquecermos sobre um passado ainda tão recente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Ana? Criada para ser uma representação da mulher latino-americana artista das </span><a href="https://conversacomelas.com/2021/03/02/movimentos-feministas-na-decada-de-70-e-80-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">décadas de 1970 e 1980</span></a><span style="font-weight: 400;">, através do roteiro da escritora Tatiana Salem Levy e da própria Murat, com atuação de Roberta Estrela D&#8217;Alva, a beleza da personagem mora exatamente no fato de que ela não é real. A narrativa criada em cima de seu desaparecimento, as cartas trocadas com outras artistas, a busca da equipe em solos estrangeiros para o documentário e todas as conversas sobre resistência, irmandade, liberdade e direitos, deixam a sensação de que Ana, mesmo com provas contrárias, existiu. O longa a eleva como uma entidade, aproveita-se do interesse natural do ser humano ao desconhecido para captar nossa atenção e nos enriquece com trocas reais sobre uma cultura tão complexa, rica e triste.</span></p>
<figure id="attachment_30592" aria-describedby="caption-attachment-30592" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30592 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.png" alt="Cena do filme Ana. Sem Título. Na fotografia, há uma mulher negra, de cabelo crespo. Ela usa uma blusa de gola alta. A mulher sorri e olha para o horizonte à sua esquerda. A foto tem tons sépia." width="600" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-30592" class="wp-caption-text">Ana é algo maior que o plano físico e transforma-se na representação de milhares de mulheres do nosso passado (Foto: Imovision/Taiga Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de filmagens em câmeras analógicas, fotografias em preto e branco e relatos em espanhol, conhecemos por meio de Ana a história de milhares de mulheres que gostariam de ter sido ouvidas mas que, infelizmente, já caíram no esquecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ana. Sem Título</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um resgate da importância de ouvir as gerações passadas, de valorizar nossa história, de apreciar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Arte nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de não nos esquecermos de, às vezes, olhar para trás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ana. Sem Título - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IRtjlcD_0qI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2021 20:35:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Esta é a temporada em que o Cinema mainstream se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19860" aria-describedby="caption-attachment-19860" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19860 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra uma passeata de um grupo de jovens. Eles estão em cerca de 10 pessoas e seguram cartazes de protesto enquanto caminham numa calçada. A imagem os registra de lado, enquanto caminham para o lado direito, e ao fundo existem muitas árvores e uma cerca de portão." width="990" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-768x517.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19860" class="wp-caption-text">O filme é mais uma das produções assinadas pelo casal Obama a ser indicada ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é a temporada em que o Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos que determinaram o que nossa realidade é hoje e os avanços que conquistamos, pintados por cineastas que hoje compõem </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">as premiações mais diversas da história</span></a><span style="font-weight: 400;">. No gênero que se ocupa em registrar a nossa existência, o cenário não poderia ser diferente, e </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/81001496?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp: Revolução pela Inclusão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um encontro de todas as pautas que tomaram o ambiente de debate sobre as produções audiovisuais nos últimos meses. </span></p>
<p><span id="more-19859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.sundance.org/blogs/festival/crip-camp-traces-disability-rights-movement-origins-to-a-70s-camp-for-teens-where-radical-acceptance-was-the-norm"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> se volta para os anos 50 acompanhando inicialmente a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">um acampamento para jovens com deficiência, até chegar no começo dos anos 60 e continuar pelas próximas três décadas assistindo o nascimento e consolidação de um movimento em busca de direitos para aquela população, que na época formava a maior minoria dos Estados Unidos. A ligação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre esses dois extremos temporais se dá pelos efeitos gerados no acampamento, que motivou </span><a href="https://people.com/movies/how-a-free-spirited-summer-camp-for-disabled-teens-in-the-70s-changed-the-world/"><span style="font-weight: 400;">a organização coletiva por igualdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir de sua principal premissa: constituir um lugar seguro para que pessoas com deficiência pudessem viver livremente sua juventude, longe dos preconceitos da sociedade e da superproteção dos pais, ainda que por apenas alguns dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 100 minutos, o epicentro da história se constrói sob o fato de que os jovens livres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornaram ativistas que </span><span style="font-weight: 400;">mudaram a estrutura segregacionista</span><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos junto dos demais movimentos por </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwjIpor76vfvAhWHDZEKHX3SACsYABAAGgJjZQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_1XCoC0l6FWXSuMQtMYwjZRy7_bCw&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwi48IP76vfvAhW-ILkGHRNzDKIQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">direitos civis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp </span></i><span style="font-weight: 400;">não funciona somente como uma cápsula do tempo de memórias juvenis nem “apenas” (com muitas aspas) como um histórico da luta pelos direitos das pessoas com deficiência no país, mas tece também uma reflexão poderosa sobre auto-estima e a potência que existe na simplicidade do sentir-se pleno enquanto ser humano.</span></p>
<figure id="attachment_19861" aria-describedby="caption-attachment-19861" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19861 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg" alt="Imagem colorida do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A foto registra quatro jovens que posam de frente e sorrindo. Ao centro, está um adolescente branco de óculos de grau e camisa listrada laranja de pé. Ele apoia as mãos em duas cadeiras de rodas, uma de cada lado, cada uma ocupada por um jovem, ambos são brancos, tem cabelos curtos e vestem roupas claras. Atrás do jovem que está no lado esquerdo da imagem, existe um outro que também posa para a foto. Ele é negro, usa óculos de grau e camiseta azul clara, e está de pé, apoiado em um andador. Ao fundo, pode-se observar um campo e uma árvore, onde muitos outros jovens se reúnem." width="840" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-300x174.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-768x446.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1536x892.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1200x697.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix.jpg 1822w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19861" class="wp-caption-text">“Você não era escolhido para times em casa. Mas no Jened, você usava o taco, e se errasse a bola, você estava fora” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que o ex-campista </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0495898/"><span style="font-weight: 400;">James LeBrecht</span></a><span style="font-weight: 400;"> defende logo no início que o acampamento “</span><i><span style="font-weight: 400;">mudou o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e decidiu contar a história como um dos principais personagens e colaboradores do filme, além de também dirigi-lo, roteirizá-lo e produzi-lo junto de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1011820/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com muita memória afetiva, ele engata a narrativa a partir de suas lembranças pessoais</span><span style="font-weight: 400;"> n</span><span style="font-weight: 400;">um lugar que de início </span><span style="font-weight: 400;">pode parecer com qualquer outro acampamento para jovens na era </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/woodstock-completa-50-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Woodstock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E justamente por ser tão normal é que ele era tão especial. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, não existia tratamento diferenciado para as</span> <span style="font-weight: 400;">dezenas de jovens e adultos com deficiência física ou intelectual, que se encontravam em todos os verões entre a década de 50 até o final dos anos 70 nas montanhas do estado de Nova Iorque. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As únicas determinações eram a liberdade e o respeito, e a única coisa que todos tinham em comum era a falta de convívio social, alguns porque eram obrigados institucionalmente pela <a href="https://diariodainclusaosocial.com/2017/08/31/inclusao-das-pessoas-com-deficiencia-da-segregacao-as-novas-conquistas/">segregação</a>, outros para evitar a exposição ao <a href="https://politike.cartacapital.com.br/a-maldicao-do-preconceito-as-pessoas-com-deficiencia/">preconceito</a>. Quem coordenava tudo eram os monitores do acampamento, jovens integrantes de outros movimentos sociais, sem deficiência e sem formação para atender as necessidades especiais dos campistas, o que acabava por intensificar a sensação de liberdade, autonomia e confiança nas brincadeiras, festas e rodas de conversa promovidas no </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19862" aria-describedby="caption-attachment-19862" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. No lado esquerdo do registro, está um jovem negro vestindo um chapéu de palha e uma camisa de bolinhas vermelhas. Ele faz careta para imagem. No lado direto, atrás do primeiro jovem, está um casal de jovens. Ambos são brancos e usam cadeiras de roda enquanto se beijam. Ao fundo, pode-se observar um gramado e muitos outros jovens." width="1000" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19862" class="wp-caption-text">“Era uma utopia. Quando estávamos lá, não havia mundo externo” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A energia da convivência no acampamento é trazida para </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de alguns registros que James LeBrecht fez de seus verões em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, buscando vazão para para suas inspirações audiovisuais enquanto vivia sua juventude com uma deficiência física. Ali, exceto pelos momentos reservados para cada um compartilhar suas dores na intenção de encontrar apoio e identificação, não era lugar de se definir pelas suas condições físicas ou intelectuais. O clima era tomado por uma vibração intensa de amizade e diversão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que reflete num filme leve, bem-humorado e natural, exatamente da mesma maneira que as coisas eram encaradas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo nas ocasionais imagens em preto e branco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> é colorido pela contagiante vivacidade de seus protagonistas e especialmente iluminado pela trilha construída com as músicas enérgicas dos <a href="https://www.sparflex.com.br/a-musica-dos-anos-60-mudou-a-cultura-mundial/#:~:text=Os%20anos%2060%20foram%20marcados,por%20isso%20os%20influenciava%20tanto.&amp;text=Pois%20com%20a%20chegada%20do,m%C3%BAsica%20criava%20um%20novo%20trajeto.">anos 60</a> celebrando o amor e pedindo por liberdade e paz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mérito disso também é de seus personagens, que dividem suas vivências, das mais gostosas às mais difíceis, com a paixão da saudade e brilho no olho da satisfação, algo que só transforma o filme em algo ainda mais especial. Além de acender uma luz em memórias deliciosas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca pessoas com deficiência como fontes de informação em uma narrativa maravilhosa sobre elas, onde elas são ouvidas, respeitadas e consideradas como o que de fato são: uma parte importante da história.</span></p>
<figure id="attachment_19863" aria-describedby="caption-attachment-19863" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19863 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de quatro jovens, um deles com deficiência física usando uma cadeira de rodas, que está mais à esquerda e acima da imagem. Os demais estão sentados numa passarela de madeira sob o chão de gramado, tocando violão e cantando." width="840" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19863" class="wp-caption-text">“O problema não existia com as pessoas com deficiência, o problema era com as pessoas sem deficiência” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Organicamente, esse movimento origina o segundo ato do filme de </span><a href="https://calhum.org/a-conversation-with-crip-camp-co-directors/"><span style="font-weight: 400;">LeBrecht e Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se destina exclusivamente a explorar o nascimento dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência. E inteligentemente, isso é o que cria uma distanciação entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma possível romantização perigosa da luta exaustiva que aqueles grupos tiveram que enfrentar enquanto buscavam direitos básicos e do tratamento humilhante que tiveram que encarar até chegar lá. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um objetivo muito bem definido e ciente do poder que tem nas mãos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> não usa sua história divertida sobre juventude de forma irresponsável, pintando tudo às mil maravilhas como algo que só é sobre festa e curtição. O documentário não hesita em mostrar também a realidade cruel vigente pelo preconceito através de imagens fortes, denunciando o tratamento desumano que outros locais de “assistência” reservavam às pessoas com deficiência. Elas, inclusive, </span><span style="font-weight: 400;">infelizmente não estão todas vivas para dar voz às suas experiências na tela, mas as figuras centrais do documentário encontram espaço ali, presentes e contundentes para contar sua própria história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal delas é </span><a href="https://www.shondaland.com/inspire/a31946513/judy-heumann-crip-camp-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Judy </span><span style="font-weight: 400;">Heumann</span></a><span style="font-weight: 400;">, estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma das melhores oradoras e líderes que teremos a chance de conhecer. Na época, a jovem campista, convivendo com as sequelas da poliomielite que teve ainda quando bebê, logo se revelou uma liderança dentro da bagunça boa do acampamento. Fora dele, sua habilidade de articulação a transformaria numa das figuras mais importantes na luta pelos direitos das pessoas com deficiência nos Estados Unidos, iniciada com a </span><a href="https://share.america.gov/pt-br/150-americans-took-building-changed-disability-law/"><span style="font-weight: 400;">Ocupação 504</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando 150 pessoas ocuparam o Departamento de Saúde de São Francisco até que fossem aprovadas leis locais de acessibilidade.</span></p>
<figure id="attachment_19864" aria-describedby="caption-attachment-19864" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19864 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A imagem registra uma passeata do movimento pelos direitos das pessoas com deficiência na frente de um órgão do governo. Ao centro da imagem, pode-se observar a ativista Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos e óculos de grau numa cadeira de rodas e segurando um cartaz de protesto de frente para a câmera. Atrás dela, existem outros protestantes passando na calçada, incluindo outras pessoas com deficiência." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19864" class="wp-caption-text">“Você pode aprovar uma lei, mas até você mudar as atitudes da sociedade, a lei pouco significará” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Judy também foi conselheira internacional para os direitos das pessoas com deficiência no Departamento de Estado dos EUA no governo de Barack Obama, e talvez seja a responsável por fazer a ponte entre o filme e sua produção, assinada pela </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/oscar-2020-produtora-dos-obama-ja-tem-varios-projetos-caminho-1-24239558"><i><span style="font-weight: 400;">Higher Ground</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A produtora do ex-presidente e de sua esposa, Michelle Obama é </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2020/noticia/2020/02/09/industria-americana-leva-o-oscar-de-melhor-documentario-e-derrota-democracia-em-vertigem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queridinha da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu primeiro filme, estreando na indústria cinematográfica já com uma estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano passado. O fenômeno foi atingido com </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81090071?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Indústria Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; intragável e apático, diga-se de passagem -, filme também distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que causou o terror da categoria repleta de produções incríveis em 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os erros do ano passado não se repetem desta vez com </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> da penúltima edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sundance/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um pouco mais sutil que </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">as ficções indicadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, um pouco menos incisivo do que alguns companheiros de categoria (</span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo) e ofusca seus concorrentes igualmente merecedores que não possuem o poder econômico e simbólico da produtora dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG8Vvkn7iPw"><span style="font-weight: 400;">Obama</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas a indicação da vez é merecida e o favoritismo não é apenas justificável como também bem-vindo no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, considerando todo o seu significado no reconhecimento que traz aos profissionais com deficiência, contemplados no nome de James LeBrecht, e à história de inquestionável importância.</span></p>
<figure id="attachment_19865" aria-describedby="caption-attachment-19865" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19865 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg" alt="Fotografia dos diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance. Ao centro, está a diretora Nicole Newnham, uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos e lisos, sem deficiência, que usa um vestido preto. À direita dela está o outro diretor, James LeBrecht, um homem granco, de cabelos loiros cacheados e com deficiência física. À direita de James, está a ativista Denise Sherer Jacobson, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos e com deficiência física. No lado direito, estão os ativistas Stephen Hofmann, um homem branco também numa cadeira de rodas, e Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos castanhos também que também faz uso de uma cadeira de rodas. Atrás deles, existe um painel lilás do festival, e eles posam no carpete bege do evento." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp.jpg 1110w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19865" class="wp-caption-text">Os diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance (da esquerda para a direita: Stephen Hofmann, Judy Heumann, Nicole Newnham, James Le Brecht e Denise Sherer Jacobson) (Foto: <em>Lauren Wester/Sundance Institute</em>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é o que se sobressai em </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliás. Ao nos colocar diante de uma história onde os que eram vistos como os mais frágeis e fracos da sociedade enfrentaram o mais alto escalão de seu governo com sucesso, o documentário transcende seu nicho &#8211; já de formação obrigatória para qualquer cidadão do século XXI -, pauta o <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,capacitismo-pessoas-com-deficiencia-explicam-o-que-e-e-como-evita-lo,70003478130">anticapacitismo</a> e cria algo muito poderoso sobre a potência do sentir-se digno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reflexão que se desdobra e se manifesta em diversos aspectos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Cinema, ele sublinha a importância de se representar pessoas iguais às que vemos na vida real, que </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm"><span style="font-weight: 400;">de minoria, às vezes, não têm nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que </span><a href="https://coletiva.net/artigos-home/cinema-feito-por-pessoas-com-deficiencia-por-que-tao-incomum-,301939.jhtml"><span style="font-weight: 400;">estão por aí</span></a><span style="font-weight: 400;">, contando suas histórias com maestria, transformando assim o reconhecimento como algo que precisa apenas de uma oportunidade para acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No íntimo, ele toca na verdade simples e subestimada que prova que mudar o micro transforma o macro. É fato que as vigências do nosso mundo são muito grandiosas e muito bem instauradas, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos lembra através de um exemplo concreto que as coisas começam por algum lugar. Pelas pessoas, mais especificamente, que por sua vez, também precisam ser transformadas numa realidade que apaga sua autonomia em benefício de suas próprias estruturas.</span></p>
<figure id="attachment_19866" aria-describedby="caption-attachment-19866" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19866 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de jovens mulheres campistas, que posam sorridentes para a câmera em um gramado." width="1000" height="510" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-300x153.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-768x392.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19866" class="wp-caption-text">A mensagem é arrematada ao final do filme, com o retorno de nossos personagens históricos ao local onde tudo começou, quando eram apenas adolescentes buscando normalidade encontrando uma enorme pulsão de vida (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peças em mãos, tudo se encaixa. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói é exatamente uma demonstração da transformação que pode surgir de um sentimento ‘simples’ e individual, que acaba por ser poderoso e coletivo. Através do sentir-se capaz e digno de sua existência, digno de sua voz, digno de sua história, e, neste caso em especial, digno de sua arte e de seu cinema, o documentário chega na motivação de tudo o que fazemos na coletividade: lutar pela vida e para que todos tenham direito de vivê-la.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CRIP CAMP: A DISABILITY REVOLUTION | Official Trailer | Netflix | Documentary" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XRrIs22plz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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