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	<title>Arquivos Depressão &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Crime e castigo são o veredito da 3ª temporada de Barry</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2022 19:08:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade É sempre curioso observar a forma como a violência é veiculada no Audiovisual. Historicamente, a ideia de um assassino de aluguel deprimido não é tão inovadora; na realidade, continua explorada após décadas de representação em videogames e filmes de adaptação. A bem da verdade, é algo sempre deixado nas entrelinhas dos roteiros do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/barry-3a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crime e castigo são o veredito da 3ª temporada de Barry"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28547" aria-describedby="caption-attachment-28547" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Barry-series-season-3-episode-8-with-subtitles.webp" alt="" width="1920" height="960" /><figcaption id="caption-attachment-28547" class="wp-caption-text">Indicada ao <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/">Emmy 2022</a>, Barry se distancia ainda mais da Comédia em seu terceiro ano (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sempre curioso observar a forma como a violência é veiculada no Audiovisual. Historicamente, a ideia de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/minority-report-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">assassino</span></a><span style="font-weight: 400;"> de aluguel deprimido não é tão inovadora; na realidade, continua explorada após décadas de representação em </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> e filmes de adaptação. A bem da verdade, é algo sempre deixado nas entrelinhas dos roteiros do gênero, cujas cenas finais giram em torno das redenções platônicas e apaixonadas dos frios matadores, que se rendem ao sentimentalismo e à reivindicação das próprias condições individuais (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Justiceiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> [2004], </span><i><span style="font-weight: 400;">Hitman </span></i><span style="font-weight: 400;">[2007], </span><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i><span style="font-weight: 400;"> [2008]).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece estar imposta, de forma silenciosa, uma condição depressiva na qual o sentido reside na incansável busca pela “justiça” – improvável, abstrata, distante e egoísta. Mas é aqui que </span><a href="https://www.theatlantic.com/culture/archive/2022/06/barry-season-3-hbo-finale-review/661284/"><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se distancia de todas essas realizações: a condição melancólica do protagonista se estabelece, desde o princípio, como o mote para suas ações, e o ato de cometer os crimes visa, na verdade, preencher seus dias para que ele não pense nos problemas que envolvem sua condição existencial.</span></p>
<p><span id="more-28546"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que humanizar aquilo que a cultura dos filmes </span><a href="https://www.teclasap.com.br/blockbuster/"><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> transformou num ideal mítico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre tentou apontar para as diversas facetas da tristeza, sentimento que perpassa todos os papéis da trama, mas que parece oculto pelo rótulo de “Comédia” – a verdade é que o humor está na linha tênue entre a tristeza e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">euforia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O curioso, porém, é a premissa do personagem homônimo: deprimido e insatisfeito com a própria vida, Barry (</span><a href="https://pitchfork.com/features/5-10-15-20/bill-hader-on-the-music-that-made-him/"><span style="font-weight: 400;">Bill Hader</span></a><span style="font-weight: 400;">) se transforma em um assassino de aluguel. Assim, em seu ano mais sombrio, o seriado inicia-se pouco tempo depois do massacre que finalizou a temporada anterior, e após romper com Fuches (Stephen Root), seu “empresário dos crimes”, o protagonista está numa fase ruim, num esquema de “assassinato por aplicativo”.</span></p>
<figure id="attachment_28548" aria-describedby="caption-attachment-28548" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28548" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/maxresdefault.webp" alt="" width="1920" height="960" /><figcaption id="caption-attachment-28548" class="wp-caption-text">O episódio <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JuXBHfzqszE&amp;ab_channel=RandoSchmando">710N</a>, 6º da terceira temporada, é responsável por 3 indicações de Barry ao Emmy (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o começo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> apostou na exploração da melancolia do protagonista, e em diversas cenas focou nas ligações com seu próprio passado, marcado pela violência. Isso porque, diferente do que se possa imaginar, não se trata somente de uma forma de ganhar a vida – e, como ex-fuzileiro, essa seria a atividade que melhor se aplica às habilidades de Barry –, mas porque, justamente, o personagem precisa encontrar um sentido para viver; a violência, de certa forma, estava ali. Com o passar do tempo, outros horizontes se tornam possíveis, porém parecem contaminados desde o início.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transfigurado em uma figura </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/11/dostoievski-e-flaubert-implodiram-o-narrador-tradicional-e-criaram-o-romance-moderno.shtml"><span style="font-weight: 400;">dostoievskiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele começa, então, a questionar se sua essência clama somente pela violência – há espaço para a contemplação artística (através do Teatro e atuação, em seu caso) e a paz, afinal? Aos moldes do protagonista de </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/memorias-do-subsolo/4426"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">do Subsolo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1864) – ou Raskólnikov, de </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/crime-e-castigo"><i><span style="font-weight: 400;">Crime e Castigo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1866) –, Barry vive sob uma condenação imposta por ele próprio. Ainda assim, o enredo da terceira temporada gira em torno de uma reviravolta: agora, as famílias das vítimas do anti-herói sabem que ele é o assassino e querem matá-lo. Parte significativa da trama – em certo sentido, até mesmo aquilo que a sustenta – são esses familiares numa busca implacável pela morte de Barry. É como se, num emaranhado de situações complexas ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Kaufman</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jogo virasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é por acaso que, em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aclamado no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. O seriado disputa 12 categorias, somando 14 indicações, e embora com menos indicações que na temporada anterior, pela qual venceu 3 das 17 delas, segue como uma das favoritas nas principais categorias da lista: Melhor Direção em Comédia, Melhor Roteiro em Comédia, Melhor Ator em Comédia e Melhor Ator Coadjuvante em Comédia. No meio do embate entre as favoritas </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-165088/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> também concorre na principal categoria do seu gênero, como Melhor Série de Comédia.</span></p>
<figure id="attachment_28549" aria-describedby="caption-attachment-28549" style="width: 1584px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28549 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader.jpg" alt="" width="1584" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader.jpg 1584w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1536x1040.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/sarah-goldberg-bill-hader-1200x812.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28549" class="wp-caption-text">Esnobada no Emmy 2022, Sarah Goldberg é uma das estrelas no terceiro ano de Barry (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do fato das indicações jogarem luz ao episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">710N</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual há um plano-sequência de fôlego com Barry fugindo de motoqueiros assassinos, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 também parece notar a cabeça pensante que, invariavelmente, evidenciou-se no terceiro ano da produção: Bill Hader. Duas vezes </span><a href="https://www.emmys.com/bios/bill-hader"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator em Comédia – as duas em que concorreu –, o ator é novamente o favorito da categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, Hader estreou na direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">, e se desdobrou entre a atuação mais sombria do protagonista e a primorosa condução das diversas nuances que outros papéis precisaram realizar para acompanhar o novo ritmo ditado por ele. Sua condução é tão boa que, além da série ter sido renovada para uma quarta temporada, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/238987-barry-serie-renovada-hbo-4-temporada.htm"><span style="font-weight: 400;">Bill Hader será o diretor de todos os novos episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um dos exemplos mais gritantes de sua visão como comandante das escolhas narrativas do seriado está na atuação de </span><a href="https://www.cheatsheet.com/entertainment/barry-fans-disappointed-sarah-goldbergs-emmy-snub-calling-season-3-performance-breathtaking.html/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, a partir da liberdade proporcionada sob a nova direção, entrega uma Sally Reed dramática e visceral, protagonizando uma das cenas mais impactantes de toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">season 3</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem qualquer razão factível, ela é um dos nomes esquecidos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o que mais chame a atenção em sua ausência nas indicações seja o fato de que a cena, estrelada por Goldberg, diga bem mais do que parece dizer. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pDds99rLsBk&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">espanca o homem que tentou matá-la</span></a><span style="font-weight: 400;"> – após a tentativa falha de executar Barry –, o personagem de Bill Hader se levanta e assiste em um silêncio abismal a agressividade com que Sally Reed se defende. A Edição de Som, que insere e abafa o áudio à medida em que a porta do quarto onde Sally e o motoqueiro assassino estão, faz com que se tenha uma imersão angustiante. Mas o que essa sequência diz, na verdade, é que Barry – provavelmente pela primeira vez – se dá conta que falhou em proteger aqueles que ama. Em algum momento, o </span><i><span style="font-weight: 400;">castigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> por seus </span><i><span style="font-weight: 400;">crimes</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegaria.</span></p>
<figure id="attachment_28550" aria-describedby="caption-attachment-28550" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28550" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/b4922856d83bcb962ff59136c2fc004657-barry-lede.rhorizontal.w1100.webp" alt="" width="1100" height="733" /><figcaption id="caption-attachment-28550" class="wp-caption-text">Bill Hader também concorre ao Emmy 2022 como Melhor Ator Convidado em Comédia por sua atuação em <a href="https://personaunesp.com.br/zoeys-extraordinary-christmas-critica/">Curb Your Enthusiasm</a> (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas duas primeiras temporadas, Sally Reed foi a personificação da cultura egocêntrica de Hollywood, na qual prevalece o estilo “faça-você-mesmo” e as formas rasas de se compreender os dilemas sociais – a típica personagem das Comédias que faz tudo pela fama. Como se tivesse saído de um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de auto-ajuda, Reed dizia frases prontas e se colocava à frente de situações apenas para benefício próprio. O amadurecimento da personagem demonstra o poder que uma </span><a href="https://variety.com/2022/tv/reviews/barry-season-3-review-hbo-bill-hader-1235233996/"><span style="font-weight: 400;">boa direção e uma atuação primorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> podem ter ao conceber uma catarse tão estarrecedora quanto a que assistimos. Não somente na cena já citada, mas em uma espécie de insatisfação carregada por ela durante toda a temporada, deixando bem mais evidente o Drama do que a Comédia em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que Bill Hader conseguiu observar e representar nos episódios dirigidos por ele foi a condição desses personagens coadjuvantes, que tem suas vidas marcadas negativamente pelos relacionamentos com Barry. Sally Reed, por exemplo, se vê vítima de um relacionamento abusivo com o protagonista bem antes do momento em que quase é assassinada por um criminoso que, a princípio, não chegaria a ela se não fosse pelo namorado. Hader, por sua vez, transforma Barry num indivíduo que oscila entre o maníaco frenético e o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hldxuOwpdwA&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">depressivo existencialista</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28551" aria-describedby="caption-attachment-28551" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28551" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/anthony-carrigan_2-h-2022.webp" alt="" width="1296" height="730" /><figcaption id="caption-attachment-28551" class="wp-caption-text">Após entregar uma atuação potente como mafioso que vive um amor proibido com outro homem, Anthony Carrigan, no papel de NoHo Hank, disputa com fortes chances a categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Comédia (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que há pouco espaço para piadas na terceira temporada, e o grande mérito talvez seja, pela primeira vez, a condução da série para um caminho no qual paramos de </span><a href="http://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sentir empatia</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o assassino frio que o protagonista sempre foi. Neste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">se estabeleceu através de uma forte sensação de contenção. Nós não vemos o estado do homem que Reed espanca com um taco, nem sabemos qual é o animal misterioso que está devorando os amigos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3wFHN1DPovw&amp;ab_channel=JohnnyWestside"><span style="font-weight: 400;">NoHo Hank</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Anthony Carrigan) na cela ao lado da sua. É um ano marcado pelos fantasmas da vida de Barry, e isso se reflete na direção fotográfica, que projeta os episódios com um tom mais escuro em comparação aos anos anteriores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao final, quando parece que Barry vai realmente morrer, ele vê Sally Reed e Gene Cousineau (interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mKSz4lD7N-o&amp;ab_channel=TelevisionAcademy"><span style="font-weight: 400;">Henry Winkler</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicado novamente na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Comédia, a qual venceu pela primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">) numa praia repleta por suas antigas vítimas – uma espécie de representação do “</span><a href="https://www.seculodiario.com.br/cultura/o-livro-tibetano-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">bardo</span></a><span style="font-weight: 400;">”. Embora ele e esses dois personagens não estejam mortos como os demais, o dano que Barry causou em suas vidas parece mais irreparável do que ele realmente acredita. O fim da temporada sintetiza isso: enquanto Reed foge de seu horizonte, tudo o que ele quer é o perdão de Cousineau por ter matado sua esposa – algo que ele, efetivamente, não tem.</span></p>
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		<title>Giles Corey: 10 anos de uma visita pelos cantos mais sombrios de uma mente desesperada</title>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de prevenção de gatilho: Giles Corey pode contar com elementos possivelmente prejudiciais aos que sofrem com pensamentos suicidas ou depressão. Frederico Tapia Em 2011, Dan Barrett, membro da banda Have A Nice Life, lançou o primeiro e único LP sob o nome Giles Corey. A origem do nome adotado por Barrett é de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/giles-corey-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Giles Corey: 10 anos de uma visita pelos cantos mais sombrios de uma mente desesperada"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Aviso de prevenção de gatilho: Giles Corey pode contar com elementos possivelmente prejudiciais aos que sofrem com pensamentos suicidas ou depressão.</span></i></p>
<figure id="attachment_24944" aria-describedby="caption-attachment-24944" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1.jpeg" alt="Capa do disco Giles Corey. A imagem é uma pintura em preto e branco, de uma pessoa, vestindo um terno com um pedaço de pano cobrindo a cabeça e o escrito Giles Corey na parte central da imagem." width="1280" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24944" class="wp-caption-text">Capa do disco Giles Corey (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><b>Frederico Tapia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2011, </span><a href="https://www.scenepointblank.com/features/interviews/giles-corey/"><span style="font-weight: 400;">Dan Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro da banda Have A Nice Life, lançou o primeiro e único </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob o nome Giles Corey. A origem do </span><a href="http://salem.lib.virginia.edu/people/gilescorey.html"><span style="font-weight: 400;">nome adotado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Barrett é de um fazendeiro com o mesmo nome que viveu no século 17 e foi morto durante os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-as-bruxas-de-salem-julgamento.phtml"><span style="font-weight: 400;">julgamentos das bruxas de Salem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos 56 minutos que constituem o álbum, ele fala abertamente sobre suas lutas internas, principalmente contra a depressão e o suicídio. Ele mesmo afirma em seu </span><a href="https://gilescorey.bandcamp.com"><span style="font-weight: 400;">perfil</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Bandcamp</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey são músicas acústicas sobre depressão, suicídio e fantasmas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span id="more-24943"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é acompanhado de um livreto de cerca de 150 páginas no qual o artista conta sobre e diz muito das ideias de Robert Voor, um personagem que aparece de forma recorrente na arte de Barrett e é possivelmente uma </span><a href="https://www.pratiqueaxioma.com.br/post/o-que-e-tulpa"><span style="font-weight: 400;">Tulpa</span></a><span style="font-weight: 400;"> (conceito do budismo tibetano que se trata de uma criatura imaginária que pode ser criada a partir de pura força de vontade, envolvendo uma meditação intensa; além disso, essa criatura seria um pensamento tão real que chegaria a assumir uma forma material, e, até certo ponto, autônoma). Todas as faixas possuem uma seção correspondente no livreto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey </span></i><span style="font-weight: 400;">definitivamente não se trata de uma obra fácil de se consumir, muito pelo contrário. É um álbum extremamente triste e com uma atmosfera de total desolação, durante todas as canções. E não é à toa, afinal, musicalmente ele incorpora elementos de </span><a href="https://gavetadebaguncas.com.br/o-que-e-shoegaze-a-historia-as-bandas-e-os-discos-essenciais/"><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.masterclass.com/articles/drone-music-guide#what-is-drone-in-music"><i><span style="font-weight: 400;">drone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> noise</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando por </span><i><span style="font-weight: 400;">field recordings </span></i><span style="font-weight: 400;">e até </span><i><span style="font-weight: 400;">gospel</span></i><span style="font-weight: 400;">. O disco não é uma tentativa de achar consolo ou conforto, mas sim de achar respostas. No verão de 2009, Barrett viveu um episódio depressivo que durou meses, e ele fala sobre esse acontecimento que culminou na concepção do LP na introdução do </span><a href="https://www.goodreads.com/book/show/13219505-giles-corey"><span style="font-weight: 400;">livreto</span></a><span style="font-weight: 400;">. A depressão de Barrett se manifestou com uma pergunta: “</span><i><span style="font-weight: 400;">se eu não quero estar vivo, eu quero estar morto?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey</span></i><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma tentativa de responder isso.</span></p>
<figure id="attachment_24945" aria-describedby="caption-attachment-24945" style="width: 761px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12.jpg" alt="Imagem encontrada no livro que acompanha o álbum na página 9. É uma foto antiga, em preto e branco com dois homens e uma mulher, e um fantasma observando os três. Na parte superior esquerda da imagem está escrito &quot;Oh, you, spectres and spirits&quot;." width="761" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12.jpg 761w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24945" class="wp-caption-text">Em todo o tempo, Barrett traz a alegoria de fantasmas, principalmente nas imagens do livro, como esta (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco abre com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Haunting Presence</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando Barrett já diz que está “</span><i><span style="font-weight: 400;">enterrado acima do chão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, um jogo de palavras tanto pela forma como o fazendeiro Giles Corey morreu quanto metaforicamente, uma alma morta dentro de um corpo vivo. Na sequência, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blackest Bile</span></i><span style="font-weight: 400;">, Barrett traz a imagem de uma nuvem de desânimo que inicialmente só afeta ele próprio e que só ele consegue perceber, mas com o passar do tempo essa situação começa a afetar todos que estão ao seu redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">No One Is Ever Going To Want Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> criam um </span><a href="https://linha8.com.br/dan-barrett-morte-suicidio-desconstrucionismo-musical/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de completo desespero</span></a><span style="font-weight: 400;">, de uma vida que não vale a pena ser vivida. Não há nada além de desespero e atitudes autodestrutivas que, com o passar do tempo, só se intensificam. Saber que se sentir desta forma mesmo com tantas pessoas em situações piores só fazem você se sentir culpado, e essas sensações se agravam. Nada mais importa, sua família, seus amigos, todos eles te amam e se importam com você, mas isso não faz diferença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil dizer o que você quer, mas, no fundo, é bem claro o que você busca. Dar seu último adeus é difícil, muito difícil, mas esse não é nem o maior dos problemas. E no fim das contas? Nada importa, nem mesmo tudo o que vai deixar para trás quando consumar seu fim. Junto a isso, o sentimento de auto-ódio em </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dizendo como ele se tornou tudo aquilo que  odiava, e isso estava acabando com ele.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Giles Corey - &quot;Blackest Bile&quot; Live @ Cameo Gallery" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IZ2NJmEYJcs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma outra nuance para </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vem do livreto lançado junto ao disco. Nele, Barrett fala sobre o conceito de Descontextualização de Robert Voor. De forma geral, é como manter um diário e após um tempo trocar tudo o que foi dito na primeira pessoa pela terceira. Assim, se cria um cenário da sua vida sem você/sua identidade nela. Essa faixa é também Barrett dizendo que ele vai matar sua persona, seu ego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">No One Is Ever Going To Want Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda recicla uma ideia do outro projeto de Barrett, a banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/0FRKTwQSToXpCxYMhyUzYY"><span style="font-weight: 400;">Have a Nice Life</span></a><span style="font-weight: 400;">, na comparação de forma implícita entre ser crucificado e formas severas de depressão na música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ZE9xvmFzyk"><i><span style="font-weight: 400;">Who Would Leave Their Son out in the Sun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Neste caso, a comparação é mais clara e direta, dizendo que o narrador e quem está ouvindo está</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">andando sobre a ponte dos suspiros, teremos uma cruz como Cristo, crucificado</span></i><span style="font-weight: 400;">” e isso é repetido durante a canção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tema recorrente no álbum é o sentimento de solidão, de não merecer ser amado, sensação comum para pessoas que apresentam </span><a href="https://nolessthan.com/practical-notes-on-depression-from-a-semi-famously-depressed-person/"><span style="font-weight: 400;">quadros depressivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por exemplo,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Spectral Bride </span></i><span style="font-weight: 400;">(que soa como uma série de canções </span><i><span style="font-weight: 400;">gospel </span></i><span style="font-weight: 400;">retrabalhadas) trata do conflito entre ter o desejo de não estar mais na Terra e, ao mesmo tempo, não querer abandonar quem ele ama, nesse caso virando um fantasma para poder continuar ao lado de sua amada. Anteriormente, no refrão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blackest Bile</span></i><span style="font-weight: 400;">, o narrador diz ser um fantasma solitário, e que nasceu para ser sozinho, reforçando esta ideia.</span></p>
<figure id="attachment_24946" aria-describedby="caption-attachment-24946" style="width: 753px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24946" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1.jpg" alt="Imagem do livreto encontrada na página 81. Uma foto em preto e branco na qual na esquerda está um homem sentado com os dizeres &quot;Behind you&quot; na parte inferior esquerda da imagem. Na parta direita da imagem está o fantasma de uma mulher vestida de noiva." width="753" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1.jpg 753w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24946" class="wp-caption-text">Uma das imagens que representam a ideia trazida em Spectral Bride, encontradas no livreto (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No encerramento </span><i><span style="font-weight: 400;">Buried Above Ground</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de sonoramente a faixa destoar das outras por soar muito mais esperançosa que tudo o que veio antes, Barrett reutiliza alguns elementos da música de abertura </span><i><span style="font-weight: 400;">The Haunting Presence</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a começar pelo próprio nome. Já na letra, é reutilizada a metáfora que inicia o disco dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">tem um demônio no meu peito/nas minhas pernas/nas minhas costas/no meu pescoço</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que representa sua luta contra a depressão e como ela o faz sentir que está vivendo no Inferno. Isso é reforçado logo em seguida quando ele diz que está gritando com uma criança no fundo de um poço, e finaliza ao retomar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está enterrado acima do chão</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma obra difícil de ser ouvida, mas, sem dúvidas, um dos projetos mais únicos da última década. Não se trata de um álbum com o perfeccionismo geralmente esperado do </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/10-discos-para-gostar-de-slowcore/"><i><span style="font-weight: 400;">slowcore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é algo muito mais focado no emocional. </span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey</span></i><span style="font-weight: 400;"> acabou ditando os últimos 10 anos do gênero que ficou muito mais despretensioso, principalmente se comparado com as duas décadas anteriores.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o <a href="https://www.cvv.org.br/">Centro de Valorização da Vida</a> (CVV) atua, gratuitamente e de forma sigilosa, para todas as pessoas que precisam e querem conversar. Tanto por telefone (discando 188), quanto por e-mail e chat, 24 horas por dia.</span></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Giles Corey" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/55U9LPwlaFmsgOsLyJnrmu?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Melancolia: 10 anos de colisão emocional</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 19:34:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A melancolia é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na escatologia, a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Melancolia: 10 anos de colisão emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24126" aria-describedby="caption-attachment-24126" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há uma mulher vestida de noiva à esquerda, uma criança de terno preto no centro e uma mulher de vestido cinza à direita. Os três estão em um gramado e ao fundo há uma mansão." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24126" class="wp-caption-text">Melancolia aborda em sua narrativa a objetificação das emoções (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/26/melancolia-o-que-e-e-como-lidar-com-ela.htm"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/a-diferenca-entre-a-escatologia-e-a-escatologia/"><span style="font-weight: 400;">escatologia,</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul em rota de colisão com a Terra. A partir dessa premissa, a obra apresenta uma análise comportamental sobre duas irmãs e suas percepções com o fim da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação entre psicologia, morbidez e arte é muito comum na cinematografia do repulsivo diretor dinamarquês Lars Von Trier, que ficou conhecido por suas polêmicas. Seus filmes costumam representar mulheres em estado de vulnerabilidade e inferioridade aos homens, sendo retratado diversas vezes de forma asquerosa o abuso e a violência contra a figura feminina.</span></p>
<p><span id="more-24125"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A misoginia do diretor já rendeu muitos problemas e sérios relatos de assédio </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/bjork-relata-assedio-sexual-cometido-por-diretor-dinamarques.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como se não fosse o suficiente, o criador do movimento </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/movimentos-do-cinema-o-que-foi-o-dogma-95"><span style="font-weight: 400;">Dogma 95</span></a><span style="font-weight: 400;"> já causou polêmica ao referenciar o nazismo com </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/declaracao-nazista-de-lars-von-trier-choca-o-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">declarações antissemitas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os discursos sórdidos fizeram com que o Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> vetasse sua participação, no ano em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi lançado. Mesmo com essa situação horrível, Kirsten Dunst ganhou o Copa Volpi de Melhor Atriz, enquanto que o cineasta recebeu o título de </span><a href="http://g1.globo.com/festival-de-cannes/2011/noticia/2011/05/cannes-declara-von-trier-persona-non-grata-apos-citacao-nazista.html"><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia.</span></p>
<figure id="attachment_24127" aria-describedby="caption-attachment-24127" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia que apresenta uma mulher branca, loira, vestida de noiva correndo. Há diversas raízes que a prendem pela perna, dificultando sua fuga. No fundo da imagem aparecem mais árvores com cipó." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24127" class="wp-caption-text">A frustração com o casamento transborda por meio do sentimento melancólico de Justine (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura repugnante do diretor se reflete em seus filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, que é dividido em capítulos, se inicia com um prólogo em </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/super-slow-motion/"><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cena já apresenta a amplitude da devastação que será abordada no decorrer da obra. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m9PiX0pMQMg"><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da ópera de Richard Wagner como trilha sonora, o longa trabalha a introdução de seu filme de forma dramática com Justine (Kirsten Dunst) vestida de noiva e presa a raízes e Claire (Charlotte Gainsbourg) desesperada com a colisão do planeta Melancolia com a Terra. O drama prepara o telespectador para as questões emocionais a respeito do medo da morte e a prisão ao casamento, que são abordadas por partes na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o prólogo introdutório, começa a parte um do filme, nomeada como Justine. O primeiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma mulher depressiva em seu casamento organizado pela sua irmã, Claire, que tenta contagiar a festa com sua felicidade. Durante o evento, a noiva não consegue se conter diante de sua frustração emocional, o que a distancia do convívio social. A cena demonstra o tratamento que pessoas no mesmo estado de Justine recebem da sociedade por meio do olhar de desprezo dos convidados. Outro </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cores-e-filmes-simbologia-e-expressividade/"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado na história de Justine são as amarras do casamento, representadas pelas raízes na introdução do longa. Toda essa situação, que torna a vida da personagem melancólica, se desenvolve bem lentamente, quase como se  a obra quisesse contaminar o telespectador com o estado emocional da protagonista, mas esse ritmo se altera conforme o foco da trama passa a ser Claire.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ato, chamado de Claire, dá um novo rumo para a história. Focado na outra irmã, a história ganha um rumo interessante ao mostrar como esta lida com a ameaça do planeta Melancolia colidir com a Terra. O estado emocional de Claire passa da alegria para uma ansiedade melancólica, enquanto que Justine, já conformada com o fim súbito, se mantém serena frente a situação. Esse jogo psicológico do roteiro, em que as protagonistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1NokYc8nn-k"><span style="font-weight: 400;">mudam de papéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeta como as emoções são voláteis diante dos obstáculos enfrentados.</span></p>
<figure id="attachment_24128" aria-describedby="caption-attachment-24128" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24128" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg" alt="Cena do filme Melancolia exibe uma mulher branca de cabelos castanhos, que veste uma camiseta cinza, e um homem branco de cabelos castanhos, que veste um paletó, observando o céu com um olhar de preocupação. Ao lado direito da cena há um telescópio branco e ao fundo se exibe um jardim." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24128" class="wp-caption-text">Mesmo com medições constantes, John afirma que os planetas não irão colidir (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem na trama é John (Kiefer Sutherland), marido de Claire. O cientista, frio e apático, apresenta-se sempre cético frente à órbita do planeta Melancolia cruzar com a da Terra. Esse movimento interplanetário, chamado de dança da morte, parece inconcebível para o homem convicto de seus cálculos. Por meio de suas certezas, ele tenta consolar a esposa, o que funciona até certo ponto, porém sua postura frívola acaba sendo ainda mais desestabilizante. Através do ceticismo de John, o filme se assemelha com outros do diretor, ao trabalhar a rigidez humana que se nega a enxergar o óbvio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de contemplar a extinção humana com uma colisão espacial, a cinematografia do dinamarquês já havia trabalhado a questão da escatologia em</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-o-anticristo/"><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro longa da Trilogia da Depressão, sucedido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ninfomaníaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os três filmes não apresentam uma narrativa contínua, mas seu conteúdo apresenta certas similaridades, como a relação dos personagens com a violência, o niilismo e a animalização humana. Com o ideal pessimista da trilogia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> surge de </span><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como marco da saída do diretor da depressão. Desse modo, a segunda película apresenta todo o ideal deprimente do cineasta, mas sem ser perturbador assim como os demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, na ausência do sentimento de agonia e desconforto tão comuns nos filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> se arrisca pela antítese emocional das personagens para narrar sua história. A trilha sonora repleta de músicas clássicas, a fotografia de Manuel Alberto Claro e os efeitos visuais de Peter Hjorth contribuíram para elevar o sentimento dualístico abordado na obra. Mas apesar de todos esses êxitos na elaboração da peça audiovisual, a produção não atinge um nível profundamente psicológico esperado. O aspecto da exploração da mente humana já havia sido melhor trabalhado anteriormente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/idogvillei"><i><span style="font-weight: 400;">Dogville</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/dancando-no-escuro-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Dançando no Escuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o segundo filme da Trilogia da Depressão não vai além do jogo entre razão e emoção.</span></p>
<figure id="attachment_24129" aria-describedby="caption-attachment-24129" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24129" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-6.jpg" alt="Tela do pintor John Everett Millais apresenta uma mulher branca, usando um vestido longo. O fundo e as laterais da imagem são repletas de vegetação e, ao centro, há um lago em que a jovem está afundando." width="710" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-24129" class="wp-caption-text">A tela Ophelia, de John Everett Millais, foi a inspiração para o pôster de divulgação de Melancolia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar de não apresentar grande profundidade de simbolismos psicológicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa coesa repleta de similaridades com outras obras. A começar pelo prólogo dramático em </span><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma colisão de planetas guiado pelas notas vibrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i><span style="font-weight: 400;">, que apresentam grande similaridade com as características de filmagem utilizadas por Stanley Kubrick em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/2001-uma-odisseia-no-espaco-45-anos"><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto é a similaridade na construção da personalidade Justine com Ofélia de </span><a href="https://resenhandosonhos.com/hamlet-william-shakespeare/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas as personagens flertam com o niilismo e com a atração pela morte, sendo esse o motivo da calmaria da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a aproximação do planeta desconhecido. Esse alinhamento cósmico, chamado de dança da morte, se aproxima também do conceito apresentado em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-setimo-selo/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na película de Ingmar Bergman, em que a morte joga xadrez com um soldado das cruzadas que busca viver, o fim inevitável do ser humano recebe o mesmo nome que o cruzamento das órbitas da obra do dinamarquês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação com a Arte é muito presente nas produções de Von Trier, que sempre conciliou o lado artístico com a morbidez de seus </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-estranho-mundo-de-lars-von-trier/"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, repletos de violência extrema, sexo explicito e mutilação. Mas, apesar dos êxitos, é importante não separar o artista da obra, como no caso no caso do diretor, que sempre refletiu seu lado sórdido em seus trabalhos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais especificamente, não há cenas chocantes como essas. O rito de passagem que ele criou como saída da depressão fez com que um longa tão pessimista fosse, ao mesmo tempo, um de seus trabalhos mais artísticos, com a fotografia de Manuel Alberto Claro impecável e uma trilha sonora comovente. A tragédia já anunciada no prólogo permite ao menos a contemplação da imensidão azul do planeta Melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_24130" aria-describedby="caption-attachment-24130" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24130" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-5.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há duas mulheres e uma criança distantes, sentados dentro de uma cabana de gravetos montada em um gramado. Ao fundo da imagem há um planeta azul em rota de colisão com a Terra." width="638" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-24130" class="wp-caption-text">A dança da morte leva Melancolia ao seu fatídico fim (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
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		<title>A quem pertence O Babadook?</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 16:30:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Filme australiano independente lançado em 2014, O Babadook é um dos longas mais marcantes da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um sucesso de crítica, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A quem pertence O Babadook?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23754" aria-describedby="caption-attachment-23754" style="width: 2352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Foto preto-e-branco de uma página acinzentada. No centro, vemos o desenho de Babadook, feito com lápis preto. Trata-se de uma silhueta alongada, com os braços colados sobre o tronco e os longos dedos de suas mãos abertos. Ele tem olhos esbugalhados, um nariz triangular, e uma grande boca cheia de dentes que se abre em um sorriso perturbador. Além disso, ele veste na cabeça uma cartola. Sua sombra se projeta do lado esquerdo até o desenho de um armário com a porta aberta. E, do lado direito, em paralelo com o armário, vê-se o desenho de uma porta semi-aberta." width="2352" height="1347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg 2352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-800x458.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1024x586.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-768x440.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1536x880.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-2048x1173.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1200x687.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23754" class="wp-caption-text">O nome “Babadook” trata-se de um neologismo que reproduz a pronúncia de “a bad book”, “um livro mau” em inglês (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filme australiano independente lançado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos longas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWE1HfAUkpA&amp;t=82s"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/the_babadook"><span style="font-weight: 400;">sucesso de crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi sua </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/why-babadook-is-the-perfect-symbol-for-gay-pride-198444/"><span style="font-weight: 400;">apropriação</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita pela comunidade LGBTQIA+. Embora visto por muitos como uma grande piada, esse paralelo com a experiência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> evoca camadas da narrativa que jamais seriam alcançadas em uma leitura mais superficial. E, visto que parte do público médio repudia essa relação, é necessário questionar: a quem pertence uma obra como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span id="more-23753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos uma família desajustada que luta para superar um sofrimento profundo. Amelia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=12UEvRF4imc"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">) perdeu o marido, Oskar (</span><a href="https://www.smh.com.au/culture/theatre/marta-dusseldorp-and-ben-winspear-the-thespians-who-want-to-reboot-tasmania-20200820-p55np3.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Winspear</span></a><span style="font-weight: 400;">), em um trágico acidente de carro, enquanto ele a levava para o hospital, onde ela faria trabalho de parto. Mãe solo, e tendo de criar o garoto Samuel (</span><a href="https://www.facebook.com/Noah-Wiseman-931147206909718/"><span style="font-weight: 400;">Noah Wiseman</span></a><span style="font-weight: 400;">) por conta própria durante seis anos, Amelia nunca superou o luto e fazia de tudo para tentar apagar a existência de seu amado: todas as suas coisas ficavam lacradas no sótão, que ela não abria em nenhuma circunstância, e, em qualquer conversa em que Oskar fosse citado, ela imediatamente desviava o assunto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu superei. Você nem me vê mais falando dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Amelia retrucava. Porém, quando menos ela espera, esse fantasma volta a assombrá-la. Samuel cresce e torna-se uma criança desajustada e sem amigos. Começa a ter problemas com colegas da escola e, em casa, desperta um medo por monstros que supostamente o aterrorizam durante a noite, o que aborrece sua mãe. Contudo, esse medo se materializa quando, em uma fatídica noite, o menino pede para Amelia ler um conto de ninar antes que dormisse. Samuel apanha o </span><a href="https://medologia.com/post/uma-replica-feita-a-mao-do-livro-de-terror-de-o-babadook-"><span style="font-weight: 400;">primeiro livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vê na estante e, pela primeira vez, nos deparamos com a história de Sr. Babadook.</span></p>
<figure id="attachment_23756" aria-describedby="caption-attachment-23756" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A visão é da parte debaixo de uma cama. No chão, estão espalhados vários objetos diferentes, entre bichinhos de pelúcia e brinquedos. Do lado de fora da cama, deitados ao chão, estão os dois protagonistas do filme. À esquerda, Samuel, um garoto branco, de cabelos loiros, que veste um pijama azul. Ele se debruça sobre o chão com os cotovelos, e olha assustado para debaixo da cama. À direita está Amelia, uma mulher branca, com cabelos longos e loiros, vestindo um pijama rosa. se debruça no chão com o cotovelo direito, e com o esquerdo ela levanta a ponta do cobertor da cama para ter visão da parte debaixo da cama. Ela olha, receosa para o lugar. Além disso, no meio dos dois, vemos um cachorro de porte pequeno, com pelos longos de cor branca com detalhes em bege. Seu olhar é distante e confuso." width="2560" height="1536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-2048x1229.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23756" class="wp-caption-text">Mesmo com o orçamento reduzido, o filme adquiriu proporcionalmente bons lucros: um total de 10 milhões de dólares (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, a frase que abre o livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se está em uma palavra ou em um olhar, você não pode se livrar do Babadook”</span></i><span style="font-weight: 400;">, se faz verdadeira. O monstro começa a importunar a família e, quanto mais Amelia tenta resistir, mais intensas ficam as manifestações de Babadook. A situação gradativamente se descontrola, consumindo a protagonista física e psicologicamente, até chegar ao ponto em que ela precisa questionar se o melhor para ela e o seu filho é esquecer que o problema existe, ou expô-lo e enfrentá-lo de frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista do filme, </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/09/jennifer-kent-alice-freda-forever-lesbian-true-crime-thriller-amazon-1202171343/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Kent</span></a><span style="font-weight: 400;">, estreou em longas-metragens com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">, e dispunha de uma estrutura deveras modesta. Com um orçamento de somente 2 milhões de dólares, recebendo ainda um apoio de 30 mil dólares através de uma </span><a href="https://www.kickstarter.com/projects/thebabadook/realise-the-vision-of-the-babadook"><span style="font-weight: 400;">campanha</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=971P0E2FaI8"><span style="font-weight: 400;">financiamento coletivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não havia muito espaço para ocupar com criaturas aterrorizantes feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> e grandes sequências de efeitos especiais. Kent entende isso e decide investir no que realmente importa em um filme como esse: atmosfera e densidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pilar do longa é o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2017/06/horror-psicologico-psicanalise-explica-nosso-fascinio-pelo-medo.html"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é aí onde está seu maior brilho. Jennifer Kent parece se recusar a utilizar as convenções mais batidas do gênero, e decide explorar diferentes ferramentas para construir as sensações que ela deseja transmitir. A trilha sonora é mínima, sendo acionada somente em momentos-chave. Enquanto o uso dos conhecidos </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/458365/o-alem-do-susto-terror-pos-horror-e-o-poder-do-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase nulo. O filme até mesmo brinca com essa expectativa, entregando o susto com ‘atraso’, ou não o entregando de forma alguma. Situações de constante tensão, mas que nunca chegam em uma definitiva catarse. O que, na realidade, acaba por impulsionar o medo em sua décima potência.</span></p>
<figure id="attachment_23757" aria-describedby="caption-attachment-23757" style="width: 1272px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A câmera está próxima do rosto de Samuel, que é o foco da imagem. Ele é um garoto branco, com cabelos loiros e olhos escuros. Ele escora sua bochecha no batente da porta, como se tentasse espiar o outro lado sem ser visto. Ele veste uma camisa xadrez preto-e-branco, e olha para sua frente, surpreso." width="1272" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg 1272w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1200x679.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23757" class="wp-caption-text">Com apenas 7 anos de idade, Noah Wiseman se dá muito bem no papel, sendo indicado para diversas premiações, incluindo o Critics’ Choice Awards na categoria de Melhor Ator/Atriz Jovem (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a essa escolha, Babadook</span> <span style="font-weight: 400;">dificilmente aparece para os personagens. Normalmente, ele figura quase como uma sombra, um ser que, mesmo que não possa ser visto, está terminantemente conectado com a sua vítima. Entramos na pele de Amelia e, juntos a ela, absorvemos esse sentimento de impotência e de dúvida, de uma ameaça que não pode ser provada, muito menos impedida (antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bird-box-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Box</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> usar esses tropos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> já tinha inventado a roda!). De todo modo, os momentos que demandam o uso de efeitos especiais, como a sequência do acidente de carro no início do filme, ou as breves aparições físicas de Babadook, realmente evidenciam o orçamento limitado da produção, mas fazem bem o seu trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a sua 1 hora e 29 minutos de duração, acompanhamos de perto a rotina da família. Conhecemos seu entorno, sua rede de apoio e as pessoas que a rodeiam. Mas quem realmente cumpre o papel de carregar o longa nas costas são os dois protagonistas, sobretudo Amelia. A interpretação de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2016/may/09/the-thousand-faces-of-essie-davis-people-dont-realise-im-the-same-person"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primorosa, e uma das melhores do gênero de horror na última década. Ela encarna o papel da mulher cansada e da mãe desajustada com tamanha autenticidade que em certos momentos esquecemos que trata-se de uma personagem. Amelia se transforma da água pro vinho no decorrer da trama, e Essie faz com que compremos essa mudança de uma maneira que uma atriz menos capacitada não conseguiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais transborda da atuação de Essie é como Amelia é uma personagem complexa e multifacetada. Kent foge de romantizações e arquétipos clichês, criando em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> um retrato franco e realista de família e maternidade. </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/jennifer-kent-interview-directing-the-babadook/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o site </span><i><span style="font-weight: 400;">Den of Geek</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora disserta a respeito: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estava realmente querendo explorar a parentalidade a partir de uma perspectiva muito real. Agora, não estou dizendo que todas nós queremos ir e matar nossos filhos, mas muitas mulheres lutam e sofrem com isso. E é um assunto muito tabu, dizer que a maternidade é tudo menos uma experiência perfeita para as mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23758" aria-describedby="caption-attachment-23758" style="width: 1261px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. No centro da imagem, está Amelia. Uma mulher branca, de cabelos longos e loiros, que veste uma camisola rosa. A vemos da cintura para cima, e ela é iluminada por uma luz branca difusa. Ela está em pé, e olha para cima, assustada e confusa. Atrás dela, vemos um lance de escadas de madeira." width="1261" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg 1261w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-800x447.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1200x670.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23758" class="wp-caption-text">A transformação de Amelia também se dá na cinematografia: conforme ela perde a sanidade, predominam cores dessaturadas e tons de cinza (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Amelia não é perfeita. Ela não entende as sensibilidades de seu filho, é negligente com frequência, e deposita todo o peso de seu luto nele, mesmo que inconscientemente. O garoto sequer pode ter uma festa no dia de seu aniversário, já que sua mãe não aguentaria fazer uma comemoração em uma data tão desoladora quanto a da morte de seu marido. Amelia projeta a imagem de Oskar em Samuel, fazendo com que sua relação </span><a href="https://medium.com/mix%C3%B3rdia/the-babadook-uma-reflex%C3%A3o-sobre-a-depress%C3%A3o-p%C3%B3s-parto-2f1f288db479"><span style="font-weight: 400;">seja obstruída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os impossibilitando de construir um vínculo saudável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de surgir o monstro, não importava o quanto evitasse, a memória de seu marido sempre retornava a ela: seja através de um programa romântico na televisão, ou de um casal no estacionamento do serviço. Diante disso, Amelia deixa com que seu trauma consuma todos os aspectos da sua vida. Ela deixa a escrita, que era sua paixão, e passa a trabalhar em uma área onde ela não sente realização, e resume sua vida aos cuidados de uma criança que apenas escancara ainda mais seus ferimentos. O resultado é que essa angústia, sem ser devidamente abordada e tratada, começa a crescer e a devorá-la por dentro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se isolar na tentativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hLFd8hq6RmQ"><span style="font-weight: 400;">não se machucar</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amelia começa a ferir aqueles que ela mais ama. Se afasta de sua </span><a href="https://www.washingtonian.com/2011/08/04/interview-with-hayley-mcelhinney-from-anton-chekhovs-uncle-vanya/"><span style="font-weight: 400;">melhor amiga</span></a><span style="font-weight: 400;">, nega os cuidados de sua vizinha, e passa a gradativamente maltratar Samuel. Nesse sentido, podemos ler </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma personificação da depressão e </span><a href="https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/especial-publicitario/interplan-assistencia-funeral/interplan-ao-seu-lado-em-todos-os-momentos/noticia/2019/09/03/psicologa-revela-fases-do-luto-e-como-ele-pode-ser-superado-aos-poucos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista que, de tanto ser reprimida, implora para ser vista. E, depois de tanto sofrer e causar sofrimento, ela entende que a única maneira de superar seus traumas é colocá-los à tona e domá-los. Assim que ela decide olhar de perto, o Babadook nem parece mais tão ameaçador.</span></p>
<figure id="attachment_23759" aria-describedby="caption-attachment-23759" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos, enquadrados à direita, os dois protagonistas. Sentado, com o tronco se projetando ao chão, está Amelia, uma mulher branca, de cabelos longos e loiros. Ela usa um vestido de pano branco, e tem seus pés amarrados por cordas. Sua cabeça está baixa, de modo que não é possível ver seu rosto. Do lado dela, está Samuel, um garoto branco de cabelos loiros, que veste um pijama xadrez. Ele está de costas para a câmera, de joelhos no chão, e envolve Amelia em um abraço. Do lado deles, vemos uma poça de um líquido escuro, que se assemelha a sangue. O cenário é o de um sótão empoeirado." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23759" class="wp-caption-text">A visão cinematográfica de Jennifer Kent sobre maternidade, tão poderosa, sensível e afetuosa, traz nuances que apenas uma diretora mulher poderia evocar (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Mas aí entra a dúvida: o que diabos </b><b><i>O Babadook</i></b><b> tem a ver com a comunidade LGBTQIA+? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras analogias do filme com a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se tem indícios ocorreram no </span><a href="https://www.b9.com.br/105039/apos-banir-pornografia-de-sua-plataforma-tumblr-sofre-queda-de-30-nos-acessos/"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Um </span><a href="https://twitter.com/broderick/status/831889174454272005?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E831889174454272005%7Ctwgr%5E393039363b636f6e74726f6c&amp;ref_url=https%3A%2F%2Few.com%2Fmovies%2F2019%2F06%2F25%2Fgay-babadook-director-jennifer-kent%2F"><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que viralizou na rede social no final de 2016 inferia que o personagem </span><a href="https://www.vox.com/explainers/2017/6/9/15757964/gay-babadook-lgbtq"><span style="font-weight: 400;">seria homossexual</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando qualquer pessoa diz que o Babadook não é abertamente gay é tipo?? Você sequer assistiu ao filme???”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://taco-bell-rey.tumblr.com/post/154301475490/so-proud-that-netflix-recognizes-the-babadooks"><span style="font-weight: 400;">Outra publicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano fazia uma montagem do catálogo da </span><a href="https://streamingsbrasil.com/removidos-netflix-24-a-30-de-novembro/#:~:text=O%20destaque%20fica%20por%20conta,cat%C3%A1logo%20o%20filme%20%E2%80%9CAbracadabra%E2%80%9D."><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colocando o longa na lista de “Filmes LGBT” do site. A brincadeira seguiu, porém apenas tomou a proporção que tem hoje em junho de 2017, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/06/4934707-de-conquistas-a-tragedias-por-que-o-mes-do-orgulho-lgbt-e-necessario-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Mês da Visibilidade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando a assombração tomou conta de </span><a href="https://www.indiewire.com/2017/06/babadook-gay-icon-los-angeles-pride-parade-1201841048/"><span style="font-weight: 400;">Paradas do Orgulho</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, isso ainda não responde a uma questão fulcral. Porque o Babadook seria lido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QF5Q4VJr-O0"><span style="font-weight: 400;">como gay</span></a><span style="font-weight: 400;">? Seja pela suas vestimentas elegantes e pelo seu eventual </span><a href="https://www.vulture.com/2017/06/is-the-babadook-gay.html"><span style="font-weight: 400;">perfil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;um homem gay que gosta de usar cartolas extravagantes e só quer viver sua vida no subúrbio da Austrália&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou pela anedota que surge do fato de que o personagem literalmente sai de um armário durante o filme, essa leitura é comumente vista somente como um meme de </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou, no máximo, uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HBic0DzSbqM"><span style="font-weight: 400;">ótima fonte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-08-03/por-que-lgbts-voltaram-usar-sigla-gls.html"><i><span style="font-weight: 400;">fantasias animadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para festas. Contudo, na verdade, essa correlação parte de um lugar muito mais profundo. Parte do cerne de sua narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_23760" aria-describedby="caption-attachment-23760" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg" alt="Fotografia retirada durante o dia, na Marcha do Orgulho de Grande Manila, nas Filipinas. Nela, vemos um grupo de jovens marchando por uma rua. Eles usam bottons coloridos em suas camisas e levantam placas para os céus. O foco da imagem, porém, é o grupo que ocupa a frente que se destaca. Pelo menos sete pessoas tomam a frente do movimento, todas vestindo no rosto máscaras do Babadook: o desenho preto-e-branco de um monstro de olhos esbugalhados, uma bocarra aberta, que veste uma cartola preta na cabeça. Eles posam pra foto, segurando seus cartazes. O homem da frente, que ainda usa longas unhas postiças na mão esquerda, segura sua placa em direção à câmera. Ela é estampada pela silhueta escura de Babadook, acompanhada por um texto, em inglês: “Se está em uma palavra ou em um olhar/Você não pode se livrar dos LGBTQ/Se você realmente é esperto/E parecer legal para mim/Então você pode fazer amizade/Com os LGBT”." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23760" class="wp-caption-text">Pessoas vestidas de Babadook durante a Marcha do Orgulho de Grande Manila nas Filipinas, no dia 24 de junho de 2017 (Foto: VentMag/Twitter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esse respeito, o quanto a interpretação de uma história também deriva-se da experiência particular de quem a consome? E, nesse caso, a análise dessa pessoa é menos valiosa por partir de um ponto de vista íntimo e pessoal? É de conhecimento público que nunca foi a </span><a href="https://www.themarysue.com/babadook-director-gay-icon/"><span style="font-weight: 400;">intenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jennifer Kent criar uma alegoria gay. No entanto, a intenção da autora realmente é tão importante para se entender uma obra? Não seria ela somente uma catalisadora de informações, palavras e signos culturais que a precedem, inseridos em um contexto histórico que, com frequência, vão muito além de decisões artísticas conscientes? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que Roland Barthes argumenta em seu ensaio </span><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4217539/mod_resource/content/4/Barthes_%20a%20morte%20do%20autor.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">A morte do autor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1967. Partindo de uma ótica literária, o sociólogo chega à conclusão de que, a partir do momento em que uma obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rwzc2bPNXdQ"><span style="font-weight: 400;">sai das mãos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu autor, ela já não é mais de </span><a href="https://medium.com/tend%C3%AAncias-digitais/a-morte-do-autor-73bd6d8b42f6"><span style="font-weight: 400;">sua responsabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para Barthes, entregar ao criador toda a significação da sua arte é impor à Arte um fim, limitando suas inúmeras potencialidades. No fim das contas, a agência é inteira do leitor. E o autor, nesse cenário, torna-se somente mais uma visão em meio a um espectro rico de perspectivas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;[&#8230;] sabemos que, para devolver à escrita o seu devir, é preciso inverter o seu mito: o nascimento do leitor tem de pagar-se com a morte do Autor.&#8221; &#8211; BARTHES, Roland. 2004.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_23764" aria-describedby="caption-attachment-23764" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png" alt="Imagem de um desenho retirada da internet. No centro, vemos um desenho de Babadook, uma criatura escura. Ele veste um cropped cinza, que estampa em seu centro os dizeres, em inglês: “prepare-se para ser babachocado”. Sobre ela, ele usa suspensórios com as cores do arco-íris, que se prende por uma calça preta. Ele usa um colar de plumas roxo que o envolve pelos ombros, e ele tem seus braços levantados na altura dos ombros. No rosto, ele usa um óculos festivo no formato de flamingos rosas, e na cabeça uma cartola preta com um bottom com as cores do arco-íris. Seus olhos esbugalhados estão totalmente abertos, e ele abre um largo sorriso contagiante. Desenhos de estrelas amarelas e azuis o orbitam ao seu lado direito e esquerdo. No fundo, vê-se uma grande bandeira colorida com as cores do arco-íris." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23764" class="wp-caption-text">“BABADOOK: Eu sou um monstro aterrorizante que destrói as famílias que tentam me reprimir/PESSOAS GAYS: Ó meu Deus, NÓS TAMBÉM. Drinks mais tarde?” — Carlos Maza em seu Twitter (Foto: <a href="https://muffinpines.tumblr.com/">Muffinpines/Tumblr</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/09/14/o-babadook-demonios/"><span style="font-weight: 400;">mais difundida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aceita do filme foi a citada mais acima, de que Babadook seria uma representação corpórea da </span><a href="https://rotacult.com.br/2019/03/babadook-uma-alegoria-para-depressao/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Amelia, que luta para reprimi-la. Todavia, qual </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment/movies/la-et-mn-babadook-gay-icon-lgbt-history-20170609-story.html"><span style="font-weight: 400;">a distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa alegoria para a jornada afetiva de pessoas </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/06/entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla-lgbtqia.shtml"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para muitos membros da comunidade, nenhuma. Muito do que é retratado no filme relaciona-se intensamente com a angústia de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ainda estão no armário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os exemplos para essa leitura são muitos: primeiro, tem-se as semelhanças existentes entre o esforço da protagonista de esconder seu sofrimento e a experiência real de inúmeras pessoas que lutam contra seus prazeres, por terem internalizado durante toda a vida a afirmação deturpada de que esses são desejos execráveis. Podemos tirar essa interpretação também da memorável frase do livro d’</span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quanto mais você me nega, mais forte eu fico”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conversa com a iminente frustração dessa autorepressão e, como resultado, somente a intensificação desses desejos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma mais profunda, existe também a ligação entre a possessão de Babadook sobre Amelia, e sua sucessão de ações agressivas, e a reprodução violenta de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I7ifszJag18"><span style="font-weight: 400;">heterossexualidade compulsória</span></a><span style="font-weight: 400;"> que muitos se submetem por sua própria sobrevivência, machucando aqueles ao seu redor através de uma postura tóxica de autoafirmação. E também a resolução no terceiro ato do filme, como o alcance do entendimento de que a única maneira de conquistar plenitude é entrando em paz com esse desejo, e o aceitando como uma parte de você, como uma peça primordial do quebra-cabeça que o forma como indivíduo.</span></p>
<figure id="attachment_23765" aria-describedby="caption-attachment-23765" style="width: 1430px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. Temos a visão aproximada do rosto de Amelia, uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos claros. Seu rosto é inteiro tomado por marcas de sangue seco. Ela olha implacavelmente para frente, com raiva, enquanto grita com a boca aberta. Seus olhos estão marejados, tomados por lágrimas, e ela segura em suas mãos Samuel, um garoto branco de cabelos loiros. Seus braços envolvem Amelia, e ele encosta a cabeça" width="1430" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg 1430w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23765" class="wp-caption-text">Outras interpretações queer recorrentes do filme enxergam o próprio Babadook como um avatar de pessoas LGBTQIA+, rejeitado pela família, que o impede de viver como ele bem deseja (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa interpretação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna-se não uma representação do luto de uma mulher viúva e depressiva, mas uma representação do desejo reprimido de pessoas LGBTQIA+, que não se expressam sexual e afetivamente como o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> ordena. E, inclusive, Jennifer Kent incentiva </span><a href="https://ew.com/movies/2019/06/25/gay-babadook-director-jennifer-kent/"><span style="font-weight: 400;">categoricamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa leitura, ainda que não tenha sido parte de sua proposta original. </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/06/gay-babadook-jennifer-kent-pride-lgbt-1202153072/"><span style="font-weight: 400;">Em suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado, é charmoso, para mim, que a comunidade gay tenha se apegado tanto a ele”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, em </span><a href="https://bloody-disgusting.com/interviews/3543658/sundance-2019-jennifer-kent-says-lgbtq-babadook-memes-kept-bastard-alive-exlcusive/"><span style="font-weight: 400;">outra oportunidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela diz: </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu acho uma loucura e [essa história] apenas o manteve vivo. Pensei ‘ah, seu bastardo’. Ele não quer morrer, então está encontrando maneiras de se tornar relevante”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão, portanto, é essa. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> pertence a todo e qualquer um que o leia. E cada um irá o ler a partir de suas individualidades e de seus próprios recortes. Afinal, não poderia ser diferente. Assim como afirma Barthes, é no leitor que toda a multiplicidade cultural e artística de uma obra se reúne. É apenas através do público que uma produção pode adquirir alma. Então, o que seria a transformação de Babadook em ícone gay se não o longa ganhando vida? No fim, a pluralidade de visões e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kzKgG54c464"><span style="font-weight: 400;">leituras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que circundam </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é simplesmente o atestado de sua riqueza como projeto artístico e audiovisual. E, para quem ainda insiste em deslegitimar uma leitura LGBTQIA+ do filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://me.me/i/james-hassinger-if-this-is-the-official-page-why-is-761fe06367a248739888f314c3a4bf5d"><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é gay quando quer, e ele mandou um chupa para você”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/">A quem pertence O Babadook?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Bo Burnham: Inside é um conforto para quem não aguenta mais o isolamento</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2021 13:14:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Azevedo Após 5 anos longe dos palcos e da internet, Bo Burnham retorna com Inside, seu novo Especial lançado pela Netflix. A produção foi escrita, dirigida e estrelada por ele mesmo no ano de 2020, trancado no espaço de uma única sala e feita especialmente para ser assistida pela tela da sua TV ou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bo Burnham: Inside é um conforto para quem não aguenta mais o isolamento"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21291" aria-describedby="caption-attachment-21291" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21291" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1.png" alt="Cena do filme Inside. Na foto, vemos uma sala fechada, bagunçada com equipamentos de iluminação e som por toda parte. Entre a bagunça e mais ao centro da imagem há uma cadeira e um teclado, ambos pretos como o resto do equipamento. A sala é iluminada suavemente por duas janelas com as persianas entreabertas." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21291" class="wp-caption-text">Lotada de novas músicas, a obra também foi lançada como albúm no YouTube e no Spotify (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Azevedo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 5 anos longe dos palcos e da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bo Burnham</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwHUGc34pn4"><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu novo Especial lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A produção foi escrita, dirigida e estrelada por ele mesmo no ano de 2020, trancado no espaço de uma única sala e feita especialmente para ser assistida pela tela da sua TV ou celular. Com vídeos de </span><i><span style="font-weight: 400;">react</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantoria em volta da fogueira, debates sociais com um fantoche de meia e diversos desabafos, o filme é uma grande bagunça organizada na forma de comédia dividida entre músicas e </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-21290"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burnham é conhecido na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">desde que seus </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">ao vivo começaram a ser lançados no seu </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UC81hVmI5eEBIt3s3HQpJd_w"><span style="font-weight: 400;">canal do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Suas músicas em tom sarcástico, piadas ácidas e humor muitas vezes depressivo ganharam popularidade rapidamente e influenciam criadores de conteúdo até hoje. E mesmo que seu portfólio antes desse Especial se resumisse a apresentações diante de grandes plateias, essa experiência se traduziu muito bem no lançamento da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21292" aria-describedby="caption-attachment-21292" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2.png" alt="Cena do filme Inside. Bo Burnham, homem branco de cabelo ondulado na altura do pescoço e barba, ambos loiros, está à esquerda na foto vestindo uma calça moletom cinza, camiseta branca e um fone grande. Ele está rodeado por equipamentos de iluminação jogados por toda parte, enquanto toca um teclado que também está no chão. A sala fechada é bem iluminada por duas janelas." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21292" class="wp-caption-text">Em mais de uma cena, o filme faz questão de mostrar a desorganização da sala, o que dá uma humanidade a mais para o protagonista (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O espetáculo é, em essência, um reflexo do estado de saúde mental do comediante no momento da gravação da cena. As primeiras músicas são claramente muito mais animadas, – ele faz diversas canções com críticas ao mundo externo e piadas com o próprio privilégio branco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KiiebNenB0k"><i><span style="font-weight: 400;">How the World Works</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o exemplo perfeito de tudo isso. Ela dá a impressão de ser direcionada à crianças e até conta com a participação de Socko, um fantoche de meia fofo, mas que canta sobre genocídio e dinâmicas de trabalho abusivas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras músicas dessa primeira parte focam muito na rotina do isolamento, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ChgFo74WxZ8"><i><span style="font-weight: 400;">FaceTime with my Mom</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Tonight)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y2ZUXtQRczA"><i><span style="font-weight: 400;">Sexting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas isso muda a partir do momento em que o músico completa 30 anos, na sua sala, sentado ao lado do relógio. É a partir daí que sua depressão, insegurança e loucura ficam mais evidentes.</span></p>
<figure id="attachment_21293" aria-describedby="caption-attachment-21293" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3.png" alt="Cena de Inside. Bo Burnham está sentado num banco vestindo calça e jaqueta moletom cinza. Ele segura na mão um microfone à altura da boca. Ao lado dele um relógio digital, que projeta o horário numa luz verde, indica que são onze e cinquenta e nove. A sala é Mal iluminada e tem uma iluminação azulada." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21293" class="wp-caption-text">Apesar de curta, a cena têm peso e marca o especial (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a insanidade culmina em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k1BneeJTDcU"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde Burnham canta num ritmo desconcertante sobre o grande caos que é a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, sobre todas as coisas úteis, macabras, aleatórias, nojentas e interessantes que são feitas para despertar qualquer sentimento em quem vê.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Um pouco de tudo o tempo todo”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“Apatia é tragédia e tédio é crime”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são trechos da letra que resumem perfeitamente todo o sentimento da música, feita pra deixar quem assiste levemente desconfortável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a depressão prevalece em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MriMMaTl3DE"><i><span style="font-weight: 400;">All Time Low</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nn8TL12lXR0"><i><span style="font-weight: 400;">Shit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que mesmo tratando da doença e da ansiedade no isolamento em suas letras, têm ritmos animados e acontecem em ambientes coloridos que contrastam completamente com o momento. A troca de um momento sério por uma piada de uma hora para a outra acontece mais de uma vez durante o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a iluminação é quase sempre a responsável por esse efeito.</span></p>
<figure id="attachment_21294" aria-describedby="caption-attachment-21294" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4.png" alt="Cena de Inside. O rosto de Bo Burnham ocupa a maior parte da foto, é possível ver de perto seu cabelo longo e ondulado, barba também loira e olhos azuis. Ele sorri com certa estranheza e segura um microfone perto da boca. O seu rosto é muito bem iluminado e na parede ao fundo há vários pontos iluminados por luzes coloridas. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-4-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21294" class="wp-caption-text">Seja através da ironia, esquisitice, loucura ou pelo fator choque, o espetáculo tem sucesso em tirar risadas da audiência (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi produzido como se fosse mais um dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HLSvY1fKQI4"><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao vivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que popularizaram o comediante. Com tudo sendo filmado no espaço limitado de uma sala, é como se ele andasse de lá para cá sobre um palco em constante mudança. E assim como num </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, a iluminação é essencial, utilizada na maioria das músicas e cenas de uma forma diferente e criativa, contando com projetores, globos espelhados, lâmpadas coloridas, holofotes dramáticos e até o celular, que em alguns momentos ganha um papel importante. Não só isso, mas o uso de adereços faz com que o pequeno cenário esteja constantemente mudando a cada cena, complementando as luzes. Até a bagunça dos equipamentos de gravação compõe a fotografia quando a intenção é ilustrar o caos do ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas mesmo que a ideia seja passar a impressão do ‘ao vivo’, isso não quer dizer que a edição não tenha seus momentos de brilhar. O filme tem a consciência de que fala com quem é acostumado com a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, e isso leva a momentos em que uma música é objeto de um vídeo de </span><i><span style="font-weight: 400;">react</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se torna objeto de um vídeo de </span><i><span style="font-weight: 400;">react </span></i><span style="font-weight: 400;">num </span><i><span style="font-weight: 400;">loop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou quando Burnham simula uma </span><i><span style="font-weight: 400;">live </span></i><span style="font-weight: 400;">jogando um jogo encenado por ele mesmo. Há momentos também em que a proporção da tela muda seja para simular uma videochamada no celular ou o clássico formato quadrado das fotos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xHotXbGZiFY"><i><span style="font-weight: 400;">White Woman&#8217;s Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_21295" aria-describedby="caption-attachment-21295" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5.png" alt="Cena de Inside. À direita na imagem, Bo Burnham está sentado numa cadeira, vestindo uma camiseta listrada, numa sala iluminada por luz roxa. Ele está sentado à frente do computador assistindo um vídeo. No canto superior esquerdo da imagem, há outra imagem, na qual Bo Burnham está sentado na mesma sala com a mesma cadeira assistindo a outro vídeo. Dentro desta imagem, há outra imagem de Burnham, em preto e branco, nela é possível ver apenas seu rosto, vestindo óculos escuros." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/imagem-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21295" class="wp-caption-text">Momentos em que o stand-up e a música se entrelaçam se destacam entre os melhores momentos da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo engraçado quando quer, intenso quando precisa e constantemente misturando as duas coisas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Inside</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido feito com o objetivo de falar com aqueles que estão em isolamento há mais de 1 ano. Tratando de assuntos de grande seriedade com muita leveza e bom humor, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de Bo Burnham é uma brisa de ar fresco necessária em meio ao caos do mundo externo e da bagunça interna da vida de cada um.</span></p>
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		<title>The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2021 16:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laís David Foi impossível sair de 2019 sem escutar sobre Billie Eilish. A jovem dominou todas as paradas com seu álbum de estreia e conquistou uma legião de fãs em todo o mundo. Sua personalidade misteriosa, letras obscuras e energia magnética a colocaram como uma das maiores artistas dos últimos anos. Como um glorioso coming &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-worlds-a-little-blurry-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The World’s a Little Blurry e a individualidade cativante de Billie Eilish"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19338" aria-describedby="caption-attachment-19338" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19338" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3.png" alt="Capa de divulgação do documentário 'The World's a Little Blurry'. O rosto de Billie Eilish está virado para o lado, e seus olhos estão quase fechados, em uma expressão séria. Seu cabelo é preto com raízes verdes." width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3-300x180.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-3-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19338" class="wp-caption-text">Documentário mostra o crescimento da carreira de Eilish de forma impressionante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Laís David</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi impossível sair de 2019 sem escutar sobre Billie Eilish. A jovem dominou todas as paradas com seu álbum de estreia e conquistou uma </span><a href="https://www.indieoclock.com.br/2019/03/os-fas-de-billie-eilish-sao-chamados-de.html#:~:text=A%20cantora%20Billie%20Eilish%20tem,que%20significa%20literalmente%20%22abacates%22.&amp;text=%22No%20in%C3%ADcio%20do%20f%C3%A3%20clube,Billie%20no%20mundo%22%2C%20contam."><span style="font-weight: 400;">legião de fãs </span></a><span style="font-weight: 400;">em todo o mundo. Sua personalidade misteriosa, letras obscuras e energia magnética a colocaram como uma das maiores artistas dos últimos anos. Como um glorioso </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age </span></i><span style="font-weight: 400;">de Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">The World&#8217;s A Little Blurry</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalha a ascensão de Billie Eilish de forma minuciosa e emocionante.</span></p>
<p><span id="more-19337"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as lentes precisas do premiado diretor americano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TkMfNGsouEw&amp;ab_channel=E%21RedCarpet%26AwardShows"><span style="font-weight: 400;">R. J. Cutler</span></a><span style="font-weight: 400;">, Billie revela suas principais dificuldades na própria carreira, entre performances explosivas e transformações que vieram com sua maioridade. Durante os anos de 2018 a 2020, o cineasta acompanhou a artista durante a criação de seu álbum de estreia </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-em-album-when-we-all-fall-asleep-where-do-we-go-deliciosamente-perturbador-206517/"><i><span style="font-weight: 400;">WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a turnê homônima, além de reunir gravações do arquivo pessoal da família.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish nasceu em um ambiente liberal e criativo. Livre das rédeas do sistema educacional americano, ela conseguiu desenvolver uma personalidade artística e cultural sendo </span><a href="https://www.forbes.com/sites/nickmorrison/2020/02/05/homeschooling-let-billie-eilish-soar-but-for-some-families-its-a-curse/?sh=3c3b9a4ee52e"><span style="font-weight: 400;">educada em casa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela então se aventurou dentro da laboriosa </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/story/2020-01-24/billie-eilish-finneas-julia-butters-revolution-dance-montrose"><span style="font-weight: 400;">dança competitiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a pedido de seu instrutor, gravou uma música autoral para uma aula e a disponibilizou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Soundcloud</span></i><span style="font-weight: 400;">. Organicamente viral, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hG4lT4fxj8M&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Ocean Eyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi o </span><a href="https://www.definitions.net/definition/sleeper+hit"><i><span style="font-weight: 400;">sleeper hit</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que deu início à trajetória de Billie. Após uma ruptura em seu quadril cessar a curta carreira na dança, ela percebeu que os palcos eram seu verdadeiro lar.</span></p>
<figure id="attachment_19340" aria-describedby="caption-attachment-19340" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4.png" alt="Foto do show de Billie Eilish. Na esquerda, seu irmão Finneas está sentado, com um violão marrom com detalhes circulares em suas mãos. Ele veste uma blusa e calças brancas, enquanto canta perto de um microfone. Ao seu lado, Billie Eilish está o olhando. Ela veste uma camiseta preta estampada e larga, e bermudas também estampadas. Ao fundo, a banda está presente e uma lua aparece no telão" width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-300x225.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-4-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19340" class="wp-caption-text">Finneas e Billie são inseparáveis (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de grandes estúdios musicais, foi num quarto apertado nos subúrbios de Los Angeles que Finneas produziu a discografia completa da irmã. Sob microfones de qualidade discutível e </span><i><span style="font-weight: 400;">synths</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos, eles conseguiram produzir um </span><a href="https://open.spotify.com/album/0S0KGZnfBGSIssfF54WSJh"><span style="font-weight: 400;">álbum completo em menos de um ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A batalha entre a autenticidade de Billie e a necessidade de um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro do futuro disco entram em choque no longa. Apesar de autêntica, Billie parece discordar das necessidades da indústria e é assertiva em sua escolha de produzir um álbum que transpareça sua individualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é provado quando um diretor tenta podar suas decisões: o conceito do videoclipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pbMwTqkKSps&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">when the party’s over</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi totalmente desenvolvido pela jovem, mas não foi bem traduzido pelo diretor escolhido pela gravadora. Dali em diante, ela decide: ela mesmo produzirá os próprios videoclipes (e aconteceu, já que ela assina a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EgBJmlPo8Xw&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">everything i wanted</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LZyybvVx-js&amp;ab_channel=BillieEilishVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">xanny</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RUQl6YcMalg"><i><span style="font-weight: 400;">Therefore I Am</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">).</span></i><span style="font-weight: 400;"> É incrível enxergar tanta vontade em uma artista tão jovem &#8211; geralmente, cantoras da idade de Billie mal assinam composições, quem dirá produções audiovisuais. Seu controle criativo é impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fama repentina pode ser perigosa. Artistas muito jovens geralmente não têm a maturidade emocional necessária para lidar com o sucesso de forma saudável, como ocorreu com </span><a href="https://edition.cnn.com/2012/03/28/showbiz/lohan-troubled-timeline/index.html"><span style="font-weight: 400;">Lindsay Lohan</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mRkv6vx6v40&amp;ab_channel=HLN"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com Billie, é o contrário: o ambiente de suporte familiar que ela se encontra é muito importante e decisivo para sua saúde mental. Cutler mostra isso ao destacar o monólogo de Maggie Bird, mãe de Billie, que destrincha a vulnerabilidade que ela enxerga em sua filha e como a depressão em jovens e crianças não deve ser menosprezada.</span></p>
<figure id="attachment_19341" aria-describedby="caption-attachment-19341" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5.png" alt="Foto da turnê de Billie. Ela está no centro da imagem, de pé, segurando um microfone. Sua feição é calma, e seus olhos estão fechados. Ela usa uma blusa comprida e larga. Seus cabelos são pretos com raízes verdes. Ao fundo, sua banda aparece junto a uma luz azul." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19341" class="wp-caption-text">Billie sofreu com a depressão por toda adolescência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A influência da cultura da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">também é muito bem transmitida em </span><i><span style="font-weight: 400;">The World’s A Little Blurry.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A jovem parece planejar seus passos metricamente para evitar repercussões negativas de sua imagem na rede &#8211; é quase um olhar crítico sobre o impacto da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tykqQcA09ko&amp;ab_channel=TheTake"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela se questiona sobre não poder ter momentos ruins, já que sempre está sendo observada &#8211; um erro, como ser rude, cantar desafinado ou ignorar alguém na hora errada pode ser terrivelmente fatal para sua carreira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário também revela o lado menos conhecido da artista &#8211; sua pacata vida adolescente. Quando Billie não está cantando em </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">esgotados ao redor do mundo, é quase estranho assisti-la agindo como uma jovem comum: chorando por causa de namorados, limpando o próprio quarto ou jantando junto a seus pais. Uma das cenas mais tocantes do longa é a crise de tiques que ela tem na frente das câmeras. Eilish é diagnosticada com a </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-tourette/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tourette</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um distúrbio neuropsiquiátrico que causa tiques e movimentos involuntários. </span></p>
<figure id="attachment_19343" aria-describedby="caption-attachment-19343" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6.png" alt="Maggie Eckford e Billie Eilish. Ambas estão sentadas em um sofá azul se olhando. Maggie olha para a direita enquanto seus cabelos cobrem sua face, enquanto Billie olha para a direita com a boca aberta." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6.png 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/pasted-image-0-6-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19343" class="wp-caption-text">Billie e sua mãe tem uma relação única (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais encanta é que, mesmo depois de anos de carreira e fama admirável, ela continua vivendo com seus pais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZBJ914ha6LQ&amp;ab_channel=AWAL"><span style="font-weight: 400;">na mesma casa que aprendeu a tocar violão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua independência iminente não conta com o distanciamento de sua família &#8211; pelo contrário &#8211; eles estão ali para comemorar todas as suas conquistas. A imagem célebre é desconstruída durante toda a obra, principalmente no momento em que a artista explode em lágrimas ao conhecer seu grande ídolo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jenXxXNxQhI&amp;ab_channel=JustinBieberVideos"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de Eilish representa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ms5yMta2p9A&amp;ab_channel=BillieEilish"><span style="font-weight: 400;">muito mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que apenas tristeza ou obscuridade. Ela traduz a sua própria geração de forma magnífica &#8211; uma geração onde ansiedade, depressão e honestidade não são mais tabus e podem sim ser discutidos normalmente. Em tão pouco tempo, ela se tornou parte da própria cultura e soube administrar tudo de forma saudável e coesa. Billie se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hk3KPa6zWzo"><span style="font-weight: 400;">conecta com sua audiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um jeito único e </span><i><span style="font-weight: 400;">The World’s a Little Blurry</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a prova que o futuro guarda ainda mais sucesso para a sua carreira.</span></p>
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		<title>One Day at a Time voltou para deixar mais saudades</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2021 18:56:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan O ano era 2019 e os fãs da série One Day at a Time se revoltavam no Twitter por conta do cancelamento feito pela Netflix. Após muitos pedidos para a renovação, foi entregue uma bem sucedida terceira temporada mostrando que o streaming ainda tinha força e conteúdo para continuar produzindo a queridinha &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/one-day-at-a-time-4a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "One Day at a Time voltou para deixar mais saudades"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18324" aria-describedby="caption-attachment-18324" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1.jpg" alt="Fotografia promocional de One Day At a Time. No centro vemos Penélope, uma mulher latina, de cabelo ondulado na altura dos ombros. Ela veste uma jaqueta azul. Ao seu lado direito temos Alex, adolescente, filho de Penélope. Ele tem cabelo curto e castanho. Ele veste jaqueta vermelha e bege, com bolso verde e amarelo. Ao lado esquerdo de Penélope temos sua filha Elena. Ela tem cabelos longos e pretos. Veste uma jaqueta verde e óculos preto. Acima de Penélope vemos sua mãe, Lydia. Ela tem cabelo na altura da orelha e franja. Veste uma camisa vermelha de manga longa com detalhes em branco. Ao lado direito de Lydia vemos Schneider. Um homem branco, de cabelo curto. Ele tem barba, olhos azuis e usa óculos preto. Ele veste camisa branca e jaqueta jeans. Ao lado esquerdo vemos o Dr. Berkowitz. Um homem mais velho, branco e de cabelo curto. Ele veste uma camisa rosa. O fundo da imagem é azul" width="1284" height="856" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1.jpg 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18324" class="wp-caption-text">Poster promocional da quarta temporada de One Day at a Time (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano era 2019 e os fãs da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/one-day-at-time-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se revoltavam no</span> <a href="https://twitter.com/search?q=%23SaveOdaat&amp;src=typed_query"><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por conta do cancelamento feito pela</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Após muitos pedidos para a renovação, foi entregue uma bem sucedida terceira temporada mostrando que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda tinha força e conteúdo para continuar produzindo a queridinha dos assinantes. O cancelamento parecia improvável pois, além dos motivos já citados, o terceiro ano se finaliza com um gancho perfeito para uma nova temporada da série que foi abandonada.</span></p>
<p><span id="more-18320"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tantos pedidos, o canal americano de televisão, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop TV, </span></i><span style="font-weight: 400;">se encarregou da missão de dar continuidade ao seriado que traz de forma leve assuntos como </span><a href="https://cinemacao.com/2019/03/03/5-temas-importantes-one-day-at-time/#:~:text=ODAT%20%C3%A9%20uma%20sitcom%20que,entreter%20e%20divertir%20o%20espectador."><span style="font-weight: 400;">imigração, homofobia, ansiedade, depressão e religião</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não era possível prever as mudanças, apenas aguardá-las na torcida para que a série não entrasse num trem descontrolado rumo ao abismo e ao esquecimento característicos das séries salvas.</span></p>
<figure id="attachment_18323" aria-describedby="caption-attachment-18323" style="width: 762px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2.jpg" alt="Imagem de fundo azul. Nela lê-se em verde “ONE DAY AT A TIME”. Na letra “O” vemos Penélope. Na primeira letra “E” vemos Alex. Na letra “D” vemos o Dr. Berkowitz. Na terceira letra “A” vemos Schneider. Na letra “M” vemos Elena. Na última letra “E” vemos Lydia. Todos eles estão com efeito azul." width="762" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2.jpg 762w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image4-2-300x220.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18323" class="wp-caption-text">Frame da nova abertura do seriado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta temporada se inicia com transformações gritantes, que vão desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U1tekbfDSjg"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a iluminação do seriado. A primeira, um dos traços mais viciantes da série, ganha cara nova e completamente diferente da original. A vinheta repleta de fotos do </span><i><span style="font-weight: 400;">cast </span></i><span style="font-weight: 400;">era cantada pela divina cantora cubana, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWAWQmhqWGo"><i><span style="font-weight: 400;">Gloria Estefan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguia trazer a essência do programa. Já a nova abertura tem poucos segundos de duração, com cores vibrantes, quase </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não contrastam com a trama. A iluminação ganhou brilho, deixando de lado aquelas cores de tons mais terrosos, típico de representação latina, trazendo mais vida à série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A redução na duração dos episódios desagradou apenas os entusiastas do programa que querem sempre mais e mais conteúdo. Em relação ao roteiro, o tempo foi bem utilizado, evitando que a série se arrastasse em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">plots</span></i><span style="font-weight: 400;"> de cenário único, como o carro que foi utilizado. Os apreciadores também foram surpreendidos com a periodicidade semanal. Renovada para </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-151698/"><span style="font-weight: 400;">13 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">, eles foram exibidos um por um ao decorrer das semanas, diferente de sua antiga casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, que disponibilizava toda a temporada para ser maratonada em um único dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por sua sagacidade e suas piadas inteligentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time </span></i><span style="font-weight: 400;">mantém a forma e tem sua grande sacada já nos primeiros segundos. Alex, filho mais novo de Penélope e um dos protagonistas da série, abre a </span><i><span style="font-weight: 400;">season</span></i><span style="font-weight: 400;"> alfinetando o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> onde a série era exibida: </span><i><span style="font-weight: 400;">“There&#8217;s nothing good on Netflix anymore”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (É como se não tivesse mais nada que presta na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">). O caçula também se destacou por ter a melhor evolução. O seguimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Papito</span></i><span style="font-weight: 400;"> se faz de maneira interessante, além da evolução da personagem, acompanhamos também seu crescimento, vemos ele iniciar um namoro e cometer pequenos erros comuns de adolescentes. Assistir aquele personagem que a gente possui o sentimento de ter pego no colo traz a sensação que </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> está envelhecendo como vinho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="One Day at a Time - 04x01 - Trecho (Legendado)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Mgdm2-rGGZ4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma não invasiva, é tratada a solidão de Penélope e como isso a atormenta. A linha tênue entre não precisar de homens e adorar estar na companhia deles, ver os filhos crescendo, entrando em relacionamentos e planejando sair de casa para cursar a faculdade. Ela e Lydia conseguem roubar toda a quarta temporada. Dizer que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jwTduVA4WUE"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilhou é óbvio, porém necessário. A maneira que a atriz encarna a </span><i><span style="font-weight: 400;">Abuelita</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna a personagem ainda mais viva e atemporal, garantindo a indicação da atriz ao </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1228699/a-lista-de-indicados-ao-critics-choice-awards-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Lydia, nossa queridíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Abuelita</span></i><span style="font-weight: 400;">, com seus comentários infames e precisos mantém o favoritismo de muitos pela irretocável personagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">¡Dale!</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Penélope com sua narrativa concisa, consegue construir um episódio inteiro praticamente sozinha, como o segundo, que mostra a engraçada jornada na compra de um novo sofá. Há prós e contras sobre o estrelato de seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;">. O maior pró, sem dúvidas, foi a oportunidade de mostrar ela como uma mulher mais forte, com tempo de tela merecido para atuação. O contra foi que não conseguiram equilibrar esse tempo, deixando outras personagens importantes para o enredo de escanteio, não sendo aproveitadas em sua totalidade. Como foi o caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NXhUW4IAHg"><span style="font-weight: 400;">Elena</span></a><span style="font-weight: 400;">, minimizada a um relacionamento e com a personalidade pautada, de maneira fútil, em ser LGBT+, a personagem perdeu seus importantes discursos.</span></p>
<figure id="attachment_18322" aria-describedby="caption-attachment-18322" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1.jpg" alt="Cena de One Day At a Time. Na parte central da imagem vemos Lydia. Ela veste blusa de manga longa preta com flores rosa e calça branca. Seus braços estão abertos  e cada um segundo  um lado de uma cortina com detalhes azul. Ao fundo podemos ver um sofá laranja, uma estante branca e uma janela. A sua frente vemos um sofá cinza e dois personagens de forma desfocada" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18322" class="wp-caption-text">A icônica cortina de Lydia arrancou gargalhadas do público por mais um ano (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada quatro trouxe </span><i><span style="font-weight: 400;">plots</span></i><span style="font-weight: 400;"> que já haviam mostrado ter potencial mas tinham sido esquecidos por seus criadores, como é o caso do Schneider e seu namoro com Avery que seguia  a passos lentos na temporada anterior, mas prosperou de forma concreta e planejada esse ano. Uma pena </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter sido cancelada antes de ser finalizada e a evolução do casal pausar pela metade. A produção ainda conserva personagens importantes como o Berto, companheiro já falecido por quem Lydia ainda dedica, por vezes de forma cômica, todo seu amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop TV</span></i><span style="font-weight: 400;"> não seguiu exatamente aquilo que foi proposto na temporada anterior, certamente pela verba reduzida, mas isso não impediu uma continuidade otimizada. Tudo que não foi exportado da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi explicado o porquê no enredo, assim não deixando pontas soltas na história. Citações e miragens com o Max fazem público torcer para a previsível volta dele. E é graças ao acerto do canal em criar o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> da volta, que os encontros que Penélope teve com outros caras se tornam completamente esquecíveis.</span></p>
<figure id="attachment_18321" aria-describedby="caption-attachment-18321" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2.jpg" alt="Cena de One Day At a  Time. Nela os personagens são representados em forma de desenho animado. Ao lado esquerdo vemos Schneider com uma blusa branca e  calça azul. À direita vemos Penélope com camisa verde e calça azul. À direita vemos Lydia com vestido branco e flores vermelhas e jaqueta azul. À direita vemos Elena com blusa cinza, jaqueta e calça azuis. Todos estão sentados num sofá azul. Em pé na parte central vemos Alex. Ele veste moletom laranja. O fundo do desenho representa a sala da família" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/image1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18321" class="wp-caption-text">“Black lives matter, trans lives matter, brown lives matter” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acostumados a assistir tudo de uma vez, tivemos que esperar episódios semanais até vir a bomba. </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cancelada antes dos 13 prometidos irem ao ar, deixando de novo o seriado sem um final digno e pra piorar, dessa vez, sem um final para as histórias que já estavam em andamento no ano. O cancelamento foi um choque, ainda mais vindo da produção que conseguiu administrar a pandemia, criando a versão animada para continuar mesmo com gravações interrompidas por conta do vírus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O episódio do desenho foi uma saída genial para o contexto de distanciamento social. Com narração feita pelos próprios atores, a série trouxe os primos já conhecidos pelo público, mas que talvez não fosse mais aparecer por conta dos cachês. Lançado em junho, saiu com um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">timing</span></i><span style="font-weight: 400;">  para as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r4cL2tCFG5A"><span style="font-weight: 400;">eleições presidenciais dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, tema do episódio, que foi um dos acontecimentos mais comentados pelo mundo. O discurso final de Penélope é importante e de arrepiar, os 20 minutos são deliciosos de assistir, porém não é um final para a série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de terem produzido uma temporada recheada de altos e baixos, </span><i><span style="font-weight: 400;">One Day at a Time </span></i><span style="font-weight: 400;">não perdeu sua essência que entra em casa, senta no sofá e faz parte da família. Talvez a quarta temporada não tenha trazido aquele fascínio que víamos na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas as diferenças foram em suma proveitosas e agregaram no enredo. Sem dúvidas foi entregue um material superior ao esperado, com diálogos familiares que conversam com o público, ajudando na identificação da vida cotidiana do telespectador.</span></p>
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		<title>Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Oct 2019 21:41:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas. Raquel Dutra  O segundo longa-metragem de Petra Costa leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, Elena &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas.</em></p>
<figure id="attachment_23479" aria-describedby="caption-attachment-23479" style="width: 2100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23479 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra duas mulheres flutuando num rio de águas escuras. As duas mulheres estão do lado esquerdo da imagem, e a primeira está na parte de baixo, na horizontal, com a cabeça para o lado direito e os pés em direção ao centro da imagem, virados para o lado esquerdo; e a segunda na parte de cima, de cabeça para baixo, na diagonal. As duas usam vestidos longos em tons de bege. O fundo é preto." width="2100" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg 2100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23479" class="wp-caption-text">O documentário Elena mistura realidade e ficção para contar a história de vida da irmã da cineasta Petra Costa, diretora de Democracia em Vertigem (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo longa-metragem de <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/02/quem-e-petra-costa-cineasta-brasileira-indicada-ao-oscar.html">Petra Costa</a> leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, <em>Elena</em> toca em debates ultra sensíveis acerca de <a href="https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-a-depressao-e-a-ligacao-com-o-suicidio/">suicídio e depressão</a>, ao mesmo tempo em que carrega o valor de ser considerada como uma obra marcante da documentarista. No filme, tudo tem um único fim: construir um retrato íntimo e profundo da <a href="http://www.elenafilme.com/blog/a-historia-de-elena/">vida de Elena</a>, que aos vinte anos, tratando de doenças psicológicas e tentado se reerguer de desilusões profissionais, findou a sua própria vida.</span></p>
<p><span id="more-13003"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aclamado pela crítica, <em>Elena</em> abriu o caminho para o sucesso que sua diretora encontraria em suas produções posteriores. Com sua estreia no <em>IDFA</em> (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã) de 2012, o filme foi premiado como o </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário pelo Júri Popular, Melhor Direção, Montagem e Direção de Arte e todos os prêmios na </span><span style="font-weight: 400;">categoria documentário</span><span style="font-weight: 400;"> no 45º Festival de Brasília</span><span style="font-weight: 400;">. Em 2014, o filme também foi <a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-110134/">pré-selecionado para o <em>Oscar 2015</em></a> na categoria de Melhor Documentário.</span></p>
<p>Considerado uma experiência única no Cinema contemporâneo, <em>Elena</em> comprova que trabalhar com questões íntimas faz parte da identidade artística de Petra Costa. Identificamos <a href="https://hhmagazine.com.br/a-estetica-do-mal-estar-ou-o-estranhamente-familiar-em-democracia-em-vertigem/">o traço personalista</a> em sua produção mais recente e conhecida, <a href="http://personaunesp.com.br/critica-democracia-em-vertigem/"><i>Democracia em Vertigem</i></a>, mas desde o começo de sua carreira no Cinema a documentarista faz com que essa característica seja marcada. Neste caso, o tema é ainda mais pessoal, caindo na morte precoce da sua irmã mais velha. O enredo, por sua vez, é desenrolado a partir de registros das vivências de Elena em busca de seu sonho de ser atriz de Cinema, com os quais Petra estabelece um profundo sentimento de identificação.</p>
<figure id="attachment_23480" aria-describedby="caption-attachment-23480" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23480 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um momento familiar entre Elena, Petra e a mãe. Primeiro, à esquerda, está Elena, uma adolescente branca de cabelos longos lisos e que veste uma camisa xadrez. Ela está de frente para a câmera mas olha para o lado, em direção ao centro da imagem, onde está a irmã Petra, ainda bebê, no colo da mãe, que está no lado direito da imagem. Ela usa uma camiseta amarela e o seu cabelo está preso num rabo no topo da cabeça. Petra olha para a irmã e aponta seu dedinho indicador em direção ao rosto dela. A mãe tem cabelos lisos curtos e usa uma camisa branca, segurando Petra no colo e olhando para o lado esquerdo, onde está Elena. Ao fundo, pode-se observar a estante de uma casa e uma planta pendurada na parede, tudo em desfoque. A imagem é colorida mas predomina em tons amarelados e alaranjados." width="1600" height="1056" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-800x528.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1024x676.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-768x507.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1536x1014.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1200x792.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23480" class="wp-caption-text">Antes de Elena, Costa dirigiu o curta Olhos de Ressaca, de 2009 (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa eterna oscilação entre o objetivo e o abstrato, o prazer e a dor, <a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/a-ficcao-documentada-ou-o-documentario-ficcionalizado/">o real e o ficcional</a>, o pessoal e o universal, Petra dá voz as cartas da sua irmã, refaz seus passos, encenações, revive memórias e até mesmo seus sonhos. É uma brincadeira tão profunda com elementos ditos opostos que, em alguns momentos, eles se tornam surpreendentemente similares. </span><span style="font-weight: 400;">E todos os aspectos do filme trabalham para essa fusão de sentimentos conflitantes, a se destacar, primeiro a trilha. A diretora traz toda a complexidade da música clássica de uma forma tão tátil que se torna simples a rendição do espectador aos sentimentos que a Petra deseja despertar. Alegria e melancolia são os principais, algumas vezes dentro de uma mesma faixa, outras vezes em diferentes, que se conversam maravilhosamente bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À fotografia e edição do filme competiam a difícil tarefa de combinar os registros antigos de Elena com as novas imagens filmadas por Petra. Buscando também seguir a mesma linha de conciliação entre os opostos, o visual da produção faz o possível com os filmes antigos e com a harmonização das imagens e cores, mas este é um ponto que deixa a desejar. Entretanto, para reforçar a experiência de imersão no mundo de Elena e seu olhar sobre ela, Petra acerta ao misturar os diferentes registros de forma a confundir o espectador sobre suas autorias. Em muitas imagens, inclusive, o rosto das irmãs se confundiam, e o documentário é repleto destes detalhes sutis que entregam <a href="http://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-568/132323.pdf">a influência de Elena</a> na vida, sonhos, emoções, medos e personalidade de Petra.</span></p>
<figure id="attachment_13005" aria-describedby="caption-attachment-13005" style="width: 1883px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13005 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena e sua irmã Petra ainda bebê deitadas numa cama, num close nos rostos das irmãs. Elena é uma adolescente branca de cabelos lisos, e observa a irmã, no lado esquerdo da imagem, ao mesmo tempo em que segura a sua mãozinha próxima a sua bochecha esquerda. Petra, uma bebê, está deitada, de olhos fechados, abraçada com a irmã, e usa uma chupeta na boca." width="1883" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png 1883w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-300x171.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-768x438.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1024x584.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1200x684.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13005" class="wp-caption-text">Petra ainda bebê com Elena; combinado com a sonorização e a narração de Petra, o trecho é um dos momentos mais emocionantes do filme (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As escolhas arriscadas de roteiro também são características fortes da diretora.</span><span style="font-weight: 400;"> Para <a href="https://www.aicinema.com.br/como-fazer-um-documentario/">os efeitos de sentido</a> buscados em um documentário, estabelecer a narração de <em>Elena</em> como um diálogo com a irmã é incomum e falha algumas vezes. Por se tratar de fatos tão íntimos, o espectador, conhecendo apenas o momento, necessita de uma contextualização um pouco mais abrangente. Contudo, a predominância dessa construção de narrativa é admirável porque revela muitos outros efeitos de sentido, como o de não invadir totalmente a intimidade de Elena.  Em momentos pontuais, Petra deixa de conversar com a irmã e tira de cena a narração escolhida para dar espaço a curtos (e emocionantes) depoimentos de pessoas que conviveram com ela, como um amigo que esteve próximo da atriz no dia de seu suicídio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reconstrução da figura de Elena é um dos aspectos mais surpreendentes no roteiro e no filme como um todo. A diretora caracteriza a irmã de uma forma tão próxima e profunda que acompanhá-la ao decorrer do filme se torna uma experiência aflitiva, impressionante e dolorosa. Durante os 80 minutos, o espectador convive intimamente com as manifestações suicidas da jovem depressiva, repleta de sonhos e decepções. Assistimos através de lembranças esmaecidas a tristeza tomar conta da atriz cada vez mais, <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/depressao">sufocando cada respiro de esperança</a> diante da vida. Acompanhamos com pesar Elena admitindo a falta de amor para consigo mesma, exigindo o máximo de si como atriz mesmo não estando saudável emocionalmente, se levando assim à exaustão</span> física e psicológica.</p>
<figure id="attachment_13006" aria-describedby="caption-attachment-13006" style="width: 1875px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13006 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena adolescente através de um espelho, quando ela se aprontava para uma apresentação de teatro. A imagem é um close em seu rosto, e ela é uma jovem branca, com os cabelos presos, e está fazendo uma maquiagem preta nos olhos." width="1875" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png 1875w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-300x172.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1200x689.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13006" class="wp-caption-text">Elena em uma de suas apresentações teatrais, com cerca de 17 anos; quando ela morreu, Petra tinha sete anos (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de entrevistas com familiares e amigos de Elena, sentimos a dor, o desespero e a preocupação antes, “durante” e depois do <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio">suicídio</a>. Petra possui uma capacidade transcendental de criar identificações entre as narrativas, o espectador e ela mesma. Mesmo retratando eventos tão pessoais, a humanidade escancarada dos fatos capta toda a nossa empatia. Sendo este um de seus objetivos ou não, Petra mostra que nossas angústias, dores, belezas, prazeres, necessidades, urgências e fraquezas na verdade podem ser radicalmente convergentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando lançado, o filme </span><a href="http://www.elenafilme.com/debates/"><span style="font-weight: 400;">movimentou debates</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerca do tabu do suicídio no Brasil inteiro e o mesmo aconteceu quando chegou no catálogo da <em>Netflix</em> no começo de setembro, o mês de prevenção ao suicídio, em 2019. Desde 1990, ano da morte de Elena, o número de suicídios no Brasil teve um aumento de 30%. Hoje, entre os jovens, o suicídio é uma das maiores causas de morte e apresenta um o aumento de 2000%. Falar sobre o assunto livre de tabus </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/10/na-contramao-da-tendencia-mundial-taxa-de-suicidio-aumenta-7percent-no-brasil-em-seis-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">nunca foi tão necessário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e segundo as perspectivas, será cada vez mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Principalmente quando fora de ambientes privilegiados como o núcleo retratado em <em>Elena</em>, o debate sobre saúde mental precisa ser colocado como uma questão de saúde pública, e por isso, precisamos também enxergar </span><a href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/o-suicidio-esta-associado-inclusive-a-crise-socioeconomica-que-nosso-pais"><span style="font-weight: 400;">as relações disso com o nosso contexto nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele é resultado de crises econômicas, altas taxas de desemprego, saúde e educação precarizadas, e as políticas de prevenção ao suicídio perpassam todas essas esferas da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_13007" aria-describedby="caption-attachment-13007" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13007 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um registro de um dos diários de Elena, que diz, escrito em tinta preta e letra cursiva sob um papel branco, a seguinte frase: &quot;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&quot;" width="564" height="256" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4-300x136.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-13007" class="wp-caption-text">&#8220;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&#8221; (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário levanta a importância de estarmos atentos aos </span><a href="https://www.instagram.com/p/B2mmZCIFcTD/"><span style="font-weight: 400;">aspectos não-óbvios do suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de se </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/09/setembro-amarelo-como-conversar-com-alguem-que-esta-pensando-em-cometer-suicidio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">aprender a lidar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com ele e </span><a href="https://eurekka.me/como-ajudar-alguem-com-depressao/"><span style="font-weight: 400;">com a depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Também é uma obra importante para nos ajudar a debater e esclarecer a linha tênue que difere um retrato sensível da romantização. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/petra-costa-faz-retrato-afetivo-da-irma-morta-precocemente-em-documentario-8343197"><span style="font-weight: 400;">Como diz a própria cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elena tem uma história que valia a pena contar. Sem intenção de ser uma biografia, uma homenagem ou apontar culpados. Mas sim conhecer e apresentar várias faces da irmã, sua “memória inconsolável”. Petra também faz questão de a destacar como parte do elenco do longa, honrando seu sonho de ser atriz de cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância de todo o debate, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elena</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um movimento belíssimo de criar uma obra de Arte a partir das dores e perdas que nos rasgam o peito, por mais cruéis que elas sejam. Aliás, talvez a Arte seja exatamente isso: a transformação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o </span></i><a href="https://www.cvv.org.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Centro de Valorização da Vida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (CVV) promove apoio emocional atendendo gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (discando 188), e-mail e chat 24 horas todos os dias, além de postos de atendimento presencial.</span></i></p>
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		<title>A raiva que adoece em Sharp Objects</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2018 23:10:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Estrelada por Amy Adams, a minissérie da HBO adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. Camille é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A raiva que adoece em Sharp Objects"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10656" aria-describedby="caption-attachment-10656" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10656" class="wp-caption-text"><em>A parede florida da residência dos Crellin evoca a alma cuidadosa de Adora, semelhante a Mãe Natureza (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Estrelada por Amy Adams, a minissérie da <em>HBO</em> adentra o passado da jornalista Camille Preaker, que retorna a sua cidade natal para noticiar a morte de duas jovens garotas. Carregada de ressentimento, a produção caminha a passos lentos e cores quentes para mapear as relações familiares problemáticas de sua protagonista. <span style="font-weight: 400;">Camille é uma mulher marcada por abusos. A começar pela distante relação que construiu com a mãe Adora (Patricia Clarkson, sublime), a perda de sua irmã caçula ainda na infância, os anos marcados pela automutilação e alcoolismo, a personagem de Amy Adams tem problemas em encarar o passado e, principalmente, deixá-lo ir. </span></p>
<p><span id="more-10655"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de Gillian Flynn (<em>Garota Exemplar</em>) adapta seu primeiro livro, lançado lá em 2006, quando o assunto de mulheres problemáticas e com as psiques estudadas e trabalhadas ainda não entrara em voga. A autora já chegou a dizer <a href="https://www.rollingstone.com/tv/tv-features/sharp-objects-finale-recap-gillian-flynn-hbo-713667/">que essa é sua criação que mais lhe causa raiva</a>, tanto pela índole das personagens por ela idealizadas quanto pela força negativa da história aqui contada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o olhar astuto e imersivo de Jean-Marc Vallée (<em><a href="http://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2017/">Big Little Lies</a></em>, obra-prima), <em>Sharp Objects</em> dança no limiar de um pós-horror e <em>thriller</em> psicológico mesclado ao relato sujo de uma história de abuso e desafeto. Todas as personagens em cena guardam ressentimento. Todas gostariam de não estar ali. </span><span style="font-weight: 400;">Transitando pela infância de Camille por <em>flashs</em> pontuais e impactantes, a jovem interpretada por Sophie Lilils (de<em> It – A Coisa</em>) cimenta muito bem o arcabouço problemático e ferido que a persona de Adams transmite, já na vida adulta.</span></p>
<figure id="attachment_10657" aria-describedby="caption-attachment-10657" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Imagem-2.jpg 1296w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10657" class="wp-caption-text"><em>O nome dos episódios fazem referência as palavras que Camille eternizou em seu corpo, com seus objetos cortantes (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto de Adams, no <em>hall</em> das mulheres desagradáveis postas em tela, temos Adora e Amma Crellin. Patricia Clarkson constrói sua Adora internalizando todo o rancor e o desgosto que a personagem sente pela primogênita. Uma mulher silenciosa, ardilosa e que faz de tudo para manter intacta a reputação da cidade de Wind Gap, no Missouri.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amma é a personagem mais interessante do seriado. A atuação de Eliza Scanlen patina entre duas personalidades que a garota oculta, sempre um passo a frente dos outros. Amma representa o meio da linha entre Camille e Adora. Enquanto sua meia-irmã tenta se desvencilhar das raízes da cidadezinha do interior e sua mãe ergue a bandeira do passado, a adolescente busca, ao longo dos oito capítulos, um lugar para se prostrar nisso tudo.</span></p>
<p><figure id="attachment_10658" aria-describedby="caption-attachment-10658" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10658" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/IMAGEM-3-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10658" class="wp-caption-text"><em>O enredo da série dialoga com o filme Trama Fantasma (2017), representando uma forma de amor que não reconhece limites [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Recheado de silêncios harmoniosos, <em>Sharp Objects</em> faz de sua trilha sonora uma protagonista a parte. Sempre num clima anestesiante, a música da produção alude a tudo que os criadores querem explicitar ali. O barulho é tão problemático quanto a ausência dele. Camille sempre ouvir músicas para fugir da realidade crua de Wind Gap casa perfeitamente com o silêncio ensurdecedor que Adora reina em sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra protagonista oculta em meio as atuações marcantes é a cidade que toma lugar a trama. Conhecida pelo mercado do abatedouro de porcos e pelo clima quente, Wind Gap cresce ao passo que a história progride. Há aqui um ar misterioso, fantástico, quase folclórico, que incomoda, deixa o espectador na ponta da cadeira, esperando o pior. Sempre tomando as atenções para si, a cidade elucida as ações de seus residentes. Todos são daquele modo pelo simples fato de ser. Não há qualquer escapatória.</span></p>
<figure id="attachment_10659" aria-describedby="caption-attachment-10659" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10659" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10659" class="wp-caption-text"><em>Vickery e Willis se frustram sempre um passo atrás do culpado pelas mortes de Ann e Natalie (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando a parcela de personagens deslocados e desconfortáveis, a minissérie apresenta o delegado Bill Vickery (Matt Craven), aparentemente o único policial da cidadezinha, responsável pela investigação da morte das meninas Ann e Natalie. Outro homem da lei que aqui figura é Richard Willis (Chris Messina), vindo do Kansas, que auxilia nas investigações, tem boas cenas junto da protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante ressaltar aqui que o foco do seriado não é a resolução dos casos ou qualquer retrato que demande explicações e motivos. <em>Sharp Objects</em> trabalha sim esses temas, mas toda sua carga criativa se concentra na ascensão e queda de suas mulheres protagonistas. As trocas dúbias de palavras fortes, o envenenamento de suas almas.</span></p>
<figure id="attachment_10660" aria-describedby="caption-attachment-10660" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/08/imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10660" class="wp-caption-text"><em>Sharp Objects chegará ao Emmy 2019 com forças, principalmente nas categorias de atuação e direção (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os objetos cortantes do título são tão materiais quanto são figurativos, todo diálogo entre mãe e filha machuca até mais que a agulha que Camille leva a tiracolo. O <em>show</em> é pesado e sabe estudar as suas mulheres, deixando aqui um retrato semelhante ao que David Fincher fez em <em>Garota Exemplar</em>, de 2014. Quando dadas as devidas atenções, as mulheres são tão perigosas quanto os homens. </span><span style="font-weight: 400;"><em>Sharp Objects</em> cumpre mais do que promete e finaliza sua trajetória na Televisão sem muitos porquês. Não se esqueça das cenas pós-créditos.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/">A raiva que adoece em Sharp Objects</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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