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	<title>Arquivos Dança &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier “Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”  &#8211; I Will Survive (Gloria Gaynor) O ser humano pode não nascer programado para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ballroom no século vinte e um" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0pnLLEqdYlMsKhJg2Cv5HW?si=c31e1a6bfbeb4b6b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em Suspiria, é temporada da bruxa</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jun 2022 16:56:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro Uma renomada companhia de dança alemã guarda um segredo: suas dançarinas são parte de um coven. Suas coreografias, rituais. E sua mais nova aluna, seria ela uma presa fácil? Ou uma bruxa em ascensão? Suspiria: A Dança do Medo é uma contemplação às bruxas contemporâneas através de um Terror psicológico, folk e gore.  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Suspiria, é temporada da bruxa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27953" aria-describedby="caption-attachment-27953" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. Na imagem, sete mulheres estão realizando movimentos com seus braços e pernas, em uma dança contemporânea. Cada uma aponta seus braços para uma direção. A câmera as visualiza de baixo para cima. Elas estão seminuas e utilizam apenas trajes feitos de fios vermelhos. Os fios caem por seus corpos de forma que lembram sangue. No centro do grupo está Susie Bannion, personagem de Dakota Johnson. Dakota é uma mulher branca, de traços finos e cabelos ruivos, um pouco abaixo dos ombros. Ela é a única que olha para frente. A luz na imagem é fraca, tornando o cenário atrás das mulheres escuro." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27953" class="wp-caption-text">Em Suspiria: A Dança do Medo, Guadagnino recria e amplia os acontecimentos e significados da obra de Dario Argento (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma renomada companhia de dança alemã guarda um segredo: suas dançarinas são parte de um </span><i><span style="font-weight: 400;">coven</span></i><span style="font-weight: 400;">. Suas coreografias, rituais. E sua mais nova aluna, seria ela uma presa fácil? Ou uma bruxa em ascensão? </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria: A Dança do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma contemplação às bruxas contemporâneas através de um Terror psicológico, </span><a href="https://darkflix.blog.br/folk-horror-10-filmes-do-subgenero-mais-angustiante-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2015/06/o-que-e-gore-splatter.html"><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><span id="more-27952"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no Brasil em 11 de abril de 2019, pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme é dirigido por </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/timothee-chalamet-set-luca-guadagnino"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diretor, aqui, está distante do subgênero do &#8211; indicado quatro vezes ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018). Contudo, a sua habilidade de criar atmosferas instigantes permanece intacta. Comum, tanto ao seu romance dramático, quanto ao seu horror sombrio. </span></p>
<figure id="attachment_27954" aria-describedby="caption-attachment-27954" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A imagem mostra um jantar e a câmera foca em um pedaço da mesa, mais especificamente, na pessoa sentada em uma das pontas. Trata-se de Susie Bannion, personagem de Dakota Johnson. Dakota é uma mulher branca, de traços finos e cabelos ruivos, um pouco abaixo dos ombros. Ela olha para o outro lado da mesa com uma expressão segura e indecifrável. Ela tem uma sugestão de sorriso no rosto. As mulheres sentadas de ambos os lados de Susie são mais velhas e estão conversando entre si, rindo." width="1280" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-800x428.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-1024x548.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-768x411.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-1200x642.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27954" class="wp-caption-text">Dakota Johnson <a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2018/09/dakota-johnson-treinou-para-dancas-de-suspiria-durante-gravacao-de-cinquenta-tons-de-cinza.shtml">se entrega ao papel</a> e representa uma Susie intrigada, porém controlada, que dança conforme a música (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente pensado como uma releitura da obra original, </span><a href="https://www.geekuniversal.com.br/2019/05/28/review-classico-suspiria-1977/"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977), este filme em muito se assemelha e, ao mesmo tempo, em muito diverge, de seu antecessor. Um clássico setentista, o primeiro trata-se de um </span><a href="http://sentaai.com/o-que-e-esse-tal-de-giallo/"><i><span style="font-weight: 400;">giallo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">italiano. Repleto de estilo, personalidade e identidade, assim como seu diretor, </span><a href="https://darkflix.blog.br/sete-obras-imprescindiveis-de-dario-argento-para-voce-entender-o-que-passa-pela-mente-do-mestre-do-giallo/"><span style="font-weight: 400;">Dario Argento</span></a><span style="font-weight: 400;">. É uma obra única, cheia de luzes e cores, uso dos sonhos e atuações novelescas, que envelhece como vinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa inicial de ambos os filmes permanece a mesma: Susie Bannion (</span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/dakota-johnson-persuasao-jane-austen/"><span style="font-weight: 400;">Dakota Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, na obra mais recente) é uma garota estadunidense que viaja até </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/nos-tempos-da-berlim-ocidental/a-16612451"><span style="font-weight: 400;">Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ingressar em uma grandiosa companhia de dança. Convivendo diariamente no local, a protagonista se vê presa e perturbada por um ambiente cheio de mistérios, acontecimentos, pessoas estranhas e maus pressentimentos.</span></p>
<p><figure id="attachment_27955" aria-describedby="caption-attachment-27955" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra duas mulheres observando algo à direita, escoradas em uma parede. A da frente é Sara Simms, personagem de Mia Goth. Mia é uma mulher branca, de cabelos dourados que vão até abaixo dos ombros. Ela olha para a direita, preocupada. Ao lado dela, e um pouco mais atrás, está Susie Bannion, personagem de Dakota Johnson. Dakota é uma mulher branca, de traços finos e cabelos ruivos e longos. Susie olha na mesma direção de Sara enquanto segura em seus braços." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1536x1023.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27955" class="wp-caption-text">Suspiria (2019) abrange sugestões, referências e temáticas em segundo plano, que permitem <a href="https://espalhafactos.com/2018/11/21/suspiria-uma-danca-macabra-de-abuso-e-culpa/">várias interpretações</a> da obra [Foto: Amazon Prime Studios]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Apesar de dividirem a trama principal, logo, as obras correm por caminhos bastante distintos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">de 77 pende para um surrealismo e um estilo </span><a href="https://medium.com/@duart/um-pesadelo-em-cores-suspiria-1977-de-dario-argento-75c58a0133f2"><span style="font-weight: 400;">vibrante, com muitas cores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suspense envolvidos. Enquanto isso, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2019 é mais sóbrio, sério, e se utiliza muito do Terror físico para intercalar com a trama mais lenta e sugestiva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As danças, </span><a href="https://lescorpsdansants.com/2018/12/05/suspiria-2018-de-luca-guadagnino/"><span style="font-weight: 400;">elemento fundamental para a história</span></a><span style="font-weight: 400;">, também são parte da linguagem do filme. Elas trazem um misto de beleza, drama, violência e incômodo. Inseridas no contexto, qualquer </span><a href="https://youtu.be/eQIII8V3SLU"><span style="font-weight: 400;">coreografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa a sensação de que algo assustador está por vir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sugestividade e a curiosidade são constantes na obra e alimentam o ritmo da trama principal. Já as secundárias, por vezes sofrem um pouco com a lentidão e </span><a href="https://sanguetipob.blogspot.com/2019/02/critica-suspiria-2018.html"><span style="font-weight: 400;">falta de uma dinâmica instigante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reveladora em seu processo, importantes em um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">de investigação.</span></p>
<figure id="attachment_27956" aria-describedby="caption-attachment-27956" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra a personagem Patricia deitada em uma superfície acolchoada, de lado. A câmera está bem próxima de seu rosto. Patricia é interpretada por Chloë Moretz. Chloë é uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, que caem bagunçados sobre seus olhos. Ela parece assustada." width="1600" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27956" class="wp-caption-text">“&#8230; Patricia define a história e te joga na tensão, medo e tormento do que você está prestes a ser submetido” <a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/exclusiva-chloe-grace-moretz-fala-sobre-seu-papel-no-thriller-suspiria/">diz Chloë Grace Moretz</a> sobre sua personagem (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o longa é capaz de ressignificar a história e somar interpretações subjetivas à temática proposta por seu </span><a href="https://claquette.medium.com/suspiria-dario-argento-1977-c7042aeb62c4"><span style="font-weight: 400;">antecessor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Liberdade, identidade e aceitação são interpretações do todo, que se utilizam do subgênero das bruxas para transmitir uma mensagem. Trata-se, afinal, de um aspecto muito comum no </span><i><span style="font-weight: 400;">folk </span></i><span style="font-weight: 400;">da atualidade, presente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) e em </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, </span><a href="https://qgfeminista.org/ainda-somos-todas-bruxas/"><span style="font-weight: 400;">a bruxa, a mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">, é apresentada como um ser marginalizado, injustiçado na realidade a qual pertence. Essas obras solucionam essa questão com </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/11/01/a-bruxa/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pertencimento, seja por meio da força, uso de poderes ou acolhimento por semelhantes. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trajetória de Susie não é diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de apresentar elementos feministas, o filme também tem um forte caráter </span><a href="https://queer.ig.com.br/2020-12-17/o-que-e-queer-entenda-o-termo-que-da-nome-ao-novo-site-do-ig.html"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A direção de Guadagnino transborda de olhares sensíveis para essas temáticas, ainda que encabeçada por um homem. Seus filmes têm características que </span><a href="https://jacksonaraujo.medium.com/o-tempo-segundo-guadagnino-8513198b205e"><span style="font-weight: 400;">destoam de perspectivas e representações heteronormativas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seja na exploração de personagens, ou ideias, como no caso da liberdade e aceitação estimuladas na trama.</span></p>
<figure id="attachment_27957" aria-describedby="caption-attachment-27957" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra Susie Bannion enquanto dança. A câmera está bem em cima da cabeça de Susie, observando-a de cima para baixo. Susie é interpretada por Dakota Johnson. Dakota é uma mulher branca, de traços finos e cabelos ruivos e longos, presos por uma trança. Ela olha para cima, em direção à câmera. Susie está com os braços levantados e as mãos enquadrando o próprio rosto, em formato de “V”." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27957" class="wp-caption-text">Susie passa por uma transformação perturbadora e inesperada, ou sempre esteve destinada àquele local? (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao horror físico do longa, o uso de cenas chocantes é crescente, com sangue, fraturas e </span><a href="https://arthurtuoto.com/2019/01/21/o-classico-e-o-grotesco-em-suspiria-2018/"><span style="font-weight: 400;">situações tão visualmente bizarras</span></a><span style="font-weight: 400;">, que impactam e fazem com que algumas cenas instalem-se na memória por muito tempo. A montagem de Walter Fasano é rápida, com toques teatrais e criativos. Como em um solo de dança de Susie que desencadeia, simultaneamente, um ritual brutal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Sayombhu Mukdeeprom ganha tons frios e sombrios. A Berlim representada é </span><a href="https://www.atlasofwonders.com/2018/10/suspiria-2018-filming-location.html"><span style="font-weight: 400;">apática e cinzenta</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa carece de cores, com exceção do vermelho. Essa cor está cada vez mais presente, de forma progressiva, até brilhar durante o terceiro ato, </span><a href="https://www.qu4rtostudio.com.br/post/a-teoria-das-cores-no-cinema"><span style="font-weight: 400;">representando sangue, violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a libertação do </span><i><span style="font-weight: 400;">coven</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27958" aria-describedby="caption-attachment-27958" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra, de lado, Susie e Madame Blanc realizando uma coreografia. Nela, elas estão de frente uma para a outra e apoiam seus braços uma na outra, enquanto cobrem suas bocas com uma das mãos. Susie é interpretada por Dakota Johnson. Dakota é uma mulher branca, de traços finos e cabelos ruivos e longos. Ela usa um kimono rosa claro. Já Madame Blanc, é interpretada por Tilda Swinton. Tilda é uma mulher branca, de cabelos castanhos-claros e longos. Ela está levemente de costas para a câmera. Elas estão em uma sala escura, com uma janela fechada por cortina aos fundos e um tapete com desenhos geométricos aos seus pés." width="1280" height="679" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6-800x424.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6-1024x543.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6-768x407.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-6-1200x637.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27958" class="wp-caption-text">A fotografia do longa carece não apenas de cores, como de luz, contribuindo para uma atmosfera sombria e contida (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grotesco também ganha vida na caracterização e maquiagens, seja de vítimas, ou de antagonistas. Quanto às últimas, </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/com-tilda-swinton-a-voz-humana-de-almodovar-ja-esta-no-streaming-1.2568551"><span style="font-weight: 400;">Tilda Swinton</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um fenômeno. Sempre atuando excepcionalmente em papéis exóticos e &#8211; mais de uma vez &#8211; como </span><a href="http://www.cadeoleo.com.br/as-cronicas-de-narnia-atriz-tilda-swinton-gostaria-de-voltar-a-interpretar-a-feiticeira-branca/"><span style="font-weight: 400;">feiticeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/dr-estranho-mas-nem-tanto/"><span style="font-weight: 400;">maga</span></a><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">ela brilha e rouba toda a cena para si. Sua Madame Blanc é imponente e assustadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo quando ela esboça simpatia para com Susie, a diretora da companhia aparenta guardar os mais terríveis segredos e planos. O destaque para a atriz ainda é intensificado pelo fato de ela ter, não um, mas </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2018/10/tilda-swinton-old-man-suspiria-who-plays-helena-markos"><span style="font-weight: 400;">três papéis</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do longa. Os três exigem de si personalidades e características completamente diferentes: Blanc, o Dr. Jozef Klemperer e Helena Markos, a líder da companhia &#8211; e do </span><i><span style="font-weight: 400;">coven</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27959" aria-describedby="caption-attachment-27959" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-7.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra uma mesa de jantar com taças de vinho e foca, principalmente, na figura que está na ponta da mesa. Trata-se de Madame Blanc, interpretada por Tilda Swinton. Tilda é uma mulher branca, de cabelos castanhos-claros e longos. Ela tem traços finos e marcantes e olhos pequenos. Ela olha para frente. Está séria, apoia um dos cotovelos na mesa e com a sua mão direita, segura um cigarro." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-7.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-7-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-7-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-7-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27959" class="wp-caption-text">Swinton é uma <a href="https://www.hercampus.com/school/casper-libero/de-david-bowie-a-tilda-swinton-como-o-visual-androgino-ganhou-forca-na-moda/">atriz andrógina</a> cuja aura artística, quase mística, está presente em todos os papéis por ela interpretados (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Dr. Jozef Klemperer é um psiquiatra judeu que atendia uma das alunas de Blanc (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/kick-ass-3-chloe-moretz-nao-descarta-retorno-franquia-seria-muito-divertido/"><span style="font-weight: 400;">Chlöe Grace Moretz</span></a><span style="font-weight: 400;">) e que, de forma paralela a trama principal, passa a investigar relatos de sua paciente, envolvendo a companhia de dança. A </span><a href="https://c7nema.net/fun-geek-gossip/item/49360-suspiria-a-impressionante-transformacao-de-tilda-swinton-no-papel-de-um-homem-de-82-anos.html"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é convincente, ainda que não passe despercebido o fato de que há algo de estranho em Jozef. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Helena Markos é, em tese, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Mater Suspiriorum</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-american-horror-story-coven/"><span style="font-weight: 400;">bruxa suprema</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou como a chamam: </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mother of Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> (A Mãe das Dores). A construção misteriosa em torno de sua existência corrobora para seu papel, ainda que breve, porém muito significativo. Markos também aparece no longa de 77, em outro contexto e com outra personalidade.</span></p>
<figure id="attachment_27960" aria-describedby="caption-attachment-27960" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27960" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto mostra o doutor Jozef sentado em uma poltrona enquanto conversa com alguém que está no canto direito e não aparece na imagem. Ele está em uma casa, com luz fraca e coloração cinza e apática. Jozef é um homem idoso, branco, de cabelos platinados e lisos, penteados para o lado. Ele usa um suéter por cima de uma camisa social e um casaco acinzentado por cima de tudo. Ele está sério e segura uma xícara de chá com sua mão direita. Ele é interpretado pela atriz Tilda Swinton, uma mulher branca, alta, com traços finos e marcantes, aqui cobertos por maquiagem." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-8-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27960" class="wp-caption-text">A atuação de Swinton em três papéis distintos <a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/513943/suspiria-tilda-swinton-confirma-que-interpreta-o-homem-velho-no-filme/">não foi divulgada logo de início</a>, sendo revelada posteriormente em entrevistas (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre Markos, o longa dialoga em diversos níveis a respeito da </span><a href="https://ceucavalcanti.medium.com/suspiria-e-a-reinven%C3%A7%C3%A3o-do-mito-da-dor-b5e9dfbaa12d"><span style="font-weight: 400;">dor</span></a><span style="font-weight: 400;">, a partir da </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/09/suspiria-tres-maes-thomas-de-quincey.html"><span style="font-weight: 400;">mitologia das Três Mães</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dario Argento desenvolveu sua </span><a href="https://www.frightlikeagirl.com.br/2019/03/suspiria-remake-as-tres-maes-e-dario.html"><span style="font-weight: 400;">famosa trilogia inspirado em um ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1845, de Thomas de Quincey. Esse ensaio tratava da história de Três Mães que acompanhariam a deusa romana Levana. Uma delas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mater Suspiriorum</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a senhora dos suspiros, aflições e dores humanas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando a trama da Mãe das Dores, o desfecho do longa é dominado pelo simbolismo, grandiosidade e pelo extremo horror visual, brutal e explícito. Susie enfim </span><a href="https://www.cinemablend.com/news/2553043/suspiria-ending-what-does-this-mean-for-susie"><span style="font-weight: 400;">abraça seu destino</span></a><span style="font-weight: 400;">, com aceitação e imponência. A </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2018/12/suspiria-dakota-johnson-quase-abandonou-o-projeto-dias-antes-do-inicio-das-filmagens"><span style="font-weight: 400;">atuação de Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precisa e capaz de transmitir a calma e poder que emanam de sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_27961" aria-describedby="caption-attachment-27961" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9.png" alt="Fotografia do filme Suspiria, A Dança do Medo. A foto é inteiramente coberta por uma forte luz vermelha. Ela mostra, centralizada, uma figura monstruosa que rasteja no chão. Ela tem uma pele queimada, dedos longos e unhas afiadas. Os braços da criatura ocupam a maior parte da foto e sua cabeça está bem no topo, abaixada, como se ela fizesse uma reverência. Ela tem um rosto deformado e queimado, pouco visível pelo ângulo. E tem cabelos escuros e longos, com falhas no couro cabeludo." width="1280" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-9-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27961" class="wp-caption-text">O final da obra é um choque visual unido a um plot twist corajoso e subversivo (Foto: Amazon Prime Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas essas questões tornam o filme excepcional no que busca </span><a href="https://www.cineset.com.br/suspiria-o-terror-da-manipulacao-sentimental-a-partir-do-amor-materno/"><span style="font-weight: 400;">transmitir e representar</span></a><span style="font-weight: 400;">. A força, dores, papel e liberdade femininas são testadas, questionadas e abordadas em diversos aspectos do longa. Bem desenvolvidas, ou nem tanto, como no caso da história da mãe de Susie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somados, esses aspectos tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria </span></i><span style="font-weight: 400;">uma experiência inesquecível. O filme é capaz de penetrar na mente do telespectador, seja pelo choque, medo, irreverência ou reflexão. Ainda que siga os </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/4-filmes-de-terror-que-ganharam-remake-e-qual-versao-e-melhor-suspiria-carrie-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">passos iniciais da obra original</span></a><span style="font-weight: 400;">, esta caminha sozinha, tornando-se única e </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2020/09/suspiria-tres-maes-thomas-de-quincey.html"><span style="font-weight: 400;">clássica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, representando com beleza e brutalidade, dança e morte, o que é a figura feminina e a imagem da bruxa.</span></p>
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		<title>A segunda temporada de Legendary fez o que precisava ser feito</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2021 20:11:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Chagas Se hoje já não é fácil ser negro, latino e parte da comunidade LGBTQIA+, era muito pior nas ruas dos Estados Unidos nos anos 80. Desrespeitados e segregados, a solidão atormentava o dia a dia desses grupos. Então, de forma política, mas ao mesmo tempo divertida, foi no peito dolorido de um povo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Legendary fez o que precisava ser feito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22406" aria-describedby="caption-attachment-22406" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22406 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1.jpg" alt="Foto promocional de Legendary. No centro está um homem negro, magro de cabelo crespo penteado para cima. Ele veste terno e luvas brancas, com as mãos para cima perto do rosto das mulheres ao seu redor. Na esquerda está uma mulher magra de pele clara e cabelo preto na altura do ombro, e na esquerda uma mulher negra de cabelo liso comprido. Em cima deles estão uma dupla. Um homem negro vestindo terno roxo, óculos brilhante e cabelo liso longo, e uma mulher de pele clara, cabelo castanho e vestido rosa volumoso. O fundo é preto e a iluminarão é arroxeada." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22406" class="wp-caption-text">A segunda temporada de Legendary foi indicada a duas categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Chagas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se hoje já não é fácil ser negro, latino e parte da comunidade </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/dicas/qual-o-significado-da-sigla-lgbtqia"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, era muito pior nas ruas dos Estados Unidos nos anos 80. Desrespeitados e segregados, a solidão atormentava o dia a dia desses grupos. Então, de forma política, mas ao mesmo tempo divertida, foi no peito dolorido de um povo tentando transformar sua exclusão em união que surgiu a cultura do </span><a href="https://medium.com/@luciosouza/ballroom-glamour-orgulho-e-resist%C3%AAncia-f8d393e095cb"><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram nos subúrbios nova-iorquinos que, pela primeira vez, pessoas trans, pretas, latinas e homossexuais tiveram sua existência celebrada em </span><a href="https://polis.org.br/noticias/voce-conhece-a-cultura-ballroom/"><span style="font-weight: 400;">forma de dança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aos poucos foi se estabelecendo um cenário constituído por regras, estilos e características tão ricas e próprias que até hoje fazem parte desses bailes.</span></p>
<p><span id="more-22405"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecer a cultura do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ser apresentado às Casas, formadas por grupos tão unidos quanto uma família de sangue pode ser. É conhecer o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ydTfwnNScM"><i><span style="font-weight: 400;">voguing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, popularizado por Madonna em 1990 quando lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> catwalk</span></i><span style="font-weight: 400;">, as categorias, as gírias e tudo que constrói esse universo gigante. </span></p>
<figure id="attachment_22407" aria-describedby="caption-attachment-22407" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2.jpg" alt="" width="976" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22407" class="wp-caption-text">Pose, ficção que usa das cenas do ballroom em sua narrativa, chega ao Emmy 2021 quebrando barreiras e indicando a primeira mulher trans em uma categoria de atuação principal (Foto: FX Networks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gerações se passaram e o </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> resistiu. Celebrando a livre expressão e ainda servindo como grande acolhimento, por todo o mundo, Casas ainda disputam entre si por dinheiro, reconhecimento e, é claro, muita diversão. Então, para os que querem se exibir aos olhos de milhares de pessoas e jurados especialistas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYepGZuRLhA"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recém-chegada no Brasil, a plataforma do </span><a href="https://www.hbomax.com/br/pt"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe em seu catálogo as duas primeiras temporadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">reality </span></i><span style="font-weight: 400;">apresentado pelo cativante </span><a href="https://www.instagram.com/dashaunwesley/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dashaun Wesley</span></a><span style="font-weight: 400;">. Gravado no mundo pré-pandemia, os primeiros episódios contam com um público tão carismático que formava um personagem por si só. Mas, por conta das medidas de segurança e saúde tomadas, a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio mais sozinha. </span></p>
<figure id="attachment_22408" aria-describedby="caption-attachment-22408" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22408 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3.jpg" alt="Cena do reality Legendary. Nela está Dashaun Wesley, homem negro e magro de cabelo crespo penteado para cima. Ele veste um terno e calça azul com formatos circulares coloridos. Atrás está um objeto roxo com seu formato. O fundo é azul com um painel colorido." width="1200" height="775" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-800x517.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-1024x661.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-768x496.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22408" class="wp-caption-text">O icônico Dashaun Wesley deixa tudo mais divertido (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem não abandonou o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram os &#8211; quase sempre &#8211;  queridinhos jurados. </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/02/jameela-jamil-de-good-place-se-assume-como-queer-apos-sofrer-ataques.html"><span style="font-weight: 400;">Jameela Jamil</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz da famosa </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KynkMn5Hv3Q"><span style="font-weight: 400;">Megan Thee Stallion</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora colecionadora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=grammy+"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se juntam ao grupo mais caloroso. Ambas não desperdiçam suas plaquinhas de nota 10 para enaltecer as casas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CJg4ES51Yts"><span style="font-weight: 400;">Leiomy Maldonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande nome no </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.lilianpacce.com.br/moda/vem-conhecer-law-roach-o-stylist-mais-badalado-de-hollywood-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Law Roach</span></a><span style="font-weight: 400;">, estilista de artistas como </span><a href="https://capricho.abril.com.br/moda/este-conselho-que-zendaya-recebeu-mudou-seu-estilo-e-confianca/"><span style="font-weight: 400;">Zendaya</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ariana Grande, são mais difíceis de agradar. Os dois não escondem o descontentamento quando uma apresentação não os agrada. E, sinceramente, receber uma nota máxima do Law é tão difícil quanto as provas de Física do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff15129823.htm"><span style="font-weight: 400;">ITA</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos rostos de sempre, cada programa conta também com a participação de diferentes celebridades que são convidadas para assistir e julgar as apresentações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FKXSh14svlQ"><span style="font-weight: 400;">Normani</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EAg69LaLlS0"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros famosos se juntaram ao </span><i><span style="font-weight: 400;">cast</span></i><span style="font-weight: 400;"> e trouxeram ainda mais avaliações técnicas, além de muita risada, para a temporada dois.</span></p>
<figure id="attachment_22409" aria-describedby="caption-attachment-22409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22409 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4.jpg" alt="Cena de legendary. Nela estão quatro cadeiras onde estão sentados os jurados. Da esquerda para a direta estão; um homem negro vestindo terno roxo, de cabelo liso e óculos escuro, uma mulher negra de vestimenta apertada rosa que cobre o corpo todo, uma mulher de pele clara que veste também um terno, este cinza com detalhes pretos e uma mulher de pele clara com cabelo roxo e vestido preto transparente com estrelas coloridas. No fundo estão diversas pessoas olhando por um espaço aberto." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22409" class="wp-caption-text">Se apresentar para uma plateia gigante deve ser menos aterrorizante do que se apresentar apenas para esses quatro (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente da temporada inicial, a segunda volta mais organizada. O método de avaliação agora é baseado na soma das notas que as Casas recebem. Com uma apresentação em grupo e outras que são feitas individualmente, em dupla ou trio, as notas mais altas definem que Casas serão salvas, e quais vão precisar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=07c9CPN-VdA"><span style="font-weight: 400;">batalhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma última vez para permanecer na corrida pelo prêmio de 100 mil dólares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto a ser analisado sobre os jurados são as maquiagens e vestimentas usadas. Seguindo a proposta da semana, os </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> usados são de tirar o fôlego. As ideias devem partir das Casas, e serem construídas com a equipe liderada pelo figurinista </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/lifestyle/shopping/legendary-costume-designer-johnny-wujeks-favorite-things-1234952509/"><span style="font-weight: 400;">Johnny Wujek</span></a><span style="font-weight: 400;">,  talentosíssimo artista que já trabalhou com grandes figuras como </span><a href="https://www.instagram.com/p/CSFr2w6JN68/"><span style="font-weight: 400;">Katy Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mariah Carey.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo esforço por trás do vestuário dos participantes rendeu duas indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> (com auxílio do catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">) se tornou a plataforma com o maior número de indicações do ano, ultrapassando a recordista </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na sua </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/2021/07/com-130-indicacoes-ao-emmy-2021-hbo-lidera-a-lista-confira/"><span style="font-weight: 400;">longa lista de categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão Melhor Penteado Contemporâneo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reality </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Programa de Variedades ou Programa de Não-Ficção e Melhor Maquiagem Contemporânea em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reality </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Programa de Variedades ou Programa de Não-Ficção (Não-Prostética), onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorre pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop Tart</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22410" aria-describedby="caption-attachment-22410" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22410 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-5.jpg" alt="Cena de Legendary. Nela uma das casas está se apresentando. Na frente de um painel verde estão quatro pessoas. Da esquerda para a direita estão um homem usando um conjunto azul com placas coloridas e chapéu rosa, um homem de roupa rosa com saia esvoaçante, outro com a roupa também rosa mas com detalhes pretos e laranja, e a mãe da casa de vestido azul e verde. " width="708" height="472" /><figcaption id="caption-attachment-22410" class="wp-caption-text">Na semifinal, as Casas transportaram o ballroom para dentro de florestas tropicais (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos dois episódios iniciais, foram apresentadas as 10 Casas que entraram na competição: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AiOVLfB3hEY"><span style="font-weight: 400;">Miyake-Mugler</span></a><span style="font-weight: 400;">, Balenciaga, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N7fnO2WE_bM"><span style="font-weight: 400;">Comme des Garçon</span></a><span style="font-weight: 400;">, Oricci, </span><a href="https://www.instagram.com/legendaryhouseoficon/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Icon</span></a><span style="font-weight: 400;">, Milan, </span><a href="https://www.instagram.com/legendaryhouseofluxe/"><span style="font-weight: 400;">Luxe</span></a><span style="font-weight: 400;">, Prodigy e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AXyC_HilSaw"><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cada uma com suas singularidades, o palco era onde precisavam conquistar os jurados &#8211; e nos fazer se apaixonar por cada integrante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros a deixar a competição foram </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AXyC_HilSaw["><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4RNXYkmboI"><span style="font-weight: 400;">Prodigy</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, tadinhos, mal tiveram tempo de mostrar para o que vieram. Se tinham ou não potencial para chegar em uma possível final, é algo que nunca saberemos. Logo foram seguidos pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O4jhTV4zg1Y"><span style="font-weight: 400;">House of Milan</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, na semana onde precisaram se apresentar como um dos Sete Pecados Capitais, foram expulsos do Céu como Adão e Eva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque da primeira metade da temporada não poderia ser outro além dela: </span><a href="https://pt-br.facebook.com/portallegendary/videos/s02e01-grand-march-house-of-tisci/510198443343396/?extid=SEO----"><span style="font-weight: 400;">Tisci</span></a><span style="font-weight: 400;">. A Casa que foi uma das mais talentosas a passar pelo programa constantemente era favorita, graças ao esforço inesgotável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L0ZrGvVdVfc"><span style="font-weight: 400;">Mother Gia Tisci</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus filhos. Ao serem os primeiros a receberem 10 de todos os jurados, era impossível negar seu dom. É uma pena que a eliminação do grupo tenha sido tão dramática, graças a um bate-boca de um membro da casa e, sem surpresas, Law. Ai, ai, esse Law. </span></p>
<figure id="attachment_22411" aria-describedby="caption-attachment-22411" style="width: 655px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22411 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-6.jpg" alt="Cena de Legendary. Nela está acontecendo uma apresentação da Casa Tisci. Na frente está uma dos membros vestindo um conjunto com blusa, saia e bota azul claro. Em cima de uma plataforma, a participante está na frente de outros dois membros da casa, onde o da esquerda veste amarelo e a da direta, rosa. O fundo é colorido, com uma tela onde uma imagem de uma boca é cercada por retângulos de vários tons. " width="655" height="492" /><figcaption id="caption-attachment-22411" class="wp-caption-text">No quinto episódio, Pop Tart, a Casa Tisci serviu a melhor performance da temporada (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a saída dos icônicos, sobrou para o resto dividir os momentos de brilhar. </span><a href="https://www.instagram.com/_thegarcons_/"><span style="font-weight: 400;">Comme des Garçon</span></a><span style="font-weight: 400;"> realmente serviram muito bem, deixando os telespectadores bem alimentados. Mas como ninguém escapa das batalhas, se despediram na reta final. No episódio onde tiveram que apresentar três dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E3c7Gv5RHaw"><span style="font-weight: 400;">elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">hair whips</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> spins and dips</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> e floor performance</span></i><span style="font-weight: 400;">), perderam para a </span><span style="font-weight: 400;">Balenciaga, ficando em terceiro lugar. A derrota foi triste, mas quando </span><a href="https://www.instagram.com/honey.balenciaga/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Honey</span></a><span style="font-weight: 400;"> está do outro lado, tem como não esperar que ela vença? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande final foi composta, além da Casa que se salvou no penúltimo progr</span><span style="font-weight: 400;">ama, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dpVZcDJ60eY"><span style="font-weight: 400;">House of Miyake-Mugler</span></a><span style="font-weight: 400;">. A equipe que iniciou o programa tão mal, teve a maior das evoluções. Passando pela quase-eliminação, os membros tiveram a força que precisavam para dar a volta por cima e se tornarem lendários. Ganhando os últimos Bailes, foi com um prêmio de 100 mil dólares que a Casa finalizou a competição, além da felicidade contagiante.   </span></p>
<figure id="attachment_22412" aria-describedby="caption-attachment-22412" style="width: 655px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22412 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-7.jpg" alt="Cena de Legendary. Em uma das apresentações, cinco pessoas estão usando roupas de látex, cada uma de uma cor, com detalhes em preto. Todas dançam com as pernas cruzadas e as mãos esticadas para frente. O fundo possui fotos de estátuas. " width="655" height="438" /><figcaption id="caption-attachment-22412" class="wp-caption-text">Miyake-Mugler foram os vencedores dos 100 mil dólares (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ficou na mão de </span><span style="font-weight: 400;">David Collins, Rob Eric e Michael Williams</span><span style="font-weight: 400;">. O trio também responsável por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xb-HxBbIbtM"><i><span style="font-weight: 400;">Queer Eye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já ganhou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Emmy"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pelo programa da plataforma vizinha, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Juntos construíram </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma tão convidativa que dá para se perder nos capítulos e fingir, por um tempo, que estamos dentro dos calorosos </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre todas as reviravoltas, discussões e muita dança, o que continua mais marcando cada episódio são as mensagens transmitidas nas performances. Na disputa de corpos, quando todos os tamanhos são valorizados e apreciados, o que ganha é a confiança. Nas batalhas, após o duelo os oponentes se abraçam, o que se destaca é o respeito. Antes de adversários, cada membro de cada grupo é parte de </span><a href="https://haenfler.sites.grinnell.edu/subcultures-and-scenes/underground-ball-culture/#:~:text=History,putting%20on%20drag%20fashion%20shows.&amp;text=Fed%20up%20with%20the%20restrictive,ball%20culture%20in%20the%201960s."><span style="font-weight: 400;">algo maior</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio dos treinos e apresentações, muitas histórias de vida são compartilhadas. Prostituição, racismo, </span><a href="https://www.em.com.br/app/colunistas/arthur-bugre/2021/08/13/noticia-arthur-bugre,1295268/as-violacoes-de-direito-que-nascem-da-transfobia-e-ausencia-de-dados.shtml"><span style="font-weight: 400;">transfobia</span></a><span style="font-weight: 400;">, abandono, e tantos tipos de violência são traumas coletivos pela comunidade em um todo. Fazer parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, é escapar da triste realidade de onde muitos vem. </span></p>
<figure id="attachment_22413" aria-describedby="caption-attachment-22413" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22413 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8.jpg" alt="Cena de Legendary. No centro está Megan Thee Stallion, mulher negra de cabelo preto vestindo roupa preta transparente com detalhes em dourado. Ela está de pé, olhando para o lado. Ao seu redor outras pessoas dançam com roupas nas mesmas cores. O fundo e o palco são roxos." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22413" class="wp-caption-text">Na apresentação de corpo, o hit Body de Megan Thee Stallion acompanhou a celebração dos corpos dos participantes (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua última performance, a Casa Balenciaga encantou ao subir no palco cobertos de rosa e dourado para falarem sobre amor. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QMXmng2B5CI"><i><span style="font-weight: 400;">Love is the message</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, comenta </span><span style="font-weight: 400;">Mother Shannon no seu discurso final. E ao acabar de assistir o décimo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom 5000</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficamos com o resto do amor derramado pelas Casas em nossos corações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já renovada para uma terceira temporada, o seriado ainda promete continuar trazendo a cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dentro de nossas casas. Te fazendo rir com os </span><a href="https://inglesnoteclado.com.br/2016/03/giria-shade-o-que-significa-throw-shade-em-ingles.html"><i><span style="font-weight: 400;">shades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trocados pelas Casas, te fazendo chorar com os emocionantes relatos dos participantes, te fazendo ter raiva ocasionalmente dos jurados e te deixando com muita, mas muita vontade de sair dançando por aí, a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whnMJZENarU"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez o que precisava ser feito. </span></p>
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		<title>Como uma borboleta: Navillera ensina que nunca é muito tarde para voar alto</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2021 18:55:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Nóbrega Um sonho em comum e anos de diferença. A relação de amizade entre Deok Chool (Park In Hwan) e Chae Rok (Song Kang) começou com um sonho de infância no novo drama coreano da Netflix. Navillera trilha a história do patriarca Shim Deok Chool, um ex-servidor público de 70 anos que decidiu se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/navillera-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Como uma borboleta: Navillera ensina que nunca é muito tarde para voar alto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20646" aria-describedby="caption-attachment-20646" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-2.jpg" alt="Foto Promocional do drama Navillera. Na imagem se vê à esquerda o ator Song Kang, que interpreta Lee Chae Rok. Ele usa uma blusa branca e calça social cinza enquanto faz uma posição de balé olhando para o lado. A direita está o ator Park In Hwan, que interpreta Shim Deok Chool. Ele usa um conjunto de moletom marrom claro e observa Song Kang fazendo posição de dança." width="740" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-2.jpg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-2-300x170.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20646" class="wp-caption-text">Navillera estreou na Netflix no dia 22 de março (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Nóbrega</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sonho em comum e anos de diferença. A relação de amizade entre</span> <span style="font-weight: 400;">Deok Chool</span> <span style="font-weight: 400;">(Park In Hwan) e Chae Rok (Song Kang) começou com um sonho de infância no novo drama coreano da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://revistakoreain.com.br/2021/03/k-drama-navillera-quebra-padroes-e-promete-emocionar/"><i><span style="font-weight: 400;">Navillera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trilha a história do patriarca Shim Deok Chool, um ex-servidor público de 70 anos que decidiu se tornar bailarino. Para que pudesse sustentar sua família, o coreano decidiu deixar de lado sua fantasia de um dia apresentar </span><a href="http://blog.mundodanca.com.br/2016/06/23/ballet-classico-conheca-o-fascinante-o-lago-dos-cisnes/"><i><span style="font-weight: 400;">Lago dos Cisnes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Isso tudo muda depois que ele decide ir atrás do que o faz feliz, encontrando pelo caminho o bailarino</span> <span style="font-weight: 400;">Lee Chae Rok, de 23 anos.</span></p>
<p><span id="more-20642"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">webtoon </span></i><a href="https://www.elfolivre.com.br/2021/03/navillera-netflix.html"><i><span style="font-weight: 400;">Like a Butterfly</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a série traz à tona a relação da sociedade coreana com pessoas idosas e a pressão social para o sucesso. Esses dois eixos são expostos na trama de forma sútil. Diálogos simples entre os personagens mostram de maneira natural como a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/09/18/coreia-do-sul-a-republica-do-suicidio.htm"><span style="font-weight: 400;">Coreia do Sul lida com a ideia de sucesso profissional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em pequenos detalhes, é possível perceber o dilema do apreço por pessoas idosas e seu abandono pela geração mais nova, que não os enxerga mais como capacitados.</span></p>
<figure id="attachment_20644" aria-describedby="caption-attachment-20644" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-1.png" alt="Na foto Lee Chae Rok faz posição de dança. Ele usa uma camiseta cinza e olha para a frente com o braço levantado. Atrás dele está posicionada outra bailarina com collant de balé e cabelo preso em um coque. Ela faz a mesma pose que ele. A imagem mostra apenas do peito para cima." width="890" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-1.png 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-1-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20644" class="wp-caption-text">A série liberou um episódio novo toda a quarta e terça-feira na plataforma de streaming, simultaneamente com o lançamento na Coreia do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção conta com o mais novo queridinho da indústria cinematográfica local, </span><a href="https://coreanasdetaubate.com/2021/03/30/song-kang-fala-sobre-seus-papeis-em-dramas-e-sobre-dancar-em-navillera/"><span style="font-weight: 400;">Song Kang</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um grande currículo de atuação, o ator &#8211; que só esse ano promete estrear três </span><a href="https://interprete.me/o-que-e-dorama-curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">doramas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; traz vida ao dedicado e recluso Lee Chae Rok. Um dançarino esforçado que sempre se envolveu com esportes, mas optou pelo balé depois de desistir do futebol. Com a mãe falecida e o pai preso, o jovem tem dificuldades de se sustentar financeiramente e precisa trabalhar meio período em um restaurante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse fator incomoda muito seu professor de dança</span> <span style="font-weight: 400;">Ki Seung Joo (Kim Tae Hoon), que insiste constantemente que ele largue o trabalho e se dedique mais a dança. Essa é uma das </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/musica/2019/11/suicidios-de-estrelas-do-k-pop-geram-reflexao-na-coreia-do-sul.shtml"><span style="font-weight: 400;">ocasiões em que a corrida pelo sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mostra presente na trama. Seung Joo insinua que o tempo de Chae Rok está acabando, afinal ele já tem 23 anos, e a carreira de um bailarino é bem curta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presteza por pensar no futuro e ter altas ambições é parte da cultura coreana, e notável em qualquer uma de suas produções. A famosa frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“faça enquanto eles dormem”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é levada muito a sério pela tradição do país. Não é incomum assistir e ler histórias de indivíduos que trabalhavam noite e dia para alcançar uma vaga em alguma empresa, </span><a href="https://observador.pt/2019/11/30/sucesso-depressao-e-suicidios-o-encanto-e-o-lado-negro-da-industria-k-pop/"><span style="font-weight: 400;">ou um espaço no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É uma corrida contra o tempo para crescer e se aperfeiçoar constantemente, sem mostrar fraquezas ou defeitos.</span></p>
<figure id="attachment_20645" aria-describedby="caption-attachment-20645" style="width: 1125px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-1.jpg" alt="Na fotografia Chae Rok usa casaco cinza e bermuda preta. Ele está deitado em uma maca de clínica médica. No primeiro plano, Deok Chool o observa de costas para a câmera e usando um casaco verde. Entre os dois é possível ver um torso de médico usando jaleco." width="1125" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-1.jpg 1125w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20645" class="wp-caption-text">Song Kang revelou em entrevista que refletiu em Chae Rok seu lado que luta pelos próprios sonhos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso começa a ser questionado quando </span><a href="https://coreanasdetaubate.com/2021/03/24/song-kang-e-park-in-hwan-falam-sobre-aprender-bale-e-trabalhar-um-com-o-outro-em-navillera/"><span style="font-weight: 400;">Shim Deok Chool surge</span></a><span style="font-weight: 400;">, aposentado e decidido a se tornar um dançarino. O patriarca quebra todas as barreiras impostas na sua frente para poder realizar seu sonho de infância. Assim como outros personagens, o ex-funcionário público precisou se dedicar muito desde cedo para ter sucesso e alimentar a sua família. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Navillera</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora essa questão em vários momentos, fazendo comparações do esforço do senhor na época em que era carteiro com a ocasião que se encontra quando idoso. Entre cenas de treinos e diálogos, acontecem </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que explicam a audácia e dedicação de Deok em conseguir aquilo que quer. Adotando tons mais amarelados para a imagem e cenários mais antigos, a produção tenta se aproximar o máximo de uma </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-coreia.htm"><span style="font-weight: 400;">Coreia pobre se reconstruindo no pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> para, então, contextualizar as escolhas de vida do ex-carteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão do homem em se tornar um bailarino em idade avançada está interligada com a pressa da sociedade em conseguir crescer na sua profissão e se tornar bem sucedido. Já que, durante a sua juventude, desistiu de seu sonho para poder ter estabilidade financeira. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZrR8RrltK5Y"><span style="font-weight: 400;">drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz perceber que não existe idade correta para correr atrás daquilo que lhe faz feliz, expressando situações onde pessoas vivem amarguradas ao chegar à velhice sem ter conseguido estar realizado consigo mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_20643" aria-describedby="caption-attachment-20643" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-1.png" alt="Na imagem Chae Rok olha para a frente com um sorriso no rosto. Ele usa uma camiseta branca simples e está em uma sala de treinamento com uma janela e cortinas atrás." width="890" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-1.png 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-1-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20643" class="wp-caption-text">O ator precisou aprender balé para interpretar o papel, e chocou o público com o que absorveu em pouco tempo de estudo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Forçado por seu treinador, Lee se torna professor de Shim. A relação dos dois se transforma em um símbolo de união entre duas pessoas que não são tão diferentes, mas que precisam uma da outra. O jovem bailarino órfão de mãe e abandonado pelo pai, não tem uma figura familiar que cuide dele. E o aposentado vive uma vida parada e com remorso pela carreira que nunca teve. Ao decorrer do tempo, se vê entre os dois uma amizade baseada no cuidado e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ehr1LosfbAc"><span style="font-weight: 400;">crença sincera da parte de Deok Chool</span></a><span style="font-weight: 400;"> no garoto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://cinepop.com.br/navillera-video-compila-os-melhores-momentos-do-drama-sul-coreano-da-netflix-confira-290991/"><span style="font-weight: 400;">série</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz um questionamento a respeito das relações familiares e a falta que elas fazem na vida de cada um. Chae Rok começa a crescer como um participante ativo na família de Deok Chool, que, pela idade, passa a receber menos atenção dos filhos. O jovem bailarino mexe com a estrutura da família Shim, os fazendo se indagar sobre as pressões profissionais e a ausência na vida dos pais idosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Han Dong Hwa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_sp5IKEQTME"><i><span style="font-weight: 400;">Navillera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quebra o padrão de dramas focados em romance e traz uma nova visão sobre os costumes do país. Desconstruindo a ideia de que a velhice seria o fim, sem possibilidades de gerar novas experiências e anseios. A série apenas se prende ao clichê quando monta a imagem dos dois protagonistas como heróis pobres, com vida pessoal conturbada e que sofrem muito durante o desenrolar da trama. Temática já abordada em outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/call-critica/"><span style="font-weight: 400;">produções coreanas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><i><span style="font-weight: 400;">Itaewon Class</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Extracurricular</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Navillera | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZrR8RrltK5Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma conexão entre indivíduos de idades bem diferentes, que tiveram trajetórias opostas, porém que necessitam um do outro para quebrar obstruções impostas pela sociedade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navillera</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio para emocionar o público e trazer um pouco de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s9Uwgf1iyDQ"><span style="font-weight: 400;">fofura e risadas em tempos difíceis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Deixando de lado o afeto romântico e colocando em destaque o afeto paterno e familiar, que há muito tempo não vinha sendo explorado pelas produções coreanas. E ensinando que voar como uma borboleta é possível para qualquer um que sonhe, independente da idade. </span></p>
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		<title>Morte e Vida Severina: Companhia Estável de Dança de Bauru evoca toda força poética de João Cabral de Melo Neto</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Sep 2019 21:16:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Vinícius Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O espetáculo com coreografia inédita de Arilton Assunção estreou em 1º de setembro, mas dia 14 marcou a abertura da mostra do Festival de Artes Cênicas (FACE) de Bauru, neste ano em sua 8ª edição. Vinícius Nascimento O novo espetáculo &#8220;Morte e Vida Severina&#8221;, estrelado pela Companhia de Dança Estável de Bauru no teatro Celina &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/morte-e-vida-severina-face-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Morte e Vida Severina: Companhia Estável de Dança de Bauru evoca toda força poética de João Cabral de Melo Neto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O espetáculo com coreografia inédita de Arilton Assunção estreou em 1º de setembro, mas dia 14 marcou a abertura da mostra do Festival de Artes Cênicas (FACE) de Bauru, neste ano em sua 8ª edição.</em></p>
<figure id="attachment_12833" aria-describedby="caption-attachment-12833" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-12833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-1-Reprodução-Loriza-Lacerda-1024x682.jpeg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-1-Reprodução-Loriza-Lacerda.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-1-Reprodução-Loriza-Lacerda-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-1-Reprodução-Loriza-Lacerda-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12833" class="wp-caption-text">Ensaio dos bailarinos da Companhia Estável de Dança de Bauru para o espetáculo &#8220;Morte e Vida Severina&#8221; (Foto: Loriza Lacerda/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vinícius Nascimento</strong></p>
<p>O novo espetáculo &#8220;Morte e Vida Severina&#8221;, estrelado pela Companhia de Dança Estável de Bauru no teatro Celina Lourdes Alves Neves, é uma adaptação do poema de mesmo nome de João Cabral de Melo Neto publicado em 1955. O mesmo poema já ganhou versão cinematográfica em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6XDvGPgbc18">1977</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=clKnAG2Ygyw">2010</a>, além de adaptação para TV pela Globo em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=MthmmdJgQXY">1981</a>, o que demonstra a riqueza que o material original tem e como diversas linguagens se apropriam do texto sempre propondo uma releitura atual da obra.</p>
<p><span id="more-12832"></span></p>
<p>As luzes se apagam restando um pequeno facho entre o palco e as primeiras cadeiras, por ele é iluminada uma atriz convidada. As cortinas permanecem fechadas enquanto a atriz começa a declamar um poema feito em homenagem à companhia. As cortinas são abertas. A primeira cena: os bailarinos estão reunidos no centro, entrelaçando-se, enquanto um deles suspenso pelos outros despeja água de uma moringa &#8211; jarro de barro ou cerâmica &#8211; sobre os companheiros desesperados, com vontade de sobreviver.</p>
<figure id="attachment_12834" aria-describedby="caption-attachment-12834" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12834 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-2-Reprodução-Loriza-Lacerda-1024x682.jpeg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-2-Reprodução-Loriza-Lacerda.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-2-Reprodução-Loriza-Lacerda-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-2-Reprodução-Loriza-Lacerda-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12834" class="wp-caption-text">“&#8230;ou a morte às claras por bala/ se a fome não faz o serviço/ e a morte que se vai vivendo/ do homem na modalidade bicho…” &#8211; trecho do poema de Geraldo Bergamo recitado no início da apresentação (Foto: Loriza Lacerda/Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Conforme somos conduzidos pela narrativa percebe-se que o destino daqueles retirantes está envolto na capacidade de resistirem a estiagem, como fé e delírio estão conectados, fazendo com que perseverem. O tempo todo a seca os persegue, muito bem representada pela figura de um crânio de boi tomado pelos dançarinos um a um. Seus movimentos serpenteiam o espaço, tornando-se presentes, a espera ou em busca de onde quer que vão os severinos.</p>
<p>A expressividade do corpo projetado pela coreografia inédita desta apresentação reposicionou a obra dentro de um contexto contemporâneo. A tensão dos corpos que carregam outros, como se fosse uma cruz ou liteira feita de tronco e lençol, cria um peso gravitacional, nos atraindo para aquela realidade. Quando os bailarinos se sucedem correndo e pulando no ar jogando canela, criando uma nuvem de poeira, seus passos são expansivos e ornamentais.</p>
<figure id="attachment_12836" aria-describedby="caption-attachment-12836" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12836 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-3-Rebeca-Almeida-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-3-Rebeca-Almeida-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-3-Rebeca-Almeida-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-3-Rebeca-Almeida-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-3-Rebeca-Almeida-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12836" class="wp-caption-text">As roupas dessa figura encapuzada (dir.) a distinguem dos outros personagens num outro plano existencial (Foto: Rebeca Almeida)</figcaption></figure>
<p><strong>Pega, mata e come</strong></p>
<p>Os corpos aqui insinuam-se carcarás, sobrevoam o sertão em busca de alimento. A coreografia é maximizada pela iluminação, compondo&nbsp; projeções das sombras dos dançarinos na parede no fundo do palco. A mimetização é o ponto mais alto da composição visual. Noutro momento, cenas são apresentadas em flashes &#8211; as luzes se apagam e quando voltam vemos os dançarinos dispostos numa montagem que remete a composições da arte pictórica, vide <a href="https://masp.org.br/acervo/obra/retirantes">“Retirantes” de Candido Portinari</a>. Assim como a sobreposição que fez coexistir na mesma cena a seca em busca de um severino em primeiro plano, a liteira sendo carregada no segundo e, no último plano, a procissão.</p>
<p>O simples elevou ainda mais o papel da coreografia, com o uso de tons pastéis colocou no mesmo plano diferentes singularidades, enriquecendo a dimensão coletiva que os personagens tem, os milhares de severinas e severinos existentes. Assim como a música além de criar uma atmosfera adicionava profundidade na temática, ressaltando aspectos culturais, políticos e religiosos.</p>
<figure id="attachment_12835" aria-describedby="caption-attachment-12835" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-12835 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-4-Rebeca-Almeida-1024x683.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-4-Rebeca-Almeida-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-4-Rebeca-Almeida-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-4-Rebeca-Almeida-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Foto-4-Rebeca-Almeida-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12835" class="wp-caption-text">Fé como mecanismo perseverança (Foto: Rebeca Almeida)</figcaption></figure>
<p>Comparando as duas apresentações, a melhor execução foi em sua estreia. As pequenas alterações, no que diz respeito a ritmo e iluminação, fizeram com que a segunda apresentação não explorasse totalmente seu potencial, principalmente no efeito visual entre luz e sombra. Como um todo a obra é magnífica: o trabalho dos dançarinos ora demonstrando força e rigidez, ora suavidade nos passos; a trilha sonora como recurso narrativo importante para expandir o enredo; o figurino com poucos elementos fazendo saltar uma identidade compartilhada entre os personagens, além do trabalho de produção que proporcionou a realização deste espetáculo. Sobre a mostra FACE,<a href="https://www.facebook.com/events/457741111478271/?active_tab=about"> toda a programação pode ser acompanhada pela página do evento no Facebook do festival</a>.</p>
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		<title>Experiências com o Butô no Sesc Bauru revelam um mundo rítmico de interpretações múltiplas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Aug 2016 22:38:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Dança]]></category>
		<category><![CDATA[SESC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adriano Arrigo &#8220;Os japoneses são, no mais alto grau, agressivos e amáveis, militaristas e estetas, insolentes e corteses, rígidos e maleáveis, submissos e rancorosos, leais e traiçoeiros, valentes e tímidos, conservadores e abertos aos novos costumes. Preocupam-se muito com o que os outros possam pensar de sua conduta, sendo também acometidos de sentimento de culpa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/experiencias-buto-sesc-bauru-revelam-mundo-ritmico-interpretacoes-multiplas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Experiências com o Butô no Sesc Bauru revelam um mundo rítmico de interpretações múltiplas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<p><i>&#8220;O</i><i>s japoneses são, no mais alto grau, agressivos e amáveis, militaristas e estetas, insolentes e corteses, rígidos e maleáveis, submissos e rancorosos, leais e traiçoeiros, valentes e tímidos, conservadores e abertos aos novos costumes. Preocupam-se muito com o que os outros possam pensar de sua conduta, sendo também acometidos de sentimento de culpa quando os demais nada sabem do seu deslize.&#8221; </i>Ruth Benedict em <i>O Crisântemo e a Espada</i></p>
<p><span id="more-4168"></span>A noite em que o Butô foi apresentado no Sesc Bauru não foi a primeira em que a cultura japonesa foi estranhada aos olhos ocidentais. A vala cultural que existe entre eles e nós está, a todo tempo, tentando ser decodificada na intenção de ser entrelaçada suficientemente bem para poder, enfim, serem conectadas. Porém, nossa cultura ocidental usa de ferramentas que muitas vezes parecem não traduzir os paradoxos que os orientais nos reservam.</p>
<p>A linguagem parece falhar e as perguntas brotam aos montes: afinal, o que é<i> Butô?</i></p>
<p><i>&#8220;Se nem o próprio Kazuo ousou dizer o que é Butô, eu não sei dizer&#8221;</i>, respondeu Key Sawao, dançarina e diretora, presente na noite do Sesc Bauru, no início de agosto de 2016, para o lançamento do livro <i>Kazuo e Yoshito Ohno </i>(Edições Sesc São Paulo, 2015, 284p.), do fotógrafo Emídio Luisi. Kazuo, a qual Key se refere, é Kazuo Ohno, uma das pessoas responsáveis a levar o Butô ao mundo.</p>
<p>Se quisermos tentar encaixá-lo dentro de um panorâmico artístico, Butô é uma expressão corporal difundida por artistas experimentais no pós-guerra japonês (Key ressalta que ele surgiu muitos anos antes dessa época). Em frouxas palavras, podemos tentar dizer que é uma dança, uma vanguarda que incorporou o <i>zeitgeist</i> na pele dos miseráveis artistas de sua época.</p>
<p>Kazuo Ohno, o homenageado da noite, era um desses artistas. Formado em dança contemporânea, seus caminhos foram tomando rumos artisticamente experimentais após conhecer o controverso coreografo Tatsumi Hijikata, ao final dos anos 50. Hijikata e Ohno começaram a formular as necessárias experiências com o Butô. <i>Necessárias,</i> pois o Japão passava por um momento frágil. A brecha que a bomba abriu permitiu que a cultura ocidental se infiltrasse no país colocando em cheque o papel do japonês em seu próprio território.</p>
<figure id="attachment_4205" aria-describedby="caption-attachment-4205" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4205" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/imagem1.jpg" alt="imagem1" width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem1.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/imagem1-196x300.jpg 196w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-4205" class="wp-caption-text">Kazuo Ohno em performance nas ruas de Tóquio, em 1961. Ao fundo da imagem segurando cartazes está seu filho, Yoshito Ohno e o coreógrafo Tatsumi Hijikata (Crédito: Willian Klein)</figcaption></figure>
<p>A professora Christiane Greiner, do Departamento de Linguagens do Corpo  (PUC-SP), explica no posfácio do livro de Emídio esse momento peculiar do Japão: “<em>a luta pela sobrevivência era ainda tão intensa que, de maneira geral, inibia os pensamentos críticos e as reflexõe</em>s”. Assim, era necessário fazer algo pelo Japão, algo que transcendesse a apatia generalizada. Coube a Ohno e Hijikata fazerem suas contribuições artísticas através do Butô como forma de resistência a este estado de exceção em que o país deles vivia.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="細江英公 / 「へそと原爆」 (1960)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/lbhK_De9JBw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i>Em 1959 a performance Kinjiki (Cores proibidas) inaugurou o Butô. Contando com a presença de Ohno e Hijikata, foi recebido pela plateia como ‘perigoso e nada artístico’.</i></p>
<p>Já na noite do Sesc, Key Sawao mostrou em sua dança intitulada “Muda” claras referências ao Butô. Porém, ela não pintou a cara de branco e muito menos estava despida – como geralmente os artistas do Butô fazem – mas há claros temas em sua performance que lembram os temas clássicos do Butô, por exemplo, a falsa dualidade da vida e a morte.</p>
<p>Sob ruídos, Key abriu o círculo de conversa sobre o lançamento do livro de Emídio com uma performance intimista ligada ao movimento do seu próprio corpo. Sozinha e com extrema delicadeza, Key foi lentamente descrevendo uma circunferência próxima aos pouquíssimos participantes da roda. Algumas vezes ela era suave e rodava em seu próprio eixo, erguendo as mãos, abaixando as pernas, olhando para um lado e para outro; cada parte do seu corpo parecia ter uma função misteriosa numa cena hora sinistra, hora sublime.</p>
<figure id="attachment_4200" aria-describedby="caption-attachment-4200" style="width: 1630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4200" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/img2.jpg" alt="img2" width="1630" height="1222" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img2.jpg 1630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img2-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-4200" class="wp-caption-text">Key Sawao em movimento (Foto: Adriano Arrigo)</figcaption></figure>
<p>Dois jovens que saíam das quadras esportivas pararam por um tempo de longe, olharam e foram embora. Nada mudou. Parece que Key não precisava que nós estivéssemos ali em grande quantidade para que seu espetáculo solitário pudesse acontecer. Conta Emídio que, certa vez, Kazuo Ohno iniciou uma performance sozinho e sem plateia enfrente a um <i>Haikai</i> escrito em homenagem a uma companheira do grupo de dança de Takao Kusumo, o ser responsável por introduzir o Butô no Brasil.</p>
<p>Talvez seja coreografado antes, ou talvez não, mas tudo é espontâneo. Key deu aos poucos presentes da noite uma pequena amostra do que é isso, o Butô. Mesmo adaptado ao ocidente, mesmo aqui no Brasil, e aqui em Bauru, &#8220;<i>Butô é isso, mutante&#8221;</i>, disse Key.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Fragmento de &#039;Muda&#039; de Key Sawao no SescBauru (Ago/16)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/mCH6C7ju49Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i>Fragmento de “Muda”, por Key Sawao</i></p>
<p>Tão mutante é que não há um repertório a ser apresentado ao mundo, como explica professora Christiane Greiner em mais um comentário do livro. Portanto, uma afirmação em comum entre Key e a professora da PUC-SP é que Butô é metamorfose. Dessa forma, não é de se estranhar que Kazuo esteja sempre em processo de montagem nas fotos do livro. Assim, Emídio divide seu livro-homenagem em partes que sintetizam a obervação dessa transformação de Ohno ao entrar em palco.</p>
<figure id="attachment_4214" aria-describedby="caption-attachment-4214" style="width: 1630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4214" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/img3.jpg" alt="img3" width="1630" height="1222" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img3.jpg 1630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img3-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-4214" class="wp-caption-text">Kazuo Ohno se preparando para entrar no palco (Crédito: Emídio Luisi)</figcaption></figure>
<p>No livro, os capítulos “Percurso Solitário” e “Presença na Ausência” são dedicados ao filho de Kazuo Ohno, Yoshito Ohno. Ohno filho é hoje o responsável em levar as lições de Butô ao mundo após a morte do seu pai, em 2010. Porém, nas fotos do livro percebe-se que Yoshito Ohno adaptou o Butô ao seu próprio método (a tal da metamorfose), saindo da sombra do seu pai e transformando-o em suas apresentações em um boneco manipulável – literalmente.</p>
<figure id="attachment_4218" aria-describedby="caption-attachment-4218" style="width: 1630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4218" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/img4.jpg" alt="img4" width="1630" height="1222" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img4.jpg 1630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img4-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/img4-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-4218" class="wp-caption-text">Yoshito Ohno e seu boneco, no caso, seu pai (Crédito Emídio Luisi)</figcaption></figure>
<p>Mas há algo notável em Kazuo Ohno que parece se fazer pouco presente em Yoshito Ohno: arepresentação do feminino. Mas por que essa ligação tão forte entre Kazuo e o feminino? “<em>Esse fato tem origem no início da carreira de Kazuo que, mais ou menos com 60 anos, sua maior referência fora a bailarina espanhola Antonia Mercé</em>”, diz Emídio. Complementarmente, Key conta sobre outras performances que ainda estão tão jovens quando Kazuo era quando também começou a sua carreira no Butô. 60 anos. Todos jovens, de acordo com Key.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kazuo Ono, The Dead Sea" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/ZUjhQLB0hXY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i>Fragmento de “Dead Sea”, uma das mais famosas apresentações de Kazuo Ohno</i></p>
<p>Nos momentos finais, Emídio traz detalhes de sua relação com Kazuo Ohno. Emídio, que é formado em Matemática, conta que seu irmão, um artista plástico, ajudou-o na sua inserção ao mundo das Artes. Então, um dia lá estava ele, meio que sem querer – ou por algum motivo que ele prefere não chamar de coincidência – tendo o primeiro contato com Kazuo Ohno. Eles tiveram contato nas 3 vezes em que Kazuo esteve em turnê no Brasil, mas sem trocar uma palavra sequer. Mas “contato” não é bem a palavra que pode descrever precisamente o que eles tiveram, pois, para Emídio, havia uma cumplicidade entre os dois ao ponto de se encontrarem em um determinado lugar sem combinar anteriormente. O autor se emociona ao contar essa história que, para ele, não há nada místico, é somente a vida, “<em>é explicar algo que não dá para explicar</em>”.</p>
<p>Ao final da noite que, cronometradamente, durou menos de 60 minutos, talvez não tenha ficado claro o que é Butô entre outros pormenores dessa arte. Mas mais uma vez, um pedaço da ponte cultural foi construída ao modo oriental – sem necessidade de muitas palavras.</p>
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