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	<title>Arquivos Dan Nigro &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Wishbone confessa muito mais que sentimentos e relata experiências que Conan Gray antes deixou em branco</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 13:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Found Heaven, de 2024, representou uma incursão audaciosa de Conan Gray pelos sintetizadores brilhantes e pela nostalgia new wave. Em contraponto direto do seu último trabalho, Wishbone assume o regresso deliberado e consciente às suas raízes confessionais. Mais do que um mero exercício de estilo, o novo disco é uma escavação emocional profunda &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wishbone-confessa-muito-mais-que-sentimentos-e-relata-experiencias-que-conan-gray-antes-deixou-em-branco/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Wishbone confessa muito mais que sentimentos e relata experiências que Conan Gray antes deixou em branco"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35589" aria-describedby="caption-attachment-35589" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5-800x800.png" alt="Capa do álbum Wishbone, do artista Conan Gray. Pessoa vestida com uniforme de marinheiro branco com detalhes azuis, chapéu com fita vermelha e sapatos pretos aparece saltando contra um fundo de céu nublado. A fita do chapéu se movimenta no ar, reforçando a sensação de dinamismo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-5.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35589" class="wp-caption-text">No quarto álbum de estúdio, Conan Gray apresenta um de seus trabalhos mais introspectivos, honestos e pessoais até hoje (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/39gMxRpFKgIVvw3krIIam5?si=0b9c0edf4ec84d47"><i><span style="font-weight: 400;">Found Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2024, representou uma incursão audaciosa de Conan Gray pelos sintetizadores brilhantes e pela nostalgia </span><i><span style="font-weight: 400;">new wave</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em contraponto direto do seu último trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wishbone </span></i><span style="font-weight: 400;">assume o regresso deliberado e consciente às suas raízes confessionais. Mais do que um mero exercício de estilo, o novo disco é uma escavação emocional profunda na qual Conan troca as luzes de discoteca pela exposição crua. Se o predecessor soava como uma fuga para os anos 80, o quarto álbum de estúdio emerge como um diário íntimo, escrito na solidão dos quartos de hotel durante digressões – a ‘trilha sonora absurdamente nichada’ da sua própria vida, nas </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-album-reviews/conan-gray-wishbone-review-1235409024/"><span style="font-weight: 400;">palavras do artista</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-35586"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cantor oferece ao ouvinte um mergulho profundo e sem disfarces em tudo o que gira em torno do amor. Com uma paciência quase cirúrgica, ele detalha cada etapa de um relacionamento, desde a paixão inicial até os momentos de incerteza sobre um coração em pedaços. Mas, o </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/musica/2022/07/como-conan-gray-passou-dos-videos-no-youtube-a-estrela-pop-em-ascensao.shtml"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se prende apenas a declarações melancólicas; ele vai além, buscando respostas para perguntas ainda não respondidas. Seja sobre aquela paixão que nunca o colocou como prioridade ou sobre aquela pessoa egoísta que abandonou suas angústias, mesmo tendo prometido que elas seriam suas também.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/60mJHAb1XIDyk9bTLnyaQU?si=99b8ede3082640f9"><i><span style="font-weight: 400;">Actor</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inaugura o álbum com uma vulnerabilidade crua, onde os arranjos mínimos de violão gradualmente dão lugar a cordas dramáticas, espelhando a intensidade emocional da narrativa – a qual ressalta a autenticidade própria diante de situações indesejadas, relembrando algumas particularidades de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/kid-krow-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Kid Crow</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4mhLbdLY7KQBhdv6bYbWOD?si=7206f0d7a2424a57"><i><span style="font-weight: 400;">Vodka Cranberry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o ápice máximo do disco e explode em clímax catártico, com a, agora, famosa nota alta que funciona como grito de libertação em trechos como </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se você não quiser terminar as coisas / Eu mesmo irei”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em contraponto disso, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/43awRzMhW0Dfcg6MrBBnw0?si=a21d9497b4524895"><i><span style="font-weight: 400;">This Song</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> captura a doçura ingênua do amor nascente através de melodias que flutuam levemente e revela um lado mais otimista de Conan num futuro próspero.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Conan Gray - This Song (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qgFNCy6u4UQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhando a faixa, destaca-se o seu videoclipe que constitui uma peça cinematográfica autônoma sobre a formação identitária juvenil. Através de uma linguagem visual que remete ao cinema </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-coming-of-age-movie-definition/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com planos sequência elaborados e uma paleta de cores saturadas que evocam nostalgia estetizada, a narrativa visual constrói uma representação sensível do amor </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. A câmera intimista acompanha a jornada estival de </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/celebs/a65873817/conan-gray-corey-fogelmanis-friendship-timeline/"><span style="font-weight: 400;">Wilson e Brando</span></a><span style="font-weight: 400;">, capturando com delicadeza os pequenos gestos e olhares que compõem a cartografia afetiva de dois jovens se descobrindo e se apaixonando.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/03CC7YlDchpAeniRAwB1mF?si=c910fa4558dc4797"><i><span style="font-weight: 400;">Romeo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se destaca pela sua atitude mordaz e guitarras incisivas, oferecendo um contraponto necessário de empoderamento pós-término. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/24rsvp5JlOwPfxfnnfNNTl?si=107f33b6ced34e55"><i><span style="font-weight: 400;">My World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Conan entrega talvez sua letra mais afiada, criticando ironicamente performances de masculinidade tóxica sobre uma base musical aparentemente descontraída, apesar de uma sonoridade enjoativa. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/76IYrfsl3m5tqGMBMnII5n?si=9b21157bc5fa4746"><i><span style="font-weight: 400;">Class Clown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revela camadas de vulnerabilidade escondidas sob uma melodia aparentemente simples, expondo como o trauma infantil molda relações adultas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tríade </span><i><span style="font-weight: 400;">Caramel</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Connell </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sunset Tower</span></i><span style="font-weight: 400;"> forma o núcleo emocional. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7H5jHyfHk4sAYoS8J8f112?si=8c752de039b24a43"><i><span style="font-weight: 400;">Caramel</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> se </span></i><span style="font-weight: 400;">destaca pela produção impecável que constrói gradualmente até um clímax de guitarra distorcida, capturando a paradoxal doçura amarga da nostalgia tóxica. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4hjsXIvXtLE4KCtIEZmuX7?si=2967ed3f0d354269"><i><span style="font-weight: 400;">Connell</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mergulha na autodepreciação mais sombria com uma harmonia enganadoramente suave, enquanto </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/58RHoDGCpfke4frcBzdGIN?si=eacab139a7da422f"><i><span style="font-weight: 400;">Sunset Tower</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> joga com a negação afetiva através de um refrão hipnótico e repetitivo. As faixas finais não decepcionam: </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2CNObFGxQ6pMdYNjuwCp68?si=e64204385df34f2c"><i><span style="font-weight: 400;">Eleven Eleven</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tece superstições e numerologia numa tapeçaria de esperança desesperada, e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5sY6ULoew3Uf6IXTSZE6SN?si=f1bd0eb5d6cb4b5a"><i><span style="font-weight: 400;">Care</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encerra o álbum com majestade contida, sua construção lenta culminando em vocais quase gospel que fornecem o fecho comovente e perfeito para esta jornada.</span></p>
<figure id="attachment_35587" aria-describedby="caption-attachment-35587" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-4-800x800.png" alt="Pessoa sentada em um peitoril de janela grande com vidro fosco. Veste camiseta branca estampada com a palavra “Wishbone” e calça azul larga. O ambiente é iluminado de forma suave, criando um clima intimista e urbano." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-4-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-4-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-4-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-4.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35587" class="wp-caption-text">O álbum foi escrito durante dois anos, sem o conhecimento de ninguém além do próprio Conan Gray (Foto: Dillon Matthew)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob uma abordagem técnica, a produção do álbum é um estudo de minimalismo estratégico. O retorno do produtor executivo </span><a href="https://www.grammy.com/news/conan-gray-wishbone-new-album-inspirations-interview"><span style="font-weight: 400;">Dan Nigro</span></a><span style="font-weight: 400;"> é significativo: as músicas são tecidas com violões acústicos, cordas doloridas e batidas que imitam batimentos cardíacos ansiosos. O projeto explora as diversas formas de encarar um relacionamento, seja com raiva, angústia ou nostalgia, unindo todas essas camadas emocionais à delicadeza poética de um vocal calmo e sutil. A mistura de </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock </span></i><span style="font-weight: 400;">que embala o trabalho se assemelha às perturbações mentais da vida do próprio Conan, que, mais uma vez, se vê tendo que elaborar uma separação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A jornada narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Wishbone</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a sua espinha dorsal. Talvez este seja seu disco mais pessoal, e mesmo carregando o rótulo de artista que sempre relatou sentimentos, desta vez as músicas soam menos como faixas para serem ouvidas e mais como páginas de um diário que guarda segredos sensíveis. Nesse contexto, o trio de videoclipes levanta uma questão crucial: seria toda a produção um ciclo virtuoso sobre o amor ou apenas um compilado de dores não correspondidas e insuperáveis? Conan parece explicar meticulosamente todas as consequências de amar alguém a partir do </span><a href="https://www.psicologosberrini.com.br/blog/o-que-e-desregulacao-emocional/"><span style="font-weight: 400;">descontrole</span></a><span style="font-weight: 400;"> – da euforia inicial aos pensamentos mutáveis que assombram a mente com o rosto de quem já foi familiar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Conan Gray - Caramel (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hYZk9Xz25AQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, a evolução lírica de Conan Gray seja o aspecto mais marcante. Ele evita clichês fáceis, optando por imagens visceralmente específicas. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3KknxobyltvsTh70pfVKUP?si=ec9707ad6aa94b74"><i><span style="font-weight: 400;">Nauseous</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explica isso perfeitamente na constituição do momento mais lírico do álbum, com sua descrição física e intrínseca da ansiedade amorosa que evita estereótipos com maestria – os sons de piano abafados pelo vocal do cantor remetem ao seu trauma de </span><a href="https://www.seventeen.com/celebrity/music/a41054841/conan-gray-kicked-out-of-home/"><span style="font-weight: 400;">abandono</span></a><span style="font-weight: 400;"> à medida que a música se segue.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na composição, ele canta &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">O teu amor é uma ameaça e estou nauseado / Assusta-me até à morte como o quero</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, capturando a dualidade do desejo e do </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/music/a65809597/conan-gray-wishbone-interview/"><span style="font-weight: 400;">medo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa pessoa pode ter seguido em frente, vivido outras coisas longe de sua presença, mas ele ainda permanece preso naqueles dias em que os sonhos ainda não haviam se tornado pesadelos. No entanto, há um risco inerente nesta abordagem: a especificidade excessiva pode, por vezes, limitar a universalidade das emoções.</span></p>
<figure id="attachment_35588" aria-describedby="caption-attachment-35588" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-4-800x531.png" alt="Pessoa de cabelos escuros e cacheados posa encostada a uma porta de madeira. Usa camisa branca com grande laço no pescoço e colete azul escuro texturizado. O olhar é direto para a câmera, transmitindo intensidade." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-4-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-4-768x510.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-4.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35588" class="wp-caption-text">Wishbone estreou no Metacritic com uma pontuação de 82/100, ultrapassando Superache e se tornando seu álbum mais bem avaliado até agora (Foto: Dillon Matthew)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto histórico da carreira de Conan Gray é crucial para entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Wishbone</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após o sucesso estrondoso de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4xqrdfXkTW4T0RauPLv3WA?si=1fac7ce2c8fe4316"><i><span style="font-weight: 400;">Heather</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se tornou um hino da nova geração, o cantor se solidificou como um cronista dos amores não correspondidos. Pelo jeito, ser amigo próximo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KmkoN00Z984&amp;t"><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo</span></a><span style="font-weight: 400;"> não lhe proporciona apenas boas risadas, mas também um conhecimento devastador sobre amores passados – formando uma dupla artisticamente afinada para descrever, com crueza, o que é se sentir insuficiente. Quanto aos boatos de que o álbum seria secretamente dedicado ao ator </span><a href="https://x.com/hitmehardns/status/1956316688363782254"><span style="font-weight: 400;">Kit Connor</span></a><span style="font-weight: 400;">, as coincidências podem até existir, mas a maturidade do cantor parece desmentir essa ligação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível dizer que o disco</span> <span style="font-weight: 400;">é uma experiência </span><a href="https://terapiaitaim.com.br/blog/entendendo-a-catarse-na-psicologia-como-funciona/"><span style="font-weight: 400;">catártica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra transcende a mera especulação biográfica para tocar em uma universalidade mais sombria: a do amor como um ato de fé num mundo secularizado, um risco soberano do coração que, ao se entregar, assina um pacto não escrito com a própria possibilidade da dor. A maturidade de Conan compreende que a verdadeira tragédia do amor não está em para quem se canta, e sim no abismo intransponível entre duas subjetividades. Manter um relacionamento sob tais condições é sempre, em alguma medida, irreal. O que resta, então, é a Arte: monumento solene erguido não sobre os escombros de um </span><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sobre a profunda e humana solidão de quem ousou amar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em síntese, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wishbone </span></i><span style="font-weight: 400;">não é um álbum sobre um coração partido; é sobre a anatomia desse coração – cada veia, cada cicatriz, cada pulsão de memória. Conan Gray se elevou além do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">convencional para criar uma obra que é tanto pessoal quanto universal, um testemunho do poder do </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling </span></i><span style="font-weight: 400;">na música contemporânea. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Found Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um experimento sonoro, o lançamento</span> <span style="font-weight: 400;">é a consolidação de uma voz artística que recusa ser categorizada. Nesta sincronia entre o singular e o plural, entre a vulnerabilidade confessional e a resiliência musical, o artista originário do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pMXKrJbW-v8"><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas entrega seu trabalho mais coerente e profundo, mas estabelece um novo paradigma para a narrativa contemporânea: a que reconhece que a maior revolução possível é, ainda, a coragem de sentir.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wishbone" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1Q0kTJx8DrQd8RJW9L7eIN?si=AUjZ4b_SRFK45WXWNXmU8A&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em The Rise and Fall of a Midwest Princess, Chappell Roan sai do armário rumo ao estrelato</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 16:18:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga “Eu sou a artista favorita do seu artista favorito. Eu sou a garota dos sonhos da sua garota dos sonhos”. Foram com essas palavras que Chappell Roan se apresentou ao mundo, ‘de supetão’ mesmo. E nada mais justo. Hoje, o pop se mostra um gênero extremamente cruel, onde se consolidar nele é como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rise-and-fall-of-a-midwest-princess-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em The Rise and Fall of a Midwest Princess, Chappell Roan sai do armário rumo ao estrelato"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33541" aria-describedby="caption-attachment-33541" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33541" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-800x800.png" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4-1200x1200.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-4.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33541" class="wp-caption-text">O nome artístico da cantora é uma homenagem ao sobrenome de seu avô somado a música favorita dele (Foto: Island Records)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou a artista favorita do seu artista favorito. Eu sou a garota dos sonhos da sua garota dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Foram com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c_6lVaFUbCg&amp;ab_channel=ChappellRoan"><span style="font-weight: 400;">essas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Chappell Roan se apresentou ao mundo, ‘de supetão’ mesmo. E nada mais justo. Hoje, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra um gênero extremamente cruel, onde se consolidar nele é como lutar por sobrevivência na savana africana. E não foi só com sua personalidade, mas também com seu disco de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rise and Fall of a Midwest Princess</span></i><span style="font-weight: 400;">, que a intérprete chegou para impor seu lugar e permanecer no estilo.</span></p>
<p><span id="more-33540"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser uma estrela </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> assumiu por muito tempo uma literalidade cósmica. Assim como um meteoro, alguém simplesmente surgia, podendo seu brilho permanecer pela eternidade, como Madonna, ou simplesmente se apagar, caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kfVsfOSbJY0&amp;ab_channel=rebecca"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Black</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com Roan é diferente. Ela vem da mesma seara que Olivia Rodrigo e </span><a href="https://www.tiktok.com/@bensonboone"><span style="font-weight: 400;">Benson Boone</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tiveram as redes sociais – principalmente o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tik Tok </span></i><span style="font-weight: 400;">– não só para se impulsionarem, como também para documentarem a ascensão, a mesma que a cantora vive atualmente.</span></p>
<figure id="attachment_33542" aria-describedby="caption-attachment-33542" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3-800x533.png" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-3.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33542" class="wp-caption-text">Entre o começo da ideia do álbum e o produto final, se passaram quatro anos com nove músicas lançadas como single (Foto: Mary Marthis)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Rise and Fall of a Midwest Princess</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve para registrar não só o crescimento da Chappell Roan como também o amadurecimento de Kayleigh Rose Amstutz, a pessoa por trás de toda essa maquiagem carregada. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xR55tIcWNVg&amp;ab_channel=ChappellRoan"><span style="font-weight: 400;">Natural de Willard</span></a><span style="font-weight: 400;">, Missouri, o álbum é a definição musical de um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a intérprete transita entre a vontade de conquistar novos horizontes, contrabalanceando com o pertencimento em sua terra natal, pequena demais para ela, mas gigante em significado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliado à saída das amarras do interior, Roan consegue incorporar na temática seu descobrimento </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Deixar o Missouri para trás também significou trazer quem realmente é para o controle de si própria. Se, antes, ela cresceu achando que </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2023/dec/29/chappell-roan-pops-next-big-thing-i-grew-up-thinking-being-gay-was-a-sin"><span style="font-weight: 400;">ser gay era pecado</span></a><span style="font-weight: 400;">, hoje, ela não tem medo de ir pro inferno e faz das boates LGBTQIAPN+ o templo de adoração para seu culto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é muito superlativo no disco, desde a temática lésbica escancarada, passando pelas referências típicas da geração Z até a comédia extremamente ácida, que, aliada aos tópicos anteriores, formam uma farofa </span><i><span style="font-weight: 400;">gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um gosto delicioso, dessa vez, para os ouvidos. O conjunto de exageros se catalisa perfeitamente em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/53IRnAWx13PYmoVYtemUBS?si=b082d0e150e84d60"><i><span style="font-weight: 400;">Femininomenon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, abertura do registro que funciona como um teste para o que vem a seguir. A faixa é um amálgama de referências sonoras, iniciando com uma melodia de cordas e nos levando até uma moto </span><i><span style="font-weight: 400;">a lá </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/el-mal-querer-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rosalía</span></a><span style="font-weight: 400;"> no pré-refrão, que evidenciam a forma como a produção vai trabalhar e brincar com suas referências ao longo dos 49 minutos. Se você sobreviver à efervescência da música, o resto é um deleite.</span></p>
<figure id="attachment_33544" aria-describedby="caption-attachment-33544" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-4.png" alt="" width="750" height="608" /><figcaption id="caption-attachment-33544" class="wp-caption-text">O nome do disco faz referência ao icônico The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de David Bowie (Foto: Ryan Clemens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chappell Roan tem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJZiVlTbN_E&amp;ab_channel=RollingStone"><span style="font-weight: 400;">Dan Nigro</span></a><span style="font-weight: 400;"> como parceiro de produção, o mesmo responsável por catapultar Olivia Rodrigo. Por isso, as duas, além de amigas, se assemelham em obra ao trazer a irreverência e teatralidade para suas músicas, além de fórmulas musicais que se conversam. Porém, enquanto Rodrigo foca na raiva para lidar com suas desilusões e questionamentos, Roan prefere simplesmente vivê-las de todas as formas possíveis, pois é a primeira vez que ela se permite a isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rise and Fall of a Midwest Princess</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe construir um caminho de sensações ao longo do </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos guiando seja por estilo ou por sentimento. Mergulhando fundo no </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco vai da </span><i><span style="font-weight: 400;">house music</span></i><span style="font-weight: 400;"> da cena </span><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos hinos de líderes de torcida para entregar as excelentes </span><a href="https://youtu.be/w4WiXKGCJhg?si=7rqfrlumXKAbX85k&amp;t=1168"><i><span style="font-weight: 400;">Red Wine Supernova</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xaPNR-_Cfn0&amp;ab_channel=ChappellRoanVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">HOT TO GO!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kWLai0XoZmg&amp;ab_channel=ChappellRoanVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Super Graphic Ultra Modern Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não tem medo nenhum da futilidade e são planejadas, justamente, para fomentar a euforia de se descobrir uma nova voz e personalidade como a de Roan.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a artista, debutando nos seus tardios 25 anos, já conhece as montanhas-russas da vida e as transportam para o álbum, intercalando o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> dançante com as baladas ultra melodramáticas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=olxdCY7hHEw&amp;ab_channel=ChappellRoan"><i><span style="font-weight: 400;">Coffee</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AfSjnsYiY_A&amp;ab_channel=ChappellRoan"><i><span style="font-weight: 400;">Casual</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são um primor técnico que constroem uma base melódica para que o poderio vocal da intérprete seja reverberado e sua dor seja sentida, fazendo com que, por mais ousados que sejam seus versos, eles se transformem em uma lamentação.</span></p>
<figure id="attachment_33545" aria-describedby="caption-attachment-33545" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33545" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-4.png" alt="" width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33545" class="wp-caption-text">Junto com a recente Good Luck, Babe!, as faixas Red Wine Supernova e HOT TO GO! estão levando o ‘evangelho’ de Roan cada vez mais longe nos charts (Foto: Ryan Clemens)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerne do disco se encontra na dualidade vivida pela cantora e como ela transporta isso para sua vivência. O registro é sobre conquistar seu espaço, mas realmente não achar que o mereça, já que houve uma vida na qual a artista foi desacreditada sobre quem era e os locais em que pertencia. Tanto que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">inaugural, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GR3Liudev18&amp;ab_channel=ChappellRoanVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Pony Club</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado no longínquo 2020, aborda a mesma temática de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GcXlN7meclE&amp;ab_channel=ChappellRoan"><i><span style="font-weight: 400;">Californa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mudança de estado e de vida. Porém, Roan atribui perspectivas completamente diferentes e quase que antagônicas para cada faixa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rise and Fall of a Midwest Princess</span></i><span style="font-weight: 400;"> cresce é na incerteza, no meio termo entre céu e inferno. É contagiante ao mesmo tempo que depressivo; é </span><a href="https://theconversation.com/theyre-serving-what-how-the-c-word-went-from-camp-to-internet-mainstream-210214#:~:text=Such%20qualities%20are%20epitomised%20in,these%20qualities%20throughout%20the%20competition."><i><span style="font-weight: 400;">cunt</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e também é </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">; cidade grande e interior; são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pTRzTGP6P0Q&amp;t=49s&amp;ab_channel=ChappellRoan"><span style="font-weight: 400;">sonhos que se erguem</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto outros se desmoronam e é o vinho tinto e o café. A única certeza que se tem é que estamos diante de uma nova era para o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, capitaneada por literalmente um ‘femininômeno’ gigante demais para caber em rótulos e que, após ser forçada a se encaixar neles, se rebela para criar seus próprios.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Rise and Fall of a Midwest Princess" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0EiI8ylL0FmWWpgHVTsZjZ?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Spill Your GUTS! Olivia Rodrigo convida você a uma viagem pela juventude contemporânea</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Apr 2024 17:00:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Um artista, ao lançar o seu primeiro álbum de estúdio, possui a difícil tarefa de se superar no trabalho seguinte. Isso porque a mídia, quando encontra alguém novo na indústria, tende a se perguntar ‘será ele(a) one hit wonder?’ ou afirmar ‘o sucesso dele(a) é passageiro’. Nesse sentido, exceções mais recentes – &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guts-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Spill Your GUTS! Olivia Rodrigo convida você a uma viagem pela juventude contemporânea"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32990" aria-describedby="caption-attachment-32990" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.1.jpg" alt="Capa do CD Guts. Fotografia quadrada com o fundo roxo. Na capa, está Olivia Rodrigo, mulher de descendência filipina. Ela está deitada e coloca o dedão na boca, enquanto os outros quatro dedos possuem cada um a letra do seu álbum, formando a palavra Guts. Ela usa um batom vermelho e delineado preto. " width="1000" height="993" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.1-800x794.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.1-768x763.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32990" class="wp-caption-text">Olivia Rodrigo retornou ao mundo da Música com o poderoso GUTS (Foto: Larissa Hofmann)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um artista, ao lançar o seu primeiro álbum de estúdio, possui a difícil tarefa de se superar no trabalho seguinte. Isso porque a mídia, quando encontra alguém novo na indústria, tende a se perguntar ‘será ele(a) </span><a href="https://mondomoda.com.br/2020/03/19/queer-one-hit-wonder/"><i><span style="font-weight: 400;">one hit wonder</span></i></a><span style="font-weight: 400;">?’ ou afirmar ‘o sucesso dele(a) é passageiro’. Nesse sentido, exceções mais recentes – como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/future-nostalgia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Dua Lipa, e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/vicio-inerente-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vício Inerente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Marina Sena –, são bons exemplos de que um cantor pode ampliar a bagagem de mundo do fã que o acompanha. O ano de 2021, por esse lado, foi um divisor de águas para Olivia Rodrigo; ao mesmo tempo em que a colocou no estrelato, também testemunhou o seu íntimo, a levando para outro patamar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando lançou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o seu primeiro ‘filho’, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/high-school-musical-the-musical-the-series-critica/"><span style="font-weight: 400;">ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deu voz às inseguranças que assolam os adolescentes. Coração partido, sentimento de inveja e a desconexão com o mundo que os cerca foram temas abordados no seu lado azedo. Agora, dois anos depois, ela retorna ainda mais autêntica e ‘segura com o seu taco’ com </span><i><span style="font-weight: 400;">GUTS</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entendendo que a sua unicidade é um porto-seguro para que os jovens se sintam à vontade de expressar as emoções mais excêntricas, o período de transição entre o Ensino Médio e a vida adulta consegue ser compreendido de uma forma menos dolorosa através da Arte. </span></p>
<p><span id="more-32985"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interessada em polissemias tanto na composição de suas letras – a exemplo do duplo sentido na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZsJ-BHohXRI"><i><span style="font-weight: 400;">get him back!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, quanto no título do álbum, Rodrigo traz em seu segundo trabalho uma maior maturidade lírica. É verdade que, em um primeiro momento, a semelhança entre os dois discos tenha deixado alguns fãs receosos, já que ambos possuem uma capa de cor roxa com a cantora apresentando o nome do projeto. No entanto, mais que uma extensão de seus devaneios anteriores, </span><i><span style="font-weight: 400;">GUTS</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o amadurecimento e o atestado de que a artista veio para ficar.</span></p>
<figure id="attachment_32991" aria-describedby="caption-attachment-32991" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.2.jpg" alt="Foto da cantora Olivia Rodrigo, mulher de descendência filipina. Ela está segurando um microfone em um ensaio da música All American Bitch. Ela está com as unhas pintadas de preto e com anéis no dedo. Na sua esquerda, ao fundo da imagem, é possível ver uma integrante da sua banda. " width="696" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32991" class="wp-caption-text">A artista tem o seu momento “screaming, crying, throwing up” em All-American Bitch (Foto: Geffen Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa de abertura sintetiza o lugar em que a jovem está: tipicamente perfeita, ela admite ao seu público que também possui raiva e se descontenta com a pressão que o seu pequeno, mas já estrondoso legado, carrega. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5myKp4ZD2KQ"><i><span style="font-weight: 400;">all-american bitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as influências de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> são construídas com o decorrer da canção, dando o tom de como será a viagem pelos 19 anos da artista. Utilizando um trecho da música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qOydK8NP6TM"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty When You Cry</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Lana Del Rey, sua sinceridade nunca foi tão relacionável. Por se encaixar nos padrões de beleza, ela não deve se queixar de suas inseguranças, mas quem disse que Olivia Rodrigo liga para o que você pensa?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como conhecido pelo público, a trajetória da artista foi marcada pelo seu passado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outras cantoras, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/holy-fvck-critica/"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/endless-summer-vacation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Miley Cyrus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> também cresceram sob os holofotes da mídia e tiveram dificuldades ao desvencilhar a imagem de modelo para assumirem suas personalidades reais. Entretanto, o que diferencia a voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cii6ruuycQA"><i><span style="font-weight: 400;">deja vu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de suas veteranas é que o caminho está livre. Por esse lado, ao cantar em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dj9qJsJTsjQ"><i><span style="font-weight: 400;">bad idea right?</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que tropeçou e caiu na cama de seu ex, Olivia Rodrigo se conecta com o seu público justamente por ser uma garota falando – sem qualquer tipo de eufemismo – sobre recaídas amorosas. </span></p>
<figure id="attachment_32988" aria-describedby="caption-attachment-32988" style="width: 1581px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3.png" alt="Foto do ensaio fotográfico da cantora Olivia Rodrigo, mulher de descendência filipina. Ela está em um quarto roxo, apoiada com a cabeça em uma cadeira marrom. Atrás dela, há uma cortina estampada. A parede do quarto é roxa. " width="1581" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3.png 1581w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.3-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32988" class="wp-caption-text">Dividido entre músicas agitadas e as baladas românticas clássicas da cantora, GUTS chega com os dois pés na porta (Foto: Larissa Hofmann)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores comprovações de sua honestidade é a forma como a vida pessoal da compositora se entrelaça à Arte que produz. Para um escritor, experiências de vida possuem um significado a mais: são elas que transformam uma simples curiosidade em belas palavras. Amante do conhecimento, Olivia Rodrigo fez aulas de poesia na faculdade, que deram origem a um poema chamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_IB5EYuz3XM"><i><span style="font-weight: 400;">lacy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo a música mais criativa do segundo álbum, ela se encanta com uma figura feminina na mesma proporção em que à inveja. Assim, é perceptível o desenvolvimento artístico da cantora ao se mostrar capaz de vestir uma capa que não a pertence, apenas para brincar com palavras, como a boa compositora que é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> GUTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, a artista decidiu tirar tudo menos o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Com o uso de guitarras e sonoridades que remetem ao gênero musical, ela conversa sobre ser desajustada socialmente, algo que passa pela cabeça de qualquer pessoa nos anos universitários. Aliás, é válido reconhecer a capacidade de identificação que a cantora traz em seus versos. Por exemplo, na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=obSpLSnJ-wI"><i><span style="font-weight: 400;">ballad of a homeschooled girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Rodrigo subverte a imagem agradável que passa ao afirmar que é uma vergonha social. Quando canta, “</span><i><span style="font-weight: 400;">A festa acabou e eu não sou divertida</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">Toda vez que eu boto o pé pra fora de casa é suicídio social</span></i><span style="font-weight: 400;">”, o primeiro pensamento que vem à mente é: ‘ela é tão eu!</span><i><span style="font-weight: 400;">’.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fã de carteirinha das produções do local em que trabalhou a adolescência inteira, não é coincidência ouvir as canções desse projeto e se lembrar imediatamente de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 2000. No melhor estilo Anna Coleman, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sexta-Feira Muito Louca</span></i><span style="font-weight: 400;">, os instrumentos escolhidos para o segundo capítulo da cantora, – como as baterias na deliciosa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AXi213cWgYM"><i><span style="font-weight: 400;">love is embarrassing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, evidenciam a imagem que ela quer passar: nem muito </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou ‘rockeira’ demais, sem se colocar em gavetas sonoras, experimentando o que a sua paixão pela Música tem a acrescentar em sua Arte.</span></p>
<figure id="attachment_32987" aria-describedby="caption-attachment-32987" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4.png" alt="Foto do ensaio fotográfico da cantora Olivia Rodrigo, mulher de descendência filipina. Ela está em um quarto roxo, em cima de uma cadeira da mesma cor. Ao seu lado esquerdo, possui um cômodo de madeira com um abajur em cima. Ao seu lado direito, há uma cortina branca com estampas coloridas. " width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.4-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32987" class="wp-caption-text">Entre as suas referências para o novo trabalho estão Jack White, Kathleen Hanna e St. Vincent (Foto: Larissa Hofmann)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu álbum de estreia, as baladas românticas chamaram atenção pela intensidade lírica de uma jovem de apenas 17 anos. A partir das composições francas que deram a identidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficou claro que a característica principal da artista era falar sobre o término de uma relação ‘sem papas na língua’. No entanto, quando se trata do lado mais emocionante do </span><i><span style="font-weight: 400;">GUTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, o efeito não é o mesmo: aqui, as canções se tornam repetições de assuntos já abordados. Como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I6OeAufKDBg"><i><span style="font-weight: 400;">logical</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se assemelha a uma continuação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AqRXiQkyxvI"><i><span style="font-weight: 400;">enough for you</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, não há um refrão marcante, ou uma ponte que tenha, ao menos, o impacto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZmDBbnmKpqQ"><i><span style="font-weight: 400;">drivers license</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, a canção, que colocou os olhos do mundo para o que Rodrigo tinha a dizer, segue como um dos pontos altos de sua carreira. Não à toa o maior sucesso do projeto, em números de </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RlPNh_PBZb4"><i><span style="font-weight: 400;">vampire</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o carro-chefe da nova era. Remetendo à sensação que tivemos com a carteira de motorista da cantora, o </span><i><span style="font-weight: 400;">lead-single </span></i><span style="font-weight: 400;">de forma alguma representa a história que ela quer contar, mas é um lugar seguro para aqueles que admiravam os fortes versos proferidos pelo lado mais intimista do seu primogênito.</span></p>
<figure id="attachment_32989" aria-describedby="caption-attachment-32989" style="width: 1738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5.png" alt="Foto do ensaio fotográfico da cantora Olivia Rodrigo, mulher de descendência filipina. Ela está deitada em uma cama com lençol roxo. As paredes do lugar também são roxas. Ela veste uma blusa preta de manga longa com objetos cintilantes e usa uma saia cinza." width="1738" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5.png 1738w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5-800x393.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5-1024x503.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5-768x377.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5-1536x755.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/olivia.rodrigo.5-1200x590.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32989" class="wp-caption-text">Os versos escritos pela artista e seu produtor, Dan Nigro, são potencializados pela sonoridade do rock (Foto: Larissa Hofmann)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao repetir a parceria com </span><a href="https://www.google.com/search?q=interview+dan+nigro+who+is&amp;sca_esv=571963393&amp;biw=1488&amp;bih=708&amp;ei=9GAkZbbhBbjM5OUPj4eQmAU&amp;ved=0ahUKEwi2q5LD5emBAxU4JrkGHY8DBFMQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=interview+dan+nigro+who+is&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiGmludGVydmlldyBkYW4gbmlncm8gd2hvIGlzMgUQIRigATIFECEYoAEyBRAhGKABSPErULYEWKsqcA54AJABAJgB0gGgAYYWqgEGMC4xOS4xuAEDyAEA-AEBwgIEECEYFeIDBBgBIEGIBgE&amp;sclient=gws-wiz-serp#ip=1"><span style="font-weight: 400;">Dan Nigro</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtor e co-compositor dos trabalhos de Olivia Rodrigo, a aclamação é garantida. Na faixa de encerramento do álbum, somos transportados para o maior medo de todos que estão nos anos iniciais da faculdade: a pressão de se tornar um adulto excepcional. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F33uCg-3XiY"><span style="font-weight: 400;">sonho adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">, aquele dito pela primeira vez em </span><i><span style="font-weight: 400;">brutal</span></i><span style="font-weight: 400;">, possui agora uma conclusão. Ela está se encaminhando para crescer, e nós sabemos o quanto isso dói. Não deveria, mas a intérprete se desculpa por não ser o modelo perfeito a ser seguido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse é o ponto que confere particularidade ao seu trabalho: a chance de errar. Fazer tempestade em copo d’água? Sim. Se entregar a um amor que não aproveitará as suas potencialidades? Também. Não pensar antes de se apaixonar por alguém e escrever um álbum inteiro sobre isso? Opa! Tudo isso a coloca ainda mais em um lugar de conforto para quem vive cada uma dessas coisas, porque esse é um dos papéis da Arte, colocar em versos o que </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2023/sep/02/olivia-rodrigo-overnight-pop-superstardom-plagiarism-growing-up-in-public"><span style="font-weight: 400;">sentimos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem medo do julgamento alheio. E a artista parece fazer isso com maestria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À essa altura, questionar o talento de Olivia Rodrigo no quesito composição se tornou incompreensível. Você pode não gostar, pode até espernear, mas é inegável que a conversa em torno do que ela tem a dizer é, no mínimo, curiosa. Isso se dá pela autenticidade de seus sentimentos que, ao serem gritados a plenos pulmões por uma multidão, ganham força para lidar com os anos futuros. Ela não reinventou a roda, pelo contrário, reconhece as suas </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2023/08/24/olivia-rodrigo-influencias-rock-novo-disco/"><span style="font-weight: 400;">influências</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, a partir delas, cria a sua própria visão de mundo. </span></p>
<blockquote><p>&#8220;<i><span style="font-weight: 400;">Eu vou assoprar as velas, feliz aniversário para mim/Tem toda sua vida pela frente, você só tem dezenove anos/Mas temo que eles já tenham todas as melhores partes de mim/</span></i><i><span style="font-weight: 400;">E sinto muito por não conseguir ser seu sonho adolescente para sempre&#8221;</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Típico dessa época da vida, a forma como a ‘MC Detran’ – para os mais próximos –, se expressa é impossível de prever. Se ela olhará para tudo que construiu até </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/olivia-rodrigos-guts-all-12-songs-hot-100-top-40-vampire-1235415037/"><span style="font-weight: 400;">aqui</span></a><span style="font-weight: 400;"> e terá vergonha, não sabemos. No momento, o agradecimento pelo que já foi feito é o que fica, por não ter medo de expor ao mundo os seus pensamentos mais intrusivos acerca das convenções sociais em que nós jovens somos colocados e fazer com que colocar uma lupa no imaginário da juventude seja tão libertador. É por isso que escutamos a sua música. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 39 minutos e exatos 18 segundos, a viagem pelos 19 anos de Olivia Rodrigo foi prazerosa. A história que contou teve início, meio e fim. Ao vomitar toda a sua </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/olivia-rodrigo-guts-vampire-lyrics-meaning-1234819181/"><span style="font-weight: 400;">raiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> – tradução mais literal possível do que significa a expressão </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/olivia-rodrigo-definiu-o-titulo-do-album-guts-antes-de-lancar-sour-disco-de-estreia/"><i><span style="font-weight: 400;">Spill Your Guts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, a cantora pode, finalmente, se desapegar do medo de não ser boa o suficiente. As pessoas ainda querem saber o que ela tem a dizer, e mais: querem cantar ao lado dela sobre as frustrações que a vida adulta e amorosa carregam. A juventude contemporânea está a salvo, porque tem nela um ser humano, com qualidades e defeitos, e não um modelo a ser seguido.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: GUTS" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1xJHno7SmdVtZAtXbdbDZp?si=lANSl4mdTtu25g4rB8HGow&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>SOUR: Olivia Rodrigo se vicia no azedume da desilusão</title>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2021 16:48:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Não há nada mais lucrativo que um coração partido, e Olivia Rodrigo sabe muito bem disso. Ninguém poderia prever o sucesso de drivers license, um desafogo sincero e genuíno sobre seu término. Nos tempos em que sair de casa não é uma opção, a canção virou trilha sonora de qualquer desavença sentimental, propiciando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "SOUR: Olivia Rodrigo se vicia no azedume da desilusão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20888" aria-describedby="caption-attachment-20888" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20888" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2.jpg" alt="Capa do álbum SOUR de Olivia Rodrigo. Mostra a cantora, mulher de pele claro e traços filipinos, de cabelos soltos castanhos escuros, com uma blusa regata rosa e uma saia com listras brancas e verdes. Ela usa vários colares e anéis, tem a língua para fora, na qual estão colados adesivos com o nome do disco, e vários outros adesivos colados por todo o rosto. Ela tem os braços cruzados na frente do corpo e o fundo da imagem é lilás. No canto inferior direito vemos o aviso de conteúdo explícito. " width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/1-2-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20888" class="wp-caption-text">SOUR foi lançado enquanto High School Musical: The Musical: The Series exibe sua segunda temporada e na mesma semana que Olivia cantou no Saturday Night Live: quer estratégia de marketing melhor que essa? (Foto: Geffen Records)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada mais lucrativo que um coração partido, e Olivia Rodrigo sabe muito bem disso. Ninguém poderia prever o </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/03/drivers-license-de-olivia-rodrigo-completa-oito-semanas-no-topo-da-billboard-hot-100/"><span style="font-weight: 400;">sucesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">drivers license</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um desafogo sincero e genuíno sobre seu término. Nos tempos em que sair de casa não é uma opção, a canção virou trilha sonora de qualquer desavença sentimental, propiciando à jovem americana uma porrada de recordes quebrados. Poucos meses depois de contar ao mundo todo o </span><a href="https://portalpopline.com.br/drivers-license-olivia-rodrigo-precisou-de-quatro-tentativas-para-tirar-sua-carteira-de-motorista/"><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de sua carteira de motorista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rodrigo retorna com 11 canções que potencializam o momento mais frágil, difícil e azedo de sua vida.</span></p>
<p><span id="more-20887"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prosa de </span><a href="https://open.spotify.com/album/6s84u2TUpR3wdUv4NgKA2j"><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é simples: por quase trinta e cinco minutos, tomam forma os relatos de uma pessoa viciada em controle mas que perdeu qualquer senso de direção cultivado até então. Sua adolescência foi marcada pela dúvida, ela canta em uma das 3 músicas que formam a </span><a href="https://open.spotify.com/track/2TOzTqQXNmR2zDJXihjZ2e?si=95e3aab5aee4403b"><span style="font-weight: 400;">trinca de ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do trabalho:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu usava maquiagem quando namorávamos/Porque pensava que você iria gostar mais de mim/Se eu parecesse com as outras rainhas de formatura/Que eu sei que você amou antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, se referindo aos </span><a href="https://twitter.com/oliviarodrbr/status/1394702930545098752"><span style="font-weight: 400;">traços de sua descendência filipina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20889" aria-describedby="caption-attachment-20889" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20889" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2-2.jpg" alt="Cena de divulgação do clipe good 4 u. Nela, Olivia Rodrigo usa uniforme de líder de torcida, está no vestiário da escola e tem um enorme troféu ao seu lado. Oliva é uma jovem de pele clara, traços filipinos, cabelo castanho comprido e veste um uniforme azul e branco. " width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20889" class="wp-caption-text">Apesar de ser erroneamente lida como branca, a descendência de Olivia Rodrigo é um <a href="https://medium.com/@ayumingues/quem-s%C3%A3o-os-asi%C3%A1ticos-4c4f54dfe6f">fator marcante</a> em sua carreira: seus 2 papéis na TV foram na pele de personagens filipino-americanos (Foto: Petra Collins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que as emoções da garota tenham se misturado no liquidificador que comanda seu coração, </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;"> prevalece uma narrativa de imparidade. O discurso de comparar Rodrigo ao lirismo de </span><a href="https://twitter.com/oliviarodrbr/status/1375333590439976961"><span style="font-weight: 400;">Taylor Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/05/21/olivia-rodrigo-estreia-com-sour-album-angustiado-irresistivel-e-com-pop-rock-disney-pos-lorde.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></a><span style="font-weight: 400;"> é cansativo, mas é possível idealizar uma linha de semelhança muito covalente: essas são três compositoras que encontram verdade em descobrir ecos de si mesmas nas canções a que dão vida. A abertura com </span><a href="https://open.spotify.com/track/6SRsiMl7w1USE4mFqrOhHC?si=213bab02f1b54266"><i><span style="font-weight: 400;">brutal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem pouco fôlego comparada a entradas mais potentes do disco, mas a batida </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista não só pela finesse da nostalgia, mas também por repetir os jargões que solidificam a tal </span><a href="https://www.consumidormoderno.com.br/2019/10/04/estudo-aponta-que-geracao-z-e-mais-criativa/"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">: ninguém se sente estável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Instabilidade presente no corpo e na alma do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não traça mapas simplórios do luto pela morte de um amor. Olivia Rodrigo usa a produção de </span><a href="https://www.vice.com/en/article/dy8qbv/daniel-nigro-drivers-license-olivia-rodrigo-interview"><span style="font-weight: 400;">Dan Nigro</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelos trabalhos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/kid-krow-critica/"><span style="font-weight: 400;">Conan Gray</span></a><span style="font-weight: 400;">, para eletrocutar o cenário da Música e também o de si mesma. </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela o vício de Olivia em não procurar terreno firme, seja para </span><a href="https://open.spotify.com/track/4ZtFanR9U6ndgddUvNcjcG?si=31b2e7ec1e974c79"><span style="font-weight: 400;">superar a rapidez com que foi esquecida</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou para </span><a href="https://open.spotify.com/track/1zejeOnykpCoyVSit6Bwp3?si=8dcb53ec7a924d45"><span style="font-weight: 400;">endereçar as cartas</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos buracos nas asas de borboletas. As metáforas carregadas perdem o rumo ora ou outra, mas a recriação de invólucros temporais precisos é o que cutuca a simpatia pelo trabalho. É impossível se sentir apático frente aos testemunhos da cantora, estamos torcendo por ela, mesmo que involuntariamente.</span></p>
<figure id="attachment_20890" aria-describedby="caption-attachment-20890" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20890" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/3-2.jpg" alt="Cena do clipe de deja vu. Nela, vemos Olivia Rodrigo e Talia Ryder dentro de um conversível, à luz do dia. No banco do passageiro está Talia Ryder, jovem branca, de cabelos loiros e camiseta branca e detalhes do sutiã preto aparecem abaixo da roupa. No banco do motorista está Olivia Rodrigo, jovem de pele clara, traços filipinos, cabelo castanho comprido preso em um lenço claro. Ela ainda usa óculos escuros, com uma armação retangular. Ambas olham para a câmera, que está localizada um pouco acima do retrovisor do lado do motorista do veículo." width="1080" height="880" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/3-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/3-2-800x652.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/3-2-1024x834.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/3-2-768x626.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20890" class="wp-caption-text">O cinematográfico clipe de deja vu evidenciou o ótimo fator narrativo da escrita e das ideias de Rodrigo, escalando Talia Ryder, estrela de <a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, no papel da ‘outra garota’ (Foto: Allie Avital)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As letras do CD intercalam o macro (soando difusas) e o micro (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9FaCO7pNx08"><i><span style="font-weight: 400;">favorite crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destaque máximo e quando Rodrigo se alça às nuvens). Uma carteira de motorista movimentou o mundo por algumas semanas, logo substituída pela ideia de assistir as </span><a href="https://personaunesp.com.br/glee-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">reprises de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> jealousy, jealousy</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://open.spotify.com/track/0MMyJUC3WNnFS1lit5pTjk?si=82d58cd0a4024b7e"><span style="font-weight: 400;">óbvia ao descrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> um dos Sete Pecados Capitais, ao passo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZQFmRXgeR-s"><i><span style="font-weight: 400;">happier</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">usa do comum para revelar uma faceta muito mais malévola do sentimento, retificando a verdade que sai da garganta da artista, que rasga o véu entre sua geração e qualquer pessoa mais velha que ouça e se relacione com a obra. É a ponte entre dois mundos, conectada pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-like-it-when-you-sleep-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">pé-na-bunda</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo fora e pela dor de cotovelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">gourmetização </span></i><span style="font-weight: 400;">do coração estraçalhado não é uma caça ao tesouro ou um mapa detalhado do coração da garota. </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;"> está mais perto de ser uma lista de equações que procuram o momento exato em que ela deixou a armadura cair. E essa autocobrança persiste:</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AqRXiQkyxvI"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sabia desde o começo que era assim que você iria embora”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o desabafo e a linha mais forte do trabalho, mostrando que muitos dos sentimentos cantados nasceram antes do namoro, mas foram potencializados pelo término. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa toada, Olivia Rodrigo escreve a si mesma como a protagonista da própria história, falando sobre ela, o que sente, fez e o que deixou de fazer. As canções que se focam na </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2021/05/conheca-joshua-bassett-par-romantico-da-cantora-olivia-rodrigo-em-high-school-musical.html#:~:text=Joshua%2C%20de%2020%20anos%2C%20tamb%C3%A9m,que%20sempre%20a%20fez%20duvidar."><span style="font-weight: 400;">figura do ‘ele’</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou, nesse caso, nas diversas variações de </span><i><span style="font-weight: 400;">you</span></i><span style="font-weight: 400;">, são constatações projetadas. Ele a traiu, ele a deixou de lado, mas é o que ela quem pensa e isso já é o bastante. Olivia entende quem a colocou nessa situação (e a resposta está refletida no espelho). Com essa leitura, fica claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um disco sobre os reflexos de alguém na jovem, as marcas e cicatrizes de uma ação recebida, abrindo margem para que, no futuro, conheçamos Olivia Rodrigo para além do coração partido e do </span><a href="https://open.spotify.com/track/5CZ40GBx1sQ9agT82CLQCT?si=f26472a78f8545b3"><span style="font-weight: 400;">fantasma de Joshua Bassett</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20891" aria-describedby="caption-attachment-20891" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20891" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/4-2.jpg" alt="Ensaio do álbum SOUR. Num cenário roxo, Olivia Rodrigo, garota de pele clara e traços filipinos, usa tranças e tem uma expressão azeda no rosto. Ela veste um vestido azul e branco com padrão de estampa quadriculada, e está sentada à uma mesa com bolo e doces. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/4-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/4-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20891" class="wp-caption-text">A bem-sucedida pegada anos 2000 que Olivia imprime nas canções é uma vingança tardia para o mercado que condenava as <a href="https://www.instagram.com/p/CPYg0IgnyCv/?utm_medium=copy_link">‘músicas de menina’</a> que artistas como Miley Cyrus, Selena Gomez, Demi Lovato, Lindsay Lohan, Hilary Duff, Ashley Tisdale e Bridgit Mendler produziam em sua época atuando na Disney (Foto: Geffen Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos curtos quase quarenta minutos, existe até uma aversão da artista em repetir os direcionamentos raivosos. É só reparar na estilização das faixas, que não usam o padrão correto da palavra </span><i><span style="font-weight: 400;">‘you’</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">good 4 u</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=V9GaVBdrZ78"><span style="font-weight: 400;">frenesi da fonética numérica</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto Rodrigo homenageia </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/todas-referencias-de-good-4-u-novo-clipe-de-olivia-rodrigo-garota-infernal-o-teste-decisivo-e-mais-lista/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, bota fogo nas tralhas e ainda chama Joshua de sociopata, sem esconder o prazer de expurgar esse sentimento. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SoIDRC70rdc"><i><span style="font-weight: 400;">MVP</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">enough for you</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, marcando a única vez em que Olivia obedece o dicionário, é a composição mais dolorosa de </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">“Porque tudo que eu queria era ser suficiente, mas eu acho que nada poderá ser suficiente para você”</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira referência ao ‘você’ vem na conclusão, com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZLlsmB1D4Q0"><span style="font-weight: 400;">amistosa e fantasiosa</span></a><i><span style="font-weight: 400;"> hope ur ok</span></i><span style="font-weight: 400;">, que concilia a última das fases do luto. Sem repetir os diversos vocês que compõem </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;">, Olivia Rodrigo quer que foquemos nela. Ela, também, não deixa o processo de encarar o fim de um namoro com base no estudo de passagem do luto acontecer apenas uma vez, com pinceladas em quase todas as canções, e também pela </span><a href="https://portalpopline.com.br/taylor-swift-e-creditada-olivia-rodrigo/"><span style="font-weight: 400;">escolha nada linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou conclusiva da ordem delas. </span></p>
<figure id="attachment_20892" aria-describedby="caption-attachment-20892" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/5-1.jpg" alt="Foto do rosto de Olivia Rodrigo, com as mãos levantadas em sinal de ‘V’ e a língua para fora. Ela é jovem de pele clara, traços filipinos, cabelo castanho comprido e tem uma porção de adesivos coloridos colados nas bochechas, na testa e no nariz. " width="710" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-20892" class="wp-caption-text">SOUR tange temas repetitivos, mas Olivia não tinha escolha, ela precisava cantar sobre toda essa dor e se libertar da amargura (Foto: Geffen Records)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/4wcBRRpIfesgcyUtis7PEg?si=0fda957fe3c84053"><i><span style="font-weight: 400;">1 step forward, 3 steps back</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> grita barganha, e, de quebra, usando a interpolação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U8QV5fa7xa4"><i><span style="font-weight: 400;">New Year’s Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fechamento do arisco </span><i><span style="font-weight: 400;">reputation </span></i><span style="font-weight: 400;">de Taylor Swift (</span><a href="https://www.instagram.com/p/COwFKW4LumT/"><span style="font-weight: 400;">madrinha de Olivia</span></a><span style="font-weight: 400;">), a jovem admite a neurose de viver enclausurada em uma bomba de instabilidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">“E talvez de alguma forma masoquista/Eu meio que acho tudo isso emocionante/Tipo, que amante eu terei hoje?/Você vai me acompanhar até a porta ou vai me mandar para casa chorando?”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela confidencia, acompanhada do piano gélido que mascara a índole do momento.</span><i><span style="font-weight: 400;"> SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;"> não recria os instantes felizes que o casal viveu, deixando a cargo das memórias, por vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y7AJnDRuemA"><span style="font-weight: 400;">metafóricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">drivers license</span></i><span style="font-weight: 400;">), por vezes literais (a adocicada</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=cii6ruuycQA"><i><span style="font-weight: 400;">deja vu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o trabalho de montar o quebra-cabeças do pré, do antes, das promessas e do</span><i><span style="font-weight: 400;"> ‘e se?</span></i><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">‘e se?’</span></i><span style="font-weight: 400;"> morreu. O relacionamento de Olivia Rodrigo morreu. Mas, no doloroso processo de coletar os cacos e se proteger do hostil mundo real, nasceu um disco bem resolvido, maluco, instável e viciado em nos fazer sofrer, independente de não sabermos dirigir, não assistirmos</span><i><span style="font-weight: 400;"> Glee </span></i><span style="font-weight: 400;">ou não vermos nosso namorado de rolo com uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/famosos/sabrina-carpenter-faz-desabafo-sincerao-e-fala-sobre-rumores-de-que-sua-musica-skin-seria-uma-indireta-para-olivia-rodrigo/"><span style="font-weight: 400;">loira um tiquinho mais velha</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a gente. A pisciana de 18 anos teve esse alcance: criando lembranças falsas na cabeça de qualquer ouvinte de </span><i><span style="font-weight: 400;">SOUR</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua dor passou de individual para a </span><a href="http://miojoindie.com.br/critica-olivia-rodrigo-sour/"><span style="font-weight: 400;">experiência mais coletiva possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. O futuro não pode ser pior do que acabou de acontecer, e, agora no banco do motorista, uma curada Olivia Rodrigo pode nos mostrar o que vem depois de </span><a href="https://portalfamosos.com.br/olivia-rodrigo-aposta-grammy-2022/"><span style="font-weight: 400;">provar do azedo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: SOUR" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/6s84u2TUpR3wdUv4NgKA2j"></iframe></p>
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