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	<title>Arquivos Daisy Edgar-Jones &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Daisy Edgar-Jones &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal   Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pessoas-normais-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36627" aria-describedby="caption-attachment-36627" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36627" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5.png 1440w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36627" class="wp-caption-text">A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Marianne Sheridan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fresh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Edgar-Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. </span></p>
<p><span id="more-36624"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens principais, que começam sua </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas como colegas de classe, vivem jornadas completamente diferentes: enquanto ele é popular, possui um grupo de amigos e é o desejo de todas as garotas, ela é considerada arrogante, desprovida de amor e estranha socialmente. Fora dalí, a mãe do rapaz </span><a href="https://www.stylist.co.uk/opinion/normal-people-marianne-connell-relationship-meaning-money-class-divide/391954"><span style="font-weight: 400;">trabalha</span></a><span style="font-weight: 400;"> como empregada doméstica na casa luxuosa da mãe da jovem. Embora na escola não interajam, nos momentos em que precisa buscar a matriarca, o adolescente conhece um pouco do mundo da estudante. Na verdade, a dupla tem muito mais a ver do que suas realidades apresentam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a barreira que eles construíram até aquele ponto de suas trajetórias e o medo de serem moralmente incompreendidos evaporaram a partir do primeiro beijo. É como se, pela primeira vez, os dois pudessem viver confortavelmente nas próprias peles. No entanto, por pertencerem a classes sociais distintas no ambiente escolar, Waldron pede à Sheridan que não conte a ninguém sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que começou com um toque de lábios se transformou em sucessivos encontros casuais, preenchidos pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9DEkcpzKMcA"><span style="font-weight: 400;">ligação</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre almas que precisavam se encontrar. </span></p>
<figure id="attachment_36625" aria-describedby="caption-attachment-36625" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36625" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos utilizando um uniforme cinza com uma gravata marcada por listras azuis e amarelas. Os dois estão em um jardim e olham para à frente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36625" class="wp-caption-text">Pertencentes a classes sociais distintas, o dinheiro é um tema central do envolvimento de Connell e Marianne (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem o carinho de sua família, Marianne apresenta dificuldades de interação social em cada um dos dias do ensino médio. Amabilidade nunca foi um vocabulário ensinado dentro de casa e, por isso, o traquejo social da jovem não é um dos mais impressionantes. Ao mesmo tempo, Connell é o filho perfeito. Bonito, carismático na medida certa e querido por aqueles que o rodeiam, o rapaz encontra na dinâmica com a ‘ficante’ – mesmo que eles não se rotulem – uma maneira de ser o seu verdadeiro eu. A partir das tardes em </span><a href="https://www.edublin.com.br/sligo/"><span style="font-weight: 400;">Sligo</span></a><span style="font-weight: 400;">, cidade da Irlanda onde os personagens vivem e estudam, a garota se sente vista pela primeira vez desde que se entende como um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prestes a se formarem e iniciarem suas vidas na universidade, o baile de formatura é um evento muito importante na história dos protagonistas: ao invés de assumir a amada, o rapaz decide levar Rachel (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/leah-mcnamara-normal-people-b2373656.html"><span style="font-weight: 400;">Leah McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">) para a festividade. Escolhendo, mais uma vez, a sua reputação à dinâmica que tem com a pessoa que o compreende melhor, as amarras sociais se tornam uma barreira à real personalidade do personagem. A partir do quarto episódio da série, dirigida por </span><a href="https://lithub.com/lenny-abrahamson-on-adapting-sally-rooneys-normal-people-for-tv/"><span style="font-weight: 400;">Lenny Abrahamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/beautiful-thing-normal-people-hettie-macdonald-lgbtq-film-a9531541.html"><span style="font-weight: 400;">Hettie Macdonald</span></a><span style="font-weight: 400;">, chegamos à idade adulta. Aqui, as vivências se misturaram, levando um de volta ao outro novamente.</span></p>
<figure id="attachment_36629" aria-describedby="caption-attachment-36629" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36629" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos sentados na calçada. Ela usa um vestido preto e um tênis branco, além de segurar um sorvete na mão esquerda. Ele veste uma blusa e short azuis, além de usar um tênis branco. Os dois se encaram." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36629" class="wp-caption-text">Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones foram indicados ao Bafta (Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão), em 2021; o ator venceu a categoria na qual concorria (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano como calouro é difícil e, de certa forma, dita a maneira como um jovem irá viver a graduação. A excitação de estar em uma cidade nova após ser aprovado no curso e na faculdade dos sonhos é equivalente ao medo de falhar nas interações com outras pessoas, principalmente se é um lugar completamente diferente no qual você viveu grande parte da vida. Agora, Connell não é mais um arrasa-quarteirão. Na verdade, ele é um mero aluno do curso de </span><a href="https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/normal-people-books-reading-list"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre uma classe inteira de sonhos ambiciosos. Aquilo que o tornava especial no ensino médio já não é mais reconhecido no mundo acadêmico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores acertos – tanto o livro quanto a minissérie – é a habilidade de ter dois protagonistas igualmente interessantes, distintos, mas indubitavelmente pertencentes um ao outro. Em compensação, Marianne tem o sonho de uma vida: agora, ela é desejada pelos homens e possui amigas. É popular, relevante na teia social universitária e estuda História e Política na </span><a href="https://www.elitedaily.com/lifestyle/normal-people-filming-locations-dublin-ireland-itinerary"><span style="font-weight: 400;">Trinity College</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Dublin, o mesmo local onde seu ex-amigo também frequenta. O reencontro de ambos traz a sensação agridoce de rever alguém que nos marcou em outra época: reconfortante, mas também doloroso.</span></p>
<figure id="attachment_36628" aria-describedby="caption-attachment-36628" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36628" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher e um homem brancos de cabelos castanhos abraçados. Ela usa uma blusa preta e ele veste um suéter marrom. Os dois estão sérios e acompanhados do sol, que reflete em seus rostos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5.png 1583w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36628" class="wp-caption-text">A <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3WsKQ06VJYFnl5msx295V9">trilha sonora</a> de Pessoas Normais é composta por <a href="https://www.hotpress.com/film-tv/stephen-rennicks-on-composing-the-stunning-score-for-normal-people-22819404">Stephen Rennicks</a> (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Frances Ha (2014)</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme dirigido por Noah Baumbach, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=94rtEPIifpc"><span style="font-weight: 400;">monólogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem-título exemplifica a relação entre os protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">. O sentimento de estar em uma festa e olhar para aquela pessoa amada (que te ama de volta) é o que torna o vínculo entre Sheridan e Waldron tão singular, potente e inquebrável. É como se eles fossem a pessoa um do outro em qualquer contexto em que estivessem. Mesmo que estejam separados ou se relacionando com outras pessoas, os dois </span><b>sempre </b><span style="font-weight: 400;">voltam àquele espaço construído desde o seu primeiro toque. Para quem assiste, a dinâmica entre a dupla é semelhante a uma redoma baseada em apoio mútuo, sinceridade e compreensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.stylist.co.uk/people/normal-people-depression-loneliness-suicide-mental-health-connell-paul-mescal-therapy/390869"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos problemas psicológicos que acometem esses personagens talvez seja o que torna Connell e Marianne tão humanamente relacionáveis. Existem ramificações deles dentro de nós, nas mais variadas fases e áreas das vidas, e é isso que os coloca no imaginário dos jovens que tentam encontrar o seu lugar no mundo. No episódio 9, por exemplo, temos a chance de entender a respeito da dinâmica que a moça tem com sexo. Por não ter sido amada, ela pensa que deve ser punida e maltratada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olhando para si mesma sem um pingo de empatia, a personagem se coloca em papéis de submissão para, de alguma forma, sentir que é alguém. Tudo isso por conta da negligência emocional na qual foi construída durante o período que viveu com a mãe e o irmão. Já no capítulo posterior, o protagonista finalmente vai para a terapia e tenta lidar com a sua persona construída na adolescência e a quebra de expectativa ao chegar à universidade. Em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QNBa3HHjnGA"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> indiscutivelmente dilacerante, Paul Mescal mostra a que </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/paul-mescal-history-of-sound-hamnet-beatles-1235426053/"><span style="font-weight: 400;">veio</span></a><span style="font-weight: 400;"> com uma entrega sufocante. Nesse momento, os demônios do protagonista são escancarados e, novamente, o entendemos.</span></p>
<figure id="attachment_36626" aria-describedby="caption-attachment-36626" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36626" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos deitados em uma cama com cobertores, lençóis e travesseiros brancos. Eles estão de mãos dadas e sérios. Ele está sem blusa e ela está com um sutiã branco." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36626" class="wp-caption-text">Assim como Jesse e Celine da trilogia do <a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/">Antes</a>, Connell e Marianne possuem um espaço emocional e de respeito que existe apenas entre eles (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A culpa e a impotência são duas </span><a href="https://medium.com/@marcustaylor20/why-normal-peoples-connell-is-the-character-we-need-for-male-mental-health-88f07798044c"><span style="font-weight: 400;">dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> que preenchem o peito do rapaz, à medida em que o desejo de ser amada e compreendida, nem que seja pela primeira vez na vida, é o sonho da jovem. Algo que nunca se tornou um tópico entre a dupla é a admiração profissional que ambos têm um pelo outro. Em contextos diferentes, eles revelam àqueles ao redor todo respeito que ditam suas interações. Embora seja uma obra carregada pela paixão incomparável, os dois nunca namoraram, e é isso que confere uma unicidade à construção desses personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se eles irão casar, não saberemos. Eles ficaram juntos? Nem a </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/sally-rooney-autora-de-pessoas-normais-nao-quer-mais-adaptacoes-dos-livros-dela/"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma resposta. A imprecisão do relacionamento de Connell e Marianne é o que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">: saber que os percursos dos protagonistas irão se cruzar em algum ponto de suas respectivas trajetórias é o que torna tudo melhor. Ora estão juntos, ora se afastam. Às vezes por culpa dele; em outras, por ela. Em certas épocas, os </span><i><span style="font-weight: 400;">emails </span></i><span style="font-weight: 400;">são a única fonte de comunicação. Quando estão próximos, ao longo da faculdade, o estudante de Literatura e a aluna de História e Política tentam fazer acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa é a graça. A incerteza. É olhar para aquele alguém, que você sabe que é a sua pessoa e não tê-lo. Na verdade, vocês têm um ao outro. Para sempre, há aquele lugar ocupado por ela. As primeiras experiências que Sheridan e Waldron construíram, os momentos escondidos nas casas de ambos, a admiração do seu pessoal e profissional, tudo culminou para que eles fossem imprescindíveis reciprocamente. “</span><a href="https://www.instagram.com/p/DJKCCuLBXe_/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">Eles são namorados? Pior que isso</span></a><span style="font-weight: 400;">”, expressão da cultura de Internet, é uma maneira de representar a relação dos personagens principais, pois, de fato, não há uma afirmação pautada em certeza para dizer o que eles significam. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu vou</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E eu vou ficar</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E nós vamos ficar bem</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao </span><a href="https://www.vogue.co.uk/news/article/paul-mescal-theory-normal-people"><span style="font-weight: 400;">fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa experiência, o rapaz descobre que foi aceito em um programa de uma universidade em Nova York. Inicialmente, ficará fora de Sligo por um ano. Já Marianne experimenta deliciosamente a sensação de ser amada por aqueles que a conhecem. É como se ela tivesse sido descoberta enquanto uma pessoa e, a partir disso, possuísse toda a força do mundo para se sentir bem na própria pele. Na última cena, há a síntese do bem que os jovens fizeram entre si.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não estaria aqui se não fosse por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Waldron, e a resposta de Sheridan, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você seria uma pessoa completamente diferente, e eu também</span></i><span style="font-weight: 400;">” são momentos que sintetizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">. O entendimento de que alguém pode mudar a sua vida e dar um novo significado a ela é uma das sensações mais dolorosas, gratificantes e indescritíveis que alguém pode ter aos </span><a href="https://thescriptlab.com/weekly-feature/40936-quarter-life-crisis-movies-to-watch-if-youre-lost-in-your-20s/"><span style="font-weight: 400;">20 e poucos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É inconcebível e honestamente inverossímil um mundo, uma configuração, realidade ou universo em que ‘Connells’ e ‘Mariannes’ não sejam a pessoa um do outro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Normal People Trailer (Official) | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/x1JQuWxt3cE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Fresh, Daisy Edgar-Jones vive na carne o que é ser mulher</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Feb 2024 19:23:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amabile Zioli Quem nunca achou que sua vida amorosa não tinha mais salvação? Fresh abraça esse sentimento, junto com a tensão, angústia e aflição comumente provocados pelo suspense e cria uma atmosfera diferente da que estamos acostumados: o terror vem acompanhado de uma comédia leve e usa o romance como seu coadjuvante. Em seu longa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/fresh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Fresh, Daisy Edgar-Jones vive na carne o que é ser mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32432" aria-describedby="caption-attachment-32432" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32432" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1.jpg" alt="Cena do filme Fresh. A foto é um retrato do rosto de Daisy Edgar-Jones sobre um fundo desfocado. A atriz está olhando para a câmera fixamente, com feição de medo, ela é branca, tem cabelo marrom e olhos da mesma cor. A foto vai até seus ombros, escondidos por um casaco laranja." width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32432" class="wp-caption-text">A atriz deve parte de seu reconhecimento à Marianne, personagem que interpretou em 2020, em Normal People (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Amabile Zioli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca achou que sua vida amorosa não tinha mais salvação? </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iUT4YskFTig"><i><span style="font-weight: 400;">Fresh</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abraça esse sentimento, junto com a tensão, angústia e aflição comumente provocados pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7UP2sOs1MXQ"><span style="font-weight: 400;">suspense</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cria uma atmosfera diferente da que estamos acostumados: o terror vem acompanhado de uma comédia leve e usa o romance como seu coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu longa de estreia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9_4LWLizFjs"><span style="font-weight: 400;">Mimi Cave</span></a><span style="font-weight: 400;"> dirige um verdadeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> de horrores. Mantendo a fotografia e edição como cúmplices, a diretora monta um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem ter tanta coisa nova para contar. Já saturados, o roteiro e o encaminhamento sofrem alguns ajustes nas mãos de Cave. Afinal, quem quer ver mais uma história sobre a vítima indefesa nas mãos de um homem perverso? </span></p>
<p><span id="more-32431"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo principal segue Noa (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Edgar-Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma jovem que, em uma busca exaustiva por um relacionamento bem-sucedido, acaba encontrando um possível pretendente no local mais inusitado possível: no hortifruti de um supermercado. A partir desse momento, a trama se desenrola conforme a protagonista descobre, junto com a audiência, os segredos mais bizarros de Steve (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pam-tommy-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sebastian Stan</span></a><span style="font-weight: 400;">), o ‘cara do mercado’.</span></p>
<figure id="attachment_32433" aria-describedby="caption-attachment-32433" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1.png" alt="Cena do filme fresh. A foto retrata a personagem Mollie, interpretada pela atriz Jonica T. Gibbs. A atriz é negra, possui tranças no cabelo e está usando colar e brinco dourados. Ela está sentada e vestindo uma blusa verde com estampa. O fundo da foto é desfocado e parece uma lanchonete, com mesas no fundo.]" width="1600" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-1024x548.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-768x411.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-1536x823.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-1200x643.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32433" class="wp-caption-text">“É o sonho de uma garota hétero se tornando realidade, não é?” (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De primeira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fresh </span></i><span style="font-weight: 400;">parece não inovar, mas, no final, o filme traz uma nova perspectiva sobre a relação entre os gêneros. Estrelado por dois grandes nomes, Edgar-Jones e Stan, a obra tem grande prestígio agregado à impecável escolha de </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/fresh-filme-de-terror-comico-com-sebastian-stan-estreia-no-star/"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">; nisso, Cave não errou. Os protagonistas têm tanta química quanto seus personagens, o que fez toda a diferença no desenvolvimento da trama. Além dos principais, o longa não deixa a desejar na escalação de coadjuvantes. Jonica T. Gibbs e Charlotte Le Bon vivem Mollie e Ann, respectivamente, e não falham ao representar caricaturas complexas e profundas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Fresh </span></i><span style="font-weight: 400;">não teria o mesmo impacto sem os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">de bocas mastigando ou carnes sendo cortadas sob uma iluminação difusa e avermelhada, fruto da fotografia, cúmplice de Cave. Tudo isso dá sentido visual ao que está sendo abordado no longa, e, disso, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/pawel-pogorzelski"><span style="font-weight: 400;">Pawel Pogorzelski</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende muito bem. Com experiência na direção fotográfica de outros suspenses, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o cineasta coloca na tela o sentimento de estranheza e anormalidade ambientados até em um supermercado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/12/01/por-que-o-cinema-e-a-tv-estao-obcecados-com-canibais.htm"><span style="font-weight: 400;">premissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> da produção já é revelada ao telespectador na campanha de divulgação, mas, felizmente, a película não fica dependente disso para fluir. Com o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">já familiar, o roteiro de Lauryn Kahn precisa focar em outros aspectos para prender a atenção do público. É aí que entra Mollie, a quem acompanhamos durante todo o clímax na tentativa de tentar solucionar o desaparecimento de Noa. Em várias partes, temos a impressão de que aquela busca terminará de uma forma diferente e não mais um clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a reviravolta dos bonzinhos e o </span><a href="https://cinestera.com.br/fresh-final-explicado-steve-e-ann-estao-vivos-o-destino-da-noa-e-da-mollie/"><span style="font-weight: 400;">final (meio) feliz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nauseante acontecem e quebramos a cara esperando alguma inovação.</span></p>
<figure id="attachment_32435" aria-describedby="caption-attachment-32435" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4.jpg" alt="Cena do filme Fresh. A foto é da cena em que Steve e Noa se conhecem. Noa está na sessão de hortifruti do mercado, em frente ao refrigerador que conserva brócolis, cenouras, entre outras variedades de legumes e verduras. A personagem está em pé, parada, segurando uma cestinha de supermercado e vestindo um sobretudo marrom claro, calça jeans clara e meias e tênis brancos. Seu cabelo é moreno e está preso em um coque. Atrás, no canto superior esquerdo, há uma placa escrito Fresh Meats, carnes frescas, em português." width="768" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-32435" class="wp-caption-text">Muitas pessoas sequer notaram o Fresh Meats acima de Noa nesse frame, que pode ser considerado um spoiler da reviravolta do filme (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma sorrateira, o filme trata sobre a maneira com que os relacionamentos estão se formando na atualidade. Noa é retratada como alguém que tem problemas para encontrar pessoas e se relacionar, acabando por se render a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-57886015"><span style="font-weight: 400;">aplicativos de namoro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tal particularidade influencia a jovem a se arriscar e dar seu número para alguém que acabou de conhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos que Mimi Cave consegue </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CIqwiPFl2Ag&amp;pp=ygURZWxlbmNvIGZyZXNoIDIwMjI%3D"><span style="font-weight: 400;">diferenciar</span></a><span style="font-weight: 400;">, destaca-se a criação de laços entre o telespectador e os personagens. A capacidade de gerar apego em figuras que nós nunca sequer vimos o rosto é algo assustador e muito bem executado. Nos momentos em que Noa interage com Penny (Andrea Bang), a voz atrás da parede, cultivamos simpatia pela mulher, que só é apresentada oficialmente ao público nas cenas finais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a direção faz um excelente trabalho na ambientação da película. Nos primeiros trinta minutos, o cenário elaborado é típico de romance e a iluminação e </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLGYDo7xqhg_FjkdzMjtslHXdV-eQIVBr1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> pensada por Alex Somers, principalmente, evidenciam muito isso. Após a introdução do título, da água para o vinho, a obra se torna um suspense, carregado de tensão com entrecortes de comédia.</span></p>
<figure id="attachment_32434" aria-describedby="caption-attachment-32434" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3.jpg" alt="Cena do filme Fresh. A cena retrata um encontro entre Steve e Noa, onde os dois estão sentados em uma mesa de restaurante, um ao lado do outro, se olhando, sob luz baixa. A cena é composta pela mesa, no canto inferior direito, em cima da mesa tem dois copos, uma tigela com cerejas e uma vela. Na área central da foto, estão os dois protagonistas, em frente a uma parede de vidro. No teto, há um lustre, que proporciona visibilidade em meio à penumbra" width="1600" height="865" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32434" class="wp-caption-text">“Você é todo ‘coquetéis sofisticados’ e eu sou toda ‘panquecas para a viagem’” (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fresh</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega o que promete: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-fresh-2022/"><span style="font-weight: 400;">não muita coisa</span></a><span style="font-weight: 400;">. É um produto que diverte nas cenas cômicas, como quando o protagonista fatia a carne de um ser humano como se fosse apenas um açougueiro em horário de trabalho, ou nos momentos em que Steve prepara refeições como um </span><i><span style="font-weight: 400;">chef</span></i><span style="font-weight: 400;"> gastronômico e, junto com Noa, fazem uma degustação acompanhada de vinho e luz de velas. E não passa disso: um longa que entretém, mas que, depois de um tempo, você sequer vai lembrar das suas particularidades. </span></p>
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		<title>Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2022 19:18:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Shakespeare, em 1600, já dizia que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e a frase ainda se faz presente, considerando os questionamentos do ser e do meio em que ele vive. É levando em conta uma dessas questões que Em Nome do Céu, nova &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nome do Céu mostra que de más intenções o paraíso está cheio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28449" aria-describedby="caption-attachment-28449" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28449 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela vemos duas mesas postas em um quintal aberto. Há dez pessoas alinhadas em um dos lados dessas mesas, porém o foco da imagem está somente na personagem de Daisy Edgar-Jones. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos claros. Daisy aparece somente da cintura para cima e usa uma camisa verde. Ela e os outros estão com a cabeça baixa e as mãos postas, em sinal de oração." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28449" class="wp-caption-text">Under the Banner of Heaven é um prato cheio para os entusiastas do gênero investigativo (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Shakespeare, em 1600, já dizia que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e a frase ainda se faz presente, considerando os questionamentos do ser e do meio em que ele vive. É levando em conta uma dessas questões que </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Nome do Céu</span></i><span style="font-weight: 400;">, nova aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> no gênero </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escondida no catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i><span style="font-weight: 400;">, se desenvolve.</span></p>
<p><span id="more-28448"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada no </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> homônimo de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535904260/pela-bandeira-do-paraiso"><span style="font-weight: 400;">Jon Krakauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, e desenvolvida para a televisão por Dustin Lance Black, vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original com </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/critica-milk-a-voz-da-igualdade"><i><span style="font-weight: 400;">Milk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a minissérie conta a brutal história real ocorrida em uma comunidade mórmon de Utah em 1984, em que uma mulher e sua filha foram assassinadas dentro de casa. O crime teve como motivação a doutrina e as vertentes fundamentalistas de alguns membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais especificamente o conceito de “</span><a href="https://vozesmormons.org/2014/05/30/brigham-young-sobre-a-doutrina-de-expiacao-por-sangue-poligamia/"><span style="font-weight: 400;">expiação de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">”. Em linhas gerais, a atrocidade foi, a princípio, tratada como algo “cometida em nome de Deus”.</span></p>
<figure id="attachment_28451" aria-describedby="caption-attachment-28451" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28451 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela vemos o personagem Jeb Pyre, interpretado por Andrew Garfield. Garfield é um homem branco, adulto, de cabelos pretos. Ele veste uma camisa social branca, uma calça social azul clara com um cinto preto e um colete à prova de balas azul escuro. Ele está em um campo aberto com algumas árvores e uma casa de madeira ao fundo. Garfield está com as mãos para cima como se estivesse se rendendo." width="1024" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-2-768x488.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28451" class="wp-caption-text">Garfield foi o responsável por garantir a presença da série no Emmy 2022 (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Black, que foi </span><a href="https://www.thetimes.co.uk/article/dustin-lance-black-new-show-under-the-banner-of-heaven-28rqflhj7"><span style="font-weight: 400;">criado como mórmon</span></a><span style="font-weight: 400;">, lança um holofote sobre a característica e propositalmente desconhecida religião. Divida em três linhas do tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">(nome original da minissérie), mais do que a investigação criminal convencional do gênero, foca seus mistérios nos dogmas e crenças da doutrina, com o intuito de destrinchá-los. Para estimular esses questionamentos, a obra usa Jeb Pyre, personagem de Andrew Garfield (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Espetacular Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), criado exclusivamente para a adaptação audiovisual e que dá vida a um detetive mórmon em um conflito de ideais mediante o caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira linha do tempo &#8211; de longe, a mais interessante &#8211; é a que foca justamente no núcleo de Pyre em busca da solução do crime. Aqui fica nítido como o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">bebe das melhores fontes da vertente investigativa, como </span><i><span style="font-weight: 400;">True Detective </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o clima soturno da trama até a maneira com que a narrativa se desenvolve, há muita consciência em replicar esses aspectos e adaptá-los ao seu universo. É possível imprimir isso em tela graças a atuação de seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garfield, que se prova um dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=icozbdXIywY"><span style="font-weight: 400;">atores mais promissores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua geração, consegue transmitir toda a carga que está sendo depositada em seu personagem de forma muito sutil e serena, carregando a série nas costas. Tanto que sua indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 em Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme, a única da obra, mesmo que sem tantas chances, é mais do que justa. Parte do elenco ainda conta com Gil Birmingham (</span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2021/03/yellowstone-uma-serie-imperdivel.html"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowstone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que interpreta Bill Taba, detetive que divide as investigações com Garfield. Em uma atuação concisa, Taba está aqui para representar o ceticismo do espectador e funciona como um contraponto aos mórmons. É através dele que as perguntas da audiência são transmitidas para o enredo.</span></p>
<figure id="attachment_28452" aria-describedby="caption-attachment-28452" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28452 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3.jpg" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, a personagem de Daisy Edgar-Jones está em uma igreja. Ela veste roupas características de um evento da religião. Ele veste uma roupa com aspectos antigos, e um véu, todos na cor branca." width="2500" height="1667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28452" class="wp-caption-text">O texto, seguindo uma moda da indústria, usa da religião para causar desconforto (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda linha do tempo foca na </span><a href="https://pt.fafaq.eu/a-historia-verdadeira-perturbadora-por-tras-do-assassinato-de-brenda-lafferty/"><span style="font-weight: 400;">história dos Lafferty</span></a><span style="font-weight: 400;">, família envolvida no assassinato de Brenda Wright Lafferty, cerne da trama. É através desse núcleo que a crítica e os estudos acerca da religião se desenvolvem. Fica muito claro o tato que Dustin Lance tem ao tratar do tema, explorando as hipocrisias que as crenças, em seu fundamentalismo, carregam. Para isso, o texto constrói um suspense latente, fazendo com que essa família e suas concepções ortodoxas se aproximem aquilo que Jordan Peele realizou com a família Armitage em </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratar de religião, em suas mais variadas abordagens, tem sido uma pauta recorrente no audiovisual, a exemplo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mal</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/missa-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Missa da Meia Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a fórmula dessas produções, </span><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abordar o tema não o ridicularizando, mas sim tocando na ferida e nos pontos que devem ser tocados, algo que provocou certa repulsa por parte da comunidade mórmon. Contudo, a série opta por não usar metáforas monstruosas para dar lugar às monstruosidades do ser humano, guiado pela cegueira ideológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um núcleo bem desenvolvido, e acompanhar sua evolução na trama é agonizante. Isso se dá em grande parte pela construção do elenco em seus personagens. Daisy Edgar-Jones (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fresh</span></i><span style="font-weight: 400;">), intérprete de Brenda, é quem, ao lado de Garfield, traz os holofotes para si e consegue fazer com que o progressismo de sua personagem destoe em meio ao conservadorismo dos Lafferty. Sam Worthington (</span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar</span></i><span style="font-weight: 400;">), Wyatt Russell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Billy Howle (</span><a href="https://personaunesp.com.br/dunkirk-critica-nolan/"><i><span style="font-weight: 400;">Dunkirk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e mais um dos irmãos Culkin, Rory (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais</span></i><span style="font-weight: 400;">), conseguem construir personas distintas para cada irmão da família Lafferty, mas todos de forma assustadora e com sua dose de obscurantismo.</span></p>
<figure id="attachment_28453" aria-describedby="caption-attachment-28453" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28453 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4.png" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, vemos o personagem de Andrew Garfield. Ele está vestindo um terno preto e uma camisa social branca e um relógio na mão esquerda. Ele segura um revólver e grita, aparentemente dando ordem para alguém. O cenário é noturno e ao fundo há casas típicas de subúrbio americano." width="2500" height="1351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4.png 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1024x553.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1536x830.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-2048x1107.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-4-1200x648.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28453" class="wp-caption-text">A ambientação é um dos maiores trunfos da produção (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última linha do tempo é a que mais peca na produção. Contando a história de Joseph Smith na </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/mormons-quem-sao/"><span style="font-weight: 400;">fundação</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mesmo que tendo um enorme impacto na trama, parece um episódio genérico de documentário do </span><i><span style="font-weight: 400;">History Channel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por ser um núcleo majoritariamente expositivo, é através dele que fica claro as barrigadas de seu roteiro. Com sete episódios que beiram uma hora de duração, é bem perceptível as partes nas quais o texto se alonga mais do que devia, e grande parcela disso está no terceiro e último trecho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da trama, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue trabalhar muito bem com a subjetividade, como, por exemplo, transmitindo a agonia de um assassinato brutal sem ao menos mostrar violência explícita. Portanto, essa linha do tempo, por ser tão explicativa, fica descolada de todo o resto da história, quando seus conceitos poderiam facilmente ser incluídos no segundo núcleo. Além disso,  na tentativa de remontar o século XIX, seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção é muito piegas, fazendo com que, mesmo que sua intenção seja totalmente o oposto, pareça uma produção promocional dessa religião.</span></p>
<figure id="attachment_28454" aria-describedby="caption-attachment-28454" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28454 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5.png" alt="Cena da minissérie Under the Banner of Heaven. Nela, temos o personagem de Andrew Garfield. Ele veste um terno cinza, uma camisa social branca e uma gravata azul com bolinhas cinzas. A frente dele tem dois microfones, o esquerdo com um número 8 num fundo redondo vermelho, e o direito com o número 51 em cores douradas em um fundo azul oval." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Under-The-Banner-of-Heaven-Imagem-5-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28454" class="wp-caption-text">Até onde você confrontaria suas noções de verdade? (Foto: FX)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Under the Banner of Heaven </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue ser instigante, emocionante e inventiva naquilo que se propõe. Seu estilo de narrativa e sua direção, apesar de se prolongarem em certas partes, prendem o espectador em uma história que, mesmo baseada em fatos, a princípio é absurda, e conduz uma viagem que começa no mistério e termina no porquê. A obra, capitaneada pela direção, de David Mackenzie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQoqsKoJVDw&amp;ab_channel=CBSFilms"><i><span style="font-weight: 400;">Hell or High Water</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Courtney Hunt (</span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen River</span></i><span style="font-weight: 400;">), é um ótimo exercício de imersão e de desenvolvimento da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro das fórmulas de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seriado joga os holofotes na linha tênue entre o literalismo das escrituras e as (des)ilusões de figuras messiânicas. Mesmo abordando a religião, a série não cai no senso comum de apenas estigmatizá-la, mas sim de derrubar suas máscaras e escancarar a opressão e a ameaça que o fundamentalismo teocrático pode causar. Por isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IDRqWtwbiSM&amp;ab_channel=FXNetworks"><i><span style="font-weight: 400;">Under The Banner of Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato cru de uma era de extremismos &#8211; não só religiosos &#8211; que ainda persiste.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Em Nome do Céu | Trailer Oficial | Disney+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/I4COOHKkrwc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 16:02:33 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26359" aria-describedby="caption-attachment-26359" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg" alt="Arte com fundo roxo. No canto superior esquerdo, vemos o olho do Persona com a íris da mesma cor do fundo. Ao centro, vemos a capa do livro Pessoas normais, e uma borda laranja do lado direito da capa, formando uma sombra. No canto inferior direito vemos escrito Clube do Livro Persona" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26359" class="wp-caption-text">O Clube do Livro do Persona começou 2022 acompanhado por Pessoas normais, romance escrito por Sally Rooney e traduzido por Débora Landsberg (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Orbitando em mundos diferentes, os estudantes do Ensino Médio acabam se esbarrando quando ele busca a mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota. As rápidas trocas de olhares acabam se transformando em pequenas conversas sobre os livros e os gostos pessoais um do outro. O problema é que, em público, Connell invisibiliza Marianne, por vergonha, por culpa, por egoísmo. Mas está tudo bem, afinal, eles não passam de </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26305"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora Sally Rooney nunca coloca em palavras a relativização dos comportamentos de seus protagonistas imaturos, mas a sucessão de ações e reações que compõem as mais de duzentas páginas do livro não suavizam o absurdo desses </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros e desencontros</span></a><span style="font-weight: 400;">, perdidos em algum lugar na tradução de um sentimento para o seguinte. Muito além de uma crônica romântica que perpassa as ondas do tempo, o romance recusa-se a ajoelhar perante ao destino. Essa dupla opera às custas de suas próprias regras e mecanismos. </span></p>
<figure id="attachment_26306" aria-describedby="caption-attachment-26306" style="width: 1654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26306 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg" alt="Arte com fundo verde e um desenho ao centro azul e branco. O desenho mostra duas pessoas deitadas se abraçando dentro de uma lata de sardinhas aberta, com a tampa para cima e o lacre também." width="1654" height="926" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg 1654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1536x860.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26306" class="wp-caption-text">“A maioria das pessoas viveriam suas vidas inteiras, Marianne pensou, sem nunca se sentirem tão próximas de alguém” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativamente falando, a escrita mantém essa máxima, viajando pelos dias, semanas e meses de uma relação distante pelo calendário mas próxima pelo contato corpóreo e sentimental. Quando descreve uma simples troca entre Connell e Marianne, Rooney imprime tanta vulnerabilidade quanto precisão, afinal, que tipo de pessoa nunca </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">se apaixonou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na adolescência? Ou mesmo teve seu coração partido à beira da vida adulta?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando a favor das </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=0fab5415ecfc47cf"><span style="font-weight: 400;">memórias de seu público alvo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> prefere explorar as diferentes óticas de uma relação, pulando entre os pontos de vista de Connell e Marianne, e oferecendo a quem lê evidências o bastante para que não nasçam vilões ou mocinhas. A segurança de contar uma história “normal” pode ser o principal atrativo da obra, apenas o segundo romance escrito pela irlandesa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ele gargalhou de verdade. Marianne, ele disse, não sou religioso, mas às vezes acho que Deus fez você para mim”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro trabalho na Literatura nasceu alguns anos antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">, na forma de </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Naquela história, conhecemos Frances e Bobbi, duas amigas que já tiveram um relacionamento no passado, mas, agora, na flor da juventude universitária, conhecem um casal mais velho e acabam atraídas, de maneiras diferentes, por cada um de seus componentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito em primeira pessoa, o livro aponta uma certa jovialidade e quentura das emoções da escritora, que se apoia na negação do prazer até, no momento derradeiro, abraçar a inevitabilidade do perigo. Em contraponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece insistir ao máximo e, então, selar a porta do “talvez”. O que não é surpresa para os que acompanham a carreira de Sally Rooney, autora </span><a href="https://radiopeaobrasil.com.br/colunistas/em-busca-do-romance-marxista/"><span style="font-weight: 400;">declaradamente marxista</span></a><span style="font-weight: 400;">, que brilhou como presidente do clube de debates da faculdade Trinity e tem </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações fortes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Literatura de James Joyce e J.D. Salinger.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sally Rooney escreveu </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destaque do ano de 2021, inserido em um contexto um tanto mais amadurecido que o comum para a irlandesa, narrando a casualidade da vida de duas amigas. Entre encontros românticos falidos, beijos em sapos e trocas de longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, o leitor é fisgado, mais uma vez, pelo ordinário dos acontecimentos. Nada acontece, mas tudo acontece.</span></p>
<figure id="attachment_26307" aria-describedby="caption-attachment-26307" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26307 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney, uma mulher adulta, branca e de cabelos castanhos na altura do queixo, segurando seu livro Pessoas normais. A edição é em inglês, conta com o título Normal People, e tem a capa verde com detalhes em branco e azul." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26307" class="wp-caption-text">“Não sei o que há de errado comigo, diz Marianne. Não sei por que não consigo ser que nem as pessoas normais” (Foto: Sally Rooney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhos e suscetíveis a erros, os protagonistas de Rooney desempenham papéis de culpa e redenção com primazia. De volta à normalidade das pessoas, quando o assunto é Connell, a autora dedica boa parte de sua escrita, fina e transparente, à estudar os sentimentos do atleta. Alguém autossuficiente até a vida adulta, quando percebeu o baque que as responsabilidades, a falta de dinheiro e a ausência do afeto de Marianne, poderiam causar a sua mente e alma, blindadas, se afogou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O respirador que traz Connell de volta ao mundo dos vivos é nada menos do que a rede de proteção que antes o havia colocado no topo do Céu. Marianne, além de ser a figura mais importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, é também um </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">farol de expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todos ao seu redor. Para a mãe ausente, Marianne representa uma falha em expansão. Para o irmão abusivo, ela é um saco de pancadas e um obstáculo a ser ultrapassado. Para os namorados estúpidos, ela não passa de um recipiente de emoções, de desejos, de êxtase. Mas, para Connell, Sally Rooney nunca nos revela seu significado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Como era estranho se sentir tão completamente sob o controle de outra pessoa mas, ao mesmo tempo, como era normal”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem suspeitas, é claro, mas o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OuFnpmGwg5k"><span style="font-weight: 400;">cordão invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os liga existe e apenas existe. Sem explicações, sem concessões, eles têm os corações fincados um no outro, o sangue se mistura, as lágrimas são as mesmas, o suor também. Seus olhos se encontram sem dificuldades, suas respirações se equiparam sem adversidades. Seus corpos se encaixam como se Deus os tivesse moldado dessa maneira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles são pessoas normais pois amam, erram, falham, gritam, </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">se arrependem</span></a><span style="font-weight: 400;">. São indivíduos que chegaram ao mundo sem manual de instruções ou bússola mágica. É no tranco e na hora do vamos ver que aprendem o andar da carruagem e a altura que a água bate na bunda. Connell e Marianne se apaixonam pois essa era a única maneira de existirem em harmonia. Rooney, astuta como é, compreende que não existe algo mais relacionável.</span></p>
<figure id="attachment_26308" aria-describedby="caption-attachment-26308" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26308 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg" alt="Montagem do livro Normal People do lado esquerdo e da série de TV do lado direito. No limite entre as duas imagens, vemos uma figura que simboliza papel rasgado." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26308" class="wp-caption-text">“Marianne já não é mais vista com admiração ou desdém. As pessoas se esqueceram dela. Agora é uma pessoa normal” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sincero, o romance claramente expõe sem mazelas o efeito dos ruídos e dos cortes enferrujados que Marianne e Connell empunham em batalhas frias, que dilaceram mais do que a carne. Quem lê, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0WDZdT04ls4"><span style="font-weight: 400;">sente por eles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem lê, vive o que eles vivem na mesma comoção e entrega. Os olhos da autora irlandesa focam no bastante para que a experiência seja revitalizante, amedrontadora e, no fim das contas, irresistível. Ao concluir sua crônica, percorrendo a linha fina entre o tempo e o destino, Sally Rooney torna tentador o ato de ser vulnerável. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ela fecha os olhos. É provável que ele não volte, ela pondera. Ou volte, mas diferente. O que têm agora eles nunca mais poderão ter. Mas para ela a dor da solidão não vai ser nada se comparada à dor que costumava sentir, de não valer nada. Ele lhe trouxe a bondade como uma dádiva, e agora isso é parte dela. Enquanto isso, a vida se abre à frente dele em outras direções ao mesmo tempo. Fizeram muito bem um ao outro. De verdade, ela pensa, de verdade. As pessoas podem mudar as outras de verdade”.</span></p></blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/">Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Normal People retrata o amor através da distância e do tempo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 19:01:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Algumas histórias apelam para fantasias impossíveis, enquanto outras buscam as emoções presentes na normalidade. Normal People, minissérie do streaming Hulu em parceria com o canal britânico BBC, encanta justamente por falar de um romance digno de pessoas reais. Indicada ao Emmy desse ano, a história é uma adaptação do best-seller da autora irlandesa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Normal People retrata o amor através da distância e do tempo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14964" aria-describedby="caption-attachment-14964" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2.jpg" alt="" width="1170" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-768x425.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14964" class="wp-caption-text">Com personagens muito fáceis de se identificar, a obra explora as incertezas do mundo jovem-adulto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>Algumas histórias apelam para fantasias impossíveis, enquanto outras buscam as emoções presentes na normalidade. <i>Normal People</i>, minissérie do<i> streaming Hulu </i>em parceria com o canal britânico<i> BBC</i>, encanta justamente por falar de um romance digno de pessoas reais. Indicada ao <i>Emmy</i> desse ano, a história é uma adaptação do <i>best-seller</i> da autora irlandesa Sally Rooney. O livro é mencionado como fenômeno literário da década pelo jornal <a href="https://www.theguardian.com/books/2018/sep/01/normal-people-sally-rooney-review"><i>The Guardian</i></a>, e a adaptação para a TV não fica atrás no quesito qualidade.</p>
<p><span id="more-14962"></span></p>
<p>Ambientada numa pequena cidade irlandesa, a trama segue os jovens Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connell (Paul Mescal) durante seus últimos meses do colegial. Contudo, apesar de colegas de classe, os dois têm vidas completamente diferentes. Marianne, rica e dona de um humor ácido, vive reclusa de todos. E Connell apesar de tímido, habita um círculo social popular e fútil.</p>
<p>Embora tenham classes sociais e personalidades opostas, surge entre os dois uma forte ligação que ressoa através de anos. Com algumas passagens de tempo, a história segue até a faculdade. Nesse ambiente existe uma inversão de papéis, Marianne parece desabrochar no ambiente universitário, e Connel agora sente as inseguranças que antes desconhecia. Com essa proposta, a trama explora não só essa intensa relação de idas e vindas, mas também suas mudanças individuais no começo da vida adulta.</p>
<figure id="attachment_14965" aria-describedby="caption-attachment-14965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14965" class="wp-caption-text">A dualidade dos protagonistas é acompanhada por uma fotografia agradável e uma trilha sonora viciante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com intimidade e silêncio, a série investe nas palavras não ditas. Escrito por Alice Birch (<i>Lady Macbeth</i>), Mark O’Rowe e também pela própria Sally Rooney, o roteiro conquista pela profundidade em diálogos habituais. E a sincronia de Jones e Mescal é essencial, com um trabalho impecável eles conseguem trazer as incertezas e os sentimentos reprimidos em cada gesto.</p>
<p>Sendo a direção da temporada dividida entre Lenny Abrahamson (<i>O Quarto de Jack</i>) e Hettie Macdonald, <i>Normal People</i> demora para engajar quem assiste. Contudo, a sutileza da produção fica clara, a <a href="https://www.nme.com/blogs/tv-blogs/normal-people-soundtrack-music-sally-rooney-2655491">trilha sonora</a> melancólica e fotografia limpa harmonizam com o <a href="https://www.vulture.com/2020/05/normal-people-soundtrack-13-key-songs.html">delicado</a> romance adolescente. Ao conduzir dois jovens da <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/05/economia/1491401697_499027.html">geração <i>millennial</i></a>, o enredo constrói dois personagens reais que não se comunicam direito, que erram e acertam ao longo dos 12 episódios. Além do romance desalinhado, a vulnerabilidade do par fica nítida em outros temas abordados, como abuso familiar, agressão doméstica, suicídio e depressão.</p>
<p>Sligo, a pequena cidade no norte da Irlanda onde a trama escolar se passa, possui uma paisagem litorânea que contribui para a bela <a href="https://theculturetrip.com/europe/ireland/articles/the-beautiful-locations-from-bbcs-normal-people/">fotografia</a>. Os outros locais onde as <a href="https://www.tatler.com/gallery/bbc-normal-people-filming-locations-ireland-italy-sweden">filmagens</a> foram realizadas são Dublin, Sant’Oreste (Itália) e Luleå (Suécia), que acabam compondo o cenário pacífico e se relacionam com emocional dos personagens no momento em que se encontram. O declínio emocional de Marianne é acentuado pelo inverno branco e solitário da Suécia. E o ambiente rústico da pequena vila italiana acompanha os momentos românticos do par durante o verão.</p>
<figure id="attachment_14966" aria-describedby="caption-attachment-14966" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people.jpg" alt="" width="1000" height="547" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people-300x164.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people-768x420.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14966" class="wp-caption-text">Além de co-roteirista, a autora também frequentou a Trinity, universidade em que os protagonistas se reencontram (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Inicialmente a relação entre os dois é apenas sexual, mas a série também toma cuidado ao retratar o  sexo de forma muito realista. Diferente das cenas <i>hollywoodianas</i> idealizadas, os <a href="https://www.vulture.com/2020/04/normal-people-good-sex-scenes.html">momentos</a> constrangedores estão presentes, ainda que sejam cenas gráficas possuem uma direção sensível e à intimidade não é fetichizada.</p>
<p>A minissérie concorre ao <em><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-2020/">Emmy</a> 2020</em> em apenas <a href="https://www.emmys.com/shows/normal-people">quatro</a> categorias. Paul Mescal compete como Melhor Ator em Minissérie ou Filme para TV, enquanto Lenny Abrahamson disputa Melhor Direção, pelo trabalho no episódio cinco. A obra ainda está presente nas categorias: Melhor Elenco de Série Limitada e Melhor Roteiro, onde Sally Rooney e Alice Birch disputam pelo episódio três. Contudo, apesar de ser um destaque não foi considerada para Melhor Minissérie. E a atriz Daisy Edgar Jones, mesmo com uma ótima performance, também não obteve a indicação.</p>
<p>Aqui no Brasil traduzido como <i>Pessoas Normais, </i>o livro foi nomeado para o prêmio <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/features/man-booker-prize-shortlist-nominees-the-overstory-the-long-take-washington-black-a8547381.html"><i>Man</i> <i>Booker Prize 2018</i></a>, por isso essa adaptação para televisão carrega uma grande responsabilidade. E a minissérie acerta em todos os sentidos, desde a produção até a adaptação do roteiro, conseguindo manter a banalidade que Rooney queria. E apesar do amor ser um assunto esgotado, seja no audiovisual ou na literatura, o diferencial é que ela não força nenhum drama ou clichê. A minissérie não investe em grandes acontecimentos, mas sim numa premissa simples onde a sensibilidade se sobrepõe. Capaz de arrancar algumas lágrimas, <i>Normal</i> <i>People</i> é um romance atual e sem exageros.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Normal People Soundtrack" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6V6J0EckQzIAJysXVifgGL?si=MWxVkyx6QICnpd6GzF57BQ"></iframe></p>
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