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	<title>Arquivos Crying in H Mart: A Memoir &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Crying in H Mart: A Memoir &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 21:08:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir” (pág. 192) Bruno Andrade Com a morte da mãe, Michelle Zauner passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no H Mart, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30601" aria-describedby="caption-attachment-30601" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor amarela e pupila em preto no formato triangular de play. No lado direito dessa logo, está escrito &quot;Clube do Livro do Persona&quot; preenchido por um fundo preto e com letras transparentes que correspondem à cor do fundo branco. Abaixo está escrito “Em Aos prantos no mercado, Michelle Zauner chora entre temperos e memórias” em letras pretas, sendo &quot;Aos prantos do mercado&quot; em letras amarelas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há uma imagem retangular da capa do livro de fundo vermelho. No topo da capa, de forma centralizada, está escrito o nome da autora &quot;Michelle Zauner&quot; na cor branca e, logo abaixo, uma ilustração de uma sequência de quadrinhos. O primeiro quadrinho mostra uma cesta cheia de mercado, o segundo mostra um vaso de flor, o terceiro mostra uma laranja sendo descascada e o último mostra a preparação de uma refeição com muitos ingredientes postos sobre uma mesa. Na parte inferior da capa, de forma centralizada, está escrito o título do livro &quot;Aos prantos no mercado&quot; em letras amarelas. Ao lado direito da imagem, está escrito &quot;À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi recebe as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da 'esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir'.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas, seguido de &quot;Bruno Andrade&quot; em letras amarelas. No canto inferior há um sombreado amarelo que está iluminando o escrito &quot;Crítica&quot;, também em amarelo." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/AOSPRANTOSNOMERCADO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30601" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2022, com tradução de Ana Ban, Aos prantos no mercado foi a obra debatida no Clube do Livro do Persona em Janeiro de 2023 (Foto: Fósforo/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Parecia que o mundo tinha se dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que haviam sentido dor e as que ainda iriam sentir”</span><em><span style="font-weight: 400;"> (pág. 192)</span></em></p></blockquote>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a morte da mãe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a enfrentar uma terrível nostalgia ao entrar no </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, supermercado especializado em comida asiática. Embora seja amargo lembrar de quando sua matriarca, Chongmi, morreu vitimada por um câncer em 2014, ela pode se lembrar com tranquilidade do gosto que sua mãe tinha para comida: entre o salgado e o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fumegando de quente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que, por algumas razões, definiam sua forma de exercer a maternidade. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Por mais crítica ou cruel que ela pudesse parecer – sempre me forçando a atender a suas expectativas obstinadas –, eu sempre sentia o afeto dela irradiando das merendas que ela preparava para eu levar à escola e das refeições que ela cozinhava para mim bem do jeito que eu gostava&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As peregrinações repletas de tristeza sustentam o primeiro capítulo de</span> <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2022 no Brasil pela editora <em>Fósforo</em>, cujo primeiro capítulo é o ensaio homônimo publicado na </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que se pode imaginar, Zauner decidiu escrever o livro somente depois de ter </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/crying-in-h-mart"><span style="font-weight: 400;">publicado o ensaio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A repercussão avassaladora do texto na revista foi reproduzida na obra literária, que ficou 14 semanas seguidas nas listas de mais vendidos do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para a escritora coreana-americana, artista musical e fundadora da banda Japanese Breakfast, a comida é um portal. Na praça de alimentação do </span><i><span style="font-weight: 400;">H Mart</span></i><span style="font-weight: 400;">, Zauner chora ao consumir seu almoço, enquanto percebe que todos estão sentados, comendo em silêncio, porque estão “</span><i><span style="font-weight: 400;">em busca de um pedacinho do nosso lar, de um pedacinho de nós mesmos. Procuramos um gostinho disso nos pedidos de comida que fazemos e nos ingredientes que compramos. Então nos separamos. Levamos as compras para o alojamento da faculdade ou para uma cozinha suburbana e recriamos o prato que não poderia ser preparado sem essa viagem&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30598" aria-describedby="caption-attachment-30598" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg" alt="" width="2048" height="1472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1536x1104.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1-5-1200x863.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30598" class="wp-caption-text">“O amor dela era mais do que inflexível. Era brutal, com força industrial” (Foto: Michelle Zauner/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michelle Zauner se mudou com a família para Eugene, nos Estados Unidos, quando tinha nove meses de idade. Aos 15 anos, após ver uma apresentação de Karen O – a vocalista do Yeah Yeah Yeahs –, ganhou a primeira guitarra da mãe que, pouco depois, se arrependeu do presente. Mas, mesmo que a Música tenha sido um refúgio para a adolescente deprimida, Zauner foi influenciada textualmente por Joan Didion, Philip Roth, Vladimir Nabokov e pela HQ </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2006), de Alison Bechdel, decidindo, então estudar Escrita Criativa na Bryn Mawr College. Na faculdade, escreveu majoritariamente textos de ficção – foi lá, inclusive, que iniciou os primeiros projetos musicais, consolidados em Japanese Breakfast. Aos 25 anos, após concluir a graduação, Zauner viveu ostensivamente sem roteiro, se “</span><i><span style="font-weight: 400;">debatendo com a realidade, vivendo a vida de uma artista sem sucesso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nesse período, Chongmi ficou doente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira publicação musical foi <em>June </em></span><span style="font-weight: 400;">(2013), um disco amador resultado da parceria com Rachel Gagliardi, criado a partir das canções disponibilizadas diariamente no mês de Junho de 2013 em uma página do </span><a href="http://rachelandmichelledojune.tumblr.com"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21629-psychopomp/"><i><span style="font-weight: 400;">Psychopomp</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), o primeiro disco de estúdio de Japanese Breakfast e a primeira publicação após a morte de Chongmi, que Zauner enfrenta abertamente a perda da mãe, cujo título tem origem na história mitológica dos psicopompos, que tem a missão de guiar as almas dos mortos para o pós-vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Japanese Breakfast - Everybody Wants To Love You (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KNT7wuqaykc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da vida da mãe, os papéis parecem se inverter. À medida que Zauner se aliena ao preparar as refeições para a mãe, com a garantia de que Chongmi receberá as calorias suficientes para sobreviver, o seu próprio apetite diminui, consequência da “</span><i><span style="font-weight: 400;">esperança desesperada de que a escuridão não fosse invadir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Talvez, se ela pudesse carregar a </span><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2022/06/06/magazine/michelle-zauner-interview.html"><span style="font-weight: 400;">dor da mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e realizar o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ritual da filha única</span></i><span style="font-weight: 400;">”, haveria a possibilidade de intermediar uma cura, na expectativa de fazer as pazes com a rebeldia adolescente de uma jovem com anseios desvinculados dos interesses maternos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bem da verdade, o que </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/20/988665726/a-daughter-grieves-her-mom-and-finds-herself-in-crying-in-h-mart"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">esclarece é que os principais momentos de conexão legítima entre Zauner e Chongmi se davam através da comida; principalmente por isso, a tristeza ressurge ao entrar no mercado. A prosa íntima do livro é, ao mesmo tempo, autodepreciativa e atenta, com descrições texturizadas das qualidades estéticas e sentidas dos momentos vividos pela artista. Trata-se de um livro de memórias muito ancorado no ensaio, cujas ligações entre experiências pessoais de luto e identidade ganham corpo em todo o texto. </span></p>
<figure id="attachment_30599" aria-describedby="caption-attachment-30599" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg" alt="" width="980" height="653" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30599" class="wp-caption-text">“Falei sobre como o amor era uma ação, um instinto, uma reação suscitada por momentos não planejados e pequenos gestos, uma inconveniência a favor de outra pessoa” (Foto: Rebecca Sapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte e a melancolia perpassam toda a obra de Michelle Zauner, talvez resultado da vida fragmentada da artista, dividida entre a ancestralidade sul-coreana e a vivência contemporânea nos Estados Unidos. O sentimento de ausência parece presente em toda a obra – seja pela morte da mãe, propriamente, ou seja na morte simbólica de um tipo de cultura. Não por acaso, suas melhores canções representam estados avançados de autoconsciência, mesmo em faixas que compõem </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), álbum descrito por Zauner como seu projeto “</span><i><span style="font-weight: 400;">mais alegre</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema por </span><a href="https://www.papelpop.com/2023/03/will-sharpe-de-the-white-lotus-vai-dirigir-adaptacao-do-livro-aos-prantos-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">Will Sharpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, ator de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com roteiro assinado pela própria Michelle Zauner, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado </span></i><span style="font-weight: 400;">não é necessariamente um livro difícil de ler, mas uma obra melancólica. No final do livro, Zauner nos conta que decidiu fazer um casamento de última hora em seu próprio quintal, sabendo que sua mãe poderia não viver muito tempo. Parece que, ao compartilhar suas experiências, Michelle Zauner constrói uma ode à memória de Chongmi – e nos permite enxergar sob seus olhos e consciência por algumas páginas.</span></p>
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		<title>A vida além da dor: Jubilee e as várias facetas do luto que formam o Japanese Breakfast</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2021 17:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Carlos Botelho “Parece que o mundo é dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que já experimentaram a dor e as que ainda vão experimentar.” Não conheceria uma maneira mais acertada de começar a falar de Michelle Zauner e seu Japanese Breakfast que não fosse através desse trecho de seu livro de memórias, Crying &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida além da dor: Jubilee e as várias facetas do luto que formam o Japanese Breakfast"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21215" aria-describedby="caption-attachment-21215" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee.jpg" alt="Capa do disco Jubilee, de Japanese Breakfast. A cantora Michelle Zauner na está na capa do disco, vestindo um vestido amarelo, maquiagem artística no mesmo tom e tranças no cabelo. Há caquis pendurados no primeiro plano e ela segura um na frente do olho direito.O fundo é claro, quase branco. Há também muitas tatuagens em seu braços." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/jubilee-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21215" class="wp-caption-text">Após os tons azulados melancólicos da capa de Psychopomp (2016) e do contraste intenso de pretos e vermelhos em Soft Sounds from Another Planet (2017), Michelle Zauner buscou o calor dos amarelos e laranjas, evocando uma aura de alegria para o terceiro registro de estúdio do Japanese Breakfast (Foto: Dead Oceans)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Botelho</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Parece que o mundo é dividido em dois tipos diferentes de pessoas, as que já experimentaram a dor e as que ainda vão experimentar.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Não conheceria uma maneira mais acertada de começar a falar de Michelle Zauner e seu Japanese Breakfast que não fosse através desse trecho de seu livro de memórias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2NMmrsLk2Q0"><i><span style="font-weight: 400;">Crying in H Mart: A Memoir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Knopf Publishing Group</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), que virou verso da canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q2pQIqR-m_w"><i><span style="font-weight: 400;">Posing In Bondage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de seu último álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jubilee</span></i><span style="font-weight: 400;">. Michelle teve sua vida adulta marcada pela tragédia pessoal que foi </span><a href="https://pitchfork.com/features/profile/japanese-breakfast-interview-jubilee-crying-in-h-mart/"><span style="font-weight: 400;">perder a mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> por um câncer, e a dor desse trauma reverberou em todo o catálogo de seu projeto musical, o Japanese Breakfast.</span></p>
<p><span id="more-21209"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do luto ainda ser um tema importante em seu processo de criação, Zauner optou por buscar novas perspectivas para o seu terceiro registro de inéditas. A própria artista considera esse estágio da carreira como um momento decisivo de amadurecimento, citando em </span><a href="https://www.npr.org/sections/world-cafe/2021/06/04/1003249435/on-jubilee-japanese-breakfasts-michelle-zauner-enters-the-springtime-of-life"><span style="font-weight: 400;">entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> referências como a obra-prima </span><a href="https://personaunesp.com.br/bjork-homogenic-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homogenic,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Björk, </span><a href="https://open.spotify.com/album/1JpaFJzzcsiulO6MdIcQdK?si=53da4e7c78df4f76"><i><span style="font-weight: 400;">Summerteeth, </span></i></a><span style="font-weight: 400;">do Wilco e </span><a href="https://open.spotify.com/album/6psfQ7hu5uqFLkdtWyygcT?si=6b08ea6cb9e14c52"><i><span style="font-weight: 400;">Teen Dream,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Beach House. O resultado dessa progressão artística de <em>Jubilee</em> é um disco mais </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, caloroso e com maior variedade lírica e sonora.</span></p>
<figure id="attachment_21213" aria-describedby="caption-attachment-21213" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21213" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1.png" alt="Texto alternativo: Fotografia de Michelle Zauner. A artista está com cabelo solto e um vestido roxo com estampa azul. Ela está na frente de um plano de fundo que imita uma grande cidade à noite, toda iluminada." width="2000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Japanese-Breakfast-1-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21213" class="wp-caption-text">A cantora de pai norte-americano e mãe coreana sempre teve dificuldade de compreender suas origens culturais, algo que ganhou novos contornos com a morte da mãe em 2014 em decorrência de um câncer no pâncreas (Foto: Bobby Doherty)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum já se abre com a instigante </span><i><span style="font-weight: 400;">Paprika</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">faixa que ganhou esse nome por incorporar instrumentais típicos de bandas marciais, que trouxeram à artista a lembrança da trilha sonora do </span><a href="https://personaunesp.com.br/paprika/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ficção científica japonesa de mesmo nome. A canção nasceu de uma viagem a Poconos regada a cogumelos e Kate Bush. O tom surrealista da letra é inspirado na própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7-F1MvLFq-Y"><span style="font-weight: 400;">Kate</span></a><span style="font-weight: 400;">, que serviu para Michelle como um exemplo de caminho menos óbvio para sua transição a uma sonoridade mais </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em <em>Jubilee</em></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist,</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deparamos com um rosto familiar, a já conhecida </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ZfcZEIo6Bw"><i><span style="font-weight: 400;">Be Sweet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeira amostra do disco antes de seu lançamento. Oitentista e contagiante, a faixa tem uma história curiosa, visto que emergiu de um desencontro de Zauner em uma sessão de gravação com Jack Tatum, do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zm636VSQXUU"><span style="font-weight: 400;">Wild Nothing</span></a><span style="font-weight: 400;">. Após os dois descobrirem já dentro do estúdio que ninguém ali estava interessado em trabalhar no próprio repertório, decidiram então por escrever uma música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que pudessem vender depois. O resultado foi uma canção açucarada que casou perfeitamente com os vocais carismáticos da</span><i><span style="font-weight: 400;"> frontwoman </span></i><span style="font-weight: 400;">do Japanese Breakfast.</span></p>
<figure id="attachment_21214" aria-describedby="caption-attachment-21214" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21214" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/japanese-breakfast-3-by-tonje-thilesen-1622656496.jpeg" alt="Texto alternativo: Fotografia de Michelle Zauner. A artista está sentada e veste um grande vestido branco sem alças, cabelo em trança e grandes brincos florais. Há folha e flores espalhadas sobre ela. O fundo é cinza. " width="980" height="981" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/japanese-breakfast-3-by-tonje-thilesen-1622656496.jpeg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/japanese-breakfast-3-by-tonje-thilesen-1622656496-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/japanese-breakfast-3-by-tonje-thilesen-1622656496-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/japanese-breakfast-3-by-tonje-thilesen-1622656496-768x769.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21214" class="wp-caption-text">Seu livro de memórias, Crying in H Mart, nasceu de um artigo de mesmo nome publicado em 2018 no The New Yorker, alcançando o segundo lugar na lista de mais vendidos do The New York Times (Foto: Tonje Thilesen)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas faixas que se destacam por um denominador comum em <em>Jubilee</em> são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BNV1rm16zhE"><i><span style="font-weight: 400;">Kokomo, IN</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mcoC5ZgaFjY"><i><span style="font-weight: 400;">Savage Good Boy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois ambas composições que partem de outra perspectiva que não a pessoal da cantora. Enquanto na primeira temos o ponto de vista agridoce de um jovem garoto cuja namorada está se ausentando para um intercâmbio, na segunda ela encarna uma persona oposta, um homem rico de ambição desenfreada. Experimentações líricas mostram um acerto dentro de um registro que busca novos ares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, a já familiar exploração da dor pessoal enquanto manifestação artística genuína é evidenciada na balada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-LJNqfcvKOI"><i><span style="font-weight: 400;">Tactics</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A canção embalada por belíssimos arranjos de cordas fala sobre se afastar definitivamente de uma relação que não é saudável, no caso da artista com seu pai. Ela descreve a atual situação dos dois como uma segunda morte em sua vida, </span><a href="https://www.stereogum.com/2145608/japanese-breakfast-interview-track-by-track/interviews/footnotes-interview/"><span style="font-weight: 400;">uma orfandade escolhida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a temática recorrente do luto presente em <em>Jubilee</em>,</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Hell </span></i><span style="font-weight: 400;">trata do delicado momento em que Zauner teve que sacrificar o seu cachorro infância. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O inferno é encontrar alguém para amar e eu não posso te ver de novo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela afirma na música com retrogosto amargo e propriedade que só alguém íntimo do ato de perder consegue alcançar.</span></p>
<figure id="attachment_21211" aria-describedby="caption-attachment-21211" style="width: 1776px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21211" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy.png" alt="Fotografia de Michelle Zauner. Michelle está deitada vestindo com um blazer amarelo limão. Atrás dela, existe um plano de fundo de uma cidade e ela sorri olhando pro lado." width="1776" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy.png 1776w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/JapaneseBreakfast1184_21-copy-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21211" class="wp-caption-text">Michelle tem se dedicado a diferentes projetos, um dos mais curiosos foi de coaching de set da atriz australiana Angourie Rice, sobre como se comportar em uma banda, para o seu papel na série Mare of Easttown da HBO (Foto: Bobby Doherty)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Descrever todas as nuances de Michelle Zauner e sua obra <em>Jubilee </em>não cabe em uma simples crítica musical. Também não cabe em seu livro que trata de toda a relação de conflitos geracionais e culturais com a mãe e com a experiência de perdê-la. Certamente não caberá no </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a36650865/crying-in-h-mart-movie/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> que está será adaptado do livro e terá trilha sonora assinada pela autora. O que cabe é apreciar uma carreira em pleno funcionamento, onde cada novo aprendizado trazido pela dor é compartilhado com o público na forma de um trabalho artístico detalhado e sincero.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Jubilee" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/0ajoNtBO6xHfWEkORtRCAv?si=e62c9a2502f44a86"></iframe></p>
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