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	<title>Arquivos Crítica Social &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 21:12:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de A Sobrevivência da Bondade propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sobrevivência da Bondade mostra que nem ela está viva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31782" aria-describedby="caption-attachment-31782" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. Na cena, que se passa durante o dia, podemos ver, ao fundo, uma estrutura de tijolos, que aparenta ser uma casa abandonada. Em um primeiro plano, ao centro, vemos uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e castanhos claros, vestindo uma camisa xadrez bege com listras pretas. Ela encara algo a direita da imagem, que não podemos ver." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31782" class="wp-caption-text">Presente no Festival de Cannes, Veneza e Berlim, A Sobrevivência da Bondade também integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reencontrar sentido em seus recomeços. É o que a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">propõe. Na trama, exibida na seção Perspectiva Internacional da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vencedora do Prêmio da Crítica do Festival de Berlim, uma mulher negra é abandonada no deserto dentro de uma jaula. Conseguindo milagrosamente escapar depois de dias, ela cruza a paisagem árida em busca de salvação, para encontrar ainda mais barbárie na civilização. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse busca por recomeços, mas, a cada novo cenário apresentado, essa ideia parece mais distante. BlackWoman &#8211; como a protagonista é chamada nos créditos finais, uma vez que o longa-metragem praticamente não tem diálogos &#8211; cruza campos arenosos sem sinal de vida, cidades abandonadas por uma suposta guerra e trilhas em </span><a href="https://www.smh.com.au/culture/movies/apocalypse-meets-astonishing-beauty-in-rolf-de-heer-s-latest-work-20230503-p5d571.html"><span style="font-weight: 400;">ambientes hostis</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o inimigo caminhando poucos metros à frente. A mulher não tem outro objetivo senão a sobrevivência e, para o espectador, o tom é contemplativo. O que estaria acontecendo ali? E, acima de tudo, o que isso significa?</span></p>
<p><span id="more-31780"></span></p>
<figure id="attachment_31784" aria-describedby="caption-attachment-31784" style="width: 1417px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena é a paisagem de um deserto, em um plano aberto. Ao longe, à esquerda, vemos uma pequena gaiola com duas rodas. Ao lado direito, vemos, ao longe, uma mulher andando na direção oposta." width="1417" height="796" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1200x674.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31784" class="wp-caption-text">O diretor Rolf de Heer não é novato na Mostra de São Paulo: os longas-metragens Bad Boy Bubby (1993) e Dez Canoas (2006) também chegaram ao Brasil pelo evento (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">dispensa a bondade em questão. Desde o início, no entanto, o diretor </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que já teve passagens vitoriosas pelo Festival de Veneza e Cannes) explicita uma aura fabulesca e fantasiosa que acompanhará os eventos dali em diante. Abrindo o trabalho com uma cena em que corpos mortos por pessoas mascaradas se revela, na verdade, a decoração de um bolo em algum tipo de comemoração, o desenrolar já anuncia que não será explicativo, mas interpretativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proximidade do real, inclusive, fica a cargo de quem assiste. Enquanto vagueia pela </span><a href="https://nit.com.au/20-04-2023/5674/emerging-indigenous-film-crew-help-create-rolf-de-heers-film-the-survival-of-kindness"><span style="font-weight: 400;">diversa paisagem australiana</span></a><span style="font-weight: 400;">, fotografada belamente por Maxx Corkindale para enfatizar a solidão e a hostilidade do cenário, BlackWoman se depara com tragédias e sofrimento humano, sem escolha a não ser seguir em frente. Se o retratado ali é uma alegoria para a realidade, a sobrevivência se mostra mais importante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao finalmente se deparar com uma cidade, a personagem troca as ameaças da natureza pela ameaça do homem. Em uma situação em que ela tem de pintar o rosto com tinta para se passar por uma pessoa branca por debaixo da máscara de gás e poder andar pelas ruas </span><a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><span style="font-weight: 400;">sem ser capturada</span></a><span style="font-weight: 400;">, o refúgio se mostra em duas crianças igualmente excluídas da parcela social considerada aceitável ali. O objetivo deles, novamente, recai em se manter vivos, uma vez que mudar a realidade parece impossível.</span></p>
<figure id="attachment_31783" aria-describedby="caption-attachment-31783" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade. A cena se passa em um local escuro, iluminado apenas pela luz de uma vela, que está ao centro. Ao lado esquerdo da vela, vemos, em um primeiro plano, a silhueta de um menino de costas, deitado de bruços no chão. Ao centro, vemos, de frente, uma mulher preta, de aparentemente 50 anos, com cabelos curtos e vestindo um sobretudo, de bruços no chão, segurando a vela. À direita, vemos a silhueta de uma menina de costas, de bruços deitada no chão." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31783" class="wp-caption-text">Gravado na pandemia, A Sobrevivência da Bondade retrata uma doença contagiosa que determina quem vive e quem morre, podendo ser uma alegoria ampla para a nossa realidade (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longas-metragens anteriores do holandês naturalizado australiano </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/apr/22/rolf-de-heer-on-his-radical-new-film-it-made-no-sense-to-make-it-with-old-middle-class-codgers"><span style="font-weight: 400;">Rolf de Heer</span></a><span style="font-weight: 400;"> já haviam o consolidado como um diretor autoral e de abordagens experimentais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Survival of Kindness</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele parece propor mais uma reflexão do que uma narrativa fechada e com significados consolidados. Ao passo que BlackWoman caminha e transpassa desafios, ela encontra novos e, cada vez mais, se aproxima de situações sem humanidade e aparentemente sem saída.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao racismo, à escravidão moderna e a um vírus contagioso (ao qual somente as pessoas brancas mascaradas têm direito à proteção), de Heer cria situações que podem servir de alegoria à realidade. Sem denotar um recorte temporal ou uma contextualização que ancore o filme no mundo em que vivemos, as </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/11/04/israel-ataca-comboio-de-ambulancias-e-escola-estou-horrorizado-diz-secretario-geral-da-onu"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;"> abordadas ali são paralelas ao que lemos no noticiário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo disso é a própria BlackWoman. Interpretada pela estreante </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/feb/17/the-survival-of-kindness-actor-mwajemi-hussein-rolf-de-heer"><span style="font-weight: 400;">Mwajemi Hussein</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz congolesa que escapou de seu país em meio a um conflito civil e passou por um campo de refugiados na Tanzânia até conseguir abrigo na Austrália, a personagem enfrenta as provações em seu caminho como quem não tem escolha a não ser perseverar. A produção não traduz seus poucos diálogos &#8211; presentes nos raros momentos em que ela não está sozinha -, mas palavras não são necessárias para mostrar a determinação e a resiliência da caminhada, cheias de emoção a cada gesto ou passo dado.</span></p>
<figure id="attachment_31781" aria-describedby="caption-attachment-31781" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31781" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg" alt="Cena do filme A Sobrevivência da Bondade.  A cena se passa durante o dia em uma paisagem verde, com vegetação rasteira e rochas no chão. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher negra do busto para cima. Ela veste um chapéu de caubói marrom, um pano preto sobre a boca e o nariz e um sobretudo cinza, e segura a corda amarrada em uma menina. A menina está ao lado direito. Ela é uma jovem indiana, aparentando cerca de 15 anos, com cabelos castanhos longos e lisos, vestindo uma camiseta bege rasgada e coberta com uma manta azul. Ela tem ferimentos vermelhos em todo o rosto e está sendo amarrada pela mulher à esquerda." width="1999" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31781" class="wp-caption-text">Além de Hussein, os jovens irmãos Deepthi e Darsan Sharma integram o elenco (Foto: Fandango Sales)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, porém, a mensagem se amplifica &#8211; ou cai por terra. Sem mudar a mesma realidade que a colocou em uma jaula para morrer no deserto, </span><a href="https://www.abc.net.au/listen/programs/afternoons/rolf-de-heer/102289006"><span style="font-weight: 400;">BlackWoman</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para o local de onde veio, abandonando os resquícios de luta que passaram pelo seu caminho. Talvez a batalha seja continuar viva ou, ainda, apenas ceder. Talvez a fábula seja conformista, apenas um mero retrato de uma realidade em que não há como vencer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As possibilidades da trajetória se revelaram piores do que a morte. Não há sentido em lutar se não houver como vencer? </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sobrevivência da Bondade </span></i><span style="font-weight: 400;">recusa o que seu próprio título propõe e escancara um mundo de violências &#8211; e, se houver um significado por trás de todas elas, cabe ao espectador decidir. Ainda que o ritmo não seja arrastado, a sensação final é que uma hora e meia se estendem, em golpes duros de absorver. Porque, se a bondade existe, ela não sobreviveu.</span></p>
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		<title>Em Vai Ter Troco, as diversas facetas do brasileiro são representadas na dinâmica patrão x empregado</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 15:25:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A música Xibom Bombom do grupo As Meninas é marcada pelo padrão de vida de pobres e ricos. Nela, os versos “Quero me livrar dessa situação precária” e “onde o pobre cada vez fica mais pobre e o rico cada vez fica mais rico” explicitam um tema recorrentemente abordado na cultura brasileira: &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-vai-ter-troco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Vai Ter Troco, as diversas facetas do brasileiro são representadas na dinâmica patrão x empregado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31310" aria-describedby="caption-attachment-31310" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se as personagens Zildete (à esquerda) e Tonha (à direita). Ambas estão com um uniforme cinza com faixas brancas, além de usarem uma espécie de touca branca. Zildete usa óculos." width="1284" height="688" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-800x429.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1024x549.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image4-1200x643.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31310" class="wp-caption-text">Em Vai Ter Troco, Nany People e Evelyn Castro esbanjam carisma com suas personagens Zildete e Tonha (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3DRSpgSfeQlPVqPQ7YQiK3?si=58b3e25e0cba4816"><i><span style="font-weight: 400;">Xibom Bombom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do grupo As Meninas é marcada pelo padrão de vida de pobres e ricos. Nela, os versos “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero me livrar dessa situação precária</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">onde o pobre cada vez fica mais pobre e o rico cada vez fica mais rico</span></i><span style="font-weight: 400;">” explicitam um tema recorrentemente abordado na cultura brasileira: a desigualdade social. Produtos audiovisuais sobre esse assunto são vastos, mas o que diferencia </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> de tudo que já foi explorado? O filme dirigido por Maurício Eça (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é centrado em duas protagonistas carismáticas: Tonha (Evelyn Castro), uma mulher com pavio curto, e Zildete (Nany People), uma senhora dócil e piedosa. Juntas, elas trabalham na casa dos ricaços Sarita (Miá Mello) e Afonso (Marcos Veras) &#8211; um casal superficial à décima potência. </span></p>
<p><span id="more-31309"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São esses quatro personagens que ditam a relação entre patrão e empregado durante os quase 90 minutos do longa. Tonha e Zildete estão há meses sem receber e vivem dias de cão na mansão de seus chefes, que a todo custo adiam o pagamento. Após observarem a vida luxuosa dos dois, elas decidem cobrá-los e, sem sucesso, são humilhadas e forçadas a trabalharem a troco de nada. É nesse ponto que a mais nova comédia nacional apresenta a sua vantagem: as incoerências entre o que os patrões dizem e fazem, algo visto até mesmo fora da ficção. Com dois filhos extremamente fúteis, vividos pelos talentosos Nicholas Torres e Giovanna Grigio (</span><a href="https://personaunesp.com.br/as-five-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a família privilegiada tem o seu mundo virado de cabeça para baixo quando o patriarca é preso por corrupção.</span></p>
<figure id="attachment_31313" aria-describedby="caption-attachment-31313" style="width: 582px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3.png" alt="Foto da atriz Nany People. Ela possui um cabelo loiro e curto, está sorrindo e usando cinza brilhante com lantejoulas" width="582" height="543" /><figcaption id="caption-attachment-31313" class="wp-caption-text">Com outras três produções &#8211; todas comédias &#8211; para o ano de 2023, Nany People se aventura no gênero com maestria (Foto: Sérgio Cyrillo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta do crime cometido, os funcionários são interrogados ao longo da história, que é contada em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">e se utiliza desse tipo de narrativa para criar situações de humor. A partir do momento em que o patrão vai preso, as personagens optam por tratá-los como realmente são: pessoas desprezíveis. As passagens entre os dias de trabalho na mansão e o interrogatório podem ser ainda mais aproveitadas com a </span><a href="https://www.mauricioeca.com/feature-films"><span style="font-weight: 400;">direção de Eça</span></a><span style="font-weight: 400;">. Compras em marcas renomadas, aplicações de preenchimento labial e vida de influencer são três das inúmeras regalias observadas por Tonha e Zildete. Para ambas, é inconcebível a desproporcionalidade entre o trabalho árduo feito e o tratamento recebido pelos patrões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o ótimo tempo de comédia, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fppgImt8F70&amp;list=PLT0Smhj8chMWpECLKRlNVgSU5VyNi8FV3&amp;index=18"><span style="font-weight: 400;">sua experiência no famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Porta dos Fundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Evelyn Castro entrega ao público uma personagem principal relacionável e genuinamente engraçada. Isso, no gênero das comédias brasileiras, é custoso encontrar devido aos estereótipos explorados de pessoas pobres. No entanto, por mais que haja atores conhecidos pelo seu trabalho no humor, o texto não consegue aproveitar o elenco, já que algumas piadas são espremidas até onde não devem, a fim de divertir o público. Em diversos momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;">, há a linha tênue entre ‘estou rindo por que é engraçado?’ e ‘estou com vergonha disso, pois não tem graça alguma’. O espectador é levado a rir, mesmo que não tenha vontade.</span></p>
<figure id="attachment_31311" aria-describedby="caption-attachment-31311" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se a personagem Sarita fazendo preenchimento labial em um consultório. Ela tem um cabelo castanho, usa um batom rosa e está de olhos fechados." width="1284" height="706" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-800x440.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-1024x563.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-768x422.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image5-1200x660.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31311" class="wp-caption-text">Viciada em procedimentos estéticos, Sarita, a megera e matriarca da família rica, é interpretada pela talentosa Miá Mello (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, esse ponto específico pode distanciar algumas pessoas da história, dado que é preciso comprar a proposta para não colocá-la na mesma prateleira de filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-4Tl5k9khe0"><i><span style="font-weight: 400;">O Candidato Honesto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DrqlbnpfW4c"><i><span style="font-weight: 400;">Até Que a Sorte nos Separe 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos recheados de escolhas desleixadas em suas narrativas. As tramas citadas, por exemplo, fazem sátiras ao cenário político brasileiro, mas é aqui que essa discussão é feita de maneira mais inteligente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhando termos conhecidos nos últimos anos, como a famosa rachadinha e a delação premiada, com a aparência superficial apresentada nas redes sociais, temos uma história imersa no imaginário daquela minoria da sociedade brasileira &#8211; a elite sem escrúpulos do sudeste do país. Focar nesses personagens e nas suas baboseiras torna a obra irônica e afiada no seu texto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale também reconhecer o talento de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/edmilson-filho-conquistou-o-cinema-nacional-e-agora-mira-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Edmilson Filho</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Cine Holliúdy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabras da Peste</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator, de todo o elenco, é o que possui as cenas mais engraçadas. Com tiradas de fazer o público gargalhar, o personagem Nivaldo, motorista de Afonso, é um dos funcionários que também está sem o seu salário pago e, por isso, recorre a um segundo emprego para não ficar no prejuízo. Há uma cena cômica entre Nivaldo e John John (Nicholas Torres) que mostra a diferença entre os dois núcleos principais: enquanto um sempre trabalhou e se desdobrou para ter o mínimo de dinheiro, o outro possui muito para gastar sem nunca ao menos ter colocado o pé para fora de casa. São nessas relações que o longa-metragem se destaca dentre os incontáveis lançamentos nacionais, fazendo com que o espectador se importe com aquelas pessoas.</span></p>
<figure id="attachment_31312" aria-describedby="caption-attachment-31312" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se a personagem Tonha em uma interrogatório em uma delegacia. De frente para ela, há o detetive. Ela usa uma blusa florida, está com o rosto sério e tem cabelo preto médio. " width="1284" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1024x532.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-768x399.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1200x623.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31312" class="wp-caption-text">O filme tem como recurso de humor o uso das dinâmicas tradicionais de um interrogatório (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos para frisar a diferença de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> no que se relaciona às outras comédias brasileiras é que o filme engloba diversos tipos de narrativa (geralmente exploradas de formas individuais) em um produto só. Há a comédia, mas também possui o tom de dramaticidade que a história precisa. É claro que o clássico brasileiro retratado </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/comportamento/2021/02/17/interna-comportamento,268367/por-que-o-brasileiro-gosta-tanto-de-novelas.shtml#:~:text=Novelas%20fazem%20sucesso%20porque%20s%C3%A3o,personagens%2C%20sejam%20protagonista%20ou%20coadjuvantes%20."><span style="font-weight: 400;">nas novelas das nove</span></a><span style="font-weight: 400;"> está lá &#8211; no entanto com uma malícia vinda das injustiças cometidas pelos patrões. Na verdade, há momentos em que os mocinhos possuem atitudes de vilões, agregando para a narrativa &#8211; visto que, se a história se concentrasse apenas em bons vs. maus e patrões vs. empregados, seria apenas mais uma obra cinematográfica já abordada em outros meios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Miranda (</span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/08/giovanna-grigio-sobre-carreira-internacional-nunca-vi-como-um-sonho-impossivel.html"><span style="font-weight: 400;">Giovanna Grigio</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Zildete pode ser considerada, mais uma vez, uma das tramas que interligam as disparidades sociais. Por ter passado anos da sua vida dedicada a entregar o melhor, a empregada sempre teve muito respeito pelos seus chefes e enxerga a garota como uma filha, mas Miranda pouco se importa com isso. Dessa forma, quando é focado nessas relações interpessoais &#8211; vivenciadas por muitos brasileiros -, o longa cresce, indo além de um retrato paródico da população, uma vez que são imensuráveis os casos de funcionários que são mais próximos da família a quem eles prestam o serviço se comparados aos seus patrões. </span></p>
<figure id="attachment_31314" aria-describedby="caption-attachment-31314" style="width: 1284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31314" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.png" alt="Cena do filme Vai Ter Troco. Nela, observa-se o personagem Afonso gesticulando. Ele usa uma camisa branca e um terno cinza por cima. Ele está apreensivo em uma cozinha." width="1284" height="662" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.png 1284w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-800x412.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1024x528.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-768x396.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1200x619.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31314" class="wp-caption-text">Afonso, vivido por Marcos Veras, é o clássico homem de negócios que planeja desvios de dinheiro para o seu próprio bem (Foto: Amaia Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos pontos favoráveis, a comédia tem uma exceção de tramas que, somadas, não resultam em um arco fechado de narrativa. A presença desnecessária de </span><a href="https://caras.uol.com.br/atualidades/ludmilla-mostrou-talento-como-atriz-antes-de-velozes-e-furiosos-relembre.phtml"><span style="font-weight: 400;">Ludmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, mais precisamente, do cantor Falcão, são inúteis e poderiam ser descartadas por completo da edição final. O pouco número de cenas ambientadas nas casas de Tonha e Zildete também contribuem para a falta de coerência com alguns conceitos mencionados no início, mas que são deixados de lado ao longo do desenrolar da trama. Além disso, os diálogos com piadas expositivas afastam o público pelas repetições dispensáveis e pelo exagero de cenas não tão necessitadas de humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um terceiro ato inusitado e não tão convencional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai Ter Troco</span></i><span style="font-weight: 400;"> vale a pena ser assistido em uma tela de cinema. Infelizmente, devido ao histórico de obras carregadas de pré-concepções acerca do imaginário popular, o humor brasileiro é colocado em cheque de uma forma muito rigorosa. No entanto, vale a pena soltar as amarras estadunidenses </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2021/08/um-terco-da-populacao-do-pais-ainda-rejeita-filme-brasileiro.shtml"><span style="font-weight: 400;">e dar uma chance a um filme inofensivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como fazemos &#8211; mais do que imaginamos &#8211; com os selos que vêm de Hollywood. Às vezes, o tradicional feijão com arroz, contado de maneira fiel, é tudo que precisamos. As protagonistas, afinal de contas, deram troco em seus patrões? Não há como saber, mas, assim como elas, você também pode pagar para ver e descobrir o final dessa história.</span></p>
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		<title>Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:02:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Nos mais de 120 anos do Cinema, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29604" aria-describedby="caption-attachment-29604" style="width: 1913px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29604 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela, vemos o personagem interpretado por Steven Yeun. Ele é um homem asiático de cabelos pretos. Ele veste um terno vermelho com detalhes bordados, uma camisa branca e uma gravata minimalista preta. Em sua bochecha,no lado esquerdo há um microfone. Ele olha para cima. Ao fundo, um chão de terra, típico de deserto americano. No lado esquerdo da imagem, é possível ver a extremidade de um tanque de acrílico." width="1913" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg 1913w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1024x464.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-768x348.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1536x696.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1200x544.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29604" class="wp-caption-text">Jordan Peele começou sua carreira com esquetes de Comédia e, sempre que possível, traz esses elementos para suas obras (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais de </span><a href="http://m.estadao.com.br/tudo-sobre/120-anos-do-cinema"><span style="font-weight: 400;">120 anos do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a sombra dos brucutus com armas nas mãos, contra tudo e contra todos; romances, em sua maioria, são melodramáticos; biografias, quase sempre, endeusam os biografados; aventuras abusam da jornada do herói, e por aí vai. Em uma Arte tão vasta, o difícil é sair da homogeneidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o gênero que encontre mais dificuldade para escapar do ‘mais do mesmo’ seja o de </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> com extraterrestres. Muito porque, antes mesmo dele chegar de vez no Cinema, o tema já estava amplamente estabelecido na cultura popular, principalmente a norte-americana. Quando chegou às telas, o subgênero já vinha como um ponto fora da curva, a exemplo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/icontatos-imediatos-do-terceiro-graui"><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977), </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6896/marte-ataca"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Ataca!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996)</span><i><span style="font-weight: 400;">, Alien: O Oitavo Passageiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1979), </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-et/"><i><span style="font-weight: 400;">E.T. O Extraterrestre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) ou, até mesmo, o recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Distrito 9 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Essa seara que, graças a originalidade, criou seu próprio conceito, merecia ser retrabalhada por uma das mentes mais originais da atualidade, e é isso que Jordan Peele busca com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!.</span></i></p>
<p><span id="more-29603"></span></p>
<figure id="attachment_29605" aria-describedby="caption-attachment-29605" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29605 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela temos o personagem principal OJ, interpretado pelo ator Daniel Kaluuya. Ele é um homem negro, veste uma camisa cinza e um boné na cor verde com um detalhe bordado na frente. Ele segura uma luva nas cores preto e amarelo com a boca. Ao fundo, um pouco de vegetação rasteira e uma cadeia de montanhas" width="1920" height="872" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1024x465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-768x349.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1536x698.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1200x545.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29605" class="wp-caption-text">Em sua segunda colaboração, Daniel Kaluuya já virou um queridinho do diretor (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história gira em torno de um rancho que cria cavalos para serem usados na indústria do entretenimento, seja em filmes, clipes ou peças publicitárias. Após a morte do patriarca da família, depois de ser atingido por uma moeda que, misteriosamente, é arremessada do céu, seus filhos descobrem que aquele entorno do deserto rural californiano é habitado por um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62246921"><span style="font-weight: 400;">OVNI</span></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma premissa bem </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">spielbergiana, quase que um encontro entre Peele e Steven Spielberg, e de fato esse talvez seja o filme mais comercialmente aclamado da curta filmografia do diretor. Porém, com o cineasta sendo um dos mais famosos expoentes do simbolismo e da crítica social, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais do que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de símbolos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe! </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma crítica à indústria, estando ele inserido nela. O diretor e roteirista abusa da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><span style="font-weight: 400;">sociedade do espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para além daquela base teórica, pois aqui, de certa forma, quebra a quarta parede para analisá-la dos dois lados, e mesmo indo para o lado dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, também rompe com eles. Esse tipo de narrativa (mal) acostumou o espectador a ter todas as respostas, mas o filme não está nem um pouco preocupado em ser explicativo. Isso faz com que a obra seja a mais divisiva de Peele, visto que funciona de forma muito coesa como conjunto de simbolismos, mas não consegue os amarrar à trama, algo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) conseguiu. Dessa forma, a experiência, para ser melhor aproveitada, precisa sair das telas, numa espécie de paranoia conspiratória típica da temática.</span></p>
<figure id="attachment_29609" aria-describedby="caption-attachment-29609" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29609 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela vemos duas mãos. A do lado direito da imagem, é a de um chimpanzé e está toda ensanguentada. Do lado esquerdo, uma mão infantil. As duas estão fechadas, no intuito de se comprimentarem. Elas estão embaixo de uma mesa e a mão do macaco está passando por uma toalha de mesa na cor amarela" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29609" class="wp-caption-text">Para tecer suas críticas, Nope usa de exemplos reais da cultura americana (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, nesse extenso amálgama de conceitos, Jordan Peele mais brinca e está livre, ao destrinchar essas interpretações em várias vertentes. Isso é um prato cheio para o mercado de </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=nope+final+explicado"><span style="font-weight: 400;">finais explicados</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> e faz com que o debate seja tão vasto como o universo inexplorado. Por essa razão, cada um que assiste o longa pode tirar suas próprias conclusões, em um cenário de diálogo cada vez mais escasso em uma Hollywood enlatada, fazendo com que tal conjuntura seja extremamente benéfica para o próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, as várias interpretações apontam para um mesmo céu: o entretenimento é a nova forma de opressão de minorias, o que faz com que essa violência vire um produto da sociedade capitalista, mas Peele não deixa de inserir a crítica racial na trama. Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós, </span></i><span style="font-weight: 400;">2019), a obra também se inicia com uma passagem bíblica; dessa vez, Naum 3:6: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu jogarei imundice sobre você, a tratarei com desprezo e te tornarei um espetáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Impossível não notar que a frase é essencialmente um resumo de Hollywood e da indústria do entretenimento &#8211; basta lembrar a relação de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2017/02/dez-anos-do-colapso-de-britney-spears-relembre-os-momentos-mais-polemicos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> com os </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como os magnatas do Cinema trataram </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-27/a-ascensao-queda-e-ressurreicao-de-brendan-fraser-o-heroi-de-hollywood-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, além de ser, basicamente, todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cena do massacre do </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2022/08/24/nao-nao-olhe-o-ataque-de-gordy-e-baseado-em-uma-historia-real/"><span style="font-weight: 400;">chimpanzé Gordy</span></a><span style="font-weight: 400;">, toda a situação é esquecida pelo jovem ator do seriado noventista a partir do momento em que, sobrenaturalmente, o sapato para em pé, evidenciando como ficamos cegos para a barbárie que é a sociedade quando estamos comandados pelo instinto da curiosidade. Negamos o quão brutal foi uma tragédia a partir do momento que procuramos imagens dela. As próprias aparências do ‘OVNI’ retornam a essas formas de repressão. Primeiramente, ele lembra um chapéu de </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que oprimiu o povo nativo daquela região e, em seguida, seu aparelho digestivo remete justamente a uma câmera de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_29606" aria-describedby="caption-attachment-29606" style="width: 1801px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29606 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, vemos a personagem Emerald, interpretada por Keke Palmer. Ela é uma mulher negra, de cabelos médios cacheados. Ela veste uma camiseta verde e está em cima de uma moto. Em seu pescoço, uma faixa amarela com os dizeres “CRIME SCENE DO NOT CROSS”. A moto está deslizando de lado e faz uma poeira no chão de terra. Ao fundo, cenário de velho oeste, de um parque infantil " width="1801" height="839" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg 1801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-800x373.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1024x477.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-768x358.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1536x716.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1200x559.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29606" class="wp-caption-text">Amante do Cinema e da cultura nerd, Jordan Peele abusa de referências que vão desde Escorpião Rei até Akira (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não pense que Jordan Peele é hipócrita em sua crítica. Pelo contrário: ele usa a obra como um todo para fazer um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dividido em cinco capítulos: </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Clover</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Gordy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jean Jacket</span></i><span style="font-weight: 400;">. Três deles são os nomes dos cavalos oferecidos à ameaça, seguido pelo nome do chimpanzé morto após o surto; o último é o apelido que os personagens dão ao monstro, ou seja, cinco produtos que foram comidos e cuspidos por algum predador, seja ele literal ou metafórico. A questão é que todas essas cinco divisões são feitas nos mesmos moldes que o letreiro inicial do longa, colocando ele mesmo como esse primeiro produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra é muito mais que suas discussões, considerando que ela não viria tão forte se não fosse bem estruturada. O grande chamariz é o roteiro de Jordan Peele. Além de ambientar o subtexto de forma muito coesa, ele é certeiro ao </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">subverter</span></a><span style="font-weight: 400;"> o gênero. O </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que gira em torno da nave espacial não ter nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">alien,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas, ela sim, ser o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">alien &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser inteligente por quebrar a expectativa apontando para um ponto micro e desconhecido quando, na verdade, ela já está no macro e não a percebemos (pois fomos condicionados a pensar do jeito que o filme quer que pensemos), coloca a obra em um pedestal único quando se fala nessa seara de histórias. O mais surpreendente é que todos esses pontos são tocados através de um roteiro simples, mas extremamente bem pensado.</span></p>
<figure id="attachment_29608" aria-describedby="caption-attachment-29608" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29608 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o personagem interpretado por Michael Wincott. Ele é um homem branco, de meia idade, com barba e cabelos grisalhos. Em sua frente, há uma câmera analógica na cor preta. Ele segura um walkie-talkie na altura da boca. Ele está sobre uma tenda no deserto americano." width="2560" height="1143" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-800x357.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1024x457.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-768x343.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1536x686.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-2048x914.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1200x536.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29608" class="wp-caption-text">Com muita metalinguagem, Nope também é um filme sobre fazer filmes (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escrita só poderia ser regida da forma certa com uma boa direção. Aqui, a decisão de Peele de só ter em sua filmografia filmes nos quais ele também escreve se prova, apesar de conservadora, extremamente acertada. Ele sabe conduzir cenas de suspense como ninguém e, na ambientação, até o marasmo do céu se torna assustador nas mãos dele, cujos aspectos técnicos convergem na criação de mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6LtPIflWxgyOxlKciQDgB4"><span style="font-weight: 400;">Johnnie Burn</span></a><span style="font-weight: 400;"> é impecável e consegue amplificar a ameaça do monstro sem abusar de rugidos, somente com o silêncio e o som do vento. Já a fotografia de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Hoyte van Hoytema</span></a></span><span style="font-weight: 400;">, aliada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Ruth De Jong e o figurino de Alex Bovaird, criam uma atmosfera única e colorida, que às vezes parece até fantástica para o monocromático deserto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco também faz jus ao texto. Ele foi tão bem desenvolvido que apenas cinco personagens conseguem carregar as duas horas do longa sem cansar. Daniel Kaluuya e Steven Yeun repetem a parceria com Peele, o primeiro pelo excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017) </span><span style="font-weight: 400;">e o segundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://cinepop.com.br/alem-da-imaginacao-do-pior-ao-melhor-ranqueamos-a-1a-temporada-da-serie-264700/"><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Kaluuya mais uma vez entrega uma atuação primorosa, que vai crescendo com o passar do filme, e Yeun entende que seu papel é bagunçar a trama e faz isso de forma muito consciente. Mas quem rouba a cena é Keke Palmer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">) com a expansiva e comunicativa Emerald, que chama todos os holofotes para si e dá conta do recado. São adicionados a eles, também, Brandon Perea (</span><a href="https://ligadoemserie.com.br/2016/12/critica-por-que-the-oa-foi-uma-das-melhores-series-do-ano/"><i><span style="font-weight: 400;">The OA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que funciona como um alívio cômico muito pontual, e Michael Wincott (</span><a href="https://spdm.org.br/noticias/dica-cultural/o-escafandro-e-a-borboleta-a-historia-real-da-sindrome-do-encarceramento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escafandro e a Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), com sua presença em cena inconfundível.</span></p>
<figure id="attachment_29607" aria-describedby="caption-attachment-29607" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29607 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o alienígena Jean Jacket em destaque. Ele tem o formato clássico de uma nave espacial, que se trata de uma espécie de círculo gigante e cinza com um círculo menor na parte de baixo, o que seria sua boca. Ele está perseguindo OJ, que está sobre um cavalo com um moletom laranja. OJ está pequeno devido ao tamanho do alien. No deserto, há cercas pretas dos lados direito e esquerdo. Também há vários bonecos de posto parcialmente inflados, nas cores vermelho, rosa, verde, amarelo e azul." width="1400" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-800x394.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1024x504.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-768x378.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1200x591.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29607" class="wp-caption-text">Chegando nas premiações mais enfraquecido que os últimos projetos do diretor, o filme vem correndo por fora com indicações ao People’s Choice Awards, Los Angeles Film Critics e New York Film Critics; esse último, com vitória de Keke Palmer como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Extremamente bem pensado, inteligente, audacioso e subversivo, </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=In8fuzj3gck&amp;ab_channel=UniversalPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a></span> <span style="font-weight: 400;">é a empreitada mais original do Terror, no ano em que o gênero se provou com muita originalidade. A obra sabe trabalhar com o desconhecido no momento em que ela evidencia que tal desconhecido vai muito além do que conhecemos. Jordan Peele entende o papel do Cinema ao fazer com que a experiência cinematográfica ultrapasse as telas, sem a presunção e pedância de um ‘filme para refletir’, pois coloca o espectador para pensar &#8211; e essa talvez seja a parte mais empolgante da jornada &#8211; sem abrir mão da diversão que é assistir ao longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja tão grandioso quanto os projetos anteriores de seu idealizador e isso também vale discussões, mas não por seus deméritos, e sim pelo diretor ser um viciado em acertar. Num futuro, ele pode cair na própria crítica e ser consumido e cuspido pela indústria, mas esquecido? Jamais. Pois essa pequena e significativa constelação da qual Peele construiu sua história nas telas sempre irá brilhar no Cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Não! Não Olhe! | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/77mwLBQ9XxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A violência é o combustível que incendeia a Regra 34</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 18:30:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Uma máxima da internet, a Regra 34 pressupõe que tudo existente na web tem sua versão pornográfica. Seja desenhos animados ou cenas cotidianas, qualquer elemento pode virar ponto de partida para o prazer. Em Regra 34, longa-metragem da carioca Júlia Murat presente no Festival do Rio e na 46ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/regra-34-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A violência é o combustível que incendeia a Regra 34"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29383" aria-describedby="caption-attachment-29383" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29383" class="wp-caption-text">Quinto longa-metragem da diretora Júlia Murat foi exibido na seção Mostra Brasil da Mostra de São Paulo (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma máxima da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Regra 34 pressupõe que tudo existente na </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem sua versão pornográfica. Seja desenhos animados ou cenas cotidianas, qualquer elemento pode virar ponto de partida para o prazer. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem da carioca Júlia Murat presente no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, as contradições entre a liberdade do prazer e a sua raíz na sociedade borram as linhas entre consentimento e abuso. Na obra, uma coprodução Brasil e França, a violência é o combustível que incendeia a vida de Simone, confrontada com os frágeis limites que impõe ao próprio corpo.</span></p>
<p><span id="more-29381"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como a sinopse entrega, ela, estudante de Direito e defensora pública, paga seus estudos com o lucro dos conteúdos como </span><i><span style="font-weight: 400;">camgirl </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Chaturbate</span></i><span style="font-weight: 400;">. De tabela na curiosidade de uma amiga, começa a se questionar sobre as práticas do </span><a href="https://labioslivres.com/afinal-o-que-e-bdsm-e-o-que-quer-dizer/"><span style="font-weight: 400;">BDSM</span></a><span style="font-weight: 400;">: de início, o prazer a partir da violência e dos corpos amarrados, sujeitos a situações de submissão, soa estrutural demais, um mecanismo de degradação mascarado por tesão. Para Simone, </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-166082/"><span style="font-weight: 400;">mulher negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, orgulhosa em debater seus valores feministas e em se pronunciar em prol de pautas anti-racistas e de inclusão, reforçar um </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/lucia-murat-acredito-realmente-que-este-horror-vai-terminar/"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> de subordinação e erotização é, a princípio, impensável. Até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gradativamente, Simone dá vazão à curiosidade. Interpretada visceralmente por </span><a href="https://noticiapreta.com.br/sol-miranda-regra34/"><span style="font-weight: 400;">Sol Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a protagonista quebra seus próprios conceitos prévios sobre o BDSM e, progressivamente, avança no que está disposta a experimentar. A prática sexual, porém, não se restringe às quatro paredes de seu quarto: porta afora, o cotidiano de Simone é o do abuso e da violação, que se chocam com a noção de escolha presentes ali. Se como defensora pública, focando sua atuação em casos de agressões contra a mulher, a personagem é testemunha de relatos de violências físicas e psicológicas diariamente, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/regra-34-locarno"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">passa longe de alienar para a relação intrincada entre o prazer e a vida real.  </span></p>
<figure id="attachment_29384" aria-describedby="caption-attachment-29384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1.jpeg" alt="" width="2560" height="1381" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1024x552.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-2048x1105.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-1-1200x647.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29384" class="wp-caption-text">Regra 34 foi premiado com o Leopardo de Ouro, honraria máxima do tradicional Festival de Locarno; a única outra obra brasileira a já ter conquistado o feito foi Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967 (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pornografia é tema perigoso e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/x-ti-west-critica/"><span style="font-weight: 400;">glamurização</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o risco a ser levado em conta, mas roteiro a oito mãos de Júlia Murat, Gabriela Capello, Rafael Lessa e Roberto Winter não assume um só lado do discurso &#8211; não o repele, tampouco se rende a um liberalismo irresponsável. Sem um posicionamento pronto, as contradições e hipocrisias de Simone, tão dividida entre um desejo instintivo e um posicionamento racional quanto qualquer pessoa não fictícia poderia estar, movem o argumento da obra. Ela, confrontada por sua amiga e amante Lucia (Lorena Comparato) &#8211; quem a provocou para o BDSM em primeiro lugar -, sobre o perigo das práticas e dinâmicas de relação que passava a assumir, dispara: “</span><i><span style="font-weight: 400;">E se eu estiver reproduzindo o que a indústria sexual me ensinou, e daí? Sinto muito se meu tesão não é suficientemente político pra você</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na reta final dos 100 minutos de duração, a frase soa como apenas uma externalização do que o longa discutiu até ali. No contexto mais didático possível, </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34 </span></i><span style="font-weight: 400;">se manifesta justamente em sala de aula: o que Simone reproduz no quarto se sobrepõe ao que debate junto aos colegas, estudantes de Direito, sobre a origem dos problemas sociais e das dinâmicas de dominação e poder, e ao que vê no dia a dia na defensoria pública. Discutir punitivismo, as brechas do sistema legal e os mecanismos de repressão estruturais do Legislativo em uma turma majoritariamente branca e masculina, quase </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/11/20/mourao-lamenta-assassinato-de-homem-negro-em-mercado-mas-diz-que-no-brasil-nao-existe-racismo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">desconectada do mundo real</span></a><span style="font-weight: 400;"> senão pelos lapsos de veracidade vindos de outros alunos &#8211; mulheres e pessoas negras -, parece raso demais para mensurar a profundidade do universo em que Simone se insere.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre dois mundos, os âmbitos pessoal e profissional da protagonista se revelam antagônicos. Se durante o dia ela discute e presencia a violência submetendo corpos femininos e, em sua maioria, pretos a situações de abuso, durante a noite se coloca em ocasiões similares por espontânea vontade. Aqui, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9FXrXRT9N2k&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">também discute o </span><a href="https://mashable.com/article/bdsm-therapy-sexual-trauma"><span style="font-weight: 400;">BDSM</span></a><span style="font-weight: 400;">: diferentemente da vida real, na doutrina da prática, o consentimento e o diálogo são chave. Nas relações entre Simone e Coiote (Lucas Andrade), seu companheiro de turma, amigo e amante com quem ela explora as dinâmicas sexuais, linhas são traçadas, mas, conforme ambos ultrapassam os próprios combinados, os limites são rapidamente deixados para trás. Afinal, qual é o limite se Simone é quem os impõe e logo os descarta?</span></p>
<figure id="attachment_29385" aria-describedby="caption-attachment-29385" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/regra-34-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29385" class="wp-caption-text">Júlia Murat é filha de Lúcia Murat, importante cineasta brasileira, e se pronuncia abertamente sobre a influência da mãe em seus trabalhos e na perseverança em lutar pelo Cinema no país (Foto: Imovision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra não acena a uma responsabilidade moral. Com as explícitas contradições de sua grandiosa protagonista, graças ao intenso trabalho de Miranda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Regra 34</span></i><span style="font-weight: 400;"> pouco diz sobre o contexto de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/seguranca/audio/2022-06/tres-mulheres-morrem-por-dia-no-brasil-por-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">violência das mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; especialmente negras &#8211; no Brasil e menos ainda sobre o BDSM. Aqui, ambos subtextos parecem conduzir o foco a um quadro maior: a relação entre o prazer e a sua raíz estrutural. Se as relações de poder e submissão, de dominação e dominado, permeiam todas as esferas do país, aparecendo até em relacionamentos românticos e familiares, por que no sexo seria diferente? O filme não responde os questionamentos que suscita. Simone, que se aventurou a ponto de arriscar sua própria integridade física, vida e carreira, tampouco desvenda. Que cada um reflita por si.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Regra 34 | Teaser Oficial [HD] - 2022 | Imovision" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9FXrXRT9N2k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The White Lotus: uma sátira social que expõe os privilégios da elite</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 16:33:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira A sátira criada e dirigida por Mike White (Enlightened, Escola de Rock), se tornou um completo sucesso em audiência desde seu lançamento pela rede americana HBO, tanto que já tem sua segunda temporada encomendada para o próximo ano, em um formato de antologia, com personagens e histórias diferentes. Toda trama de The &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The White Lotus: uma sátira social que expõe os privilégios da elite"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23307" aria-describedby="caption-attachment-23307" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1.jpg" alt="Cena da séried The White Lotus. Na imagem, vemos dois funcionários do resort. O senhor da direita é grisalho, veste um terno de cor cereja e uma camisa azul clara, e está segurando uma pasta preta nas mãos; a moça ao lado dele é uma haitiana, de cabelos compridos escuros e amarrados em um rabo de cavalo, ela veste uma camisa rosa e segura uma bandeja com algumas toalhas brancas enroladas, com um estojo preto em cima. Eles estão ao ar livre, em frente a algumas árvores,  e está de dia." width="890" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1.jpg 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem1-1-1-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23307" class="wp-caption-text">Os funcionários, interpretados por Jolene Purdy e Murray Bartlett, recepcionam os hóspedes do resort em The White Lotus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sátira criada e dirigida por </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/the-new-yorker-interview/mike-white-on-money-status-and-appearing-on-survivor"><span style="font-weight: 400;">Mike White</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2013/mar/28/enlightened-box-set-laura-dern"><i><span style="font-weight: 400;">Enlightened</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-reviews/school-rock-tv-review-874256/"><i><span style="font-weight: 400;">Escola de Rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), se tornou um completo </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/the-white-lotus-conheca-seu-criador-mike-white"><span style="font-weight: 400;">sucesso em audiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu lançamento pela rede americana </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto que já tem sua segunda temporada encomendada para o próximo ano, em um </span><a href="https://variety.com/2021/tv/news/white-lotus-renewed-hbo-season-2-1235038559/"><span style="font-weight: 400;">formato de antologia</span></a><span style="font-weight: 400;">, com personagens e histórias diferentes. Toda trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i><span style="font-weight: 400;"> se passa num </span><i><span style="font-weight: 400;">resort </span></i><span style="font-weight: 400;">de luxo no Havaí, de mesmo nome da série, e tem como protagonistas três grupos de pessoas, com algo predominante entre elas: são todas ricas e brancas.</span></p>
<p><span id="more-23306"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, tudo parece ir às mil maravilhas. Os funcionários do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort </span></i><span style="font-weight: 400;">dão as boas-vindas ao grupo, sempre sorridentes. Porém, o que vemos inicialmente não é a realidade. Os funcionários, de classe social inferior, entre eles se destaca o gerente Armond (</span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1299230/murray-bartlett-fala-sobre-sua-cena-escatologica-em-white-lotus-fiquei-chocado"><span style="font-weight: 400;">Murray Bartlett</span></a><span style="font-weight: 400;">), são obrigados a deixarem seus problemas de lado, e satisfazer os caprichos dos hóspedes de classe alta, como Shane Patton (</span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a37246748/jake-lacy-the-white-lotus-interview/"><span style="font-weight: 400;">Jake Lacy</span></a><span style="font-weight: 400;">), recém-casado com Rachel (</span><a href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/alexandra-daddario-interview-the-white-lotus/id1366421088?i=1000529177542&amp;l=pt"><span style="font-weight: 400;">Alexandra Daddario</span></a><span style="font-weight: 400;">), em suas condições de total servidão. Um exemplo disso é quando Belinda (</span><a href="https://www.thecut.com/2020/05/more-natasha-rothwell-please.html"><span style="font-weight: 400;">Natasha Rothwel</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.thecut.com/2020/05/more-natasha-rothwell-please.html">l</a>), gerente do </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem dor nas costas após um dia de trabalho, mas precisa massagear Tanya McQuoid (</span><a href="https://www.newyorker.com/culture/on-television/the-raw-triumph-of-jennifer-coolidge-in-the-white-lotus"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Coolidge</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma senhora rica, que vive no ócio o dia todo. A série não só trabalha em torno das personagens, mas também é notável uma crítica em torno da elite e dos explorados.</span></p>
<figure id="attachment_23308" aria-describedby="caption-attachment-23308" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos duas hóspedes do resort. Ambas são jovens. A moça da esquerda veste um maiô preto, é loira, de pele clara, tem os cabelos soltos na altura dos ombros, usa óculos de grau e está segurando um livro de cor branca nas mãos. A jovem da direita veste um conjunto de verão na cor verde limão, tem pele negra clara, cabelos cacheados soltos, pouco abaixo dos ombros, e está segurando um livro de cor preta nas mãos. Elas estão sentadas em cadeiras de praia de cor marrom, estão ao ar livre e está de dia." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23308" class="wp-caption-text">Sydney Sweeney e Brittany O&#8217;Grady interpretam duas hóspedes do hotel (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens são muito bem elaboradas e entram em conflito simultaneamente, de modo que há uma sincronia entre suas ações e comportamentos, e tudo é acompanhado com excelência pela constante </span><a href="https://www.npr.org/2021/08/21/1029957360/music-moment-white-lotus-composer"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que muda com o ritmo dos acontecimentos. Também vale salientar que muitas das ações das personagens principais causam certo desconforto no espectador, que pode se visualizar cometendo os mesmos erros deles, como quando Mark Mossbacher (Steve Zahn) pensa que os havaianos estão dançando para os hóspedes brancos durante o jantar porque querem </span><a href="https://www.vox.com/first-person/22621960/white-lotus-native-hawaiians-hbo"><span style="font-weight: 400;">honrar a cultura deles</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que eles se sentem bem em fazer aquilo.</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Não se deve matar pessoas, roubar suas terras e depois fazê-las dançar. Sabemos disso. Mas é a humanidade. Bem-vinda a América!” </span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Mark Mossbacher </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também chama a atenção pela fluidez com que temas considerados polêmicos são abordados, tais como: relacionamento abusivo e machismo, presentes no casal Patton; alcoolismo e carência extrema, como ocorre com Tanya McQuoid; e preconceito, visíveis no comportamento de Mark Mossbacher. Outro assunto que é muito bem explorado, é a posse dos brancos sobre as terras dos havaianos no passado. Um dos funcionários do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, um havaiano chamado Kai (</span><a href="https://www.elitedaily.com/entertainment/who-plays-kai-white-lotus-kekoa-scott-kekumano"><span style="font-weight: 400;">Kekoa Scott Kekumano</span></a><span style="font-weight: 400;">), conta para Paula (</span><a href="https://www.nylon.com/entertainment/brittany-ogrady-white-lotus-paula"><span style="font-weight: 400;">Brittany O&#8217;Grady</span></a><span style="font-weight: 400;">), que o hotel está construído sobre as terras de seu povo, e que os donos do local não pagaram um valor justo por elas. Agora o rapaz trabalha para o hotel, porque, segundo ele, precisa de dinheiro para viver.</span></p>
<figure id="attachment_23312" aria-describedby="caption-attachment-23312" style="width: 1431px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos um homem de cabelos claros, penteados de lado. Ele está sentado em uma mesa, com um prato branco e algumas taças de champagne à sua frente. Ele veste uma camisa azul marinho. Atrás dele, há algumas pequenas luzes. Ele está de frente, olhando para alguém, ao ar livre e está de noite." width="1431" height="794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1.jpg 1431w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-1024x568.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-768x426.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-6-1-1200x666.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23312" class="wp-caption-text">Mark Mossbacher e sua família durante o jantar (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques na série são as duas hóspedes mais jovens, Olivia Mossbacher (</span><a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sydney Sweeney</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua melhor amiga, e de classe social “inferior”, Paula. A princípio, as duas parecem amigas próximas, mas após alguns episódios, é evidente a competitividade de Olivia com Paula, até mesmo com o fato da moça engatar um namoro durante a viagem, e ela não. Como Paula diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ela é minha amiga enquanto tem mais do que eu</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A viagem para elas é puro tédio, até se darem conta de que levaram, sem perceber, uma mochila com drogas. Há ali uma denúncia de como será a nova geração de ricos, com o exemplo de Olívia, que age ao contrário de todas as frases politicamente corretas citadas por ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A esposa de Shane, Rachel Patton, é a única hóspede dali que pertence à classe média, e a única que é possível o espectador se identificar. Vinda de uma família humilde, se deslumbra com a vida de luxo que conquistaria casando-se com um milionário. Apesar de sua carreira como jornalista, não possui emprego fixo, trabalhando esporadicamente como </span><i><span style="font-weight: 400;">freelancer. </span></i><span style="font-weight: 400;">Durante a viagem de lua de mel, se sente desconexa daquele mundo, primeiro após um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LcoDj5G8kZQ&amp;ab_channel=HBO"><span style="font-weight: 400;">encontro com Olivia e Paula</span></a><span style="font-weight: 400;"> na piscina, e após, em uma angustiante discussão com Nicole Mossbacher.</span></p>
<figure id="attachment_23309" aria-describedby="caption-attachment-23309" style="width: 1621px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos dois hóspedes do resort. Ambos são jovens. O rapaz da esquerda tem pele branca, cabelos castanhos e curtos, veste uma camisa verde, óculos de sol, e está segurando um celular acima de sua cabeça, tirando uma selfie, e tem um dos braços envolta da moça ao seu lado. A moça ao lado dele tem pele branca, cabelos castanhos, lisos, soltos na altura dos ombros; está usando óculos, sorrindo. Eles estão ao ar livre e está de dia." width="1621" height="907" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2.jpg 1621w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1536x859.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem3-2-1200x671.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23309" class="wp-caption-text">Shane e Rachel Patton em passeio de barco com Tanya e Belinda (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra passagem, Shane Patton se mostra contrário à ideia de sua esposa trabalhar, ou ter uma vida sem ser </span><a href="https://thedipp.com/the-white-lotus/why-did-rachel-marry-shane-on-the-white-lotus"><span style="font-weight: 400;">subserviente a ele</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando a mãe dele, Kitty (Molly Shannon), aparece para uma visita durante a viagem de lua de mel do casal e ele expõe esse impasse do casal a ela, a mesma apoia o filho, dizendo que é mais vantajoso organizar eventos, do que trabalhar. Ou seja, não existe satisfação pessoal em ter uma </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2020/04/independencia-financeira-e-melhor-ter/"><span style="font-weight: 400;">vida financeira independente</span></a><span style="font-weight: 400;"> do marido, só o questionamento da falta de sentido em querer obter dinheiro com trabalho se já tem a posse dele em abundância, sem precisar disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É surpreendente a evolução do filho caçula do casal Mossbacher, Quinn (</span><a href="https://www.polygon.com/interviews/22643928/fred-hechinger-interview-white-lotus-cast-fear-street"><span style="font-weight: 400;">Fred Hechinger</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao longo da série. Logo nos primeiros episódios é retratado como um jovem infantilizado e alienado em jogos de celular. Após a estadia no </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, o jovem passa a aspirar a independência e um modo de vida mais simples, semelhante ao do seu novo grupo de amigos havaianos. A lição passada aqui é que, por mais que uma pessoa seja adaptada às mordomias que o dinheiro proporciona, não necessariamente significa que ela seja feliz.</span></p>
<figure id="attachment_23310" aria-describedby="caption-attachment-23310" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos dois hóspedes do resort. O da esquerda é um jovem loiro, de pele branca. Ele está vestindo uma camisa amarela, e segura um tablet nas duas mãos, enquanto olha pra ele.  Na direita tem um homem mais velho, loiro e de pele clara, com os cabelos molhados, está sem camisa. Ambos estão dentro de uma piscina, apoiados na borda. Está de dia." width="1440" height="736" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-800x409.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-1024x523.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-768x393.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-5-1200x613.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23310" class="wp-caption-text">Quinn e Mark Mossbacher são filho e pai em The White Lotus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o personagem central da série, seja o gerente do </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, Armond, que passa por percalços desde o início, com o parto inesperado de uma funcionária em seu escritório, e após, as desavenças com o Shane Patton, por causa de um erro na reserva de uma suíte. O papel de Armond no desenrolar da trama nos faz perceber aquilo que passa no consciente de muitas pessoas que precisam servir, mas não gostam daquilo, e têm os hóspedes como secretos inimigos. Seu sorriso forçado não consegue esconder o que se passa em seu emocional, e toda a pressão do cotidiano no </span><i><span style="font-weight: 400;">resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, viria a cobrar </span><a href="https://www.them.us/story/white-lotus-finale-murray-bartlett-armond"><span style="font-weight: 400;">um preço caro</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ele no futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também a conexão entre Tanya e a funcionária do </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, Belinda. Após uma sessão de massagens, Tanya tem uma catarse, e adquire uma </span><a href="https://cinedope.com/what-are-tanyas-true-motives-towards-belinda-in-the-white-lotus/"><span style="font-weight: 400;">relação de dependência</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Belinda. Essa relação vai além, quando Tanya propõe abrir um </span><i><span style="font-weight: 400;">spa</span></i><span style="font-weight: 400;">, tendo Belinda como sócia. Após alguns dias, Tanya desenvolveu um relacionamento amoroso com um hóspede do quarto ao lado. Desse novo relacionamento, cessam as chances de parceria entre Tanya e Belinda, pois, segundo ela, voltaria ao padrão de fazer uso do dinheiro para controlar e explorar outra pessoa, e isso não seria saudável para ela.</span></p>
<figure id="attachment_23311" aria-describedby="caption-attachment-23311" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5.jpg" alt="Cena da série The White Lotus. Na imagem, vemos uma hóspede deitada e uma funcionária do resort massageando a cabeça dela. A hóspede está deitada em uma esteira, é loira, de cabelos lisos e pele clara, está vestindo um roupão branco, e as mãos estão cruzadas sobre a barriga. A funcionária do resort é negra, com cabelos cacheados soltos sobre os ombros; ela veste um conjunto azul marinho, e uma camisa estampada com flores. Eles estão em uma sala com luminárias ao redor, um vaso de plantas atrás, outra esteira ao lado, de cor azul clara. Está de dia." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23311" class="wp-caption-text">A funcionária Belinda massageando a hóspede Tanya (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso recorrente de </span><a href="https://www.eonline.com/news/1288582/hbos-dark-comedy-the-white-lotus-might-have-you-rethinking-that-trip-to-hawaii"><span style="font-weight: 400;">humor ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> está em todas as passagens, bem como na mensagem difundida com o desfecho do enredo. Por mais que a série queira nos passar uma imagem de final feliz para alguns personagens, há a consciência de que esse final só é possível para os que pertencem a uma </span><a href="https://guides.rider.edu/c.php?g=926249&amp;p=6675323"><span style="font-weight: 400;">classe social privilegiada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já os personagens que têm um final trágico, fica a reflexão de que, caso pertencessem a uma família abastada, teriam o mesmo fim, ou seus atos seriam igualmente julgados pela lei e aceitos pela sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do sexto e último episódio, vemos algumas situações de conformismo, e outras de surpreendente transformação. Porém, chegamos a conclusão de que o mundo é desta forma, cheio de diferenças e injustiças sociais, que muitas vezes assimilamos e aprendemos a aceitar, mas para mudá-lo precisamos bem mais do que o uso de bordões politicamente corretos em conversas entre amigos, e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/31/internacional/1433106323_876086.html"><span style="font-weight: 400;">discursos em redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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