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	<title>Arquivos Competição Novos Diretores &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Roussil – A Liberdade da Imaginação prova que o Cinema é uma das principais armas contra o esquecimento</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 20:35:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há algo muito humano no ato de lutar contra o esquecimento. A Arte, quando nasce, já carrega em si uma resistência ao tempo, uma tentativa de permanecer quando tudo o mais se dissolve. R. Roussil – A Liberdade da Imaginação, dirigido por Maxime-Claude L’Écuyer e que está em exibição na 49ª Mostra Internacional &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/roussil-a-liberdade-da-imaginacao-prova-que-o-cinema-e-uma-das-principais-armas-contra-o-esquecimento/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Roussil – A Liberdade da Imaginação prova que o Cinema é uma das principais armas contra o esquecimento"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36171" aria-describedby="caption-attachment-36171" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-800x450.png" alt="Uma escultura alta e abstrata de Robert Roussil, de cor clara, com uma forma humanóide estilizada. A figura, que se assemelha a uma pessoa dançando com braços curvos e erguidos, está posicionada ao ar livre contra um fundo escuro de um paredão rochoso." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36171" class="wp-caption-text">As esculturas de Roussil resistem ao tempo – monumentos de imaginação e aço (Foto: Tulp Films)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há algo muito humano no ato de lutar contra o esquecimento. A Arte, quando nasce, já carrega em si uma resistência ao tempo, uma tentativa de permanecer quando tudo o mais se dissolve. </span><i><span style="font-weight: 400;">R. Roussil – A Liberdade da Imaginação</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Maxime-Claude L’Écuyer e que está em exibição na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria Competição Novos Diretores, surge como um desses gestos de resistência. Mais do que resgatar a figura de um escultor esquecido, o filme convoca o espectador a pensar na Arte como um modo de permanecer vivo na memória dos outros, mesmo quando a matéria se desgasta.</span></p>
<p><span id="more-36170"></span></p>
<p><a href="https://artpublicmontreal.ca/en/artiste/roussil-robert/"><span style="font-weight: 400;">Robert Roussil</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos nomes centrais da escultura moderna em Quebec, foi um artista que fez da liberdade de expressão o princípio e o fim de sua obra. Expulso de seu próprio país por desafiar convenções artísticas e políticas, Roussil encontrou na França e, mais tarde, na região de Provence-Alpes-Côte d’Azur, o espaço ideal para construir uma utopia pessoal: um moinho transformado em ateliê, refúgio e extensão de seu imaginário. Desde sua morte, em 2013, o brilho desse legado parece ter sido engolido pelo silêncio, e é justamente esse eco que o documentário procura reverberar.</span></p>
<figure id="attachment_36173" aria-describedby="caption-attachment-36173" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x450.png" alt="Uma escultura abstrata e orgânica de Robert Roussil, de cor bronze ou marrom, com formas longas e sinuosas que lembram um animal deitado ou raízes. A escultura está sobre um gramado, com vegetação e um paredão rochoso ao fundo, onde outra escultura branca é vista à distância." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36173" class="wp-caption-text">L’Écuyer captura o silêncio como se fosse parte da paisagem de Roussil (Foto: Tulp Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa, construída com sensibilidade e precisão, alterna imagens de arquivo, entrevistas com o próprio artista e depoimentos de quem conviveu com ele. À primeira vista, o formato poderia sugerir uma abordagem tradicional – o conhecido mosaico de vozes e memórias –, mas </span><a href="https://mostra.org/diretores/maxime-claude-lecuyer"><span style="font-weight: 400;">L’Écuyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> o transforma em algo mais íntimo e poético. A câmera percorre as locações de Roussil, especialmente sua casa e seu estúdio, como se investigasse as frestas por onde a criatividade ainda escapa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre poesias recitadas e animações que dialogam com as esculturas, o documentário encontra um ritmo próprio, quase meditativo. As imagens fazem uma reinvenção com o artista. É como se o filme também se tornasse uma escultura, moldando o tempo com a mesma delicadeza com que Roussil </span><a href="https://artpublicmontreal.ca/en/oeuvre/hommage-a-rene-levesque/"><span style="font-weight: 400;">moldava o metal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Há um diálogo silencioso entre a densidade do ferro e a leveza da imaginação, entre o gesto concreto e o impulso de sonhar. A trilha sonora reforça essa dualidade: ora introspectiva, ora grandiosa, ela sustenta o caráter sensorial da experiência.</span></p>
<figure id="attachment_36172" aria-describedby="caption-attachment-36172" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-800x450.png" alt="O diretor Maxime-Claude L’Écuyer, um homem de cabelos escuros e barba, vestindo uma jaqueta jeans, está em pé ao lado de um cartaz preto da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, contra uma parede amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36172" class="wp-caption-text">Maxime-Claude L’Écuyer esteve na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da beleza formal, o </span><a href="https://www.mnbaq.org/en/programming/cinema/robert-roussil-le-cul-par-terre?utm_source=chatgpt.com"><i><span style="font-weight: 400;">R. Roussil – A Liberdade da Imaginação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> flerta por vezes com a repetição e o didatismo, especialmente ao insistir em apresentar o artista sob o mesmo enquadramento reverente. No entanto, essa repetição também pode ser lida como um espelhamento da própria memória, que insiste, retorna e reitera para não desaparecer. O documentário recupera o fôlego no desfecho, quando abandona a estrutura explicativa e se entrega ao sentimento puro de lembrança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua essência, o longa de </span><a href="https://mostra.org/jornal-da-mostra/mostra-exibe-filmes-gratuitos-nas-plataformas-sesc-digital-spcine-play-e-itau-cultural-play?utm_source=chatgpt.com"><span style="font-weight: 400;">L’Écuyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um convite à reflexão sobre a preservação da Arte e sobre o papel que temos, como espectadores e cidadãos, de manter vivas as vozes que moldaram o imaginário coletivo. Roussil acreditava que a imaginação era a forma mais autêntica de liberdade – e talvez, ao revisitá-lo, o Cinema reafirme exatamente isso. Porque lembrar é um ato político. E imaginar, ainda hoje, é um modo de existir.</span></p>
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		<title>Corações Jovens não sabe nomear o amor, mas sabe senti-lo</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 15:46:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Dirigido por Anthony Schatteman e presente na seção Novos Diretores, Corações Jovens (Young Hearts, no original) foi exibido na 1ª Mostrinha da 48ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo. Em meio à calmaria das paisagens rurais belgas, o filme é uma viagem ao que há de mais doce e confuso na vida: &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracoes-jovens-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Corações Jovens não sabe nomear o amor, mas sabe senti-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34391" aria-describedby="caption-attachment-34391" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Emilie de Roo compartilham um momento íntimo dentro de um carro. Emilie segura o rosto de Lou com ambas as mãos, olhando-o nos olhos com uma expressão de cuidado e afeto, enquanto Lou, um menino jovem, mantém um olhar sério e atento, sugerindo uma conversa emocional ou momento de conforto. A luz suave que entra pela janela reforça o tom de proximidade e ternura entre os dois personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34391" class="wp-caption-text">O longa teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Foto: Polar Bear)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Anthony Schatteman e presente na seção Novos Diretores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens (Young Hearts</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) foi exibido na 1ª Mostrinha da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em meio à calmaria das paisagens rurais belgas, o filme é uma viagem ao que há de mais doce e confuso na vida: a primeira vez que nos apaixonamos. Elias (Lou Goossens), um menino de treze anos, enfrenta as primeiras grandes emoções em um mundo que começa a se revelar mais amplo e, ao mesmo tempo, mais incerto. Atravessamos campos verdes e vemos o mundo pelos olhos dele, assim, sentimos suas descobertas – desde sua primeira desilusão até seu primeiro amor.</span></p>
<p><span id="more-34390"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de sonhos e de luz suaves, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem do amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é algo ainda sem forma. Elias não sabe o que é amar, mas sente em si algo que transborda. A chegada de Alexander (Marius De Saeger), seu novo vizinho e colega de classe, desperta nele um sentimento inédito e intenso, algo que faz seu coração bater diferente. Essa paixão nasce da simplicidade de estar ao lado do outro e da admiração que cresce em cada gesto ou olhar que os dois compartilham. O toque leve das mãos, os risos abafados, as pedaladas em uma tarde ensolarada; tudo é amor, mesmo que ele não saiba nomeá-lo assim.</span></p>
<figure id="attachment_34392" aria-describedby="caption-attachment-34392" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Marius de Saeger estão juntos ao piano, em uma cena que exala cumplicidade e curiosidade. Lou observa Marius com atenção enquanto ele toca, demonstrando interesse e admiração. A luz natural que entra pela janela ilumina o ambiente, criando uma atmosfera leve e serena, que destaca o vínculo e a troca de olhares entre os jovens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34392" class="wp-caption-text">Corações Jovens se inspira na experiência pessoal do diretor Anthony Schatteman (Foto: Polar Bear)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há muitos momentos surpreendentes ao longo da produção. Poderíamos esperar alguma </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-pampa-critica/"><span style="font-weight: 400;">tragédia devastadora</span></a><span style="font-weight: 400;">; o verdadeiro clichê contemporâneo de filmes do gênero. No entanto, a verdadeira surpresa aqui é a previsibilidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><i><span style="font-weight: 400;">Comfort movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua essência mais genuína. Sem desníveis, névoa e  curvas sinuosas. Vemos todo caminho a frente e seguimos pedalando vagarosamente até o final, enquanto aproveitamos a vista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia do filme, por Pieter Van Campe, dá vida à emoção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens</span></i><span style="font-weight: 400;">. A luz natural dos campos e o uso das sombras criam uma sensação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fragilidade. Cada cena é enquadrada de modo a parecer memórias da nossa infância, borradas, sentimentais, inventivas e com total foco nas pessoas, suas falas e acontecimentos. O cenário é um mero coadjuvante, como acontece na própria mente ao guardarmos só o mais importante.</span></p>
<p><figure id="attachment_34393" aria-describedby="caption-attachment-34393" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34393" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Emilie de Roo compartilham um momento íntimo dentro de um carro. Emilie segura o rosto de Lou com ambas as mãos, olhando-o nos olhos com uma expressão de cuidado e afeto, enquanto Lou, um menino jovem, mantém um olhar sério e atento, sugerindo uma conversa emocional ou momento de conforto. A luz suave que entra pela janela reforça o tom de proximidade e ternura entre os dois personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34393" class="wp-caption-text">A trilha sonora do filme foi composta por Ruben De Gheselle, que também trabalhou em Close (2022) [Foto: Polar Bear]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Com sensibilidade, a narrativa atravessa a jornada da primeira paixão em seus altos e baixos. Para muitos de nós, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, descobrir o amor pela primeira vez não é só sobre o calor dos sentimentos e a alegria do novo; é também sobre confrontar o medo e a vergonha que a sociedade ainda nos impõe. E, se há algo que possa aquecer nossos corações e nos representar com dignidade, porque não fazê-lo? Clichês são o que são porque funcionam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre descobertas – sobre o amor em suas formas mais genuínas e conflitantes, a vergonha que nos prende, a coragem que nos liberta e o desejo de pertencimento que pulsa em quem está crescendo. O longa nos lembra que essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-critica/"><span style="font-weight: 400;">paixão adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão única e, ao mesmo tempo, tão compartilhada, é o que molda nossas primeiras escolhas e, por consequência, quem somos e quem queremos ser para nós ou alguém especial.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Young Hearts | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/--4NOr0NFh4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 20:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Competição Novos Diretores]]></category>
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		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. Ousamos Sonhar é o ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ousamos-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31877" aria-describedby="caption-attachment-31877" style="width: 493px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Doc_WDTD1_VioletFimls.png" alt="" width="493" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-31877" class="wp-caption-text">Trazendo à tona os desafios dos imigrantes no esporte, Ousamos Sonhar fez parte da Competição Novos Diretores da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span><i><span style="font-weight: 400;"> o</span></i><span style="font-weight: 400;"> ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, os sonhos ultrapassam as linhas das fronteiras territoriais. </span></p>
<p><span id="more-31873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário, cinco personagens que foram forçados a deixar seus países por diversos motivos, das economias quebradas aos movimentos opressão, expõem a realidade de lutar por um espaço no esporte nos novos locais que ocupam. Os jovens fazem parte da Equipe Olímpica de Refugiados do COI (Comitê Olímpico Internacional) que participou das </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2021/07/09/conheca-os-atletas-refugiados-que-competem-nos-jogos-olimpicos-e-paralimpicos-de-toquio-2020/"><span style="font-weight: 400;">Olimpíadas de Tóquio em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, entre desafios e grandes desejos, vivem jornadas de verdadeiras reconstruções. </span></p>
<figure id="attachment_31881" aria-describedby="caption-attachment-31881" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31881" class="wp-caption-text">A Equipe Olímpica de Refugiados é uma iniciativa do COI e competiu pela primeira vez em 2016, no Rio de Janeiro, com 12 atletas (Foto: Violet Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anjelina Nadai Lohalith, Cyrille Tchatchet II, Kimia Alizadeh, Saeid Fazloula e Wael Fawaz Al-Farraj vêm do Sudão do Sul, de Camarões, do Irã e da Síria. Suas histórias se encontram no remar contra a maré que os levou a compor a </span><a href="https://olympics.com/pt/noticias/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-equipe-olimpica-de-refugiados"><span style="font-weight: 400;">equipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 35 atletas refugiados, com enfoque no modo como o esforço de cada um os levou ao destaque no meio mesmo com as vidas inteiras a se recompor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de expor que essas dificuldades do choque com as culturas desconhecidas e da busca pelo acolhimento em suas novas moradas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vryDglIUkww"><i><span style="font-weight: 400;">We Dare to Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da produção – tem o tom inspirador como protagonista. Ver a superação dos esportistas é, sim, lindo, mas gera sentimentos conflitantes em quem está do lado de cá da tela e enxerga as circunstâncias em maiores proporções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo em que há beleza nas jornadas, saber que elas têm tantos conflitos pelo caminho por conta da ideia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/here-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sequer existem verdadeiramente e são apenas invenções territorialistas, faz com que as cores se acinzentem. Em certo ponto, tudo parece romântico demais para um contexto sociopolítico que definitivamente falha a cada novo passo e continua segregando os filhos da prepotência dos falsos deuses de carne e osso.</span></p>
<figure id="attachment_31875" aria-describedby="caption-attachment-31875" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31875" class="wp-caption-text">Ousamos Sonhar tem Angelina Jolie como uma de suas produtoras executivas (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há uma espécie de admiração impossível de não existir, sobra muito de emoção nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> delicados e os enquadramentos perfeitamente adequados aos movimentos que envolvem as práticas esportivas dos protagonistas. Talvez seja exatamente essa escolha por parte da fotografia, conduzida por </span><a href="https://www.wouterboes.com/"><span style="font-weight: 400;">Wouter Boes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Franklin Dow, Alexander Hackinger e Roger Singh, que deixa os doces acima dos amargos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro acerto da obra são as perspectivas. A grande equipe de profissionais, com destaque aos diversos </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/angelina-jolie-executive-producer-refugee-sports-documentary-1235511432/"><span style="font-weight: 400;">produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">, permite que o olhar para a narrativa seja difuso. De personagens distintos a um </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;"> igualmente diverso, o fundo semelhante das conjunturas não torna, em nenhum momento, as singularidades ocultas. Pelo contrário, aqui, a primeira pessoa do plural vive na unidade de ser humano, mas não na de ser igual. </span></p>
<figure id="attachment_31882" aria-describedby="caption-attachment-31882" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/We_Dare_to_Dream_doc.webp" alt="" width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-31882" class="wp-caption-text">John Legend, além de participar da trilha sonora de Ousamos Sonhar, também está entre os produtores executivos (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais acomodado que</span> <a href="https://www.democracynow.org/2023/6/15/we_dare_to_dream_syrian_filmmaker"><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> esteja aos moldes de uma sociedade que, de tão devastada, colocou os absurdos na normalidade, seu produto se faz real, concreto e sinceramente inspirador. Valorizando a força, a coragem e a flexibilidade, fica a esperança de que independente dos destroços que envenenam os trajetos é possível chegar ao lugar ao sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos contrastes entre perda e recuperação, o documentário reflete uma realidade nefasta, mas que nem sempre vence. O pódio do enredo se solidifica em algo muito maior que medalhas de bronze, prata ou ouro; vencer ganha significados ampliados. Em um encaixe exato, o título se mostra mais que certeiro, sonhar é um ato de ousadia e, nas dinâmicas de um mundo complicado, é também a personificação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 18:19:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Sibila é um desses desafios para um público &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sibila-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31870" aria-describedby="caption-attachment-31870" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1.webp" alt="" width="730" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-31870" class="wp-caption-text">A adaptação literária A Sibila integrou a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na seção Novos Diretores (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">é um desses desafios para um público desavisado: o longa, presente na seção Novos Diretores do festival, adapta o romance homônimo de uma importante escritora portuguesa, Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, diferente de outros escritores portugueses, Bessa-Luís não virou leitura obrigatória no Ensino Médio ou nos vestibulares, e a </span><a href="https://www.blogletras.com/2020/03/a-sibila-de-agustina-bessa-luis.html"><span style="font-weight: 400;">adaptação de sua obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, tida por muitos como impossível de ser realizada pelo tom de monólogo, instiga o público a pensar em como a Literatura e o Cinema se constroem, se conectam e se sobrepõem (se é que o fazem). Em pouco mais de uma hora, Eduardo Brito, diretor estreante em longas-metragens, assume o desafio e </span><a href="https://valkirias.com.br/adaptacoes-literarias/"><span style="font-weight: 400;">questiona esses limites</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31867"></span></p>
<figure id="attachment_31872" aria-describedby="caption-attachment-31872" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31872" class="wp-caption-text">A Sibila foi lançado em Portugual na semana que se comemora o centenário da autora (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no livro, </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/a-sibila-47a"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa no interior de Portugal em meados do século XX, em um charmoso casarão rústico, com móveis de madeira, janelas altas e paredes amarelas claras. Nele, Germana (Joana Ribeiro), sentada em uma cadeira de balanço, conta a história da vida da tia, Maria Joaquina (Maria João Pinho) a um amigo. Quina, como a familiar era conhecida, foi a única das irmãs que não se casou e teve filhos e, por isso, criou uma afeição em especial com Germa (a sobrinha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, como qualquer narrador, a mais nova tem suas opiniões e o monólogo em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">não a deixa mentir. Porém, é através das farpas e dos comentários duvidosos proferidos pela sobrinha que o espectador analisa as situações, equilibrando o que se escuta com o que se vê. Nesse caso, o que se vê são as ações de Maria Joaquina, já que, passeando entre os tempos em uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-longa-viagem-do-onibus-amarelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dinâmica, o longa mescla a contação de Germa, no presente, às ações de Quina, no passado. A semelhança física entre as duas atrizes tornam a experiência ainda mais curiosa, ao, em um primeiro momento, tentar distinguir quem é quem.</span></p>
<figure id="attachment_31871" aria-describedby="caption-attachment-31871" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-2.jpg" alt="" width="640" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-31871" class="wp-caption-text">Desde jovem, Quina usa seu poder de manipulação a seu favor (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo e voltando entre tempos da narrativa, mas sem sair da mesma sala da Casa da Vessada que foi herdada por Quina, </span><a href="https://asibila-filme.com/"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">impõem um ritmo que frequentemente se contrapõem à narração. Enquanto a caracterização bucólica e a sensação de isolamento prevalecem entre ambos &#8211; essa segunda parte graças à fotografia de Mário Castanheira, que filma amplos ambientes internos e externos destacando a ausência de corpos -, a condução em forma de monólogo pede um passo atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque a obra se constrói em um texto que parece tirado diretamente do livro base. Com uma língua afiada e um punho fechado, a protagonista reproduz falas literárias que fascinam pela </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/eduardo-brito-ao-filmar-a-sibila-era-preciso-nao-perder-a-riqueza-das-palavras-de-agustina-17145626.html"><span style="font-weight: 400;">riqueza de vocabulário</span></a><span style="font-weight: 400;"> e construções frasais únicas &#8211; embora afastem o espectador, que, pelo menos nas sessões da Mostra de São Paulo, não recebeu uma legenda adaptada para o português brasileiro e pode ter perdido parte da complexidade da narrativa. Tamanho é o floreio na escrita, em um roteiro também de Eduardo Brito, que é como assistir um filme narrado pelas irmãs Brontë ou Jane Austen &#8211; ou por Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<figure id="attachment_31869" aria-describedby="caption-attachment-31869" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp" alt="" width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-800x433.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1024x554.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-768x415.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1200x649.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31869" class="wp-caption-text">No filme, homens são coadjuvantes para as duas protagonistas (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da condução, a narração e a atuação das duas protagonistas engrandecem o roteiro de </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/eduardo-brito"><span style="font-weight: 400;">Brito</span></a><span style="font-weight: 400;">: desde o início, Germa retrata Quina de uma forma manipuladora, mas também extremamente esperta e resistente às adversidades de uma sociedade que a subjugava. Descrita como “</span><i><span style="font-weight: 400;">possuidora de todo o puro enigma do ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”, na voz de Joana Ribeiro a mais velha ainda ganha tons de mistério, como se seus negócios nada secretos tivessem motivos alternativos por trás, uma espécie de feitiçaria. No entanto, o que se mostra na tela é uma Maria Joaquina simples, com desejos que não passam de ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-vazio-de-domingo-a-tarde-critica/"><span style="font-weight: 400;">dualidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas intensamente por Maria João Pinho retratam uma personagem solitária, que não se tornaria submissa a um homem apenas por convenção, mas que, pelo desejo por propriedades, jóias e outros bens materiais, afastou o afeto e comprava o amor da família. Germa foi uma das agraciadas: a sobrinha, uma criança curiosa e questionadora que se afastou da tia na infância, se reconectou com ela posteriormente. Na idade adulta, as diferenças &#8211; a mais nova foi viver na cidade e estudar artes, enquanto a mais velha defendia a vida no interior e os ensinamentos dos deveres de casa &#8211; criam uma relação magnética de admiração, mas também de ciúmes e ainda mais ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/"><span style="font-weight: 400;">complexidade da protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganha novos tons em sua relação com Custódio (Raimundo Cosme), criança moradora da Casa da Vessada antes de Quina herdar a posse do lugar. Adotado afetivamente, ele foi criado com a mesma sede por riqueza que ela. Porém, sob sua rigidez, se tornou um jovem ocioso e dependente, que, sem planos de vida, espera somente o testamento da mais velha. O filho adotivo, assim como os outros homens da trama &#8211; pais, irmãos e maridos &#8211; são os donos daquela Portugal arcaica e rural, mas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i><span style="font-weight: 400;">, a visão feminina de Germa sobre a tia a coloca em um local de superioridade ao gênero oposto: eles podiam ditar as regras no mundo, mas nas terras herdadas por Quina, especialmente no Casarão da Vessada, ela quem mandava.</span></p>
<figure id="attachment_31868" aria-describedby="caption-attachment-31868" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg" alt="" width="1280" height="691" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31868" class="wp-caption-text">A semelhança física entre as intérpretes das protagonistas é, no mínimo, curiosa (Foto: Alfama Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando um olhar sob uma Portugal patriarcal, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">subverte uma lógica simplista ao retratar duas personagens decididas, cheias de nuances e defeitos (que podem tornar até difícil a conexão), mas sempre dispostas a bater de frente com quem fosse para conseguir o que queriam &#8211; inclusive, uma com a outra. Com um texto extremamente literário, o envolvimento depende da disposição em decifrar um idioma homônimo ao nosso, porém com poucos traços de similaridade prática. Em um exercício de como a linguagem cinematográfica pode corroborar com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">adaptação literária</span></a><span style="font-weight: 400;">, Eduardo Brito mostra que ambas Artes andam de mãos dadas. </span></p>
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		<title>Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 13:33:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, Croma Kid é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por Pablo Chea e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/croma-kid-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Croma Kid sintoniza a expressividade dos anos 1990 em uma tela fantástica e analógica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31820" aria-describedby="caption-attachment-31820" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco coberto por um pano verde com dois furos em seus olhos castanhos e abertos. Parte de suas sobrancelhas aparecem nas formas ovais. Ao fundo uma parede verde como chroma key de um estúdio." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31820" class="wp-caption-text">Croma Kid esteve na 47ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo e também na seção Bright Future do Festival Internacional de Cinema de Roterdã (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcado pelo domínio da tecnologia analógica no cenário audiovisual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem estonteante aos anos 1990. Dirigido por </span><a href="https://www.pablochea.com/work"><span style="font-weight: 400;">Pablo Chea</span></a><span style="font-weight: 400;"> e presente na seção Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra de Cinema Internacional em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ficção nos leva a acompanhar o encantador pré-adolescente Emi (Bosco Cárdenas), em todas as suas rebeldias e pensamentos inquietantes sobre sua família, que o envergonha por sua veia artística e televisiva.</span></p>
<p><span id="more-31819"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, nem todos herdamos vocações familiares e talentos natos, mas como um ponto fora da curva, o sangue da família Chea tem mostrado predisposição para a </span><a href="https://arteref.com/cinema/a-setima-arte-por-que-o-cinema-tem-este-nome/"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do filho de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/claudio-chea"><span style="font-weight: 400;">Claudio Chea</span></a><span style="font-weight: 400;">, também cineasta e diretor de fotografia, soa como uma </span><a href="https://youtu.be/K4atVMlc2fc"><span style="font-weight: 400;">ficção biográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> impressionantemente construída para um primeiro trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em seu início de carreira, a temática fantástica, a ambientação de época e a metalinguagem não pareceram um desafio para Chea como diretor e também roteirista, junto a Israel Cárdenas. Nos sentimos realmente dentro de seu universo nostálgico, distantes de amadorismos e furos de roteiro ou cenografia, como acontece até em grandes produções, como </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/fas-apontam-copo-de-cafe-do-starbucks-em-cena-de-game-of-thrones/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Solo Fernández - MAGIA (Video Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1KgTI64zXd8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de um espaço </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">fantástico e saturado da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, a interpretação do elenco é, sem dúvida, um ponto alto do longa. Bosco Cárdenas transmite as emoções e os conflitos do protagonista em meio à transição da infância para a adolescência de uma forma muito singular. Sem exageros ou muitos esforços, o que podemos quase chamar de performance contida é, na verdade, muito natural para um jovem ator. E sua família &#8211; que facilmente acreditaríamos ser sua realmente &#8211; é um catalisador de empenho e expressividade precisos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jaime Pina, que interpreta o avô Lito, parceiro e mentor de Emi em suas aventuras atrás das câmeras, nos deixa à vontade e quase alheios ao mundo adulto e conflituoso em que seus pais foram designados para representar. Enquanto isso, responsável por se preocupar e colocar os pés de todos no chão, Nashla Bogaert, que interpreta Daniela, mãe coerente, rígida, amorosa e ao mesmo tempo tão sonhadora quanto todos, equilibra a </span><a href="https://www.blog.365filmes.com.br/2016/11/os-8-filmes-latino-americanos-mais-premiados.html"><span style="font-weight: 400;">narrativa familiar latina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e maravilhosa que move a trama.</span></p>
<figure id="attachment_31822" aria-describedby="caption-attachment-31822" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png" alt="Cena do Filme Croma Kid. Na imagem está um garoto branco de cabelos lisos médios na altura de sua orelha. Ele está sentado em uma mesa de escritório enquanto segura um telefone fixo na mão. A ambientação é repleta de aparelhos antigos datados de 1990, como computadores com monitores de tubo, porta-lápis em formato de cubo mágico e uma luminária amarelada. Ao fundo está uma prateleira azul repleta de livros, fitas e brinquedos antigos." width="1376" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749.png 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-800x296.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1024x379.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1-e1699882102749-1200x444.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31822" class="wp-caption-text">A primeira produção de Pablo Chea, na verdade, foi um curta chamado Cumplebomba que fez com 11 anos com a câmera que seus pais o deram de aniversário (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, o ditado que diz ser melhor pecar pelo excesso que pela falta nunca fez tanto sentido. Em seus 92 minutos, toda magia do clímax e conclusão do longa estão presentes em um segundo ato. Já com a pipoca no fim, nos acostumamos com a rotina conturbada da família sem apelar para um emprego infeliz e desmotivador à Arte. Até que nos deparamos com o pior dos cenários: um clichê muito bem-vindo, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> adolescente de </span><i><span style="font-weight: 400;">16 Desejos</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NV7PBRBcxu0"><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e todos os outros filmes que mostram que não vale a pena pular etapas da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, dessa vez, de uma maneira menos cômica, caricata e infantil. Em que podemos, de fato, nos imaginar como o personagem principal. Essa representação pode estar atribuída principalmente às origens dos produtores e sua autenticidade em reproduzir a realidade de países latinos. Longe de comprometimentos imperialistas aos sucessos da Academia, a obra também se encaixaria muito bem na seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_31821" aria-describedby="caption-attachment-31821" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg" alt="Cena do filme Croma Kid. Na imagem está uma família se abraçando em frente a uma parede verde de um estúdio de televisão. A família está se abraçando, um homem idoso está a esquerda com um terno preto, a direita está uma mulher adulta de óculos escuros e cachecol, a direita está uma criança com um gorro amarelo cobrindo seus olhos e, por último, a direita está um homem adulto com um chapéu e camisa social marrons. Todos são brancos e estão sorrindo, apenas o idoso olha para sua família enquanto os outros três olham para frente. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31821" class="wp-caption-text">Segundo o diretor, Croma Kid celebra memórias como o laço de uma macrocultura que nos unem em comunidade e como famílias (Foto: Aurora Dominicana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A habilidade em criar cenas cotidianas como se realmente tivessem sido gravadas antes da virada do século é notável, considerando ainda a incorporação muito bem feita de efeitos visuais semelhantes aos de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/fas-de-de-volta-para-o-futuro-se-emocionam-com-foto-de-elenco-33-anos-apos-fim-da-trilogia/"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta Para o Futuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras produções do cinema noventista. O </span><i><span style="font-weight: 400;">chroma key</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">glich art &#8211; </span></i><span style="font-weight: 400;">na TV dentro da TV &#8211; enriquecem ainda mais a experiência do telespectador como um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> a parte. Sobretudo, os responsáveis pelo som sublinham a importância do áudio na construção da experiência de imersão. Sem mencionar todos os outros pontos positivos do longa, o cenário meticuloso com fitas VHS, </span><i><span style="font-weight: 400;">walkmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">pagers</span></i><span style="font-weight: 400;">, discos de vinil e brinquedos mergulham o público na nostalgia e na cultura da época, até para quem não esteve lá.</span></p>
<blockquote><p>Cada instante tem infinitas possibilidades<br />
Acredite ou não em magia<br />
Você tem o poder de mudar sua realidade</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A atenção aos detalhes, assim como a autenticidade dos cenários naturais e urbanos, abraçam os desafios e profundidade daquele período. Muito além de um entretenimento nostálgico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Croma Kid</span></i><span style="font-weight: 400;"> celebra a memória afetiva e a imaginação infantil. Nos fazendo lembrar a capacidade do Cinema de transformar o cotidiano em algo mágico, transportando-nos para universos que ecoam a visão positiva das </span><a href="https://www.instagram.com/p/CyRhsiMu5DK/?img_index=9"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pequenas centelhas que fazem nossos dias valerem a pena.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Croma Kid – trailer | IFFR 2023" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tjH2-Vo6_s8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quando nem as Conversas pela Noite conseguem trazer alívio</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:12:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Antes de estrear na direção, Su Qiqi foi co-produtora de obras prestigiadas, como Uma Nuvem no Quarto Dela (2020), vencedor do Festival de Roterdã na categoria de Melhor Filme. Agora, ela dirige, escreve e atua em Conversas pela Noite, filme selecionado para a seção Competição Novos Diretores da 47ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-pela-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando nem as Conversas pela Noite conseguem trazer alívio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31796" aria-describedby="caption-attachment-31796" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, está o casal de protagonistas no centro da foto. A foto é em plano aberto e não dá destaque ao casal, que é um homem e uma mulher na faixa dos 40 anos. Ao fundo da imagem tem um lago e árvores na margem. Próximo do casal há duas árvores. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31796" class="wp-caption-text">O longa de estreia da diretora chinesa Su Qiqi faz parte da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de estrear na direção, Su Qiqi foi co-produtora de obras prestigiadas, como</span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/the-cloud-in-her-room"> <i><span style="font-weight: 400;">Uma Nuvem no Quarto Dela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), vencedor do </span><a href="https://iffr.com/en"><span style="font-weight: 400;">Festival de Roterdã</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme. Agora, ela dirige, escreve e atua em </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme selecionado para a seção Competição Novos Diretores da 47ª</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"> <span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando em um relacionamento, antes de dormir, os parceiros deitam-se para conversar sobre o dia, a rotina, acontecimentos e o que está na cabeça. Este momento sucinto é de suma importância para conectar casais e desafogar do caos cotidiano. Mas quando o momento desaparece e é engolido junto aos problemas, o que </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">resta</span></a><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<p><span id="more-31794"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo, outros cineastas já responderam essa dúvida, à exemplo de Richard Linklater em a</span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"> <span style="font-weight: 400;">trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Antes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que percorre as etapas de um relacionamento, a energia dos primeiros encontros, o amadurecimento e o esfriamento da paixão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">destaca esse momento longínquo que só acontece com amores que duram mais de mil e uma noites. </span></p>
<figure id="attachment_31797" aria-describedby="caption-attachment-31797" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31797" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2.jpg" alt="Foto de cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, está à esquerda, o casal de protagonistas lendo um livro e sentados no sofá. Eles são adultos de meia-idade, chineses e usam óculos. Na frente deles, há uma pequena mesa com livros, à direita um piano e uma cadeira. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31797" class="wp-caption-text">Ma Yuebo é o par romântico de Qiqi; ambos personagens possuem o mesmo nome que seus intérpretes (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal protagonista está há bastante tempo juntos, moram na mesma casa e tem uma filha, que ainda é criança. Qiqi, interpretada por</span><a href="https://47.mostra.org/diretores/su-qiqi"> <span style="font-weight: 400;">Su Qiqi</span></a><span style="font-weight: 400;">, está passando por um momento delicado na carreira, mas prefere não comentar com o marido porque tem medo que ele rebaixe seus sentimentos. Essa adversidade não merece tanta atenção assim. O marido Ma Yuebo é um poeta, tem facilidade de expressar os sentimentos, seja escrevendo uma poesia ou lendo junto a esposa, para que ela compreenda o que o assombra. Para ela, um carro em movimento é o suficiente para fazê-la vomitar e perder a noite de sono. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No olho do furacão, o par não está mais em sintonia. Ao comer na mesa, eles se distraem com celulares e não se conectam entre os intervalos do trabalho, um dos poucos momentos que podem ficar juntos. Só se dispõem a falar após um almoço com amigos, em que discutem sobre diversos temas e acabam se tornando espelhos para Qiqi e Yuebo. Logo, descobrimos quais questões sobre a vida os incomoda nessa fase da vida: arrependimentos, o medo de não ter mais tempo para nada, tornar-se anacrônico. E como cada um deles enfrenta impasses: o marido legitima o lúdico, as poesias; a esposa se isola ou fala com outras mulheres.</span></p>
<figure id="attachment_31795" aria-describedby="caption-attachment-31795" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31795" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.jpg" alt="Foto de cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, estão 4 personagens comendo na mesa. À esquerda está um homem na faixa dos 40 anos, ele é robusto, tem cabelo liso e usa óculos. Na ponta está o protagonista, ele é chinês, magro e seu cabelo é curto. Também usa óculos. Na direita está a protagonista, ela é uma mulher chinesa, usa óculos, seu cabelo é preto e longo com franja. Ao seu lado, está uma mulher também na faixa dos 40 anos, ela tem o cabelo curto. Na mesa tem pratos, uma panela, taças e uma garrafa de vinho" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31795" class="wp-caption-text">As discussões das personagens são clímax dentro da calmaria dos takes longos (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/conversas-pela-noite-47a"><span style="font-weight: 400;">O filme de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Su Qiqi é cheio de marcas autorais que, junto à fotografia de Zhang Zhengan, podem já definir características da sua direção. Os planos longos sem cortes, o estilo contemplativo, as grandes linhas de diálogo e a aposta nas cores preto e branco para dar vida ao seu casal. As inclinações para contar a história são articuladas por uma consciência sobre unidade fílmica e como elementos funcionam em conjunto numa estrutura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando dedica tempo para passear e conhecer a casa, os espaços e os móveis, a diretora permite a familiarização do lar. Ao abandonar o colorido, Qiqi abraça um registro cru da vida adulta, que de repente a magia das borboletas na barriga já não batem mais suas asas. Unindo as técnicas com a temática de um</span> <a href="https://www.terra.com.br/diversao/coming-of-age-o-que-e-e-filmes-que-abordam-o-assunto,bc827af93c5666d975496286d6929ac93xr8wg6c.html"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da vida adulta, a diretora cria uma atmosfera inquietante, silenciosa e cheia de estilo que conclui numa estrada infinita, em que os protagonistas precisam atravessar para virar a página. Se a cineasta também seguir por este caminho, sua visão continuará promissora. </span></p>
<p><a href="https://feitoporelas.com.br/47a-mostra-de-sao-paulo-conversas-pela-noite-2023/"><span style="font-weight: 400;">Su Qiqi </span></a><span style="font-weight: 400;">não dá a solução ou dicas de como superar fases difíceis, mas, assim como no título, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, os diálogos são foco central e moradas de alívio. É através dela que trama e desenvolvimento das problemáticas avançam. Esfriar a relação após tanto tempo juntos faz parte do jogo. A escritora e diretora mergulha seus personagens em diálogos que ultrapassam a noite e permite que o casamento veja mais uma vez a luz do dia. O casal continuará a passear por parques, cômodos da casa e estradas vazias até que consigam trazer as noites de conversa de travesseiro. </span></p>
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		<title>Qual o preço de Uma Vida de Ouro?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:01:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, trabalhe enquanto eles dormem. Com a proliferação dos coachs tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/uma-vida-de-ouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual o preço de Uma Vida de Ouro?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31791" aria-describedby="caption-attachment-31791" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um adolescente negro de cabelo crespo curto. Ele veste uma camiseta preta com detalhes laranja nas mangas e na gola, uma bermuda laranja e uma sandália melissa branca. Ele está de costas, sentado em um morro e apreciando a vista do garimpo na paisagem árida" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31791" class="wp-caption-text">A obra integrou a competição Novos Diretores na 47ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, </span><a href="https://www.terra.com.br/nos/opiniao/lua-andrade/nao-tem-pobreza-que-resista-a-14-horas-de-trabalho-primo,fe7526d12118c573aeade0b3d3713465p6f61hjg.html"><span style="font-weight: 400;">trabalhe</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto eles dormem. Com a proliferação dos </span><i><span style="font-weight: 400;">coachs</span></i><span style="font-weight: 400;"> tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica o homem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, nas palestras e nos </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele é lindo, mas também demonstra como uma certa parcela está totalmente descolada e alheia à sociedade da qual faz parte e das mazelas que ela carrega. É a partir desse cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"> de Cinema em São Paulo</a>, busca traçar um estudo de como a busca por uma vida melhor funciona na prática em uma região devastada pela miséria.</span></p>
<p><span id="more-31788"></span></p>
<figure id="attachment_31792" aria-describedby="caption-attachment-31792" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31792" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Missa e Dramane, duas crianças africanas, com 12 e 13 anos, respectivamente. Missa está ao centro e veste uma camiseta amarela da Juventus, time italiano, e uma bermuda na cor goiaba. Dramane está à esquerda da imagem e veste uma camiseta branca com furos e uma bermuda jeans. Ele está carregando uma carroça improvisada com sacos." width="1380" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31792" class="wp-caption-text">O documentário fez sua estreia em circuitos no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra conta a história Rasmané, um jovem de 16 anos que trabalha no </span><a href="https://minesactu.info/en/2023/08/14/burkina-faso-securing-artisanal-mining-sites-remains-a-challenge/"><span style="font-weight: 400;">garimpo artesanal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da região de Bantara, em Burkina Faso. A produção é capitaneada por Boubacar Sangaré, diretor natural do Mali que aqui estreia em longa-metragens tratando de algo que lhe é muito próximo. Além de cineasta, Boubacar também é formado em Direito e, por mais que essas duas profissões muitas das vezes não conversem entre si, fica nítido como ele advoga por uma causa e desenha seu argumento com as câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rasmané tem a idade perfeita para estrelar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém o longa faz questão de exaltar, retratando sua vida no campo de mineração, que parte importante de sua vida foi usurpada, ou sequer lhe foi dado o direito de vivê-la. O adolescente age, fala, se porta e tem o comportamento de alguém que há décadas está calejado pela jornada de trabalho, mas que, numa representação nada fantasiosa de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-curioso-caso-de-benjamin-button"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Button</span></a><span style="font-weight: 400;">, está em um corpo de criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa filmagem é feita de forma muito passiva. O mensageiro não vai até a câmera explicitar a crítica como já estamos acostumados em documentários. Pelo contrário, usando do </span><a href="https://www.zoommagazine.com.br/cinema-direto-x-cinema-verdade/"><span style="font-weight: 400;">Cinema direto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, através da fotografia de Isso Emmanuel Bationo, nos coloca como intrusos se esgueirando por aquela vida, como moscas que pairam pelo local. Desse modo, a narrativa diminui completamente o ritmo e nos coloca para contemplar a situação, seja nos planos tortos e não convencionais para retratar as pessoas, ou nos planos abertos para exaltar a paisagem que de tão inóspita, se torna bonita. E só quando também desaceleramos, que conseguimos pensar e captar a mensagem sem qualquer direcionamento da produção, deixando seus personagens puramente humanos, em um ambiente que a humanidade não tem peso e valor nenhum.</span></p>
<figure id="attachment_31790" aria-describedby="caption-attachment-31790" style="width: 1061px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um jovem negro de cabelo curto. Ele veste uma regata cinza com estampa de losangos e uma calça cinza clara. Ele está em uma espécie de buraco no chão, deitado sobre os corpos de seus companheiros de mina. A luz da lua está sobre seu rosto e ele fuma um cigarro olhando para cima" width="1061" height="597" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31790" class="wp-caption-text">Em um mundo desvirtuado, a desvirtuação de Rasmané parece até natural (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha criativa incomoda até certo ponto e nos coloca no limiar de sempre pensar que aquilo, na verdade, é uma ficção sobre algo que ocorre no território africano, como foi </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/312056/capitao-phillips-2013-tom-hanks-em-sua-melhor-forma/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Phillips</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-beasts-of-no-nation/"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De fato a obra instiga tal dúvida ao máximo, principalmente com as tomadas extremamente bem filmadas nas incursões embaixo da terra, que conseguem transmitir todo o sufocamento da situação, sem abrir mão de uma composição muito bem elaborada. Porém, toda a jornada guiada pelo documentário tem uma recompensa no final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante grande parte da produção, se assume que ela seguiu uma abordagem para contar a história. No entanto, a parte final serve para subverter a própria obra e trazer uma nova ótica para si. Se antes ela optava por não se envolver com seus personagens, agora está mais próxima do que nunca – e é aqui que percebemos que todo o cuidado e primor do documentário não era resultado somente do talento da produção, mas sim por conta de Sangaré também ter sido um adolescente do garimpo no passado. Se antes, o foco era falar com adolescentes da região de Bantara, especialmente Rasmané, que tiveram sua juventude transviada pelo ouro, agora ele conversa com cada um de nós, que precisou vender um pedaço de sua alma para um sistema.</span></p>
<figure id="attachment_31789" aria-describedby="caption-attachment-31789" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela vemos Rasmané, um adolescente negro. Ele veste uma regata cinza com estampas de losango, e uma calça cinza. Ele está de costas em pé, e com as mãos na cintura enquanto observa as pilhas do garimpo." width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31789" class="wp-caption-text">Boubacar Sangaré tem na sua formação em Direito uma especialização em Direito cinematográfico, o que faz com que sua principal luta seja na estruturação jurídica do mercado audiovisual da África Ocidental (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g6Gkt4vX0xE&amp;ab_channel=CapacitaCursosOnline"><span style="font-weight: 400;">Gonzaguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> já dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">fica com a pureza e a resposta das crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">” e é através das respostas delas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> evidencia que, nesse planeta perdido e assolado por (e pela falta de) dinheiro, algumas coisas brilham mais e tem a pureza mais valorizada do que a própria infância. Porém, o documentário não perde tempo remoendo culpa, pois o mundo cão é implacável e há sempre mais coisas para se preocupar, há sempre alguém para nos apontar o dedo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a obra conscientemente opta por apontar a câmera, sem julgamentos e sem indução, como se fosse o espelho mais nítido de uma parcela que nunca sequer teve um holofote para si. A produção é um zoom que alcança a alma e, através do microcosmo de seu documentado, consegue discutir um macro que importa a todos: o viver. E na pureza da criança que sabe que nem tudo que reluz é ouro, que entendemos que a vida, apesar dos seus contratempos, é cruelmente bonita.</span></p>
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		<title>As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas</title>
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		<pubDate>Fri, 26 May 2023 16:31:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[2021]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, As Hostilidades documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por M. Sebastian Molina, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-hostilidades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30977" aria-describedby="caption-attachment-30977" style="width: 752px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-4.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um homem de capuz. O homem e o chão em que ele pisa estão escondidos pelo escuro, ao fundo, o céu do entardecer tem cores rosa e laranja com poucas nuvens aparentes." width="752" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-30977" class="wp-caption-text">Produção mexicana, As Hostilidades fez parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na categoria Competição Novos Diretores (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por </span><a href="https://mubi.com/pt/films/amok-2022"><span style="font-weight: 400;">M. Sebastian Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um espaço aparentemente vazio, mas cheio de memórias e feridas. </span></p>
<p><span id="more-30976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 70 minutos da obra são quase informais, filmados de uma maneira que mescla o relato e a paisagem, a sensação é de invadir o diário secreto de alguém. Assim, o tom intimista quebra o gelo presente no cerne de produções em formato de </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e caminha por um horizonte em que a narrativa é subjetiva. O efeito é enfatizado pela falta de um tripé ou equipamentos técnicos, aqui, as mãos que seguram a câmera – que são do próprio Molina – têm a terra de Santa Lúcia na ponta dos dedos. </span></p>
<figure id="attachment_30978" aria-describedby="caption-attachment-30978" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há o tronco de um homem com algumas tatuagens na cor preta. Entre elas está o nome Alícia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30978" class="wp-caption-text">“Trata-se dos lugares do meio, onde nada acontece e tudo é esquecido” (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cenas tomadas por uma zona de lentidão – que pode ser atribuída à pouca movimentação do lugar – o desenrolar da produção é menos fluido que o ideal, mas, ainda assim, é impossível estabelecer qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> como irrelevante. Cada pedaço do chão arenoso guarda uma história melancólica e dolorosa de como a risada das crianças se tornou o silêncio promovido pelo medo, enquanto os jovens adultos, que sonharam com futuros cristalinos, perdem toda a ingenuidade para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/narcos-mexico-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">narcotráfico</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na voz desses homens sem perspectiva, as transformações ganham forma física por trás da pouca iluminação. Em suas vozes, que perambulam por notas de vergonha e revolta, o lugar pouco relevante para o resto do mundo se afirma em milhares de significados. Aquele “lugar do meio”, como descreve o diretor, foi casa de laços sinceros, desejos esperançosos e sorrisos ingênuos de pessoas que agora convivem com a sensação de não sentir </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2022/09/tentaculos-dos-carteis-mexicanos-se-estendem-na-america-latina-e-atingem-o-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segurança</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus próprios lares. </span></p>
<figure id="attachment_30979" aria-describedby="caption-attachment-30979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um garoto brincando com palha de aço pegando fogo. O menino gira o brinquedo improvisado fazendo um tipo de fogos. É noite e é possível ver a silhueta de árvores e o céu em um tom de azul quase sem nuvens." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3.jpg 1068w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30979" class="wp-caption-text">Em 2022, As Hostilidades apareceu na 29ª edição do Festival de Cinema Independente de Barcelona (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se fosse exatamente o tipo de filme fácil de vislumbrar, pois as camadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> são tão pessoais que o observador pode não ser capaz de entender a mensagem por completo. Em alguns momentos, as crianças correm envoltas por sons de leveza e diversão, e é um desafio entender se aquilo faz parte dos resquícios de pureza que recobrem a geração mais jovem ou são retratos de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">lembrança</span></a><span style="font-weight: 400;"> presa ao passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a experiência do telespectador é muitas vezes monótona e misteriosa, mas isso é perdoado pela força do grito de socorro ecoado por </span><a href="https://www.opendemocracy.net/pt/drama-violencia-inseguranca-mexico/"><span style="font-weight: 400;">Santa Lúcia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao fim, a sensação é de impotência por saber que, assim como essa, muitas outras cidades sofrem com um contexto político que troca a humanidade pelos lucros e finge se esquecer das consequências para os que lidam com os problemas sistêmicos restantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vidas resumidas ao impasse da falta de possibilidades, o ato de suportar é tão rotineiro quanto a involuntariedade da respiração. </span><a href="https://www.facebook.com/Sala-Juli%C3%A1n-Carrillo-528896850507344/videos/entrevista-a-sebasti%C3%A1n-molina-director-de-las-hostilidades-cinta-documental-que-/944706122894782/"><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é o primeiro nem o último relato de dores inundadas pela invisibilidade, mas sua singularidade retoma o fato de que é colocar tudo em uma só caixinha que normaliza realidades cruéis. Embaixo das cores vibrantes do mundo desenvolvido, o mundo real se colore em um cinza hostil. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RrDnDthKbiA?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>A Saída Está À Nossa Frente: as portas de emergência não se abrem para todos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2022 12:43:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  A narrativa do modo de vida americano presente em comerciais, produtos culturais e campanhas estadunidenses nos mostram uma realidade brilhante – moldada pela visão liberal do que isso significa. A ideia de desenvolvimento e sucesso escondem realidades nas quais o luxo e a tecnologia não estão presentes. Em A Saída Está À Nossa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-saida-esta-a-nossa-frente-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Saída Está À Nossa Frente: as portas de emergência não se abrem para todos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29292" aria-describedby="caption-attachment-29292" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2.jpg" alt="Cena do filme A Saída Está À Nossa Frente. Na imagem, Tracy Staggs aparece de costas colocando uma mesa desmontável no chão. A personagem é branca e está de pé. Ela veste um conjunto de calça e casaco de moletom, as peças de roupa são cinza com detalhes em rosa e preto. O cabelo é loiro e está preso. Ao redor há grama e uma árvore seca, também aparecem uma bicicleta rosa e uma azul no canto inferior direito. No lado esquerdo há alguns objetos atulhados." width="1600" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-1-6-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29292" class="wp-caption-text">A Saída Está À Nossa Frente aborda a vida norte-americana de uma perspectiva alternativa; o filme fez parte da Competição Novos Diretores na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa do </span><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">modo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente em comerciais, produtos culturais e campanhas estadunidenses nos mostram uma realidade brilhante – moldada pela visão liberal do que isso significa. A ideia de desenvolvimento e sucesso escondem realidades nas quais o luxo e a tecnologia não estão presentes. Em </span><a href="https://vimeo.com/533699391?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=34518939"><i><span style="font-weight: 400;">A Saída Está À Nossa Frente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do diretor Rob Rice, o valor das pessoas que não vivem sob os holofotes de Hollywood caminha em linhas retas, sem possibilidades de pontos de fuga. A produção independente fez parte da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo na Competição Novos Diretores, e com imagens tremidas e baixo orçamento, invade um horizonte tão real quanto cruel. </span></p>
<p><span id="more-29291"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação dos personagens expõe um núcleo familiar – por mais que isso seja feito de maneira pouco clara. Mark e Tracy Staggs são um casal, interpretado por pessoas comuns que cedem seus nomes aos personagens, e juntos tem uma filha chamada Cassie (</span><a href="https://psfilmfest.org/2021-shortfest/film-finder/prude"><span style="font-weight: 400;">Nikki DeParis</span></a><span style="font-weight: 400;">). Os três viveram a vida toda em um vilarejo de beira de estrada distante dos vislumbres da modernidade, mas a jovem recebe a chance de se mudar para Los Angeles e ganhar um novo destino. Ali, em uma garota tomada por otimismo e esperança, vive a saída. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é real, quase um registro documental guardado por uma só lente – já que Alexey Kurbatov trabalhou com a fotografia assim. As imagens, visivelmente francas, se misturam aos entulhos e espaços improvisados para construir um universo em que o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53562958"><span style="font-weight: 400;">Estado</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um pai ausente. Ainda assim, entre as marcas da pobreza, o afeto e a cumplicidade são capazes de alimentar sentimentos genuinamente doces. Uma pena o amor não ser capaz de passar por cima da crueldade de um sistema que prioriza acumular desigualdades. </span></p>
<figure id="attachment_29294" aria-describedby="caption-attachment-29294" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1.jpeg" alt="Cena do filme A Saída Está À Nossa Frente. Na imagem Tracy Staggs aparece olhando para frente. A personagem veste uma blusa de manga longa azul escura e cinza. Sua pele é branca e seus cabelos loiros estão presos" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-2-1-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29294" class="wp-caption-text">A Saída Está À Nossa Frente foi exibido na 33ª edição do festival FIDMarseille (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do enredo, também roteirizado por Rice, Cassie acumula despedidas. Passando pelos lugares e pessoas que marcaram sua vida, ela acomoda as lembranças com carinho, enquanto se prepara para ganhar novas possibilidades. Os moradores com os quais conversa revelam o quanto a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">negligência</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a residente mais antiga daquele lugar arenoso e deserto. Um primo com histórico de dependência química, um senhor que passou anos no sistema carcerário e usa a religiosidade como uma maneira de seguir em frente e o próprio pai escondendo uma doença terminal são reflexos disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que esteja debruçada sobre as margens dos </span><a href="https://www.bbc.com/reel/video/p07ks5pp/is-this-the-end-of-an-iconic-american-way-of-life-"><span style="font-weight: 400;">Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Way Out Ahead of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">– nome original da obra – não nos prepara em momento algum para caminhos pouco acesos. Por mais aflitivos que Mark e Tracy estejam com a evolução da condição do personagem, a vontade de fazer a filha sair daquele lugar move todos os seus passos com leveza. A sutileza acaba contagiando o espectador, que por muitos momentos se vê acreditando em </span><a href="https://pbnews.com.br/noticia/32083/louro-de-tolor-e-a-ilusao-de-ascensao-social"><span style="font-weight: 400;">futuros iluminados</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela boa vontade e esforço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conquista seu clímax com uma reviravolta moldada por um misto muito bem feito de surpresa e obviedade. Depois que Cassie já chegou na cidade grande, seu pai, dentro de um carro, a liga e deixa um recado trajado de adeus, pega uma arma e não precisamos ver mais nada para saber o que aconteceu. A tal </span><a href="https://personaunesp.com.br/plano-75-critica/"><span style="font-weight: 400;">saída</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parece mais uma luz no fim do túnel, mas uma ilusão construída em tons crus. </span></p>
<figure id="attachment_29293" aria-describedby="caption-attachment-29293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/imagem-3-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29293" class="wp-caption-text">A atriz iniciante Nikki DeParis atuou nos curta metragens Prude e Amaranthine (Foto: Hamilton Film Group)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Saída Está À Nossa Frente</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um sopro: rápido, leve e capaz de derrubar coisas. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mark não precisa tomar muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> para causar impacto em quem assiste a produção, mas deixa para traz questionamentos silenciosos. Em um mundo que dá muito a poucos e pouco a muitos, a saúde mental é um adereço pouco acessível. Afinal, os direitos humanos são para quantos? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rob Rice trabalha com pouco e isso é o suficiente para o propósito do filme. Atrás da fotografia distante da perfeição e dos atores improvisados, existe tanta verdade e provocação que o resultado é admirável. Um espetáculo que não se assume como tal, mas é baseado em fatos tão </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/eua-estao-virando-as-costas-as-familias-mais-pobres.shtml"><span style="font-weight: 400;">reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto eu e você. O grito silencioso e melancólico das vidas que existem atrás das cortinas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando os ratos de laboratório são colocados para realizar um percurso de teste, seguem o cheiro do queijo em busca do momento premiado sem saber que estão presos por paredes de acrílico. Assim também acontece com as pessoas: buscam os resultados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-um-sonho-critica/"><span style="font-weight: 400;">meritocracia</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem saber das barreiras ao seu redor. Nos destroços do capitalismo, a saída não leva a lugar algum. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/57hydG24TgI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>Leonor Jamais Morrerá usa a metalinguagem como poucos</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 16:48:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado O Cinema é capaz de mostrar mundos fantasiosos, realidades alternativas, novas perspectivas de grupos marginalizados da sociedade… As possibilidades são infinitas. No caso de Leonor Jamais Morrerá, produção filipina que faz parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a Sétima Arte é utilizada como meio de reconciliação entre mãe e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/leonor-jamais-morrera-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Leonor Jamais Morrerá usa a metalinguagem como poucos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29165" aria-describedby="caption-attachment-29165" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1.jpg" alt="Cena do filme Leonor Jamais Morrerá exibe uma idosa filipina parada em meio ao jardim de sua casa. Ela olha para cima, com os olhos fechados e a luz do sol batendo em seu rosto. Ela usa um vestido colorido. À esquerda, vemos uma cerca-viva repleta de plantas e à direita vemos mais plantas na parede da cada, com alguns vasos em cima de um balcão perto do canto inferior direito da imagem. " width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29165" class="wp-caption-text">Leonor Jamais Morrerá faz parte da Competição Novos Diretores na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema é capaz de mostrar mundos fantasiosos, realidades alternativas, novas perspectivas de grupos marginalizados da sociedade… As possibilidades são infinitas. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção filipina que faz parte da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a Sétima Arte é utilizada como meio de reconciliação entre mãe e filho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Leonor Reyes (Sheila Francisco) já foi uma figura consagrada do cinema de ação filipino, responsável pela criação de uma série de filmes de sucesso, mas agora sua família sofre com dificuldades para pagar as contas. Após ver o anúncio de um concurso de roteiros no jornal, ela decide continuar um esboço inacabado sobre a jornada de Ronwaldo (Rocky Salumbides), que busca <a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-50-anos/">vingança</a> pelo assassinato de seu irmão. Enquanto a imaginação ajuda Leonor a escapar das dificuldades da vida real, um acidente envolvendo a queda de uma televisão a deixa em coma, transportando-a para dentro da obra inacabada. Agora, ela pode descobrir o melhor final para a história.  </span></p>
<p><span id="more-29164"></span></p>
<figure id="attachment_29166" aria-describedby="caption-attachment-29166" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2.jpg" alt="ena do filme Leonor Jamais Morrerá mostra uma idosa filipina com os olhos arregalados e segurando um martelo nas mãos. Ela olha para algo dentro de uma abertura circular, que funciona como uma moldura para sua imagem na cena. " width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29166" class="wp-caption-text">Sheila Francisco entrega uma atuação comovente no papel da personagem-título (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa da estreante Martika Ramirez Escobar parte de uma abordagem cotidiana tão próxima do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para estabelecer a rotina de Leonor e seu filho, Rudi (Bong Cabrera), que não torna difícil se perguntar se aquelas pessoas exibidas em frente às câmeras existem mesmo ou estão interpretando personagens. O carteiro entrega a conta atrasada, Leonor canta enquanto cozinha, Rudi conversa com alguém ao telefone sobre seu desejo de sair de casa e a câmera de Martika capta tudo isso sem denunciar que está lá, estática. Desde o início, a fronteira entre realidade e ficção é quase inexistente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos atritos de Rudi e Leonor, a tentativa de um homem para se eleger como líder comunitário e uma criança que vende DVDs piratas em uma banca, o Cinema está sempre presente, mais especificamente o de ação. O olhar sensível da cineasta mostra o poder que a arte tem para dar vazão à criatividade, ajudar na conexão com um ente querido e provocar sentimentos intensos em uma pessoa ou em multidões. De forma bem-humorada e emotiva, o longa reconhece que </span><a href="https://www.exibidor.com.br/clipping/link.php?u=aHR0cHM6Ly93d3cxLmZvbGhhLnVvbC5jb20uYnIvaWx1c3RyYWRhLzIwMjIvMTAvY2luZW1hLWNlbGVicmEtdml0b3JpYS1kZS1sdWxhLWUtZGl6LXF1ZS1ib2xzb25hcm8tZm9pLXplcm8tYS1lc3F1ZXJkYS1uYS1jdWx0dXJhLnNodG1s"><span style="font-weight: 400;">um filme nunca é “só” um filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. É algo trabalhoso, envolvendo muitas pessoas e, por ser uma atividade profundamente humana, é capaz de mexer com questões internas de um indivíduo, como o luto pela morte trágica de um filho. </span></p>
<figure id="attachment_29167" aria-describedby="caption-attachment-29167" style="width: 2126px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3.jpg" alt="Cena do filme Leonor Jamais Morrerá mostra um homem filipino carregando canos no ombro direito. Ele veste uma regata rosa com calça jeans e tem cabelo preto. Na imagem, vemos a mira de uma arma em cima dele. " width="2126" height="1196" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3.jpg 2126w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/leonor-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29167" class="wp-caption-text">O longa também mostra como os filmes de ação filipinos se diferenciam dos americanos (Foto: Arkeofilms)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca por mergulhar na própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/desventuras-em-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada vez mais, depois que Leonor entra em coma. Até então, o longa mantinha os pés no chão, com um clima fácil de ser confundido com a realidade. Depois, a obra se liberta das amarras do convencional e se permite experimentar. Em dado momento, próximo do fim do filme, há três linhas narrativas: a de Rudi, no hospital, aguardando a mãe acordar do coma; a de Leonor, inserida em sua jornada como heroína dentro do produto de ação; e a de uma criança que possui o DVD do filme em que Leonor está inserida e assiste-o na TV. O espectador assiste a um longa-metragem, que possui outro dentro dele, enquanto um personagem também assiste a esse segundo. Se pareceu confuso, é porque realmente é. Tentar refletir sobre isso é um convite para se perder ainda mais no raciocínio e a produção sabe disso, convidando o público a aceitar e embarcar nessa reta final explosiva e sentimental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como fechar uma obra assim, tão imersa no próprio mundo? É difícil. A própria diretora faz uma pausa para refletir. O caminho optado é o da alegria e é impossível não terminar </span><i><span style="font-weight: 400;">Leonor Jamais Morrerá </span></i><span style="font-weight: 400;">com um sorriso no rosto, assim como a protagonista. A produção filipina, apesar de um pouco confusa, vale a pena de ser vista por apresentar um exercício inovador de metalinguagem, testando os limites entre real e ficcional. Com bom humor e sinceridade, a película mostra como a Sétima Arte mexe com cada ser humano, desde a </span><a href="https://personaunesp.com.br/scooby-o-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> à velhice, e serve como uma poderosa forma de conexão com outras pessoas. É um belo e mágico trabalho de estreia de Martika Ramirez Escobar. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LEONOR WILL NEVER DIE | Official US Theatrical Trailer | In Select Theaters November 25" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ro6xty9NWe0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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