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	<title>Arquivos Como Nossos Pais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Como Nossos Pais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Há uma década, Maria Rita pisava no palco para Redescobrir Elis e se encontrar como filha</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2022 19:47:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Agosto de 2012, Citibank Hall, São Paulo. Luzes apagadas, músicos subindo ao palco, plateia extasiada. Em seguida vem ela, Maria Rita, grávida de 7 meses, usando roupa branca e carregando a missão de eternizar a memória de sua mãe. A caminhada da coxia até o palco é silenciosa. Não há holofotes ou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há uma década, Maria Rita pisava no palco para Redescobrir Elis e se encontrar como filha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29403" aria-describedby="caption-attachment-29403" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29403" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/01mr.jpg" alt="" width="720" height="476" /><figcaption id="caption-attachment-29403" class="wp-caption-text">O carinho do público foi o motivo principal para a gravação do projeto (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agosto de 2012, Citibank Hall, São Paulo. Luzes apagadas, músicos subindo ao palco, plateia extasiada. Em seguida vem ela, Maria Rita, grávida de 7 meses, usando roupa branca e carregando a missão de eternizar a memória de sua mãe. A caminhada da coxia até o palco é silenciosa. Não há holofotes ou um grande tapete vermelho para a cantora. Peça essencial do espetáculo, a artista interage de maneira íntima com o mecanismo da banda, deixando explícito que a verdadeira estrela da noite é a única e onipotente Elis Regina. A chegada ao microfone é marcada por uma respiração funda, um frio na espinha e os acordes de um potente piano. Nesse momento a sensação é uniforme, podemos sentir um caloroso abraço: </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">mãe e filha se reencontram</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29402"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intitulado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BHUCgy24ZjY&amp;ab_channel=UniversalMusic"><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto, que colocou Maria Rita como intérprete do repertório de </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;">, após dez anos de carreira, começou a ser preparado no final de 2011. Inicialmente, a homenagem contaria apenas com cinco</span><i><span style="font-weight: 400;"> shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos, patrocinados pela Nívea, e receberia o nome de </span><a href="https://maria-rita.com/viva-elis/"><i><span style="font-weight: 400;">Viva Elis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O intuito era honrar a memória de uma das maiores cantoras do país no começo de 2012, marcado pelos 30 anos de sua morte. Entrega e sucesso imensos, um mar de gente se concentrava nas capitais brasileiras para fazer parte do emocionante reencontro entre mãe e filha, levando ao rebatizamento do projeto e a turnê registrada em CD e DVD, que prosseguiu até meados de 2013.</span></p>
<figure id="attachment_29404" aria-describedby="caption-attachment-29404" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29404" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mrmrmr.jpg" alt="" width="690" height="460" /><figcaption id="caption-attachment-29404" class="wp-caption-text">A canção Redescobrir foi feita por Gonzaguinha, especialmente para Elis, após o cantor assistir um ensaio do espetáculo Saudades do Brasil (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Piano, baixo, guitarra, bateria e voz se mesclaram em perfeita harmonia para intensificar o espetáculo e exercer a tarefa que sempre foi fácil para Maria Rita: emocionar.</span> <span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Ai que bom é ver vocês</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;">entoa a cantora nos primeiros segundos de palco. A abertura com </span><i><span style="font-weight: 400;">Imagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, música que Elis interpretava nos tempos do</span> <a href="http://culturabrasil.cmais.com.br/especiais/55-anos-O-Fino-da-Bossa"><i><span style="font-weight: 400;">Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">, aproxima a filha ao público, expressando sua gratidão.</span> <span style="font-weight: 400;">Então, em um momento extasiante, a voz da mãe sai do microfone em um breve discurso, enquanto Maria se afasta para trás do pedestal, que permanece iluminado ao passo em que a Pimentinha assume sua presença em </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em sequência, a artista embala </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrastão</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.museudatv.com.br/elis-regina-fez-um-arrastao-no-primeiro-festival-de-musica-na-tv/"><span style="font-weight: 400;">primeiro grande sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A intensidade de cada segundo revela que o maior objetivo da cantora é homenagear Elis e seus fãs. Onipresente no palco, Maria não toma o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> para si em momento algum. Sua roupa branca feita pelo fiel figurinista Fause Haten, o palco planejado por </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349629/helio-eichbauer"><span style="font-weight: 400;">Helio Eichbauer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a iluminação milimetricamente pensada por Maneco Quinderé ilustram a intenção primária de destacar a progenitora. Filha da primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos, a intérprete segue os passos maternos, entrelaçando voz aos demais equipamentos da banda. Integrada à sua orquestra, a potência da filha brilha, mas a estrela maior é a mãe. Maria Rita afirma ser herdeira de um talento inigualável, trazendo Elis no timbre, nos arranjos e nas interpretações.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<figure id="attachment_29405" aria-describedby="caption-attachment-29405" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-29405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/02mr-800x459.jpg" alt="" width="800" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/02mr-800x459.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/02mr-768x441.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/02mr.jpg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29405" class="wp-caption-text">A cantora subiu no palco ao lado dos músicos Tiago Costa, Sylvinho Mazzucca, Davi Moraes e Cuca Teixeira (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">, terceira faixa do álbum e mais importante no repertório de Elis, que causa o maior choque emocional. Solene, tributário e irreverente, a composição de </span><a href="https://80minutos.com.br/albumreview/4531"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela voz de Maria, desata o nó do estômago, ainda fazendo com que irremediáveis lágrimas surjam se manifestem. Nesse instante, toda a militância de Elis, que a consagra como grande cantora, é posta à mesa e prova que a luta por uma pátria livre de seus carrascos ditadores está em sua genética. A partir daqui, </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas uma filha cantando para sua mãe e se torna algo maior: Maria passa também a cantar sobre seus ídolos e sobre as fibras que ligam a si própria ao cordão umbilical. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A canção tão importante para a Música Popular Brasileira, representante de um grito de resistência durante o tenebroso período da história nacional, expõe o desafio que vai além de entoar as canções da mãe, o de embarcar em uma das maiores discografias do Brasil. Enfrentar o calibre do repertório já cantado por Elis é um desafio para qualquer pessoa que vive de música. E, ao longo de 28 faixas, Maria Rita prova ser a pessoa mais capacitada para dominá-las.</span></p>
<figure id="attachment_29406" aria-describedby="caption-attachment-29406" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29406 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/405297_482078118471218_293507986_n-800x530.jpg" alt="" width="800" height="530" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/405297_482078118471218_293507986_n-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/405297_482078118471218_293507986_n-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/405297_482078118471218_293507986_n.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29406" class="wp-caption-text">Lançado em novembro, o disco foi gravado nos dias 10, 11 e 12 de agosto de 2012, em São Paulo (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato da cantora estar muito bem acompanhada em cima do palco eleva a potência da produção musical, refrescando a sonoridade matriz ao mesmo tempo que em ousa inovar em percussões. Existe uma </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IMh9EyhLYto&amp;list=PLLSE-2SG0YAg_xrNRR8yetDr0lZws6weA&amp;index=2&amp;ab_channel=UniversalMusic"><span style="font-weight: 400;">vivacidade nas regravações</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> e nos arranjos criados coletivamente durante os ensaios, que não deixam de remeter ao cânone. São interpretações novas, originais e que referenciam as gravações clássicas, deixando a marca de cada músico nesses arranjos e o respeito ao repertório, assim classificando o projeto como uma vigorosa homenagem e não como um musical com as canções de Elis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dez anos que separam o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zHYWli3VDuM&amp;ab_channel=CanalBrasil"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Maria Rita e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir </span></i><span style="font-weight: 400;">colocou a cantora em um patamar que a consagra como uma das vozes mais prestigiadas de sua geração. Mas, ao mesmo tempo em que a artista conquistava seu espaço, seja na</span><i><span style="font-weight: 400;"> MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou no</span> <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/rock-in-rio/2022/noticia/2022/09/10/maria-rita-faz-sambao-de-respeito-com-banda-afiada-no-rock-in-rio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, por mérito próprio, os urubus da mídia insistiam em rivalizar mãe e filha por meio de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/01/19/maria-rita-desabafa-sobre-comparacoes-com-elis-regina-estou-cansada.htm"><span style="font-weight: 400;">comparações descabidas</span></a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É mantendo a discografia de Elis </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/maria-rita-elis-regina-de-todos-mas-mae-minha-25359366"><span style="font-weight: 400;">intocada por uma década</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maria torna todo o projeto mais intenso e sensível. Não era apenas uma homenagem. Não era apenas duas gigantes no palco. Eram todas essas variantes, acarretadas à volta de Elis para a vida de Maria. Não há adjetivo capaz de descrever a grandeza alcançada pela cantora toda noite em que ela entrava em cena, em frente a enorme expectativa de um grande público, e dava a cara ao desafio de cantar sem sucumbir ao peso e emoção que a cercava.</span></p>
<figure id="attachment_29407" aria-describedby="caption-attachment-29407" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/417428_482080525137644_1431485151_n-800x530.jpg" alt="" width="800" height="530" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/417428_482080525137644_1431485151_n-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/417428_482080525137644_1431485151_n-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/417428_482080525137644_1431485151_n.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29407" class="wp-caption-text">Perda precoce da mãe, comparações e necessidade de autoafirmação como intérprete foram os motivos que adiaram a homenagem em uma década (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Homenageando a mãe, Maria Rita ainda encontra espaço para honrar outros grandes nomes da MPB lançados por Elis. Dividindo seu primeiro trabalho ao vivo em dois discos com 14 faixas, extremamente preocupado com a qualidade, memória da homenageada e encadeamento de notas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> passeia por compositores marcantes e cantores que inspiraram a carreira da progenitora. Para unir grandes nomes como Milton Nascimento, </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;">, Gilberto Gil, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, Belchior, Adoniran Barbosa, Tom Jobim e Ivan Lins, a saída foi criar blocos temáticos, em que as faixas sentimentalmente se mesclavam a cantar a história daquela mulher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após lidar com a tão aguardada </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o roteiro do espetáculo é sequenciado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bolero de Satã </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2010/01/discos-fundamentais-elis-regina-e-tom.html?m=1"><i><span style="font-weight: 400;">Águas de Março</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para falar de ídolos da adolescência da mãe que, depois, tornaram-se parceiros dela</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas a emoção vem mesmo à tona no bloco político. Nele, o choro regurgita o destemido trabalho que Elis fez em cantar um Brasil que sonhava em se ver livre das boçais garras de seus tiranos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Querelas do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://twitter.com/circo_voador/status/1599262450443919360"><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Menino </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Onze fitas </span></i><span style="font-weight: 400;">são as canções escolhidas para estampar o repertório setentista da maior cantora do país, ainda reverenciando os corajosos compositores que, com suas letras, ajudaram a dinamitar a ditadura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ode a </span><a href="https://jornal.usp.br/podcast/olhar-brasileiro-26-nesta-edicao-elis-regina-interpreta-composicoes-de-milton-nascimento/#:~:text=Milton%20Nascimento%20j%C3%A1%20admirava%20a,levaria%20dez%20anos%20para%20explicar."><span style="font-weight: 400;">Milton Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> vem através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Menino</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Morro Velho</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se encerra na dobradinha </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Foi Feito Devera (De Vera) </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Maria Maria</span></i><span style="font-weight: 400;">. São nesses momentos que, além de falar sobre a cantora e a mãe, Maria Rita se emociona ao apresentar a amiga, se enchendo de orgulho em contar sobre o recíproco amor entre Elis e Milton. O intimismo quase místico pelo qual a interpretação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morro Velho </span></i><span style="font-weight: 400;">é carregada, mais uma vez comprova o absurdo talento daquela cantora em cima do palco, lutando com as emoções e homenageando sua inspiração maior. Tudo se complementa perfeitamente quando o caloroso público explode na última canção, reiterando que “</span><i><span style="font-weight: 400;">é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_29408" aria-describedby="caption-attachment-29408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/424227_482080618470968_398423227_n-800x530.jpg" alt="" width="800" height="530" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/424227_482080618470968_398423227_n-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/424227_482080618470968_398423227_n-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/424227_482080618470968_398423227_n.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29408" class="wp-caption-text">O primeiro show da turnê Viva Elis foi realizado em Porto Alegre, cidade natal da Pimentinha (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da emoção que essa viagem proporciona, o que não falta em </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma técnica muito precisa para traduzir cada canção. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladeira da Preguiça,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Agora Tá </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=7x4FqsRnVtE&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Aprendendo a Jogar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Rita se mostra solta, interagindo com a banda enquanto brinca com a própria voz. Na sedutora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSna-ng_03A&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Tatuagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista se imerge na interpretação esbanjando sensualidade, transparecendo seus desejos femininos e, principalmente, provando que se identifica com o repertório que está sendo apresentado, fazendo com que a paixão do público pela mãe encontre a magistralidade da filha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clímax de </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é atingido pela sequência </span><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span> <span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Sg2zwJRKNik&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Quiser Falar com Deus</span></i></a></span><span style="font-weight: 400;">. É aqui que os mundos de mãe-mulher-cantora se colidem a ponto da voz embargar e vermos as lágrimas rolarem pelo rosto da artista num choro de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">prazer e de agonia de algum dia qualquer dia entender de ser feliz</span></i><span style="font-weight: 400;">’, se entregando a própria biografia “</span><i><span style="font-weight: 400;">tenho que dizer adeus/dar as costas, caminhar/decidido, pela estrada/que, ao findar, vai dar em nada/do que eu pensava encontrar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Delicadeza, sensibilidade e amor se unem à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ksX1fNsnYsQ&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><span style="font-weight: 400;">destreza, precisão e emoção</span></a><span style="font-weight: 400;">. A interpretação definitiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Deixas Louca</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o maior deleite. Ali, Maria Rita se desnuda de qualquer inibição, entregando sensualidade e voz em uma intensidade louvável. Após atingir o nível máximo do prazer, a cantora fica mais leve em suas performances, se divertindo em cima do palco nas faixas seguintes.</span></p>
<figure id="attachment_29409" aria-describedby="caption-attachment-29409" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/388692_589884217690607_2082322592_n.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/388692_589884217690607_2082322592_n.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/388692_589884217690607_2082322592_n-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29409" class="wp-caption-text">Em 2013, Redescobrir venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de MPB e também foi consagrado com Disco de Platina nas versões CD e DVD (Foto: Marcos Hermes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Impossível de ser deixada de lado, a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/prisao-injusta-e-amizade-inesperada-o-dia-em-que-elis-regina-tirou-rita-lee-da-prisao.phtml"><span style="font-weight: 400;">amizade entre Elis Regina e Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; inspiração do nome Maria Rita &#8211; aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alô Alô Marciano </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Doce de Pimenta</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo a última nunca gravada oficialmente por Elis. A intenção de Maria de também se reconhecer nas músicas cantadas pela mãe é costurada na composição de Rita, feita especialmente &#8211; e sobre &#8211; Elis. </span><i><span style="font-weight: 400;">Doce de Pimenta </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma alusão ao apelido Pimentinha e também uma referência à visita que a artista fez à </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/11/18/rita-lee-rainha-do-rock-cafona/"><span style="font-weight: 400;">Padroeira da Liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando estava presa na época da ditadura. O momento </span><i><span style="font-weight: 400;">rock´n´roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> do espetáculo exala toda a admiração envolvida no projeto, revivendo a generosidade da mãe e deixando transparecer as qualidades herdadas por Maria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua volta para o </span><i><span style="font-weight: 400;">bis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é marcada pela versão </span><i><span style="font-weight: 400;">acapella</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um arrepio percorre a alma do espectador que viveu a época de Elis ao mesmo tempo em que encanta a nova geração que está sendo apresentada ao espetáculo. O encontro é duplo entre a autoafirmação vocal de Maria Rita e a memória da maior cantora do país. Estamos entrando no fim do </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">e não é possível conter a forte emoção em </span><i><span style="font-weight: 400;">Romaria</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou na brincadeira de roda feita na faixa-título. Aquela cantora iluminada em cima do tablado não falava ao público que poderia cantar o mesmo que sua mãe, ela a trouxe de volta ao seu cotidiano, às novas gerações e a levou ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-latino/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29410" aria-describedby="caption-attachment-29410" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/8142322735_49fc951c4b_b-800x536.jpg" alt="" width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/8142322735_49fc951c4b_b-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/8142322735_49fc951c4b_b-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/8142322735_49fc951c4b_b.jpg 1023w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29410" class="wp-caption-text">“Mamãe, obrigada por tanto e por tudo. Que você siga viva no palco maior, que é o coração do seu público, o seu lugar, soberana e rainha que é. Amor e orgulho, intenso, irrestrito. Da sua filha, Maria Rita” (Foto: TEFW)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Redescobrir é verbo, é canção, é homenagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a prova que Elis se mantém viva graças ao carinho do público. Apreciar a experiência de ouvir Maria Rita cantando Elis Regina é a confirmação de que a artista sabe reinventar uma obra amplamente conhecida sem perder sua originalidade. O que fica claro é que não existe imitação, apenas o </span><a href="https://caras.uol.com.br/musica/maria-rita-chora-ao-falar-da-mae-elis-regina-na-tv.phtml"><span style="font-weight: 400;">resgate da memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outra cantora por alguém que tem o mesmo sangue. Um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais bonitos do Brasil é uma homenagem à maior intérprete do país, feita pela grande voz da atualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar sobre esse álbum é um grande desafio. Desafio não somente por escrever sobre Elis retornando à rotina da Maria Rita, mas pela paixão que sinto por aquela artista vestida de branco e por esse disco ser intrínseco na minha vida. É impossível não me deixar invadir pelo mar de sentimentos que tomam meu corpo e unem a ‘eu’ que escutou esse álbum pela primeira vez e a ‘eu’ de agora. Me sinto arrebatada desde a primeira vez que me deparei com o vídeo da cantora interpretando </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi no ineditismo de escutar esse trabalho que finalmente aprendi a chorar. Chorar aquele pranto que lava a alma e estanca as feridas. Sendo o disco mais reproduzido da minha vida, pude sentir a artista que eu estava acabando de conhecer me abraçando, e o sentimento vem sendo presente desde então. Minha admiração pela força que Maria tem ao subir ao palco, o tempo ao tempo até encarar essas canções me ensinou que “</span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CsiH25p_rAk&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">somos a semente, ato, mente e voz</span></i></a></span><span style="font-weight: 400;">”. Gratidão. Sempre.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 22:36:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nada é copiado, tudo é herdado  Ana Júlia Trevisan “Quero tanta coisa legal, sabe. Que ela ria muito, que ela não fique pesada nunca” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de Grammys Latino. A progenitora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Nada é copiado, tudo é herdado</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<figure id="attachment_27115" aria-describedby="caption-attachment-27115" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27115" class="wp-caption-text">Durante seus breves 18 anos de carreira, Elis produziu sete álbuns ao vivo e vinte e um em estúdio (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero tanta coisa legal, sabe. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oX1iftyO21s&amp;t=162s&amp;ab_channel=RodrigoSelis"><i><span style="font-weight: 400;">Que ela ria muito</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, que ela não fique pesada nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1461850009578655752"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A progenitora atacada por proteger sua família, a caçula golpeada por uma trupe ignorante que faz o insano questionamento de “como uma filha pode ser tão parecida com a mãe?”. Aqui o intuito não é comparar, e sim celebrar as duas carreiras meteóricas, construídas por duas mulheres libertárias, inspiradoras, donas da própria produção e que estão eternamente ligadas pelo laço materno.</span></p>
<p><span id="more-27114"></span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha mais velha de dona Ercy e seu Romeu, nasceu no dia 17 de março de 1945, num domingo ensolarado em Porto Alegre. Em casa, passava o dia ao lado do aparelho de rádio que tocava Ângela Maria, Emilinha Borba e Cauby Peixoto. Aos três anos, cantarolava pelos quartos, aos cinco, encantava mãe, avó e vizinhos que ouviam a confiante e indomável voz daquela menininha. Foi no </span><a href="http://www.radionors.jor.br/2013/10/ary-rego-e-o-clube-do-guri-2007-luiz.html"><i><span style="font-weight: 400;">Clube do Guri</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, programa da rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Farroupilha</span></i><span style="font-weight: 400;">, aos 12 anos, que Elis se rendeu de vez à música, munida com o dom que carregava desde o nascimento, arrebatou os ouvidos dos caça-talentos e de todos os gaúchos que acompanhavam a programação. Um ano mais tarde, registrou seu primeiro emprego em carteira de trabalho na rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade Gaúcha</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos 20 anos, ela já era a cantora mais bem paga da época.</span></p>
<figure id="attachment_27116" aria-describedby="caption-attachment-27116" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg" alt="" width="800" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-1024x788.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-768x591.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27116" class="wp-caption-text">Triste Amor Que Vai Morrer é a única composição assinada por Elis Regina, ela foi registrada na Editora Moderna em 1966 (Foto: Maxim Shemetov)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil nunca mais fora o mesmo após a manhã de </span><a href="https://www.cut.org.br/artigos/ditadura-nao-se-comemora-e-para-lembrar-para-que-nao-volte-a-acontecer-300c"><span style="font-weight: 400;">31 de março de 1964</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do sul, Elis Regina desembarca no Rio de Janeiro com o pai Romeu, 36 mil cruzeiros velhos, alguns endereços e uma carta de recomendação profissional. De Minas Gerais, Mourão Filho marchava de Juiz de Fora à capital carioca para borrar de sangue a história do país no </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Estado que instaurou a ditadura militar. A revolução musical brasileira e a barbárie que matou os filhos da pátria davam os primeiros passos ali, no mesmo dia e no mesmo lugar. O país ficaria marcado para sempre pela glória da voz e pela dor dos cadáveres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas antes de definitivamente se envolver com o momento mais sombrio da história recente do Brasil, Elis deu seus primeiros passos para o estrelato na rua Duvivier, em Copacabana, no quintal da bossa nova e do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o maior número de músicos por metros quadrados: o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44783821"><span style="font-weight: 400;">Beco das Garrafas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O nome vem pela maneira com a qual a vizinhança recebia os artistas, que reconhecendo-os como arruaceiros, disparavam garrafas das janelas em direção àquela juventude insana que estava no beco. Com música e público à beça, foi no lá que começou a lapidação daquela garota de personalidade explosiva que encontrava barreiras para se expressar livremente no repertório que lhe era dado. Entre os encontros proporcionados, um dos mais marcantes na biografia da cantora fica a cargo do coreógrafo norte-americano </span><a href="http://clickondance.com.br/novidades/novidade/8904?p=4"><span style="font-weight: 400;">Lennie Dale</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dale foi um dos grandes responsáveis por instaurar a expressão corporal à música brasileira. Com seu auxílio, a autenticidade de Elis começou a quebrar a casca que a guardava. Sua musicalidade era tamanha que parecia não caber em seu 1,52m, então, a saída era fazer com que seu corpo se permitisse liberar a energia apoteótica ao cantar. Braços para cima e duas hélices formadas, a performance estava feita. Apelidada de Hélice Regina pelos movimentos que fazia durante a apresentação, ela defendeu </span><a href="https://cantodampb.com/arrastao-edu-lobo-e-vinicius-de-moraes/"><i><span style="font-weight: 400;">Arrastão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1965, no </span><a href="https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia-do-brasil/os-festivais-60-resistencia-feita-pela-musica.htm#:~:text=Em%20abril%20de%201965%2C%20ocorreu,Moraes%2C%20interpretada%20por%20Elis%20Regina."><span style="font-weight: 400;">1º Festival da Música Popular Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV</span><i><span style="font-weight: 400;"> Excelsior</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo o concurso com a canção e levando o prêmio de Melhor Intérprete do evento. A maneira frenética de Elis se apresentar quebrou de vez os velhos padrões da tranquila e polida bossa nova, marcando o surgimento do que hoje é conhecido como Música Popular Brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elis Regina- Arrastão (TV Excelsior, 1965)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/CM9VShnvbnw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocupando mais espaço em cena, o mundo se tornava cada vez menor para a grandeza de Elis Regina. Sua personalidade intensa &#8211; que lhe rendeu o apelido de </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cultura/2014/01/ha-32-anos-o-brasil-perdia-a-cantora-elis-regina"><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; começou a encontrar espaço em canções que se encaixavam perfeitamente em sua voz, reconhecendo a cantora como a dona do instrumento mais potente do Brasil e com interpretação majestosa. Em 1965, Elis Regina passou a apresentar, ao lado do cantor Jair Rodrigues, no programa </span><a href="https://recordtv.r7.com/fala-brasil/videos/o-fino-da-bossa-saiba-como-foi-o-inicio-da-carreira-de-jair-rodrigues-06102018"><i><span style="font-weight: 400;">O Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Walter Silva e transmitido na TV </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo-se no ar até 1967, foram lançados uma série de três discos em parceria, sendo o </span><a href="https://open.spotify.com/album/0oKGsYeWtjIMz703Jsc4lB?si=v6yqUJ7ISFqitRpmG1Zr0Q"><i><span style="font-weight: 400;">Dois na Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro a vender mais de um milhão de cópias</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 1970, se ainda restavam dúvidas, consagrou de uma vez por todas Elis Regina como a maior intérprete do país. Sua voz inigualável, seu carisma exacerbado e seu coração imenso abriram caminho para que outros gigantes da Música Popular Brasileira pudessem exercer a Arte. Amiga sincera, foi Elis que mostrou ao mundo o poder de compositores como Milton Nascimento, Renato Teixeira e </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/01/elis-regina-como-nossos-pais-belchior/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua parceria com Gilberto Gil arrebatou o cantor, não havia como não se envolver a cada estrofe cantada com tanto fervor pela Pimentinha. Ainda na primeira metade dessa década, foi gravado o histórico </span><i><span style="font-weight: 400;">LP </span></i><a href="https://jobim.com.br/elis-regina-e-tom-jobim-conheca-a-historia-dessa-parceria/"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &amp; Tom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que como presente de 10 anos de carreira, colocou Elis para cantar ao lado de um de seus maiores ídolos em um dos álbuns mais importantes da história da Música.</span></p>
<figure id="attachment_27117" aria-describedby="caption-attachment-27117" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg" alt="" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27117" class="wp-caption-text">Em 1964, Tom Jobim taxou Elis Regina como “cantora de churrascaria”, reprovando-a do disco Pobre Menina Rica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O talento e magnitude de Elis a levaram aos quatro cantos do planeta. Foi durante sua temporada na Europa que a cantora escancarou sua opinião oposta à ditadura para uma revista holandesa, ficando assim marcada no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) como inimiga do regime. A artista, que “não abaixava a cabeça para milico” sofreu o golpe mais baixo de todos: com a segurança de seus filhos, seus bem maiores, ameaçada, a artista foi obrigada pelos militares a cantar o Hino Nacional nas Olimpíadas do Exército. Cravada como traidora da pátria e enterrada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-cemiterio-dos-mortos-vivos-conheca-os-quadrinhos-que-enterravam-figuras-durante-a-ditadura.phtml"><span style="font-weight: 400;">cemitério de Henfil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina transformou a dor em combustível e seu repertório passou a ser totalmente engajado como oposição à ditadura, transformando a cantora em uma das principais vozes da resistência social comandada pela classe artística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos álbuns homônimos aos que se transformaram em grandes espetáculos, do grito de força em </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao choro afinado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg&amp;ab_channel=ninne"><i><span style="font-weight: 400;">Atrás da Porta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em cada trabalho Elis Regina entregava uma cantora completa, despida e que não vivia pra cantar, mas cantava para viver. Fundadora da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina moldou o formato de se apresentar música, afinal, ela não compunha, mas usava de sua voz para dar vida aos sentimentos escritos no papel por outras pessoas. É com a força e vitalidade de sua expressão que nasce seus dois maiores e mais importantes </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 257 apresentações e público de 280 mil pessoas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que teve a direção cênica de Myriam Muniz e a direção musical de Cesar Camargo Mariano, companheiro de palco e de vida de Elis &#8211; contava destemidamente a trajetória da artista com elementos teatrais circenses e um repertório de 42 músicas. Trazendo uma metáfora em seu título, o álbum destaca </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0N7CIOOxNqk&amp;ab_channel=ElisRegina-Topic"><span style="font-weight: 400;">canções contestatórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a interpretação agressiva denuncia a falta de liberdade com o </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5"><span style="font-weight: 400;">Ato Institucional nº 5</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua inquietude chega ao ápice em 1978, e rompendo com a atmosfera colorida do antecessor, a cantora equilibra técnica e emoção em <i>Transversal do Tempo</i>, um espetáculo político, pesado e grandioso, que reverberava a angústia coletiva causada pelos Anos de Chumbo.</span></p>
<figure id="attachment_27118" aria-describedby="caption-attachment-27118" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27118" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-819x1024.png 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-768x960.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27118" class="wp-caption-text">Elis teve três filhos: João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita (Foto: Arquivo Elis Regina)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos encontros que ilustram a imensidão da artista, o mais famoso se dá com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1976, a Santa Rita de Sampa foi presa, grávida de seu filho mais velho e desamparada. De gêneros distintos da música, Rita &#8211; rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e Elis &#8211; musa mor da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; mal se cumprimentavam nos bastidores até que o carcereiro falou:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Oh, Ovelha Negra, tem uma cantora famosa aí que está rodando a baiana, dizendo que vai chamar a imprensa. Ela quer te ver. Aí o delegado mandou te chamar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo em seguida, Elis Regina, a poderosa, entra em cena, de mãos dadas com João Marcelo, seu filho mais velho, e exigindo auxílio médico e comida à Rita.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso as duas viraram amigas, vizinhas na Cantareira, companheiras de luta política contra a repressão da época e parceiras musicais com Elis gravando canções de Rita. A amizade das duas rendeu a brincadeira de serem </span><a href="https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4269017436533554&amp;id=660182837417050&amp;m_entstream_source=timeline"><span style="font-weight: 400;">colegas de internato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os apelidos carinhosos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Maria Elis e Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disso, vem o nome da caçula de Elis Regina. Maria Rita Camargo Mariano nasceu no dia 9 de setembro de 1977, no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com a filha no colo, Elis sorria e cantava, as gargalhadas da artista com sua menininha nos braços domavam a ala hospitalar. Maria trouxe a graça e a leveza que havia sido roubada de Elis por pertencer a um mundo dominado por homens que lhe cobrava imposição dobrada. Toda feminilidade da cantora, aguçada pelo nascimento de sua filha, desabrocha no disco <i>Essa Mulher</i>.</span></p>
<figure id="attachment_27119" aria-describedby="caption-attachment-27119" style="width: 646px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27119" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png" alt="" width="646" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png 646w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-827x1024.png 827w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-768x951.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750.png 968w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27119" class="wp-caption-text">Doce de Pimenta, a canção que melhor representa Elis, foi composta por Rita Lee como forma de presentear a amiga (Foto: Paulo Kawall)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1979, Elis Regina gravou o disco mais arrebatador de sua carreira e, por infortúnio do destino, o último. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2xYd1q-qN8U&amp;ab_channel=UniversalMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é repleto de técnica vocal, postura, brilho e sofisticação. Em contraponto ao martírio e rancor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco de 79 traz a imagem de mulher feminina que a sociedade esperava, mas com a desenvoltura de escolha de um repertório que denunciava as carências e a sensibilidade da artista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolve </span><span style="font-weight: 400;">pela trama ousada, entretanto não perde a característica política de Elis. Foi nesse disco que a cantora eternizou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6kVBqefGcf4&amp;ab_channel=milllon"><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino da anistia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três anos depois, na manhã do dia 19 de janeiro de 1982, a morte de Elis Regina provocou uma ferida que demoraria para se estancar. Mãe, mulher, artista e militante, a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos; dona do maior legado da Música brasileira e eterna inspiração de Milton Nascimento, autoconsciente de seu tamanho, amante das canções e crente na bondade do ser humano. Elis desistiu de desenvolver sua carreira internacional na Europa por saudades do país e, principalmente, dos filhos. Enquanto o Brasil perdia um ídolo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DqnXJCZ0-VU&amp;ab_channel=ReplayHD"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita perdia a mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27137" aria-describedby="caption-attachment-27137" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-694x1024.png 694w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x1132.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.png 980w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-27137" class="wp-caption-text">Elis foi velada no Teatro Bandeirantes, palco que a acolheu inúmeras vezes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma alma tão grandiosa como a de Elis jamais deixaria sua pátria órfã. Seu talento foi herdado &#8211; e aqui cabe um destaque à palavra herdado, ou seja, vital e não escolhido &#8211;  por Maria Rita, que muito nova teve que lidar com a ausência materna e com a ingrata tarefa de ter o mesmo dom da mãe. Mas é em meio a pressão de seguir o ofício de sua protetora que Maria reafirma a herança genética. A caçula de Elis ouviu desde cedo que </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=661179708639929"><i><span style="font-weight: 400;">tinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> o dever de cantar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o caminho mais fácil nunca foi opção. A beleza da arte de Maria Rita desabrocha da necessidade de cantar, assim como era com a sua mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter a figura materna presente e carinhosa em seus quatro anos juntas, ser filha de Elis Regina foi o oposto do que deveria. E não por causa da presença do  amor que transcende a vida, mas por conta de urubus que rivalizaram ao jogarem as duas no coliseu para brigarem com leões. A mídia tornou o cantar de Maria mais difícil e criou o pior dos cenários, interferindo na relação mãe e filha da qual ela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/01/19/maria-rita-desabafa-sobre-comparacoes-com-elis-regina-estou-cansada.htm"><span style="font-weight: 400;">não tem recordações</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo peso do trauma. Vinte anos depois, o resultado é a resistência do amor que soterra a rivalidade.</span></p>
<figure id="attachment_27120" aria-describedby="caption-attachment-27120" style="width: 654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg" alt="" width="654" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg 654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-837x1024.jpg 837w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-768x940.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27120" class="wp-caption-text">A primeira vez que Maria Rita pisou no palco foi em 6 de maio de 2002 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria Rita se formou em Comunicação Social na Universidade de Nova Iorque, e aluna exemplar que foi, também ganhou bolsa para concluir a cadeira de Estudos Latino Americanos. De volta ao Brasil, ela foi trabalhar com produção musical, e mais tarde &#8211; após noites de insônia -, sentiu que era o momento certo de usar a voz como instrumento para compor trilhas sonoras de vidas. Então, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xJP_rj7yXOs&amp;ab_channel=CanalBrasil"><span style="font-weight: 400;">começou a cantar</span></a><span style="font-weight: 400;"> profissionalmente aos 24 anos, autodidata, abria a boca e pronto. Sua evolução musical foi instintiva, mas a virginiana não dispensou o estudo para formalizar sua bagagem com o auxílio da preparadora vocal Maria Alvim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Maria Rita se preparou para subir ao palco do Chico Pinheiro, ali ela tomava a dolorosa decisão em favor de sua </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/gente/noticia/2021/10/maria-rita-cantar-e-sobrevivencia-nao-e-para-ser-famosa-nao-e-para-ser-a-filha-da-elis-ckuhjdas4004a017fe1lzumep.html"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e naquele lugar ela se despedia da mãe novamente. A cantora precisou &#8211; e conseguiu! &#8211; mostrar ao mundo que não é boa por ser filha de Elis Regina, mas que  é boa por si mesma, apesar de sofrer a dor solitária da ausência materna. Explorada por programas sensacionalistas que lutam em compará-la com Elis mesmo sobre a alegação de não ter lembranças da mãe, Maria se provou dona de uma voz soberana e com um domínio técnico, lidando com elegância a cada falácia, mesmo sem o colo material da figura mais importante de sua vida.</span></p>
<figure id="attachment_27121" aria-describedby="caption-attachment-27121" style="width: 687px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27121" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg" alt="" width="687" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg 687w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-879x1024.jpg 879w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-768x895.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27121" class="wp-caption-text">Maria Rita foi a primeira mulher a ganhar o Grammy Latino na categoria de Melhor Artista Revelação, e hoje, é recordista da premiação (Foto: Grammy Latino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/54724_ensaio-maria-rita-24-12-2004.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;">, autointitulado, foi lançado em setembro de 2003 e vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo. O DVD, que chegou às prateleiras meses depois, atingiu a marca de 2º DVD mais vendido de 2003 no Brasil, atrás apenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Beatles Anthology</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de público e de crítica, o álbum foi Disco de Platina Triplo e DVD de Diamante em solos brasileiros, e em Portugal, CD de Platina. Primeira vez pisando no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino </span></i><span style="font-weight: 400;">Maria Rita venceu as categorias Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, Melhor Canção em Língua Portuguesa (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Revelação do Ano &#8211; sendo até hoje a </span><a href="https://musica.uol.com.br/especiais/2004/09/02/ult1541u65.jhtm"><span style="font-weight: 400;">única brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ter vencido a categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atuante em um cenário musical que contou com a evolução da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, o</span> <a href="https://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Segundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Maria Rita teve sua pré-venda feita em lojas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">juntamente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S9VGw9yn-mc&amp;ab_channel=WarnerMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Caminho das Águas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Rodrigo Maranhão) sendo vendido em formato digital. O efeito do lançamento foi o congestionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao alto número de </span><i><span style="font-weight: 400;">downloads</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todos queriam ter a brilhante voz de Maria em seu computador, e o Brasil já estava inteiramente imerso nas graças da paulistana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2007, Maria Rita encontrou seu lugar de maior pertencimento na Música. Seu terceiro trabalho, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EoBlVR8ND6Q&amp;ab_channel=MeuSambaBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pediu respeito para que pudesse entrar pelas portas do gênero mais popular do Brasil. A cantora foi </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/12/04/maria-rita-conta-como-arlindo-cruz-lhe-deu-1-samba-minha-referencia.htm"><span style="font-weight: 400;">apadrinhada por Arlindo Cruz</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com sua inerente entrega levou o samba às principais capitais do país e fora dele, em cidades como Londres, Espanha, Portugal e Japão. Seu </span><span style="font-weight: 400;">cuidadoso trabalho também lhe rendeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode, e um espaço especial na lista de 10 discos mais vendidos daquele ano. A despedida da turnê foi uma das mais difíceis da carreira, pois marcava o encerramento de algo desafiador e grandioso na mesma medida. Foram oito músicos no palco, projeções, troca de figurino e cenários que eternizaram </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;"> na discografia da cantora e na Música.</span></p>
<figure id="attachment_27122" aria-describedby="caption-attachment-27122" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27122" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27122" class="wp-caption-text">Na época de Elis não havia Grammy Latino, é o trabalho de Maria Rita que leva a Pimentinha aos holofotes do gramofone (Foto: Fundição Progresso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses anos, Maria Rita dominou a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, se encontrou no samba, provou que é uma cantora autêntica apesar do título ‘filha de’, fez turnês nacionais e internacionais, emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, venceu grandes prêmios, conquistou discos de platina e marcou seu nome para sempre na Música brasileira por conta de seu incontestável talento. E, após lidar com cada pedra que insistia em aparecer em seu sinuoso caminho, chegou a aguardada hora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CsiH25p_rAk&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><span style="font-weight: 400;">mergulhar no repertório de Elis</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ano era 2012, e na vida de Maria duas datas se chocavam: 10 anos de carreira e 30 anos de saudades materna. A celebração à Elis Regina se pronunciava monumentalmente, e ninguém melhor que sua caçula para dominar sua obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nomeada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viva Elis</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homenagem se deu através de cinco</span><i><span style="font-weight: 400;"> shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos no primeiro semestre de 2012. Sucesso absoluto, o projeto ganhou o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir </span></i><span style="font-weight: 400;">e tornou-se CD, DVD e turnê.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7pGqf-RGDJE&amp;ab_channel=GrupoN%C3%B3sTV"><span style="font-weight: 400;"> reencontro entre mãe e filha</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foram forçadas a se separarem para garantir a sobrevivência, diante da indústria insistente em rotular as relações mais pessoais. Ao longo das 28 faixas, Maria Rita não falava ao público que poderia cantar o mesmo que sua mãe, ela trouxe Elis de volta ao seu cotidiano, às novas gerações e a levou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Grávida e de branco em cima do palco, Maria fez o que faz de melhor, tomou cada canção para si e as interpretou de maneira singular. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Quiser Falar</span></i> <em>C</em><i><span style="font-weight: 400;">om Deus,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cantora regurgita o maior dos sentimentos, se emocionando ao ver seu mundo e de Elis colidirem ao declarar <i>“tenho que subir aos céus sem cordas para segurar</i>”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maria Rita - Essa Mulher" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/im9LX7ybggM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Missão cumprida! Maria pôde retornar ao samba. Antecedido por uma breve turnê com o </span><i><span style="font-weight: 400;">show voz:piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos, considerado um dos 10 melhores de 2014 pelo jornal americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://curitibacult.com.br/coracao-a-batucar-de-maria-rita-tras-um-samba-com-muita-personalidade/"><i><span style="font-weight: 400;">Coração a Batucar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um dos álbuns mais importantes da carreira da artista. Produzido pela própria cantora, com arranjos de Jota Moraes, o disco foi gravado num formato que transportava a sonoridade para uma roda de samba. No ano seguinte, a escola de samba Vai-Vai homenageou sua mãe com o enredo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QCfHloOwK6E&amp;ab_channel=RadarRecordsOficial"><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis: A Fábula de Uma Voz na Transversal do Temp</span></i><span style="font-weight: 400;">o</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Rita, na comissão de frente, emocionou a avenida carregando o desfile da escola campeã do carnaval de 2015.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o pé fincado na Lapa, a cantora estreou </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/critica-amor-musica-o-triunfo-da-maria-rita-interprete-22316266"><i><span style="font-weight: 400;">Amor e Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 3 de março de 2018. Agora absorta em sua espiritualidade, Maria apresentou um trabalho intenso com roteiro sincero e político em suas entrelinhas. Diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a cantora pedia licença à velha guarda, o disco de 2018 é a plena catarse da intérprete como sambista. As músicas escolhidas para integrarem o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> abocanham sua paixão pela Arte e a consciência de sua função social. A apoteose rítmica foi sequenciada em seu soberano </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba da Maria</span></i><span style="font-weight: 400;"> que mantém a promessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">todo </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KEfwnAg_7C8&amp;ab_channel=J%C3%A9ssicaRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">show tem que continuar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 1980 Elis fez ecoar o pedido de anistia aos presos políticos através de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i><span style="font-weight: 400;">, em março de 2018 Maria Rita cantou a mesma com a mão em punho em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> onde o Brasil se encontrava estraçalhado pela morte de Marielle Franco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8fVm0kM3a4c&amp;ab_channel=CanalGNT"><span style="font-weight: 400;">Dois crimes impunes</span></a><span style="font-weight: 400;">, duas vozes conscientes e o mesmo hino denunciando o choro de nossa pátria mãe gentil. O Brasil continua </span><i><span style="font-weight: 400;">sendo governado por gorilas, sem querer ofender os gorilas, é claro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27123" aria-describedby="caption-attachment-27123" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27123 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27123" class="wp-caption-text">A extensão vocal de Elis Regina era meio-soprano, a de Maria Rita é contralto (Foto: Sérgio Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primoroso é que Maria Rita fez o seu trabalho, se consagrou por conta própria. De Elis ficou a saudade e a honra de ser filha. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/maria-rita-elis-regina-de-todos-mas-mae-minha-25359366"><span style="font-weight: 400;">Dois legados</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintos e inegavelmente importantes para suas respectivas gerações. Maria Rita não precisa chegar aos pés de Elis, a carreira de Maria Rita não começa onde Elis parou e sim, elas se parecem, mas estranho seria se Maria Rita fosse parecida com outra cantora. Dos 40 anos sem Elis Regina, 20 deles são menos amargos graças à unânime potência vocal de Maria Rita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cultura</span></i><span style="font-weight: 400;"> no especial de 75 anos de sua mãe, Maria Rita disse que se pudesse presentear sua mãe daria à ela </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=519523908982428"><span style="font-weight: 400;">o palco</span></a><span style="font-weight: 400;">. E aqui, me permito usar a primeira pessoa singular para te dar uma notícia: você conseguiu! Cada noite que você subiu ao palco para revisitar a obra de Elis, cada vez que você abaixa a cabeça e se concentra para cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis</span></i><span style="font-weight: 400;"> à capela, você a presenteia com o palco sem perder sua própria enormidade, riso e leveza que aquela mãe amorosa tanto desejou.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6igE1HoGBkSrzKgcMCbMqM?si=197d2f59561748bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>45 anos de Falso Brilhante: a vida de Elis Regina é a nossa joia mais preciosa</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2021 20:06:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O legado na música brasileira não é o suficiente para eu me conformar. Vez ou outra, ainda me pergunto como é que alguém conseguiu convencer o sofrido povo brasileiro de que “viver é melhor que sonhar”. O sentido ensaia desenhar-se segundos depois, quando eu me lembro que quem cantou isso foi a sonhadora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "45 anos de Falso Brilhante: a vida de Elis Regina é a nossa joia mais preciosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19092" aria-describedby="caption-attachment-19092" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-1024x819.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está ao centro da imagem, numa passarela, cercada pelo público. Ela está de frente para a câmera mas contra a luz, que impede de exergarmos seu rosto. Ela segura uma bandeira grande na mão direita e um microfone na mão esquerda. Elis usa um vestido lingo, branco, de alças finas e estampado por estrelas prateadas. Ela também usa uma chapéu com uma pena grande e seus cabelos são curtos. A fotografia está colorida em tons de amarelo e um cinza azulado." width="840" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-300x240.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/EaEvgYJX0AIk89R.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19092" class="wp-caption-text">O disco que nasceu do espetáculo sobre a vida de Elis Regina é considerado um dos mais importantes da música brasileira e da carreira da artista (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O legado na música brasileira não é o suficiente para eu me conformar. Vez ou outra, ainda me pergunto como é que alguém conseguiu convencer o sofrido povo brasileiro de que “</span><i><span style="font-weight: 400;">viver é melhor que sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O sentido ensaia desenhar-se segundos depois, quando eu me lembro que quem cantou isso foi a sonhadora que é a concretização da ideia mais pura e completa do que pode vir a ser a vida. Mas mesmo assim, ainda é instigante, já que ela, em toda sua grandiosidade e relevância, ainda acrescenta que “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa</span></i><span style="font-weight: 400;">”.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quer profundidade mais condizente com a maior artista do Brasil do que a que ela mesma cria na obra que conta a sua história de vida, realiza seus maiores </span><a href="https://www.letras.com/elis-regina/1012329/"><span style="font-weight: 400;">sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desmistifica sua própria arte? Muito significado, muita intensidade e muita pulsão de vida: assim foi <a href="http://www.elisregina.com.br/index.php">Elis Regina</a>, e assim foi </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70098/falso-brilhante"><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">cuja riqueza era autoexplicativa em 1976 e assim permanece até os dias de hoje &#8211; e muito provavelmente, assim será por todo o resto da nossa história.</span></p>
<p><span id="more-19091"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 45 anos, o disco é responsável por confirmar a preciosidade da artista e abrigar algumas das canções mais atemporais da música brasileira. Considerado um dos álbuns mais importantes dentre todas as coletâneas mais maravilhosas que um dia já surgiram dos nossos artistas, <em>Falso Brilhante</em> é também a obra mais relevante da vasta discografia e carreira de Elis.</span></p>
<figure id="attachment_19093" aria-describedby="caption-attachment-19093" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina no espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista segura uma barra com as mãos e parece estar pendurada. Ela olha para baixo, com os olhos quase fechados, e veste uma roupa branca. " width="564" height="660" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/71e3d578aecd93c7294f248ddc7377e8-256x300.jpg 256w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-19093" class="wp-caption-text">Quando questionada sobre o conceito do espetáculo, Elis afirmava com certeza: “Não há brilhante mais falso que a vida de artista” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasceu no coração e mente de Elis misturando influências circenses com a sua história de vida e uma carga política sagaz em plena <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/">ditadura militar</a>. Ainda bem, a pisciana nunca teve medo de apostar em seus sonhos e nas ideias mirabolantes que surgiam dos seus botões de artista. Ela investiu tudo o que tinha, armou o circo e colocou no mundo um <a href="https://www.looke.com.br/filmes/elis-regina-falso-brilhante">espetáculo grandioso</a>, que permaneceu em cartaz no Teatro Bandeirante na cidade de São Paulo entre dezembro de 1975 e fevereiro de 1977, em mais de 300 apresentações apreciadas por cerca de 280 mil pessoas, que ocupavam as mil cadeiras do teatro de quarta à domingo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto chave não era o conteúdo em si, já que a estrela havia crescido junto com o Brasil e <a href="https://elainectimm.medium.com/elis-regina-o-sentimento-entre-as-notas-6e12cfe4549">sua história</a>, origem humilde e percalços até engatar a carreira eram de conhecimento do público tanto quanto suas mais bem-sucedidas canções. Para contar sua trajetória em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis foi além. Não buscando uma narrativa de ascensão e realização plena de sonhos, mas subvertendo as expectativas e obviedades para ser, como sempre, verdadeira com o que sentia. E naquele momento, a dimensão sensível da artista era tomada pela decepção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo fenômeno conduzido por uma alma vivaz, a relevância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ainda tinha a direção cênica de <a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa109259/myrian-muniz">Myriam Muniz</a> e musical de seu esposo, o pianista <a href="https://www.cesarcamargomariano.com/biografia/">Cesar Camargo Mariano</a>, superou todas as expectativas e transcendeu qualquer rotulação possível. O que de início tratava sobre os sentimentos pessoais de Elis quanto ao país e sua profissão se tornou um registro histórico e denunciante da situação do artista brasileiro e da sociedade como um todo da década de 70, que ainda sentia o reverberar dos <a href="https://www.camara.leg.br/radio/programas/279778-periodo-da-historia-do-brasil-conhecido-como-os-anos-de-chumbo/#:~:text=Nos%20%C3%BAltimos%20anos%20da%20d%C3%A9cada,chamados%20%22anos%20de%20chumbo%22.">anos de chumbo</a> do regime militar. </span></p>
<figure id="attachment_19094" aria-describedby="caption-attachment-19094" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-19094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1024x509.jpg" alt="Capa e contracapa do disco Falso Brilhante, de Elis Regina. A imagem tem o fundo amarelo suave e é decorada por arabescos e pequenos elefantes, ilustrações com referências circenses que contornam a imagem. No lado direito, que compõe a capa do disco, está escrito o nome da artista em fonte circense colorida em branco e vermelho, em caixa alta. Embaixo do nome de Elis, está o nome do disco, numa fonte mais fina ainda clássica e em caixa alta, em preto. No lado esquerdo, que é a contracapa, existe uma ilustração de uma boneca segurando um ovo grande ao centro. Na lateral esquerda, pequeno, está a lista das músicas do disco." width="840" height="418" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-300x149.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1536x764.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699-1200x597.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/capa-do-disco-e1616005157699.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19094" class="wp-caption-text">O nome do projeto foi retirado do bolero Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, letra de Aldir Blanc famosa na voz de Elis que nada tinha a ver com a temática que a artista queria explorar, mas caiu como uma luva (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> era impossível de se parar, e quando a ideia de registrar parte do repertório de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> em estúdio surgiu, o tempo que Elis e sua equipe encontraram para gravar e </span><i><span style="font-weight: 400;">mixar </span></i><span style="font-weight: 400;">o disco foi um dos intervalos de folga das exibições, com a produção de <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/08/21/interna_diversao_arte,266412/marco-mazzola-o-homem-que-testemunhou-e-fez-acontecer-a-historia-da-mpb.shtml">Marcos Mazzola</a>. E a aura do disco é especial desde sua mais inicial concepção. Gravado sob a produção entre as apresentações do espetáculo, o álbum tem o gosto raro da energia de Elis nos palcos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores triunfos acaba por ser também um dos seu único defeitos. A rotina pesada do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> obviamente desgastou a artista e a disposição da banda, e é por isso que, numa análise unicamente técnica, o álbum é considerado inferior às obras anteriores &#8211; o maravilhoso </span><a href="https://open.spotify.com/album/3SE9n6EaVOJ81KA1KPLUWS?si=3fIdrnp4SgW9NVT1hdow6g"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &amp; Tom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974 &#8211; e posteriores &#8211; o memorável </span><a href="https://open.spotify.com/album/67UdOjU4vLZx8yoHgXkNes?si=7IGHsz2VTSqsJGm9cKZDqg"><i><span style="font-weight: 400;">Elis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1977, que carrega a canção que inspirou seu próximo espetáculo, </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67781/transversal-do-tempo"><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O repertório também estava longe de ser leviano e exigia tudo e mais um pouco da artista. As 42 canções do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> dividiam-se em dois atos, passeando entre diferentes gêneros, tons, arranjos, </span><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i><span style="font-weight: 400;"> e línguas. Para o disco, a lista se condensou em 10 canções escolhidas a dedo para resumir perfeitamente o que era a ideia e execução de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, contando ainda com algumas inéditas. Delas, surgem cantos de amor e versos apaixonados, protestos políticos, hinos de resistência evocando irmandade e expressões de sonhos e idealismo, ritmados no </span><i><span style="font-weight: 400;">samba</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">bolero</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e interpretados em português e espanhol.</span></p>
<figure id="attachment_19095" aria-describedby="caption-attachment-19095" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está ao centro da imagem, ajoelhada no palco, segurando um microfone com a mão esquerda e esticando a direita para o lado. Elis olha para baixo, usando um chapéu com uma pena e um vestido branco estampado por estrelas prateadas. Ao fundo, é possível observar parte do cenário do show desfocado. A imagem está em preto e branco e Elis é iluminada por um foco de luz." width="540" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Elis-300x292.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-19095" class="wp-caption-text">Reza a lenda que quando os músicos e demais profissionais envolvidos no show, preocupados com Elis, alertaram-na sobre os riscos de forçar tanto as cordas vocais, ela respondeu: “Não se preocupe, não é a voz que canta” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro contato que </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece com o ouvinte já é irresistível de tamanha honra. Com o grande prazer que é ser chamado de “</span><i><span style="font-weight: 400;">meu grande amor</span></i><span style="font-weight: 400;">” por Elis Regina, somos convidados ao disco com uma das últimas músicas da </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se encaixa perfeitamente em sua abertura. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não quero lhe falar (…) /Das coisas que aprendi nos discos/Quero lhe falar como eu vivi/E tudo que aconteceu comigo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela explica suas intenções com o projeto sob um acordes de um violão calmo e certeiro. Estamos na inconfundível </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-como-nossos-pais-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não existe nada mais especial do que ser apresentado à obra da vida de Elis Regina &#8211; em todos os sentidos possíveis da expressão &#8211; do que através da canção que é uma das mais marcantes de sua carreira e de toda a história da música brasileira. Escrita por <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa101849/belchior">Belchior</a>, o gênio que ela descobriu e impulsionou, a canção fez história na interpretação da artista, que externalizava suas maiores desilusões numa universalidade e identificação que só pode ser atingida pelo artista que é tomado de sinceridade e coragem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, já é possível concluir a adoração que a artista mantinha pela vida &#8211; a sua, a do próximo, da arte, da música e do Brasil. A Elis refletida em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> é assim, fincada no presente, sempre visionária e nunca nostálgica. Seu inferno era o passado e o retrocesso, como ela continua a confessar “</span><i><span style="font-weight: 400;">Minha dor é perceber/Que apesar de termos feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos (…)Como os nossos pais</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um dos versos mais conhecidos e atemporais da música brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elis Regina - Como Nossos Pais" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/2qqN4cEpPCw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Da sua maior paixão nasce seu maior protesto, residente nos versos mais marcantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. A artista que não chegou a viver seu futuro ousava vislumbrá-lo e pregar as possibilidades como forma de incentivar as pessoas a enfrentarem a situação do país e jamais se curvarem diante dela. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas é você que ama o passado e que não vê (&#8230;)/Que o novo sempre vem”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e demais profecias esperançosas era o que mais se ouvia da obra da vida de Elis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo continua em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-velha-roupa-colorida-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Velha Roupa Colorida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma composição de Belchior que decolou na voz da artista. Desafiada por um arranjo numa escala um pouco mais alta que o comum e com os vocais já arranhados da rotina intensa dos espetáculos, a <em>Pimentinha </em>canta com rouquidão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não sente, não vê/Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/ Que uma mudança em breve/Vai acontecer</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mudanças essas que se não acontecessem por si só, ela fazia acontecer, como foi com a sua existência vasta embora curta no planeta Terra e com </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Elis ia atrás do novo. <a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/">Inaugurar</a> gêneros, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f0uOI__Gno8"><span style="font-weight: 400;">descobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> artistas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus"><span style="font-weight: 400;">impulsionar</span></a><span style="font-weight: 400;"> carreiras… Sua potência criativa já era conhecida e fascinante, então, quando ela propôs inverter a lógica do mercado musical &#8211; que primeiro pensava no disco e depois nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não o contrário, como ela fez ao arquitetar primeiro o espetáculo sem ter um material sonoro em processo de divulgação &#8211; o público, ou melhor dizendo, </span><i><span style="font-weight: 400;">o grande amor de Elis</span></i><span style="font-weight: 400;">, comprou a ideia de imediato. Juntos, eles transformaram o projeto sobre a sua vida no sucesso que foi, um recorde de bilheteria e até hoje <a href="https://genius.com/albums/Elis-regina/Falso-brilhante">o maior espetáculo do Brasil</a>. </span></p>
<figure id="attachment_19097" aria-describedby="caption-attachment-19097" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19097 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, ela está à direita, sorridente e fantasiada de Carmem Miranda, com um adereço de frutas na cabeça. Ela veste uma outra fantasia junto com um de seus bailarinos, que está à sua frente, à esquerda da imagem. Eles estão de lado e a fotografia é em preto e branco." width="686" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3482d60b372fe1c45bc9c88659fde7c7-300x206.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19097" class="wp-caption-text">“No presente, a mente, o corpo é diferente/E o passado é uma roupa/Que não nos serve mais” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ecoar sua verdade, denúncias, coragem, história e pulsão de vida pelo Brasil inteiro ainda não saciava a sede de justiça e de verdade de Elis. Enxergando a amplitude e complexidade da <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/sequencias-didaticas/ditaduras-militares-na-america-sul/">situação política da América Latina</a> naquele momento, ela sentiu a dor dos outros países que também vivam um dos momentos mais sombrios de suas histórias protagonizadas por regimes militares através de </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-los-hermanos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira das canções em espanhol de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nela, a artista veste um </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i><span style="font-weight: 400;"> cheio de identidade da resistência popular latino-americana e canta com sua força característica pelos muitos irmãos que se perdiam entre a repressão, exílio e a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No português, Elis disse o que tinha que dizer em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-um-por-todos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Um Por Todos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de incentivar a união que a sociedade brasileira e a classe artística tanto precisavam exercitar naquele momento, ela também reconhecia o fatídico dia em que <a href="https://globoplay.globo.com/v/7289328/">sucumbiu ao medo</a> e abaixou a cabeça para a ditadura militar. Ligando isso com a decepção da vida de artista que é o tema central de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela canta quase em tom de confissão e arrependimento: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu te conheço, sei o preço da fama/E não esqueço/Que deitei em tua cama, em teu berço/Eu sei teu preço, eu te conheço”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e revela a forma como lidou com seus próprios erros, reconhecendo sua responsabilidade e o apoio que encontrou: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Lavo as mãos e prossigo adiante/Eu por mim mesma/Todos por mim”.</span></i></p>
<figure id="attachment_19096" aria-describedby="caption-attachment-19096" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal.jpeg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista está de lado, segurando uma bandeira com a mão direita virada para trás, e um microfone com a mão esquerda. Ela também usa um vestido branco estampado com estrelas prateadas e um chapéu com uma pena. O fundo da imagem é escuro e está em preto e branco." width="650" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal.jpeg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/18218_show-falso-brilhante-1976-acervo-pessoal-300x200.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19096" class="wp-caption-text">“Nos perdemos pelo mundo/Voltamos a nos encontrar/E assim nos reconhecemos/Pelo longínquo olhar/Pelas estrofes que mordemos/Sementes de imensidão/E assim seguimos andando/Habituados à solidão/E em nós nossos mortos/Para que ninguém fique para trás” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A arte de Elis sentia tanto a vida e enxergava a realidade com tanta lucidez que, às vezes, sua criadora precisava escapar. E ciente de seu inferno, ela também sabia muito bem como era o seu paraíso, dividindo as paisagens dos seus sonhos em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-quero-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Quero</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Guiada por flautas doces e coros suaves, a artista flutua na imaginação dos seus desejos, construídos em “</span><i><span style="font-weight: 400;">um mundo sem portas ou vidraças”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com “</span><i><span style="font-weight: 400;">floresta no lugar da cidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo “</span><i><span style="font-weight: 400;">beijar a face da lua”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e acabar com tudo de ruim ao “</span><i><span style="font-weight: 400;">cobrir com flores campos de aço”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem toda a vida e fisicalidade do mundo era o suficiente para Elis. Ela precisava atingir o que estava além, e dentro das canções oníricas, ela também criava algo a mais e desenhava algo muito belo sobre as almas sonhadoras. As imaginações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraçam uma imensidão de pessoas que não são menos determinadas, corajosas ou firmes por ousar ir além da realidade, e </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-o-cavaleiro-e-os-moinhos-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">O Cavaleiro E Os Moinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comprova a tese. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A composição dos consagradíssimos <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-05-04/aldir-blanc-compositor-de-grandes-hinos-da-luta-contra-a-ditadura-brasileira-morre-pelo-coronavirus.html">Aldir Blanc</a> e <a href="http://www.joaobosco.com.br/">João Bosco</a>, dupla frequente na música de Elis Regina, é um retrato de quem está pronto para ir à luta pela revolução porque já imaginou como tudo vai ser. Exaltando a capacidade de olhar além e imaginar o futuro, a artista defende a relevância do ser sonhador, que consiste, como ela mesma bem representou, em contar as possibilidades para as outras pessoas, torná-lo um pouco mais palpável e assim, motivar a luta por ele.</span></p>
<figure id="attachment_19098" aria-describedby="caption-attachment-19098" style="width: 463px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, a artista está sentada em um balanço de madeira suspenso no palco, decorado por flores. Ela segura um microfone com a mão esquerda e olha para o público, cantando. Elis usa um vestido branco de mangas e o fundo da imagem é preto. A imagem é em preto e branco." width="463" height="718" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2.jpg 463w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bd12c2110d3b5c93fb88607dd1b77ae2-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 463px) 85vw, 463px" /><figcaption id="caption-attachment-19098" class="wp-caption-text">Acreditar na existência dourada do sol/Mesmo que em plena boca/Nos bata o açoite contínuo da noite/Arrebentar a corrente que envolve o amanhã/Despertar as espadas/(&#8230;)/Sem fazer movimento/Mas tecendo o fio da água e do vento” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando à vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> também a adora. As músicas profundas em <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/arte-e-cultura-desafiaram-os-anos-de-chumbo-ao-propor-nas-entrelinhas-novos-modos-de-vida.shtml">significado e vivacidade</a> eram a forma que os artistas encontravam de se opor aos governos e políticas de morte, e em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-gracias-a-la-vida-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Gracias a La Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que abria o segundo ato do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis explode a paixão que sentia por viver com uma riqueza enorme nas estrelinhas. A canção foi escrita e originalmente interpretada pela chilena <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y9OLbzGOxWY">Violeta Parra</a>, fundadora da música popular chilena e compositora de muitas das <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/violeta-parra/">canções de resistência</a> que ecoaram pelo país na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem separar suas celebrações de seus protestos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante </span></i><span style="font-weight: 400;">geniosamente aniquila qualquer noção de oposição que pudesse surgir entre os dois elementos e grita da melhor maneira que nossa mera existência é política. Até brincando, Elis conseguia espalhar sua mensagem, inovando nas maneiras de driblar a <a href="http://memoriasdaditadura.org.br/sequencias-didaticas/censura/">censura</a>. A canção mais divertida do repertório, </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://genius.com/Elis-regina-jardins-de-infancia-lyrics">Jardins De Infância</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">critica o governo </span><span style="font-weight: 400;">de forma teatral e narrativizada, camuflada em um toque de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19106" aria-describedby="caption-attachment-19106" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9.png" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. A artista está sentada no palco, ao centro da imagem, e apenas ela está iluminada. Ela está de lado, segura um microfone com a mão esquerda e olha para o lado esquerdo da imagem. Elis usa um vestido branco come strelas prateadas e um chapéu com uma pena azul." width="800" height="899" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9.png 854w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9-267x300.png 267w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/9-768x863.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19106" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Registros de jornais disponibilizados no site oficial da artista contam que, nos bastidores de Falso Brilhante,  Elis era encontrada costurando as próprias roupas, em grande parte reaproveitadas de outros </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo a própria maquiagem e coordenando a montagem junto do resto da equipe, o que reforçava seu apelido de </span><span style="font-weight: 400;">a “</span><i><span style="font-weight: 400;">anti estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">” da música brasileira </span>(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A militante só descansava no amor. Ali, não tinha jeito, Elis se derretia na presença daquele que acordava sua veia romântica, sempre marcada na paixão das interpretações e nos arranjos musicais. A primeira declaração de <em>Falso Brilhante</em> é </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-fascinacao-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> popular valsa francesa traduzida para o português por Armando Louzada para que Elis e Cesar pudessem dançar entre as notas doces que cada um expressava à sua maneira, sob o cenário rico preparado pelos instrumentos clássicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://genius.com/Elis-regina-tatuagem-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Tatuagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o deleite é ainda mais especial. Nela, Elis só conversa com o piano do amado, numa profunda intimidade e marcante sensualidade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero brincar no teu corpo feito bailarina/Que logo te alucina, salta e te ilumina quando a noite vem/E nos músculos exaustos do teu braço/Repousar frouxa, farta, murcha, morta de cansaço”, </span></i><span style="font-weight: 400;">ela canta a letra de Chico Buarque olhando nos olhos de Cesar ao piano, de modo a deixar qualquer um que assistisse a cena constrangido por tamanha intensidade. Elis, no entanto, por nada conservava timidez. Muito menos da arte, muito menos do amor.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elis Regina - &quot;Tatuagem&quot;" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/sQGX1BmsLJk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A intensidade que a viagem pela vida e sentimentos de Elis trazia era numa narrativa por si só disruptiva. A mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante </span></i><span style="font-weight: 400;">era clara, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e a idealização &#8211; que não fosse de um sonho revolucionário &#8211; não cabiam na verdade de Elis</span><span style="font-weight: 400;">. Os que esperavam assistir algo melodramático sobre as lamentações de uma artista arrependida eram surpreendidos, já que a decepção, matéria-prima principal do projeto, não era algo romantizado, exaltado ou pintado como paralisante. O que Elis queria era superá-la, com a urgência de quem <a href="https://documentosrevelados.com.br/interrogatorio-de-elis-regina-pela-ditadura-militar-inspirou-sua-interpretacao-de-agnus-sei/">sentiu na pele</a> e viu de perto as ameaças contundentes ao que ela mais valorizava: a vida e a arte.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ela criou como forma de se opor a isso tudo é o que se vê em </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com sua história de plano de fundo, ela desabafa, profetiza, imagina, desmente, celebra, denuncia, cuida, representa e sente. Vasta, ativa e complexa, ela mudou pra sempre a arte ao criar dentro de sua música algo que ilustra a própria vida, </span><span style="font-weight: 400;">motivada pela coragem, que nos faz continuar mesmo com o arrepio na espinha de medo do que virá pela frente, e na ousadia de tomar o coração como razão, de assumir sua personalidade, sua identidade, acertar e errar, se desculpar e continuar.</span></p>
<figure id="attachment_19100" aria-describedby="caption-attachment-19100" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19100" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1.jpg" alt="Fotografia de Elis Regina apresentando seu espetáculo Falso Brilhante. Na imagem, aparece apenas o rosto da artista, de perfil. Ela canta com as mãos no peito e olha para fora da imagem. Elis veste uma camiseta branca, seus cabelos são curtos." width="990" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1-300x218.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/elis_falso_brilhante-1-768x559.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19100" class="wp-caption-text">“Graças à vida, que tem me dado tanto/Tem me dado o sorriso e tem me dado o choro/Assim eu diferencio felicidade de dor/Os dois materiais que formam o meu canto/E o vosso canto que é o mesmo canto/E o canto de todos que é o meu próprio canto” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/52486_elis-regina-jogo-da-verdade.html"><i><span style="font-weight: 400;">Eu queria morrer sendo eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” ela disse em sua última entrevista em janeiro de 1982, seis anos depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> e duas semanas antes de um dos eventos mais tristes que o calendário brasileiro já viu, o dia de sua morte. Nunca se contentando com nada menos do que ela tinha exatamente em mente, esse foi o maior feito que Elis Regina atingiu: ficar marcada na nossa história sendo ela. Sendo presente, sendo atemporal, sendo relevante, sendo transformadora, sendo corajosa, sendo expressiva, sendo sonhadora e sendo viva. E se ela disse que viver é melhor que sonhar, é melhor a gente acreditar.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Falso Brilhante" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/18p3b48JyIK5XY90JmWxET?si=VHA2B3-ZSxaa87ErSrF4WA"></iframe></p>
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		<title>Não dá para adorar Elis Regina pelo avesso</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 19:43:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Cantar Elis com certeza não é para qualquer um. Reconhecida até hoje como uma das maiores vozes da Música Popular Brasileira, as regravações de seu repertório não devem ser vistas a título de comparação, mas sempre são como forma de homenagear a cantora falecida em 1982. No entanto, a cantora baiana Illy, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/te-adorando-pelo-avesso-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não dá para adorar Elis Regina pelo avesso"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17103" aria-describedby="caption-attachment-17103" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1.jpg" alt="" width="1140" height="1140" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_capa_imagem-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17103" class="wp-caption-text">Capa do álbum Te Adorando Pelo Avesso de Illy Gouveia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Júlia Trevisan</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cantar </span><a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elis</span></a><span style="font-weight: 400;"> com certeza não é para qualquer um. Reconhecida até hoje como uma das maiores vozes da Música Popular Brasileira, as regravações de seu repertório não devem ser vistas a título de comparação, mas sempre são como forma de homenagear a cantora falecida em 1982. No entanto, a cantora baiana Illy, uma das novas vozes da MPB estava em bom </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcGaqkUQ05w"><span style="font-weight: 400;">voo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sua carreira até dar um tiro no próprio pé, falhando friamente na homenagem à </span><a href="http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/elis-regina/"><i><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></i></a> em <i><span style="font-weight: 400;">Te Adorando Pelo Avesso.</span></i></p>
<p><span id="more-17102"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No álbum lançado em 2020, Illy Gouveia revisita as canções de Elis Regina. O  disco recebe esse nome por conta do trecho da composição de Chico Buarque,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg"><i><span style="font-weight: 400;">Atrás da Porta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, regravada por Elis na década de 70. E, partindo do ponto de vista de que a homenagem ficou completamente oposta ao esperado, o nome faz jus ao nome álbum. A capa de <em>Te Adorando Pelo Avesso </em>faz alusão a capa do disco de estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis </span></i><span style="font-weight: 400;">(1973) e tem um trabalho de fotografia bem elaborado, mas o álbum escolhido como inspiração não é o de encarte mais marcante, como dos discos 1972 e 1977. Isso faz com que a referência não fique tão clara logo de início.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de abertura do trabalho é</span><i><span style="font-weight: 400;"> Alô Alô Marciano</span></i><span style="font-weight: 400;">, composta por </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Roberto de Carvalho em plena ditadura militar. A letra traz a conversa de um humano e um extraterrestre, onde o humano desabafa sobre a situação brasileira, denunciando que está </span><i><span style="font-weight: 400;">“cada vez mais down no high society”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na regravação de Illy, a sonoridade, bem feita pelos instrumentistas, não sustenta a fraca interpretação da artista, que deixa apagada a crítica presente na canção, tornando-se apenas mais uma melodia em meio todo contexto que a música pretendia criar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ILLY - Alô, Alô Marciano (Clipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6j-JR2FGMiw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Alô Alô Marciano</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem a maior decepção do disco: </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">. Hino de uma geração, a composição da lenda </span><a href="https://personaunesp.com.br/belchior-quarenta-anos-alucinacao/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma das letras mais fortes da música nacional. Conhecida por sua atemporalidade, todo grito de resistência e luta social que a música representa foi diminuído a um mero </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que não necessariamente é o problema, mas sim a sonoridade ter mais destaque do que a letra, abafando a História e toda força que essa música representa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco conta com a participação de outros dois cantores de sucesso no cenário atual da música, são eles </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GYKOk_D5Am0"><span style="font-weight: 400;">Baco Exu do Blues</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Silva. A participação de Baco salvou a regravação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Deixas Louca</span></i><span style="font-weight: 400;">, música de forte sensualidade, que com sua voz rouca consegue transmitir a energia da canção, já a de Illy não passa nem perto do feito. Mas, se a canção do Exu do Blues conseguiu salvar a gravação, a de Silva contribuiu para afundar um pouco mais </span><i><span style="font-weight: 400;">Te Adorando pelo Avesso.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cantor é uma admirável voz da MPB, mas não agregou positivamente na canção</span><i><span style="font-weight: 400;"> Atrás da Porta</span></i><span style="font-weight: 400;">. A música com o verso que batiza o álbum, conta a história de um divórcio inesperado e sofrido pelo eu lírico do começo ao fim. A regravação começa de maneira boa, redesenhada no estilo certo, no entanto, logo vem o desapontamento. A um certo ponto da música, os artistas transpassam o sentimento de estarem lendo a letra de </span><i><span style="font-weight: 400;">Atrás da Porta</span></i><span style="font-weight: 400;">, quebrando qualquer sentimento que o dueto pudesse transmitir.</span></p>
<figure id="attachment_17104" aria-describedby="caption-attachment-17104" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2.jpg" alt="" width="1600" height="1115" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2-300x209.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2-1024x714.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2-768x535.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2-1536x1070.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-2-1200x836.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17104" class="wp-caption-text">“A ideia é justamente fazer de forma contemporânea ou até mesmo futurista as músicas que cresci ouvindo&#8221;, disse Illy em entrevista para o portal Tenho Mais Discos que Amigos! (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao analisar o instrumental de forma separada das letras é fácil concluir que grande parte de <em>Te Adorando Pelo Avesso</em> foi bem produzida. Digo grande parte pois ele falha em duas canções: </span><i><span style="font-weight: 400;">Dois Pra Lá Dois Pra Cá</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Illy repete o erro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Deixas Louca</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não imprime na música a sensualidade trazida na letra. Além disso, ao final foi incluído um conjunto de vozes masculinas que ficou anexada à música mas sem fazer o menor sentido naquilo que já havia sido apresentado ao longo da canção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;"> os erros já começam na introdução, com uma sonoridade que não se encaixa na dramaticidade da letra e nem no conjunto de músicas selecionadas pro álbum. O fator dramático da intensa letra, que traz uma história forte e real, também não é expressa no vocal leve da cantora, que mais uma vez diminui uma música significativa a uma balada desconexa.</span></p>
<figure id="attachment_17105" aria-describedby="caption-attachment-17105" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17105" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17105" class="wp-caption-text">O álbum foi lançado após os singles “Alô Alô Marciano”, “Fascinação” e “Querelas do Brasil” (Foto: Julia Pavin)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O arranjo bem pensado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderia ter funcionado de maneira interessante para outras músicas, mas não para a própria. O </span><i><span style="font-weight: 400;">funk melody</span></i><span style="font-weight: 400;"> não casou com a composição francesa traduzida por Armando Louzada, muito menos com a interpretação feita por Illy. Passando a sensação que houve um desencontro entre a banda e a intérprete, como se a canção tocada fosse totalmente diferente da música na qual a cantora está dando voz. A nova versão se torna completamente esquecível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior problema de <em>Te Adorando Pelo Avesso</em> foi a escolha de repertório, músicas calorosas foram selecionadas para serem interpretadas por uma voz suave que soou fraca. O</span><i><span style="font-weight: 400;"> Trem Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, original de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eNxw9VBAcRo"><span style="font-weight: 400;">Milton Nascimento e Lô Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi eternizada com uma interpretação marcante de Elis, com o sentimento passado na canção ainda vivo no imaginário brasileiro por ter servido como hino de resistência a muitos presos políticos durante a ditadura. A faixa tem começo marcante na voz de Illy, mas se desfaz antes mesmo do refrão ser cantado pela primeira vez.</span></p>
<figure id="attachment_17106" aria-describedby="caption-attachment-17106" style="width: 2410px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4.jpg" alt="" width="2410" height="1574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4.jpg 2410w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-1024x669.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-768x502.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-1536x1003.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-2048x1338.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-4-1200x784.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17106" class="wp-caption-text">“Bahia, terra da felicidade” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nona faixa de <em>Te Adorando Pelo Avesso</em>, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Baixa do Sapateiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de ir na contramão do samba-canção gravado por Elis, é redesenhada de maneira correta, com um gosto diferente do que tinha sido apresentado até então. A regravação de Illy ao ritmo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra forte, da forma que é esperada em todo álbum: uma homenagem à Elis que não seja cópia da cantora, mas que tenha a potência que a homenageada merece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ladeira da Preguiça,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a preguiça foi na hora de mixar a faixa. O instrumental apresenta uma sonoridade que nos leva a pensar em </span><a href="https://gilbertogil.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, compositor da música, entretanto ele ficou desconexo de todo resto da canção. Erro que poderia ter sido evitado durante o processo de mixagem e pós-produção, e que comprova que o processo de construção do disco não ocorreu de forma natural, respeitando as limitações e corrigindo aquilo que fugia das expectativas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o álbum foi uma sucessão de erros, ao caminhar para o final ele parece tentar se redimir. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qOP7zOQOHnQ"><i><span style="font-weight: 400;">Querelas do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição do saudoso Aldir Blanc, foi a melhor escolha do repertório de Illy. Além do arranjo pensado para a canção casar com a voz da intérprete, é um lado B de Elis essencial que a nova geração tenha conhecimento da letra crítica e denunciante. </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Brazil não conhece o Brazil/O Brasil nunca foi ao Brazil” “O Brazil não merece o Brasil/O Brazil tá matando o Brasil” “Do Brasil S.O.S ao Brasil”.</span></i></p>
<figure id="attachment_17107" aria-describedby="caption-attachment-17107" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17107" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-scaled.jpg" alt="" width="2048" height="2560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-scaled.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-240x300.jpg 240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-1229x1536.jpg 1229w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-1638x2048.jpg 1638w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/illy_imagem-5-1200x1500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17107" class="wp-caption-text">“Eu cresci ouvindo Elis e me sinto totalmente influenciada por ela e por sua força” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A música que encerra o álbum é </span><i><span style="font-weight: 400;">Vou Deitar e Rolar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, dupla responsável por respeitáveis clássicos da MPB. A quebra de expectativa é positiva nessa canção. Apesar da voz de Illy não sustentar todas as técnicas vocais escolhidas, sua assinatura fica impressa na faixa. O que foi planejado pra esse trabalho é alcançado apenas no final dele. Uma homenagem à Elis Regina que além de introduzir a nova geração ao repertório da cantora, tivesse a leitura e os arranjos feitos pela produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Admiro a coragem de Illy ao embarcar numa aventura que lhe traria um mar de críticas devido à importância da inalcançável discografia de Elis Regina. Não há problemas em recriar músicas tão vivas no imaginário coletivo brasileiro, mas o risco é alto. O que faltou para cantora foi uma ajuda técnica na seleção musical,  o lado fã deveria ser deixado de lado fazendo escolhas realistas que se encaixassem em sua voz suave. Cantar Elis é cantar uma parte frágil e sombria da História brasileira. O ritmo contemporâneo, quando não bem sustentado, como aconteceu nesse disco, soa desrespeitoso. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Te Adorando pelo Avesso" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5lvhRYId3zTtsJsDFbgXEh?si=oOlbE9V7QWS8cCYbp4JZkQ"></iframe></p>
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