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	<title>Arquivos Cinebiografia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 19:14:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Da glória nos ringues da World Wrestling Entertainment (WWE) ao domínio em franquias blockbusters milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? Coração de Lutador faz dessa pergunta seu eixo narrativo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracao-de-lutador-traz-dwayne-johnson-enfrentando-o-silencio-depois-do-ringue/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35849" aria-describedby="caption-attachment-35849" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png" alt="Uma cena do filme Coração de Lutador, vista de dentro de um ringue de luta, focada em quatro personagens em um momento de alta tensão. Da esquerda para a direita: Bas Rutten, como um treinador, é um homem mais velho, careca, vestindo uma camiseta verde-escura. Ele se inclina para a frente com uma expressão de intensa preocupação e seriedade, olhando para o lutador. Atrás do lutador, Ryan Bader o segura firmemente pelos ombros. Ele está vestido de preto e seu rosto também mostra foco e preocupação, como se estivesse tentando conter ou dar apoio. No centro da imagem, sentado em um banco vermelho no corner do ringue, está o lutador Mark Kerr, interpretado por Dwayne Johnson. Ele está sem camisa, exibindo um físico musculoso, e veste shorts de luta brancos com detalhes em vermelho e uma joelheira preta. Sua expressão é de angústia e exaustão; seus olhos estão arregalados e fixos, e sua boca está entreaberta. À direita, do lado de fora das cordas, está Dawn, interpretada por Emily Blunt. Com cabelos longos e escuros e vestindo uma regata branca, ela olha para a cena com uma expressão de profunda tristeza, angústia e preocupação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35849" class="wp-caption-text">Dwayne Johnson no centro da narrativa de Coração de Lutador, entre força física e fragilidade emocional (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da glória nos ringues da </span><a href="https://comandogeek.com.br/blog/glossario/o-que-e-wwe-world-wrestling-entertainment/?srsltid=AfmBOoo-1H2uz_K7hpmz4UCbCznitvyan_jRyBLskMxcXI6qw9-wqZoY"><i><span style="font-weight: 400;">World Wrestling Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (WWE) ao domínio em franquias </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz dessa pergunta seu eixo narrativo, atravessando a persona inquebrantável de The Rock para revelar </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/mark-kerr-veja-a-historia-do-lutador-que-sera-interpretado-por-the-rock.phtml"><span style="font-weight: 400;">Mark Kerr</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador real que habita a zona de instabilidade entre a vitória pública e a masculinidade frágil.</span></p>
<p><span id="more-35846"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao levar essa história ao </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOuFzy6kt9n/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a própria presença de Kerr no evento, diante das câmeras, ecoa o gesto de reconhecimento que o filme encena: agora, sua vida ganha o rosto e a voz de uma das figuras mais conhecidas de Hollywood. Nas mãos do diretor Benny Safdie, esse encontro entre biografia e performance não se reduz a mero espetáculo esportivo; ao contrário, se abre para tensões sobre identidade e companheirismo. O resultado é uma obra que olha para além do ícone musculoso, em busca do homem que aprende a lidar com suas dores, dependências e amores – e que, nesse processo, talvez encontre o que realmente significa ser visto.</span></p>
<figure id="attachment_35848" aria-describedby="caption-attachment-35848" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png" alt="Em uma cena do filme Coração de Lutador, o ator Dwayne Johnson, interpretando o lutador Mark Kerr, celebra uma vitória. Ele está em pé, sem camisa, com o corpo musculoso e brilhando de suor. Uma toalha branca está casualmente jogada sobre seu ombro esquerdo. Com a mão direita, ele ergue um grande cinturão de campeão, que tem uma faixa preta e uma placa central dourada com detalhes em relevo. Dwayne Johnson olha para cima e para o lado com um sorriso largo e radiante, expressando pura alegria e triunfo. O fundo é caloroso e festivo, preenchido com luzes douradas e desfocadas que criam um efeito brilhante (bokeh). À esquerda, mãos de pessoas aplaudem, e à direita, o rosto de uma mulher sorrindo é parcialmente visível, completando a atmosfera de comemoração." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35848" class="wp-caption-text">Johnson encontra nos gestos sutis a dimensão humana de seu personagem, revelando vulnerabilidade e autenticidade (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua primeira incursão solo, </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/benny-safdie-conquista-leao-de-prata-coracao-de-lutador-the-smashing-machine-festival-veneza-lista-premiados?city=sao-paulo&amp;partnership=needext&amp;ing_source=api&amp;ing_medium=link-filme&amp;ing_campaign=needext&amp;ing_content=deuses-da-peste"><span style="font-weight: 400;">Safdie</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece mais interessado em auscultar a respiração de seus personagens do que em celebrar a glória das batalhas. A câmera recusa a perspectiva frontal e prefere se infiltrar pelos cantos, como quem espiona uma intimidade que não deveria ser vista. Há algo de documental, uma aproximação que dissolve a fronteira entre encenação e realidade, transformando a rotina de Mark Kerr em matéria de observação. Não se trata apenas de uma coreografia de socos, mas o registro do corpo cansado, do silêncio entre as falas, da tensão que persiste quando as luzes já se apagaram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor constrói quase um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a vida se expõe sem filtros: cortes bruscos, planos longos e hesitações que permanecem em quadro. A cena do longa que acompanha Kerr do ringue ao vestiário é exemplar nesse sentido – um fluxo contínuo que revela não apenas o atleta, porém o homem em suspensão, ainda sem saber como reagir à própria derrota. Longe da grandiosidade de lutas ultra coreografadas, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2x8y9e2p8o"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz o detalhe ser sua maior força, o instante em que a vulnerabilidade rasga o mito e deixa ver aquilo que o espetáculo tantas vezes encobre: a solidão de existir sob os olhos de todos.</span></p>
<figure id="attachment_35847" aria-describedby="caption-attachment-35847" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png" alt="Um close-up do ator Dwayne Johnson no filme Coração de Lutador, interpretando Mark Kerr em uma cena de conversa. Ele está vestindo uma camisa polo azul-escura, que evidencia seus braços e ombros extremamente musculosos, e usa um boné de beisebol branco. Um par de óculos de sol está pendurado na gola da camisa. Com uma expressão séria e pensativa, ele olha para o lado, como se estivesse ouvindo atentamente ou falando com alguém fora da câmera. A cena se passa em um ambiente interno com iluminação suave, possivelmente um restaurante ou um clube, com um abajur e outras pessoas desfocadas ao fundo, criando uma atmosfera mais casual e íntima." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35847" class="wp-caption-text">A câmera de Benny Safdie observa o cotidiano de Kerr com intimidade e naturalidade, longe do espetáculo (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dwayne Johnson encontra a chance de despir-se de sua persona e se arriscar em territórios de fragilidade. Seu corpo ainda impõe a presença de um ídolo de ação, mas é no vacilo do olhar, no quietude após a queda, que ele se reinventa como ator. Há momentos que parecem terem sido feitos para uma certa </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gw7vqrwp8o"><span style="font-weight: 400;">premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acontece no começo de todo ano, no entanto o que realmente se destaca são as atitudes miúdas: a cumplicidade com o personagem de </span><a href="https://www.espn.com.br/mma/artigo/_/id/13658349/ryan-bader-anuncia-pausa-carreira-lutador-para-atuar-filme-the-rock"><span style="font-weight: 400;">Ryan Bader</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador profissional que se arrisca na atuação, as fraturas miúdas de uma rotina atravessada pelo vício e aqueles gestos mínimos – fugas e hesitações – que, dentro de uma relação, carregam um peso desproporcional. Nesses momentos, Johnson prova que pode ser mais do que um rosto para cartazes, que ele pode ser, de fato, um ator atravessado por uma história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Johnson oferece a brecha para enxergar Kerr em sua dimensão íntima, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emily Blunt</span></a><span style="font-weight: 400;"> sustenta o eixo emocional que mantém o filme pulsando. Como Dawn, ela encarna a exaustão de uma relação marcada pelo vício e pela dependência. Sua presença é firme até quando o texto a empurra para diálogos banais, transformando pequenas expressões em densidade. Se há ecos de História de um Casamento na dinâmica conjugal em ruína, aqui os personagens soam mais crus, menos complexos, até irritantes – e talvez seja justamente essa dureza que os torna verossímeis. Blunt, que já fez muitas produções farofas, parece finalmente se encaminhar para o reconhecimento merecido: o de uma atriz eclética e carismática.</span></p>
<figure id="attachment_35850" aria-describedby="caption-attachment-35850" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png" alt="Uma cena noturna do filme Coração de Lutador que mostra Dwayne Johnson e Emily Blunt caminhando juntos por uma rua movimentada no Japão. O casal está de mãos dadas no centro da imagem, ambos com expressões sérias e focadas. Dwayne Johnson, à direita, veste uma camiseta cinza-escura justa que acentua seu físico extremamente musculoso, combinada com calça jeans. Emily Blunt, à esquerda, usa um vestido branco longo e justo e segura uma jaqueta escura em seu braço. O cenário é o destaque da imagem: a rua está iluminada por dezenas de lanternas de papel redondas, com listras brancas e alaranjadas, penduradas em fios sobre suas cabeças, criando uma iluminação quente e atmosférica. Ao fundo, letreiros verticais com caracteres japoneses e outras luzes urbanas complementam a cena vibrante. A imagem é capturada de uma perspectiva que inclui elementos desfocados em primeiro plano, dando a sensação de que estamos observando o casal de perto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35850" class="wp-caption-text">Emily Blunt sustenta o eixo emocional do filme, transformando pequenos gestos em densidade dramática (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é menos sobre vitórias no ringue do que sobre a impossibilidade de existir sem dor – física, emocional e cotidiana. Nesse percurso, a identidade do herói se constrói na repetição de seu próprio nome, como se a validação dependesse de ser lembrado, nomeado, visto. Entre a dependência dos </span><a href="https://ge.globo.com/combate/noticia/2025/09/10/mike-tyson-revela-uso-de-fentanil-no-auge-era-como-heroina.ghtml"><span style="font-weight: 400;">opioides</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a busca por estabilidade, a história insiste no companheirismo como chave de resistência: não são os cinturões que sustentam Mark Kerr, e sim os vínculos frágeis e insistentes com Dawn, o treinador e com aqueles que permanecem ao seu lado quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">termina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tentador enquadrar a produção na categoria ‘cara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">’: cinebiografias que apostam em histórias de superação e quedas redentoras. Porém, Benny Safdie parece menos interessado em forjar um épico premiável do que em cultivar uma intimidade desconfortável. A obra escapa do artifício do </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/o-que-e-oscar-bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar-bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como se vê em produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), porque não se ancora na glória esportiva nem na catarse fácil; prefere o gesto paciente de uma câmera que observa e que acolhe silêncios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa encontra sua força justamente onde o espetáculo costuma se desfazer. Não se trata das vitórias que consagram, mas das quedas que revelam nossa humanidade. Dwayne Johnson, que </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/o-choro-do-durao-the-rock-ao-ser-aplaudido-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">chorou</span></a><span style="font-weight: 400;"> após ser aplaudido no </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOcAGfuErmj/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entrega aqui a prova de uma maturidade artística que recusa a caricatura. </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas a crônica de um herói para se tornar a observação de uma experiência humana crua, feita de fragilidade e da busca incessante por ser reconhecido.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Coração de Lutador - The Smashing Machine | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nQGxDYNW3Wg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Maria Callas faz do comum uma estrela</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 19:00:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Ao longo de quatro anos, Pablo Larraín dedicou seu trabalho de cineasta à Ditadura Militar chilena, com Tony Manero (2008), Post Mortem (2010) e No (2012). Desde 2016, o diretor agarrou outro gênero, parecido com o drama de época, a cinebiografia, com os filmes Jackie (2016) e Spencer (2021). Em 2024, sua visão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/maria-callas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Maria Callas faz do comum uma estrela"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34191" aria-describedby="caption-attachment-34191" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-800x500.png" alt="Cena do filme Maria Callas. Na imagem, Maria está entre cortinas, segurando seu rosto com as duas mãos, uma em cada lado da face. Ela olha de canto com expressão séria. Usa um óculos grande, cabelo repartido ao meio e uma blusa de crochê na cor branca. Ela é uma mulher branca, de olhos claros, na faixa dos 50 anos." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-2.png 1070w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34191" class="wp-caption-text">O filme estreou no Festival de Veneza em Agosto de 2024 (Foto: The Apartment Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de quatro anos, Pablo Larraín dedicou seu trabalho de cineasta à Ditadura Militar chilena, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony Manero</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008), </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><i><span style="font-weight: 400;">No</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012). Desde 2016, o diretor agarrou outro gênero, parecido com o drama de época, a cinebiografia, com os filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">Jackie</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021). Em 2024, sua visão sobre mulheres históricas do século XX adentra os palcos do Teatro Scala de Milão e registra os últimos dias de vida de Maria Callas (Angelina Jolie). </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Callas </span></i><span style="font-weight: 400;">foi selecionada para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz parte da seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-34190"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no filme de Lady Di, Callas é uma protagonista em profunda tristeza e com seus símbolos sólidos desmoronando: a Música, a fama e a orientação. Larraín, que já tinha acertado anteriormente, prefere destacar um período da história de sua musa ao invés de apanhar uma vida toda em 120 minutos. Ao fazer isso, há mais espaço para aprofundar a protagonista e menos para entender a carreira: Maria é maior que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s-TwMfgaDC8"><span style="font-weight: 400;">La Callas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa abordagem reflete a condição da personagem, que não se encontra mais no panteão de uma diva – a última apresentação dela foi em 1974. O mesmo não se pode dizer de Angelina Jolie, que com carões, voz e postura faz uma excelente atuação; às vezes hipnotizados, adormecemos a ideia de que conhecemos esse rosto de outros carnavais e de capas de revista: ela não é Jolie, é Callas. Em biografias, é muito fácil cair no </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rapsody-aniversario-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">caricato</span></a><span style="font-weight: 400;"> (quando não intencionado) ou na imitação, mas a ‘Malévola’ atribui humanidade ao seu trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_34192" aria-describedby="caption-attachment-34192" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-800x467.png" alt="Cena do filme Maria Callas. Na imagem, Maria está se maquiando em frente ao espelho, a imagem que vemos é a refletida. Ela tem um penteado de topete, veste uma jaqueta de crochê na cor branca e segura um pincel. Na mesa em frente ao espelho há perfumes e outros cosméticos. Ao fundo há bustos de figuras gregas, um quadro e roupas. Ela é uma mulher branca, de olhos claros, na faixa dos 50 anos. " width="800" height="467" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-800x467.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-1024x597.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1-768x448.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-1.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34192" class="wp-caption-text">Angelina Jolie treinou canto por sete meses (Foto: The Apartment Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A desconstrução de ícone para sujeito já começa no início com uma montagem que apresenta a grandiosidade da voz de Maria Callas e momentos de exaltação em sua vida, que são quebrados pela violenta realidade de não mais cantar em palcos, mas sim para a governanta da casa, que nem presta tanta atenção, pois se ocupa na cozinha. Pablo Larraín conduz a fragmentação de passado e presente através de cortes brutais que intercalam os tempos divergentes. Tal como </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta também compõe uma </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i><span style="font-weight: 400;"> interessante; objetos e figurinos em cena dizem algo sobre a cantora, como as cenas em que está envolta de heróis e </span><a href="https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-787/musas/"><span style="font-weight: 400;">musas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da mitologia grega, um reflexo de quem ela é. Os espaços soberbos, em tamanho e importância, deixam-na diminuta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A desilusão e as realidades paralelas que Callas cria também são quebradas por alguém que a chama e a tira do delírio; em corais feitos para endeusar ela, na verdade, há vazio. É um retrato também muito melancólico, a soprano personifica seu remédio favorito em um jornalista que quer saber tudo a respeito dela: são poucos que estão dispostos a ouvir o passado e dores de uma estrela que já não brilha mais. Porém, o próprio Larraín é o Mandrax (Kodi Smit-McPhee), ele está interessado na história da grega, na saudades dos palcos, na relação com os funcionários e nos traumas da juventude. O que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7r5F5nFNe4g"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> chileno propõe é uma provocação de choques entre muitas contradições, que deixam o espectador em uma montanha russa com destino para o abraço ao sujeito Maria.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maria Callas </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha com o filme da princesa britânica a partir da composição de espaços e a história de queda, mas é melhor. Um dos melhores filmes da Mostra e do ano, com certeza um forte concorrente para o </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-filme.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2025</span></a><span style="font-weight: 400;">. É um longa que vai durar mais que um </span><i><span style="font-weight: 400;">hype</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a curiosidade de conhecer uma persona, porque é um projeto que se mantém nos dramas e sentimentos de um personagem humano, não de uma carreira apoteótica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MARIA | Official Teaser | STUDIOCANAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4l1J14b96d4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda capota na curva</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 17:37:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga As cinebiografias &#8211; ou biopics como também são chamadas &#8211; sempre estiveram em voga no Cinema com obras como A Rede Social (2010), Gandhi (1982), Malcolm X (1992) e Fome de Poder (2016). No entanto, os últimos anos se mostraram ainda mais frutíferos para esse gênero e nos entregou várias produções, culminando numa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lamborghini-o-homem-por-tras-da-lenda-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda capota na curva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32120" aria-describedby="caption-attachment-32120" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-800x450.png" alt="Cena do filme Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda. Nela, vemos Ferruccio Lamborghini, interpretado por Frank Grillo, um homem branco, de cabelo preto com topete e barba rala. Ele veste um terno vermelho de veludo, uma camisa branca e um óculos. Sentando em uma cadeira de madeira, ele apoia um cigarro na mão direita, que está segurando um carro de brinquedo na cor vermelha. Ao lado, há um carro de brinquedo na cor azul." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-1-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32120" class="wp-caption-text">A obra é baseada no livro Ferruccio Lamborghini: La storia ufficiale, escrito por Tonino Lamborghini, filho do fundador da marca (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As cinebiografias &#8211; ou </span><i><span style="font-weight: 400;">biopics</span></i><span style="font-weight: 400;"> como também são chamadas &#8211; sempre estiveram em voga no Cinema com obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">A Rede Social </span></i><span style="font-weight: 400;">(2010),</span><i><span style="font-weight: 400;"> Gandhi</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982), </span><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm </span></i><span style="font-weight: 400;">X (1992) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Fome de Poder </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016). No entanto, os últimos anos se mostraram ainda mais frutíferos para esse gênero e nos entregou várias produções, culminando numa sequência interessantíssima em 2023, que abarcou nomes como </span><i><span style="font-weight: 400;">Tetris, Blackberry, Flamin’ Hot,</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mussum: O Filmis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Napoleão</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/priscilla-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encostando na traseira desse estilo, as cinebiografias voltadas ao mundo automobilístico aos poucos vem tomando espaço, indo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/rush-no-limite-da-emocao-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Rush &#8211; No Limite da Emoção</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passando por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9l10oS4FIQg"><i><span style="font-weight: 400;">Ford vs Ferrari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e checando no recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Ferrari</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Michael Mann. Pegando carona nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">hype </span></i><span style="font-weight: 400;">recente é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega às grandes telas (isso se sua TV for grande o suficiente).</span></p>
<p><span id="more-32119"></span></p>
<figure id="attachment_32121" aria-describedby="caption-attachment-32121" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32121" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda. Nela vemos Ferruccio Lamborghini, um homem branco, de cabelos pretos com topete e barba rala. Ele veste um terno cinza, camisa branca, gravata azul marinho e óculos escuros. Ele está sentado em um quintal, com uma árvore de natal ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-2-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32121" class="wp-caption-text">Inicialmente, Antonio Banderas era cotado para ser Ferruccio Lamborghini, enquanto Alec Baldwin seria Enzo Ferrari (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa conta a história de Ferruccio Lamborghini (Frank Grillo) desde sua pequena montadora de tratores até o famoso esportivo com o logo do touro no capô. O projeto é idealizado por Robert Moresco, conhecido pelo seu roteiro no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tfQs7WbVse8&amp;ab_channel=Oscars"><span style="font-weight: 400;">oscarizado</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Crash &#8211; No Limite</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ironicamente também envolvia carro na trama. Moresco faz questão de deixar claro que é fã de automobilismo, inclusive deixando a entender isso no letreiro final do filme. Porém, isso só ajuda a evidenciar que foi uma obra feita às pressas com a propriedade intelectual que ‘sobrou’ nesse meio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por mais paradoxal que seja, calma e parcimônia são essenciais no mundo da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mdnF9R-Bzpg&amp;ab_channel=noway-"><span style="font-weight: 400;">velocidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja na vida real ou na ficção. Não contendo esses dois principais aspectos, a obra se torna uma tentativa destrambelhada, que se perde em seus próprios caminhos e não leva a lugar nenhum. Uma pena, pois Feruccio tem uma história boa e luxuosa, que aqui não foi tratada com 1% do glamour que merecia.</span></p>
<figure id="attachment_32122" aria-describedby="caption-attachment-32122" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32122" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1-800x343.jpg" alt="Cena de Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda. Nela, vemos Ferruccio Lamborghini, um homem branco de cabelo preto com topete e barba rala. Ele veste um smoking preto e uma camisa branca e gravata borboleta preta. Ele está sentado em uma mesa durante um jantar de luxo e segura um papel com o desenho de um carro. Há uma caneta entre os dedos de sua mão direita." width="800" height="343" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1-800x343.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1-1024x439.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1-768x329.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1-1200x514.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-3-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32122" class="wp-caption-text">A excentricidade do biografado vira galhofice nas mãos de Moresco (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega ser irônico que a trajetória de uma das figuras da nova aristocracia italiana seja levada ao Cinema com uma produção tão baixa, porém, a obra não faz nem questão de tentar ultrapassar esse obstáculo. Para começar, o longa tem um grande </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> do país do velho continente em sua equipe, mas, ao invés de focar no idioma italiano, prefere apostar num inglês carregado de um sotaque muito estereotipado. O roteiro é raso e opta por dividir a história em capítulos, dando a entender que nem tudo sobre Ferruccio é interessante, deixando passar </span><a href="https://vederabrasil.com/um-lamborghini-na-garagem-e-outro-no-galpao-a-historia-dos-tratores-italianos/#:~:text=Ferruccio%20nasceu%20no%20dia%2028,ele%20enfrentou%20um%20dilema%20crucial."><span style="font-weight: 400;">importantes passagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o biografado. Nem mesmo a grande rivalidade entre a </span><i><span style="font-weight: 400;">scuderia</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos touros com a dos cavalos consegue ser aproveitada, parecendo um recalque do diretor por não ter conseguido retratar a história da montadora dos carros vermelhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas lacunas, o longa tenta falhamente se preencher a partir de seu elenco. Frank Grillo (</span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão América: O Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) até tem um charme no papel principal, mas muito por conta do texto ter a mesma magnitude de sua capacidade de atuação. Juntam-se a ele a vencedora do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Mira Sorvino (</span><i><span style="font-weight: 400;">Poderosa Afrodite</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Gabriel Byrne (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) que é o Enzo Ferrari da vez. Porém, suas presenças nem agregam a história, pois o diretor opta por reduzi-las ao máximo</span></p>
<figure id="attachment_32123" aria-describedby="caption-attachment-32123" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32123" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda. Nela vemos Ferruccio Lamborghini, um homem branco, de cabelos pretos com topete e barba rala. Ele veste um terno preto, gravata preta e camisa branca. Ele está dirigindo um Lamborghini na cor azul, enquanto olha para a direita. Ao fundo, lampejos de uma estrada à noite." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Lamborghini-Imagem-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32123" class="wp-caption-text">Lamborghini entrou no mundo automotivo após sua Ferrari dar problemas e Enzo se recusar a consertá-la (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem mesmo as cenas de corrida, que são os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T7-N9W0wRJc&amp;ab_channel=MovieTime"><span style="font-weight: 400;">grandes chamarizes</span></a><span style="font-weight: 400;"> desse tipo de obra, animam. Na verdade, ver aqueles </span><a href="https://www.tiktok.com/@laroccafella/video/7167802796614487339"><span style="font-weight: 400;">carros correrem</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem nenhuma paixão e adrenalina nos faz ter vontade de deitar na pista enquanto eles passam. O longa insiste na tecla de que a história da Lamborghini se deu na base da frustração, tentativa e erro, só que o diretor teimou em ignorar as duas últimas e nos deixa somente frustrados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">Lamborghini: O Homem por Trás da Lenda</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta conversar somente com um público específico – e até nesse nicho se torna divisivo. Ele pode funcionar para os que são muito aficionados por carros e ainda não tiveram a oportunidade de presenciar um </span><a href="https://motor1.uol.com.br/features/689253/anfavea-salao-automovel-anhembi/"><span style="font-weight: 400;">Salão do Automóvel</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou uma etapa de </span><a href="https://www.tiktok.com/@justmj.143/video/7297455929858084101?q=interlagos%202023&amp;t=1700179861115"><span style="font-weight: 400;">Interlagos</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois nada mais é que uma vitrine de máquinas e acontecimentos. Fazendo um paralelo mecânico, ele tem uma lataria apresentável, mas, com problemas estruturais graves em seu chassi, não faz questão de se aprofundar, enguiçando antes mesmo da largada</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lamborghini: The Man Behind The Legend (2022 Movie) Official Trailer - Frank Grillo, Gabriel Byrne" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kzqwRxorvKE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
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		<title>Nosso Sonho é coisa de Cinema</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 16:55:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Se o Cinema é um modo divino de contar a vida, as cinebiografias são a vida passando na frente dos nossos olhos. No entanto, assim como acontece com os documentários, realidade e ficção se misturam e o ponto de vista sempre se sobressai. Por que não usar isso a seu favor? É o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nosso Sonho é coisa de Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31483" aria-describedby="caption-attachment-31483" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-1.jpg" alt="" width="768" height="284" /><figcaption id="caption-attachment-31483" class="wp-caption-text">Nosso Sonho esteve entre os cotados para representar o Brasil como Melhor Filme Internacional no Oscar 2024 (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Cinema é um modo divino de contar a vida, as cinebiografias são a vida passando na frente dos nossos olhos. No entanto, assim como acontece com os documentários, realidade e ficção se misturam e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><span style="font-weight: 400;">ponto de vista</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre se sobressai. Por que não usar isso a seu favor? É o que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u-HjfQ4am88&amp;pp=ygUlanVhbiBwYWl2YSBsdWNhcyBwZW50ZWFkbyBwZXJmb3JtYW5jZQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho: A História de Claudinho e Buchecha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz: o longa-metragem que reconta a trajetória da maior dupla de funk nacional abraça de vez o sentimento e mostra que, por trás das coreografias inusitadas e das letras contagiantes, o que prevalecia era a amizade entre os dois.</span></p>
<p><span id="more-31479"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Buchecha (Juan Paiva) &#8211; na época Claucirlei &#8211; conhece Claudinho (Lucas ‘Koka’ Penteado) enquanto ainda eram crianças, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Depois de uma separação, os dois se reencontram no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iN9ZxfjjfR0"><span style="font-weight: 400;">Salgueiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (local que foi tema da primeira música dos artistas) e retomam a amizade de infância mais forte do que antes. Entre bailes funks e partidas de futebol torcendo para o Flamengo, os jovens decidem formar uma dupla de MCs. E o resto é história.</span></p>
<figure id="attachment_31482" aria-describedby="caption-attachment-31482" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31482" class="wp-caption-text">Na versão mais jovem, Claudinho e Buchecha são interpretados por Boca de 09 e Gustavo Coelho, respectivamente (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho </span></i><span style="font-weight: 400;">logo de cara já indica o que está por vir: para reviver uma dupla tão emocionante, a imparcialidade não será o forte. Nessa empreitada, quem assume a tarefa de exprimir tal emoção é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yK7_GthAlMc"><span style="font-weight: 400;">próprio Buchecha</span></a><span style="font-weight: 400;">, tomando para si o lugar de narrador da história e personagem principal. Nisso, a entrega de Juan Paiva não falha na tarefa, perdendo lugar talvez apenas para o protagonista absoluto de Lucas ‘Koka’ Penteado, na pele de Claudinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o intérprete do segundo nome da dupla é quem leva a história para frente, tanto em narração como em ponto de vista, e fica com a responsabilidade das cenas dramáticas, Penteado ilumina o ambiente a cada segundo que aparece em tela. Os maneirismos e a língua presa do cantor são </span><a href="https://metropolitanafm.com.br/televisao/series-e-filmes/nosso-sonho-lucas-penteado-e-juan-paiva-revelam-desafios-em-interpretar-claudinho-e-buchecha"><span style="font-weight: 400;">reproduzidos fielmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo ator, que brilha em todos os momentos e faz jus à figura de Claudinho pintada pelo longa. Se na obra o cantor é representado como a força motriz da dupla, ‘Koka’ incorpora a essência de tal papel e rende desde passagens emocionais até boas risadas nas duas horas de duração do filme.</span></p>
<figure id="attachment_31480" aria-describedby="caption-attachment-31480" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31480" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4.jpg" alt="" width="1600" height="591" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nosso-sonho-4-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31480" class="wp-caption-text">Momentos cômicos e dramáticos tornam Nosso Sonho uma montanha-russa de emoções (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme não escapa de alguns clichês, mas justifica sua escolha. O roteiro &#8211; assinado pelo grupo formado por </span><a href="https://telaviva.com.br/25/09/2023/para-diretor-cinebiografia-de-claudinho-e-buchecha-resgata-natureza-afetuosa-do-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Albergaria</span></a><span style="font-weight: 400;">, Daniel Dias, Mauricio Lissovsky e Fernando Velasco &#8211; opta por uma narração batida, que por vezes denota algumas previsibilidades de como a história se sairá. Ao final, por exemplo, a reflexão de Buchecha sobre o impacto do amigo em sua vida não requer explicações. No entanto, o que poderia ser uma armadilha para uma dissertação sobre os eventos da vida dos dois, ao invés de mostrá-los, se revela o trunfo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É regra do gênero que as cinebiografias vão </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><span style="font-weight: 400;">além da carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista retratado e exploram a vida pessoal de seus objetos. O longa muda a estratégia: aqui, a trajetória de vida de Cláudio e Claucirlei constrói não apenas um panorama da carreira de ambos, mas uma declaração de amor a Claudinho. Sob a direção de Albergaria (que também assina o roteiro), cenas que poderiam ganhar tons didáticos viram emotivas e </span><a href="https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2023/09/nando-cunha-o-pai-de-buchecha-no-filme-nosso-sonho-diz-que-este-e-o-melhor-papel-de-sua-vida-fizemos-muitas-cenas-crueis.ghtml"><span style="font-weight: 400;">íntimas</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; desde a infância juntos até a ideia de formar a dupla, das composições ao nervosismo de subir ao palco pela primeira vez, da ideia da divertida coreografia até as conquistas no auge da fama. </span></p>
<figure id="attachment_31484" aria-describedby="caption-attachment-31484" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4.webp" alt="" width="984" height="738" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4.webp 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4-800x600.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/nossonho-sonho-4-768x576.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31484" class="wp-caption-text">A atuação de Nando Cunha como Buchechão, o pai de Buchecha, é um dos destaques de Nosso Sonho e foi descrita pelo ator como o melhor papel de sua carreira (Foto: Manequim Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, a direção e roteiro igualmente atenciosos ganharam a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojILlmz2XXo&amp;pp=ygUianVhbiBwYWl2YSBsdWNhcyBwZW50ZWFkbyBzw7MgbG92ZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">benção do próprio Buchecha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina parte da direção musical e, trazendo de volta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mK_Hz3P2rJw&amp;pp=ygUgY2x1YWRpbmhvIGUgYnVjaGVjaGEgbm9zc28gc29uaG8%3D"><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> da dupla</span></a><span style="font-weight: 400;">, torna tudo ainda mais envolvente. Unida a eles, a direção de fotografia de João Atala também se sobressai. Com passagens naturalistas dos dois no dia a dia, desde em casa até o ônibus a caminho do trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho </span></i><span style="font-weight: 400;">salta aos olhos quando ambos frequentam os bailes </span><i><span style="font-weight: 400;">funks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou sobem aos palcos como Claudinho &amp; Buchecha. As cores e a animação da dupla em frente à câmera criam uma atmosfera imersiva que torna impossível não mergulhar no sonho dos maiores expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk melody</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda, reproduzindo imagens de arquivo, como as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBAMRc_3y0Y&amp;pp=ygUdY2x1YWRpbmhvIGUgYnVjaGVjaGEgc8OzIGxvdmU%3D"><span style="font-weight: 400;">performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos dois, o filme cria um tom nostálgico até para quem não acompanhou de perto a ascensão da dupla. Os figurinos característicos e chamativos e as expressões cheias de personalidade se somam ao belo trabalho do longa-metragem, que seria um concorrente à altura caso tivesse sido o escolhido para representar o Brasil no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024 &#8211; a </span><a href="https://olhardigital.com.br/2023/09/12/cinema-e-streaming/retratos-fantasmas-de-kleber-mendonca-filho-representara-o-brasil-no-oscar-2024/"><span style="font-weight: 400;">vaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou com </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos Fantasmas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Kleber Mendonça Filho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NOSSO SONHO | Cena 1 | 21 de setembro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NbmnT0IILL4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, o filme não faz milagre. A história não se encerra na morte de Claudinho &#8211; o cantor faleceu em um acidente de carro em 2002 em uma rodovia em Seropédica, no Rio de Janeiro, voltando de um show da dupla &#8211; e respeita o que foi construído até ali: a ligação intensa dos dois não terminaria com o fim da parceria musical, mas a </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nosso-sonho-claudinho-buchecha"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, os ensinamentos e a conexão é eterna. Mesmo jogando seguro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho: A História de Claudinho e Buchecha </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus a maior dupla brasileira do gênero. Acima de tudo, presta homenagem a um artista, ídolo de uma geração e amigo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: BAILE DO NOSSO SONHO" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/5dkH51vDLYo6wkUPbSLHSK?si=80f96861b8834e22&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>AIR: A História por Trás do Logo vai muito além das asas do homem que podia voar</title>
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					<description><![CDATA[<p>Agata Bueno AIR: A História Por Trás do Logo não é sobre o homem que voava nas quadras e sim sobre as asas dele – ou melhor: como as asas do homem que podia voar se tornaram o que são hoje. Baseado em fatos reais, a produção do Amazon Prime Video conta a história dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/air-a-historia-por-tras-do-logo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "AIR: A História por Trás do Logo vai muito além das asas do homem que podia voar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31307" aria-describedby="caption-attachment-31307" style="width: 1912px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3.jpg" alt="Cena do filme AIR: A História Por Trás do Logo. Na imagem, vemos um homem branco com cabelos e barba castanhos sentado à uma mesa de madeira de escritório. Ele usa óculos com a lente espelhada azul, uma aliança dourada na mão esquerda e veste uma jaqueta nas cores azul, preto e vermelho. Ele está com a expressão séria e com as mãos cruzadas em cima da mesa. Nela, vemos elementos básicos de um escritório: papel, decoração, um pote com canetas dentro, entre outros. Ao fundo, vemos um computador antigo à esquerda e, à direita, algumas fotografias e uma máquina de fazer waffle aberta." width="1912" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3.jpg 1912w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31307" class="wp-caption-text">Além de dirigir AIR, Ben Affleck dá vida a Phil Knight, o fundador da Nike que presenciou a maior cesta da empresa (Foto: Skydance Productions)</figcaption></figure>
<p><strong>Agata Bueno</strong></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vGpTmdOZVCc&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">AIR: A História Por Trás do Logo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é sobre o homem que voava nas quadras e sim sobre as asas dele – ou melhor: como as asas do homem que podia voar se tornaram o que são hoje. Baseado em fatos reais, a produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Air Jordan</span></i><span style="font-weight: 400;">, tênis que viraram referência no basquete. No entanto, a obra  não foca no esporte ou na carreira de Michael Jordan, mas opta por protagonizar os homens que fizeram uma parceria quase improvável acontecer, dando destaque ao ambiente corporativo que presenciou a mudança do </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> esportivo. Entre acordos e cadarços, o filme é uma agradável surpresa para o público.</span></p>
<p><span id="more-31304"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">AIR </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta o começo dos anos 1980, quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda não era um império e Jordan começava a mostrar seu talento nas quadras de basquete. Com um ritmo leve e bem construído, a película narra desde o primeiro instante em que o garoto propaganda do </span><i><span style="font-weight: 400;">Air Jordan </span></i><span style="font-weight: 400;">foi escolhido. A história de um time nada convencional que aposta tudo em uma das jogadas mais certeiras da empresa é mais do que uma biografia ou uma propaganda, é a história por trás da construção das </span><a href="https://www.farfetch.com/br/style-guide/icones-de-estilo-e-influenciadores/historia-tenis-nike-air-jordan/"><span style="font-weight: 400;">asas mais lucrativas de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À princípio, o longa dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BevUmBqJcQc"><span style="font-weight: 400;">Ben Affleck</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ser uma receita pré-pronta de Hollywood, com um apelo motivacional acrescentado de porções generosas de discursos de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> inspiradores. A trama, entretanto, entrega muito mais do que promete e prende do início ao fim, desde </span><i><span style="font-weight: 400;">sneakerheads</span></i><span style="font-weight: 400;"> até aqueles que encontraram o filme por acaso. As transições entre cenas e a atenção aos símbolos e ícones garantem que 1984 foi um ano e tanto para os norte-americanos, principalmente no basquete.</span></p>
<figure id="attachment_31306" aria-describedby="caption-attachment-31306" style="width: 1612px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31306" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.jpg" alt="Cena do filme AIR: A História Por Trás do Logo. Na imagem, vemos três homens brancos de meia idade, um do lado do outro, dentro de uma sala. O homem da esquerda é careca, tem barba grisalha e veste uma camisa de manga longa xadrez, com as mangas levemente dobradas. O do meio tem cabelos grisalhos e veste uma camisa polo com algumas texturas. O da direita, por fim, tem cabelos pretos e veste uma camisa estampada com palmeiras e elementos que remetem à praia. Eles olham atentos para uma espécie de painel à frente deles, em que é possível ver a sola de um tênis em cima dele. Esse painel emite uma luz, que faz com que todos eles estejam levemente azulados." width="1612" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2.jpg 1612w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31306" class="wp-caption-text">“Um tênis é só um tênis até que alguém pise nele” (Foto: Skydance Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com nomes como Matt Damon, Viola Davis, Jason Bateman e Ben Affleck no elenco, </span><i><span style="font-weight: 400;">AIR </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma produção bem executada que retrata as negociações entre uma empresa que não queria ser deixada para trás e os pais de uma estrela em ascensão. O roteiro de </span><a href="https://www.instagram.com/aconvery/"><span style="font-weight: 400;">Alex Convery</span></a><span style="font-weight: 400;"> é atento a detalhes e envolve o espectador no mundo esportivo, sem parecer uma grande propaganda da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto narra a história da linha de tênis mais famosa do mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o resultado das negociações seja esperado, o desenrolar da narrativa acrescenta sutilmente elementos da cultura popular dos Estados Unidos nos anos 1980 e se junta com a performance de grandes nomes do Cinema para surpreender a audiência. Um dos elementos surpresas, o rosto do ator que representa a versão jovem de Michael Jordan, não aparece em nenhum momento, destacando o produto da estrela. </span><a href="https://www.digitalspy.com/movies/a43504646/air-michael-jordan-explained-actor/"><span style="font-weight: 400;">De acordo com o diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">, essa é uma maneira de permitir que o público evocasse suas próprias lembranças do que o astro significa. A fotografia de Robert Richardson também trabalha com a memória dos espectadores, mesclando recortes característicos da década com cores vivas que envolvem as personagens numa aura heróica.</span></p>
<figure id="attachment_31305" aria-describedby="caption-attachment-31305" style="width: 1912px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.jpg" alt="Cena do filme AIR: A História Por Trás do Logo. Na imagem, vemos um homem branco e uma mulher negra conversando, um de frente para o outro, sentados em uma mesa de madeira. Ambos vestem camisetas brancas. Ele tem cabelos castanhos e usa uma calça cinza-escuro e uma jaqueta cinza-claro; ela, com cabelos pretos, usa uma calça azul. Os dois estão ao ar livre. É possível ver plantas verdes ao fundo e parte delas são iluminadas pelo sol. Há algumas flores brancas." width="1912" height="1031" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1.jpg 1912w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/image1-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31305" class="wp-caption-text">Ainda na escolha de atores, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=IEPG7fYyU6I">Viola Davis e Julius Tennon</a>, seu marido na vida real, foram selecionados pelo próprio Jordan para representar seus pais (Foto: Skydance Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com destaque aos homens que estiveram à frente das câmeras, Sonny Vaccaro, o executivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">estrelado por </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/04/06/interna_cultura,1478076/dupla-ben-affleck-matt-damon-faz-um-jogaco-em-air-que-estreia-em-bh.shtml"><span style="font-weight: 400;">Matt Damon</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o ponto central entre a família Jordan e os tênis que mudariam o curso do mercado esportivo. A caminho do primeiro contato com a família do jogador, o personagem aparece em uma estrada com outros dois carros, que ele acaba por ultrapassar: é como se a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike </span></i><span style="font-weight: 400;">já tivesse superado suas concorrentes. Afinal, “</span><a href="https://gq.globo.com/esporte-clube/noticia/2015/03/just-do-it-slogan-da-nike-e-inspirado-em-assassino-revela-criador.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Just do it</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” representa uma metáfora cheia de referências que torna o longa o arremesso perfeito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia perspicaz, um elenco de peso escolhido a dedo e uma atenção aos detalhes tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">AIR: A História Por Trás do Logo </span></i><span style="font-weight: 400;">uma jogada ousada e bem sucedida. Sem pretensão de ser uma biografia de uma empresa ou de um astro do basquete, o enredo contagiante traz consigo uma experiência imersiva no mundo corporativo e na esfera do esporte. Com um ritmo incrível durante 1 hora e 52 minutos, a produção alça voo ao mostrar os bastidores das asas mais lucrativas do mundo.</span></p>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 20:50:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. Baz Luhrmann poderia facilmente ter encaixado Elvis nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30033" aria-describedby="caption-attachment-30033" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis no centro da foto, em um primeiro plano. Ele está representado do quadril para cima, com o corpo inclinado para trás e olha diretamente para a câmera enquanto canta, com a sua mão direita segurando o microfone. Ele usa uma jaqueta preta de couro e sua guitarra vermelha está pendurada no pescoço. Elvis é interpretado por Austin Butler. Ele tem cabelos escuros, lisos e penteados para trás, olhos azuis e uma pele clara, mas bronzeada. Em segundo plano é possível ver a plateia assistindo ao show. A maioria dos presentes é composta por mulheres que observam Evis encantadas." width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30033" class="wp-caption-text">Retorno de Baz Luhrmann às telonas após um hiato de nove anos, a cinebiografia de Elvis Presley arrematou indicações nas principais premiações dos Sindicatos estadunidenses da Sétima Arte (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/baz-luhrmann-por-onde-comecar"><span style="font-weight: 400;">Baz Luhrmann</span></a> <span style="font-weight: 400;">poderia facilmente ter encaixado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jJJmHcY2TAE"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista e, como se isso garantisse um selo de aprovação, investindo em uma homenagem. Mas o longa &#8211; que disputa oito estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; se inspira no próprio ídolo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoXjZlCTSm4"><i><span style="font-weight: 400;">procurar problemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Revelando conflitos profundos, perspectivas que fogem do unidimensional e muita identidade, a cinebiografia avessa do </span><a href="https://universoretro.com.br/como-elvis-presley-se-tornou-o-rei-do-rock/"><span style="font-weight: 400;">rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock n’ Roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói seu espetáculo entre linhas dramáticas, sensíveis e indiscutivelmente musicais.</span></p>
<p><span id="more-30031"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado nos cinemas em Julho do ano passado, o filme empresta o tom extravagante e por vezes teatral de outras criações famosas de Luhrmann, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu + Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DQ1M1EAkaw0"><span style="font-weight: 400;">pompa criativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor permanece atrelada à história inalterável, mas ainda indecifrada em sua totalidade, de Presley, fator que estimula o tato diversificado e a progressão frenética encontrados no texto de Baz, Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.</span></p>
<figure id="attachment_30032" aria-describedby="caption-attachment-30032" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e foca no personagem Coronel Parker, nela centralizado. Ele é interpretado por Tom Hanks, um homem na casa dos sessenta anos que está com uma maquiagem realista cujo objetivo é engordar o ator. Coronel é um homem branco, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um terno xadrez e apoia-se com as duas mãos em uma bengala, enquanto segura um charuto entre os dedos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30032" class="wp-caption-text">Quase duas décadas antes de dar vida a Coronel Parker, Tom Hanks imitou o próprio Presley em Elvis Ainda Não Morreu! (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama por si só foge de convenções documentais ao priorizar a perspectiva do empresário de Elvis, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/colonel-tom-parker-elvis-true-story"><span style="font-weight: 400;">Coronel Tom Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tom Hanks). Visto como manipulador, ambicioso e calculista aos olhos da própria </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/ex-mulher-de-elvis-diz-que-empresario-tom-parker-tinha-duas-personalidades.phtml"><span style="font-weight: 400;">ex-esposa do agenciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o antagonista assume a narração do longa evocando o leque de emoções que sua “galinha dos ovos de ouro” causava nele mesmo e nos outros habitantes do planeta, desconhecedores do que existia por trás da </span><a href="https://bnldata.com.br/elvis-acerta-ao-oferecer-espetaculo-sobre-elvis-presley-e-show-business/"><span style="font-weight: 400;">magia do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbusiness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um garoto humilde, natural de Memphis, no Tennessee, que descobriu no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> a oportunidade de extrapolar sua voz e embalar uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/ha-50-anos-elvis-presley-dominava-palco-em-show-historico,fa37f2187deda05cd9a0a3f0c0af5dd4whom9umw.html"><span style="font-weight: 400;">presença de palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> surreal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mergulhar nesse recorte, Luhrmann abandona o detalhamento de alguns </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/07/elvis-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme.html"><span style="font-weight: 400;">aspectos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida de Presley, como seu conturbado matrimônio e o uso desenfreado de drogas e remédios &#8211; ainda que esses fatores sejam representados em cena. O foco é na relação codependente, problemática e </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/andre-cananea/elvis-e-parker-uma-relacao-toxica"><span style="font-weight: 400;">extremamente destrutiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre artista e agente. E em como a mesma pessoa que impulsionou a carreira em questão às alturas pode ser aquela que fez o castelo ruir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduz esse atrito de maneira astuta e até irônica, sem se afetar com a cronologia exata dos fatos e da discografia do cantor. Podemos estar no apartamento colorido de seus pais ou nas noites envolvidas pela poderosa Música da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlDgRwfSx0k"><i><span style="font-weight: 400;">Beale Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: não importa. A licença artística fala mais alto, abusando de dúvidas, acessos de raiva e curiosidades depositados pelo trabalho arrojado de Matt Villa e Jonathan Redmond, que garantem espaço nos indicados a </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/elvis-editors-on-keeping-the-kings-story-rocking-along/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Montagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de terem poucas chances contra o multifavorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30034" aria-describedby="caption-attachment-30034" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro planos os personagens Coronel Parker (à esquerda) e Elvis (à direita) sentados em um banco de roda gigante à noite. Coronel é interpretado por Tom Hanks e é um homem branco, corpulento, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um chapéu, terno e apoia-se em uma bengala. Seu olhar recai sobre Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, tem cabelos escuros penteados para trás e usa uma camiseta preta. Ele olha para baixo e apoia-se com os cotovelos nos joelhos. Ao fundo, em segundo plano, é possível observar os contornos de um parque de diversões desfocado. Há muitas luzes redondas e brancas que contrastam com a imagem mais escura dos personagens." width="1600" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30034" class="wp-caption-text">Lisa Marie Presley, filha única do Rei do Rock, classificou o filme como “nada menos do que espetacular”; ela também era cantora e faleceu em Janeiro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, as cenas têm inúmeros cortes dissolvidos, bruscos ou que se dividem em quatro telas simultâneas, chocando informações internas e externas destinadas às </span><a href="https://jornal140.com/2020/04/20/as-fases-da-vida-de-elvis-presley/"><span style="font-weight: 400;">personas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que formavam o astro tenessiano. Recurso excessivo no filme e clichê para o diretor, o bombardeamento cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe reproduzir os </span><a href="https://theconversation.com/how-elvis-permanently-changed-american-pop-culture-81917"><span style="font-weight: 400;">efeitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Presley tinha sobre os padrões sociais e cidadãos de sua época, período que, na verdade, se estendeu com uma atemporalidade já vista em vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rockeiro confeccionou sua carreira &#8211; dos palcos a </span><a href="http://www.elvistriunfal.com/artigos/0026.htm"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; durante diferentes fases e momentos da história dos Estados Unidos, começando na segregação racial, passando pelo surgimento da Guerra Fria e chegando até a ascensão e morte de várias personalidades públicas, como Sharon Tate, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/if-i-can-dream-como-elvis-lidou-com-o-assassinato-de-martin-luther-king.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Robert Kennedy. Paralelamente, Luhrmann usa o terreno para escancarar a questionável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62009442"><span style="font-weight: 400;">consciência política</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ídolo, que quase nunca chegou a se colocar na linha de frente por causas ou ativismos, mesmo propagando um gênero musical enraizado e desenvolvido na </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/elvis-biopic-black-musicians"><span style="font-weight: 400;">cultura negra</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30036" aria-describedby="caption-attachment-30036" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular, em close, os personagens Elvis e B.B. King lado a lado. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás com alguns fios caindo sobre a testa. B. B. King é interpretado por Kelvin Harrison, um homem na casa dos vinte anos, negro, de cabelos bem curtos. Ele usa uma camiseta xadrez vermelha. Ambos olham para baixo, para um mesmo ponto. O fundo está desfocado. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30036" class="wp-caption-text">Segundo Michael T. Bertrand, autor do livro Race, Rock and Elvis, o cantor não era político, seja por influências de sua gravadora e seu agente, ou pela falta de entendimento sobre seu papel em uma sociedade racista (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o autorretrato seja uma constância, o balanço da trama para além do alter ego de Elvis, brincando com os antagonismos do artista e de Parker, preenche seu elenco geral de motivações cada vez mais escalares. O ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elvis-apos-desbancar-harry-styles-austin-butler-surpreende-em-filme-sobre-cantor/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> não exita em abraçar a potência necessária para ser Presley, ao fidelizar os trejeitos característicos do Rei de forma emblemática nos palcos, porém, também representar com vulnerabilidade seu </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">. Buscando humanidade nas provações do universo da fama, o californiano estreia nas nomeações a Melhor Ator, podendo, inclusive, vencer a ilustre concorrência de Colin Farell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/02/26/fico-feliz-em-ver-que-quando-o-filme-termina-o-publico-reavaliou-algumas-crencas-que-tinha-diz-brendan-fraser-sobre-a-baleia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da turnê, Tom Hanks acena à caricatura sem repelir a expressividade que seu papel exige. Constantemente tocado pela aura contagiante do astro, o veterano torna o parasitismo do Coronel um dilema existencial complexo, que seria capaz de estampar qualquer filme de Terror ou florear o melhor dos dramas. Introjetados no meio tóxico ou assistindo suas inervações, Olivia DeJonge (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Helen Thomson (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Canguru Jack</span></i><span style="font-weight: 400;">), Richard Roxburgh (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">Até O Último Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kelvin Harrison Jr. (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) incorporam arduamente o amor a Presley e a gastura física e sentimental experimentada pelos mais próximos ao sistema.</span></p>
<figure id="attachment_30035" aria-describedby="caption-attachment-30035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro plano a cabeça de Coronel Parker vista de trás. Ele está parcialmente desfocado, mas é possível observar por sua silhueta que ele usa um terno com escritas pretas e um chapéu. Coronel é um homem branco, na casa dos sessenta anos, grisalho. Ele é interpretado por Tom Hanks. Em segundo plano, olhando para o Coronel, estão Priscilla (à esquerda) e Elvis Presley, abraçados. Priscilla é interpretada por OIivia DeJonge. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos. Tem um rosto e nariz finos, usa um penteado alto de época e tem os olhos bem marcados por um lápis preto. Ao seu lado está Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, mas bronzeado, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás. Ele usa um paletó azul sobre uma camiseta brilhante da mesma cor." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30035" class="wp-caption-text">Austin Butler revelou ter pedido conselhos de atuação a Rami Malek, intérprete de Freddie Mercury em <a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/">Bohemian Rhapsody</a>, cinebiografia do Queen reconhecida pela Academia dos carecas dourados (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejando o cenário adequado para tratar sua gama de conteúdos, o longa acerta em definitivo com as decisões visuais. A cargo de </span><a href="https://ymcinema.com/2022/07/05/elvis-shot-by-cinematographer-mandy-walker-on-panavision-elvis-lenses/"><span style="font-weight: 400;">Mandy Walker</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição traduz a essência particular do cantor estadunidense e, na velocidade crescente, imprime as feridas que as décadas abriram e expuseram. As nuances entre o colorido Elvis, novato no mundo dos acordes, e o homem despedaçado e quase desprovido de perspectivas nos anos 1970 são desenhadas através dos avanços tecnológicos, capturando os impactos gerados pelo som e pela imagem desde os aparelhos analógicos. Notavelmente ancorado no realismo das caracterizações de personagens, o trabalho recebeu merecido destaque na categoria de Melhor Fotografia &#8211; em que bate de frente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e tem pé quente para levar Melhor Figurino e </span><a href="https://www.thewrap.com/make-up-artists-hair-stylists-guild-awards-winners-2023/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já os jogos de câmera e luz são lúdicos ao extremo e seguem confundindo a biografia com um eterno </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. A estratégia martelada pela direção de arte &#8211; lembrada na disputa pelo careca dourado de </span><a href="https://fredericmagazine.com/2022/07/elvis-movie-set-design/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não se perde nos holofotes, deixando os temas corriqueiros segurarem o rojão da fluidez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no falecimento da matriarca Presley, nas desilusões do ícone musical no pós-Cinema ou na constatação de que seu casamento acabou.</span></p>
<figure id="attachment_30037" aria-describedby="caption-attachment-30037" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis em primeiro plano, visto da janela de um carro. A janela reflete um letreiro brilhante e colorido em neon, que gera uma luz colorida e arroxeada sobre a imagem. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros sob um óculos escuro, e cabelos pretos penteados para trás. Ele olha para fora da janela e sua expressão é pensativa. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30037" class="wp-caption-text">Inspirado por Rocketman, Elvis utiliza registros documentais do último show do artista como gran finale (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certa altura do campeonato, fica claro que Elvis não é um herói. Luhrmann está interessado em homenageá-lo, aclamando seu talento e sucesso, mas se preocupa mais ainda em não ultrapassar as restrições que o próprio ídolo impôs a seu legado. Nas lentes do cineasta, Presley contracena com artistas negros sempre entregando que, independentemente de ter trazido o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à superfície, o povo fundador do gênero continuou sofrendo no anonimato e sendo cruelmente </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/elvis-presley-e-o-apagamento-de-artistas-negros-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">apagado da História</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também não inventa a roda ao ilustrar como era bem mais fácil para um jovem branco vender os mesmo discos que alguém racializado poderia produzir, conseguindo popularizar a Música criada, não para ele, mas como instrumento de fé e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto se repete nas cenas que sucedem a polêmica apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual Elvis responde à </span><a href="https://variety.com/2022/music/news/elvis-presley-fake-story-police-crackdown-colonel-parker-1235302646/"><span style="font-weight: 400;">problematização conservadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu estilo musical. Conforme os protestos surgem, o longa aproveita para pincelar que as consequências dadas ao cantor sondado por Parker não são nem de longe tão graves quanto as vivenciadas por um artista negro, em semelhantes condições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando a </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/07/10/novo-filme-sobre-elvis-presley-mostra-a-influencia-da-musica-negra-no-rei-do-rock.ghtml"><span style="font-weight: 400;">crua verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, repagina canções tomadas por Presley da Música negra, tece novas versões de clássicos e elabora outros feitos pela junção de estilos, a exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZp2biJul1c"><i><span style="font-weight: 400;">Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, performance enérgica de Doja Cat que mistura um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional ao proficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Apesar da </span><a href="https://www.ign.com/articles/elvis-movie-black-music"><span style="font-weight: 400;">inclusão de diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibida, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não considerou as submissões do carro-chefe do filme nem sua vasta </span><a href="https://open.spotify.com/album/74g0V2gxEA5MCSaivAwZyb?si=Fse3oO0mT_m9GV_9gVTGww"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por ambos não atenderem aos </span><a href="https://portalpopline.com.br/vegas-doja-cat-elvis-desclassificada-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">critérios de originalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação.</span></p>
<figure id="attachment_30038" aria-describedby="caption-attachment-30038" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg" alt=" Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Little Richard cantando com um microfone na mão, sob um ângulo que o engrandece. Ele é interpretado por Alton Mason, um homem negro, jovem e magro, de cabelos escuros, com um penteado alto. Ele canta de olhos fechados e usa um terno cinza. O lugar em que ele está é uma sala fechada, pouco iluminada e as paredes têm pinturas de casas e árvores.Há uma lâmpada atrás de si, que ilumina a imagem." width="1600" height="1065" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30038" class="wp-caption-text">Em meio a baixas, o longa conseguiu emplacar uma nomeação na categoria de Melhor Som, concorrendo com Nada de Novo no Front, Avatar: O Caminho da Água, <a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Batman</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/">Top Gun: Maverick</a> (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem guia explicativo para o apelo simbólico de Presley ou teses cegadas pelo fenômeno que o estadunidense significou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece mais uma compilação de cada elemento artístico, social, político e individual que fez de seu protagonista um ícone unânime, capaz de ser assimilado quase 50 anos após sua morte e retratado como se fosse a primeira vez. Sob essa ótica, é fácil entender porque a captura mais recente aparece na lista de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2023-qual-o-nivel-da-safra-indicada-a-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não queremos deixar nossos ídolos se desintegrarem e, de certa forma, nem podemos, se considerarmos a habilidade do Cinema em regenerar as copiosas visões de uma vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em volta da sede por prestígio e das influências de um empresário controlador e calculista, Presley teve o ápice de sua existência na singularidade contraditória: propensa ao erro, presa ao fantasma da apropriação cultural, deslumbrada por promessas incoerentes e terminantemente apaixonada pelos solos de guitarra. No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> cativa por essa </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/614753/critica-elvis-2022-a-energia-caotica-do-rei/"><span style="font-weight: 400;">explosão de circunstâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, embrulhada no espetáculo cinematográfico de uma estrela, que, no frenesi da rotina, muito esbarra nas delícias de amar; o mundo, as pessoas e especialmente a Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baz Luhrmann’s ELVIS | Final Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZbrmBotVIGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2023 21:55:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de Steven Spielberg em seu novo filme, Os Fabelmans, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Fabelmans pensa no passado pela sensibilidade de seu próprio diretor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29985" aria-describedby="caption-attachment-29985" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Gabriel LaBelle, que interpreta o jovem Sammy Fabelman, é um jovem branco com cabelos castanhos utilizando uma camisa xadrez e observando o visor de uma câmera. A cena ocorre durante o dia, com um cenário desértico ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29985" class="wp-caption-text">Os Fabelmans, a nova produção de Steven Spielberg, coloca a vida do cineasta no centro da trama (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desafio de contar uma história é repleto de decisões difíceis, e o de contar a sua própria é um desafio ainda maior. Essa é, no entanto, é a tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma semi-autobiografia que utiliza de elementos narrativos fictícios para refletir na própria relação do diretor com a sua narrativa pessoal, sua família e sua paixão pelo Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, acompanhamos a história de Sammy Fabelman (Mateo Zoryan, durante a infância, e Gabriel LaBelle ao longo da trama), que se apaixona pela Sétima Arte após assistir uma exibição de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6900/o-maior-espetaculo-da-terra"><i><span style="font-weight: 400;">O Maior Espetáculo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um drama épico de 1952 dirigido por Cecil B. DeMille. O protagonista, inicialmente receoso sobre a experiência, assiste o filme com seus pais e tenta replicar uma cena particularmente impactante com um trem em miniatura e a câmera da família. Sua mãe Mitzi (Michelle Williams), uma pianista e entusiasta das artes, entende logo de início a sensibilidade e a paixão de seu filho pelo Cinema. Seu pai Burt (Paul Dano), no entanto, é um pragmático engenheiro que tem dificuldade em considerar tais interesses como algo mais do que um hobby.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3PlX5uD3LYI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tensão entre paixão e pragmatismo é uma constante na vida familiar dos Fabelmans. Um elemento importante no desenvolvimento da narrativa é quando o tio de Sammy (Judd Hirsch), um antigo profissional dos circos e do cinema, visita a família e traz junto à sua excêntrica personalidade uma visão intrigante — ao mesmo tempo que problemática e marcada pela dor — do que é a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2023/01/12/os-fabelmans-spielberg-revisita-suas-origens-em-carta-de-amor-ao-cinema.htm"><span style="font-weight: 400;">arte</span></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão individual de cada um e como ter um chamado pode causar muita separação entre seus entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos na vida pessoal de Sammy progridem e acompanhamos alguns eventos dramáticos no desenvolvimento da história: após uma viagem de acampamento, o patriarca da família pede a seu filho que produza um registro da excursão, com o intuito de elevar os ânimos de Mitzi após o falecimento de sua mãe. É durante a edição e montagem do filme que o protagonista percebe uma relação muito afetuosa entre sua mãe e o melhor amigo de seu pai, o engenheiro Bennie (Seth Rogen), que gera atritos entre os Fabelmans e eventualmente leva a um divórcio dos pais. Muitos desses eventos têm contrapartidas reais na </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/14/o-que-e-verdade-e-o-que-e-ficao-em-os-fabelmans.htm"><span style="font-weight: 400;">biografia de Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, que utiliza da narrativa como forma de compreender e dialogar com seu próprio passado.</span></p>
<figure id="attachment_29986" aria-describedby="caption-attachment-29986" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. Judd Hirsch, que interpreta o tio Boris, é um idoso branco com barbas e cabelos grisalhos, que observa seu sobrinho-neto Sammy com ambos sentados em uma mesa de jantar com toalha azul. Boris utiliza uma camisa social, com colete marrom e gravata, enquanto Sammy está de costas utilizando uma camisa marrom." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem2.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29986" class="wp-caption-text">Boris, o tio de Sammy, é visto como um mau agouro para a família (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa adentra em diversos debates interessantes da vida do diretor, como sua experiência com o </span><a href="https://exame.com/mundo/judeus-ainda-enfrentam-antissemitismo-diz-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">antissemitismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o desenvolver inicial de sua vida amorosa na adolescência e o papel do Cinema na sua personalidade e relações pessoais. Quando Sammy é convidado a dirigir um filme sobre uma excursão escolar para a praia, ele encontra seu protagonista em um dos seus principais </span><i><span style="font-weight: 400;">bullies</span></i><span style="font-weight: 400;">, o atleta Logan (Sam Rechner). Após a exibição da produção, Logan confronta Sammy sobre o motivo pelo qual ele havia sido retratado de maneira tão positiva quando atormentava o garoto de tantas formas; o jovem diretor hesita na resposta, dizendo que a decisão tornaria seu filme melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Fabelmans — </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da semi-autobiografia —  mostra um Sammy mais velho, em crise pelas dificuldades de se inserir no mercado cinematográfico. Ao ser convidado para uma entrevista de emprego, ele recebe a oportunidade de conhecer o lendário diretor </span><a href="https://www.austinfilm.org/2014/12/wheres-the-horizon-when-15-year-old-steven-spielberg-met-john-ford/"><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> (David Lynch), uma grande influência pessoal de Spielberg, que de fato o conhecera em sua juventude. Ford dá uma aula ao jovem utilizando duas pinturas em seu escritório, afirmando que uma cena pode ser interessante quando o horizonte se encontra acima ou abaixo da imagem, mas nunca ao centro. Toda a montagem, conduzida por </span><a href="https://www.thewrap.com/the-fabelmans-steven-spielberg-film-editors-interview/"><span style="font-weight: 400;">Michael Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência interessante de metalinguística, contrapondo o papel narrativo do diretor experiente com a própria linguagem do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo narrativo do novo longa de Steven Spielberg é muito compatível com a maneira como o diretor está acostumado a contar histórias, como nas </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> paixões de uma Nova Iorque repleta de gangues em </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um protagonista comum, de fácil  identificação com o público e que  perpassa e lida com  problemas sociais dentro de suas próprias limitações humanas. A tradução  desse estilo para uma narrativa de acontecimentos semi autobiográficos é o grande desafio em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">que</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> aguardado por </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/steven-spielberg-paul-dano-michelle-williams-interview-the-fabelmans-1235253097/"><span style="font-weight: 400;">muitos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, é concluído com o sincero tom autoral marcante da </span><a href="https://www.central3.com.br/filmografando-a-carreira-de-steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta.</span></p>
<figure id="attachment_29987" aria-describedby="caption-attachment-29987" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-29987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg" alt="Cena do filme Os Fabelmans. David Lynch, que interpreta o diretor John Ford, é um idoso branco que usa óculos com um tapa-olho sobreposto, e veste um casaco e um boné verdes. Ele está em seu escritório, acendendo um charuto com um fósforo." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-800x430.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1024x551.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-768x413.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1536x827.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3-1200x646.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem3.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29987" class="wp-caption-text">David Lynch interpreta o mitológico John Ford, que serviu de mentor para Spielberg (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Recipiente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Filme de Drama, o longa utiliza dos aspectos autobiográficos de seu diretor para traçar uma narrativa cativante sobre equilíbrio entre ambições e relações pessoais, ao mesmo tempo que usa de sua base familiar para construir personagens muito interessantes e fascinantes. </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/paul-dano-essencial/"><span style="font-weight: 400;">Paul Dano</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca, retratando um Burt Fabelman apaixonado por sua família, mas conservador em seus modos, com uma dificuldade profunda de entender os desejos de sua esposa e de seus filhos. Além disso, Judd Hirsch e Michelle Williams também foram agraciados com nomeações na premiação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">Oscars 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Fabelmans </span></i><span style="font-weight: 400;">foi indicado a sete categorias, incluindo a de Melhor Filme, mas também de Melhor Diretor, para Steven Spielberg, Melhor Roteiro Original, para Spielberg e Tony Kushner, Melhor Atriz, para Michelle Williams, Melhor Ator Coadjuvante, para Judd Hirsch, Melhor Trilha Sonora, para </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/john-williams-recorde-idade"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Melhor Design de Produção, para Rick Carter e Karen O’Hara. A história é um retrato complexo da relação de um autor com sua criação, sua personalidade, seus anseios e suas aspirações. O consagrado diretor utiliza de sua constatada experiência na arte de contar histórias para ser bem-sucedido, de maneira elegante, em um desafio muito pessoal: o de narrar a sua própria.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/R4eRHRPs8Ss?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>A fábula trágica de Spencer marca o fim da guerra de Diana</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Mar 2022 20:57:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Ela já foi muitas pessoas em muitas narrativas diferentes: Princesa Diana de Gales para a burocracia da realeza inglesa, Alteza Real para os súditos do sistema monárquico europeu, e Lady Di para a legião de admiradores fiéis de uma das figuras mais relevantes do século 20. Mas entre todas as suas identidades criadas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/spencer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A fábula trágica de Spencer marca o fim da guerra de Diana"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26887" aria-describedby="caption-attachment-26887" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26887" class="wp-caption-text">A Princesa Diana de Kristen Stewart foi o triunfo de Spencer no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/">Oscar 2022</a> (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela já foi muitas pessoas em muitas narrativas diferentes: Princesa Diana de Gales para a burocracia da realeza inglesa, Alteza Real para os súditos do sistema monárquico europeu, e Lady Di para a legião de admiradores fiéis de uma das figuras mais relevantes do século 20. Mas entre todas as suas identidades criadas, exploradas e eternizadas entre 1 de julho de 1961 e 31 de agosto de 1997, a que foi responsável pelo início de tudo ainda era olvidada &#8211; até setembro de 2021, quando na </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">78ª edição do Festival de Cinema de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pablo Larraín fez surgir pela primeira vez a única face que ainda lhe era particular. Então, agora ela é </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26885"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alcançar as origens do fenômeno da plebeia que se transformou em uma das figuras mais marcantes da família real britânica, o cineasta chileno invoca toda a individualidade expressa pela definição de identidade apagada da história de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/12/a-princesa-diana/"><span style="font-weight: 400;">Diana Frances Spencer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, cada canto da cinebiografia existe sob uma premissa exclusiva: é dezembro de 1991, e Rainha Elizabeth II e companhia estão se reunindo em </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/real-estate/a13938267/sandringham-estate-castle-history-photos/"><span style="font-weight: 400;">Sandringham House</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as celebrações familiares de Natal. Os conflitos de relacionamento do círculo principal da Coroa já estão avançados, e Diana cumpre suas obrigações para com a realeza completamente contra a sua vontade. Mas aquele é especialmente incômodo porque, no meio de seus desvios de caminho que atrasam propositalmente seu encontro com a família, ela se vê apenas a alguns quilômetros de distância do lugar onde viveu sua infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é a forma que </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra para definir e iniciar a história de conflitos que deseja contar. Não existe </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/princesa-do-povo-inesquecivel-trajetoria-de-diana.phtml"><span style="font-weight: 400;">princesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem poder de </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/07/25/princesa-diana-60-anos-a-vida-do-maior-icone-do-seculo-xx/"><span style="font-weight: 400;">personalidade influente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, Diana apenas sente o ar de sua falecida vida ordinária num cenário insuportavelmente próximo daquele que ocupa o seu rejeitado cotidiano extraordinário. Em um período curto e delimitado de um </span><a href="https://valkirias.com.br/spencer/"><span style="font-weight: 400;">drama real</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; sem trocadilhos &#8211; que virou um conto de conhecimento quase geral, o filme engatilha uma jornada intensa, numa ótica que observa a sua protagonista já emocionalmente fragilizada indo em direção a um de seus maiores desafios: a mera sobrevivência em um ambiente que lhe adoece estando também muito próxima do que representa a sua cura. </span></p>
<figure id="attachment_26890" aria-describedby="caption-attachment-26890" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26890" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2.png" alt="" width="1500" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26890" class="wp-caption-text">“Uma fábula de uma tragédia verdadeira” (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a introdução narrativa abstrata e contextual do filme não é a única forma que ele encontra para inteligentemente manifestar a sua ideia central. Aos primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, o texto de </span><a href="https://epipoca.com.br/steven-knight-conta-o-futuro-de-peaky-blinders-apos-serie-terminar/"><span style="font-weight: 400;">Steven Knight</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se preocupa com a obviedade de apresentar Diana ou qualquer rastro de realeza que vai compor a tela durante os 117 minutos seguintes. Na verdade, a abertura mostra um comboio militar que está chegando à residência real. Soldados descem ordenadamente dos veículos carregando robustas caixas lacradas até um cômodo da casa. A câmera observa um conselho impresso nas paredes (“</span><i><span style="font-weight: 400;">mantenha o mínimo barulho, eles podem te ouvir&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">), e quando o espectador está prestes a se convencer de que está no filme errado, o pelotão baixa a guarda e o conteúdo transportado com extrema disciplina até ali é revelado: as comidas mais caras que uma cozinha mundana pode abrigar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, a sequência inicial não mostra um protocolo de </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/spencer-filme-com-kristen-stewart-retrata-prisao-de-diana-alem-de-crown-74043"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, apenas a preparação do Natal da família real. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> termina de apresentar a sua ótica narrativa: aos olhos de Diana, viver como parte da realeza britânica é travar um conflito armado com o exército mais poderoso que poderia ter como inimigo e resistir no território mais hostil que poderia existir naquele contexto privilegiado. Logo, personagens definidos por seus títulos e posições preenchem o ambiente tendo a regência da Rainha como referencial, numa alusão crítica da dinâmica da Coroa que mais parece um clichê fílmico do gênero de guerra. E o desempenho de Diana, apesar de não atender às expectativas dos veteranos e definir-se à sua maneira, é a própria definição de “</span><i><span style="font-weight: 400;">sentido!</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_26891" aria-describedby="caption-attachment-26891" style="width: 1787px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26891" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.png" alt="" width="1787" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.png 1787w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26891" class="wp-caption-text">Para a história de Pablo Larraín, a definição não é, em hipótese alguma, uma limitação (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, mais uma afirmação do início se confirma: não é mero gracejo textual quando o diretor introduz seu filme como </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.queridoclassico.com/2022/03/spencer-princesa-diana-conto-de-fadas.html#:~:text=%E2%80%9CUma%20f%C3%A1bula%20de%20uma%20trag%C3%A9dia,em%20uma%20frase%2C%20seria%20essa."><i><span style="font-weight: 400;">uma fábula de uma tragédia verdadeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Esqueça a identidade classuda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/the-crown/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> entende a seriedade de sua narrativa, mas consegue brincar com seus caminhos sem se perder por eles, com a atitude certeira de defini-los muito bem modulando maniqueísmos. O caráter criticamente estético do filme cria um tom caricato para a história, emocionalmente densa, que ao contrário do que pode parecer, harmoniza perfeitamente com a extravagância dramática característica de Pablo Larraín.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda boa direção, a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue colocar todos os seus personagens na mesma atmosfera. E como todo bom comandante, Larraín extrai o máximo de sua equipe mesmo em território controlado e de curta permanência. Enquanto a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60259768"><span style="font-weight: 400;">Rainha Elizabeth II</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Stella Gonet, de </span><i><span style="font-weight: 400;">The House of Eliott</span></i><span style="font-weight: 400;">) ocupa a posição tática mais importante, o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46210586"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Charles</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jack Farthing (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">) é o negociador diplomático. E se por um lado o </span><i><span style="font-weight: 400;">chef </span></i><span style="font-weight: 400;">Darren (Sean Harris, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Southcliffe</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a liderança compassiva que alivia as tensões com uma gentileza ainda firme, o major Alistair Gregory (Timothy Spall, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Encantada </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Mr. Turner</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">é quem mantém (ou pelo menos tenta) tudo em ordem com seu senso de dever inflexivelmente comprometido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com maior destaque de tela do que seus companheiros coadjuvantes, no entanto, a personagem que tenta colocar Diana na linha é também o maior responsável pela manutenção daquele tom comedidamente cômico do filme. Com o difícil trabalho de se equilibrar entre as duas principais características da obra de Pablo Larraín, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/spencer-coloca-espectador-na-cabeca-da-princesa-diana-diz-timothy-spall"><span style="font-weight: 400;">Timothy Spall</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a sua filmografia carismática embaixo de um braço e seu histórico de veterano em Cannes embaixo do outro, cumpre perfeitamente a missão do Comandante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_26892" aria-describedby="caption-attachment-26892" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10.jpg" alt="" width="1500" height="902" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-1024x616.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-768x462.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-1200x722.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26892" class="wp-caption-text">A harmonia do elenco tem ainda a liberdade de fazer valer todas as teorias da conspiração sobre a passagem de Diana pela família real britânica, com apenas uma troca de olhares entre a Rainha e o Príncipe Charles (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer </span></i><span style="font-weight: 400;">é arquitetada para aprofundar e intensificar a narrativa de uma direção que sabe investigar </span><a href="https://www.programaibermedia.com/pt-pt/na-mente-de-pablo-larrain/"><span style="font-weight: 400;">personagens históricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> intimamente. Apreciada para o prêmio máximo de Veneza no ano passado, ela já é familiar graças a </span><a href="https://valkirias.com.br/critica-jackie/"><i><span style="font-weight: 400;">Jackie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), obra que também encontrou prestígio da crítica e do público ao retratar uma Jacqueline Kennedy despida do apelo midiático de uma das primeiras-damas mais queridas dos Estados Unidos em sua viuvez. Na época, o protagonismo brilhante de Natalie Portman direcionado por Pablo Larraín a levou até as indicadas ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz em 2017, trabalho bem-sucedido que repete seus efeitos com a genialidade de </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/09/03/movies/spencer-kristen-stewart-princess-diana.html"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;"> na personagem da vez em 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo do triunfo da atriz é tão misteriosamente óbvio quanto o encanto de sua personagem em vida. Para criar um dos momentos mais angustiantes de Diana, apenas </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2021/11/22/how-kristen-stewart-became-her-generations-most-interesting-movie-star"><span style="font-weight: 400;">a especialidade de Kristen</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a tristeza. E os convidados a apreciar o trabalho são apenas os que não assumiram os preconceitos com o nome principal da melancolia juvenil de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que quase 15 anos depois, alcança sua primeira indicação ao prêmio da Academia ao lado das veteranas Olivia Colman, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Chastain</span></a><span style="font-weight: 400;">, Penélope Cruz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/apresentando-os-ricardos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;">. A nomeação é mais que devida: na delicadeza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Stewart demonstra sua maturidade interpretativa e entrega a melhor atuação de sua carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2021/11/15/in-spencer-kristen-stewarts-princess-diana-is-forever-trying-out-roles"><span style="font-weight: 400;">minuciosamente vasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, observando com atenção os delicados trejeitos de Diana, como as falas sussurradas, o olhar baixo e a linguagem corporal de uma bailarina retraída, e compreendendo também suas características mais amadas e midiáticas, como a sua sinceridade emocional que confrontava a frieza e distância da imagem pública da família real. </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162338/"><span style="font-weight: 400;">Trêmula em sua identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como sua personagem, ela também se entrega nos comportamentos que denunciam o colapso emocional da Princesa, em suas caminhadas pela madrugada fria, devaneios monológicos com animais, roupas e móveis. Assim, ela chega ao seu ponto crítico, desenvolvendo os sinais que antecedem a manifestação dos problemas de Diana, como a bulimia e automutilação, mas não deixa a seriedade sufocar as quimeras reflexivas e imaginativas que confundem o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26894" aria-describedby="caption-attachment-26894" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2.png" alt="" width="1500" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26894" class="wp-caption-text">Kristen Stewart foi a atriz mais premiada pela crítica na temporada de 2021/2022, acumulando 26 títulos nos circuitos especializados, e também apareceu nas nomeações ao Globo de Ouro e ao Critics Choice Awards, surpreendentemente ficando de fora das listas do SAG e do BAFTA (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A humanidade de Kristen para com sua Diana contorna até mesmo as possíveis armadilhas narrativas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira, no entanto, é mais externa, já que quem conhece a história apenas através do recorte temporal de Pablo Larraín é privado de tudo o que levou a personagem até ali, podendo até acreditar que a trama do filme trata de uma mulher crescida meramente arrependida do que escolheu para </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/kristen-stewart-mostra-em-spencer-como-conto-de-fadas-de-diana-virou-tragedia.shtml"><span style="font-weight: 400;">a própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já a segunda é facilmente superada pela espontaneidade e leveza de Stewart, que adicionam à densidade emocional da história uma nova camada de vida, solucionando, também, a tendência à incompreensão da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E os últimos anos de Diana pelo mundo não foram só de tristezas, também lembra muito bem o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o alcance de Kristen. Dos momentos mais obscuros aos mais vibrantes, a presença magnética de Lady Di, impossível de ser totalmente reproduzida, é a inspiração maior da interpretação de Stewart, da escrita de Knight e da direção de Larraín. A protagonista do filme era &#8220;é classe média demais&#8221; para os padrões da monarquia, mas se preocupa sobre o que vão escrever sobre sua vida dentro de mil anos. Ela exerce um poder tremendo em seus filhos, os preciosos herdeiros do trono, William (Jack Nielen) e Harry (Freddie Spry), mas também é ternamente influenciada por eles e pela sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/dia-das-maes-como-a-princesa-diana-redefiniu-a-maternidade-real"><span style="font-weight: 400;">maternidade transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando manifesta esse conflito interno, ela explode silenciosamente em desafios aos padrões reais, como uma guerreira na linha de frente de um conflito onde não tem nada a perder. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o toque final na construção da humanidade de Diana é a suave porém poderosa passagem de </span><a href="https://gentefamosa.com/fashion/quem-e-maggie-a-comoda-da-princesa-diana-em-spencer-baseado-em-pessoa-real/"><span style="font-weight: 400;">Maggie</span></a><span style="font-weight: 400;">, a criada interpretada por Sally Hawkins (divina protagonista do vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme de 2018, </span><a href="https://www.b9.com.br/87811/o-que-torna-a-forma-da-agua-um-filme-especial/"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). A personagem é como uma âncora para a tribulação emocional de Diana, e sem muitas explicações sobre como chegou a exercer tal papel na vida da Princesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> triunfa com mais uma interpretação coadjuvante muito bem localizada na narrativa. A ela, Larraín e Knight dedicam muita leveza para a construção da relação quase romântica de Maggie e Diana, que é, acima de tudo, de tremendo companheirismo e profunda identificação.</span></p>
<figure id="attachment_26895" aria-describedby="caption-attachment-26895" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26895 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie.png" alt="Cena do filme Spencer" width="1500" height="904" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-1024x617.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-768x463.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-1200x723.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26895" class="wp-caption-text">O filme também mescla alguns importantes momentos narrativos às cenas que destacam a paixão de Diana pela dança, algo que não é novidade para o público de The Crown (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, mais uma vez ao contrário do que pode parecer, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme contemplativo, muito bem resolvido como tal na cinematografia de Claire Mathon, que captura a produção de </span><a href="https://guyhendrixdyas.com/"><span style="font-weight: 400;">Guy Hendrix Dyas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O gosto de realismo mágico habita perfeitamente as câmeras da francesa, responsável por criar a mesma identidade no magistral </span><a href="https://personaunesp.com.br/retrato-jovem-chamas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Retrato de uma Jovem em Chamas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pelo qual foi premiada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">César </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Fotografia de 2020, e que, mais uma vez, faz falta dentre as indicações da categoria no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do longa de Céline Sciamma, que também procura por acalanto um ambiente religiosamente frio, ela traz as imagens diurnas amareladas e as noturnas esmaecidas, registradas pela sua habilidade de </span><a href="https://www.kodak.com/en/motion/blog-post/spencer"><span style="font-weight: 400;">enquadrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A singularidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, está numa espécie de diluição de cores, quase sempre pastéis, como forma de ilustrar o apagamento da vida da personagem principal. Já nas vestimentas de Jacqueline Durran, que também ficariam bem dentre as nomeações da vez ao prêmio da Academia, seguem os sucessos que a figurinista realizou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho &amp; Preconceito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, mais recentemente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cyrano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">, para agora incorporar a paixão de Diana pela moda e complementar a direção artística de Maren Schal, Ralf Schreck e Stefan Speth.</span></p>
<figure id="attachment_26896" aria-describedby="caption-attachment-26896" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26896 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra.png" alt="Cena do filme Spencer" width="1500" height="928" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-800x495.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-1024x634.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-768x475.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-1200x742.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26896" class="wp-caption-text">Em mais um destaque da harmonia visual-textual de Spencer, outro elemento importante de roteiro é intensificado quando a personagem de <a href="https://www.insider.com/-spencer-princess-diana-haunted-by-anne-boleyn-who-is-2021-11">Ana Bolena</a> surge em Amy Manson (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O complemento para o visual de Mathon é </span><a href="https://open.spotify.com/album/6AGN0V4QobqBIVCWr6ZZPz?si=ANXG99BxToak5dstWC-TNA"><span style="font-weight: 400;">a música de Jonny Greenwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira de suas três trilhas sonoras para alguns dos <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2020/#:~:text=na%20cultura%20brasileira.-,Filmes%20Favoritos%3A%201.,Que%20Ficou%20Para%20Tr%C3%A1s%20%2F%204.">melhores filmes</a> do ano, o guitarrista do </span><a href="https://personaunesp.com.br/radiohead-sao-paulo-2018/"><span style="font-weight: 400;">Radiohead</span></a><span style="font-weight: 400;"> mistura elementos da música clássica, </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, como forma de reproduzir a sensação confusa de Diana naquele contexto antiquado em plena efervescência cultural do final do século (vide as canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Ancient and Modern</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Delusion / Miracle</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os violinos e órgãos acabam como os instrumentos favoritos do músico, com destaque para os momentos em que o filme beira um suspense psicológico dos anos 60, à medida que se entrega ao emocional perturbado da protagonista. Dentre seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/licorice-pizza-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Licorice Pizza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele foi impulsionado na premiação da Academia pelo prestígio de Jane Campion e concorre com <a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/">Hans Zimmer</a>, Alberto Iglesias, <a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/">Nicholas Britell</a> e a primeira mulher latino-americana indicada à categoria, <a href="https://personaunesp.com.br/encanto-critica/">Germaine Franco</a>.</span></p>
<figure id="attachment_26899" aria-describedby="caption-attachment-26899" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26899 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1.png" alt="Cena do filme Spencer." width="1500" height="912" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-800x486.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-1024x623.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-768x467.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-1200x730.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26899" class="wp-caption-text">“Fodam-se os médicos, o que você precisa é de amor” (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> graciosamente estão em guerra. Desde sua definição, apresentada como uma cinebiografia que se manifesta mais como um drama biográfico, até a construção mais ampla de sua história, que se ocupa em </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/12/24/um-natal-para-se-esquecer-spencer-e-a-reinvencao-narrativa-em-dramas-baseados-na-historia/"><span style="font-weight: 400;">ficcionalizar uma realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao invés de </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/spencer-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme-com-kristen-stewart-74226"><span style="font-weight: 400;">perseguir o real</span></a><span style="font-weight: 400;"> para compor a sua ficção, o filme de Pablo Larraín usa todos os seus artifícios e mágicas para vencer uma batalha em busca da maior necessidade de sua protagonista: identidade e amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E como Diana bem sabia, essa combinação de elementos jamais seria encontrada no território adversário, que sequer tem um conflito de verdade para lutar e um ideal louvável a se defender em sua plena insignificância diante da modernidade. Mas através da obra, a batalha da Princesa que se entregou a uma </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/resenha-spencer/"><span style="font-weight: 400;">luta por si mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> é findada e vitoriosa a partir do que ela essencialmente já tem: a pessoa existente por trás de Diana é, finalmente, completa, única e independente. Agora, ela pode ser </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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