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	<title>Arquivos Carrie a Estranha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Carrie a Estranha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2025</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que é o terror? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O horror literário fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2025/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2025"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36090" aria-describedby="caption-attachment-36090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png" alt="Na ilustração, em um fundo roxo com teias de aranha, há uma prateleira branca com 5 livros em tons de laranja. Da esquerda para a direita, há um livro na vertical, em pé, com um olho vermelho, com um play dentro da íris, estampado. O livro está entreaberto. No topo da imagem, no centro, há o mesmo olho. Na direita, há 4 livros, três deitados e um em pé, apoiado nos que estão na horizontal. De baix para cima, está escrito na lombada do primeiro &quot;outubro de 2025&quot;, do segundo &quot;persona&quot; com um troféu do símbolo do olho em dourado no canto esquerdo e no último &quot;estante do&quot;. O livro na vertical possui capa laranja e nada escrito na capa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36090" class="wp-caption-text">Entre passagens de tirar o fôlego e clássicos da literatura de Terror, o Estante de outubro garante aos leitores um Halloween inesquecível (Arte: Maria Fernanda Beneton/Texto de abertura: Bianca Costa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é o </span><a href="https://blog.jamboeditora.com.br/terror-genero-favorito/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É possível que a história de uma página seja mais assustadora que a realidade que nos cerca?</span></p>
<p><span id="more-36085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> está de volta para te fazer roer as unhas. Com o mês do horror terminando, o Persona te convida a entrar no clima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">e se perder em um suspense horripilante, daqueles que prende o fôlego. A literatura de </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/horror-x-terror-qual-a-diferenca?srsltid=AfmBOopwFqgZ-jUrC-fP3JVXD_12jnSGSW4Qyh_20WyuDetJOYOLV6de"><span style="font-weight: 400;">terror e horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um simples susto: é devorar um livro com o coração acelerado, virar a página sem perceber a hora e o desespero para chegar ao final. Desde as primeiras histórias contadas, o medo habita a imaginação humana, mudando de forma a cada século. Já foi castigo, já foi delírio, já foi profecia. Hoje, é o espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://baquaraneurotico.wordpress.com/2018/10/30/uma-breve-historia-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu junto do impulso de narrar. O horror literário sempre refletiu aquilo que o ser humano mais teme enxergar: a si mesmo. O que antes se escondia em florestas e castelos agora vive entre becos úmidos, escritórios silenciosos e janelas que jamais se abrem. O terror moderno dispensa trovões, mas basta o som repetido de um relógio, o arranhar de unhas na madeira, o eco de passos no corredor para acender o pavor. O medo se tornou íntimo, cotidiano, palpável. O monstro, agora, veste a nossa pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas páginas, o horror observa o banal e o devolve distorcido. Uma sombra alongada demais, um reflexo que se move depois de você. Ele revela o que apodrece por baixo da normalidade e lembra que o real é sempre mais estranho do que parece. Há quem diga que o inferno é uma invenção distante, porém Alan Moore e Eddie Campbell o desenharam com bisturis e delírios em </span><a href="https://www.veneta.com.br/shop/do-inferno-305"><i><span style="font-weight: 400;">Do Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Ana Paula Maia o construiu com carne, suor e trabalho em </span><a href="https://www.record.com.br/produto/assim-na-terra-como-embaixo-da-terra/"><i><span style="font-weight: 400;">Assim na Terra como Embaixo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Stephen King o fez explodir de dentro de uma garota que só queria ser aceita em </span><a href="https://n.companhiadasletras.com.br/livro/9788581050362/carrie-a-estranha"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Poe, por sua vez, nos ensinou que às vezes basta um gato, ou uma culpa, para enlouquecer em</span> <a href="https://www.martinclaret.com.br/produtos/o-gato-preto-em-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> E, em algum beco de Londres, Jack ainda caminha, invisível, entre as vozes e a névoa em</span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/rastro-de-sangue-jack-o-estripador/p"> <i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue: Jack, O Estripador.</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do castigo divino ao crime urbano, o terror se reinventa, mas nunca desaparece. Ele muda de máscara, muda de época, muda de tom, e ainda assim continua a mesma coisa: o retrato fiel daquilo que tentamos esconder. É uma lente que amplia o desconforto e um espelho que devolve o rosto deformado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, o Estante de outubro adentra esse espaço entre o real e o delírio: o medo ganha textura, cheiro e voz com as indicações dos nossos redatores. Os próximos parágrafos não prometem consolo, mas garantem companhia e uma leitura atenta, na qual até tirar os olhos das páginas é arriscado demais. Só um aviso antes de começar: se ouvir algum barulho vindo de trás, não olhe. Provavelmente é só o vento. Provavelmente.</span></p>
<hr />
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Alan Moore e Eddie Campbell – Do Inferno (592 páginas, Editora Veneta)</b></p>
<figure id="attachment_36093" aria-describedby="caption-attachment-36093" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa_do_inferno_1410-1.jpg" alt="A capa da história em quadrinhos &quot;Do Inferno&quot; possui um desenho em tons de cinza de uma caixa torácica humana rasgada horizontalmente por quatro faixas de papel vermelho vivo. O título, DO INFERNO, está em letras pretas grandes na primeira faixa vermelha, e os nomes dos autores, ALAN MOORE &amp; EDDIE CAMPBELL, aparecem logo abaixo em letras pretas menores na segunda faixa." width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-36093" class="wp-caption-text">Do Inferno é vencedora de 5 prêmios Eisner e garantiu a seu autor, Alan Moore, 3 anos consecutivos o prêmio de melhor roteirista entre 1995-1997 (Foto: Editora Veneta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“<i>Do Inferno</i>” ocupa os primeiros lugares nas listas dos leitores de Alan Moore, junto a <i>Watchmen</i>, <i>V de Vingança</i>, <i>Monstro do Pântano</i> e tantos outros. Mesmo assim, ao ler a sinopse, é fácil pensar: “O que tem de tão especial em outra versão de Jack, o Estripador?” Talvez o mais interessante esteja no mundo em que a história se passa. E não, não é a ambientação neogótica da Inglaterra vitoriana, com noites soturnas e um preto marcante que persegue o leitor em cada página; ao recuar, a escuridão prepara-se para encarnar figuras igualmente macabras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que há de tão interessante para uma leitura de quase 600 páginas? A resposta está na pergunta que reside na penumbra da obra: “O que é o mal?” Alan Moore apresenta um mal macabro, soturno e encarnado, que também reside nos corações dos que o enxergam e, em certa medida, anseiam encontrá-lo. No deslizar das páginas pretas e brancas, o leitor se pega a todo momento ansioso, desejoso e esperançoso para contemplar as diversas faces daquilo que deveria permanecer sigiloso a todos: nossos desejos mais perversos, escondidos em entranhas escuras, e as diferentes formas de ver um mal radicalmente humano – tão visceral que o ocultamos, dizendo ser próprio apenas do Inferno.</span><b> – Pedro Domênico</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>Ana Paula Maia – </b><b>Assim na Terra como embaixo da Terra (144 páginas, Editora Record)</b></p>
<figure id="attachment_36094" aria-describedby="caption-attachment-36094" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg" alt="A capa do livro Assim na Terra como embaixo da Terra é branca possui a ilustração de um javali em preto, que parte do canto superior direito e ocupa grande parte do retângulo. O título da obra aparece em letras espremidas, ocupando o canto inferior esquerdo ao lado do nome da autora, Ana Paula Maia, no canto inferior direito. Ambos também escritos em preto." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_.jpg 646w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-36094" class="wp-caption-text">Em 2018 a escritora venceu o prêmio São Paulo de Literatura com a obra Assim na Terra como embaixo dela (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Maia é uma escritora brasileira que ganhou destaque na literatura nacional por suas histórias sempre aterrorizantes envolvendo violências e questionamentos, principalmente sobre pautas de negligência social. E nessa narrativa, por meio de uma escrita fluída e cativante, a autora convida o leitor a conhecer o ambiente claustrofóbico de uma colônia penal decadente prestes a ser desativada, e que abriga os criminosos que o Estado buscou esquecer. Lá dentro, os personagens estão sob o comando de um oficial que perdeu a sanidade por conta do isolamento, e o perigo e a aflição os rondam constantemente, além da fuga parecer impossível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de sua escrita,  a autora cria uma experiência na qual a tensão e o desconforto só se agravam com o passar das páginas, e cada descoberta sobre o real intuito da instituição contribui  para prender a atenção do público do início ao fim. Além disso, o texto não dá sossego um segundo sequer, já que a ameaça não cessa e é perceptível que, naquele lugar onde os corpos são privados de sua humanidade, não há salvação ou esperança nem através da suposta liberdade.</span><b> – Luana Corrêa</b></p>
<hr />
<p><b>Stephen King – Carrie, a estranha (208 páginas, Editora Suma)</b></p>
<figure id="attachment_36102" aria-describedby="caption-attachment-36102" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg" alt="A capa do livro Carrie, de Stephen King, tem um fundo rosa-escuro com manchas e gotas de sangue escorrendo. No centro, aparece o rosto de uma garota com olhar sério e traços de sangue no rosto, criando um clima assustador. O nome do autor está escrito em letras grandes e brancas na parte de cima, e o título Carrie aparece em branco na parte de baixo. A imagem passa uma sensação de mistério e terror, combinando com a história do livro." width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-768x1119.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-1055x1536.jpg 1055w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-36102" class="wp-caption-text">A obra de estreia do mestre do terror representa um marco inovador, sendo um dos romances mais impactantes de todos os tempos (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado de forma fragmentada e com tom quase documental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974, combina trechos de jornais e entrevistas para reconstruir a trágica história de Carrie White. Tímida e introvertida, a adolescente é alvo constante de humilhações por parte dos colegas e vive sob a opressão da mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Tudo muda, porém, após um episódio traumático na escola (quando a protagonista tem sua primeira menstruação e é cruelmente ridicularizada pelas outras meninas): ela descobre possuir poderes de telecinesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o bullying e a opressão aumentam, esses poderes crescem junto com a raiva e o desespero dela, culminando em um baile de formatura trágico e inesquecível, que se tornou um dos momentos mais icônicos da literatura e do cinema de terror. O impacto da obra foi tão grande que abriu caminho para uma série de outras adaptações baseadas nas obras de King, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">À Espera de um Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;">, que continuaram a explorar, cada uma à sua maneira, os medos, traumas e conflitos que assombram a condição humana. </span><b>– Nathalia Helen</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36086" aria-describedby="caption-attachment-36086" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Jack-o-estripador-Kerri-Maniscalco.png" alt="Imagem da capa do livro Jack, o Estripador de Kerri Maniscalco. Há um fundo escuro em tons de preto e cinza com nuvens. No centro, há uma mulher branca com vestido vitoriano verde escuro e luvas rendadas pretas, segurando uma adaga prateada. Ela usa um colar com pedra vermelha, tem cabelos castanhos e lábios pintados de vermelho. Na parte inferior, intrínseco ao vestido, aparecem prédios antigos de Londres envoltos em névoa. O título, o nome da série “Rastro de Sangue”, da editora e da autora ocupam a metade inferior da imagem." width="471" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-36086" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Kerri Maniscalco explora um dos mistérios mais sombrios do Século XIX e apresenta uma heroína que desafia o impossível (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Kerri Maniscalco &#8211; Jack, o Estripador (354 páginas, DarkSide Books)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Londres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha Audrey Rose Wadsworth, uma jovem investigadora dedicada à medicina forense. Desafiando a vontade de seu pai e as expectativas da sociedade sobre como uma mulher deveria se portar, ela realiza autópsias no laboratório do tio e, de repente, se envolve em um dos crimes mais brutais que assombram a cidade. Na companhia de Thomas Cresswell, aprendiz de seu tio, Audrey Rose embarca na perigosa investigação na esperança de resolver o caso antes que novas vítimas sejam feitas. Entre ciência forense, suspense psicológico e a constante sensação de perigo, o mistério está cada vez mais perto de ser revelado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jack, o Estripador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro da série e estabelece a construção psicológica e narrativa que se mantém constante ao longo das obras. Com uma ambientação sombria e um </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/130-anos-depois-identidade-de-jack-o-estripador-pode-ter-sido-desevendada.phtml"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> impossível de ser resolvido, o livro explora relações familiares e sociais complexas, motivações sinistras e tragédias arrebatadoras. Ao longo da história, Audrey Rose e Thomas se aventuram em diferentes lugares e cruzam caminho com outras figuras históricas do período, como Príncipe Drácula, Harry Houdini e H. H. Holmes. Além disso, abre espaço para pitadas de um romance fadado pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra mantém um equilíbrio perfeito entre elegância e crueldade. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">corsets</span></i><span style="font-weight: 400;">, festas do chá e um jogo de gato e rato, a narrativa entrelaça o suspense com o cotidiano da época. Embora foque na parte forense, com análises detalhadas de cada procedimento técnico, o livro oferece uma visão única do infame caso </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/true-crime-a-ascensao-do-genero-na-literatura-e-nos-streamings/"><span style="font-weight: 400;">não resolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ilustrações </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> e macabras mergulham o leitor na narrativa, enquanto a atmosfera gótica e os personagens astutos tornam tudo envolvente. Analisar as pistas enquanto tenta adivinhar o assassino antes dos detetives torna a leitura surpreendentemente agradável e cativante. <b>– </b></span><b>Vitória Mendes</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36087" aria-describedby="caption-attachment-36087" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="Foto da capa do livro O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários, de Edgar Allan Poe. O fundo é escuro, com tons de cinza e preto, além de possuir a face de um gato desenhado. No canto superior esquerdo, há a silhueta de um gato preto sentado, e na letra “A” de “Edgar”, do título, surgem traços que imitam bigodes. O nome do autor, “Edgar Allan Poe”, aparece em letras grandes e amarelas no centro da imagem. Abaixo, em letras brancas ornamentadas, lê-se “O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários”. No rodapé, está o logotipo da editora Camelot." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-36087" class="wp-caption-text">O Gato Preto foi publicado em 1843 (Foto: Camelot Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Edgar Allan Poe &#8211; O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários (160 páginas, Camelot Editora)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos contos mais conhecidos de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/serie-a-queda-da-casa-de-usher-para-maratonar-na-netflix-com-poucos-episodios-de-edgar-allan-poe_a410614/1"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e talvez o que melhor define o horror psicológico do autor. A história acompanha um homem comum que, afundado no álcool, começa a maltratar os animais que antes amava, até que sua fúria o leva a um ato irreversível. O que se segue é o peso da culpa e a paranoia de que algo, ou alguém, ainda o observa. Poe não precisa de fantasmas nem de castigos divinos para causar medo, basta a mente humana em colapso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto é uma leitura curta e de ritmo acelerado. Cada ação do narrador tem uma consequência imediata, e o terror surge da frieza com que ele descreve suas próprias atrocidades. </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">O gato</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolo de tudo o que ele tenta esquecer, retorna como a lembrança assombrosa de que a culpa sempre encontra um jeito de ser ouvida. É justamente o fato de haver algo inevitável no percurso do personagem que torna o desfecho tão perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado para quem busca um clássico acessível e envolvente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma porta de entrada perfeita para as obras de Poe e para o </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/um-ano-sem-verao-como-uma-catastrofe-climatica-ajudou-a-dar-origem-a-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX. O cerne está na ideia de que o verdadeiro terror nasce dentro de casa, quando o instinto grita mais alto que a razão e a consciência já não consegue silenciar seus próprios erros. <b>– </b></span><b>Eduardo Dragoneti Ferreira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36088" aria-describedby="caption-attachment-36088" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36088 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png" alt="Foto da capa do livro “Rebecca”, de Daphne du Maurier. O fundo é preto com moldura decorativa fina em linhas brancas. O nome da autora aparece na parte superior, em letras grandes, brancas, com estilo tipográfico ornamentado. Logo abaixo, o título “Rebeca” está escrito em letras grandes e sinuosas, na cor rosa forte. À esquerda, acima do título, há a silhueta de uma mulher de perfil, também em rosa, com cabelos presos em coque. Galhos de árvores secos, em cinza claro, se espalham pelo fundo. Na parte inferior direita, há a ilustração de uma mansão antiga com janelas pequenas e detalhes arquitetônicos góticos, desenhada em cinza. Na base da capa, centralizado, aparece o nome da editora “DarkSide” em letras pequenas brancas." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca.png 589w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-36088" class="wp-caption-text">Um clássico que prova que fantasmas podem ser apenas memórias que não aceitam morrer (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Daphne du Maurier &#8211; Rebecca (448 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora britânica </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/daphne-du-maurier-a-autora-de-rebecca-que-foi-de-hitchcock-a-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Daphne du Maurier</span></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente sabe prender a atenção de seus leitores em suas obras. No romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora cria uma atmosfera tão imersiva que torna difícil se afastar da história. O livro narra a jornada de uma jovem mulher que, após se casar com o misterioso viúvo Maxim de Winter, muda-se para a imponente mansão Manderley. A protagonista se vê rapidamente envolvida pelo fantasma da antiga esposa de Maxim, a lendária Rebecca, cuja presença continua a dominar todos os espaços e silêncios da casa. Nada é dito abertamente, mas tudo parece sussurrar o nome dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Du Maurier constrói uma narrativa onde insegurança, amor e memória se misturam como sombras que se alongam ao entardecer. Há algo de cruel e fascinante em observar a protagonista tentando descobrir quem ela é em meio a tantos vestígios de alguém perfeito demais para existir. O suspense cresce devagar, quase como um desconforto íntimo, e quando percebemos já estamos tão enredados quanto ela. </span><a href="https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/quem-foi-rebecca/"><span style="font-weight: 400;">Manderley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se revela por completo, e talvez seja exatamente essa névoa que torna a experiência tão inesquecível. <b>– </b></span><b> Débora Munhoz</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36089" aria-describedby="caption-attachment-36089" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg" alt="Foto da capa do livro “Ilha do Medo”, de Dennis Lehane. A imagem mostra o rosto de um homem branco em close, com expressão séria e olhar fixo, parcialmente iluminado pela chama de um fósforo que ele segura diante do rosto. Na parte inferior da capa, vê-se uma ilha isolada cercada pelo mar revolto, onde se destaca um grande prédio sombrio, o hospital psiquiátrico que ambienta a história. O título “ILHA DO MEDO” aparece em letras maiúsculas e alaranjadas, com textura metálica e um leve brilho, logo abaixo da imagem da ilha. Acima, em letras pequenas e vermelhas, está a frase “O medo é contagioso.” Na parte inferior, à direita, o logotipo da editora Companhia das Letras é acompanhado da informação “Originalmente publicado como Paciente 67”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-36089" class="wp-caption-text">Um suspense sombrio onde a chama da verdade é tão perigosa quanto a escuridão que a cerca (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Dennis Lehane &#8211; </b><b><i>Ilha do Medo</i></b><b> (352 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ilha-do-medo-20342247"><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é como embarcar em uma viagem sem retorno à mente humana e ao que ela é capaz de esconder. Dennis Lehane constrói um suspense psicológico de tirar o fôlego, daqueles que fazem a gente duvidar até das próprias certezas. Tudo começa quando o agente federal Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são enviados a </span><i><span style="font-weight: 400;">Shutter Island</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma ilha isolada onde funciona um hospital psiquiátrico para criminosos. A missão, de começo, parece simples: investigar o desaparecimento de uma paciente. Mas, à medida que a investigação avança, fica claro que nada ali é o que parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera criada por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000136084/"><span style="font-weight: 400;">Lehane</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante. A cada página, a tensão cresce, e nós, leitores, somos arrastados para o mesmo estado de confusão e paranoia que consome o protagonista. Os detalhes, as falas e os silêncios carregam significados ocultos que só fazem sentido quando tudo se revela. É o tipo de leitura que te faz virar páginas compulsivamente, e ao final, te obriga a repensar tudo o que achava saber. <b>– </b> </span><b>Ryan Rodrigues</b></p>
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		<title>Entre a cruz e a espada, Carrie performa o retrato sangrento do fanatismo</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 20:08:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto&#160; Quão longe um lar instável e um vasto universo de microviolências podem levar alguém? Carrie não se dispõe a responder essa pergunta com plenitude, mas estrutura um argumento definitivamente cinético. No clássico de Stephen King, a personagem que se tornou um ícone do terror, dá vida a um misto de acontecimentos hiperbólicos para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carrie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre a cruz e a espada, Carrie performa o retrato sangrento do fanatismo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29464" aria-describedby="caption-attachment-29464" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg" class="size-full wp-image-29464" alt="Capa do livro Carrie. Na imagem há o desenho de uma garota com sangue escorrendo pelo rosto. Toda a composição da capa é roxa e deixa os traços não muito claros. Os olhos ficam em destaque por mostrarem a parte branca e as pupilas. Na porção superior estão as palavras Biblioteca Stephen King. Já na parte inferior o título do livro. O logo da editora aparece na parte superior esquerda. Todos os textos estão grafados em branco." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/CARRIE_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29464" class="wp-caption-text">Em sua nova edição, Carrie faz parte da Coleção Biblioteca Stephen King e ganha conteúdo extra (Foto: Companhia das Letras/Suma/Arte: Ana Clara Abbate)&nbsp;</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto&nbsp;</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Quão longe um lar instável e um vasto universo de microviolências podem levar alguém? </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400"> não se dispõe a responder essa pergunta com plenitude, mas estrutura um argumento definitivamente cinético. No clássico de Stephen King, a personagem que se tornou um ícone do terror, dá vida a um misto de acontecimentos hiperbólicos para eventos reconhecíveis na realidade. A edição especial – publicada pela </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511348/carrie">Companhia das Letras</a></i></span><span style="font-weight: 400"> este ano sob o selo </span><span style="font-weight: 400"><i>Suma</i></span><span style="font-weight: 400"> – torna o relato perturbador da história da garota que fez pedras choverem e sangue jorrar tão sólido quanto uma imagem de Jesus pendurada na parede da sala.&nbsp;</span></p>
<p><span id="more-29454"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Carrieta White é uma jovem comum: está no ensino médio, vive em uma cidade pequena chamada Chamberlain e mora com a mãe em uma casa nada especial. Pelo menos é o que parece e poderia ser, se a obra – traduzida no Brasil por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yrIwmyXVVBk">Regiane Winarski</a></span><span style="font-weight: 400"> – não nos fosse contada com o protagonismo da garota. A construção da história mistura relatos, trechos de reportagens e narração, nos inserindo na mente da personagem e fazendo com que o leitor seja capaz de experimentar a pele das pessoas e dos estigmas sociais presentes no universo do texto.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A princípio, a narrativa parece se debruçar sobre o evento da telecinese e a grande especulação por trás de um poder tão único e impressionante, mas o desenrolar do enredo revela que aqui o fantástico é apenas um coadjuvante. </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/">Carrie</a></span><span style="font-weight: 400"> tem a habilidade plenamente desencadeada após a primeira menstruação ocorrer no vestiário da escola da maneira mais desconcertante possível. A garota, tolhida de saber o significado da menarca, vive uma cena dramática e vergonhosa na frente das colegas – que não demoram a mostrar toda crueldade cabível em corpos adolescentes. A hostilidade não se limita às páginas e, por um minuto, se torna impossível não julgar Carrie e seu comportamento fora das linhas do socialmente aceitável.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_29456" aria-describedby="caption-attachment-29456" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-7.jpg" class="size-full wp-image-29456" alt=" Foto do autor Stephen King. A imagem é em preto e branco. King é um homem branco de cabelos curtos. Seu rosto apresenta algumas rugas e linhas de expressão. Ele usa um óculos preto e veste uma camiseta também preta." width="434" height="650"><figcaption id="caption-attachment-29456" class="wp-caption-text">Carrie é o livro de estreia de Stephen King, com primeira publicação em 1974 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Se Carrie parece distante dos padrões de comportamento esperados para um ser humano, sua mãe, Margaret White, carrega a culpa como se mordesse o fruto proibido. Aquela que deveria representar um porto seguro para a filha a enxerga como um castigo divino e faz de tudo para consertá-la do jeito mais distorcido possível. As colegas de Carrie e os xingamentos no banheiro pareciam ruins, mas é testemunhar a jovem sendo obrigada a pedir perdão e orar repetidas vezes pela </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/11/16/sagrado-ou-maldicao-como-a-menstruacao-foi-tratada-ao-longo-dos-anos.htm">naturalidade</a></span><span style="font-weight: 400"> do próprio corpo que começa a dar nome aos verdadeiros vilões.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os mecanismos de linguagem e a forma como os acontecimentos estão dispostos na obra são os principais responsáveis pela construção dinâmica de </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400">. Em 208 páginas, o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://epipoca.com.br/tragedia-de-infancia-criou-o-rei-do-terror-em-stephen-king/#:~:text=O%20autor%20carrega%20o%20t%C3%ADtulo,e%20que%20cativa%20seus%20f%C3%A3s.">Rei do Terror</a></span><span style="font-weight: 400"> brinca com os eventos para que sejamos capazes de viver descobertas e epifanias de forma frequente. Assim, o papel de antagonista viaja entre os personagens e também vive no contexto social de Chamberlain. Entre o sangue e os objetos voadores, existe uma ferida tão profunda que foge do material.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/">bullying</a></i></span><span style="font-weight: 400">, nas inseguranças, na exclusão e no fanatismo religioso, Carrieta é o resultado de 16 anos de opressão. Em casos comuns, tudo terminaria em perspectivas frustradas que – com sorte – seriam desmanchadas em um divã, mas aqui o resultado se avermelha em forças sobrenaturais. Cada decepção, medo e até os pequenos momentos de alegria da protagonista se somam no desenvolvimento da telecinese e levantar a cama com a força dos pensamentos se torna parte da rotina.&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Sua mente tinha… tinha… ela procurou uma palavra. Tinha se flexionado. Não era bem isso, mas era quase. Houve uma curvatura mental curiosa, quase como um cotovelo não aguentando sustentar um haltere. Também não era bem isso, mas era a única coisa em que ela conseguia pensar. Um cotovelo sem força. Um músculo fraco.”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Um destaque da obra é saber brincar com aspectos diversos da humanidade. As vivências refletidas em </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400"> vem do ódio, do amor, dos traumas, da manipulação, do arrependimento, da empatia e de outros vários espaços constituintes do âmago. Stephen King não deixa espaços para o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/">maniqueísmo</a></span><span style="font-weight: 400">, nada e ninguém vem com veredito. Essa construção aproxima o texto da vida real e fica fácil esquecer da ficcionalidade: por muitos momentos as manchetes de jornal parecem tão concretas quanto os </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/gaslit-critica/">escândalos políticos</a></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Através da impiedade vive também a clemência e, assim, a Senhorita Desjardin, Sue Snell e Tommy Ross são reflexos das atitudes mais empáticas da narrativa. Os três, mesmo que indiretamente, são os responsáveis pela idealização do momento mais feliz e mais doloroso da vida de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://portalcinerama.com.br/stephen-king-desabafa-sobre-como-sucesso-de-carrie-ajudou-sua-mae/">Carrie</a></span><span style="font-weight: 400">: o baile. Cada um com as próprias motivações, veem na noite de gala a oportunidade perfeita para que a excluída tivesse a chance de sentir o mínimo de normalidade. Apertar o couro em um vestido bonito, usar um batom que esconde as marcas da vida e sorrir enquanto dança uma música lenta com o garoto dos sonhos parecem ser o tipo de coisa que apaga uma vida toda de sofrimento, pelo menos por algumas horas.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De certa forma, eles não estavam errados e, enquanto compra o tecido para o traje da tão esperada noite e se prepara, a garota tem um despertar. Ela passa a enfrentar certas atitudes da mãe, desvia da humilhação e percebe que na verdade nunca foi feia ou esquisita. Toda essa coragem é respaldada pelo convite de Ross, mas também pela evolução de suas capacidades </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/">telecinéticas</a></span><span style="font-weight: 400">. Quanto mais coisas flutuam desafiando a gravidade, mais a personagem percebe sua força e extraordinariedade.&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Ela começou a correr, respirando fundo no peito, correndo de Tommy, dos incêndios e explosões, de Carrie,mas mais do horror final, aquele último pensamento iluminado carregado depressa pelo túnel preto da eternidade, seguido pelo zumbido vazio e idiota da eletricidade prosaíca. ”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Se por um lado Sue se desenvolve em boa intenção, Chris Hargensen se afoga em planos avinagrados. A personagem, que poderia facilmente ser qualquer patricinha como </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/critica-meninas-malvadas/">Regina George</a></span><span style="font-weight: 400">, acaba indo longe demais pela futilidade de si e desejo de aprovação de um relacionamento tóxico. Acompanhar seus pensamentos e passos até o fatídico estopim da narrativa é assistir alguém que vê Carrie com o mesmo valor de um porco para abate.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Assim, a noite dos sonhos da protagonista é arruinada por um balde de água fria – ou sangue quente. Ser ensopada de fluidos de porco no momento em que se tornaria rainha do baile não é a pior coisa que aconteceu com Carrieta, mas é o gatilho que faltava. A metáfora de uma vida toda com sonhos destruídos por sangue: menstrual, porco e o </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/magdala-critica/">sangue de Cristo</a></span><span style="font-weight: 400">.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/depois-stephen-king-critica/">King</a></span><span style="font-weight: 400"> novamente nos coloca em um papel em que não há espaços de certo e errado, não é como se fosse cruel torcer para a garota transformar a cidade em um caos incendiado, afinal os limites da Literatura não cabem em caixinhas de moralidade. Entre tanta dor, o erro do autor parece ser não permitir a felicidade de Carrie nem por uma noite. Entretanto, isso nunca foi uma promessa: apenas uma expectativa moldada por nós mesmos e a estranha tendência humana de sempre olhar as coisas com esperança.&nbsp;</span></p>
<figure id="attachment_29455" aria-describedby="caption-attachment-29455" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-8.jpg" class="size-full wp-image-29455" alt="Cena do filme Carrie. Na imagem há uma garota branca de cabelos ruivos. Ela está olhando para frente com a cabeça inclinada. Há sangue em seus cabelos, rosto e vestido. O fundo é vermelho e iluminado por uma luz alaranjada." width="700" height="466"><figcaption id="caption-attachment-29455" class="wp-caption-text">Carrie ganhou adaptações para o audiovisual, sendo a mais recente com direção de Kimberly Pierce em 2013 (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Diante de todas as questões exploradas em </span><span style="font-weight: 400"><i>Carrie</i></span><span style="font-weight: 400">, a opressão merece visibilidade e ronda todos os aspectos dos poucos anos da garota. A construção iniciada com a própria rejeição e ódio da mãe monta um dos conflitos mais importantes da trama, em que as personagens se tornam escravas de um medo paranóico escondido por trás do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.ecycle.com.br/fanatismo-religioso/">fanatismo</a></span><span style="font-weight: 400">. Na casa das White, a imagem de Jesus – mesmo que deformada por mentiras – é quem manda.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez explorar um pouco mais do momento em que a </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.ficcoeshumanas.com.br/post/o-conservadorismo-materno-em-carrie-a-estranha">Mamãe</a></span><span style="font-weight: 400"> cria essa imagem da religião poderia trazer esclarecimentos. Como não o temos com todos os detalhes, o motivo por trás das inúmeras orações fica aberto a interpretações. Em certo ponto da narrativa, a presença da telecinese em outras gerações da família White parece ser um bom ponto de partida para essas teorias. É fácil transformar aquilo que não sabemos explicar em demônios sem possibilidades de redenção.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Mesmo com todas as atitudes perversas, o lugar de julgamento para a mãe ainda é limitado por algo além de nós. Margareth White é desprezível, mas acredita com plenitude que está protegendo a filha. Aos seus olhos, o escudo do pecado é palpável, capaz de ser tocado por aqueles que se submetem ao autocontrole excessivo. Criar Carrie acorrentada a crucifixos é purificar o fruto do próprio erro – desde que o conceito de errar esteja ligado à subjetividade.&nbsp;&nbsp;</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400"><i>“Ela tentou se levantar, fracassou e apoiou no banco da Mamãe. A tontura e a náusea tomaram conta dela. Ela sentia gosto de sangue, forte e gosmento, no fundo da garganta. Fumaça acre e sufocante entrava pelas janelas agora. As chamas tinham chegado na casa ao lado; mesmo agora, as fagulhas estariam caindo de leve no telhado no qual as pedras penetraram brutalmente mil anos antes.”</i></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">O </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/incrivel-historia-de-como-stephen-king-jogou-no-lixo-historia-de-carrie-estranha-e-foi-salvo-pela-esposa/">livro</a></span><span style="font-weight: 400"> não precisa dramatizar nada, tudo é cru a ponto de ser cruel. Mesmo sem se pautar no sentimentalismo, o verdadeiro incêndio vive dentro de Carrie e não precisa de termos poéticos para se materializar. Ela é um espelho vivo, reflete tudo que os outros marcaram nela e não importa se isso vai resultar em cadáveres com roupas chiques; não está dentro do controle, nunca esteve.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><i>Carrie </i></span><span style="font-weight: 400">poderia facilmente ser um clichê de filme </span><span style="font-weight: 400"><i>teen</i></span><span style="font-weight: 400"> e conta com todos os elementos necessários para isso: a mãe com um ar de madrasta vilanesca, a garota popular que arquiteta vinganças, a mocinha com arco de redenção, o quase príncipe encantado e a vítima. Em roteiros comuns, isso resulta em um ‘felizes para sempre’ e Carrieta poderia ter seu momento de glória. Ainda bem que </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/">King</a></span><span style="font-weight: 400"> nunca se propos a comodismos. Em Chamberlain, queimar no inferno é absolutamente literal.&nbsp;</span></p>
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		<title>25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 12:29:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Adaptado do famoso livro infantil de Roald Dahl em 1996, Matilda completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um fracasso de bilheteria, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/matilda-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, Matilda ainda nos faz flutuar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25384" aria-describedby="caption-attachment-25384" style="width: 2525px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está deitada em uma poltrona lendo um livro, mas olha para frente com uma expressão travessa. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camiseta florida, com tênis pretos por cima das meias brancas e um laço vermelho no topo de sua cabeça. Suas pernas estão apoiadas na mão direita da poltrona, tocando a borda esquerda da tela. Matilda apoia seu livro em duas almofadas, uma vermelha com detalhes pretos e outra com uma estampa de onça. A poltrona é de uma cor amarela desbotada." width="2525" height="1427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1.jpeg 2525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-800x452.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1024x579.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-768x434.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1536x868.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-2048x1157.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1-1200x678.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25384" class="wp-caption-text">Nada mais de ser boazinha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado do famoso </span><a href="https://commasandampersandsblog.wordpress.com/2015/03/30/book-to-film-matilda/#:~:text=The%20movie%20and%20the%20book,moral%20remain%20the%20same%20throughout.&amp;text=One%20of%20the%20most%20obvious,movie%20was%20set%20in%20America."><span style="font-weight: 400;">livro infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roald Dahl em 1996, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">completou 25 anos em 2021 e, mesmo tendo sido um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/stories/fracassos-bilheteria-classicos-cinema"><span style="font-weight: 400;">fracasso de bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme produzido, dirigido e estrelado por Danny DeVito marcou todos aqueles que o viram na infância e é, até hoje, adorado pelas gerações que se identificaram com os problemas de sua pequena protagonista. Desprezada por quase todos os adultos que a conheceram, Matilda (Mara Wilson) mergulha em livros para ter amigos, até que sua vida muda ao perceber que possui poderes telecinéticos e decide dar uma lição nas pessoas horríveis que a rodeiam.</span></p>
<p><span id="more-25383"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma versão infantil de </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia nos elementos mais estranhos de sua narrativa e não procura dar explicações complicadas para as muitas dinâmicas sobrenaturais e sociais de sua trama. Essa leveza é parte do porquê o longa ainda permanece no imaginário popular, fazendo com que toda vez que esteja passando na TV, você queira parar para ver. Danny DeVito transporta um conto britânico para os Estados Unidos e, no processo, universaliza a história de uma criança que se recusou a ser menos do que extraordinária.</span></p>
<figure id="attachment_25385" aria-describedby="caption-attachment-25385" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, encara seu pai, Harry (Danny DeVito), à direita, na oficina onde ele trabalha. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos usando um casaco roxo claro e um laço rosa na cabeça. Harry é um homem caucasiano de cabelos pretos na lateral e loiros no topo, puxados para trás, usando um terno tweed xadrez amarelo e branco por cima de uma camisa amarela, com um lenço vermelho no bolso direito do paletó. Ele aponta para Matilda dom sua mão esquerda, ameaçando-a. Atrás deles, podemos ver o interior de uma oficina com as janelas abertas, deixando a luz do dia entrar. Peças de automóveis estão empilhadas nas prateleiras e não parecem estar muito bem organizadas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25385" class="wp-caption-text">Tamanho é questão de perspectiva (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A família de Matilda Wormwood é quase uma caricatura da classe média americana dos anos 90: seu pai (Danny DeVito) é um inescrupuloso vendedor de carros usados, sua mãe (Rhea Perlman) é uma mulher vaidosa que só se importa com gastar e a única característica de seu irmão mais velho (Brian Levinson) é ser cruel com a garota. Parte da antipatia do público para com eles não é apenas que eles parecem odiar sua filha mais nova, mas que eles a odeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">sem motivo algum</span></i><span style="font-weight: 400;">. De fato, eles parecem odiá-la ainda mais conforme ela se torna autossuficiente, aprendendo a cozinhar e ler sozinha, indo até a biblioteca quando eles estão fora e implorando para ser levada à escola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada interação entre ela e sua família cimenta ainda mais a situação de absoluta injustiça em que ela se encontra, e cada momento de felicidade é acompanhado de uma realização sombria do quanto ela precisa de uma família decente. </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda </span></i><span style="font-weight: 400;">depende única e exclusivamente da habilidade de sua jovem atriz nos vender um único sorriso sincero e nos convencer que, de alguma maneira, ela ainda é capaz de ser feliz. </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/por-onde-anda-mara-wilson-estrela-de-matilda-25-anos-depois-do-filme-g.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mara Wilson</span></a><span style="font-weight: 400;">, então com nove anos de idade, foi instrumental na capacidade do filme de entreter ao mesmo tempo que emociona, se divertindo com o papel da criança prodígio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna sua performance ainda mais impressionante é saber que sua mãe </span><a href="https://web.archive.org/web/20160425155113/http://www.people.com/people/archive/article/0,,20141113,00.html"><span style="font-weight: 400;">havia morrido</span></a><span style="font-weight: 400;"> alguns meses antes do longa estrear, por conta de câncer de mama. Que Wilson foi capaz de atuar sobre tais circunstâncias, e que sua performance retém muito do entusiasmo juvenil de uma criança descobrindo que tem a habilidade de fazer coisas impossíveis e de mudar o mundo à sua volta para melhor, não é nada menos do que milagrosa. Apesar de (provavelmente) não ser capaz de fazer objetos levitarem com o poder de sua mente, a atriz mirim se provou tão extraordinária quanto sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_25386" aria-describedby="caption-attachment-25386" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) está comendo um cupcake em um restaurante chique, olhando e sorrindo diretamente para a câmera. Matilda é uma menina caucasiana usando um casaco roxo claro aberto por cima de uma camiseta florida e um laço rosa na cabeça. Ela segura um garfo com a mão direita. Acima do pano branco da mesa, do lado do prato com o cupcake, vários talheres estão ordenados, com uma taça vazia à sua direita. Atrás de Matilda, podemos ver outras pessoas comendo no restaurante e, à sua direita, uma mesa retangular que foi derrubada e que agora está inclinada diagonalmente. À sua esquerda, uma porta aberta deixa entrar a luz do Sol. " width="1024" height="677" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-2-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25386" class="wp-caption-text">Às vezes, ser feliz é a melhor vingança (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Danny DeVito consegue se ajeitar na direção do filme e de seu papel duplo como pai negligente e narrador onisciente. Apesar de todas as suas características insípidas de Harry Wormwood, é supremamente divertido ver as reações dele aos acontecimentos cada vez mais inusitados, bem como sua trágica inabilidade de ver que sua própria filha está por trás deles. Com seu poderoso </span><a href="https://fantasticfacts.net/pt/2688/"><span style="font-weight: 400;">um metro e meio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de estatura, é genuinamente hilário ver ele ralhar com Matilda dizendo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou grande e você é pequena, eu estou certo e você está errada</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quando a garota finalmente vai para a escola, ela conhece alguém que faz até mesmo seu pai parecer carinhoso: a Srta. Trunchbull, um monstro em forma de mulher e diretora da escola sombria e opressiva na qual Matilda foi matriculada, após seu pai ter lhe vendido um carro usado. Pam Ferris se delicia (</span><a href="https://www.radiotimes.com/movies/9-fascinating-facts-from-behind-the-scenes-of-matilda/"><span style="font-weight: 400;">e se machuca</span></a><span style="font-weight: 400;">) no papel da feroz e violenta tirana que atormenta praticamente todos os alunos de Crunchem Hall (em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crunchem</span></i><span style="font-weight: 400;"> significa literalmente “esmague-os”), com punições quase cartunescas demais para serem levadas à sério, mas que funcionam no tom absurdo da produção o suficiente para temermos pela segurança de Matilda e seus colegas.</span></p>
<figure id="attachment_25387" aria-describedby="caption-attachment-25387" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson), à esquerda, é amparada pela Srta. Honey (Embeth Davidtz), à direita, que está agachada na frente dela, segurando seu ombro e seu rosto. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, presos por um laço vermelho, usando um vestido azul, enquanto a Srta. Honey é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando uma camisa floral. Elas estão na frente de uma sala escura, na qual Matilda estava presa. Atrás de Matilda podemos ver uma parede de concreto cinza e dilapidado." width="1200" height="690" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-1024x589.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1-768x442.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25387" class="wp-caption-text">Todos queríamos uma Srta. Honey em nossas vidas (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é lá que Matilda encontra a pessoa que irá mudar sua vida. Introduzida pelo próprio narrador como uma “daquelas pessoas incríveis que valoriza cada criança por quem ela é”, a aptamente nomeada Srta. Honey (Embeth Davidtz) é a primeira pessoa adulta que reconhece em Matilda algo especial que vai muito além de suas habilidades sobrenaturais dormentes. Responsável pelo </span><a href="https://junkee.com/miss-honey-matilda/272222"><i><span style="font-weight: 400;">gay awakening</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de uma geração inteira, Jennifer Honey é o arquétipo da professora ideal, se importando profundamente com cada um de seus alunos em nível pessoal e tentando protegê-los da melhor maneira possível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de descobrirmos a conexão ridícula e intensa que ela partilha com Trunchbull, a personagem já nos conquista pela maneira carinhosa com que trata Matilda, oferecendo-a um módico de felicidade. Até mesmo quando ela duvida dos poderes telecinéticos da menina, sua primeira reação não é acusá-la de estar mentindo ou pedir para que ela abandone a sua “fantasia”, mas parabenizá-la por ter uma maneira de se sentir poderosa na situação que se encontra. Se metade do impacto cultural de Matilda vem de sua personagem titular, a segunda metade com certeza vêm de sua professora e do relacionamento que as duas constroem juntas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um filme dos anos 90 com metade do orçamento de um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, a maioria dos efeitos especiais ou envelheceram bem, ou pelo menos se tornaram irônicos o suficiente para terem virado uma piada de bom gosto. Ninguém acredita realmente que Trunchbull </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fqnhqkXclUk"><span style="font-weight: 400;">jogou uma criança</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fora da janela e ela simplesmente voltou depois de dar piruetas no ar, mas não precisamos acreditar na verossimilhança daquilo tudo para apreciarmos a sua fantasia. Mais uma vez, a direção de DeVito acerta ao se apoiar no absurdo, e não duvidar dele.</span></p>
<figure id="attachment_25388" aria-describedby="caption-attachment-25388" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5-1.gif" alt="Cena do filme Matilda. Matilda (Mara Wilson) e a Srta. Honey (Embeth Davidtz) fazem um piquenique ao ar livre, sob o sol forte. Matilda é uma menina caucasiana de cabelos pretos e lisos, usando um chapéu de palha com um laço vermelho, uma camiseta de mangas longas branca com listras horizontais vermelhas e um shorts azul. Ela está deitada na grama com as pernas viradas para a parte direita da tela, olhando para a Srta. Honey, à sua direita, perto do centro da tela. A Srta. Honey, por sua vez, é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos e lisos, usando um macacão jeans por cima de uma camisa rosa choque. Do lado esquerdo da tela, uma cesta com panos amarelos e algumas bonecas estão em cima de um pano que cobre a grama. Atrás delas, uma sebe alta cobre o fundo e, à direita, uma árvore branca se estende, com sua base coberta de flores coloridas. " width="700" height="297" /><figcaption id="caption-attachment-25388" class="wp-caption-text">“E Matilda descobriu, para sua grande surpresa, que a vida podia ser divertida” (GIF: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de uma criança isolada e abusada por sua família se sentindo sozinha até que descobre ser portadora de poderes especiais sempre ressoou com o público infantil (não é coincidência você ter pensado num certo bruxo criado por uma britânica </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/jk-rowling-e-criticada-apos-novos-comentarios-transfobicos-nas-redes-sociais-entenda/"><span style="font-weight: 400;">transfóbica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi provavelmente parte da sua infância), mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai um passo além e ativamente faz de seu enredo uma fábula em que a criança têm de ensinar para os adultos que não agir em face da injustiça é essencialmente apoiá-la. Quando descobre os agentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua garagem investigando seu pai, nenhum deles se importa com o bem estar da garota ou o que acontecerá com ela quando seu pai for preso. Na verdade, eles até parecem se deliciar pensando que ela seria mandada para um orfanato horrível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa parte visceral e até cruel ajuda a realçar sua fantasia e a ironicamente torná-la ainda mais satisfatória. Quando chegamos ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a menina simplesmente </span><i><span style="font-weight: 400;">têm</span></i><span style="font-weight: 400;"> documentos de adoção preparados para a oportunidade dela poder ser adotada e sua única explicação é “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tenho eles desde que aprendi a fazer xerox</span></i><span style="font-weight: 400;">”, tanto a tragédia quanto a comédia nos atingem em cheio, porque esse é o verdadeiro poder do filme: ser tanto a vingança estranha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto a esperança de </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Harry</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar o absurdo em uma virtude, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos empodera a fazer o melhor de nossas próprias vidas, e nós nunca nos esqueceremos dela por isso.</span></p>
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		<title>45 anos de um clássico do Terror: Carrie, a Estranha se consagra como uma obra atemporal</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 18:44:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia de Figueredo Completando 45 anos de lançamento, a obra cinematográfica Carrie, a Estranha foi inspirada no primeiro romance do lendário autor Stephen King, e tornou-se um clássico do Terror, mudando assim, a história da Sétima Arte. Assinada pelo diretor Brian de Palma, em 1976, a obra aborda questões que ainda hoje se mantêm impregnadas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "45 anos de um clássico do Terror: Carrie, a Estranha se consagra como uma obra atemporal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23912" aria-describedby="caption-attachment-23912" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23912" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1.jpg" alt=" Cena do filme Carrie, a Estranha. Nesse cenário, a protagonista está no baile de formatura, que é decorado com um fundo azul e algumas luzes brancas. Na parte central está Carrie, com seus cabelos, roupas e corpo completamente banhados de sangue." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-1-2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23912" class="wp-caption-text">Essa cena mostra Carrie totalmente encharcada de sangue, após uma ação maldosas de seus colegas de turma que tinham a intenção de humilhá-la na frente de toda escola (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
<p><b>Livia de Figueredo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 45 anos de lançamento, a obra cinematográfica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YuO26oJQLVs"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada no primeiro romance do lendário autor Stephen King, e tornou-se um </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/07/1657227-final-brilhante-de-carrie-e-dos-mais-aterrorizantes-do-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">clássico do Terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, mudando assim, a história da Sétima Arte. Assinada pelo diretor Brian de Palma, em 1976, a obra aborda questões que ainda hoje se mantêm impregnadas na conjuntura da sociedade, como o fanatismo religioso,</span> <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/13/ciencia/1481623002_624601.html"><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://ucenatorres.jusbrasil.com.br/artigos/682581517/alienacao-parental-o-abuso-emocional-sobre-os-filhos-como-identificar#:~:text=%C3%89%20que%2C%20a%20aliena%C3%A7%C3%A3o%20parental,gravemente%20a%20dignidade%20e%20os"><span style="font-weight: 400;">abuso parental</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a descoberta da sexualidade. </span></p>
<p><span id="more-23911"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses conflitos sociais são representados na figura </span><a href="https://www.ficcoeshumanas.com.br/post/resenha-carrie-a-estranha-de-stephen-king"><span style="font-weight: 400;">Carrie White</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sissy Spacek), uma garota amedrontada, fragilizada e tímida. Todas essas características são desenvolvidas por consequência de uma criação conservadora de sua mãe, que é uma pregadora religiosa dogmática. Nas primeiras cenas, Carrie tem sua primeira menstruação, e ao pedir ajuda para outras meninas no vestiário, as jovens começam a zombar da protagonista que fica extremamente assustada e triste por toda essa opressão que está sofrendo. Nesse momento de descontrole, Carrie descobre que tem dons paranormais. </span></p>
<figure id="attachment_23913" aria-describedby="caption-attachment-23913" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-2-3.jpg" alt="Cena do filme Carrie, a Estranha. Na imagem a protagonista está no banheiro da escola. As paredes possuem os azulejos em cores claras, mas devido a pouca iluminação do lugar, a foto possui um tom escuro. Na parte central está Carrie, com um semblante assustado, olhando fixamente para as suas mãos que estão ensanguentadas com o sangue de sua primeira menstruação. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-2-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-2-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23913" class="wp-caption-text">Devido a falta de instrução em casa, Carrie não sabia o que era menstruação e fica extremamente apavorada ao ver o sangue no banho (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">que White sofreu por conta desse incidente, Sue Snell (Amy Irving), uma das meninas que a ridicularizou, em uma tentativa de se desculpar pede para que seu namorado, Tommy Ross (William Katt), convide Carrie para o baile de formatura, afim dela poder interagir com outros colegas. Entretanto, Chris Hargenson (Nancy Allen), uma garota popular na escola que foi proibida de ir na festa por liderar o</span> <span style="font-weight: 400;">ataque</span> <span style="font-weight: 400;">dirigido à protagonista, prepara uma </span><a href="https://www.cinepipocacult.com.br/2013/04/grandes-cenas-carrie-estranha-com.html?m=0"><span style="font-weight: 400;">vingança terrível</span></a><span style="font-weight: 400;"> para deixar Carrie humilhada na frente de toda a escola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha da atriz principal, Sissy Spacek, foi magistral, pois a artista conseguiu representar com maestria a garota introspectiva, que transparece dor e angústia em todas as cenas. Cada detalhe </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2020/12/13-curiosidades-sobre-o-filme-carrie.html"><span style="font-weight: 400;">singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Carrie foi escolhido para evidenciar toda a repressão que ela sofre. É evidente a falta de brilho em seus olhos, atrelada a um olhar tímido. Os cabelos longos, sempre escondendo seu rosto, demonstram o quão desconfiada a garota é. As roupas largas, com cores sempre em tons escuros e apagados, foram essenciais para a construção da identidade de White. </span></p>
<figure id="attachment_23914" aria-describedby="caption-attachment-23914" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-2-2.jpg" alt="Cena do filme Carrie, a Estranha. Nessa foto o perfil da protagonista está em evidência. Os cabelos de Carrie são longos, loiros e lisos. O olhar é tímido e cabisbaixo. O rosto quase sem expressão. " width="650" height="347" /><figcaption id="caption-attachment-23914" class="wp-caption-text">O olhar quase sem brilho e os cabelos loiros e longos revelam uma identidade reclusa e tímida (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também vale ressaltar a atuação da Piper Laurie, que dá vida à mãe de Carrie. Suas atitudes são sempre imponentes, e de certo modo opressoras, seu olhar é intimidador e carregado de culpa. </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/a-importancia-do-figurino-dentro-de-um-filme"><span style="font-weight: 400;">O figurino</span></a><span style="font-weight: 400;"> é composto por roupas largas, quase sempre pretas e seu cabelo sempre despenteado, para simbolizar a figura de uma mulher ríspida e atormentada. Todas essas particularidades foram construídas para deixar explícito que a verdadeira vilã da história é a matriarca. </span></p>
<p><a href="https://chamineproducoes.com.br/a-importancia-do-cenario/"><span style="font-weight: 400;">O cenário</span></a><span style="font-weight: 400;"> também foi pensado para tornar visível a situação que Carrie vivia. O lado interno da casa da família é White é escuro, o que traz para o espectador a sensação de ser um lugar sombrio, o que de fato era. A presença de artigos religiosos e velas por todo o lugar é essencial para demonstrar que a jovem era vigiada o tempo todo. Além disso, contribui para a composição de um ambiente conservador e, de certa maneira, macabro. Já no lado externo da residência, Carrie sempre aparece perto de janelas e portas, pelo fato de sempre estar presa e em situação de isolamento. </span></p>
<figure id="attachment_23915" aria-describedby="caption-attachment-23915" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme Carrie, a Estranha mostra Carrie sentada do lado de fora da diretoria. De cabeça baixa e com uma fisionomia triste. Ao lado dela, existe uma janela aberta para a sala do reitor. Graças a isso, é possível ver o diretor conversando com a pedagoga. " width="1600" height="873" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3-800x437.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3-1024x559.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3-768x419.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3-1536x838.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-3-1200x655.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23915" class="wp-caption-text">As janelas com grades representam a reclusão que a protagonista vive, sem qualquer liberdade ou autonomia (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque importante é para o jogo visual que </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/de-palma-o-cineasta-essencial-cult-e-pop/"><span style="font-weight: 400;">Brian de Palma</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz, ao trabalhar sua câmera com recursos técnicos visuais. Uma das técnicas usadas foi o </span><a href="https://cinemacao.com/2020/03/25/be-a-ba-cinematografico-o-que-e-plongee-e-contra-plongee/amp/"><span style="font-weight: 400;">plano de </span><i><span style="font-weight: 400;">plongée</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que refere-se ao enquadramento feito de baixo para cima. Essa escolha de enquadramento foi genial, visto que ilustra a relação de domínio que a mãe mantém sobre Carrie, que está sempre abaixo, em uma situação de extrema </span><a href="https://www.google.com.br/amp/s/www.vittude.com/blog/violencia-psicologica-como-reconhecer-suas-formas/"><span style="font-weight: 400;">violência psicológica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, outra técnica utilizada por Brian de Palma é o </span><a href="https://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/enquadramentos-planos-e-angulos/"><i><span style="font-weight: 400;">split focus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que consiste em uma método utilizado para evitar cortes de filmagens, fazendo assim com que os personagens interajam na mesma cena, em perspectivas diferentes. Essa construção é evidenciada no momento baile de formatura, no qual Carrie é eleita rainha, mas, ao ir receber a coroa, é banhada por sangue de porco, sendo assim desmoralizada perante a todos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, toda repressão, e humilhação que Carrie sofre, se tornam uma raiva descontrolada. O que a leva a cometer um terrível massacre na formatura, matando todos que estavam lá. Os diversos </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/angulos-de-camera-no-cinema"><span style="font-weight: 400;">ângulos e perspectivas</span></a><span style="font-weight: 400;"> contribuem para que o filme consiga mostrar, através de quadros, cada detalhe da fúria de White com perfeição. </span></p>
<figure id="attachment_23916" aria-describedby="caption-attachment-23916" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-2.jpg" alt="Cena do filme Carrie, a Estranha. Carrie está ajoelhada e com a cabeça inclinada para o chão. Ela está recebendo uma oração de sua mãe. A matriarca está em pé. O enquadramento da câmera apenas mostra parte do cabelo de Margaret. O foco dessa cena está no livro que ela está recitando que fala sobre os pecados das mulheres" width="1000" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-2-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23916" class="wp-caption-text">Essa cena é um exemplo de plano de plongée, no qual Carrie é filmada de cima para baixo para mostrar a superioridade que a matriarca tem perante a filha (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, apesar do brilhantismo do diretor </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/brian-de-palma/"><span style="font-weight: 400;">de Palma</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as câmeras, ainda assim, a obra deixa a desejar quanto ao conteúdo do massacre. Para quem espera um filme com um cenário aterrorizante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i><span style="font-weight: 400;"> não traz essa sensação, nem mesmo nos momentos que o telespectador espera que traga. Nesse aspecto, toda a cena fica por conta de Sissy Spacek, que banhada de sangue e um olhar penetrante deixou sua contribuição na história do Cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do livro original, onde Margaret tenta e consegue assassinar sua própria filha, </span><a href="https://nosbastidores.com.br/lista-7-diferencas-entre-livros-e-filmes-do-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">na adaptação de 1976</span></a><span style="font-weight: 400;">, Carrie, com seus dons, consegue reverter a situação e por fim na matriarca. A maneira que o corpo da mãe foi transformado pela protagonista assemelha-se com a imagem religiosa de mártir que a família White tinha em sua casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa obra cinematográfica revolucionou a história do Cinema, visto que, conseguiu abordar temáticas sociais muito importantes, que foram representadas em um filme de Terror. As atuações de Sissy e Piper foram geniais, não é atoa que ambas foram indicadas ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Fora isso, Brian de Palma conseguiu tutelar com maestria os inúmeros recursos técnicos como as cores, luzes, sons e a própria filmagem, entregando para o público uma obra que se consagrou no Cinema como um </span><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lancado-em-1976-carrie-estranha-de-brian-de-palma-arrecadou-us-33-milhoes-10981438"><span style="font-weight: 400;">clássico grandioso e atemporal</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23917" aria-describedby="caption-attachment-23917" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2.jpg" alt="Cena do filme Carrie, a Estranha. O panorama dessa vez mostra o fundo de Carrie em chamas. O ambiente é um local fechado, todos os equipamentos e decoração estão pegando fogo. A protagonista está em pé, com os olhos arregalados e o rosto ainda sem expressão. Suas roupas e seu corpo está repleto de sangue. No meio desse completo caos, ela caminha para a porta de saída do colégio. " width="1920" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2-1536x832.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-6-2-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23917" class="wp-caption-text">Carrie após ter sido humilhada no baile de formatura, perde o controle de seus poderes e mata todas as pessoas que estão na festa (Foto: Redbank)</figcaption></figure>
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