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	<title>Arquivos Blue Moon &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:28:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics) Guilherme Machado Leal   Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em Blue Moon, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (Ethan Hawke), o público conhece a história de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blue-moon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36386" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png" alt=" Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos louros e blusa bege. Ela olha para um homem branco de cabelos castanhos com terno. Eles estão em um bar. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><span style="color: #686868; font-size: 13px; font-style: italic; background-color: transparent; text-align: inherit;">As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics)</span></p>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-telefone-preto-2/"><span style="font-weight: 400;">Ethan Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público conhece a história de um dos letristas norte-americanos mais importantes do século XX. Ambientado em um bar na noite de 31 de março de 1943, a perspectiva de um artista derrotado pelo sucesso de seu colega, Richard Rodgers (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Scott</span></a><span style="font-weight: 400;">), expõe uma mágoa para além das diferenças criativas da ex-dupla.</span></p>
<p><span id="more-36380"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;"> de filmar em um cenário é o que torna a produção curiosa de experienciar: por se tratar de uma figura estadunidense, é compreensível que o espectador tenha falta de afinidade com o tema retratado. Entretanto, o cineasta, alinhado ao roteiro de </span><a href="https://robertkaplow.com/"><span style="font-weight: 400;">Robert Kaplow</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtém êxito ao focalizar a câmera em um poeta que vê a vida passar diante de seus olhos. Pela vista do outro, o tempo dele já foi; mas o seu cérebro ainda permanece como uma maneira de catapultar o sucesso alheio. Após anos de parceria, o protagonista divide as feridas com o bartender, vivido por Bobby Cannavale, e outros funcionários do local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de estreia de </span><a href="https://www.britannica.com/topic/Oklahoma-musical-by-Rodgers-and-Hammerstein"><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, peça lançada durante a Segunda Guerra Mundial, sentimentos conflitantes surgem à cabeça do fio condutor do longa-metragem. Se por um lado ele reconhece o talento de sua alma gêmea, há também o rancor devido ao afastamento que os levaram a caminhos diferentes – tanto pessoal quanto criativamente. Em certo momento de um dos seus monólogos, o escritor propõe um debate sobre o papel da Arte: ela precisa necessariamente ser inofensiva ou pode adotar um tom provocativo?</span></p>
<figure id="attachment_36389" aria-describedby="caption-attachment-36389" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há dois homens brancos. O da esquerda veste um terno preto com gravata borboleta da mesma cor. O da direita usa um terno azul com gravata vinho." width="800" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1200x960.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000.jpg 1240w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36389" class="wp-caption-text">Richard Rodgers (Andrew Scott) e Lorenz Hart (Ethan Hawke) saboreiam o gosto amargo de sua relação durante os 100 minutos de Blue Moon (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor que Hart nutre por Rodgers vai muito além da relação amigável. Na verdade, a aptidão que ambos tinham com as produções musicais são daquelas </span><a href="https://www.dominicalldis.com/projects/songs-rodgers-hart"><span style="font-weight: 400;">sintonias</span></a><span style="font-weight: 400;"> vistas apenas uma vez na vida. Ao mesmo tempo que não dar o braço a torcer é uma das características que afastam aqueles ao redor de Lorenz, sua personalidade irreverente é o motivo pelo qual há o interesse de entender a cabeça de um poeta torturado pela derrocada da própria carreira. Por conta da interpretação cômica por Ethan Hawke, ter o desejo de saber mais a respeito da trajetória do letrista se torna algo natural, sem precisar de contextos externos ao filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viciado no próprio sentimentalismo exacerbado – à la </span><a href="https://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-romantica/"><span style="font-weight: 400;">geração byroniana</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Romantismo –, a encantadora Elizabeth Weiland (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margaret Qualley</span></a><span style="font-weight: 400;">) é como uma inspiração para as palavras proferidas pelo homem, que a idolatra e a enxerga mais gentilmente do que a moça realmente é. Na casa dos 20 e poucos, os momentos ao lado do quarentão são um aprendizado, ou melhor, um retrato pintado à mão. Embora tenha um amor platônico pela jovem, é a distância de Rodgers que o deixa obcecado. Esses pensamentos são marcados por conversas sobre a relevância social e política de uma produção artística. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!,</span></i><span style="font-weight: 400;"> primeira parceria entre Richard e </span><a href="https://folhadoabc.com.br/oscar-hammerstein-ii-emerito-letrista/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Hammerstein II </span></a><span style="font-weight: 400;">(interpretado por Simon Delaney),  possui uma conotação negativa ao protagonista: para além das críticas ao conteúdo que o poeta tem em relação ao trabalho do amigo, o sucesso da peça o afeta em níveis criativos: a audácia que caracterizava a dupla com o amado agora cede lugar à uma história mais abrangente e, pela visão do personagem, chapa branca e omissa, levando em consideração o cotidiano vivido pelos estadunidenses na década de 1940.</span></p>
<figure id="attachment_36384" aria-describedby="caption-attachment-36384" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há um homem branco com um terno azul. Ele está na bancada de um bar, apoiando os braços no local. Ao seu lado, há flores e uma bebida alcoólica. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36384" class="wp-caption-text">A produção é a nona parceria entre Ethan Hawke e Richard Linklater (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos do afastamento entre os ex-amigos é a vida pessoal do compositor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">: viciado em </span><a href="https://www.alcoholproblemsandsolutions.org/alcoholic-musicians-they-died-from-it-quit-or-continue-drinking/"><span style="font-weight: 400;">álcool</span></a><span style="font-weight: 400;">, a inconstância na rotina do letrista gerou o sentimento de decepção, ao passo que, profissionalmente, ele fosse inspiração para uma gama de artistas posteriores aos seus anos de ouro, que contém produções prestigiadas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lady Is a Tramp</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após a metade do longa, os dois se reencontram no bar e os fatores do fim da amizade se tornam ainda mais aparentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o reconhecimento do papel que um teve na vida do outro continua presente no pensamento de Hart e Rodgers. Inclusive, entre conversas rápidas, a dupla combina de retomar a parceria com projetos futuros. Todavia, assim como na realidade, a sorte não acenou para Lorenz e a volta da sua relação com o ente querido nunca se consagrou: em novembro do mesmo ano, o astro morreu em decorrência de uma </span><a href="https://www.nytimes.com/1943/11/22/archives/lorenz-hart-has-pneumonia.html"><span style="font-weight: 400;">pneumonia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do encerramento da história, frases que resumem a trajetória dos personagens abordados contam o futuro de Richard e Oscar Hammerstein II. Os dois tiveram outros sucessos, a exemplo das composições em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noviça Rebelde</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das narrativas teatrais mais marcantes do século XX quando se pensa no teatro norte-americano. O protagonista pode não ter sido o maior compositor de sua época ou até mesmo ter sido superado por seus contemporâneos, mas ele conquistou algo que sucesso algum compra: o </span><a href="https://miscelana.com/2025/02/23/blue-moon-o-legado-de-lorenz-hart-nas-telas/"><span style="font-weight: 400;">impacto cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa gerações.</span></p>
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		<title>Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 20:30:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da Lua Azul e na trama narrativa de Lua Azul, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24253" aria-describedby="caption-attachment-24253" style="width: 1852px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24253" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra uma jovem em primeiro plano, de costas e posicionada à esquerda. Ela é branca, tem cabelos lisos castanhos presos numa trança, e olha para frente. À frente dela, existe uma mesa onde uma família faz uma refeição. O lugar é alto e tem vista para montanhas." width="1852" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png 1852w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-800x303.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1024x388.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-768x291.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1536x582.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1200x455.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24253" class="wp-caption-text">Carregado de uma indigesta fábula sobre relações de poder permeadas por questões de gênero, Lua Azul compõe a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da </span><a href="https://www.ips-planetarium.org/page/a_hiscock1999"><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na trama narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama traz para a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, depois de sair com o prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2021, é um fenômeno em todos os sentidos. </span></p>
<p><span id="more-24252"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa do filme também faz jus à complexidade proposta por </span><a href="https://www.instagram.com/alina.al.grigore/"><span style="font-weight: 400;">Alina Grigore</span></a><span style="font-weight: 400;">, que nos apresenta “a jornada emocional de uma jovem que caminha rumo a um processo de desumanização”. Ela é Irina (Ioana Chitu) e vive na zona rural da Romênia trabalhando no negócio de sua família, que é responsável pela sua criação e a de sua irmã Victoria (Ioana Ilinca Neacsu) na ausência dos pais divorciados. Sustentando o núcleo poderoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, as garotas vivem de forma quase dupla quando fora do ambiente familiar, marcado por dinâmicas abusivas, e sonham com uma vida independente na capital, como forma de fugir daquele contexto de muitas </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme diz a que veio logo no primeiro contato que estabelece com o outro lado da tela, num choque assustador que se cria ao ver Irina sendo acordada com gritos autoritários, broncas e ordens violentas. De forma apática e indigesta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> já dissipa qualquer suavidade romântica que seu título possa sugerir para se estabelecer como um drama de ação, no sentido amplo do termo. Durante seus 90 minutos, as pessoas sempre estarão conversando (leia-se gritando), andando (leia-se correndo) e/ou trabalhando (leia-se brigando), e nas mãos de Alina, essa construção cotidiana é mais do que o necessário para criar uma fábula sobre relações familiares, de </span><a href="https://revistas.ufpr.br/diver/article/download/34041/21201"><span style="font-weight: 400;">poder e de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24255" aria-describedby="caption-attachment-24255" style="width: 1682px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra o rosto de uma jovem branca em close. Ela tem cabelos lisos castanhos e usa uma franja e blusa preta de gola alta. Ela olha para o lado direito da imagem, com desconfiança." width="1682" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg 1682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24255" class="wp-caption-text">Repleta de significado para as civilizações que olhavam para o céu em busca de compreender a Terra, a Lua Azul é definida pela astronomia como o fenômeno que permite a ocorrência de duas luas cheias num mesmo ciclo lunar (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenrola seguindo o que já conhecemos do Cinema romeno: </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">rejeitando caminhos fáceis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><span style="font-weight: 400;">valendo-se de muita ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;">. E no recorte de gênero muito bem proposto pela diretora, o filme só ganha mais relevância: através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crai Nou</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alina Grigore é a segunda mulher a vencer o Concha de Ouro, prêmio máximo do Festival de San Sebastián, sucedendo a georgiana Dea Kulumbegashvili, que venceu a honraria em 2020 com </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/88426-beginning-a-impressionante-e-avassaladora-estreia-de-dea-kulumbegashvili.html"><i><span style="font-weight: 400;">Beggining</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de protagonizarem o marco histórico e o futuro do Cinema do Leste Europeu, as duas diretoras também estão de mãos dadas quando o assunto é tomar como objeto de estudo o contexto de opressão que envolve jovens mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando os homens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparecem em cena, a narrativa de Alina é potencializada, num movimento em que a diretora parece conscientemente usá-los para fortalecer a sua crítica. Na presença do primeiro núcleo masculino, que é protagonizado por Liviu (Mircea Postelnicu), um primo da protagonista que trabalha de forma mais próxima à dela no hotel da família, o filme reflete sobre como </span><a href="https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/5436#:~:text=Este%20sistema%20organiza%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es,massa%20(Engels%2C%202007)."><span style="font-weight: 400;">as noções de amor e afeto são distorcidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relações doentias fundamentadas no patriarcado. Depois, o roteiro, também de Grigore, desenvolve as consequências disso fora do contexto familiar, quando Irina suspeita ter sido </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">abusada sexualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa festa, e acaba envolvendo-se emocionalmente com o seu possível agressor, que existe no olhar esperto de Tudor (Emil Mandanac).</span></p>
<p><figure id="attachment_24254" aria-describedby="caption-attachment-24254" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png" alt="Cena do filme Lua Azul mostra uma família fazendo uma refeição em volta de uma mesa branca e farta." width="1916" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-800x299.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1024x383.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-768x287.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1536x574.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1200x448.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24254" class="wp-caption-text">Antes de estrear na direção com Lua Azul, Alina Grigone fez-se conhecida por suas atuações em Aurora (2010), Best Intentions (2011) e Ilegitimo (2016) [Foto: Patra Spanou]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tudo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é orientado pelo olhar de Alina Grigone, que sabe tratar a violência explícita e a implícita com a mesma maestria. Fora do plano da conceituação, o filme não precisa de nada além dos </span><a href="https://www.tjdft.jus.br/informacoes/infancia-e-juventude/noticias-e-destaques/2021/maio/fique-atento-aos-sinais-de-maus-tratos-infantojuvenis-1"><span style="font-weight: 400;">silêncios amargos e omissões amedrontadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista para nos apresentar os seus sentimentos, que diante da atmosfera explosiva, insensível e direta de todo o resto &#8211; muito bem capturada pela câmera atribulada de Adrian Paduretu -, coloca a personagem para existir dentro da narrativa em uma outra vibração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso impulso é querer acreditar que uma hora tudo vai fazer sentido, mas como a própria sinopse avisa, trata-se de um processo de desumanização. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, fenômenos sociais e naturais são colocados no mesmo patamar de regência das leis da natureza, e infelizmente, Alina Grigore identifica que </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1339/1/A%20influ%C3%AAncia%20da%20estrutura%20patriarcal%20na%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20emancipa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20na%20sociedade%20contempor%C3%A2nea.pdf"><span style="font-weight: 400;">a sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como se fosse parte delas. Como, então, se libertar de um ciclo de violência que nos cerca por todos os lados debaixo do céu?</span> <span style="font-weight: 400;">Diante da reincidência deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não sabe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BLUE MOON / CRAI NOU by Alina Grigore - TRAILER (EN subt.)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nFojUjO6XXg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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