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	<title>Arquivos Ballroom &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Renaissance: o verdadeiro renascimento da expansão da narrativa criativa de Beyoncé</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 15:48:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Desde o início da carreira, Beyoncé elevou não apenas o padrão da música pop, mas também redefiniu os limites de versatilidade e transição entre os gêneros musicais. Dito isso, é inegável dizer que a artista não é uma das cantoras mais bem consolidadas no mundo da Música. Em seu mais recente trabalho, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/renaissance-a-film-by-beyonce-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Renaissance: o verdadeiro renascimento da expansão da narrativa criativa de Beyoncé"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32901" aria-describedby="caption-attachment-32901" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9.png" alt="Cena do filme Renaissance: a film by Beyoncé. Na cena vemos a cantora norte-americana Beyoncé, mulher negra de olhos castanhos claros, ao centro da imagem tocando a lente da câmera que está fotografando-a. Ela usa um capacete feito de metal e um adereço similar a um piercing em seu lábio inferior da   boca. Ao fundo, é possível ver uma espécie de arco com estrutura de metal posicionado ao centro. O ambiente está escuro e a imagem está em preto e branco." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-9-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32901" class="wp-caption-text">Renaissance World Tour foi uma das turnês lucrativas de 2023 (Foto: Parkwood)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início da carreira, Beyoncé elevou não apenas o padrão da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também redefiniu os limites de versatilidade e transição entre os gêneros musicais. Dito isso, é inegável dizer que a artista não é uma das cantoras mais bem consolidadas no mundo da Música. Em seu mais recente trabalho, o documentário</span> <a href="https://intl.beyoncefilm.com/home/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance: A Film by Beyoncé</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;"> mergulha nas profundezas da criatividade e da expressão artística, e revela uma jornada única conduzida por ela mesma. O longa acompanha o trajeto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance World Tour</span></i><span style="font-weight: 400;"> desde o primeiro show em Estocolmo (Suécia), até o último ato em Kansas City (Estados Unidos), expondo os altos e baixos dos bastidores da produção de uma das turnês femininas mais </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/beyonce-bate-recorde-com-turne-renaissance"><span style="font-weight: 400;">lucrativas da história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32898"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Beyoncé Giselle Knowles-Carter é a grande cabeça por trás de todo o espetáculo. A dedicação integral em cada aspecto da produção, sua mente criativa e convicção inabalável em forjar seu legado dominam seu compromisso com o público. </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">é meticulosamente dirigido e coreografado pela cantora, que mostra habilidade como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BGYIXarTNbA"><span style="font-weight: 400;">diretora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e brilha em cada cena do longa, demonstrando um domínio impressionante da linguagem cinematográfica. Assim, ela se solidifica como uma artista que vai muito além dos limites do palco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imersa em cada faceta da criação, Knowles-Carter expõe sua visão artística pulsante e determinação incansável por trás das câmeras. Através de uma combinação habilidosa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pAzyYLsndCg&amp;pp=ygUlcmVuYWlzc2FuY2UgZmlsbSBiZXlvbmPDqSBkaXJlY3RlZCBieQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">imagens deslumbrantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, coreografias elaboradas e narrativa poética, a cantora convida o público a testemunhar sua jornada de autodescoberta e empoderamento, dando abertura mais uma vez para sua grande influência cultural. </span></p>
<figure id="attachment_32899" aria-describedby="caption-attachment-32899" style="width: 1581px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32899" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18.png" alt="Cena do filme Renaissance: a film by Beyoncé. Na cena vemos a cantora Beyoncé, mulher negra de cabelo loiro, comandando o palco enquanto performa com maestria uma de suas músicas. Ela está usando vestido e luvas, ambos preto, ela também está usando uma bota de tecido de verniz que chega na altura de seus joelhos, além de usar um óculos que cobre parte de seus olhos. A artista está sentada em dois de seus dançarinos, irradiando majestosamente uma energia magnética. Seus outros dançarinos estão sentados na escadaria prateada que fica presente na estrutura da turnê, todos também vestem roupas e chapéus pretos." width="1581" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18.png 1581w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-18-1200x800.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32899" class="wp-caption-text">O documentário da cantora alcançou o topo das bilheterias dos Estados Unidos (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Do glamour presente no palco às reflexões íntimas nos bastidores, o filme oferece uma visão abrangente da complexidade de </span><a href="https://chicago.suntimes.com/movies-and-tv/2023/12/1/23984771/renaissance-beyonce-film-review-chicago"><span style="font-weight: 400;">persona pública e privada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Beyoncé. As abordagens cinematográficas não convencionais presentes na produção criam alusões que levam a obra a um patamar diferenciado, guiando o espectador a uma imersão criativa dentro da brilhante mente da cantora. Ela não tem medo de explorar a feminilidade e o poder, e o faz com uma honestidade e vulnerabilidade cativantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://stealthelook.com.br/os-looks-mais-iconicos-da-beyonce-na-renaissance-world-tour-ate-agora/"><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> majestosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as narrações diante das cenas do documentário, vemos a artista em sua mais pura simplicidade. É nítido perceber que a presença de sua família desempenha um grande papel em meio a isso tudo, já que a todo momento da produção é possível ver os familiares presentes nos bastidores, seja dando ideias ou até mesmo compartilhando grandes e chamativos momentos nos shows.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inclusão de imagens e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=91ryrdpa_UU&amp;pp=ygUlcmVuYWlzc2FuY2UgZmlsbSBiZXlvbmPDqSB3aXRoIGZhbWlseQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">momentos compartilhados</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu marido, Jay-Z, e filhos, Blue Ivy, Rumi e Sir, adicionam uma dimensão muito humana e tocante à experiência cinematográfica. Ao mostrar esses momentos de conexão e afeto, Bey revela não apenas sua faceta como um grande ícone global, mas também o seu lado mãe e parceira. A dinâmica familiar retratada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance: A Film by Beyoncé</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite uma mensagem poderosa sobre a importância do apoio e da união na jornada pessoal e profissional, contribuindo para a autenticidade e a profundidade emocional da obra.</span></p>
<figure id="attachment_32900" aria-describedby="caption-attachment-32900" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32900" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-16.png" alt="Cena do filme Renaissance: a film by Beyoncé. Na imagem vemos Beyoncé montada em cima de um cavalo feito de metal todo prateado que está sendo erguido por fios de aço. Beyoncé, uma mulher negra com cabelos loiros, usa um vestido prateado com uma imensa cauda, nos pés ela usa botas também prateadas que chegam à altura de seus joelhos. A cantora está segurando um microfone com sua mão direita enquanto canta uma canção. Ao fundo, é possível ver luzes brilhantes e parte dos assentos do estádio." width="1200" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-16.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-16-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-16-1024x555.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-16-768x416.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32900" class="wp-caption-text">O filme contou com uma premiére exclusiva em três países, Estados Unidos, Inglaterra e Brasil (Foto: Kevin Manzur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de criar um filme direto e que fosse apenas focado em mostrar um show qualquer da </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance World Tour, </span></i><span style="font-weight: 400;">Beyoncé se preocupou em mostrar como o espetáculo foi feito e como </span><a href="https://www.empireonline.com/movies/reviews/renaissance-a-film-by-beyonce/"><span style="font-weight: 400;">cada pequeno detalhe importa</span></a><span style="font-weight: 400;">. A exploração de temas como identidade, empoderamento e autenticidade adicionam camadas de complexidade à obra, elevando-a para além de um simples registro de performances. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das características mais marcantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sua abordagem inovadora à narrativa visual. Beyoncé não mentiu quando disse a famosa frase “</span><a href="https://randomjpop.blogspot.com/2023/10/news-beyonce-renaissance-a-film-by-beyonce-releasing-in-theatres.html"><i><span style="font-weight: 400;">You are the visual baby</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">!</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">já que seus fãs realmente se fazem muito presentes em diversas cenas do documentário. O apelo visual é verdadeiramente deslumbrante. Cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> é arrebatador e concebido para ser transmitido de maneira tão sentimental e majestosa que está claro que a cantora criou um santuário de liberdade e alegria para os membros da </span><i><span style="font-weight: 400;">BeyHive</span></i> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> sua comunidade de fãs. As filmagens dos bastidores e do material de entrevista expõem seu processo de produção e convidam o espectador a mergulhar profundamente na mente e na alma da artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário não é somente uma obra visual: a trilha sonora é também uma experiência transcendental. Bey preocupou-se em expandir sua expressão artística em uma mistura vibrante de ritmos, juntamente com letras poderosas que revelam a profundidade e dão significado à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xtojvD7oLcI"><span style="font-weight: 400;">história do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> homônimo, o que contribui para a criação de uma experiência sensorial completa. Assim como numa sinfonia, cada música completa perfeitamente a estética visual do longa e mantém a autenticidade da produção.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RENAISSANCE: A FILM BY BEYONCÉ | Worldwide Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ByV3XWl8zWU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">É palpável dizer que Beyoncé está vivendo o auge de sua carreira. É possível notar isso em diversas cenas do longa, sendo ela mesma natural e mostrando um pouco de sua originalidade e de </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2023/12/02/no-filme-da-turne-renaissance-beyonce-revela-um-vislumbre-de-sua-vida-pessoal/?outputType=amp"><span style="font-weight: 400;">jornada pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela conecta elementos tão complexos da própria vida e personalidade que nos fazem lembrar sempre do nosso poder de moldar nosso próprio destino e narrativa. A cantora prova por A + B que toda a sua espera vale a pena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao desafiar todas as normas estabelecidas e abraçar a sua verdadeira voz, </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance: A Film by Beyoncé</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvida, uma celebração de sua extraordinária carreira. É impossível não pensar em como a famosa </span><i><span style="font-weight: 400;">Queen B</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderá superar a si mesma depois desse trabalho. O triunfo do documentário eleva todos os padrões do que é possível ser feito na arte e na expressão criativa e prova mais uma vez que a cantora é uma das </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/ambicao-de-beyonce-a-faz-a-maior-de-nosso-tempo-e-conecta-geracoes/#:~:text=Por%20essas%20e%20outras%2C%20Beyonc%C3%A9,acumula%2032%20gramofones%20em%20casa."><span style="font-weight: 400;">artistas mais influentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua geração.</span></p>
<figure id="attachment_32902" aria-describedby="caption-attachment-32902" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-6.jpg" alt="Cena do filme Renaissance: a film by Beyoncé. Na imagem vemos a cantora Beyoncé performar com maestria. Beyoncé, mulher negra de cabelos loiros, veste um vestido de manga longa decotado na cor amarelo-mostarda com preto, em sua cabeça ela usa chapéu prateado que tem reflexo de suas ações. Em sua mão esquerda, a artista segura um microfone prata." width="738" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-32902" class="wp-caption-text">O documentário da turnê tem duração de 3 horas (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance: A Film by Beyoncé</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma obra cinematográfica envolvente e magnética é a forma como não somente trata Beyoncé como a estrela da produção, mas como a artista também preza pela dedicação e preocupação com os </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/filme-de-beyonce-com-os-bastidores-de-sua-turne-estreia-no-brasil/?amp"><span style="font-weight: 400;">bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e controle criativo da turnê. O filme por si só busca transcender as fronteiras do convencional e convida o espectador a uma experiência visual e emocional muito intimista, sendo considerado como uma conquista monumental no mundo do Cinema e da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Renaissance: A Film by Beyoncé (SETLIST)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/4ty3JGvei2MjdD1MqMdPrB?si=0655d0e2331d4d86&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier “Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”  &#8211; I Will Survive (Gloria Gaynor) O ser humano pode não nascer programado para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
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		<title>A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Apr 2023 18:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário pop nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre singles que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/renaissance-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30688" aria-describedby="caption-attachment-30688" style="width: 1839px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg" alt="Na imagem, vemos Beyoncé, uma mulher negra, adulta, ao centro, vestindo uma roupa prateada com brilhantes, um chapéu branco e sapatos de salto. Ela está com a postura ereta e observa a câmera que a fotografa. Seu rosto possui uma maquiagem na qual o destaque está para seus lábios, com um batom escuro. Ela está sentada sobre um cavalo prateado que reluz e, ao fundo, tem um grande quadro." width="1839" height="1463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg 1839w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-800x636.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1024x815.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-768x611.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1536x1222.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1200x955.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30688" class="wp-caption-text">Em seu sétimo álbum, Beyoncé confirma a superstição popular: sete é realmente o número da perfeição (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/as-10-melhores-musicas-de-beyonce-segundo-a-rolling-stone/"><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo globo. Seu trabalho artístico, que começou com o grupo </span><a href="https://frequenciamodulada.blogosfera.uol.com.br/2018/10/02/retrato-destinys-child-20-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">Destiny’s Child</span></a><span style="font-weight: 400;"> e progrediu para uma carreira solo no início dos anos 2000, evoluiu a cada novo lançamento, criando a expectativa da mídia e dos fãs ao redor de todo novo passo da vocalista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beyoncé alcança o seu próprio renascimento, provando como uma artista que vivenciou todas as mudanças da indústria fonográfica nos últimos 30 anos consegue se manter </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">relevante</span></a><span style="font-weight: 400;">, atual e soar ainda mais potente em suas criações.</span></p>
<p><span id="more-30687"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Beyoncé Giselle Knowles-Carter, amplamente conhecida apenas pelo seu primeiro nome, já era vencedora do </span><a href="https://www.grammy.com/artists/destinys-child/13008"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">quando lançou seu primeiro disco solo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dangerously in Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003), e, dentro dele, uma de suas faixas mais memoráveis: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ViwtNLUqkMY&amp;list=OLAK5uy_m_LNFtvBtGHB5lSFMXGoacbZ2Bl20tUWg"><i><span style="font-weight: 400;">Crazy in Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A canção, feita em parceria com seu esposo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Jay-Z, ficou oito semanas no topo das paradas norte-americanas e rendeu outros dois gramofones à cantora. Porém, seus feitos na indústria musical são muitos e ultrapassam o topo dos </span><a href="https://uproxx.com/music/beyonce-billboard-hot-100-no-1-hits/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com a versatilidade de suas canções que vão do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, a inovação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4m1EFMoRFvY"><span style="font-weight: 400;">clipes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WDZJPJV__bQ"><span style="font-weight: 400;">posicionamento político</span></a><span style="font-weight: 400;">, a propagação de toda uma cultura e a revolução na forma de lançar e consumir Música que se iniciou com o lançamento de sua </span><a href="https://medium.com/converg%C3%AAncia-digital/os-impactos-do-%C3%A1lbum-beyonc%C3%A9-na-ind%C3%BAstria-fonogr%C3%A1fica-e-sua-influ%C3%AAncia-para-m%C3%BAsica-na-era-digital-ad6e27a87fc"><span style="font-weight: 400;">obra homônima</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seis anos depois de seu último álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela retorna com um projeto novo, “</span><a href="https://www.papelpop.com/2022/07/beyonce-confirma-renaissance-como-trilogia-e-diz-foi-uma-jornada-linda-de-exploracao/"><i><span style="font-weight: 400;">uma jornada linda de exploração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” visual, lírica e sonora. </span></p>
<figure id="attachment_30689" aria-describedby="caption-attachment-30689" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg" alt="Nessa imagem, temos Beyoncé sentada no chão, com as pernas esticadas (lateralmente) e o seu braço apoiando o torço. Ela veste um body preto, com um decote e mangas longas, cobertas por um tipo de &quot;pelinho&quot;. Em sua cabeça há um chapéu preto cujas abas se encontram acima do topo da cabeça, em seus pés estão sapatos de salto preto. Ela usa uma maquiagem que tem tons de rosa, roxo e verde, inspirada na cantora Donna Summer." width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30689" class="wp-caption-text">Um compositor é pouco, dois é bom, 24 é melhor ainda: ALIEN SUPERSTAR demonstrou que não se faz história sozinho (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lavando-se de seus pecados e transicionando sem medo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">I’M THAT GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;"> ostenta que não são os diamantes, nem as pérolas, nem o nome de seu esposo, Queen Bey é a melhor no que faz e quer transpor esse orgulho para quem a escuta. Nesse momento de abertura do disco, é interessante notar como a estruturação da obra passa por tríades, a combinação perfeita para contar, em partes, uma narrativa. O primeiro agrupamento ainda conta com uma linha de baixo marcante e agitada em </span><i><span style="font-weight: 400;">COZY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo um manifesto de como ela se sente confortável em sua própria pele. Ao interpolar trechos do vídeo de Ts Madison, “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l6gJ6Uxi6es"><i><span style="font-weight: 400;">B**ch I’m Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, Beyoncé reivindica e afirma sua identidade como uma mulher negra, discurso que permeia a obra como um todo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra muito maior do que qualquer expectativa com </span><i><span style="font-weight: 400;">ALIEN SUPERSTAR</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma experiência auditiva que guia o ouvinte por diferentes atmosferas em um espaço temporal curto, mas libertador. A canção que se inicia com trechos de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rb4-oOKIZQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Moonraker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, sucesso nas noites de 1998 de Nova Iorque, utiliza com originalidade o conceito de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PKsHcX27Vio"><i><span style="font-weight: 400;">Unique</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” ao afirmar que ela é a número um e deságua em um refrão que interpola “</span><a href="http://youtube.com/watch?v=P5mtclwloEQ"><i><span style="font-weight: 400;">I’m too sexy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Right Said Fred, resgatando seu conteúdo para a negritude e caráter </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">dance music</span></i><span style="font-weight: 400;">. A presença do </span><a href="https://www.vogue.pt/voguing-historia-danca#:~:text=O%20voguing%20era%20uma%20forma,maquilhar%20ou%20arranjar%20o%20cabelo."><i><span style="font-weight: 400;">voguing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase palpável a cada batida marcada. </span></p>
<figure id="attachment_30690" aria-describedby="caption-attachment-30690" style="width: 1846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg" alt="Na imagem Beyoncé está em foco central. Ela está com o cabelo preso, as mãos estão colocadas próximas a cabeça em um gesto que simula uma coroa. Seu rosto é coberto por uma maquiagem esfumaçada preta nos olhos e um batom dourado na boca. Sua roupa é completamente dourada e os adereços que a compões também. Sua vestimenta é uma referência a símbolos da cultura Ballroom norte americana." width="1846" height="1145" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg 1846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-800x496.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1024x635.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-768x476.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1536x953.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1200x744.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30690" class="wp-caption-text">O passeio entre as tríades do álbum é como uma montanha-russa: às vezes dançante, outras reflexivo, mas sempre marcante (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra tríade do disco que merece atenção é enérgica e capaz de colocar o ouvinte no ritmo marcante dos baixos e sintetizadores. Com um trabalho vocal fenomenal que se expande em várias faixas de gravação, </span><i><span style="font-weight: 400;">CUFF IT </span></i><span style="font-weight: 400;">aparece desinibida e simpática. A presença sensual e marcante da voz, trabalhada em diferentes nuances, torna esta uma das, se não, a canção de maior sucesso no álbum. Suas batidas finais nos guiam a </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a familiaridade com o refrão não é por acaso. A utilização do </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6AwXKJoKJz4"><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, da cantora Kelis, pode ser mais fácil de ser reconhecida, mas a interpolação com</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://youtu.be/0L5OeCaZDdI"><i><span style="font-weight: 400;">Oh La La La</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Teena Marie, e a finalização com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pa5IV_3fVfk"><i><span style="font-weight: 400;">“Explode”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Big Freedia, tornam a transição para </span><i><span style="font-weight: 400;">BREAK MY SOUL</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma experiência explosiva. Com as batidas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ps2Jc28tQrw"><i><span style="font-weight: 400;">“Show Me Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, esse é o ápice do bloco, uma celebração ao </span><i><span style="font-weight: 400;">house music</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 90 e à vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio as composições de </span><i><span style="font-weight: 400;">HEATED </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">THIQUE</span></i><span style="font-weight: 400;">, o destaque aqui é direcionado a faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">MOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">. Beyoncé nos apresenta um encontro interessante: ela mesma como representante do presente, </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/07/muitas-faces-de-grace-jones.html"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, ícone da cultura negra e </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado e a jovem </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/musica/tems-nigeriana-beyonce-pantera-negra/"><span style="font-weight: 400;">Tems</span></a><span style="font-weight: 400;">, como uma promessa desse legado para o futuro. Com batidas bem marcadas, a composição das rimas dita seu próprio ritmo a quem escuta, transitando entre três vozes e deixando ao espectador o papel de alguém presente em uma roda urbana, ouvindo essa apresentação. Ao citar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=khin2DnRknw"><i><span style="font-weight: 400;">Bruk Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jones escancara as referências da cultura jamaicana e integra o propósito de resgate histórico, dando nome a mais uma fonte de inspiração.</span></p>
<figure id="attachment_30691" aria-describedby="caption-attachment-30691" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30691 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png" alt="Nessa foto, Beyoncé aparece vestindo um adereço corporal que cobre apenas suas partes íntimas, fazendo curvas que seguem o formato de seu corpo. Esse adereço é inteiramente prateado e possui detalhes em formas geométricas. Ela usa uma maquiagem carregada, sendo uma sombra roxa com contorno preto em seus olhos, além de um batom rosa em seus lábios. Suas mãos estão acima de sua cabeça, compondo sua pose. Atrás dela, está a figura do cavalo prateado." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30691" class="wp-caption-text">Mesmo com os deslizes em sua produção, em 16 faixas o ato I de sua nova trilogia reafirma que não era pura sorte os inúmeros acertos anteriores: Beyoncé sabe o que faz (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos blocos que mais criou divisões nos sentimentos de quem escuta, Bey expõe um lado mais sentimental e menos agitado, como se ela afirmasse que o momento agora é apenas escutar o lado dela e sentir. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CHURCH GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora se liberta das amarras de sua culpa cristã e afirma como ninguém, além dela, pode a julgar. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">PLASTIC OFF THE SOFA</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> leve e gostoso de ouvir, ela se declara ao homem com o qual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kbMqWXnpXcA"><span style="font-weight: 400;">divide a vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelando que toda especulação envolvendo “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QxsmWxxouIM"><i><span style="font-weight: 400;">Becky with a good hair</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” já foi superada por ela. Na maior faixa do álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">VIRGO’S GROOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">disco-funk </span></i><span style="font-weight: 400;">cria uma atmosfera de romance a partir de texturas, nuances e batidas que a tornam única. Eleita a </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/beyonce-virgos-groove/"><span style="font-weight: 400;">melhor canção do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela crítica especializada, seu fluxo continua agradável e dançante por incríveis seis minutos, não caindo na mesmice ao seguir em improvisos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando a sequência de trios e apostando em duas peças únicas, o disco introduz </span><i><span style="font-weight: 400;">ALL UP IN YOUR MIND</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se caracteriza como uma faixa experimental. Com a participação de A. G. Cook, a expectativa em descobrir qual gênero musical a cantora mergulharia aumentou, e o resultado foi uma canção com raízes no passado em suas batidas e uma experimentação que mira o futuro. Com a irreverente </span><i><span style="font-weight: 400;">AMERICA HAS A PROBLEM</span></i><span style="font-weight: 400;">, é notável o transporte para as décadas de 80 e 90, que remonta aos brasileiros batidas do tradicional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nny8m4jwueA"><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">. É automático querer a resposta para problema americano apontado pela letra, especialmente, considerando lançamentos anteriores de cunho político, mas a surpresa é encontrar um motivo ímpar em seus versos: uma música auto-referencial, com uma batida contagiante que reafirma a grandiosidade de quem a interpreta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">PURE/HONEY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua referência à </span><a href="https://houseofraabe.alboompro.com/post/46681-culturaballroom"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fica ainda mais exposta com a junção de três </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua construção: </span><a href="https://youtu.be/tW8curhicTQ"><i><span style="font-weight: 400;">“Feels Like”</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://youtu.be/opLpiGv04wE"><i><span style="font-weight: 400;">“Cunty”</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://youtu.be/ECyslqRHQNE"><i><span style="font-weight: 400;">“Miss Honey”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A inclusão de pessoas da cena que formaram o escopo de quem a artista é hoje pode ser percebida em diferentes trechos de praticamente todas as músicas, mas o maior fica para o final. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">SUMMER RENAISSANCE</span></i><span style="font-weight: 400;">, a presença de Donna Summer é palpável com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nm-ISatLDG0"><i><span style="font-weight: 400;">“I Feel Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não diluída em outras batidas, reverenciando a grandeza desse clássico. O encerramento do disco, no entanto, não é o seu fim: </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce como um </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/beyonce-renaissance-trilogia#:~:text=Maior%20nome%20da%20m%C3%BAsica%20pop,isolamento%20causado%20pela%20COVID%2D19."><span style="font-weight: 400;">primeiro ato de três</span></a><span style="font-weight: 400;"> planejados nesse novo projeto da cantora. Sua estreia estrondosa não poderia ser ignorada: alcançando um bilhão de </span><a href="https://updatecharts.com.br/2022/11/10/renaissance-de-beyonce-ultrapassa-1-bilhao-de-streams-no-spotify/"><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">no Spotify</span></a><span style="font-weight: 400;"> e primeiro lugar em 100 países no </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia de seu lançamento, o álbum rendeu a intérprete mais nove indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30692" aria-describedby="caption-attachment-30692" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg" alt="Na imagem, Beyoncé está com os cabelos, que são castanhos com luzes loiras, soltos. Ela sorri enquanto segura um gramofone e faz seu discurso de aceitação do prêmio. Seu rosto possui uma maquiagem leve e ela utiliza um vestido tomara que caia nas cores prata e bege, e em suas mãos está uma luva preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30692" class="wp-caption-text">Renascendo e sendo continuamente aclamada pela crítica e pela multidão de fãs, Beyoncé segue sem o aguardado Álbum do Ano do Grammy (Foto: Kevin Winter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tornando-se a mulher mais premiada dentre todas as edições com 32 gramofones, Beyoncé não alcançou o patamar desejado aos requisitos da premiação, o que ressoa como uma afirmação de que, para a Academia de Gravação estadunidense, ela é boa, mas não o suficiente para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">Álbum do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa, no entanto, não foi a primeira vez que isso aconteceu com a cantora, que já perdeu a categoria anteriormente com os álbuns </span><i><span style="font-weight: 400;">I Am… Sasha Fierce </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008), </span><i><span style="font-weight: 400;">Beyoncé </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lemonade-amor-confianca-empoderamento/"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017). Em uma análise até mesmo rápida, é possível notar algo em comum entre todos os ganhadores, que diz além da qualidade de suas </span><a href="https://personaunesp.com.br/25-adele-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transcende a própria Bey. Em uma indústria racista, para chegar ao ato de </span><a href="https://www.insider.com/black-grammys-winners-album-of-the-year#1999-lauryn-hill-7"><span style="font-weight: 400;">Lauryn Hill</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1999, torna-se necessário ser três vezes (ou mais) melhor em tudo, mesmo 24 anos depois. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Contudo, por mais apurada e cuidadosa que possa ter sido sua seleção, Beyoncé não estava ilesa aos erros. Durante o ato de lançamento, a quinta faixa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficou entre os assuntos mais comentados não apenas pela sua qualidade, como também pelos comentários da cantora da gravação original que foi interpolada na música. Após o pronunciamento público de Kelis (e aqui vale dizer que Beyoncé havia comprado os direitos da música com seus produtores, logo não constava nenhum problema legal em seu uso), uma reviravolta interessante aconteceu. 20 anos depois do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela finalmente foi creditada como compositora, fortalecendo, mesmo que indiretamente, o exercício de </span><a href="https://personaunesp.com.br/black-is-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">resgate histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do trabalho como um todo.</span><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><span style="font-weight: 400;">Outra questão de aguardo e dúvidas gira em torno dos visuais desse novo trabalho. Após lançar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=09z3qcegpHU"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> intitulado como teaser oficial, oferecendo um gostinho aos fãs do que poderia estar por vir, e um segundo trailer repleto de diferentes figurinos e cenários, estimulando o pensamento de muitas adições a sua videografia, Bey pareceu esquecer de lançá-los. Ao se tornar referência e reestruturar a indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> como algo que se apoia no pilar de videoclipes bem planejados e que caminham lado a lado do resultado sonoro, a expectativa de ter algo para se deslumbrar visualmente foi colocada lá para cima. E, talvez comprovando que nem tudo é como se espera, os fãs continuam aguardando, há meses, por um produto que nem sabem se existirá mesmo.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_30693" aria-describedby="caption-attachment-30693" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png" alt="Na foto, Beyoncé segura um copo na mão direita que está levantada. Ela está sentada ereta, com as pernas cruzadas. Seu cabelo está preso em um volumoso coque, de onde caem fios que aparecem como uma franja. Ela usa um vestido preto com detalhes prata. O fundo é composto por espelhos e uma parede (ou encosto de banco) feita com madeira." width="1400" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-800x514.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1024x658.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-768x494.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1200x771.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30693" class="wp-caption-text">Como uma historiadora, Beyoncé guia os ouvintes de 2023 em uma viagem temporal (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente de sua performance em premiações, o trabalho de resgate histórico e reconhecimento realizado no disco é seu maior triunfo: utilizando sua visibilidade, Beyoncé aponta e certifica a influência de quem a precedeu. O uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">para a construção da identidade sonora do álbum (e a </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/beyonce-removes-kelis-milkshake-energy-1390926/"><span style="font-weight: 400;">devida creditação</span></a><span style="font-weight: 400;">) utiliza da nostalgia de batidas já conhecidas do público para criação de algo novo, que é aceito sem muitas dificuldades pelo sentimento de familiaridade. A referência a cultura </span><a href="https://www.boniclub.com.br/bonita_de_pele_posts/por-tras-da-beleza-de-beyonce-em-renaissance/"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom </span></i></a><span style="font-weight: 400;">em suas fotos promocionais, utilizando de sua vestimenta e maquiagem inspiradas em ícones como Crystal LaBeija e Moi Renee, é uma esforço consciente de trazer o enfoque a quem fundou algo muito maior. É reconhecer e engrandecer diversos nomes da cultura negra e LGBTQIA+ que foram apagados, esquecidos e marginalizados por tanto tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b2xLsCo8zmQ&amp;list=PLzrMYyHmLhGA9MJNeIMOPrciPVTbnk48M"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista demonstra, mais uma vez, seu talento e genialidade, proporcionando um passeio de quase uma hora de duração por diferentes gêneros e estilos, e ilustrando a engenhosidade ao encadear as músicas. A celebração proposta no álbum vai muito além da exaltação ao passado: Beyoncé convida o ouvinte a celebrar quem ele é, a se divertir em uma dança, a reconhecer suas raízes e sua importância no mundo que o permeia. Em um trabalho detalhista, o álbum comprova que muitas mãos, em sintonia e unidas em um propósito, podem construir trabalhos enormes, que vão além de uma experiência sonora. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: RENAISSANCE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6FJxoadUE4JNVwWHghBwnb?si=P-L0U8ASQ5uhPjnX0ZAkDA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há 5 anos, Linn da Quebrada cristalizou o Pajubá</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 14:26:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Não adianta pedir, que eu não vou te chupar escondida no banheiro”. É com este primeiro verso, na faixa (+ Muito) Talento, que Linn da Quebrada abre as cortinas de Pajubá, instituindo desde o princípio o tema central que perdura por todo o projeto: ela não será mais escusa. Rejeitando um posicionamento conciliador &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pajuba-5-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Linn da Quebrada cristalizou o Pajubá"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29343" aria-describedby="caption-attachment-29343" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1.jpg" alt="Capa do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Imagem quadrada e colorida. Em foco, está uma travesti negra, usando um vestido branco florido e chinelos brancos nos pés. A câmera a capta somente do pescoço para baixo, de forma que seu rosto não esteja à mostra. Ela se apoia em uma mesa branca, enquanto passa uma peruca de cabelos escuros e lisos com um ferro de passar. O cenário é uma casa humilde, com chão e portas de madeira." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29343" class="wp-caption-text">Aniversariante do mês de outubro, Pajubá é o primeiro álbum de estúdio da cantora, rapper, atriz e agitadora cultural Linn da Quebrada (Foto: Linn da Quebrada)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Não adianta pedir, que eu não vou te chupar escondida no banheiro</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com este primeiro verso, na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jZ19E9OJ6n8&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/linn-da-quebrada/"><span style="font-weight: 400;">Linn da Quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> abre as cortinas de </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/resenha-pajuba-linn-da-quebrada/"><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, instituindo desde o princípio o tema central que perdura por todo o projeto: ela não será mais escusa. Rejeitando um posicionamento conciliador e desafiando o conservadorismo, é declarado que, não interessa o incômodo e constrangimento que lhe cause, a sociedade será obrigada a enxergá-la. Lançado em 6 de outubro de 2017, o primeiro álbum de estúdio da artista completa cinco anos em 2022 e, depois de fazer seu nome na Música, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/04/linn-da-quebrada-e-ariadna-do-bbb-11-se-encontram-pela-1a-vez-te-amo.shtml"><span style="font-weight: 400;">reivindicando espaços</span></a><span style="font-weight: 400;"> que corpos trans nunca ocuparam, se ressignifica no próprio tempo.</span></p>
<p><span id="more-29342"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, é uma releitura de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hkAHuRPGgNk&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Talento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> que a lançou na indústria em 2016 sob a alcunha de MC Linn da Quebrada, quando colocava-se mais próxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional. Entretanto, a partir de 2017, a cantora se apresentou em uma estética totalmente nova. Através da direção musical de </span><a href="https://volumemorto.com.br/badsista-entrevista-gueto-elegance/"><span style="font-weight: 400;">BADSISTA</span></a><span style="font-weight: 400;">, que repetiu a função em </span><a href="https://open.spotify.com/album/7MpgDfdAVvQjQ2pZ9NYvh6?si=P3rCcGeQTqycfNAEmOyQwA"><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apropriou da cultura de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e imputou a ela uma identidade típica da vivência brasileira, unindo o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma musicalidade crua e poluída, muito inspirada nas experimentações do trabalho de </span><a href="https://personaunesp.com.br/kick-ii-critica/"><span style="font-weight: 400;">Arca</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29344" aria-describedby="caption-attachment-29344" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Fotografia retangular e colorida. Em foco, vemos duas pessoas. Linn da Quebrada, uma travesti negra, com cabelos crespos escuros e longos, vestindo um top verde-musgo e unhas pintadas de vermelho. Ela segura um copo vermelho e joga seus cabelos para o lado, enquanto olha para Jup do Bairro, uma travesti negra, vestindo uma peruca verde de cabelos curtos e lisos, com uma coroa de plástico e óculos escuros apoiados sobre a cabeça. No corpo, ela usa uma camisa preta e uma jaqueta escura com alguns adereços. Ela olha para frente e tem a boca aberta, como se dissesse algo. O cenário, em desfoque, é uma floresta durante o dia." width="2000" height="1335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29344" class="wp-caption-text"><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/">Jup do Bairro</a>, que fazia shows com Lina antes de lançar carreira solo, é uma personagem ativa em Pajubá e participa em grande parte das faixas (Foto: Nu Abe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A qualidade de composição e produção do disco já apontava para um orçamento maior em relação a suas empreitadas anteriores. Isso só foi possível, porém, através da promoção de um </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/galeria/linn-da-quebrada-lanca-financiamento-coletivo-para-producao-de-seu-primeiro-disco"><span style="font-weight: 400;">financiamento coletivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por garantir a verba necessária para a concretização do projeto. Construindo sua obra a partir de um ato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=971P0E2FaI8"><span style="font-weight: 400;">pura subversão</span></a><span style="font-weight: 400;">, Linn aproxima-se intimamente de sua audiência e ressalta o caráter coletivo de sua obra. Não é por acaso, afinal, que tenha sido nomeada como “</span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2018/11/enem-2018-conheca-a-origem-do-pajuba-dialeto-de-gays-e-travestis-citado-no-exame-cjo4maix90ben01pih135nzhn.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, nome do dialeto popular construído coletivamente por comunidades </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/queer/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> que combina palavras do léxico português informal e de línguas africanas, frisando também suas raízes negras – da artista e da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título também acentua outro dos elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://midianinja.org/bernardogonzales/linn-da-quebrada-pronomes-e-artigos/"><span style="font-weight: 400;">a linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=skGyFowTzew&amp;t=919s"><span style="font-weight: 400;">pixo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que se comunique por códigos que apenas os pichadores conseguem decifrar, faz questão de ser visto e ocupar o patrimônio público, Linn da Quebrada se converge ao pajubá e o utiliza como ferramenta de choque. Mesmo compondo canções de enfrentamento endereçadas diretamente aos seus opressores, a artista não abandona seu dialeto e, ao invés disso, o sublinha a fim de intensificar o senso de agressividade das faixas – ao passo que endossa que, no fim do dia, este é um trabalho produzido por e para a comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo claro disso é a própria abertura do álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes um </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ardente feito especialmente para as pistas, a faixa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> é transformada em um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2812200611.htm"><i><span style="font-weight: 400;">spoken word</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – quando a letra é falada em vez de cantada. Os versos tornam-se ainda mais incisivos quando recitados por Lina, em uma performance teatral e resoluta, que anuncia a qualquer ouvinte que ouse enfrentá-la:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">ser bicha não é só dar o cu, é também poder resistir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A intro ainda finaliza com um trecho instrumental que sintetiza toda a direção musical do disco, moldando o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">voguebeat</span></i><span style="font-weight: 400;"> a uma produção industrialmente apocalíptica, cheia de </span><i><span style="font-weight: 400;">noize</span></i><span style="font-weight: 400;"> e bumbos estourados. Aqui, declara-se sentenciada a hegemonia branca e cisheteronormativa.</span></p>
<figure id="attachment_29345" aria-describedby="caption-attachment-29345" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Foto retangular e colorida. Linn, uma travesti negra, com cabelos crespos escuros e longos, vestindo um sobretudo bege e um top verde-musgo, olha para frente, contemplativa. O cenário são as paredes de uma casa abandonada, decomposta pelo tempo." width="2000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29345" class="wp-caption-text">Linn da Quebrada brinca e muito com a língua: Pajubá não só é cheio de neologismos – de Necomancia à Enviadescer – como também foi pioneiro no uso do <a href="https://genius.com/Linn-da-quebrada-enviadescer-lyrics">pronome neutro</a> como conhecemos hoje (Foto: Nu Abe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que se consolidou na música, Linn da Quebrada se tornou conhecida por sua abordagem poética e figurativa. Famosa por </span><a href="https://open.spotify.com/track/2OuCkfX39Geg49wLwjsQ9z?si=c603f299ee0940d0"><span style="font-weight: 400;">versos como</span></a><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entre a oração e a ereção, ora são, ora não são</span></i><span style="font-weight: 400;">”, não é incomum observar a artista passear com suas rimas pelos instrumentais como se preenchesse os papéis de uma poesia concreta. Essa conduta aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6KUD5CJrgVE"><i><span style="font-weight: 400;">Serei A</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: uma quebra mansa em meio ao caos que, acompanhada à voz de Liniker e leves batuques, relaciona a lenda da sereia com seu anseio em desejar-se e ser desejada como um corpo travesti. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, essa é uma exceção em um projeto que se fortifica na incisão. Ao contrário, não há espaço algum para digestão e assimilação, muito menos </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/rock-in-rio/2019/noticia/2019/09/06/nao-dou-espaco-para-que-tenham-outras-leituras-da-minha-musica-diz-linn-da-quebrada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">abertura para interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lina dá corpo e terreno ao explícito, fazendo do álbum literal em seu fundamento. O disco se faz arma, investindo em versos cortantes e em uma linguagem indecorosamente obscena, de maneira a dar voz à ira e revolta que irremediavelmente permeiam a existência da artista. Antes invisibilizada, ela aguça os aspectos mais desconfortáveis de sua arte – lírica e musicalmente –, de tal forma que seja impossível ignorá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse detalhe, em específico, deu abertura para outros dilemas na posteridade. Linn da Quebrada ultrapassou a marginalidade: seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ixwKJjB_jUo"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=re0ZRpQbhdI&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Bixa Travesty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreou no </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1551677576564850688?t=5ozSJyNzs_QZZII0ntfuzA&amp;s=19"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e recebeu mais de 30 prêmios internacionalmente; sua música furou a bolha, atingiu rádios e </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, então, ocupou o horário nobre das televisões de todo o Brasil com sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i0_Q24oJBjk"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-brother-brasil-21-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Brother Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022. Entre os últimos cinco anos, Lina cristalizou por definitivo seu lugar na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29346" aria-describedby="caption-attachment-29346" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4.jpg" alt="Cena do documentário Bixa Travesty, dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla. Imagem retangular e colorida. Nela, Linn da Quebrada, uma travesti negra, se apresenta de perfil, do ombro para cima. No lado à mostra, seu couro cabeludo está completamente à mostra, enquanto o outro ainda é preenchido por seus cabelos crespos e escuros. Ela olha para sua mão esquerda, levantada na altura de seus olhos, que segura um tufo de seus cabelos escuros. Linn está nua e o cenário é um banheiro." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29346" class="wp-caption-text">Dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla, o documentário Bixa Travesty detalha a luta de Lina contra o câncer em 2014, antes de se lançar na indústria (Foto: Válvula Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse meio tempo, surgiu </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/linn-da-quebrada-trava-linguas/"><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O sucessor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2021, nasceu em um momento em que Linn da Quebrada não precisava mais se preocupar em atrair os holofotes para si. Já estavam todos lá. Nesse contexto, portanto, ela opta por uma aproximação considerada mais limpa e menos desafiadora. Como a paronímia do título sugere, o foco da cantora se apresenta na brincadeira com as palavras, sacrificando, assim, composições mais diretas e afiadas. Isso trouxe, inclusive de fãs, questionamentos sobre a razão dessa posição, como se o projeto fosse um esforço em adequar-se à lógica e estética dominante. Linn da Quebrada responde essa questão </span><a href="https://volumemorto.com.br/entrevista-linn-da-quebrada-trava-linguas/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao blog </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume Morto</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu procurei jogar muito com a contradição nesse álbum. A contradição me interessa. A contradição das coisas que eu estava trazendo no álbum, envolta numa sonoridade que estrategicamente procura aproximar quem ouve, para que com essa aproximação eu fizesse com que as pessoas me escutassem e, então, se perguntassem e percebessem o que é isso que elas estão ouvindo. Porque eu percebo uma certa aversão da maioria das pessoas, que quando ouve o palavrão já se recusa a ouvir o resto das músicas e entrar em contato com a obra”.</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto uma artista que trava batalhas através da língua, Linn nega rótulos e demonstra a volatilidade de sua arte. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte da necessidade de disputar espaços discursivos, ampliando seu alcance a partir de uma sonoridade mais convidativa, a visceralidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> justifica-se por seu ápice de urgência: trata-se de uma expressão da pura e simples reação. Um </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/linn-da-quebrada-e-acusada-de-contradicao-apos-detalhar-tatuagem-com-pronome-87412"><span style="font-weight: 400;">resultado contraditório</span></a><span style="font-weight: 400;">? Talvez. Mas a artista incorpora sua persona complexa e assume que esses paradoxos são peças fundamentais que formaram sua identidade e sua subjetividade emocional, dos amores aos ódios.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Linn da Quebrada - Enviadescer (Áudio-Vídeo Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MFmZj4SyrrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Reduzir </span><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i><span style="font-weight: 400;"> a uma tentativa ‘higienizada’ de assimilação é um pecado tão ominoso quanto diminuir </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos sofrimentos e discriminações que Lina relata. </span><a href="https://personaunesp.com.br/leon-bridges-gold-diggers-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">Não somos nossas dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a potência do disco floresce não no preconceito, mas em uma ode à liberdade sexual e ao gozo. A cantora reúne </span><a href="https://midianinja.org/news/sou-ela-e-sei-que-ela-sou-escreve-liniker-para-linn-da-quebrada-apos-show-no-bbb/"><span style="font-weight: 400;">amigas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e grandes nomes da cultura LGBTQIA+ nacional para, portando as mesmas ferramentas que em certo momento usou no fronte, declarar coletivamente seu desejo e tesão aos quatro cantos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse exercício se manifesta em diferentes frentes. Junto a </span><a href="https://www.agazeta.com.br/entretenimento/cultura/entrevista-pepita-fala-de-militancia-preconceito-e-dignidade-lgbtq-1119"><span style="font-weight: 400;">Pepita</span></a><span style="font-weight: 400;">, Linn da Quebrada transforma o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">putaria’ em uma experiência lúdica em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NtUtgkkNtFg&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Dedo Nucué</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4W8jlyLK5LA&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Coytada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VD9jLPLlpR4&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Necomancia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-fevereiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Gloria Groove</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista opera sob o mesmo fundamento para fazer escárnio da branquitude, expondo sua faceta mais prepotente e patética. Quando Lina ratifica em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7kZ4Xh0mhik&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Pirigoza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sabe a minha identidade? Nada a ver com xota e pau</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela arranca as más-línguas da elite, castra seus falos e se apossa de sua identidade, exorcizando-a da norma binária e atribuindo a si seus próprios símbolos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 5 anos, pessoas trans não podiam se dar ao luxo de pedir permissão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> reclamou o controle das narrativas de gênero antes mesmo dessa ser uma alternativa e, assim, arrombou os portões. Se hoje a cantora tem capacidade de pautar debates sobre transgeneridade em plena rede nacional, foi porque um dia ela disputou esses territórios, materiais e linguísticos. E, sobretudo, se essa brecha mantém-se exposta e artistas </span><a href="https://tracklist.com.br/artistas-trans-travestis/127247"><span style="font-weight: 400;">continuam passando</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ela, foi porque, um dia, em uma reinterpretação do que é possivelmente a composição </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=saZywh0FuEY"><span style="font-weight: 400;">mais importante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, Linn da Quebrada levantou-se e gritou a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MFmZj4SyrrY&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><span style="font-weight: 400;">plenos pulmões</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porque antes era viado, agora eu sou travesti</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Pajubá" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5xyoM3kQr3FJSGk2CVP6du?si=90EBKuEgSWGib77MB_T1fg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Não há montanha alta o suficiente para a grandeza de Pose</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 23:19:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Live. Werk. Pose. Essas três palavras falam por si só. Sozinhas elas ganham vida, invadem os ouvidos na voz inesquecível de Pray Tell, se entranham no coração e acendem uma luz que ilumina e aquece cada parte do corpo, dos fios de cabelo aos dedões do pé. Nada mais é capaz de explicar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há montanha alta o suficiente para a grandeza de Pose"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22751" aria-describedby="caption-attachment-22751" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22751" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">O final de Pose foi dividido em duas partes e a Series Finale foi indicada em </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-writing-for-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-directing-for-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Direção em Drama</span></a> no Emmy 2021<span style="font-weight: 400;">, além de outras categorias técnicas da premiação</span><span style="font-weight: 400;"> (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><strong>Nathália Mendes</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Live</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Werk</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas três palavras falam por si só. Sozinhas elas ganham vida, invadem os ouvidos na </span><a href="http://youtube.com/watch?v=RbvOdwDisc8"><span style="font-weight: 400;">voz inesquecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Pray Tell, se entranham no coração e acendem uma luz que ilumina e aquece cada parte do corpo, dos fios de cabelo aos dedões do pé. Nada mais é capaz de explicar uma série como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, porque ela não foi feita para ser descrita, mas para ser sentida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coube à Blanca Evangelista (Mj Rodríguez) e sua família performar uma história real e sofrida de forma belíssima por 3 temporadas &#8211; uma década no tempo da trama. Até seu último episódio, a narrativa manteve o equilíbrio entre a tragédia da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ha-40-anos-primeiros-casos-de-aids-eram-relatados-nos-eua/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 90, e o relato mais puro e belo da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro dos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Nova York. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou a história da vida de pessoas que a sociedade não quer enxergar, de seus amores à suas dores, e por isso é tão forte e arrebatadora.</span></p>
<p><span id="more-22750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o seu final, cada personagem ganhou relevância e um desenvolvimento individual. Seus passados são contados para costurar um desfecho enfim, e merecidamente, feliz. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilustra a rede de apoio que a comunidade LGBTQIA+ possui uns nos outros, elucidando o valor da família Evangelista, que nasceu no </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e persiste com amor e luta. Sua temporada final fala, acima de tudo, sobre amor e pertencimento, mas não marca o fim e sim uma vírgula na história lendária da série, que concorre em </span><a href="https://www.emmys.com/shows/pose"><span style="font-weight: 400;">5 categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> principais e outras 5 técnicas na premiação mais importante da TV.</span></p>
<figure id="attachment_22752" aria-describedby="caption-attachment-22752" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2.jpg" alt="" width="1100" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-800x490.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-1024x627.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2-768x471.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22752" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Além de concorrer pela terceira temporada, Ryan Murphy emplacou o especial Pose: </span><span style="font-weight: 400;">Identity,</span><span style="font-weight: 400;"> Family, Community na categoria <a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-short-form-nonfiction-or-reality-series">Melhor Série Curta de Reality ou Não-Ficção no Emmy 2021</a> (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Angel (Indya Moore) e Papi (Angel Bismarck Curiel) noivos e de casa nova, e o filho favorito Damon fora de cena, &#8211; pois o ator Ryan Jamaal Swain, que o interpreta, </span><a href="https://www.thewrap.com/pose-season-3-where-damons-character-went-in-the-final-season/"><span style="font-weight: 400;">saiu da série</span></a><span style="font-weight: 400;"> após perder a irmã &#8211; a Mãe Blanca começa sua última temporada longe da família, mas não sozinha. A protagonista agora auxilia na ala hospitalar que cuida de pacientes com AIDS, isso após quase morrer pela doença no final da segunda temporada, enquanto mantém um namoro com  um dos médicos e começa sua caminhada rumo à se tornar enfermeira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O distanciamento da Casa Evangelista foi necessário para que todas as personagens caminhassem com as próprias pernas, e nessa batalha </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> percebessem o quão era necessário ter sua família por perto. Também foi a partir dessa premissa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez, como sempre, uma de suas artimanhas mais brilhantes: </span><a href="https://deadline.com/2019/08/pose-fx-steven-canals-billy-porter-mj-rodriguez-janet-mock-our-lady-j-tca-lgbtq-representation-inclusion-diversity-1202662766/"><span style="font-weight: 400;">pautar conversas necessárias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e delicadas, a partir da vida e dos acontecimentos de suas personagens. Nesse caminho, Pray Tell (Billy Porter) se afunda no alcoolismo com o avanço de seu quadro </span><a href="https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/qual-diferenca-entre-hiv-e-aids"><span style="font-weight: 400;">soropositivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a família se une para intervir. </span></p>
<p><figure id="attachment_22753" aria-describedby="caption-attachment-22753" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22753" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Indicado pela 3ª vez, Billy Porter submeteu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 o dramático episódio Take Me to Church, que leva seu personagem Pray Tell para a casa da mãe (Anna Maria Horsford) e das tias (Janet Hubert-Whitten e Jackée Harry), </span><a href="https://celebrity.land/pt/fxs-pose-lanca-lendas-da-tv-como-familia-do-pray-tell/"><span style="font-weight: 400;">lendas da TV</span></a><span style="font-weight: 400;"> [Foto: FX]</span></figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Pray descobre ter um câncer em decorrência da AIDS e vai para a casa de sua mãe e suas duas tias. É a primeira vez que o passado e a família biológica dele fazem parte do roteiro, e contam sua infância angustiante dentro da Igreja. Mesmo não tendo uma trama imprevisível, a atuação de Porter a torna vívida. O palco é inteiramente dele ao colocar os pés na igreja que cresceu após anos, e cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gzwf9fIu7Y8"><i><span style="font-weight: 400;">This Day</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Whitney Houston, sentindo a </span><a href="https://www.letras.mus.br/whitney-houston/209473/traducao.html"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vê um dia de vida como oportunidade de amar o próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há atuação aqui: cada pedaço do ator naquele momento vive Pray Tell com todas as forças. Desde que </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/general-news/billy-porter-hiv-positive-diagnosis-1234954742/"><span style="font-weight: 400;">revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> ter HIV, Billy Porter esteve ainda mais conectado com seu personagem. E é um prazer poder estar do outro lado assistindo. O ator já havia sido reconhecido por sua grandeza ao </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2019/outstanding-lead-actor-in-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">ganhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator em 2019, com a primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele foi o primeiro homem </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/pose-billy-porter-e-o-1a-gay-a-vencer-emmy-de-melhor-ator-em-serie-de-drama"><span style="font-weight: 400;">assumidamente gay</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ganhar a categoria e em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3NA7BpvnRMA"><span style="font-weight: 400;">seu discurso</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; um dos mais fortes que a premiação já viu &#8211; agradeceu poder estar ali, vivo, afirmando seu direito de também ocupar aquele palco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece óbvio que atrizes e atores sejam cotados para papéis que compartilhem de suas histórias, mas não para a Indústria que já colocou </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/02/estilo/1451748884_931165.html"><span style="font-weight: 400;">Eddie Redmayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> para viver </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/amp-stories/fizeram-historia-lili-elbe-/"><span style="font-weight: 400;">Lili Elbe</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; uma das pioneiras na luta trans &#8211; em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u2TpBtTzwf4"><i><span style="font-weight: 400;">A Garota Dinamarquesa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t8KeubYwNvE"><span style="font-weight: 400;">já dito</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Viola Davis quando ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2015: </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTGKwveLOxc/"><span style="font-weight: 400;">não há como ocupar papéis que não existem</span></a><span style="font-weight: 400;">; e agora que existem, devem ir para artistas correspondentes. Seja com o </span><a href="https://pipocamoderna.com.br/2018/07/pose-serie-com-maior-elenco-transexual-da-tv-e-renovada-para-a-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">maior elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas trans ou pautando a exclusão familiar de mulheres da comunidade, é </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem monta um </span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/pose-final-season-steven-canals-impact-legacy-representation-1234946630/"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre representatividade.</span></p>
<figure id="attachment_22754" aria-describedby="caption-attachment-22754" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22754" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Na terceira temporada, Dominique Jackson eleva Elektra Abundance para falar de família, amor próprio e representatividade, pontuando até a protagonização branca de séries como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sex and the City (Foto: FX)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diferencial para a última temporada foi mostrar a representatividade longe dos holofotes, como ao construir uma família. Além disso, a série aborda em mais de um momento, a </span><a href="https://zenklub.com.br/blog/autoconhecimento/representatividade-atoestima-lgbtq/"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da comunidade LGBTQIA+ não se sentir digna do amor. Para Elektra (Dominique Jackson), um episódio inteiro é dedicado à sua história e a pautar a </span><a href="https://unaids.org.br/2020/01/mais-de-90-da-populacao-trans-ja-sofreu-discriminacao-na-vida/"><span style="font-weight: 400;">exclusão do núcleo familiar</span></a><span style="font-weight: 400;">.  “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você nunca irá me enxergar de verdade</span></i><span style="font-weight: 400;">” grita a personagem para a mãe (Noma Dumezweni) enquanto recolhe seus pertences pelo chão e vai embora. Ela sai da casa da mãe biológica sem nada, excluída da sociedade e da única ligação familiar que possuía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à prostituição e aos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elektra sobrevive até conseguir criar sua própria e lendária Casa, e assumir para si o papel de Mãe. Sua exclusão a levou a querer ocupar o mesmo </span><a href="https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFS-2_ba59e8c043b19859f519a156bc635d0d"><span style="font-weight: 400;">vazio familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> para outras pessoas. Quando se tornou matriarca na comunidade dos </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela continuou lutando &#8211; até virar empreendedora e mafiosa na última temporada &#8211; para dar tudo o que podia para seus filhos. Sua reivindicação em ser enxergada é um exemplo da representatividade em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contribui para a autoestima de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22755" aria-describedby="caption-attachment-22755" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22755" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez esnobada em Atriz Coadjuvante, Indya Moore assiste a Academia lotar a categoria de aias e figuras da realeza britânicas que, somadas, não esbanjam um terço do talento e do merecimento de Angel (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Angel, a forma de abordar a exclusão foi a partir do acreditar ser indigna de se casar e ter uma família dos sonhos. No meio da terceira temporada e de casamento marcado, Papi descobre que tem um filho de 5 anos cuja mãe morreu. Ali morava o que parecia ser impossível para uma mulher trans nos anos 90, e algo que nunca havia acontecido na comunidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;">: a possibilidade de uma família reconhecida pela sociedade. Logo antes da cerimônia, Angel vê Candy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ahs-1984-critica/"><span style="font-weight: 400;">Angelica Ross</span></a><span style="font-weight: 400;">) &#8211; que morreu na segunda temporada &#8211; e conta seu medo em não ser digna de ter a vida dos sonhos, pois não seria justo que apenas ela, dentre tantas meninas trans, pudesse ser mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal ganhou uma festa luxuosa bancada por Elektra, mas através do amor de Angel e Papi que reconforta o coração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai além. O casamento possui uma representação enorme para as mulheres trans da comunidade, é uma afirmação de que elas podem ser amadas, e para transmitir essa mensagem, todas usaram vestidos de noiva na cerimônia. Por isso, a série é brilhante na forma com que faz representatividade. Sua abordagem é <a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-season-finale-critica/">incomum no mundo do Drama</a> e transcende a mera problematização. Esse caráter é um presente, pois nada melhor do que combater a exclusão mostrando que há como superá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Só por existir, um marco na Indústria da TV já havia sido feito por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, visto que o produtor Steven Canals demorou a </span><a href="https://www.gq.com/story/steven-canals-profile"><span style="font-weight: 400;">achar espaço</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a seu roteiro.  Mas a série que afirma a existência das pessoas LGBTQIA+ não-brancas, e suas vidas como dignas de serem a pauta principal, chegou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> já na primeira temporada com a vitória de Porter. Na edição 2021, a história foi feita com Mj Rodríguez sendo a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/mj-rodriguez-se-torna-a-primeira-mulher-trans-indicada-ao-emmy-de-melhor-atriz/"><span style="font-weight: 400;">primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> mulher transexual indicada para </span><a href="https://www.emmys.com/awards/nominees-winners/2021/outstanding-lead-actress-in-a-drama-series"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz em Série de Drama</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22756" aria-describedby="caption-attachment-22756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/6-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22756" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Mj Rodríguez, que submeteu a Series Finale como sua fita para avaliação dos votantes do Emmy, é a primeira pessoa trans indicada a uma categoria de atuação principal na história da premiação (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michaela Jaé merecia o tapete vermelho desde a primeira temporada. Blanca Evangelista era essencial para que a série funcionasse de fato, pois é o vínculo que unia a trama de toda a série. Sua personagem é a tradução explícita do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> significa: todas as faces de uma pessoa complexa e contraditória, cheia de perseverança e vendo o mundo com alegria e tristeza. E Mj viveu sua protagonista com muita paixão e verdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atriz mostrou que, assim </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgIq10HZhOc"><span style="font-weight: 400;">como com ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, a caminhada de Blanca para ser enxergada no mundo foi árdua, mas colorida e amorosa. O que ela criou com sua Casa foi essencial para mostrar as pessoas geniais que estão em lugares de exclusão. Desde o início, o empenho de Blanca foi trabalhar a autoestima de seus filhos, sempre lembrando-os que eles eram suficientes para conquistar um futuro. E a terceira temporada chegou para contemplá-los, inclusive a Mãe Blanca, com acontecimentos melhores.</span></p>
<figure id="attachment_22757" aria-describedby="caption-attachment-22757" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7.jpg" alt="" width="1200" height="749" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-800x499.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-1024x639.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/7-768x479.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22757" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">A terceira temporada de Pose retrata o momento da </span><a href="https://portal.megabrasil.com.br/jcc/noticias/ler/1503/um-arduo-caminho"><i><span style="font-weight: 400;">Ashes Action</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando os manifestantes da ACT UP jogaram as cinzas de seus entes queridos, que morreram em decorrer da AIDS, nos degraus da Casa Branca em 1992 (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que a indicação de Mj ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 tenha sido histórica, o fato é mais um passo de uma longa caminhada para a inserção de pessoas trans em toda a sociedade. A própria premiação </span><a href="https://revistahibrida.com.br/2020/08/01/elenco-trans-de-pose-e-esnobado-pelo-emmy-e-isso-e-um-problema/"><span style="font-weight: 400;">não quis enxergar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o elenco transexual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, provando que os anos 80 da trama e 3 décadas depois não estão tão distantes quanto parecem. Mj e Indya já haviam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GZc0cRLzp1w"><span style="font-weight: 400;">dito à </span><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, no início da série, que a trama não seria o suficiente. Se mostrar a vida sob as lentes da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi o bastante para o reconhecimento, que dirá para deixar a luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Steve Canals também reconheceu ao </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/pose-series-finale-billy-porter-steven-canals-explain-how-it-ended-1234963320/"><i><span style="font-weight: 400;">The Hollywood Reporter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que esperava um cenário muito melhor na TV ao final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para ele, a série sempre teve a função de contar o sofrimento e a resiliência dos antepassados para que a comunidade LGBTQIA+ chegasse onde está hoje. E de fato, isso se traduziu na fidelidade da trama com a realidade, a começar pelo envolvimento das personagens com a </span><a href="https://pt.mcny.org/story/act-hivaids-and-fight-healthcare"><i><span style="font-weight: 400;">ACT UP</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já na </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os episódios finais </span><a href="https://www.hivplusmag.com/entertainment/2021/6/08/pose-finale-ashes-protest-lawn-act-up-inspiration-real-life-true"><span style="font-weight: 400;">mostraram</span></a><span style="font-weight: 400;"> um dos períodos mais fortes de </span><a href="https://petripuc.wordpress.com/2020/08/03/o-act-up-e-a-luta-transnacional-contra-os-estigmas-em-relacao-a-aids/"><span style="font-weight: 400;">protestos em Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra o Governo Americano e o seu desprezo pela vida das pessoas soropositivas. Nesse momento da trama, Pray Tell já está com seus dias contados pelo avanço da AIDS, e a única esperança aparente é o ensaio clínico do </span><a href="https://www.niaid.nih.gov/diseases-conditions/antiretroviral-drug-development"><span style="font-weight: 400;">coquetel-HIV</span></a><span style="font-weight: 400;">. A inacessibilidade de pessoas não-brancas ao estudo é pautada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra a luta do elenco tanto </span><a href="https://www.gettyimages.com.br/fotos/act-up"><span style="font-weight: 400;">nas ruas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">ACT UP</span></i><span style="font-weight: 400;">, quanto dentro do hospital, até Blanca e Pray serem incluídos nos testes. </span></p>
<figure id="attachment_22758" aria-describedby="caption-attachment-22758" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22758" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> abriu portas na </span><i><span style="font-weight: 400;">TV</span></i><span style="font-weight: 400;"> para que pudessem existir séries como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYepGZuRLhA"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reality sobre a cultura ballroom </span><a href="https://www.emmys.com/shows/legendary"><span style="font-weight: 400;">indicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a reconfortante melhora de Pray, a série segue seu caminho de volta para casa: os </span><i><span style="font-weight: 400;">ballrooms</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1tfCWxz3MUW7RB89Gbd5E3?si=sTN1INs7Rhei0MJVNw1ODA&amp;dl_branch=1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> afiada de ícones </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 80 e 90, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> manteve sua fidelidade na trajetória histórica da Música desde a primeira temporada. Em seu final, a trilha foi minuciosa para, no penúltimo episódio, ao som de Diana Ross, nos proporcionar uma das mais emocionantes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FkUTtOZKcok"><span style="font-weight: 400;">cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV. </span><a href="https://genius.com/Diana-ross-aint-no-mountain-high-enough-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Ain’t No Mountain High Enough</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> poderia ter sido escrita especialmente para Pray e Blanca declararem um ao outro sua amizade que transcende a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena é uma performance no “</span><i><span style="font-weight: 400;">Refrão Doce da Candy</span></i><span style="font-weight: 400;">”, categoria de dublagem do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> realizada como</span> <span style="font-weight: 400;">um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tRuz6Qlaq44"><span style="font-weight: 400;">tributo</span></a><span style="font-weight: 400;"> à personagem Candy, e tem direito à coreografia com chuva, uma superprodução e muito </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conexão de ambos é fortíssima para formar algo autêntico e emocional, junto à </span><a href="https://www.letras.mus.br/diana-ross/34430/traducao.html"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Diana sobre o amor que supera todos os obstáculos. Tudo cantado por Pray nas entrelinhas &#8211; como em “</span><i><span style="font-weight: 400;">apenas chame meu nome, eu estarei lá rapidamente</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; &#8211; para o que viria a ser o seu último, e lindo, dia de vida. </span></p>
<figure id="attachment_22759" aria-describedby="caption-attachment-22759" style="width: 1062px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9.jpg" alt="" width="1062" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-800x603.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-1024x771.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/9-768x579.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22759" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">A Series Finale indicou Steven Canals ao Emmy de Direção e ao de Roteiro, esse segundo ao lado de um time extremamente talentoso, composto por Ryan Murphy, Brad Falchuk, Janet Mock e Our Lady J (Foto: FX)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;">, a morte, assim como a vida, é complexa. Não por ser dramaticamente triste, mas por se fazer presente. A morte é um lembrete. Tendo um enredo que se iniciou com a protagonista soropositiva &#8211; e mais outras personagens no decorrer &#8211; era lógico e esperado que </span><a href="https://unaids.org.br/informacoes-basicas/#:~:text=Sem%20tratamento%2C%20as%20pessoas%20que,m%C3%A9dico%20para%20evitar%20a%20morte."><span style="font-weight: 400;">viria uma morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para os espectadores, isso se traduziu em assistir suas personagens favoritas definharem, sempre à beira do precipício, entre a alegria do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma cena seguinte dentro de um hospital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nada é de fato lógico para seu enredo complexo, fiel à realidade e semeador de esperança. E o último episódio da série veio com uma lição sobre sacrifício pela sua comunidade. Na luta contra a escassez do tratamento contra a AIDS, Pray morre para dar a Ricky (Dyllón Burnside) seus remédios e a chance de viver. Mas ele segue presente até o último momento quando Blanca olha a nova geração do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> e recita as palavras que um dia escutou dele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">é por eles que você continua</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i><span style="font-weight: 400;"> aproveitou suas únicas 3 temporadas para falar sobre as mais diversas faces do mundo e das pessoas. Isso é uma série, um elenco e uma produção que faz história. Numa </span><a href="https://pt-br.facebook.com/FX/videos/pose-message-from-steven-canals-fx-networks/148801257095791/"><span style="font-weight: 400;">verdadeira tradução da vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu final costurou um desfecho dolorosamente feliz para suas personagens, e a mensagem de que a comunidade LGBTQIA+ merece viver seus sonhos. Como Billy Porter disse ao receber seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">a categoria é amor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nenhuma outra coisa teria chegado até aqui. </span></p>
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		<title>A segunda temporada de Legendary fez o que precisava ser feito</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2021 20:11:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Chagas Se hoje já não é fácil ser negro, latino e parte da comunidade LGBTQIA+, era muito pior nas ruas dos Estados Unidos nos anos 80. Desrespeitados e segregados, a solidão atormentava o dia a dia desses grupos. Então, de forma política, mas ao mesmo tempo divertida, foi no peito dolorido de um povo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Legendary fez o que precisava ser feito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22406" aria-describedby="caption-attachment-22406" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22406 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1.jpg" alt="Foto promocional de Legendary. No centro está um homem negro, magro de cabelo crespo penteado para cima. Ele veste terno e luvas brancas, com as mãos para cima perto do rosto das mulheres ao seu redor. Na esquerda está uma mulher magra de pele clara e cabelo preto na altura do ombro, e na esquerda uma mulher negra de cabelo liso comprido. Em cima deles estão uma dupla. Um homem negro vestindo terno roxo, óculos brilhante e cabelo liso longo, e uma mulher de pele clara, cabelo castanho e vestido rosa volumoso. O fundo é preto e a iluminarão é arroxeada." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22406" class="wp-caption-text">A segunda temporada de Legendary foi indicada a duas categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Chagas</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se hoje já não é fácil ser negro, latino e parte da comunidade </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/dicas/qual-o-significado-da-sigla-lgbtqia"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, era muito pior nas ruas dos Estados Unidos nos anos 80. Desrespeitados e segregados, a solidão atormentava o dia a dia desses grupos. Então, de forma política, mas ao mesmo tempo divertida, foi no peito dolorido de um povo tentando transformar sua exclusão em união que surgiu a cultura do </span><a href="https://medium.com/@luciosouza/ballroom-glamour-orgulho-e-resist%C3%AAncia-f8d393e095cb"><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram nos subúrbios nova-iorquinos que, pela primeira vez, pessoas trans, pretas, latinas e homossexuais tiveram sua existência celebrada em </span><a href="https://polis.org.br/noticias/voce-conhece-a-cultura-ballroom/"><span style="font-weight: 400;">forma de dança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aos poucos foi se estabelecendo um cenário constituído por regras, estilos e características tão ricas e próprias que até hoje fazem parte desses bailes.</span></p>
<p><span id="more-22405"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecer a cultura do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ser apresentado às Casas, formadas por grupos tão unidos quanto uma família de sangue pode ser. É conhecer o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ydTfwnNScM"><i><span style="font-weight: 400;">voguing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, popularizado por Madonna em 1990 quando lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o</span><i><span style="font-weight: 400;"> catwalk</span></i><span style="font-weight: 400;">, as categorias, as gírias e tudo que constrói esse universo gigante. </span></p>
<figure id="attachment_22407" aria-describedby="caption-attachment-22407" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2.jpg" alt="" width="976" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22407" class="wp-caption-text">Pose, ficção que usa das cenas do ballroom em sua narrativa, chega ao Emmy 2021 quebrando barreiras e indicando a primeira mulher trans em uma categoria de atuação principal (Foto: FX Networks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gerações se passaram e o </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> resistiu. Celebrando a livre expressão e ainda servindo como grande acolhimento, por todo o mundo, Casas ainda disputam entre si por dinheiro, reconhecimento e, é claro, muita diversão. Então, para os que querem se exibir aos olhos de milhares de pessoas e jurados especialistas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYepGZuRLhA"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recém-chegada no Brasil, a plataforma do </span><a href="https://www.hbomax.com/br/pt"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe em seu catálogo as duas primeiras temporadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">reality </span></i><span style="font-weight: 400;">apresentado pelo cativante </span><a href="https://www.instagram.com/dashaunwesley/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dashaun Wesley</span></a><span style="font-weight: 400;">. Gravado no mundo pré-pandemia, os primeiros episódios contam com um público tão carismático que formava um personagem por si só. Mas, por conta das medidas de segurança e saúde tomadas, a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio mais sozinha. </span></p>
<figure id="attachment_22408" aria-describedby="caption-attachment-22408" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22408 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3.jpg" alt="Cena do reality Legendary. Nela está Dashaun Wesley, homem negro e magro de cabelo crespo penteado para cima. Ele veste um terno e calça azul com formatos circulares coloridos. Atrás está um objeto roxo com seu formato. O fundo é azul com um painel colorido." width="1200" height="775" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-800x517.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-1024x661.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-3-768x496.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22408" class="wp-caption-text">O icônico Dashaun Wesley deixa tudo mais divertido (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem não abandonou o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram os &#8211; quase sempre &#8211;  queridinhos jurados. </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/02/jameela-jamil-de-good-place-se-assume-como-queer-apos-sofrer-ataques.html"><span style="font-weight: 400;">Jameela Jamil</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz da famosa </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KynkMn5Hv3Q"><span style="font-weight: 400;">Megan Thee Stallion</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora colecionadora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=grammy+"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se juntam ao grupo mais caloroso. Ambas não desperdiçam suas plaquinhas de nota 10 para enaltecer as casas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CJg4ES51Yts"><span style="font-weight: 400;">Leiomy Maldonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande nome no </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://www.lilianpacce.com.br/moda/vem-conhecer-law-roach-o-stylist-mais-badalado-de-hollywood-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Law Roach</span></a><span style="font-weight: 400;">, estilista de artistas como </span><a href="https://capricho.abril.com.br/moda/este-conselho-que-zendaya-recebeu-mudou-seu-estilo-e-confianca/"><span style="font-weight: 400;">Zendaya</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ariana Grande, são mais difíceis de agradar. Os dois não escondem o descontentamento quando uma apresentação não os agrada. E, sinceramente, receber uma nota máxima do Law é tão difícil quanto as provas de Física do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff15129823.htm"><span style="font-weight: 400;">ITA</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos rostos de sempre, cada programa conta também com a participação de diferentes celebridades que são convidadas para assistir e julgar as apresentações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FKXSh14svlQ"><span style="font-weight: 400;">Normani</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EAg69LaLlS0"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros famosos se juntaram ao </span><i><span style="font-weight: 400;">cast</span></i><span style="font-weight: 400;"> e trouxeram ainda mais avaliações técnicas, além de muita risada, para a temporada dois.</span></p>
<figure id="attachment_22409" aria-describedby="caption-attachment-22409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22409 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4.jpg" alt="Cena de legendary. Nela estão quatro cadeiras onde estão sentados os jurados. Da esquerda para a direta estão; um homem negro vestindo terno roxo, de cabelo liso e óculos escuro, uma mulher negra de vestimenta apertada rosa que cobre o corpo todo, uma mulher de pele clara que veste também um terno, este cinza com detalhes pretos e uma mulher de pele clara com cabelo roxo e vestido preto transparente com estrelas coloridas. No fundo estão diversas pessoas olhando por um espaço aberto." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22409" class="wp-caption-text">Se apresentar para uma plateia gigante deve ser menos aterrorizante do que se apresentar apenas para esses quatro (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente da temporada inicial, a segunda volta mais organizada. O método de avaliação agora é baseado na soma das notas que as Casas recebem. Com uma apresentação em grupo e outras que são feitas individualmente, em dupla ou trio, as notas mais altas definem que Casas serão salvas, e quais vão precisar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=07c9CPN-VdA"><span style="font-weight: 400;">batalhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma última vez para permanecer na corrida pelo prêmio de 100 mil dólares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto a ser analisado sobre os jurados são as maquiagens e vestimentas usadas. Seguindo a proposta da semana, os </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> usados são de tirar o fôlego. As ideias devem partir das Casas, e serem construídas com a equipe liderada pelo figurinista </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/lifestyle/shopping/legendary-costume-designer-johnny-wujeks-favorite-things-1234952509/"><span style="font-weight: 400;">Johnny Wujek</span></a><span style="font-weight: 400;">,  talentosíssimo artista que já trabalhou com grandes figuras como </span><a href="https://www.instagram.com/p/CSFr2w6JN68/"><span style="font-weight: 400;">Katy Perry</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mariah Carey.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo esforço por trás do vestuário dos participantes rendeu duas indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> (com auxílio do catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">) se tornou a plataforma com o maior número de indicações do ano, ultrapassando a recordista </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na sua </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/2021/07/com-130-indicacoes-ao-emmy-2021-hbo-lidera-a-lista-confira/"><span style="font-weight: 400;">longa lista de categorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão Melhor Penteado Contemporâneo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reality </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Programa de Variedades ou Programa de Não-Ficção e Melhor Maquiagem Contemporânea em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reality </span></i><span style="font-weight: 400;">ou Programa de Variedades ou Programa de Não-Ficção (Não-Prostética), onde </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorre pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop Tart</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22410" aria-describedby="caption-attachment-22410" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22410 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-5.jpg" alt="Cena de Legendary. Nela uma das casas está se apresentando. Na frente de um painel verde estão quatro pessoas. Da esquerda para a direita estão um homem usando um conjunto azul com placas coloridas e chapéu rosa, um homem de roupa rosa com saia esvoaçante, outro com a roupa também rosa mas com detalhes pretos e laranja, e a mãe da casa de vestido azul e verde. " width="708" height="472" /><figcaption id="caption-attachment-22410" class="wp-caption-text">Na semifinal, as Casas transportaram o ballroom para dentro de florestas tropicais (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos dois episódios iniciais, foram apresentadas as 10 Casas que entraram na competição: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AiOVLfB3hEY"><span style="font-weight: 400;">Miyake-Mugler</span></a><span style="font-weight: 400;">, Balenciaga, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N7fnO2WE_bM"><span style="font-weight: 400;">Comme des Garçon</span></a><span style="font-weight: 400;">, Oricci, </span><a href="https://www.instagram.com/legendaryhouseoficon/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Icon</span></a><span style="font-weight: 400;">, Milan, </span><a href="https://www.instagram.com/legendaryhouseofluxe/"><span style="font-weight: 400;">Luxe</span></a><span style="font-weight: 400;">, Prodigy e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AXyC_HilSaw"><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cada uma com suas singularidades, o palco era onde precisavam conquistar os jurados &#8211; e nos fazer se apaixonar por cada integrante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros a deixar a competição foram </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AXyC_HilSaw["><span style="font-weight: 400;">Chanel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4RNXYkmboI"><span style="font-weight: 400;">Prodigy</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, tadinhos, mal tiveram tempo de mostrar para o que vieram. Se tinham ou não potencial para chegar em uma possível final, é algo que nunca saberemos. Logo foram seguidos pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O4jhTV4zg1Y"><span style="font-weight: 400;">House of Milan</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, na semana onde precisaram se apresentar como um dos Sete Pecados Capitais, foram expulsos do Céu como Adão e Eva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque da primeira metade da temporada não poderia ser outro além dela: </span><a href="https://pt-br.facebook.com/portallegendary/videos/s02e01-grand-march-house-of-tisci/510198443343396/?extid=SEO----"><span style="font-weight: 400;">Tisci</span></a><span style="font-weight: 400;">. A Casa que foi uma das mais talentosas a passar pelo programa constantemente era favorita, graças ao esforço inesgotável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L0ZrGvVdVfc"><span style="font-weight: 400;">Mother Gia Tisci</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus filhos. Ao serem os primeiros a receberem 10 de todos os jurados, era impossível negar seu dom. É uma pena que a eliminação do grupo tenha sido tão dramática, graças a um bate-boca de um membro da casa e, sem surpresas, Law. Ai, ai, esse Law. </span></p>
<figure id="attachment_22411" aria-describedby="caption-attachment-22411" style="width: 655px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22411 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-6.jpg" alt="Cena de Legendary. Nela está acontecendo uma apresentação da Casa Tisci. Na frente está uma dos membros vestindo um conjunto com blusa, saia e bota azul claro. Em cima de uma plataforma, a participante está na frente de outros dois membros da casa, onde o da esquerda veste amarelo e a da direta, rosa. O fundo é colorido, com uma tela onde uma imagem de uma boca é cercada por retângulos de vários tons. " width="655" height="492" /><figcaption id="caption-attachment-22411" class="wp-caption-text">No quinto episódio, Pop Tart, a Casa Tisci serviu a melhor performance da temporada (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a saída dos icônicos, sobrou para o resto dividir os momentos de brilhar. </span><a href="https://www.instagram.com/_thegarcons_/"><span style="font-weight: 400;">Comme des Garçon</span></a><span style="font-weight: 400;"> realmente serviram muito bem, deixando os telespectadores bem alimentados. Mas como ninguém escapa das batalhas, se despediram na reta final. No episódio onde tiveram que apresentar três dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E3c7Gv5RHaw"><span style="font-weight: 400;">elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">hair whips</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> spins and dips</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> e floor performance</span></i><span style="font-weight: 400;">), perderam para a </span><span style="font-weight: 400;">Balenciaga, ficando em terceiro lugar. A derrota foi triste, mas quando </span><a href="https://www.instagram.com/honey.balenciaga/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Honey</span></a><span style="font-weight: 400;"> está do outro lado, tem como não esperar que ela vença? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande final foi composta, além da Casa que se salvou no penúltimo progr</span><span style="font-weight: 400;">ama, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dpVZcDJ60eY"><span style="font-weight: 400;">House of Miyake-Mugler</span></a><span style="font-weight: 400;">. A equipe que iniciou o programa tão mal, teve a maior das evoluções. Passando pela quase-eliminação, os membros tiveram a força que precisavam para dar a volta por cima e se tornarem lendários. Ganhando os últimos Bailes, foi com um prêmio de 100 mil dólares que a Casa finalizou a competição, além da felicidade contagiante.   </span></p>
<figure id="attachment_22412" aria-describedby="caption-attachment-22412" style="width: 655px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22412 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-7.jpg" alt="Cena de Legendary. Em uma das apresentações, cinco pessoas estão usando roupas de látex, cada uma de uma cor, com detalhes em preto. Todas dançam com as pernas cruzadas e as mãos esticadas para frente. O fundo possui fotos de estátuas. " width="655" height="438" /><figcaption id="caption-attachment-22412" class="wp-caption-text">Miyake-Mugler foram os vencedores dos 100 mil dólares (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ficou na mão de </span><span style="font-weight: 400;">David Collins, Rob Eric e Michael Williams</span><span style="font-weight: 400;">. O trio também responsável por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xb-HxBbIbtM"><i><span style="font-weight: 400;">Queer Eye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já ganhou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Emmy"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pelo programa da plataforma vizinha, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Juntos construíram </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma tão convidativa que dá para se perder nos capítulos e fingir, por um tempo, que estamos dentro dos calorosos </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre todas as reviravoltas, discussões e muita dança, o que continua mais marcando cada episódio são as mensagens transmitidas nas performances. Na disputa de corpos, quando todos os tamanhos são valorizados e apreciados, o que ganha é a confiança. Nas batalhas, após o duelo os oponentes se abraçam, o que se destaca é o respeito. Antes de adversários, cada membro de cada grupo é parte de </span><a href="https://haenfler.sites.grinnell.edu/subcultures-and-scenes/underground-ball-culture/#:~:text=History,putting%20on%20drag%20fashion%20shows.&amp;text=Fed%20up%20with%20the%20restrictive,ball%20culture%20in%20the%201960s."><span style="font-weight: 400;">algo maior</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio dos treinos e apresentações, muitas histórias de vida são compartilhadas. Prostituição, racismo, </span><a href="https://www.em.com.br/app/colunistas/arthur-bugre/2021/08/13/noticia-arthur-bugre,1295268/as-violacoes-de-direito-que-nascem-da-transfobia-e-ausencia-de-dados.shtml"><span style="font-weight: 400;">transfobia</span></a><span style="font-weight: 400;">, abandono, e tantos tipos de violência são traumas coletivos pela comunidade em um todo. Fazer parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, é escapar da triste realidade de onde muitos vem. </span></p>
<figure id="attachment_22413" aria-describedby="caption-attachment-22413" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22413 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8.jpg" alt="Cena de Legendary. No centro está Megan Thee Stallion, mulher negra de cabelo preto vestindo roupa preta transparente com detalhes em dourado. Ela está de pé, olhando para o lado. Ao seu redor outras pessoas dançam com roupas nas mesmas cores. O fundo e o palco são roxos." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/legendary-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22413" class="wp-caption-text">Na apresentação de corpo, o hit Body de Megan Thee Stallion acompanhou a celebração dos corpos dos participantes (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua última performance, a Casa Balenciaga encantou ao subir no palco cobertos de rosa e dourado para falarem sobre amor. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QMXmng2B5CI"><i><span style="font-weight: 400;">Love is the message</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, comenta </span><span style="font-weight: 400;">Mother Shannon no seu discurso final. E ao acabar de assistir o décimo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom 5000</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficamos com o resto do amor derramado pelas Casas em nossos corações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já renovada para uma terceira temporada, o seriado ainda promete continuar trazendo a cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> para dentro de nossas casas. Te fazendo rir com os </span><a href="https://inglesnoteclado.com.br/2016/03/giria-shade-o-que-significa-throw-shade-em-ingles.html"><i><span style="font-weight: 400;">shades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trocados pelas Casas, te fazendo chorar com os emocionantes relatos dos participantes, te fazendo ter raiva ocasionalmente dos jurados e te deixando com muita, mas muita vontade de sair dançando por aí, a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whnMJZENarU"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez o que precisava ser feito. </span></p>
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