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	<title>Arquivos Ativismo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O fantasma da gentrificação assombra Distopia</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 17:43:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português Distopia (2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/distopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantasma da gentrificação assombra Distopia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28884" aria-describedby="caption-attachment-28884" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg" alt="Cena do documentário Distopia. A foto é uma captura de um dos trechos do filme Distopia. Quatro prédios amarelos — parte do conjunto habitacional do bairro do Aleixo — estão sendo demolidos. O prédio da direita cai em meio a fumaça, abaixo se encontram outras habitações e um terreno verde." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28884" class="wp-caption-text">O documentário chega à Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo carregando o prêmio HBO Portugal para Melhor Filme da Competição Portuguesa no DocLisboa International Film Festival 2021 (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/distopia"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme introduz o fantasma da </span><a href="https://jornaleconomico.pt/noticias/o-processo-de-gentrificacao-em-curso-nas-cidades-e-periferias-de-lisboa-e-porto-264850"><span style="font-weight: 400;">gentrificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o motor dos desterramentos e demolições que atravessam a cidade do Porto, em um retrato de treze anos da vida dos bairros de Bacelo, Aleixo e Fontainhas. Dirigido por Tiago Afonso, a forma documental encontra sua força ao direcionar a câmera tanto aos sujeitos atravessados por essa desterritorialização quanto aos espaços e ruínas, o que constitui uma espécie de anti-documento nessa condição de filmar o que está na iminência de não mais existir.</span></p>
<p><span id="more-28883"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa audiovisual de emergência, na qual o imediatismo da filmagem é evidenciado por um gesto que, em um primeiro momento, quase não é cinematográfico. É mais uma construção de um álibi aos processos de injustiça vivenciados pelas pessoas, tanto as hostis quanto as receptivas às lentes de Afonso. O primeiro capítulo é pontuado em 2007, enquanto o espectador acompanha uma comunidade cigana, habitante das barracas da Rua do Bacelo, em suas tentativas de </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2007/03/27/criticas-a-actuacao-da-camara-do-porto-no-bacelo/"><span style="font-weight: 400;">resistência ao despejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de articulação com o poder público, personalizado pela figura de Rui Rio, o Presidente da Câmara Municipal do Porto na época. O diretor intercede nas discussões — em defesa da ocupação —, além de traçar uma tentativa de reinstalação da experiência pública de comunidade, sob a ótica da comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_28885" aria-describedby="caption-attachment-28885" style="width: 1608px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28885" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg" alt="Cena do filme Distopia. Ao fundo, as barracas no bairro do Bacelo, onde encontram-se pedaços de madeira empilhados e, à direita, um trailer branco. Em um pedaço de madeira branco, uma lona vermelha está jogada, enquanto uma bandeira está amarrotada e enrolada, suspensa no ar." width="1608" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg 1608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1200x806.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28885" class="wp-caption-text">No documentário de Afonso, a cidade do Porto é atravessada pela especulação imobiliária desenfreada e pelo silenciamento das tradições locais (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, os furtivos registros não eram feitos com o intuito de uma unidade narrativa, sendo ligados posteriormente pela brutal espinha dorsal que é a constância dessas violências. Talvez fosse possível compor um longa-metragem interminável, no qual ainda residiria o </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2021/11/26/urgencia-resignacao-e-magoa-uma-conversa-com-tiago-afonso-sobre-a-distopia-que-dedicou-ao-porto/"><span style="font-weight: 400;">ativismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fazer Cinema na luta para evitar que lares e histórias fossem despossuídas. Tanto que as gravações nos conjuntos habitacionais do Aleixo e na Feira da Vandoma, em Fontainhas, inicialmente pareciam ser paralelas. No entanto, logo se revelaram tangentes pelo mesmo futuro: a aniquilação de qualquer alternativa de </span><a href="https://observador.pt/especiais/distopia-durante-13-anos-tiago-afonso-filmou-o-porto-que-desapareceu-quando-os-bairros-ficaram-vazios/"><span style="font-weight: 400;">vivência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> em prol do modelo capitalista de cidade funcionalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os treze anos encapsulados em 62 minutos instigam, para além de um atestado da permanência dos movimentos de desalojamento, uma reflexão sobre a permanência desses lugares e dessas personagens na memória coletiva. Esse esforço se expressa no exercício de Afonso de colocar as crianças moradoras do Aleixo detrás das câmeras, tornando-as diretoras, em um exercício de descrição de suas colegas frente às câmeras. Essa é uma das tentativas de dar voz à materialidade dos afetos e da infância, perdida pela destruição de inúmeras moradas sob o pretexto de </span><a href="https://www.publico.pt/2022/01/21/p3/fotogaleria/aleixo-foram-torres-ficou-consumo-407396"><span style="font-weight: 400;">sanitização social</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente ao tráfico de drogas, além de, claro, deixar o terreno pronto a projetos arquitetônicos de luxo. </span></p>
<figure id="attachment_28886" aria-describedby="caption-attachment-28886" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28886" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg" alt="Cena do filme distopia. Embaixo de um viaduto, no primeiro plano da imagem, duas mulheres ciganas estão lado a lado. A da esquerda olha para cima, a algo distante da câmera. Usa uma blusa alaranjada, um cordão dourado no pescoço. Seus cabelos são negros e presos em um rabo de cavalo. Ao seu lado, a outra mulher olha para baixo, com uma jaqueta fechada cinza, estampada de estrelas. Seus cabelos negros estão presos em um coque. Ao fundo, um pedaço de escassa vegetação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28886" class="wp-caption-text">O aburguesamento da cidade é um personagem oculto – porém onisciente – sobre histórias que refletem a modificação dos tecidos sociais urbanos (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De 2007 a 2021, </span><a href="https://vimeo.com/646630124?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=31954675"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma teoria de gentrificação que renega prédios modernizados e apáticos, escolhendo desenvolver a experiência através da voz daqueles que foram mutilados por seus efeitos. Além do passeio temporal, subjetivo e geográfico</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o título português é também um perambular estético sobre a transformação das fontes visuais e sonoras que estruturam os retratos de despossessão das comunidades de suas habitações e de suas práticas de sociabilidade. O objeto do olhar é variado: ratos mortos, destroços, multidões e barracos improvisados tomam a tela. Embaixo de viadutos, com caixas de som e olhares distantes, se rememoram as (re)existências de outros modos de viver em outros ritmos. Memórias essas de quando se era possível existir em um espaço com liberdade; onde reinava a brincadeira de crianças contra a crueza de uma cidade que não mais é um direito, mas sim um </span><a href="https://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/distopia-de-tiago-afonso-mostra-gentrificacao-da-cidade-no-porto-post-doc"><span style="font-weight: 400;">decreto de expulsão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?</title>
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		<pubDate>Tue, 03 May 2022 18:06:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de Aruanas traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do Globoplay sabe fazer. Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aruanas-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Aruanas pergunta: quem se beneficia com a devastação?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27474" aria-describedby="caption-attachment-27474" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-Aruanas.png" alt="A foto mostra um grande cartaz amarelo pendurado na cobertura de um estádio de futebol, mais precisamente, na Arena Allianz Parque. A foto foi tirada de uma perspectiva da arquibancada (de um ângulo inferior em direção ao cartaz). Neste cartaz está estampada a frase em letras garrafais: “Energia limpa, um trilhão de motivos para lutar #PetroCrime”." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27474" class="wp-caption-text">Como toda boa obra de ficção, Aruanas alerta para uma discussão real e emergencial acerca da exploração insustentável dos recursos naturais (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como você reagiria se soubesse que a água usada para abastecer sua casa foi contaminada? É a partir desse revoltante cenário, que a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz mais uma denúncia, de um jeito que só a série mais ativista do <em>Globoplay</em></span><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer. </span><span style="font-weight: 400;">Nos novos episódios, a ONG unirá forças para impedir a implementação de uma </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/12/atraso-e-boicote-medida-provisoria-sofreu-ataques-antes-da-estreia.htm"><span style="font-weight: 400;">Medida Provisória</span></a><span style="font-weight: 400;"> responsável por isentar os impostos das maiores empresas de petróleo instaladas no Brasil.</span></p>
<p><span id="more-27473"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Estela Renner e Marcos Nisti (também roteiristas da série), a continuação da trama nos apresenta uma perspectiva mais profunda e detalhada sobre crimes ambientais. Ainda que na primeira temporada a sensibilidade dessa narrativa se evidencie com maior nitidez através do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/02/desmatamento-na-amazonia-brasileira-bate-recorde-em-janeiro.shtml#:~:text=Em%20novembro%2C%20o%20Inpe%20anunciou,2021%2C%20maior%20valor%20desde%202006."><span style="font-weight: 400;">desmatamento </span></a><span style="font-weight: 400;">e mineração ilegal, nesse segundo ano, o espectador é posto, com sutileza, nos meandros de crimes mascarados pelo poder público e financiados por interesses privados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova queixa trazida pela Aruana dialoga com o tema da poluição. Para explicar melhor como esse agravante é estruturado, mais uma vez, as ativistas Natalie, Luiza, Verônica e Clara se reúnem em prol de um embate travado entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161445/#:~:text=De%20volta%20ao%20enredo%20de,de%20Almeida%20e%20Lima%20Duarte."><span style="font-weight: 400;">diversos arrebatamentos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na linha tênue entre legalidade e moralidade, desta vez, obstáculos como: milícias, </span><i><span style="font-weight: 400;">lobbies</span></i><span style="font-weight: 400;"> empresariais, alienações, articulações políticas e esquemas de corrupção pautam a batalha da preservação ambiental.</span></p>
<figure id="attachment_27475" aria-describedby="caption-attachment-27475" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-Aruanas.png" alt="Foto aérea da cidade fictícia de Arapós exibe o horizonte contrastante entre a indústria química em primeiro plano (central) e um extenso rio ao fundo (segundo plano). Além desse retrato da cidade, a palavra “Arapós” se sobrepõem perante a imagem da paisagem como se fosse uma legenda da imagem. " width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27475" class="wp-caption-text">A cidade de Cubatão &#8211; considerada pela ONU nos anos 1980 como a cidade mais poluída do mundo &#8211; foi usada como cenário da fictícia Arapós (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a pergunta que não quer calar: a segunda temporada é tão envolvente quanto a primeira? De imediato, é possível assegurar: sim. As investigações mudaram, assim como a ambientação da trama, porém, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/nova-temporada-aruanas-prende-trama-suspense/"><span style="font-weight: 400;">os climas de suspense</span></a><span style="font-weight: 400;">, drama e aventura permanecem fiéis aos fãs que procuram tais sensações na série. Mesmo assim, não crie expectativas sobre os destinos reservados a cada personagem. É o único conselho aos desavisados de plantão. Essa é definitivamente uma regra que deve ser cumprida por quem acompanha o seriado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, quem se quer enganar? Como seria possível deixar de depositar expectativas quando se tem, num mesmo elenco, joias da </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramaturgia brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> contracenando em cenas de tensão e porradaria? Sem dúvidas, a atuação das personagens é um elemento chave neste enredo. A participação especial de Lima Duarte e a inserção de Lázaro Ramos, </span><span style="font-weight: 400;">Daniel de Oliveira, Elisa Volpatto e Joaquim de Almeida, dá um toque especial nas novas intrigas desse caótico cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esqueça o maniqueísmo clichê presente no discurso “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós</span></i><span style="font-weight: 400;">” contra “</span><i><span style="font-weight: 400;">eles</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que se vê é um complexo panorama no qual todos são responsáveis pela devastação, ainda que alguns sejam peças fundamentais para que isso aconteça. Semelhante às obras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWZbMjq8rOA"><span style="font-weight: 400;">José Padilha</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta pioneiro das narrativas policiais brasileiras, os episódios retratam as profundezas de esquemas políticos milionários que lucram através da irresponsável gestão de recursos públicos. Mais do que apontar as cartas marcadas desse tabuleiro, os roteiristas apelam para a inevitável e necessária ferramenta de mobilização social: a indignação.</span></p>
<figure id="attachment_27476" aria-describedby="caption-attachment-27476" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-Aruanas.png" alt="A foto exibe dois homens de terno sentados em uma mesa de restaurante. Os homens se encaram frente a frente. Ao lado esquerdo da imagem há um homem branco e aparentemente idoso. À direita está Lázaro Ramos, um homem negro, de quarenta anos de idade, careca. Lázaro expressa preocupação em seu rosto. O enquadramento da foto foca nos dois personagens conversando em primeiro plano, mas percebemos que há outras pessoas sentadas no restaurante desfocadas em segundo plano." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27476" class="wp-caption-text">Lázaro Ramos vive o papel de Enzo Costa, prefeito de Arapós que tem boas intenções mas que também se vê refém do xadrez político sistematicamente corrupto (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se não bastasse isso, qualquer semelhança com a realidade certamente </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39204054"><span style="font-weight: 400;">não é mera coincidência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, seja essa a razão da produção ter feito tanto sucesso por seu teor crítico. O grau de aproximação verídico que permeia esta ficção chega ser </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-e-o-3-em-mortes-de-ativistas-ambientais-e-dos-direitos-humanos-diz-ong/"><span style="font-weight: 400;">alarmante e assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém pouco surpreendente. Não é como se os acontecimentos fossem previsíveis, no entanto quando se trata sobre o Brasil, não é difícil encontrar lacunas mal resolvidas que se repetem. E o descarte de resíduos tóxicos na natureza esboça isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, esta segunda temporada lança uma pergunta essencial: quem se beneficia com a devastação? Quem faz parte dos bastidores desse processo lucrativo e criminoso talvez não tenha um só perfil, mas vê vantagens nos processos de desinformação e alienação da opinião pública. Por isso, a</span><a href="https://tecnoarte.eco.br/qual-a-importancia-das-ongs-para-a-sociedade/?doing_wp_cron=1649858161.4561541080474853515625#:~:text=As%20ONGs%20trabalham%20para%20aumentar,que%20buscam%20o%20mesmo%20prop%C3%B3sito."><span style="font-weight: 400;"> importância das ONGs</span></a><span style="font-weight: 400;"> como órgãos que, mesmo cumprindo papéis que deveriam ser designados ao Estado, são reparadores e fiscalizadores do ecossistema. Porém, para que tais instituições consigam ter efetividade, a série estampa também a necessidade de uma mídia alternativa, que se preocupe com as questões socioambientais.</span></p>
<figure id="attachment_27477" aria-describedby="caption-attachment-27477" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-Aruanas.png" alt="A foto ilustra dois homens sentados em uma mesa redonda, um ao lado do outro, em frente a tela de um notebook. O homem à esquerda é um jovem branco, na casa de seus 25 anos, magro. Ele aparenta estar apreensivo com a presença do homem que está ao seu lado (esquerdo), já que o mesmo tem uma arma ao seu lado. O homem à direita é um senhor, na casa de seus 43 anos de idade, de bigode e camisa listrada. Na série ele interpreta um delegado miliciano da cidade. Na foto ele aparece com dois objetos que chama a atenção: um copo de whisky e um revólver. Este senhor está com o braço direito apoiado nos ombros do rapaz à esquerda." width="800" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-27477" class="wp-caption-text">Um trunfo sabiamente utilizado nessa temporada é a ligação entre empresários e milicianos envolvidos no esquema de desinformação pública e descarte ilegal de lixo industrial (Foto: <span style="font-weight: 400;"><em>Globoplay</em></span>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento da narrativa, todos os envolvidos escancaram seu descontentamento com o que se passa em Arapós. Os mercenários temem ser desmascarados, os alienados percebem que algo está errado e os justiceiros, intrometidos onde não são chamados, são ameaçados. E é nesse tom de ameaças que os capítulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aruanas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolvem para um desfecho nada agradável. Apesar disso, ele não chega a ser ruim, mas deixa a desejar em muitas explicações que, provavelmente, estarão presentes em uma </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/globo-ja-planeja-terceira-temporada-de-aruanas"><span style="font-weight: 400;">terceira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Depois de muita luta, Diretoria celebra os dias de glória de Tasha &#038; Tracie</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2021 04:18:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Geovana Arruda Os dias de glória e as rimas sem censura das gêmeas Tasha e Tracie Okereke tornaram Diretoria uma obra-prima do começo ao fim. Desde o lançamento, no dia 19 de agosto de 2021, as paulistanas da Zona Norte conquistaram os fãs e as paradas das plataformas de streaming com verdadeiros hits que ilustram suas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tasha-e-tracie-diretoria-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois de muita luta, Diretoria celebra os dias de glória de Tasha &#038; Tracie"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23721" aria-describedby="caption-attachment-23721" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-1-tasha-e-tracie.jpg" alt="A imagem é uma fotografia das gêmeas Tasha e Tracie. Em primeiro plano, ao lado esquerdo está Tasha, uma mulher preta de pele clara e cabelos compridos cacheados, com olhos castanhos escuro, possui piercing no nariz, veste uma roupa típica de passistas no carnaval formada por um sutiã de pedrarias e um adereço de pedrarias na cabeça. Ela possui algumas tatuagens visíveis pelo corpo e suas mãos estão posicionadas na altura dos seios. Ao seu lado sua irmã Tracie, gêmea idêntica, uma mulher preta de pele clara e cabelos compridos cacheados com olhos castanhos escuros, veste uma roupa típica de passistas do carnaval similar a de Tasha, com pedrarias. Ela também possui algumas tatuagens visíveis, suas mãos estão posicionadas uma em seu rosto e outra na altura dos seios. A foto está em preto e branco, e não há fundo aparente. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-1-tasha-e-tracie.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-1-tasha-e-tracie-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23721" class="wp-caption-text">As irmãs Tasha e Tracie, filhas de pai nigeriano e mãe brasileira, lançam o EP Diretoria e levam todo o poder de Peri, Zona Norte de SP, para o mundo (Foto: Tasha e Tracie/Ceia Ent.)</figcaption></figure>
<p><b>Geovana Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dias de glória e as rimas sem censura das gêmeas Tasha e Tracie Okereke tornaram</span><i><span style="font-weight: 400;"> Diretoria</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma obra-prima do começo ao fim. Desde o lançamento, no dia 19 de agosto de 2021, as paulistanas da Zona Norte conquistaram os fãs e as paradas das plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">com verdadeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">que ilustram suas conquistas como as poderosas </span><i><span style="font-weight: 400;">“pretas, chave da favela”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rouff </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2018, as irmãs apresentam majestosamente </span><i><span style="font-weight: 400;">Diretoria</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">composto por 7 faixas com o selo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Ceia Ent.</span></i><span style="font-weight: 400;">, coletivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que possui grandes lançamentos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Febem, e </span><i><span style="font-weight: 400;">NU</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/djonga-nu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Djonga</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-23720"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito aguardado, o </span><span style="font-weight: 400;">trabalho </span><span style="font-weight: 400;">é fiel às rimas fortes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, feito pelas irmãs com</span><i><span style="font-weight: 400;"> samples </span></i><span style="font-weight: 400;">envolventes, misturando desde</span><i><span style="font-weight: 400;"> funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, samba e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J3-XH8hiitY"><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto traz parcerias com ótimos </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i><span style="font-weight: 400;">, que são peça-chave para completar os sons e versos das gêmeas, mostrando um pouco de como é chegar até aqui, almejar o luxo e dizer que por aí vem mais.</span></p>
<figure id="attachment_23722" aria-describedby="caption-attachment-23722" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-2-tasha-e-tracie.jpg" alt="A imagem é uma fotografia das irmãs Tasha e Tracie em um evento. No primeiro plano do lado esquerdo Tasha, uma mulher preta de pele clara e cabelos cacheados, com olhos castanhos escuro, veste uma blusa de gola alta bege, com brincos de argola e correntes dourados, cabelo preso, está apoiando seu braço direito no ombro de sua irmã Tracie. Tracie, uma mulher preta de pele clara e cabelos cacheados, com olhos castanhos escuro, está ao lado direito da imagem, com camiseta branca de botões, brincos de argola e correntes prata, cabelo preso em um coque. Ao fundo, com iluminação alaranjada, homens conversam de costas. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-2-tasha-e-tracie.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-2-tasha-e-tracie-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-2-tasha-e-tracie-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-2-tasha-e-tracie-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23722" class="wp-caption-text">As irmãs são referência na Moda e ganharam maior notoriedade com as customizações caseiras e conteúdos no blog Expensive Shit (Foto: Hellen Katherine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As letras fomentam o empoderamento feminino das mulheres pretas de favela, que Tasha e Tracie tem convicção e, mais do que tudo, vivência. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e2WJn6yTr0o"><span style="font-weight: 400;">MPIF</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou coletivo Mulher Preta Independente de Favela, que elas integram, incentiva outras mulheres a se expressarem, correrem atrás do que é seu e se apoiarem por meio da Moda, Cultura e outras experiências que as paulistas compartilham. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário autobiográfico vem sendo traçado desde as primeiras rimas. Na introdução</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_WJpma5tN9Q"><i><span style="font-weight: 400;">Wanna Be’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">ouvimos a apresentação do início de uma trajetória, citando o projeto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T1IziaZJ54E&amp;t=182s"><i><span style="font-weight: 400;">Expensive Shit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual Tasha e Tracie produzem conteúdos que fomentam a Moda e o ativismo das mulheres pretas. Como bem dizem, a música que fala sobre a inspiração que se tornaram, pode ser como o início de um currículo de sucesso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Wanna Be&#8217;s aplicavam/Tasha &amp; Tracie não vai ser/Essa vadia eu que formei/Vou incluir no meu CV”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda faixa, que tem o mesmo nome do primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP </span></i><span style="font-weight: 400;">das gêmeas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EDcq_c1DGiY"><i><span style="font-weight: 400;">Rouff</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um verdadeiro hino. Com as batidas pesadas produzidas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">CESRV </span></i><span style="font-weight: 400;">e traços do </span><i><span style="font-weight: 400;">brime</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="http://miojoindie.com.br/critica-tasha-tracie-diretoria/"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das paulistanas é impressa mais uma vez nas palavras, exaltando que, para quem desacreditou da dupla, elas definitivamente conseguiram. É possível ouvir ao fundo alguns recortes sonoros do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, estilo que, gostem ou não, mostra a brasilidade e, junto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, são fiéis em retratar a realidade da dupla na Zona Norte de São Paulo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Cachorra Kmikze - Tasha, Tracie e Ashira" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Tx4eCvAxszM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzida por DJ</span> <span style="font-weight: 400;">MF e Pizzol, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ZuLpHaloAI"><i><span style="font-weight: 400;">Amarrou </span></i></a><span style="font-weight: 400;">apresenta às referências e versatilidade do álbum com batidas nostálgicas do estilo texano </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/3l6M4SAmRg9L0DlalK76H8"><i><span style="font-weight: 400;">Dirth South</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e as rimas </span><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Veigh, que casaram harmonicamente com os versos que exaltam a sexualidade, estilo e poder da mulher preta. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Drip de negona/Nasci com a boca que elas compra/Cacho de Colombiana/Unha de brasileirinha/Aquilo que em você não brilha/E na bolsa tem várias de cem/ Peitinho e bumbum pequeno mas mexe mexe bem”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Na letra, Tasha e Tracie deixam explícito que a mulher preta, seus traços e seu estilo sempre são alvo do consumo – todas querem ser e ter. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do </span><i><span style="font-weight: 400;">Dirth South</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vShmptzj95o"><i><span style="font-weight: 400;">Cheat Code</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acelera o ritmo com o </span><i><span style="font-weight: 400;">feat </span></i><span style="font-weight: 400;">de Vinex e passa a visão de que, para se chegar onde se está, muitos utilizam o código de trapaça chamado privilégio. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sKy9It88zCY"><span style="font-weight: 400;">versos</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixam evidente que, na trajetória das paulistanas, o que não faltou foi muito trabalho duro e que, acima de tudo, toda a vida que levam hoje é fruto do talento e de muita correria. Em seguida de muito trabalho, as pretas não poderiam deixar de lado a ostentação – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eaDJfC0_hHk"><i><span style="font-weight: 400;">Lui Lui</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o instrumental de piano envolvente ao fundo, apresenta o segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">feat </span></i><span style="font-weight: 400;">mais marcante do álbum, Febem e ONNiKA celebram com as gêmeas o sucesso. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre quis ter uma Lui Lui/Agora com vários Adidas/Eu revezava dois boot/Hoje eu só pago à vista”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23723" aria-describedby="caption-attachment-23723" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2.jpg" alt="A imagem é uma fotografia das irmãs Tasha e Tracie. No lado esquerdo da imagem, Tracie, uma mulher preta de pele clara e cabelos cacheados, com olhos castanhos escuros, veste conjunto de moletom preto com duas listras verticais vermelhas, pulseiras, colares, anéis e brincos dourados. Ela está fazendo um sinal positivo com a mão, levantando apenas o dedão. Ao lado, sua irmã Tasha, gêmea idêntica, veste um conjunto de moletom rosa com detalhes em preto, brincos e anéis dourados, possui uma tatuagem na mão e está fazendo um sinal de hang loose, erguendo apenas o dedão e o dedinho. Ao fundo, uma parede cinza com algumas texturas. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/foto-3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23723" class="wp-caption-text">Além de rappers, estilistas e influenciadoras, Tasha e Tracie são DJs e já comandaram alguns bailes na Zona Norte de São Paulo (Foto: YouTube)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A já conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">SUV</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a prévia perfeita lançada em julho do que estava por vir em </span><i><span style="font-weight: 400;">Diretoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em parceria com </span><a href="https://portalrapmais.com/yunk-vino-revelacao-trap-nacional-2019/"><span style="font-weight: 400;">Yunk Vino</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com a produção de Mu540, a música ganhou um videoclipe à altura. A faixa faz o compilado de rimas com o tema cravado no </span><span style="font-weight: 400;">disco</span><span style="font-weight: 400;">, a vitória e o sucesso que as talentosas </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers </span></i><span style="font-weight: 400;">alcançaram em tão pouco tempo deve ser celebrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As batidas do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">tiveram destaque e são referência direta à vida e inspirações das </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também são </span><i><span style="font-weight: 400;">DJs</span></i><span style="font-weight: 400;"> em bailes no Jardim Peri. Em </span><a href="https://rapgol.com.br/tracie-tasha-entrevista-rapgolmagazine/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">RapGol Mazagine,</span></i><span style="font-weight: 400;"> elas reforçam a relação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Os caras do funk, vários se influenciam pelo rap, e eu e vários MC’s nos inspiramos no funk. Já rolou muito preconceito das pessoas do rap com o funk e isso pra nós nunca fez sentido”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tasha &amp; Tracie - SUV feat. Yunk Vino (Prod. Mu540)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5PNBIlUd7q0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A última faixa dá </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FrBkL97Yt5g"><span style="font-weight: 400;">nome</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capa ao álbum</span><span style="font-weight: 400;">. Com o fundo musical inspirado nas percussões das escolas de samba, a conexão entre as raízes da Música preta nunca estiveram tão evidentes, unindo a história das irmãs, filhas de mãe brasileira e pai nigeriano, com o samba, o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora seja um desfecho, o projeto é só o aquecimento para mais músicas que estão por vir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tasha afirma em </span><a href="https://rapgol.com.br/tracie-tasha-entrevista-rapgolmagazine/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o </span><i><span style="font-weight: 400;">RapGol Magazine </span></i><span style="font-weight: 400;">que </span><i><span style="font-weight: 400;">Diretoria </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas o começo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Enxergamos ‘Diretoria’ como um pé na porta. A gente tentou passar um recado que somos MC’s, sem essa de rap de mina. Com esse EP, conseguimos passar a mensagem e agora podemos entrar em outros assuntos e vibes, assim como falar de sensibilidade, que são os próximos passos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com muita personalidade, força e talento, as </span><i><span style="font-weight: 400;">MC&#8217;s</span></i><span style="font-weight: 400;"> são uma ótima revelação e aposta do </span><a href="https://personaunesp.com.br/criancas-selvagens-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nacional. Em pouco menos de um mês do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Diretoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, as paulistanas mostraram ao público que vieram para ficar e que a força da mulher no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> é gigante. Tudo se encaixa no disco, tornando ele um dos, se não o melhor, lançamento do ano na cena. Resgatando as raízes, mas sempre com </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">chiclete como os dos </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">mais antigos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j5LJ7dCC_qQ"><i><span style="font-weight: 400;">Salve</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FqhliaBW_rM"><i><span style="font-weight: 400;">Tang,</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">a dupla Tasha &amp; Tracie tem tudo para conquistar o Brasil e o mundo. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Diretoria" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/062ycDqIDtT21UFyKlHDvO?si=aMkWCKpmSOCgQy7JwpgGHQ&#038;dl_branch=1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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