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	<title>Arquivos Apple TV+ &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 13:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36934" aria-describedby="caption-attachment-36934" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers1.png" alt=" Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima" width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36934" class="wp-caption-text">A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/the-buccaneers-o-que-e-diferente-do-livro-original-de-edith-wharton/"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de </span><a href="https://blog.paraisofeminino.com.br/girlhood-a-tendencia-ultra-feminina-que-veio-para-ficar/"><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.</span></p>
<p><span id="more-36932"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no romance inacabado de Edith Wharton – publicado postumamente em 1938 – </span><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser uma adaptação literária com fôlego crítico e emoção à flor da pele. A escritora, conhecida por obras como </span><a href="https://youtu.be/0uPg36iMlGU?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Época da Inocência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) – que foi adaptada por Martin Scorsese – e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Alegria </span></i><span style="font-weight: 400;">(1995), já explorava as tensões entre </span><a href="https://youtu.be/eCa459WluZg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">mulheres e sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rara sofisticação. A primeira temporada honra esse legado – garotas americanas ricas invadindo a aristocracia britânica com vestidos ousados, atitudes mais ainda, e uma solidariedade de fazer inveja a muitos clubes de cavalheiros. Havia ternura, tensão, pequenas revoluções cotidianas e falava de </span><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i><span style="font-weight: 400;"> – essa experiência densa, confusa, brilhante e, por vezes, sombria de ser jovem mulher num mundo que te julga antes mesmo de você se descobrir.</span></p>
<figure id="attachment_36935" aria-describedby="caption-attachment-36935" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccanners2.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos na imagem Nan, uma mulher branca, de cabelo preso para trás, usando um vestido vermelho elegante e tomara que caia. Ela está de perfil para a direita e tem um batom vermelho. Ao fundo, há um grupo de pessoas vestidas formalmente em trajes de época, em um jardim com vegetação verde " width="512" height="222" /><figcaption id="caption-attachment-36935" class="wp-caption-text">A produção foi a segunda adaptação da obra literária, sendo a primeira uma série em 1995 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada parece desconfortável com o próprio silêncio. Tudo precisa ser resolvido com escândalo, cartas escondidas ou paixões proibidas. O núcleo da </span><a href="https://youtu.be/FaDFty5ipEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nan (Kristine Froseth), Conchita (Alisha Boe), Jinny (Imogen Waterhouse), Lizzy (Aubri Ibrag) e Mabel (Josie Totah) – o coração da história – praticamente evapora. Em seu lugar, surgem rivalidades forçadas, decisões passionais e um clima de ‘vale tudo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A sensibilidade dá lugar ao choque, e o olhar delicado sobre o feminino vira vitrine para dilemas de novela das cinco com produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/rdSajlISTRM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Kristine Froseth</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde parte da força que a tornava tão magnética, a personagem que antes parecia movida por princípios, agora age com hipocrisia e uma certa arrogância disfarçada de empoderamento. Ela cobra dos outros uma honestidade emocional que a própria não pratica. Diz lutar por liberdade e autonomia, mas manipula os sentimentos de Guy (Matthew Broome) e Theo (Guy Remmers) com uma ambiguidade moral desconcertante. Ao esconder verdades importantes e seguir tomando decisões impulsivas – algumas que afetam diretamente a vida das pessoas ao redor – se torna menos uma heroína feminista e mais uma anti-heroína mimada. A série parece não perceber essa virada de tom e continua tratando suas atitudes como grandes gestos de coragem, quando na verdade são, muitas vezes, apenas egoísmo disfarçado de protagonismo.</span></p>
<figure id="attachment_36936" aria-describedby="caption-attachment-36936" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers3.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos Nell (Leighton Meester), uma mulher branca com cabelo ruivo, preso em cachos e enrolado ao redor da cabeça. Ela usa um chapéu azul decorado com flores e um vestido azul claro com detalhes em renda preta, gola alta com babados brancos. O fundo está desfocado e escuro" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36936" class="wp-caption-text">Uma das surpresas da temporada foi ver Leighton Meester interpretar a mãe biológica de Nan – e tentar não lembrar da Blair de Gossip Girl enquanto assistia os episódios (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse descompasso fica ainda mais evidente em seu arco com a sua mãe biológica, </span><a href="https://youtube.com/shorts/_cBtAvwsNqw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Nell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (vivida por Leighton Meester, a Blair de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O reencontro entre elas tinha tudo para ser emocionalmente devastador, um mergulho nas origens e nas contradições sociais que cercam a trajetória de Nan. Contudo a produção passa por isso com pressa, sem dar tempo para a dor, o confronto, a reconciliação ou mesmo para o conflito real. O que poderia ser um dos momentos mais ricos da temporada se dilui em cenas rápidas, quase esquecíveis, que tratam com superficialidade um tema que merecia muito mais densidade. A impressão é de que até esse pedaço da história foi sacrificado para abrir espaço para mais um drama romântico qualquer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por isso, quem vem roubando os holofotes nesta temporada é a personagem vivida por </span><a href="https://youtu.be/b-uRjOwewpU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Aubri Ibrag</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lizzy, que antes orbitava discretamente a história principal, ganhou corpo, carisma e uma profundidade emocional mais convincente que a da própria protagonista. Nas redes sociais, o culto a personagem cresceu a cada episódio: vídeos, </span><i><span style="font-weight: 400;">fan edits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e discussões exaltam sua sensatez, sua trajetória silenciosa e sua autenticidade – tudo o que parece ter evaporado do arco de Nan. É como se o público tivesse encontrado nela aquilo que a série prometeu com a protagonista, entretanto, não entregou: uma mulher jovem, complexa, ética e que amadurece sem precisar passar por cima dos outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das presenças femininas da obra, a figura do </span><a href="https://youtu.be/-6BvnK7slWM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Theo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das poucas surpresas agradáveis. Durante a temporada, seu arco entrega um dos raros momentos de sinceridade emocional ao passar dos episódios. Já Guy, o antigo amor de Nan, vira quase um mártir passivo, preso numa </span><a href="https://youtu.be/d2Q5uh35up4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">dinâmica</span></a><span style="font-weight: 400;"> injusta onde o afeto nunca é retribuído com a mesma integridade. A série parece querer que o público torça por sua ex-parceira a qualquer custo, contudo ignora o quanto ela se afasta da empatia e da ética em nome de sua própria narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36933" aria-describedby="caption-attachment-36933" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers4.png" alt="Cena da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão em pé, lado a lado, segurando suas saias ou mãos, olhando para a direita. Elas vestem roupas de época em tons pastel e terrosos, com detalhes bordados ou rendados. O jardim atrás delas tem plantas verdes e uma casa antiga parcialmente visível " width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-36933" class="wp-caption-text">O que era pra ser uma série sobre amizade e empatia feminina se tornou tudo menos isso (Foto: Angus Pigott/Apple TV+/The Forge Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, não dá para dizer que </span><a href="https://youtu.be/4wzf9W-utdc?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou um desastre, a obra ainda é belíssima, tem um elenco com química e apresenta momentos isolados de potência – como as tramas centradas em </span><a href="https://youtu.be/GTQzCDp5qI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Jinny</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/nALMKoHEHl8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falam de temas como abuso e sexualidade com alguma coragem. Mas tudo isso parece surgir em meio ao caos, como relances de um seriado que já foi mais consciente de si mesma. Há menos escuta entre as personagens, afeto genuíno e espaço para as pequenas revoluções que antes costuravam cada episódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o problema seja justamente o tom, a série parece querer crescer junto com suas personagens, entretanto confunde o amadurecimento com o abandono de suas raízes. O foco deslocado da amizade para o drama romântico esvazia o que havia de mais revolucionário: mulheres que se escolhem, se defendem e se reconhecem. Sem isso, sobra só o que vemos em outras dezenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramas de época</span></a><span style="font-weight: 400;">: bailes, vestidos, beijos proibidos. Bonito? Sempre. Original? Nem tanto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers </span></i><span style="font-weight: 400;">seguiu os passos da primeira temporada</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou</span> <span style="font-weight: 400;">seja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">continuou sendo um deleite visual. Porém, para uma produção que começou com promessas de romper padrões e recontar o feminino com nuance e afeto, essa </span><a href="https://youtu.be/ebLFnnSEpkE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter trocado a alma pelo verniz – e uma protagonista complexa por uma figura contraditória que se recusa a lidar com suas próprias falhas. Ainda há tempo para voltar a navegar com propósito, mas, por enquanto, o navio parece à deriva – lindo, caro, porém sem bússola.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/3p6ZMqvw3XY?si=Iengf-qpQzj9GMbz"><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers &#8211; trailer 2° temporada</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pluribus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36906" aria-describedby="caption-attachment-36906" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn, mulher branca, loira e de olhos azuis, está posicionada no centro da imagem. Ela veste uma camisa azul escura com um casaco preto aberto por cima. A foto foi tirada em um ângulo que destaca o chão de pedras como fundo principal. No canto superior direito, aparecem algumas plantas." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36906" class="wp-caption-text">Rhea Seehorn em “Pluribus”, já disponível no Apple TV (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;">, série da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  lançada em novembro de 2025. </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Vince Gilligan</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador do seriado, conquistou o público pela trama envolvente e misteriosa e também pela ausência de respostas fáceis, fazendo com que a produção se tornasse a série mais assistida da história da plataforma. Talvez esse sucesso venha justamente do respiro em meio a alguns lançamentos do ano, que funcionam à base de explicações óbvias e finais tediosos, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016).</span></p>
<p><span id="more-36905"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma descoberta feita por um astrônomo, algo começa a fugir do controle e a infectar a humanidade com o que parece ser um ‘vírus da felicidade’. O planeta passa por uma </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DQ7UwDZktM-/"><span style="font-weight: 400;">mudança drástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, na qual cada ser humano passa a fazer parte de um todo. De alguma forma, todas as mentes se conectam e, a partir disso, compreendem como trabalhar por um mundo melhor. Todos compartilham conhecimentos, experiências, crenças e gostos, porém, funcionam em uníssono, sem priorizar ninguém, apenas o bem-estar do próximo. Entre bilhões de pessoas ‘infectadas’, 13 não se juntam a essa consciência única. Uma delas é a protagonista, escritora frustrada e rabugenta que perdeu a esposa no dia da infecção e que, agora, precisa conviver com essa nova realidade perturbadora.</span></p>
<figure id="attachment_36908" aria-describedby="caption-attachment-36908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn está de costas, posicionada no canto esquerdo da imagem, vestindo um agasalho de fundo branco com traços em verde, amarelo, azul e rosa. À frente, Karolina Wydra, mulher branca de cabelos castanhos e olhos castanhos, está sentada usando um agasalho com traços em rosa e azul. Ao fundo, há um cenário de inverno; as paredes de vidro deixam ver árvores, duas cadeiras e a neve do lado de fora." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36908" class="wp-caption-text">Karolina Wydra já interpretou Dominika Petrova na série americana House MD (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/gSoLVRg5xrM"><span style="font-weight: 400;">simbólicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece quando Carol e a maioria dos não infectados se reúnem à mesa para tentar entender o que aconteceu com a humanidade. Ela, a única pessoa branca entre eles, parece encarar a situação como uma afronta à própria identidade e liberdade. Já os demais, de diferentes nacionalidades e etnias não brancas, veem esse novo mundo como um espaço pacífico, no qual não existe dor, racismo ou qualquer elemento que condene a própria existência. Todos conseguem conviver com suas famílias mesmo nessa condição, menos ela e Manousos (Carlos Manuel Vesga), um homem latino que se agarra ao conservadorismo do mundo antigo e sequer se faz presente à mesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é completamente diferente do que costuma aparecer em séries e filmes de ficção científica. Trata-se de um espaço organizado e limpo, que serve de palco para os movimentos orquestrados dos ‘contaminados’. O mais comum nessa temática é o questionamento sobre a origem do fenômeno, o que o causou e quem foi o responsável. Foram alienígenas? O foco da primeira temporada de Pluribus não está nisso, apesar de oferecer pequenas explicações, ainda que pouco claras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento, é apresentada não apenas a perspectiva de Carol, mas também a de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F5dCqf_NKwc"><span style="font-weight: 400;">Manousos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vai em busca da escritora na tentativa de reverter a situação. Um dos defeitos da trama está justamente no encontro entre eles. Algo que construiu muita expectativa, principalmente pelo fato de ambos pensarem de forma semelhante, acaba se concretizando de maneira infantil, como se fossem adolescentes desconhecidos. Além disso, o encontro não é dos mais produtivos, já que não há qualquer avanço ou tentativa real de acordo. Aqui, a acidez constante de Carol e agressividade de Manousos falam mais alto.</span></p>
<figure id="attachment_36907" aria-describedby="caption-attachment-36907" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg" alt="Rhea Seehorn aparece vestindo uma camisa bege e calça jeans, segurando um celular à frente de Manousos, um homem branco com cabelo curto e castanho que usa camiseta cinza, calça social e relógio, enquanto segura um guarda-chuva rosa. Ao fundo, há vegetação seca que se encontra com o céu azul, sem nuvens." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36907" class="wp-caption-text">O encontro entre Manousos e Carol marca último episódio da 1ª temporada de Pluribus (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de Rhea Seehorn é um ponto crucial nessa teia de perguntas sem respostas, especialmente nos monólogos que revelam momentos de emoção e, ao final, apresentam pontos de virada. Algo muito característico de outros </span><a href="https://www.google.com/search?q=pluribus+interview&amp;num=12&amp;sca_esv=e0108723e50a180c&amp;udm=39&amp;biw=1280&amp;bih=585&amp;aic=0&amp;sxsrf=ANbL-n7Y9f_B3xLaCjOF0rimuEsNesqUfw%3A1768325802501&amp;ei=qoJmacGqHpCG5OUPqKuS-A4&amp;ved=0ahUKEwjBp7j6homSAxUQA7kGHaiVBO8Q4dUDCBI&amp;uact=5&amp;oq=pluribus+interview&amp;gs_lp=Eh1nd3Mtd2l6LW1vZGVsZXNzLXNob3J0LXZpZGVvcyIScGx1cmlidXMgaW50ZXJ2aWV3MgUQABiABDIIEAAYgAQYywEyCBAAGBYYChgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIIEAAYgAQYogQyCBAAGIAEGKIESOMZUKIIWNcYcAF4AJABAJgBqAGgAbcKqgEEMC4xMLgBA8gBAPgBAZgCC6AClQvCAg0QABiABBixAxgUGIcCwgIQEAAYgAQYsQMYQxiDARiKBcICDRAAGIAEGLEDGEMYigXCAgoQABiABBhDGIoFwgIGEAAYBxgewgILEAAYgAQYsQMYgwHCAggQABiABBixA8ICChAAGIAEGBQYhwLCAgwQABiABBixAxgKGAuYAwCIBgGSBwQxLjEwoAfoP7IHBDAuMTC4B5ALwgcGMi0xMC4xyAdDgAgA&amp;sclient=gws-wiz-modeless-short-videos#fpstate=ive&amp;ip=1&amp;vld=cid:384dd4bb,vid:hGk4VGCL3tU,st:0"><span style="font-weight: 400;">protagonistas </span></a><span style="font-weight: 400;">das séries criadas por Gilligan, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2008). Não é à toa que a atriz faturou o prêmio de Melhor Atriz de Série de Drama no </span><a href="https://revistaoeste.com/cultura/rhea-seehorn-e-a-melhor-atriz-de-serie-de-drama-no-globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://inmagazine.ig.com.br/cinema-tv/rhea-seehorn-serie-drama/amp"><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></a><span style="font-weight: 400;">. É possível sentir a solidão da personagem, mesmo antes do dia em que o mundo virou de ponta-cabeça. Uma escritora que enfrenta um bloqueio criativo, no entanto parece ter sentido uma faísca dentro de si em meio ao caos. Não é como se ela se sentisse viva novamente, porém ao menos passa a valorizar a própria existência e aquilo que perdeu, como a esposa. Algo que serve de estratégia para que Zosia possa se aproximar e se relacionar com Carol.</span> <span style="font-weight: 400;">É uma dinâmica estranha, considerando que todos no planeta estão ali no corpo de Zosia ao se envolver com Carol, mas, ao mesmo tempo, parece real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de o encerramento da temporada não ter sido dos melhores, justamente por conta do encontro indiferente entre Carol e Manousos, há a abertura de caminhos que podem ser explorados na segunda temporada, já confirmada por Gilligan. O próprio diretor afirma que </span><a href="https://ew.com/pluribus-season-2-release-will-take-a-while-vince-gilligan-11873854"><span style="font-weight: 400;">não há pressa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para concluir o futuro da produção e que trabalhará o tempo que for necessário. Não há pontos negativos nisso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série em que cada detalhe precisa ser cuidadosamente articulado para o desenvolvimento da trama. Não são apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;"> que alimentam teorias entre o público,  e sim particularidades narrativas que se encaixam para construir uma contextualização o menos óbvia possível. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pluribus — Official Trailer | Apple TV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/a6lzvWby9UE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Mr. Scorsese e a arte de amar os pecadores</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 12:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Quesada   Na seção Apresentação Especial da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a série documental de cinco episódios da Apple TV+, com direção de Rebecca Miller, abre com uma colagem de cenas dirigidas por Martin Scorsese ao som de Sympathy For The Devil (ou “empatia pelo diabo”) dos Rolling Stones, afinal, estamos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-mr-scorsese/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mr. Scorsese e a arte de amar os pecadores"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35989" aria-describedby="caption-attachment-35989" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10-800x450.png" alt="Retrato em preto e branco de Martin Scorsese, visto de perfil, já mais velho, usando chapéu e sobretudo escuro. Ao fundo, uma rua iluminada com paredes texturizadas, sugerindo um ambiente urbano." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10.png 1014w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35989" class="wp-caption-text">Aplaudida de pé no Festival de Cinema de Nova York, série revisita o lendário trabalho de um dos diretores mais aclamados da história. (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Quesada  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na seção Apresentação Especial da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série documental de cinco episódios da Apple TV+, com direção de Rebecca Miller, abre com uma colagem de cenas dirigidas por Martin Scorsese ao som de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Jwtyn-L-2gQ&amp;list=RDJwtyn-L-2gQ&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Sympathy For The Devil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">empatia pelo diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">”) dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i><span style="font-weight: 400;">, afinal, estamos falando de um diretor com fascínio pela violência (tema que, por vezes, lhe rendeu algumas </span><a href="https://cinepop.com.br/conheca-o-polemico-classico-de-martin-scorsese-faz-35-anos-em-2023-448397/"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na carreira). Além disso, a obra viaja para a infância do cineasta para entender de onde aquele rapazinho asmático de apenas um metro e sessenta tirava tanta braveza. </span></p>
<p><span id="more-35988"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rebecca conversou com diversas pessoas que cresceram com Scorsese em </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/a-historia-da-organizacao-criminosa-mao-negra-terror-de-nova-york/"><i><span style="font-weight: 400;">Little Italy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, subúrbio de Nova York (“</span><i><span style="font-weight: 400;">no cruzamento da Avenida dos Assassinos com a Avenida do Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como apelidou carinhosamente) e faz um retrato que parece ter saído de um dos seus próprios filmes, mas, desta vez, não do ponto de vista do gângster</span> <span style="font-weight: 400;">ou do esquisitão, e sim do menino à margem do parquinho que um dia contaria todas essas histórias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Scorsese cresceu com esses caras, e teve acesso a coisas que muitos cineastas não tiveram. Assim, ele entende, melhor do que ninguém, a natureza dessas relações intensas. Todos aqueles ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">underdogs</span></i><span style="font-weight: 400;">’ tentando vencer na vida que escreveu são, na verdade, o retrato de outro azarão – ele mesmo – tentando se tornar diretor de Cinema em meio a tanta coisa errada. Assim, notamos que cada personagem de Scorsese carrega um pouco da sua essência: de Travis Bickle (Robert De Niro), de </span><a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1976)</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">outsider</span></i><span style="font-weight: 400;">’ sem jeito com as pessoas, tentando se conectar àquele mundo – a Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-lobo-de-wall-street-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Lobo de Wall Street</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013)</span></a><span style="font-weight: 400;">, um corretor comum que quer provar que é capaz de vencer o sistema e “</span><i><span style="font-weight: 400;">não ser só mais um</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um mundo movido pelo dinheiro. Marty ama seus personagens, e por isso eles são tão interessantes.</span></p>
<figure id="attachment_35991" aria-describedby="caption-attachment-35991" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-9.png" alt="Fotografia colorida mostra Martin Scorsese e Robert De Niro em um momento de interação no set de Taxi Driver (1976). Scorsese, com barba e óculos escuros, veste camisa branca e calça escura, enquanto De Niro, caracterizado como Travis Bickle, usa jaqueta militar e camisa xadrez. Ao fundo, é visível uma rua urbana com prédios típicos de Nova York, refletindo o ambiente da década de 1970." width="700" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-35991" class="wp-caption-text">Scorsese e Robert De Niro trabalharam juntos em diversos filmes, dentre eles o clássico Taxi Driver (1976) (Foto: Steve Schapiro)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série também o desmistifica: trabalhar com ele, ao contrário do que muitos pensam, é tudo, menos fácil. Tecnicamente, Scorsese é um gênio (daqueles que visualizam o filme pronto na cabeça antes mesmo de começarem a filmar) mas, para Hollywood, produzir obras em que o sangue escorria até da tela do Cinema, em uma época em que as pessoas dobravam o </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/o-que-e-um-blockbuster"><span style="font-weight: 400;">quarteirão</span></a><span style="font-weight: 400;"> para assistir aos </span><i><span style="font-weight: 400;">Gremlins (1984)</span></i> <span style="font-weight: 400;">– ou qualquer blockbuster desse tipo –, parecia loucura. Scorsese, por outro lado, nunca quis saber: era preciso ser cruel para ser artista, e apresentar a violência também deveria ser motivo de louvor – um ato de coragem numa época em que críticos de Cinema eram como astros, capazes de matar um diretor com suas línguas em formato de chicote. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, como todo homem que anda à margem pode um dia cair no abismo, o documentário visita também os pontos mais baixos da carreira de Scorsese, como o vício em drogas que quase o matou, quando passava noites em branco no set – pensando apenas em filmar (“</span><i><span style="font-weight: 400;">todo esse filme não pode te fazer bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse o doutor), e sua eletrizante volta por cima, quando a</span><a href="https://cineset.com.br/oscar-indicacoes-martin-scorsese/"> <span style="font-weight: 400;">Academia</span></a><span style="font-weight: 400;"> finalmente reconheceu sua Arte (por mais sangrenta que fosse) ao premiá-lo como Melhor Diretor por </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Infiltrados</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), o que talvez tenha vindo até tarde demais – afinal, há pelo menos trinta anos ele já moldava, com mãos seguras, o que hoje chamamos de clássicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 80 e poucos anos, o velho Marty conta sua história para Rebecca Miller enquanto continua aprendendo a controlar o que quer que seja esse seu lado sombrio. A série é uma cuidadosa revisita – e uma bonita homenagem – a carreira de um dos diretores mais badalados de Hollywood e praticamente um convite para todos os fãs do seu trabalho (e fãs de cinema em geral) mergulharem na sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/todos-os-32-filmes-de-martin-scorsese-do-pior-ao-melhor-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reassistirem esses personagens tão icônicos, ganhando ainda mais camadas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Absolute Cinema!</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Mr. Scorsese — Official Trailer | Apple TV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tWoKsiFr4Q8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Entre Montanhas é híbrido genérico com linguagem de videogame</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 13:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Scott Derrickson possui uma filmografia interessante, seja dirigindo um blockbuster como Doutor Estranho (2016) ou um excelente Terror, O Telefone Preto (2021).  Apesar de ser um diretor regular, nada poderia preparar os assinantes do Apple TV+ para o desastroso Entre Montanhas (2025), a obra mais genérica do cineasta, que parece, inclusive, um embutido &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-montanhas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Montanhas é híbrido genérico com linguagem de videogame"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35717" aria-describedby="caption-attachment-35717" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4-800x419.jpg" alt="Cena do filme Entre MontanhasNa imagem, a personagem Drasa segura uma arma com mira. Ela está no canto direito da foto, empunhando o objeto com as duas mãos. O cenário é noturno, há algumas luzes amarelas ao fundo e no canto direito. Drasa é uma mulher branca, de cabelos curtos e pretos, na faixa dos 30 anos. " width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4-1200x628.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35717" class="wp-caption-text">Em entrevista ao Omelete, o diretor elogiou a química da dupla protagonista (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Scott Derrickson possui uma filmografia interessante, seja dirigindo um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><a href="https://personaunesp.com.br/dr-estranho-mas-nem-tanto/"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) ou um excelente Terror, </span><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Telefone Preto </span></i><span style="font-weight: 400;">(2021).  Apesar de ser um diretor regular, nada poderia preparar os assinantes do </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o desastroso </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Montanhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), a obra mais genérica do cineasta, que parece, inclusive, um embutido das sobras de um filme que nunca aconteceu. Estrelada por Anya Taylor-Joy (Drasa) e Miles Teller (Levi), a produção passeia por gêneros e não consegue acertar em nenhum. </span><span id="more-35716"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drasa e Levi são dois atiradores designados à missão de impedir que algo misterioso saia de um desfiladeiro, cada um fica responsável por um dos lados das montanhas, proibidos de interagir. No entanto, a paixão é mais poderosa que as orientações do trabalho, ambos os profissionais mantêm contato por distância e se apaixonam. Os primeiros 30 minutos da história dão um tom sisudo e misterioso por meio de dúvidas sobre qual o objetivo da guarda e qual ameaça habita o local. Ali, o espectador testemunha um </span><i><span style="font-weight: 400;">suspense</span></i><span style="font-weight: 400;">, que logo será substituído por um romance que iguala a algo escrito pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/john-green-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Green</span></a><span style="font-weight: 400;">. Drasa é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sGVpZ7fWsi8"><span style="font-weight: 400;">tropo narrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da ‘garota especial’, possui senso de humor diferente, é sarcástica e tem habilidades associadas ao gênero masculino: boa mira e combate. Levi, que é considerado descartável para os militares, já que não possui família ou vínculos, é o homem solitário e traumatizado que terá suas qualidades afloradas ao se envolver com uma mulher. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando os protagonistas estão se conhecendo, a montagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Frédéric Thoraval</span></a><span style="font-weight: 400;">, antes densa, contemplativa e com respiros entre um </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outro, ganha ares de romance barato, quando quer demonstrar passagem de tempo, aplica intensidade e cortes rápidos, conforme acompanha a câmera hiperativa, ao som de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=268C3N2dDYk"><i><span style="font-weight: 400;">Blitzkrieg Bop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos Ramones. Em outro momento, a canção </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/colunas/as-musicas-de-entre-montanhas/"><i><span style="font-weight: 400;">Spitting Off the Edge of the World</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a escolhida para ser tema da primeira noite de amor do casal — Derrickson tem inspiração para filmar a cena, que começa com uma dança, onde a lente faz parte da coreografia, parando de se mexer nos trechos mais calmos da trilha. </span></p>
<figure id="attachment_35720" aria-describedby="caption-attachment-35720" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-4-800x420.png" alt="Cena do filme Entre MontanhasNa imagem, Levi (à esquerda) e Drasa (à direita) se despedem. Ela está com a mão direita no rosto dele, enquanto se observam. Levi está segurando uma corda na cor preta, ambos vestem casacos de frio também desta cor. O dia está claro e ao fundo há rochas, em desfoque. Drasa é uma mulher branca, de cabelos curtos e pretos, na faixa dos 30 anos. Levi é um homem branco, na faixa dos 40 anos, possui barba rala no rosto e tem cabelos escuros e curtos. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-4-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-4-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-4-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-4.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35720" class="wp-caption-text">Entre Montanhas concorreu ao Emmy 2025 na categoria de Melhor Filme para TV (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrutura de </span><a href="https://medium.com/@arteeculturaanhembi/os-processos-da-cria%C3%A7%C3%A3o-de-um-videoclipe-d90737efeb71"><i><span style="font-weight: 400;">videoclipe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> soa como uma escolha para dar dinamismo ao enredo de quase 120 minutos de duração e fruto do contexto de velocidade dos aparelhos tecnológicos. Mas o pior ainda estava por vir: se já não bastasse a inconsistência narrativa, a última hora se transforma em uma experiência </span><a href="https://cineset.com.br/a-integracao-dos-elementos-dos-games-no-cinema-moderno/"><span style="font-weight: 400;">gamificada</span></a><span style="font-weight: 400;">, que visa o estímulo e a imersão do público na ação, ao invés da composição imagética, por meio dessa direção que age como personagem, se movendo a cada soco tomado, a cada giro da arma para mirar em outro objeto. Há uma sequência que faltou pouco para pedir a quem assiste para apertar intensamente no botão círculo para impedir que Drasa fosse atacada. Esse Cinema nos moldes de algoritmo precisa captar a atenção do espectador pela frenesia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O visual das criaturas que vivem na garganta parecem ter os visuais descartados das artes conceituais da sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho</span></i><span style="font-weight: 400;">, que seria encabeçada por Derrickson, até que os <a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/roteirista-explica-saida-scott-derrickson-doutor-estranho-2">conflitos</a> com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> finalizaram a passagem dele pelo herói. Assim como remetem ao visual dos infectados de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last Of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013), o</span><span style="font-weight: 400;"> </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">dos Homens Ocos é mais um elemento genérico, além da aparência amadora da fotografia para um filme caro, seja no desfiladeiro com as luzes artificiais coloridas ou nas locações reais, em que a iluminação é chapada, tal como já foi (e ainda é) criticado em produções de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35721" aria-describedby="caption-attachment-35721" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-800x453.jpg" alt="Cena do filme Entre MontanhasNa imagem, há um esqueleto, já em estágio avançado de decomposição, preso aos dentes de uma vegetação ambulante. Os troncos são tortos e assustadores, as cores da fotografia são em tons de azul, com névoa ao fundo, impedindo de ver o horizonte. " width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-3.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35721" class="wp-caption-text">Uma poesia de T. S. Eliot foi usada de inspiração para o conceito dos Homens Ocos (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sigourney Weaver</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpreta uma empresária mesquinha que visa lucro e prefere ameaçar a existência de vida na Terra… você já ouviu essa história. <em>Entre Montanhas</em> é um emaranhado de tropos e clichês de fitas de ação, aventura, romance e todos os gêneros possíveis que ele tenta incorporar, sem conseguir desfrutar dos códigos de pelo menos um deles. A ambição em criar uma trama híbrida — assim como criaturas que são uma mistura de plantas, animais e humanos — e até a existência de elementos batidos na história não é um problema declarado, tudo depende, sempre, da forma como eles se relacionam em cada longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sua presença no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2025 é mais um argumento de que o evento não é vitrine alguma para o que há de melhor na televisão. A produção perdeu para a ótima sequência de Bridget Jones — o vencedor da categoria de Melhor Filme para TV é anunciado uma semana antes da transmissão da cerimônia — e diferente dos elogios de Scott Derrickson à </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+ </span></i><span style="font-weight: 400;">e ao roteiro de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-guerra-do-amanha/"><span style="font-weight: 400;">Zach Dean</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu novo trabalho não é original e tampouco ousado, é, na verdade, uma costura de muitas coisas que não se conversam e repetem fórmulas. Nem parece uma obra feita por um profissional que abandonou outro projeto por diferenças criativas, mas por um peão que aceita as condições de um estúdio, porque é isto que </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Montanhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é: um produto de uma empresa de tecnologia. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Entre Montanhas — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XE_kERP1bHg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 04:24:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Produções satíricas ou sobre os bastidores de determinada mídia têm ganhado cada vez mais espaço na vitrine, de heróis com Deadpool (2016) ao jornalismo com The Morning Show (2019-), a característica metalinguística já deixou de ser novidade. O Estúdio (2025), criada por vários artistas, incluindo Seth Rogen, Frida Perez e Evan Goldberg, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Estúdio convence que, para ter prestígio, a Comédia finge ter pompas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35645" aria-describedby="caption-attachment-35645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, os atores Seth Rogen (à esquerda) e Greta Lee (à direita) estão conversando em um set de filmagens. Ela olha com ternura para Rogen, enquanto ele presta bastante atenção nela. Greta Lee é uma mulher com traços asiáticos, de cabelos escuros na altura do pescoço. Usa um vestido verde com detalhes em amarelo e gola alta. Seth Rogen é um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos. Ele veste uma camisa de botões e óculos. Atrás dos atores está um espelho com lâmpadas acesas na borda, trazendo uma iluminação quente ao ambiente. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35645" class="wp-caption-text">Greta Lee faz uma ponta no segundo episódio do show (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produções satíricas ou sobre os bastidores de determinada mídia têm ganhado cada vez mais espaço na vitrine, de heróis com </span><a href="https://personaunesp.com.br/deadpool/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016) ao jornalismo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-morning-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019-), a característica metalinguística já deixou de ser novidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025),</span> <span style="font-weight: 400;">criada por vários artistas, incluindo Seth Rogen, Frida Perez e Evan Goldberg, é uma série que quase fica na obviedade das sacadinhas que tem ar de superioridade, porém a mistura de gêneros e narrativas prova que a inteligência do texto extrapola qualquer suspeita de autoridade.  </span><span id="more-35644"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Matt (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seth Rogen</span></a><span style="font-weight: 400;">) é promovido a chefe do </span><i><span style="font-weight: 400;">Continental Studios</span></i><span style="font-weight: 400;">, um antigo estúdio de Cinema. Enquanto ele quer reviver os tempos de glória de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, os acionistas têm outros planos: franquias e um filme da marca de suco em pó </span><a href="https://www.instagram.com/koolaid/"><i><span style="font-weight: 400;">Kool-Aid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É com esta premissa que a história começa e termina, afinal, a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai abordar a rotina de quem toma decisões comerciais e criativas durante a criação de longas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A promoção</span></i><span style="font-weight: 400;">, o roteiro dá sinais de assumir a posição de quem olha para a dinâmica das produções cinematográficas e se coloca como alguém acima disso, e de fato seria natural partir deste caráter quando os profissionais envolvidos na criação, roteiro e direção possuem </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/7-filmes-de-seth-rogen-para-dar-risada-de-superbad-vizinhos/"><span style="font-weight: 400;">carreiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> em comédias pastelões e de pouco prestígio &#8211; quando considerado a presença do gênero em festivais e premiações. Entretanto, a equipe mais homenageia a Sétima Arte do que tira sarro dela. O humor está presente, de uma forma inteligentíssima, e se relaciona mais com o tipo de filme que está emulando em cada capítulo, do que com uma vontade de parodiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35646" aria-describedby="caption-attachment-35646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.jpg" alt=" Cena da série O EstúdioNa imagem, os atores Seth Rogen e Zoë Kravitz estão rindo enquanto tocam em um quadro de faixas coloridas. Ele é um homem branco na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos e grisalhos. Está vestindo um terno amarelo. Já a atriz, é uma mulher negra, na faixa dos 35 anos, de cabelos escuros e com tranças longas. Ela usa um boné preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35646" class="wp-caption-text">Zoë Kravitz está entre os participantes da temporada, que inclui Martin Scorsese, Dave Franco e Olivia Wilde (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Plano-Sequência</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio</span></i><span style="font-weight: 400;">, é, sem nem precisar refletir muito, o melhor da temporada. Indicado na categoria de Melhor Roteiro em Série Cômica do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2025</span></a><span style="font-weight: 400;">, na trama, Matt está empolgado para acompanhar a tomada única de um clímax em produção, estrelado por Greta Lee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Passadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; 2023). Apesar de ser advertido sobre a ansiedade que um chefe de estúdio pode causar nos trabalhadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista permanece no local. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do capítulo anterior, que se conformava com piadas que só cinéfilos entendem, este se apodera da comédia de situações em um enredo que dobra, constantemente, as apostas do quanto Matt pode atrapalhar ao decorrer do </span><a href="https://personaunesp.com.br/oldboy-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em outras partes da obra, há o uso do elemento dramático conhecido como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xfT1BxXx3SQ"><i><span style="font-weight: 400;">a arma de tchekhov</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: qualquer coisa inserida em uma narrativa deve ser usada. Claro que o conceito não deve ser levado com intensidade, é que, em especial, neste episódio, seu uso provoca um efeito de humor brilhante. Já extasiado com as desventuras ocorridas nos bastidores e imersos naquele espaço, o espectador provavelmente esqueceu um mero detalhe dito em uma frase que vai servir como a conclusão do episódio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/olivia-wilde-mocks-her-dont-worry-darling-scandal-in-the-studio/"><i><span style="font-weight: 400;">O rolo desaparecido</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">incorpora um romance policial, com direito até a narração de detetives, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A guerra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se assemelha com um episódio de </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/coyote-vs-acme-tem-poster-data-de-estreia-e-cenas-ineditas-reveladas"><i><span style="font-weight: 400;">Looney Tunes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, daqueles em que o Coiote cria armadilhas para capturar o Papa-Léguas, mas não no tradicional cenário do deserto norte-americano, aqui o ringue é </span><i><span style="font-weight: 400;">Los Angeles</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio </span></i><span style="font-weight: 400;">fica amnésico de sua sátira, não só consegue tirar o melhor de seus atores e escritores, também extrapola as fronteiras que sua metalinguagem quer atingir.</span></p>
<figure id="attachment_35647" aria-describedby="caption-attachment-35647" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35647" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, a atriz Catherine O'Hara está em pé, parada em frente a uma grade que separa chão e rio. Ela segura um celular na mão e está vestindo um vestido laranja. Nos braços, ela também carrega uma bolsa na mesma cor, além de usar óculos escuros em formato redondo no rosto. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 70 anos, com cabelos ruivos. Ao fundo, há uma escada, onde jovens estão sentados e conversando, no canto direito da imagem. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35647" class="wp-caption-text">Catherine O&#8217;Hara é uma das indicadas na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Cômica do Emmy 2025 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao criar um simulacro de gêneros notórios, que estabeleceram clássicos do Cinema, os criadores </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-festa-da-salsicha/"><span style="font-weight: 400;">Evan Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alex Gregory, Peter Huyck, Frida Perez e Seth Rogen harmonizam com a trajetória de Matt: ele precisa compreender sua função de executivo e não de artista. É como se a Comédia não tivesse espaço entre os figurões da Sétima Arte, exceto quando existe uma categoria específica para ela, como no caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, o humor sem requintes, que é corpóreo e exagerado, nunca será alguém a dividir o panteão, somente se for uma farsa do </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do drama, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paródia vai para além de piadas com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Christopher Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou à </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/amazon-conclui-compra-de-estudios-da-mgm/"><span style="font-weight: 400;">aquisição da </span><i><span style="font-weight: 400;">MGM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pousa em galhos onde é preciso balançar para cair bons frutos. Neste quesito, portanto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> de TV alcança o nível de prestígio que tanto prezam:  o humor sútil, a crítica, a profundidade. Talvez um </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/superbad-e-hoje"><span style="font-weight: 400;">bando de adolescentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> se metendo em enrascadas apenas para beber álcool fosse banal demais para ser ovacionado, é necessário outro cenário, um já consolidado nas mentes de quem julga. As artimanhas podem acontecer, entretanto, sob os holofotes da indústria cinematográfica americana. </span></p>
<figure id="attachment_35648" aria-describedby="caption-attachment-35648" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35648" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.jpg" alt="Cena da série O EstúdioNa imagem, a atriz Chase Sui Wonders está andando, com um sorriso de canto no rosto, esboçando confiança. Atrás dela, há homens vestindo uniformes de militares de séculos passados. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, está usando um óculos redondo de sol, com lente alaranjada, terno com linhas na cor marrom e gravata na mesma cor, com uma estampa de olhos. Seu cabelo é preto, curto e com franja. O dia está ensolarado. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35648" class="wp-caption-text">Além de assistente executiva, Chase Sui Wonders também foi uma final girl em 2025 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Evan Goldberg e Seth Rogen, que assinam a direção dos dez episódios, garantem um trabalho no máximo funcional. No limiar do que é feito em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022-), eles tentam representar a ansiedade e caos do cotidiano de uma empresa através de uma câmera que acompanha personagens, passeia por ambientes, esbanja close-up, usa diversas vezes o plano-sequência e quase nunca dá fôlego, mas para por aí. Se a ideia era ter a sensação de velocidade impressa pela lente, o resultado foi obtido. Pelo menos, a fotografia comandada por </span><a href="https://variety.com/2025/artisans/news/the-studio-one-take-episode-1236347408/"><span style="font-weight: 400;">Adam Newport-Berra</span></a><span style="font-weight: 400;"> garante belas cenas com iluminação natural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Estúdio </span></i><span style="font-weight: 400;">quebrou recordes de indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, conquistando 23 nomeações. Entre elas,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Melhor Ator Coadjuvante em Série Cômica</span></i><span style="font-weight: 400;">, Melhor Série Cômica e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Melhor Direção em Série Cômica</span></i><span style="font-weight: 400;">; porém a briga para levar a estatueta é de cachorro grande, com o restaurante de Carmy (Jeremy Allen White)</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbott-elementary-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021-) na disputa. De qualquer maneira, quando a cerimônia tiver o </span><i><span style="font-weight: 400;">fade out</span></i><span style="font-weight: 400;">, vários espectadores ainda lembrarão de alguém que estacionou o carro no lugar errado, e isso é maior que qualquer ‘prestígio’. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Estúdio — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RYYQv2t0TgI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>2.ª temporada de Ruptura atualiza o conto de Orfeu e Eurídice enquanto lida com a crise existencialista</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 17:55:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Depois do grande sucesso da temporada de estreia, a expectativa para a sequência de Ruptura era enorme. No entanto, apesar da ansiedade dos fãs, Severance (no original) retornou três anos depois, um tempo considerável levando em conta a velocidade com que se produz séries atualmente para agradar a demanda do público. Contudo, se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-2a-temporada-de-ruptura/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "2.ª temporada de Ruptura atualiza o conto de Orfeu e Eurídice enquanto lida com a crise existencialista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35163" aria-describedby="caption-attachment-35163" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-800x450.webp" alt="Em primeiro plano está Mark, coberto de sangue em seu rosto e sua gola. Ao fundo, desfocada, está Hellen. Ambos estão em um corredor iluminado de vermelho. Mark esta de costas para Helen, que olha em direção a Mark." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35163" class="wp-caption-text">A série revigora o conto de Orfeu e Eurídice (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do grande sucesso da temporada de estreia, a expectativa para a sequência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> era enorme. No entanto, apesar da ansiedade dos fãs, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) retornou três anos depois, um tempo considerável levando em conta a velocidade com que se produz séries atualmente para agradar a demanda do público. Contudo, se o preço para uma produção de qualidade é o tempo, então que se espere mais alguns anos para a continuação, pois a 2.ª temporada mantém o nível, ao colocar Mark S. (Adam Scott) e outros internos em crise existencialista, sem perder de vista as críticas ao sistema capitalista e as jornadas de trabalho.</span></p>
<p><span id="more-35158"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira cena, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PNBoiETT4SA"><i><span style="font-weight: 400;">Olá, senhora Cobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já nos apresenta a uma das características dessa </span><i><span style="font-weight: 400;">season</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como a anterior</span> <span style="font-weight: 400;">se encerra no clímax, era esperado que retornasse naquele exato momento. Ledo engano. Ben Stiller e Dan Erickson deslocam o espectador com um suposto salto temporal. Desta forma, temos a mesma sensação dos internos, enclausurados, ansiosos, e, ao mesmo tempo, entediados, pois, intencionalmente, o capítulo joga um balde de água fria e quebra o ritmo que estava se construindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quebra de expectativa é fundamental na construção de uma ideia: qualquer luta que permita a manutenção do </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-1a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;">, será uma luta apenas pelos direitos básicos. Apesar de todo o esforço do quarteto, suas grandes conquistas foram necessidades imprescindíveis no ambiente de trabalho, mas nenhuma mudança significativa quanto a vida e a existência. Ao final da revolta e tudo o que vivenciaram, eles devem voltar ao serviço imediatamente.</span></p>
<figure id="attachment_35161" aria-describedby="caption-attachment-35161" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-800x450.webp" alt="Na imagem estão Mark e Helen em um corredor branco. Mark está à esquerda, usando um terno azul, segurando Helen pelos ombros e olhando fixamente para ela. À direita está Helen, ela está com uma blusa azul claro. Ela segura Mark um pouco acima da cintura e olha para os olhos dele. Ambos expressam certa preocupação no olhar." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35161" class="wp-caption-text">Ruptura foi lançada em 2022 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A despeito dessas críticas, a temporada vai para um lado muito mais existencialista. Os internos começam a ter suas ‘primeiras vezes’, começando na </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale </span></i><span style="font-weight: 400;">e tendo continuidade durante os novos 10 episódios; a primeira vez que viram o céu, que beijam, que dormem, que fazem sexo, que se apaixonam, que vivem de verdade. Todavia, junto com a vida, vem a morte. Após experimentarem serem humanos e voltarem à condição normal, ver seus desejos e necessidades serem negados faz eles optarem pela morte. Chocante é o momento em que Irving (John Turturro) é ‘assassinado’ em frente aos seus amigos, ou que Dylan (Zach Cherry) pede demissão, o que para os internos é sinônimo de suicídio. Os roteiristas e os diretores dos episódios </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x04-woes-hollow/"><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Aflição</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=klq8dnKz0S4"><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Expediente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, são muito precisos em representar de maneira forte e melancólica, enquanto os funcionários da LUMON lidam com normalidade, causando uma certa estranheza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do contexto geral, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Aflição</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o capítulo que melhor integra o existencialismo com as críticas ao sistema, além de fazer essa ponte entre essa mudança de foco temático. Ben Stiller lida com a solidão e a falta de amor dentro do capitalismo. O foco é colocar os personagens em um contexto desconfortável, jogando um contra o outro. Nesse sentido, Helena e Irving são o destaque, por meio da rivalidade estabelecida desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Ola, senhora Cobel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos se sentem sozinhos, por diferentes motivos: Helena (Britt Lower) não recebe amor do pai, demonstrando como as relações familiares se tornam palco para negócios – ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018) –, e Irving perde Burt para a aposentadoria, evidenciando o descaso das empresas com seus funcionários. Enquanto a primeira finge ser o seu duplo (Helen) para receber afeto de Mark, Irving transforma seus sentimentos em revolta, culminando em um sacrifício em prol dos seus amigos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira gradual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> sedimenta o caminho para a revolta dos internos. A partir de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x05-trojans-horse/"><i><span style="font-weight: 400;">Cavalo de Troia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Mark S. começa a se enxergar cada vez mais como uma pessoa, aceitando seus sentimentos por Helen e tentando viver, ainda que em um contexto desfavorável. Existe uma certa ironia, muito bem trabalhada sobre o fato de que, apesar de todas as críticas ao ambiente de trabalho, é nele em que aprendemos a viver um pouco. Conhecemos outras pessoas, fazemos amizades, namoramos e criamos laços. Enquanto isso, os externos não conseguem tocar a sua vida. Mesmo para Dylan que tem mulher e filhos, ele aparenta ser muito infeliz. Todos os ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">out</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">estão muito sozinhos, não importa quantas pessoas o cercam. Paralelamente, os seus duplos conseguiram criar vínculos muito fortes entre si.</span></p>
<figure id="attachment_35162" aria-describedby="caption-attachment-35162" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-800x450.jpg" alt=" Na imagem estão Helen, Mark, Irving e Dylan, nesta exata ordem. Helen está mais ao fundo e Dylan mais próximo da imagem. Os quatro estão com blusas de frio pretas e um gorro da mesma cor. Todos olham para algo fora do plano, à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3.jpg 882w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35162" class="wp-caption-text">A série já está renovada para a terceira temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada aposta cada vez mais no mistério, parecendo, em certos momentos, </span><a href="https://www.planocritico.com/especial-lost/"><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, só que um pouco mais galhofa. Antes de falar sobre o que o suspense constrói, é preciso dar o contraponto. Por vezes, a série se perde demais criando suspense para manter uma atmosfera interessante, mas vazia; suspense pelo suspense. Contudo, isto ocorre em episódios muito específicos, durante os dez capítulos, essa construção é muito bem pensada na concepção do universo, como se a LUMON conferisse a si mesma um valor de cultuação. Os gestos e falas cadenciados dos funcionários de alto escalão da empresa, a mitologia ao redor do Kier, as fantasias pagãs e as cabras transmitem uma religiosidade, que é adotada por algumas pessoas, como visto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IzUDYw1BFaI"><i><span style="font-weight: 400;">Doce Vitríolo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro dessa perspectiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> lida com o quanto as marcas influenciam em nossas vidas. </span><i><span style="font-weight: 400;">McDonald&#8217;s</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike</span></i><span style="font-weight: 400;"> e diversas outras, são direta e indiretamente influentes na maneira como enxergamos e experimentamos o mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz essas críticas a partir dos exageros, porém, é muito preciso em sua abordagem. Não há cinismo na paródia, nem mesmo um ar de superioridade, há apenas a representação por meio do escárnio. Talvez, esta seja a melhor forma de ilustrar a realidade insana, na qual empresas tentam se humanizar a partir de perfis </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, de uma busca por autoridade própria – como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J9YBhdAoJSk"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">–, enquanto os trabalhadores são cada vez mais desumanizados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nessa linha, é interessante o arco de Milchick (Tramell Tillman). A busca pelo reconhecimento do conselho. As cobranças em cima de acontecimentos que estavam fora de seu controle e a tentativa de maquinizá-lo, o levavam a jornadas abusivas e acabavam com o seu psicológico. A grande mudança vem em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x09-the-after-hours/"><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Expediente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando Mark não vai ao trabalho, sem dar grandes explicações, apenas dando a entender que tinha algo mais importante para fazer. Esse acontecimento cai como uma grande revelação, fazendo com que o personagem continue sua jornada sob outra perspectiva.</span></p>
<figure id="attachment_35164" aria-describedby="caption-attachment-35164" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35164" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-800x450.jpeg" alt="Em primeiro plano está Mark, caminhando em direção a câmera, com um terno, uma camisa branca e uma gravata. Ele está com o rosto e as roupas ensanguentadas, e olha fixamente para algo fora do plano, iluminado por uma luz branca. Ao fundo desfocado, sob uma luz vermelha está uma porta, com uma pequena janela nela. Gemma está atrás desta janela. Ela está com as mãos e o rosto ensanguentados e grudados na porta, olhando desesperadas para Mark." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35164" class="wp-caption-text">⁠”Acho que esquecê-la durante oito horas do dia não é a mesma coisa que superar” (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mitologia grega, </span><a href="https://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/orfeu-e-euridice-mitos-inspiram-a-arte.htm"><span style="font-weight: 400;">Orfeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi ao submundo em busca de seu amor, Eurídice. Na tentativa de trazê-la de volta ao mundo dos vivos, o filho de Apolo faz um acordo com Hades e Perséfone: ele deve sair do submundo sem olhar para trás. Próximo a saída, Orfeu não resiste a tentação e ao olhar para trás, define o destino de sua amada ao mundo inferior.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> revigora o conto – assim como fez Céline Sciamma em </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/retrato-de-uma-jovem-em-chamas/"><i><span style="font-weight: 400;">O Retrato de Uma Jovem em Chamas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) – ao colocar Mark como Orfeu, Gemma (Dichen Lachman) como Eurídice e Reghabi (Karen Aldridge) como Perséfone. Entretanto, é adicionado um novo elemento nesta história: Helen. Se Mark Scout ama Gemma, seu duplo é apaixonado por Helen. Por meio de muitas brigas, os dois Marks entram num acordo de salvar a personagem de Dichen Lachman, no entanto, quando eles resgatam ‘Eurídice’, é o interno quem está no comando. Ao olhar para trás, Mark S. encontra Helen. Ele rejeita seu criador e, de mãos dadas, volta para o inferno junto a sua amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tem algo que chama a atenção para o seriado, é a capacidade de entender o humano e seus sentimentos. Muitas séries se perdem ao colocá-los de lado para focar em um ‘evento maior’, mas </span><a href="https://www.planocritico.com/lista-ruptura-2a-temporada-os-episodios-ranqueados/"><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">entende como parte fundamental da construção do mundo e da tomada de decisões frente a estes grandes acontecimentos. Ainda que tenha morte, revoltas e outros assuntos grandiosos, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por encerrar a temporada com o principal casal de mãos dadas correndo para o caos. Desta vez, foi Orfeu quem caiu no submundo.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-m_DPp0Ht0o&amp;t=18s"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Ruptura — Trailer oficial da 2.ª temporada | Apple TV+&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=-m_DPp0Ht0o&amp;t=18s&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Ruptura — Trailer oficial da 2.ª temporada | Apple TV+</span></a></p>
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		<title>Jake Gyllenhaal pode ser assassino em Acima de 	Qualquer Suspeita – ou não</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Feb 2025 15:56:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Lopes Rusty Sabich é um vice-promotor temido, reconhecido pelo seu talento em colocar criminosos de Chicago atrás das grades. Esse não é seu único atributo, porém. Na série Acima de Qualquer Suspeita (Presumed Innocent, no original), Sabich é vivido pelo ator norte-americano Jake Gyllenhaal (Donnie Darko; O Segredo de Brokeback Mountain) – ou seja, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/acima-de-qualquer-suspeita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Jake Gyllenhaal pode ser assassino em Acima de 	Qualquer Suspeita – ou não"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34807" aria-describedby="caption-attachment-34807" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-800x450.jpg" alt="A imagem mostra o ator Jake Gyllenhaal, um homem com cabelo castanho e curto, usando um terno escuro e uma gravata. Ele está sentado, com a mão cobrindo parcialmente a boca, em uma expressão de concentração ou preocupação. O fundo é desfocado, mas sugere um ambiente formal, possivelmente um tribunal, com luzes suaves ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34807" class="wp-caption-text">Jake Gyllenhaal vive seu auge ao interpretar o protagonista Rusty Sabich na série Acima de Qualquer Suspeita, lançada pela Apple TV+ em Junho de 2024 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Lopes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rusty Sabich é um vice-promotor temido, reconhecido pelo seu talento em colocar criminosos de Chicago atrás das grades. Esse não é seu único atributo, porém. Na série </span><a href="https://www.adorocinema.com/series/serie-31243/"><i><span style="font-weight: 400;">Acima de Qualquer Suspeita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Presumed Innocent</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), Sabich é vivido pelo ator norte-americano Jake Gyllenhaal (</span><a href="https://personaunesp.com.br/donnie-darko/"><i><span style="font-weight: 400;">Donnie Darko</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) – ou seja, além de justiceiro, o protagonista é um galã com G maiúsculo, capaz de atrair qualquer mulher em um piscar de olhos – o que é um problema para ele.</span></p>
<p><span id="more-34806"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida de Rusty, que, à primeira vista é digna dos comerciais de margarina mais cafonas, começa a degringolar quando sua companheira de trabalho e amante, Carolyn Polhemus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Renate Reinsve</span></a><span style="font-weight: 400;">), é encontrada morta em seu próprio apartamento. A cena é chocante – Polhemus indubitavelmente não foi vítima de morte morrida, mas de morte matada, com requintes de crueldade. Não demora para que o romance, até então secreto entre Polhemus e Sabich, seja descoberto e ele se torne o principal suspeito.</span></p>
<p><figure id="attachment_34808" aria-describedby="caption-attachment-34808" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34808" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-2-800x468.png" alt="Da esquerda para a direita: Jake Gyllenhaal, um homem branco, de olhos claros, cabelo castanho claro, sem barba, vestindo terno e gravata pretos e camisa branca, com a mão levantada e o dedo indicador sobre os lábios; e Renate Reisve, uma mulher branca, de cabelos lisos e olhos castanhos escuros, vestindo uma camisa social bege e blazer marrom. O fundo embaçado aparenta ser o de um tribunal." width="800" height="468" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-2-800x468.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-2-768x449.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image4-2.png 925w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34808" class="wp-caption-text">Rusty Sabich (Jake Gyllenhaal) e Carolyn Polhemus (Renate Reinsve) são colegas de trabalho e vivem romance proibido [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Baseada no livro (escrito por Scott Turow) e longa-metragem (dirigido por Alan J. Pakula) homônimos, a produção de David E. Kelley (</span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Little Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ally McBeal</span></i><span style="font-weight: 400;">)  e </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-j-abrams-prodigio-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">J.J. Abrams</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Trek</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Star Wars: O Despertar da Força</span></i><span style="font-weight: 400;">), lançada pela </span><a href="https://tv.apple.com/br/show/acima-de-qualquer-suspeita/umc.cmc.5hnqrhwtzt3esr7rb1wq2ppvn"><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> TV+ </span></i><span style="font-weight: 400;">em Junho deste ano, veio para colocar o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da maçã em outro patamar e consagrá-lo de vez, por ser distinta de qualquer outra versão já feita – e, sem dúvidas, melhor. Romance, obsessão, crime, reviravoltas e suspense do início ao fim são os elementos centrais da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O crime inunda a vida dos personagens centrais como uma avalanche. Sabich se vê pela primeira vez do outro lado do tribunal, no campo da defesa, e não mais na acusação. Raymond Horgan (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-113345/"><span style="font-weight: 400;">Bill Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">), que, além de melhor amigo, é chefe de Rusty, vê suas chances de reeleição ao cargo de procurador geral devastadas com o assassinato. Barbara (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-136344/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Negga</span></a><span style="font-weight: 400;">), esposa do vice-promotor, se encontra presa no dilema entre ficar ao lado de seu marido, que ela já não reconhece mais, e se proteger de um possível criminoso. Jaden (Chase Infiniti) e Kyle (Kingston Rumi Southwick), filhos de Sabich, sofrem com a possibilidade de perder o pai para a prisão durante o processo judicial.</span></p>
<figure id="attachment_34809" aria-describedby="caption-attachment-34809" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-3-800x420.png" alt="Em uma sala de TV, estão Kyle, um adolescente negro, de cabelo curto, enrolado e castanho escuro, com um balde de pipoca em seu colo e deitado nos braços de seu pai, Rusty, que é um homem branco, de cabelo castanho claro e olhos claros. Ao lado dos dois está a mãe, Bárbara, uma mulher negra, de cabelo castanho, ondulado e curto. Os três estão no sofá. Sentada no chão, em frente ao trio, está a filha adolescente Jaden, uma menina negra, de cabelo curto, enrolado e castanho escuro. Na frente da garota, há uma mesa de centro, que não aparece, mas onde estão posicionadas, copos, uma garrafa de cerveja e um bowl." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-3.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34809" class="wp-caption-text">A harmonia da família Sabich é esfacelada quando seu patriarca, Rusty, é considerado o principal suspeito de um assassinato (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As únicas pessoas felizes com o crime e acusação do já ex-vice-promotor são Nico Della Guardia (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-241121/"><span style="font-weight: 400;">O. T. Fagbenle</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Tommy Molto (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-64733/"><span style="font-weight: 400;">Peter Sarsgaard</span></a><span style="font-weight: 400;">), que assumem os cargos de Horgan e Sabich, respectivamente, e se aproveitam da situação para alcançarem o poder que sempre desejaram. Destacam-se na série as cenas espetaculares contracenadas entre Jake Gyllenhaal e Peter Sarsgaard, que, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/tv-e-series/noticia/2024/06/12/acima-de-qualquer-suspeita-une-cunhados-jake-gyllenhaal-e-peter-sarsgaard-em-misterio-de-tribunal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">mesmo sendo cunhados na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixam o parentesco de lado ao presentearem o público com uma rivalidade explosiva e sem escrúpulos. Molto é fissurado por Rusty e tenta deixá-lo atrás das grades a qualquer custo, não se sabe se por inveja da carreira e currículo quase impecáveis do galã, por ciúmes de Carolyn ou pelos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gyllenhaal, que teve sua estreia na TV com a produção, apresenta aos telespectadores um personagem diferente do que se viu com Louis Bloom de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/hbo-max/suspense-com-jake-gyllenhaal-que-esta-no-streaming-vai-te-deixar-perturbado/"><i><span style="font-weight: 400;">O Abutre</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e com o detetive Looki do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><a href="https://www.omelete.com.br/os-suspeitos"><i><span style="font-weight: 400;">Os Suspeitos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, o ator seduz a audiência a seu favor, de modo a fazer com que torçamos pela absolvição de Rusty, mesmo em meio às inúmeras dúvidas que pairam no ar sobre ele . Gyllenhaal supera, inclusive, a interpretação de Harrison Ford ao trazer um protagonista muito mais complexo e multifacetado do que o vivido anteriormente pelo ídolo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/indiana-jones/indiana-jones-disney-plus"><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_34810" aria-describedby="caption-attachment-34810" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34810" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-800x533.png" alt="A imagem mostra uma cena em um tribunal. Um homem, vestido com uma camisa branca e calças cinzas, está sendo conduzido por um policial, que usa um uniforme azul escuro com um distintivo. O homem parece preocupado e tem as mãos juntas na frente do corpo. Atrás deles, um homem de terno escuro com uma gravata listrada observa. O ambiente é bem iluminado, com um teto de painéis de madeira e várias pessoas visíveis ao fundo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34810" class="wp-caption-text">Jake Gyllenhaal em cena da série Acima de Qualquer Suspeita (2024). [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Há um ‘quê’ de similaridade com os sentimentos e angústias que o enredo da série </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/defending-jacob-chris-evans-primeiro-trailer"><i><span style="font-weight: 400;">Em Defesa de Jacob</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Defending Jacob</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), lançada também pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2020, provocam. Mas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Acima de Qualquer Suspeita </span></i><span style="font-weight: 400;">trabalha o drama judicial de forma mais sagaz e emblemática que a produção de quatro anos atrás, dirigida por Morten Tyldum, principalmente por não deixar o público cansado das burocracias jurídicas que permeiam a história – o desejo de saber o desfecho do julgamento e descobrir a verdade é sobressaltado ao longo dos oito capítulos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quem assistiu ao filme de 1990 não está livre das surpresas, nem precisa se preocupar com </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers</span></i><span style="font-weight: 400;">: o desfecho chocante da obra de Kelley e Abrams não é o mesmo de 34 anos atrás. O sucesso foi tanto, que, após bater recordes de audiência na plataforma, a produção teve sua renovação garantida. Um novo caso, no entanto, deve ser desenvolvido na segunda temporada, que ainda não tem data de lançamento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Acima de Qualquer Suspeita — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PqwQ-ThHaGI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 17:56:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Lopes Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de Matéria Escura foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela Apple TV+ em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/materia-escura-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34507" aria-describedby="caption-attachment-34507" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com um casaco preto olha para sua frente com a boca aberta e expressão facial de alguém impressionado. Ao seu lado, está Amanda (Alice Braga), uma mulher branca, com cabelo castanho escuro, olhos escuros e vestida com um casaco cinza. Ela carrega a mesma expressão facial impressionada de Jason. No fundo, há uma parede de concreto e uma paisagem arborizada, que dividem a cena com um céu azul acinzentado." width="585" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-34507" class="wp-caption-text">Lançada em Maio de 2024, a série Matéria Escura presenteia o público com uma mistura de ciência e filosofia, com esplêndida atuação da atriz brasileira Alice Braga (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Lopes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/materia-escura-dark-matter-apple-tv"><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) e, principalmente, pela teoria do pessimista alemão Arthur Schopenhauer (1788 &#8211; 1860). Enquanto o primeiro se debruça sobre o fato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gNltpdCX8ks"><span style="font-weight: 400;">a liberdade humana ser angustiante</span></a><span style="font-weight: 400;">; o segundo, em sua ilustre obra literária </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo como Vontade e Representação </span></i><span style="font-weight: 400;">(1818), estuda, a grosso modo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IMSYDGo6mA&amp;t=61s"><span style="font-weight: 400;">como o ser humano sempre deseja aquilo que não tem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) é uma mistura de tudo isso.</span></p>
<p><span id="more-34505"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início do primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Você está feliz com a sua vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público se depara com Jason Dessen (Joel Edgerton), um professor universitário de física frustrado, em uma aula em que fala quase com as paredes sobre o famigerado ‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z4uIBLHs3_E"><span style="font-weight: 400;">Gato de Schrödinger</span></a><span style="font-weight: 400;">’, cuja teoria pode ser definida como o substrato da série toda. O mesmo ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção consagrada pela audiência e conhecida como uma das ‘queridinhas’ da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A diferença é que, na série alemã, a famosa teoria do gato, que existe e não existe ao mesmo tempo dentro de uma caixa, aparece apenas no final. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Eu costumava pensar que o objetivo da vida era chegar a um destino perfeito. Como ainda não tinha chegado lá, eu me sentia incomodado. Mas já tinha visto a perfeição. Já tinha chegado lá, e estou começando a suspeitar que são as imperfeições da vida que equivalem a um tipo de perfeição”.  </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Essa é uma das frases mais marcantes de Jason Dessen, protagonista da série. A conclusão que tal sentença carrega, todavia, não é alcançada pelo professor no começo da temporada.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessen vive uma vida de classe média baixa em Chicago, com sua esposa Daniela (Jennifer Connelly) e o filho Charlie (Oakes Fegley). O professor vê seu grande sonho profissional ser vivido pelo seu melhor amigo Ryan (Jimmi Simpson), um físico renomado e premiado. Com uma pegada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7cLqwm3zQZI"><i><span style="font-weight: 400;">Efeito Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2004), Jason tinha a liberdade sartriana para escolher entre dois caminhos no seu passado: casar-se com Daniela, o amor da sua vida, e criar os filhos que eles estavam esperando, de modo a deixar sua carreira de lado ou abandoná-la, obrigando a abortar seus filhos e seguir sua promissora carreira de físico que, certamente, levá-lo-ia à fortuna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele escolhe a primeira opção, que, embora tenha o levado à felicidade no amor, implicou, por outro lado, uma carreira amargurada, que pouco ou nada o recompensa nas esferas econômica e emocional, e sem qualquer perspectiva de melhora a curto e longo prazo. O que ele ainda não sabe, porém, é que sua realidade pode ser bem diferente – para a alegria dos telespectadores que acompanham a trama que discorre ao longo de nove episódios bem construídos e pensados para fazer o público maratonar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade paralela, dentro do multiverso de Schrödinger, Jason tomou a opção que privilegiava sua carreira e, por conseguinte, tornou-se um endinheirado empresário, que vive um relacionamento com a sedutora psicóloga Amanda (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/05/11/com-alice-braga-dark-matter-prova-multiverso-alem-de-herois-da-marveldc.htm"><span style="font-weight: 400;">Alice Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Ao contrário do primeiro Jason, no entanto, esse segundo é infeliz por ter ficado sem Daniela, seu verdadeiro e único amor. </span></p>
<figure id="attachment_34506" aria-describedby="caption-attachment-34506" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com uma blusa preta está cabisbaixo, com um olhar de tristeza. Ao seu lado, está sua esposa Daniela (Jennifer Connelly), uma mulher branca, de olhos  claros, cabelo preto e curto, vestida com uma blusa de manga comprida preta, de gola v. Ela olha para o marido com um olhar de desconfiança. Ao fundo, há uma sala de estar borrada, com luzes baixas, que entram predominantemente pela janela localizada do lado esquerdo, atrás de Jason." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34506" class="wp-caption-text">Jason Dessen, interpretado por Joel Edgerton, tenta superar as escolhas do seu próprio ‘eu’ para ficar com o amor de sua vida, vivida por Jennifer Connelly (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal infelicidade impulsiona o segundo Jason a construir uma caixa de Schrödinger gigante e ir em busca de sua amada na realidade do primeiro Dessen, professor frustrado, o que irá embaralhar a vida de todos aqueles que estão ao redor dos Jasons. Como previu </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/46045_conheca-arthur-schopenhauer-conhecido-como-filosofo-da-vontade.html"><span style="font-weight: 400;">Schopenhauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ser humano nunca está satisfeito com aquilo que está em suas mãos. Destaca-se aqui a atuação impressionante de Joel Edgerton ao dar vida aos dois principais Jasons da produção: o ator, apesar de continuar com o mesmo rosto e demais características físicas, encarna personagens cujas personalidades são diametralmente opostas, o que faz com que a audiência perceba a diferença entre um e outro apenas pelo olhar de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, física quântica, filosofia e reviravoltas fazem parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com menção à atuação espetacular da atriz brasileira Alice Braga – que prova, mais uma vez, que seu talento está indiscutivelmente no sangue – e ao cenário soturno, que beira as distopias clássicas. A capacidade do enredo de fazer com que os telespectadores entendam teorias complexas sem quebrar a cabeça também é digna de nota. A série tenta matar a saudade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz com que reflitamos sobre a insaciabilidade dos nossos desejos e sobre onde nossa liberdade de escolha pode nos levar – e isso é bom. Com um final dominado pelo ‘gostinho’ de quero mais, </span><a href="https://macmagazine.com.br/post/2024/08/16/apple-tv-renova-serie-materia-escura-para-a-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">a série foi renovada</span></a><span style="font-weight: 400;">, com lançamento da segunda temporada ainda sem data certa. Que seja tão boa quanto a primeira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Matéria Escura — Trailer oficial | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v_D9kHy3afM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os coiotes em pele branca de cordeiro de Assassinos da Lua das Flores</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Dec 2023 16:15:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga &#8220;Fundamentalmente é algo que, por alguma razão, permanece. Algo que você pode ver anos depois ou 10 anos depois você irá ver e será diferente. Em outras palavras, há algo a mais para aprender sobre si próprio e sobre a vida&#8221; Foram com essas palavras que Martin Scorsese definiu sua percepção sobre Cinema. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/assassinos-da-lua-das-flores-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os coiotes em pele branca de cordeiro de Assassinos da Lua das Flores"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32349" aria-describedby="caption-attachment-32349" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32349" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-800x451.jpg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos, da esquerda para a direita, Mollie Burkhart, uma mulher de indígena americana, de cabelos pretos lisos e Ernest Burkhart, um homem de cabelos loiros e olhos azuis. Mollie veste um poncho de sua tribo na cor bege, com listras vermelho terra, preto e verde; uma camisa roxa, um colar em prata e um cachecol preto. Ernest veste um terno azul marinho, camisa cinza e gravata marrom. Eles estão sentados sobre uma mesa e Molly, na esquerda da imagem, olha para Ernest, que está olhando para cima. Ao fundo, uma cozinha de época com móveis em madeira e acessórios em porcelana e prata." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-2048x1153.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32349" class="wp-caption-text">Uma das cenas mais esperadas do ano também é uma das mais lindas (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Fundamentalmente é algo que, por alguma razão, permanece. Algo que você pode ver anos depois ou 10 anos depois você irá ver e será diferente. Em outras palavras, há algo a mais para aprender sobre si próprio e sobre a vida&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram com essas palavras que Martin Scorsese definiu sua percepção sobre Cinema. Fatores como sua própria filmografia ou seu instituto </span><a href="https://www.film-foundation.org/"><i><span style="font-weight: 400;">The Film Foundation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por restaurar mais de 1000 filmes, colocam o diretor como uma espécie de guardião vivo da Sétima Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio idealizador já afirmou que foram os filmes que moldaram sua </span><a href="https://youtu.be/xOX_5kbA47s?si=eYJZZYDT3Ine15sy&amp;t=59"><span style="font-weight: 400;">percepção da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto criança, por isso, nada mais justo que florescesse nele o ímpeto por contar e eternizar histórias. Isso resultou em uma carreira ímpar, primorosa e incontestável, fazendo que somente Scorsese fosse a única pessoa possível para, desta vez, dar voz a toda a vivência de um povo através de sua nova obra-prima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32347"></span></p>
<figure id="attachment_32351" aria-describedby="caption-attachment-32351" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-800x329.jpg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos uma sala, com uma multidão de pessoas. Em sua maioria são homens brancos, velhos e engravatados. Há apenas duas mulheres na imagem, posicionadas no centro. Todos estão encarando a câmera e a sala está com pouca iluminação." width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-800x329.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-1024x422.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-768x316.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-1536x633.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-2048x843.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-2-1200x494.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32351" class="wp-caption-text">“Você consegue encontrar os lobos nessa imagem?” (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa conta a história dos Osage, tribo nativo-americana que habitou grande parte do centro do país e, com o avanço do homem branco, teve seu território majoritariamente reduzido. O que acontece é que a área que sobrou para o povo – escolhida justamente por ser infertil, e assim, sem grandes disputas – se descobriu uma jazida de petróleo, e todos sabemos que a junção dos americanos brancos com esse combustível fóssil não resulta em boa coisa. A partir dessa descoberta, se desencadeou uma série de assassinatos inconclusivos com os nativos na década de 1920, que, após muito protesto, culminou na criação do </span><a href="https://istoe.com.br/418338_A+HISTORIA+SECRETA+DO+FBI/"><span style="font-weight: 400;">FBI</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A julgar pelo contexto da história e da filmografia de Scorsese, é natural atribuirmos que o diretor tratasse esse recorte pela ótica da criação da organização federal. Porém é aqui que ele, mesmo no auge dos seu recém completados </span><a href="https://gq.globo.com/cultura/cinema/noticia/2023/11/martin-scorsese-entrevista-envelhecer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">81 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, demonstra toda sua imensidão e jovialidade quando o assunto é Cinema. </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma alguma foca no que seria mais tangível para a maneira como pensamos a sociedade em que vivemos. Pelo contrário, ele traz para si o discurso de formação estadunidense a partir do choque de quem realmente o formou, os Osage, aqui representando a diversidade de povos,  com quem os usurpou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, o longa derruba por terra a balela do Destino Manifesto, fazendo com que essa busca por uma terra prometida, na verdade, seja uma invasão e tomada de territórios de maneiras que nem o Diabo poderia imaginar, e que, mesmo centradas no início do século XX, tangenciam para </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/10/09/israel-e-palestina-uma-guerra-sem-fim"><span style="font-weight: 400;">fora das telas</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra se torna um tapa na cara, principalmente nesses tempos, por evidenciar o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">que esse discurso aplica há séculos: sorrateiro, travestido de progresso e nefasto.</span></p>
<figure id="attachment_32352" aria-describedby="caption-attachment-32352" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3-800x334.jpg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos um grupo de seis indígenas Osage, todos homens com características indígenas. Todos estão cobertos por petróleo enquanto comemoram em um campo aberto." width="800" height="334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3-1200x501.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-3.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32352" class="wp-caption-text">O território Osage chegou a ocupar cerca de seis estados americanos; hoje se estende por menos de 6000 quilômetros quadrados no estado de Oklahoma (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, mesmo com um derramamento de sangue um pouco mais brando, pelo menos visualmente, é o filme mais violento de Scorsese. Isso se dá muito por conta de ser uma violência tão latente que nos acostumamos com ela, tanto no caso dos Osage, como também na </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57294425"><span style="font-weight: 400;">tragédia de Tulsa</span></a><span style="font-weight: 400;">, citada também na produção e igualmente esquecida. Porém, aqui, a agulha que sempre esteve próxima de nossa espinha começa a incomodar e nos trazer agonia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta trabalha tal mal-estar de diferentes formas: ele é de terror, no molde de ‘o inimigo não mora ao lado, mas junto’, do mesmo modo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">replicou, mas sem ser terror; é um </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, só que </span><i><span style="font-weight: 400;">anti-western</span></i><span style="font-weight: 400;">; é um filme de máfia também, sem replicar tanto a máfia como o diretor já demonstrou em projetos anteriores e também um filme de tribunal, em que o real julgamento ultrapassa as telas. Misturar tantos gêneros pode parecer perigoso, e é analisando esse aspectos que Scorsese se torna não a pessoa perfeita para contar essa história, mas a mais capacitada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal aspecto fica muito evidente nas últimas cenas da obra, que apesar de serem divisivas, são brilhantes no contexto da narrativa. Já comum por aparecer em suas produções, Scorsese assume o discurso de </span><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que traça uma crítica extremamente estilizada ao fanatismo cego por </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/artigos/ciencias-sociais/os-true-crimes-e-o-sadismo-coletivo"><i><span style="font-weight: 400;">true crimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa entende que, apesar do cuidado, aquela ainda é uma visão branca da história, e em um mundo onde o lugar de fala se faz presente e necessário, o diretor graciosamente ‘dribla’, no melhor dos sentidos, o politicamente correto e escancara que a tragédia permaneceu décadas escondida justamente pelo comodismo da sociedade branca. Assim, ele faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> não só um olhar para os Osage, mas também para o remorso que habita adormecido em nós mesmos.</span></p>
<figure id="attachment_32353" aria-describedby="caption-attachment-32353" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-4-800x533.png" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos, da esquerda para a direita, Reta, Anna Brown, Mollie Burkhart, e Minnie. São quatro mulheres indígenas que têm em comum o cabelo longo e preto. Todas estão sentadas para tirar uma foto. Reta, Mollie e Minnie vestem um poncho com listras, enquanto Anna Brown veste um sobretudo preto com um vestido longo preto por baixo. A fotografia está em preto e branco." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-4.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32353" class="wp-caption-text">O design de produção do longa é impecável e crucial para nos inserir na história (Foto: AppleTV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os acertos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores </span></i><span style="font-weight: 400;">se englobam, principalmente a partir do roteiro e a forma que ele traduz a genialidade de seu idealizador. O texto consegue pincelar o necessário de uma história cheia de pormenores e ainda sim a deixar densa, dentro do DNA da filmografia de Scorsese. Por isso, ele não se limita ao aprofundar o contexto, fazendo questão do espectador, cadenciadamente, se despir da posição de observador de uma cultura diferente e aos poucos se inserir no modo de vida dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=trkyuIVx2C0&amp;ab_channel=Nerdologia"><span style="font-weight: 400;">Osage</span></a><span style="font-weight: 400;">, na função de cada vez mais ir minando nossas diferenças para se criar uma forte empatia com os nativos, que combina demais com o clima de suspense da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através das várias camadas que a escrita de Martin em parceria com o lendário roteirista Eric Roth (</span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;">) atribuem, o longa vai aos poucos transmutando, entre suas três horas e meia, a ideia de Cinema Scorseseano. O diretor já afirmou que havia um esboço completamente diferente do filme e, percebemos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> entende que, tanto o cineasta como o público estavam imersos em um lugar comum. Ao decorrer da produção, percebemos o desvencilhar de sensos para voltar o olhar ao real problema.</span></p>
<figure id="attachment_32354" aria-describedby="caption-attachment-32354" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5-800x450.jpg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos William Hale, interpretado por Robert De Niro, um homem branco, idoso de cabelos brancos. William veste um terno bege, uma camisa branca, gravata preta, chapéu marrom e óculos de armação redonda e na cor preta. Ele está sendo filmado praticamente do ombro para cima e está em um carro de época, com uma paisagem borrada ao fundo. William levemente sorri para a câmera." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-5.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32354" class="wp-caption-text">Robert De Niro vive William Hale, o personagem mais odioso da carreira do ator (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O controle criativo do diretor sobre o longa resulta em um time extremamente afinado com as intenções da produção. Anunciado como o segundo projeto consecutivo de Scorsese que beira as três horas de duração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> certamente já nasceu divisivo, principalmente para quem já se </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/news/avengers-joe-russo-martin-scorsese-b2438388.html"><span style="font-weight: 400;">sentiu atacado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas declarações do vovôzinho, seja dentro ou fora das telas. Porém, o registro, sendo entendido como a exaltação da filmografia do realizador, ironicamente reúne os Vingadores da indústria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto, por si só, já traz o dinamismo que a obra precisa, no entanto, o principal nome que faz com que a película não nos arrebate pelo tamanho e sim pela densidade é o da editora </span><a href="https://amplify.nabshow.com/articles/create-editing-killers-of-the-flower-moon-thelma-schoonmaker/"><span style="font-weight: 400;">Thelma Schoonmaker</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela esteve presente em incríveis 21 outros projetos do diretor, mas aqui faz deste trabalho sua </span><i><span style="font-weight: 400;">magnum-opus,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabendo quando deve cadenciar a história para que ela própria se sustente e quando deve adicionar ritmo, fazendo com que as 3 horas e 26 minutos mal sejam sentidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por trás das câmeras, Rodrigo Pietro, novato em parcerias com Scorsese, brilha. Diferente de seu outro sucesso do ano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbie-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que a fotografia extremamente carregada do filme de Greta Gerwig cria o choque entre mundo real e ficcional, aqui ele abusa de uma composição de imagem mais branda e contemplativa, que nos coloca dentro da dimensão de todo o acontecimento. Completando o time dos sonhos, Robbie Robertson tem outras seis parcerias com o diretor e novamente transforma sua trilha em quase uma figurante, que está bem lá no fundo, soturna, se esgueirando pelas colinas e marcando o suspense crescente. Robertson, infelizmente não pode conceber a magnitude de seu trabalho no épico, pois </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/08/09/arts/music/robbie-robertson-dead.html"><span style="font-weight: 400;">faleceu</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Agosto, dois meses antes da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32355" aria-describedby="caption-attachment-32355" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-6-800x450.jpg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos, da esquerda para a direita, Mollie Burkhart, William Hale e Ernest Burkhart. Mollie veste uma roupa típica que se assemelha a um uniforme de fanfarra, que intercala as cores vinho e dourado, mas com as mangas pretas. A roupa tem franjas nos ombros e nas partes em dourado. William veste um terno em um bege bem claro, um colete da mesma cor, uma camisa branca, uma gravata marrom e óculos redondos na cor preta. Ernest veste um terno preto, colete na mesma cor, camisa branca e gravata borboleta de listras bege e vinho. Mollie olha para Ernest com um leve sorriso, enquanto William e Ernest olham para frente. Ao fundo, folhas de uma árvore." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-the-Flower-Moon-Imagem-6.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32355" class="wp-caption-text">Se Scorsese é Deus; De Niro, DiCaprio e Gladstone poderiam facilmente ser a santíssima trindade (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem realmente personifica a caminhada do diretor no Cinema está à frente das telas. Para quem já acompanha a carreira de Scorsese, além da assinatura, estilo e maneirismos que ele imprime em seus filmes, outro aspecto torna a identificação extremamente fácil: o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hGD-cLHibeE&amp;ab_channel=MarriskaFernandes"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">. Existe sim uma rotatividade ao longo da filmografia, mas dois chamam atenção, além de simbolizarem dois momentos da vida do idealizador, que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, se encontram para exaltá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De Niro, hoje já veterano do Cinema, viu sua carreira florescer junto com Scorsese e a nova obra marca a décima primeira parceria com o diretor. Já conhecido pelo papel de anti-herói nessa amizade, dessa vez encarnando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KSEmgcXoMW4&amp;ab_channel=AppleTV"><span style="font-weight: 400;">William ‘King’ Hale</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator vai pelo caminho contrário e mergulha em um vilão desprezível que, graças a facilidade do ator em transmitir expressões de forma serena, exemplifica fielmente a dualidade que o homem branco assumia para os nativos americanos naquela época. DiCaprio, por outro lado, que representa a pegada moderna do cineasta e conta com seis filmes assinados pela lenda no currículo, entrega seu papel mais complexo, trabalhoso e talvez o melhor executado da carreira. Na persona de Ernest Burkhart, o ator passeia entre os extremos de um anti-herói ingênuo e cativa o espectador, seja para bem ou para mal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores </span></i><span style="font-weight: 400;">também amplia o leque de atores</span> <span style="font-weight: 400;">no qual o diretor e roteirista trabalha. Jesse Plemons retorna depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlândes</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e se coloca como um dos nomes mais disputados das produções daqui pra frente. Brendan Fraser (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) estreia com o Scorsese e rouba a cena no pouco tempo de tela que tem, assim como Cara Jade Myers, estupenda no papel de Anna Brown. Mas quem realmente dá a cara tanto para o projeto como para a intenção do idealizador de inserir atores nativos americanos é Lily Gladstone. Sua interpretação no papel de Molly Burkhart pode ser definida pela palavra pontualidade. Gladstone tem uma consciência sobrenatural de saber quando se comunicar através da força de suas palavras ou quando deixar o silêncio e sua forte expressão gritarem o que a personagem guarda dentro de si.</span></p>
<figure id="attachment_32356" aria-describedby="caption-attachment-32356" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-800x450.jpeg" alt="Cena de Assassinos da Lua das Flores. Nela vemos Ernest Burkhart, um homem branco de cabelos loiros e Mollie Burkhart, uma mulher indigena de cabelos pretos longos. Ernest veste um terno cinza e uma calça social cinza e Mollie uma vestimenta indígena na cor branca com detalhes em salmão. Os dois estão no centro da imagem, com Ernest um pouco para a esquerda e Mollie um pouco para a direita. Atrás de cada um, nos cantos da imagem, há carros de época. Eles estão se encarando, no meio de um campo de trigo. Ao fundo, uma árvore." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Killers-of-The-Flower-Moon-Imagem-7.jpeg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32356" class="wp-caption-text">Assim como as últimas obras do diretor, Assassinos da Lua das Flores promete ser figura de destaque nas premiações, inclusive já fazendo presença no Globo de Ouro, com sete indicações (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo cineasta é um diretor, mas nem todo diretor é um cineasta. E Scorsese pode ser uma das poucas pessoas para qual se pode atribuir as duas nomenclaturas, e é com </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> que essa diferença de significados fica claro. Um diretor, ao pé da letra, somente transpassaria o já denso texto da literatura para a tela. Já o idealizador, com sua carga de Cinema de autor muito presente, complementa o texto na tela, dosando milimetricamente o escrito do visual. Por isso, não importa qual palavra você escolha para enquadrar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cz0byBTjtEU&amp;ab_channel=StudioBinder"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele será genial e um dos maiores da história em qualquer definição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, para além de ser um exercício necessário de trazer à tona a história dos Osage, também serve para fincar o nome do diretor na história. Nos seus mais de 50 anos de carreira, caso em algum momento tenha existido alguma desconfiança da importância dele para a indústria, é com </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;"> que todas as dúvidas se tornam inexistentes. Se a Sétima Arte é definida por ele mesmo como algo que permanece, tanto o filme como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p1LEvkMFMKM&amp;ab_channel=TIME"><span style="font-weight: 400;">o legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Scorsese permanecerão pela eternidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Killers of the Flower Moon — Official Teaser Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/EG0si5bSd6I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Difícil é não perder o fôlego em Black Bird</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 19:06:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Agata Bueno Às vezes, o rumo de uma história leva um personagem comum do céu ao inferno, transformando-o num mocinho ou num bandido. Em certos enredos, dois passados ordinários podem se cruzar e dar lugar a um único e excruciante presente, que vai além do maniqueísmo dos livros de faz de conta. Em Black Bird, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-bird-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Difícil é não perder o fôlego em Black Bird"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32317" aria-describedby="caption-attachment-32317" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32317" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Dois homens se encaram separados por uma mesa de madeira com seis pássaros esculpidos em madeira e alguns itens de carpintaria em cima dela. Atrás deles estão janelas com grades. O homem à esquerda é branco, forte e possui um topete loiro escuro e penteado. O homem à direita é branco, gordo, possui barba e costeletas castanhas, um cabelo também castanho penteado para baixo com aparência úmida. Ambos usam o uniforme azul da prisão." width="1999" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-8-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32317" class="wp-caption-text">Nada prepara alguém para estar na pele de Jimmy Keene (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Agata Bueno</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Às vezes, o rumo de uma história leva um personagem comum do céu ao inferno, transformando-o num mocinho ou num bandido. Em certos enredos, dois passados ordinários podem se cruzar e dar lugar a um único e excruciante presente, que vai além do maniqueísmo dos livros de faz de conta. Em </span><a href="https://youtu.be/aH1FOkJys3Y"><i><span style="font-weight: 400;">Black Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, a angústia que acompanha cada indivíduo da trama não foca em heróis ou vilões, mas deixa claro o que é certo e o que é errado; e como os caminhos se cruzam, independentemente do seu passado. Uma percepção que ultrapassa as ideias de bem e mal – se é que é possível separá-las -, e questiona o quão ingênuo ou arrogante alguém pode ser.</span></p>
<p><span id="more-32314"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada numa </span><a href="https://collider.com/black-bird-true-story-larry-hall-explained/"><span style="font-weight: 400;">história verídica</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha James Keene (Taron Egerton) numa corrida contra o tempo para obter uma confissão do suspeito de um assassinato, Larry Hall (Paul Walter Houser). Entre sonhos embaçados e situações reais e implacáveis, Keene aceita uma oferta para se livrar da sentença de dez anos, deixando de lado sua presunção para entrar no labirinto da mente de Hall. Enquanto eles dançam entre a realidade e os cenários fantasiosos, a verdade vem à tona. E com ela, um rastro de tensão crescente a cada passo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que brincam de gato e rato na prisão, Larry e Jimmy conduzem a audiência num espetáculo de tirar o fôlego. Em meio às decisões do tribunal, as investigações e a tensão num ambiente de segurança máxima surge um sentimento excruciante vindo da dúvida entre uma pausa para respirar ou continuar um episódio seguido de outro. Ao longo dos </span><a href="https://tv.apple.com/br/show/black-bird/umc.cmc.30gx1y8nwthydkrvhqu156p3"><span style="font-weight: 400;">seis capítulos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mostram a jornada dos dois lados da justiça, explorando os crimes, a dor e a ausência sem pressa, mergulhamos no sangue frio de um assassino e queimamos junto do delator no inferno. </span></p>
<figure id="attachment_32315" aria-describedby="caption-attachment-32315" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32315" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Dois homens em pé num refeitório com mesas brancas, paredes laranjas e brancas e lustres com luz alaranjada. O homem à direita é branco, gordo, possui barba e costeletas castanhas, um cabelo também castanho penteado para baixo com aparência úmida e segura um spray contendo um líquido de limpeza. O homem à esquerda é branco, forte e possui um topete loiro escuro e penteado. Ambos usam o uniforme azul da prisão e luvas amarelas de limpeza." width="1999" height="993" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1024x509.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-768x382.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1536x763.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-7-1200x596.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32315" class="wp-caption-text">Walter Houser e Egerton dividem os holofotes em meio ao caos e a tensão (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia que acelera a cada cena, a cada movimento e a cada respiração é o suficiente para premiar a atuação de </span><a href="https://www.emmys.com/bios/taron-egerton#awards"><span style="font-weight: 400;">Taron Egerton</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de</span> <span style="font-weight: 400;">Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme. Assim como a tensão crescente, o tempo de Jimmy passa cada vez mais rápido. É uma luta contra o relógio e a insanidade. Tique taque, tique taque. Egerton, entretanto, concentra-se na complexidade de seu personagem sem pressa, transitando entre a pele de um </span><i><span style="font-weight: 400;">bad boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a vulnerabilidade de um mocinho. As trocas de perspectivas entre o denunciado, o delator e a simples ausência das vítimas não criam uma posição de antagonismo; mas toda a situação que envolve os crimes tornam James Keene um anti-herói.</span></p>
<p><a href="https://www.emmys.com/bios/paul-walter-hauser#awards"><span style="font-weight: 400;">Paul Walter Houser</span></a><span style="font-weight: 400;"> não fica para trás. Larry Hall afunda em seus sonhos vívidos, rasgando palavra por palavra enquanto asfixia qualquer um que esteja prestando atenção aos detalhes. A audiência entra para a contagem de vítimas. E a narrativa não o inocenta. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vida antes da prisão não chegam aos pés do silêncio que resta de suas vítimas. O ator concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme e faz jus aos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/06/black-bird-paul-walter-hauser-interview-awards-insider"><span style="font-weight: 400;">outros prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recebeu pela participação na série. A atenção de Houser aos detalhes sombrios de seu personagem constrói um ar denso a cada aparição de Hall, cuja inocência se dissipa conforme o olhar perdido dá lugar ao sorriso sombrio enquanto confessa e desmente, de novo e de novo.</span></p>
<figure id="attachment_32316" aria-describedby="caption-attachment-32316" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32316" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8.jpg" alt="Cena da série Black Bird. Um homem branco de barba e cabelos brancos, vestindo uma camisa de botões com listras brancas e cinzas, segura um telefone branco com a mão esquerda que possui um anel dourado no dedo anelar. Atrás dele, uma parede amarela com um abajur e uma parede branca com dois quadros marrons." width="1999" height="999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-8-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32316" class="wp-caption-text">Ray Liotta vive Big Jim Keene e também concorre à categoria de Melhor Ator Coadjuvante junto a Walter Houser (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estranho seria não esperar um produto arrepiante vindo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Diferente de algumas das gigantescas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, o catálogo do aplicativo da maçã mostra a preferência por qualidade antes de quantidade. Ao provar, mais uma vez, do seu potencial, a obra de drama e </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime </span></i><span style="font-weight: 400;">une grandes nomes de Hollywood, como </span><a href="https://www.emmys.com/bios/ray-liotta#awards"><span style="font-weight: 400;">Ray Liotta</span></a><span style="font-weight: 400;">, e acerta numa abordagem clara e feroz que evidencia a complexidade dos crimes de misoginia. É tenso, cruel e apenas acelera conforme os minutos vão passando. E, felizmente, não peca na teatralização, o que evita a exposição desnecessária do sofrimento inerente à situação e se mantém fiel aos espectadores, chocando-os pela gravidade dos crimes e pelo desfecho da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa disputa tomada pelas gigantescas produções do </span><a href="https://www.hbo.com/2023-emmy-nominations"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.emmys.com/shows/black-bird"><i><span style="font-weight: 400;">Black Bird</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">chega com força na 75ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=emmy"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de um enredo completo, que se afirma diante de cada troca de câmera, e consegue ditar um ritmo gradual sem deixar pontas soltas. Uma narrativa efervescente que flui conforme as relações familiares e o ritmo das investigações são dissecados, garante uma disputa justa com os veteranos e os novatos da premiação. A mistura entre a tensão e a delicadeza tem um gosto agridoce, mas viciante. E, ao fim do sexto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Você prometeu</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem-se a certeza de que acabou, mas que as ações de Hall deixaram um rastro eterno tanto no caminho daqueles que presenciaram cada apelação ser negada quanto dos que puderam pausa entre uma confissão e outra. Resta saber se isso será o suficiente para trazer as estatuetas para casa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Bird — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/aH1FOkJys3Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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