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	<title>Arquivos Anthony Ramos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2021 21:00:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/in-treatment-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23215" aria-describedby="caption-attachment-23215" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está atrás de uma porta de vidro, em que é possível ver reflexos de luzes da cidade. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa preta e um kimono estampado. É possível ver dos seus seios para cima. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23215" class="wp-caption-text">Produzida pela HBO e indicada ao Emmy 2021, a quarta temporada de In Treatment é um reboot da própria série, após um hiatus de mais de 10 anos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a mudar quando uma professora a incentivou a cantar mais, e, após performar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU"><i><span style="font-weight: 400;">I Will Always Love You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma audição, Aduba passou a considerar um futuro mais artístico. Assim veio sua formação em canto lírico, pela Boston University. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 21 anos de idade, em 2003, a norte-americana subiu de vez aos palcos teatrais. Dois anos depois, ela debutou no meio cinematográfico, pelo curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Notes.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mas a carreira de Uzo Aduba iria, de fato, se iniciar para o grande público apenas em 2013, ao dar vida à </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/06/orange-new-black-ela-nao-e-louca-pra-mim-diz-atriz-de-crazy-eyes.html"><span style="font-weight: 400;">personagem Crazy Eyes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma das primeiras produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao interpretar a divertida e complicada Suzanne, Uzo cravou seu nome em Hollywood, conseguindo se destacar em meio ao conturbado presídio de Litchfield. A concretização de seu sucesso viria com sua primeira indicação e vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia. </span></p>
<p><span id="more-23214"></span></p>
<figure id="attachment_23216" aria-describedby="caption-attachment-23216" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23216" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja na sua sala de estar. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa e calça pretas, e um blazer verde-marinho. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23216" class="wp-caption-text">Apesar de Crazy Eyes ter servido como uma luva para Uzo, anteriormente ela havia feito o teste para interpretar Janae, a atleta, em OITNB (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de algumas mudanças dentro da cerimônia, na segunda temporada, a série passou a ser considerada na categoria de Drama, assim como Uzo se tornou Atriz Coadjuvante, e conquistou mais uma estatueta. Com esse feito, ela é a única a vencer </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmys</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Comédia e Drama pela mesma personagem, e não apenas isso: das </span><a href="https://www.emmys.com/shows/orange-new-black"><span style="font-weight: 400;">quatro vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i><span style="font-weight: 400;"> na premiação, duas pertencem à ela. Após o fim da produção, em 2019, poderia se pensar que esse também seria um breve adeus à presença de Aduba nas telas, mas, muito pelo contrário. No ano seguinte, ela engatou em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">FX on Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Shirley Chisholm, primeira mulher negra a se candidatar à presidência dos EUA. Não surpreendendo mais a ninguém, Uzo Aduba levou para casa o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme pelo papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pandemia de covid-19 mudou os planos de boa parte do globo terrestre, e o meio cinematográfico foi um dos grande atingidos. Em meio às dificuldades em se promover gravações devido às medidas sanitárias adotadas, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidiu reviver um de seus nomes de maior sucesso:</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/temporadas/8216-in-treatment-8217-ganha-versao-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Adaptação da produção israelense</span><i><span style="font-weight: 400;"> BeTipul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a série estreou em 2008, e se tornou uma das principais criações do canal, acumulando </span><a href="https://www.emmys.com/shows/treatment"><span style="font-weight: 400;">sete indicações ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e duas vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao longo de suas três temporadas. A narrativa acompanhava as sessões do doutor Paul Weston, psicoterapeuta interpretado por Gabriel Byrne, com seus pacientes. </span></p>
<figure id="attachment_23217" aria-describedby="caption-attachment-23217" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23217" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg" alt=" A imagem é uma cena da série In Treatment. Nela, Quintessa Swindelle, que interpreta Laila, está sentada no lado esquerdo de um sofá em uma sala de estar, ao lado direito está Charlayne Woodard, que interpreta Rhonda. Laila é uma jovem negra de pele clara, com cabelos cacheados e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa, um moletom preto estilo college e calças amarelas. Rhonda é uma senhora negra, de cabelos pretos cacheados na altura nos ombros, ela veste um conjunto de saia e blazer brancos." width="2000" height="1330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1536x1021.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1200x798.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23217" class="wp-caption-text">A produção israelense ganhou uma adaptação em terras brasileiras também, a série Sessão de Terapia, atualmente protagonizada e dirigida por Selton Mello (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última temporada até então foi lançada em 2010, sem muitas previsões de retorno. No entanto, em função dos empecilhos do atual contexto e a facilidade em se produzir a série, devido ao seu formato simples e com poucos atores em cena, ela foi resgatada como um </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">para uma quarta temporada. Sem Gabriel Byrne voltando para o papel, a protagonista agora é a Dra. Brooke Taylor, interpretada por ninguém mais, ninguém menos, que Uzo Aduba. Seguindo o mesmo formato de antes, o novo ano da trama acompanha as sessões da terapeuta com quatro pacientes: Eladio (Anthony Ramos, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Colin (John Benjamin Hickey, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/quando-mulheres-tornam-protagonistas-historias/"><i><span style="font-weight: 400;">Jessica Jones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Laila (Quintessa Swindelle, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, por fim, ela mesma. A narrativa segue 6 semanas de consulta com esses personagens, que totalizam 24 episódios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma dinâmica diferente do que estamos acostumados, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">conduz a sessão de terapia na sua forma nua e crua, ambientada na sala da casa de Taylor. Resumida quase por completo apenas aos diálogos, descobrimos aos poucos as dores de cada paciente, que vão sendo minuciosamente dissecados pelo tratamento da personagem de Uzo, abrindo uma gaveta de pensamentos conturbados e complexos de cada personalidade. Eladio é um imigrante colombiano, bissexual, diagnosticado com um transtorno de bipolaridade e cuidador de um rapaz de uma família rica. Colin é um homem branco, milionário, recém-saído da prisão por um crime de colarinho branco, que tem que passar por sessões de terapia obrigatórias. E Laila é a representação da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma adolescente de 18 anos, rebelde, que é obrigada pela avó (Charlayne Woodard) a fazer o tratamento para deixar de ser lésbica. </span></p>
<figure id="attachment_23218" aria-describedby="caption-attachment-23218" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23218" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada ao lado de Joel Kinnaman, que interpreta Adam, apoiada em seu ombro direito. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa de mangas compridas e uma calça jeans escura. Adam é um homem branco, de cabelo e barba loiros; ele veste uma blusa cinza de mangas compridas e calça jeans." width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23218" class="wp-caption-text">Joel Kinnaman, o Rick Flag do Esquadrão Suicida, também integra o elenco, como o ex-namorado de Brooke que retorna para sua vida (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa aqui não é fácil, mas Brooke Taylor consegue contornar muito bem a situação de cada um, e navegar pelas profundezas de seus traumas. Em meio a um roteiro com </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/joshua-allen-in-treatment/"><span style="font-weight: 400;">diálogos metodicamente ardilosos e teatrais</span></a><span style="font-weight: 400;">, observamos que, de fato, estamos em uma sessão de terapia, até nos pequenos comentários e distrações de cada paciente. E, como todo bom atendimento, ao longo dos minutos, eles vão se despindo de suas carcaças, apresentando suas piores versões e concepções pessoais. Diante da teimosia e dos comportamentos difíceis e reativos, a doutora se vê em um verdadeiro campo de guerra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas gravada no contexto pandêmico, a quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acompanha a realidade do mundo real, em que é ambientada com o fim da pandemia de covid-19, com os personagens ainda retomando aos poucos para a “vida normal”. A escolha do cenário provoca uma sensação de identificação imensa com os problemas dos pacientes, em que vemos sentimentos à flor da pele e uma série de complicações potencializadas por esse trágico momento. Na figura de Eladio, que ainda tem que passar por atendimentos</span><i><span style="font-weight: 400;"> online</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao fato de cuidar de uma pessoa com comorbidades, notamos as limitações que as telas nos trazem diante dos diálogos e expressões de nossos sentimentos, além das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/ha-um-nome-para-seu-mal-estar-na-pandemia-chama-se-definhamento.shtml"><span style="font-weight: 400;">perturbações do isolamento social</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23221" aria-describedby="caption-attachment-23221" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23221 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, John Benjamin Hickey, que interpreta Colin, está sentado em um sofá azul-marinho. Colin é um homem branco, de cabelo e barba grisalhos; ele veste uma camiseta rosa claro, um casaco cinza e calça jeans clara. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23221" class="wp-caption-text">Para o processo criativo da Dra. Brooke, houve o apoio de uma psicoterapeuta que está na ativa, o que ajudou a construir o talento profissional da personagem, equilibrado com o carisma de Aduba (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final de cada semana, saímos da sala de terapia para adentrar à vida da doutora. Além de ter que cavar as problemáticas de cada um de seus pacientes, Brooke também lida com suas próprias angústias. Com a morte recente do seu pai, ela passa por um duro estágio de luto, que a faz reviver o alcoolismo já presente em sua vida. Tal momento se encontra com o histórico da própria atriz, que </span><a href="https://epipoca.com.br/uzo-aduba-criou-uma-identificacao-com-seu-papel-em-em-terapia/"><span style="font-weight: 400;">perdeu sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma luta difícil contra o câncer, 10 dias antes de iniciar as gravações da série. Mesmo fora dos uniformes de presidiária, e também em uma figura muito mais contida que Crazy Eyes, a observamos com a mesma sinceridade e força de Suzanne, e nisso Uzo Aduba dá um</span><i><span style="font-weight: 400;"> show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas quatro jornadas que acompanhamos, vemos em cada semana as melhorias e recaídas individuais. Em boa parte, os problemas de Taylor acabam se cruzando com o de seus pacientes, em que toma uma licença poética para se mostrar humana, muito além do pedestal profissional que é colocado à ela. Por mais que aparente ser difícil acompanhar quase 30 minutos de puro diálogo, ficamos hipnotizados pela presença de Uzo Aduba em cena, sua linguagem corporal e o confronto que trava em suas palavras.</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba nos levando a debates mais que essenciais sobre </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/tema-racial-na-serie-in-treatment-e-oportuno-e-nao-so-para-americanos.shtml"><span style="font-weight: 400;">questões raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aceitação pessoal, sexualidade, luta de classes e privilégios. </span></p>
<figure id="attachment_23220" aria-describedby="caption-attachment-23220" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja em uma sala de estar, virada de costas, em direção a Anthony Ramos, que interpreta Ladio, que está sentado no sofá azul-marinho em sua frente. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros, ela veste um blazer e uma calça beges, não é possível ver seu rosto. Eladio é um jovem moreno, de cabelos cacheados e curtos; ele veste uma camiseta branca, um agasalho xadrez e calça jeans. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23220" class="wp-caption-text">Uzo Aduba submeteu o episódio 20, Brooke &#8211; Semana 5, para consideração no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em meio a problemas tão particulares, é impossível não se encontrar na imensidão de obstáculos que o quarteto principal enfrenta. Seja pela luta de Eladio em se descobrir e se desprender das amarras da família de ricaços que o abriga, ou pela tentativa de Laila em correr para sua liberdade e superar as vivências de uma criação familiar difícil. Até mesmo nas complexidades do babaca do Colin, que se vê na busca constante pela aprovação dos outros. As conversas sinceras de Brooke com sua amiga Rita (Liza Colón-Zayas) divagam pela similaridade com essas e outras questões, ao passo que a protagonista passa a aceitar cada vez mais o abalo deixado pela vivência com seus pais e suas perdas ao longo da vida. Ao final, desejamos apenas que cada um se encontre em sua própria jornada, e é isso que recebemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A performance estonteante como Brooke Taylor não veio à toa, e Uzo Aduba garantiu a única indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série, como Melhor Atriz em Drama. Ao interpretar seu primeiro papel principal na televisão, a atriz concretiza de vez, ou mais uma vez, que não está aqui para brincadeira, e se encontra na dura missão de derrubar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">coroa pesada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Emma Corin ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">a força</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mj Rodriguez (para quem seria uma honra perder qualquer coisa). O fim da quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatmen</span></i><span style="font-weight: 400;">t deixa um sentimento de satisfação e afago profundos, além da vontade imensa de poder acompanhar e admirar Uzo Aduba aonde quer que ela vá. </span></p>
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		<title>Em um Bairro de Nova York sonha alto demais</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2021 16:11:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Não tem como negar que Lin-Manuel Miranda é um fenômeno. Desde que surgiu no mundo da Broadway nos anos 2000, o artista multifacetado de origem porto-riquenha já acumula um Pulitzer, três Grammys, um Emmy, três Tonys e não demorou muito para cair nas graças de Hollywood. Depois de Moana, Mary Poppins, a gravação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um Bairro de Nova York sonha alto demais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21891" aria-describedby="caption-attachment-21891" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21891 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer.jpg" alt="Cena do filme Em um Bairro de Nova York. Anthony Ramos e Melissa Barrera estão no centro da imagem, de mãos dadas e olhando um para o outro. Ambos são latinos de pele clara com cabelos escuros. Ao fundo, muitas pessoas exibem expressões de animação." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/In-the-Heights-trailer-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21891" class="wp-caption-text">Temos uma bandeirinha brasileira no filme! (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tem como negar que </span><a href="https://oquartonerd.com.br/trajetoria-profissional-quem-e-lin-manuel-miranda/#:~:text=O%20ator%2C%20rapper%2C%20compositor%20e,suas%20pr%C3%B3prias%20m%C3%BAsicas%20e%20pe%C3%A7as."><span style="font-weight: 400;">Lin-Manuel Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um fenômeno. Desde que surgiu no mundo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos anos 2000, </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2021/06/cinco-cancoes-para-conhecer-a-premiada-trajetoria-de-lin-manuel-miranda-ckpxugzmc00000180xdgi6niu.html"><span style="font-weight: 400;">o artista multifacetado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de origem porto-riquenha já acumula um </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;">, três </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammys</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, três </span><i><span style="font-weight: 400;">Tonys </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/vivo-animacao-lin-manuel-miranda-netflix-data-de-estreia/"><span style="font-weight: 400;">não demorou muito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para cair nas graças de </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2021/07/08/encanto--disney-lanca-trailer-da-animacao-com-musicas-de-lin-manuel-miranda.html"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moana</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mary Poppins</span></i><span style="font-weight: 400;">, a gravação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até uma participação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/brooklyn99-7a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Brooklyn 99</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chegou a vez de Miranda retornar às origens e levar às grandes telas aquele que foi seu primeiro musical. No entanto, é com o protagonismo de Anthony Ramos que </span><a href="https://tracklist.com.br/em-um-bairro-de-nova-york/111281"><i><span style="font-weight: 400;">Em um Bairro de Nova York</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> e aos cinemas do mundo todo cercado de </span><a href="https://www.gwhatchet.com/2021/07/02/in-the-heights-does-a-disservice-to-latinx-culture/"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e críticas </span><a href="https://jacobinmag.com/2021/07/lin-manuel-miranda-jon-chu-in-the-heights-review-boring-film"><span style="font-weight: 400;">controversas</span></a><span style="font-weight: 400;"> a respeito da trama.</span></p>
<p><span id="more-21888"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VLuLaUrICHY"><span style="font-weight: 400;">arrebatador material-base</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o diretor </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/jon-m-chu-entrevista-em-um-bairro-de-nova-york/"><span style="font-weight: 400;">Jon M. Chu</span></a><span style="font-weight: 400;"> tinha em mãos, o longa, que acompanha três dias da rotina de </span><a href="http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/05/bairro-de-washington-heights-e-tesouro-escondido-em-nova-york.html"><span style="font-weight: 400;">Washington Heights</span></a><span style="font-weight: 400;">, não atende às próprias expectativas. Toda vez que um grande musical surge na lista de lançamentos, ele carrega com si um tipo especial de burburinho – e com a promessa latina do ano não poderia ter sido diferente. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">vibes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filme de verão e um elenco para lá de talentoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">In The Heights</span></i><span style="font-weight: 400;"> esbanja simpatia na cena de abertura, mas logo pequenas gotas de tédio são salpicadas na história do jovem Usnavi.</span></p>
<figure id="attachment_21890" aria-describedby="caption-attachment-21890" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21890 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3.jpg" alt="Cena do filme Um Bairro de Nova York. As atrizes do longa, 5 mulheres latinas, estão na imagem. Uma delas está sentada em uma cadeira enquanto a outra segura em suas mãos. As outras três estão de pé e olham para a cena. Elas estão em um salão de beleza." width="2400" height="1599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-2048x1364.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/heights_0611_rgb3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21890" class="wp-caption-text">In The Heights foi baseado na própria infância de Miranda (Foto: Warner Bros/Macall Polay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Boa parte dessa indisposição vem do fato, ou melhor, da falta de representatividade da comunidade afrolatina na </span><a href="https://www.cinemablend.com/news/2568800/crazy-rich-asians-director-admits-fault-in-colorism-backlash-jon-m-chu"><span style="font-weight: 400;">obra de Chu</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor que já havia se envolvido em </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2018/aug/21/where-are-the-brown-people-crazy-rich-asians-draws-tepid-response-in-singapore"><span style="font-weight: 400;">polêmicas de colorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5KIv42RveGs"><i><span style="font-weight: 400;">Podres de Ricos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentre o elenco principal, o único ator de pele escura é Corey Hawkins, o que escancara, novamente, os </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/in-the-heights-casting-colorism-afro-latino-1184945/"><span style="font-weight: 400;">problemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood com a comunidade negra de pele escura e o </span><a href="https://outline.com/eYM7cm"><span style="font-weight: 400;">apagamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos </span><a href="https://outline.com/5kZPg2"><span style="font-weight: 400;">afrolatinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da história latinoamericana. Quando um filme </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/cinema/noticia/2021/06/lin-manuel-miranda-pede-desculpas-pela-falta-de-representatividade-afro-latina-no-filme-em-um-bairro-de-nova-york-ckpzk3dc500230180q5ddjb6f.html"><span style="font-weight: 400;">se propõe</span></a><span style="font-weight: 400;"> a retratar um bairro de imigrantes conhecido pela diversidade cultural, é importante que essa diversidade seja completa, e não apenas a parcela que melhor agradar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a discussão, o próprio conceito de </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-19/a-pele-escura-ainda-e-um-problema-em-hollywood-inclusive-no-filme-latino-do-ano.html"><span style="font-weight: 400;">latinidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi revisitado, pois carrega uma narrativa única e homogênea que todo latino precisa se encaixar para ser devidamente integrado à sociedade, que privilegia os de pele mais clara e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/28/internacional/1430242953_723350.html"><span style="font-weight: 400;">renega os indígenas e afrolatinos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo levantando as mais variadas bandeiras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Em um Bairro de Nova York</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa aquele gosto na boca de que toda uma comunidade latina foi batida no liquidificador até se transformar em uma grande e apolítica massa cinzenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao resto do elenco, no entanto, é impossível não se render ao seu carisma. O sucessor do papel de </span><a href="https://www.biography.com/news/lin-manuel-miranda-in-the-heights-inspiration"><span style="font-weight: 400;">Lin-Manuel Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi Anthony Ramos, uma das estrelas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, agora, abandona as figuras históricas para interpretar o dono de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">bodega </span></i><span style="font-weight: 400;">com o sonho de voltar à República Dominicana, terra de seus pais. Cantando diretamente para a câmera, as 2h23min de filme se tornam mais agradáveis com Ramos em tela. O romance com Vanessa, interpretada por </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/netflix/melissa-barrera-sera-protagonista-de-breathe-novo-drama-da-netflix"><span style="font-weight: 400;">Melissa Barrera</span></a><span style="font-weight: 400;">, é morno, mas somos capazes de comprar qualquer peixe que Usnavi resolver vender.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="In The Heights | First 8 Minutes | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/sUjuTxiNOrk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Miranda foi jogado de escanteio e fez um pequeno papel como um </span><i><span style="font-weight: 400;">piragüero</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, por sinal, é bem mais relevante do que aqueles protótipos de personagem que foram empurrados para Stephanie Beatriz e Dascha Polanco. A atriz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem, literalmente, uma fala, e rebola em todo momento que está em cena – o problema não é rebolar, é </span><i><span style="font-weight: 400;">apenas</span></i><span style="font-weight: 400;"> rebolar. Já Beatriz ganha um verso em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tmb6taDh1sQ&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=13"><i><span style="font-weight: 400;">Carnaval Del Barrio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e alguns vocativos durante o filme que deixam qualquer fã de Rosa Diaz decepcionado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil não interpretar alguns momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Em um Bairro de Nova York</span></i><span style="font-weight: 400;"> como puro empastelamento para estadunidense. O longa pincela temas sociais de forma sucinta, principalmente dentro do arco de Nina Rosario (</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159777/"><span style="font-weight: 400;">Leslie Grace</span></a><span style="font-weight: 400;">), que cutuca a elite intelectual racista dos Estados Unidos. No entanto, parece que o roteiro de Quiara Alegría Hudes duvida da revolta de seu espectador e transforma toda aquela festividade latina em passividade. O exemplo mais latente e indigesto é o que acontece com a pobre Abuela Claudia. Reprisada por Olga Merediz, a matriarca do bairro não aguenta o calor extremo, acentuado depois de três dias de apagão, e, após um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1eiBlLlmxos&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=11"><span style="font-weight: 400;">número belíssimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre sua </span><i><span style="font-weight: 400;">mama</span></i><span style="font-weight: 400;">, falece por falha cardíaca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem, até aí, a situação é um ótimo condutor emocional e dramático da narrativa. Tudo poderia ter sido muito bem aproveitado se a solução encontrada pelos personagens não tivesse sido uma canção animada sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">aproveitar o momento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se fosse sua avó que tivesse morrido pelo descaso público em um </span><i><span style="font-weight: 400;">blackout </span></i><span style="font-weight: 400;">de dias, você cantaria </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sim, estamos sem energia/Então acenda uma vela”</span></i><span style="font-weight: 400;">? Individualmente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zst863D2WWw"><i><span style="font-weight: 400;">Carnaval Del Barrio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima reafirmação cultural. No contexto do filme, é quase um desrespeito, especialmente porque os lamentos de Sonny, vivido por Gregory Diaz IV, quanto à situação do bairro são calados e incorporados à música. </span><i><span style="font-weight: 400;">Paciencia y fe </span></i><span style="font-weight: 400;">é o que se precisa para engolir o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21889" aria-describedby="caption-attachment-21889" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21889 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438.jpg" alt="Cena do filme Um Bairro de Nova York. 4 homens estão na imagem, andando no meio da rua. Eles usam trajes de banho e conversam entre si." width="2400" height="1254" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-800x418.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-1024x535.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-768x401.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-1536x803.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-2048x1070.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/the-cast-of-in-the-heights-145438-1200x627.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21889" class="wp-caption-text">O final da história de Usnavi remete a frase “isso aqui é água, o que eu quero é o oceano”, passagem do filme Soul (Foto: Warner Bros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jon M. Chu aproveita a liberdade que o mundo dos musicais permite para brincar um pouco com seus números musicais encharcados de fantasia. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cFTuWUkEyhg&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=14"><i><span style="font-weight: 400;">When The Sun Goes Down</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se diverte com a própria </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/06/in-the-heights-behind-the-scenes-dance-up-side-of-building-1234645393/"><span style="font-weight: 400;">coreografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquista pela química de Grace e Hawkins, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ify_2XIkBaI&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">96,000</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y-JrDqIP5qk&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">It Won’t Be Long Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apostam no lúdico para completar os </span><i><span style="font-weight: 400;">sueñitos </span></i><span style="font-weight: 400;">de seus intérpretes. Durante o resto da </span><a href="https://br.nacaodamusica.com/colunas/trilha-sonora-colunas/17-musicas-tocadas-no-filme-in-the-heigths/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, os residentes de Washington Heights reclamam as ruas, piscinas, salões e todo o resto que lhes é direito em meio a gentrificação do bairro, resultando em momentos de primeira linha, como na abertura </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7hAaak0QBs&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">In The Heights</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DxzY9XTpXWQ&amp;list=PLhsbODsnY_6xSKpyfuTqa7mdT9uesk7Pq&amp;index=16"><i><span style="font-weight: 400;">Finale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Em um Bairro de Nova York</span></i><span style="font-weight: 400;"> divide opiniões e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/em-um-bairro-de-nova-york-e-a-aposta-fracassada-do-cinema-pos-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">garante</span></a><span style="font-weight: 400;"> muitas críticas. O musical pode participar da corrida, mas com certeza não tem fôlego suficiente para completá-la, seja pela sua dificuldade em cativar 100% ou lidar bem com seus personagens. </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/lin-manuel-miranda-nao-via-tantos-papeis-para-nos-latinos/"><span style="font-weight: 400;">Ícone latino</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hollywood, Lin-Manuel Miranda precisará se esforçar um pouco mais para garantir o “O” que falta em seu </span><a href="https://cinepop.com.br/o-que-e-o-egot-e-quem-faz-parte-desse-seleto-grupo-263384/#:~:text=Cunhado%20em%201984%20pelo%20ator,)%20e%20Tony%20(T).&amp;text=O%20ator%20mais%20jovem%20a,o%20status%20aos%2039%20anos."><i><span style="font-weight: 400;">EGOT</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo sendo delicioso assistir um elenco verdadeiramente latino, o filme é a prova de que a representatividade precisa, realmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">representar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pois é, </span><i><span style="font-weight: 400;">¡no me diga!</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Em um bairro de Nova York  - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dFfYYs-gOqg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Musical Hamilton no Disney+ e a experiência do teatro durante a quarentena</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2020 22:02:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O filme do espetáculo de sucesso da Broadway teve sua estreia adiantada em streaming Letícia Machado e Rafaela Thimoteo   Como um bastardo, órfão, filho de uma prostituta e pai fundador dos Estados Unidos presente na nota de dez dólares se tornou um dos maiores fenômenos na indústria dos musicais e plataformas de streaming de todos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hamilton-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Musical Hamilton no Disney+ e a experiência do teatro durante a quarentena"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em><span style="font-weight: 400;">O filme do espetáculo de sucesso da Broadway teve sua estreia adiantada em </span><span style="font-weight: 400;">streaming</span></em></p>
<figure id="attachment_14374" aria-describedby="caption-attachment-14374" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-1-3.jpg" alt="" width="970" height="546" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-1-3.jpg 970w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-1-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14374" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Leslie Odom Jr., Daveed Diggs, Lin-Manuel Miranda, Christopher Jackson and Renee Elise Goldsberry (Foto: Joan Marcus/Playbill)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Machado </b><b>e </b><b>Rafaela Thimoteo  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bastardo, órfão, filho de uma prostituta e pai fundador dos Estados Unidos presente na nota de dez dólares se tornou um dos maiores fenômenos na indústria dos musicais e plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">de todos os tempos?</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton: An American Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um musical composto, escrito e protagonizado por Lin-Manuel Miranda. Norte-americano de família porto-riquenha que nasceu em Nova York, em 1980, Miranda se inspirou na biografia de Alexander Hamilton do historiador Ron Chernow para criar essa peça.</span></p>
<p><span id="more-14373"></span></p>
<figure id="attachment_14315" aria-describedby="caption-attachment-14315" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14315" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_.jpg" alt="" width="1086" height="1609" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_-202x300.jpg 202w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_-768x1138.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/MV5BNjViNWRjYWEtZTI0NC00N2E3LTk0NGQtMjY4NTM3OGNkZjY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjUxMTY3ODM@._V1_-1037x1536.jpg 1037w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14315" class="wp-caption-text">Pôster oficial da estreia do musical Hamilton no Disney+<br />(Foto: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Miranda estava férias de outro espetáculo que escreveu para a Broadway, </span><i><span style="font-weight: 400;">In the Heights</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2008, quando leu a biografia sobre Hamilton. Decidiu, então, não desperdiçar sua chance de fazer um musical totalmente inspirado na vida de um dos pais-fundadores dos Estados Unidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O gênio por trás da obra já havia mencionado durante entrevistas que as pessoas subestimavam o potencial, a história e relacionamento de Alexander Hamilton com a cidade de Nova York. Foi a partir deste sentimento que o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a ser desenvolvido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em maio de 2009, Miranda foi à Casa Branca, durante o evento </span><i><span style="font-weight: 400;">Evening of Poetry, Music and the Spoken Word</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WNFf7nMIGnE"><span style="font-weight: 400;">versão inicial da abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> do futuro espetáculo. Ele acabou surpreendendo e arrancando risadas dos convidados ao anunciar que faria um musical de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre o primeiro Secretário do Tesouro dos EUA.</span></p>
<figure id="attachment_14377" aria-describedby="caption-attachment-14377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-3-2.jpg" alt="" width="1024" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-3-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-3-2-300x208.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-3-2-768x532.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14377" class="wp-caption-text">Lin-Manuel Miranda recebendo o prêmio de Melhor Trilha Sonora por Hamilton (Foto: Sara Krulwich/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O musical estreou em fevereiro de 2015</span><i><span style="font-weight: 400;"> off-Broadway </span></i><span style="font-weight: 400;">(termo utilizado quando um musical é exibido em outros teatros profissionais menores que a Broadway), no Teatro Público de Nova York e tornou-se um sucesso de bilheteria e críticas positivas. Em agosto do mesmo ano, foi transferido para o Teatro Richard Rodgers na Broadway e os ingressos foram esgotados ainda na pré-venda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Forbes</span></i><span style="font-weight: 400;">, após esta estreia a disputa por lugares foi tão acirrada que alguns ingressos chegaram a custar cerca de US$ 11 mil. Ainda em 2015, o musical rendeu a Lin-Manuel Miranda o prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">History Makers Award</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">New York Historical Society</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como o de Melhor Música, Melhor Letra e Melhor Libreto de Musical no </span><i><span style="font-weight: 400;">Drama Desk Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2016, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton </span></i><span style="font-weight: 400;">obteve o recorde de 16 indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, e conquistando 11 prêmios, entre eles o de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Ator, Melhor Figurino, Melhor Direção, Melhor Coreografia e o principal da noite: Melhor Musical. Hamilton também venceu como Melhor Álbum de Teatro Musical no Grammy e Lin Manuel Miranda recebeu o aclamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Prêmio Pulitzer de Drama</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_14378" aria-describedby="caption-attachment-14378" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-4.png" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-4.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-4-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14378" class="wp-caption-text">Renée Elise Goldsberry, Daveed Diggs, Leslie Odom, Jr. e o elenco de Hamilton comemorando os prêmios recebidos no Tony Awards de 2016 (Foto: Sara Krulwich/The New York Times)</figcaption></figure>
<p><b>Da Broadway diretamente para o </b><b><i>streaming</i></b><b> </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o sucesso estrondoso, Lin decidiu realizar uma versão do </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">para o cinema com o elenco original. As filmagens foram realizadas em 3 apresentações diferentes, o que gerou alguns erros pontuais de continuidade, como a mudança de detalhes na roupa de alguns personagens, mas que não atrapalharam o êxito da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à pandemia de COVID-19, o lançamento do filme que estava previsto para 15 de outubro de 2021, foi antecipado para 3 de julho de 2020, diretamente na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">Disney +, que chegará no Brasil somente em novembro deste ano. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DSCKfXpAGHc"><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">alcançou mais de 4 milhões de visualizações na data em que foi lançado. </span></p>
<p><b>Influências</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se na música introdutória Alexander Hamilton afirma que </span><i><span style="font-weight: 400;">“há milhões de coisas que ele ainda não fez”</span></i><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue na direção oposta e faz o que outros musicais premiados da Broadway como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Fantasma da Ópera (1986)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Wicked (2003)</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fizeram. De uma forma super contemporânea, o musical explora uma mistura gêneros usando o </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">raps </span></i><span style="font-weight: 400;">que chegam a alcançar a marca de 19 palavras em 3 segundos, como acontece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guns and Ships</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator coadjuvante Daveed Diggs (que interpreta tanto Lafayette quanto Thomas Jefferson) possui o recorde de </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">mais rápido da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua performance foi tão excepcional que ele recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante de Musical no </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;">. O espetáculo entrega também um número difícil de ser batido: segundo o </span><a href="https://fivethirtyeight.com/features/hamilton-is-the-very-model-of-a-modern-fast-paced-musical/"><i><span style="font-weight: 400;">Five Thirty Eight</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Hamilton </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta uma média de 144 palavras por minuto, quando na média, musicais da Broadway apresentam de 58 a 77 palavras por minuto. </span></p>
<figure id="attachment_14379" aria-describedby="caption-attachment-14379" style="width: 1174px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-5.gif" alt="" width="1174" height="681" /><figcaption id="caption-attachment-14379" class="wp-caption-text">Momento em que a platéia vai ao delírio com Daveed Diggs e o rap mais rápido da noite em Guns and Ships (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo musical de cada personagem também é individual, o que atrai ainda mais  à atenção para os mínimos detalhes. Enquanto o personagem Lafayette canta com um tom mais rouco em um </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">rápido, certeiro, rimando várias palavras por estrofe em referência à </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 90 como DMX, Ja Rule e Big Pun, Aaron Burr possui músicas com raízes no estilo musical popular jamaicano </span><i><span style="font-weight: 400;">Dancehall</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de quase 3 horas, os espectadores são capazes de se emocionarem com o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Helpless</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a balada romântica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Theodosia</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou rirem do personagem Rei George III em </span><i><span style="font-weight: 400;">You’ll Be Back</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">What Comes Next?</span></i><span style="font-weight: 400;"> no ritmo de um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">leve e divertido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">apresenta músicas que atraem diversos tipos de público, que se emocionam, acredite se quiser, com a história de como o sistema econômico americano foi estabelecido. O sucesso das músicas também foi comprovado em 2016, quando o álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hamilton Mixtape </span></i><span style="font-weight: 400;">foi lançado e estreou em primeiro lugar na Billboard 200 com mais de 187 mil cópias vendidas.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The Hamilton Mixtape" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5AgsHUKFxr5DApRCmulIqJ?si=B-yaZEkOT96Cnk3ywc69aQ"></iframe></p>
<p><b>A experiência visual</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos diferenciais que também garantiu pontos positivos para o filme foi a grande direção de Thomas Kail, cineasta norte-americano, também premiado com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;">. A forma como as coreografias e o cenário foram meticulosamente montados colabora para que quem assista sinta a emoção dos atores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terceiro dia de gravação do musical, que aconteceu sem a presença da platéia, garantiu cenas em planos fechados que detalham os sentimentos dos atores e até mesmo a saliva do Rei George III, interpretado por Jonathan Groff (</span><a href="http://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></a><span style="font-weight: 400;">), o que provoca uma experiência diferente até mesmo para quem já assistiu o musical no teatro.</span></p>
<figure id="attachment_14380" aria-describedby="caption-attachment-14380" style="width: 1344px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-6.gif" alt="" width="1344" height="687" /><figcaption id="caption-attachment-14380" class="wp-caption-text">“Satisfeito” fica o público com essa produção e performance (Foto: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O palco com o mecanismo circular móvel colabora para cenas em que as irmãs Schuyler andam pela “rua”, assim como em cenas no estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no qual após um tiro a bala “caminha” lentamente pelo ambiente durante um monólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos destaques deste mecanismo está presente na música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bd2psryPDuo"><i><span style="font-weight: 400;">Satisfied</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando o movimento e a troca repetitiva de câmeras, combinados com as luzes e coreografia, provocam o efeito de retrospectiva e confusão de Angelica Schuyler. A personagem conta os fatos narrados na música anterior, mas desta vez do seu ponto de vista.</span></p>
<p><b>O palco da diversidade  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da inovar ao contar a história da independência dos Estados Unidos, um dos pontos mais marcantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton </span></i><span style="font-weight: 400;">é a inclusão de diversidade tanto nas letras das músicas quanto no elenco. Em alguns momentos da peça, as músicas falam sobre a questão dos imigrantes, sobre a busca por uma vida melhor e também fazem críticas à escravidão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabinet Battle #1</span></i><span style="font-weight: 400;">, Hamilton enfrenta Thomas Jefferson em uma batalha de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">e critica o oponente dizendo que o Estado de Jefferson só possuía dinheiro suficiente para pagar as dívidas porque não distribuía salários, ou seja, seu lucro vinha da exploração de escravos.</span></p>
<figure id="attachment_14381" aria-describedby="caption-attachment-14381" style="width: 1121px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-7.gif" alt="" width="1121" height="570" /><figcaption id="caption-attachment-14381" class="wp-caption-text">Os pais fundadores se enfrentam numa competição de rimas (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O musical destaca atores negros, asiáticos e latinos para protagonizar os personagens da peça, quebrando paradigmas e mostrando que apesar da adaptação falar sobre figuras históricas que eram em sua maioria brancas, nada impede que sejam interpretados por pessoas de etnias diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão migratória também está muito atrelada a narrativa, tanto que em 2016, no lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Hamilton Mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das músicas, intitulada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6_35a7sn6ds"><i><span style="font-weight: 400;">Immigrants (We Get The Job Done)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aborda a situação dos imigrantes, a injustiça que sofrem e critica o discurso xenofóbico.</span></p>
<figure id="attachment_14382" aria-describedby="caption-attachment-14382" style="width: 1174px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-8.gif" alt="" width="1174" height="681" /><figcaption id="caption-attachment-14382" class="wp-caption-text">Marquis de Lafayette (da França) e Alexander Hamilton (do Caribe) celebram o fato de serem imigrantes e contribuírem para a revolução no país (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><b>A História está de olho em você</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo recebendo prêmios e reconhecimento por contar de uma forma atual e dinâmica a história da independência dos EUA e a vida de Hamilton, é importante lembrar que o musical é uma adaptação de fatos reais, não um livro de História. Lin- Manuel Miranda alterou alguns elementos para desenvolver a narrativa. </span></p>
<figure id="attachment_14383" aria-describedby="caption-attachment-14383" style="width: 1121px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-9.gif" alt="" width="1121" height="570" /><figcaption id="caption-attachment-14383" class="wp-caption-text">John Laurens, interpretado pelo ator Anthony Ramos fala sobre seus ideais abolicionistas (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">My Shot</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alexander fala sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">um grupo de amigos abolicionistas</span></i><span style="font-weight: 400;">” em referência a seus companheiros Laurens, Lafayette e Mulligan. Porém, mesmo participando de uma organização em prol da abolição e criticando Jefferson, alguns historiadores afirmam que Hamilton não tinha essa luta como prioridade. A família de sua esposa tinha escravos, assim como George Washington, de quem ele era muito próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista à </span><a href="https://www.vanityfair.com/culture/2016/04/christopher-jackson-hamilton-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Vanity Fair</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Christopher Jackson, que interpreta George Washington, diz que como um homem negro, teve de conciliar estar na pele desse personagem e mostrar de alguma forma a vergonha de Washington em relação a escravidão, assunto que o personagem não cita diretamente durante a peça, mas que retorna em </span><i><span style="font-weight: 400;">Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story.</span></i></p>
<figure id="attachment_14384" aria-describedby="caption-attachment-14384" style="width: 1121px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-10.gif" alt="" width="1121" height="570" /><figcaption id="caption-attachment-14384" class="wp-caption-text">Eliza se posiciona contra a escravidão e fala sobre Washington; o personagem se afasta dos holofotes e abaixa a cabeça em sinal de vergonha (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto de destaque é a presença das </span><i><span style="font-weight: 400;">Schuyler Sisters</span></i><span style="font-weight: 400;">: Angelica, Peggy e Eliza. Lin Manuel Miranda mudou pontos da história das irmãs, como ao escrever que Angelica era a mais velha e não tinha irmãos, portanto tinha que casar com um homem rico e subir socialmente ao invés de ceder à sua paixão pelo pobre Alexander.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Registros históricos apontam que isso não é verdade. Angelica Schuyler tinha diversos irmãos, já era casada há anos e inclusive tinha filhos antes de conhecer Hamilton. Além disso, não estava presente quando ele e Eliza se encontraram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Miranda diz que ignorou esses fatores pois o musical seria dramaticamente mais interessante se Angelica não pudesse se casar com Hamilton por pressões sociais. Ele também buscava mostrar a personagem como uma intelectual, com visões feministas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Schuyler Sisters</span></i><span style="font-weight: 400;">, a atriz Renée Elise Goldsberry que interpreta Angelica, canta: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu tenho lido O Senso Comum de Thomas Paine e, por isso, os homens dizem que sou intensa ou louca”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_14385" aria-describedby="caption-attachment-14385" style="width: 1174px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-11.gif" alt="" width="1174" height="681" /><figcaption id="caption-attachment-14385" class="wp-caption-text">Angelica fala sobre incluir as mulheres nas decisões enquanto caminha com suas irmãs pelas “ruas de Nova York” (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten Duel Commandments</span></i><span style="font-weight: 400;"> os personagens falam sobre as dez regras que devem seguir durante os duelos armados. Apesar de pesquisas apontarem que existiam na verdade vinte, Miranda decidiu colocar apenas metade influenciado pela música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZYb_8MM1tGQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ten Crack Commandments</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Biggie Smalls.</span></a></p>
<p><b>Uma batalha de momentos marcantes </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar desse musical e não destacar o trabalho do ator e cantor Leslie Odom Jr., que inclusive ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator pelo personagem Aaron Burr. Seu papel como do rival de Hamilton evidencia a diferença na personalidade de ambos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Wait For It</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UMD14n4UOVQ"><i><span style="font-weight: 400;">Room Where It Happens</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conhecemos mais sobre o personagem, suas ambições e o porquê dele agir da forma que age.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alexander Hamilton e Aaron Burr ao longo da narrativa é um aspecto essencial na história. Somos apresentados aos personagens e descobrimos mais sobre a guerra, seguindo sempre um contraponto entre as opiniões de ambos. Burr é mais sucinto e contido, enquanto Hamilton sempre expõe suas opiniões.</span></p>
<figure id="attachment_14386" aria-describedby="caption-attachment-14386" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/IMAGEM-12.gif" alt="" width="1140" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-14386" class="wp-caption-text">Na primeira vez que se encontram Burr aconselha Hamilton a ser mais discreto e a cena desperta risadas da plateia (Gif: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há sempre um paralelo entre os dois, como quando dizem que duelos são imaturos e não resolvem nada, mas no final acabam duelando entre si. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Theodosia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Burr expressa seu amor pela filha, enquanto Hamilton fala sobre seu filho. Por um momento a rivalidade entre eles dá lugar a um tom de delicadeza e emoção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por falar em trechos emocionantes, a atriz de ascendência chinesa Philippa Soo, que interpreta Eliza, protagoniza um dos momentos mais marcantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">na música </span><i><span style="font-weight: 400;">Burn</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ressentida, ela canta enquanto põe fogo nas cartas que recebeu de Alexander.</span></p>
<figure id="attachment_14388" aria-describedby="caption-attachment-14388" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/imagem-13.gif" alt="" width="1140" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-14388" class="wp-caption-text">Alexander sempre se dedicava à escrita, nesse momento, porém, vemos Eliza queimar as palavras que um dia ele escreveu para conquistá-la (Foto: Walt Disney Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os paralelos entre as cenas continuam, a exemplo da primeira frase do musical: “</span><i><span style="font-weight: 400;">como um bastardo, órfão, filho de uma prostituta&#8230;</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que surge quando Burr se refere a Hamilton. O protagonista também repete “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu imagino tanto a morte que parece mais uma memória</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pois um dos seus objetivos era deixar um legado antes de morrer. O mesmo paralelismo ocorre nas músicas mais voltadas ao desenvolvimento das batalhas, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Right Hand Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Yorktown</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Non Stop</span></i><span style="font-weight: 400;"> trechos de várias outras músicas são cantadas ao mesmo tempo, em uma espécie de catarse. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fenômeno cultural </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton </span></i><span style="font-weight: 400;">não apenas abriu portas para uma nova maneira de se contar um fato histórico, como também inovou o cenário teatral em aspectos como a construção das letras, ritmo musical, diversidade no elenco e interação com o público. Seguindo um modelo diferente das adaptações convencionais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Les Misérables (2012)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cats-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cats (2019)</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Hamilton </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos primeiros musicais a ser disponibilizado por </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua versão original, entregando para muitos fãs que ansiavam pelo lançamento e acompanhavam pelo </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3UUJfRbrA2nTbcg4i0MOwu"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://twitter.com/hamiltonmusical"><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCKhSqWRvBtjlivrs_xeT5aQ"><i><span style="font-weight: 400;">Youtube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sensação de assistirem diretamente da Broadway, </span><i><span style="font-weight: 400;">da sala onde tudo aconteceu.</span></i></p>
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