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	<title>Arquivos AmarElo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>10 anos do Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Dec 2023 18:23:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tharek Alves Em 2013, com duas mixtapes e dois EPs lançados, Emicida já tinha grande impacto dentro do cenário do rap e era reconhecido como um grande músico e compositor. Contudo, foi apenas com o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio que ele atingiu o público geral e consagrou seu nome dentro da música &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-glorioso-retorno-de-quem-nunca-esteve-aqui-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos do Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32168" aria-describedby="caption-attachment-32168" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32168" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-3.jpg" alt="Capa do álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui. Na imagem, Emicida está em destaque, centralizado, com o enquadramento da foto cortando seu rosto do nariz para cima, e da cintura para baixo.Ele usa um terno na cor cinza claro e segura nas mãos um microfone de modelo clássico. O fundo da imagem é bege. No canto superior esquerdo, está escrito em letras pequenas “Emicida”, na mesma cor do fundo, e ao lado direito do Emicida, mais ao centro, está escrito em letras pretas “O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui”." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-3.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-3-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-32168" class="wp-caption-text">O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui foi o primeiro disco de estúdio de Emicida (Foto: Laboratório Fantasma Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Tharek Alves</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2013, com duas </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtapes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dois </span><i><span style="font-weight: 400;">EPs</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançados, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emicida/"><span style="font-weight: 400;">Emicida</span></a><span style="font-weight: 400;"> já tinha grande impacto dentro do cenário do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e era reconhecido como um grande músico e compositor. Contudo, foi apenas com o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio que ele atingiu o público geral e consagrou seu nome dentro da música nacional. Após dois anos sem lançar novas composições, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/57PWjWHzqzODblomXxnQca?si=FnfySIslQL-VN0erwt6PDw"><i><span style="font-weight: 400;">O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma volta do cantor para os fãs e, ao mesmo tempo, uma estreia para aqueles que ainda não conheciam suas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 21 de Agosto daquele ano, Emicida buscou no álbum a inovação, para evitar a mesmice e a repetição daquilo que já havia lançado. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu isso através da mistura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> com outros estilos musicais, como samba, </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com letras pesadas e impactantes como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/08ruTdy0c38Lr44UgJNwAi?si=f81bdf7587334fb1"><i><span style="font-weight: 400;">Bang!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que relata as dificuldades de não se desviar de seu caminho e o racismo escancarado de nossa sociedade, e faixas suaves e românticas como a declaração de amor que é </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4XlMzWC8jUKd6nTXcQmWF8?si=2848f5cba8a84c83"><i><span style="font-weight: 400;">Alma Gêmea</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o debute do artista veio para alcançar variados públicos e mostrar sua versatilidade musical. </span></p>
<p><span id="more-32163"></span></p>
<figure id="attachment_32167" aria-describedby="caption-attachment-32167" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-3.jpg" alt="Imagem de divulgação. Emicida segura as laterais do paletó desabotoado, enquanto posa para a foto. Ele usa um terno na cor cinza claro. Ao fundo da imagem, há um fundo liso na cor cinza escuro." width="600" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-32167" class="wp-caption-text">Emicida apostou na mescla de ritmos musicais com rap para inovar em seu primeiro álbum (Foto: Marcos Serra Lima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abrindo o álbum com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4dAUOtAYGbzKSKIJpY78OO?si=f5574d14cac74ad3"><i><span style="font-weight: 400;">Milionário do Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Emicida se junta à poetisa e atriz Elisa Lucinda (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-pai-da-rita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Pai da Rita</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/manhas-de-setembro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) para apresentar um recurso que será recorrente durante toda a obra: as poesias. Utilizadas como interlúdio entre as faixas, elas são distribuídas por todo o disco, retratando a caminhada do jovem cantor paulistano, com as dificuldades que passou durante sua vida. Ambos fazem críticas ao preconceito e a sociedade capitalista, e incentivam a união do povo preto e periférico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Emicida assume um lado Leandro (seu nome de nascença) em algumas faixas, com relatos de sua vida pessoal. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6ttr8uK3KcGCnTghOm3hwN?si=2bd83e82e15143ad"><i><span style="font-weight: 400;">Crisântemo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> reconta, de maneira forte, a morte do pai, ocorrida durante uma discussão de bar no dia de seu próprio aniversário. Através de uma melancólica poesia, Dona Jacira, mãe do cantor, relata sua versão do acontecido e o sentimento que a perda da figura paterna acarretou na vida da família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7LsxnS3jwRa0EB7Gq78lkf?si=6104fbdde07446b2"><i><span style="font-weight: 400;">Sol de Giz de Cera</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz doçura para o álbum, além de mostrar um lado mais emocional e íntimo do cantor. Com as participações da cantora Tulipa Ruiz (</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7CsBswgYYISQdoy5DqSywx?si=4KDCrPqbRLWR6Rq7qnbj7w"><i><span style="font-weight: 400;">Habilidades Extraordinárias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e da filha do artista, Estela Vergílio, a letra fala sobre o dia a dia do pai com a menina. Ao colocar essa música logo após </span><i><span style="font-weight: 400;">Crisântemo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Emicida expõe dois contrastantes momentos de paternidade ocorridos em sua vida, que são tão comuns na história de milhares de brasileiros.</span></p>
<figure id="attachment_32166" aria-describedby="caption-attachment-32166" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3.jpg" alt="Imagem de divulgação. Emicida caminha sobre um gramado em uma região periférica. Atrás dele, são vistas no horizonte as casas do morro. O rapper usa roupas sociais, sendo um colete na na cor cinza, uma camisa social branca, calça também na cor cinza e um óculos escuro." width="615" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-32166" class="wp-caption-text">O álbum fez tamanho sucesso que teve a música Zóião compondo a trilha sonora da novela Sangue Bom (Foto: Ênio César)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ficar distante dos projetos do Emicida, Felipe Vassão voltou para produzir o primeiro álbum do MC em seu glorioso retorno. Assim como em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2LAhOdcfPJUgWqwm6zmLG6?si=594981b7796b4e58"><i><span style="font-weight: 400;">Avua Besouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM"><i><span style="font-weight: 400;">Triunfo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2009) &#8211; antigos trabalhos do produtor com Leandro &#8211; ficou sob sua responsabilidade orquestrar o lado musical do disco. Com uma harmoniosa mistura instrumental, o maracatu de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/24C4UACzRLocJHoicrvQH3?si=7dcb547cfe6c448a"><i><span style="font-weight: 400;">Samba do Fim do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/22RsozOAtPlJVDtvQlh93u?si=e40631628a15485b"><i><span style="font-weight: 400;">Nóiz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelham aos dois </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> anteriores da dupla, numa nostálgica lembrança para os fãs que seguiam o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> desde seus primeiros lançamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para aqueles que conheceram o Emicida pelas obras mais recentes, parece comum ver seus lançamentos atuais em flerte com a MPB e o samba. Porém, foi em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5txZzPfrDAMLbxJr3OoG3c?si=c633dd7ce7ef42b6"><i><span style="font-weight: 400;">Trepadeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6Vad22SlhO3g0OevENcO4X?si=2ee529904b5144cd"><i><span style="font-weight: 400;">Hino Vira-Lata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que essa mescla aconteceu pela primeira vez. Futuras produções, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0gGjX0aUg7OaUSAhi1CmDk?si=3d22aa47cbfb4039"><i><span style="font-weight: 400;">Passarinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4yEBOuDHhrFeGXyXNJ3C4y?si=597c4d3058a74b3c"><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) e outras </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;"> posteriores, tiveram o pontapé inicial nessas duas faixas, que colocam rimas sobre os divertidos acordes de cavaquinhos e a percussão da roda de samba.</span></p>
<figure id="attachment_32165" aria-describedby="caption-attachment-32165" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4.jpg" alt="Imagem de divulgação. Na foto, Emicida está sentado, apoiando os braços sobre os joelhos e olhando para frente, em direção à câmera. Ele usa camiseta lisa e um boné com a frase “A rua é noiz”. A imagem está em preto e branco." width="620" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-32165" class="wp-caption-text">Emicida consagrou seu nome na música brasileira e futuramente fez parcerias com artistas como Caetano Veloso, Vanessa da Mata e Zeca Pagodinho (Foto: Fernanda Negrini)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um álbum repleto de músicas sensacionais, há aquelas que se destacam, ainda assim. É o caso dos estrondosos sucessos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Levanta e Anda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2C9LPYpH9YUgROQDHfRXrU?si=7e890d0504414758"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Cedo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que continuam figurando entre as canções mais ouvidas do cantor, 10 anos depois de seu lançamento original. Ambas as faixas levaram Emicida para as rádios de todo o país e também para a maioria das pessoas que ainda não conheciam seu trabalho.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu sei, sei cansa / Quem morre ao fim do mês / Nossa grana ou nossa esperança</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Emicida em Levanta e Anda</span></i></p></blockquote>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0JSux25Te5HYMSr2D64d02?si=e7ccfc9972f8478b"><i><span style="font-weight: 400;">Levanta e Anda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com o cantor Rael, abre o álbum e pode parecer suave e tranquila em um primeiro momento, devido a sua melodia. Porém, de maneira incisiva, a letra fala sobre manter a cabeça erguida, mesmo com todas as dificuldades da vida, vindo como fortes socos de motivação. Através da sensibilidade da produção, Emicida convida as pessoas a refletirem sobre si mesmas, acreditarem em seu potencial e perseguirem seus sonhos. Muito mais que um simples som, a música virou um hino de esperança para todos que enfrentam as árduas dificuldades do dia a dia.</span></p>
<figure id="attachment_32164" aria-describedby="caption-attachment-32164" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32164" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-800x569.jpg" alt="Imagem de divulgação. Emicida está sentado em uma poltrona de couro marrom, com um fundo vermelho atrás do cantor. Ele veste calça, camiseta de manga longa, um óculos escuro, boné virado para trás e um relógio, todos na cor preta." width="800" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-1024x729.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-1536x1093.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1-1200x854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-1.jpg 1633w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32164" class="wp-caption-text">Em 2018, Emicida regravou alguns dos sucessos do Glorioso Retorno no álbum 10 Anos de Triunfo, em comemoração a uma década de carreira (Foto: Daryan Dornelles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Hoje cedo não era um hit/era um pedido de socorro</span></i><span style="font-weight: 400;">” é um verso de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5p3LIyy38s0QQNoSTwbZXX?si=6a2f93e98cc84836"><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), cantado por Emicida. Com 6 anos de diferença entre os lançamentos das duas músicas, é possível ver a importância dessa faixa para o artista. Em uma letra que fala sobre deixar de lado os próprios princípios para alcançar o sucesso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Cedo</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata um choque de realidade recorrente na vida daqueles que saem de classes sociais mais baixas e buscam a ascensão econômica. A colaboração com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pitty/"><span style="font-weight: 400;">Pitty</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe uma mistura notável entre a suavidade e a potência vocal da cantora de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> com as rimas densas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper. </span></i><span style="font-weight: 400;">O resultado foi não apenas um sucesso estrondoso, mas também um emocionante desabafo por parte do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o lançamento de seu disco, Emicida firmou-se entre os grandes nomes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Com o poder de seus versos, versatilidade de estilos e muita inteligência, o cantor marcou a geração e virou referência, seja para os membros da velha-guarda do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Racionais+MC%27s"><i><span style="font-weight: 400;">Racionais MC’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou para aqueles que firmaram-se posteriormente ao seu lançamento, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=BK"><i><span style="font-weight: 400;">BK’</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=djonga"><i><span style="font-weight: 400;">Djonga</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e tantos outros que foram influenciados por sua obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores obras não só do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, mas da música brasileira. Os números de </span><i><span style="font-weight: 400;">views</span></i><span style="font-weight: 400;"> das canções, as bilheterias da turnê do projeto ou os prêmios recebidos &#8211; como melhor álbum do ano pela revista </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/galeria/os-melhores-discos-nacionais-de-2013/#imagem9"><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e melhor turnê pelo </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/shows/2013/12/1389963-melhores-de-2013-cinco-shows-nacionais-empatam-na-primeira-posicao-veja-lista.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Guia Folha de S.Paulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não são capazes de mensurar o tamanho e a importância desse álbum. Em seu glorioso retorno, Emicida mostrou que suas músicas devem estar sempre aqui.</span></p>
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		<title>AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2021 16:31:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana O recente documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem foi aclamado quase por unanimidade. A produção original da Netflix exibe o evento de estreia do mais recente álbum do rapper Emicida, AmarElo. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de sequer pisar no Theatro Municipal, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amarelo-emicida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "AmarElo: tudo o que ‘nóis’ tem é ‘nóis’"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18423" aria-describedby="caption-attachment-18423" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg" alt="Parte do pôster do documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. A imagem exibe o rosto de Emicida de perfil, virado para o lado esquerdo da imagem. O artista é negro e tem cabelos cacheados soltos, mas curtos. Emicida também usa um óculos de grau redondo e fino e uma blusa, mas é fotografado apenas do ombro para cima. Atrás dele, existe um fundo cinza e no meio um coração amarelo iluminado gigante. A foto está em tons preto e cinza e somente o coração amarelo ilumina e colore a imagem." width="1200" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-300x215.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-1024x732.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/amarelo-emicida-netflix-e1607441009328-768x549.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18423" class="wp-caption-text">O documentário AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem estreou no catálogo da Netflix no dia 8 de dezembro de 2020 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recente documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem </span></i><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/jornal-ingles-guardian-enaltece-emicida-rapper-com-missao-de-resgatar-historia-negra-do-brasil/"><span style="font-weight: 400;">foi aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase por unanimidade. A produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe o evento de estreia do mais recente álbum do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Emicida, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O artista reúne todas as pessoas que, durante muito tempo, não tiveram a oportunidade de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/amarelo-10-motivos-para-assistir-o-documentario-do-emicida-na-netflix/"><span style="font-weight: 400;">sequer pisar no Theatro Municipal</span></a><span style="font-weight: 400;">, principal símbolo da cultura erudita do país. Emicida nos revela o porquê de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso, o show traz um profundo sentimento de esperança aos seus espectadores. Ao mesmo tempo que evidencia os diferentes males que assolam nosso país, também constrói um forte apelo à esperança de tentar mudar esse cenário. </span></p>
<p><span id="more-18422"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Divida em três atos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Plantar, Regar e Colher</span></i><span style="font-weight: 400;">), a obra de Emicida junto à direção de Fred Ouro Preto consegue instigar a atenção do espectador para um lindo processo de reflexão análogo à germinação das plantas e árvores. Como se tudo o que produzimos atualmente fossem frutos colhidos das raízes do passado. Neste texto, eu procuro elucidar algumas reflexões de cada faixa do disco, de acordo com as explicações fornecidas pelo autor ao longo do documentário. Em seu amplo processo de composição e pesquisa, Emicida elaborou didaticamente o porquê de cada canção pertencer a uma simbiose perfeita do enredo que é narrado. Me acompanha nessa viagem?</span></p>
<p><strong> <i>“Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje”</i>.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os </span><a href="https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/article/view/6100"><span style="font-weight: 400;">iorubás</span></a> <span style="font-weight: 400;">antigos, nada é recente. Tudo faz parte de um motivo maior e por isso, podemos aprender com o passado. O modo como lidamos com o presente é o que realmente importa, pois apenas com ele e através dele, enxergamos o mundo à nossa volta. Isso serve para criar releituras, superar traumas e se desafiar a interpretar a vida de um jeito mais harmônico. O documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um suspiro aos desacreditados, um guia para os perdidos, um gás para aqueles que já se encontram sem fôlego. Já que o foco do artista é tratar sobre brasilidades, então este é o </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><span style="font-weight: 400;">certo para quem tanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMJOmIuUwiM"><span style="font-weight: 400;">lembra dos esquecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - É tudo pra ontem part. Gilberto Gil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qbQC60p5eZk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser uma ponte entre radicais que se completam, também é a cor que nos ilumina a enxergar o caráter cíclico da natureza. Mergulhado em um incrível passeio sobre a história da arte popular brasileira e o passado dos protagonistas que alavancaram a cultura nacional mas que, infelizmente, são frutos do esquecimento marcado pelo racismo estruturante em nossa sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pixinguinha (precursor do samba e da música genuinamente brasileira) é uma referência artística pouco lembrada pelo cenário cultural e musical. Além disso, sua fama repercutiu internacionalmente junto com o grupo Oito Batutas, mas será que ele é pouco lembrado por conta da cor da sua pele?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mediante a contextualização de um Brasil </span><a href="http://www2.eca.usp.br/njsaoremo/?p=4427#:~:text=Durante%20mais%20de%20300%20anos,do%20negro%3A%20ele%20permaneceu%20marginalizado."><span style="font-weight: 400;">pós-abolicionista</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme registra as raízes que ajudaram a fortalecer o protagonismo dos movimentos negros, mesmo com condições totalmente adversas. O curioso é que, para cada figura que é retratada na obra, há uma menção, inspiração ou homenagem nas suas músicas. Este é o elemento surpresa de Emicida. Como se não bastasse a reflexão de suas letras, entendemos quais foram as inspirações pelas quais teriam sido produzidas.</span></p>
<figure id="attachment_18424" aria-describedby="caption-attachment-18424" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png" alt="Cena do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. Na imagem, Emicida está de costas para a câmera, que fotografa o público de frente para ele. O artista está dançando, e veste um conjunto de moletom bege claro e um tênis amarelo e preto e segura um microfone em sua mão direita. Ele está em cima do palco do Theatro Municipal, sendo ovacionado pela platéia, que canta e dança junto com o artista. A sala do teatro está lotada e é iluminada em tons de vermelho." width="1200" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-1-1-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18424" class="wp-caption-text">AmarElo conseguiu lotar uma plateia de sorrisos, interagir com centenas de olhares esperançosos e apontar a luz necessária para refletir em todos os prismas presentes no Theatro Municipal, que foram celebrar a vitória do talentoso rapper Emicida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A essência do disco orienta o filme. De início, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kjggvv0xM8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Principia</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">traz em sua estrutura narrativa um sonho. Nele, somos convidados a amar uns aos outros, em sintonia firmada com a sonoridade do vento. É um som etéreo e convidativo que nos remete, de imediato, a canções de ninar, as mesmas que armazenamos em nossa memória infantil e, em um piscar de olhos, são resgatadas através de uma conexão. Essa chave que liga “o eu” com “o outro” constrói um elo, e é aí que a lembrança amorosa traz a seguinte mensagem em meio a escuridão:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “tudo que nóis tem é nóis.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas próximas faixas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4cXOAqWOIcM"><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Natural das Coisas </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RVZCB3_011c&amp;t=8s"><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Alegrias da Vida Adulta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, endossam um olhar ao poder da simplicidade presente no cotidiano. Já parou pra pensar sobre a riqueza dos detalhes? O quão difícil é ser </span><a href="http://renatalapetina.com/pequenas-alegrias-da-vida-adulta/"><span style="font-weight: 400;">adulto</span></a><span style="font-weight: 400;">? Se por um lado presenciamos diariamente o milagre do amanhecer, não há porque deixar de lado as pequenas alegrias da vida adulta. As batidas de ambas canções carregam sintonia através de ritmos do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual é a verdadeira “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ordem Natural das Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">”? É ter medo? Sentir-se infeliz e com ódio? Não. Emicida, diferente do estereótipo do que muitos imaginam, não quis demonstrar o seu lado revoltoso e agressivo perante as injustiças que vem ocorrendo. O que há de mais natural é sermos nós mesmos. Sermos gratos pela vida, pela natureza e principalmente por termos o privilégio de nos conectarmos uns aos outros. É como o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> mesmo diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O maior ato de rebeldia contra o sistema é eu estar aqui sorrindo com vocês</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - Pequenas alegrias da vida adulta part. Marcos Valle" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RVZCB3_011c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante a maneira como o longa possui diversas transições com narrativas representadas na forma de animação. Este trabalho bem feito é de autoria de Alexandre de Maio e Felipe Macedo (direção de animações) e André Juventil (direção de arte). As ilustrações nos auxiliam a compreender a verdadeira face de quem é pouco reverenciado pelo imaginário de boa parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São ilustradas as narrativas “esquecidas”, a exemplo a do </span><a href="https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2020/01/conheca-historia-de-tebas-o-arquiteto-escravizado-que-esculpiu-icones-de-sao-paulo.html"><span style="font-weight: 400;">arquiteto Tebas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Negro, ele foi responsável por planejar as fachadas do Convento São Bento e da Igreja São Francisco do Carmo, no período da escravatura. Além de ser símbolo de resistência, Tebas contribuiu sendo uma das principais referências no estilo arquitetônico da cidade paulistana. Como ele, diversos outros expoentes pretos puderam agir para que hoje tenhamos um cenário mais rico e representativo do povo negro.</span></p>
<figure id="attachment_18425" aria-describedby="caption-attachment-18425" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png" alt="Ilustração presente no documentário AmarElo - É Tudo Pra Ontem. No centro da imagem, existe uma árvore com raízes profundas em marrom escuro e folhas verdes caindo. Ao redor da árvore, preenchendo o resto da imagem, existem vários nomes de artistas e a data de nascimento dos mesmos." width="650" height="366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-300x169.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18425" class="wp-caption-text">A arte popular e suas raízes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/emicida-homenageia-wilson-das-neves-atraves-da-faixa-o-sorte/"><span style="font-weight: 400;">parceria de anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Wilson das Neves, um dos maiores bateristas e instrumentistas da América Latina, Emicida reconheceu o valor de uma amizade. Ora, existe alguém mais sábio nesse quesito do que o mestre </span><a href="https://personaunesp.com.br/mais-feliz-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zeca Pagodinho</span></a><span style="font-weight: 400;">? Uma canção feliz e exuberante: </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo).</span></i><span style="font-weight: 400;"> A letra não somente é em homenagem a Das Neves, como também toda sua composição foi criada em cima de harmonias encontradas em suas parcerias com </span><a href="https://personaunesp.com.br/planeta-fome-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elza Soares.</span></a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etRL3kv5jho"><i><span style="font-weight: 400;">Cananéia, Iguape e Ilha Comprida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é firmada pela transição de conhecimentos entre gerações distintas. Os diálogos amorosos entre pais e filhos retomam o que há de mais singelo entre o tempo: </span><a href="http://sv2.fabricadofuturo.org.br/sitev1/fabricav4/ear_arquivos/someinteressaoquenaoemeu.pdf"><span style="font-weight: 400;">a troca com o outro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Emicida transcende as famosas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=06A1Sah3cH4"><span style="font-weight: 400;"><em>“</em>pedradas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em especial nesta faixa, observamos um curioso olhar ao amor, às delicadezas, nuances e, principalmente, ao belo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> é ritmo e poesia, não precisa carregar estereótipos de maldade, mágoa, rancor e ódio em sua imagem. O artista rompe com essa visão, ironizando aqueles que sustentam essa visão estereotipada, através das gargalhadas de sua filha caçula logo na introdução da canção. Ao final, mensagens fofas e carinhosas transbordam a alegria de sua filha mais velha com as famosas “cartas de amor”.</span></p>
<figure id="attachment_18426" aria-describedby="caption-attachment-18426" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png" alt="Fotografia de Emicida e Zeca Pagodinho. Os dois artistas estão ao centro da imagem, sorrindo juntos sentados em um estúdio de gravação musical. Primeiro, mais à esquerda da imagem, está Zeca Pagodinho, que tem a pele negra clara e cabelos curtos escuros. Zeca veste uma camisa jeans de manga longa azul escura, uma calça jeans cinza escura, tênis branco, um óculos de sol redondo, relógio dourado e uma aliança de compromisso na mão esquerda. Ao lado direito de Zeca, Emicida usa uma camiseta branca com o logo de sua outra empresa, a LAB Fantasma, uma calça de moletom cinza clara, tênis branco e pulseiras no pulso esquerdo. Emicida também tem tranças no cabelo, na altura do ombro, e usa um boné cinza claro e um óculos de sol quadrado. Atrás deles, no fundo da imagem, existe um estúdio de gravação, computadores e aparelhos de som." width="650" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4.png 457w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-268x300.png 268w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18426" class="wp-caption-text">Talvez Emicida tenha lembrado de Zeca Pagodinho não apenas pela admiração, mas também pela autenticidade brasileira que Zeca esbanja quando trata temáticas tão puras sobre a vivência do povo humilde e trabalhador (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A linguagem sutil de um caos instaurado na </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><span style="font-weight: 400;">modernidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> retrata bem os primeiros versos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Paisagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. A letra trabalha com antagonismos muito marcantes entre aparência e essência do ser. Ela ainda é capaz de gerar incômodos, afinal, mesmo diante da violência, somos treinados a ignorá-la em nosso interior, um modo de sobrevivência do dia a dia. O seu horizonte revela que ódio pode corroer tudo, exceto o nosso coração, caso o mesmo esteja em paz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bSo0Jcux2R0"><i><span style="font-weight: 400;">9nha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> por outro lado, é contada a história de um amor bandido, estilo Bonnie e Clyde. A música, que foi produzida em parceria com Drik Barbosa, trata-se de um relato apaixonante e ao mesmo tempo perverso, onde a maldade da sexualidade confunde-se com o “lado B” da vida do casal. Uma verdadeira aula de linguagem, mesclando duplos sentidos com gírias jovens que conversam com adolescentes rebeldes e apaixonados. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ó meu bem, a gente ainda vai sair nos jornais”</span></i><span style="font-weight: 400;"> traduz a fama de jovens sonhadores que almejam ser notados. </span></p>
<figure id="attachment_18427" aria-describedby="caption-attachment-18427" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png" alt="Uma foto colorida mostra detentos sentados em cadeiras azuis, vestidos com uniforme laranja, estampando a seguinte frase: “Interno”. Todos eles estão de costas para a câmera e de frente para o telão que exibe o título do documentário Amarelo - É Tudo Pra Ontem. No campo de visão da foto, aparecem 4 detentos, três deles são pardos e um é branco" width="650" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5.png 384w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18427" class="wp-caption-text">A mensagem do documentário conseguiu atingir detentos do presídio de Balsas, interior do Maranhão: isso só ilustra o quanto a arte pode ser transformadora e potente sem demonstrar brutalidade e violência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis que surge a nona faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4pBp8hRmynI"><i><span style="font-weight: 400;">Ismália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais poética de </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a declamação do </span><a href="http://culturafm.cmais.com.br/radiometropolis/lavra/alphonsus-de-guimaraens-ismalia"><span style="font-weight: 400;">poema de Alphonsus Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fernanda Montenegro e Emicida incorporam uma nova versão para o texto da poesia, lançada no século XIX, para os dias atuais. A música homenageia a luta de mulheres pretas guerreiras como: Ruth de Souza, Lélia González, Leci Brandão, Ivone Lara, Marielle e tantas outras personalidades marcantes para a representatividade da luta feminista antirracista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preconceito racial, violência policial, estereótipos raciais, ódio e empoderamento são os principais temas abordados em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zaqRm73GCo"><i><span style="font-weight: 400;">Eminência Parda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um trabalho conjunto de Emicida, Jé Santiago e Papillon. Nos bastidores da gravação do clipe desta música, o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">assassino de MC’s</span></i><span style="font-weight: 400;">’ solta a seguinte frase:</span><i><span style="font-weight: 400;">  “Eu não sou o alvo do racista, eu sou o pesadelo dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18428" aria-describedby="caption-attachment-18428" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png" alt="Uma fotografia em preto e branco mostra dois artistas consagrados do samba de raiz em um palco, tocando juntos. Ao lado esquerdo, temos Mestre Candeia sentado em uma cadeira de rodas, enquanto o mesmo segura dois microfones. À direita, Martinho da Vila, em pé, tocando um pandeiro, enquanto canta ao microfone. Ao fundo, percebemos outros instrumentos musicais e outras seis pessoas que também figuram na imagem, porém em segundo plano." width="650" height="435" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-300x201.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18428" class="wp-caption-text">Impossível passear por qualquer gênero musical sem reconhecer a importância das batidas do samba no processo de identidade nacional &#8211; Mestre Candeia (esquerda) e Martinho da Vila (direita) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então chegamos na penúltima faixa, </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que além de lidar com questões sobre auto aceitação, busca por um ideal, sonhos, fé… Trabalha com maestria sobre o enfrentamento de temáticas delicadas, através de uma mensagem amorosa. No fundo, é o remédio que todos nós precisamos nesse exato momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de produzir a canção ao lado de </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-majur-conheca-artista-nao-binario-que-brilha-no-clipe-amarelo-com-emicida-e-pabllo-vittar/"><span style="font-weight: 400;">Majur</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-para-pabllo-2018/"><span style="font-weight: 400;">Pabllo Vittar</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi excepcional. Além de trazer duas grandes vozes para compartilhar talento, Emicida deu um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de diversidade. Até porque, não existe luta que seja separada das demais e mais uma vez, com seu lindo discurso humanista e performance fora da curva, fez questão de nos lembrar da importância da união.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Emicida - AmarElo (Sample: Belchior - Sujeito de Sorte) part. Majur e Pabllo Vittar" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/PTDgP3BDPIU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A frase do refrão</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem de um </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de Belchior (gravado há mais de 40 anos)</span> <span style="font-weight: 400;">que diz muito sobre resistência e se permitir conquistar espaços. Esse é o ideal de querer retratar diferentes lutas em seu clipe. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você é o maior representante do seu sonho na face da terra”, “Te vejo no pódio”, “Cê vai sair dessa prisão”, “Cê vai atrás desse diploma”, “Faz isso por nóis”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ciclo que se fecha, somos acordados com a melhor percepção de nós mesmos. Com a autoestima renovada, temos a certeza de que somos </span><i><span style="font-weight: 400;">Libre</span></i><span style="font-weight: 400;"> (a faixa que conclui o disco). Na tentativa de reconstruir o futuro, colhendo os ensinamentos dos erros passados no presente, o artista se coloca como um grande mestre. Ele reconhece a razão de suas letras, mensagens, parcerias e missões. Mais do que isso. Emicida nos desafia a entender a situação de um país profundamente racista como o de hoje, mas que ainda tem a esperança de se erguer.</span></p>
<figure id="attachment_18432" aria-describedby="caption-attachment-18432" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18432" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png" alt="Foto colorida mostra Lélia González, no lado esquerdo da imagem, sendo abraçada de lado por Paulinho da Viola, no lado direito. Ambos são negros e aparecem sorrindo. Paulinho está de terno preto, camisa branca e gravata preta, carregando uma medalha no paletó. Lélia está de blazer preto com uma camisa branca e amarela florida por baixo, carregando uma bolsa no ombro direito. Não é possível enxergar o fundo da foto, pois ela foi tirada em um ambiente noturno com pouca luz." width="650" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-300x209.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18432" class="wp-caption-text">Lélia González (importante feminista na luta contra o racismo e machismo estruturantes) ao lado do mestre Paulinho da Violo (um dos maiores sambistas da música brasileira) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho do filme consegue oferecer esperança aos tempos pandêmicos que ultimamente enfrentamos. Coincidência ou não, todo o medo e desilusão já foram enfrentados mais de </span><a href="https://www.pixinguinha.org.br/perfil/oito-batutas/"><span style="font-weight: 400;">cem anos atrás</span></a><span style="font-weight: 400;"> e somente a arte foi o remédio encontrado para nos tirar deste poço sombrio. Tentaram calar </span><a href="https://medium.com/todxs/marielle-franco-presente-semente-1c3cf46db86c#:~:text=Marielle%20Franco%20era%20vereadora%20do,ter%C3%A7a%2Dfeira%2C%20dia%2012."><span style="font-weight: 400;">Marielle</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o seu legado permanece cada vez mais forte. O último trecho do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo &#8211; É Tudo Pra Ontem</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra com o seu depoimento inspirador: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É fundamental porque marca o século XXI que é esse momento que a gente vive de impulsionar, de fortalecer, de mais visibilidade para essas mulheres negras. Então o que a Dona Ruth começa lá atrás, é o que está florescendo hoje.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A lição que fica disso tudo está relacionada ao direito de nos permitirmos. Aprendemos um com “o outro”, mas enquanto “ele” não tiver iguais condições para poder ser livre, estaremos privados de conhecer novas cores, presos na escuridão da intolerância e do preconceito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É urgente que o  povo preto, periférico e LGBTQ+ também tenha direito à cultura. Eles não somente têm direito, como também são os responsáveis pela maioria das produções artísticas do país. No fundo, tanto o álbum quanto o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">AmarElo</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumprem sua missão e percebemos que devemos mudar nossas atitudes e olhares “</span><i><span style="font-weight: 400;">para que amanhã não seja só um ontem, com um novo nome”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: AmarElo" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/5cUY5chmS86cdonhoFdn8h"></iframe></p>
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