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	<title>Arquivos Almodóvar &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940</title>
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		<pubDate>Tue, 30 May 2023 20:59:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos As Primas é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha 85 anos, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-primas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em As Primas, amor, Arte e violência se misturam na Argentina dos anos 1940"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31014" aria-describedby="caption-attachment-31014" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-31014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/clube_wordpress-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31014" class="wp-caption-text">Aurora Venturini e seu livro As Primas venceram o prêmio Nueva Novela, do jornal Página/12, pelo qual a autora, enfim, foi premiada por &#8220;um júri honesto&#8221; (Foto: Fósforo/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">As Primas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um romance de formação, que narra a irmandade das primas Yuna, Petra e Carina, que crescem em uma família disfuncional e marginalizada na cidade argentina de La Plata, nos anos 1940. Publicada originalmente em 2007, quando Aurora Venturini tinha </span><a href="https://www.eternacadencia.com.ar/blog/contenidos-originales/noticias/item/aurora-venturini-cumple-sus-primeros-100-anos.html"><span style="font-weight: 400;">85 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra recebeu vários prêmios literários na Argentina e no exterior. Destacando-se pela linguagem radical e excêntrica, que mistura diferentes registros, gírias, estrangeirismos, neologismos, erros gramaticais e ortográficos, criando um estilo único, original e cativante, o trabalho foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro do </a></span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><b>Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">em Março de 2023.</span></p>
<p><span id="more-30989"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando os limites da narração nas questões de gênero e classe, </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/aurora-venturini/"><span style="font-weight: 400;">a autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra as contradições e as <a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/">injustiças da sociedade argentina</a> da época. As personagens femininas são o centro da obra, retratadas como seres marginalizados, oprimidos e violentados pela sociedade patriarcal e machista. No entanto, elas também demonstram uma força e resistência admiráveis nas situações mais perversas e desconfortáveis. Não se conformam com o destino que lhes foi imposto e buscam formas de se expressar e de se afirmar com suas armas, sejam elas a Arte, a astúcia, a rebeldia ou a vingança.</span></p>
<figure id="attachment_30991" aria-describedby="caption-attachment-30991" style="width: 815px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30991 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Alfaguara, de Aurora Venturini. Nela está uma mesa com pano de prato xadrez vermelho e branco. Abaixo, sentada com as pernas cruzadas ao chão está uma menina que segura uma xícara. Seu rosto está coberto pela toalha xadrez e ao chão está o pires de sua xícara. Logo acima, está o bule e o jogo completo de pires e xícaras." width="815" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-815x1024.png 815w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-637x800.png 637w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2-768x965.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-2.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30991" class="wp-caption-text">A autora se exilou na França, após o golpe militar argentino em 1955; lá, foi amiga de intelectuais franceses, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (Foto: Alfaguara Portugal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aspecto interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Las primas </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é a forma como a autora constrói suas personagens femininas. As primas </span><a href="https://www.telam.com.ar/notas/202210/607845-marcela-ferradas-teatro-yuna-obra.html"><span style="font-weight: 400;">Yuna Riglos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Petra, assim como as outras mulheres da família, sofrem com a pobreza, a ignorância, a exploração, o abuso e a discriminação devido às suas deficiências físicas ou mentais. Mesmo vitimadas pelos próprios familiares, que as tratam com desprezo, indiferença e crueldade, elas mantém a potência e singularidade em toda a narrativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Eu era uma menina diferente das outras porque tinha nascido com um defeito na cabeça que me fazia ter dificuldade para falar e entender as coisas. Por isso as pessoas me olhavam com pena ou com nojo. Mas eu não me importava com isso. Eu sabia que eu era especial e que tinha um dom para a pintura. Eu pintava coisas lindas que ninguém mais podia ver” <em>(p. 13)</em>.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, que chegou ao Brasil em Setembro de 2022 pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Fósforo</span></i><span style="font-weight: 400;">, provoca estranheza, piedade, repulsa e riso, mas também admiração pela maestria </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/primeiro-romance-da-argentina-aurora-venturini-traz-autobiografia-delirante/"><span style="font-weight: 400;">narrativa de Venturini</span></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, a autora cria um universo ficcional rico em detalhes, que revela contradições e injustiças, ao mesmo tempo que nos transporta àquela realidade. Com a ambiguidade de suas dores e principalmente humor, </span><span style="font-weight: 400;">a trajetória de Yuna é contada desde a infância até a idade adulta, passando por episódios trágicos e cômicos que envolvem sua mãe, sua irmã, suas primas, seus tios e seus amores.</span></p>
<figure id="attachment_30996" aria-describedby="caption-attachment-30996" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30996 " src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.png" alt="Fotografia da capa do Livro As Primas, da editora Caballo de Troya , de Aurora Venturini. Nela está uma mulher branca, deitada com suas mão juntas em frente a seu rosto. Seus cabelos são castanhos e lisos, estão soltos. Ela veste uma blusa com babados azul clara e ao fundo está um sofá ornamentado. O efeito da foto remete a antiguidade com tons escuros e amarelados." width="533" height="615" /><figcaption id="caption-attachment-30996" class="wp-caption-text">Aurora Venturini usava o pseudônimo de Beatriz Portinari, e escolheu esse nome em homenagem à musa de Dante Alighieri, o poeta italiano autor da Divina Comédia (Foto: Editorial Caballo de Troya)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos temáticos, estilísticos e culturais, é possível relacionar a obra de Aurora Venturini com a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/pedro-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos mais influentes e originais cineastas contemporâneos. O diretor espanhol é conhecido por filmes que abordam o amor, o desejo, a identidade, a sexualidade e  a família, com um estilo marcado pela estética colorida, pelo humor ácido e pela ironia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças ocorrem, principalmente, através da presença de personagens femininas fortes, complexas e marginalizadas, que </span><a href="https://gpslifetime.com.br/materia/em-strange-way-of-life-pedro-almodovar-desafia-convencoes-no-old-west"><span style="font-weight: 400;">questionam os limites das convenções sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Expressando-se através de uma linguagem radical, Venturini usa a ironia ácida e a violência como forma de lidar com as situações trágicas e cômicas atribuídas às personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30994" aria-describedby="caption-attachment-30994" style="width: 580px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-e1685460240947.png" alt="Fotografia da Autora Aurora Venturini. Uma mulher idosa, de cabelos ruivos ondulados e largos a altura de suas orelhas. Seu rosto é marcado por linhas de expressão enquanto encara sua frente. A imagem é restrita ao de seu busto acima, com uma camiseta preta. Ao fundo uma prateleira de livros antigos em tons marrons." width="580" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-30994" class="wp-caption-text">Falecida em 2015, Aurora Venturini foi amiga de Evita Perón, a primeira-dama da Argentina entre 1946 e 1952, e trabalhou com ela na Fundação Eva Perón, instituição com foco na assistência social que ajudava os pobres e os desamparados (Foto: Nora Lezano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tradução de </span><a href="https://livrosdabel.com.br/mariana-sanchez-a-tradutora-que-traz-a-literatura-latino-americana-ao-brasil/#:~:text=Mariana%20Sanchez%20%C3%A9%20uma%20das,Silvina%20Ocampo%E2%80%9D%20de%20Mariana%20Enriquez%2C"><span style="font-weight: 400;">Mariana Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sensível e precisa, captando o tom irônico e sarcástico da voz original de Yuna, que oscila entre a inocência e a crueldade, entre a ternura e o desprezo. A tradutora também respeita as escolhas estilísticas da autora, que usa uma pontuação peculiar e um vocabulário rico em regionalismos e neologismos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu queria me chamar Maria, como a minha mãe, ou Nené, como a minha prima mais velha, que era linda e inteligente e tocava piano. Mas eu não podia escolher o meu nome e nem o meu rosto. Eu tinha que me conformar com o que me tinham dado”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse trecho, pode-se observar como a tradutora preserva o estilo da autora argentina, que usa frases simples e diretas, sem muitas variações. Ela mantém, principalmente, o </span><a href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/espectaculos/10-18863-2010-08-07.html#:~:text=Conhecer%20o%20autor%20te%20ajudou%3F"><span style="font-weight: 400;">tom confessional e infantil</span></a><span style="font-weight: 400;"> da narradora, que se apresenta ao leitor com muita sinceridade.</span></p>
<figure id="attachment_30992" aria-describedby="caption-attachment-30992" style="width: 898px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png" alt="Fotografia da atriz Marcela Ferradás. Uma mulher branca que veste uma saia longa cinza com detalhes listrados e uma camiseta social preta. A atriz usa um colar de pérolas enquanto olha para sua frente. Seus cabelos são castanhos, ondulados e curtos, com seu comprimento até a orelha. Ao fundo há uma parede com molduras diversas de quadros sem fotos ao meio." width="898" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.png 898w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30992" class="wp-caption-text">A atriz Marcela Ferradás conheceu e se encantou com a escritora Aurora Venturini, que lhe disse: “Yuna sos vos”; ela interpretará a protagonista de As Primas em uma peça dirigida por Horácio Peña (Foto: Radio Pública de la Provincia de Buenos Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade de Yuna, no entanto, é complexa e contraditória: ela tem uma sensibilidade e uma criatividade extraordinária, que a fazem pintar coisas lindas. Ainda assim, é inocente e ingênua, e não compreende bem o mundo ao seu redor. Ela é curiosa e ávida por aprender, usando o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/03/24/interna_pensar,1472857/em-as-primas-aurora-venturini-relata-brutais-historias-familiares.shtml#:~:text=explica%20que%20o%20uso%20de%20determinada%20palavra%20%C3%A9%20decorr%C3%AAncia%20da%20consulta%20ao%20dicion%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">dicionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fonte de conhecimento e expressão. A personagem também é sincera e direta, dizendo o que pensa sem filtros ou rodeios &#8211; uma pessoa forte e resistente, que não se deixa abater pelas adversidades e convenções de decoro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava da minha prima Nené. Ela era gorda, feia e burra. Ela não sabia fazer nada direito. Ela só sabia tocar piano, mas isso não era arte de verdade” </span></i><span style="font-weight: 400;">(p. 121).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Petra, por sua vez, é uma personagem ambígua e complexa, que oscila entre a crueldade e a solidariedade, amor e ódio, lealdade e traição. Ela é a principal antagonista de Yuna, mas também sua confidente e protetora. Petra se autodenomina </span><i><span style="font-weight: 400;">liliputiane</span></i><span style="font-weight: 400;">, um termo encontrado para se referir às pessoas pequenas como ela. Ela usa essa expressão como forma de se afirmar e de desafiar os preconceitos da sociedade. Petra é a principal responsável na influência dos pensamentos de Yuna acerca de política, religião, sexo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. É Petra, inclusive, que ajuda Yuna a enfrentar os abusos e as violências que sofre na família e na escola.</span></p>
<figure id="attachment_30995" aria-describedby="caption-attachment-30995" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png" alt="Fotografia dos livros As Primas e As Amigas, de Aurora Venturini, ambos estão rodeados de outros livros em prateleiras e estão em pé. Seus títulos estão em branco com fundo preto enquanto molduram imagens em suas capas, em Las primas está a figura de uma menina embaixo da mesa tomando algo em uma xícara, na segunda imagem duas senhoras estão encarando sua frente também segurando pires e xícaras." width="1140" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30995" class="wp-caption-text">Depois do sucesso de Las primas, Aurora Venturini começou a escrever o monólogo Las Amigas (Foto: Revista Leemos)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As Primas </span></i><span style="font-weight: 400;">se encerra com a consolidação de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">narradora singular</span></a><span style="font-weight: 400;"> e original criada por Aurora Venturini, que nos conta sua história desafiando as normas gramaticais e ortográficas. Yuna nos mostra seu próprio mundo de imperfeições e de diferenças, mas também de beleza e de esperança. Com essa voz inconfundível, Venturini nos apresenta um universo ficcional rico em detalhes, que revela as contradições e as injustiças da sociedade argentina &#8211; e não só.</span></p>
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		<title>A Pele que Habito abriga um interior sórdido</title>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam procedimentos estéticos para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme A Pele que Habito, dirigido por Pedro Almodóvar, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Pele que Habito abriga um interior sórdido"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23390" aria-describedby="caption-attachment-23390" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg" alt=" Cena do filme A Pele que Habito apresenta uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto. Suas mãos estão no rosto, o que transmite a sensação dela estar impressionada. Mais à esquerda da foto há um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos, vestindo uma camiseta preta. O fundo da imagem exibe uma parede acinzentada com um círculo de vidro." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23390" class="wp-caption-text">Romance, drama e terror se fundem na mesa de cirurgia de A Pele que Habito, que completa 10 anos dia 6 de outubro (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam </span><a href="http://www.revistaferidas.com.br/brasil-e-o-pais-que-mais-realiza-cirurgias-plasticas-no-mundo/"><span style="font-weight: 400;">procedimentos estéticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Pedro Almodóvar, uma lenda do Cinema Espanhol. O longa, inspirado no livro </span><a href="https://www.threemonkeysonline.com/tarantula-by-thierry-jonquet/"><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Thierry Jonquet, se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">angustiante, cuja peça central da trama é a vingança.</span></p>
<p><span id="more-23385"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como protagonista deste jogo temos Robert Ledgard (</span><span style="font-weight: 400;">Antonio Banderas)</span><span style="font-weight: 400;">, um cirurgião plástico muito talentoso que estuda com afinco o desenvolvimento de uma nova pele resistente à dor ao fundir DNA humano com suíno. E como cobaia desse experimento está Vera (</span><span style="font-weight: 400;">Elena Anaya)</span><span style="font-weight: 400;">, que vive aprisionada pelo médico em um quarto repleto de câmeras, como forma do cientista </span><a href="https://www.otempo.com.br/interessa/voyeurismo-o-prazer-de-olhar-o-outro-e-cada-vez-menos-um-tabu-1.2452080"><span style="font-weight: 400;">assistir o comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua paciente/vítima. Outra moradora da casa é Marília (</span><span style="font-weight: 400;">Marisa Paredes)</span><span style="font-weight: 400;">, mãe de Robert, que exerce a função de governanta.</span></p>
<figure id="attachment_23391" aria-describedby="caption-attachment-23391" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito exibe um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa preta, sentado em um divã e olhando para uma TV, que transmite uma imagem de câmera de segurança com uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa bege, deitada em uma cama, lendo um livro." width="738" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-23391" class="wp-caption-text">Robert e Vera vivem um romance ardente, mas frágil como um castelo de cartas (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se inicia morna, ao passo que a relação entre esses personagens é aparentemente agradável para todos, o médico testa seus experimentos, a paciente não apresenta ímpeto rebelde, chegando a ser submissa, e a governanta cuida da casa sem grandes preocupações. No entanto, no decorrer da convivência em prisão domiciliar, Robert e Vera desenvolvem um relacionamento amoroso. A aproximação de ambos gera um incômodo para Marília, que modifica sua postura amistosa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Skin I Live In</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue seu desenrolar em ordem cronológica até se adentrar pelos sonhos de Robert e Vera. O </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/04/23/segredos-do-cinema-plot-twist/"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz outro rumo para o filme com cenas marcadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, que exibem o passado do médico, em que sua esposa e filha (</span><span style="font-weight: 400;">Blanca Suárez</span><span style="font-weight: 400;">) ainda eram vivas, e também apresentam um outro personagem, Vicente (Jan Cornet), revelando uma suposta relação sexual do jovem com a filha do cientista, que este interpretou como estupro. Desse modo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume um tom macabro com a vingança nefasta do cirurgião e com mudanças nas atitudes dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_23389" aria-describedby="caption-attachment-23389" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra um homem branco de cabelos curtos e castanhos e uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, abraçados em uma cama. Ambos estão nus e cobertos com um lençol azul marinho." width="982" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23389" class="wp-caption-text">Enquanto não estava na mesa de cirurgia, Robert Ledgard espionava sua cobaia pelas câmeras como passatempo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trama escabrosa é marcada, a cada segundo, por um terror psicológico diferente dos outros </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">filmes do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. O escritor de literatura policial e política, </span><a href="https://www.reseau-canope.fr/savoirscdi/societe-de-linformation/le-monde-du-livre-et-de-la-presse/auteurs-et-illustrateurs/realite-et-fiction-interview-de-thierry-jonquet.html"><span style="font-weight: 400;">Thierry Jonquet</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolve sua narrativa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula </span></i><span style="font-weight: 400;">com mais sexo e violência, e o horror muito mais explícito do que na película de Almodóvar. Além disso, há algumas diferenças na história, como, por exemplo, a residência do eminente Richard Lafargue é um castelo e sua relação com sua esposa e cobaia, Eve, é muito mais brutal do que na retratada no longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas produções ainda se encontram com </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-42537245"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto central do filme é um cientista focado em uma criação mirabolante, tal qual o clássico de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/03/criadora-e-criatura-o-poder-de-mary-shelley-e-seu-frankenstein.html"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas obras contemporâneas, a encarnação do monstro se deu por meio de uma cobaia humana aprisionada para a realização dos experimentos malucos de Richard Lafargue. Além disso, diferentemente do cientista do clássico da literatura, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i><span style="font-weight: 400;">, o médico se apaixona por sua criação, porém esta o abomina. Mas, apesar dessas semelhanças, o longa de Almodóvar reflete a personalidade do diretor em cada tomada de câmera.</span></p>
<figure id="attachment_23388" aria-describedby="caption-attachment-23388" style="width: 978px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito em que há um homem branco de cabelos curtos e castanhos de perfil, vestindo um jaleco de cirurgia. Ao fundo está uma porta de sala cirúrgica, em que se pode ver pelo vidro a imagem borrada de alguém deitado na maca." width="978" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg 978w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23388" class="wp-caption-text">Robert Ledgard foi criado com muitas inspirações, mas, no fim, a personalidade de Almodóvar fala mais alto na caracterização do cientista maluco (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta espanhol construiu sua carreira com um estilo singular em suas produções. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/09/pedro-almodovar-historia-do-cineasta-ilustrada.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> costuma construir suas narrativas exaltando a </span><a href="https://www.revistabula.com/36569-a-mulher-segundo-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">força feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mulheres de personalidade forte como protagonista, o tabu da sexualidade é tratado abertamente e as paixões e os dramas são intensos e profundos. Todas essas marcas do diretor estão explícitas na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito, </span></i><span style="font-weight: 400;">que, no entanto, deixou de lado uma das principais características do diretor: as cores vibrantes. Filmes marcantes, como </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ata-me/"><i><span style="font-weight: 400;">Ata-me!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tudo-sobre-minha-mae/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre Minha Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ma-educacao/"><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chamam a atenção para a coloração do cenário que destaca, acima de tudo, o vermelho. Porém, a escolha de um ambiente decorado com tons sóbrios com uma estética futurista foi extremamente assertiva para a criação do clima de um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas características tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme perturbador, no bom sentido. Antes mesmo da trama se adentrar pelos </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e expor a podridão dos personagens, o terror e a violência já estavam presentes nas pequenas sutilezas, como, por exemplo, o gestual dos atores para pegar uma lâmina. Desse modo, o longa transborda um horror angustiante e inovador para uma premissa que, aparentemente, aborda o clichê de cientista maluco. </span></p>
<figure id="attachment_23387" aria-describedby="caption-attachment-23387" style="width: 1907px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto ao centro de uma sala, com móveis modernistas." width="1907" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg 1907w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23387" class="wp-caption-text">Tal qual Kubrick em Laranja Mecânica, Almodóvar utiliza da estética clean para trazer a sensação de incômodo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez com que Almodóvar levasse mais alguns prêmios para sua coleção. O cineasta, que nunca chegou a estudar Cinema, é um dos diretores mais premiados da história, e com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi diferente. O longa participou de diversas premiações e festivais pelo mundo, como o Festival de Cannes, levando o prêmio </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/estreia-a-pele-que-habito-um-almodovar-com-obsessao-e-ciencia.html"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">; o Globo de Ouro, sendo nomeado como Melhor Filme Estrangeiro; e o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Goya</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual a película foi indicada para diversas categorias e ganhou como Melhor Atriz, Maquiagem, Ator Revelação e Melhor Trilha Sonora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os prêmios só reforçam a magnitude do filme de Almodóvar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito </span></i><span style="font-weight: 400;">permeia os gêneros do drama, do romance e do terror, mostrando a versatilidade do diretor para a construção de uma obra complexa. Esse fato faz com que a película desenvolva uma narrativa eletrizante sem a ação presente nos </span><a href="https://incrivel.club/criatividade-arte/20-cliches-mas-trillados-de-las-peliculas-de-hollywood-347660/"><span style="font-weight: 400;">clichês </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A conclusão da obra, marcada pela incógnita, serve como ponto de exclamação para afirmar que Pedro Almodóvar é um dos maiores diretores da história do Cinema.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/">A Pele que Habito abriga um interior sórdido</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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