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	<title>Arquivos Akira Kurosawa &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A vitória e a derrota, a vida e a guerra, Akira Kurosawa e os 70 anos de Os Sete Samurais</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Oct 2024 17:53:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Existem diretores que não precisam de muito para extrair algo interessante, fazem do simples algo profundo, seja por um movimento de câmera, pela maneira como enquadra uma cena ou até como posiciona seus atores. Esse é o caso de Akira Kurosawa, diretor japonês que, há 70 anos, lançava Os Sete Samurais, um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-sete-samurais-70-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vitória e a derrota, a vida e a guerra, Akira Kurosawa e os 70 anos de Os Sete Samurais"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-sete-samurais-70-anos/">A vitória e a derrota, a vida e a guerra, Akira Kurosawa e os 70 anos de Os Sete Samurais</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34083" aria-describedby="caption-attachment-34083" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-800x463.png" alt="Mais próximo da câmera está Kikuchiyo segurando uma espada sobre o ombro e olhando para algo fora do plano. Ao fundo estão os outros seis samurais olhando na mesma direção." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-768x444.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3.png 994w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34083" class="wp-caption-text">“Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem” (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem diretores que não precisam de muito para extrair algo interessante, fazem do simples algo profundo, seja por um movimento de câmera, pela maneira como enquadra uma cena ou até como posiciona seus atores. Esse é o caso de Akira Kurosawa, diretor japonês que, há 70 anos, lançava </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wJ1TOratCTo"><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos seus melhores e mais influentes filmes. Na trama, lavradores descobrem que bandidos vão saquear a sua vila e decidem contratar samurais para protegê-la. No entanto, apesar da sua aparente simplicidade, Kurosawa traz profundidade ao analisar os conflitos históricos entre camponeses e guerreiros japoneses, além de meditar sobre</span> <span style="font-weight: 400;">a vida e a guerra.</span></p>
<p><span id="more-34082"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa explora a histórica relação conflituosa causada pela estratificação social do Japão na época retratada, que, com algumas ressalvas, se baseava na</span><a href="https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1438/o-feudalismo-no-japao-medieval/"><span style="font-weight: 400;"> suserania e vassalagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, no caso, os camponeses seriam os vassalos e os guerreiros os suseranos. No entanto, o idealizador evita o caminho fácil e moralista de colocar os personagens como representantes de suas classes. Ao invés disso, ele dá personalidade própria para cada um dos samurais e alguns dos principais lavradores, entendendo o contexto histórico e social em que que estão inseridos, mas não limitando-os a isso. A melhor maneira de ilustrar essa ideia é por meio do personagem Kikuchiyo (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/bio/biotosh.htm"><span style="font-weight: 400;">Toshiro Mifune</span></a><span style="font-weight: 400;">), um filho de lavradores que sofreu muito nas mãos dos samurais, porém, mesmo dentro de uma sociedade estratificada, muda o seu destino e se torna um deles.</span></p>
<figure id="attachment_34084" aria-describedby="caption-attachment-34084" style="width: 567px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4.png" alt="Na imagem está Kikuchiyo gritando. A câmera pega apenas a parte acima dos ombros. Ele está com capacete de proteção e parece estar em movimento de ataque." width="567" height="319" /><figcaption id="caption-attachment-34084" class="wp-caption-text">Toshiro Mifune foi um dos atores preferidos de Akira Kurosawa, eles trabalharam juntos em 15 obras (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os camponeses traumatizados com os abusos dos guerreiros que passavam pela vila – principalmente as meninas mais novas que os samurais sempre se interessavam –, passam a reagir e matá-los, ficando com suas </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/entenda-como-eram-antigas-armaduras-samurais.phtml"><span style="font-weight: 400;">armas e armaduras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Toda essa base dos conflitos é construída por meio de diálogos ao longo do filme, fazendo com que, inicialmente, tenhamos raiva dos lavradores que não recepcionam os samurais por medo deles, mas, conforme a obra avança, uma empatia é construída ao entendermos seus traumas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os samurais, por outro lado, estão longe de serem o que os moradores da vila pensam, pois estes reforçam os valores do </span><a href="https://www.gjjperdizes.com.br/codigo-753#:~:text=O%20Bushido%20"><span style="font-weight: 400;">código de conduta samurai</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao aceitarem o trabalho sem nenhuma pretensão gananciosa, visto que o valor ofertado – três refeições completas durante o tempo em que estiverem no vilarejo – era muito baixo para os riscos que exigia. O interessante dos guerreiros é que cada um deles tem um motivo diferente para aceitar a empreitada, combinando com a sua própria personalidade, seja por querer ajudar os indefesos, para adquirir experiência, melhorar suas técnicas de combate ou, até mesmo, provar que é um samurai, como é o caso de </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=947849828927882"><span style="font-weight: 400;">Kikuchiyo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34085" aria-describedby="caption-attachment-34085" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-800x533.png" alt="A câmera está de lado  em relação aos seis samurais da imagem. Mais próximo da câmera à direita está Kanbê, seguido por Heihachi, Kiûzô e Shichiroji respectivamente, e cada um mais ao fundo na imagem que seu antecessor. Mais próximo da câmera à esquerda está Kikuchiyo, seguido por Okamoto mais ao fundo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34085" class="wp-caption-text">O episódio 4 da primeira temporada de Mandaloriano é muito inspirado no filme de Akira Kurosawa (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o filme passa a obedecer uma lógica própria, sem se guiar, necessariamente, pelas bases históricas, obedecendo mais à coerência dos seus personagens. Estas sete figuras, na verdade se mostram bem arquetípicas; Kanbê (</span><a href="https://www.americancinematheque.com/series/takashi-shimura-an-american-cinematheque-retrospective/"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o líder do grupo, que detém a moral, toma a frente para tudo, gere as pessoas e traça as estratégias; Shichiroji (Daisuke Katō) e Gorobê (Yoshio Inaba) são os homens de confiança do comandante. Esses três homens são a representação da coletividade e do respeito ao trabalho em equipe. Em certo momento Kanbê briga com Kikuchiyo por desrespeitar as ordens gerais, independente do resultado obtido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Okamoto (Isao Kimura) e Kikuchiyo refletem sobre a vida de maneiras distintas; o primeiro é jovem em busca de aprendizado e novas experiências; o outro é cheio de mágoa, raiva e busca se provar como um samurai, apesar da origem humilde. Eles são a dualidade entre o que busca conhecer a vida e o que já passou por tudo. Diferente desses, Kiûzô (Seiji Miyaguchi) é calado, independente, habilidoso em conflito e com uma postura que impõe respeito, um </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-as-eras-cinematograficas-do-western/"><span style="font-weight: 400;">faroeste</span></a><span style="font-weight: 400;"> por essência; Heihachi (Chiaki Minoru) soa como aquele que apenas quer se divertir matando, olhando para o todo, ele parece o mais apagado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final do filme, Akira Kurosawa volta a trabalhar o </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/sete-samurais-pala-walsh-botelho/"><span style="font-weight: 400;">conflito</span></a><span style="font-weight: 400;">, dando um final diferente do que acontecia historicamente, e reflete sobre as </span><a href="http://www.contracampo.com.br/63/ossetesamurais.htm#:~:text=Os%20samurais%20de%20Kurosawa%20s%C3%A3o,lavradores%20a%20que%20prestaram%20ajuda"><span style="font-weight: 400;">derrotas da guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto morreram mais da metade dos samurais sem ganhar nada, a não ser as refeições durante o tempo em que ficaram na vila – não continham tudo que os lavradores produziam –, os camponeses, apesar das perdas, voltam a viver suas vidas normalmente, contagiados por terem vencido a guerra. Apesar de estarem do mesmo lado, Kanbê reforça que eles, os guerreiros, não venceram a batalha, apenas os lavradores.</span></p>
<figure id="attachment_34086" aria-describedby="caption-attachment-34086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x590.png" alt="Mais próximo a imagem abaixo estão os samurais Kanbê, Shichiroji e Okamoto, e mais dois lavradores. Mais ao fundo e em foco, estão os túmulos dos samurais mortos, com as espadas destes cravadas onde estão seus corpos." width="800" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x590.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1024x755.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-768x567.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1200x885.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.png 1220w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34086" class="wp-caption-text">Apesar de ser um dos maiores nomes do Cinema japonês, Akira Kurosawa era considerado muito ‘ocidentalizado’ em sua época (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção foi um marco no Cinema mundial, influenciando muito o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Western</span></i><span style="font-weight: 400;">, que trabalhava com questões como a honra, a coragem e o sacrifício em seus heróis. Além disso, ele influencia diretamente o universo </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Star+wars"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que é definido como um faroeste no espaço</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas com sabres de luz ao invés de armas, o que apenas realça essa semelhança com o longa. Existe, até mesmo, um episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mandaloriano </span></i><span style="font-weight: 400;">que repete a mesma sinopse, entretanto com outra roupagem, adaptado ao universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra com um legado extenso, que vai além do Cinema japonês, pois incita o estudo e o novo olhar para a história, cria personagens complexos com características muito cativantes e, sendo muito inspirado pelo livro </span><a href="https://manualdohomemmoderno.com.br/livros/licoes-para-vida-com-arte-da-guerra"><i><span style="font-weight: 400;">A arte da Guerra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Sun Tzo, fala sobre a guerra e suas perdas. É um filme histórico de um dos diretores mais marcantes do pós-guerra no Japão, talvez, ele não fosse o melhor exemplo do que era a Sétima Arte japonesa, mas com certeza foi um dos que mais chamou a atenção do mundo para o seu Cinema.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 22:19:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (Ran) lançou ao mundo Ikiru. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano Oliver Hermanus (O Rio Sem Fim) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de best-sellers como Vestígios do Dia e Não Me Abandone Jamais, para prestar tributo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/living-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "70 anos depois de Ikiru, a importância de viver continua a mesma em Living"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30341" aria-describedby="caption-attachment-30341" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30341" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-11.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30341" class="wp-caption-text">Por Living, Bill Nighy recebeu a primeira indicação ao Oscar de sua carreira, ativa há mais de 40 anos (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1952, o cultuado cineasta japonês Akira Kurosawa (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;">) lançou ao mundo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VeLN3IDjzQ"><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. 70 anos depois, o pouco conhecido diretor sul-africano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97uQo0qTLK0"><span style="font-weight: 400;">Oliver Hermanus</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rio Sem Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">) se reuniu ao vencedor do prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestígios do Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Não Me Abandone Jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">, para prestar tributo ao longa original através de um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado dessa empreitada é sentido nas expressivas indicações do filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2023 </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado para o escritor e Melhor Ator para Bill Nighy (</span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Amor, Piratas do Caribe</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel principal. </span></p>
<p><span id="more-30340"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa está longe de ser a primeira vez que um filme de Kurosawa é refeito para uma linguagem ocidental. </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Um Punhado de Dólares </span></i><span style="font-weight: 400;">(1964), por exemplo, é um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e4WtoDB6PTs"><i><span style="font-weight: 400;">Yojimbo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1961), enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete Homens e um Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/vida-de-inseto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vida de Inseto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998)</span> <span style="font-weight: 400;">ecoam diretamente </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954). Até George Lucas diz ter se inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fortaleza Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958)</span> <span style="font-weight: 400;">para conceber </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977). Contudo, é apenas agora que estamos presenciando o debute de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">nessa mesma linha, pois a maioria dos realizadores sempre esteve ciente da grande dificuldade de adaptá-lo para uma nova roupagem. Felizmente, o tributo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">faz ao clássico mantém a sua essência desde o nome, pois ambas as palavras titulares têm o mesmo significado em tradução: viver. </span></p>
<figure id="attachment_30342" aria-describedby="caption-attachment-30342" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30342" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2-6.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30342" class="wp-caption-text">Akira Kurosawa vê a burocracia com ares extremamente pessimistas em Ikiru (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários e o período histórico são evidentemente diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Living </span></i><span style="font-weight: 400;">troca o Japão pós-guerra onde se passa </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Londres de 1953, no entanto, ambos se situam na mesma estafante burocracia do mercado de trabalho. No que tange a sua representação em cena, talvez o primeiro se saia melhor em como integra a cultura local com a sensação de aprisionamento do protagonista, ao se utilizar dos tradicionais costumes britânicos de educação e da finesse dos figurinos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sandy Powell</span></a><span style="font-weight: 400;"> para surtir tal efeito. Ainda assim, tanto um quanto o outro recorrem ao mesmo recurso na direção de arte: o ambiente que sufoca os trabalhadores com pilhas gigantes de documentos ao redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente da época de produção, fato é que a história naturalmente começa se voltando para um olhar bastante pessimista da burocracia como uma sugadora de almas. Para ilustrar esse ponto, acompanhamos as diversas tentativas de um grupo de mulheres para conseguir aprovar a construção de um parque infantil numa região desolada de Londres. O que se sucede é uma rápida edição de movimento entre um setor e outro, cujas transições laterais (que também aparecem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">até </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8wnhXORcA9U"><span style="font-weight: 400;">hoje</span></a><span style="font-weight: 400;">), organizadas pelo montador Chris Wyatt em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, prestam homenagem as mesmas que Koichi Iwashita organizou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30343" aria-describedby="caption-attachment-30343" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30343" class="wp-caption-text">Takashi Shimura também colaborou com Akira Kurosawa nos aclamados Rashomon e Os Sete Samurais (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos primeiros minutos de imersão dentro desse universo, somos introduzidos ao personagem principal, um homem idoso que dedicou grande parte de sua vida aos mecanismos do trabalho e se esqueceu de vivê-la no decorrer dos anos. Essa noção fica clara com o diagnóstico de uma doença terminal, que o condena a poucos meses de vida. A cena da descoberta dessa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=alC_vQOV9Bs"><span style="font-weight: 400;">fatalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como um meio para entendermos a dicotomia entre os filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru</span></i><span style="font-weight: 400;">, o recebimento dessa notícia pelo burocrata Kanji Watanabe vem acompanhado de uma grande dramaticidade, onde o intérprete </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nx5M4AkIeTE"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rashomon</span></i><span style="font-weight: 400;">) incorpora fortes e notáveis expressões de medo e angústia. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i><span style="font-weight: 400;">, o protagonista, aqui chamado Rodney Williams, reage de maneira melancólica e triste, mas menos intensa. Imediatamente, a câmera de Hermanus o captura quieto nas sombras de sua sala de estar, como se estivesse completamente engolido por esses sentimentos. </span></p>
<figure id="attachment_30344" aria-describedby="caption-attachment-30344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4-7.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30344" class="wp-caption-text">O distanciamento entre pais e filhos é uma temática que Living herda de Ikiru (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda obra artística é produto do seu tempo e, assim sendo, do seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa de Kurosawa, por exemplo, é carregado de uma teatralidade que remete às raízes do texto na literatura de Tolstói (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EYn9L8P0Uk8"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte de Ivan Ilitch</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a maior referência). Além disso, também toma liberdades mais expressivas. Uma delas é a poética, através do uso da narração para situar o espectador no estado de espírito do protagonista, nos confidenciando a informação de sua iminente morte antes mesmo dele ter conhecimento dela. A outra é a comercial, tendo em vista a sua longa duração com  ritmo lento, que naturalmente afasta as gerações mais novas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Hermanus</span> <span style="font-weight: 400;">opta por um caminho oposto, apesar de ainda manter essa notável qualidade poética. Ela se faz presente na trilha sonora melódica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOQ_rxdoa-g&amp;list=OLAK5uy_kfZe4Zyrtl5fhYbGbNQxvjsp3KHczhoFg"><span style="font-weight: 400;">Emilie Levienaise-Farrouch</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na cinematografia de Jamie D. Ramsay, que transita brilhantemente entre a dor da escuridão, o calor da boemia e o sentimento pitoresco de aproveitar um belo passeio no parque. Por outro lado, existe uma concisão tão forte na forma como os temas são explorados que os impede de ecoar de modo tão complexo quanto o clássico. O melhor representante disso são os minutos de farra de Williams nas noitadas londrinas ao lado do Sr. Sutherland de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Burke</span></a><span style="font-weight: 400;">, que são comprimidos em breves montagens. </span></p>
<figure id="attachment_30345" aria-describedby="caption-attachment-30345" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg" alt="" width="800" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1536x1039.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6-1200x812.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5-6.jpg 1596w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30345" class="wp-caption-text">Living marca a primeira empreitada do cultuado escritor Kazuo Ishiguro na escrita para o Cinema (Foto: Number 9 Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as aspirações mais sutis de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zNxC6tc3i6Q"><i><span style="font-weight: 400;">Living</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não deixam de ter eficiência própria. A cena do jantar entre Williams, seu filho Michael (Barney Fishwick) e sua nora Fiona (Patsy Ferran) é um ótimo exemplo disso. Desde o início, onde vemos Nighy treinando em frente ao espelho para revelar a verdade e falhando, até o desfecho, em que o silêncio prevalece sobre a mesa e o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som faz rugir cada tilintar dos talheres nos pratos, sente-se perfeitamente o desconforto e as tensões entre os três, tão acumuladas que o simples gesto de pegar uma colher de comida fala mais alto que suas vozes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas sutilezas são a base da interpretação de Nighy e fazem valer a sua indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ator britânico trabalha com gestos muito delicados ao longo de toda rodagem, seja em sua fala vagarosa ou em sua hiper postura de cavalheiro inglês. Contudo, há de ser dito que nenhum elemento de sua performance é tão fascinante quanto o seu olhar, principalmente em uma de suas últimas conversas com a amiga Margaret Harris (Aimee Lou Wood), onde ele finalmente se abre sobre o estado de sua saúde. No decorrer da cena, percebemos a transformação orgânica de seu olhar, conforme ele se conforma com a inevitabilidade de seu desfecho e retoma o ânimo para aproveitar o pouco que lhe resta de vida. </span></p>
<figure id="attachment_30346" aria-describedby="caption-attachment-30346" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-2.jpg" alt="" width="720" height="540" /><figcaption id="caption-attachment-30346" class="wp-caption-text">O aclamado diretor Martin Scorsese incluiu Ikiru em sua lista de 39 filmes estrangeiros essenciais para qualquer cineasta (Foto: The Criterion Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se segue, a partir daí, é um terço final que esmiúça as memórias de seus companheiros de trabalho sobre sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgOm-L7TsEQ"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e personalidade. Enquanto todos os burocratas sufocados por ternos e gravatas chiques tentam chegar a uma explicação lógica para o legado que o protagonista deixou, somos pouco a pouco apresentados a uma imagem belíssima e contemplativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela acontece no parque que tanto Williams em </span><i><span style="font-weight: 400;">Living, </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto Watanabe em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ikiru </span></i><span style="font-weight: 400;">construíram para as crianças de um bairro carente, conforme os desejos das mulheres que foram apresentadas nos minutos iniciais. Isolados em meio a neve, eles permanecem cantando e sentados em um balanço, num contexto extremamente interessante metaforicamente falando. São homens à beira do fim de suas vidas, que escolheram morrer num local que é símbolo de seus estágios iniciais. A cena encanta na sua versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umLtGRl_WE4"><span style="font-weight: 400;">52</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também na atual. Logo, percebemos que, independente do momento histórico, de escolhas estilísticas e de diferentes abordagens cinematográficas, a importância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viver </span></i><span style="font-weight: 400;">continua a mesma. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LIVING | Official Trailer (2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OVo5kLt_-BU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O poético mundo aberto de Ghost of Tsushima</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 18:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda O haiku é uma forma de poesia curta japonesa definida por três versos de 5, 7 e 5 on (sílabas poéticas). Esses on são então cortados por um kireji, uma palavra que revela a justaposição entre duas imagens, e um kigo, uma referência sazonal que descreve a natureza e a estação. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ghost-of-tsushima-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O poético mundo aberto de Ghost of Tsushima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18178" aria-describedby="caption-attachment-18178" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18178" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1.jpg" alt="Cena do jogo Ghost of Tsushima. Fim de tarde, com um céu azulado. Jin Sakai, o protagonista, está de costas para a câmera, observando a paisagem marcada por árvores e montanhas imersas em uma neblina densa. Ao longe, uma coluna de fumaça se ergue. Jin usa um chapéu de palha circular e roupas de viajante, com uma capa carmesim." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18178" class="wp-caption-text">Lançado em julho de 2020, o último exclusivo do PlayStation 4 é uma mistura saudável de inovação e aperfeiçoamento (Foto: Gabriel Oliveira F. Arruda)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://pt.yourtripagent.com/1891-an-introduction-to-haiku-in-5-poems"><i><span style="font-weight: 400;">haiku </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma forma de poesia curta japonesa definida por três versos de 5, 7 e 5 </span><i><span style="font-weight: 400;">on</span></i><span style="font-weight: 400;"> (sílabas poéticas). Esses </span><i><span style="font-weight: 400;">on </span></i><span style="font-weight: 400;">são então cortados por um </span><i><span style="font-weight: 400;">kireji</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma palavra que revela a justaposição entre duas imagens, e um </span><i><span style="font-weight: 400;">kigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma referência sazonal que descreve a natureza e a estação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é por acaso que uma das atividades disponíveis em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://canaltech.com.br/consoles/ghost-of-tsushima-bate-boa-marca-milionaria-de-vendas-no-playstation-4-174540/"><span style="font-weight: 400;">último grande exclusivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation 4</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja a composição de tais poemas que refletem diversos questionamentos como morte, vida, sobrevivência, paz e tradição. De fato, a estrutura do </span><i><span style="font-weight: 400;">haiku </span></i><span style="font-weight: 400;">tradicional parece informar grande parte da experiência do título.</span></p>
<p><span id="more-18177"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch Productions</span></i><span style="font-weight: 400;">, a mesma por trás de séries como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MlNfJvFnzc8"><i><span style="font-weight: 400;">inFamous </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sly Cooper</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima </span></i><span style="font-weight: 400;">se trata de uma ficção histórica que narra a invasão mongól no Japão em 1274. Nela, o jogador toma controle de Jin Sakai, um samurai que sobreviveu ao início da invasão e que agora precisa partir de suas tradições para derrotar os invasores e se tornar o titular “Fantasma de Tsushima”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ghost of Tsushima - Official Cinematic Reveal &quot;The Ghost&quot; Trailer | The Game Awards 2019" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7bxdvRpsZEE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um </span><i><span style="font-weight: 400;">haiku</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas das características do título vem em trios. A história é dividida entre três atos, cada qual narrando um objetivo claro na jornada de Jin, e o conflito do personagem é baseado na justaposição entre a tradição de honra e </span><a href="http://www.niten.org.br/penaespada/penaartigos/bushido2.htm"><span style="font-weight: 400;">respeito dos samurais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a necessidade de se adaptar a um inimigo que não respeita as regras de confronto que essa tradição demanda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jin, interpretado habilmente por Daisuke Tsuji (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zzayf9GpXCI"><i><span style="font-weight: 400;">The Man in the High Castle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), é um protagonista reservado, revelando pouco de si próprio através de suas palavras, deixando que seus atos falem por ele. Várias das nuances da personagem vão do próprio jogador ao decidir diálogos e maneiras de se abordar um determinado conflito. No entanto, há uma distinta dissonância na liberdade que o jogo oferece durante a </span><i><span style="font-weight: 400;">gameplay </span></i><span style="font-weight: 400;">e a falta de impacto que tais escolhas têm na trama principal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há apenas uma escolha que afeta diretamente a narrativa, mas ela só vem no fechamento da história de Jin e, apesar de ser interessante, apenas enfatiza a falta que elas fazem ao longo da campanha. Essa abordagem representa um afastamento do sistema de Karma da série </span><i><span style="font-weight: 400;">inFamous</span></i><span style="font-weight: 400;">, que media o progresso do jogador entre ser um herói ou um vilão com base nas suas ações durante o jogo. É possível ver o porquê da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch </span></i><span style="font-weight: 400;">ter optado por uma trajetória de desenvolvimento mais sutil, que deixa em aberto a moralidade das ações de Jin e que não o julga explicitamente por qualquer escolha.</span></p>
<figure id="attachment_18179" aria-describedby="caption-attachment-18179" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18179" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_2.jpg" alt="Cena do jogo Ghost of Tsushima. Jin olha para sua espada, desembainhada pela metade. Ele usa uma armadura de samurai danificada com peças faltando e uma bandana branca. Ele está dentro de uma casa e atrás dele há uma janela quebrada que dá para o exterior noturno." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18179" class="wp-caption-text">Após a batalha na praia de Komoda, Jin é obrigado a escolher entre a tradição e a sobrevivência de seu povo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem três tipos de narrativas ou “contos”, como o jogo as chama: os que narram a lenda de Jin; as que contam as lutas secundárias dos personagens de Tsushima depois da invasão mongól, e os contos míticos narrados por um músico andarilho que fornecem equipamento e habilidades especiais. Todas essas atividades agregam ao sistema de progressão do jogo, que dispensa níveis e prefere medir o progresso do jogador através do impacto das ações de Jin na ilha de Tsushima, fornecendo novos equipamentos toda vez que a sua lenda cresce.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história em si é escrita de maneira engajante, porém pouco inventiva, oferecendo uma jornada que faz perguntas previsíveis e não expande muito suas respostas. Apesar disso, ela apresenta personagens secundários memoráveis com tramas pesadas e relevantes, que se revelam integrais para a jornada pessoal de Jin. Há a história de um </span><i><span style="font-weight: 400;">sensei </span></i><span style="font-weight: 400;">aposentado rastreando sua última e traiçoeira pupila, uma ladra disposta a tudo para salvar seu irmão e a de uma idosa matriarca em busca de vingança, redenção e sangue.</span></p>
<figure id="attachment_18180" aria-describedby="caption-attachment-18180" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18180" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3.jpg" alt="Cena do jogo Ghost of Tsushima. Masako, olhando para a esquerda, se prepara para desembainhar sua espada. Ela usa uma armadura verde e dourada por baixo de robes azuis escuros. Nas suas costas há uma aljava com flechas de penas vermelhas. Ela se encontra em um campo aberto coberto de folhas vermelhas e ao seu redor vemos mais folhas caindo. Há algumas árvores atrás dela, iluminadas por um céu branco." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18180" class="wp-caption-text">O conto da Senhora Masako (Lauren Tom) é um dos mais belamente desenvolvidos (Foto: <a href="https://www.youtube.com/channel/UCdss2sXAPkn8Yb5BePLXQow">TapTap</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Apesar de algumas das atividades progredirem a lenda de Jin mais do que outras, há uma sensação real de que todas elas valem a pena ser perseguidas, em parte por conta dos excelentes diálogos, mas também por causa do quão prazeroso é se locomover pelo ambiente de Tsushima. A nova produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch</span></i><span style="font-weight: 400;"> é construída sobre três pilares principais: exploração, combate e furtividade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tomando como </span><a href="https://pt.ign.com/ghost-of-tsushima/87250/news/ghost-of-tsushima-e-inspirado-em-zelda-e-shadow-of-the-colossus"><span style="font-weight: 400;">inspiração</span></a><span style="font-weight: 400;"> obras consagrados como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Legend of Zelda: Breath of the Wild</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/shadow-of-the-colossus-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Shadow of the Colossus</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jogo faz o possível para tirar elementos não diegéticos da tela, guiando o jogador através da mecânica do “vento guia”, que sopra na direção do objetivo selecionado a partir de um simples toque no </span><i><span style="font-weight: 400;">touchpad</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">DualShock 4</span></i><span style="font-weight: 400;">, criando praticamente uma bússola orgânica que se encaixa perfeitamente nas paisagens verdejantes da ilha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma adição interessante, e que funciona em virtude da capacidade gráfica e do </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">visual do título, que possui centenas de partículas no cenário em qualquer dado momento, prontas para se movimentarem na direção que o vento demandar. Cavalgar pela ilha é como se mover dentro de uma pintura, passeando por paisagens idílicas e tropeçando em momentos em que a câmera se afasta do jogador e a composição de cores no céu é simplesmente </span><i><span style="font-weight: 400;">certa</span></i><span style="font-weight: 400;">. É um desafio real não parar a cada 5 minutos para tirar </span><i><span style="font-weight: 400;">screenshots</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o excelente Modo Foto do título.</span></p>
<figure id="attachment_18181" aria-describedby="caption-attachment-18181" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18181" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4.jpg" alt="Cena de Ghost of Tsushima. Jin está de costas, no alto de uma montanha, encarando o Sol poente. Algumas nuvens se formam no céu e a paisagem florestal na sua frente está desfocada. Uma revoada de pássaros voa da direita para a esquerda. Jin usa um chapéu de palha circular e roupas de viajante obscurecidas pelo pôr do Sol, com a bainha de sua espada à sua esquerda." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18181" class="wp-caption-text">Permitindo o controle sobre a quantidade de partículas na tela, hora do dia e iluminação, o Modo Foto de Ghost of Tsushima está entre os mais robustos da indústria (Foto: Gabriel Oliveira F. Arruda)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O combate é o elemento mais refinado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i><span style="font-weight: 400;">, tirando diversos elementos de títulos contemporâneos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sekiro: Shadows Die Twice</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nioh </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017). A arma principal de Jin é sua </span><i><span style="font-weight: 400;">katana</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser reforçada para dar mais dano ao longo do jogo. Toda vez que sua lenda cresce, Jin ganha acesso a novas “Armas Fantasmas”, equipamentos que lhe dão vantagens sobre os inimigos mongóis, como facas arremessáveis (</span><i><span style="font-weight: 400;">kunais</span></i><span style="font-weight: 400;">), bombas de fumaça que cegam seus oponentes e até mesmo uma zarabatana capaz de envenená-los rapidamente e causar terror entre os invasores. Ao derrotar inimigos mais fortes, Jin vai aprendendo novas “posições” que se adequam a diferentes tipos de ataques.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O foco do sistema de combate está na troca rápida entre posições e no uso eficiente de todas as ferramentas à sua disposição. Ele possui uma curva de aprendizado íngreme, demorando para que o jogador adquira novas posições e aperfeiçoe seus equipamentos, mas que se revela em uma das partes mais recompensadoras do jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de dominado, o combate de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a mais perfeita emulação dos duelos climáticos do cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">chanbara</span></i><span style="font-weight: 400;"> aplicada em larga escala, com letalidade evidente em cada golpe. O título da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch</span></i><span style="font-weight: 400;"> até mesmo oferece um modo de exibição que deixa a tela em preto e branco, com uma textura fílmica e dublagem em japonês denominado Modo Kurosawa (inspirado, é claro, no </span><a href="http://doctela.com.br/aksamurai/cinema_samurai_kurosawa.pdf"><span style="font-weight: 400;">lendário cineasta Akira Kurosawa</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_18182" aria-describedby="caption-attachment-18182" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18182" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_5.jpg" alt="Cena do jogo Ghost of Tsushima. Jin está olhando para frente, entre dois mongóis. À esquerda, um mongol de costas está com uma maça na mão. Na direita, atrás de Jin, outro mongol com uma lança e um pequeno escudo se prepara para atacar. Jin está com sua espada desembainhada em posição defensiva, com um chapéu de palha circular e roupas leves. A seus pés e atrás dele, o movimento da grama e das árvores evidencia o vento soprando para a direita. A cena toda está em preto e branco." width="1024" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_5.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_5-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_5-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18182" class="wp-caption-text">Feito com a benção do patrimônio do falecido cineasta, o modo inspirado nas produções de Akira Kurosawa sacrifica a paleta de cores original em troca da fantasia cinematográfica (Foto: <a href="https://www.hitc.com/en-gb/2020/07/10/ghost-of-tsushima-sanjuro-inspired-kurosawa-mode-explained/">HITC</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase todo confronto oferece a Jin a possibilidade de se revelar e exigir um duelo contra um de seus oponentes: é a clássica cena em que quem ataca primeiro é derrotado com apenas um golpe. O jogo aplica essa mecânica de maneira inteligente, recompensando o jogador por sua precisão e penalizando-o por sua desatenção. Há momentos em que se revelar e derrotar instantaneamente cinco mongóis enquanto o resto fica aterrorizado é a estratégia mais atraente, mas talvez não a mais inteligente (mas é sempre a mais estilosa, diga-se de passagem).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do seu refinado combate, o sistema de furtividade é bem básico, oferecendo poucas alternativas que o distinguem de outros títulos. Você pode atacar inimigos silenciosamente e atirar com arcos para eliminá-los à distância, mas com exceção de algumas poucas ferramentas, não há maneiras interessantes de se abordar furtivamente uma situação de conflito. Ainda é um sistema que pode ser satisfatório, mas nunca tanto quanto o combate aberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E isso é importante, considerando que o conflito do personagem se baseia na oposição entre as duas abordagens. É possível jogar </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um perfeito samurai, com honra e integridade, sem nunca atacar das sombras (exceto quando o jogo te obriga) e ainda assim ter Jin  retratado na história como o temeroso </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantasma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao todo, a furtividade é algo inconstante que oferece poucas opções, mas que não chega a ser desagradável.</span></p>
<figure id="attachment_18183" aria-describedby="caption-attachment-18183" style="width: 711px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18183" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GoT_6.gif" alt="Cena do jogo Ghost of Tsushima. O GIF mostra um duelo entre dois samurais em frente a um sol poente, sob uma árvore que derruba folhas vermelhas. À esquerda e à direita há estruturas pegando fogo, com o vento soprando a fumaça para a esquerda. De longe, flechas em chamas atingem as estruturas. No centro da imagem, Jin tenta acertar um golpe com sua espada, mas erra e é forçado a repelir o contra-ataque de sua oponente. Os movimentos dos dois fazem as folhas no chão voarem para cima e para os lados. Ao longe é possível ver uma floresta e uma torre se erguendo ao lado do Sol." width="711" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-18183" class="wp-caption-text">Os duelos individuais são onde o potencial visual do combate fica evidente em cada movimento das espadas (GIF: <a href="https://gonzamancg.artstation.com/projects/0RnmE">Anton Gonzalez</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que é constante, no entanto, é a excelência da trilha sonora ao longo da aventura. Composta por Ilan Eshkeri e Shigeru Umebayashi, ela se adapta constantemente às decisões do jogador, partindo de uma cavalgada pacífica em um campo de flores para o combate épico entre samurais de maneira espontânea e harmoniosa, imergindo o jogador no cenário e na narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É uma trilha sonora primorosa, traduzindo a jornada emocional de Jin em um </span><a href="https://open.spotify.com/track/3rnA3gPOJsLGdXZW8lSisb"><span style="font-weight: 400;">tema sóbrio, melancólico e energizante</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela evoca tanto o cenário quanto suas personagens de maneira sutil, com destaques para o </span><a href="https://open.spotify.com/track/27yyv9Z7YI2UCGMCCqVC0J"><span style="font-weight: 400;">tema da Senhora Masako</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a sublime </span><a href="https://open.spotify.com/track/4amEa4NDuUC9ulTmpF9YRV"><i><span style="font-weight: 400;">The Way of the Ghost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta com vocais da cantora Clare Uchima. O primeiro momento em que somos lançados cavalgando no mundo aberto do jogo e Jin estende a mão para alcançar as folhas no chão é quando os visuais, a sonorização, a trilha e outros diversos aspectos entram em sinergia e criam uma das aberturas mais memoráveis da história recente dos </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wtvJmUwAmr4?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou no final da geração, representando uma agregação de tudo o que foi desenvolvido ao longo dos últimos anos em jogos de mundo aberto e aperfeiçoando aquilo que ainda faltava. A mais nova IP da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch Productions</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega em um ano povoado por continuações aclamadas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us Part II</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Animal Crossing: New Horizons </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">DOOM Eternal</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas faz sua própria marca tirando inspirações de diferentes fontes e criando um dos mundos abertos mais coesos e engajantes dos últimos anos. O jogo já coleciona troféus por sua direção de arte e trilha sonora, contando ainda com </span><a href="https://www.gameawards.net/2020/09/2020.html"><span style="font-weight: 400;">mais de 50 prêmios de Jogo do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a história da invasão mongól falha em prender nossa atenção, os personagens dela e o mundo em que elas habitam capturam nossa imaginação. São as cavalgadas ao pôr do sol, os duelos sangrentos sob folhas de outono e a viagem sombria de um jovem samurai para se tornar um fantasma que nos fazem seguir adiante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Ghost of Tsushima (Music from the Video Game)" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/6N9upMTvxPR79tutqclKtq?si=sOx9ChXoTbGW8XbYvAZCNA"></iframe></p>
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