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	<title>Arquivos Adrian Paduretu &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Adrian Paduretu &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 20:30:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da Lua Azul e na trama narrativa de Lua Azul, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lua-azul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lua Azul: um fenômeno não acontece uma vez só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24253" aria-describedby="caption-attachment-24253" style="width: 1852px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24253" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra uma jovem em primeiro plano, de costas e posicionada à esquerda. Ela é branca, tem cabelos lisos castanhos presos numa trança, e olha para frente. À frente dela, existe uma mesa onde uma família faz uma refeição. O lugar é alto e tem vista para montanhas." width="1852" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1.png 1852w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-800x303.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1024x388.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-768x291.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1536x582.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-1-1200x455.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24253" class="wp-caption-text">Carregado de uma indigesta fábula sobre relações de poder permeadas por questões de gênero, Lua Azul compõe a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta romena Alina Grigore é precisamente misteriosa ao nomear seu primeiro filme. No evento celeste da </span><a href="https://www.ips-planetarium.org/page/a_hiscock1999"><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na trama narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que manda é o paradoxo que existe entre a riqueza de seus significados e a simplicidade do seu significante. E de fato, o que o drama traz para a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, depois de sair com o prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2021, é um fenômeno em todos os sentidos. </span></p>
<p><span id="more-24252"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa do filme também faz jus à complexidade proposta por </span><a href="https://www.instagram.com/alina.al.grigore/"><span style="font-weight: 400;">Alina Grigore</span></a><span style="font-weight: 400;">, que nos apresenta “a jornada emocional de uma jovem que caminha rumo a um processo de desumanização”. Ela é Irina (Ioana Chitu) e vive na zona rural da Romênia trabalhando no negócio de sua família, que é responsável pela sua criação e a de sua irmã Victoria (Ioana Ilinca Neacsu) na ausência dos pais divorciados. Sustentando o núcleo poderoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, as garotas vivem de forma quase dupla quando fora do ambiente familiar, marcado por dinâmicas abusivas, e sonham com uma vida independente na capital, como forma de fugir daquele contexto de muitas </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violências</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme diz a que veio logo no primeiro contato que estabelece com o outro lado da tela, num choque assustador que se cria ao ver Irina sendo acordada com gritos autoritários, broncas e ordens violentas. De forma apática e indigesta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> já dissipa qualquer suavidade romântica que seu título possa sugerir para se estabelecer como um drama de ação, no sentido amplo do termo. Durante seus 90 minutos, as pessoas sempre estarão conversando (leia-se gritando), andando (leia-se correndo) e/ou trabalhando (leia-se brigando), e nas mãos de Alina, essa construção cotidiana é mais do que o necessário para criar uma fábula sobre relações familiares, de </span><a href="https://revistas.ufpr.br/diver/article/download/34041/21201"><span style="font-weight: 400;">poder e de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_24255" aria-describedby="caption-attachment-24255" style="width: 1682px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24255" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg" alt="Cena do filme Lua Azul. A imagem mostra o rosto de uma jovem branca em close. Ela tem cabelos lisos castanhos e usa uma franja e blusa preta de gola alta. Ela olha para o lado direito da imagem, com desconfiança." width="1682" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon.jpg 1682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Crai-Nou-Blue-Moon-1200x501.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24255" class="wp-caption-text">Repleta de significado para as civilizações que olhavam para o céu em busca de compreender a Terra, a Lua Azul é definida pela astronomia como o fenômeno que permite a ocorrência de duas luas cheias num mesmo ciclo lunar (Foto: Patra Spanou)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenrola seguindo o que já conhecemos do Cinema romeno: </span><a href="https://personaunesp.com.br/colectiv-critica/"><span style="font-weight: 400;">rejeitando caminhos fáceis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><span style="font-weight: 400;">valendo-se de muita ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;">. E no recorte de gênero muito bem proposto pela diretora, o filme só ganha mais relevância: através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crai Nou</span></i><span style="font-weight: 400;">, Alina Grigore é a segunda mulher a vencer o Concha de Ouro, prêmio máximo do Festival de San Sebastián, sucedendo a georgiana Dea Kulumbegashvili, que venceu a honraria em 2020 com </span><a href="https://c7nema.net/critica/item/88426-beginning-a-impressionante-e-avassaladora-estreia-de-dea-kulumbegashvili.html"><i><span style="font-weight: 400;">Beggining</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de protagonizarem o marco histórico e o futuro do Cinema do Leste Europeu, as duas diretoras também estão de mãos dadas quando o assunto é tomar como objeto de estudo o contexto de opressão que envolve jovens mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, quando os homens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparecem em cena, a narrativa de Alina é potencializada, num movimento em que a diretora parece conscientemente usá-los para fortalecer a sua crítica. Na presença do primeiro núcleo masculino, que é protagonizado por Liviu (Mircea Postelnicu), um primo da protagonista que trabalha de forma mais próxima à dela no hotel da família, o filme reflete sobre como </span><a href="https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/5436#:~:text=Este%20sistema%20organiza%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es,massa%20(Engels%2C%202007)."><span style="font-weight: 400;">as noções de amor e afeto são distorcidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relações doentias fundamentadas no patriarcado. Depois, o roteiro, também de Grigore, desenvolve as consequências disso fora do contexto familiar, quando Irina suspeita ter sido </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">abusada sexualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa festa, e acaba envolvendo-se emocionalmente com o seu possível agressor, que existe no olhar esperto de Tudor (Emil Mandanac).</span></p>
<p><figure id="attachment_24254" aria-describedby="caption-attachment-24254" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24254" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png" alt="Cena do filme Lua Azul mostra uma família fazendo uma refeição em volta de uma mesa branca e farta." width="1916" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-800x299.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1024x383.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-768x287.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1536x574.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lua-azul-3-1200x448.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24254" class="wp-caption-text">Antes de estrear na direção com Lua Azul, Alina Grigone fez-se conhecida por suas atuações em Aurora (2010), Best Intentions (2011) e Ilegitimo (2016) [Foto: Patra Spanou]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tudo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é orientado pelo olhar de Alina Grigone, que sabe tratar a violência explícita e a implícita com a mesma maestria. Fora do plano da conceituação, o filme não precisa de nada além dos </span><a href="https://www.tjdft.jus.br/informacoes/infancia-e-juventude/noticias-e-destaques/2021/maio/fique-atento-aos-sinais-de-maus-tratos-infantojuvenis-1"><span style="font-weight: 400;">silêncios amargos e omissões amedrontadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista para nos apresentar os seus sentimentos, que diante da atmosfera explosiva, insensível e direta de todo o resto &#8211; muito bem capturada pela câmera atribulada de Adrian Paduretu -, coloca a personagem para existir dentro da narrativa em uma outra vibração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso impulso é querer acreditar que uma hora tudo vai fazer sentido, mas como a própria sinopse avisa, trata-se de um processo de desumanização. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;">, fenômenos sociais e naturais são colocados no mesmo patamar de regência das leis da natureza, e infelizmente, Alina Grigore identifica que </span><a href="http://ri.ucsal.br:8080/jspui/bitstream/prefix/1339/1/A%20influ%C3%AAncia%20da%20estrutura%20patriarcal%20na%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20emancipa%C3%A7%C3%A3o%20feminina%20na%20sociedade%20contempor%C3%A2nea.pdf"><span style="font-weight: 400;">a sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como se fosse parte delas. Como, então, se libertar de um ciclo de violência que nos cerca por todos os lados debaixo do céu?</span> <span style="font-weight: 400;">Diante da reincidência deles, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lua Azul</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não sabe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BLUE MOON / CRAI NOU by Alina Grigore - TRAILER (EN subt.)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nFojUjO6XXg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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