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	<title>Arquivos A Morte do Cinema e do Meu Pai Também &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos A Morte do Cinema e do Meu Pai Também &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Persona Entrevista: Dani Rosenberg</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2020 22:51:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de &#8220;A Morte do Cinema e do Meu Pai Também&#8221; destrincha o caráter biográfico da obra João Batista Signorelli  Dando continuidade à série de entrevistas realizadas pelo Persona durante a cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o entrevistado da vez é o diretor israelense Dani Rosenberg. Rodando festivais ao redor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-dani-rosenberg/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Dani Rosenberg"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Diretor de &#8220;A Morte do Cinema e do Meu Pai Também&#8221; destrincha o caráter biográfico da obra</em></p>
<figure id="attachment_17008" aria-describedby="caption-attachment-17008" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-17008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO.jpg" alt="Arte vermelha retangular. No canto superior direito, há o nome do entrevistado, Dani Rosenberg. A foto dele está na parte inferior central da arte e ele é um homem branco, com cabelo curto e barba. Ele está vestindo uma jaqueta jeans e a fotografia está em preto e branco. Ao lado direito dele, o pôster de seu filme, A Morte do Cinema e do Meu Pai Também, que mostra dois homens no chão, um está deitado e outro sentado, olhando para ele. Do lado esquerdo da imagem, foi adicionado o texto &quot;Persona Entrevista&quot; várias vezes, de forma perpendicular à orientação da imagem." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/dani-rosenberg-ARTE-TEXTO-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17008" class="wp-caption-text">O Persona entrevista Dani Rosenberg, diretor e roteirista de A Morte do Cinema e do Meu Pai Também (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando continuidade à </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">série de entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> realizadas pelo Persona durante a cobertura da 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o entrevistado da vez é o diretor israelense Dani Rosenberg. Rodando festivais ao redor do mundo com seu seu segundo longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-morte-do-cinema-e-do-meu-pai-tambem-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do meu Pai também</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e inclusive marcando presença na </span><a href="http://www.cannes2020.festival-cannes.com/?lang=en"><span style="font-weight: 400;">Seleção Oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Cannes, o diretor compartilhou um pouco do seu processo de criação, que mistura documentário e realidade para construir um relato pessoal sobre perda e memória familiar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor narrou sua trajetória desde sua graduação na </span><i><span style="font-weight: 400;">Jerusalem Film School</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando pela produção e circulação de seu filme, chegando às dificuldades criativas decorrentes do momento atual de pandemia. De maneira muito simpática e empolgada, ele se abriu para falar tanto sobre as questões familiares pessoais retratadas no filme, quanto sobre sua paixão e influências no cinema. </span></p>
<p><span id="more-16989"></span></p>
<figure id="attachment_16998" aria-describedby="caption-attachment-16998" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014.jpg" alt="Cena dos bastidores do filme. 5 pessoas brancas estão reunidas, e no canto direito da foto está a câmera. " width="1265" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-300x181.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0014-1200x726.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16998" class="wp-caption-text">A narrativa passou por diversas transformações até que adquirisse sua forma final (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo se formado há aproximadamente 10 anos na faculdade, além de curtas, Dani realizou duas séries de TV.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “A televisão estava no seu pico com a chegada da HBO e da Netflix um pouco depois. Todos diziam que a televisão era o futuro, e eu queria fazer parte do futuro.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ainda assim, não tardou muito para que ele descobrisse que sua ambição era outra: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Depois de um tempo, eu entendi que o cinema estava no meu coração, então eu voltei para fazer este filme [A Morte do Cinema e do meu Pai também]”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma narrativa metalinguística que transforma em ficção suas experiências pessoais, Dani conta como ao longo do processo de produção, ele foi encontrando a história que queria contar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele foi feito em camadas, e os fatos ocorreram de modo bem parecido ao que é visto no filme.” </span></i><span style="font-weight: 400;">O roteiro foi escrito para seu pai que estava com câncer e poucos meses de vida pela frente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu pai viveria o protagonista junto com a minha própria família. (&#8230;) seria sobre esse homem que tenta salvar sua família de uma guerra contra o Irã”.</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Nós filmamos por alguns dias até que meu pai caiu, ele estava doente e com dor, então paramos a gravação” </span></i><span style="font-weight: 400;">relata o diretor. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Depois eu parei a filmagem, eu tentei filmá-lo com a câmera que já tínhamos, mas ele não quis como você vê no filme.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Após o falecimento do pai, ele tentou novamente fazer o filme com outro protagonista, mas não via mais sentido em produzir o filme sem o pai. </span></p>
<figure id="attachment_16999" aria-describedby="caption-attachment-16999" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015.jpg" alt="5 pessoas estão reunidas às margens do oceano, uma delas está mais afastada à esquerda, o mar é azul e o céu é azul mais claro" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0015-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16999" class="wp-caption-text">“Para o protagonista, enquanto o cinema estivesse vivo, o seu pai estaria vivo, essa era ideia por trás do título” (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da dificuldade de prosseguir com uma história, e talvez influenciado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/charlie-kaufman/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Kaufman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Adaptação (2002),</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua reconhecida fonte de inspiração, Dani resolveu transformar suas próprias dificuldades em contar uma história em história. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Então eu reescrevi o roteiro do rascunho, contando o que havia acontecido: seria sobre um filho que tenta fazer um filme com o pai adoecido, ao mesmo tempo que lida com o relacionamento com sua esposa que está para ter um filho.”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Perguntado sobre o processo de transformar suas próprias experiências em ficção, ele responde que mas também criou situações que ele havia imaginado com o seu pai, mas que não ocorreram realmente. É o caso da cena em que os dois encenam o assassinato de um primeiro ministro, em um momento de aproximação entre pai e filho.</span><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não tinha proximidade com o meu pai, então foi algo bom de se criar.” </span></i><span style="font-weight: 400;">Além disso, também conta que tentou entender o lado e dar voz à personagem que representava a sua ex-esposa, e lhe dar voz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluído o filme, ele não sentiu como se o filme estivesse completo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não gostava do filme, parecia um círculo sem centro</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, conta. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Então eu entendi que esse centro eram as imagens reais que eu gravei com o meu pai”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Passando a colaborar com a editora veterana Nili Ferrer, que trabalhou no vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Valsa com Bashir, </span></i><span style="font-weight: 400;">eles trabalharam com o material durante um ano para encontrar o equilíbrio entre documentário e ficção. </span></p>
<figure id="attachment_17000" aria-describedby="caption-attachment-17000" style="width: 1590px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17000" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012.jpg" alt="Cena de arquivo: imagem quadrada, tom sépia quente e um casal de idoso está na mesa da cozinha, ele usa camiseta preta e óculos, e tem cabelos brancos, ela veste camiseta clara e tem cabelo preto" width="1590" height="1062" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012.jpg 1590w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IMG-20201204-WA0012-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17000" class="wp-caption-text">Em meio a uma narrativa fragmentada, Dani Rosenberg adiciona trechos de curtas metragens rodados por ele mesmo quando era mais jovem (Foto: Dani Rosenberg)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre a distribuição e a exibição do longa em festivais, ele lamenta nunca ter visto o filme com uma audiência, que teve exibições virtuais em festivais, e até chegou a ter algumas projeções em salas de cinema. Ele comenta a situação atual dos cinemas fechados em meio à pandemia: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando eu dei o título ‘A Morte do Cinema’ não era isso que eu estava esperando”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">brinca. Ao mesmo tempo, Dani Rosenberg também se mostra empolgado em dialogar com o público do mundo todo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se tornou sua única conexão com a audiência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregando referências do </span><a href="https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/A-poesia-no-cinema-do-Ira/59/46263"><span style="font-weight: 400;">Cinema Iraniano</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Abbas Kiarostami e Samira Makhmalbaf, além de mestres europeus como Pier Paolo Pasolini, Dani não pretende parar com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também. </span></i><span style="font-weight: 400;">Ele já conseguiu dinheiro e tem o roteiro pronto para seu próximo projeto. Porém, diante da pandemia, sente que o texto precisa de um novo norte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um roteiro bem fechado, mas eu sinto que atualmente não há muito sentido em narrativas fechadas pois não parecem haver respostas, não há uma conclusão”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também </span></i><span style="font-weight: 400;">está sendo exibido em festivais ao redor do mundo. </span></p>
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		<title>A Morte do Cinema e do Meu Pai Também: o cinema não morreu</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2020 15:30:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli  É no mínimo curioso o fato de um filme com este título venha a ser lançado justamente no ano de 2020, onde redes de cinema caminham para a falência e as salas oscilam entre uma capacidade limitadíssima de espectadores e o fechamento total. E se A Morte do Cinema e do Meu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-morte-do-cinema-e-do-meu-pai-tambem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Cinema e do Meu Pai Também: o cinema não morreu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16539" aria-describedby="caption-attachment-16539" style="width: 1620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16539" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1.jpg" alt="" width="1620" height="912" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1.jpg 1620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16539" class="wp-caption-text">O segundo longa do diretor israelense Dani Rosenberg faz parte da Seleção Oficial do Festival de Cannes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>João Batista Signorelli </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no mínimo curioso o fato de um filme com este título venha a ser lançado justamente no ano de 2020, onde redes de cinema caminham para a falência e as salas oscilam entre uma capacidade limitadíssima de espectadores e o fechamento total. E se </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/a-morte-do-cinema-e-do-meu-pai-tambem"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> poderia estar anunciando nos festivais de cinema online como a 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo que essa forma de arte do modo que conhecemos </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/05/coronavirus-vai-marcar-o-fim-de-uma-era-no-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">está com seus dias contados</span></a><span style="font-weight: 400;">, no fim ele acaba fazendo justamente o contrário. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também</span></i><span style="font-weight: 400;"> revigora a arte cinematográfica não apenas por suas reflexões pertinentes a respeito do próprio ato de fazer um filme, mas também por ser tão assertivo em encontrar o universal a partir de um lugar tão íntimo e pessoal. </span></p>
<p><span id="more-16536"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resumir a trama do filme israelense em uma sinopse é correr o risco de cometer um ato falho. Trabalhando com várias camadas narrativas, uma dependente da outra, o filme não se coloca como uma experiência fora da realidade ou de difícil compreensão: não é um quebra cabeça a ser decifrado, mas uma boneca russa a ser desmontada. A narrativa ficcional acompanha inicialmente um pai que, após ser alertado de uma iminente bombardeio do Irã, reúne a família para sair da cidade em direção a um lugar mais seguro. Porém o que de início parecia um </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">agradável não leva muito para revelar mais algumas de suas cartas.</span></p>
<figure id="attachment_16540" aria-describedby="caption-attachment-16540" style="width: 1190px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16540" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-2.jpg" alt="" width="1190" height="790" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-2.jpg 1190w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-2-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-2-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-2-768x510.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16540" class="wp-caption-text">A mistura de ficção e realidade além da metalinguagem remetem ao cinema de Abbas Kiarostami e de Charlie Kaufman (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De repente surge uma equipe de cinema, fazendo-nos perceber que aquela narrativa que acompanhamos até então não passava de um “filme dentro do filme”. Yoel (Marek Rosembaum), o ator principal, não se vê mais capaz de atuar uma vez que o estado de sua doença piora, deixando o diretor Asaf (Roni Kuban) que também é seu filho, com um filme incompleto em mãos. A partir daí acompanhamos as tentativas de Asaf em adaptar o seu roteiro para torná-lo produzível dentro das novas condições de seu pai, cuja saúde e vitalidade vai gradualmente se degradando, tornando cada vez mais improvável a realização do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se essa narrativa um tanto metalinguística já não fosse o bastante, ela se intercala com imagens reais do pai do diretor Dani Rosenberg, trazendo um aspecto documental inusitado à obra. As imagens de arquivo não apenas ressignificam toda a narrativa ficcional que acompanhamos, como também dialogam de forma a fazer o público perceber que aquela história teve uma origem não tão ficcional assim, surgindo a partir da relação do próprio diretor com o seu pai em seus últimos meses de vida. Além dessas imagens, o filme ainda inclui trechos de vários curtas-metragens realizados pelo diretor em sua juventude e estrelados pelos seus próprios familiares, adicionando mais uma camada à colagem docu-ficcional que é </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo na contramão de muitos filmes que borram a linha que divide o documental e a ficção, levando o público a questionar constantemente a veracidade das imagens que assiste, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa sempre muito claro o que é real e aquilo que não é. Trabalhando com três razões de aspecto distintas para diferenciar aquilo que é a narrativa, que é real, além dos curtas produzidos anteriormente pelo diretor. Por outro lado, apenas dentro da narrativa ficcional que o diretor se permite brincar com a nossa percepção de realidade, frequentemente nos colocando em dúvida se aquilo que assistimos é mais um “filme dentro do filme” ou não. </span></p>
<figure id="attachment_16541" aria-describedby="caption-attachment-16541" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16541" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-3.jpeg" alt="" width="638" height="404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-3.jpeg 638w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-3-300x190.jpeg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16541" class="wp-caption-text">Exibido na Competição Novos Diretores da 44ª Mostra Internacional, o filme também está disponível na repescagem do festival, que vai até domingo, 08/11 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a força do filme não reside apenas nessa engenhosidade de brincar com as convenções cinematográficas, mas na sinceridade com que trata os personagens e as questões familiares. Asaf passa grande parte do filme obcecado pela finalização de seu filme, a ponto de desconsiderar quem está mais próximo: sua esposa que está prestes a ter um filho, e seu próprio pai, tratado muitas vezes mais como ator do que como ente familiar. Somando-se a isso, Rosenberg opta por manter dentre os registros documentais um momento em que seu pai, incomodado, insiste para que o filho desligue a câmera, o que ele demora a fazer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a obsessão e a invasão incomodam, elas se encontram aqui com um propósito quase terapêutico. É admirável a coragem do diretor de reconhecer na tela suas atitudes falhas do passado sem se martirizar, e com uma enorme carga empática para com aqueles que estavam em seu entorno e que possam ter se prejudicado de alguma forma com suas atitudes. E ainda que ser filmado contra a vontade pode ser uma invasão inconveniente, garanto que ao escrever essa crítica me sinto tão invasivo quanto, ao me colocar no papel tão pretensioso de analisar aspectos pessoais da vida de alguém, correndo o risco de estar completamente equivocado. </span></p>
<figure id="attachment_16542" aria-describedby="caption-attachment-16542" style="width: 1196px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-4.jpg" alt="" width="1196" height="710" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-4.jpg 1196w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-4-300x178.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-4-1024x608.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Morte-4-768x456.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16542" class="wp-caption-text">Roni Kuban e Marek Rosenbaum estrelam como Asaf e Yoel, espelhando a relação de Dani Rosenberg com seu pai. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa “auto invasão” que o diretor e roteirista faz com sua própria vida pessoal poderia facilmente ter fugido da universalidade tão essencial para o ato de narrar histórias no cinema, mas felizmente não é o que acontece. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema </span></i><span style="font-weight: 400;">transborda de identificação e empatia, e a justaposição entre a ficção e a realidade apenas colabora para isso. A ficção adquire um caráter de realidade, não necessariamente por ser fiel aos fatos, mas porque é evidente que vem do coração da experiência de seu realizador. E essa realidade muito presente, seja em imagens de arquivo ou em situações ficcionais, carrega consigo uma carga emocional enorme, se convertendo muitas vezes em risos, outras ainda, em lágrimas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Cinema e do Meu Pai Também</span></i><span style="font-weight: 400;"> é</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">por ironia, Cinema vivo como poucos filmes o são. Além de embalsamar para a eternidade a memória pessoal de Dani Rosemberg sobre seu pai, nos recordando da força do cinema em gerar empatia e de se reinventar a todo momento. Os estúdios podem até falir e as salas de cinema podem até fechar, mas enquanto o ser humano puder registrar imagens em movimento, o fazer cinematográfico permanecerá relevante para a preservação da memória e como meio de se contar histórias. E ainda bem que existem filmes como esse para comprovar isso.</span></p>
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