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	<title>Arquivos 3D &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Ao completar dez anos de lançamento, Hotel Transilvânia 2 (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura pop da última década. A sequência da animação de Genndy Tartakovsky, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-hotel-transilvania-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 10 anos, Hotel Transilvânia 2 trazia um debate sobre legado e conflito geracional através de uma comédia monstruosa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36640" aria-describedby="caption-attachment-36640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo diverso de personagens de Hotel Transilvânia, todos reunidos de forma próxima e calorosa. O enquadramento fechado foca nos rostos e expressões, transmitindo união e companheirismo. Entre os personagens em destaque estão o Conde Drácula, em seu traje clássico e com expressão amigável; Frank, marcado pelos pontos característicos e olhar bondoso; além de um lobisomem, uma múmia e outras figuras icônicas da série. Cada um exibe traços físicos e expressões que reforçam suas personalidades, enriquecidos por detalhes de trajes e acessórios. O estilo em animação 3D valoriza cores vibrantes, texturas bem-feitas e iluminação suave, criando um ambiente aconchegante e visualmente atraente." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-1.jpeg 970w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36640" class="wp-caption-text">Este é o décimo longa-metragem ou série de televisão que Adam Sandler e Kevin James aparecem juntos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao completar dez anos de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) se consolida como um marco interessante dentro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">da última década. A sequência da animação de </span><a href="https://www.cbr.com/genndy-tarkovsky-best-movies-tv-shows-ranked/"><span style="font-weight: 400;">Genndy Tartakovsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, longe de ser apenas uma repetição de piadas sobre monstros deslocados, revela um subtexto importante sobre herança, identidade e aceitação da diferença. O enredo gira em torno da ansiedade de Drácula com o futuro de seu neto, Dennis, fruto do casamento entre Mavis, sua filha vampira, e Johnny, um humano. A dúvida – será ele um vampiro ou humano? – funciona como metáfora para o medo de perda de tradição, de apagamento de uma linhagem cultural e, em última instância, da falência de uma identidade.</span></p>
<p><span id="more-36636"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nervosismo de Drácula (</span><a href="https://www.hulu.com/guides/adam-sandler-movies"><span style="font-weight: 400;">Adam Sandler</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação ao destino de Dennis (Asher Blinkoff) dialoga com pressões familiares comuns a diversas culturas, em que se espera que filhos e netos carreguem adiante o &#8216;legado&#8217; dos mais velhos. A frustração diante da possibilidade de o menino não ser vampiro traduz, de maneira lúdica, o medo da descontinuidade: a ameaça de que o passado não encontre eco no presente. Ao projetar essa angústia no corpo de uma criança, o filme revela como a sociedade frequentemente deposita em crianças e jovens expectativas que não pertencem a eles, mas às gerações anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_36638" aria-describedby="caption-attachment-36638" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36638" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra Mavis celebrando alegremente em uma loja de conveniência, enquanto Johnny a observa surpreso, criando um contraste divertido entre os dois. Mavis aparece como destaque: pele pálida, olhos grandes e negros, cabelo preto em corte característico e vestido marrom escuro. Seu sorriso largo e os braços erguidos transmitem entusiasmo e leveza. Já Johnny surge ao lado, com cabelos loiros desgrenhados, camisa amarela e verde e expressão de espanto, reforçando a atmosfera cômica da cena. Um homem ao fundo, pouco definido, complementa sem roubar a atenção. O estilo em animação digital valoriza cores vibrantes e contornos limpos, com iluminação suave que ressalta a interação entre os personagens. O cenário da loja, com prateleiras cheias de salgadinhos coloridos, funciona como pano de fundo animado para a espontaneidade da dupla." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-2.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36638" class="wp-caption-text">Os pais de Jonathan são dublados pelo casal da vida real, Nick Offerman e Megan Mullally (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação evidencia também um choque geracional inevitável. De um lado, Mavis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/i-said-i-love-you-first-critica/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johnny encaram a vida de forma mais aberta, convivendo com naturalidade entre humanos e monstros. Do outro, Drácula insiste em preservar fronteiras rígidas, acreditando que só a manutenção da “pureza” vampírica garantiria segurança e continuidade. Esse conflito traduz tensões contemporâneas sobre hibridismo, multiculturalismo e convivência com a diferença. O longa, ainda que travestido de comédia infantil, articula um discurso sobre a dificuldade que sociedades tradicionais têm em lidar com a pluralidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mavis, por sua vez, surge como a personagem que mais claramente rompe o ciclo de ódio aos humanos, já que seu relacionamento com Johnny representa a superação das barreiras erguidas pelo próprio pai. No entanto, sua trajetória não é de plena adaptação: ao visitar a família de Johnny (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-7a-temporada-de-brooklyn-nine-nine/"><span style="font-weight: 400;">Andy Samberg</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela é vista de forma estereotipada, como alguém exótica e fora de lugar, lembrando o preconceito se reinscreve de formas sutis. Essa tensão reforça como a convivência entre mundos diferentes exige mais do que tolerância inicial, também demanda transformação estrutural, algo que nem sempre o contato individual consegue garantir. Assim, Mavis encarna o dilema de quem tenta viver entre fronteiras, mas continua sendo enquadrada por olhares externos que a reduzem a uma identidade fixa e caricatural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante notar que, ao contrário do que poderia sugerir uma narrativa linear, </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/a-verdadeira-historia-do-verdadeiro-dracula/"><span style="font-weight: 400;">Drácula</span></a><span style="font-weight: 400;"> não avança em direção ao progresso, ele regride. Depois de, no primeiro filme, ter aceitado os humanos e aprendido a respeitar o amor de sua filha, aqui ele volta a agir de forma intolerante e controladora. Essa regressão é significativa: lembra que aceitar a diferença não é uma conquista definitiva, mas um exercício contínuo. O personagem, ao tentar manipular o neto para que este se torne vampiro, simboliza a tentativa de impor tradições a qualquer custo, mesmo quando o presente aponta em outra direção.</span></p>
<p><figure id="attachment_36637" aria-describedby="caption-attachment-36637" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36637" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg" alt="Cena de Hotel Transilvânia 2. A imagem mostra um grupo de personagens de animação reunidos ao redor de uma fogueira, em um momento de convívio noturno cheio de música e diversão. Entre eles estão figuras icônicas como o Conde Drácula, com seu ar imponente mas descontraído, e o Monstro de Frankenstein, com seu porte marcante e expressão amistosa. Outros seres antropomórficos completam o círculo, cada um com traços físicos distintos e expressões que variam entre alegria, concentração e curiosidade, reforçando suas personalidades singulares. O destaque vai para o personagem que toca violão, animando o grupo e servindo como centro da interação. A iluminação quente da fogueira valoriza os rostos e corpos dos personagens, dando profundidade às suas expressões e ressaltando detalhes de roupas e características físicas. O estilo em animação digital de alta qualidade combina cores vibrantes e sombras realistas, criando uma atmosfera acolhedora. O cenário de floresta, com céu estrelado ao fundo, funciona como pano de fundo para a proximidade e o espírito de união dos personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36637" class="wp-caption-text"><br />O personagem Vlad, pai do Drácula, é dublado por Mel Brooks, que também dirigiu a comédia Drácula – Morto, mas Feliz (1995) [Foto: Columbia Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A animação, contudo, não se sustenta apenas pela força de seu subtexto. Esteticamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> reforça o estilo de Tartakovsky, que injetou energia cartunesca em um cinema de animação 3D muitas vezes dominado pela busca de realismo da <em>Pixar</em> e da </span><em><a href="https://personaunesp.com.br/madagascar-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. O movimento exagerado, os enquadramentos cômicos e o ritmo frenético conferem identidade à franquia, aproximando-a mais da tradição dos desenhos de televisão dos anos 1990 do que da lógica narrativa dos longas de animação hollywoodianos. Essa escolha estética foi fundamental para que o filme conquistasse um público amplo, mantendo-se fresco e diferente em meio à concorrência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que explica a relevância da obra é a consolidação da franquia como fenômeno cultural e comercial. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F1YhnSE9zZU"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas manteve o interesse do público após o sucesso do primeiro, como garantiu fôlego para novas sequências, séries derivadas e um universo expandido de produtos. A mistura entre personagens monstruosos clássicos, como Drácula, lobisomens, múmias, Frankenstein, e dilemas cotidianos deu certo porque equilibrava a fantasia com conflitos universais. As crianças riam das trapalhadas, os adultos reconheciam, em chave caricatural, discussões sobre família, mudança e tradição.</span></p>
<figure id="attachment_36639" aria-describedby="caption-attachment-36639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36639" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg" alt="É nesse ponto que reside a importância cultural de Hotel Transilvânia 2: ele mostra como a animação comercial pode ser mais do que mero entretenimento descartável. O longa captura ansiedades sociais sobre identidade, gerações e convivência, transformando-as em narrativas acessíveis a diferentes públicos. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que regressões, preconceitos e intolerâncias não são problemas resolvidos de uma vez por todas, pelo contrário, eles retornam, exigindo enfrentamento constante. Drácula, como metáfora, nos lembra que os monstros que mais assombram a vida em sociedade não estão nos contos de terror, mas nos medos que temos de aceitar a mudança." width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-800x495.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4-768x475.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/ht-4.jpeg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36639" class="wp-caption-text">Fifth Harmony gravou a canção-tema do filme I&#8217;m In Love With a Monster (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, rever </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bYZzOIcikSA"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Transilvânia 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é perceber como uma comédia de monstros animados conseguiu traduzir debates profundos em chave lúdica, com humor, cor e ritmo. Seu legado está tanto no impacto comercial, que garantiu longevidade à franquia, quanto na sutileza com que ofereceu uma reflexão sobre família, tradição e diferença. Um lembrete de que até os vampiros mais poderosos tremem diante do futuro e de que as novas gerações, humanas ou não, sempre desafiam os padrões do passado.</span></p>
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		<title>Shrek: 20 anos de risadas e nostalgia</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2021 16:50:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Há duas décadas, o mundo foi contemplado com o lançamento de uma das animações que mais revolucionaram o Cinema: Shrek. Essa prestigiada obra-prima reuniu o que há de melhor sobre piadas de duplo sentido, referências icônicas, paródias e lições de vida sobre autoaceitação e felicidade. Dentre todas essas qualidades, que tal relembrarmos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Shrek: 20 anos de risadas e nostalgia"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/">Shrek: 20 anos de risadas e nostalgia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21263" aria-describedby="caption-attachment-21263" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-1-Shrek.png" alt="Cena do primeiro filme da franquia de Shrek. A imagem mostra dois personagens principais da trama: Shrek e Burro. Eles estão em uma vila com casas medievais com ornamentos azuis. Ambos estão ao centro da imagem e estão boquiabertos (surpresos). Shrek é um ogro careca, barrigudo e verde. Ele está vestindo camisa de manga longa branca, calça marrom e sapatos pretos. Ao lado esquerdo de Shrek, Burro é um animal quadrúpide cinza que não veste nenhum acessório." width="650" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-21263" class="wp-caption-text">Shrek quebrou recordes e padrões: o filme ficou de 2004 a 2010 como a animação com maior número de bilheteria do planeta &#8211; lucrando cerca de 484 milhões de dólares de bilheteria bruta (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, o mundo foi contemplado com o lançamento de uma das animações que mais revolucionaram o Cinema: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RobmhhAuOHM"><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Essa prestigiada obra-prima reuniu o que há de melhor sobre piadas de duplo sentido, referências icônicas, paródias e lições de vida sobre autoaceitação e felicidade. Dentre todas essas qualidades, que tal relembrarmos com detalhes a grandeza desse gigante cinematográfico?</span></p>
<p><span id="more-21262"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não poderia começar de outro jeito esse texto, sem falar do forte vínculo entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4vKsBR0At6QDqTApovWDtw?si=72fb6c0ce2204393"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora chiclete</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desconheço uma viva alma que escute </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L_jWHffIx5E"><i><span style="font-weight: 400;">All Star</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da banda</span> <span style="font-weight: 400;">Smash Mouth, e não consiga relacionar instintivamente a canção do grupo americano ao </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/05/18/movies/shrek-20th-anniversary.html"><span style="font-weight: 400;">longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Eu mesmo quando era criança (não faz tanto tempo assim), me recordo que só fui associar o nome desta música e sua respectiva banda, em um momento de curiosidade epifânica, após ter assistido o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/news/shrek-20th-anniversary-soundtrack-1234955248/"><span style="font-weight: 400;">fontes envolvendo os bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escolha da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Smash Mouth aconteceu por conta dos dois primeiros versos do</span><i><span style="font-weight: 400;"> hit </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0mYBSayCsH0"><i><span style="font-weight: 400;">I’m A Believer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu pensava que o amor só acontecia em contos de fada, significativo para alguns mas não para mim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pois bem, diversas bandas fizeram os testes de audiência de trilha, mas somente esses dois versos conquistaram o coração dos produtores. O curioso é que </span><i><span style="font-weight: 400;">All Star </span></i><span style="font-weight: 400;">fez ainda mais sucesso e se tornou trilha de abertura da animação, assim como a canção mais famosa da banda californiana.</span></p>
<figure id="attachment_21264" aria-describedby="caption-attachment-21264" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-2-Shrek.png" alt="A imagem simboliza a cena final de celebração do casamento de Shrek e Fiona no pântano. Burro está cantando em um microfone e usa óculos escuros. Ao fundo estão presentes os anões da Branca de Neve tocando instrumentos musicais." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21264" class="wp-caption-text">O Burro cantando I’m A Believer na voz de Eddie Murphy é algo estrondosamente cômico e irreverente, uma vez que o sucesso dessa cena levou o ator a repetir a dose no segundo o filme com a canção de Ricky Martin, Livin&#8217; La Vida Loca (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da fama proporcionada pela produtora de Steven Spielberg, se engana quem crê que </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">seja uma narrativa original da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar da  genialidade, seu roteiro é inspirado na obra homônima de William Steig. No livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">também foi desenvolvido para o público infantil, no entanto foi graças à perspicácia dos roteiristas,</span> <span style="font-weight: 400;">Terry Rossio e Joe Stillman, que a animação foi vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2002, na categoria de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/especiais/saga-shrek/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da premiação do </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brilhante direção de Andrew Adamson e Vicky Jenson desafiaram dois gigantes concorrentes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CGbgaHoapFM"><i><span style="font-weight: 400;">Monstros S.A</span></i><span style="font-weight: 400;">. (</span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nIJQOFSGKks&amp;list=PLZbXA4lyCtqpRLKcqMav6T2lgk42EreDH"><i><span style="font-weight: 400;">Jimmy Neutron</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;">, candidatos à primeira categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pqtpo7DE79o"><span style="font-weight: 400;">Animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">levou o título e ainda concorreu na categoria de Roteiro Adaptado. Mas seu sucesso</span> <span style="font-weight: 400;">não se reduz a tais feitos, estas são apenas as consequências do merecido reconhecimento desta animação </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> (método de gravação também utilizado em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">). As falas e a ousadia de criação dos produtores são a essência cativante desta relíquia animada.</span></p>
<figure id="attachment_21265" aria-describedby="caption-attachment-21265" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-3-Shrek.png" alt="Capa do livro Shrek, de William Steig, simboliza um ogro grande e verde. No retrato criado no livro, o protagonista utiliza uma camisa azul, faixa amarela na barriga, calça listrada vermelha e tem um cabelo laranja." width="400" height="532" /><figcaption id="caption-attachment-21265" class="wp-caption-text">Capa do livro Shrek!, de William Steig; como podemos perceber, a ilustração do querido ogro o tornou um pouco mais amigável e convidativo através do filme da DreamWorks (Foto: Farrar, Straus &amp; Giroud)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um primeiro momento, os diretores Adamson e Jenson teriam entrado em contato com o icônico Chris Farley para a interpretação vocal do protagonista. O comediante dublou quase todas as falas, cerca de 90% das cenas, porém </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-morte-por-overdose-do-comediante-chris-farley.phtml"><span style="font-weight: 400;">veio a falecer</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes que completasse o roteiro da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, as vozes de Shrek, Fiona, Burro e Lord Farquad</span> <span style="font-weight: 400;">se imortalizaram nas dublagens originais de Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e John Lithgow. Aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou ainda mais notoriedade devido sua dublagem em português, na qual a presença do querido </span><a href="https://globoplay.globo.com/meu-amigo-bussunda/t/8RLh7n5vY5/"><span style="font-weight: 400;">Bussunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> como intérprete do ogro verde é inesquecível!</span></p>
<figure id="attachment_21266" aria-describedby="caption-attachment-21266" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-4-Shrek.png" alt="A imagem exibe o ator e comediante Bussunda fazendo um gesto similar às orelhas do ogro Shrek. Bussunda é um homem gordo, branco e careca. Ele veste uma jaqueta jeans azul e está na frente do cartaz oficial do filme que mostra Shrek, Fiona e Burro fugindo do Dragão que cospe fogo." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-21266" class="wp-caption-text">Cláudio Besserman Viana, mais conhecido como Bussunda, ficou eternamente conhecido como dublador de Shrek: o jeito simpático e brincalhão do ator, já reconhecido nacionalmente por seus trabalhos na televisão com o Casseta &amp; Planeta tornou a dublagem ainda mais especial, com piadas e brasilidades singulares que só o Bussunda seria capaz de fazer (Foto: Gauchaz)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">é perfeito devido suas imperfeições. Apesar de ser uma frase contraditória, ela resume bem a tônica deste quase-conto de fadas. Digo “quase”, pois esta é uma trama não convencional, ainda que seu encerramento o seja. O enredo nos apresenta contradições nunca antes percebidas ou criticadas pela indústria de animações. Ele explora a temática contrastante entre aparência e essência, nos obrigando a refletir:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “como um ogro poderia ter chance com uma princesa?”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma época onde as redes sociais sequer sonhavam em existir, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/kung-fu-panda-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já estava bolando um plano para conscientizar seu público acerca de temas tão contemporâneos e urgentes. Até os espectadores menos atentos conseguiram perceber que o filme é recheado de mensagens subliminares, conceitos e lições morais (característica típica de qualquer conto de fadas). Se analisarmos os quatro personagens do núcleo principal, cada um deles simboliza os defeitos que comumente presenciamos nas relações humanas. </span></p>
<figure id="attachment_21267" aria-describedby="caption-attachment-21267" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-5-Shrek.png" alt="Cena do filme em que Shrek e Burro aparecem sentados na beira de um penhasco refletindo à luz do luar. Ambos estão sentados admirando a lua. Sherek está com sua roupa convencional: camisa longa branca, colete e calças marrons e sapatos pretos. Burro não veste roupa. Shrek está cabisbaixo." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21267" class="wp-caption-text">As pessoas me julgam antes de me conhecerem: momento de desabafo do personagem que se encontra esgotado por sofrer diversos preconceitos pelo fato de ser um ogro (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando por Shrek, nosso ogro favorito. De imediato somos apresentados por um ser carismático, que vive bem consigo mesmo, ainda que sua aparência seja considerada grotesca e ameaçadora pelos outros integrantes do reino. Apesar de ser constantemente hostilizado, sendo alvo de pré-julgamentos, nosso anti-herói demonstra resistência, fingindo não se deixar levar pelas críticas negativas daqueles que não o conhecem, quando internamente é visível o quanto estas questões o incomodam. O Burro por sua vez é uma figura que sofre pelo medo da rejeição. Sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RMj7RkjZMDc"><span style="font-weight: 400;">carência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e busca por aceitação são insaciáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passo que Fiona lida com questões de insegurança e abandono. Talvez o fato de ter sido trancafiada em uma torre, à espera de seu salvador, fez dela uma pessoa ansiosa e incapaz de ser honesta consigo mesma. Por fim, e menos importante, Lord Farquaad representa todos os vícios e defeitos de um ditador. Autocrata, vaidoso, demagogo, mentiroso e egoísta, Farquaad sonha em se tornar rei somente pelo título máximo de nobreza, que o legitimaria ainda mais suas práticas absolutas de poder. Qualquer </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/10/22/e-simples-assim-um-manda-e-o-outro-obedece-diz-pazuello-ao-lado-de-bolsonaro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">semelhança com a realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é mera coincidência.</span></p>
<figure id="attachment_21268" aria-describedby="caption-attachment-21268" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-6-Shrek.png" alt="Duas fotos divididas em uma mesma imagem. A foto à esquerda mostra John Lithgow, homem branco, calvo, com terno e gravata preta. Lithgow aparenta ter uns 60 anos de idade. À direita, temos o personagem Lord Farquaad com uma roupa típica de um lorde medieval. Farquaad é um homem branco, que veste traje vermelho com chapéu vermelho. Ele é baixinho, branco, tem olhos verdes e usa um cabelo chanel." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21268" class="wp-caption-text">A escolha de John Lithgow para dublar Lord Farquaad foi feita devido ao perfil do ator, que é um homem alto, com timbre grave e imponente (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, podemos tirar proveito da maneira suave como </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">lida com pressões emocionais, sobretudo com questões relacionadas à </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">aceitação e pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de estar distante de uma análise acadêmica ou um manual de conduta escrito por </span><i><span style="font-weight: 400;">coachs </span></i><span style="font-weight: 400;">de auto-ajuda, a jornada deste anti-herói nos revela a beleza do convívio em suas mais diversas formas. A convivência é o grande dilema na vida de todos os personagens. Shrek aparentemente vive bem consigo mesmo, mas demonstra obstáculos de relacionamento. Burro e Fiona são incapazes de enfrentar a solidão e Farquaad se torna refém da validação mútua (ainda que forçada) de seus súditos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo conto de fadas, os protagonistas conseguem viver felizes para sempre, no entanto eles não deixam de apresentar problemas, muito menos se tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">“perfeitos para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O casal Shrek e Fiona é a prova disso. Ambos se complementam e constroem um vínculo recíproco de confiança, algo que os torna verdadeiros e livres para continuar apresentando falhas, mas sem deixar de lado a perseverança que o amor exige sem precisar cobrar. O trocadilho presente na última frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“e viveram feios para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz muito sobre o que podemos extrair como aprendizado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele nos questiona qual é o </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-critica/"><span style="font-weight: 400;">modelo de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a indústria cultural tenta nos vender. Vai mais além e nos obriga a refletir se o amor perfeito realmente existe. Não à toa, seu enredo satiriza diversas obras </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso que exploram a temática de uma maneira assustadoramente clichê. Shrek não é nenhum príncipe encantado, branco, sensível e respeitado. Assim como Fiona igualmente não é uma donzela à espera de um robô sem defeitos. Apesar de tudo, eles conseguem construir a própria história de amor verdadeiro passando por cima de todos os julgamentos de seres que igualmente são imperfeitos.</span></p>
<figure id="attachment_21269" aria-describedby="caption-attachment-21269" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-7-Shrek.png" alt="Shrek e Burro em uma cena que ambos estão conversando ao redor de uma plantação de girassóis. Shrek está com uma cebola na mão." width="650" height="391" /><figcaption id="caption-attachment-21269" class="wp-caption-text">“Os ogros são como as cebolas Burro, eles têm camadas”: uma das principais metáforas trazidas pelo filme sob a perspectiva do quão distante somos aquilo que realmente aparentamos ser (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por essas e outras razões, a paixão de Shrek e Fiona traz à tona ainda mais luz à insegurança de quem teme ser real. Há muito tempo, nós (humanidade) tememos ser transparentes e com isso, produzimos, vendemos e consumimos padrões de beleza, paixões e amor que são mentirosos. Nos moldamos pelo desejo, abrindo mão daquilo que nos torna realmente felizes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">é antes de tudo uma obra revolucionária. 20 anos atrás, ele se tornou o ogro que ousou ter um final feliz e as pessoas não apenas entenderam o seu propósito como também o abraçaram: fazer piadas da vida como também fazer piadas do ideal que as pessoas criam sobre a vida.</span></p>
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		<title>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é autêntico e memorável</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 16:37:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Flora Vieira A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (2021) é o mais novo resultado de um acordo realizado entre as empresas Netflix e Sony: nele, foi decidido que os filmes da Sony e suas subsidiárias (isso inclui a Sony Pictures, produtora do filme), seriam lançados não só no cinema, mas também no serviço &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-familia-mitchell-e-a-revolta-das-maquinas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é autêntico e memorável"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20877" aria-describedby="caption-attachment-20877" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20877 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/mitchel-e-a-revolta-das-maquinas-poster.jpg" alt="Banner de divulgação do filme A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. A cena é uma animação, com a família dentro de um carro laranja, voando, e o logo do filme aparecendo ao lado. A Família está em fonte branca, Mitchell em laranja, E a Revolta das em branca, e Máquinas azul. Ao fundo, vemos uma cidade, o céu cristalino e vários objetos flutuando a órbita do veículo." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/mitchel-e-a-revolta-das-maquinas-poster.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/mitchel-e-a-revolta-das-maquinas-poster-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/mitchel-e-a-revolta-das-maquinas-poster-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20877" class="wp-caption-text">Linda, Aaron, Katie e Rick, da esquerda para a direita, e Munchi, o cão, na frente (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Flora Vieira</strong></p>
<p><i></i> <i><span style="font-weight: 400;">A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas </span></i><span style="font-weight: 400;">(2021) é o mais novo resultado de um acordo realizado entre as empresas </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/sony-fecha-acordo-com-a-netflix-filmes-exclusivos"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: nele, foi decidido que os filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas subsidiárias (isso inclui a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;">, produtora do filme), seriam lançados não só no cinema, mas também no serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse em específico estava planejado para ser distribuído apenas no cinema, mas uma pandemia entrou no caminho, e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou no catálogo uma animação cheia de identidade, um drama bem construído e uma comédia de primeira. O mote &#8216;para todos os públicos&#8217; se faz valer aqui: da criança pequena ao adulto calejado, qualquer um se diverte assistindo a essa obra prima.</span></p>
<p><span id="more-20876"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelo aspecto mais óbvio, a animação se destaca com elementos tanto do </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto do </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;">, num estilo que lembra muito </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), outro filme da produtora. Aqui, diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece com um pouco mais de definição, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> (a melhor parte) aparece em formato de desenhos como se feitos em papel, com canetas, lápis, grifa-textos e outros improvisos de papelaria. Esse formato tem também um propósito narrativo, porque esses desenhos são criados pela protagonista da história, Katie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em Katie, outro aspecto brilhante de <em>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</em> são seus personagens e seus conflitos. Katie (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm3434305/"><span style="font-weight: 400;">Abbi Jacobson</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma garota extrovertida, criativa e apaixonada por Cinema, que busca aprovação do pai, Rick (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1144419/"><span style="font-weight: 400;">Danny McBride</span></a><span style="font-weight: 400;">), um entusiasta da natureza que pouco se interessa por tecnologia e não se conecta com a filha. Os personagens de apoio, Linda (a mãe, interpretada por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0748973/"><span style="font-weight: 400;">Maya Rudolph</span></a><span style="font-weight: 400;">), e Aaron (o irmão mais novo da família, interpretado por </span><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/a-familia-mitchell-e-a-revolucao-das-maquinas-entrevista-michael-rianda"><span style="font-weight: 400;">Michael Rianda</span></a><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor) servem de mediadores do conflito, mas não deixam de ter, cada um, suas diferenças: Linda é determinada e sensível, e Aaron, excêntrico, divertido e com hiperfixação em dinossauros (pois é).</span></p>
<figure id="attachment_20878" aria-describedby="caption-attachment-20878" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20878 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/robos.jpg" alt="Cena do filme A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Nela, vemos uma porção de robôs brancos ajoelhados em pose de guerra em uma rua movimentada, cheia de banners e telões luminosos em prédios, de noite." width="1200" height="649" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/robos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/robos-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/robos-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/robos-768x415.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20878" class="wp-caption-text">Os robôs do filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto diferente do drama para uma animação é o esforço do filme em fazer um paralelo entre Katie e Rick, expondo ambos os lados de um conflito não só de interesses, mas também </span><a href="https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2153/eja-como-lidar-com-os-conflitos-geracionais"><span style="font-weight: 400;">geracional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os dois têm dificuldades de enxergar o mundo um do outro, e a história aos poucos faz essa conexão, partindo vezes de um interesse de lá, vezes de uma reivindicação de cá, para no terceiro ato fazer com que cada um tenha que usar o que aprendeu com o outro para vencer a grande ameaça do filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">A Revolta das Máquinas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa tal ameaça já é batida no Cinema e na Literatura, e o filme sabe bem disso. Desde os tempos de </span><a href="https://canaltech.com.br/ciencia/100-anos-de-isaac-asimov-e-seu-legado-para-a-geracao-da-era-tecnologica-163061/"><span style="font-weight: 400;">Asimov</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Robô </span></i><span style="font-weight: 400;">(1950), até o “mais recente” </span><a href="https://cinemaedebate.com/2009/12/31/o-exterminador-do-futuro-1984/"><i><span style="font-weight: 400;">Exterminador do Futuro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985), a história é sempre a mesma: uma inteligência artificial toma conta das máquinas com o objetivo de dominar o mundo. Essa inteligência artificial, outrora </span><i><span style="font-weight: 400;">Vicky </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Skynet</span></i><span style="font-weight: 400;">, aqui se torna uma representação de grandes empresas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, até com um </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> similar e sugestivo se comparada às duas últimas. Pal</span> <span style="font-weight: 400;">(Olivia Colman) é uma assistente virtual que, após a constatação de que se tornará obsoleta, toma o controle dos robôs que a substituiriam e inicia a cruzada para a dominação mundial (uau, eu sei – que medo).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como dito anteriormente, o filme sabe bem com o que lida porque, apesar do uso de (muitos) clichês, eles se justificam na medida em que não só servem de plano de fundo para a comédia, mas também são referências diretas a outras obras do Cinema, e tudo isso ainda se conecta com a paixão da protagonista pelo universo cinematográfico. Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Robô </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Exterminador do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão presentes outras mais sutis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jogos-vorazes/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Guerra Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre outras). Elas soam como um tempero nas sequências de ação, também recheadas de comédia, além de uma baita identidade visual.</span></p>
<figure id="attachment_20879" aria-describedby="caption-attachment-20879" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20879 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Furby.jpg" alt="Cena do filme A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Nela, vemos um Furby gigante, escuro e com bico amarelo-alaranjado. Na parte de baixo da imagem tem uma legenda em caixa alta e fonte branca que diz: A DOR SÓ ME FAZ MAIS FORTE!!!" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Furby.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Furby-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Furby-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Furby-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20879" class="wp-caption-text">Furbies! (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A comédia é outra coisa que faz do filme especial, e é feita de forma bastante respeitosa. Digo isso porque ela não foi feita por pessoas que são como o Rick e não entendem de tecnologia ou cultura das redes sociais, mas que são como a Katie, inseridas e bem versadas neste mundo. Nunca tinha visto uma comédia voltada para a minha geração antes, e foi uma surpresa muito boa. Quer dizer, tem </span><a href="https://noticias.r7.com/hora-7/fotos/furby-o-brinquedo-que-vendeu-milhoes-e-depois-se-tornou-maldito-10032020#/foto/8"><i><span style="font-weight: 400;">Furbies</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nesse filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Furbies</span></i><span style="font-weight: 400;">! Eu via os bichinhos em lojas de brinquedo e eles têm um papel maravilhoso nesse filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Mitchell</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">e A Revolta das Máquinas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um bom filme para ver em família. Deixa mensagens positivas que engrandecem a compreensão sobre o universo do outro sem deixar de lado a autenticidade e peculiaridades que nos definem. E faz isso com personagens carismáticos, conflitos facilmente relacionáveis, referências para todos os lados e uma animação de encher os olhos.</span></p>
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