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	<title>Arquivos 2009 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>The Vampire Diaries já fez 15 anos e não vai sair tão cedo do nosso cangote</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Apr 2025 16:15:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Beatriz Apolari Em Setembro de 2009, aquela que poderia ser só mais uma história de vampiros viu a gloriosa luz do dia. A série The Vampire Diaries – ‘TVD’ –, da rede norte-americana de televisão The CW e dirigida por Marcos Siega, estreou com uma audiência de 4,91 milhões de espectadores e, até seu encerramento, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1-temporada-the-vampire-diaries-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Vampire Diaries já fez 15 anos e não vai sair tão cedo do nosso cangote"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35115" aria-describedby="caption-attachment-35115" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-1-800x593.png" alt="os três protagonistas estão direcionados para a frente. Damon é um homem branco de cabelos pretos e olhos azuis penetrantes. Ele usa uma camiseta básica preta. Elena é uma jovem branca, magra, de cabelos castanhos lisos e olhos também castanhos. Veste uma blusa verde e uma jaqueta de couro. Stefan é um homem branco de cabelos castanhos, lábios finos e sobrancelhas grossas. Também usa uma camisa preta. Ao fundo, a sala da mansão Salvatore desfocada, com abajures de luzes amareladas." width="800" height="593" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-1-800x593.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-1-768x569.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-1.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35115" class="wp-caption-text">Elena Gilbert tem o espírito de heroína que faz de tudo para proteger quem ama, apesar de parecer tão indefesa (Foto: The CW)</figcaption></figure>
<p><b>Beatriz Apolari</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Setembro de 2009, aquela que poderia ser só mais uma história de vampiros viu a gloriosa luz do dia. A série </span><a href="https://youtu.be/r6a1pdxhJ7o?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Vampire Diaries</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">TVD</span></i><span style="font-weight: 400;">’ –, da rede norte-americana de televisão </span><i><span style="font-weight: 400;">The CW</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dirigida por Marcos Siega, estreou com uma audiência de 4,91 milhões de espectadores e, até seu encerramento, em 2017, colecionou milhares de fãs. O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem inspiração na saga de livros homônima, lançada em 1991 por Lisa Jane Smith, mas </span><a href="https://www.fatosdesconhecidos.com.br/12-maiores-diferencas-entre-os-livros-e-serie-the-vampire-diaries/"><span style="font-weight: 400;">diverge da literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em pontos que vão desde a aparência e sobrenome de alguns personagens, até a criação de novos.</span></p>
<p><span id="more-35112"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvida e produzida por Julie Plec e Kevin Williamson, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Um Vampiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> (na tradução para o português) está viva na memória afetiva de uma geração apaixonada por triângulos amorosos e vampiros. O engraçado é que, reassistir aos primeiros capítulos de ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">TVD</span></i><span style="font-weight: 400;">’, faz com que</span> <a href="https://epipoca.com.br/ian-somerhalder-afirma-que-the-vampire-diaries-so-foi-sucesso-por-causa-de-crepusculo/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> volte à mente de forma nada despretensiosa. A protagonista é apresentada como uma menina indefesa e sem muita personalidade, ela se encontra apreensiva para uma nova etapa de aulas na escola quando, de repente, dá de cara com um rapaz misterioso de topete, jaqueta de couro e óculos escuros, que transforma sua vida para sempre. Soa familiar? De fato, já vimos algo parecido na obra de Stephenie Meyer, mas não se engane: a série consegue explorar esse universo místico com uma maestria surpreendente, o que deixa a produção muito maior que um coração indeciso e sangue falso pingando na tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha a vida de Elena Gilbert (Nina Dobrev), uma adolescente que acabou de passar pelo trauma da perda dos pais em um acidente de carro. Ela vive com seu irmão caçula, o jovem revoltado Jeremy Gilbert (Steven R. McQueen), e sua tia, Jenna Sommers (Sara Canning), na pacata cidade de Mystic Falls. Sua vida ganha um novo tom de adrenalina quando </span><a href="https://youtu.be/qTxU69kOiJA?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">conhece Stefan Salvatore</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Paul Wesley), um rapaz misterioso que acaba de dar as caras na cidade. Com ele, vem também o irmão sarcástico </span><a href="https://youtu.be/xH_SScYNRdA?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Damon Salvatore</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Ian Somerhalder), que parece estar empenhado em atrapalhar a felicidade de Stefan. Bem, você já deve ter imaginado que os irmãos Salvatore são vampiros e vértices do triângulo amoroso com Elena.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35114" aria-describedby="caption-attachment-35114" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2-800x533.png" alt="Stefan e Damon, ambos usando casacos de couro, na praça de Mystic Falls. Está de noite, e é possível ver o prédio da prefeitura ao fundo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-2.png 1450w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35114" class="wp-caption-text">A série disponibiliza uma dupla de ‘crushes’ para todos os gostos: o moreno sarcástico e o cavalheiro simpático; ambos estão prontos para matar por você (Foto: The CW)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla de galãs já costumava viver em Mystic Falls quando foram transformados, em 1864. Uma certa rivalidade entre eles surge por conta da disputa pelo amor de </span><a href="https://youtu.be/7XxAqKFSGCQ?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Katherine Pierce</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Nina Dobrev), uma vampira idêntica à Elena, que, supostamente, morreu na mesma noite em que os irmãos tornaram-se seres sobrenaturais. Katherine, até então, só aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas podemos perceber que suas únicas semelhanças com Gilbert são a aparência física e a posse do coração dos Salvatore. E aqui, </span><a href="https://youtu.be/g85x97WSrPs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Dobrev</span></a><span style="font-weight: 400;"> prova que está preparada para viver desde a mais sofrida das ‘mocinhas’ até a mais vil das antagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, é importante salientar que a série não explora somente a natureza dos vampiros, mas também de bruxas e lobisomens, por exemplo. No time das bruxas, a estrela é </span><a href="https://youtu.be/mJdyhIrbbCQ?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Bonnie Bennett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Kat Graham), melhor amiga de Elena que aprende a dominar seus poderes ao longo da temporada. Já como representante dos lobos, há o volátil </span><a href="https://youtu.be/eaAeAYKCjAg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Tyler Lockwood</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Michael Trevino), que ainda não sabe sobre seus genes sobrenaturais. Em tese, nós telespectadores também não deveríamos saber até a segunda temporada, mas todos os </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Tyler com uma lua cheia desproporcionalmente grande ao fundo passam o recado aos mais atentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os personagens que passam 100% humanos pelos 22 episódios, temos um destaque para Caroline Forbes (Candice King), que começa sendo uma ‘patricinha’ muito mesquinha e evolui para uma amiga bem menos desprezível. E é apenas uma prévia da grande personagem que ela se torna nas temporadas seguintes. Outro humano de destaque é Alaric Saltzman (Matthew Davis), que se mostra mais interessante que qualquer outro </span><i><span style="font-weight: 400;">hater</span></i><span style="font-weight: 400;"> de vampiros por conta de seu passado trágico com </span><a href="https://youtu.be/mVLeBOR5B_U?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Isobel Flemming</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Mia Kirshner).</span></p>
<figure id="attachment_35113" aria-describedby="caption-attachment-35113" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-800x532.png" alt="Elena Gilbert no cemitério de Mystic Falls. Ela usa uma blusa vermelha e jaqueta de couro. Ao fundo, vemos a lápide de seus pais envolta em névoa." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-1024x680.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-768x510.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-1536x1020.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3-1200x797.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/unnamed-3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35113" class="wp-caption-text">Elena Gilbert tem o espírito de heroína que faz de tudo para proteger quem ama, apesar de parecer tão indefesa (Foto: The CW)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabemos que nem tudo que amamos é perfeito, então chegou a hora de tratar dos tropeços. A série começa comprometida com a premissa dos diários mantidos pelos personagens principais, Elena e Stefan. Dessa forma, o recurso da </span><a href="https://youtu.be/uvfst83iB5M?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">narração</span></a><span style="font-weight: 400;"> – como se aquele texto estivesse sendo escrito – é altamente explorado, principalmente do ponto de vista da ‘mocinha’. Contudo, essa dinâmica começa a ser deixada de lado e a série perde um dos elementos que dá nome ao projeto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As maiores falhas na direção e no roteiro estão nos primeiros episódios, principalmente no piloto. É importante citar a inexplicada relação de </span><a href="https://youtu.be/7iICXRekztE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Damon com os corvos e a neblina</span></a><span style="font-weight: 400;">, que o acompanham no primeiro episódio. Como ele fazia isso? Por que fez? Por que parou? Jamais saberemos. A direção do programa de estreia também parece um pouco mais perdida e dramática. Por vezes, Marcos Siega abusa de sequências com cortes dramáticos focados no rosto dos personagens para desesperadamente tentar trazer o clima de mistério. Além disso, o piloto é editado com músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tocando ao fundo o tempo todo, de forma que, assistir se torna desafiador por conta de um ambiente cheio de informações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois desses escorregos de estreia, <i>The Vampire Diaries</i> se encontra e passa a executar seu papel como <a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-lists/best-horror-tv-shows-of-all-time-164169/the-haunting-of-hill-house-2018-present-901559/">série<i> teen </i>de mistério</a> com maestria. Ela entrega romance, amizade, drama, presas e muito suspense. Tudo que precisávamos para maratonar em 2009 – e hoje em dia também. Cada fim de episódio é pensado para atingir o clímax para te fazer sair correndo para ver o próximo. É, sem dúvida, o puro suco da década de 2000: sombrio e melodramático, do ‘jeitinho’ que amamos.<br />
</span></p>
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		<title>Após 15 anos de Arraste-Me para o Inferno, ser levado para os confins da Terra talvez não seja má ideia</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 19:08:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Desde Sally (Marilyn Burns) de O Massacre da Serra Elétrica (1974) até Grace (Samara Weaving) de Casamento Sangrento (2019), a final girl é praxe no Terror, principalmente no slasher. É ela quem vence o assassino, sobrevive e, de quebra, aparece nas continuações. Mas para Christine Brown (Alison Lohman), do grotesco Arraste-Me para o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/arraste-me-para-o-inferno-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 15 anos de Arraste-Me para o Inferno, ser levado para os confins da Terra talvez não seja má ideia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34500" aria-describedby="caption-attachment-34500" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1.jpg" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, a personagem Christine Brown está sendo atacada pelos braços de uma pessoa. Ela está com lama cobrindo todo o cabelo e sujando o rosto, em sua volta tem mais lama. Christine está com expressão de dor. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos loiros. 
" width="600" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-34500" class="wp-caption-text">Em 2022, o filme entrou no top 10 dos mais assistidos na Netflix no Brasil (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde Sally (Marilyn Burns) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1974) até Grace (Samara Weaving) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> é praxe no Terror, principalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">. É ela quem vence o assassino, sobrevive e, de quebra, aparece nas continuações. Mas para Christine Brown (Alison Lohman), do grotesco </span><i><span style="font-weight: 400;">Arraste-Me para o Inferno</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), já faz 15 anos que ela está perpetuada nos confins da Terra. O aniversariante que não é um filme de </span><a href="http://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">mascarados</span></a><span style="font-weight: 400;"> empunhando facas, sem dúvidas garante uma curiosa discussão sobre mulheres no gênero. </span></p>
<p><span id="more-34499"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte de classe também é uma temática já perpassada pelo horror e, neste longa, também é comentado. </span><i><span style="font-weight: 400;">Morto Não Fala</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018) e </span><a href="https://medium.com/@davimarcelgo10/aquilo-que-j%C3%A1-foi-especial-alien-1979-de-ridley-scott-e816e657d218"><i><span style="font-weight: 400;">Alien, o Oitavo Passageiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1979) são ótimos exemplos de como o mal age em corpos marcados por alguma razão de exclusão – no caso do filme de Ridley Scott, gênero e cor também fazem parte das discussões que o diretor propõe. Nele, os dois últimos personagens a morrer são um homem negro e uma mulher branca, ambos operários. A </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;">, logicamente, é uma mulher. Ripley, sobrevivente, segue protocolos, normas e diretrizes de segurança durante toda história; o irônico é que, para sobreviver na realidade, mulheres e outras minorias também precisam seguir ‘regras’. </span></p>
<figure id="attachment_34501" aria-describedby="caption-attachment-34501" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, o rosto da personagem Sylvia Ganush está bem próximo. Em detalhe, estão o nariz e os olhos dela. O olho direito é cego, possuindo uma coloração esverdeada e branca.O olho esquerdo é castanho. Sylvia Ganush é uma mulher de pele clara, na faixa dos 60 anos. 
" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34501" class="wp-caption-text">O filme mantém a marca autoral de Raimi; a estética combina nojeira com o cartunesco (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor e diretor, já tinha subvertido expectativas com o inaugural </span><a href="https://sanguetipob.blogspot.com/2023/03/retro-review-uma-noite-alucinante-a-morte-do-demonio-the-evil-dead-1981.html"><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1981), finalizando-o sem as esperanças de um amanhecer que traz tranquilidade após uma noite alucinante. Considerando os finais de filmes anteriores  dirigidos por Raimi ao terror de 2009, era de se esperar conclusões impactantes, afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerram com sentimento agridoce. Com a história de Chris Brown não foi diferente: após o roteiro enganar os cinéfilos com uma falsa libertação da personagem contra seus demônios, ela é arrastada para o inferno. Na trama, Brown precisa conseguir uma promoção em seu emprego de bancária, para isso, ela recusa o aumento dos prazos para o pagamento das prestações da casa de uma senhora. Revoltada, a cliente a amaldiçoa com poucos dias de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens já escritos e dirigidos pelo cineasta possuem semelhanças, por exemplo, assim como o trio de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq27089912.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Um Plano Simples</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998), Peter Parker e Brown estão ligados pela falta de dinheiro. A </span><i><span style="font-weight: 400;">only girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Arraste-Me para o Inferno </span></i><span style="font-weight: 400;">não só convive com a grana curta, mas também é oprimida pela família de seu namorado, Clay (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Justin Long</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem uma excelente condição financeira. Opressão condicionada inclusive no ambiente de trabalho, ao competir com um colega por um novo cargo, com a garantia de mais renda e </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">do ponto de vista da sogra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terror vivido por Chris Brown ultrapassa qualquer espírito ‘zombeteiro’ que arremessa panelas em sua cozinha. Começando antes mesmo da praga ser lançada sobre ela, estando presente no </span><a href="https://www.institutomana.com/single-post/2018/01/11/recorte-social-o-lugar-de-fala-dentro-do-lugar-de-fala"><span style="font-weight: 400;">recorte social</span></a><span style="font-weight: 400;">: mulher e pobre. Brown é incentivada a competir com alguém da mesma classe, uma lógica do capitalismo, além de ser incentivada a não ajudar uma senhora também pobre, quando podia fazer isso, sendo castigada pelas suas atitudes. Em uma sociedade patriarcal, ser mulher é estar nessa posição de ganhar menos que o namorado e ter que provar sua capacidade para homens em situações de poder, que vão a legitimar ou não. Vítima do sistema, a protagonista é penalizada sem qualquer análise das motivações durante a vida. </span></p>
<figure id="attachment_34503" aria-describedby="caption-attachment-34503" style="width: 1223px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o InfernoNa cena, a personagem Shaun San Dena, interpretada por Adriana Barraza, está com o braço esticado para frente e a mão aberta, pronto para agarrar a personagem Chris Brown, que está de frente para Shaun, desfocada pela câmera no canto direito. Shaun está possuída, por isso seus olhos estão dilatados e os dentes afiados. Ela está com a expressão no rosto de raiva. Shaun veste roupas largas de cor marrom, possui cabelos longos na cor castanha. 
" width="1223" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4.png 1223w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-800x459.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1200x689.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34503" class="wp-caption-text">A atriz Adriana Barraza interpreta a exorcista que tenta tirar o demônio de Brown (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo, no final da terceira temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016-2020) é descoberto que, há mais de 500 anos, ninguém entra no bom lugar (céu), porque realizar uma ação intrinsecamente boa é uma tarefa difícil na contemporaneidade. De repente, comprar uma simples peça de roupa financia indiretamente tráfico humano ou adquirir uma fruta implica no apoio de indústrias alimentícias que expulsam famílias de suas terras. No caso de Chris Brown, ela não realizou uma ação boa, foi apenas para seu próprio benefício, mas assim como a humanidade da série citada, ela é vítima. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste caso, não é tão certo que Sam Raimi e seu irmão Ivan Raimi, que assinam o roteiro, estejam fazendo alguma crítica quanto ao capitalismo ou religiões punitivas, talvez, eles só estejam reproduzindo elementos do Terror sem nenhum tipo de recorte. Porém, na trilogia do aracnídeo, diferente do que muitos autointitulados ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">nerds</span></i><span style="font-weight: 400;">’ pensam, a personagem Mary Jane (Kirsten Dunst) está longe de ser interesseira e infiel. O diretor sempre pensa em texto e </span><a href="https://pnc.gov.pt/glossary/m#:~:text=Trata%2Dse%20de%20uma%20defini%C3%A7%C3%A3o,%C3%A0%20encena%C3%A7%C3%A3o%20do%20espa%C3%A7o%20c%C3%A9nico."><span style="font-weight: 400;">encenação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com muita delicadeza, exemplo é a cena de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Homem-Aranha 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007) em que ela se sente mais uma em meio a multidão. Raimi também sempre deixou com transparência o relacionamento abusivo com o pai, que leva a ruiva a ter certos comportamentos. Por isso, é possível estender a análise para uma crítica consciente ao capitalismo e seus operários. </span></p>
<p><figure id="attachment_34502" aria-describedby="caption-attachment-34502" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, os personagens Clay e Chris Brown estão em um quarto, sentados na cama, de frente para o outro. Ela está à direita, é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos loiros. Veste uma roupa de mangas curtas em cores de tom terroso. Ele está à esquerda, é um homem na faixa dos 30 anos, de pele clara, cabelos escuros e lisos. Ele veste camisa social na cor azul e gravata. Ao lado de Chris Brown tem um abajur verde com estampa de folhagens.
" width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-34502" class="wp-caption-text">Justin Jacob Long tem experiência no gênero, já atuou em Olhos Famintos (2001), Tusk (2014) e Noites Brutais (2022) [Foto: Ghost House Pictures]</figcaption></figure><a href="https://www.cracked.com/article_18967_6-famous-movies-with-mind-blowing-hidden-meanings.html"><i><span style="font-weight: 400;">Sites</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e espectadores via </span><a href="https://www.reddit.com/r/horror/comments/2acy0w/in_drag_me_to_hell_why_does_everything_literally/?tl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Reddit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já comentaram que o filme faz uma alegoria a transtorno alimentar. Realmente, Chris Brown vomita e é alvo de vômitos sobre seu corpo ao longo do filme, passa por vitrine de doces e outras cenas que envolvem comida. Ademais, há uma citação sobre ela ter perdido peso e uma fotografia dela, alguns anos antes, posando ao lado de um porco. Dessa forma, outra camada de opressão é adicionada à história: adequação aos padrões estéticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja porque supostamente pecam contra a </span><a href="https://valkirias.com.br/it-follows-sexo-futuro/"><span style="font-weight: 400;">castidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebem ou aproveitam a juventude, é válido questionar o que já foi e é indagado no gênero e no Cinema: por que mulheres são </span><a href="https://www.fvcomunica.com.br/blog/detalhes/o-arquetipo-da-mulher-na-geladeira"><span style="font-weight: 400;">mortas</span></a><span style="font-weight: 400;"> com tanta violência? Mas não pensando em como a Arte é um mal que deseja a morte de pessoas e, sim, como de fato é um espelho do contexto social em que estamos inseridos. Para sobreviver, Brown tem de se adaptar às regras das corporações, à etiqueta da família do namorado e também aos padrões de corpo. O verdadeiro terror, este não cartunizado como os outros do filme, é a injustiça de um sistema e de crenças justapostas contra um corpo feminino e pobre. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/arraste-me-para-o-inferno-15-anos/">Após 15 anos de Arraste-Me para o Inferno, ser levado para os confins da Terra talvez não seja má ideia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 16:56:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Se em 2009 Garota Infernal foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como Terror cult feminista à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, Garota Infernal é um estudo de caso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/garota-infernal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24203" aria-describedby="caption-attachment-24203" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela se olha no espelho de um armário azul marinho, típico dos colégios estadunidenses. O espelho é arredondado com strass prata e rosa em sua volta. Na lateral superior esquerda e na lateral inferior direita do espelho estão colados dois adesivos de desenhos orgânicos, também em rosa. Não se vê nada na cena além da vista do rosto de Jennifer refletido no espelho e o fundo azul marinho do armário." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24203" class="wp-caption-text">Fracasso comercial, Garota Infernal pouco a pouco se restabeleceu como terror cult feminista (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 2009 </span><a href="https://youtu.be/C8azftM5puI"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi considerado um crasso fracasso, após uma década de seu lançamento o filme se restabeleceu como </span><a href="https://www.vox.com/culture/2018/10/31/18037996/jennifers-body-flop-cult-classic-feminist-horror"><span style="font-weight: 400;">Terror </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente de seu tempo. Escrito por Diablo Cody, dirigido por Karyn Kusama e protagonizado pela dupla Megan Fox e Amanda Seyfried, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um estudo de caso sobre como um roteiro perspicaz, um enquadramento subversivo da câmera e personagens autoconscientes são capazes de transfigurar o olhar masculino predominante no gênero, pondo em foco a </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVTmHYPrAAc/?utm_medium=share_sheet"><span style="font-weight: 400;">perspectiva feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto às violações do corpo através de Jennifer e, </span><span style="font-weight: 400;">bem, “</span><a href="https://www.npr.org/2021/09/16/1037893623/olivia-rodrigo-jennifers-body-good-4-u-teenage-girls-anger"><i><span style="font-weight: 400;">O inferno é uma garota adolescente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span id="more-24202"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o sucesso do encantador </span><a href="https://youtu.be/K0SKf0K3bxg"><i><span style="font-weight: 400;">Juno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro filme de Cody que lhe rendeu uma vitória no </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/redescobrindo-garota-infernal"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">, um misto de expectativa e incerteza pairava acima do próximo projeto da roteirista – seria talento ou sorte de principiante? Assim, concedida total liberdade criativa pelos grandes estúdios, Cody decidiu abraçar suas ideias mais perversas ao escrever um horror pastiche que centralizasse personagens mulheres, explorasse amizades femininas e, principalmente, que fosse sobre uma garota canibal comedora de homens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, historicamente, o </span><a href="https://judao.com.br/explorando-o-exploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">exploitation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">carrega consigo uma </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2009/nov/02/jennifers-body-feminist-exploitation"><span style="font-weight: 400;">má reputação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, sobretudo nas décadas de 1950 à 1970, o papel das mulheres se reduzia basicamente ao prazer de sua dor, </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurizado </span></i><span style="font-weight: 400;">pelo</span> <a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (termo conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i><span style="font-weight: 400;">, em inglês). E se o gênero por si só já é definido</span><span style="font-weight: 400;"> como “lixo”, um filme cuja narrativa concentra-se na transformação de uma garota popular em demônio que se alimenta especificamente de homens – além de ser encabeçado por uma equipe de mulheres –, certamente seria um desafio comercial na época.</span></p>
<figure id="attachment_24204" aria-describedby="caption-attachment-24204" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. Ela está nua, nadando em um lago. As águas do lago refletem a luz do fim da tarde, num tom azul escuro. As partes não refletidas da água estão em tom preto. No enquadramento da cena, Jennifer está centralizada encarando a câmera. Ao seu redor só é possível ver o lago." width="1920" height="1048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-800x437.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1024x559.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-768x419.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1536x838.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img2-1200x655.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24204" class="wp-caption-text">Assim como Jennifer Check, Megan Fox sentia-se violada, traçando paralelos entre o rito satânico do filme à indústria cinematográfica (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassou os limites do véu que separa arquétipos igualmente condenatórios da “lésbica frígida” à “burra promíscua”, inaugurando um debate quanto à </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/por-que-megan-fox-acredita-que-garota-infernal-esta-frente-do-tempo/"><span style="font-weight: 400;">misoginia internalizada em Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Jennifer Check (Megan Fox) não é casta, inocente e muito menos é modelo de feminismo, pelo contrário, ela é rude, egoísta e maldosa. Ela está longe de ser a vítima perfeita e, acertadamente, isso não importa no filme. Cody não entrega ao público uma mocinha fácil de se torcer, porém, em momento algum sugere que mesmo alguém tão desprezível como Jennifer mereça passar pelas agonias que passou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Jennifer acaba sozinha dentro de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, rodeada por desconhecidos, o tom de inevitabilidade é indigesto. Ao finalmente se dar conta do que está por vir, não há mais nada que a personagem possa fazer. Ela se desespera, questiona e fracassadamente implora por piedade à banda </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre que, em busca do triunfo </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Maroon 5, é capaz de sacrificá-la em dois segundos. Todavia, a cena, carregada de efeitos visuais alucinantes, traz o ponto de vista de Jennifer, de como ela se sente no momento. A visão dos assassinos não importa e Cody nos estende sua lente, nos encorajando a entender e respeitar Jennifer. Não há fetichização em seu sofrimento e, aqui, a </span><a href="https://www.facebook.com/diasdecinefilia/posts/2650699001682110/"><span style="font-weight: 400;">escrita sensível de Cody</span></a><span style="font-weight: 400;"> brilha. Por não ser virgem, o sacrifício dá errado e agora, súcubo, Jennifer inicia uma série de matanças em </span><i><span style="font-weight: 400;">Devil’s Kettle</span></i><span style="font-weight: 400;"> que estremece a relação com sua melhor amiga Needy (Amanda Seyfried).</span></p>
<figure id="attachment_24205" aria-describedby="caption-attachment-24205" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial. No enquadramento, ela está centralizada, sorrindo e encarando a câmera com um olhar obsessivo. Ela está com o rosto encardido de sujeira, maquiagem borrada e sangue na boca. Ela veste uma jaqueta branca, também suja e manchada de sangue, e argolas médias em prata. É noite e não há luz no fundo. O fundo é a casa da amiga de Jennifer, Needy, completamente escura." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img3-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24205" class="wp-caption-text">O corpo grotesco de Jennifer foi um dos artifícios utilizados por Diablo Cody e Karyn Kusama para negar o male gaze (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os paralelos com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas abusivas de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">parecem ser óbvias. No entanto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi produzido na era do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/06/movimento-metoo-gera-417-acusacoes-de-assedio-em-empresas-diz-consultoria.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e muita coisa mudou em 10 anos. Se esses debates de gênero e violência sexual – infelizmente atemporais –, ganharam repercussão em 2019, no ano de 2009 pouco se discutia a questão. Revelando em entrevistas as próprias </span><a href="https://youtu.be/u2JLRtWlq0o"><span style="font-weight: 400;">experiências pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">#MeToo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Fox chegou a comparar o sacrifício de Jennifer ao da própria carreira: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentia que estava sendo sacrificada por seus ganhos, quase sem nenhuma preocupação com meu bem-estar físico. [&#8230;] O que quer que eles precisassem fazer de mim ou me colocar, eles fariam</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de fato, escalada como estrela do filme, a </span><a href="https://www.indiewire.com/2018/12/karyn-kusama-jennifers-body-marketing-misogynistic-1202026860/"><span style="font-weight: 400;">estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se voltou à hiperssexualização do corpo de Fox. O estigma de que o terror não agrada garotas definiu o público alvo de maneira equivocada e </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi vendido para garotos adolescentes como um filme totalmente diferente do que realmente era. A divulgação consistiu apenas no apelo sexual quase pornográfico de Fox, voltado exclusivamente ao </span><i><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></i><span style="font-weight: 400;"> – justamente o que Cody e Kusama propunham negar. Não há nudez explícita, Jennifer parece estar doente na metade do filme e o </span><a href="https://macabra.tv/o-medo-da-carne-nos-filmes-de-horror-corporal/"><i><span style="font-weight: 400;">horror corporal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é a melhor definição de </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;">. O desastre foi fatal.</span></p>
<figure id="attachment_24206" aria-describedby="caption-attachment-24206" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Amanda Seyfried é uma mulher branca de cabelos loiros longos. Ela usa óculos, regata lilás e calça preta. Megan Fox é uma mulher branca de cabelos pretos longos. Ela veste uma blusa branca com manga média cinza escuro, shorts e meias listradas em cinza, branco e vermelho. Ambas estão conversando em cima de uma cama com lençol bege e coberta estampada em tons alaranjados queimados. A cama está centralizada no enquadramento, assim como as personagens. Acima da cama está uma janela com cortina de voil, onde é possível ver que é noite. À frente da janela está pendurada um pisca-pisca de luz amarelada. O fundo da imagem é um quarto. As laterais do quarto possuem forro chanfrado em branco, paredes com papel de parede floral em dourado e vermelho e cabeceiras verdes cheias de objetos. Megan Fox, que interpreta Jennifer Check, é uma mulher branca, de olhos azuis e cabelos pretos. Jennifer é uma adolescente no colegial." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img4-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24206" class="wp-caption-text">Needy, a amiga nerd devota, Jennifer, a garota demônio mais cobiçada da escola (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhando em atrair o público feminino e decepcionando o masculino, a reprovação foi consensual. Tanto a crítica especializada quanto o público, ambos compostos majoritariamente por homens cis, héteros e brancos, repudiou o filme. As </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/09/megan-fox-jennifers-body-feminist-1234589224/"><span style="font-weight: 400;">avaliações eram negativas, até misóginas</span></a><span style="font-weight: 400;">, numa época em que artistas como Megan Fox, Salma Hayek e Angelina Jolie, por exemplo, eram tratadas explicitamente como </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/megan-fox-critica-machismo-em-hollywood-me-viam-como-um-casco-vazio-60767"><span style="font-weight: 400;">mercadorias sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, vistas mais como um rosto bonito do que atrizes talentosas. Para mais, com o advento da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">blogs </span></i><span style="font-weight: 400;">de fofoca, perseguição de </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ataque à Fox foi intensificado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberbullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, culminando na sua reclusão, junto com a de Cody, que desencadeou problemas psicológicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas para além do legado injusto que o filme suportou por efeito das circunstâncias externas que o envolveram, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre a </span><a href="https://mulhernocinema.com/especiais/vida-de-menina-5-filmes-sobre-juventude-estrelados-dirigidos-e-escritos-por-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">perda da inocência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e novas descobertas. O sacrifício de Jennifer pode ter ressuscitado-a, mas seu antigo eu foi morto, sepultado. Ela não é mais a mesma, ela se sente vazia. A amizade platônica entre Jennifer e Needy (tradução de </span><i><span style="font-weight: 400;">“carente”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o astucioso apelido é derivado de Anita) é um dos indicativos centrais desse amadurecimento. Logo, ainda que a relação entre as melhores amigas tenha sido sempre nociva, é somente quando Jennifer se torna demônio que Needy finalmente se dá conta da ambiguidade dessa “amizade”.</span></p>
<figure id="attachment_24207" aria-describedby="caption-attachment-24207" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24207" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg" alt="Cena do filme Garota Infernal. Na cena estão Amanda Seyfried, que interpreta Needy, e Megan Fox, que interpreta Jennifer, em ordem. Elas estão frente a frente prestes a se beijar. Só é possível ver o recorte dos narizes às bocas das personagens. Elas são refletidas por uma meia-luz em tom quente alaranjado. O fundo, que contorna o perfil das personagens, é totalmente preto." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/img5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24207" class="wp-caption-text">A cena de beijo entre Needy e Jennifer foi desconfortável para as ambas atrizes, que temiam a fetichização dela (Foto: Fox/Dune Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, Needy olha para Jennifer com admiração. Ela deixa o namorado para seguir a amiga assim que lhe é ordenado e a tensão entre ambas é inquestionável, crescendo gradativamente até o estopim do subtexto sexual insinuado na narrativa, quando as amigas se beijam. A cena não dura mais de um minuto e traz à tona a confusão de Needy sobre seus sentimentos reprimidos. O </span><a href="https://gizmodo.com/the-real-horror-of-jennifers-body-toxic-friends-5361181"><span style="font-weight: 400;">relacionamento codependente</span></a><span style="font-weight: 400;"> delas é claramente mais intenso do que simples amizade, oscilando num complicado espectro que varia entre as melhores e piores sensações do amor e ódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a </span><a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/24822"><span style="font-weight: 400;">leitura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sobre o relacionamento delas não propõe, nem ao menos tenta, ser exemplo de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1666-parte-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">representação sáfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> positiva. Ao invés disso, Cody explora a maneira como, instruídas a competir pelo pouco espaço disponível, as alianças femininas são corrompidas pelo patriarcado, ainda que reluzam sinais de paixão. Por fim, o inimigo se torna outras garotas, não o sistema em si. O brilho do olho de Needy ao olhar Jennifer, antes cintilante, agora se apaga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisitando a obra com olhos contemporâneos, é inegável que </span><i><span style="font-weight: 400;">Jennifer’s Body</span></i><span style="font-weight: 400;"> reivindicou a estrutura primária do </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/11/19/uma-reflexao-sobre-rape-revenge-e-falso-feminismo/"><i><span style="font-weight: 400;">rape-revenge</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> por protagonistas que não se limitam aos arquétipos habituais do Terror – a vítima é cruel, a mocinha se corrompe. A cereja do bolo é o ar </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">nostálgico que remete um universo passado com filtro de cores saturadas no qual pessoas usavam o </span><i><span style="font-weight: 400;">MySpace </span></i><span style="font-weight: 400;">e penduravam pôsteres de bandas </span><i><span style="font-weight: 400;">emo </span></i><span style="font-weight: 400;">nos quartos. Sem qualquer moralização, o filme traça metáforas ácidas sobre o trauma, onde o patriarcado é tão vil quanto o monstro demoníaco enjaulado dentro de uma adolescente canibal. E, infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Infernal</span></i><span style="font-weight: 400;"> provou na pele o poder do sistema, questionando: quem tem medo de Jennifer Check?</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/garota-infernal-critica/">Quem tem medo de Jennifer Check?: Garota Infernal e o verdadeiro inimigo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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