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	<title>Arquivos 2001 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Quem é Hedwig?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 18:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma figura execrável em Brasília certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hedwig-rock-amor-e-traicao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem é Hedwig?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27942" aria-describedby="caption-attachment-27942" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-27942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher transgênero cantando, com um microfone em mãos. Ela é branca, usa uma peruca loira, usa sombra azul ao redor dos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Ela usa um colar prateado no pescoço. No fundo, desfocados, estão dois membros da banda dela. À direita, vemos um homem branco com cabelo vermelho arrepiado e à esquerda vemos um homem branco com cabelo preto mais longo. Ele usa óculos escuros. Mais ao fundo, podemos ver luzes neon do bar onde estão se apresentando. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27942" class="wp-caption-text">Hedwig: Rock, Amor e Traição foi o primeiro filme dirigido por John Cameron Mitchell, lançado em 2001 (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/03/em-video-damares-alves-diz-que-nova-era-comecou-no-brasil-meninos-vestem-azul-e-meninas-vestem-rosa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">figura execrável em Brasília</span></a><span style="font-weight: 400;"> certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi que a criou? Deus ou o ser humano? São todos questionamentos que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig: Rock, Amor e Traição </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig and the Angry Inch</span></i><span style="font-weight: 400;">), filme que quebra esse muro tão precário com ousadia, Música e revolta.  </span></p>
<p><span id="more-27941"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos Hedwig (John Cameron Mitchell), uma mulher transgênero que lidera uma banda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/"><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a The Angry Inch. Enquanto percorrem os Estados Unidos, seguindo a turnê do astro Tommy Gnosis (Michael Pitt), temos um vislumbre do passado da protagonista, passando pela infância vivida na Berlim Oriental, sua cirurgia de redesignação de gênero forçada (e mal-sucedida) e a vinda aos EUA.  </span></p>
<figure id="attachment_27943" aria-describedby="caption-attachment-27943" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher com a cabeça enfiada no que parece um forno de um fogão. Ela usa uma peruca loira, tem delineado nos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Dentro do forno, vemos algumas imagens de artistas do rock famosos nos anos 80 e alguns objetos. A mulher utiliza aquele local como um refúgio. " width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27943" class="wp-caption-text">A Música sempre esteve presente na vida da protagonista, desde a infância (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Todd Haynes fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Velvet Goldmine</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> o ator e diretor John Cameron Mitchell compreende a Música, especificamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um meio de acolhimento para vidas </span><a href="https://personaunesp.com.br/crush-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> carregados de delicadeza e humor, o filme mostra a importância que figuras importantes do gênero, como Lou Reed e Iggy Pop, tiveram na formação da protagonista e seu autodescobrimento. O sentimento de identificação com essas personalidades foi fundamental para que se aceitasse como alguém fora do padrão heteronormativo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma cena curta, onde Hedwig ainda criança dança na cama enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gGfkLp9Lb6k"><i><span style="font-weight: 400;">we are freaks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ecoa do rádio, o filme consegue demonstrar a melhor sensação que a Música é capaz de proporcionar: a de pertencimento. Sentir que você não está só no mundo e que aqueles versos, naquela melodia, estão conversando diretamente contigo. É um sentimento tão poderoso que devolve cor e força para vidas cinzentas e monótonas. </span></p>
<figure id="attachment_27944" aria-describedby="caption-attachment-27944" style="width: 2075px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca cantando em um bar. Ela usa uma peruca loira, tem glitter ao redor dos olhos e batom vermelho na boca. Ela veste uma blusinha branca onde lê-se “punk rock” em preto com contorno vermelho e uma calça com a estampa de zebra. Ao fundo, vemos dois membros de sua banda tocando e as luzes do bar onde apresentam, desfocadas. " width="2075" height="1376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg 2075w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-2048x1358.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1200x796.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27944" class="wp-caption-text">Independentemente da quantidade de pessoas na plateia, Hedwig dá tudo de si em cada apresentação (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria vida de Hedwig não foi nada fácil. Desde a infância, o sofrimento e a decepção sempre se mantiveram presentes. Mesmo assim, ela colocava a peruca, passava a maquiagem e seguia em frente, com a cabeça em pé e liderando sua banda. Nenhum personagem precisa falar para ela o quanto é forte pois qualquer momento onde Hedwig canta já diz isso. Performa sempre com uma intensidade capaz de mover multidões, mas seu público é pequeno. O filme faz questão de ressaltar o quanto ela e a banda destoam do ambiente e de quem frequenta o lugar onde se apresentam, mas não entende isso como motivo para chacota. Pelo contrário, vê como símbolo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;">, de resistência. Não só Hedwig, mas todos do grupo têm uma confiança que é muito inspiradora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse espírito tão vibrante, tão corajoso permeia os 93 minutos da produção. Nela, as diferenças, sejam elas de aparência, comportamento ou o que for, são vistas como algo mágico. A magia, repleta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-canada-italia-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está presente tanto na vivacidade da fotografia quanto nas cenas onde a obra abraça seu lado fantasioso, como na inserção das letras de uma das músicas para que o espectador cante junto, igual a um karaokê, e nas animações, cheias de personalidade e que servem para ilustrar  as canções e histórias de vida da protagonista. </span></p>
<figure id="attachment_27945" aria-describedby="caption-attachment-27945" style="width: 1775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca e um homem branco loiro cantando juntos em um mesmo microfone. Ela usa uma peruca loira longa e veste uma blusa preta com linhas douradas. Está com os olhos fechados enquanto canta. O homem veste uma blusa preta com letras brancas na frente. " width="1775" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg 1775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27945" class="wp-caption-text">O envolvimento da protagonista com Tommy Gnosis traz parte das cenas mais tocantes do longa (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas histórias, está o relacionamento conturbado com Tommy Gnosis. Há uma inocência muito bonita que acompanha as cenas no início da relação dos dois, onde o amor dela faz com que descubra mais sobre ele. À medida que Gnosis desbrava a própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/benedetta-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não a aceita, o clima das interações entre os dois se torna profundamente melancólico e o filme se aproveita do drama gerado para ressaltar a ironia: é o que Tommy carrega no nome artístico, o conhecimento (gnosis), que causou a ruína de seu relacionamento com Hedwig. Mais uma vez, dor e decepção passaram pela vida da protagonista.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que a narrativa avança, a cantora e a banda têm seu instante de fama. A própria montagem do filme fica mais frenética para acompanhar a maior atenção que o grupo passa a receber. O ambiente onde apresentam muda, o antigo </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hedwig retorna, desta vez para pedir desculpas pelo erro do passado. A linearidade da trama é abandonada e a obra toma para si o caos, cheio de guitarras raivosas e ruído de amplificadores, para representar outra metamorfose da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem a peruca loira e sem roupas, a aceitação desta nova fase é chocante, mas também traz a liberdade. Agora, é um homem? Mulher? Nenhum dos dois e ambos. Definir sua existência nesses termos é muito simplista. De qualquer forma, continua caminhando. No Mês do Orgulho, sua história é uma incrível fonte de inspiração para todos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+. É um incentivo maravilhoso para ser quem você é, sem medo, porque viver de acordo com as divisões que a sociedade impõe desde a infância só traz angústia. Somente abandonando esses “padrões” do século passado é que seremos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2019/06/hedwig-and-the-angry-inch-criterion-release-john-cameron-mitchell-interview"><span style="font-weight: 400;">livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de verdade. </span></p>
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		<title>Atenção: Legalmente Loira não é uma comédia romântica</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 17:52:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Zogheib Nas prateleiras das locadoras, centenas de filmes competiam pela atenção dos clientes que estavam procurando algo para assistir, e ninguém se saía melhor nessa briga que Elle Woods (Reese Witherspoon) com seu vestido rosa, chiwawa de coleira, caneta de plumas e, claro, os livros de Direito. A capa que dizia “Legalmente Loira: pelos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/legalmente-loira-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Atenção: Legalmente Loira não é uma comédia romântica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25499" aria-describedby="caption-attachment-25499" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-1.jpg" alt="Cena do filme Legalmente Loira. Nela está presente uma mulher branca loira caminhando por uma rua. Ao fundo é possível ver à esquerda pessoas passando, à direita um carro com o porta malas aberto e no chão estão algumas malas e itens de mudança. A mulher usa óculos com lentes rosas e está vestida com saia na altura altura joelho e blusa, ambos rosas. Ela segura com a mão esquerda uma bolsa vermelha com um lenço laranja e rosa pendurado nela. Na mão esquerda ela segura um cachorro da raça chiuaua que usa uma roupinha rosa e roxa. A esquerda dela está um carro conversível preto." width="1080" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25499" class="wp-caption-text">Reese Witherspoon guardou com ela todos os figurinos usados por Elle no filme (Foto: MGM Distribution Co.)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Zogheib</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas prateleiras das locadoras, centenas de filmes competiam pela atenção dos clientes que estavam procurando algo para assistir, e ninguém se saía melhor nessa briga que Elle Woods (</span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Reese Witherspoon</span></a><span style="font-weight: 400;">) com seu vestido rosa, chiwawa de coleira, caneta de plumas e, claro, os livros de Direito. A capa que dizia </span><i><span style="font-weight: 400;">“Legalmente Loira: pelos direitos das patricinhas”</span></i><span style="font-weight: 400;"> estava sempre no topo da seção de comédia romântica buscando chamar o olhar do público feminino colocando o máximo de itens rosa possíveis em 20 centímetros de capa de DVD. E funcionou.</span></p>
<p><span id="more-25498"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Legalmente Loira</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi colocado ao lado de </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/listas/os-30-melhores-filmes-de-romance-dos-anos-2000/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar Chamado Notting Hill</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor Não Tira Férias</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">De Repente 30</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e nos fizeram acreditar que esse filme é uma comédia romântica. Mas ele não é. Talvez, à primeira vista, o enredo pareça ser a história de uma jovem loira superficial que, depois de tomar um pé na bunda, justamente por essas razões, resolve mudar, se tornar mais séria e reconquistar o ex-namorado. Quando isso não dá certo, ela encontra um novo amor e uma paixão pela faculdade de Direito. Isso, por si só, já é uma boa história, eu assistiria esse filme, aliás, eu assisti esse filme muitas vezes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/07/08/movies/legally-blonde-oral-history.html"><span style="font-weight: 400;">história de Elle Woods vai muito além disso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu vídeo de inscrição para Harvard, ela insere vivências do Direito naquilo que ela conhece e se interessa. De certa forma parece cômico ela dizer que consegue lembrar fatos relevantes através de resumos de novelas, estar confortável em usar jargões da área quando alguém dá em cima dela ou que convoca um júri para debater qual marca de papel higiênico devem usar em sua sororidade, porém o que tudo isso mostra é algo que, de primeira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Legally Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece só nos contar no final: ela é muito inteligente. A habilidade de adaptação e interpretação de ambientes, usando ferramentas que ela tem a sua disposição é marca registrada de uma personagem que mostra o tempo todo o quanto é preciso </span><a href="https://deliriumnerd.com/2016/11/16/legalmente-loira-feminista/"><span style="font-weight: 400;">se esforçar para viver em um mundo de homens</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25500" aria-describedby="caption-attachment-25500" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2.png" alt="Cena do filme Legalmente Loira. No centro da imagem está Elle Woods vestida com roupa rosa com glitter e plumas. O fundo é de um campo verde com três troncos de árvore e uma cadeira de camping, à esquerda. Ela está sentada em uma espreguiçadeira coberta com uma toalha rosa. A esquerda dela tem um cachorro chihuahua sentado, vestindo uma roupinha também rosa, e sentado em um puff vermelho. Ao lado direito dela está um cooler azul e uma bolsa também azul, ambos apoiados no chão." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25500" class="wp-caption-text">Bruiser roubando os holofotes (Foto: MGM Distribution Co.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, dirigida por Robert Luketic e que completa 20 anos em 2021, faz um trabalho impecável em ambientar e contextualizar Elle e as mudanças pelas quais ela passa. A introdução em se arruma para o encontro perfeito no qual acha que vai ser pedida em casamento, </span><a href="https://www.buzzfeed.com/jennaguillaume/every-outfit-in-legally-blonde-ranked-from-good-to-iconic"><span style="font-weight: 400;">as roupas que escolhe para passar seus dias na faculdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus vestidos e ternos para usar no tribunal. Sem falar no seu currículo em folhas cor-de-rosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">iBook G3</span></i><span style="font-weight: 400;"> laranja, caderno de anotações em formato de coração e, claro, as roupas de seu cachorro. Todos os acessórios que destacam Reese Witherspoon na multidão de cores neutras de Harvard dão à ela personalidade, carisma e de cara vemos que Elle Woods não é comum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E isso, apesar de parecer mostrar como a estudante não se encaixa no ambiente sério e frio de Boston, dá a ela uma missão. A </span><a href="https://www.proximaprimavera.com/2017/03/a-busca-pelo-reconhecimento-em.html"><span style="font-weight: 400;">missão de abrir a mente daqueles que a cercam para novas possibilidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vão além de suas suposições sobre a universitária loira que usa roupa de coelhinha em uma festa. Em uma das cenas finais, em que a personagem usa todos os seus conhecimentos sobre cabelo para solucionar um caso e inocentar a sua cliente, ela continua trazendo sua essência &#8211; e seu bom gosto impecável. De vestido rosa e cabelo de escova, Elle capta todos os detalhes do depoimento dado pela verdadeira culpada pelo assassinato do ex-marido de Brook (Ali Larter), inicialmente acusada pelo crime.</span></p>
<figure id="attachment_25501" aria-describedby="caption-attachment-25501" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3.jpg" alt="Cena do filme Legalmente Loira. Duas mulheres loiras estão sentadas frente a frente em um salão de beleza com paredes azuis. A da esquerda é a manicure, está sentada e vestindo saia jeans, uma blusa rosa bem clara e um colete jeans. Ela está olhando para algo por cima do ombro enquanto segura a mão da outra. A segunda mulher também está sentada. Ela olha para a mesma direção com com expressão surpresa e veste uma blusa amarela clara com detalhes em vermelho." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25501" class="wp-caption-text">No salão de Paulette é onde uma das cenas mais icônicas do filme acontece, o famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=X-4tIs00NvM">“the bend and snap”</a> (Foto: MGM Distribution Co.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da protagonista, vemos a evolução de outros personagens, especialmente mulheres, que ela leva consigo. Assistimos Paulette (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Coolidge</span></a><span style="font-weight: 400;">), a manicure de Elle, criar uma nova confiança para resgatar seu cachorro do ex-marido e tomar iniciativa em um novo relacionamento. Vemos as amigas de faculdade de Elle abrirem suas cabeças para o novo universo da advogada. Vemos uma das professoras mudar a perspectiva que tem a aluna e notar o potencial dela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais notavelmente, temos Vivian (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SCFR2vpMIQU"><span style="font-weight: 400;">Selma Blair</span></a><span style="font-weight: 400;">), introduzida como a nova namorada de Warner (Matthew Davis), que cria uma rivalidade com Elle desde que a conhece, fazendo de tudo para rebaixá-la a um papel de coadjuvante na vida do homem, nada mais que uma mulher infantil e superficial que não tem futuro na carreira de advogada.  Ela desafia a protagonista na aula, faz questão de mostrar seu anel de noivado, e até engana Elle sobre sua festa à fantasia. Mas quando as duas convivem fora das lentes de Warner, descobrem ter muito mais em comum do que imaginavam e, no fim, viram grandes amigas.</span></p>
<figure id="attachment_25502" aria-describedby="caption-attachment-25502" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-4.jpg" alt="Cena do filme Legalmente Loira. Estão presentes duas mulheres, uma morena a esquerda e uma loira a direita. Elas estão em um quarto com paredes de madeira e mobília de mesma tonalidade, e estão sentadas em poltronas frente a frente. A mulher da esquerda possui cabelo marrom escuro na altura dos ombros e veste uma blusa cinza de manga comprida e calça preta. Ela olha para a outra sorrindo. A mulher à direita tem cabelo loiro que está amarrado na altura do pescoço. Ela veste um moletom cinza e segura um livro de capa branca. As pernas dela estão encolhidas na poltrona e ela olha com expressa surpresa para a outra." width="982" height="726" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-4.jpg 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-4-800x591.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-4-768x568.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25502" class="wp-caption-text">Selma e Reese já haviam trabalhado juntas em Segundas Intenções (Foto: MGM Distribution Co.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No final clássico de anos 2000, onde os personagens aparecem na tela com explicações do que aconteceu com cada um deles, o impacto de Elle é evidente. Todos estão em lugares mais condizentes com suas quem realmente são, mostrando a grande lição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legalmente Loira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre </span><a href="https://www.proximaprimavera.com/2017/03/a-busca-pelo-reconhecimento-em.html"><span style="font-weight: 400;">aceitar quem você é</span></a><span style="font-weight: 400;"> e confiar no seu potencial de fazer as coisas acontecerem do seu jeito. Quem não evolui é Warner, já que o antigo namorado de Elle se forma sem muitas perspectivas para o fundo, vendo apenas que sua forma de ver a vida e as pessoas não combina com a realidade incrível experimentada por todos que o cercam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elle Woods está o tempo todo mostrando qualidades que a colocam muito além do estereótipo criado por todos ao seu redor, ela acredita na sua cliente acusada de matar o marido, ajuda as mulheres a sua volta a confiarem em si mesmas, é firme em seus princípios, é dedicada, verdadeira e não permite que nada nem ninguém quebre seu espírito. Ela </span><a href="http://www.umamenteinquieta.com.br/2018/02/por-que-legalmente-loira-e-tao-atual.html"><span style="font-weight: 400;">passa por muita coisa durante o filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, supera o namorado que nunca viu seu potencial, enfrenta o assédio de um professor que se aproveitou dos preconceitos que criou sobre ela, muda a percepção de colegas que a viam como uma pessoa sem potencial para estar em Harvard e faz tudo isso sem nunca deixa de ser quem é. Nada que a personagem faz é impulsivo e sem base, até em cenas iniciais, comprando um vestido para seu encontro com Warner, suas decisões são calculadas e inteligentes.</span></p>
<p><figure id="attachment_25503" aria-describedby="caption-attachment-25503" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/legalmente-loira-5.jpeg" alt="Cena do filme Legalmente Loira. Está presente uma mulher branca loira em pé em uma sala de audição judicial. Ao fundo dela está o júri e um homem que é um advogado, todos enquadrados desfocados. A mulher está posicionada com a mão esquerda na cintura e a mão direita em cima de um livro que está na mesa ao lado esquerdo dela. Ela possui cabelo loiro ondulado na altura do ombro. Ela veste vestido rosa escuro com manga longa e com detalhes em rosa claro na manga e na cintura." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-25503" class="wp-caption-text">Nesse momento, Emmett (Luke Wilson) e todos nós nos apaixonamos [Foto: MGM Distribution Co.]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A adaptação do livro de mesmo nome vem da história real da autora Amanda Brown, que estudou Direito em Stanford e enviava cartas em papéis cor-de-rosa contando sobre como não se sentia parte do ambiente para seus amigos. Sua sequência, lançada em 2003, mostra mais uma vez Elle indo atrás daquilo que acredita e lutando pela voz daqueles que ama, desta vez,</span><a href="https://minhavisaodocinema.com.br/2018/12/10/especial-legalmente-loira-1-e-2-uma/"><span style="font-weight: 400;"> seu chiwawa Bruiser</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua mãe que está presa em uma clínica de cosméticos que faz testes em animais. Além disso, está prevista uma </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/legalmente-loira-3-ganha-data-de-estreia-e-ostenta-elenco-de-roteiristas-173446/"><span style="font-weight: 400;">terceira parte da trilogia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para maio de 2022, com roteiro de Dan Goor (</span><a href="https://personaunesp.com.br/brooklyn99-7a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Brooklyn Nine-Nine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Mindy Kaling (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a dupla Karen McCullah e Kirsten Smith (</span><i><span style="font-weight: 400;">10 Coisas que Eu Odeio em Você</span></i><span style="font-weight: 400;">). Elle ja frequentou Harvard e Washington, mas ela ainda tem o mundo todo para conquistar e sabe bem disso. </span></p>
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		<title>Harry Potter e a Pedra Filosofal celebra 20 anos de magia e conceitos vazios</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 18:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti  Foi durante uma noite tempestuosa que Harry Potter ouviu de Rúbeo Hagrid a frase: “Você é um bruxo, Harry”. A cena marcante do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal, lançado há 20 anos, abriu espaço para uma saga de oito longas registrando a história do bruxo órfão que luta contra o vil &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Harry Potter e a Pedra Filosofal celebra 20 anos de magia e conceitos vazios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25133" aria-describedby="caption-attachment-25133" style="width: 1419px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal mostra um jovem branco, de cabelos pretos e óculos redondo, que veste uma jaqueta azul, com as mão elevadas tentando pegar uma das cartas ao seu redor. O fundo da imagem é coberto com mais cartas." width="1419" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1.jpg 1419w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25133" class="wp-caption-text">Há 20 anos, Harry Potter recebia a sonhada carta de Hogwarts (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi durante uma noite tempestuosa que Harry Potter ouviu de Rúbeo Hagrid a frase: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é um bruxo, Harry</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y2Ql68AO-kA"><span style="font-weight: 400;">cena marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado há 20 anos, abriu espaço para uma saga de oito longas registrando a história do bruxo órfão que luta contra o vil Lorde Voldemort. Como protagonista da trama, o jovem foi muito bem caracterizado de acordo com as descrições apresentadas por </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/07/jk-rowling-6-fatos-que-voce-tem-que-saber-sobre-autora-de-harry-potter.html"><span style="font-weight: 400;">J. K. Rowling</span></a><span style="font-weight: 400;"> no  livro homônimo de 1997 que baseou o filme, como um garoto de 11 anos, magro, de cabelos pretos, olhos claros, óculos redondos e uma misteriosa cicatriz em formato de raio na testa.</span></p>
<p><span id="more-25138"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a primeira narrativa da autora e, logo, se tornou um grande </span><a href="https://www.livrobingo.com.br/harry-potter"><span style="font-weight: 400;">fenômeno da Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por se tornar um </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> muito rapidamente, não tardou para que a obra ganhasse uma adaptação para as telonas. O filme, produzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros.</span></i><span style="font-weight: 400;">, estreou no ano de 2001 e consagrou Rowling como a criadora de uma das narrativas mais marcantes da atualidade.</span></p>
<figure id="attachment_25134" aria-describedby="caption-attachment-25134" style="width: 695px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-2.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal apresenta três jovens sentados em uma biblioteca. À esquerda está uma menina branca, de cabelos castanhos claros armados, vestindo o uniforme de Hogwarts e lendo um livro. No meio está um menino branco de cabelos pretos, de costas para a câmera, vestindo o uniforme de Hogwarts. A direita está um menino branco e ruivo de perfil para a foto, vestindo o uniforme de Hogwarts." width="695" height="391" /><figcaption id="caption-attachment-25134" class="wp-caption-text">Ao lado de Hermione e Rony, Harry descobre o paradeiro da Pedra Filosofal e impede o retorno de Voldemort (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama inicial se </span><span style="font-weight: 400;">localiza na Rua dos Alfeneiros, Número 4, uma residência de </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Trouxa#:~:text=Os%20n%C3%A3o%2Dm%C3%A1gicos%20(conhecidos%20como,seja%2C%20a%20ant%C3%ADtese%20de%20bruxos.&amp;text=Existem%20dez%20vezes%20mais%20trouxas%20do%20que%20bruxos%20no%20mundo."><span style="font-weight: 400;">trouxas</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde Harry Potter (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Yvk9Fa1mSA"><span style="font-weight: 400;">Daniel Radcliffe</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive no armário debaixo da escada da casa de seus tios Dursley, que têm muito orgulho de serem perfeitamente no</span><span style="font-weight: 400;">rmais. Essa realidade pavorosa vira de cabeça para baixo assim que o jovem recebe o convite do Guardião das Chaves, Rúbeo Hagrid (</span><span style="font-weight: 400;">Robbie Coltrane</span><span style="font-weight: 400;">), para ir estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo confuso com a nova realidade, Harry encara o desafio de aprimorar suas habilidades mágicas. Ao chegar na escola, o bruxo conhece Hermione Granger (</span><span style="font-weight: 400;">Emma Watson</span><span style="font-weight: 400;">) e Rony Weasley (</span><span style="font-weight: 400;">Rupert Grint</span><span style="font-weight: 400;">), que logo se tornam seus amigos. Em pouco tempo, o jovem descobre </span><span style="font-weight: 400;">sobre </span><span style="font-weight: 400;">o assassinato de seus pais (James e Lilian Potter, vividos por Adrian Rawlins e Geraldine Somerville), cometido por Lorde Voldemort, e sobre a </span><a href="https://www.aficionados.com.br/pedra-filosofal-harry-potter/"><span style="font-weight: 400;">Pedra Filosofal</span></a><span style="font-weight: 400;">, objeto desejado pelo vilão da trama para recuperar suas forças e, assim, poder matar Harry Potter. O desenrolar desta narrativa segue de forma eletrizante, seguido de um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> totalmente inusitado que torna o longa tão memorável.</span></p>
<figure id="attachment_25135" aria-describedby="caption-attachment-25135" style="width: 635px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25135" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-2.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal mostra vários alunos uniformizados e enfileirados dos dois lados da imagem próximos a uma vassoura. No ponto central da imagem está uma professora branca, de cabelos curtos e grisalhos, usando uma vestimenta preta e comprida. Todos estão no gramado do lado de fora do castelo durante um dia de sol." width="635" height="357" /><figcaption id="caption-attachment-25135" class="wp-caption-text">Quadribol, o esporte favorito do mundo bruxo, entrega os efeitos visuais precários do filme (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A adaptação para o Cinema do já aclamado livro de J. K. Rowling, comandada por </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/harry-potter-qual-maior-arrependimento-do-diretor-chris-columbus-em-pedra-filosofal/"><span style="font-weight: 400;">Chris Columbus</span></a><span style="font-weight: 400;">, não decepcionou. O diretor foi fiel à obra literária para agradar os fãs e, com isso, conseguiu cativar o mundo inteiro para acompanhar a jornada fantástica de Harry Potter. Outro destaque positivo é a escolha e a caracterização dos atores, que parecem terem sido extraídos diretamente da mente de Rowling. Além disso, a trama segue um ritmo bom para acompanhar a história do jovem bruxo, com uma duração pertinente para os desdobramentos da narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto do longa se estende a direção de arte, sob comando de </span><span style="font-weight: 400;">Stuart Craig. Com um orçamento farto de 125 milhões de dólares, o céu era o limite para a construção do mundo mágico de Harry Potter. Tudo isso era acentuado pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lhMxouLrG1k"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> impecável do famoso compositor </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/o-que-fazer-no-rio-de-janeiro/noticia/2021/11/03/mostra-no-ccbb-homenageia-john-williams-premiado-autor-de-trilhas-como-as-de-star-wars-e-tubarao-veja-a-programacao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os arranjos instrumentais traziam a dramaticidade e o tom epidítico necessários para as aventuras do jovem órfão em seu primeiro ano em Hogwarts. Nesse processo de criação, o único ponto negativo vai para os efeitos visuais artificiais, destacados principalmente durante o jogo de Quadribol, o que é compreensível ao levar em conta os efeitos especiais de outros filmes lançados no mesmo período, como </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-matrix-reloaded/"><i><span style="font-weight: 400;">Matrix Reloaded</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/i007-um-novo-dia-para-morreri"><i><span style="font-weight: 400;">007 &#8211; Um Novo Dia Para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/82926/star-wars-episodio-i-a-ameaca-fantasma-1999-82926/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars I &#8211; A Ameaça Fantasma</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de alguns pontos fracos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter and the Philosopher&#8217;s Stone</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter and the Sorcerer&#8217;s Stone</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos Estados Unidos, foi um sucesso avassalador, contagiando uma legião de fãs e dando visibilidade a J. K. Rowling, que se tornou uma das autoras mais lidas do mundo. O longa se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria da época e, ainda, foi bem</span><span style="font-weight: 400;"> avaliado pela </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/harry_potter_and_the_sorcerers_stone"><span style="font-weight: 400;">crítica especializada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, a película chegou a ser indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2002 nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora, mas acabou não levando nenhuma estatueta para casa.</span></p>
<figure id="attachment_25136" aria-describedby="caption-attachment-25136" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25136" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-1.jpg" alt="Cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal apresenta todos os alunos uniformizados entrando no salão principal de Hogwarts, guiados por uma professora que usa um chapéu grande e pontudo. O local apresenta quatro mesas compridas com alunos de outros anos já sentados e velas flutuantes por todo o ambiente." width="740" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-25136" class="wp-caption-text">Harry Potter e a Pedra Filosofal abre as portas para um mundo bruxo que passa a ser visto de outra forma após as falas transfóbicas de J. K. Rowling (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais assertivo de Harry Potter é a questão humana presente na história. A saga aborda diversas vezes o preconceito contra aqueles bruxos que não vinham de uma família de “sangue puro”. Segundo um </span><a href="https://psycnet.apa.org/record/2014-30657-001"><span style="font-weight: 400;">estudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> realizado no Reino Unido e na Itália e publicado no </span><i><span style="font-weight: 400;">Journal of Applied Social Psychology</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa discriminação, mesmo que fantasiosa, influenciou para que os jovens leitores fossem mais </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/34-provas-de-que-harry-potter-mudou-o-mundo-para-sempre/"><span style="font-weight: 400;">empáticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as minorias sociais. Apesar dessa influência positiva, Harry Potter é repleto de discursos vazios de respeito às diferenças, visto que a própria autora não põe em prática esses ensinamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há algum tempo, </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/j-k-rowling-transfobia-entenda-polemica#14"><span style="font-weight: 400;">J. K. Rowling</span></a><span style="font-weight: 400;"> passou a postar comentários polêmicos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter </span></i><span style="font-weight: 400;">sobre as pessoas trans. Os pensamentos absurdos sobre essa minoria movimentou diversos fãs e atores dos filmes da saga </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra as afirmações levianas da autora. Essas falas errôneas mudaram a forma de analisar as obras da autora, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Pedra Filosofal</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Desse modo, apesar de toda a herança nostalgia trazida por meio do universo bruxo criado por Rowling, é importante não separar o autor da obra. Desse modo, após 20 anos, o que poderia ter </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">envelhecido</span></a><span style="font-weight: 400;"> como uma peça fantástica, tornou-se uma narrativa oca. </span></p>
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		<title>Ser 100% Charlie Brown Jr é permanecer Abalando A Sua Fábrica, mesmo após 20 anos</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 19:15:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto O Começo do Fim do Mundo, em 1982, foi o principal marco do punk rock brasileiro. O festival em São Paulo contou com a participação das primeiras bandas nacionais com foco na contracultura e foi dividido em dois dias, onde grupos como Ratos De Porão e Cólera eram atrações. Porém, logo no segundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/abalando-a-sua-fabrica-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ser 100% Charlie Brown Jr é permanecer Abalando A Sua Fábrica, mesmo após 20 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24833" aria-describedby="caption-attachment-24833" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1.jpg" alt="Capa do disco 100% Charlie Brown Jr - Abalando A Sua Fábrica. Na parte superior está escrito “100% Charlie Brown Jr” com letras estilo de rua vermelhas. Ao lado direito superior existe uma pequena frase escrita “Abalando A Sua Fábrica” com letras distorcidas e fundo preto. Ao lado da frase, tem o desenho preto de uma fábrica sendo destruída por uma bola de destruição. No centro tem uma imagem com fundo predominante vermelho e amarelo. A imagem é a caricatura dos integrantes da banda. Da esquerda para a direita, está desenhado um homem branco de cabelos loiros e jaqueta azul. Ao lado dele, está desenhado um homem branco de chapéu vermelho e blusa marrom. Ao lado dele, está desenhado um homem branco com chapéu roxo que tampa os olhos e veste blusa marrom. Ao lado dele, está desenhado um homem branco de cabelos castanhos e blusa alaranjada." width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24833" class="wp-caption-text">Depois do disco Nadando com os Tubarões, a banda Charlie Brown Jr. lançou seu quarto álbum, sendo esse o primeiro sem participações de convidados externos (Foto: EMI/Charlie Brown Jr.)</figcaption></figure>
<p><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><a href="https://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/1437-o-come%C3%A7o-do-fim-do-mundo-e-a-invas%C3%A3o-punk-na-f%C3%A1brica-da-pompeia.html"><span style="font-weight: 400;">O Começo do Fim do Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1982, foi o principal marco do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro. O festival em São Paulo contou com a participação das primeiras bandas nacionais com foco na </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/contracultura.htm"><span style="font-weight: 400;">contracultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e foi dividido em dois dias, onde grupos como </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3d2xlrGC9JGD7ycsf0e8mF?si=80_-hcMVTeGVvqc7UCv3FQ"><span style="font-weight: 400;">Ratos De Porão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6S6ll1Wa6FYvAgThEBX6qJ?si=3YShR938SqGjHfTVS0XWMQ"><span style="font-weight: 400;">Cólera</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram atrações. Porém, logo no segundo dia, a Polícia Militar invadiu o local para queimar documentos relacionados à ditadura. Dessa forma, no fim dos anos 90, com a continuação da tendência </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2001 – quase 20 anos depois do evento – o grupo Charlie Brown Jr. lança o seu quarto disco e demonstra que agora, no som nacional, a única coisa a ser queimada é a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/canta-brasilia/2013/04/21/internacantabrasilia,361470/na-decada-de-1980-bandas-punks-contestavam-ditadura-militar-na-capital.shtml"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/0Dcy3ThOh8LS1qhXUbZWH7?si=v6lfAy-ERZGi1Uobw383MQ"><i><span style="font-weight: 400;">100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> teve importância não só na evolução do conjunto musical, mas também na </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/08/21/charlie-brown-jr-nofx-blink-182/"><span style="font-weight: 400;">releitura do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao modo brasileiro de ser. Com a saída do guitarrista </span><a href="https://www.instagram.com/thiagocastanhoguitar/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Thiago Castanho</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o primeiro projeto sem a formação original da banda e gravado com todos os instrumentos ao mesmo tempo, no estilo </span><a href="https://universoretro.com.br/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-garage-rock-confira-tambem-10-sons-de-cabeceira/"><i><span style="font-weight: 400;">garage rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se você acha que o termo </span><i><span style="font-weight: 400;">“100% Charlie Brown Jr”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ironia à separação e possivelmente uma saída do convencional em grupo, você está certo. Afinal, é fato que o vocalista </span><a href="http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/03/lider-da-banda-charlie-brown-chorao-faria-43-anos-em-abril.html"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alexandre Magno) era dono de um caráter forte – um tanto quanto rebelde</span> <span style="font-weight: 400;">– e queria marcar presença de uma forma específica: Abalando A Sua Fábrica, independente de qual fosse.</span></p>
<p><span id="more-24832"></span></p>
<figure id="attachment_24834" aria-describedby="caption-attachment-24834" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr2.jpg" alt="Imagem com fundo predominante cinza. Da esquerda para a direita os integrantes da banda estão sorridentes. Marcão, um homem branco de blusa tie dye azul e calça jeans. Ao lado dele, segurando o ombro e subindo na perna de Marcão e Chorão está Renato Pelado, um homem branco de cabelo loiro platinado com uma blusa preta com um dragão cinza e chamas de fogo desenhados e calça bege. Ao lado dele, Chorão, um homem branco de blusa verde neon com bermuda comprida preta e uma faixa cinza amarrada na cabeça. No canto inferior, está Champignon, um homem branco com jaqueta amarela e touca preta sinalizando com a mão o sinal de “paz e amor”." width="615" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-24834" class="wp-caption-text">O álbum 100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica, mais curto que os demais lançados, contém uma sonoridade punk, deixando para trás o rap encontrado em discos anteriores (Foto: EMI/Charlie Brown Jr.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 20 anos do lançamento, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/chegou-quem-faltava-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">personalidade de Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> começa a ganhar forma. Com muito </span><i><span style="font-weight: 400;">hardcore</span></i><span style="font-weight: 400;">, guitarras e baterias pesadas, o álbum é responsável por construir uma das mais destacadas sonoridades da banda. Com o baixo magnífico de Champignon, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CyYHbzq-TPM"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Protesto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a contextualização política, e ainda atual, retratando a corrupção e a despreocupação do governo com o povo. CBJr é muito mais que um trabalho musical, também é entretenimento. A obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KH7T_QVFnGg"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Acordei Feliz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> demonstra isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o clipe referenciando o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RMBZF0466y0"><i><span style="font-weight: 400;">Snatch: Porcos e Diamantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a galera pirava nas reproduções pelo canal da </span><a href="https://www.mtv.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na época. São talentos que marcam pela originalidade e, consequentemente, registram a nostalgia para diversas gerações, inclusive aquelas que acordam com a sutil vontade de matar o presidente. Em sequência, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G94R4l-77oM"><i><span style="font-weight: 400;">Sino Dourado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada no sucesso </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r1UkZLT20TI"><i><span style="font-weight: 400;">Ring My Bell</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Anita Ward, assim fica fácil entender do que a letra da música se trata. Longe de uma pegada melancólica, a faixa traz elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua forma mais popular: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm1408200604.htm"><span style="font-weight: 400;">sexo, drogas e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charlie Brown Jr. - Hoje Eu Acordei Feliz (Clipe)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tUCzE3GBucg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Liberdade, oposição ao consumismo, antiautoritarismo, muita rebeldia e, claro, uma guitarra espetacular. Isso é </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melhor, isso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q2APeohPUyM"><i><span style="font-weight: 400;">Quebra-Mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A batida dessa faixa lembra a melodia-tema de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpMV9YA_4Tk"><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em uma pegada mais pesada sob o comando do guitarrista </span><a href="https://www.instagram.com/marcaobritto/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Marcão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é seguida pela harmônica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DRhEueqE7Uw"><i><span style="font-weight: 400;">Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dedicada ao pai de Chorão, falecido há pouco tempo. Diferentemente das demais músicas apresentadas, esse som retrata a </span><a href="https://leionarede.com/blog/se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz#:~:text=Ainda%20que%20pelas,em%20suas%20m%C3%BAsicas."><span style="font-weight: 400;">espiritualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transforma-se em um acalento ao coração acerca dos encontros e desencontros da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1tABA3gFlQ"><i><span style="font-weight: 400;">Descubra O Que Há De Errado Com Você</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=068Z81QEjFw"><i><span style="font-weight: 400;">Só Lazer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retornam com o barulho do </span><a href="https://www.infoescola.com/musica/hardcore/"><i><span style="font-weight: 400;">hardcore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rápido e agressivo no álbum. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pdU0gOINdPE"><i><span style="font-weight: 400;">Você Vai De Limusine, Eu Vou De Trem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tem o jeito Chorão de ser, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> do moleque pé-rapado que vive um amor com a patricinha do bairro. E logo em seguida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65xlNxGeS58"><i><span style="font-weight: 400;">O Lado Certo da Vida Errada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, como um bom som do Charlie Brown Jr., mistura a melodia do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">com letras sobre a paixão pura e incessante. No caso do vocalista Alê, retratava sempre em suas músicas </span><a href="https://leionarede.com/blog/se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz#:~:text=Ela%20mostra%20um%20cara%20amoroso,a%20aparecer%20em%20suas%20m%C3%BAsicas."><span style="font-weight: 400;">a paixão inesgotável</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela sua namorada e futura esposa, Grazon.</span></p>
<figure id="attachment_24835" aria-describedby="caption-attachment-24835" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3.jpg" alt="Registro de uma foto com fundo predominante cinza. Na foto estão respectivamente Chorão e Grazon abraçados. Chorão é um homem branco que veste um boné preto, uma blusa preta e uma jaqueta marrom. Grazon é uma mulher branca com cabelos loiros e veste uma blusa estampada com as cores vermelha, branca, amarela e azul escuro. Ela está apontando para a câmera que registra a foto com o dedo indicador." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24835" class="wp-caption-text">Grazon foi a musa inspiradora de Chorão, dessa forma, a maioria das músicas da banda que falam sobre amor foram escritas e dedicadas a alguém especial (Foto: Graziela Gonçalves)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um vocal e instrumental extremamente sujos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpmopU2Tvkw"><i><span style="font-weight: 400;">T.F.D.P.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> lembra a essência </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> presente, muitas vezes, no </span><a href="https://www.virgula.com.br/musica/semana-do-rock-por-que-o-grunge-nao-vingou-no-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e não deixa de fora a utilização de palavrões como forma de revolta e protesto à questão social. A obra chega ao fim com duas faixas fenomenais que, com certeza, são marcos da banda e ultrapassam gerações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7bOX4Qedvdw"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Pro Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> motiva e alcança a possibilidade de segundas chances, com todos os </span><a href="https://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/"><span style="font-weight: 400;">problemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvendo drogas, paixões e brigas internas no grupo. Chorão reconforta e nos proporciona o entendimento de que as coisas são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k7pr4VTk5cQ"><i><span style="font-weight: 400;">Como Tudo Deve Ser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas depois, o disco </span><i><span style="font-weight: 400;">100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz jus ao nome e traz a individualidade presente na banda para o público externo. Ao mesmo tempo, retoma movimentos musicais </span><a href="https://pedrozuccolotto.medium.com/o-punk-no-brasil-e-sua-rela%C3%A7%C3%A3o-com-a-ditadura-militar-db179cf0b3fe"><span style="font-weight: 400;">impedidos no passado brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e constrói um </span><a href="https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/educacao/noticia/2019/02/09/bandas-cover-de-todo-o-pais-mantem-vivo-legado-do-charlie-brown-jr.ghtml"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> cheio de influências à liberdade para as próximas gerações. Não é à toa que a espiritualidade da banda – mesmo após seu término – continua sendo destaque nos sons nacionais. Pois afinal, o vocalista falava sobre a necessidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1JtPSIppxSA"><i><span style="font-weight: 400;">viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto na verdade, o seu trabalho feito com tanta garra e paixão, fez com que o tempo fosse quase irrelevante ao sucesso – e sonhos – da querida </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2020/12/chorao-o-garoto-que-vendeu-a-televisao-do-pai-pelo-sonho-de-levar-a-vida-com-uma-banda-o-charlie-brown-jr/"><span style="font-weight: 400;">origem do grupo Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: 100% Charlie Brown Jr - Abalando A Sua Fábrica" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0Dcy3ThOh8LS1qhXUbZWH7?si=2eL7H1U4SgCRoUUr5rG2eg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 16:37:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (Selton Mello) a abandonar o lar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lavoura-arcaica-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23962" aria-describedby="caption-attachment-23962" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica em que aparece toda a família sentada à mesa, com quatro membros de cada lado e o pai ao centro como o patriarca." width="668" height="376" /><figcaption id="caption-attachment-23962" class="wp-caption-text">20 anos depois de seu lançamento, os simbolismos familiares de Lavoura Arcaica permanecem fortes (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1907200719.htm"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">) a abandonar o lar e partir rumo ao desconhecido em busca daquilo que realmente acredita. A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve em uma trama complexa e profunda durante 2 horas e 43 minutos de filme.</span></p>
<p><span id="more-23961"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de estreia da carreira do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wDXj_CL5jnM"><span style="font-weight: 400;">Luiz Fernando Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> acendeu um holofote em direção ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Raduan Nassar. O romance homônimo, que inspirou o longa-metragem, também compartilha de muitas semelhanças no roteiro. Como seu trabalho inicial, o cineasta partiu de uma obra delicada sobre tradições familiares e seguiu os mesmos passos sem grandes alterações para o desenvolvimento da película. Desse modo, o filme se destaca por ser quase uma poesia cinematográfica, com uma narrativa construída de modo não-linear. </span></p>
<figure id="attachment_23963" aria-describedby="caption-attachment-23963" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica exibe dois homens brancos de cabelos castanhos curtos e barba, olhando pela janela." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23963" class="wp-caption-text">Um simples diálogo se desdobra em uma trama profunda e reflexiva (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peculiaridades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia com a busca do primogênito Pedro (</span><a href="https://www.silvanatinelli.com.br/entrevistas/leonardo-medeiros-teatro-da-rotina/"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">), por André, que deve voltar para casa para se portar como manda as tradições agrárias e patriarcais. A missão, aparentemente simples, se desdobra em um turbilhão de emoções e histórias que trazem à luz o sentimento que motivou a saída do filho pródigo de casa. André, que é epilético, expõe durante o diálogo com o irmão a sensação de não pertencimento ao ambiente onde sempre foi tratado como o sujo e teve seus desejos carnais ceifados pelas crenças familiares rígidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo, apesar de inflamado pelos traumas de uma vida engessada, finaliza com o consentimento de André em voltar para o seio familiar. No entanto, o retorno acaba sendo muito mais tumultuado do que se imagina. Durante o tempo fora, o jovem regressa a fazenda de seus pais muito mais convicto de seus ideais e seu pai (</span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/raul-cortez/"><span style="font-weight: 400;">Raul Cortez</span></a><span style="font-weight: 400;">) não abre mão do que acredita como certo. Porém, o abandono do lar por parte de um filho motivou os demais a demonstrarem sua insatisfação com o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> a que eram previamente submetidos.</span></p>
<figure id="attachment_23964" aria-describedby="caption-attachment-23964" style="width: 703px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-7.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica no qual há uma mulher branca de meia idade, de cabelos castanhos presos, com um vestido e um avental, olhando através da janela enquanto chora." width="703" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-23964" class="wp-caption-text">A mãe, interpretada por Juliana Carneiro da Cunha, se mostra aberta para as mudanças familiares, mas sua submissão aos anseios do pai a silenciam (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O caos de uma família que desaba por não conseguir estruturar suas tradições narrado de forma poética elevam </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> como obra cinematográfica. O longa se destaca por sua trilha sonora com arranjos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zry9dpM1_n4"><i><span style="font-weight: 400;">Erbarme Dich, Mein Gott</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão Segundo S. Mateus</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Bach, que transportam o telespectador ao contexto temporal a que o longa se desenvolve. Além disso, a direção de fotografia, comandada por Walter Carvalho, acentua o sentimento expresso pelo roteiro, com o uso intensivo do contraste entre luz e sombra, que atenua o dualismo ideológico abordado na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que de início se assemelha a parábola bíblica do </span><a href="https://www.bibliaon.com/versiculo/lucas_15_11-32/"><span style="font-weight: 400;">filho pródigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenrola em um emaranhado emocional de tradições familiares arcaicas que estão prestes a serem rompidas. O mesmo jogo ocorre no longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NZyvbTb2Ryk"><i><span style="font-weight: 400;">Abril Despedaçado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Walter Salles, em que Tonho (Rodrigo Santoro) vive uma vida cegamente guiada por crenças, até que se vê liberto para romper as tradições sanguinárias pregadas durante gerações por sua família. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ato corajoso de abandonar tudo e seguir sozinho rumo a cidade serviu como um estopim para a implosão dos costumes rudimentares impostos pelo pai.</span></p>
<figure id="attachment_23965" aria-describedby="caption-attachment-23965" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-4.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica mostra uma mulher branca jovem, de cabelos castanhos, que usa um vestido branco enquanto dança. Ao fundo da imagem há outras pessoas lado a lado." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23965" class="wp-caption-text">Para Ana, personagem de Simone Spoladore, a libertação das tradições ocorre por meio da dança (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de uma obra dessa magnitude se mostra muito árdua, principalmente para Luiz Fernando Carvalho, que se lançou na carreira de diretor por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, apesar da direção exitosa, o longa foi submetido a diversos cortes até ser disponibilizado para sua versão comercial. Com a duração inicial de 3h40,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por um processo para enxugar sua narrativa e apresentar todos os pontos relevantes para a película. Apesar de sintetizada, as questões familiares levantadas para promover uma reflexão moral continuam fortemente presentes do começo ao fim do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo 20 anos após seu lançamento, a mensagem passada por meio de </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-metafora-visual-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e simbolismos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua forte. Com uma conclusão vaga, apesar de deixar bem explícito ações que se sucederam, o filme se encerra com o questionamento sobre o modo como as pessoas guiam suas vidas. A película destaca os malefícios do código moral cegamente implementado, que se apresenta como uma tradição familiar segura para guiar as gerações futuras. É justamente sobre o desmoronamento dessas crenças que tornam o longa de Luiz Fernando Carvalho em uma obra-prima do Cinema nacional.</span></p>
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		<title>Os 20 anos de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: uma dedicatória aos excêntricos incompreendidos</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 19:41:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Penteado Se você encontrasse uma coisa de sua infância que guardava como um tesouro, como se sentiria? Feliz? Triste? Nostálgico? Estamos no dia 31 de agosto de 1997, em Paris. Em um antigo apartamento do bairro Montmartre, Amélie Poulain (Audrey Tautou) não sabe que sua vida está prestes a mudar. Retirada de um esconderijo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-fabuloso-destino-de-amelie-poulain-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 20 anos de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: uma dedicatória aos excêntricos incompreendidos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-fabuloso-destino-de-amelie-poulain-20-anos/">Os 20 anos de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: uma dedicatória aos excêntricos incompreendidos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23199" aria-describedby="caption-attachment-23199" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23199 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1.jpg" alt="Cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A imagem mostra Amélie, personagem de Audrey Tautou, sentada numa cama, de frente. A atriz é uma mulher branca, de cabelos lisos curtos, na altura das orelhas, e pretos, e usa uma franja curta no meio da testa. Está de noite e Amélie está dentro de um quarto que é iluminado por dois abajures que estão nas laterais da cama. A parede atrás dela é vermelha, decorada com arabescos finos amarelos e quadros de animais, sendo dois ao centro da parede e dois nas laterais. A cama tem uma cabeceira de madeira escura e Amélie apoia as costas nela, e no meio existe um travesseiro verde. Amélie veste pijama de bolinha e está folheando um livro." width="1792" height="796" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1-800x355.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1-1024x455.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1-768x341.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1-1536x682.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-1-1200x533.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23199" class="wp-caption-text">Inicialmente, Audrey Tautou não foi idealizada para o papel; na época, a produção indicava que Amélie teria o pai britânico e, por isso, seria interpretada por Emily Watson (Foto: UGC Fox Distribution)</figcaption></figure>
<p><strong>Bianca Penteado</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você encontrasse uma coisa de sua infância que guardava como um tesouro, como se sentiria? Feliz? Triste? Nostálgico?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos no dia 31 de agosto de 1997, em Paris. Em um antigo apartamento do bairro Montmartre, <a href="https://www.garotasgeeks.com/personagem-da-semana-amelie-poulain/">Amélie Poulain</a> (Audrey Tautou) não sabe que sua vida está prestes a mudar. Retirada de um esconderijo na parede, em suas mãos há uma antiga caixa de perfume, que armazena todos os restos de uma vivência. Admirada com aqueles tesouros – inestimáveis apenas a quem pertence – Amélie faz uma promessa: devolverá a recordação ao dono e, caso ele se emocione, começará a resolver a vida dos outros.</span></p>
<p><span id="more-23198"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Singular em sua estreia na cinematografia romântica, Jean-Pierre Jeunet constrói </span><i><span style="font-weight: 400;">O Fabuloso Destino de Amélie Poulain</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2001) em uma premissa sensível que enxerga valor na banalidade. Indicado a cinco categorias no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2002</span><span style="font-weight: 400;">, entre eles o de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/oscar/filme_estrangeiro.shtml">Melhor Filme Estrangeiro</a>, o longa brilha ao expor o telespectador ao olhar do outro sobre a vida, a partir do momento em que compreendemos sua razão para amar o que ama.</span></p>
<figure id="attachment_23200" aria-describedby="caption-attachment-23200" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23200 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2.jpg" alt="Cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A imagem mostra, em close, uma caixinha de quinquilharias. A mão esquerda que segura a caixa é branca, com unhas curtas, e a direita mexe nos pertences da caixa, entre eles um aviãozinho, uma caixa de cigarros e um enfeite pequeno de bicileta." width="1792" height="789" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2-800x352.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2-1024x451.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2-768x338.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2-1536x676.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-2-1200x528.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23200" class="wp-caption-text">A caixa de recordações pertence à Dominique Bre-to-deau, não Bre-do-teau! (Foto: UGC Fox Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Superando as expectativas, a simplicidade do roteiro não incomoda. A facilidade com que as coisas acontecem é atraente, e encanta os exaustos da complexidade – que persiste na ficção e no real. Não há drama, nem traições, muito menos reviravoltas saturadas. O diretor aposta em um enredo que evidencia o carisma de seus componentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o filme é considerado um marco que impulsionou a presença francesa no Cinema mundial. Ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/7MIN37CiVP1lVjqKNmLMWk?si=7de683ed5b564765"><i><span style="font-weight: 400;">La valse d’Amélie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jeunet reinventa o romance clássico das telonas, e surpreende ao introduzir um narrador que completa as lacunas de silêncio deixadas pela protagonista que evita as palavras, mas fala muito em suas expressões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de fato, a heroína só tomou o protagonismo merecido com a interpretação enérgica e vivaz de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1209200317.htm"><span style="font-weight: 400;">Audrey Tautou</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sem sucesso nas relações concretas, Amélie procura refúgio no conforto dos cenários surreais que imagina. Diálogos curtos e sussurrados são tudo o que desconhecidos conseguirão da garota. Mesmo assim, a personagem não expressa a timidez como o único ou o mais predominante traço de sua personalidade. Ela também é delicadamente ousada, e não tem medo de encarar a vida de frente quando preciso.</span></p>
<figure id="attachment_23201" aria-describedby="caption-attachment-23201" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23201 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3.jpg" alt="Cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A imagem mostra a personagem de Amélie caminhando por uma estação de metrô, vista de longe e de perfil. A câmera está nos trilhos, capturando as paredes da área de embarque, que é preenchida por anúncios coloridos do lado esquerdo e direito, e no centro existe uma placa escrito &quot;ABESSES&quot;. Amélie está do lado esquerdo, usando um vestido vermelho e botas pretas." width="1792" height="783" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3-800x350.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3-1024x447.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3-768x336.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3-1536x671.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-3-1200x524.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23201" class="wp-caption-text">No metrô, a música da vitrola do idoso permeia a estação quase vazia (Foto: UGC Fox Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Destino ou acaso, </span><a href="https://listasdeviagem.com/2017/06/30/a-paris-nada-cliche-de-amelie-poulain-roteiro-para-os-fas-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">as ruas de Paris</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca pareceram tão pequenas. São nas eventuais idas e vindas ao metrô que Amélie Poulain encontra seu par – no sentido romântico e literal da palavra. Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz) é um observador da individualidade humana e um colecionador nato. Ela sente que são parecidos e isso é o que prende sua atenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há um critério conflituoso. O roteiro de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eu-A1LRPdpA">Guillaume Laurant</a> restringe o espaço de Nino na trama e limita, tanto em tempo quanto em ação, seus encontros com a protagonista. Ao mesmo tempo, querer conhecê-lo melhor não transparece como uma prioridade para o espectador. Passado o desencanto dos melosos de plantão, <em>O Fabuloso Destino de Amélie Poulain</em> segue progressivamente evoluindo, trabalhando o romance na inquietação da espera pelo fatídico dia em que ambos se descobrirão.</span></p>
<figure id="attachment_23202" aria-describedby="caption-attachment-23202" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23202 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4.png" alt="Cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A imagem mostra um senhor de idade contemplando uma pintura, de perfil, e Amélie desfocada no meio, ao fundo. Do lado esquerdo da imagem, o senhor observa a pintura do lado direito. Ele é um homem branco, de cabelos pretos ondulados, e usa um casaco marrom. A pintura, que também aparece de perfil, mostra um grupo de pessoas no campo, com destaque para uma mulher ao centro, que usa um chapéu amarelo e olha para fora da imagem. No meio, em desfoque, Amélie segura uma xícara com as duas mãos e observa o senhor." width="1792" height="828" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4.png 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4-800x370.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4-1024x473.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4-768x355.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4-1536x710.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-4-1200x554.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23202" class="wp-caption-text">Por vezes, Amélie é assemelhada a garota no centro da pintura de Renoir (Foto: UGC Fox Distribution)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mérito novamente de Jean-Pierre, a experiência fotográfica que acompanha a obra é sensorial. As ambientações e os figurinos predominantemente verdes e vermelhos criam uma atmosfera imersiva visualmente semelhante a de uma pintura.  Curiosamente, a paleta de cores selecionada para o filme foi inspirada no trabalho do artista brasileiro </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/05/21/quadros-de-pintor-brasileiro-inspiraram-cores-vibrantes-de-amelie-poulain.htm"><span style="font-weight: 400;">Juarez Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vive em Paris há 30 anos e é um grande amigo do diretor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Passou rápido, mas os 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Le fabuleux destin d&#8217;Amélie Poulain</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegaram. Um marco no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/cinema-frances/">Cinema francês</a>, a obra cinematográfica representa a memória afetiva de uma geração que encontrou seu reflexo na excentricidade do outro. Com um quê de comédia, o filme merece e precisa ser visto, revisto e relembrado em seu propósito: cada oportunidade deve ser agarrada e vivida, antes que tudo o que reste sejam recordações em uma caixa de perfume.</span></p>
<figure id="attachment_23203" aria-describedby="caption-attachment-23203" style="width: 1792px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23203" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5.jpg" alt="" width="1792" height="794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5.jpg 1792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5-800x354.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5-1024x454.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5-768x340.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5-1536x681.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Img-5-1200x532.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23203" class="wp-caption-text">“Sem você, as emoções de hoje serão somente a pele morta das emoções do passado” (Foto: UGC Fox Distribution)</figcaption></figure>
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		<title>20 anos atrás, A Viagem de Chihiro ensinava através do silêncio</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 15:51:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Entre as jornadas monumentais, épicas e maiores que a vida de Princesa Mononoke e O Castelo Animado, e as histórias mais comedidas, intimistas e descaradamente infantis de Meu Vizinho Totoro e O Serviço de Entregas da Kiki, A Viagem de Chihiro é a amálgama perfeita dessas duas facetas de Hayao Miyazaki. Não que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos atrás, A Viagem de Chihiro ensinava através do silêncio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21729" aria-describedby="caption-attachment-21729" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21729" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1.jpg" alt="Cena do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. À frente, vemos Chihiro, uma garota asiática, pele branca, bochechas rosadas e cabelo castanho preso em um rabo de cavalo. Ela usa uma camisa branca e verde, um short vermelho e tênis amarelos. Ela está sorrindo eufórica, correndo em cima de uma ponte de madeira, enquanto uma multidão acalorada atrás dela se despede e comemora. Todos estão em um grande prédio de arquitetura japonesa, pintado de vermelho e branco, com os tetos esverdeados. A cena se passa de dia." width="1920" height="1038" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-1-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21729" class="wp-caption-text">Chihiro atesta: ainda vale a pena ser criança (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as jornadas monumentais, épicas e maiores que a vida de </span><a href="http://personaunesp.com.br/20-anos-mononoke-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Princesa Mononoke</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/io-castelo-animadoi"><i><span style="font-weight: 400;">O Castelo Animado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">e as histórias mais comedidas, intimistas e descaradamente infantis de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-tumulo-dos-vagalumes-totoro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Vizinho Totoro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://valkirias.com.br/o-servico-de-entregas-da-kiki/"><i><span style="font-weight: 400;">O Serviço de Entregas da Kiki</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://valkirias.com.br/simbologia-e-identidade-em-a-viagem-de-chihiro/"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a amálgama perfeita dessas duas facetas de Hayao Miyazaki. Não que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mononoke</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha retratos de serenidade e um forte prisma emocional, nem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Kiki</span></i><span style="font-weight: 400;"> não disponha de cenas grandiosas e homéricas – o diretor costuma trabalhar em uma zona cinzenta que uma categorização meramente dualista não seria capaz de cobrir –, porém, olhando para trás 20 anos depois, é indiscutível que, nesse título, essas potências, provenientes do gênero de realismo mágico, encontram seu equilíbrio definitivo, a partir de uma narrativa sensível e tocante sobre os infortúnios de crescer e se tornar adulto, rompendo barreiras culturais e de linguagem como nenhuma outra mídia fez antes.</span></p>
<p><span id="more-21728"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de algumas obras isoladas explorarem as convenções estéticas dos </span><i><span style="font-weight: 400;">animes</span></i><span style="font-weight: 400;"> em técnicas de animação digitais, como os </span><a href="https://www.omegascopio.com.br/artigos/o-filme-que-acabou-com-a-square-pictures/"><span style="font-weight: 400;">filmes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Final Fantasy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dos anos 2000 e o mais recente lançado longa de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-lupin-iii-o-primeiro/"><i><span style="font-weight: 400;">Lupin III: O Primeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é fato que o mercado de animações do Japão mantém-se bastante fiel às técnicas tradicionais do </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;">, diferente do mercado cinematográfico do Ocidente, que se converteram inteiramente para a computação gráfica. Visto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Ghibli</span></i> <span style="font-weight: 400;">em 2001,</span> <span style="font-weight: 400;">nasceu exatamente nesse período de transição para as animações ocidentais, em que os desenhos à mão eram gradualmente substituídos pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nesse contexto, faz sentido que o longa mais aclamado de Hayao Miyazaki seja não apenas o </span><a href="https://www.omelete.com.br/anime-manga/bento-animes-concorreram-ao-oscar"><span style="font-weight: 400;">único </span><i><span style="font-weight: 400;">anime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas também a única animação </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> da história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> a ganhar o prêmio de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u31572.shtml"><span style="font-weight: 400;">Melhor Animação</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21730" aria-describedby="caption-attachment-21730" style="width: 2010px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21730" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa de dia. No centro, vemos Chihiro, uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, vestindo um kimono vermelho. Ela se esgueira entre um grande jardim de flores brancas e vermelhas, e seu semblante é confuso." width="2010" height="1086" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2.jpg 2010w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-2-2-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21730" class="wp-caption-text">Imagem de um dos trechos do filme que utilizam essa técnica de mesclagem, quando Chihiro segue Haku por um jardim florido (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa condição transicional também se manifesta nas </span><a href="https://blog.saga.art.br/saiba-como-funcionam-as-tecnicas-de-animacao/"><span style="font-weight: 400;">técnicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizadas para a produção do filme. Sim, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro </span></i><span style="font-weight: 400;">é predominantemente animado através de desenhos à mão, mas pontualmente também se mescla essa prática com o </span><a href="https://pt.mod-fashions.com/why-disney-doesnt-make-2d-animated-movies-any-more"><span style="font-weight: 400;">uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, semelhante ao que fazia a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ENenh-wsPA0"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com seus filmes do Renascimento nos anos 90, principalmente em planos de movimento. Essa técnica, que hoje caiu em desuso e até pode causar certo estranhamento para públicos mais novos, traz um ar nostálgico e refrescante que, para os votantes que já estavam acostumados a seu uso nas animações ocidentais, pode ter influenciado o seu bom rendimento nas premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do método inventivo de animação, os aspectos técnicos do filme imediatamente saltam aos olhos. A direção de arte foi claramente conduzida com maestria; a paleta de cores utilizada é colorida e saturada, traduzindo precisamente a diversidade daquele universo e das criaturas que a compõem; a estética estapafúrdia e surrealista do </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de personagens é cheia de identidade e coloca o design fotorrealista e sem personalidade dos filmes da década de 2010 da </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Animation Studios</span></i> <span style="font-weight: 400;">no chinelo; e a </span><a href="https://open.spotify.com/album/766a5fKJYFy9ii4Kz2bQy9?si=Tn6KUm1YQ8GGOCz9uAFkzw&amp;dl_branch=1"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> composta por </span><a href="https://www.eurogamer.pt/articles/2018-02-14-ni-no-kuni-2-destaca-a-banda-sonora-de-joe-hisaishi"><span style="font-weight: 400;">Joe Hisaishi</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.openculture.com/2021/02/a-glorious-concert-celebrating-the-films-of-hayao-miyazaki-arranged-by-film-composer-joe-hisaishi.html"><span style="font-weight: 400;">parceiro de longa data</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Miyazaki, é simples e funcional, comunicando através do minimalismo com arranjos facilmente reconhecíveis tanto para uma audiência nostálgica quanto para novos públicos.</span></p>
<figure id="attachment_21731" aria-describedby="caption-attachment-21731" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21731" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa dentro de um quarto luxuoso, com um longo tapete vermelho no chão, poltronas elegantes, um grande vaso de pintura estilizada e sofisticada e ao fundo duas grandes janelas fechadas, que revelam o céu azulado do lado de fora. Ao centro, está Zeniba, uma mulher idosa, de torso curto e cabeça desproporcionalmente grande. Seu rosto é completamente enrugado, ela usa uma sombra roxa em suas pálpebras e seu cabelo longo e branco preso em um coque. Ela é ligeiramente transparente, podendo ser visto parte do fundo através dela, usa brincos de pérola dourados nas orelhas e veste um vestido azul. Sua mão direita, marcada pelas longas unhas vermelhas, está erguida, e ela olha pro chão, em direção a Chihiro: uma garota de pele branca e cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo. Ela veste um kimono vermelho e está de costas para a câmera, sem que possamos ver seu rosto. Ela está agachada em frente à Haku, um dragão asiático branco com uma crina esverdeada que se estende por todo o seu corpo. Ele está com os olhos fechados, inconsciente, sangrando e claramente machucado. Ao lado dele, estão três cabeças avulsas, de pele verde e uma longa barba preta. As três estão de perfil, com um olhar assustado; e acima dele vemos um pequeno pássaro peculiar: seu corpo é de um corvo, com uma penugem escura, e sua cabeça é a de uma mulher idosa, cujo cabelo escuro é preso em um coque. O pássaro também olha para Zeniba, espantado. Além deles, do outro lado de Zeniba, está Bah, um bebê gigante, de pele branca, usando um avental vermelho. Ele está de perfil, com a cabeça virada para Zeniba, sem que possamos enxergar seu rosto.]" width="1280" height="694" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-3-2-1200x651.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21731" class="wp-caption-text">Das irmãs Yubaba e Zeniba e a forma de dragão esbelta de Haku ao bebê Bah e as cabeças verdes, o design de A Viagem de Chihiro é criativo, inusitado e explora diferentes proporções e medidas para cada personagem (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> abre com a visão de um cartão, que acompanha um lindo buquê de flores rosadas. Nele, está escrito </span><i><span style="font-weight: 400;">“Boa sorte, Chihiro! Nos encontraremos novamente!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas são flores de despedida, que a garota que segura o buquê, Chihiro, ganhou de seus amigos ao descobrirem que ela mudaria de cidade. Nesse momento, a acompanhamos no caminho de sua nova casa: deitada no banco de trás do carro lotado de malas, deprimida, enquanto seus pais conversam no banco da frente, tentando animá-la. Então as flores rosadas do buquê que Chihiro abraçava melancolicamente morrem, levando ao desespero da menina. Ela até tenta recorrer aos pais, mas eles não lhe dão atenção. Nesses poucos segundos já recebemos informações o suficiente sobre o entorno da trama. Chihiro está chateada por ter que se mudar e deixar seus amigos, enquanto seus pais, mesmo que se esforcem, não a entendem e ignoram seus anseios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No caminho para a casa nova, a família se perde e acaba em frente a um longo túnel. Desde a chegada deles, Chihiro fica apreensiva e se atenta a aspectos estranhos do local, desde as estátuas excêntricas espalhadas pela entrada até o vento que se comporta bizarramente, que seus pais não percebem. A garota tenta avisá-los mais uma vez, que novamente desdenham de seu comportamento. Passando pelo túnel, eles descobrem um parque abandonado e, a despeito do incômodo da filha, começam a adentrar no lugar, deparando-se com um restaurante vazio que servia um grande banquete. Os pais, sem pensar duas vezes, se servem da comida, que Chihiro nega veementemente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por consequência, não demora muito para que suas preocupações se concretizem e o local se revele uma casa de banho para espíritos gerida por uma bruxa autoritária chamada Yubaba, onde humanas como ela não são bem-vindas. Além disso, seus pais, que agiam de forma descuidada, são capturados e transformados em porcos. Sendo assim, Chihiro, agora presa nesse universo fantástico e hostil, é forçada a trabalhar para o estabelecimento por sua própria sobrevivência, enquanto busca salvar seus pais e retornar ao mundo dos humanos. Na jornada, ela cresce e amadurece, contando com a ajuda de novas amizades construídas pelo caminho.</span></p>
<figure id="attachment_21732" aria-describedby="caption-attachment-21732" style="width: 1693px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21732" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa de dia. Ocupando quase toda a imagem, está Chihiro, uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo. Ela veste uma camisa branca e verde, um short vermelho e tênis amarelos. Ela está deitada no banco de trás de um carro, que está abarrotado de malas e sacolas, com os pés apoiados em uma grande caixa de papelão. A menina olha para o lado, triste e melancólica, enquanto segura com as duas mãos um buquê de flores rosadas, pressionando-as contra seu peito." width="1693" height="915" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1.jpg 1693w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-4-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21732" class="wp-caption-text">Chihiro no início do filme, melancólica, junta ao buquê de flores rosadas que prenunciava o início de sua longa viagem (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa sinopse, é fácil relacionar </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o clássico da literatura infantil </span><a href="https://darkside.blog.br/alice-liddell-conheca-a-verdadeira-alice-no-pais-das-maravilhas/"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo matemático inglês Charles Lutwidge Dodgson no século XIX, e que mais tarde seria </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-alice-no-pais-das-maravilhas-1951/"><span style="font-weight: 400;">adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos estúdios de Walt Disney. Ambos contam histórias sobre garotas na fase inicial da puberdade que acabam caindo em um mundo fantasioso e surreal, lidando com figuras singulares e curiosas, e ambos são atravessados por discussões sobre amadurecimento e a transição da infância para a vida adulta. Esse ponto não será muito abordado aqui – um </span><a href="http://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">texto anteriormente publicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Persona faz esse paralelo com muito mais aprofundamento –, porém o que cabe ser dito é que, entre as duas obras, há uma diferença notória de tom. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que, assistindo a adaptação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma ótica bem mais moralista, retratando uma Alice curiosa e imprudente que, ao ignorar os avisos da mãe, se coloca em perigo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende as complexas nuances presentes nas relações entre pais e filhos. No segundo caso, os responsáveis pelas atitudes irresponsáveis e levianas que os levam para esse novo mundo supostamente quimérico são os próprios pais, enquanto Chihiro tem pouquíssima agência sobre suas ações e é levada para lá contra sua vontade. Ademais, enquanto Dodgson decide explicitar que a experiência de Alice não passou de um sonho, Miyazaki deixa essa questão dúbia e abre à interpretação do público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas e outras diferenças, na realidade, advém principalmente de um atrito histórico, territorial e cultural fortíssimo entre o Ocidente e o Oriente. Para todos os efeitos, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é totalmente imerso na cosmovisão japonesa, desde a construção de diálogos e a linguagem de câmera até a direção de arte e o </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é impressionante como uma obra localizada fora da nossa realidade como Ocidente e com sensibilidades totalmente distintas das nossas consegue nos tocar de formas tão intensas. Nesse enfoque, uma das convenções culturais e estéticas que </span><a href="https://coisasdojapao.com/2018/12/ma-uma-reflexao-japonesa-sobre-a-quarta-dimensao-cdj/"><span style="font-weight: 400;">Miyazaki mais explora</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas obras, e que nesse filme ganha um destaque particular, é o conceito filosófico e artístico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21733" aria-describedby="caption-attachment-21733" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21733" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3.jpg" alt=" Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa em uma sala fechada, com as paredes cheias de coloridas pinturas tradicionais japonesas. A sala está abarrotada de pratos de comida e tigelas, distribuídas caótica e desorganizadamente pelo chão. De um lado da sala está Chihiro, uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo. Ela está de perfil, veste um kimono vermelho e se ajoelha em posição Seiza, com as nádegas apoiadas nos calcanhares, de frente à figura de uma criatura gigantesca, o Sem Rosto. Seu corpo é inteiro da cor preta, seu torso é todo corpulento, se estendendo até o seu pescoço que gradativamente se afina até a cabeça. No lugar de seu rosto, está uma máscara branca de semblante apático, e a criatura fica se sustenta em quatro patas, as pernas longas e esguias. Ela se curva para a garota, encarando-a diretamente.]" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21733" class="wp-caption-text">Se no início da trama Chihiro mal conseguia descer uma escada, no final ela trava desafios descomunais e literalmente monstruosos (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.japanhousesp.com.br/artigo/conceitos-japoneses-ma-com-michiko-okano/"><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (間) é uma palavra japonesa cujo significado pode ser traduzido como ‘entre-espaço’, ‘espaço intermediário’ ou ‘intervalo’. É um conceito filosófico difundido na cultura japonesa, que influencia a sua forma coletiva de enxergar o mundo e está presente em todas as suas manifestações culturais desde a antiguidade, das artes plásticas e visuais até a arquitetura, Música e Cinema. Michiko Okano, professora da Universidade Federal de São Paulo, explica em seu artigo </span><a href="https://www.revistas.usp.br/revusp/article/download/76178/79922/103972"><i><span style="font-weight: 400;">Ma – a estética do “entre”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como é difícil para a sociedade Ocidental, alicerçada em concepções filosóficas como o Dualismo Platônico ou o princípio aristotélico de ‘ser ou não ser’, compreender a dinâmica abstrata, intangível e até contraditória do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i><span style="font-weight: 400;">, que nega a lógica racional e bipolar do Ocidente e abre caminho para uma terceira via de compreensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma </span></i><span style="font-weight: 400;">se apresenta nesse </span><a href="https://www.archdaily.com.br/br/912901/o-conceito-ma-para-arata-isozaki-um-modo-de-ver-o-mundo"><span style="font-weight: 400;">meio termo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que ele não é nem um, nem outro, contudo pode ser os dois ao mesmo tempo; um ‘não-lugar’, à medida que representa um </span><a href="https://entretempos.blogfolha.uol.com.br/2020/04/22/tempo-pausa-silencio-o-ma-%E9%96%93-como-uma-potencia-do-vazio/"><span style="font-weight: 400;">momento de pausa</span></a><span style="font-weight: 400;">, de transição e de intervalo, porém que não se caracteriza pelo mero vazio ou falta de significado, e sim pelo potencial de significado que se manifesta dele. </span><a href="https://peachnojapao.com/devaneios/%E9%96%93-ma-o-kanji-que-me-faz-valorizar-as-pausas-e-os-vazios/"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de manifestação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cultura japonesa é o longo caminho de entrada de um santuário xintoísta, que pode ser visto como dispensável em uma leitura superficial, mas que tem a função de preparar espiritualmente o visitante para adentrar no espaço sagrado, deixando as questões mundanas no caminho e imergindo na experiência que logo virá.</span></p>
<figure id="attachment_21734" aria-describedby="caption-attachment-21734" style="width: 2559px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21734" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6.jpg" alt="Pintura tradicional japonesa, feita em um papel bege, com uma moldura marrom. Quase toda a pintura encontra-se vazia, exceto pelos desenhos isolados de pinheiros no centro e no canto direito da imagem, feitos de tinta preta. Os pinheiros apresentam-se em tonalidades diferentes, para denotar profundidade." width="2559" height="1198" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6.jpg 2559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-800x375.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-1024x479.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-768x360.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-1536x719.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-2048x959.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-6-1200x562.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21734" class="wp-caption-text">Shôrin-zu Byôbu (Biombo das Árvores de Pinheiro), de Tôhaku Hasegawa: pintura considerada patrimônio nacional do Japão e uma das principais referências do emprego do Ma nas artes visuais, feita no final do século XVI; aqui os papéis se invertem, os espaços vazios, que se traduzem como a neblina, constroem a maior parte da paisagem, enquanto os pinheiros somente a emolduram, dando uma sensação de ambivalência [Foto: Reprodução]</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O Ma, enquanto possibilidade, associa-se ao “vazio”, que, distinto de uma concepção ocidental cujo significado é o nada, é visto como algo do nível da potencialidade, que tudo pode conter, e, portanto, da possibilidade de geração do novo. É, por conseguinte, o vazio da disponibilidade de nascimento de algo novo e não da ausência e da morte.” </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">– Michiko Okano</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Visto isso, a presença do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é marcante e influencia </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kyp3YV2t0gQ"><span style="font-weight: 400;">diversos aspectos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra. Diferente das animações ocidentais, que costumam apresentar um ritmo mais acelerado e de constante frenesi e urgência, visando fisgar a insólita atenção dos pequenos, </span><a href="https://movierdo.com/hayao-miyazaki-the-master-of-ma/"><span style="font-weight: 400;">Miyazaki</span></a><span style="font-weight: 400;"> aqui valoriza planos longos, cenas contemplativas e instantes que não necessariamente avançam a narrativa, mas que ajudam a dar senso de espaço e tempo para cada cenário, fortalecendo as conexões entre os personagens e entre o público. Além disso, esses momentos singelos, assim como o caminho para um santuário xintoísta, também são preenchidos por nossos próprios pensamentos como espectadores, dando espaço para que possamos absorver e assimilar o universo e os eventos da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio Miyazaki, </span><a href="https://www.rogerebert.com/interviews/hayao-miyazaki-interview"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o cineasta Roger Ebert em 2002, comenta como essa estratégia de entulhar filmes infantis, muito presentes em produções </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode também ser auto sabotadora: </span><i><span style="font-weight: 400;">“As pessoas que fazem filmes têm medo do silêncio, [&#8230;] ficam preocupadas que o público fique com tédio, que saiam da sala de cinema para buscar mais pipoca. Mas só porque o filme é 80 por cento intenso, não significa que as crianças vão te abençoar com sua concentração. O que realmente importa são as emoções subjacentes – nunca as deixe para trás.”</span></i></p>
<figure id="attachment_21735" aria-describedby="caption-attachment-21735" style="width: 1171px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21735" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-7.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro. A visão que temos é a da parte interna de um trem: o banco avermelhado que se estende por todo o vagão e as janelas que revelam o céu azulado do lado de fora. Ao centro, sentados no banco, estão Chihiro, uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, vestindo uma camiseta branca e verde, um short vermelho e tênis amarelos; e Sem Rosto, uma criatura inteira preta, com uma máscara branca no lugar do rosto, que é ligeiramente transparente, podendo se ver parte do fundo através dele. Eles olham para frente, com o semblante reflexivo. Ao lado deles, pode-se ver sentadas algumas figuras misteriosas, usando ternos e chapéus pretos que cobrem totalmente seus rostos. Elas, assim como Sem Rosto, também são ligeiramente transparentes, podendo se ver parte do fundo através delas. Além deles, vemos, apoiados na janela, um ratinho rosa e um mosquito preto, que observam a paisagem pelo vidro.]" width="1171" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-7.jpg 1171w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-7-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-7-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21735" class="wp-caption-text">Chihiro e Sem Rosto viajando de trem: uma das cenas mais memoráveis e icônicas do Cinema de Animação, e a síntese definitiva do Ma na obra de Miyazaki, da linguagem à construção de mundo (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro </span></i><span style="font-weight: 400;">está recheado desses retratos. Cenas em que Chihiro está comendo com Lin enquanto observa o luar, em que ela faz uma viagem de trem com Sem Rosto, observando silenciosamente os passageiros fantasmas gradativamente irem embora até que eles fiquem completamente sós, ou em que ela simplesmente precisa superar o desafio de descer uma longa escada, que no fim demonstra não ser tão difícil assim. O que não significa que não são retratadas situações de ação intensa e movimentação frenética, e sim que esses são equilibrados por momentos de calmaria e respiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ma</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se expressa apenas em ambientação ou linguagem, mas também na construção de mundo e na mitologia do filme. Por exemplo, como quando Chihiro passa muito tempo dentro da cidade mágica sem consumir nada de lá, ela começa a gradualmente desaparecer, posicionando-se na limiar entre a existência e a não-existência: um intervalo entre as duas condições, um não-lugar, em que mesmo que ainda possa ser vista, ela perde sua tangibilidade; ou como, não importa o quanto ela se esforce e queira, Chihiro nunca de fato consegue se encaixar na rígida linha de produção que é exigida por Yubaba na casa de banho, ainda que tenha capacidade para tal.</span></p>
<figure id="attachment_21736" aria-describedby="caption-attachment-21736" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8.jpg" alt=" Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa de noite. Vemos Chihiro: uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, vestindo uma camisa branca e verde. A menina está ligeiramente transparente, como se estivesse gradualmente sumindo, e é possível ver parte do fundo através dela. Ela está claramente assustada e totalmente retraída, as mãos coladas uma na outra, as pernas dobradas, e o seu olhar é de completo medo. Ao lado dela, tentando consolá-la, com seus braços a envolvendo, está Haku: um homem asiático, de pele clara e cabelos pretos que formam uma franja em sua testa e se alongam até os ombros nas laterais. Ele usa um kimono azul e olha para a garota, seu semblante calmo e preocupado.]" width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-8-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21736" class="wp-caption-text">Cena em que Chihiro começa a desaparecer e Haku vai socorrê-la: o ‘não-lugar’ (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A propósito, a jornada emocional de Chihiro é um dos elementos mais impactantes de sua viagem. O </span><a href="https://cinemacao.com/2018/02/18/a-viagem-de-chihiro-a-profundidade-na-narrativa-de-hayo-miyazaki/"><span style="font-weight: 400;">arco da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem como ponto central a busca por identidade, que se personifica no conflito com o nome. Assim que é contratada por Yubaba, Chihiro tem seu nome roubado e substituído por Sen. Haku explica que a bruxa governa seus funcionários roubando seus nomes e, consequentemente, suas autonomias e livre-arbítrio, e que a chave para que a garota consiga encontrar seu caminho para casa é que ela nunca esqueça de seu nome, ou seja, de quem ela é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa questão traduz muito bem a temática de amadurecimento onde o filme circula e os comentários que ele faz a respeito. </span><a href="https://www.chimichangas.com.br/animes/a-viagem-de-chihiro-os-simbolismos-por-tras-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da casa de banho representam signos da vida adulta: a ganância e materialismo do Sem Rosto, a obsessão com trabalho de Kamaji, o autoritarismo da própria Yubaba; todas condições que consomem esses personagens e que os privam pouco a pouco de sua humanidade. Personagens como Sem Rosto só desabrocham e se encontram quando se afastam desse ambiente opressivo, e é curioso perceber como Chihiro só consegue sobreviver naquele cenário terrivelmente adulto exatamente porque, conforme ganha confiança e amadurece, ela se mantém fiel às suas convicções e conserva sua essência infantil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns aspectos, a filmografia de Hayao Miyazaki remete às abordagens com obras infantis de </span><a href="http://coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2017/8-2.pdf"><span style="font-weight: 400;">Dr. Seuss</span></a><span style="font-weight: 400;">, no sentido de incluir fortes </span><a href="https://ichi.pro/pt/lembra-do-lorax-conservadores-queriam-cancelar-dr-seuss-por-causa-disso-178205057615518"><span style="font-weight: 400;">posicionamentos políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas suas histórias, trazendo morais que perpassam por pautas como ambientalismo, consumismo e capitalismo, e não é diferente com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;">. Da sequência com o espírito do rio poluído, que vai à casa de banho e todos recusam-se em repulsa a atendê-lo, exceto por Chihiro, a única que não o subestima ou o julga pela imagem, até todo o arco dramático do Sem Rosto, mergulhado na ganância, avareza e consumismo, que é desarmado pela ingenuidade da protagonista e posteriormente encontra seu lugar como ajudante de Zeniba, irmã gêmea de Yubaba. A mensagem pode vir mais sutilmente ou de forma mais literal e expositiva – a justificativa para Haku ter sobrevivido no incidente do 2º ato é literalmente ‘o poder do amor’ –, mas sempre acessível e claramente entendível para qualquer criança e espectador atento.</span></p>
<figure id="attachment_21737" aria-describedby="caption-attachment-21737" style="width: 1163px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-9.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena mostra Chihiro: uma garota asiática, de pele branca, bochechas rosadas e cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, vestindo um kimono vermelho. Ela aparece de perfil enquanto segura, claramente preocupada, a cabeça de Haku: um dragão asiático branco com crinas verdes e dois chifres na cabeça. Sua boca está sangrando, seu corpo está cheio de machucados, e ele está evidentemente bravo e irritado, mostrando seus dentes afiados.]" width="1163" height="753" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-9.jpg 1163w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-9-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-9-1024x663.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-9-768x497.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21737" class="wp-caption-text">Chihiro é capaz de demonstrar amor e gratidão genuínos mesmo para aqueles que se prostram hostil e agressivamente a princípio (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas onde o filme realmente brilha é em seus retratos de amizades e relações interpessoais, que Chihiro cultiva por toda a trajetória. Cada personagem carrega uma personalidade única, e Chihiro se conecta com cada um deles de formas distintas e particulares, criando desde novos vínculos com figuras inusitadas que em outras histórias se configurariam como vilões, como com o bebê Bah, filho de Yubaba, e com Sem Rosto, antes hostil porém pouco a pouco demonstrando-se capaz de receber e dar amor, até reencontrando e fortalecendo vínculos antigos, como ocorre com Haku. Suas interações são norteadas com sensibilidade e verossimilhança, como com Kamaji, que a princípio é ranzinza mas por fim passa a ser uma figura paterna para a menina, e com Lin, sua tutora na casa de banho, que cria com ela uma relação forte de companheirismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos momentos finais de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando a garota finalmente encontra o caminho para casa e se liberta de Yubaba, Haku, enquanto a guia para fora, lhe diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não olhe para trás, não até passar pelo túnel</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E é isso que a menina faz. Vai correndo de encontro aos pais, revisita o percurso que a trouxe à casa de banho, percorre o túnel, e a última cena mostra Chihiro, já de frente ao carro, olhando para trás, em silêncio. O intervalo é longo e, enquanto ela reflete sobre sua viagem, nós refletimos junto com ela. Em uma sociedade calcada em opressão, exploração e capital, ser criança é subversão e resistência. Então que, assim como Chihiro, nós possamos trilhar nossas viagens intrépidos e seguros de nós, sem que nunca esqueçamos quem somos, de onde viemos, e o que nos trouxe até aqui em primeiro lugar. Nessa loucura de crescer, que continuemos crianças.</span></p>
<figure id="attachment_21738" aria-describedby="caption-attachment-21738" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10.jpg" alt="Imagem do filme de animação “A Viagem de Chihiro”. A cena se passa de dia. Vemos Chihiro, uma garota asiática, de pele clara, com cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo. A câmera está posicionada atrás dela, de forma que não podemos ver o seu rosto. Ela olha para frente, encarando o cenário de um túnel, envolvido por uma longa vegetação verde e diversificada. Dentro do túnel é escuro, de forma que não é possível enxergar o que há além da entrada." width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-10-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21738" class="wp-caption-text">O que a gente encontra além do fim do túnel? (Foto: Studio Ghibli)</figcaption></figure>
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		<title>Sem Carnaval, Bloco do Eu Sozinho completa 20 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2021 20:40:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Como continuar a carreira após um hit? Como produzir o segundo álbum quando o   primeiro conta com a música que estourou nas rádios e marcou toda a trajetória da discografia? Era nesse embate que os Los Hermanos se encontravam após seu disco de estreia ter emplacado Anna Júlia, a famigerada fim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bloco-do-eu-sozinho-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem Carnaval, Bloco do Eu Sozinho completa 20 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21511" aria-describedby="caption-attachment-21511" style="width: 1001px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21511 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1.jpg" alt="Capa do disco Bloco do Eu Sozinho. Há uma borda cinza. Dentro do borda o fundo é ocre, como folha de papel reciclado. Na parte superior lê-se LOS HERMANOS em azul. No centro há o desenho de um boneco. Os cabelo, os olhos e a camiseta são verdes, a calça é azul escuro, os sapatos são violetas e há uma sombra azul clara. À esquerda lê-se em preto BLOCO SOZINHO. À esquerda lê-se em preto DO EU." width="1001" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-800x798.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-1-768x766.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21511" class="wp-caption-text">É com o amor e a alegria, de quem tem o coração como guia, que este bloco se anuncia (Foto: Zoy Anastassakis e Ludmila Ayres)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como continuar a carreira após um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">? Como produzir o segundo álbum quando o   primeiro conta com a música que estourou nas rádios e marcou toda a trajetória da discografia? Era nesse embate que os Los Hermanos se encontravam após seu disco de estreia ter emplacado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=umMIcZODm2k"><i><span style="font-weight: 400;">Anna Júlia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a famigerada fim de festa que tirou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, até hoje, é responsável por registros em cartório (vide a pessoa que vos escreve).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em meio às brigas da banda, confusão com a gravadora e uma aliança fiel com fãs que, em 2001, nasce </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra71058/bloco-do-eu-sozinho"><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reforçando ainda mais a parceria musical entre Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, e marcando toda a escola de </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> unida ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo construída pelos cariocas. Quebrando os próprios padrões, um dos discos mais importantes da música nacional alternativa foi criado e dita até hoje o rumo do gênero, servindo como fonte, direta ou indiretamente, dos trabalhos nacionais que o sucedem. </span></p>
<p><span id="more-21510"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no começo de </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/05/08/los-hermanos-foo-fighters-maracana/"><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> se faz presente e memorável, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> a banda aposta na poesia com um leve toque de samba. Mesmo sem abandonar as guitarras e bateria, o álbum se desprende daquilo que havia sido proposto no anterior, não forçando a repetição da fórmula mágica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> que os levaram para as paradas nacionais e para os principais programas de TV. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Los Hermanos - Retrato Para Iaiá (Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wnfeeq6k4c8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Solidão, términos conturbados, paixões, indiretas, são esses os cordões que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue. Os sentimentos, tratados de maneira menos mercadológica, passam a sensação de liberdade em amplos aspectos. Se, em </span><a href="http://lounge.obviousmag.org/ha_algo_de_novo_no_front/2015/02/1-disco-do-los-hermanos-foi-o-ultimo-classico-nacional-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">1999</span></a><span style="font-weight: 400;">, a primavera se foi levando o amor, em 2001 somos tomados pelas cicatrizes e traumas desse fim. As canções crescem conforme o álbum avança, e a melancolia envolvida aos sons do baixo se mantém do início ao fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os instrumentos de </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/noticia/2019/07/bruno-medina-da-banda-los-hermanos-estreia-como-ator-na-globo.html"><span style="font-weight: 400;">Bruno Medina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Rodrigo Barba tem sua incontestável importância dentro da produção. Não é qualquer um que faz o trabalho de Barba, que tocou o samba miudinho na bateria. Mas, são Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante que constroem toda a imensidão do disco. Juntos, a dupla divide as composições, guitarras e os vocais, que são a peça-chave do diferencial irresistível de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o desalento misturado ao amargo sabor da saudade e traduzida nos exatos arranjos que nos aproxima das lembranças de Los Hermanos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sentimental</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a canção que melhor explica a tese. Marcada como um dos momentos mais tensos do álbum, a letra quase biográfica nos invade a cada belo verso melodramático e cresce exponencialmente até chegar em seu refrão, que é o grito dos sofridos e apaixonados. É na pergunta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HTU4nUQm_oA"><i><span style="font-weight: 400;">“Quem é mais sentimental que eu?”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que fãs e artistas se misturam em um ser só. É a exatidão da música explicando aquilo que não temos palavras para definir.</span></p>
<figure id="attachment_21513" aria-describedby="caption-attachment-21513" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21513 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2.jpg" alt="Foto retangular da banda Los Hermanos. À direita está Rodrigo Amarante. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta verde. Do seu lado direito está Marcelo Camelo. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta amarela. Do seu lado direito está Rodrigo Barba. Um homem branco de cabelos, barba e bigode pretos. Ele veste uma camiseta preta. E a sua direita está Bruno Medina. Um homem branco de cabelos, barba e bigode castanhos. Ele veste uma camiseta listrada de verde e branco. O fundo da imagem é bege." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagens-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21513" class="wp-caption-text">Eu só aceito a condição de ter você só pra mim (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A gritante ruptura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa logo em sua primeira faixa. Quem esperava por uma música seguindo todos os padrões do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> e  intitulada com nome feminino foi surpreendido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo Carnaval Tem Seu Fim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nela, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/02/como-surgiram-os-blocos-de-carnaval"><span style="font-weight: 400;">ritmo carnavalesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mesclam para formar uma das melhores canções da banda. Ela chega com os dois pés na porta mostrando para que o álbum veio ao mundo, encerrando toda a produção do disco de 1999 e declarando que, a partir dela, os instrumentais serão mais completos, complementares e melódicos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todo Carnaval Tem Seu Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seguida por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Flor</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, carregada de beleza, traz uma sonoridade diferente, reiterando a dedicação e a destreza que a banda teve em construir o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os metais que abrem a música ajudam a composição da letra a explodir. O choque entre o coração de Marcelo Camelo e a razão de </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/tv/ilustrada/2016/09/1809786-rodrigo-amarante-musica-coracao-de-escobar-em-tema-de-narcos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Amarante</span></a><span style="font-weight: 400;"> reverbera em seus versos nada sutis, que contam a história de uma desilusão amorosa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após as duas canções deixarem suas digitais, quem ganha espaço é a absurda </span><a href="https://www.leiaja.com/cultura/2018/12/14/10-musica-para-entender-los-hermanos/"><i><span style="font-weight: 400;">Retrato Pra Iaiá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com sua simplicidade, ela é o primeiro respiro do álbum, trazendo uma melodia mais despojada, sem perder toda a beleza que é marca registrada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa tríade que abre o disco e prende o ouvinte de maneira intimista, dançando entre personalidades e fazendo brotar todos os questionamentos da dualidade entre presente e futuro.</span></p>
<figure id="attachment_21512" aria-describedby="caption-attachment-21512" style="width: 1484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21512 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3.jpg" alt="Imagem quadrada da contra capa de Bloco do Eu Sozinho. Há uma borda cinza. Dentro da borda a cor é ocre, assim como textura de papel reciclado. Na parte superior central lê-se em preto BLOCO DO EU SOZINHO. Abaixo lê-se em preto DISCO 1 E DISCO 2 e abaixo a discografia do disco. Lê-se em preto também a ficha técnica e os agradecimentos do álbum. " width="1484" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3.jpg 1484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-791x800.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-1013x1024.jpg 1013w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-768x776.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/los-imagem-3-1200x1213.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21512" class="wp-caption-text">Todo Carnaval Tem Seu Fim coloca, com destreza, um ponto final na era mercadológica de Los Hermanos (Foto: Zoy Anastassakis e Ludmila Ayres)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desamor também é decorrente do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YXgMAb72C4"><i><span style="font-weight: 400;">Assim Será</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Adeus Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> doem em lugares diferentes. A falsa superação de alguém que não consegue enganar a si próprio é um tapa na cara de quem se envolve na suave sonoridade das duas canções. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bmi6A1g-LMQ"><i><span style="font-weight: 400;">Tão Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz o mesmo tema de forma mais drástica. A mão pesa no instrumental e o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem veloz e furioso. Aos que já estavam se sentindo viúvos de um bom barulho dos Los Hermanos, a música, que destoa do resto do álbum, é encarada como um presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é na leveza que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encontra. A letra de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa Pré-Fabricada</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela toda a </span><a href="https://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade de Marcelo Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;">. De forma simples e direta, a guitarra serve apenas de adereço para a poesia da canção. Já no sambinha </span><i><span style="font-weight: 400;">Veja Bem Meu Bem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o eu-lírico conversa diretamente com o ouvinte. Somos descaradamente trocados pela saudade, que ganha seu desprazeroso espaço causando uma quebra inesperada na letra da canção, reafirmando que o disco é composto por versos ímpares.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Los Hermanos - Todo Carnaval tem seu fim (Video Clipe)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/GO2i5_XJ8NU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um álbum tão pessoal e de desagrado do mercado, o Los Hermanos não perde a oportunidade de criticar a indústria fonográfica. </span><a href="http://hbfotos.blogspot.com/2006/09/releitura-cad-teu-suin.html"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Teu Suin?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das mais sagazes da banda. Com uma letra rápida e recheada de jogo de palavras, a música pode soar estranha na primeira vez, mas ganha seu sentido quando conhecemos a história de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a primeira versão do disco </span><a href="https://www.musicontherun.net/2016/09/discos-para-historia-bloco-do-eu-sozinho-los-hermanos-2001.html"><span style="font-weight: 400;">rejeitada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Abril Music</span></i><span style="font-weight: 400;">, os Los acertam em criticar o andamento insano da gravadora, que prejudica a originalidade dos compositores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caras ainda fazem bonito e cantam alguns versos em francês (aposto um rim que essa foi ideia do Rodrigo Barba). Ok que o francês de Amarante beira a precariedade, mas a engraçada </span><i><span style="font-weight: 400;">Cher Antoine</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um alívio na porradaria emocional que o conjunto dessa obra representa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais uma Canção</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta lidar com todo o sentimentalismo de uma maneira mais sóbria. Os sopros quase esquecidos durante o álbum servem para acalmar a melodia dessa faixa, que conta a história de maneira literária e simbólica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender todo o </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/materias/los-hermanos-e-impossivel-ser-feliz-sozinho/"><span style="font-weight: 400;">dinamismo do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o porquê dele ter mudado o rumo da Música brasileira em 2001, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fingi na Hora de Rir</span></i><span style="font-weight: 400;"> basta. A música sintetiza o jogo instrumental em letras românticas &#8211; com intenso toque sombrio &#8211; que é proposto nesse trabalho de Los Hermanos. Com uma composição que facilmente se encaixaria num samba, os arranjos não lineares e com forte apoio no baixo resumem a transformação provocada por </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dito </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Los Hermanos - Fingi na hora de rir (Video Clip)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/dCpnAq5-eg8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O que hoje entendemos como </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo brasileiro &#8211; ou, até mesmo, como a </span><i><span style="font-weight: 400;">nova</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; deriva desse álbum carnavalesco melancólico, que completa seus vigésimo aniversário em um ano que não enchemos nosso corpo de </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> nem fomos para a rua, beijar e comprar quatro latas de cerveja por dez reais. É, mais uma vez, o destino gostando de ser poético com um povo sofrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos criaram </span><a href="http://miojoindie.com.br/cozinhando-discografias-los-hermanos/"><span style="font-weight: 400;">quatro álbuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintos, fugindo da sonoridade das </span><i><span style="font-weight: 400;">Primaveras</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Júlias</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cada trabalho da banda tem seus destaques com efeito de suas particularidades, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista seu espaço por ser um disco definitivo da carreira. Quem decidiu acompanhar os Los mesmo depois desse álbum, fugiu das mesmices do rádio e presenciou a supremacia das rimas amorosas que </span><a href="https://amazonasatual.com.br/los-hermanos-dava-voz-a-geracao-pos-ditadura/"><span style="font-weight: 400;">influenciaram toda uma geração</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloco do Eu Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda é responsável por abrir as portas para aquele que é o melhor disco da banda: </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/jukebox-sentimental-ventura-do-los-hermanos-mudou-o-rock-nacional"><i><span style="font-weight: 400;">Ventura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Bloco Do Eu Sozinho" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/002IhaQrqlVoyLhsTlzLd8?si=Rmd401TPQiOh5AciMut7uA&#038;utm_source=copy-link&#038;dl_branch=1"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Shrek: 20 anos de risadas e nostalgia</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2021 16:50:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Há duas décadas, o mundo foi contemplado com o lançamento de uma das animações que mais revolucionaram o Cinema: Shrek. Essa prestigiada obra-prima reuniu o que há de melhor sobre piadas de duplo sentido, referências icônicas, paródias e lições de vida sobre autoaceitação e felicidade. Dentre todas essas qualidades, que tal relembrarmos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shrek-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Shrek: 20 anos de risadas e nostalgia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21263" aria-describedby="caption-attachment-21263" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21263" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-1-Shrek.png" alt="Cena do primeiro filme da franquia de Shrek. A imagem mostra dois personagens principais da trama: Shrek e Burro. Eles estão em uma vila com casas medievais com ornamentos azuis. Ambos estão ao centro da imagem e estão boquiabertos (surpresos). Shrek é um ogro careca, barrigudo e verde. Ele está vestindo camisa de manga longa branca, calça marrom e sapatos pretos. Ao lado esquerdo de Shrek, Burro é um animal quadrúpide cinza que não veste nenhum acessório." width="650" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-21263" class="wp-caption-text">Shrek quebrou recordes e padrões: o filme ficou de 2004 a 2010 como a animação com maior número de bilheteria do planeta &#8211; lucrando cerca de 484 milhões de dólares de bilheteria bruta (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gomes Santana</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há duas décadas, o mundo foi contemplado com o lançamento de uma das animações que mais revolucionaram o Cinema: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RobmhhAuOHM"><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Essa prestigiada obra-prima reuniu o que há de melhor sobre piadas de duplo sentido, referências icônicas, paródias e lições de vida sobre autoaceitação e felicidade. Dentre todas essas qualidades, que tal relembrarmos com detalhes a grandeza desse gigante cinematográfico?</span></p>
<p><span id="more-21262"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não poderia começar de outro jeito esse texto, sem falar do forte vínculo entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4vKsBR0At6QDqTApovWDtw?si=72fb6c0ce2204393"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora chiclete</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desconheço uma viva alma que escute </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L_jWHffIx5E"><i><span style="font-weight: 400;">All Star</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da banda</span> <span style="font-weight: 400;">Smash Mouth, e não consiga relacionar instintivamente a canção do grupo americano ao </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/05/18/movies/shrek-20th-anniversary.html"><span style="font-weight: 400;">longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Eu mesmo quando era criança (não faz tanto tempo assim), me recordo que só fui associar o nome desta música e sua respectiva banda, em um momento de curiosidade epifânica, após ter assistido o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/news/shrek-20th-anniversary-soundtrack-1234955248/"><span style="font-weight: 400;">fontes envolvendo os bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escolha da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks </span></i><span style="font-weight: 400;">pela Smash Mouth aconteceu por conta dos dois primeiros versos do</span><i><span style="font-weight: 400;"> hit </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0mYBSayCsH0"><i><span style="font-weight: 400;">I’m A Believer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu pensava que o amor só acontecia em contos de fada, significativo para alguns mas não para mim”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pois bem, diversas bandas fizeram os testes de audiência de trilha, mas somente esses dois versos conquistaram o coração dos produtores. O curioso é que </span><i><span style="font-weight: 400;">All Star </span></i><span style="font-weight: 400;">fez ainda mais sucesso e se tornou trilha de abertura da animação, assim como a canção mais famosa da banda californiana.</span></p>
<figure id="attachment_21264" aria-describedby="caption-attachment-21264" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-2-Shrek.png" alt="A imagem simboliza a cena final de celebração do casamento de Shrek e Fiona no pântano. Burro está cantando em um microfone e usa óculos escuros. Ao fundo estão presentes os anões da Branca de Neve tocando instrumentos musicais." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21264" class="wp-caption-text">O Burro cantando I’m A Believer na voz de Eddie Murphy é algo estrondosamente cômico e irreverente, uma vez que o sucesso dessa cena levou o ator a repetir a dose no segundo o filme com a canção de Ricky Martin, Livin&#8217; La Vida Loca (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da fama proporcionada pela produtora de Steven Spielberg, se engana quem crê que </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">seja uma narrativa original da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar da  genialidade, seu roteiro é inspirado na obra homônima de William Steig. No livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">também foi desenvolvido para o público infantil, no entanto foi graças à perspicácia dos roteiristas,</span> <span style="font-weight: 400;">Terry Rossio e Joe Stillman, que a animação foi vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2002, na categoria de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/especiais/saga-shrek/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da premiação do </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brilhante direção de Andrew Adamson e Vicky Jenson desafiaram dois gigantes concorrentes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CGbgaHoapFM"><i><span style="font-weight: 400;">Monstros S.A</span></i><span style="font-weight: 400;">. (</span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nIJQOFSGKks&amp;list=PLZbXA4lyCtqpRLKcqMav6T2lgk42EreDH"><i><span style="font-weight: 400;">Jimmy Neutron</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;">, candidatos à primeira categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pqtpo7DE79o"><span style="font-weight: 400;">Animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">levou o título e ainda concorreu na categoria de Roteiro Adaptado. Mas seu sucesso</span> <span style="font-weight: 400;">não se reduz a tais feitos, estas são apenas as consequências do merecido reconhecimento desta animação </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> (método de gravação também utilizado em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">). As falas e a ousadia de criação dos produtores são a essência cativante desta relíquia animada.</span></p>
<figure id="attachment_21265" aria-describedby="caption-attachment-21265" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-3-Shrek.png" alt="Capa do livro Shrek, de William Steig, simboliza um ogro grande e verde. No retrato criado no livro, o protagonista utiliza uma camisa azul, faixa amarela na barriga, calça listrada vermelha e tem um cabelo laranja." width="400" height="532" /><figcaption id="caption-attachment-21265" class="wp-caption-text">Capa do livro Shrek!, de William Steig; como podemos perceber, a ilustração do querido ogro o tornou um pouco mais amigável e convidativo através do filme da DreamWorks (Foto: Farrar, Straus &amp; Giroud)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um primeiro momento, os diretores Adamson e Jenson teriam entrado em contato com o icônico Chris Farley para a interpretação vocal do protagonista. O comediante dublou quase todas as falas, cerca de 90% das cenas, porém </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sexo-drogas-morte-por-overdose-do-comediante-chris-farley.phtml"><span style="font-weight: 400;">veio a falecer</span></a><span style="font-weight: 400;"> antes que completasse o roteiro da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, as vozes de Shrek, Fiona, Burro e Lord Farquad</span> <span style="font-weight: 400;">se imortalizaram nas dublagens originais de Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e John Lithgow. Aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou ainda mais notoriedade devido sua dublagem em português, na qual a presença do querido </span><a href="https://globoplay.globo.com/meu-amigo-bussunda/t/8RLh7n5vY5/"><span style="font-weight: 400;">Bussunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> como intérprete do ogro verde é inesquecível!</span></p>
<figure id="attachment_21266" aria-describedby="caption-attachment-21266" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-4-Shrek.png" alt="A imagem exibe o ator e comediante Bussunda fazendo um gesto similar às orelhas do ogro Shrek. Bussunda é um homem gordo, branco e careca. Ele veste uma jaqueta jeans azul e está na frente do cartaz oficial do filme que mostra Shrek, Fiona e Burro fugindo do Dragão que cospe fogo." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-21266" class="wp-caption-text">Cláudio Besserman Viana, mais conhecido como Bussunda, ficou eternamente conhecido como dublador de Shrek: o jeito simpático e brincalhão do ator, já reconhecido nacionalmente por seus trabalhos na televisão com o Casseta &amp; Planeta tornou a dublagem ainda mais especial, com piadas e brasilidades singulares que só o Bussunda seria capaz de fazer (Foto: Gauchaz)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">é perfeito devido suas imperfeições. Apesar de ser uma frase contraditória, ela resume bem a tônica deste quase-conto de fadas. Digo “quase”, pois esta é uma trama não convencional, ainda que seu encerramento o seja. O enredo nos apresenta contradições nunca antes percebidas ou criticadas pela indústria de animações. Ele explora a temática contrastante entre aparência e essência, nos obrigando a refletir:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “como um ogro poderia ter chance com uma princesa?”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma época onde as redes sociais sequer sonhavam em existir, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/kung-fu-panda-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já estava bolando um plano para conscientizar seu público acerca de temas tão contemporâneos e urgentes. Até os espectadores menos atentos conseguiram perceber que o filme é recheado de mensagens subliminares, conceitos e lições morais (característica típica de qualquer conto de fadas). Se analisarmos os quatro personagens do núcleo principal, cada um deles simboliza os defeitos que comumente presenciamos nas relações humanas. </span></p>
<figure id="attachment_21267" aria-describedby="caption-attachment-21267" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-5-Shrek.png" alt="Cena do filme em que Shrek e Burro aparecem sentados na beira de um penhasco refletindo à luz do luar. Ambos estão sentados admirando a lua. Sherek está com sua roupa convencional: camisa longa branca, colete e calças marrons e sapatos pretos. Burro não veste roupa. Shrek está cabisbaixo." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21267" class="wp-caption-text">As pessoas me julgam antes de me conhecerem: momento de desabafo do personagem que se encontra esgotado por sofrer diversos preconceitos pelo fato de ser um ogro (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando por Shrek, nosso ogro favorito. De imediato somos apresentados por um ser carismático, que vive bem consigo mesmo, ainda que sua aparência seja considerada grotesca e ameaçadora pelos outros integrantes do reino. Apesar de ser constantemente hostilizado, sendo alvo de pré-julgamentos, nosso anti-herói demonstra resistência, fingindo não se deixar levar pelas críticas negativas daqueles que não o conhecem, quando internamente é visível o quanto estas questões o incomodam. O Burro por sua vez é uma figura que sofre pelo medo da rejeição. Sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RMj7RkjZMDc"><span style="font-weight: 400;">carência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e busca por aceitação são insaciáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passo que Fiona lida com questões de insegurança e abandono. Talvez o fato de ter sido trancafiada em uma torre, à espera de seu salvador, fez dela uma pessoa ansiosa e incapaz de ser honesta consigo mesma. Por fim, e menos importante, Lord Farquaad representa todos os vícios e defeitos de um ditador. Autocrata, vaidoso, demagogo, mentiroso e egoísta, Farquaad sonha em se tornar rei somente pelo título máximo de nobreza, que o legitimaria ainda mais suas práticas absolutas de poder. Qualquer </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/10/22/e-simples-assim-um-manda-e-o-outro-obedece-diz-pazuello-ao-lado-de-bolsonaro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">semelhança com a realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é mera coincidência.</span></p>
<figure id="attachment_21268" aria-describedby="caption-attachment-21268" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-6-Shrek.png" alt="Duas fotos divididas em uma mesma imagem. A foto à esquerda mostra John Lithgow, homem branco, calvo, com terno e gravata preta. Lithgow aparenta ter uns 60 anos de idade. À direita, temos o personagem Lord Farquaad com uma roupa típica de um lorde medieval. Farquaad é um homem branco, que veste traje vermelho com chapéu vermelho. Ele é baixinho, branco, tem olhos verdes e usa um cabelo chanel." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-21268" class="wp-caption-text">A escolha de John Lithgow para dublar Lord Farquaad foi feita devido ao perfil do ator, que é um homem alto, com timbre grave e imponente (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, podemos tirar proveito da maneira suave como </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">lida com pressões emocionais, sobretudo com questões relacionadas à </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">aceitação e pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de estar distante de uma análise acadêmica ou um manual de conduta escrito por </span><i><span style="font-weight: 400;">coachs </span></i><span style="font-weight: 400;">de auto-ajuda, a jornada deste anti-herói nos revela a beleza do convívio em suas mais diversas formas. A convivência é o grande dilema na vida de todos os personagens. Shrek aparentemente vive bem consigo mesmo, mas demonstra obstáculos de relacionamento. Burro e Fiona são incapazes de enfrentar a solidão e Farquaad se torna refém da validação mútua (ainda que forçada) de seus súditos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo conto de fadas, os protagonistas conseguem viver felizes para sempre, no entanto eles não deixam de apresentar problemas, muito menos se tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">“perfeitos para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O casal Shrek e Fiona é a prova disso. Ambos se complementam e constroem um vínculo recíproco de confiança, algo que os torna verdadeiros e livres para continuar apresentando falhas, mas sem deixar de lado a perseverança que o amor exige sem precisar cobrar. O trocadilho presente na última frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“e viveram feios para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz muito sobre o que podemos extrair como aprendizado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele nos questiona qual é o </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-simon-critica/"><span style="font-weight: 400;">modelo de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a indústria cultural tenta nos vender. Vai mais além e nos obriga a refletir se o amor perfeito realmente existe. Não à toa, seu enredo satiriza diversas obras </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso que exploram a temática de uma maneira assustadoramente clichê. Shrek não é nenhum príncipe encantado, branco, sensível e respeitado. Assim como Fiona igualmente não é uma donzela à espera de um robô sem defeitos. Apesar de tudo, eles conseguem construir a própria história de amor verdadeiro passando por cima de todos os julgamentos de seres que igualmente são imperfeitos.</span></p>
<figure id="attachment_21269" aria-describedby="caption-attachment-21269" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Imagem-7-Shrek.png" alt="Shrek e Burro em uma cena que ambos estão conversando ao redor de uma plantação de girassóis. Shrek está com uma cebola na mão." width="650" height="391" /><figcaption id="caption-attachment-21269" class="wp-caption-text">“Os ogros são como as cebolas Burro, eles têm camadas”: uma das principais metáforas trazidas pelo filme sob a perspectiva do quão distante somos aquilo que realmente aparentamos ser (Foto: DreamWorks)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por essas e outras razões, a paixão de Shrek e Fiona traz à tona ainda mais luz à insegurança de quem teme ser real. Há muito tempo, nós (humanidade) tememos ser transparentes e com isso, produzimos, vendemos e consumimos padrões de beleza, paixões e amor que são mentirosos. Nos moldamos pelo desejo, abrindo mão daquilo que nos torna realmente felizes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shrek </span></i><span style="font-weight: 400;">é antes de tudo uma obra revolucionária. 20 anos atrás, ele se tornou o ogro que ousou ter um final feliz e as pessoas não apenas entenderam o seu propósito como também o abraçaram: fazer piadas da vida como também fazer piadas do ideal que as pessoas criam sobre a vida.</span></p>
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		<title>Assistir Miss Simpatia é como viajar em um túnel do tempo para a Sessão da Tarde</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2021 22:14:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Beatriz Rodrigues Diferentemente de modelo, ser uma miss vai além de desfiles em passarelas e ensaios fotográficos. A miss é responsável por representar sua cidade, estado ou país em uma competição. Ela precisa ser carismática e possuir um talento que impressione os jurados, e, além disso, é necessário seguir os terríveis padrões de beleza &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/miss-simpatia-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Assistir Miss Simpatia é como viajar em um túnel do tempo para a Sessão da Tarde"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20952" aria-describedby="caption-attachment-20952" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20952" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem1.jpeg" alt="Cena do filme Miss Simpatia. Nela vemos Sandra Bullock, uma mulher jovem branca e com cabelo liso médio castanho. Ela veste um vestido azul claro, um salto azul escuro e segura um óculos de sol na mão direita e uma bolsa azul na mão esquerda. O ator Michael Caine caminho ao seu lado. Ele é um homem branco idoso. Ele usa óculos de sol e veste uma camisa social azul claro e uma calça social bege. Ele segura um paletó bege sobre o ombro. Os dois estão saindo de um hangar e ao lado deles há várias pessoas observando eles." width="800" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem1.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem1-768x626.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20952" class="wp-caption-text">Sandra Bullock divide as telas de Miss Simpatia com Benjamin Bratt e Michael Caine (Foto: Castle Rock Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Beatriz Rodrigues</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de modelo, ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">miss</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai além de desfiles em passarelas e ensaios fotográficos. A </span><i><span style="font-weight: 400;">miss</span></i><span style="font-weight: 400;"> é responsável por representar sua cidade, estado ou país em uma competição. Ela precisa ser carismática e possuir um talento que impressione os jurados, e, além disso, é necessário seguir os terríveis padrões de beleza impostos pela sociedade. Em 2001, Sandra Bullock confirmou essas características em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LwrEnPYHsyQ"><i><span style="font-weight: 400;">Miss Simpatia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme roteirizado por Marc Lawrence</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nesse ano, a obra completa 20 anos e não poderia deixar de ser esquecida. Misturando ação e comédia, o filme que embalou muitas </span><i><span style="font-weight: 400;">Sessões da Tarde</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora esses concursos enquanto se desenrola um mistério envolvendo o </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss</span></i><span style="font-weight: 400;"> Estados Unidos. </span></p>
<p><span id="more-20951"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;"> investiga um possível atentado na maior competição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. Preocupados e com intenção de prender o culpado por isso, eles precisam se infiltrar para estudar o caso de perto. Para isso, eles escolhem a agente Gracie Hart, interpretada por Sandra Bullock, para se passar pela candidata do estado de Nova Jersey na competição. Só que Gracie não se comporta do jeito que o concurso pede. O resto da equipe não acreditava no seu potencial de se transformar de maneira tão rápida e ela surpreendeu deixando todos de boca aberta. </span></p>
<figure id="attachment_20953" aria-describedby="caption-attachment-20953" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20953" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2.jpg" alt="Cena do filme Miss Simpatia. Na imagem vemos uma sala com diversas mulheres sentadas em volta das mesas. As mesas possuem toalhas bege, decorações e alimentos em cima delas. Todas as mulheres possuem uma faixa que direciona o estado que representa na competição. Todas elas estão olhando perplexas para Sandra Bullock, uma mulher jovem branca e com cabelo liso médio castanho. Ela veste um terno lilás e usa uma faixa escrito New Jersey. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20953" class="wp-caption-text">Miss Simpatia ganhou o Teen Choice Award, premiação que escolhe seus vencedores por voto popular, de Melhor Filme de Comédia (Foto: Castle Rock Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Histórias em que as mulheres precisam se transformar para chegar em algum objetivo ainda são comuns. Muitas crianças cresceram acompanhando séries e filmes em que a protagonista mudava completamente seu visual para conquistar o mocinho ou algum sonho. Um dos nomes mais comuns que retratam essa narrativa é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nGWgQ71MBoE"><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Diário da Princesa</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o filme que mostra a garota Mia de 15 anos que passava por uma transformação radical para se tornar princesa do seu país. Ela abandona seus óculos e alisa seu cabelo para essa nova fase.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse discurso é extremamente perigoso para a formação de garotas na nossa sociedade. E a não correspondência com os padrões pode trazer consequências em diversos setores na vida do público. É, mais uma vez, o papel da Arte transmitir uma mensagem que seja saudável. </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Simpatia </span></i><span style="font-weight: 400;">possui alguns deslizes, mas não podemos assistir filmes mais antigos com um olhar anacrônico. Além do mais, a obra também coloca uma mulher em uma posição conhecida por ser ocupada majoritariamente por homens e isso também é importante. </span></p>
<figure id="attachment_20954" aria-describedby="caption-attachment-20954" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20954" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1.jpg" alt="Cena do filme Miss Simpatia. Na imagem vemos a atriz Sandra Bullock e o ator William Shatner. A mulher veste um vestido longo bege brilhante e usa uma faixa escrito New Jersey e um colar. Ela segura um microfone e olha para o horizonte. Ao seu lado, William Shatner, um homem branco idoso veste um paletó vinho e uma camisa social preta. Ele segura um microfone e um papel. Atrás deles, há várias mulheres usando vestidos longos de festa. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/imagem3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20954" class="wp-caption-text">Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa é a continuação da história de Gracie Hart que chegou aos cinemas em 2005 (Foto: Castle Rock Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar desses defeitos, o filme é bom de assistir e traz conforto por fazer parte da vida de muitas pessoas. O efeito nostálgico ao acompanhar as quase duas horas do longa é significativo. O romance típico dos anos 2000 também é ponto importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Congeniality</span></i><span style="font-weight: 400;">. O diretor Donald Petrie também é responsável por </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Perder um Homem em 10 Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">. Amigos do trabalho que se implicam, mas na verdade se amam, é uma história comum porém agradável para uma obra como esse. E o toque que incorpora ainda mais o longa é a trilha sonora. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFrGuyw1V8s"><i><span style="font-weight: 400;">Dancing Queen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hjLi2Tr0pHQ"><i><span style="font-weight: 400;">One In a Million</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme se torna uma obra perfeita do início do milênio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista vai além de sua beleza no concurso e mostra ser uma mulher engraçada e inteligente. Ela ainda descobre o verdadeiro suspeito pelo atentado e encerra o caso com um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> que até hoje pode surpreender o público. Infelizmente, seu talento tocando copos com água não foi capaz de conquistar os jurados e ela não se tornou a </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Porém, Gracie Hart conquistou o coração de todos do concurso e se tornou a </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Simpatia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela conseguiu cativar todos no filme e aqueles que assistiram a obra. </span></p>
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