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		<title>Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 03:58:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quando o mais novo álbum do alt-J, The Dream, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, An Awesome Wave, vencedor do Mercury Prize, prêmio de Melhor Álbum Britânico &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alt-j-an-awesome-wave-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma década depois, ainda é uma delícia se afogar em An Awesome Wave"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27686" aria-describedby="caption-attachment-27686" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27686 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela, os quatro membros estão em uma sala com panos brancos e uma forte luz amarela. Sobre eles, há uma luz branca quadrada, só que um pouco tombada para esquerda, de forma a fazer uma forma geométrica de cinco lados. Da esquerda para direita: Gwil Sainsbury, um homem branco e de cabelos loiros. Ele usa óculos, veste um suéter com listras horizontais e duas verticais na altura dos ombros e calça preta. Joe Newman, um homem branco de cabelos pretos cacheados. Ele veste uma jaqueta preta com uma camiseta por baixo e calça jeans preta. Gus Unger-Hamilton, um homem branco, alto de cabelos e bigode castanhos. Ele veste uma jaqueta, uma camisa xadrez e também uma calça jeans preta. Thom Green, um homem branco de cabelos e barbas castanhos claros. Ele usa um boné preto, uma camisa em cor escura e uma calça jeans também preta. Todos calçam um par de meias pretas e olham para um mesmo ponto abaixo deles." width="1200" height="822" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-800x548.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-1-768x526.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27686" class="wp-caption-text">Mesmo sendo seu debut, o disco ainda é o carro chefe dos ingleses (Foto: Noah Kalina)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o mais novo álbum do alt-J, </span><a href="https://open.spotify.com/album/4OgdaAYtSaLpVKMEKFbK7C"><i><span style="font-weight: 400;">The Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estava prestes a ser lançado, muito se esperava que a banda britânica voltasse às suas raízes, mais especificamente as de uma década atrás. A razão disso é que seu registro de 2012, </span><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://www.instagram.com/mercuryprize/"><i><span style="font-weight: 400;">Mercury Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio de Melhor Álbum Britânico daquele ano, é irretocável e até hoje é o cartão de visitas do grupo, que naquela época se tornou um expoente do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico.</span></p>
<p><span id="more-27685"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo intitulada como o “</span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2012/10/25/integrantes-do-alt-j-dizem-que-banda-e-melhor-que-o-radiohead/"><span style="font-weight: 400;">novo Radiohead</span></a><span style="font-weight: 400;">” no início, a banda, desde sua formação em 2008, pouco ligava para tais rótulos da indústria. O resultado foi um álbum de estreia que a princípio é dissonante entre si, mas que conversa de forma uníssona com a proposta de alt-J: fazer Música. Essa falta de uniformidade fez com que o disco levasse o ouvinte para navegar pelos diferentes tipos de mar e pela profundidade de seus intérpretes, que ora é mais calma, ora mais revolta.</span></p>
<p><figure id="attachment_27687" aria-describedby="caption-attachment-27687" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg" alt="Foto da banda alt-J. Nela os quatro integrantes estão sentados em uma sala sob uma luz roxa que vem pela direita. Joe Newman e Gus Unger-Hamilton, que estão nas pontas, cruzam as pernas para sentar ao chão, enquanto Gwil Sainsbury e Thom Green, que estão ao meio, abraçam suas pernas. Joe veste uma jaqueta preta, camiseta branca, calça preta e bota, Thom veste uma jaqueta preta, camisa cinza, calça preta e bota, Gwil veste também uma jaqueta preta, camiseta preta, calça jeans e tênis preto e Gus veste uma camisa na cor cinza, uma camiseta estampada, calça preta e bota marrom." width="1200" height="812" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-800x541.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-2-768x520.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27687" class="wp-caption-text">O nome da banda tem origem de um atalho de Mac (alt + j) usado para se digitar um delta (∆), símbolo que o grupo também adota e assina as vezes [Foto: Noah Kalina]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O grupo se conheceu na Universidade de Leeds, e como moravam em lugares</span> <span style="font-weight: 400;">diferentes, um espaço para ensaios sempre foi um problema inicial, fazendo com que daí surgisse uma das principais assinaturas da banda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kwa_f0c3Xqs"><span style="font-weight: 400;">o minimalismo sonoro</span></a><span style="font-weight: 400;">. E nesse registro de estreia isso é muito claro: uma bateria mais simplista, </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de guitarra isolados e contínuos que dão espaço para o teclado e os sintetizadores fazerem as pontes entre os versos e até o uso de instrumentos mais lúdicos como o xilofone. Tudo isso, adicionado à voz pouco convencional de Joe Newman, que às vezes se arrisca nas capelas e nos arpejos, se prova uma ótima mistura, que fez com que a banda, que a princípio nem queria fazer tanto barulho, ecoasse no início da década passada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por mais simples que pareça, é a partir disso que o grupo mostra sua versatilidade ao passear por vertentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> como o </span><i><span style="font-weight: 400;">electro indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a psicodelia baseados nessa configuração nada ortodoxa, e ainda sim, imprimir seu DNA na obra. Momentos mais carregados e enérgicos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua linha de baixo estridente de Gwil Sainsbury </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/novidades/gwil-sainsbury-baixista-de-alt-j-deixa-a-banda/"><span style="font-weight: 400;">deixou a banda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dois anos depois </span><span style="font-weight: 400;">—,</span><span style="font-weight: 400;"> conseguem viver em consonância com passagens mais doces, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ms</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melodias mais alegres, caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dissolve Me</span></i><span style="font-weight: 400;">. E todas elas cabem muito bem no conjunto da obra, podendo até mesclar suas características vez ou outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="alt-J (∆) - Fitzpleasure (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/npvNPORFXpc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As letras também são outro ponto alto do disco. Por mais que as composições  superficialmente apresentem temáticas até simples, que não fogem muitos dos términos de relacionamentos e que vez ou outra abrem brechas para assuntos mais sérios, como suicídio, a escrita desenvolve camadas. E a forma como essas esferas são tratadas demonstram um certo surrealismo, que fonética e melodicamente funciona muito bem. Outro ponto das letras desembocam para o lado mais </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;"> da banda. Além de todo o simbolismo, o álbum é recheado de referências, começando com próprio nome do disco, que remete a uma passagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dl_mVNsASfg&amp;t=41s"><i><span style="font-weight: 400;">Psicopata Americano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks </span></i><span style="font-weight: 400;">faz homenagem a literatura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Onde Vivem os Monstros</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q06wFUi5OM8"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é baseada na personagem do filme de Luc Besson, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Profissional </span></i><span style="font-weight: 400;">(1994).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, essas duas músicas são a prova de como o som do grupo em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> envelheceu como vinho. A súplica enérgica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rVeMiVU77wo"><i><span style="font-weight: 400;">Breezeblocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz dobradinha com </span><i><span style="font-weight: 400;">Fitzpleasure </span></i><span style="font-weight: 400;">e as duas volta e meia retornam como trilha sonora de alguma </span><i><span style="font-weight: 400;">trend </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a poesia travestida de referência de uma obra noventista deu o ar da graça recentemente </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> também fazendo dobradinha com a envolvente e um pouco menos conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloodflood</span></i> <span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">na trilha internacional de </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas até as que não figuraram no radar do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso da triangular </span><i><span style="font-weight: 400;">Tessellate </span></i><span style="font-weight: 400;">e da singela e tocante faixa sobre a fotógrafa de guerra </span><a href="https://iphotochannel.com.br/gerda-taro-a-mulher-por-tras-de-robert-capa/"><span style="font-weight: 400;">Gerda Taro</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtiveram sucesso no cruel teste do tempo e não se dataram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se dá por já naquela época a banda ser desprendida de qualquer tipo de rótulo imposto, o que fez o álbum se destacar na imensidão quase que homogênea do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> britânico dos anos 2010. Som mais limpo, sonoridade mais intimista, uma identidade que mora em um limbo entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">de garagem e o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, músicas carregadas de significado. Tudo isso está presente no alt-J e ditou certo movimento nessa vertente, que foi seguido por nomes que vão de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3pTE9iaJTkWns3mxpNQlJV?si=U9Rq598tSH6MYLGB774MBQ"><span style="font-weight: 400;">Bombay Bicycle Club</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3iOvXCl6edW5Um0fXEBRXy?si=AatgERFxQ-quQbca2bAcFQ"><span style="font-weight: 400;">The xx</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo.</span></p>
<p><figure id="attachment_27688" aria-describedby="caption-attachment-27688" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27688 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/An-Awesome-Wave-Imagem-3.jpg" alt="Foto de um dos show da banda. Nela, o vocalista Joe Newman aparece centralizado. Ele veste uma camiseta preta e calça preta. Joe segura uma guitarra aparentemente com tampo de madeira e um detalhe em branco. Há um pedestal com um microfone bem a sua frente e o palco está com uma iluminação roxa enquanto alguns holofotes na cor branca estão dispostos no fundo." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-27688" class="wp-caption-text">O álbum é um exercício de simbologia (e de como usá-la) [Foto: NYTimes]</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">An Awesome Wave</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma entropia de estilos, que incrivelmente se organizam em uma obra coesa em sua própria bagunça, sem precisar gastar tanta energia para isso. Aqui, a banda cria seu próprio oceano e navegar por ele, é uma experiência única a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como o próprio ex-baixista define, é </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yjRiQKuF30o"><i><span style="font-weight: 400;">definitivamente um álbum e não uma coleção de músicas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e por mais diferentes que as faixas possam soar entre si, esse exercício por parte da banda de transformar tudo em uma só obra pode ser notado. Definitivamente é o ápice do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o ponto alto de suas carreiras, é lógico e natural definir os trabalhos posteriores como o começo de uma queda, e isso é real. A forte pressão da indústria e o sucesso de <em>An Awesome Wave</em> trouxe para o grupo fez com que as obras seguintes fossem reféns da expectativa alcançada, e consequentemente não desempenhassem tão bem em público e crítica. Por isso, o aguardo para o último álbum voltar às origens, na esperança de um alt-J que não ficasse mais preso dentro de suas próprias formas geométricas; cujo seu único objetivo, assim como no primeiro registro, seja apenas fazer Música e não ser parte dela.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: An Awesome Wave" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2AxfZb5aQHIXgsB1HA6OLL?si=rWk0iuZ9SUWv0SCCHxJHaw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>10 anos de Suck It and See: a sátira corrosiva que marcou profundamente o Arctic Monkeys</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2021 17:15:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade É comum ouvir dizer que Alex Turner interpreta um personagem diferente em cada álbum, e que isso pode ser visto de forma mais visceral em Tranquility Base Hotel &#38; Casino (2018) – o mais recente trabalho do Arctic Monkeys –, no qual ele realmente transforma-se em uma persona. Mas em Suck It and &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/suck-it-and-see-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de Suck It and See: a sátira corrosiva que marcou profundamente o Arctic Monkeys"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25311" aria-describedby="caption-attachment-25311" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/suck-it-and-see.jpg" alt="Capa do álbum Suck it and see, da banda inglesa Arctic Monkeys. Foto quadrada com um fundo branco, com os escritos suck it and see ao centro, em fonte de cor preta." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/suck-it-and-see.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/suck-it-and-see-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/suck-it-and-see-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/suck-it-and-see-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25311" class="wp-caption-text">Suck It and See, um dos melhores álbuns do Arctic Monkeys, completou 10 anos de lançamento em 6 de junho de 2021 (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum ouvir dizer que Alex Turner interpreta um personagem diferente em cada álbum, e que isso pode ser visto de forma mais visceral em </span><a href="https://personaunesp.com.br/arctic-monkeys-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tranquility Base Hotel &amp; Casino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018) – o mais recente trabalho do </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/15450-suck-it-and-see/"><span style="font-weight: 400;">Arctic Monkeys</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, no qual ele realmente transforma-se em uma persona. Mas em </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/criticas/arctic-monkeys-suck-it-and-see-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quarto álbum de estúdio do grupo, que completou 10 anos em junho deste ano, não é somente Turner que assume uma nova identidade. No disco, o quarteto inglês assumiu a influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense – principalmente dos anos 1960 –, e deixou transcorrer por todas as faixas suas referências, dando ao projeto um ar de álbum conceitual. </span></p>
<p><span id="more-25309"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que consolidou o grupo e os alçou às paradas de sucesso é visível desde os primeiros discos, porém ganha um enfoque gradual em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See</span></i><span style="font-weight: 400;">: as letras ágeis de Alex Turner, a cozinha muito bem trabalhada de Matt Helders (bateria) e Nick O’Malley (baixo), e a guitarra espalhafatosa de Jamie Cook. Gravado no icônico estúdio Sound City, famoso pelo lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Nevermind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991) do </span><a href="https://personaunesp.com.br/in-utero-nirvana-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nirvana</span></a><span style="font-weight: 400;">, e produzido por James Ford – parceiro de Turner e </span><a href="https://g1.globo.com/musica/noticia/2016/06/fiquei-pasma-diz-reporter-que-relatou-assedio-de-cantor-ingles-em-entrevista.amp"><span style="font-weight: 400;">Miles Kane</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9cQloro92xA&amp;ab_channel=DominoRecordingCo."><span style="font-weight: 400;">The Last Shadow Puppets</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o álbum dá voz ao estilo provocativo, colocando no centro das interpretações a própria irreverência, cuja capa do projeto também reivindica esse tipo de insolência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do título ser uma provocação mal interpretada, algo que soaria como </span><i><span style="font-weight: 400;">“dê uma chance” </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">“tente algo novo”</span></i><span style="font-weight: 400;"> na gíria inglesa (e não o que a tradução literal pode sugerir), não deixa de ser uma polêmica premedita. O simples escrito </span><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See </span></i><span style="font-weight: 400;">em um fundo creme levou o disco a ser censurado em algumas lojas de departamentos nos Estados Unidos – </span><i><span style="font-weight: 400;">“lojas das grandes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2011/jun/02/arctic-monkeys-album-censored-us"><span style="font-weight: 400;">segundo Alex Turner</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, sendo coberto com uma faixa preta.</span></p>
<figure id="attachment_25312" aria-describedby="caption-attachment-25312" style="width: 1544px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2.jpg" alt="Foto dos quatro integrantes da banda Arctic Monkeys. Na foto retangular colorida, Matt Helders e Jamie Cook estão sentados nos bancos da frente de um carro conversível, sem o capô. No banco de trás estão Alex Turner e Nick O'Malley. Os quatro são homens brancos. Matt Helders olha para trás, possui olhos azuis, cabelo em corte topete de cor preta e veste uma camisa azul. Jamie Cook olha para a câmera, possui cabelos lisos e loiros, presos com um rabo de cavalo, e barba loira. Ele veste camisa azul e um óculos com lentes pretas e hastes de cor laranja. Alex Turner também olha para a câmera. Ele possui cabelos lisos à altura do ombro, veste camisa de cor azul e segura um copo branco com canudo vermelho na mão direita. Nick O’Malley está olhando para a frente, vestindo uma jaqueta de cor preta e óculos escuros." width="1544" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2.jpg 1544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-2-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25312" class="wp-caption-text">Os britânicos do Arctic Monkeys já receberam 5 nomeações ao Grammy, e venceram 7 vezes o Brit Awards (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato é que o Arctic Monkeys cresceu rápido demais. Seu álbum de estreia, o prolixo </span><a href="https://www.505indie.com.br/listas/10-anos-de-whatever-people-say-i-am-thats-what-im-not/"><i><span style="font-weight: 400;">Whatever People Say I Am, That’s What I Am Not</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), chegou ao topo das paradas como uma avalanche, sendo, até hoje, o </span><a href="https://www.billboard.com/music/rock/arctic-monkeys-everything-people-say-i-am-thats-what-im-not-ten-year-anniversary-track-by-track-review-6851610/amp/"><span style="font-weight: 400;">disco estreante mais vendido</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Reino Unido – título que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/whats-the-story-morning-glory-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Oasis</span></a><span style="font-weight: 400;"> carregava anteriormente, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/definitely-maybe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Definitely Maybe</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1994). Posteriormente, com </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/10150-favourite-worst-nightmare/"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Worst Nightmare</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2007), clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ma9I9VBKPiw&amp;ab_channel=DominoRecordingCo."><i><span style="font-weight: 400;">Fluorescent Adolescent</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MaFEHf34fCQ&amp;ab_channel=ArcticMonkeys-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Do Me a Favour</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> surgiram, já apontando para o lado mais sentimental que encontramos nas letras mais à frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, desde 2009, com o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/humbug-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Humbug</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a banda deixou as versões rápidas e passou a apostar em canções mais lentas e expansivas, e nem por isso menos ruidosas. Além de parecer a trilha sonora de um conto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Humbug </span></i><span style="font-weight: 400;">também marcou o início da colaboração de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/josh-homme-fala-sobre-novo-disco-do-arctic-monkeys-do-qual-e-colaborador/"><span style="font-weight: 400;">Josh Homme</span></a><span style="font-weight: 400;">, do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s88r_q7oufE&amp;ab_channel=QueensStoneAgeVEVO"><span style="font-weight: 400;">Queens of the Stone Age</span></a><span style="font-weight: 400;"> – uma das principais </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2017/03/06/queens-stone-age-arctic-monkeys/"><span style="font-weight: 400;">influências dos Monkeys</span></a><span style="font-weight: 400;"> – nos trabalhos do grupo. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See </span></i><span style="font-weight: 400;">aposta em algumas canções mais psicodélicas, com ecos de guitarra se encontrando ao fundo, com uma boa dose de humor sombrio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o caso, por exemplo, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dAlRXC19hmE&amp;ab_channel=DominoRecordingCo."><i><span style="font-weight: 400;">The Hellcat Spangled Shalalala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção que, mesmo com um refrão inventado – </span><i><span style="font-weight: 400;">“shalalala”</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, consegue nos manter imersos em sua sonoridade desde o começo. Também é interessante contrapor as músicas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pK7egZaT3hs&amp;ab_channel=DominoRecordingCo."><i><span style="font-weight: 400;">I Bet You Look Good on the Dancefloor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do álbum de estreia, com a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fs39HrID1eM&amp;ab_channel=ArcticMonkeys-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">That’s Where You’re Wrong</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além do fato de serem, possivelmente, duas das melhores canções dos respectivos álbuns, elas são, essencialmente, faixas que mantém uma espécie de ruído de guitarra; entretanto, enquanto a primeira está mais próxima de versões pesadas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/black-sabbath-critica/"><span style="font-weight: 400;">Black Sabbath</span></a><span style="font-weight: 400;">, a segunda aproxima-se do ruído melódico, e não do caos total. Há uma expansão, ocasionada pelas notas soltas da guitarra base de Cook, elevando a música a um tom mais espiritual do que pesado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Arctic Monkeys - Suck It And See (Official Video - Clean Edit)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TlYJKfunfC0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra alusão que dá sustentação a ideia de um álbum conceitual são as referências do disco aos filmes de faroeste norte-americanos, </span><a href="https://www.nme.com/blogs/nme-blogs/arctic-monkeys-alex-turners-guide-to-suck-it-and-see-762359"><span style="font-weight: 400;">declaradas pelo próprio</span></a><span style="font-weight: 400;"> Alex Turner, cujas insinuações perpassam, inclusive, os videoclipes de algumas músicas (todos protagonizados pelo baterista Matt Helders). Os clipes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Treacle</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Suck It and See</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de sua canção </span><i><span style="font-weight: 400;">b-side,</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=xwir-pg7WiA&amp;ab_channel=OfficialArcticMonkeys"><i><span style="font-weight: 400;">Evil Twin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, formam uma trilogia, na qual Helders dá vida a um motoqueiro estadunidense, procurado pela polícia após fugir da prisão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">lançado para o projeto foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=riV77WoFCBw&amp;ab_channel=OfficialArcticMonkeys"><i><span style="font-weight: 400;">Brick By Brick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa cantada inteiramente pelo próprio Helders. Como primeiro contato do público com a obra, esse fato incomum deixou em evidência que este não seria um álbum para provar nada a ninguém – a não ser para os próprios integrantes, que deixaram o CD repleto de piadas internas ao longo de suas 12 canções.</span></p>
<figure id="attachment_25313" aria-describedby="caption-attachment-25313" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3.jpg" alt="Foto dos quatro integrantes da banda Arctic Monkeys. Na foto retangular colorida, da esquerda para a direita, estão Jamie Cook, Nick O’Malley, Matt Helders e Alex Turner. Os quatro são homens brancos. Cook veste uma calça jeans de cor azul e uma camisa azul. Ele possui cabelos loiros presos no estilo rabo de cavalo, e barba loira. O’Malley veste uma camisa de cor preta, está com a mão esquerda no bolso e utiliza óculos escuros. Seus cabelos são de cor castanha, e são lisos e grandes, à altura do ombro. Matt Helders veste uma camisa de cor azul, possui cabelo estilo topete, em cor castanha, e está com a mão esquerda no ombro de Alex Turner. Turner veste uma camisa florida de cor azul, e está olhando fixamente para a câmera. Ele possui cabelos de cor preta e franja que cobre toda a testa. Os quatro estão encostados em uma parede de cor marrom." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/arctic-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25313" class="wp-caption-text">“Suck It and See, you never know” (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra influência silenciosa no disco é Nick Cave &amp; The Bad Seeds, uma espécie de aura que caminha pela sonoridade específica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See</span></i><span style="font-weight: 400;">. O próprio </span><a href="https://www.uol/entretenimento/especiais/nick-cave-em-sao-paulo.htm"><span style="font-weight: 400;">Nick Cave</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo sendo australiano, carrega a forte influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense, principalmente Lou Reed e Iggy Pop. É verdade que os membros do Arctic Monkeys vieram de um subúrbio de Sheffield, na Inglaterra. Porém, neste álbum, essas características transformam o disco dos ingleses em uma bela peça de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">referencial aos anos 1960, visível em canções como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MD6XBoJmEb8&amp;ab_channel=ArcticMonkeys-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">All My Own Stunts</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que ecoa um misto de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/10/documentario-necessario-e-preciso-mostra-explosao-criativa-do-velvet-underground.shtml"><span style="font-weight: 400;">The Velvet Underground</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8AHCfZTRGiI&amp;ab_channel=JohnnyCashVEVO"><span style="font-weight: 400;">Johnny Cash</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o início. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é curioso saber que, 10 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See </span></i><span style="font-weight: 400;">segue como um dos álbuns menos vendidos do grupo, pelo menos em números absolutos. Quando se emplaca um recorde logo na estreia, desbancando os gigantes do Oasis, naturalmente cria-se um nível muito alto a ser batido. Mas esse disco em específico parece dialogar com muitas questões pertinentes na indústria musical, como, por exemplo, a soberania de canções provenientes dos Estados Unidos no topo das paradas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-grammy-2021/"><span style="font-weight: 400;">premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Arctic Monkeys - Black Treacle (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1wznj4lD1Bs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa parece ser a gênese de toda a sátira interessante que o grupo expôs no álbum. No próprio clipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Twin</span></i><span style="font-weight: 400;">, em seus segundos iniciais, Matt Helders desfila com uma camiseta do Arctic Monkeys que carrega a bandeira dos EUA. O título e a censura que o disco recebeu no país também apontam para esse dialogismo, pois, mesmo sendo a mesma língua, pequenas nuances e gírias não compreendidas colocam em evidência que não há somente um predomínio da cultura de língua inglesa, mas da cultura estadunidense, especificamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De qualquer forma, sendo o melhor álbum do grupo ou não, </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-album-reviews/suck-it-and-see-93958/"><i><span style="font-weight: 400;">Suck It and See</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marca o amadurecimento de seus quatro integrantes, trazendo um projeto mais coeso e entrosado entre voz e instrumentos, sem a típica sobreposição ruidosa de alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">que marcaram seus anos de formação. No fim, é por isso que soa como um álbum conceitual: trata-se de uma enorme piada do que aconteceria se o Arctic Monkeys fosse uma banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Suck It and See" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2ym2jcqckXqWeTDoxz3Kst?si=vJDsYuxsRBq5k-oTuzSjVQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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