<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Yahya Mahayni &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/yahya-mahayni/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/yahya-mahayni/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 21 Apr 2021 21:46:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Yahya Mahayni &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/yahya-mahayni/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>O Homem que Vendeu Sua Pele e a mulher que não negocia sua visão</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2021 21:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dea Liane]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[Kaouther Ben Hania]]></category>
		<category><![CDATA[Koen De Bouw]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Filme Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Monica Belucci]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem que Vendeu sua Pele]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[The Man Who Sold His Skin]]></category>
		<category><![CDATA[Tunísia]]></category>
		<category><![CDATA[Yahya Mahayni]]></category>
		<category><![CDATA[الرجل الذي باع ظهره]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=20162</guid>

					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O nome dele é Sam Ali e o nome dela é Kaouther Ben Hania, e a riqueza metafórica de O Homem que Vendeu Sua Pele (الرجل الذي باع ظهره) é o lugar perfeito para criatura e criador se aproximarem, ao mesmo tempo em que se distanciam completamente. É algo realmente complexo, porque o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem que Vendeu Sua Pele e a mulher que não negocia sua visão"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/">O Homem que Vendeu Sua Pele e a mulher que não negocia sua visão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20163" aria-describedby="caption-attachment-20163" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-20163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele-1024x681.png" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele-300x199.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/o-homem-que-vendeu-sua-pele.png 1391w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20163" class="wp-caption-text">O Homem que Vendeu Sua Pele (The Man Who Sold His Skin) é a primeira indicação da Tunísia ao Oscar (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome dele é Sam Ali e o nome dela é Kaouther Ben Hania, e a riqueza metafórica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3mvgNwmsFMQ"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (<b>الرجل الذي باع ظهره) </b>é o lugar perfeito para criatura e criador se aproximarem, ao mesmo tempo em que se distanciam completamente. É algo realmente complexo, porque o terceiro longa-metragem da cineasta tunisiana cresce em muitas direções enquanto </span><span style="font-weight: 400;">suscita reflexões críticas sobre cultura, política, sociedade, ética e arte, traz visibilidade para o Cinema do eixo </span><a href="https://www.middleeasteye.net/discover/oscars-middle-east-five-nominees-look-out-for"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Norte da África e faz história no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2021.</span></p>
<p><span id="more-20162"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o drama acompanha numa abordagem ácida e em pleno 2011 de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Primavera Árabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> a história de Sam Ali (Yahya Mahayni), um jovem sírio que é preso depois de deixar escapar evocações de revolução e liberdade em público num momento em que declarava seu amor por Abeer (Dea Liane). Além da implicação política, ele também encara uma emocional, já que a amada se encontra no lado oposto ao dele na pirâmide social e mesmo perdidamente apaixonada pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">vagabundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem um casamento arranjado com o diplomata Ziad (Saad Lostan).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num momento de liberdade, Sam escapa com destino ao Líbano para tentar recomeçar a vida longe da tirania e perto de Abeer, que agora, já comprometida, mora na Bélgica com o marido. Em uma das andanças pela cidade, ele cai numa galeria onde o cultuado Jeffrey Godefroi (Koen De Bouw) expõe sua arte. Capturando imediatamente o olhar perdido do refugiado, o artista propõe-lhe algo irresistível: transformar seu corpo em uma de suas obras de arte valiosíssimas.</span></p>
<figure id="attachment_20173" aria-describedby="caption-attachment-20173" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-20173 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC-1024x819.jpg" alt="" width="840" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC-300x240.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC-1200x960.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Man-Who-Sold-2-AC.jpg 1350w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20173" class="wp-caption-text">“Na mídia de massa, sempre apresentamos os refugiados como estatísticas ou números. Eles não são seres humanos com histórias específicas. O cinema nos dá essa possibilidade de estar perto de um ser humano e por meio desse ser humano entender o que é ser refugiado” pontua a diretora em entrevista (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora continuando com ‘a mulher’, Ben Hania bate de frente com quem espera por um drama tradicional e procura por um mocinho na personagem de Sam. Com muito respeito por trabalhos que revelam a realidade de </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/um-mar-de-migracoes/"><span style="font-weight: 400;">quem se arrisca mar afora</span></a><span style="font-weight: 400;"> porque as ameaças que encaram em casa são mais perigosas do que enfrentar o desconhecido apátrida, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura algo diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os olhos do jovem desamparado brilham com a proposta faustiana, que parece a representação mais fiel da plena liberdade que ele tanto almeja. Lembrando que estamos num capitalismo tardio, então aqui o ser livre não tem nada de conceitual e está diretamente relacionado ao dinheiro e poder econômico, algo que Ben Hania sabe muito bem, Sam vive na pele e Jeffrey faz questão de assegurar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acordo firmado, o objeto da concretização disso tudo não poderia ser mais significativo. A diretora e roteirista relaciona a promessa de liberdade de Sam com o </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/acordo-de-schengen/t-36428863"><span style="font-weight: 400;">Schengen</span></a><span style="font-weight: 400;">, o visto que garante a qualquer um a livre circulação por grande parte da Europa. O único ponto é que ele não está disponível ao seu alcance e nem é 100% seu, mas se encontra tatuado em suas costas e com a assinatura de Jeffrey Godefroi. </span></p>
<figure id="attachment_20166" aria-describedby="caption-attachment-20166" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-20166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1024x429.jpg" alt="" width="2000" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20166" class="wp-caption-text">“O desenho da tatuagem demorou muito. Queria fazer algo que se parecesse com um visto Schengen, mas com modificações. Para encaixar nas costas de um ser humano” compartilha a diretora do filme (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o filme passa longe de uma linearidade moral. A personagem principal do filme só quer ser livre e viver o amor, mas sua busca por isso não é nada romântica. Sam, além de corajoso, sensível, ingênuo e determinado, é também deslumbrado, instável, egoísta e ganancioso. Na completude do ser humano para além das definições que podem surgir das condições de sua existência, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> se solidifica como uma história que transborda originalidade</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que Ben Hania cria em sua obra é um registro muito atento da contemporaneidade e das nossas relações sociais, visível na forma como a diretora e roteirista reproduz na tela as dinâmicas Ocidente-Oriente, arte-sociedade, liberdade-identidade e dinheiro-vida. Não satisfeita em criar um estudo de observação social completamente firmado no chão do século 21, a cineasta adiciona seu tão comentado </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">tom ácido e sarcástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao filme, que transforma tudo em algo ainda mais incômodo e, ao mesmo tempo, palatável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é paradoxal demais e é isso o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão único. Estamos acostumados a assistir os absurdos da contemporaneidade de uma forma mais objetiva e concreta, mas não da maneira mais subjetiva e camuflada nas estruturas, especialmente das mais respeitadas, como a arte. Em nenhum outro lugar nós vamos encontrar um olhar tão cirúrgico, interseccional e escrachado sobre nossa própria existência. É o teatro dos absurdos, mas Ben Hania não cria nenhum deles, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-38838585"><span style="font-weight: 400;">apenas os ilustra</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_20167" aria-describedby="caption-attachment-20167" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20167 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1.jpg" alt="" width="1024" height="429" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20167" class="wp-caption-text">No Oscar 2021, o filme concorre com o dinamarquês Druk, o romeno Collective, o bósnio Quo Vadis, Aida? e a produção de Hong Kong Better Days (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto da direção e roteiro, a instância que complementa isso é a performance de estreia inacreditável de </span><span style="font-weight: 400;">Yahya Mahayni.</span> <span style="font-weight: 400;">O ator faz Sam Ali ir do Céu ao Inferno quando se lembra do amor que sente por Abeer e quando volta para sua realidade, que se mostra algo muito longe do que ele idealizava. É indiscutível também a química que Mahayni desenvolve com Liane para dar substância ao amor proibido dos jovens apaixonados, que aumenta a extensa lista de assuntos em que o filme toca ao longo de seus 110 minutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais surpreendente, no entanto, é a capacidade que Yahya Mahayni tem de nos convence de absolutamente qualquer coisa vinda de Sam. Não à toa o novato venceu o prêmio de Melhor Ator na mostra </span><i><span style="font-weight: 400;">Orizzonti</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="http://www.cinevitor.com.br/festival-de-veneza-2020-conheca-os-vencedores/#:~:text=Completavam%20o%20time%20de%20jurados,e%20Ludivine%20Sagnier%2C%20atriz%20francesa."><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo seu trabalho no drama de Ben Hania. Liderando o momento mais insano de todo o filme, quando depois de uma tensão gradual tudo parece prestes a explodir, Yahya põe </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> para rir da nossa cara.</span></p>
<figure id="attachment_20168" aria-describedby="caption-attachment-20168" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20168 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2.jpg" alt="" width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin-2-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20168" class="wp-caption-text">O humor característico também existe no visual, onde a direção de arte de Julien Defasque cria em alguns momentos específicos e oportunos algo caricato, junto do texto ácido de Ben Hania e das imagens vertiginosas de Christopher Aoun (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que seu humor seja o seu pilar, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de ser sério. A reflexão mais trabalhada no filme não é encarada com leviandade e a condução de Ben Hania é incisiva ao recriar um contexto em que a circulação de mercadorias é mais livre que a circulação de pessoas. Como um solicitante de refúgio, Sam não pode entrar na Europa. Ele tem mais valor no Ocidente como objeto do que como homem. Assim, se Sam se torna algo (uma obra de arte, no caso) ele se aproxima mais do que faz dele ser alguém (a liberdade e a humanidade), certo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Errado. Porque o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de Sam como uma peça artística significa que ele pode ir a qualquer lugar do mundo onde for exposto e faz dele alguém preso à algo que existe nele mesmo. A personagem marginalizada, que frequentava galerias para encontrar o que comer, ascende socialmente e se transforma em um dos objetos de mais valor que elas podem possuir, além de também ser uma parte importante de museus de luxo, frequentador de hotéis cinco estrelas&#8230; Sam Ali é muitas coisas, menos uma pessoa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é o único raciocínio fechado da trama, e ainda sim, é um labirinto que nos engole por horas, dias, e até semanas depois do fim do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende o preço de tudo e não trabalha o valor de nada, deixando todas as noções morais e éticas atordoadas. Mesmo assim, e talvez justamente por isso, o filme mora por muito tempo nos nossos pensamentos. Aqui está, mais um paradoxo.</span></p>
<figure id="attachment_20169" aria-describedby="caption-attachment-20169" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20169" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin2-H-2020-1598469197-1024x577-1.jpg" alt="" width="1024" height="577" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin2-H-2020-1598469197-1024x577-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin2-H-2020-1598469197-1024x577-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/the-man-who-sold-his-skin2-H-2020-1598469197-1024x577-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20169" class="wp-caption-text">A estrela italiana Monica Belucci participa do filme como a agente de Jeffrey Godefroi, e sua personagem é tão falsa quanto sua peruca loira (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de tanta coisa, é natural que o filme se perca em alguns momentos. Também é natural questionar-se se de fato é ele quem se perde de nós, ou nós que nos perdemos dele. Existem argumentos para as duas coisas: a direção de Ben Hania parece intervir demais no andamento do filme com cortes incômodos que deixam uma sensação de que algo está faltando, mas a cineasta também tem uma intenção clara de dar um nó na nossa cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para equilibrar, existe uma definição estética impecável. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme estiloso, conversando plenamente com a contemporaneidade que sustenta os caminhos tortuosos de suas entrelinhas. Na Europa, o filme cria a criticada energia degenerada com a luxúria dos tons de azul, roxo e vermelho em sua fotografia e composição artística. Já na Síria, o contraste existe em cenários empoeirados, cinzas e desesperançosos, inspirando também uma naturalidade da terra natal de Sam, que depois, irá revelar nessa mesma circunstância a sua violência. </span></p>
<figure id="attachment_20170" aria-describedby="caption-attachment-20170" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20170 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06.jpg" alt="" width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/themanwho_06-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20170" class="wp-caption-text">“É quase um clichê no cinema retratar os artistas como almas incompreendidas e torturadas como Van Gogh, que vivem à margem da sociedade, (&#8230;) mas arte e poder sempre estiveram ligados ao longo da história.” diz a diretora em entrevista ao Los Angeles Times (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui é um bom lugar para lembrar que essa ousadia toda nasceu das mãos de uma cineasta árabe que é uma incentivadora assídua do trabalho de mulheres no Cinema fora do eixo EUA-Europa. Todas as vivências de Ben Hania convergem na capacidade que a diretora tem de recriar a radicalidade das relações de poder da nossa sociedade. Ilustrar tudo isso de uma forma tão natural e ainda brincar com os sentidos no meio do caminho, então&#8230; Só um olhar muito atento, inteligente e firme.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira vez em que Kaouther Ben Hania repercutiu com sua crítica social na tela foi em 2017, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6wL31-5hyTU"><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e os Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O drama fez sucesso no Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">e chegou perto da premiação da Academia, mas o maior holofote do Cinema mundial só foi brilhar em cima da mistura de drama e comédia de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, a cineasta representa a Tunísia, o Cinema árabe, o norte da África, o avanço feminino e sua excelência visionária</span> <span style="font-weight: 400;">na seleção final dos indicados a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, em sua segunda tentativa de encontrar seu espaço na premiação da Academia. </span></p>
<figure id="attachment_20171" aria-describedby="caption-attachment-20171" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20171 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/man-who-sold-1200-1200-675-675-crop-000000.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/man-who-sold-1200-1200-675-675-crop-000000.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/man-who-sold-1200-1200-675-675-crop-000000-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/man-who-sold-1200-1200-675-675-crop-000000-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/man-who-sold-1200-1200-675-675-crop-000000-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20171" class="wp-caption-text">&#8220;Não sou cínico. Nosso mundo é&#8221; (Foto: Cinétéléfilms)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história é perturbadora e envolvente e poderia muito bem cair em algo grotesco, raso e bizarro, ou numa comédia desmedida, incômoda e irresponsável, ou num drama arrastado, enjoativo e até desrespeitoso. Mas não é definitivamente nenhum dos três. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> se equilibra, e o preço disso é não se comprometer com o esgotamento de seus debates. E talvez seja melhor assim, avisa o filme. Lembra que estamos no capitalismo contemporâneo? O recado é não esperar nada dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura da cineasta é certeira mas magistralmente medida, e quem chega ao fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem que Vendeu Sua Pele</span></i><span style="font-weight: 400;"> nem sempre vai gostar do que vê e do trabalho que precisa ter para solucionar seus labirintos morais, éticos, políticos e pessoais. Mas este é o preço a se pagar pela capacidade analítica da obra de </span><a href="https://flaunt.com/content/the-man-who-sold-his-skin"><span style="font-weight: 400;">Ben Hania</span></a><span style="font-weight: 400;">, e ao contrário do que seu personagem faz, ela não está disposta a negociar sua narrativa.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/">O Homem que Vendeu Sua Pele e a mulher que não negocia sua visão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-homem-que-vendeu-sua-pele-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">20162</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
