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	<title>Arquivos Warner Bros Pictures &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A noite é negra e dos Pecadores</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2025 17:51:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há mais de um século, no coração da Europa, F. W. Murnau dirigia o clímax de Nosferatu (1922), ocasião em que o vampiro, tomado pelo desejo, esquece o perigo de existir sob a luz do sol, falecendo ao amanhecer. O terror expressionista tem um quê de LGBT+, pois as vivências da comunidade, quanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-pecadores/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A noite é negra e dos Pecadores"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35190" aria-describedby="caption-attachment-35190" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35190" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1-800x481.jpg" alt="Cena do filme Pecadores. Na imagem, os personagens Fumaça (à esquerda) e Fuligem (à direita) estão de costas enquanto observam o pôr do sol no horizonte. O céu está escuro, com muitas nuvens e o sol ao fundo, laranja, perdendo sua luz. Os dois personagens são irmãos gêmeos e interpretados pelo ator Michael B. Jordan. Fumaça veste um terno e usa uma boina. Fuligem também veste terno, mas usa um chapéu de abas retas. Não é possível identificar as cores das roupas, pois não há luz nos personagens." width="800" height="481" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1-1200x721.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-1.jpg 1232w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35190" class="wp-caption-text">Pecadores é o quinto filme de Ryan Coogler com Michael B. Jordan no elenco (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há mais de um século, no coração da Europa, F. W. Murnau dirigia o clímax de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1922), ocasião em que o vampiro, tomado pelo desejo, esquece o perigo de existir sob a luz do sol, falecendo ao amanhecer. O terror expressionista tem um quê de LGBT+, pois as vivências da comunidade, quanto mais em 1922, eram consumadas à noite &#8211; essa interpretação existe sobretudo porque o diretor tinha </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/a-intimidade-de-murnau-11404718"><span style="font-weight: 400;">relações homoafetivas</span></a><span style="font-weight: 400;">. E que pavor seria ao dia descobrirem o Drácula dentro de você. </span></p>
<p><span id="more-35187"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-parceiros-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">William Friedkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> a </span><a href="https://www.miguelbarbieri.com.br/post/great-freedom-oscar-mubi"><span style="font-weight: 400;">Sebastian Meise</span></a><span style="font-weight: 400;">, há uma enxurrada de longas que retratam a vida noturna, assim como histórias de monstros têm como pano de fundo alegorias sobre pessoas marginalizadas. O romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1818) de Mary Shelley, é metáfora para mulheres e pessoas trans, e o polêmico </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo 2 &#8211; A Vingança de Freddy </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1985, uma experiência gay, são exemplos marcantes da categoria. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pecadores</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Ryan Coogler, é uma mistura desses dois mundos.</span></p>
<p>Na trama, Fumaça e Fuligem (ambos interpretados por <a href="https://personaunesp.com.br/creed-outra-luta-outro-boxe/">Michael B. Jordan</a>) são irmãos gêmeos realizando o sonho de inaugurar um bar de <i>Blues</i>. A ideia é que o espaço seja um ambiente de liberdade e alívio para as pessoas negras do <i>Mississípi </i>em 1930, que convivem com a segregação racial e são sujeitas a trabalhos braçais e pagamentos em ‘<i>tickets</i>’. Porém, a supremacista <a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><i>Ku Klux Klan</i></a> e um trio de vampiros têm outros planos para os donos e seus clientes: morte e transformação, respectivamente.</p>
<figure id="attachment_35189" aria-describedby="caption-attachment-35189" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-800x420.jpg" alt="Cena do filme Pecadores. Na imagem, Sammie, interpretado por Miles Caton, está em uma igreja. Ele está com o lado esquerdo do rosto arranhado e sangrando. Do lado esquerdo da imagem, ao fundo, em desfoque, há uma cruz. Sammie é um homem negro, na faixa dos 20 anos, de cabelos curtos e crespos. Ele usa uma jaqueta caramelo. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35189" class="wp-caption-text">Miles Caton também é artista musical, em 2023 lançou o single This Ain’t It (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor e roteirista </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantera-negra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryan Coogler</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõe uma história sobre legado, temática já vista em outros filmes do cineasta, e formas de se imortalizar. Nesta narrativa, há duas: se transformando em um sugador de sangue ou através da música, que aqui se relaciona com espíritos e ancestralidade. Para transpor em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> seus conceitos, Coogler se joga na fantasia &#8211; e até no horror </span><i><span style="font-weight: 400;">camp &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, em destaque a cena de Sammie (</span><a href="https://ovicio.com.br/miles-caton-revela-seus-filmes-favoritos-e-mostra-que-realmente-e-um-fa-da-marvel/"><span style="font-weight: 400;">Miles Caton</span></a><span style="font-weight: 400;">) cantando enquanto personas místicas do passado e futuro da música negra se apresentam e dançam com os frequentadores do clube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momentos pontuais &#8211; infelizmente, porque o elemento é divino &#8211; Coogler ousa com transições e fios de guitarra tocando na edição, dando ao filme mais personalidade e caráter de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/morte-do-demonio-critica"><span style="font-weight: 400;">Terror fantasioso</span></a><span style="font-weight: 400;">. A aposta marca o Cinema do americano de uma forma diferente, acostumado a fazer filmes encomendados por grandes estúdios, como a duologia </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele vagamente se permitia fugir do realismo, ora por sua opção ou imposições dos engravatados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de fotografia de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/pantera-negra-2-filme-critica"><span style="font-weight: 400;">Autumn Durald</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue captar a sensualidade dos vampiros e o calor de uma noitada em um clube que possibilita a liberdade para ser quem se é. Com cores quentes ao escurecer, ótimas atuações, cenas de sexo e música boa, a unidade fílmica é a experiência de se apaixonar e ser mordido por um vampiro. </span></p>
<figure id="attachment_35188" aria-describedby="caption-attachment-35188" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-800x421.jpg" alt="Cena do filme Pecadores. Na imagem, Fumaça abraça Sammie enquanto eles observam uma faixa de fogo alastrar sobre a água. O cenário é de amanhecer, ambos estão dentro de um rio, no canto esquerdo da foto. No canto direito, à margem do rio, há um galpão de madeira. O horizonte apresenta arborização e o céu azulado com o laranja do sol iluminando. Fumaça usa uma regata branca, ele e Sammie são homens negros e estão de costas." width="800" height="421" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-800x421.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-1536x807.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4-1200x631.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-4.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35188" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Pecadores lucrou mais que o remake Branca de Neve (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pecadores </span></i><span style="font-weight: 400;">entendeu bem a natureza do ser folclórico que está lidando, junto às incontáveis pesquisas sobre narrativas de monstros e seus subtextos. Sugadores de sangue podem não ser apenas criaturas, mas também espaço para tematizar política com a forma articulada ao roteiro. O fato do trio principal de vampiros ser músicos e brancos reflete o apagamento e a absorção da cultura negra que a branquitude fez e ainda faz. À medida que Coogler compara a existência do ser ficcional às vivências reais da comunidade negra e </span><a href="https://www.politize.com.br/leis-jim-crow/"><span style="font-weight: 400;">segregada</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos, ele deixa uma ideia: pertencer só é possível em alguns espaços e sob o céu escuro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja no século XIX, XX ou no mais futurista ano de 2025, os monstros ainda têm espaço entre as peças inteligentes de muitos autores, como a versão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferat</span></i><span style="font-weight: 400;">u, dirigida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2024. Por muitas injustiças, algumas pessoas ainda se sentem como criaturas desprezadas, marginalizadas e pecadoras, salvas por breves momentos de curtição e de Arte, como Sammie, que aproveitou sua música na noite mais sangrenta de sua vida.</span></p>
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		<title>Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 20:21:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o IMAX, Mickey 17 mudou a data de estreia várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34956" aria-describedby="caption-attachment-34956" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg" alt="Na imagem estão dois personagens de lado para câmera, ambos interpretados por Robert Pattinson. Ambos usam uma camisa com uma cor cinzenta e se encaram estupefatos. O cenário é de um quarto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34956" class="wp-caption-text">Mickey 17 é o primeiro filme de Bong Joon-Ho depois de vencer o Oscar (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">IMAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou a </span><a href="https://www.instagram.com/dalenogarew/reel/DG6iDo6vk8r/"><span style="font-weight: 400;">data de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho após a histórica vitória de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020. Assim como seu antecessor, o coreano manteve sua veia política, mas, desta vez, focado na eleição norte-americana entre Donald Trump e Kamala Harris. Contudo, em oposição à sua obra mais celebrada, este não consegue criticar o capitalismo de maneira produtiva, além de não sustentar a diversidade de temas, principalmente pela sua abordagem.</span></p>
<p><span id="more-34954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mickey (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/robert-pattinson-exorciza-de-vez-a-saga-crepusculo-no-ousado-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um ‘descartável’, ou seja, uma pessoa que pode morrer, pois será reimpresso no dia seguinte com todas as suas lembranças de outras vidas. Nesse sentido, a companhia para a qual ele trabalha o utiliza para experimentos e atividades perigosas que podem culminar em morte, o que normalmente acontece pela natureza da relação de Mickey com a empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O personagem de Robert Pattinson ilustra a relação do empregado com o empregador, uma representação do sistema capitalista com a classe trabalhadora. Todo o conceito de descartabilidade funciona muito bem, são críticas bem diretas e bem pontuadas. Inicialmente, o diretor lida muito bem com o tempo e a estrutura da narrativa para fortificar seus pontos, partindo para uma </span><a href="https://www.raissaferreira.com/post/cr%C3%ADtica-mickey-17-2025"><span style="font-weight: 400;">humanização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um personagem excêntrico, desde os seus sentimentos em relação às pessoas e o mundo, até os conflitos que ele tem na Terra, como dívidas com agiotas. Aliás, foram os débitos que levaram Mickey a virar um ‘descartável’. Bong Joon-Ho é muito certeiro ao colocar a violência das cidades urbanas como motivação para se submeter a um processo que a torna um objeto, uma ‘não pessoa’. O protagonista se vê encurralado diante do mundo contemporâneo.</span></p>
<figure id="attachment_34959" aria-describedby="caption-attachment-34959" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg" alt="Na imagem estão os Mickeys 17 e 18. Ambos estão de frente para a câmera e vestem uma roupa de proteção com identificação. O Mickey 18 tem o número 18 estampado no centro do uniforme. O Mickey 17 tem o número 17 estampado no centro do uniforme. Ambos na parte amarelada. Eles usam um capacete de proteção e óculos, que estão junto ao capacete. O cenário é de um ambiente aberto, gelado, com muita neve e alienígenas ao fundo. Os alienígenas são terrestres, escuros e no lugar do rosto está, apenas, a boca." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-768x416.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2.jpeg 924w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34959" class="wp-caption-text">Robert Pattinson está buscando trabalhos com grandes diretores em sua carreira (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, o longa funciona até o momento em que o Mickey 17 se encontra com o seu ‘sucessor’. A partir daí vira uma bagunça e se perde ao abraçar diversas temáticas e tomar diferentes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4QRIzkFs_bg&amp;t=9s"><span style="font-weight: 400;">direções narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nunca se desenvolvem, de fato. Ascensão da extrema direita, questões ambientais, abuso nas relações e a vida dentro do ambiente de trabalho; são muitas proposições que, apesar de cercarem o mesmo objeto – capitalismo –, dificilmente encontram um caminho em comum para a história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">não é só enxuto, mas também não confia em seu espectador, ao ponto em que, por vezes, precisa jogar na cara o que está tentando propor. Em dado momento, no jantar entre Mickey, Kenneth (Mark Ruffalo) e Ylfa (Toni Collette), Bong Joon-Ho e Darius Khondji (diretor de Fotografia) dão um </span><i><span style="font-weight: 400;">close </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma insígnia que remete a uma suástica. Ou seja, não existe crença de que o público irá entender de que se trata de uma paródia à extrema direita, mesmo que os personagens sejam </span><a href="https://cinemacao.com/2025/03/12/critica-2-mickey-17/"><span style="font-weight: 400;">óbvios</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso destrinchar ao máximo sobre a profusão de temas, visto que, ela em si não é o problema, porém, gera consequências que atrapalham a experiência fílmica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Shrouds</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), por exemplo, tem assuntos em abundância. Entretanto, a abordagem mais desafetada e, definitivamente, cínica e irônica, dão sentido a essa ‘pegada’ </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;">. David Cronenberg se apresenta mais seguro sobre o que quer e como fazer. O caso do sul-coreano é diferente. Ao mesmo tempo que o filme fica ‘dando a pinta’ de ser mais inteligente do que realmente é – de forma parecida com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) –, ele também aparenta estar menos certo sobre os caminhos que toma, ficando entre a caricatura, a seriedade e a comicidade, o que até dá uma dinâmica, mas nunca consegue se definir.</span></p>
<figure id="attachment_34961" aria-describedby="caption-attachment-34961" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg" alt="Na imagem está Mark Ruffalo e Toni Collette. Ele usa um uniforme de soldado azul. Ele tem um corte na bochecha esquerda e o cabelo grisalho está penteado para trás. Toni Collette usa uma camisa amarela. Ambos estão de frente para a câmera. Ao fundo, desfocado, estão um cientista de jaleco branco e um segurança com um uniforme escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34961" class="wp-caption-text">O longa teve diversos atrasos para estrear (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado mais burlesco fica por conta do Mark Ruffalo, muito parecido com o papel dele em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), em uma tentativa de emular </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/mickey-17-e-satira-politica-superficial"><span style="font-weight: 400;">Donald Trump</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mera presença do antagonista em cena já a torna menos interessante, por ser óbvio, feio e raso em suas intenções e críticas. Toni Collette acompanha o ritmo de Ruffalo, sendo o total o oposto de seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurado N°2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024). Esse lado da obra não casa com as construções visuais mais desgastadas, sérias e frias dos ambientes que Mickey frequenta. É como se fossem dois filmes distintos que, por vezes, se chocam e destes embates surgem comentários ‘mastigados’ para o público entender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, existem complicações em relação a estrutura. Devido aos diversos assuntos presentes, o roteiro opta por uma série de acontecimentos, com o intuito de abranger a todos. Contudo, eles não se sucedem de maneira orgânica, soa muito conveniente como certas cenas vão sendo resolvidas, além de parecer uma acomodação para deixar a narrativa fluída. Como resultado, muitas tramas são jogadas de lado, como a relação entre Mickey 17, Mickey 18, Nasha (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/naomi-ackie-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Naomi Ackie</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kai (Anamaria Vartolomei), ou a questão de Timo e o personagem principal com o agiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado positivo fica por conta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4iUSOPqXks"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, mais uma vez, entrega uma atuação muito boa desempenhando diversos papéis em um só personagem. No entanto, o foco fica entre os Mickeys 17 e 18, que apresentam duas personalidades completamente diferentes. O morcego consegue lidar com as diferentes maneiras com que o medo se externaliza em ambos. O décimo oitavo, a partir da raiva, revolta e audácia. Enquanto o protagonista se encolhe, um tipo de personagem que ‘não esbarra em ninguém’, pede perdão, não incomoda, aceita as figuras expansivas e encontra seu lugar no canto, onde ninguém o vê. O ator enxerga o potencial do discurso em si, nos conflitos consigo mesmo – sejam eles internos ou externos –, sobre a situação exploratória e deprimente em que ele se encontra. </span></p>
<figure id="attachment_34955" aria-describedby="caption-attachment-34955" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp" alt="Na imagem, Mickey usa uma blusa amarela desbotada e cobre a cabeça com o gorro da blusa. Ele está de frente para a câmera e apresenta um sorriso bobo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34955" class="wp-caption-text">“Toda vez que você morre, aprendemos uma coisa nova e a humanidade avança” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resolução final se dá a partir do amor, pode soar bonito, mas, na realidade, se torna condescendente com um discurso divulgado pelo cinema norte-americano a décadas. Não que isso seja um problema em si, porém, se torna contraditório, visto a intenção da fita. Se olharmos para as comédias românticas estadunidenses, normalmente todos os problemas do mundo se resolvem com amor. O ponto aqui é que, nestes universos, esta decisão é possível, é acatada, levando em conta o objetivo da obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obras críticas ao capitalismo, assim como este, também buscam o amor – não necessariamente o romântico –, contudo, eles aceitam a impossibilidade de grandes mudanças sistemáticas a partir dele e o tornam um ato de rebeldia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma relação muito ímpar entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">e a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mt8VyXFR_Xw"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de serem lançadas, quase, paralelamente, as duas discutem sobre o ambiente de trabalho e a exploração. Entretanto, elas também parecem conscientes sobre a vida que é criada a partir destes lugares, ou seja, se por um lado, dentro do sistema capitalista é um local exploratório, por outro, também permite pessoas se conhecerem, formarem uma família para além do sangue e se apaixonarem. É o que acontece entre Mickey e Nasha, em contrapartida ao mundo externo cruel, sujo e solitário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um diretor de grandes obras, que vão além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ux6VHo5jQVw"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias de Um Assassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xrLY0wO06l4"><i><span style="font-weight: 400;">O Hospedeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), Bong Joon-Ho decepciona em sua primeira fita após fazer história no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020. Apesar dos ótimos atores presentes e de estar recheado de ideias interessantes, o longa se mostra frágil estruturalmente e problemático em sua concepção. Boas intenções não fazem, necessariamente, bons filmes.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Mickey 17 - Trailer Legendado&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Mickey 17 &#8211; Trailer Legendado</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/">Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Em Jurado Nº2, Clint Eastwood relembra clássico ao questionar o sistema judiciário norte-americano</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 19:03:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em 1957, Sidney Lumet lançou 12 Homens e uma Sentença (1957). A história é simples: um júri composto por 12 homens decide o futuro de uma pessoa. 11 votaram a favor da prisão e apenas um contra, e este que se opõe, tenta mudar a opinião dos demais. Clint Eastwood permeia o clássico, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Jurado Nº2, Clint Eastwood relembra clássico ao questionar o sistema judiciário norte-americano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34802" aria-describedby="caption-attachment-34802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-800x450.jpg" alt="Ao fundo estão os personagens de Cedric Yarbrough e Rebecca Koon. O primeiro está à direita com uma camiseta preta e o olhar vago e a segunda está à esquerda com uma camiseta rosa e uma blusa branca, ela está olhando para algo fora do plano. Mais a frente, em foco e no centro da imagem está o personagem de Nicholas Hoult, ele está com uma expressão preocupada, olhando para algo fora da câmera." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-n2-04nov2024-divulgacao-warner-bros-960x540-1.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34802" class="wp-caption-text">O filme chegou direto no streaming na maioria dos países (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1957, </span><a href="https://www.noticiasdechapada.com.br/noticia/6710/sidney-lumet-o-maestro-dos-thrillers"><span style="font-weight: 400;">Sidney Lumet</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TEN-2uTi2c0"><i><span style="font-weight: 400;">12 Homens e uma Sentença</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1957). A história é simples: um júri composto por 12 homens decide o futuro de uma pessoa. 11 votaram a favor da prisão e apenas um contra, e este que se opõe, tenta mudar a opinião dos demais. Clint Eastwood permeia o clássico, mas vai para um caminho diferente. Se na obra original, Henry Fonda reafirma e refresca o respeito aos processos legais no funcionamento do sistema, Nicholas Hoult é a incorrigível falha de uma das grandes instituições norte-americanas: a justiça.</span></p>
<p><span id="more-34794"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tf5LGo-Pbnw"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o clássico ‘homem perfeito’ estadunidense. Ele é branco, tem olhos azuis, mora em uma zona nobre, casado também com uma mulher branca e ambos estão tentando construir uma família. Ainda que tenha um passado com bebidas, ele aparenta ser uma pessoa boa. No entanto, ao ser convocado para ser jurado, Justin descobre que foi o culpado pelo caso em que está participando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jurado Nº2 </span></i><span style="font-weight: 400;">abre com o símbolo da justiça, com a balança pendendo para um lado e, logo em seguida, o primeiro plano mostra Allison (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_c6yQ8ORhtI"><span style="font-weight: 400;">Zoey Deutch</span></a><span style="font-weight: 400;">) com uma venda no rosto. É dessa forma que Eastwood brinca com as representações. Em um mundo ideal, a balança estaria em equilíbrio mostrando igualdade, e a justiça cega seria imparcialidade. Contudo, o veterano diretor de faroeste não se contenta em observar o mundo dessa forma. Apesar de ser um norte-americano e conservador até os dentes, ele não deixa de apontar as falhas nas instituições, normalmente relacionadas às contradições humanas, e dessa forma, adota um tom melancólico diante de tais rupturas.</span></p>
<figure id="attachment_34796" aria-describedby="caption-attachment-34796" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34796" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-800x534.webp" alt="O cenário é de uma ponte, com árvores no fundo. Na imagem estão Cedric Yarbrough e Nicholas Hoult. Cedric está com uma camisa azul clara, ele está de lado e olha fixamente para Nicholas Hoult. Nicholas Hoult usa uma blusa azul, ele está de lado e evita o olhar de Cedric." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-800x534.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-1024x683.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-768x512.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2-1200x800.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Jurado-Numeroo2-2.webp 1300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34796" class="wp-caption-text">“Justiça é a verdade em ação” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O réu do caso é o namorado da vítima. O longa coloca duas pessoas totalmente opostas para fazer o espectador refletir sobre os conceitos de verdade e justiça. Se Justin é um homem bom que se envolveu em uma fatalidade, James Sythe (Gabriel Basso) é violento, faz parte de uma gangue, mas também é inocente. Nesse sentido, é estabelecido um conflito interno do personagem, que pesa as suas decisões na balança, entre se entregar ou não. Sem perceber, o público faz o mesmo. Assim como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Up-oN4NtvbM"><i><span style="font-weight: 400;">As Pontes de Madison</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995),</span> <span style="font-weight: 400;">nós somos colocados em uma posição desconfortável em que assistimos algo moralmente errado, porém, questionamos nossas certezas ao depararmos com os personagens mais de perto, por vezes, fazendo até torcer a favor da impunidade – no caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurado Nº2</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">12 Homens e uma Sentença</span></i><span style="font-weight: 400;">, o jurado nº8 (Henry Fonda) se opõe ao veredicto, pois não acreditava que as provas fossem o suficiente para culpar o réu. Contudo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Juror #2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), o protagonista se vê impelido a defender a inocência do acusado por causa da culpa que sente e, assim como o personagem de Henry Fonda, ele busca mudar a opinião dos outros jurados a partir da descrença nas provas apresentadas. Entretanto, Justin irá falhar ao esbarrar nos interesses e na </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/locadora-fiore-13-verdade-e-justica"><span style="font-weight: 400;">ideologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, esses são os dois pontos principais na tese de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mhLRKWkCiyc&amp;t=10s"><span style="font-weight: 400;">Clint Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um julgamento não consegue ser imparcial, pois existem objetos externos a eles ou detalhes antes de começar que fazem toda a diferença. O diretor não mostra as falhas do sistema apenas pela figura de Nicholas Hoult – que funciona quase como um vírus dentro do jurí –, mas também por mais outras três: O ex-policial Harold (J. K. Simmons); a promotora Faith Killebrew (Toni Collette); o jurado Marcus King (Cedric Yarbrough).</span></p>
<figure id="attachment_34795" aria-describedby="caption-attachment-34795" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34795" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-no2-3.png" alt="Na imagem estão Toni Collette e Nicholas Hoult. Ambos estão sentados em um banco preto. Nicholas está a direita, ele veste uma camisa cinza, uma calça bege e uma roupa preta por cima. Ela usa um terno e um vestido todo cinza escuro. Ela olha fixamente para Nicholas Hoult que não retribui o olhar." width="630" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-34795" class="wp-caption-text">A Warner decidiu focar na campanha de Duna 2 (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Harold representa a primeira falha no processo: a escolha dos jurados. Ele é um tira aposentado e, por isso, não seria adequado estar no júri. Todavia, o defensor público não fez as perguntas apropriadas, interferindo em toda a decisão final. Já a promotora Faith Killebrew demonstra os interesses externos que prejudicam o andamento do julgamento. Inicialmente, sua preocupação não é com a verdade – ela já aceitou Sythe como o assassino e busca terminar o caso para alavancar a sua carreira. Por outro lado, o jurado Marcus King mostra como a ideologia afeta a sentença. Assim como a personagem de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000119874/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele não está interessado em achar o culpado, pois suas experiências pessoais o levaram a condená-lo, independente das provas. Ademais, existe uma testemunho de um homem que tem seus próprios motivos para mentir, o que influencia diretamente no veredicto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, três atuações se destacam: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BO5u95J7ETI"><span style="font-weight: 400;">Nicholas Hoult</span></a><span style="font-weight: 400;">, Toni Collette e Zoey Deutch. Hoult tem olhares muito preciosos, com olhos quase marejados e as bochechas vermelhas, de alguém que está sucumbindo por dentro, mas não pode demonstrar culpa frente ao júri e fraqueza frente a esposa. Enquanto Collette não muda a expressão, mas a partir de sua postura, inicialmente, relaxada e meio debochada para a mais contida, percebemos a mudança da personagem que, a priori, estava preocupada com a sua promoção, porém, a partir de certo momento, passa a ter compromisso com a verdade. Já Deutch cumpre uma função com Justin; ela é o motivo de todas as decisões dele. Por meio de ações simples como um sorriso, traz a graça necessária para a personagem e, conforme a trama corre, sua expressão facial dá lugar à preocupação quanto ao futuro do marido e filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A forma primorosa como Eastwood </span><a href="https://letterboxd.com/diegoquaglia/film/juror-2/"><span style="font-weight: 400;">filma</span></a><span style="font-weight: 400;"> seus personagens é o que torna toda a história mais potente. Ele utiliza o digital de maneira limpa, mas com muitos contrastes. Os sombreamentos nos olhos de Nicholas Hoult aumentam a dramatização, assim como os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> que capturam as suas emoções. Parece que cada escolha de linguagem é muito precisa. A câmera em plongée deixando Toni Collette pequena sobre o símbolo da justiça reforça as suas dúvidas. Os planos e contraplanos trazem muito poder para a obra – que é quase toda filmada assim –  seja ao captar o rosto de Faith Killebrew e em seguida cortar para frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">Em Deus nós confiamos</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ou na última cena em que contrapõe os rostos dela e de Justin, deixando o final incerto.</span></p>
<figure id="attachment_34803" aria-describedby="caption-attachment-34803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-800x420.jpg" alt="Na cena estão Nicholas Hoult e Zoey Deutch. Ambos estão na cama. Ela está deitada com a cabeça e a mão no peito dele. Ele olha fixamente para o teto." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/jurado-4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34803" class="wp-caption-text">Clint Eastwood é famoso por seus filmes de gênero faroeste (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao colocar esses personagens em crise, Clint Eastwood irá nos questionar se verdade é igual a justiça. Será que seria justo prender Sythe por um crime que ele não cometeu, mesmo que ele seja uma pessoa horrível que abandonou sua namorada para voltar a pé em uma chuva? Será que seria correto prender Justin por matar Kendall Carter (</span><a href="https://www.instagram.com/francescaeastwood/"><span style="font-weight: 400;">Francesca Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">), ainda que tenha sido um acidente e ele tenha uma família que precisa dele? A obra não nos entrega a resposta para essas perguntas e nem mesmo a resolução final. Sobra apenas a questão: O que você faria?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do globo, o filme nem chegou aos cinemas, indo direto para os </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da campanha quase nula para a temporada de premiações. É inexplicável o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ELtD9h9Jq_E"><span style="font-weight: 400;">descaso da Warner</span></a><span style="font-weight: 400;"> com uma obra desse quilate, ainda mais feito por um dos maiores diretores de sua geração. No entanto, isso não diminui em nada o longa, que já se projeta como um dos melhores de 2024 e da filmografia de Clint Eastwood.</span></p>
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		<title>Coringa: Delírio a Dois foi o fiasco que o primeiro filme não merecia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 17:52:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Barbosa Cinco anos após o primeiro filme, Coringa: Delírio a dois não correspondeu às altíssimas expectativas que pesavam sobre o longa-metragem que carrega a continuação da história problemática e exotérica de um dos maiores seres vilanescos do universo dos quadrinhos. Sendo a sombra de uma das melhores películas de 2019, garantindo até Oscar de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-delirio-a-dois-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coringa: Delírio a Dois foi o fiasco que o primeiro filme não merecia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34749" aria-describedby="caption-attachment-34749" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-800x360.png" alt="Cena do filme Coringa: Delírio a dois. Joaquim Phoenix, que interpreta Coringa, é um homem branco, com cabelo de cor verde, e maquiagem de palhaço e veste um terno vermelho Ele está ao lado de Lady Gaga, que interpreta Haarlem Quinzel Ela é uma mulher branca, de pele clara, cabelos loiros e um vestido colorido, os dois estão com uma perna levantada cada, aparentemente dançando." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Coringa-1.png 987w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34749" class="wp-caption-text">O corte de algumas cenas da versão final gerou descontentamento dos fãs (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Lucas Barbosa</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;"> anos após o primeiro filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> não correspondeu às altíssimas expectativas que pesavam sobre o longa-metragem que carrega a continuação da história problemática e exotérica de um dos maiores seres vilanescos do universo dos quadrinhos. Sendo a sombra de uma das melhores películas de 2019, garantindo até </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de melhor Ator para o </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar-2021/joaquin-phoenix-melhor-ator-coringa"><span style="font-weight: 400;">Joaquim Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;">, a continuação deixou lacunas mal resolvidas, questionamentos desnecessários sobre a história e aquele velho pensamento se uma continuação de uma obra amplamente premiada é realmente necessária.</span></p>
<p><span id="more-34746"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do longa, a continuação é historicamente correta. Arthur Fleck (Joaquim Phoenix) está preso dentro do Asilo Arkham, esperando seu julgamento que o sentenciará a morte. Com o desenrolar da história, acaba conhecendo dentro do asilo a personagem interpretada pela <a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/lady-gaga-como-harley-quinn-em-filme-popstar-ou-vila">Lady Gaga</a>, Harleen Lee Quinzel, que é completamente apaixonada pelo protagonista, e assim a história se desenrola entre o amor dos dois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um destaque positivo é a Fotografia, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/coringa-2-e-um-filme-bastante-arriscado-e-surpreendente-segundo-diretor-de-fotografia/"><span style="font-weight: 400;">Lawrence Sher </span></a><span style="font-weight: 400;">novamente deixa o ar </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></i><span style="font-weight: 400;"> devastada pela violência e desigualdade social, que era um ponto positivo do primeiro filme, e consegue ser primoroso nas cenas que Coringa e a Harleen estavam em evidência. A trilha sonora também merece elogios. As canções interpretadas pelos protagonistas e as trilhas, feitas pela compositora Hildur Guðnadóttir, complementam e aliviam a tensão de toda a jornada do casal do filme.</span></p>
<figure id="attachment_34748" aria-describedby="caption-attachment-34748" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-800x360.jpg" alt="Joaquin Phoenix está vestido como o Coringa. Ele está sentado em frente a uma mesa dentro de um tribunal, atrás dele está o público que assiste a audiência." width="800" height="360" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-800x360.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-1024x460.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-768x345.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3-1200x540.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-3.jpg 1210w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34748" class="wp-caption-text">Todd Phillips queria distanciar o Coringa do atributo de herói no segundo filme (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gaga e Joaquim Phoenix tentam ao máximo trazer bons momentos de atuação dentro do filme, até mesmo nas sequências de musical, onde conseguem explorar de uma ótima forma a história de amor e loucura dos dois personagens. Entretanto, mesmo com todas as qualidades dos atores, o roteiro fica apenas rodeando entre o psicótico amor entre os dois e deixa de explorar outros bons personagens que o filme introduz, como o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/quem-e-harvey-dent-personagem-que-aparece-em-coringa-2-e-batman/"><span style="font-weight: 400;">Harvey Dent</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Harry Lawtey) – o Duas Caras –, que é utilizado apenas nas cenas do julgamento do Arthur e poderia ter mais tempo de tela, mesmo em contato com o Coringa. Outra ótima atuação é de Catherine Keener, interpretando a advogada </span><span style="font-weight: 400;">Maryanne Stewart que, acima de tudo, tentou, minimamente, dar humanidade ao protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a sequência da fuga do julgamento, que foi a melhor, os momentos finais deixam não apenas um sentimento de dúvida para quem assiste, como também criam uma sensação de desconexão entre as cenas desse longa e do primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é aflorado ainda com os últimos momentos do filme. É até possível distinguir em algumas partes se é Arthur ou seu alter-ego falando, entretanto, quando discorre o relacionamento com a Harleen e a percepção de que, mesmo com o julgamento, o seu futuro já está praticamente decretado, o real e a ilusão da personalidade do </span><a href="https://artmed.com.br/artigos/coringa-o-que-a-psiquiatria-tem-a-dizer-sobre-a-saude-mental-do-personagem"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> entram em conflito. </span></p>
<p><a href="https://br.ign.com/coringa-2/130945/news/ninguem-liga-mais-para-o-arthur-todd-phillips-explica-grande-final-de-coringa-delirio-a-dois-e-desmo"><span style="font-weight: 400;">Todd Phillips</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Outubro de 2024, deu uma declaração dizendo que Arthur Fleck nunca foi realmente o Coringa, ele era apenas um ícone involuntário que não queria mais toda aquela farsa, e esse é um problema que o roteiro não consegue sustentar por completo, principalmente quando o relacionamento do Arthur e da Harleen começa. A força dele é o desejo de Lee pelo vilão e, assim, o alter-ego do protagonista toma conta durante certo tempo. A cena da demissão da advogada é o ápice da imprevisibilidade e insanidade do protagonista, e no momento que ela vai embora do tribunal, é quando a personalidade do Arthur retorna, se tornando um personagem fraco, solitário e dependente de qualquer tipo de amor.</span></p>
<figure id="attachment_34747" aria-describedby="caption-attachment-34747" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34747" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-800x533.jpg" alt="O Coringa está atrás de uma cela, encostando nariz com nariz Haarlem Quinzel." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/coringa-2.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34747" class="wp-caption-text">“Eu vou te dizer o que mudou, eu não estou mais sozinho.” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Arthur Fleck se mistura com o seu alter ego psicótico em certos momentos do filme, onde a solidão e a ruptura dos valores morais e sociais entram em colapso. O Coringa está isolado mesmo com o apoio da multidão e Arthur é solitário pelas suas próprias dificuldades que o seu próprio universo impõe. Quando ocorre essas misturas, é exatamente o momento que as necessidades emocionais dele são supridas, e as loucuras do Coringa são exploradas. O amor por Harleen aflora o </span><a href="https://ipqhc.org.br/2024/10/01/delirio-a-dois-sindrome-que-da-nome-ao-filme-do-coringa-existe-na-vida-real/"><span style="font-weight: 400;">delírio</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele, e os diálogos com a Dra. Stewart, tentam explorar a humanidade e as fraquezas do réu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme chegou às plataformas de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/coringa-2-onde-assitir-filme-completo-internet-max-"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> norte-americanas menos de um mês depois  de sair dos cinemas. A estimativa de prejuízo foi de US$ 200 milhões de dólares. As notas ruins nos sites de críticas e o destaque dentro do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/21/framboesa-de-ouro-2025-coringa-2-madame-teia-megalopolis-reagan-e-borderlands-concorrem-como-piores-do-ano.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Framboesa de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, com simplesmente 7 indicações, deixam uma triste realidade. Infelizmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa: Delírio a dois</span></i><span style="font-weight: 400;"> não correspondeu às expectativas e, mesmo com decentes atuações de seu elenco, o roteiro frágil deixa diversas pontas soltas – que devem ser utilizadas para um </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro deste universo – que nunca terão soluções. Dessa forma, se consagra o longa entre uma das mais fracas continuações do universo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>5 anos atrás, Todd Phillips escavou a filmografia de Scorsese na construção do Coringa</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Dec 2024 18:15:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Ainda que o Cinema de blockbusters não esteja tão aberto a olhar para o audiovisual e sua história como matéria prima, isso é algo essencial na construção de um filme. George Lucas idealizou Star Wars (1977) a partir das obras de samurai japonesas do meio do século XX; Tim Burton se inspirou no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos atrás, Todd Phillips escavou a filmografia de Scorsese na construção do Coringa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34593" aria-describedby="caption-attachment-34593" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34593" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Coringa-1.jpg" alt="No centro está o Coringa, com cabelos verdes, a cara pintada de branca, a boca pintada de vermelha, assim como a ponta no nariz. Os olhos estão pintados de azul e acima deles há um risco em vermelho. O personagem está com uma roupa vermelha e está de lado para a câmera, com um olhar de irritação." width="700" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-34593" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix ganhou o Oscar de Melhor Ator por seu papel em Coringa (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esteja tão aberto a olhar para o audiovisual e sua história como </span><a href="https://medium.com/calebelopes/o-cinema-sem-passado-9b5cc1968d00"><span style="font-weight: 400;">matéria prima</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso é algo essencial na construção de um filme. </span><a href="https://canaltech.com.br/celebridade/george-lucas/"><span style="font-weight: 400;">George Lucas</span></a><span style="font-weight: 400;"> idealizou </span><a href="https://www.omelete.com.br/star-wars/star-wars-disney-remove-filme-2026"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977)</span> <span style="font-weight: 400;">a partir das obras de samurai japonesas do meio do século XX; Tim Burton se inspirou no </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">expressionismo alemão</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dgC9Q0uhX70"><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1989). Enquanto isso, na atualidade, as grandes franquias e as superproduções se sentem satisfeitas em apenas utilizar suas referências como um artifício de satisfação pessoal para o público que irá entender o significado, além de que, normalmente, eles se auto-referenciam, não explorando o que há de melhor na arte. Por sorte, Todd Phillips entendeu o quão rico pode ser vasculhar a história da linguagem e dialogar com ideias originais. Dessa forma, há cinco anos, ele escavou a filmografia de Martin Scorsese e construiu sua própria versão do </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa.</span></i></p>
<p><span id="more-34592"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O idealizador vai atrás de alguns dos longas mais intimistas de Scorsese: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7hnlueXFh7k"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-rei-da-comedia/"><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982). Obras que são protagonizadas por personagens problemáticos que surgem da violência, caos, opressão e isolamento das metrópoles. Nesse sentido, o diretor pensa em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LpYpn2Bx2Ug"><span style="font-weight: 400;">Gotham</span></a><span style="font-weight: 400;"> como uma Nova Iorque nas décadas de 1970 e 1980, e associa tais protagonistas com o Coringa, pois compreende o palhaço como um fruto desse meio urbano conturbado, assim como Travis Bickle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Rupert Pupkin (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se olharmos para as outras representações do personagem – </span><a href="https://ovicio.com.br/10-fatos-sobre-o-coringa-de-jack-nicholson/"><span style="font-weight: 400;">Jack Nicholson</span></a><span style="font-weight: 400;"> com toques de mafioso e o terrorista de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/heath-ledger-historia-morte-precoce-batman-cavaleiro-das-trevas.html"><span style="font-weight: 400;">Heath Ledger</span></a><span style="font-weight: 400;">  –, vemos que existe um aspecto político por trás, mesmo que não esteja tão bem definido. Apesar de não ser um personagem politizado, existe uma essência crítica e ideológica em sua própria existência, especialmente por ser fruto do lixo de Gotham. A nova versão do vilão explora isso mais a fundo, centrada no ser e como ele se transforma em um símbolo da revolução e anarquia. O grito de violência de Arthur Fleck reverbera por toda cidade, que entende como um ato de rebeldia contra a burguesia local. Ainda que não fosse intencional, a reação popular mostra como qualquer ato de retaliação e sobrevivência é uma ação  política e revolucionária na Capital do Crime.</span></p>
<figure id="attachment_34594" aria-describedby="caption-attachment-34594" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-800x450.jpg" alt="No centro está o Coringa. Ele veste uma camisa laranja por dentro do terno vermelho e uma roupa verde por dentro da amarela. Ele está dentro de um elevador e com os olhos fechados." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-2.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34594" class="wp-caption-text">Coringa foi um dos filmes mais indicados ao Oscar de 2020, somando um total de 11 indicações (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode até parecer que o longa vai para um lado heroico do vilão, que se põe frente ao sistema corrupto e desumano, mas isso não poderia estar mais errado. Os assassinatos são frios e, ao mesmo tempo, ferozes, com muita graficidade e sanguinolência, o que lembra bastante alguns filmes de crime de Scorsese, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EJXDMwGWhoA"><i><span style="font-weight: 400;">Cassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ilzidi_J8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1990). Dessa maneira, o diretor nos lembra que estamos falando sobre o Palhaço do Crime, evitando o discurso moralista de vítima da sociedade e sempre buscando uma área cinzenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">como um todo, vem seguindo essa linhagem mais complexa em seus filmes e séries do universo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rsQEor4y2hg"><span style="font-weight: 400;">Batman</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ainda que </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja canônico). Os protagonistas têm uma natureza própria, como também são completamente influenciados pelo meio. Olhando para as últimas produções desse universo, é possível ver como o Coringa, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sfJG6IiA_s8"><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Batman resolvem tudo na base da brutalidade, e isto está relacionado a barbaridade de Gotham. No entanto, eles se comportam de maneiras distintas, lidam com os seus problemas e com a violência de forma própria, pois existem diferenças gritantes em seus traços de personalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/quentin-tarantino-exalta-coringa-delirio-a-dois-todd-phillips-e-o-verdadeiro-coringa,3c8d63834b0e4407a5545a5206fcd35bhb2kvrj2.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Todd Phillips</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lPDbLJFumS8"><span style="font-weight: 400;">Scott Silver</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por inserir </span><a href="https://dcextendeduniverse.fandom.com/pt-br/wiki/Thomas_Wayne"><span style="font-weight: 400;">Thomas Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> na história e faz isso de maneira interessante, colocá-lo como uma figura problemática e mantenedora da desordem e do caos, totalmente oposto do que os filmes do morcego costumam fazer. Ademais, ele é parte da loucura de Arthur, sendo um dos maiores responsáveis pela criação do Palhaço Assassino. Todavia, o patriarca da família Wayne também é uma vítima do protagonista, pois é perseguido, assim como sua família. Contudo, se a inserção de Thomas é bem feita, a de Bruce parece apenas uma exigência do estúdio para satisfazer a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34596" aria-describedby="caption-attachment-34596" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-800x438.png" alt="No centro da imagem está o Coringa. Sua maquiagem está desbotada e seu nariz está sangrando. Ele veste uma camisa branca por dentro do colete amarelo. Ele usa uma gravata vinho com bege. Ele está em um banheiro sujo, com pichações na parede. Ele está com os braços abertos e os olhos fechados. Ele está dançando." width="800" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-800x438.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO-768x420.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/CORINGA-BANHEIRO.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34596" class="wp-caption-text">Até o ano de 2024, Coringa era o filme de classificação +18 com maior bilheteria (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção visual da cidade, feita pelo cenografista </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/joker-production-designer-mark-friedberg/"><span style="font-weight: 400;">Mark Friedberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do fotógrafo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=th9pG9Q6Kuo"><span style="font-weight: 400;">Lawrence Sher</span></a><span style="font-weight: 400;">, são muito inspirados em </span><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeU53zjYxIA"><i><span style="font-weight: 400;">After Hours</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">com tons acinzentados de dia, que ressaltam a sujeira e a poluição, e a escuridão da noite, com pontos de iluminação muito específicos e cores saturadas e desfocadas. Assim, a metrópole se transforma em um ambiente desolador, que aliena os cidadãos e torna um lugar permissivo para o surgimento de figuras exóticas, como o protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa marginalidade cênica que constitui o tema principal da obra: a violência urbana. É dentro dele que surgem </span><a href="https://arthurtuoto.com/2019/10/09/coringa/"><span style="font-weight: 400;">Coringas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse em questão não é formado a partir de um evento único que vai mudá-lo para sempre, mas a partir de diversos traumas ao longo da vida, até encontrar, na violência, um modo de liberdade e, na barbárie e loucura, enxergar uma versão de si mesmo que ele não se envergonha, muito pelo contrário, se orgulha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa em si é muito musicado e dançante, o que serve cada vez mais para reforçar a excentricidade do protagonista. A cena que mais chama atenção nesse sentido, é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tl5zk46i0Bs"><span style="font-weight: 400;">dança na escada</span></a><span style="font-weight: 400;">, já vestido como o Palhaço do Crime, pronto para assumir de vez esse lado no programa do Murray. Portanto, é um filme que se passa, em grande parte, na mente de Arthur Fleck. De maneira parecida com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">nós não somos meros </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua jornada, pois não estamos vendo de uma visão privilegiada, mas sim, dentro de sua cabeça, acompanhando seus delírios de perto.</span></p>
<figure id="attachment_34597" aria-describedby="caption-attachment-34597" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/coringa-4.webp" alt="O cenário é de uma escada. Toda a imagem é bem acinzentada, contrastando com o Coringa no centro dela. Ele está com os braços para cima, dançando e fumando. Ele usa cores vibrantes." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34597" class="wp-caption-text">Martin Scorsese disse à BBC que considerou dirigir o filme (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdfgiEQeceM"><span style="font-weight: 400;">dança no banheiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, combinada com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8z5-Wum2enQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.instagram.com/hildur_gudnadottir/"><span style="font-weight: 400;">Hildur Guðnadóttir</span></a><span style="font-weight: 400;"> é fundamental na transição de Arthur Fleck para o Coringa. As notas são melódicas e tristes, evidenciando a transformação. No entanto, ao invés de idealizar o ato, elas transformam em algo triste. A interpretação de Joaquin Phoenix eleva a loucura de seu personagem, que dança de maneira leve e com um olhar vago, como se estivesse nas nuvens, porém, Lawrence Sher faz questão de mostrar onde ele realmente está: em um banheiro sujo de Gotham. No que seria o momento de glória de Arthur, a compositora faz questão de destacar a tragicidade, enquanto o fotógrafo se encarrega de ilustrar que o indivíduo é apenas mais uma criatura excêntrica, criada da podridão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um filme de personagem, é esperado que ele seja dependente da atuação do ator principal e é isso o que acontece. Os trejeitos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qiiWdTz_MNc"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;"> são fundamentais para compreender a transição de Arthur Fleck para o Coringa. Apesar de ser muito inspirado em Rupert Pupkin de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei da Comédia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Phoenix opta por uma atuação menos performática e mais expressiva. A loucura e a psicopatia são manifestadas por baixo de uma fisionomia triste e cansada. No entanto, a cada assassinato, a melancolia vai dando espaço para traços que estavam inicialmente escondidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das qualidades, o longa sofreu com o seu legado. Parecido com o que aconteceu com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWZbMjq8rOA"><i><span style="font-weight: 400;">Tropa de Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), </span><a href="https://sampi.net.br/piracicaba/noticias/2862759/artigos/2024/10/coringa-nosso-capitao-nascimento-de-maquiagem"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi compreendido por muitas pessoas como uma idealização do vilão. Sempre existiu um caráter anarquista e anti-sistêmico no personagem, mas depois da obra de Todd Phillips, os chamados </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-58300599"><i><span style="font-weight: 400;">incels</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o alçaram à condição de </span><a href="https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/psicologa-forense-traca-perfil-de-homem-bomba-queria-ser-o-coringa"><span style="font-weight: 400;">herói</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos oprimidos. Nesse contexto, o diretor decidiu fazer um segundo filme para explicar o primeiro e </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/como-o-coringa-se-tornou-erroneamente-um-simbolo-reacionario"><span style="font-weight: 400;">desmistificar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o personagem central, assim como fez José Padilha com o Capitão Nascimento.</span></p>
<figure id="attachment_34598" aria-describedby="caption-attachment-34598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-800x450.webp" alt="O Coringa está a direita da tela, se olhando no espelho. No espelho está escrito em vermelho a frase “Put on a happy face”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/1682141.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34598" class="wp-caption-text">Em contraste com o primeiro filme, a sequência não fez muito sucesso de bilheteria (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As polêmicas acerca da obra não são atoa, afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito inspirado no Cinema de </span><a href="https://uruatapera.com/o-cinema-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor que, até hoje, é reconhecido por sua filmografia controversa. Todavia, a película não é apenas o que os </span><i><span style="font-weight: 400;">incels </span></i><span style="font-weight: 400;">enxergam nela, existe muito valor, principalmente por não ter medo de suas discordâncias. A fita consegue se aprofundar na essência de um personagem que era tratado como um vilão caótico, mas que agora, começa a ganhar outras roupagens. As análises acerca do Coringa, vão além da interpretação de Joaquin Phoenix, chegando ao de Heath Ledger e Jack Nicholson. Todd Phillips, não apenas bebe de fontes diferentes do que os filmes de heróis da atualidade, como também escolhe um caminho mais interessante, nos presenteando com um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">preocupado com a sua forma.</span></p>
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		<title>Há 25 anos, as irmãs Wachowski entravam para a história de Hollywood com Matrix</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Dec 2024 17:46:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes No final do século XX, Lily e Lana Wachowski criaram um universo onde a humanidade foi dominada e escravizada pelas máquinas que buscavam fazer a manutenção de seu poder e sua existência. Com roupas pretas, realidade simulada, pensamentos filosóficos, temas bíblicos e bullet time, Matrix entrou para a história do Cinema hollywoodiano e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/matrix-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 25 anos, as irmãs Wachowski entravam para a história de Hollywood com Matrix"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34586" aria-describedby="caption-attachment-34586" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-1-800x333.webp" alt="No centro está Neo. Ele está de frente para a câmera, com o braço estendido e a mão aberta. Em direção a ele estão indo 8 balas, que deixam marca no ar quando passam." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-1-800x333.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-1-768x320.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-1.webp 853w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34586" class="wp-caption-text">“Minha previsão te revelou o futuro ou os fatos ocorreram em influência do que eu previ?” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final do século XX, Lily e Lana Wachowski criaram um universo onde a humanidade foi dominada e escravizada pelas máquinas que buscavam fazer a manutenção de seu poder e sua existência. Com roupas pretas, realidade simulada, pensamentos filosóficos, temas bíblicos e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yZ5LNYd81Ck"><i><span style="font-weight: 400;">bullet time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">entrou para a história do Cinema hollywoodiano e consagrou duas diretoras que iriam se rebelar contra o sistema.</span></p>
<p><span id="more-34585"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa foi lançado e se popularizou um pouco antes da onda realista tomar a indústria cinematográfica norte-americana. Isso consegue explicar o sucesso de público e crítica, mesmo que as cenas de ação apelem para a farsa, se assimilando com o Cinema de ação chinês e de Hong-Kong. Ademais, ele aceita o </span><a href="https://www.omelete.com.br/matrix-reloaded/a-religiao-e-a-mitologia-de-imatrixi"><span style="font-weight: 400;">misticismo e a fé</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneiras distintas para cada personagem. Morpheus (</span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/matrix-4-nao-foi-tao-bom-quanto-eu-esperava-diz-laurence-fishburne/"><span style="font-weight: 400;">Lawrence Fishburne</span></a><span style="font-weight: 400;">) enxerga de forma abstrata, esperançosa e sonhadora; Trinity (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jCgm7Gr4I4Y"><span style="font-weight: 400;">Carrie-Anne Moss</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Neo (</span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/keanu-reeves-foi-quem-mais-lutou-por-ela-ator-de-matrix-revela-que-estudio-quis-eliminar-uma-das-melhores-cenas-de-matrix,411a397b95ff13f1fc9004b835cb8a7evrt9vure.html"><span style="font-weight: 400;">Keanu Reeves</span></a><span style="font-weight: 400;">) tem um olhar um pouco cético quanto à profecia, eles só conseguem acreditar a partir de ideias mais concretas. Na prática, a personagem de Carrie-Anne Moss só crê quando percebe que está apaixonada por Neo; e o </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;">, por outro lado, entende seu destino, quando ressuscita igual Jesus.</span></p>
<figure id="attachment_34589" aria-describedby="caption-attachment-34589" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-800x420.jpg" alt=" Na imagem estão Neo, à direita, e Trinity, à esquerda. Eles estão de frente para a câmera, lado a lado. Ambos estão vestidos de preto e com óculos escuros. Neo segura uma arma em sua mão esquerda." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34589" class="wp-caption-text">Em 2021, foi lançado o quarto filme da saga (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a questão sobre a religião é muito interessante na filmografia das irmãs. Enquanto, infelizmente, no mundo real, as temáticas sobre sexualidade, religião, cultura, amor e amizade, são conflitantes; nas obras das Wachowski, tudo consegue encontrar algum ponto em comum e construir relações a partir disto. Nesse sentido, a obra mais chamativa da dupla é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VX-TnKoivR8"><i><span style="font-weight: 400;">Sense8</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i><span style="font-weight: 400;">, esses tópicos já estavam inseridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No longa de 1999, as metáforas sobre </span><a href="https://www.omelete.com.br/matrix/matrix-metafora-transexual-lilly-wachowski"><span style="font-weight: 400;">transsexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se davam por meio da forma e do fazer cinematográfico. Isso não era apenas uma escolha artística, como também, uma maneira de passar pela </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-11/matrix-o-classico-do-cinema-criado-como-uma-metafora-trans-agora-e-uma-arma-da-extrema-direita.html"><span style="font-weight: 400;">censura do estúdio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O figurino estilizado e com cores neutras; os nomes neutros como Neo e Trinity – com um adendo para a cena em que Neo diz que achava que Trinity era um homem –, e personagens que se enxergam de outra forma, com outros corpos e diferente sexo, dentro da Matrix; reforçam o subtexto de Lily e Lana Wachowski.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda sobre esse prisma, as diretoras abordam sobre o </span><a href="https://medium.com/calebelopes/a-c%C3%A2mera-que-pulsa-73bf8c6b5f77"><span style="font-weight: 400;">desejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como algo natural ao ser humano, porém, não necessariamente atrelado ao sexo e aos corpos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Negar os nossos impulsos, é negar aquilo que faz de nós humanos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Frase essa dita por Mouse (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/como-e-onde-elenco-de-matrix.html#list-item-7"><span style="font-weight: 400;">Matt Doran</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao oferecer a Neo a oportunidade de se encontrar com uma garota na Matrix que, na verdade, é apenas uma programação de computador. Dessa forma, as idealizadoras concebem o desejo e o sexo para além dos corpos e da fisicalidade, em uma medida muito intimista e pouco normativa.</span></p>
<figure id="attachment_34587" aria-describedby="caption-attachment-34587" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3-800x600.webp" alt="A imagem mostra duas palmas abertas e viradas para cima. Na direita contém uma pílula vermelha, na esquerda uma azul." width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3-800x600.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3-1024x768.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3-768x576.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3-1200x900.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Matrix-3.webp 1212w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34587" class="wp-caption-text">“Cedo ou tarde você descobrirá a diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diversas camadas </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/matrix-faz-20-anos-descubra-o-que-ele-te-ensinou-sobre-filosofia-sem-voce-perceber#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">filosóficas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vão de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/descartes/"><span style="font-weight: 400;">René Descartes</span></a><span style="font-weight: 400;"> até </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/dentro-da-matrix-filosofos-discutem-possibilidade-de-vivermos-uma-simulacao/"><span style="font-weight: 400;">Jean Baudrillard</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o que mais chama a atenção é a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/mito-caverna-matrix.htm"><span style="font-weight: 400;">Alegoria da Caverna</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Platão. Se para os gregos, a fuga da ignorância é representada pela saída da caverna, para Neo e todos dentro da Matrix, é a escolha entre a pílula azul e a pílula vermelha. Existe uma alusão mais direta a isso, quando o personagem acorda no mundo real e seus olhos começam a doer, o que se assemelha ao incômodo sentido pelo homem que se livrou das correntes da gruta e viu as formas reais pela primeira vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, essa alusão foi tomada pela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/03/01/red-pill-misoginia-significado-matrix.htm"><span style="font-weight: 400;">extrema direita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pelo conservadorismo na atualidade, o que é totalmente contraditório com os ideais das Wachowski. Os chamados </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/sociedade/noticia/2023/03/como-o-movimento-misogino-redpill-deturpa-conceitos-do-filme-matrix.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">redpill</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> adotam o discurso de tomar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zE7PKRjrid4"><span style="font-weight: 400;">pílula vermelha</span></a><span style="font-weight: 400;"> para enxergar a suposta verdade. São compostos, em sua maioria, por homens que defendem os valores tradicionais e criticam práticas progressistas, principalmente relacionadas ao feminismo e o movimento LGBTQIA+.</span></p>
<figure id="attachment_34588" aria-describedby="caption-attachment-34588" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/matrix-4-800x419.jpg" alt="A imagem está toda desenhada em códigos de cor verde e com fundo preto. Ela mostra um corredor com, ao fundo, três homens virados de lado e com o rosto em direção à câmera." width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/matrix-4-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/matrix-4-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/matrix-4-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/matrix-4.jpg 1140w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34588" class="wp-caption-text">O lançamento do quarto filme não estava nos planos das criadoras (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o estilo de Lily e Lana foi se esgotando diante de uma visão de Arte cada vez mais realista e estéril, visualmente e sexualmente. A abordagem mais farsesca das imagens, o exagero visual, a resolução a partir do amor e da amizade – de maneira até brega – e o sexo intrínsecamente ligado ao ser humano, foi substituído por tons acinzentados, decisões que partem para uma lógica mais racional, ‘piadinhas’ feitas para evitar o drama e a breguice, e a visão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgOLLSUhRRo"><span style="font-weight: 400;">utilitarista do sexo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, as obras das diretoras – menos o longa em questão – passaram a ser menos valorizadas. Contudo, se engana quem pensa que elas deixaram de fazer seus filmes aos seus moldes. A dupla se tornou uma resistência dentro da própria indústria, mantendo suas características, pois acreditam e vêem sentido no Cinema que produzem. Mesmo dentro de grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">como </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-destino-de-jupiter-critica"><i><span style="font-weight: 400;">O Destino de Júpiter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), não há concessões, e elas impõem sua autoralidade e crêem em sua própria visão artística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito difícil a tarefa de escrever sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QmbcOpb_H6c"><i><span style="font-weight: 400;">Matrix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Uma revisita não é o suficiente para compreendê-lo de maneira ampla e com suas complexidades. Fé, religião, capitalismo, maquinização do homem, filosofia e sexualidade. São tantas temáticas diversas e bem articuladas dentro da narrativa ao ponto de não caber em um único texto. A história de Lily e Lana Wachowski marcou época, fazendo sucesso entre o público e crítica, o que fez com que a </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/matrix-4-quase-nao-teve-retorno-de-diretora-da-trilogia-original-entenda-72324#:~:text=James%20McTeigue%2C%20produtor%20executivo%20de,retornar%20para%20um%20novo%20filme"><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros. Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;"> forçasse</span></a><span style="font-weight: 400;">  uma continuação em 2022 em meio a onda de </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">e continuações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado o melhor filme da, injustiçada, filmografia das irmãs, e merece ser revisitado mais vezes do que a cada cinco anos.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/matrix-critica/">Há 25 anos, as irmãs Wachowski entravam para a história de Hollywood com Matrix</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>20 anos atrás, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban dava início ao lado sério e sombrio da saga</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Dec 2024 15:39:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Dois anos após o lançamento de Harry Potter e a Câmara Secreta, o terceiro filme da saga chegava aos cinemas, dessa vez, mostrando a outra face desse mundo mágico. Se nos dois primeiros longas-metragens, em especial no primeiro,  Chris Columbus apresentou o lado fascinante e alegre desse universo, em Harry Potter e o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos atrás, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban dava início ao lado sério e sombrio da saga"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34580" aria-describedby="caption-attachment-34580" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34580" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-800x420.jpg" alt="Na parte superior esquerda, mais próxima a câmera, está uma luz branca que sai da varinha de Harry Potter. Harry está no centro da tela, um pouco mais ao fundo da luz. No fundo, o cenário é de uma floresta escura" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34580" class="wp-caption-text">Expecto Patronum, traduzido do Latim, significa “desejo um protetor” (Foto: Warner Bros. Picture)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos após o lançamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-camara-secreta-20-anos/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e a Câmara Secreta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro filme da saga chegava aos cinemas, dessa vez, mostrando a outra face desse mundo mágico. Se nos dois primeiros longas-metragens, em especial no </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">primeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">,  </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-13170/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Chris Columbus</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentou o lado fascinante e alegre desse universo, em <em>Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban</em>, </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-23413/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Alfonso Cuarón</span></a><span style="font-weight: 400;"> introduz o lado sério e sombrio que irá tomar conta da saga a partir daqui.</span></p>
<p><span id="more-34579"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando continuação ao seus antecessores, Harry (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/daniel-radcliffe-faz-35-anos-saiba-o-que-ele-fez-alem-de-harry-potter/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Radcliffe</span></a><span style="font-weight: 400;">) descobre que um dos seguidores mais fiéis de Voldemort fugiu de Azkaban, com o objetivo de se vingar de Potter pela queda de seu Lorde. Os personagens </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-sirius-black-de-harry-potter.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">Sirius Black</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/gary-oldman-esclarece-comentario-sobre-atuacao-em-harry-potter-hipercritico/"><span style="font-weight: 400;">Gary Oldman</span></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wRMUB75k210"><span style="font-weight: 400;">Remo Lupin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000089972/"><span style="font-weight: 400;">David Thewlis</span></a><span style="font-weight: 400;">) aparecem pela </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-harry-potter-e-o-prisioneiro-de-azkaban-de-j-k-rowling/"><span style="font-weight: 400;">primeira vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> na franquia, assim como outros elementos que irão se tornar essenciais nesse universo, como os </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-os-dementadores-de-harry-potter.html"><span style="font-weight: 400;">dementadores</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Lobisomem"><span style="font-weight: 400;">lobisomens</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Animago"><span style="font-weight: 400;">animagos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Vira-tempo"><span style="font-weight: 400;">vira-tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar disso, o que torna essa obra tão especial e marcante é a maneira como tudo é introduzido, preservando o lado fantástico, mas levando ele pro lado obscuro, tornando o mundo mais macabro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cuarón utiliza os elementos audiovisuais de maneira interessante ao explorar o lado sombrio dessas criaturas, trazendo uma Fotografia mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gg7z9SLk6IM"><span style="font-weight: 400;">fria e desoladora</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente na aparição dos dementadores. O diretor flerta com o Terror ao mostrar detalhadamente os monstros, a partir de </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> na boca e na mão ossada do dementador, e na cabeça do lobisomem, ao lado da lua cheia enquanto ele uiva – algo clássico de filmes do gênero. Tudo isso é potencializado pela </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_n9SpCvxAXrvCe2p05yOjJKwYAWJ0Ls3-0"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do lendário </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/03/12/john-williams-o-genio-que-teve-54-indicacoes-ao-oscar-e-ganhou-apenas-5.htm"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, que parece ter saído diretamente de </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=PL54D545DD51675EA0&amp;si=Jnbn_GN0nDZZsYwf"><span style="font-weight: 400;">filmes de Halloween</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, Alfonso Cuarón torna a figura de Sirius Black quase mítica até ele aparecer pela primeira vez, como se ele fosse uma assombração, podendo estar em qualquer lugar do castelo.</span></p>
<figure id="attachment_34581" aria-describedby="caption-attachment-34581" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-2-800x477.jpg" alt="Está escuro porque está de noite. A lua na parte superior esquerda ilumina todo o resto da imagem. Os dementadores com suas capas pretas flutuam próximas a tela e em frente a lua mais ao fundo. No no centro e fundo da tela está Hogwarts" width="800" height="477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-2-800x477.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-2-1024x610.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-2-768x458.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34581" class="wp-caption-text">“Pode se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz” (Foto: Warner Bros. Picture)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da mudança de atmosfera em relação aos dois primeiros, esse também começa a se desapegar da fidelidade dos livros. Não que os antecessores fossem totalmente fiéis, mas eles claramente buscavam ao máximo trazer da obra original, enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">Prisioneiro de Azkaban </span></i><span style="font-weight: 400;">entende que não irá conseguir transpor tudo, e se adequa a uma ideia fílmica. Nesse sentido, a fita é mais fiel ao tom do manuscrito ao fazer a transição do inocente e fascinante para o sério e perigoso, sem esquecer os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t88a1FRNpyE"><span style="font-weight: 400;">momentos de ternura</span></a><span style="font-weight: 400;">; porém, essas passagens são utilizadas para dramatizar seus personagens, como a cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1-mgx8N-qaM"><span style="font-weight: 400;">Harry e Lupin</span></a><span style="font-weight: 400;"> conversando sobre </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/harry-potter-como-tiago-potter-salvou-vida-de-snape/"><span style="font-weight: 400;">Tiago</span></a><span style="font-weight: 400;">  e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SwYsj3gbFuA"><span style="font-weight: 400;">Lílian</span></a><span style="font-weight: 400;">, e as brigas de Rony e Hermione.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale destacar como o trio principal ganhou profundidade a partir dessas dinâmicas. O longa começa com Harry fugindo da casa de seus tios, com quem ele nunca sentiu parentesco algum, e ao decorrer da história, enquanto passa a saber de seu passado e do de seus pais, encontra verdadeiramente a sua família com Sirius e Remo e consegue encontrar a figura de seu pai, Tiago, em si mesmo quando invoca o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wDlrYjPjOPw"><span style="font-weight: 400;">feitiço do Patrono</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aliás, esse é outro ponto interessante, afinal ele só consegue conjurar a magia quando pensa em uma lembrança alegre com aqueles que considera família e, quando ele finalmente conhece o seu padrinho, a ligação deles é instantânea e se torna tão forte que ele conjura um Patrono tão reluzente que espanta centenas de dementadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação de Rony e Hermione, ainda que menos destacada que a de Harry com Lupin e Black, também começa a ganhar profundidade e a dar abertura para as brigas por ciúmes que viriam a ter na sequência. A primeira cena dos dois já dá a tônica do que esperar deles durante o resto do filme, pois, logo de cara, eles já estão brigando, contrastando com a relação de ambos com o Harry, que é bem mais amigável. Esses dois são o que mantém o filme em uma pegada infanto-juvenil e que melhor explora o seu lado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=B58PohoRlRg"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, visto que, enquanto Daniel Radcliffe explora muito bem a psique de seu personagem, Rupert Grint e Emma Watson são ótimos nessas situações típicas adolescentes como as brigas infantis, o embaraçamento depois de darem as mãos, o contato físico constante e até o drama que Rony faz quando machuca a perna.</span></p>
<figure id="attachment_34582" aria-describedby="caption-attachment-34582" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-potter-3.jpg" alt="Ao fundo, o cenário é de uma floresta. Na esquerda Hermione está de lado, abraçada ao braço direito de Rony. Mais ao centro, Rony está de frente para a câmera, com o braço direito sendo abraçado por Hermione e o esquerdo segurando Harry. Também no centro da imagem, Harry está de lado apontando uma varinha para algo fora do plano. Os três estão com cara de assustados e olhando para algo fora do plano" width="675" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-34582" class="wp-caption-text">O trio principal de atores se posicionou contra as falas da J.K. Rowling (Foto: Warner Bros. Picture)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não dá para falar da franquia sem citar a sua autora e as </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2023/10/j-k-rowling-aumenta-a-lista-de-posicionamentos-transfobicos-entenda-clnxjuirb00am016slurfiss0.html"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela começou a se envolver. Desde o final de 2019, a escritora J.K. Rowling passou a ser ‘cancelada’ por suas falas e posicionamentos </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-20-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">descaradamente transfóbicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que, obviamente, abalou toda a comunidade de fãs da saga; alguns conseguiram seguir com a adoração, mas outros abandonaram o barco, afinal era uma decepção muito grande ver a pessoa idealizadora de um universo que prega amor e família, propagando discursos de ódio na realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, algumas pessoas decidiram promover boicotes às suas obras e em especial a franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, apesar de ser um protesto legítimo, ele se mostra ineficiente, e além disso, vilaniza e culpabiliza aqueles fãs que continuam consumindo produtos da franquia, o que é um problema, pois coloca esse público e a saga no mesmo ‘balaio’ que a escritora, resumindo o debate e tornando raso. O que há de ser feito então? Ignorar? De forma alguma, mas analisar criticamente a relação entre o autor e a obra, e como ela se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9rKtkLcOkxs"><span style="font-weight: 400;">comporta no mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre autor e obra é parecida com a relação de criador e criatura, pois existe um pouco do criador na criatura e vice-versa. No entanto, quando a obra é publicada, ela passa a ser maior do que seu próprio autor e se torna de todo mundo, possibilitando </span><a href="https://www.tiktok.com/@radioguerrilha/video/7294639898068307205"><span style="font-weight: 400;">inúmeras interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e criando relações entre outras pessoas com aquela obra. Além disso, desconsiderá-la pelas problemáticas em relação ao seu autor, é também desconsiderar enquanto Arte, tornando-a um produto que pode ser descartado, sem levar em consideração o aspecto estético e também o trabalho de inúmeras outras pessoas que vivem desse universo, o que reafirma que, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é muito maior que sua autora.</span></p>
<figure id="attachment_34583" aria-describedby="caption-attachment-34583" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-Potter-4-800x533.jpg" alt="A direita mais ao fundo da tela está Sirius Black. Ele está sujo e com vestes velhas e mal cuidadas. A esquerda e mais próximo a câmera está Lupin. Ele tem uma cicatriz no rosto em forma de garra. Ambos estão olhando para algo fora do plano" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-Potter-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-Potter-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-Potter-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Harry-Potter-4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34583" class="wp-caption-text">Alfonso Cuarón foi convencido a ler a saga Harry Potter depois de uma conversa com o diretor Guillermo del Toro (Foto: Warner Bros. Picture)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo isso não quer dizer que é preciso esquecer o que a J.K. Rowling tem propagado, pois a sua obra é carregada de sua ideologia. Porém, leva-la ao </span><a href="https://www.cinemafilia.com.br/post/obra-vs-artista-moralismo-micropol%C3%ADtica-e-falsas-simetrias-no-debate-do-s%C3%A9culo-xxi"><span style="font-weight: 400;">ostracismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a isenta de debate crítico e ignora o problema, portanto, faz a manutenção de um mundo problemático. Além disso, seria idealista demais e, até mesmo, um pouco alienante dizer que precisa separar o artista da obra, afinal, se não podemos julgar aqueles que ainda são fãs da saga mesmo após a polêmica, também não podemos com aqueles que a abandonaram, já que, como dito anteriormente, cada um tem uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HdlnCkID0Zo"><span style="font-weight: 400;">relação diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ademais, é uma ideia desumanizadora por ver a criação como algo fora do mundo, quando, na verdade, ele é criado a partir de uma maneira como a autora enxerga a sua realidade e se integra e molda esse mundo.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, </span></i><span style="font-weight: 400;">lançado há 20 anos atrás, deu início ao lado sombrio da saga, mas que para a surpresa de todos os fãs, se tornou mais sombrio na vida real com os discursos de ódio da autora. No entanto, a própria escritora se mostrou não estar no mesmo patamar de suas obras, que criou uma legião de fãs ao redor do mundo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNeqwfMb0ac"><span style="font-weight: 400;">definem para si</span></a><span style="font-weight: 400;"> o que todo esse universo significa. Em resumo, apesar das problemáticas em relação à J.K. Rowling, o terceiro longa da franquia é um ótimo filme que faz a transição do mundo fascinante e divertido para uma roupagem mais soturna, sem perder de vista o lado mágico.</span></p>
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		<title>A Freira 2 é tão aterrorizante que até mesmo encarar a tela se torna um desafio assustador</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Sep 2024 20:35:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Barbosa Em 2013, James Wan apresentou ao mundo Invocação do Mal, filme que deu início a um universo repleto de histórias que se conectam entre si, criando uma instigação nos espectadores a fim de acompanhar todas as narrativas que compõem esse espaço sombrio. Uma década depois, em 2023, o diretor Michael Chaves, que dirigiu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-freira-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Freira 2 é tão aterrorizante que até mesmo encarar a tela se torna um desafio assustador"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34002" aria-describedby="caption-attachment-34002" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3.jpg" alt="Imagem escura de uma cena do filme 'A Freira II'. No centro, um homem jovem de pele clara, cabelos escuros e cacheados. Seus olhos estão em um verde brilhante, boca aberta, e um líquido preto escorre por sua face na região da cabeça, olhos e boca. Ao fundo, vê-se a silhueta de uma freira com uma luz azul intensa ao redor. O cenário se passa em um ambiente antigo." width="1999" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34002" class="wp-caption-text">A Freira 2 adiciona mais um item na coleção do universo Invocação do Mal (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Barbosa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2013, James Wan apresentou ao mundo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k10ETZ41q5o"><i><span style="font-weight: 400;">Invocação do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que deu início a um universo repleto de histórias que se conectam entre si, criando uma instigação nos espectadores a fim de acompanhar todas as narrativas que compõem esse espaço sombrio. Uma década depois, em 2023, o diretor Michael Chaves, que dirigiu o ‘esquecível’ </span><i><span style="font-weight: 400;">Invocação do mal 3: A Ordem do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, adiciona um novo capítulo para essa coleção com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Freira 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, continuação da história que se iniciou em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pzD9zGcUNrw"><span style="font-weight: 400;">2018</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando não funcionou tão bem. Dessa vez, o longa não apenas manteve o </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/sep/10/the-nun-ii-review-a-bad-habit-thats-hard-to-break-taissa-farmiga-storm-reid"><span style="font-weight: 400;">mesmo caminho</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas até mesmo intensificou, o que resultou em uma experiência que, em comparação, pode ser considerada ainda mais decepcionante.</span></p>
<p><span id="more-34000"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a premissa seja amedrontadora, o novo projeto não apresenta muitas inovações no enredo em relação ao seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-freira-critica/"><span style="font-weight: 400;">antecessor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1956, após os acontecimentos do primeiro filme, um padre é assassinado e a suspeita da propagação do mal se mostra cada vez mais verdadeira. Ao pensar que havia escapado de Valak, a entidade demoníaca, a Irmã Irene (Taissa Farmiga), novamente é convocada para investigar as ocorrências e encarar, mais uma vez, esse inimigo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças com o longa anterior não se limitam exclusivamente ao roteiro. A atmosfera sombria e os sustos previsíveis são elementos que parecem ter sido reciclados, deixando o público com uma sensação de </span><i><span style="font-weight: 400;">déjà vu</span></i><span style="font-weight: 400;">. A falta de originalidade no desenvolvimento da trama contribui para uma narrativa que não consegue sustentar o mesmo nível de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/tenso-do-inicio-ao-fim-invocacao-do-mal-justifica-sucesso-no-exterior"><span style="font-weight: 400;">tensão e interesse</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Invocação do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Invocação do Mal 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> proporcionaram. Esperava-se que fosse apresentado uma certa evolução, porém, a repetição de alguns pontos gerou uma decepção nos fãs.</span></p>
<figure id="attachment_34003" aria-describedby="caption-attachment-34003" style="width: 1428px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3.jpg" alt="Imagem vertical, ao fundo há uma porta e em sua esquerda tem uma estante com livros antigos. No centro está a personagem Irmã Irene, uma mulher branca, utilizando vestes de freira, uma roupa longa e preta. Atrás dela, à sua direita está a Irmã Debra, uma mulher preta que usa as mesmas vestimentas." width="1428" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3.jpg 1428w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3-571x800.jpg 571w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3-732x1024.jpg 732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3-768x1075.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3-1097x1536.jpg 1097w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-3-1200x1680.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34003" class="wp-caption-text">O novo longa não consegue manter o mesmo sucesso de Invocação do Mal, criado por James Wan (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de contar com um bom elenco, a presença de nomes reconhecidos não consegue compensar as lacunas do roteiro. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tXAqfYuSMu4"><span style="font-weight: 400;">Taissa Farmiga</span></a><span style="font-weight: 400;">, de novo no protagonismo, oferece uma atuação competente, no entanto, a falta de desenvolvimento significativo da personagem compromete o envolvimento do espectador. </span><a href="https://collider.com/the-nun-2-storm-reid-character-michael-chaves-comments/"><span style="font-weight: 400;">Stormi Reid</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i><span style="font-weight: 400;">), que interpreta a Irmã Debra, tem seu brilho apagado, de certa forma, devido à ausência de crescimento e profundidade da beata. O protagonismo da Freira, que dá nome ao filme, se mostra ter sido ignorado, resultando em cenas de destaque escassas e uma falta frustrante de intensidade, terror e violência. A ausência de progresso nos arcos principais também deixa a desejar, o que prejudicou a capacidade do projeto de alcançar as expectativas criadas por conta do elenco famoso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Freira 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, realizada por Tristan Nyby, mantém a estética gótica e a paleta de cores sombrias, características marcantes do universo cinematográfico criado por James Wan. A direção de Michael Chaves tenta capturar a essência do Terror, mas o resultado final é uma repetição de clichês que já foram explorados em filmes anteriores do mesmo gênero. A falta de inovação, tanto no aspecto visual quanto no narrativo, contribui para a sensação de que a obra é mais uma tentativa de </span><a href="https://radiomixfm.com.br/a-freira-2-supera-sobrenatural-5-e-quebra-recorde-de-bilheteria-no-mundo-do-terror/"><span style="font-weight: 400;">capitalizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000033977/"><span style="font-weight: 400;">sucesso do original</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que algo autêntico e memorável por si só.</span></p>
<figure id="attachment_34001" aria-describedby="caption-attachment-34001" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34001" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4.jpg" alt="Imagem retangular. Ambiente escuro cheio de escombros de construção, como pedras e pedaços de madeira. Na imagem há quatro pessoas presentes, na esquerda, está a personagem Irmã Irene, uma mulher branca, utilizando vestes de freira e um salto de baixa altura. Em sua mão direita há uma lanterna e o lado esquerdo de seu rosto, em evidência na imagem, está mais escuro por conta de uma sombra. Ao fundo, no centro, está a personagem Irmã Debra, uma mulher preta, também utilizando as vestes de freira e salto de baixa altura. Em sua mão esquerda também há uma lanterna e a luz gerada ilumina seu rosto. Na esquerda, estão as personagens Sophie e Kate de perfil, Sophie está em evidência na foto, uma mulher branca de cabelo preso utilizando um macacão marrom e camiseta listrada. Ao lado aparece apenas a silhueta de Kate, que é uma mulher branca." width="1999" height="1372" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4-1024x703.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4-768x527.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4-1536x1054.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-4-1200x824.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34001" class="wp-caption-text">O roteiro consegue deixar a experiência com o novo filme pior do que o seu irmão mais velho (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas assustadoras presentes durante os 110 minutos de duração do longa falham, na maioria das vezes, em gerar, de fato, susto ou medo nos espectadores. Com a previsibilidade presente em todas as cenas, a audiência já espera que pode se assustar, decepcionando na criação do suspense. Mesmo com a adição de um elemento feito para assustar, como o </span><a href="https://twitter.com/ConjuringBrasil/status/1709208174736081321"><span style="font-weight: 400;">bode</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi criado para fazer uma alusão ao diabo em uma brincadeira entre as crianças da história, o filme ainda mantém a previsibilidade e não gera maiores emoções no público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É evidente que, por se tratar de um longa-metragem que faz parte do universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Invocação do Mal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Freira 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa que </span><a href="https://collider.com/the-nun-2-global-box-office-158-million/"><span style="font-weight: 400;">reverbera na mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas por pouco tempo. Ele mostra que se trata de um filme criado para o público não muito exigente do Terror, que o coloca como plano de fundo em encontros com amigos. Mesmo com um roteiro fraco e com muitas lacunas, Michael Chaves poderia ter feito um trabalho diferente e tentar contornar os problemas que aconteceram em seu irmão mais velho. Contudo, pela falta de inovação e a repetição de erros, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Nun 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) não se destaca e se torna uma obra muito fácil de ser esquecida pelo público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A FREIRA 2 | TRAILER OFICIAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0JZ8WGVSrwM?start=29&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 19:25:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é A Odisseia, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;"><strong>Aviso:</strong> Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir</span></em></p>
<figure id="attachment_33675" aria-describedby="caption-attachment-33675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides, interpretado por Timothée Chamalet, caminha sobre as areais do deserto de Arrakis em direção à câmera. Paul é um jovem branco de cabelo curto liso. Na cena, ele utiliza um trajestilador, uma roupa cinzenta e justa com cabos e placas lisas que cobrem o corpo inteiro. Paul utiliza um capuz preto e uma capa cinzenta translúcida. O personagem está no centro da imagem com um sol batendo acima dele e montanhas atras de si. O céu é de um amarelo quase bege e não há nuvens. Os olhos de Paul nesta imagens são azuis." width="800" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33675" class="wp-caption-text">O universo de Duna revolucionou a Literatura de ficção científica e, agora, revoluciona o Cinema do gênero (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é </span><i><span style="font-weight: 400;">A Odisseia</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de heróis por direito fundou muito do que se entende pelo ocidente hoje. Acontece que não só de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OmPvpDXox2Y"><span style="font-weight: 400;">histórias monumentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> viviam os gregos. As tragédias, compostas por pessoas paralisadas pelas teias do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kVgxQJlgDAQ&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=3"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de erros fatais irreparáveis, colocavam a audiência na linha tênue entre entretenimento e choque pelo que era representado nos palcos dos teatros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ésquilo, em </span><a href="https://www.metopera.org/discover/education/educator-guides/elektra/house-of-atreus/"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa de Atreus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, demonstra um exemplo de como determinadas crenças, ganância e crueldade podem condenar gerações de uma família a sofrer um ciclo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yaLvkqZ4VZc"><span style="font-weight: 400;">violência interminável</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua a mostrar a tragédia que acomete essa mesma linhagem dezenas de milhares de anos depois. A graça do filme é o diretor Denis Villeneuve somar o épico e o trágico igualmente, de uma forma que, como alguns diriam anos atrás, seria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oJOUHEJTmrc"><span style="font-weight: 400;">impossível</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para uma história com tanto peso na religião, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">faz a audiência acreditar que é possível ir ao cinema para presenciar um milagre.</span></p>
<p><span id="more-33663"></span></p>
<p><figure id="attachment_33676" aria-describedby="caption-attachment-33676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul entra em um duelo de facas com Feyd Rautha. Em ambos cantos da imagem é possível ver a silhueta de alguns Fremen em frente a uma janela translúcida que bloqueia a luz do sol forte no centro da imagem. À esquerda é possível ver Feyd de pé em uma posição ereta. Feyd um homem careca e albino utilizando uma armadura inteiramente preta, exceto pela cabeça que está desprotegida. Paul está de frente a Feyd em uma posição de guarda para a luta. Ambos seguram facas nas respectivas mãos direitas. É possível ver somente as silhuetas pretas desses personagens em frente a grande janela amarelada pelo sol ao fundo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33676" class="wp-caption-text">Duna: Parte 2 é o Império Contra-Ataca (Star Wars) da saga de Frank Herbert [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A sequência começa imediatamente após o final anticlimático do primeiro filme: com Paul Atreides (Timothée Chalamet) e Lady Jessica (Rebecca Ferguson) após terem sido atacados. Depostos pela Casa Harkonnen e deixados para morrer no deserto, a dupla se adapta à vivência com os </span><a href="https://br.ign.com/dune/92230/preview/duna-conheca-tudo-sobre-os-fremen"><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o povo nativo do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde o início, a relação entre esses personagens e a cultura de um mundo diferente é cercada de desconfianças e manipulações muito bem construídas. É a partir de diálogos bastante diretos que as maquinações pensadas por cada família ficam claras no universo gigante fundado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yhYU4ZbLmmk"><span style="font-weight: 400;">Frank Herbert</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1965. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de ser uma adaptação bastante fiel ao livro, decide focar principalmente em um único tema. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0pdqxSyro_M"><span style="font-weight: 400;">ecologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta é deixada de lado no roteiro, para se debruçar totalmente no tópico do fanatismo religioso em um contexto colonialista. A história avança fazendo com que a audiência se impressione com a escala grandiosa dos eventos, mas tudo é feito para deixar uma ‘pulga atrás da orelha’ de quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro longa, apresentam-se uma grande variedade de personagens – centrais e coadjuvantes – que não servem apenas para compor cena, pois todos se relacionam com algum aspecto importante do universo criado por Herbert. Porém, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><span style="font-weight: 400;">filme de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> falha em desenvolver toda essa gama de indivíduos, tornando-os desinteressantes e, em alguns casos, sem propósitos narrativos, o que prejudica o envolvimento do público. Felizmente, o roteiro de Denis Villeneuve e </span><a href="https://mashable.com/article/dune-part-two-jon-spaihts-interview-dune-messiah"><span style="font-weight: 400;">Jon Spaihts</span></a><span style="font-weight: 400;"> amadureceu com o tempo – algo que trouxe arcos melhor estruturados, atrelados a personalidades únicas e marcantes.</span></p>
<figure id="attachment_33674" aria-describedby="caption-attachment-33674" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33674" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Jessica, uma mulher branca de olhos azuis e cabelos escuros e lisos encara um ponto fora da tela. A câmera está focada no rosto dela coberto de tatuagens de hieróglifos. Jessica utiliza uma roupa característica das Bene Gesserit. A roupa se trata de um capuz marrom-avermelhado com detalhes dourados ao redor do capuz. Há um lenço amarelo embaixo do capuz e cobrindo a cabeça de Jessica. O visual ainda conta com um chapéu redondo que cobre inteiramente o cabelo e topo da cabeça da personagem. Desse chapéu, descem tiras douradas que forma linhas em frente ao rosto de Jessica presas por um enfeite retangular." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33674" class="wp-caption-text">Para o figurino de Lady Jessica foram usadas referências da cultura Touareg do Marrocos, com linho e cores claras (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/tNcsWDc4w2o?si=L0NViSjyCgpUfT8-"><span style="font-weight: 400;">Paul Atreides</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o personagem que apresenta a melhor evolução, não só entre os filmes, mas também dentro desta sequência. O protagonista começa humilde, empático e concessivo, o que contrasta com a postura mais autoritária e messiânica que surge ao longo da narrativa. E como se não bastasse só o texto bem escrito, a performance de </span><a href="https://youtu.be/TJL2ul-RXGI?si=zEAKNj1jnM1EY_jp"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> é genial, captando todas as nuances da transformação de Atreides para </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’dib</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o ator faz com que as suas falas sejam impactantes, mesmo aquelas que estão em um idioma fictício. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores e mais importantes arcos dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dune: Part Two</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o de Lady Jessica Atreides, que se aprofunda tanto na mitologia do povo do deserto – os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> – quanto nas intenções políticas da ordem das </span><a href="https://editoraaleph.com.br/a-sociedade-matriarcal-em-duna-e-as-bene-gesserit/"><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem relação direta com o tema principal da trama: a religião e como ela pode ser um instrumento muito poderoso de manipulação de massas. Jessica, mãe de Paul Atreides, entende essa questão e é exatamente por isso que decide usá-la ao seu favor, mesmo que isso vá de encontro com as vontades do seu filho. Nesse papel, </span><a href="https://youtu.be/b_Z1FCukLps?si=KeAVL37MYLpLYRJF"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance complexa, pesada, que flerta com a vilania, mas que nunca deixa de ser cativante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve e Spaihts souberam muito bem adaptar o material original por não se prenderem apenas em transpor o livro para a tela, mas se desafiarem a alterar acontecimentos e personagens em prol de fortalecer sua narrativa. Lady Jessica, no material base, critica constantemente o caminho messiânico e violento tomado por Paul; enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">Reverenda Madre</span></i><span style="font-weight: 400;"> está bem confortável com a ideia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vLhrS5rag_o"><span style="font-weight: 400;">manipular</span></a><span style="font-weight: 400;"> os mais fracos e vulneráveis.</span></p>
<figure id="attachment_33673" aria-describedby="caption-attachment-33673" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33673" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani encara Paul, que está fora do enquadramento, com um semblante irritado. A personagem é uma jovem negra de cabelo crespos e curtos e olhos inteiramente azuis. A personagem utiliza uma armadura cinza com textura áspera que cobre todo o corpo, exceto a cabeça. Atrás dela, é possível ver alguns fremen desfocados." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33673" class="wp-caption-text">De coadjuvante a papel central, Chani é uma das personagens mais influentes em Duna: Parte 2 (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No romance de Frank Herbert, </span><a href="https://youtu.be/9_EEraYR-qo?si=44AWXWNQa6iD31wf"><span style="font-weight: 400;">Chani</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) é passiva e se limita em aceitar as decisões do protagonista, o que a torna tanto amante como seguidora do </span><a href="https://open.spotify.com/episode/2Qov5o8JCvflGpZPKCE7mN?si=031b746a51664caf"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, a </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece para a audiência nas duas partes da adaptação</span> <span style="font-weight: 400;">como uma bússola moral. O longa a transforma em uma descrente das profecias, e essa convicção, unida a sua personalidade segura de si, criam pontos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWQIvegIYEQ"><span style="font-weight: 400;">conflito</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre ela e Paul Atreides. Tal decisão torna a interpretação de Zendaya mais interessante e ajuda a engajar o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os antagonistas apresentam um desenvolvimento mais fraco se comparado aos protagonistas, já que todos os Harkonnen compartilham de traços de personalidade similares, como violência, impiedade e sede de poder. O que os torna únicos é o visual absurdo empregado em cada um deles: se não fosse a estética requintada alinhada à interpretação imponente de </span><a href="https://youtu.be/l5nLONCv6Kg?si=hyOzyXXMNOA_TilC"><span style="font-weight: 400;">Stellan Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Barão Vladimir, e </span><a href="https://youtu.be/kwwDznO3EMQ?si=5DaXMzyY49NEIT-G"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Feyd-Rautha, os personagens poderiam se tornar genéricos, mas há pinceladas de individualidade o suficiente que os tornam ameaçadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As demais interpretações estão alinhadas com os propósitos da narrativa. Stilgar Ben Fifrawi (</span><a href="https://youtu.be/Rj9BT0THWLE?si=2QYPeRA0X16OZWgX"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">) personifica os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">que ainda acreditam no Messias cegamente, o que faz com que ele transite entre a figura cômica e aquele irracional pela própria fé incondicional. Já a Princesa Irulan Corrino (</span><a href="https://youtu.be/0YQHYM17wkg?si=SEIHHMX9YO12x_o8"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), serve para vislumbrarmos as consequências políticas do primeiro filme, além de atiçar o público para a sequência. As performances mais fracas ficam por conta de </span><a href="https://youtu.be/_Ibvk_oAbpU?si=65QFfOlgZ6pb8rtr"><span style="font-weight: 400;">Christopher Walken</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Imperador Shaddam IV, e </span><a href="https://youtu.be/AkxguPOSDxA?si=xgi861NAvEc05r-B"><span style="font-weight: 400;">Josh Brolin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que retorna como Gurney Halleck, por causa do menor tempo de tela e pela desconexão com a trama.</span></p>
<figure id="attachment_33672" aria-describedby="caption-attachment-33672" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33672" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul, à esquerda, encara o céu. Chani, à direita, segura uma bazuca com as duas mãos e à leva ao ombro para mirar em direção à câmera. A personagem mantém um dos olhos fechados para mirar. A arma utilizada por Chani é retangular e possui uma tela cinzenta apagada também retangular nas laterais. Ambos os personagens utilizam os trajestiladores cinzas, mas com um capacete redondo e uma máscara facial que cobrem o rosto inteiro exceto os olhos." width="800" height="414" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1024x530.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-768x397.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1200x621.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33672" class="wp-caption-text">O design dos maquinários dos Harkonnen se baseia em aracnídeos para reforçar sua ameaça (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão da trama também melhora no novo capítulo, pois como o primeiro longa deixou um gancho para a sequência, havia a sensação da história parecer incompleta e </span><a href="https://youtu.be/oI464xDu3KU?si=fgeHJuc0ruPbXe5B"><span style="font-weight: 400;">sem final</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já a segunda parte parece mais inteira, pois possui uma linha narrativa melhor desenvolvida – com início, meio e fim bem delimitados e satisfatórios – tirando o gosto amargo deixado pela experiência anterior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparado com o primeiro filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um ritmo muito melhor. O </span><a href="https://youtu.be/uBKH8WaMWSo?si=AtOP4O5vKQw-z3Uj"><span style="font-weight: 400;">longa de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> adapta um trecho introdutório do livro original, e apresenta conceitos básicos do universo – o que faz a trama demorar, tornando a narrativa insossa. Já a sequência se beneficia da transposição do clímax da publicação </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi </span></i><span style="font-weight: 400;">para as telonas: a direção de Denis Villeneuve consegue aproveitar bem isso, e faz a história ser impressionante, trágica, intensa, angustiante e, acima de tudo, deslumbrante</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pontos positivos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mantiveram neste novo capítulo. O </span><a href="https://www.elledecor.com/life-culture/a38066050/dune-set-design/"><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> feito por Patrice Vermette – </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/oscar-2022-duna-premiacoes-tecnicas"><span style="font-weight: 400;">vencedor do Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2022 – continua impecável e encantadora. Nesta segunda parte, mergulhamos ainda mais na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu ao diretor de Arte mergulhar ainda mais nas referências de culturas do Oriente Médio somadas às identidades visuais de civilizações Incas e Astecas. A confluência de referenciais foi essencial para criar uma personalidade única e reconhecível ao universo de Herbert.</span></p>
<figure id="attachment_33671" aria-describedby="caption-attachment-33671" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33671" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Feyd-Rautha encara o Barão Harkonnen, que está fora do enquadramento. O personagem está no centro da imagem olhando para cima, de forma que a câmera o vê de baixo. O personagem utiliza uma armadura preta que deixa o peito, pescoço e braços levemente expostos. Feyd está com um semblante raivoso." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33671" class="wp-caption-text">Os fogos de artifício que aparecem na cena de Giedi Prime foram inspirados em imagens de células cancerígenas (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais deslumbrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">é a sequência em </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, planeta natal dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, por decisões estéticas de Villeneuve, foi toda feita em preto e branco, o que remete ao caráter colonizador da dinastia. Dessa forma, Vermette se inspirou em </span><a href="https://www-dezeen-com.translate.goog/2024/03/19/dune-part-two-production-design-patrice-vermette-interview/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=sc"><span style="font-weight: 400;">visuais plásticos e oleosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lembram o petróleo, e o resultado é um cenário opressor, repulsivo e nojento, características que se encaixam perfeitamente no grupo de antagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia também possui muitos méritos por essa sequência, pois o diretor de Fotografia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=39p8wPkhmtM"><span style="font-weight: 400;">Greig Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que retorna à sequência após ter ganhado o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo primeiro capítulo –, se desafia ainda mais neste longa. Para passar a sensação do sol negro que ilumina </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, usaram-se câmeras infravermelhas e dessaturação, o que proporcionou às cenas um tom mais natural e opressivo ao mesmo tempo, ajudando a diferenciar a ecologia de cada planeta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que haja muitos elementos fantasiosos em cena, Fraser e Denis </span><span style="font-weight: 400;">Villeneuve buscaram manter um viés realista nas filmagens e enquadramentos. Todo o segmento de Paul montado pela primeira vez no </span><a href="https://youtu.be/7E6AcXUKSVA?si=Wj2dPH_FJL_ESmod"><span style="font-weight: 400;">verme</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirado em vídeos de pessoas mergulhando e enfrentando vendavais, e o referencial mais próximo da realidade junto de </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">mais intensos faz com que o espectador se sinta na pele de </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’Dib</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33670" aria-describedby="caption-attachment-33670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides monta o verme-de-areia shai-hulud que está indo para a direita da imagem. O personagem está em frente ao sol em uma posição que tenta manter o equilíbrio. Paul está com o corpo inteiramente coberto pelo trajestilador e um capuz alaranjado na cabeça que esvoaça com o vento. O personagem é visto de lado e ele segura duas cordas com ambas as mãos que se conectam em um ponto fora do enquadramento. É possível ver apenas um pedaço do verme com pele cinzenta e áspera e cheia de elevações." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-768x461.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33670" class="wp-caption-text">A cena do verme demorou semanas para ser gravada, pois necessitava de vários ângulos diferentes (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Villeneuve do segundo capítulo consegue entregar cenas de ação ainda mais empolgantes que o primeiro, dando o tom épico que </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">merecia. A batalha final é grandiosa e espetacular, e é um deleite para quem se permitiu imergir naquele mundo. O deserto parece mais vivo, e o diretor se inspira em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HxejohkhRuQ"><i><span style="font-weight: 400;">Lawrence da Arábia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1962) para filmar e transformar aquele cenário em um personagem vivo e atuante na trama, algo perceptível durante toda a projeção, principalmente nas interações entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem pertencer a uma mesma tribo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O único ponto negativo da cinematografia, também presente na </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, é que a sensação de calor do deserto nunca é transmitida para o espectador. Jamais vemos Paul Atreides, Lady Jessica, Stigar ou qualquer soldado Harkonnen sofrer com o sol. Ter essa percepção auxiliaria na construção do mundo, pois os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">pareceriam mais ameaçadores por viver naquelas condições, além de demonstrar ao público como aquela terra é inóspita. Isso é algo que pode ser melhor visto em outros filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max: Estrada da Fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<figure id="attachment_33669" aria-describedby="caption-attachment-33669" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33669" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides encara o shai-hulud que irá montar. A câmera está em plano detalhe destacando os olhos do personagem, que nesta cena ainda são verdes. O personagem utiliza uma máscara e capacete de trajestilador e um lenço laranja cobrindo o restante da cabeça." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-768x403.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33669" class="wp-caption-text">Os linguistas David J. Peterson e Jessie Peterson criaram a Chakobsa, a linguagem usada pelos fremen (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer retorna para a trilha sonora da sequência, reutilizando muito do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93A1ryc-WW0"><span style="font-weight: 400;">primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem deixar de expandir o que já foi feito. As músicas aqui servem não só para demonstrar a grandeza e o aspecto único da história, mas também para dar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r5SE6VOIwnc"><span style="font-weight: 400;">toque funesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> às consequências dos atos dos protagonistas. Reconhecer algumas melodias não incomoda, pois se tem a experiência de ver </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> criar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TXD-ypn_g0c"><span style="font-weight: 400;">identidade sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> própria, bem distante das orquestras sinfônicas europeias que Zimmer conseguiu, com sucesso, se afastar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">Water of Life</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Worm Ride </span></i><span style="font-weight: 400;">são semelhantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Gom Jabbar </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ripples in the Sand </span></i><span style="font-weight: 400;">do primeiro filme, mas possuem diferenças cruciais. Uma das maiores novidades é o ritmo completamente frenético das composições utilizadas pelas cenas de ação, em que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> da juventude de Hans Zimmer é abraçado, como na trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">Harvester Attack</span></i><span style="font-weight: 400;">. A brilhante </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/who-is-the-dune-score-singer-hans-zimmer-loire-cotler#:~:text=Singer%20Loire%20Cotler%2C%20who%20describes,the%20Last%20Dragon%2C%20as%20well"><span style="font-weight: 400;">Loire Cotler</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para fazer o já icônico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_j5GgGdSwjE"><span style="font-weight: 400;">vocal gutural</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao mesmo tempo, alienígena para as novas faixas.</span></p>
<figure id="attachment_33668" aria-describedby="caption-attachment-33668" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33668" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani, à esquerda, e Paul, à direita, estão sentados em uma duna de areia observando o restante do deserto de Arrakis. A imagem é um plano aberto que coloca os personagens fora de foco e destaca a imensidão de Dunas de areia em frente a eles. No horizonte, é possível ver somente um céu amarelado." width="800" height="413" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1024x528.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-768x396.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1536x793.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-2048x1057.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1200x619.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33668" class="wp-caption-text">Hans Zimmer e a equipe modificaram instrumentos para trazer melodias únicas à Arrakis (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tVX2ZWsejLs"><span style="font-weight: 400;">humanizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os sentimentos dos personagens. O primeiro filme falha em não apresentar esse lado emocional e utiliza as faixas principalmente para ambientar o planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a sequência se beneficia muito da </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que coloca as famílias e os povos apresentados sob a luz de uma série de espectros emotivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior destaque fica para a belíssima </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7lG5m4JN0exualOkghSNXq?si=bf1276246d0645b9"><i><span style="font-weight: 400;">A Time of Quiet Between Storms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, utilizada como rima sonora para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JGLEVXJoetU&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=17"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Chani e Paul. A música foi composta por Zimmer com o intuito de representar o conceito de amor – e é possível dizer que o compositor conseguiu. A trilha complementa, por meio do som da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9B8quqDC_MM"><span style="font-weight: 400;">flauta duduk</span></a><span style="font-weight: 400;">, as belezas do cenário desértico do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da relação ingênua e inocente entre os personagens naquele cenário hostil. </span></p>
<figure id="attachment_33667" aria-describedby="caption-attachment-33667" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png" alt="Imagem de uma Apresentação ao vivo do compositor Hans Zimmer: À esquerda, Loire Cotler grita no microfone enquanto Hans Zimmer, à direita, fora de foco e atrás dela, toca guitarra. Cotler é uma mulher branca de cabelo loiro e um semblante raivoso. A cantora utiliza um vestido marrom e um lenço amarelado ao redor do pescoço. Hans Zimmer utiliza uma camisa branca e possui um semblante alegre no rosto. Atrás deles é possível ver outros músicos fora de foco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33667" class="wp-caption-text">Loire Cotler é descrita por Hans Zimmer como dona de uma voz de banshee (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A recontextualização da mesma melodia no final do filme, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Kiss the Ring</span></i><span style="font-weight: 400;">, só reitera as tristes mudanças sofridas por Chani e Paul até o desfecho da história. É possível ouvir sons ao fundo que lembram um martelador, mas se tratam de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AkZBjK69VcE"><span style="font-weight: 400;">coração batendo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A principal impressão que a produção</span> <span style="font-weight: 400;">deixa é justamente a de que a direção de Denis Villeneuve finalmente encontrou um caminho que faça a audiência se importar de vez e se maravilhar com o que é apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, Hans Zimmer não rouba o espaço de Richard King, o editor de som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os sons de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eWV3Om6oHCM"><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são tão bem inseridos na trama que fica fácil esquecer, por alguns segundos, que estamos em 2024 e não a 10 mil anos no futuro. Essa impressão aparece seja pelo barulho das usinas colheitadeiras operando e explodindo, ou pelo rugido jurássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">shai-hulud</span></i><span style="font-weight: 400;"> para os personagens.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dune: Part Two (Original Motion Picture Soundtrack)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1PeYjDmxcRNvxLd5mGHuCC?si=5dklBOMYQSm_RL_LHzfIkg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores usos de som na narrativa é a característica quase fantasmagórica da </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-bene-gesserit-quem-sao"><span style="font-weight: 400;">Voz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto no primeiro filme vemos apenas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l9fvEDpub8M"><span style="font-weight: 400;">breves momentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do uso da habilidade das </span><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i><span style="font-weight: 400;"> de controlar a mente das pessoas, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> possibilita ver muitas aplicações criativas desse método. Vale menção tanto ao uso dela pela Lady Jessica quanto pelas breves aparições com toque </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxuz2o1uKf4"><span style="font-weight: 400;">Lady Fenring</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada por Léa Seydoux. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as combinações sonoras não param apenas nas características alienígenas e futurísticas interagindo de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gkf_rdROyWw"><span style="font-weight: 400;">plausível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a areia. A mistura entre a cinematografia de uma epopeia e o som de outro planeta nos ajuda a entender o número chocante de seguidores que Paul Atreides conseguia conforme o avançar da história. Ouvir o puxar coletivo das centenas de milhares de </span><a href="https://open.spotify.com/episode/49778nkGPfMUfp9yrlDhOg?si=65d8579ee7434433"><i><span style="font-weight: 400;">dagacrises</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sussurros que evoluem para gritos de guerra fiéis ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma experiência inesquecível para os ouvidos de qualquer um. </span></p>
<figure id="attachment_33666" aria-describedby="caption-attachment-33666" style="width: 688px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-11.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Fenring caminha em um corredor cinzento em forma de tubo com linhas destacando-se com um relevo arredondado. Lady Fenring é uma mulher jovem e branca de cabelos loiros. A personagem está no centro da imagem e é vista de perfil. A mulher utiliza um um vestido azul com um tecido parecido com veludo. Lady Fenring retira uma capa completamente preta com uma textura quase plástica. A personagem possui um semblante calmo e com os olhos fechados." width="688" height="581" /><figcaption id="caption-attachment-33666" class="wp-caption-text">As sombrias e misteriosas Bene Gesserit retornam para o seriado Dune: Prophecy (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O saldo geral da segunda parte inspirada no clássico de Frank Herbert é de expansão, tanto do primeiro filme quanto do próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgEG0GW5a0A"><span style="font-weight: 400;">livro original</span></a><span style="font-weight: 400;">, embora muito da obra fique de fora. Além do maior destaque dado para as Casas </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/280534-duna-2-conheca-seis-casas-faccoes-principais-filmes.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Corrino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e para o universo que cerca essas famílias, em comparação ao longa de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> aprofunda a cultura dos </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo uma distinção entre os povos do norte e do sul. Essa decisão é acertada, pois demonstra as diferenças de ideias entre as pessoas daquele povo. </span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">A melhor decisão da adaptação de Denis Villeneuve é justamente mostrar, sem rodeios para a audiência, o quanto a história proposta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=68ZPO402dqo"><span style="font-weight: 400;">subversiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">tenha muitos arquétipos de histórias de ficção científica – como um herói clássico super poderoso e um povo nativo para supostamente ser salvo –, é a partir da crítica sobre esses tropos narrativos, somada a um olhar questionador à religião e ao colonialismo, que a obra original se tornou clássica.</span></strong></p>
<figure id="attachment_33665" aria-describedby="caption-attachment-33665" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem, aparecendo apenas o rosto, está Stilgar. Ele é um homem branco, seus olhos são azuis e ele tem uma barba preta. Ele veste o trajestilador e possui um tubo que sai da nuca, segue pelo lado direito do rosto e se conecta ao nariz. Ele também usa um lenço na cabeça. Seu olhar é de espanto. Atrás dele está o deserto e alguns fremen em desfoque." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33665" class="wp-caption-text">“Lisan al Gaib!” (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve claramente não quis correr o risco da audiência não entender essa mensagem sobre o perigo de figuras messiânicas, mesmo que não pudesse escapar de uma estética </span><a href="https://www.politize.com.br/orientalismo/"><i><span style="font-weight: 400;">techno</span></i><span style="font-weight: 400;">-oriental</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente desde as raízes da </span><a href="https://newlinesmag.com/review/dune-frank-herbert-the-republican-salafist/"><span style="font-weight: 400;">proposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Herbert. Nessa perspectiva, são poucos os personagens com </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a60007426/dune-2-middle-east-north-africa-muslim-influence-erasure/"><span style="font-weight: 400;">ascendência árabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes com destaque nos acontecimentos, mesmo que palavras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=124xCHfVUk4"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mahdi </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam repetidas à exaustão, tornando-se até fontes para incontáveis </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9Jhy0NeEDg&amp;t=113s"><i><span style="font-weight: 400;">memes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">não sejam um povo necessariamente árabe na obra original, uma maior </span><a href="https://www.vulture.com/2021/10/dune-has-a-desert-problem.html"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente e atrás das câmeras seria mais benéfica para </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">. A resistência em não deixar a humanidade se extinguir é um dos temas principais do livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rIqnuBOtYFA"><i><span style="font-weight: 400;">Imperador-Deus de Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e da saga inteira em geral. Nesse sentido, focar em narrativas de um povo da vida real que </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/reports/a46597986/why-muslim-women-wear-the-hijab/"><span style="font-weight: 400;">sobrevive</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apesar de todas as circunstâncias –, em não deixar a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G1j_Q_JraL0"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer, faria todo o sentido dentro da lógica do universo proposto.</span></p>
<figure id="attachment_33664" aria-describedby="caption-attachment-33664" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem está Chani, ela veste o trajestilador e está com o cabelo preso. Ela encara Paul. Ao redor dela estão os fremen, todos estão desfocados, mas a maioria é barbado, são negros, usam o trajestilador e um leço ao redor da cabeça." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33664" class="wp-caption-text">As ações de Chani são um dos fatores que mais empolgam para um possível ‘Messias de Duna’ (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda parte da epopeia de Denis Villeneuve supera o antecessor e abre portas para uma </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/a-unica-condicao-de-denis-villeneuve-para-dirigir-duna-3/"><span style="font-weight: 400;">sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conclua a jornada de todos essesP personagens, bem como o fechamento do tema sobre as figuras messiânicas. O romance escrito por Frank Herbert </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-influencia-ficcao-cientifica#:~:text=Mesmo%20ap%C3%B3s%20in%C3%BAmeras%20mudan%C3%A7as%20no,literal%20a%20trama%20de%20Duna."><span style="font-weight: 400;">inspirou</span></a><span style="font-weight: 400;"> centenas de histórias de ficção científica e de fantasia, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">promete influenciar muitas obras que ainda virão. A franquia está alcançando o imaginário popular através de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-BsXtS09XZg"><span style="font-weight: 400;">temas relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, um universo muito bem estruturado e um elenco marcante. A soma de todos esses fatores resulta em uma aventura de outra galáxia, que torna a experiência de ir ao cinema inesquecivelmente épica. </span></p>
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		<title>Robôs gigantes salvaram o Cinema com o poder da amizade em Círculo de Fogo</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 18:18:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Mateus &#8220;Sempre pensávamos que vida alienígena viria das estrelas, mas veio das profundezas do mar&#8220;, explica o protagonista Rayleigh nos primeiros segundos do filme sobre a reviravolta que seu mundo sofreu, cuja consequência foi uma guerra contra seres de fora do planeta que durou mais de dez anos. Círculo de Fogo (2013) constrói um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circulo-de-fogo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Robôs gigantes salvaram o Cinema com o poder da amizade em Círculo de Fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33476" aria-describedby="caption-attachment-33476" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “Círculo de Fogo” (2013). Em um mar turbulento e céu fechado, quatro robôs gigantes se preparam para lutar. A câmera está inclinada para cima, mostrando a grandiosidade das máquinas. no canto inferior esquerdo há um navio tentando escapar das ondas geradas pelos robôs. Mais à esquerda está o Jaeger de três braços “Crimson Typhoon”, distante porém correndo em direção à câmera. Sua lataria é vermelha e ele possui um único olho brilhante. Ao centro e mais a frente está “Gypsy Danger”, com armadura azulada e um centro de energia que brilha vermelho em seu peito. Dois helicópteros a rodeiam. À direita de Gypsy está “Eureka Striker”, com os braços robóticos armados com duas gigantes facas de duas lâminas e lataria prata metálica. Por fim, mais distante à direita está “Cherno Alpha”, de cor verde e cabeça semelhante a uma torre." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33476" class="wp-caption-text">“A sorte favorece os corajosos, cara” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Mateus</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre pensávamos que vida alienígena viria das estrelas, mas veio das profundezas do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, explica o protagonista Rayleigh nos primeiros segundos do filme sobre a reviravolta que seu mundo sofreu, cuja consequência foi uma guerra contra seres de fora do planeta que durou mais de dez anos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) constrói um plano de fundo que se leva extremamente a sério, mas lava seus elementos realistas com as verdades de sua narrativa: a pura </span><a href="https://talkfilmsociety.com/articles/pacific-rim-guillermo-del-toro-kaiju-jaeger"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a total admiração por robôs gigantes batendo em alienígenas ainda maiores. </span></p>
<p><span id="more-33470"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse clássico recente da ficção científica completou uma década em 2023 e envelheceu como vinho devido ao carinho do diretor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo Del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">. O cuidado e a afeição tanto de Del Toro quanto de seu time de produção transparece em cada cena, e demonstra uma sincera homenagem às animações japonesas de</span> <a href="https://cosmonerd.com.br/animes-e-mangas/mecha-o-subgenero-dos-robos-gigantes/"><i><span style="font-weight: 400;">mechas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/evangelion-thrice-upon-a-time-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Evangelion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997), e aos clássicos do gênero </span><a href="https://formigaeletrica.com.br/cinema/artigos/introducao-aos-kaiju/"><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1954). O típico romantismo das obras do diretor, evidenciado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), não está presente em sua literalidade – ou literariedade – aqui. Sua paixão, porém, ainda se manifesta nas características irreverentes do gênero, a exemplo do próprio sentimentalismo que constrói o caráter nostálgico do filme. </span></p>
<figure id="attachment_33474" aria-describedby="caption-attachment-33474" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2.jpg" alt="Gravação de uma cena dentro de um Jaeger em Círculo de Fogo (2013). Em frente a uma tela verde está construído um cenário que simula o ambiente dentro de um robô gigante, enquadrando a foto com engrenagens e pistões vermelho-brilhantes simetricamente em ambos os lados. Ao centro está o painel de controle, e duas pessoas ao seu lado em pé, porém conectadas nos braços, pernas e capacetes ao resto da maquinaria. Suas armaduras e equipamentos são cinzentos, e os botões no painel de controle são amarelos e contam com duas telas azuis." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33474" class="wp-caption-text">Além dos efeitos digitais de grande escala, todas as cenas dentro dos Jaegers tiveram efeitos práticos (Foto: Roadshow Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais elementos que demonstra a profundidade de pensamento do diretor é a construção do mundo. A sociedade retratada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é complexa e interessantíssima, mesmo que seja apenas para a </span><a href="https://atenaeditora.com.br/catalogo/post/imaginario-multiculturalismo-e-apocalipse-no-filme-circulo-de-fogo"><span style="font-weight: 400;">ambientação da narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não para o próprio enredo. Cada minúcia de um planeta em guerra contra alienígenas colonizadores foi pensada: desde itens, como uma nova arquitetura para proteger as cidades desses gigantes, novas alianças políticas entre países e até uma crise ambiental causada pelo sangue extraterrestre derramado. O resultado é um mundo nítido e vívido que, embora distópico, desperta a vontade de vivenciá-lo em toda a sua tatilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de colorido e bem construído, a cinematografia deixa a desejar, por vezes, caindo em um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/robotica/44450-uncanny-valley-o-abismo-entre-o-real-e-a-simulacao.htm"><i><span style="font-weight: 400;">uncanny valley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na gradação de cores. O filme é gravado de maneira inteiramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cfNKtxGMHig"><span style="font-weight: 400;">digital</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que faz os tons de preto serem extremamente profundos e o contraste entre as cores seja forte demais em alguns enquadramentos. O objetivo é claro: facilitar ainda mais a conexão do filme às animações japonesas – porém, em um filme live action, essa saturação de cores pode destoar demais da realidade pintada. O principal exemplo é o do palácio dourado do criminoso Hannibal Chau, interpretado pelo sempre ilustre e caricato Ron Perlman. A cena é dirigida com maestria, mas a dor de cabeça causada pela combinação enojante de verde e amarelo, não tanto.</span></p>
<figure id="attachment_33473" aria-describedby="caption-attachment-33473" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3.jpg" alt="Cena de Hannibal Chau em seu castelo do crime no filme Círculo de Fogo (2013). Chau é interpretado por Ron Pearlman, um homem branco de cabelos e barba brancos e porte médio. Ele traja óculos escuros e um terno de três peças vermelho, de o blazer e calça bordô com detalhes intrincados e colete vermelho vívido com uma corrente dourada acoplada, além de uma gravata também dourada. Ele está com os dois braços para cima e com as mãos abertas, com uma expressão séria no rosto. Ao fundo estão prateleiras cheias de jarras brilhantes verdes e amarelas com órgãos amorfos de Kaiju, enquadradas entre dois armários de madeira de gavetas quadradas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33473" class="wp-caption-text">Ron Perlman interpreta Hannibal Chau, um traficante de órgãos de Kaiju (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro desse universo extremamente detalhado, a narrativa se contrapõe em sua simplicidade, tendo sua trama focada apenas em entregar a ação mais bombástica possível. O roteiro de Travis Beacham e Guillermo del Toro, inclusive, perdeu um pouco de seu impacto com a idade: o </span><a href="https://pacificrim.fandom.com/wiki/Timeline_(Pacific_Rim)"><span style="font-weight: 400;">futuro distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da década de 2020 mostrado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> virou piada agora que enfrentamos coisas talvez piores. Em 2013, a maior ameaça imaginada do então futuro próximo eram as consequências sociopolíticas de invasões extraterrestres. No verdadeiro 2020, a humanidade foi dizimada por algo mais próximo de um filme de zumbis do que de uma espalhafatosa guerra entre </span><i><span style="font-weight: 400;">mechas </span></i><span style="font-weight: 400;">e monstros gigantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama pode ter perdido certa essência com o passar dos anos, mas sua construção continua sendo ideal para o produto que deseja ser. A lógica do longa-metragem trabalha com o contratempo de uma história despretensiosa, enquanto investe em todos os outros aspectos de produção para elevá-la a uma </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/149377-30-maiores-filmes-ficcao-cientifica-decada-passada.htm"><span style="font-weight: 400;">ficção científica inesquecível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33472" aria-describedby="caption-attachment-33472" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-4.gif" alt="GIF do filme Círculo de Fogo (2013). O Mecha gigante Gypsy Danger está em centro, e acerta o punho esquerdo em sua palma direita, enquanto quatro pessoas, identificadas apenas como silhuetas de costas à câmera, o assistem de uma plataforma ao nível do peito do robô. Danger possui um visor dourado, e sua lataria é cinza escura. Em seu peito está seu gerador de energia, uma gigante e giradora válvula de escape que brilha laranja. O fundo mostra o galpão repleto de holofotes em que os Jaegers residem." width="500" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-33472" class="wp-caption-text">A melhor arma contra um Kaiju é um soco bem dado (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais elementos mais enaltecedores do filme é a atuação, novamente sendo mais um fator responsável por transformar o roteiro em um empolgante espetáculo. As personagens estereotipadas ganham uma nova dimensão com a clara paixão dos atores neste projeto. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Idris Elba</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Stacker Pentecost, por exemplo, representa o típico e estóico general com um coração de ouro, e entrega o melhor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-7Sow81yi24"><span style="font-weight: 400;">discurso inspirador de fim de mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da última década. O personagem que, até então, não havia expressado abertamente a profundidade de seu apreço pelas pessoas à sua volta, traz na fala a esperança de alguém que, mesmo nas mais sombrias circunstâncias, encontra a solução de todas as angústias em confiar na comunidade que construiu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros destaques são Burn Gorman e Charlie Day, que dão vida, respectivamente, ao matemático Hermann Gottlieb e ao xenobiólogo e roqueiro Newton “Newt” Geiszler. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8an--OL80DE"><span style="font-weight: 400;">Os cientistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivem um relacionamento conturbado, trazendo um humor indispensável para dar leveza à tensão constante da história. Entre suas disputas filosóficas e briguinhas infantis, o par de inimigos com tensão homoerótica palpável descobre o quanto verdadeiramente se importam um com o outro, e, trabalhando juntos, conseguem unir a sistemática matemática com a fluidez da biologia para cancelarem o apocalipse. </span></p>
<figure id="attachment_33475" aria-describedby="caption-attachment-33475" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1.gif" alt="GIF do filme Círculo de Fogo (2013). Em frente à um fundo desfocado, repleto de luzes futuristas, os cientistas Hermann Gottlieb e Newton Geiszler sorriem com alívio. Newton é um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, que veste um óculos preto, uma jaqueta de couro, blusa branca e uma gravata desatada. Ele está machucado, com um ferimento na testa e na bochecha, e seu sangue mancha a gola da blusa. Newton está com a mão no ombro de Hermann, chacoalhando-o levemente. Hermann também é um homem branco, mais alto, e veste camiseta branca, colete de tricô e um paletó preto. Seu cabelo é preto e está suado, grudado em sua testa." width="500" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-33475" class="wp-caption-text">Apesar de suas diferenças, Hermann e Newt reconhecem a profundidade e importância de sua conexão para combater o fim do mundo (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das minúcias, o prato principal desse banquete visual é a ação temperada pela Música. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1vU7XqToZso"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Ramin Djawadi transforma o impacto de cada soco em algo sentido não só pela gigante massa dos</span> <span style="font-weight: 400;">monstros dentro do filme, mas também pela própria plateia. Aliás, a composição contém um toque de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro das cordas mais tradicionais e inspiradoras, além de batidas pesadas e elementos eletrônicos típicos de composições mais futurísticas. A ação torna-se visceral no momento em que soma-se à violência analógica dos robôs gigantes, os </span><i><span style="font-weight: 400;">Jaegers</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando atingem um </span><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i><span style="font-weight: 400;"> desprevenido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os designs dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mechas</span></i><span style="font-weight: 400;"> são perfeitamente distinguíveis entre si, cheios de personalidade e detalhes individualizadores que conseguem transformar aquelas máquinas gigantes em seus próprios personagens. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">Jaegers</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais novos, como o australiano Striker Eureka, têm </span><i><span style="font-weight: 400;">designs</span></i><span style="font-weight: 400;"> limpos e minimalistas, dando a impressão de leveza e agilidade. Os mais antigos, por sua vez, como o protagonista Gypsy Danger</span> <span style="font-weight: 400;">e o russo Cherno Alpha, contam com características no âmbito do </span><a href="https://portal.sescsp.org.br/online/artigo/12314_MAS+O+QUE+E+STEAMPUNK"><i><span style="font-weight: 400;">steampunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dado o brilho de energia futurística fluindo entre canos, polias e pistões antiquados visíveis. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pacific Rim - &quot;Jaegers: Mech Warriors&quot; Featurette" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pn0MenBcz_s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenho autômato desses robôs preservou de maneira espetacular os efeitos especiais do filme, aparentando ser bem mais palpáveis que </span><a href="https://www.cbr.com/why-old-cgi-better-than-new-movies/#:~:text=The%20Causes%20for%20the%20Drop%20in%20CGI%20Quality%20Are%20Widespread&amp;text=One%20major%20issue%20facing%20the,hardware%20can%20drive%20up%20costs."><span style="font-weight: 400;">muitos atualmente</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente em sua violência. A brutalidade é física em todos os aspectos, já que a tecnologia na história do longa não é futurista o suficiente para impedir o fato da melhor solução para combater um alienígena gigante ser uma espada bem enfiada no coração ou um chute nas costelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstrou que é possível, sim, fazer um filme de qualidade com uma premissa boba, desde que seja construído com todo o amor e dedicação de uma equipe motivada a entender nuances da ficção científica. Em seus dez anos de história, o longa trouxe vitalidade a um gênero mais </span><a href="https://gamerant.com/giant-robot-movies/"><span style="font-weight: 400;">reservado às animações</span></a><span style="font-weight: 400;">, e provou que um apreço genuíno dentro da produção de um filme é o suficiente para cultivar um grupo de fãs dedicados. Esses que nunca esquecerão como a conexão entre as pessoas é o suficiente para pilotar um robô de guerra e impedir o apocalipse. </span></p>
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