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	<title>Arquivos Us &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O medo do outro em Us</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2019 23:06:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Egberto Santana Nunes Após o sucesso de Get Out, Jordan Peele e a audiência permaneceram em silêncio durante 2 anos na espera de um lampejo em sua mente criativa. Meses atrás, chegaram os pôsteres, trailers e a trilha sonora e junto deles, a expectativa aumentando. E então, a&#160;estréia mundial de Us finalmente&#160; aconteceu, quebrando recordes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O medo do outro em Us"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_11722" aria-describedby="caption-attachment-11722" style="width: 631px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-11722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-1-1.jpg" alt="" width="631" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-1-1.jpg 631w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-1-1-189x300.jpg 189w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-11722" class="wp-caption-text"><strong>(Foto: Reprodução)</strong></figcaption></figure>
<p><strong>Egberto Santana Nunes</strong></p>
<p>Após o sucesso de <a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/">Get Out</a>, Jordan Peele e a audiência permaneceram em silêncio durante 2 anos na espera de um lampejo em sua mente criativa. Meses atrás, chegaram os pôsteres, trailers e a trilha sonora e junto deles, a expectativa aumentando. E então, a&nbsp;estréia mundial de <em>Us</em> finalmente&nbsp; aconteceu, <a href="https://variety.com/2019/film/box-office/us-box-office-analysis-jordan-peele-1203170989/">quebrando recordes de audiência</a> e novamente reacendeu os debates sobre o gênero do horror no cinema.</p>
<p><span id="more-11720"></span></p>
<p>O foco inicial de <em>Us</em> (manteremos a grafia original para evitar trocadilhos durante o texto) se concentra na viagem de férias para a praia que o casal Adelaide (Lupita Nyong&#8217;o) e Gabe (Winston Duke) estão prestes a realizar com seus dois filhos, Jason (Evan Alex) e Zora (Shahadi Wright Joseph). No entanto, a tranquilidade é substituída pelo caos com a visita de um grupo misterioso na residência, cuja aparência é idêntica à deles (interpretados pelos mesmos atores).</p>
<p>Peele usa a ferramenta do <b>Doppelgänger&nbsp;</b>&#8211; o exato clone do protagonista que age de diferentes formas &#8211; para concretizar o horror do filme. Exemplos desse clichê aparece em Cidade dos Sonhos (2001) e Vertigo (1958). O pesadelo de ter a casa invadida por estranhos cujo único objetivo é causar desespero aos moradores também foi testada em Violência Gratuita, (1997), de Michael Haneke.</p>
<p>Durante o filme, o diretor combina os elementos do clone e do caos para criar uma narrativa original e impactante. Através de pequenos signos no primeiro ato, a ideia fica cada vez maior e expande para níveis absurdos. Diferente do longa protagonizado por Daniel Kaluuya, mais conciso e fechado, esse é centrado numa complexidade de livre interpretação.</p>
<p>Ainda assim, há um conflito na cabeça de Peele durante o longa. O medo de deixar o público com a mente vazia no final, fez o diretor e roteirista tomar muito tempo explicando conceitos que poderiam ter sido deixados à livre interpretação ou com ações, não num monólogo de 10 minutos. Mas, na conclusão, somos levados a um <em>plot twist</em> que muda toda a concepção até aquele ponto e acaba em uma avalanche de vídeos no <em>youtube</em> com o mesmo <a href="https://www.youtube.com/results?search_query=us+explained">tipo de título</a>.</p>
<figure id="attachment_11723" aria-describedby="caption-attachment-11723" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-11723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1-1024x682.jpg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-2-1.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11723" class="wp-caption-text">A aparição de uma família de clones marcam o início do pesadelo para os Wilson. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Essa reação causada por Peele acaba sendo o principal feito da obra. Kubrick fez o mesmo com o Iluminado (1980), que tem até um documentário dedicado a explorar as teorias dos fãs. A sensação de não parar de pensar no que assistiu e não conseguir dormir à noite não é causada por simples sustos ou <em>jumpscares</em>, mas sim pelos espaços de interpretação que o roteiro deixa.</p>
<p>Em ambas produções do diretor, pistas são deixadas durante o desenvolvimento para culminar em algo maior. Porém, a profundidade de camadas e temas é muito maior em Us. Se no primeiro longa temos um problema principal debatido – racismo e suas diferentes formas -, em <em>Us</em> os temas vão desde privilégio, classe, trauma, política, culpa e humanidade.&nbsp;Para alguns,&nbsp;<em>Us</em> pode significar &#8220;United States&#8221;, como também não pode &#8211;&nbsp; e essa é a beleza da coisa. Você pode olhar por qualquer ótica, verá o mesmo filme e ainda vai se divertir.</p>
<p>De fato, todos os temas levam a um ponto comum: o ser humano. Não estamos mais indo para cama com medo de um monstro qualquer no nosso pesadelo, é o pavor do outro, seja aquele que está atrás das fronteiras, ou aquele do seu lado. <a href="https://theplaylist.net/jordan-peele-us-get-out-cameos-20190322/">Vivemos apontando o dedo e colocando a culpa em alguém, quando nós mesmos podemos ser os inimigos</a>. A ideia de que para você ter uma vida simples e boa, outra pessoa precisa sofrer e viver miseravelmente também está no centro da narrativa desse universo.</p>
<p>Com essa analogia crítica, o terror é usado para fazer algo difícil no gênero: colocar o medo em nós mesmos. Se enganou quem achou que com o elenco preto, a história ia focar em questões raciais. De fato, é uma discussão que tange todas as discussões, mas de maneira nenhuma é o foco como no seu antecessor.</p>
<p>E por falar no elenco, nada acima seria garantido se não tivéssemos as performances de peso que o longa apresenta. Ainda mais quando levamos em conta que cada um interpreta a sua versão clone, que é completamente diferente do “original”.</p>
<p>Lupita é a protagonista e o diretor usa e abusa do primeiro plano nas duas faces, seja como clone ou humana. Com a voz desgrenhada e seriedade de Red ou o olhar desesperador de Adelaide, ela consegue transmitir perfeitamente o medo e a dualidade da sua personagem. Um forte indicado na temporada de premiações de 2019, vide também seu Oscar por <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-31TMoe00BE&amp;feature=youtu.be">12 anos de Escravidão</a>, provavelmente o responsável pela escolha de Peele para o papel de Adelaide.</p>
<figure id="attachment_11724" aria-describedby="caption-attachment-11724" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-large wp-image-11724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3-1024x422.jpg" alt="" width="840" height="346" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3-1024x422.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3-300x124.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3-1200x495.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-3.jpg 1366w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11724" class="wp-caption-text">Lupita admirando a chegada do seu segundo Oscar em menos de 10 anos. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O resto da família não deixa a desejar e como cada um tem que interpretar o oposto da sua personalidade, percebe-se a carga de atuação necessária na entrega do papel. O pai brincalhão e falador tem sua versão violenta e que apenas se comunica com gritos. Jason, sempre vestindo uma máscara e com dificuldade de socialização, tem sua versão sem alma e com o rosto queimado. E Zora, a filha, sempre no celular e com a cara fechada, tem seu clone ágil e com um sorriso morto.</p>
<p>A intenção de Jordan Peele sempre foi fazer a plateia gritar, seja de sustos ou de risos. E nessa última reação, temos foco no pai, lidando com situações tensas de forma exagerada e brincalhona.</p>
<p>O equilíbrio entre comédia e horror é visto principalmente na cena da família branca amiga dos Wilson. O homem de classe média sem nenhuma preocupação. A casa espaçosa, vazia e tecnológica. Sai o clima de descontração, entra o horror com a aparição dos Doppelgänger&nbsp;da família. E em uma trapalhada digna das <em>sketches</em> de <em>Key and Peele</em>, o diretor traz outra significado tocando em sequência Good Vibrations, do Beach Boys e Fuck the Police do N.W.A – hits do pop e do hip-hop que nunca foram postos lado a lado ganham um sentimento diferente na cultura pop graças à mente do Peele, <a href="https://variety.com/2019/music/news/jordan-peeles-us-music-festival-how-the-beach-boys-and-n-w-a-came-to-anchor-a-great-horror-playlist-1203171071/">o responsável por supervisionar as músicas do longa.</a></p>
<p>A trilha sonora é outro grande acerto. Momentos onde a orquestra toma conta e o cenário é contemplativo e agoniante, outros como os mencionados quebram o gelo do momento, enquanto a mixagem de Michael Abels entra para provocar o terror e o corte entre as cenas de dança e de luta. Mas não apenas servem para reagir com o público, como também para preencher narrativamente a história.</p>
<figure id="attachment_11725" aria-describedby="caption-attachment-11725" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-11725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4-1024x682.jpg" alt="" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Imagem-4.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-11725" class="wp-caption-text">Família linda, não é mesmo? (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Chame-o de visionário, criativo ou gênio, mas Peele tem seu nome em Hollywood e estará muito ocupado nos próximos meses comandando&nbsp;<a href="https://variety.com/2018/tv/features/jordan-peele-monkeypaw-prods-twilight-zone-us-1202903254/">o reboot de Além da Imaginação </a>e <a href="https://deadline.com/2017/05/jordan-peele-lovecraft-country-hbo-series-misha-green-1202095066/">produzindo uma nova série de Lovecraft.</a> Com seus dois primeiros filmes, sucessos de crítica e de bilheteria, ele mostrou que não está de brincadeira e ainda tem mais <a href="https://www.indiewire.com/2017/03/get-out-jordan-peele-social-thrillers-commentary-horror-1201789049/">dois horrores para tirar da cabeça ainda nessa década.</a> Enquanto nós esperamos essas obras, ainda há tempo de enfrentar o medo e assistir Nós nos cinemas.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/">O medo do outro em Us</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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