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	<title>Arquivos Uruguai &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>“Cão que late, não morde”: a crise da classe média latino-americana em Perros</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 13:00:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Quesada  Exibido na seção Competição Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Perros, do diretor uruguaio Gerardo Minutti, é um filme-crônica que acompanha a tensão latente entre duas famílias do subúrbio de Montevidéu e escancara uma série de contradições sociais da classe média latino-americana. Quando os Perna saem de férias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-perros/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "“Cão que late, não morde”: a crise da classe média latino-americana em Perros"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36294" aria-describedby="caption-attachment-36294" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9-800x450.png" alt="A imagem mostra Jorge Saldaña e Sergio, mecânico do bairro, se encarando muito proximamente, sugerindo um desentendimento entre os personagens. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36294" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Cinema de Málaga em março de 2025, Perros traz um olhar sobre o que separa quem vive lado a lado (Foto: Cinevinay)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Quesada </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na seção Competição Novos Diretores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Perros</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor uruguaio </span><a href="https://www.imdb.com/pt/name/nm2265220/"><span style="font-weight: 400;">Gerardo Minutti</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um filme-crônica que acompanha a tensão latente entre duas famílias do subúrbio de Montevidéu e escancara uma série de contradições sociais da classe média latino-americana. Quando os Perna saem de férias para Punta del Este, seus vizinhos, os Saldaña, aceitam cuidar da casa e de seu cachorro Ficha – até que o desaparecimento do animal coloca uma família contra a outra. </span></p>
<p><span id="more-36293"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de se tratarem com muita cordialidade – e dividirem o mesmo muro –, há muito mais que separa as duas famílias. Jorge (Néstor Guzzini) e Mirta Saldaña (María Elena Pérez) são o retrato de uma</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n_32XfIz69Q&amp;t=150s"><span style="font-weight: 400;">classe média</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vive à sombra do privilégio alheio: não são pobres, porém, estão longe de viver uma vida estável. Já os Perna desfrutam de um conforto e tranquilidade que só o dinheiro pode comprar. Ao viajarem para o principal destino de veraneio da elite uruguaia, deixam para os Saldaña não apenas as chaves da sua casa, mas uma ideia tentadora de estabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a desculpa de buscar ideias para uma reforma que nunca sai do papel, os Saldaña passam uma noite na casa dos Perna. Abrem o whisky importado, ligam a TV de 60 polegadas, tomam banho na banheira e dormem juntos na cama do casal (a maior que já viram). Por algumas horas, vivem o que </span><a href="https://economia.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/reinaldo-polito/2019/07/09/diferenca-sentimentos-inveja-emulacao.htm"><span style="font-weight: 400;">sempre sonharam</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma realidade emprestada. O desaparecimento do cachorro, enquanto Jorge cortava a grama de sua casa com o cortador dos vizinhos, é apenas o ponto de ruptura entre dois mundos que nunca foram iguais.</span></p>
<figure id="attachment_36295" aria-describedby="caption-attachment-36295" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-11-800x329.png" alt="A imagem mostra os Saldaña deitados em sua cama, conversando com uma meia luz ao fundo, sugerindo um final de tarde. " width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-11-800x329.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-11-768x316.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-11.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36295" class="wp-caption-text">Perros foi escolhido para representar o Uruguai na categoria de Melhor Filme Ibero-americano nos Prêmios Goya (Foto: Cinevinay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtexto do filme pode ser bem familiar para quem é </span><a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-06-25/crise-expulsa-quase-cinco-milhoes-de-pessoas-da-classe-media-latino-americana.html"><span style="font-weight: 400;">brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ainda mais se você mora no interior. Assim como no Uruguai, a classe média brasileira vai de A a Z, e é muito comum encontrar um bairro com famílias muito diferentes convivendo. Todo mundo conhece (ou já ouviu falar) de encrencas entre vizinhos que nunca levaram a lugar algum, tampouco resolveram alguma coisa – a não ser por um olhar feio quando saem de casa ao mesmo tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de </span><a href="https://www.imdb.com/pt/name/nm2337509/"><span style="font-weight: 400;">Matías Lasarte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos pilares da narrativa, apostando em enquadramentos horizontais amplos, que permitem capturar a casa dos Saldaña e dos Perna em uma mesma moldura na telona, sempre trabalhando o contraste entre as famílias. Outro conceito muito interessante é o uso de planos-sequência, como no momento em que os Saldaña exploram a casa dos vizinhos, permitindo que o público descubra o espaço simultaneamente aos personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa também conta com atuações bastante sólidas, com destaque para a performance de Mirta Elena Pérez, vencedora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no </span><a href="https://www.elobservador.com.uy/cultura-y-espectaculos/la-uruguaya-maria-elena-perez-gano-el-premio-la-mejor-actriz-reparto-el-festival-malaga-la-pelicula-perros-n5991132"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de Málaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, atuando justamente como um ponto de lucidez diante das reações desmedidas dos maridos: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eles têm carinho por seus cães, mas, acima de tudo, uma incapacidade de se comunicar com outros seres humanos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, afirmou Néstor Guzzini ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Infobae</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="&#039;Perros&#039;: el filme uruguayo reconocido en Málaga que va tras la nominación al Goya 2026" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/_HEaVnbEnMU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O Persona conversou com Gerardo Minutti após a sessão no </span><a href="https://ims.com.br/mostra/49a-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Instituto Moreira Salles</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diretor, nascido em Montevidéu, inspirou o bairro do filme no lugar onde cresceu e afirmou que </span><i><span style="font-weight: 400;">“não é do perfil desses personagens levar esse conflito adiante… São humanos acima de tudo. Não existem heróis ou vilões aqui”.</span></i><span style="font-weight: 400;">  No fim do dia, são apenas cidadãos comuns vivendo suas vidas em um capitalismo cada vez mais esmagador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você está esperando por um suspense de tirar o fôlego, dê meia volta. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_HEaVnbEnMU"><i><span style="font-weight: 400;">Perros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um recorte sútil e humano de uma sociedade contraditória. Por trás dos gestos cotidianos há um abismo silencioso sustentado por hierarquias invisíveis. A obra não aponta culpados – nem se propõe a resolver nenhum desses conflitos –, apenas reflete a dificuldade de coexistir em um mundo onde até a vizinhança é um espelho das desigualdades. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Perros | Tráiler Oficial | Estreno en Uruguay 25 de setiembre" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ba8CI90ORUw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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		<title>Verlust é um filme encalhado</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 18:10:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Verlust, no alemão, significa perda &#8211; mesmo que lust, sozinha, signifique desejo. Afinal, quanto mais desejamos algo, mais medo temos de perdê-lo. Se soubermos que vamos perder, maior é o desejo. É essa complexa e profunda palavra do alemão que o cineasta Esmir Filho escolhe para intitular seu novo filme, Verlust, que participa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/verlust-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Verlust é um filme encalhado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16282" aria-describedby="caption-attachment-16282" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16282" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7.jpeg" alt="" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-7-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16282" class="wp-caption-text">Ismael Caneppele, Marina Lima e Andrea Beltrão na festa de Ano Novo de Verlust, filme exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Verlust</span></i><span style="font-weight: 400;">, no alemão, significa perda &#8211; mesmo que </span><i><span style="font-weight: 400;">lust</span></i><span style="font-weight: 400;">, sozinha, signifique desejo. Afinal, quanto mais desejamos algo, mais medo temos de perdê-lo. Se soubermos que vamos perder, maior é o desejo. É essa complexa e profunda palavra do alemão que o cineasta Esmir Filho escolhe para intitular seu novo filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verlust</span></i><span style="font-weight: 400;">, que</span> <span style="font-weight: 400;">participa da 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, na seção </span><a href="https://44.mostra.org/filmes?secao=Mostra%20Brasil"><span style="font-weight: 400;">Mostra Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma experiência angustiante e cheia de conflitos, o longa carrega no elenco grandes nomes do cenário nacional e uma trilha sonora impecável.</span></p>
<p><span id="more-16281"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrea Beltrão, a nossa </span><a href="http://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica"><span style="font-weight: 400;">Hebe</span></a><span style="font-weight: 400;"> global, é Frederica, a irreverente protagonista que controla cada respiração do seu dia a dia e das pessoas ao seu redor. Planejando sua festa de Ano Novo numa casa de praia isolada, a mulher está sempre se chocando com Constatin (Alfredo Castro), seu marido e fotógrafo chileno, e Tuane (Fernanda Pavanelli), sua filha subversiva e contrabaixista. Além disso, ela ainda administra a vida pessoal e profissional de Lenny, a maravilhosa Marina Lima, ícone musical que decide lançar um livro pelas palavras do escritor João Wommer (Ismael Caneppele).</span></p>
<figure id="attachment_16283" aria-describedby="caption-attachment-16283" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16283" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9.jpeg" alt="" width="1280" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9-300x190.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9-1024x648.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9-768x486.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-9-1200x759.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16283" class="wp-caption-text">João e sua tatuagem, o título do filme (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A situação dos personagens se torna ainda pior, ou mais estranha, quando uma criatura, mais parecida como uma baleia com incandescência azul, encalha na praia bem de frente a casa. Ao som de uivos agonizantes, o animal parece desencadear ainda mais situações aborrecedoras entre as interações, comunicando-se com pessoas que não se comunicam entre si. Assim, parece que os personagens vão sufocando, tentando se desprender de laços forçados e antigos da mesmo forma que a criatura marinha </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A constante sensação de incômodo no filme trespassa as barreiras do proposital e se torna desconfortável. É extremamente difícil se apegar a qualquer um dos personagens de Esmir Filho, e isso se dá pelo fato de todos eles possuírem relações tão frígidas e decrépitas entre si que o espectador passa a fazer parte de tal morbidez. O longa é indigesto, nos fazendo sentir uma espécie de perigo em co-habitar aquela casa badalada, mas vazia. Vazia de sentimentos, vazia de comunicação, e vazia de paz. </span></p>
<figure id="attachment_16284" aria-describedby="caption-attachment-16284" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho.jpeg" alt="" width="1280" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho-300x190.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho-1024x648.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho-768x486.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Esmir-Filho-1200x759.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16284" class="wp-caption-text">Esmir Filho e sua criatura (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco, no entanto, traz o </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o filme tenta a todo tempo forçar. Beltrão incorpora uma Frederica doente por comando, mas perdida em seus próprios sentimentos, sempre imprevisível e alheia aos toques e sutilezas. Em conjunto com Marina Lima &#8211; a cena final, especialmente &#8211; , a tela se enche de cuidados em um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/10/relacao-de-andrea-beltrao-e-marina-lima-e-marcada-por-perda-e-desejo-em-verlust.shtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> íntimo de antigas amantes e atuais co-dependentes uma da outra. Lenny tem classe e poder, sendo reverenciada a todo momento pela narrativa como uma estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja na ficção ou na realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante perceber como o contrabaixo de Tuane às vezes funciona como um personagem por si só. Ele parece se comunicar mais que os seres humanos, a única forma pela qual a garota consegue se impor sobre os desejos de qualquer um que não sejam os dela. Sempre o tocando em cima das grandes pedras na areia da praia, em meio a ondas e ao balanço do mar, Tuane grita para o mundo suas vontades, sua rebeldia adolescente e reivindica sua liberdade. A criatura o responde, Frederica não o entende. Mas ele segue despejando sua música para a atmosfera de </span><i><span style="font-weight: 400;">Verlust.</span></i></p>
<figure id="attachment_16285" aria-describedby="caption-attachment-16285" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5.jpeg" alt="" width="1280" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5-300x190.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5-1024x648.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5-768x486.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Verlust-5-1200x759.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16285" class="wp-caption-text">Tuane e o Contrabaixo ao som do mar (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">réveillon</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega, todos precisam lidar com o que sabíamos que seria inevitável: a perda. Frederica, que curiosamente estava vestida de amarelo, a cor que ‘atrai dinheiro’ na passagem de ano, flutua entre seus convidados em uma belíssima cena em que, enquanto todos estão congelados, ela desfila em câmera lenta. Câmera essa que, por sinal, está em controle total de Esmir Filho, sempre em planos perfeitamente posicionados &#8211; o uso constante de espelhos condiz com a vaidade e o interior de seus personagens. O longa é uma coprodução de Brasil e Uruguai e foi produzido e escrito por 10 anos pelas mãos de Esmir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejado para estrear dia 5 de novembro nos cinemas, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/verlust"><i><span style="font-weight: 400;">Verlust</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é longo demais para seus 111 minutos. À medida que o filme passa, ficamos mais cansados de tamanha falta de conexão entre nós e seus personagens. Apesar de sua cinematografia categórica, assisti-lo se torna uma experiência tediosa, pois ficamos mais preocupados com o destino da pobre criatura encalhada do que com as decisões da narrativa que a cerca. A obra funciona como um jogo de espelhos, refletindo desafetos, conquistas e talento. E, como num espelho, às vezes vemos o que não gostaríamos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="VERLUST - Trailer oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/xpP-b803u0g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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