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	<title>Arquivos Urso de Prata &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Toda a coragem do mundo mora na sala de aula do Sr. Bachmann e Seus Alunos</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 17:00:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Paulo Freire nos contou que para educar é necessário coragem, e ele de certo se orgulharia do desafio que Sr. Bachmann e Seus Alunos enfrentam no sistema educacional alemão. Amor e humanidade são as únicas linhas guias no documentário de Maria Speth, que acompanha uma classe de alunos por meio ano letivo, sem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sr-bachmann-e-seus-alunos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Toda a coragem do mundo mora na sala de aula do Sr. Bachmann e Seus Alunos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24447" aria-describedby="caption-attachment-24447" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpeg" alt="Cena do documentário Sr. Bachmann e Seus Alunos. A imagem mostra o professor Bachmann sentado em sua mesa na sala de aula. Ele é um senhor branco com barba rala branca, usa moletom cinza e touca preta. Na mesa dele há livros, violões encostados e ao fundo uma lousa." width="1600" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-800x384.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1024x492.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-768x369.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1536x737.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1200x576.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24447" class="wp-caption-text">A classe diversa de Sr. Bachmann e Seus Alunos faz parte da seleção dos premiados no Festival de Berlim, que chega na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional (Foto: Madonnen Film)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paulo Freire </span><a href="https://jornal.unesp.br/2021/09/24/a-educacao-voltada-para-valores-humanos-de-paulo-freire-continua-atualissima/"><span style="font-weight: 400;">nos contou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que para educar é necessário coragem, e ele de certo se orgulharia do desafio que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6eMaaDGxIPc"><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enfrentam no sistema educacional alemão. Amor e humanidade são as únicas linhas guias no documentário de Maria Speth, que acompanha uma classe de alunos por meio ano letivo, sem entrevistas ou roteiros pré-estabelecidos. E é com uma neutra observação que o longa de quase 4 horas chega à 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, para nos lembrar de que a educação não muda o mundo, a educação muda pessoas e pessoas mudam o mundo.</span></p>
<p><span id="more-24446"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da obra, podemos conhecer o professor de 65 anos, Dieter Bachmann, e seus alunos extremamente únicos, todos unidos em uma sala de aula multicultural. Do lado de Bachmann há um trabalho extraordinário de desenvolver seres humanos por diversas disciplinas, pois ele entende que o aprendizado vem da Música, das artes, de contas de matemática em grupo ou de pausas para cochilo. Mas, acima de tudo, o professor enxerga a </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/reviews/mr-bachmann-his-class-maria-speth-migrant-school-teacher-stadtallendorf-germany"><span style="font-weight: 400;">particularidade a mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que seus alunos ali de </span><i><span style="font-weight: 400;">Stadtallendorf</span></i> <span style="font-weight: 400;">possuem: se não são imigrantes, seus pais um dia foram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada uma das famílias dos alunos do Sr. Bachmann passa dificuldades diferentes, no entanto, esse não é o foco principal. É de suma importância para o documentário mostrar que há muito esforço naquelas crianças para desenvolverem sua educação no meio da vida escolar, com uma língua completamente diferente e dentro de um sistema educacional </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/20/economia/1524221355_445266.html"><span style="font-weight: 400;">muito segregador</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por isso, o professor lindamente adota a posição de mostrar que os enxerga e estima, até fazer florescer um amor próprio dentro de cada um, e, por consequência, entre eles mesmos.</span></p>
<figure id="attachment_24448" aria-describedby="caption-attachment-24448" style="width: 1056px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24448 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2.jpg" alt="Cena do documentário Sr. Bachmann e Seus Alunos. A imagem mostra uma sala de aula em que as crianças estão sentadas em um círculo com seu professor que está no meio deles, no canto esquerdo da imagem." width="1056" height="558" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2.jpg 1056w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-2-768x406.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24448" class="wp-caption-text">Em italiano “lo ti amo”, em turco “seni seviyorum”, em russo “ya tebya lyublyu” e em búlgaro “obicham te”, todos significam a mesma coisa: Sr. Bachmann ama cada um de seus alunos (Foto: Madonnen Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Herr Bachmann Und Seine Klasse</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) recorda a série catalã </span><a href="https://woomagazine.com.br/conheca-merli-serie-que-mistura-filosofia-ao-universo-jovem/"><i><span style="font-weight: 400;">Merlí</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cujo protagonista é um professor de filosofia que se envolve no crescimento de seus jovens alunos. Assim como no seriado, o longa alemão realça a falha do sistema educacional que desconsidera a humanidade dos estudantes, exemplificado pela fala especial de Bachmann </span><i><span style="font-weight: 400;">“Essas notas não refletem quem vocês são. Elas são apenas uma imagem instantânea, de coisas sem importância, como matemática e inglês.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> De fato, a Arte imita a vida &#8211; e ainda bem que professores tão poderosos existem para </span><a href="https://www.ecomuseu.com.br/os-professores-merlis-da-vida-real-que-quebram-as-regras-para-inspirar-alunos-como-na-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">transformar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as nossas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bophjBv2QI"><span style="font-weight: 400;">Maria Speth</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como uma coruja muito bem camuflada em uma sala de adolescentes muito diferentes. O formato escolhido por ela parte de deixar a rotina do aprendizado fluírem para guiarem a obra. Assim, a combinação desses dois aspectos compuseram uma obra extremamente natural em que os alunos e seu professor se esqueceram de que estão sendo filmados. No entanto, o resultado é um documentário negativamente extenso e cansativo já nos primeiros 60 minutos, e isso arruinou seu sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Salva pelo sinal do recreio, a história real e genuína garantiu à diretora o </span><a href="https://deadline.com/2021/03/berlin-silver-bear-winner-mr-bachmann-and-his-class-sells-widely-films-boutique-1234720739/"><span style="font-weight: 400;">Urso de Prata &#8211; Prêmio do Júri</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Berlim 2021. O multiculturalismo é o esplendor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sr. Bachmann e Seus Alunos</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da concordância com uma educação revolucionária e digna de Paulo Freire. Nem toda a minutagem do mundo seria suficiente para mostrar a profundidade dessas crianças, ou de um professor </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/mr-bachmann-and-his-class-review-1234917641/"><span style="font-weight: 400;">tão bom</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto Dieter Bachmann.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="MR BACHMANN AND HIS CLASS - Teaser" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6eMaaDGxIPc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 13:34:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori “Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com A Mulher que Fugiu, presente na Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mulher que Fugiu retorna à praia, sozinha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24395" aria-describedby="caption-attachment-24395" style="width: 1499px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e está sentada dentro de uma sala de cinema vazia. As poltronas da sala de cinema são vermelhas." width="1499" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1.png 1499w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-768x412.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1-1-1-1200x644.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24395" class="wp-caption-text">Premiado com Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2020, A Mulher que Fugiu compõe a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ele apenas se repete, como pode ser sincero?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Entre galinhas, conversas, álcool, carne, maçãs, gatos, câmeras de vigilância, montanhas, salas de cinema e até o oceano, Hong Sang-soo inaugura mais um capítulo de sua contínua série cinematográfica com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Acompanhando a crônica contemporânea de Gam-hee, uma mulher que decide visitar três amigas nos arredores de Seul, são nas variações, simples ou não, que o cineasta </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontra recurso para remodelar sutilmente cada nova história, ao mesmo tempo que caminha por repetições</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24390"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Domangchin Yeoja</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) é construída por três blocos e três visitas: Young-soon (Seo Young-hwa), divorciada que gosta de jardinagem e vive com uma colega; Su-young (Song Seon-mi), artista amarrada por dois romances desventurados; e Woo-jin (Kim Sae-byuk), uma amiga distante que trabalha em um pequeno cinema. A protagonista é Gam-hee – interpretada pela extraordinária </span><a href="https://www.thenation.com/article/archive/hong-sang-soo-kim-min-hee-hotel-by-the-river-grass-movies-new/"><span style="font-weight: 400;">musa do diretor, Kim Min-hee</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, uma esposa aparentemente feliz que pela primeira vez, após 5 anos de casamento, passa três dias distante do marido que viaja a negócios.</span></p>
<p><figure id="attachment_24392" aria-describedby="caption-attachment-24392" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta e saia comprida cinza. Ela está de costas para a câmera, olhando o exterior através de uma janela com moldura branca. No fundo está uma parede branca, mesa de jantar de madeira, cadeiras de madeira e cadeiras verde musgo em volta, além de entulhos no canto esquerdo. Acima da mesa estão dois pratos brancos, duas taças com vinho branco, uma garrafa verde de vinho e uma caneca cinza." width="1650" height="888" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1024x551.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1536x827.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2-1200x646.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24392" class="wp-caption-text">Escrito, produzido e realizado por Hong Sang-soo, o drama investiga paulatinamente as contrariedades das relações humanas, através dos (des)encontros [Foto: Jeonwonsa Film]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A princípio, a narrativa parece simples – até demais. As personagens são comuns, os eventos ordinariamente corriqueiros. Paira sobre o drama um naturalismo improvisado que preserva a autoria consagrada do </span><a href="http://revistadecinema.com.br/2021/07/retrospectiva-hong-sang-soo/"><span style="font-weight: 400;">Cinema de Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. E, através de um enquadramento minimalista, põe-se em foco duas pessoas dialogando frente a frente, numa perspectiva que quase torna o espectador parte das cenas, como um observador inapto desse universo silenciosamente acinzentado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, por trás dos três longos diálogos, inicialmente banais, são aflorados uma sucessão de autoavaliações suavemente exteriorizadas pelas expressões faciais da protagonista. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas apaixonadas devem permanecer juntas</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221;, ela afirma repetidamente para as amigas e, de certa maneira, para si mesma enquanto encara vagamente o vazio. Nada é declarado. Seja por meio de um toque de mão singelo, seja mediante um sorriso torto compartilhado, é na delicadeza das performances que </span><span style="font-weight: 400;">são transmitidos ternos momentos de conexão humana genuína, ainda que breve.</span></p>
<figure id="attachment_24393" aria-describedby="caption-attachment-24393" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24393 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png" alt="Cena do filme A Mulher que Fugiu. Na cena estão Gam-hee e Woo-jin, em ordem. Gam-hee, interpretada por Kim Min-hee, é uma mulher coreana de cabelo curto preto com cerca de 39 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Woo-jin, interpretada por Kim Sae-byuk, é uma mulher coreana de cabelo longo preto, preso por um rabo de cavalo baixo, com cerca de 35 anos. Ela veste uma blusa preta de gola alta. Ambas estão sentadas frente a frente numa mesa de café. A mesa de café é de madeira e sobre ela está uma xícara branca, dois blocos de papel e duas canetas. No fundo está uma grande janela de vidro que permite ver a vegetação exterior." width="1650" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3.png 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1024x550.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1536x826.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3-1200x645.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24393" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Um dos principais expoentes do novo Cinema sul-coreano, o método de produção de Sang-soo se decorre </span></i><i><span style="font-weight: 400;">por </span></i><i><span style="font-weight: 400;">baixos orçamentos e estruturas mínimas à beira da indústria cinematográfica local (Foto: </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Jeonwonsa Film</span></i><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses instantes sublimes ainda são revestidos por camadas humorísticas de um </span><i><span style="font-weight: 400;">zoom </span></i><span style="font-weight: 400;">dramático impagável que dilata as dimensões das relações expostas em tela e, gradativamente, reforça a densidade presente nas </span><a href="https://expresso.pt/cultura/2021-01-10-A-Mulher-que-Fugiu-de-Hong-Sang-soo.-O-abismo-das-coisas-simples"><span style="font-weight: 400;">simplicidades da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas mulheres. Assim, extraindo sentido das situações triviais do cotidiano, o caráter insólito de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Woman Who Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> enfrenta as realidades de seu tempo, oferecendo retiro no familiar e, simultaneamente, nas estranhezas, encantando e surpreendendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como descendente devoto do universo íntimo de Sang-soo, o drama continua ensaiando furtivamente as relações humanas, ao servir-se da mesma temática e estética formal comum do cineasta sul-coreano. O silêncio e a ausência de cor permanecem até os últimos momentos do filme, quando Gam-hee, ou melhor, Kim Min-hee, pessoa, encara o horizonte do oceano no ecrã – primeiro preto e branco, agora, colorido. E mirando os </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/na-praia-a-noite-sozinha-o-escandalo-e-o-sentimento-por-tras-do-destaque-da-berlinale/"><span style="font-weight: 400;">fantasmas do passado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher que Fugiu</span></i> <a href="https://youtu.be/XdXE-MC9qwM"><span style="font-weight: 400;">retorna à praia, sozinha</span></a><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, com a quietude pacífica do mar, das cores, do som.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Woman Who Ran - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3ge6f3bDmWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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