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	<title>Arquivos The Strokes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos The Strokes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>The Strokes: nem tão novo, nem tão anormal</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2020 20:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>(Foto: Reprodução) Maria Carolina Gonzalez ‘Descongelamos’. Foi dessa forma que Julian Casablancas deu boas vindas a 2020 antes de apresentar ao público do Brooklyn’s Barclays Center a música “Ode to the Mets”, faixa que compõe o novo trabalho do Strokes: The New Abnormal.  A escolha do nome foi apropriada para definir este ano. Assim como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-new-abnormal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Strokes: nem tão novo, nem tão anormal"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-13775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/unnamed.jpg" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/unnamed.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/unnamed-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/unnamed-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 512px) 85vw, 512px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>(Foto: Reprodução)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Carolina Gonzalez</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>‘Descongelamos’.</em> Foi dessa forma que Julian Casablancas deu <a href="https://www.vulture.com/2020/01/watch-the-strokes-tease-a-new-album-at-new-years-eve-show.html">boas vindas a 2020</a> antes de apresentar ao público do Brooklyn’s Barclays Center a música “Ode to the Mets”, faixa que compõe o novo trabalho do Strokes: <em>The New Abnormal</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha do nome foi apropriada para definir este ano. Assim como aconteceu em outubro de 2001, Nova York ainda se recuperava do 11 de setembro quando o <a href="https://personaunesp.com.br/quinze-anos-is-this-it-nostalgia-rock/"><em>Is This It</em></a> chegou em terras americanas, oferecendo a trilha sonora da década que começava de forma inusitada. Quase 20 anos após a estreia ofegante, o quinteto nova-iorquino mais uma vez dita o ritmo dos novos tempos. Tempos completamente anormais.</p>



<p><span id="more-13774"></span></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fala de Julian retrata bem o que Strokes foi nos últimos anos. Estagnados, <em>The New Abnormal </em>soa como uma continuação do último álbum, <em>Comedown Machine (2013)</em>. Não há mudanças significativas, apenas o aperfeiçoamento do estilo pop-rock anos 80 que a banda utiliza desde 2011, com o <em>Angles</em>. Mas talvez Julian, Nick, Albert, Fabrizio e Nikolai &#8211; cada um na casa de seus 40 anos &#8211; nem estejam preocupados em se reinventarem ou consolidarem seu legado no indie rock. The Strokes agora funciona apenas como uma desculpa para reunir velhos amigos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" class="wp-image-13776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/por-Jason-McDonald.jpg" alt="" width="619" height="393" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/por-Jason-McDonald.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/por-Jason-McDonald-300x191.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>(Foto: Jason McDonald)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>The New Abnormal</em> até segue, de forma discreta, por caminhos diferentes, mas os pontos fortes estão justamentes nas familiaridades. Os riffs inconfundíveis que dominaram os três primeiros álbuns agora se misturam com os sintetizadores tão queridos de Casablancas, criando uma atmosfera que os entusiastas do <em>new wave</em> conhecem muito bem. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A banda também não foi nem um pouco modesta em suas referências. O primeiro single, “Bad Decisions” (oficialmente lançado durante o “<a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/lollapalooza/2020/noticia/2020/02/11/strokes-divulga-nova-musica-durante-showmicio-para-bernie-sanders.ghtml">showmício</a>” de Bernie Sanders em New Hampshire), possui guitarras no melhor estilo do New Order, enquanto o refrão evoca a famosa melodia de &#8220;Dancing With Myself&#8221;. Inclusive Billy Idol foi devidamente creditado na música. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Ma%C3%A7%C3%A3">Grande Maçã</a> recebe mais uma vez diversas homenagens, tanto nas músicas quanto na arte da capa, &#8216;Bird On Money&#8217;, assinada pelo artista <a href="http://basquiat.com/">Jean-Michel Basquiat</a>. As letras de &#8220;Brooklyn Bridge to Chorus&#8221; e “<a href="https://www.mlb.com/mets">Ode to the Mets</a>” combinam com o clima nostálgico e rebelde da cidade, característica típica do grupo que a todo momento murmura com saudades dos velhos tempos, sem dizer quais tempos são esses exatamente. </p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" class="wp-image-13778" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/AP-Photo-Andrew-Harnik.jpg" alt="" width="607" height="404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/AP-Photo-Andrew-Harnik.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/AP-Photo-Andrew-Harnik-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/AP-Photo-Andrew-Harnik-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>(Foto: AP Photo/Andrew Harnik)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo carecendo um pouco de sinceridade em parte das letras, Casablancas mostra seu lado mais coração em “Selfless” e “Not The Same Anymore”, as faixas mais lentas e, não por acaso, mais românticas. O segundo single, “At The Door”, também é uma balada descontraída, sem as baterias do brasileiro Fab Moretti, mas com elementos característicos do <a href="https://open.spotify.com/artist/4nUBBtLtzqZGpdiynTJbYJ">The Voidz</a>, projeto onde está a verdadeira paixão de Julian. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eternal Summer” é o grande momento do <em>The New Abnormal, </em>e não apenas por ser a faixa mais longa. Os versos empolgantes ficam melhores com os falsetes bem executados de Julian, considerados por muitos &#8211; inclusive pelos próprios fãs &#8211; como o melhor-pior vocalista de uma banda. Ainda que carregue uma carga experimental, a melodia da música não foge do óbvio da nova onda do indie rock. Não que isso seja um problema, afinal pode-se dizer que o Strokes praticamente criou as bandas que dominam o gênero atualmente. </p>
<p><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Strokes - Bad Decisions (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5fbZTnZDvPA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveitando o gancho (apesar dos esforços) é impossível não fazer a comparação com seus alunos de maior sucesso. Dois anos atrás, o <a href="https://personaunesp.com.br/tag/arctic-monkeys/">Arctic Monkeys</a> começava seu mais recente <a href="https://personaunesp.com.br/arctic-monkeys-critica/">álbum</a> com o verso <em>“Eu só queria ser um dos The Strokes / Agora olhe para a bagunça que você me fez fazer”.</em> Na época a interpretação era puramente algo do ego de Alex Turner, mas hoje realmente percebe-se que ser o The Strokes exige uma bagunça. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram justamente os momentos fora da curva do Strokes que fizeram com que o <em>The New Abnormal</em> se encaixasse perfeitamente em sua discografia. Para alguns fãs pode até ser difícil de gostar, mas há muito tempo é fácil somente aceitar. Como já foi dito, a banda não é mais uma prioridade para seus membros. Esperar alguma coisa a mais do Strokes ainda é pedir muito, mas quando essa coisa é minimamente bem feita, eles mostram que estão vivos e ainda são ídolos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abraçar os velhos tempos é o que nos conforta durante este período anormal, e uma coisa que o Strokes sabe fazer é criar vínculos com o público usando a nostalgia. Adultos, mas nem tão maduros, a personalidade do <em>The New Abnormal </em>é justamente essa: um deleite aos saudosos. </p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The New Abnormal" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/2xkZV2Hl1Omi8rk2D7t5lN?si=H4Dzsqy-THiSL1Rk7wBpbQ"></iframe></p>
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		<title>Os quinze anos de Is This It e a nostalgia no rock</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Aug 2016 18:47:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Indie]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[The Strokes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Em 2001, o estouro causado pelo segundo disco do Nirvana, o clássico Nevermind, estava prestes a completar uma década. Claro que existiu vida inteligente no rock (e fora dele também, obviamente) nesses quase dez anos, mas não era algo satisfatório para a indústria musical, que ainda clamava por um novo álbum que causasse &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/quinze-anos-is-this-it-nostalgia-rock/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os quinze anos de Is This It e a nostalgia no rock"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3620" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/1361182016_is_this_it.jpg" alt="1361182016_is_this_it" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/1361182016_is_this_it.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/1361182016_is_this_it-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/1361182016_is_this_it-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/1361182016_is_this_it-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><b>Nilo Vieira</b></p>
<p>Em 2001, o estouro causado pelo segundo disco do Nirvana, o clássico <i>Nevermind, </i>estava prestes a completar uma década. Claro que existiu vida inteligente no rock (e fora dele também, obviamente) nesses quase dez anos, mas não era algo satisfatório para a indústria musical, que ainda clamava por um novo álbum que causasse fenômeno comercial parecido &#8211; e que trouxesse junto de si uma outra figura messiânica, para poder vendê-la como “a voz da nova geração”.</p>
<p><span id="more-3617"></span></p>
<p>As opções oferecidas pela Inglaterra após a morte de Kurt Cobain acabaram não funcionando: enquanto o Oasis se perdeu em meio ao ego dos irmãos Gallagher e experimentos musicais megalomaníacos, o Radiohead virou a década se tornando “cabeça” demais (leia-se: saiu dos limites do rock) para ser divulgado como a nova banda que uniria todas as tribos. Responsável por alguns dos discos mais influentes do rock, caberia então ao estado de Nova York repetir a dose, dessa vez com um quinteto de rapazes desleixados: eram os Strokes.</p>
<p><figure id="attachment_3625" aria-describedby="caption-attachment-3625" style="width: 825px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3625 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/strokes-ca_sndk7a.jpg" alt="strokes-ca_sndk7a" width="825" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/strokes-ca_sndk7a.jpg 825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/strokes-ca_sndk7a-300x233.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/strokes-ca_sndk7a-768x597.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3625" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Julian Casablancas, Albert Hammond Jr., Nick Valensi, Fabrizio Moretti e Nikolai Fraiture</figcaption></figure></p>
<p>O som simples e pegajoso somado às letras facilmente identificáveis do vocalista Julian Casablancas tornaram a estreia do grupo, <i>Is This It</i>, um sucesso imediato de crítica e público ao redor do globo. Os louros são justificados: a fusão entre as linhas melódicas do Television, a abordagem direta e de clima urbano do Ramones e o estilo cronista de Lou Reed gerou um produto sólido, repleto de <i>hits </i>e que captava de maneira eficaz o espírito do jovem de classe média na época; a angústia punk do rock alternativo da década passada agora era substituída por um ar <i>blasé</i> (interessante notar que essa pegada não se limita às letras, visto que a maioria das canções termina de maneira abrupta ou sem muitas reviravoltas), que encarava todo o caos das metrópoles contemporâneas com altas porções de indiferença irônica, nostalgia e um pouco de positividade boêmia. “Amanhã será diferente, então vou fingir que estou indo embora”, canta Casablancas no <i>single</i> “The Modern Age”.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Strokes - The Modern Age (Official HD Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/RzO7IGWGxu8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O impacto causado por <i>Is This It</i> não tardou a ser sentido. Diversas publicações respeitadas o apontaram como o melhor disco do ano, e logo surgiram bandas executando um som similar. A Inglaterra respondeu primeiro com o The Libertines, liderado pelo <i>junkie</i> Peter Doherty, e mais tarde com o Arctic Monkeys, tidos até hoje como os maiores discípulos do The Strokes. O Brasil também teve uma &#8220;versão nacional&#8221; da banda, o quarteto carioca Moptop.</p>
<p>No entanto, mais curioso que as similaridades musicais é observar uma semelhança temporal: enquanto algumas das grandes bandas dos anos 90 buscavam inspiração em artistas recentes (o Nirvana olhava diretamente para os Pixies, o My Bloody Valentine para o The Jesus and Mary Chain e o Radiohead para o Jeff Buckley e o R.E.M., por exemplo), o The Strokes e grande parte dos contemporâneos elogiados pela crítica voltavam seus olhos e ouvidos para mais décadas mais longínquas. Desse modo, não é de se espantar que a maioria dessas bandas não passariam no fatídico “teste do segundo disco”; as influências podem ter sido repaginadas, mas eram tão claras e confortáveis que desgastaram tão rápido quanto surpreenderam.</p>
<p>O próximo disco dos Strokes, <i>Room on Fire</i>, seria amplamente criticado por soar demasiado parecido e pouco arrojado em relação ao seu antecessor, e o mesmo caso se aplicou na história de bandas como Interpol, Yeah Yeah Yeahs, Franz Ferdinand, The Killers, Kasabian e, fora do nicho <i>indie</i>, os australianos do Jet e The Vines. As exceções mais notáveis ficaram por conta do Arcade Fire e Arctic Monkeys, que continuaram buscando inspirações no passado, mas experimentaram outras possibilidades sonoras antes que fosse tarde demais &#8211; por ironia do destino, mais tarde o grupo de Alex Turner fincou pés e mãos de maneira tão grandiloquente nos clichês do passado e hoje são, provavelmente, a banda de rock alternativo mais popular entre o que se convencionou a chamar de público <i>hipster </i>médio.</p>
<p><figure id="attachment_3642" aria-describedby="caption-attachment-3642" style="width: 1273px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3642 alignnone" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/lzt4ysp.jpg" alt="lzt4ysp" width="1273" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp.jpg 1273w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp-298x300.jpg 298w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp-768x772.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp-1018x1024.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lzt4ysp-1200x1207.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3642" class="wp-caption-text">Professor e discípulos: Julian Casablancas conversando com Alex Turner, do Arctic Monkeys (esquerda), e Alex Kapranos, do Franz Ferdinand.</figcaption></figure></p>
<p>Assim, o status de “salvação do rock” atribuído à patota de Julian Casablancas não se sustentou por muito tempo (tal processo foi acelerado pelo fato do The Strokes nunca ter se importado com a opinião da imprensa) e apenas suscitou alguns questionamentos óbvios: seria bom apenas o rock que olhava para o passado? Uma figura exemplar para servir de “líder” era mesmo necessária? Nunca mais teríamos outro Nirvana? Tais indagações parecem ter deixado os próprios veículos correndo atrás do próprio rabo, e não é de se estranhar que, nesta década, algumas das principais publicações sobre música ou tenham ido procurar ídolos em outros estilos musicais (caso da Pitchfork com o hip-hop) ou se contentaram a voltar suas atenções a velhos preferidos da casa (vide a famosa Rolling Stone, que nunca perde a chance de colocar Bob Dylan, Bruce Springteen e U2 entre os melhores discos do ano).</p>
<p><figure id="attachment_3636" aria-describedby="caption-attachment-3636" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3636 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/2c1d960b811f530018491f8af5e68868.jpg" alt="2c1d960b811f530018491f8af5e68868" width="640" height="507" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/2c1d960b811f530018491f8af5e68868.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/2c1d960b811f530018491f8af5e68868-300x238.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3636" class="wp-caption-text">A banda, disposta e pronta para acudir o rock &#8216;n&#8217; roll a qualquer instante</figcaption></figure></p>
<p>Todavia, nem assim o mundo esqueceria dos The Strokes. Após a banda ter decidido trabalhar em seu próprio tempo no irregular <i>First Impressions of Earth </i>(2006), não apenas viu-se a banda engatar hits nas paradas (o maior deles virou até mesmo uma espécie de gíria indie, “You Only Live Once”) como era evidente que o quinteto ainda era referência para uma tonelada de artistas, que seguiam tentando copiar e/ou adaptar suas ideias; a prova cabal está em <i>Angles</i> (2011), que embora mal recebido, viu sua fixação pelo pop oitentista virar tendência no nicho do <i>indie rock</i>.</p>
<p>No fim, todas essas problemáticas não parecem ter servido como justificativa para uma nova guinada de reinvenções constantes no rock (ao menos na camada <i>mainstream</i>), e o gênero segue se debruçando no passado e assim garantindo sucesso com todas as faixas etárias &#8211; afinal, todos adoramos romantizar a nostalgia do que não vivemos. E, mais importante que isso, apagou o maior mérito dos Strokes com <i>Is This It</i>: o de conseguir fazer um disco muito bom e já estabelecer uma identidade forte logo em sua estreia no mercado.</p>
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