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	<title>Arquivos Stella Gonet &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em El Conde, A Opressão é escura como o sangue</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 20:27:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira 11 de Setembro marca o aniversário de uma das grandes tragédias ocorridas nas Américas, algo tão terrível e tão brutal que seria lembrado não só nas aulas de história, mas no profundo subconsciente de um povo inteiro. Há 50 anos, no Chile, um presidente era assassinado, o palácio presidencial bombardeado, uma ditadura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/el-conde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em El Conde, A Opressão é escura como o sangue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32571" aria-describedby="caption-attachment-32571" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32571" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023), O General Augusto Pinochet (Jaime Vadell), Um homem idoso, de estatura mediana está no centro de um enorme salão, ele usa uma capa longa e um quepe, a cena é em preto e branco, há uma névoa em todo o salão, que é iluminado por dois lustres, dispostos de maneira simétrica, e tem móveis muito antigos como um piano e cadeiras]" width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-32571" class="wp-caption-text">El Conde satiriza o horror da vida real usando um horror de fantasia (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">11 de Setembro marca o aniversário de uma das grandes tragédias ocorridas nas Américas, algo tão terrível e tão brutal que seria lembrado não só nas aulas de história, mas no profundo subconsciente de um povo inteiro. Há </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=33XzDdI51-o"><span style="font-weight: 400;">50 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Chile, um presidente era assassinado, o palácio presidencial bombardeado, uma ditadura se iniciava e por trás dela, um homem se tornava ditador. Embora todos eles sejam, sem exceção, meros mortais feitos de carne, osso e vísceras, como todos nós, quando tomamos conhecimento das barbaridades as quais esses mesmos humanos tiveram a capacidade de perpetrar, passamos a enxergá-los como monstros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada mais adequado que comparar alguém que suga vidas de seus oponentes a um vampiro, na visão dos roteiristas de </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=viOPiMBJgd0"><span style="font-weight: 400;">Pablo Larraín</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guillermo Calderón, Augusto Pinochet é um monstro dos clássicos filmes de terror dos anos 1930. Com mais de 200 anos de vida, o general viveu assombrando revoluções por décadas ao redor do mundo até parar no Chile e lá, após acusações de crime contra a humanidade e corrupção (aparentemente ele não se incomoda tanto com a primeira) ele decide se isolar com sua família em uma fazenda.</span></p>
<p><span id="more-32569"></span></p>
<figure id="attachment_32570" aria-describedby="caption-attachment-32570" style="width: 1023px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32570" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023), Pinochet (Jaime Vadell) aparece no centro da imagem, de terno e óculos escuros, a sua esquerda estão sentados oficiais de alta patente, e a sua esquerda soldados uniformizados empunhando fuzis" width="1023" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1.jpg 1023w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-768x384.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32570" class="wp-caption-text">Pinochet foi o líder da junta militar que governou o Chile entre 1973 e 1990 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos dois </span><a href="https://variety.com/2023/film/reviews/the-eternal-memory-review-1235522194/"><span style="font-weight: 400;">representantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> chilenos no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra satírica e humorística, e, apesar do enredo bastante criativo, poderia passar despercebida pela Academia, não fosse o seu imenso valor estético. A indicação a Melhor Fotografia pelo trabalho de Edward Lachman é uma recompensa justa a uma filmagem que assombra, é soturna e sabe explorar com precisão um recurso antigo &#8211; o preto e branco. No filme, o efeito é reimaginado para possuir uma certa liquidez. A ideia é que a Santiago moderna com seus arranha-céus de vidro possa parecer tão assustadora quanto um castelo medieval assombrado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem desfruta ainda do uso da simetria como uma forma de causar um certo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FjZXh-GB3jM"><span style="font-weight: 400;">deslumbre aterrorizante</span></a><span style="font-weight: 400;">, de dar inveja a tantos filmes de terror que pecam pela falta de sutileza. </span><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora o medo do escuro, o medo de um ser que não grita para assustar, apenas sua aparição já é o suficiente para saber que o mal encarnado está presente. A mistura de terror e comédia não é nova na Sétima Arte, porém a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rAtq79SI_Es&amp;pp=ygUTZWwgY29uZGUgZW50cmV2aXN0YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> eleva a mistura a um novo patamar, se de um lado a comédia é ácida, cítrica, o terror tem um gosto de metal enferrujado próprio do sangue.</span></p>
<figure id="attachment_32573" aria-describedby="caption-attachment-32573" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32573" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.jpg" alt="Cena do filme El Conde(2023). A freira Carmen (Paula Luchsinger), está pairando no ar, de braços abertos, ela usa um vestido branco, é uma mulher branca de cabelos curtos, e tem uma expressão de alívio, atrás dela há instalações da fazenda, como um celeiro e galpões" width="1999" height="988" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-800x395.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1024x506.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-768x380.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1536x759.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-1200x593.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32573" class="wp-caption-text">A freira Carmen tem um papel importante na trama e com ela certos efeitos visuais têm outro tom (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece estranho dizer que quase em meados da década de 2020 fazer alguém voar em um filme seja algo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bUBbN_xWnCE&amp;pp=ygUSRWwgQ29uZGUgRW50ZXJ2aWV3"><span style="font-weight: 400;">impressionante e grandioso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas aqui os movimentos no ar podem representar um poder absoluto e apavorante ou até mesmo uma certa leveza. A mistura de capas compridas e sombrias de um vampiro, os véus ultra brancos de uma freira ou quepe de general fazem o figurino parecer pesado e inadequado, como se prendesse os personagens deslocados de seu tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tom decrépito da película também influencia a trilha sonora, planos e perspectivas das câmeras do diretor Pablo Larraín e é como um lembrete de que os horrores de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lHqQJS9bvIo"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> não podem ser esquecidos. É um recado de que seus algozes estão sempre à espreita, à espera da noite, da oportunidade de se levantar de um caixão. De que se na ficção eles devoram corações, na vida real, políticos populistas devoram os cérebros da população em busca de poder e dinheiro.</span></p>
<figure id="attachment_32572" aria-describedby="caption-attachment-32572" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32572" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3.jpg" alt=" Cena do filme El Conde(2023). Pinochet (Jaime Vadell) voa com sua capa ao vento, e um quepe na cabeça, a imagem é vista da perspectiva de uma porta e no plano há parte da fazenda e um céu acinzentado" width="600" height="337" /><figcaption id="caption-attachment-32572" class="wp-caption-text">Após 200 anos de vida, Pinochet deseja morrer (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações são excelentes: Jaime Vadell faz um moribundo Pinochet cheio de vícios e que acaba se apaixonando pela freira Carmen, interpretada com bastante destreza por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KLJD5lV7olA&amp;pp=ygUSRWwgQ29uZGUgRW50ZXJ2aWV3"><span style="font-weight: 400;">Paula Luchsinger</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um destaque curioso é a aparição de uma antiga aliada de Pinochet, a “dama de ferro” Margaret Thatcher, ex premier britânica que também tem sua versão monstruosa, interpretada por Stella Gonet.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">El Conde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=txjU7CdOV4s&amp;pp=ygUhRmlsbWVzIHNvYnJlIGEgZGl0YXR1cmEgYXJnZW50aW5h"><span style="font-weight: 400;">mais uma vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> um sucesso latino-americano ganhando destaque ao expor as veias abertas do continente. Os cineastas latinos não perdoam os vampiros autoritários que se deleitam dessas veias, diferentemente de uma certa conivência daqueles que em busca de moderação optaram por eximir de culpas os piores criminosos, que roubaram mataram e torturaram e acabaram por ser anistiados e gozaram de privilégios durante a transição para a democracia. O filme pode até estar próximo do prêmio em Hollywood, mas tem conexões profundas com o nosso Brasil. </span></p>
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		<title>A fábula trágica de Spencer marca o fim da guerra de Diana</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Mar 2022 20:57:18 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26887" aria-describedby="caption-attachment-26887" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/talvez-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26887" class="wp-caption-text">A Princesa Diana de Kristen Stewart foi o triunfo de Spencer no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/">Oscar 2022</a> (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela já foi muitas pessoas em muitas narrativas diferentes: Princesa Diana de Gales para a burocracia da realeza inglesa, Alteza Real para os súditos do sistema monárquico europeu, e Lady Di para a legião de admiradores fiéis de uma das figuras mais relevantes do século 20. Mas entre todas as suas identidades criadas, exploradas e eternizadas entre 1 de julho de 1961 e 31 de agosto de 1997, a que foi responsável pelo início de tudo ainda era olvidada &#8211; até setembro de 2021, quando na </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">78ª edição do Festival de Cinema de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pablo Larraín fez surgir pela primeira vez a única face que ainda lhe era particular. Então, agora ela é </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26885"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alcançar as origens do fenômeno da plebeia que se transformou em uma das figuras mais marcantes da família real britânica, o cineasta chileno invoca toda a individualidade expressa pela definição de identidade apagada da história de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/12/a-princesa-diana/"><span style="font-weight: 400;">Diana Frances Spencer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, cada canto da cinebiografia existe sob uma premissa exclusiva: é dezembro de 1991, e Rainha Elizabeth II e companhia estão se reunindo em </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/real-estate/a13938267/sandringham-estate-castle-history-photos/"><span style="font-weight: 400;">Sandringham House</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as celebrações familiares de Natal. Os conflitos de relacionamento do círculo principal da Coroa já estão avançados, e Diana cumpre suas obrigações para com a realeza completamente contra a sua vontade. Mas aquele é especialmente incômodo porque, no meio de seus desvios de caminho que atrasam propositalmente seu encontro com a família, ela se vê apenas a alguns quilômetros de distância do lugar onde viveu sua infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é a forma que </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra para definir e iniciar a história de conflitos que deseja contar. Não existe </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/princesa-do-povo-inesquecivel-trajetoria-de-diana.phtml"><span style="font-weight: 400;">princesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem poder de </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/07/25/princesa-diana-60-anos-a-vida-do-maior-icone-do-seculo-xx/"><span style="font-weight: 400;">personalidade influente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, Diana apenas sente o ar de sua falecida vida ordinária num cenário insuportavelmente próximo daquele que ocupa o seu rejeitado cotidiano extraordinário. Em um período curto e delimitado de um </span><a href="https://valkirias.com.br/spencer/"><span style="font-weight: 400;">drama real</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; sem trocadilhos &#8211; que virou um conto de conhecimento quase geral, o filme engatilha uma jornada intensa, numa ótica que observa a sua protagonista já emocionalmente fragilizada indo em direção a um de seus maiores desafios: a mera sobrevivência em um ambiente que lhe adoece estando também muito próxima do que representa a sua cura. </span></p>
<figure id="attachment_26890" aria-describedby="caption-attachment-26890" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26890" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2.png" alt="" width="1500" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-22-2-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26890" class="wp-caption-text">“Uma fábula de uma tragédia verdadeira” (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a introdução narrativa abstrata e contextual do filme não é a única forma que ele encontra para inteligentemente manifestar a sua ideia central. Aos primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, o texto de </span><a href="https://epipoca.com.br/steven-knight-conta-o-futuro-de-peaky-blinders-apos-serie-terminar/"><span style="font-weight: 400;">Steven Knight</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se preocupa com a obviedade de apresentar Diana ou qualquer rastro de realeza que vai compor a tela durante os 117 minutos seguintes. Na verdade, a abertura mostra um comboio militar que está chegando à residência real. Soldados descem ordenadamente dos veículos carregando robustas caixas lacradas até um cômodo da casa. A câmera observa um conselho impresso nas paredes (“</span><i><span style="font-weight: 400;">mantenha o mínimo barulho, eles podem te ouvir&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">), e quando o espectador está prestes a se convencer de que está no filme errado, o pelotão baixa a guarda e o conteúdo transportado com extrema disciplina até ali é revelado: as comidas mais caras que uma cozinha mundana pode abrigar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, a sequência inicial não mostra um protocolo de </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/spencer-filme-com-kristen-stewart-retrata-prisao-de-diana-alem-de-crown-74043"><span style="font-weight: 400;">guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, apenas a preparação do Natal da família real. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> termina de apresentar a sua ótica narrativa: aos olhos de Diana, viver como parte da realeza britânica é travar um conflito armado com o exército mais poderoso que poderia ter como inimigo e resistir no território mais hostil que poderia existir naquele contexto privilegiado. Logo, personagens definidos por seus títulos e posições preenchem o ambiente tendo a regência da Rainha como referencial, numa alusão crítica da dinâmica da Coroa que mais parece um clichê fílmico do gênero de guerra. E o desempenho de Diana, apesar de não atender às expectativas dos veteranos e definir-se à sua maneira, é a própria definição de “</span><i><span style="font-weight: 400;">sentido!</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_26891" aria-describedby="caption-attachment-26891" style="width: 1787px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26891" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.png" alt="" width="1787" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3.png 1787w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26891" class="wp-caption-text">Para a história de Pablo Larraín, a definição não é, em hipótese alguma, uma limitação (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, mais uma afirmação do início se confirma: não é mero gracejo textual quando o diretor introduz seu filme como </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.queridoclassico.com/2022/03/spencer-princesa-diana-conto-de-fadas.html#:~:text=%E2%80%9CUma%20f%C3%A1bula%20de%20uma%20trag%C3%A9dia,em%20uma%20frase%2C%20seria%20essa."><i><span style="font-weight: 400;">uma fábula de uma tragédia verdadeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Esqueça a identidade classuda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/the-crown/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> entende a seriedade de sua narrativa, mas consegue brincar com seus caminhos sem se perder por eles, com a atitude certeira de defini-los muito bem modulando maniqueísmos. O caráter criticamente estético do filme cria um tom caricato para a história, emocionalmente densa, que ao contrário do que pode parecer, harmoniza perfeitamente com a extravagância dramática característica de Pablo Larraín.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda boa direção, a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue colocar todos os seus personagens na mesma atmosfera. E como todo bom comandante, Larraín extrai o máximo de sua equipe mesmo em território controlado e de curta permanência. Enquanto a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60259768"><span style="font-weight: 400;">Rainha Elizabeth II</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Stella Gonet, de </span><i><span style="font-weight: 400;">The House of Eliott</span></i><span style="font-weight: 400;">) ocupa a posição tática mais importante, o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46210586"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Charles</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jack Farthing (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">) é o negociador diplomático. E se por um lado o </span><i><span style="font-weight: 400;">chef </span></i><span style="font-weight: 400;">Darren (Sean Harris, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Southcliffe</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a liderança compassiva que alivia as tensões com uma gentileza ainda firme, o major Alistair Gregory (Timothy Spall, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Encantada </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Mr. Turner</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">é quem mantém (ou pelo menos tenta) tudo em ordem com seu senso de dever inflexivelmente comprometido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com maior destaque de tela do que seus companheiros coadjuvantes, no entanto, a personagem que tenta colocar Diana na linha é também o maior responsável pela manutenção daquele tom comedidamente cômico do filme. Com o difícil trabalho de se equilibrar entre as duas principais características da obra de Pablo Larraín, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/spencer-coloca-espectador-na-cabeca-da-princesa-diana-diz-timothy-spall"><span style="font-weight: 400;">Timothy Spall</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a sua filmografia carismática embaixo de um braço e seu histórico de veterano em Cannes embaixo do outro, cumpre perfeitamente a missão do Comandante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_26892" aria-describedby="caption-attachment-26892" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10.jpg" alt="" width="1500" height="902" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-1024x616.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-768x462.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-10-1200x722.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26892" class="wp-caption-text">A harmonia do elenco tem ainda a liberdade de fazer valer todas as teorias da conspiração sobre a passagem de Diana pela família real britânica, com apenas uma troca de olhares entre a Rainha e o Príncipe Charles (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer </span></i><span style="font-weight: 400;">é arquitetada para aprofundar e intensificar a narrativa de uma direção que sabe investigar </span><a href="https://www.programaibermedia.com/pt-pt/na-mente-de-pablo-larrain/"><span style="font-weight: 400;">personagens históricas</span></a><span style="font-weight: 400;"> intimamente. Apreciada para o prêmio máximo de Veneza no ano passado, ela já é familiar graças a </span><a href="https://valkirias.com.br/critica-jackie/"><i><span style="font-weight: 400;">Jackie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), obra que também encontrou prestígio da crítica e do público ao retratar uma Jacqueline Kennedy despida do apelo midiático de uma das primeiras-damas mais queridas dos Estados Unidos em sua viuvez. Na época, o protagonismo brilhante de Natalie Portman direcionado por Pablo Larraín a levou até as indicadas ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz em 2017, trabalho bem-sucedido que repete seus efeitos com a genialidade de </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/09/03/movies/spencer-kristen-stewart-princess-diana.html"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;"> na personagem da vez em 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo do triunfo da atriz é tão misteriosamente óbvio quanto o encanto de sua personagem em vida. Para criar um dos momentos mais angustiantes de Diana, apenas </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2021/11/22/how-kristen-stewart-became-her-generations-most-interesting-movie-star"><span style="font-weight: 400;">a especialidade de Kristen</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a tristeza. E os convidados a apreciar o trabalho são apenas os que não assumiram os preconceitos com o nome principal da melancolia juvenil de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que quase 15 anos depois, alcança sua primeira indicação ao prêmio da Academia ao lado das veteranas Olivia Colman, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Chastain</span></a><span style="font-weight: 400;">, Penélope Cruz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/apresentando-os-ricardos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;">. A nomeação é mais que devida: na delicadeza de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Stewart demonstra sua maturidade interpretativa e entrega a melhor atuação de sua carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2021/11/15/in-spencer-kristen-stewarts-princess-diana-is-forever-trying-out-roles"><span style="font-weight: 400;">minuciosamente vasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, observando com atenção os delicados trejeitos de Diana, como as falas sussurradas, o olhar baixo e a linguagem corporal de uma bailarina retraída, e compreendendo também suas características mais amadas e midiáticas, como a sua sinceridade emocional que confrontava a frieza e distância da imagem pública da família real. </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162338/"><span style="font-weight: 400;">Trêmula em sua identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como sua personagem, ela também se entrega nos comportamentos que denunciam o colapso emocional da Princesa, em suas caminhadas pela madrugada fria, devaneios monológicos com animais, roupas e móveis. Assim, ela chega ao seu ponto crítico, desenvolvendo os sinais que antecedem a manifestação dos problemas de Diana, como a bulimia e automutilação, mas não deixa a seriedade sufocar as quimeras reflexivas e imaginativas que confundem o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26894" aria-describedby="caption-attachment-26894" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2.png" alt="" width="1500" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-2-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26894" class="wp-caption-text">Kristen Stewart foi a atriz mais premiada pela crítica na temporada de 2021/2022, acumulando 26 títulos nos circuitos especializados, e também apareceu nas nomeações ao Globo de Ouro e ao Critics Choice Awards, surpreendentemente ficando de fora das listas do SAG e do BAFTA (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A humanidade de Kristen para com sua Diana contorna até mesmo as possíveis armadilhas narrativas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">. A primeira, no entanto, é mais externa, já que quem conhece a história apenas através do recorte temporal de Pablo Larraín é privado de tudo o que levou a personagem até ali, podendo até acreditar que a trama do filme trata de uma mulher crescida meramente arrependida do que escolheu para </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/kristen-stewart-mostra-em-spencer-como-conto-de-fadas-de-diana-virou-tragedia.shtml"><span style="font-weight: 400;">a própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já a segunda é facilmente superada pela espontaneidade e leveza de Stewart, que adicionam à densidade emocional da história uma nova camada de vida, solucionando, também, a tendência à incompreensão da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E os últimos anos de Diana pelo mundo não foram só de tristezas, também lembra muito bem o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o alcance de Kristen. Dos momentos mais obscuros aos mais vibrantes, a presença magnética de Lady Di, impossível de ser totalmente reproduzida, é a inspiração maior da interpretação de Stewart, da escrita de Knight e da direção de Larraín. A protagonista do filme era &#8220;é classe média demais&#8221; para os padrões da monarquia, mas se preocupa sobre o que vão escrever sobre sua vida dentro de mil anos. Ela exerce um poder tremendo em seus filhos, os preciosos herdeiros do trono, William (Jack Nielen) e Harry (Freddie Spry), mas também é ternamente influenciada por eles e pela sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/dia-das-maes-como-a-princesa-diana-redefiniu-a-maternidade-real"><span style="font-weight: 400;">maternidade transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando manifesta esse conflito interno, ela explode silenciosamente em desafios aos padrões reais, como uma guerreira na linha de frente de um conflito onde não tem nada a perder. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o toque final na construção da humanidade de Diana é a suave porém poderosa passagem de </span><a href="https://gentefamosa.com/fashion/quem-e-maggie-a-comoda-da-princesa-diana-em-spencer-baseado-em-pessoa-real/"><span style="font-weight: 400;">Maggie</span></a><span style="font-weight: 400;">, a criada interpretada por Sally Hawkins (divina protagonista do vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme de 2018, </span><a href="https://www.b9.com.br/87811/o-que-torna-a-forma-da-agua-um-filme-especial/"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). A personagem é como uma âncora para a tribulação emocional de Diana, e sem muitas explicações sobre como chegou a exercer tal papel na vida da Princesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> triunfa com mais uma interpretação coadjuvante muito bem localizada na narrativa. A ela, Larraín e Knight dedicam muita leveza para a construção da relação quase romântica de Maggie e Diana, que é, acima de tudo, de tremendo companheirismo e profunda identificação.</span></p>
<figure id="attachment_26895" aria-describedby="caption-attachment-26895" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26895 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie.png" alt="Cena do filme Spencer" width="1500" height="904" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-800x482.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-1024x617.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-768x463.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/diana-e-maggie-1200x723.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26895" class="wp-caption-text">O filme também mescla alguns importantes momentos narrativos às cenas que destacam a paixão de Diana pela dança, algo que não é novidade para o público de The Crown (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, mais uma vez ao contrário do que pode parecer, </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme contemplativo, muito bem resolvido como tal na cinematografia de Claire Mathon, que captura a produção de </span><a href="https://guyhendrixdyas.com/"><span style="font-weight: 400;">Guy Hendrix Dyas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O gosto de realismo mágico habita perfeitamente as câmeras da francesa, responsável por criar a mesma identidade no magistral </span><a href="https://personaunesp.com.br/retrato-jovem-chamas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Retrato de uma Jovem em Chamas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pelo qual foi premiada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">César </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Fotografia de 2020, e que, mais uma vez, faz falta dentre as indicações da categoria no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do longa de Céline Sciamma, que também procura por acalanto um ambiente religiosamente frio, ela traz as imagens diurnas amareladas e as noturnas esmaecidas, registradas pela sua habilidade de </span><a href="https://www.kodak.com/en/motion/blog-post/spencer"><span style="font-weight: 400;">enquadrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A singularidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, está numa espécie de diluição de cores, quase sempre pastéis, como forma de ilustrar o apagamento da vida da personagem principal. Já nas vestimentas de Jacqueline Durran, que também ficariam bem dentre as nomeações da vez ao prêmio da Academia, seguem os sucessos que a figurinista realizou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho &amp; Preconceito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, mais recentemente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cyrano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">, para agora incorporar a paixão de Diana pela moda e complementar a direção artística de Maren Schal, Ralf Schreck e Stefan Speth.</span></p>
<figure id="attachment_26896" aria-describedby="caption-attachment-26896" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26896 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra.png" alt="Cena do filme Spencer" width="1500" height="928" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-800x495.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-1024x634.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-768x475.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-extra-1200x742.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26896" class="wp-caption-text">Em mais um destaque da harmonia visual-textual de Spencer, outro elemento importante de roteiro é intensificado quando a personagem de <a href="https://www.insider.com/-spencer-princess-diana-haunted-by-anne-boleyn-who-is-2021-11">Ana Bolena</a> surge em Amy Manson (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O complemento para o visual de Mathon é </span><a href="https://open.spotify.com/album/6AGN0V4QobqBIVCWr6ZZPz?si=ANXG99BxToak5dstWC-TNA"><span style="font-weight: 400;">a música de Jonny Greenwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira de suas três trilhas sonoras para alguns dos <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2020/#:~:text=na%20cultura%20brasileira.-,Filmes%20Favoritos%3A%201.,Que%20Ficou%20Para%20Tr%C3%A1s%20%2F%204.">melhores filmes</a> do ano, o guitarrista do </span><a href="https://personaunesp.com.br/radiohead-sao-paulo-2018/"><span style="font-weight: 400;">Radiohead</span></a><span style="font-weight: 400;"> mistura elementos da música clássica, </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, como forma de reproduzir a sensação confusa de Diana naquele contexto antiquado em plena efervescência cultural do final do século (vide as canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Ancient and Modern</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Delusion / Miracle</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os violinos e órgãos acabam como os instrumentos favoritos do músico, com destaque para os momentos em que o filme beira um suspense psicológico dos anos 60, à medida que se entrega ao emocional perturbado da protagonista. Dentre seu trabalho em </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/licorice-pizza-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Licorice Pizza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele foi impulsionado na premiação da Academia pelo prestígio de Jane Campion e concorre com <a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/">Hans Zimmer</a>, Alberto Iglesias, <a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/">Nicholas Britell</a> e a primeira mulher latino-americana indicada à categoria, <a href="https://personaunesp.com.br/encanto-critica/">Germaine Franco</a>.</span></p>
<figure id="attachment_26899" aria-describedby="caption-attachment-26899" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26899 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1.png" alt="Cena do filme Spencer." width="1500" height="912" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-800x486.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-1024x623.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-768x467.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-7-1-1200x730.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26899" class="wp-caption-text">“Fodam-se os médicos, o que você precisa é de amor” (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;"> graciosamente estão em guerra. Desde sua definição, apresentada como uma cinebiografia que se manifesta mais como um drama biográfico, até a construção mais ampla de sua história, que se ocupa em </span><a href="https://rainhastragicas.com/2021/12/24/um-natal-para-se-esquecer-spencer-e-a-reinvencao-narrativa-em-dramas-baseados-na-historia/"><span style="font-weight: 400;">ficcionalizar uma realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao invés de </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/spencer-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme-com-kristen-stewart-74226"><span style="font-weight: 400;">perseguir o real</span></a><span style="font-weight: 400;"> para compor a sua ficção, o filme de Pablo Larraín usa todos os seus artifícios e mágicas para vencer uma batalha em busca da maior necessidade de sua protagonista: identidade e amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E como Diana bem sabia, essa combinação de elementos jamais seria encontrada no território adversário, que sequer tem um conflito de verdade para lutar e um ideal louvável a se defender em sua plena insignificância diante da modernidade. Mas através da obra, a batalha da Princesa que se entregou a uma </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/resenha-spencer/"><span style="font-weight: 400;">luta por si mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> é findada e vitoriosa a partir do que ela essencialmente já tem: a pessoa existente por trás de Diana é, finalmente, completa, única e independente. Agora, ela pode ser </span><i><span style="font-weight: 400;">Spencer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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