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	<title>Arquivos Sonho &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 20:51:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30726" aria-describedby="caption-attachment-30726" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-30726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo &quot;escute as feras&quot; em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito &quot;Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas e &quot;Enzo Caramori&quot; em letras cinzas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30726" class="wp-caption-text">Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gcn42bH6IkA">Desterrando o susto</a>’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressonante no livro </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111&amp;busca=escute%20as%20feras"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.</span></p>
<p><span id="more-30721"></span></p>
<p><a href="https://leituras.org/escute/"><span style="font-weight: 400;">Ursa-mulher e mulher-ursa</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma foge para dentro da bruma, com pedaços de uma mandíbula e ferida por um quebra-gelo; a outra, guarda-se na neve, vermelha de seu próprio sangue. Na falta do que se doou na troca desse primal encontro, refunda-se um sistema de crenças de povos como os </span><a href="https://www.editionsladecouverte.fr/a_l_est_des_reves-9782359251241#:~:text=Apr%C3%A8s%20avoir%20travaill%C3%A9,monde%20sa%20vitalit%C3%A9."><i><span style="font-weight: 400;">evenki</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – estudados por Martin em 2015, quando é desfigurada – em que a predestinação do enlace de seus destinos é a base do exercício da vida, animal e humana, em comunidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras, </span></i><span style="font-weight: 400;">trazido ao Brasil pela tradução de Camila Boldrini e Daniel Lühmanné, é regido pelo atrito que a própria autora estabelece entre si mesma e sua imersão em modelos de visualização da vida vinculados ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1010200620.htm"><span style="font-weight: 400;">animismo</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma união do ambiente e da existência humana e animal em um único fluxo vital. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Miêdka”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">matukha”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são termos do idioma </span><i><span style="font-weight: 400;">even</span></i><span style="font-weight: 400;"> que identificam sua condição de sobrevivência e transmutação, após o enfrentamento com o urso, à situação anormal de humanidade que lhe é atribuída. À </span><a href="https://erratanaturae.com/autores/nastassja-martin/"><span style="font-weight: 400;">antropóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse estado de pária estrutura uma mudança na maneira que enxerga a si mesma – em um espaço de excepcionalidade, um tanto </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/learning-to-love-the-bear-that-attacked-you#:~:text=I%20assumed%20that,of%20her%20experience."><span style="font-weight: 400;">inadequado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu desenvolvimento de pesquisadora –, que altera o tom etnográfico para, também, hibridizar o texto.</span></p>
<figure id="attachment_30723" aria-describedby="caption-attachment-30723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg" alt="Foto em preto e branco da antropóloga Nastassja Martin. No primeiro plano, uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque desarrumado que cai em sua nuca. Ela olha ao horizonte e está vestida com uma blusa clara e um casaco, similar a uma jaqueta, preto. Ao fundo, montanhas rochosas e um céu nebuloso." width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1200x706.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1.jpg 1224w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30723" class="wp-caption-text">Orientada pelo antropólogo Philippe Descola, Nastassja Martin escreve sua tese de doutorado sobre o povo Gwich’in, do Alasca (Foto: Alexandre Lacroix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estilisticamente, Martin constrói um registro experimental e total do que se dedicou a analisar, no exercício de sua ciência, e de suas inscrições sensíveis aos acontecimentos, meticulosamente medidas pela sua escrita. Entre a etnografia e a autobiografia, a metodologia de Martin é o cruzamento de dois cadernos de viagem, descritos como diurno e noturno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro tem suas páginas preenchidas por notas de viagem, fragmentos do que percebe em sua imersão com os </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">e a desperta atenção, mesmo com todos os dilemas que atravessam a etnografia. O segundo é do âmbito da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7Z6AZnD9hc"><span style="font-weight: 400;">escrita do sonho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que evoca o íntimo e o exterior numa poética de imagens quase ritualísticas, como pinturas rupestres que reincidem um mundo do sentimento selvagem e da máxima expressão da vida, na igualdade da relação animal ou humana. São contrastes significativos tanto em sua maneira de visualização do mundo e de sua própria sobrevivência que, na narrativa, não se institui de uma moralização da violência nem de um arco de redenção; quanto de sua escrita: variável de momentos cirúrgicos de descrição a até fluxos bestiais e oníricos de prosa.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Fantasmático do desejo próprio às florestas, aos predadores solitários, à sua raiva, ao seu orgulho e à sua vigília. Tensão de seus encontros inesperados, inconfessáveis, improváveis, em devir, no entanto. Porque sozinhos eles se perdem, porque sozinhos eles se fecham, porque sozinhos eles esquecem. O cruzamento de seus olhares os salva de si mesmos ao projetá-los na alteridade daquele que os enfrenta. O cruzamento de seus olhares os mantém vivos.’’</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na dualidade estabelecida à estrutura de seu texto, a autora mobiliza a etnografia para a escrita de si quando desafiada a </span><a href="https://www.philomag.com/articles/nastassja-martin-je-minteresse-la-possibilite-dune-metamorphose"><span style="font-weight: 400;">redescobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesma – com seu rosto desfigurado, do qual a ursa tomou-lhe parte da maçã do rosto e da mandíbula –, nesse novo território tomado de tensões: o seu próprio corpo. As questões psicológicas que a atravessam durante transferências incessantes por antigos hospitais da antiga ordem soviética, onde é posta à selvageria dos procedimentos médicos e legais envolvendo nacionalidade e gênero, é onde pensa um motivo maior a seu fatal encontro, que lhe propõe um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2021/10/antropologa-perdoa-urso-que-a-atacou-em-livro-que-iguala-homens-e-animais.shtml"><span style="font-weight: 400;">novo significado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ainda estar viva. Portanto, no equívoco de sua epistemologia mas no exercício de uma liricidade autobiográfica, a evidente marca deixada pela espécie companheira à crença </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais uma oportunidade individual de entender-se do que realmente uma maneira de debruçar-se sobre sua estrutura de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_30724" aria-describedby="caption-attachment-30724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg" alt="Rascunho feito a grafite pelo artista expressionista Edvard Munch. Na esquerda, observa-se um vulto de uma mulher ajoelhada abraçando um urso, não preenchido, o que lhe dá a impressão de ser branco ou claro. Os traços de grafites são evidentes. À direita, observa-se uma figura parecida, no entanto a mulher está mais agachada e abraça um urso agora escuro, negro, preenchdio pelo grafite." width="800" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear-768x583.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30724" class="wp-caption-text">‘‘Há tempos vim preparando o terreno que me levaria até a boca do urso, em direção ao seu beijo’’ (Arte: Edvard Munch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo das mitologias. Existe, nos gestos conflitantes do enquadramento de seu encontro com a ursa — muitas vezes descrito enquanto um abraço e um beijo — uma determinada </span><a href="https://thebaffler.com/latest/bear-witness-goldman"><span style="font-weight: 400;">eroticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parte da percepção de uma afetação, para além de necessariamente, de afeto, na qual a violência torna-se um espaço de proximidade inigualável. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma fábula calculada nesses contrastes e escrita sobre a tradição indígena do sonho explorada por Ailton Krenak e pelas filosofias yanomami estudadas por </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/sonhou-com-o-que/hanna-limulja-fala-da-cultura-yanomami-a-partir-de-seus-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Hanna Limulja</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua moral naturalmente reivindica outros modos de vida, ou, como colocado pela pensadora </span><a href="https://personaunesp.com.br/eo-critica/#:~:text=pensadora%20Donna%20Haraway"><span style="font-weight: 400;">Donna Haraway</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">autre-mondialisation</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; (outra-mundialização). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o pulso ferino de primalidade toma conta da experimentação de Nastassja Martin, é pela memória que constrói um espaço conjunto e verdadeiro. Aquele que, como nas imagens feitas a dedo em escuras grutas, remonta um </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/sonho-de-outras-feras/"><span style="font-weight: 400;">passado mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possível, por outros exercícios de fazer o mundo, onde a técnica não colocou um corpo acima do outro, uma mulher abaixo de um homem e um humano-bixo acima de outras vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escavar o susto é, para essa </span><a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2021%2F12%2Fescute-as-feras-nos-desperta-o-desejo-de-conhecer-um-urso.shtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomada de divagações — importantes para a composição do retrato sensível de si mesma —, encontrar sua própria essência, ao mesmo tempo que acessa a realidade antropológica da península de </span><span style="font-weight: 400;"> Kamtchátka, o lugar de</span><span style="font-weight: 400;"> seus estudos. Para a mitologia </span><i><span style="font-weight: 400;">even, </span></i><span style="font-weight: 400;">o olhar do urso em si não é perigoso pela tentativa de vingança do antropocentrismo ou do domínio de um espaço vital, mas sim pelo fato de que, nos olhos da animalidade humana, as outras formas de vida encontram-se e entendem a si próprias em sua condição de alteridade. </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/24/books/review-in-eye-of-wild-nastassja-martin.html"><span style="font-weight: 400;">A ursa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tanto atacada por Nastassja – uma fera, em seus próprio papel – quanto devolve o susto, em uma metáfora da vida real sobre o misterioso assombro que é entender a si no outro.</span></p>
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		<title>Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 17:29:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por Gabriel Martins, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28742" aria-describedby="caption-attachment-28742" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28742 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1-1.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra duas pessoas sentadas lado a lado na calçada. À esquerda está um homem idoso, de camisa azul e laranja. À direita está uma mulher adulta, de roupa amarela. Os dois são negros e está de noite." width="750" height="313" /><figcaption id="caption-attachment-28742" class="wp-caption-text">Longe da corrida de Filme Internacional desde os tempos de Central do Brasil, o país escolhe pela primeira vez um longa dirigido por um homem negro para nos representar no Oscar (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/oscar2023/filme-indicado.php"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às portas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolheu a obra como a representante nacional na corrida pela estatueta de Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span id="more-28741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem teve o prazer de assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jFMBb7Z5N24"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se encontra em cartaz em pouquíssimas salas de cinema do país que representará no ano que vem, os motivos são óbvios. De maneira quase familiar para o Cinema nacional, e </span><a href="https://sitenocenaculo.com.br/cinema-mineiro-recente/"><span style="font-weight: 400;">em especial o mineiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martins costura uma trama de seres humanos à beira de um ataque de nervos, cenário comum e habitual para a população que enxerga em Jair Bolsonaro um mal a ser excomungado de Brasília desde o dia seguinte ao fim de 2018.</span></p>
<p><figure id="attachment_28743" aria-describedby="caption-attachment-28743" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28743 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra um homem idoso negro sorrindo e parado em frente a um canteiro de jardim, com as mãos na cintura. Ao fundo, vemos prédios e o parapeito de vidro verde do pátio onde ele se encontra." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1024x554.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1536x830.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-2048x1107.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1200x649.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28743" class="wp-caption-text">Antes de Marte Um, Gabriel Martins trabalhou em uma porção curtas e longas; entre eles O Nó do Diabo (2018) e No Coração do Mundo (2019) [Foto: Filmes de Plástico]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Produzido pela Filmes de Plástico com coprodução do Canal Brasil, e financiado por um </span><a href="https://twitter.com/tatianacarvalho/status/1566889046391115779"><span style="font-weight: 400;">edital</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trouxe ao mundo o igualmente excepcional </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou sua caminhada pelas salas de cinema no </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/mars-one-review-marte-um-1235154101/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Sundance</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde disputou o Prêmio do Júri. A história, embora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6i-9JT_eSRY"><span style="font-weight: 400;">enraizada em uma realidade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, estampando uma família da periferia que enfrenta o salário curto, o mercado caro e o país se engolindo, ressoa pelas notas de simpatia e, antagonicamente a ideia do governo atual, otimismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O responsável por capturar essa aura do sonhar, presente desde a esperança de Deivinho (Cícero Lucas) até a voracidade de Eunice (Camilla Damião), é Daniel Simitan e sua trilha sonora espectral, reconhecida com um dos quatros Kikitos que o filme levou para casa no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-vencedor-do-festival-de-cinema-de-gramado-marte-um-nos-convida-a-sonhar/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Gramado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso por conta da suavidade que o texto de Martins emprega na criação de suas cenas e ambientações, primeiro isolando sua família protagonista para então agrupá-los, fortalecendo uma das mensagens do filme: unidos, viver é mais descomplicado, ainda que o processo continue árduo e nada valorizador a quem o enfrenta.</span></p>
<figure id="attachment_28744" aria-describedby="caption-attachment-28744" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28744 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta negra dormindo de lado numa cadeira de praia vermelha. Ela usa brincos e relógio brilhantes e uma camiseta vermelha com detalhes em branco e azul." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28744" class="wp-caption-text">Encontrando suspiros de alívio e felicidade, o filme conta com a presença irreverente de Tokinho (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pontapé vem na figura de Tércia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KK2cIKwcv4o"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">), a matriarca em constante estado de alerta, já que, após alguns infortúnios bombásticos, passa a acreditar que tem uma maldição lhe mordendo o calcanhar e tenta a todo custo se afastar da família e poupá-los de eventuais tragédias. Na interpretação de Faria, a personagem ganha o coração de quem assiste suas desventuras, e obtém pontos na forma em que doma seus arredores, apaziguando o marido, colocando juízo na cabeça da filha mais velha e apoiando os sonhos do caçula. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Tfc0zaTzY"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a peça mais descompassada da equação. Pai amoroso mas um tanto impaciente, é ele quem leva nas costas os maiores traumas do filme, todos condensados e enclausurados na ficha do Alcóolicos Anônimos que representa tanto uma vitória quanto um lembrete para o torcedor fanático do Cruzeiro. Nas trocas com Eunice, Francisco eletriza o ambiente, e, nas cenas com Deivinho, luta para não atolar o jovem com sonhos próprios, adormecidos pelo curso da vida.</span></p>
<figure id="attachment_28745" aria-describedby="caption-attachment-28745" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28745 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta e uma criança negras dormindo sob a luz azul do luar." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28745" class="wp-caption-text">A direção de fotografia de Leonardo Feliciano usa e abusa de planos dos familiares banhados pela luz azul da Lua (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Eunice, resta a Damião o ato de extravasar </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> e oxigenar o filme para além dos dramas de meia-idade e da adolescência. Buscando um refúgio da aconchegante casa em que nasceu e cresceu, chega a hora de exercitar sua identidade como adulta, como pessoa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como alguém há muito ofegante em se colocar como prioridade da história. Na conjectura de </span><a href="https://www.z1portal.com.br/diretor-de-marte-um-comemora-pre-selecao-para-o-oscar-nunca-tinha-ido-pra-um-diretor-negro/"><span style="font-weight: 400;">um Brasil utópico e distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo, o diretor molda a narrativa da filha mais velha longe dos arquétipos de preconceito e revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> se centra em personagens complexos e multifacetados, protagonizando uma trama que não se limita em momento algum. Deivinho, o elo que conecta o distante planeta vermelho ao Brasil da família mineira, não se acanha em sonhar. Visitando o reino em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUg4xE-7LyM"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, o garoto não quer saber de marcar gol e dar carrinho (por mais que tenha talento para tal). Ele quer colonizar a galáxia, mas para isso precisa enfrentar as expectativas daqueles que o criaram sob um molde. Quebrar a ordem das coisas é um processo custoso, e Gabriel Martins, que executa a montagem ao lado de Thiago Ricarte, não cansa de nos lembrar disso.</span></p>
<figure id="attachment_28746" aria-describedby="caption-attachment-28746" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28746 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra quatro pessoas negras da mesma família de pé e reunidas ao redor de um telescópio. Está de noite e a luz azul da lua reflete neles." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28746" class="wp-caption-text">Com um novo método e equipe selecionando o filme brasileiro para o Oscar em 2022, o país tem no histórico as submissões de Deserto Particular, Babenco e A Vida Invisível (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando os exemplos recentes de longas nacionais deixados de lado pelos votantes estrangeiros, a </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/academia-brasileira-de-cinema-e-artes-audiovisuais-anuncia-os-seis-filmes-brasileiros-pre-selecionados-para-concorrer-a-indicacao-ao-oscar2023%ef%bf%bc/"><span style="font-weight: 400;">Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidiu reformular sua equipe e método de seleção da obra que representará o país no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um corpo votante composto por dezenove profissionais da área, Bárbara Cariry presidiu a comissão em 2022, e uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil#:~:text=Montada%20por%2019%20membros%2C%20a,Paloma%20(de%20Marcelo%20Gomes)."><span style="font-weight: 400;">pré-lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com 6 produções foi divulgada. Ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, estavam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CtLsCjQ01q4"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Cristiano Burlan), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jAhGhqdMc1c"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Laís Bodanzky), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qaxw60-NW4U"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Carolina Markowicz), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=74kfPQVKbzY"><i><span style="font-weight: 400;">Pacificado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Paxton Winters) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQzRA3fvnZI"><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Marcelo Gomes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final das quase duas horas, a breve sinopse do longa ecoa como uma maneira de vender um filme que não se delimita como simples reimaginação ficcional de uma realidade extremamente desgastante, que diariamente </span><a href="https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">estampa capas de jornais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e preenche VTs da televisão no horário nobre. Mais que uma crônica sobre uma família nada endinheirada lidando com a eleição de um presidente abominável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o retrato de como a Arte no Brasil resistiu e ainda reage.</span></p>
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		<title>Genius Loci é um pesadelo confuso em uma noite de encontro espiritual</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 15:46:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Vieira Quem nunca teve um sonho confuso, em que formas geométricas, cores e diálogos aleatórios tomam conta de sua noite e fazem você passar o dia, se não a semana, inteiro tentando decifrá-lo? Genius Loci trouxe a vida todos esses sentimentos caóticos durante uma noite na cidade parisiense. O curta-metragem conta a história de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/genius-loci-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Genius Loci é um pesadelo confuso em uma noite de encontro espiritual"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19621" aria-describedby="caption-attachment-19621" style="width: 865px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19621" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.png" alt="Imagem do filme Genius Loci. Ao centro, o desenho de uma mulher careca, preta e com brincos; ela uma uma regata branca. Ao fundo, é possível ver triângulos recortados em retângulos, formando um caminho. " width="865" height="483" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.png 865w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-300x168.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-768x429.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19621" class="wp-caption-text">Presente na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação no Oscar 2021, a alucinação perturbadora de Reine é quase como um sonho agradável para o público (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Vieira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca teve um sonho confuso, em que formas geométricas, cores e diálogos aleatórios tomam conta de sua noite e fazem você passar o dia, se não a semana, inteiro tentando decifrá-lo? </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MlEh9zsbaj0"><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe a vida todos esses sentimentos caóticos durante uma noite na cidade parisiense. O curta-metragem conta a história de Reine, uma jovem francesa, que vive uma viagem metafísica e descobre, em meio ao caos urbano, uma entidade viva que se torna o seu guia espiritual pela noite. </span></p>
<p><span id="more-19620"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perturbadora animação, ao mesmo tempo liberta e se torna quase como uma viagem para o telespectadores, e não só para Reine. Os </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menino-e-o-mundo-modernidade-pelos-olhos-crianca/"><span style="font-weight: 400;">elementos geométricos</span></a><span style="font-weight: 400;"> representam toda a confusão e complexidade com que a protagonista batalha, e eles são desenhados de maneira brilhante, assim como em </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/04/nouvelle-vague-revolucao-no-cinema-frances-dos-anos-60-e-um-dos-mais-importantes-capitulos-da-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">nossos sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou pesadelos. A construção dos míseros, porém extremamente relevantes, diálogos é ainda mais atormentadora porque são neles em que sentimos mais puramente o que a jovem está vivendo. </span></p>
<figure id="attachment_19622" aria-describedby="caption-attachment-19622" style="width: 872px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19622" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2.png" alt="Imagem do filme Genius Loci. Ao centro, o desenho de uma casa, cheia de ramificações, como uma árvore, com diferentes cores projetadas sobre ele. Ao fundo, os reflexos da casa contrastam com o fundo preto. " width="872" height="485" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2.png 872w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-300x167.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-2-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19622" class="wp-caption-text">A construção geométrica, as cores e todos os sons tornam Genius Loci uma animação perturbadoramente brilhante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta-metragem merece destaque na lista de indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 de Melhor Curta-Metragem de Animação</span></a><span style="font-weight: 400;">, já que, além de um enredo e diálogos muito bem construídos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loc</span></i><span style="font-weight: 400;">i traz uma animação bem trabalhada, nos mínimos detalhes. Cada forma geométrica edifica os 16 minutos da obra, sendo que qualquer pequeno quadrado pode ser a representação de um grande problema. Além disso, o </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/547952/fora-de-quadro-02-como-a-psicologia-das-cores-ajuda-a-contar-uma-historia/"><span style="font-weight: 400;">trabalho com as cores</span></a><span style="font-weight: 400;"> é extremamente minucioso, também carregando uma relevante importância em cada pincelada na tela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é quase como um quadro, já que todos seus desenhos são feitos em uma aquarela, muito bem pintada, que poderia estar exposto no </span><a href="https://personaunesp.com.br/lupin-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">Louvre</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo em que a animação francesa é colorida e livre, ela é dura e rígida ao contrastar com a precisão da geometria; o que causa uma confusão ainda maior, não só em Reine, mas também em quem assiste e vive o pesadelo. Ainda, as personagens ao redor da protagonista são estruturadas de maneira brilhante, visto que são nelas em que a produção faz a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">crítica ao racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><span style="font-weight: 400;">ao machismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra construção brilhante do curta-metragem são todos seus elementos sonoros, que conseguem espelhar algo que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MsfL1KwIHu0"><span style="font-weight: 400;">quase nenhuma outra obra conseguiu</span></a><span style="font-weight: 400;">: os sons de nossos sonhos. Cada batida dos sons faz você emergir na alucinação de Raine e cria aquele sentimento de angústia e desespero que vivemos durante uma noite de sono bem dormida, porém conturbada em seu subconsciente. A narração de Nadia Moussa que surge em alguns instantes, principalmente nos primeiros minutos, também é essencial para elaborar o ritmo que a obra carrega, te prendendo na história, mesmo que lentamente, logo de cara.</span></p>
<figure id="attachment_19623" aria-describedby="caption-attachment-19623" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19623" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3.png" alt="Imagem do filme Genius Loci. Na imagem é possível ver 2 sombras: do lado direito a de um cachorro, com seus olhos vermelhos e ao lado esquerdo, de uma mulher com seus olhos verdes. " width="632" height="346" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3.png 632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-3-300x164.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19623" class="wp-caption-text">O encontro final de Reine é como o despertar de um pesadelo para o espectador (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M_I0uit04ik&amp;t=0s"><span style="font-weight: 400;">Adrien Merigeau</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i><span style="font-weight: 400;">, indiretamente, traz muito sobre a cultura francesa; não só em representar a noite parisiense e seus protagonistas, mas por toda sua estrutura poética. O curta-metragem é uma obra-prima em meio às indicações da categoria do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021. É por isso que a produção foi um </span><a href="https://en.unifrance.org/news/15449/berlinale-2019-nadav-lapid-wins-the-golden-bear-francois-ozon-the-grand-jury-prize"><span style="font-weight: 400;">tremendo sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos festivais internacionais, recebendo 26 troféus. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, é uma viagem espiritual que precisamos viver, assim como Raine teve que viver. Todo o caos, confusão e alucinações são difíceis de encarar, porém necessários. A imagem e sonoridade do curta-metragem carregam também facilmente o peso da indicação da Academia, que deve levar em conta o brilho da produção, mesmo ao lado de histórias mais concretas e doloridas dos concorrentes, como</span> <a href="https://personaunesp.com.br/se-algo-acontecer-te-amo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Se Algo Acontecer… Te Amo </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Yes-People</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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