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	<title>Arquivos Saúde Mental &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2025 19:00:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Lançado em 2015, Divertida Mente rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/divertida-mente-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que passa na cabeça dela?: Há 10 anos, Divertida Mente mostrava o interior da mente de uma pré adolescente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35412" aria-describedby="caption-attachment-35412" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente.png" alt="Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra cinco personagens coloridos que estão de costas, observando através de janelas amplas que mostram ilhas flutuantes no mundo da mente. À esquerda, aparece uma ilha com um monumento familiar e casas aconchegantes; em seguida, uma ilha rosa com arcos e corações; após, uma ilha com elementos de hockey, como tacos e um ringue; à direita, uma ilha com brinquedos e mecanismos coloridos. Os personagens representam emoções: Raiva (vermelho, robusto), Medo (roxo, esguio), Alegria (amarela, iluminada), Tristeza (azul, encurvada) e Nojinho (verde, com braços cruzados). O cenário é vasto e imaginativo, com tons pastel e estruturas surreais." width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-35412" class="wp-caption-text">Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes, mas decidiram por cinco – Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva – para tornar o filme menos complicado (Walt Disney Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2015, </span><a href="https://personaunesp.com.br/divertida-mente-5-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rapidamente se destacou como uma das animações mais inovadoras da Pixar, tanto pelo seu conceito original, quanto pela forma sensível e educativa que abordou a psicologia humana. A trama acompanha Riley, uma menina de 11 anos que enfrenta mudanças profundas ao se mudar para uma nova cidade — uma transição que evoca o desconforto das primeiras vezes e a instabilidade emocional que costuma acompanhá-las. Dentro de sua mente, cinco emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – disputam o controle de suas reações, refletindo os conflitos internos que surgem diante do desconhecido. O filme cativou o público infantil com sua estética vibrante e personagens carismáticos, ao mesmo tempo que conquistou os mais velhos na maneira que trata com delicadeza temas como amadurecimento e saúde mental.</span></p>
<p><span id="more-35407"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores méritos da animação é sua capacidade de traduzir conceitos abstratos da psicologia em uma narrativa acessível, visualmente impactante e emocionalmente verdadeira. A </span><a href="https://ufob.edu.br/especial-de-quarentena/tv/divertida-mente-o-que-podemos-tirar-de-licao-nesse-filme"><span style="font-weight: 400;">personificação das emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">, a arquitetura da mente da protagonista e os mecanismos que explicam memória e personalidade são recursos que tornam o funcionamento emocional mais compreensível para diferentes idades. O maior destaque, no entanto, é a revalorização da Tristeza — frequentemente vista como um sentimento a ser evitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa rompe com a ideia de que só a </span><a href="https://portaln10.com.br/curiosidades/positividade-toxica-como-a-alegria-de-divertida-mente-ilustra-um-problema-real-de-saude-mental-11214/"><span style="font-weight: 400;">felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> importa ao mostrar que a Tristeza é essencial para processar perdas, buscar apoio e construir vínculos mais autênticos. Esse reposicionamento emocional abre espaço para debates mais amplos sobre bem-estar psicológico, contribuindo para a desestigmatização da tristeza e a valorização de uma saúde mental mais completa e realista.</span></p>
<figure id="attachment_35409" aria-describedby="caption-attachment-35409" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-2-800x450.jpeg" alt="Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra um corredor repleto de prateleiras com esferas coloridas, que representam memórias. Três personagens estão no centro. Alegria, de pele brilhante e cabelo azul curto, sorri segurando várias esferas amarelas brilhantes. Tristeza, com expressão preocupada, está ao lado dela. À esquerda, Bing Bong, um personagem rosa e felpudo com tromba de elefante, vestido com paletó e flor de feltro, gesticula animadamente. O ambiente é vibrante e simboliza o armazenamento de lembranças no interior da mente da protagonista." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-2.jpeg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35409" class="wp-caption-text">Cada emoção é baseada em uma feição: Alegria em uma estrela, Tristeza é uma lágrima, Raiva é um tijolo, Medo é um nervo exposto e Nojinho é um brócolis (Walt Disney Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem sido </span><a href="https://online.pucrs.br/blog/neurociencia-infantil-e-filme-divertidamente"><span style="font-weight: 400;">amplamente utilizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por psicólogos, terapeutas e educadores, tanto como ferramenta didática quanto como instrumento de acolhimento. Sua mensagem reforça que todas as emoções são legítimas e necessárias para o desenvolvimento emocional, especialmente em momentos de mudança e transição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção mostra que o medo das primeiras experiências é parte do crescimento e precisa ser validado. Ao legitimar esses sentimentos, a obra ajuda crianças (e adultos) a reconhecerem seus limites e a se reconectarem consigo mesmas de maneira mais empática. É nesse ponto que a animação ultrapassa seu papel de mero entretenimento, tornando-se uma ferramenta terapêutica e um</span><a href="https://www.institutoclaro.org.br/cidadania/nossas-novidades/podcasts/divertida-mente-estimula-dialogo-sobre-as-emocoes-entre-adultos-e-criancas/"><span style="font-weight: 400;"> veículo de educação emocional.</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A recepção crítica e comercial também reforça sua relevância. Com mais de US$850 milhões arrecadados mundialmente e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-wowSRBfrY"><span style="font-weight: 400;">Melhor Animação</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente</span></i><span style="font-weight: 400;"> provou que é possível unir sensibilidade, inovação narrativa e sucesso de público. A Pixar, conhecida por equilibrar emoção e humor, elevou seu próprio padrão ao oferecer uma obra que fala de saúde mental sem cair em clichês ou simplificações. A escolha de colocar a Tristeza como personagem-chave foi um gesto ousado e necessário, desafiando o discurso hegemônico da positividade tóxica que domina muitas narrativas infantojuvenis. Assim, a animação tornou-se uma referência duradoura sobre como lidar com as emoções de forma honesta e compassiva.</span></p>
<figure id="attachment_35408" aria-describedby="caption-attachment-35408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-800x479.png" alt="Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra três personagens sentados ao redor de uma mesa redonda, aparentemente durante uma refeição com comida chinesa para viagem. No centro está Riley, uma menina de cerca de 11 anos, com cabelo loiro claro e liso, na altura dos ombros, olhos azuis grandes e expressão de surpresa ou choque. Ela veste uma blusa de mangas compridas com listras coloridas em zigue-zague. À esquerda está a mãe de Riley, uma mulher de cabelo castanho claro preso em um rabo de cavalo baixo com uma presilha escura. Ela usa óculos de armação vermelha e uma blusa amarela com listras coloridas. À direita está o pai de Riley, um homem com cabelo castanho escuro, barba rala, bigode marcado e expressão séria ou preocupada. Ele usa uma camisa clara de mangas compridas e gravata listrada, com as mangas arregaçadas. A mesa está coberta com recipientes típicos de comida chinesa para viagem e copos com canudos. Ao fundo, há uma escada e caixas de mudança, sugerindo que a família acabou de se mudar para uma nova casa." width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-800x479.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-1024x613.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-768x460.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-1536x920.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-2048x1227.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-3-1200x719.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35408" class="wp-caption-text">visão de São Francisco é conceitualmente a oposta de Operação Big Hero de 2014 (Walt Disney Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, uma década após sua estreia, o </span><a href="https://www.editoraverde.org/portal/revistas/index.php/rec/article/download/261/380/1139"><span style="font-weight: 400;">impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue firme na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e nos discursos sobre saúde mental. Sua influência é perceptível em diversas outras produções audiovisuais, como a série </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hC6lTieGDjI"><i><span style="font-weight: 400;">Produção de Sonhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que passaram a tratar o universo emocional com mais nuances. Mais do que uma tendência, o longa inaugurou uma mudança de paradigma: passou a ser aceitável, e até necessário, falar de tristeza, frustração e medo com as crianças, em vez de apenas protegê-las desses sentimentos. Em uma época marcada por ansiedade e sobrecarga emocional desde a infância, a produção se mostra cada vez mais atual, funcionando como um lembrete de que sentir — tudo o que sentimos — é parte vital da experiência humana.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yAZxx8t9zig"><span style="font-weight: 400;">A sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou em 2024, demonstrando o vínculo emocional duradouro do público com o filme original. Com Riley entrando na adolescência, novas emoções surgiram, ampliando ainda mais a complexidade da narrativa. Essa nova fase da protagonista, marcada por dúvidas sobre identidade, primeiras paixões e transformações físicas e sociais, representa um território emocional riquíssimo a ser explorado. No entanto, existiu também o desafio de manter a sensibilidade e profundidade do primeiro filme, sem cair em repetições ou superficialidades.</span></p>
<figure id="attachment_35413" aria-describedby="caption-attachment-35413" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35413" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-4-800x441.jpg" alt="Cena do filme de animação Divertida Mente. A cena mostra Riley e seus pais se abraçando num momento emocionante e delicado. Os três estão no chão, demonstrando a sensibilidade do gesto. Eles vestem roupas de inverno com tons frios, fazendo relação à emoção dos personagens." width="800" height="441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-4-800x441.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-4-1024x564.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-4-768x423.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/divertidamente-4.jpg 1144w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35413" class="wp-caption-text">Algumas das &#8216;bolas&#8217; de memória na mente de Riley contém cenas de outros filmes da Pixar, como o casamento de Carl e Ellie em Up &#8211; Altas Aventuras (Walt Disney Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/divertida-mente-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aumenta o alcance de sua mensagem, mostrando que a saúde mental é uma jornada contínua, em que cada fase da vida traz novos desafios internos. A transição da infância para a adolescência é, por si só, marcada por perdas simbólicas e primeiras dores, que muitas vezes exigem não a negação, mas o acolhimento da tristeza. É nesse ponto que a franquia continua a inovar: ao validar sentimentos desconfortáveis como parte do processo de crescer e ao reconhecer que nenhuma emoção deve ser excluída da narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, dez anos depois, o longa permanece como um dos mais importantes da animação contemporânea. Seu legado ultrapassa o Cinema, influenciando práticas pedagógicas, terapias e conversas cotidianas sobre sentimentos. Ao destacar a importância da Tristeza como elo de empatia e autoconhecimento, e ao mostrar que as primeiras vezes e as mudanças — por mais difíceis que sejam — fazem parte do amadurecimento, a obra se mantém essencial. Mais do que um sucesso de bilheteria, </span><a href="https://personaunesp.com.br/divertida-mente-nossa-mente-mais-complexa-que-parece/"><i><span style="font-weight: 400;">Divertida Mente</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um marco na forma como a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa o universo emocional humano, ajudando a formar uma geração mais consciente, sensível e emocionalmente alfabetizada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Divertida Mente Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ukQeR3zYncw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Hit Me Hard and Soft, Billie Eilish tira o fôlego e o devolve como um novo sopro de vida</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 19:45:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier Quando surgiu na mídia em 2015, Billie Eilish ainda caminhava a passos tímidos ao lado de seu irmão e parceiro mais íntimo na Música, Finneas O&#8217;Connell. Juntos, eles criaram uma das canções mais tocantes do ano, Ocean Eyes, e deixaram como marca registrada esse jeito único de gerar uma composição: sincero, sentimental e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hit-me-hard-and-soft-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Hit Me Hard and Soft, Billie Eilish tira o fôlego e o devolve como um novo sopro de vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34331" aria-describedby="caption-attachment-34331" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34331" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-800x800.png" alt="Imagem quadrada ambientada embaixo da água. Uma porta branca está aberta, próxima à superfície, no canto superior central da imagem. Em um lugar azul escuro, é possível ver caída flutuando a cantora Billie Eilish, uma mulher branca de olhos claros e cabelos longos, lisos e escuros. . Ela veste roupas escuras e largas, e cai em direção ao fundo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4.png 894w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34331" class="wp-caption-text">Billie Eilish demonstra que não há espaço para sorte em seu sucesso estrondoso com um novo álbum de tirar o fôlego – em todos os aspectos (Foto: Darkroom)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando surgiu na mídia em 2015, Billie Eilish ainda caminhava a passos tímidos ao lado de seu irmão e parceiro mais íntimo na Música, Finneas O&#8217;Connell. Juntos, eles criaram uma das canções mais tocantes do ano, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=viimfQi_pUw"><i><span style="font-weight: 400;">Ocean Eyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e deixaram como marca registrada esse jeito único de gerar uma composição: sincero, sentimental e com um </span><a href="https://www.homestudiofans.com/arte-dos-famosos/billie-eilish-como-ela-gravou-sua-musica-em-um-home-studio"><span style="font-weight: 400;">ar de caseiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproxima o ouvinte do autor com  uma verdade quase universal. Em todos seus trabalhos, essas características ficam marcadas, mas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hit Me Hard and Soft</span></i><span style="font-weight: 400;">, Eilish escancara todos os seus sentimentos e se expõe de ponta a ponta em cada uma das canções. Muito mais madura e consciente do que faz, a artista eleva o nível técnico de suas produções e sua poesia emociona ainda mais. Nesse ponto, já nem faz sentido não assumir a estrela musical que ela é. </span><span id="more-34329"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tendo começado jovem, sua carreira soma números expressivos. Indicada às quatro categorias principais do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aos 17 anos e </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-01-27/aos-18-billie-eilish-faz-historia-no-grammy-com-disco-gravado-em-casa.html"><span style="font-weight: 400;">vencedora</span></a><span style="font-weight: 400;"> destas aos 18, Billie Eilish comprovou que criar Música não é uma ciência exata, entretanto, tudo que ela toca pode, sim, virar ouro. Em seu álbum de estreia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/when-we-all-fall-asleep-where-do-we-go-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a cantora apresentou um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">gótico e refletiu sobre pesadelos e traumas em uma musicalidade que prendeu a atenção de todos, fruto da parceria com O’Connell. No sucessor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/happier-than-ever-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Happier Than Ever</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), trouxe um ar mais maduro, de quem superou as questões anteriores e se deparou com as dúvidas que a vida adulta traz. Já em seu novo trabalho, Eilish nos leva a passear por pensamentos e emoções ao longo de dez novas músicas.  </span></p>
<figure id="attachment_34332" aria-describedby="caption-attachment-34332" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34332 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-800x450.png" alt="Imagem retangular ambientada em uma espécie de sala, com piso verde semelhante a grama, uma parede em cor clara e uma janela coberta por uma persiana entreaberta. Ao centro para direita, em uma cadeira também de cor verde parecida com a grama, está Billie Eilish, uma mulher branca de olhos claros e cabelos longos, lisos e escuros.Ela usa um boné com estampa similar a jornais recortados, que se encontra com a aba virada para trás. Seu rosto é adornado com uma armação fina e prateada, e ela apoia o braço esquerdo no encosto da cadeira, que serve de apoio para seu rosto enquanto olha para a câmera. O outro braço, direito, está estendido para fora da cadeira, parecendo estar meio deitada/jogada na cadeira. Ela veste uma camisa xadrez azul com riscos em preto e detalhes em vermelho e uma calça escura com alguns borrados mais claros. Não é possível ver seu sapato e sua mão está suja de tinta preta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-7.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34332" class="wp-caption-text">É saudável advertir: ao escutar com fone de ouvido, a experiência fica ainda mais imersiva, presenteada pelos detalhes de produção de Finneas (Foto: Aidan Zamiri)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A expectativa sobre o terceiro trabalho da cantora de 22 anos era altíssima. Depois de surpreender o mundo com uma estreia marcante e acumular prêmios, incluindo duas estatuetas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e um retorno de alta qualidade, não se esperava nada menos que o fenomenal, de novo. Billie Eilish é certeira ao abrir o trabalho com </span><i><span style="font-weight: 400;">SKINNY</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que expõe seus pensamentos de maneira visceral. Ao dizer que “</span><i><span style="font-weight: 400;">os vinte e um demoraram uma vida inteira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a intérprete demonstra uma ponta do peso que é ter se tornado uma superestrela global antes mesmo de ser considerada uma adulta no próprio país, e fica mais claro que, a partir de então, só veremos o que há de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J5PKwKAnC4c"><span style="font-weight: 400;">mais genuíno da artista</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E essa autenticidade segue até a faixa de encerramento, </span><i><span style="font-weight: 400;">BLUE</span></i><span style="font-weight: 400;">, amarra o tópico de forma sensível. Começando com o instrumental de uma música nunca lançada oficialmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">True Blue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas que deixava um ‘gostinho’ de querer mais nos fãs desde 2016, Eilish retorna ao início de sua carreira, reconstrói passagens do que há de mais recente em seu trabalho, finaliza e, subitamente, quebra o ritmo. A inventividade sonora da parceria com seu irmão se tornou marca registrada ao cativar todos com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5GJWxDKyk3A"><i><span style="font-weight: 400;">Happier Than Ever</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, aqui se abre com um ar de dúvida e divagações. Ao terminar com a simples frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas quando posso ouvir o próximo?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, a cantora traz o ouvinte para terra firme novamente, quase como um aviso de que o mundo não poderia parar – e desacelera nossos pensamentos ao nos presentear com uma viagem sonora nos pouco mais de quarenta minutos do álbum. </span></p>
<figure id="attachment_34333" aria-describedby="caption-attachment-34333" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34333 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x450.png" alt="Imagem retangular ambientada em um fundo branco iluminado por luzes em um tom azul escuro. Ao centro, na posição de cócoras, Billie Eilish, uma mulher branca de olhos claros e cabelos longos, lisos e escuros. Ela usa um brinco de argola dourado e veste uma blusa de estampa militar, em tons de verde, e uma bermuda (não é possível distinguir a cor da mesma). Ela parece estar sentada e abraça suas pernas próxima ao tórax." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34333" class="wp-caption-text">A mistura entre o duro e o leve também está na base de cada música: a cantora caminha com maestria entre as canções suaves e agitadas (Foto: Arturo Holmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O passeio por diferentes sonoridades talvez seja um dos maiores trunfos. O medo de não se encaixar não passa nem em pensamento: a musicista se joga por inteiro e passeia desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">soft-funk </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MB3VkzPdgLA"><i><span style="font-weight: 400;">LUNCH</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">até a propositalmente quebrada ao meio </span><i><span style="font-weight: 400;">L’AMOUR DE MA VIE</span></i><span style="font-weight: 400;">, que sai de um conjunto de vocal e guitarra até um </span><i><span style="font-weight: 400;">electro-synth </span></i><span style="font-weight: 400;">como o puxar de um </span><i><span style="font-weight: 400;">band-aid</span></i><span style="font-weight: 400;"> da pele. E a troca dos ritmos não se limita apenas às faixas, sendo um universo fluido dentro de uma própria canção. Em um momento no qual o mercado musical se adapta ao </span><a href="https://www.mundoconectado.com.br/audio-e-video/efeito-tiktok-estudo-mostra-que-nova-geracao-nao-ouve-musicas-com-mais-de-3-minutos/#:~:text=A%20diminui%C3%A7%C3%A3o%20do%20tempo%20das,metade%20desse%20tempo%20%C3%A9%20letrado."><span style="font-weight: 400;">formato propagado pelas mídias sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trends</span></i><span style="font-weight: 400;">, a performer</span> <span style="font-weight: 400;">nos entrega músicas de quatro a cinco minutos, produzidas tão primorosamente que nem percebemos o tempo passar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrond</span><span style="font-weight: 400;">osa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BY_XwvKogC8"><i><span style="font-weight: 400;">CHIHIRO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção inspirada na animação japonesa</span> <a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Chihiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzida em 2001 pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Ghibli</span></i><span style="font-weight: 400;">, carrega diversas referências à jornada da protagonista do filme, que se mistura com a trajetória da própria intérprete. No videoclipe lançado posteriormente, fica ainda mais clara a relação e o respeito a obra de Hayao Miyazaki, ponto que reforça aquilo que aproxima os dois, porém também demonstra a singularidade de cada um dos trabalhos.</span></p>
<figure id="attachment_34334" aria-describedby="caption-attachment-34334" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-800x533.jpg" alt="Imagem retangular ambientada em um fundo branco iluminado por luzes azuis que vão de tom claro a escuro. Ao centro, na posição de cócoras, Billie Eilish, uma mulher branca de olhos claros e cabelos longos, lisos e escuros. Ela veste uma camisa branca de manga longa, sobreposta por um colete amarelo. Nas mão, usa uma luva que cobre apenas a palma, deixando os dedos para fora, que seguram um óculos em seu rosto, de armação fina e prateada, na altura dos olhos. Ela usa uma bermuda xadrez verde escuro e bege, uma meia branca de cano alto e um tênis vermelho e preto. Em seu pescoço, está um óculos de proteção para esquiadores e em sua cabeça está um boné vermelho e preto, com a figura central de um pictograma humano em preto." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3.jpg 1986w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34334" class="wp-caption-text">A exploração visual também é um dos trunfos do disco, que permite liberdade artística em todas as esferas para a intérprete (Foto: Petros Studio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O passeio é sombrio em alguns momentos e florido em outros. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=V9PVRfjEBTI"><i><span style="font-weight: 400;">BIRDS OF A FEATHER</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">sunshine pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz até esquecer que a letra inicia com uma pitada de humor sádico: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu quero que você fique até que eu esteja no túmulo, até que eu apodreça</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Em letras que passeiam por desilusões e paixões, e traumas e alegrias, a cantora se </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-features/billie-eilish-hit-me-hard-and-soft-mental-health-fame-1235003585/"><span style="font-weight: 400;">redescobre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se reapresenta à sua legião de fãs, sem a pretensão de criar um produto apenas para manter o público atualizado ou para viralizar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela está em todos os detalhes, do videoclipe à produção, da performance ao pensamento de cada frase. Em uma era de </span><a href="https://elle.com.br/cultura/2020-musica-pop-passado?srsltid=AfmBOoqHxx59_AOHhu5GNSEbNdc7sdZPrR2EMhEIKWzN8LDSPvqpSpkS"><span style="font-weight: 400;">discos mornos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se prende em um único gênero e exploram sempre os mesmos tópicos, um álbum sentimental que passeia com maestria por novos estilos sonoros se destaca e chama o público a uma imersão única. Aos 22 anos, Billie Eilish comprova, novamente, que sabe o que está fazendo e que, felizmente, esse é apenas o começo.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: HIT ME HARD AND SOFT" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7aJuG4TFXa2hmE4z1yxc3n?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Giles Corey: 10 anos de uma visita pelos cantos mais sombrios de uma mente desesperada</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 15:40:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de prevenção de gatilho: Giles Corey pode contar com elementos possivelmente prejudiciais aos que sofrem com pensamentos suicidas ou depressão. Frederico Tapia Em 2011, Dan Barrett, membro da banda Have A Nice Life, lançou o primeiro e único LP sob o nome Giles Corey. A origem do nome adotado por Barrett é de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/giles-corey-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Giles Corey: 10 anos de uma visita pelos cantos mais sombrios de uma mente desesperada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Aviso de prevenção de gatilho: Giles Corey pode contar com elementos possivelmente prejudiciais aos que sofrem com pensamentos suicidas ou depressão.</span></i></p>
<figure id="attachment_24944" aria-describedby="caption-attachment-24944" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1.jpeg" alt="Capa do disco Giles Corey. A imagem é uma pintura em preto e branco, de uma pessoa, vestindo um terno com um pedaço de pano cobrindo a cabeça e o escrito Giles Corey na parte central da imagem." width="1280" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-1-1-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24944" class="wp-caption-text">Capa do disco Giles Corey (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><b>Frederico Tapia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2011, </span><a href="https://www.scenepointblank.com/features/interviews/giles-corey/"><span style="font-weight: 400;">Dan Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;">, membro da banda Have A Nice Life, lançou o primeiro e único </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob o nome Giles Corey. A origem do </span><a href="http://salem.lib.virginia.edu/people/gilescorey.html"><span style="font-weight: 400;">nome adotado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Barrett é de um fazendeiro com o mesmo nome que viveu no século 17 e foi morto durante os </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-as-bruxas-de-salem-julgamento.phtml"><span style="font-weight: 400;">julgamentos das bruxas de Salem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos 56 minutos que constituem o álbum, ele fala abertamente sobre suas lutas internas, principalmente contra a depressão e o suicídio. Ele mesmo afirma em seu </span><a href="https://gilescorey.bandcamp.com"><span style="font-weight: 400;">perfil</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Bandcamp</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey são músicas acústicas sobre depressão, suicídio e fantasmas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span id="more-24943"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é acompanhado de um livreto de cerca de 150 páginas no qual o artista conta sobre e diz muito das ideias de Robert Voor, um personagem que aparece de forma recorrente na arte de Barrett e é possivelmente uma </span><a href="https://www.pratiqueaxioma.com.br/post/o-que-e-tulpa"><span style="font-weight: 400;">Tulpa</span></a><span style="font-weight: 400;"> (conceito do budismo tibetano que se trata de uma criatura imaginária que pode ser criada a partir de pura força de vontade, envolvendo uma meditação intensa; além disso, essa criatura seria um pensamento tão real que chegaria a assumir uma forma material, e, até certo ponto, autônoma). Todas as faixas possuem uma seção correspondente no livreto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey </span></i><span style="font-weight: 400;">definitivamente não se trata de uma obra fácil de se consumir, muito pelo contrário. É um álbum extremamente triste e com uma atmosfera de total desolação, durante todas as canções. E não é à toa, afinal, musicalmente ele incorpora elementos de </span><a href="https://gavetadebaguncas.com.br/o-que-e-shoegaze-a-historia-as-bandas-e-os-discos-essenciais/"><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.masterclass.com/articles/drone-music-guide#what-is-drone-in-music"><i><span style="font-weight: 400;">drone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> noise</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando por </span><i><span style="font-weight: 400;">field recordings </span></i><span style="font-weight: 400;">e até </span><i><span style="font-weight: 400;">gospel</span></i><span style="font-weight: 400;">. O disco não é uma tentativa de achar consolo ou conforto, mas sim de achar respostas. No verão de 2009, Barrett viveu um episódio depressivo que durou meses, e ele fala sobre esse acontecimento que culminou na concepção do LP na introdução do </span><a href="https://www.goodreads.com/book/show/13219505-giles-corey"><span style="font-weight: 400;">livreto</span></a><span style="font-weight: 400;">. A depressão de Barrett se manifestou com uma pergunta: “</span><i><span style="font-weight: 400;">se eu não quero estar vivo, eu quero estar morto?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey</span></i><span style="font-weight: 400;"> nada mais é do que uma tentativa de responder isso.</span></p>
<figure id="attachment_24945" aria-describedby="caption-attachment-24945" style="width: 761px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12.jpg" alt="Imagem encontrada no livro que acompanha o álbum na página 9. É uma foto antiga, em preto e branco com dois homens e uma mulher, e um fantasma observando os três. Na parte superior esquerda da imagem está escrito &quot;Oh, you, spectres and spirits&quot;." width="761" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12.jpg 761w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-2-12-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24945" class="wp-caption-text">Em todo o tempo, Barrett traz a alegoria de fantasmas, principalmente nas imagens do livro, como esta (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco abre com </span><i><span style="font-weight: 400;">The Haunting Presence</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando Barrett já diz que está “</span><i><span style="font-weight: 400;">enterrado acima do chão</span></i><span style="font-weight: 400;">”, um jogo de palavras tanto pela forma como o fazendeiro Giles Corey morreu quanto metaforicamente, uma alma morta dentro de um corpo vivo. Na sequência, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blackest Bile</span></i><span style="font-weight: 400;">, Barrett traz a imagem de uma nuvem de desânimo que inicialmente só afeta ele próprio e que só ele consegue perceber, mas com o passar do tempo essa situação começa a afetar todos que estão ao seu redor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">No One Is Ever Going To Want Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> criam um </span><a href="https://linha8.com.br/dan-barrett-morte-suicidio-desconstrucionismo-musical/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de completo desespero</span></a><span style="font-weight: 400;">, de uma vida que não vale a pena ser vivida. Não há nada além de desespero e atitudes autodestrutivas que, com o passar do tempo, só se intensificam. Saber que se sentir desta forma mesmo com tantas pessoas em situações piores só fazem você se sentir culpado, e essas sensações se agravam. Nada mais importa, sua família, seus amigos, todos eles te amam e se importam com você, mas isso não faz diferença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil dizer o que você quer, mas, no fundo, é bem claro o que você busca. Dar seu último adeus é difícil, muito difícil, mas esse não é nem o maior dos problemas. E no fim das contas? Nada importa, nem mesmo tudo o que vai deixar para trás quando consumar seu fim. Junto a isso, o sentimento de auto-ódio em </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dizendo como ele se tornou tudo aquilo que  odiava, e isso estava acabando com ele.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Giles Corey - &quot;Blackest Bile&quot; Live @ Cameo Gallery" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/IZ2NJmEYJcs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma outra nuance para </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Going To Do It</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vem do livreto lançado junto ao disco. Nele, Barrett fala sobre o conceito de Descontextualização de Robert Voor. De forma geral, é como manter um diário e após um tempo trocar tudo o que foi dito na primeira pessoa pela terceira. Assim, se cria um cenário da sua vida sem você/sua identidade nela. Essa faixa é também Barrett dizendo que ele vai matar sua persona, seu ego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">No One Is Ever Going To Want Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda recicla uma ideia do outro projeto de Barrett, a banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/0FRKTwQSToXpCxYMhyUzYY"><span style="font-weight: 400;">Have a Nice Life</span></a><span style="font-weight: 400;">, na comparação de forma implícita entre ser crucificado e formas severas de depressão na música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2ZE9xvmFzyk"><i><span style="font-weight: 400;">Who Would Leave Their Son out in the Sun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Neste caso, a comparação é mais clara e direta, dizendo que o narrador e quem está ouvindo está</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">andando sobre a ponte dos suspiros, teremos uma cruz como Cristo, crucificado</span></i><span style="font-weight: 400;">” e isso é repetido durante a canção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tema recorrente no álbum é o sentimento de solidão, de não merecer ser amado, sensação comum para pessoas que apresentam </span><a href="https://nolessthan.com/practical-notes-on-depression-from-a-semi-famously-depressed-person/"><span style="font-weight: 400;">quadros depressivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por exemplo,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Spectral Bride </span></i><span style="font-weight: 400;">(que soa como uma série de canções </span><i><span style="font-weight: 400;">gospel </span></i><span style="font-weight: 400;">retrabalhadas) trata do conflito entre ter o desejo de não estar mais na Terra e, ao mesmo tempo, não querer abandonar quem ele ama, nesse caso virando um fantasma para poder continuar ao lado de sua amada. Anteriormente, no refrão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blackest Bile</span></i><span style="font-weight: 400;">, o narrador diz ser um fantasma solitário, e que nasceu para ser sozinho, reforçando esta ideia.</span></p>
<figure id="attachment_24946" aria-describedby="caption-attachment-24946" style="width: 753px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24946" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1.jpg" alt="Imagem do livreto encontrada na página 81. Uma foto em preto e branco na qual na esquerda está um homem sentado com os dizeres &quot;Behind you&quot; na parte inferior esquerda da imagem. Na parta direita da imagem está o fantasma de uma mulher vestida de noiva." width="753" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1.jpg 753w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Imagem-3-10-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24946" class="wp-caption-text">Uma das imagens que representam a ideia trazida em Spectral Bride, encontradas no livreto (Foto: The Flenser)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No encerramento </span><i><span style="font-weight: 400;">Buried Above Ground</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de sonoramente a faixa destoar das outras por soar muito mais esperançosa que tudo o que veio antes, Barrett reutiliza alguns elementos da música de abertura </span><i><span style="font-weight: 400;">The Haunting Presence</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a começar pelo próprio nome. Já na letra, é reutilizada a metáfora que inicia o disco dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">tem um demônio no meu peito/nas minhas pernas/nas minhas costas/no meu pescoço</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que representa sua luta contra a depressão e como ela o faz sentir que está vivendo no Inferno. Isso é reforçado logo em seguida quando ele diz que está gritando com uma criança no fundo de um poço, e finaliza ao retomar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">está enterrado acima do chão</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma obra difícil de ser ouvida, mas, sem dúvidas, um dos projetos mais únicos da última década. Não se trata de um álbum com o perfeccionismo geralmente esperado do </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/10-discos-para-gostar-de-slowcore/"><i><span style="font-weight: 400;">slowcore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é algo muito mais focado no emocional. </span><i><span style="font-weight: 400;">Giles Corey</span></i><span style="font-weight: 400;"> acabou ditando os últimos 10 anos do gênero que ficou muito mais despretensioso, principalmente se comparado com as duas décadas anteriores.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o <a href="https://www.cvv.org.br/">Centro de Valorização da Vida</a> (CVV) atua, gratuitamente e de forma sigilosa, para todas as pessoas que precisam e querem conversar. Tanto por telefone (discando 188), quanto por e-mail e chat, 24 horas por dia.</span></em></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Giles Corey" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/55U9LPwlaFmsgOsLyJnrmu?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A quem pertence O Babadook?</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 16:30:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto Filme australiano independente lançado em 2014, O Babadook é um dos longas mais marcantes da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um sucesso de crítica, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A quem pertence O Babadook?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23754" aria-describedby="caption-attachment-23754" style="width: 2352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Foto preto-e-branco de uma página acinzentada. No centro, vemos o desenho de Babadook, feito com lápis preto. Trata-se de uma silhueta alongada, com os braços colados sobre o tronco e os longos dedos de suas mãos abertos. Ele tem olhos esbugalhados, um nariz triangular, e uma grande boca cheia de dentes que se abre em um sorriso perturbador. Além disso, ele veste na cabeça uma cartola. Sua sombra se projeta do lado esquerdo até o desenho de um armário com a porta aberta. E, do lado direito, em paralelo com o armário, vê-se o desenho de uma porta semi-aberta." width="2352" height="1347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1.jpg 2352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-800x458.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1024x586.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-768x440.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1536x880.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-2048x1173.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-3-1-1200x687.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23754" class="wp-caption-text">O nome “Babadook” trata-se de um neologismo que reproduz a pronúncia de “a bad book”, “um livro mau” em inglês (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filme australiano independente lançado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos longas mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWE1HfAUkpA&amp;t=82s"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história recente do Terror e, a despeito de sua pouca visibilidade, foi um </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/the_babadook"><span style="font-weight: 400;">sucesso de crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo considerado hoje um clássico moderno. Seus méritos narrativos e cinematográficos são incontestáveis, porém, o que realmente o marcou como um ícone da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi sua </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/why-babadook-is-the-perfect-symbol-for-gay-pride-198444/"><span style="font-weight: 400;">apropriação</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita pela comunidade LGBTQIA+. Embora visto por muitos como uma grande piada, esse paralelo com a experiência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> evoca camadas da narrativa que jamais seriam alcançadas em uma leitura mais superficial. E, visto que parte do público médio repudia essa relação, é necessário questionar: a quem pertence uma obra como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span id="more-23753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos uma família desajustada que luta para superar um sofrimento profundo. Amelia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=12UEvRF4imc"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">) perdeu o marido, Oskar (</span><a href="https://www.smh.com.au/culture/theatre/marta-dusseldorp-and-ben-winspear-the-thespians-who-want-to-reboot-tasmania-20200820-p55np3.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Winspear</span></a><span style="font-weight: 400;">), em um trágico acidente de carro, enquanto ele a levava para o hospital, onde ela faria trabalho de parto. Mãe solo, e tendo de criar o garoto Samuel (</span><a href="https://www.facebook.com/Noah-Wiseman-931147206909718/"><span style="font-weight: 400;">Noah Wiseman</span></a><span style="font-weight: 400;">) por conta própria durante seis anos, Amelia nunca superou o luto e fazia de tudo para tentar apagar a existência de seu amado: todas as suas coisas ficavam lacradas no sótão, que ela não abria em nenhuma circunstância, e, em qualquer conversa em que Oskar fosse citado, ela imediatamente desviava o assunto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu superei. Você nem me vê mais falando dele”</span></i><span style="font-weight: 400;">, Amelia retrucava. Porém, quando menos ela espera, esse fantasma volta a assombrá-la. Samuel cresce e torna-se uma criança desajustada e sem amigos. Começa a ter problemas com colegas da escola e, em casa, desperta um medo por monstros que supostamente o aterrorizam durante a noite, o que aborrece sua mãe. Contudo, esse medo se materializa quando, em uma fatídica noite, o menino pede para Amelia ler um conto de ninar antes que dormisse. Samuel apanha o </span><a href="https://medologia.com/post/uma-replica-feita-a-mao-do-livro-de-terror-de-o-babadook-"><span style="font-weight: 400;">primeiro livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vê na estante e, pela primeira vez, nos deparamos com a história de Sr. Babadook.</span></p>
<figure id="attachment_23756" aria-describedby="caption-attachment-23756" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A visão é da parte debaixo de uma cama. No chão, estão espalhados vários objetos diferentes, entre bichinhos de pelúcia e brinquedos. Do lado de fora da cama, deitados ao chão, estão os dois protagonistas do filme. À esquerda, Samuel, um garoto branco, de cabelos loiros, que veste um pijama azul. Ele se debruça sobre o chão com os cotovelos, e olha assustado para debaixo da cama. À direita está Amelia, uma mulher branca, com cabelos longos e loiros, vestindo um pijama rosa. se debruça no chão com o cotovelo direito, e com o esquerdo ela levanta a ponta do cobertor da cama para ter visão da parte debaixo da cama. Ela olha, receosa para o lugar. Além disso, no meio dos dois, vemos um cachorro de porte pequeno, com pelos longos de cor branca com detalhes em bege. Seu olhar é distante e confuso." width="2560" height="1536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-2048x1229.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-3-1-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23756" class="wp-caption-text">Mesmo com o orçamento reduzido, o filme adquiriu proporcionalmente bons lucros: um total de 10 milhões de dólares (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E então, a frase que abre o livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se está em uma palavra ou em um olhar, você não pode se livrar do Babadook”</span></i><span style="font-weight: 400;">, se faz verdadeira. O monstro começa a importunar a família e, quanto mais Amelia tenta resistir, mais intensas ficam as manifestações de Babadook. A situação gradativamente se descontrola, consumindo a protagonista física e psicologicamente, até chegar ao ponto em que ela precisa questionar se o melhor para ela e o seu filho é esquecer que o problema existe, ou expô-lo e enfrentá-lo de frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista do filme, </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/09/jennifer-kent-alice-freda-forever-lesbian-true-crime-thriller-amazon-1202171343/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Kent</span></a><span style="font-weight: 400;">, estreou em longas-metragens com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">, e dispunha de uma estrutura deveras modesta. Com um orçamento de somente 2 milhões de dólares, recebendo ainda um apoio de 30 mil dólares através de uma </span><a href="https://www.kickstarter.com/projects/thebabadook/realise-the-vision-of-the-babadook"><span style="font-weight: 400;">campanha</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=971P0E2FaI8"><span style="font-weight: 400;">financiamento coletivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não havia muito espaço para ocupar com criaturas aterrorizantes feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;"> e grandes sequências de efeitos especiais. Kent entende isso e decide investir no que realmente importa em um filme como esse: atmosfera e densidade emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pilar do longa é o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2017/06/horror-psicologico-psicanalise-explica-nosso-fascinio-pelo-medo.html"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é aí onde está seu maior brilho. Jennifer Kent parece se recusar a utilizar as convenções mais batidas do gênero, e decide explorar diferentes ferramentas para construir as sensações que ela deseja transmitir. A trilha sonora é mínima, sendo acionada somente em momentos-chave. Enquanto o uso dos conhecidos </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/458365/o-alem-do-susto-terror-pos-horror-e-o-poder-do-jump-scare/"><i><span style="font-weight: 400;">jumpscares</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase nulo. O filme até mesmo brinca com essa expectativa, entregando o susto com ‘atraso’, ou não o entregando de forma alguma. Situações de constante tensão, mas que nunca chegam em uma definitiva catarse. O que, na realidade, acaba por impulsionar o medo em sua décima potência.</span></p>
<figure id="attachment_23757" aria-describedby="caption-attachment-23757" style="width: 1272px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. A câmera está próxima do rosto de Samuel, que é o foco da imagem. Ele é um garoto branco, com cabelos loiros e olhos escuros. Ele escora sua bochecha no batente da porta, como se tentasse espiar o outro lado sem ser visto. Ele veste uma camisa xadrez preto-e-branco, e olha para sua frente, surpreso." width="1272" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1.jpg 1272w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-2-1-1200x679.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23757" class="wp-caption-text">Com apenas 7 anos de idade, Noah Wiseman se dá muito bem no papel, sendo indicado para diversas premiações, incluindo o Critics’ Choice Awards na categoria de Melhor Ator/Atriz Jovem (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido a essa escolha, Babadook</span> <span style="font-weight: 400;">dificilmente aparece para os personagens. Normalmente, ele figura quase como uma sombra, um ser que, mesmo que não possa ser visto, está terminantemente conectado com a sua vítima. Entramos na pele de Amelia e, juntos a ela, absorvemos esse sentimento de impotência e de dúvida, de uma ameaça que não pode ser provada, muito menos impedida (antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bird-box-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Box</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> usar esses tropos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> já tinha inventado a roda!). De todo modo, os momentos que demandam o uso de efeitos especiais, como a sequência do acidente de carro no início do filme, ou as breves aparições físicas de Babadook, realmente evidenciam o orçamento limitado da produção, mas fazem bem o seu trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a sua 1 hora e 29 minutos de duração, acompanhamos de perto a rotina da família. Conhecemos seu entorno, sua rede de apoio e as pessoas que a rodeiam. Mas quem realmente cumpre o papel de carregar o longa nas costas são os dois protagonistas, sobretudo Amelia. A interpretação de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2016/may/09/the-thousand-faces-of-essie-davis-people-dont-realise-im-the-same-person"><span style="font-weight: 400;">Essie Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primorosa, e uma das melhores do gênero de horror na última década. Ela encarna o papel da mulher cansada e da mãe desajustada com tamanha autenticidade que em certos momentos esquecemos que trata-se de uma personagem. Amelia se transforma da água pro vinho no decorrer da trama, e Essie faz com que compremos essa mudança de uma maneira que uma atriz menos capacitada não conseguiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais transborda da atuação de Essie é como Amelia é uma personagem complexa e multifacetada. Kent foge de romantizações e arquétipos clichês, criando em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> um retrato franco e realista de família e maternidade. </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/jennifer-kent-interview-directing-the-babadook/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o site </span><i><span style="font-weight: 400;">Den of Geek</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora disserta a respeito: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estava realmente querendo explorar a parentalidade a partir de uma perspectiva muito real. Agora, não estou dizendo que todas nós queremos ir e matar nossos filhos, mas muitas mulheres lutam e sofrem com isso. E é um assunto muito tabu, dizer que a maternidade é tudo menos uma experiência perfeita para as mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23758" aria-describedby="caption-attachment-23758" style="width: 1261px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. No centro da imagem, está Amelia. Uma mulher branca, de cabelos longos e loiros, que veste uma camisola rosa. A vemos da cintura para cima, e ela é iluminada por uma luz branca difusa. Ela está em pé, e olha para cima, assustada e confusa. Atrás dela, vemos um lance de escadas de madeira." width="1261" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1.jpg 1261w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-800x447.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-4-1-1-1200x670.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23758" class="wp-caption-text">A transformação de Amelia também se dá na cinematografia: conforme ela perde a sanidade, predominam cores dessaturadas e tons de cinza (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Amelia não é perfeita. Ela não entende as sensibilidades de seu filho, é negligente com frequência, e deposita todo o peso de seu luto nele, mesmo que inconscientemente. O garoto sequer pode ter uma festa no dia de seu aniversário, já que sua mãe não aguentaria fazer uma comemoração em uma data tão desoladora quanto a da morte de seu marido. Amelia projeta a imagem de Oskar em Samuel, fazendo com que sua relação </span><a href="https://medium.com/mix%C3%B3rdia/the-babadook-uma-reflex%C3%A3o-sobre-a-depress%C3%A3o-p%C3%B3s-parto-2f1f288db479"><span style="font-weight: 400;">seja obstruída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os impossibilitando de construir um vínculo saudável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de surgir o monstro, não importava o quanto evitasse, a memória de seu marido sempre retornava a ela: seja através de um programa romântico na televisão, ou de um casal no estacionamento do serviço. Diante disso, Amelia deixa com que seu trauma consuma todos os aspectos da sua vida. Ela deixa a escrita, que era sua paixão, e passa a trabalhar em uma área onde ela não sente realização, e resume sua vida aos cuidados de uma criança que apenas escancara ainda mais seus ferimentos. O resultado é que essa angústia, sem ser devidamente abordada e tratada, começa a crescer e a devorá-la por dentro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se isolar na tentativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hLFd8hq6RmQ"><span style="font-weight: 400;">não se machucar</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amelia começa a ferir aqueles que ela mais ama. Se afasta de sua </span><a href="https://www.washingtonian.com/2011/08/04/interview-with-hayley-mcelhinney-from-anton-chekhovs-uncle-vanya/"><span style="font-weight: 400;">melhor amiga</span></a><span style="font-weight: 400;">, nega os cuidados de sua vizinha, e passa a gradativamente maltratar Samuel. Nesse sentido, podemos ler </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma personificação da depressão e </span><a href="https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/especial-publicitario/interplan-assistencia-funeral/interplan-ao-seu-lado-em-todos-os-momentos/noticia/2019/09/03/psicologa-revela-fases-do-luto-e-como-ele-pode-ser-superado-aos-poucos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista que, de tanto ser reprimida, implora para ser vista. E, depois de tanto sofrer e causar sofrimento, ela entende que a única maneira de superar seus traumas é colocá-los à tona e domá-los. Assim que ela decide olhar de perto, o Babadook nem parece mais tão ameaçador.</span></p>
<figure id="attachment_23759" aria-describedby="caption-attachment-23759" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia quadrada e colorida. Nela, vemos, enquadrados à direita, os dois protagonistas. Sentado, com o tronco se projetando ao chão, está Amelia, uma mulher branca, de cabelos longos e loiros. Ela usa um vestido de pano branco, e tem seus pés amarrados por cordas. Sua cabeça está baixa, de modo que não é possível ver seu rosto. Do lado dela, está Samuel, um garoto branco de cabelos loiros, que veste um pijama xadrez. Ele está de costas para a câmera, de joelhos no chão, e envolve Amelia em um abraço. Do lado deles, vemos uma poça de um líquido escuro, que se assemelha a sangue. O cenário é o de um sótão empoeirado." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-5-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23759" class="wp-caption-text">A visão cinematográfica de Jennifer Kent sobre maternidade, tão poderosa, sensível e afetuosa, traz nuances que apenas uma diretora mulher poderia evocar (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><b>Mas aí entra a dúvida: o que diabos </b><b><i>O Babadook</i></b><b> tem a ver com a comunidade LGBTQIA+? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As primeiras analogias do filme com a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que se tem indícios ocorreram no </span><a href="https://www.b9.com.br/105039/apos-banir-pornografia-de-sua-plataforma-tumblr-sofre-queda-de-30-nos-acessos/"><i><span style="font-weight: 400;">Tumblr</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Um </span><a href="https://twitter.com/broderick/status/831889174454272005?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E831889174454272005%7Ctwgr%5E393039363b636f6e74726f6c&amp;ref_url=https%3A%2F%2Few.com%2Fmovies%2F2019%2F06%2F25%2Fgay-babadook-director-jennifer-kent%2F"><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que viralizou na rede social no final de 2016 inferia que o personagem </span><a href="https://www.vox.com/explainers/2017/6/9/15757964/gay-babadook-lgbtq"><span style="font-weight: 400;">seria homossexual</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando qualquer pessoa diz que o Babadook não é abertamente gay é tipo?? Você sequer assistiu ao filme???”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://taco-bell-rey.tumblr.com/post/154301475490/so-proud-that-netflix-recognizes-the-babadooks"><span style="font-weight: 400;">Outra publicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano fazia uma montagem do catálogo da </span><a href="https://streamingsbrasil.com/removidos-netflix-24-a-30-de-novembro/#:~:text=O%20destaque%20fica%20por%20conta,cat%C3%A1logo%20o%20filme%20%E2%80%9CAbracadabra%E2%80%9D."><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colocando o longa na lista de “Filmes LGBT” do site. A brincadeira seguiu, porém apenas tomou a proporção que tem hoje em junho de 2017, </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/06/4934707-de-conquistas-a-tragedias-por-que-o-mes-do-orgulho-lgbt-e-necessario-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Mês da Visibilidade LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando a assombração tomou conta de </span><a href="https://www.indiewire.com/2017/06/babadook-gay-icon-los-angeles-pride-parade-1201841048/"><span style="font-weight: 400;">Paradas do Orgulho</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, isso ainda não responde a uma questão fulcral. Porque o Babadook seria lido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QF5Q4VJr-O0"><span style="font-weight: 400;">como gay</span></a><span style="font-weight: 400;">? Seja pela suas vestimentas elegantes e pelo seu eventual </span><a href="https://www.vulture.com/2017/06/is-the-babadook-gay.html"><span style="font-weight: 400;">perfil</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;um homem gay que gosta de usar cartolas extravagantes e só quer viver sua vida no subúrbio da Austrália&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou pela anedota que surge do fato de que o personagem literalmente sai de um armário durante o filme, essa leitura é comumente vista somente como um meme de </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ou, no máximo, uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HBic0DzSbqM"><span style="font-weight: 400;">ótima fonte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-08-03/por-que-lgbts-voltaram-usar-sigla-gls.html"><i><span style="font-weight: 400;">fantasias animadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para festas. Contudo, na verdade, essa correlação parte de um lugar muito mais profundo. Parte do cerne de sua narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_23760" aria-describedby="caption-attachment-23760" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg" alt="Fotografia retirada durante o dia, na Marcha do Orgulho de Grande Manila, nas Filipinas. Nela, vemos um grupo de jovens marchando por uma rua. Eles usam bottons coloridos em suas camisas e levantam placas para os céus. O foco da imagem, porém, é o grupo que ocupa a frente que se destaca. Pelo menos sete pessoas tomam a frente do movimento, todas vestindo no rosto máscaras do Babadook: o desenho preto-e-branco de um monstro de olhos esbugalhados, uma bocarra aberta, que veste uma cartola preta na cabeça. Eles posam pra foto, segurando seus cartazes. O homem da frente, que ainda usa longas unhas postiças na mão esquerda, segura sua placa em direção à câmera. Ela é estampada pela silhueta escura de Babadook, acompanhada por um texto, em inglês: “Se está em uma palavra ou em um olhar/Você não pode se livrar dos LGBTQ/Se você realmente é esperto/E parecer legal para mim/Então você pode fazer amizade/Com os LGBT”." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-6-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23760" class="wp-caption-text">Pessoas vestidas de Babadook durante a Marcha do Orgulho de Grande Manila nas Filipinas, no dia 24 de junho de 2017 (Foto: VentMag/Twitter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A esse respeito, o quanto a interpretação de uma história também deriva-se da experiência particular de quem a consome? E, nesse caso, a análise dessa pessoa é menos valiosa por partir de um ponto de vista íntimo e pessoal? É de conhecimento público que nunca foi a </span><a href="https://www.themarysue.com/babadook-director-gay-icon/"><span style="font-weight: 400;">intenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jennifer Kent criar uma alegoria gay. No entanto, a intenção da autora realmente é tão importante para se entender uma obra? Não seria ela somente uma catalisadora de informações, palavras e signos culturais que a precedem, inseridos em um contexto histórico que, com frequência, vão muito além de decisões artísticas conscientes? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que Roland Barthes argumenta em seu ensaio </span><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4217539/mod_resource/content/4/Barthes_%20a%20morte%20do%20autor.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">A morte do autor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1967. Partindo de uma ótica literária, o sociólogo chega à conclusão de que, a partir do momento em que uma obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rwzc2bPNXdQ"><span style="font-weight: 400;">sai das mãos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu autor, ela já não é mais de </span><a href="https://medium.com/tend%C3%AAncias-digitais/a-morte-do-autor-73bd6d8b42f6"><span style="font-weight: 400;">sua responsabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para Barthes, entregar ao criador toda a significação da sua arte é impor à Arte um fim, limitando suas inúmeras potencialidades. No fim das contas, a agência é inteira do leitor. E o autor, nesse cenário, torna-se somente mais uma visão em meio a um espectro rico de perspectivas.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;[&#8230;] sabemos que, para devolver à escrita o seu devir, é preciso inverter o seu mito: o nascimento do leitor tem de pagar-se com a morte do Autor.&#8221; &#8211; BARTHES, Roland. 2004.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_23764" aria-describedby="caption-attachment-23764" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png" alt="Imagem de um desenho retirada da internet. No centro, vemos um desenho de Babadook, uma criatura escura. Ele veste um cropped cinza, que estampa em seu centro os dizeres, em inglês: “prepare-se para ser babachocado”. Sobre ela, ele usa suspensórios com as cores do arco-íris, que se prende por uma calça preta. Ele usa um colar de plumas roxo que o envolve pelos ombros, e ele tem seus braços levantados na altura dos ombros. No rosto, ele usa um óculos festivo no formato de flamingos rosas, e na cabeça uma cartola preta com um bottom com as cores do arco-íris. Seus olhos esbugalhados estão totalmente abertos, e ele abre um largo sorriso contagiante. Desenhos de estrelas amarelas e azuis o orbitam ao seu lado direito e esquerdo. No fundo, vê-se uma grande bandeira colorida com as cores do arco-íris." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-7-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23764" class="wp-caption-text">“BABADOOK: Eu sou um monstro aterrorizante que destrói as famílias que tentam me reprimir/PESSOAS GAYS: Ó meu Deus, NÓS TAMBÉM. Drinks mais tarde?” — Carlos Maza em seu Twitter (Foto: <a href="https://muffinpines.tumblr.com/">Muffinpines/Tumblr</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/09/14/o-babadook-demonios/"><span style="font-weight: 400;">mais difundida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aceita do filme foi a citada mais acima, de que Babadook seria uma representação corpórea da </span><a href="https://rotacult.com.br/2019/03/babadook-uma-alegoria-para-depressao/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Amelia, que luta para reprimi-la. Todavia, qual </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment/movies/la-et-mn-babadook-gay-icon-lgbt-history-20170609-story.html"><span style="font-weight: 400;">a distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa alegoria para a jornada afetiva de pessoas </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/06/entenda-o-que-significa-cada-letra-da-sigla-lgbtqia.shtml"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para muitos membros da comunidade, nenhuma. Muito do que é retratado no filme relaciona-se intensamente com a angústia de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ainda estão no armário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os exemplos para essa leitura são muitos: primeiro, tem-se as semelhanças existentes entre o esforço da protagonista de esconder seu sofrimento e a experiência real de inúmeras pessoas que lutam contra seus prazeres, por terem internalizado durante toda a vida a afirmação deturpada de que esses são desejos execráveis. Podemos tirar essa interpretação também da memorável frase do livro d’</span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quanto mais você me nega, mais forte eu fico”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conversa com a iminente frustração dessa autorepressão e, como resultado, somente a intensificação desses desejos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma mais profunda, existe também a ligação entre a possessão de Babadook sobre Amelia, e sua sucessão de ações agressivas, e a reprodução violenta de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I7ifszJag18"><span style="font-weight: 400;">heterossexualidade compulsória</span></a><span style="font-weight: 400;"> que muitos se submetem por sua própria sobrevivência, machucando aqueles ao seu redor através de uma postura tóxica de autoafirmação. E também a resolução no terceiro ato do filme, como o alcance do entendimento de que a única maneira de conquistar plenitude é entrando em paz com esse desejo, e o aceitando como uma parte de você, como uma peça primordial do quebra-cabeça que o forma como indivíduo.</span></p>
<figure id="attachment_23765" aria-describedby="caption-attachment-23765" style="width: 1430px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg" alt="Imagem retirada do filme “O Babadook”, de 2014. Fotografia retangular e colorida. Temos a visão aproximada do rosto de Amelia, uma mulher branca, de cabelos loiros e olhos claros. Seu rosto é inteiro tomado por marcas de sangue seco. Ela olha implacavelmente para frente, com raiva, enquanto grita com a boca aberta. Seus olhos estão marejados, tomados por lágrimas, e ela segura em suas mãos Samuel, um garoto branco de cabelos loiros. Seus braços envolvem Amelia, e ele encosta a cabeça" width="1430" height="857" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1.jpg 1430w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-8-1-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23765" class="wp-caption-text">Outras interpretações queer recorrentes do filme enxergam o próprio Babadook como um avatar de pessoas LGBTQIA+, rejeitado pela família, que o impede de viver como ele bem deseja (Foto: Causeway Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa interpretação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna-se não uma representação do luto de uma mulher viúva e depressiva, mas uma representação do desejo reprimido de pessoas LGBTQIA+, que não se expressam sexual e afetivamente como o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;"> ordena. E, inclusive, Jennifer Kent incentiva </span><a href="https://ew.com/movies/2019/06/25/gay-babadook-director-jennifer-kent/"><span style="font-weight: 400;">categoricamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa leitura, ainda que não tenha sido parte de sua proposta original. </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/06/gay-babadook-jennifer-kent-pride-lgbt-1202153072/"><span style="font-weight: 400;">Em suas palavras</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É engraçado, é charmoso, para mim, que a comunidade gay tenha se apegado tanto a ele”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, em </span><a href="https://bloody-disgusting.com/interviews/3543658/sundance-2019-jennifer-kent-says-lgbtq-babadook-memes-kept-bastard-alive-exlcusive/"><span style="font-weight: 400;">outra oportunidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela diz: </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu acho uma loucura e [essa história] apenas o manteve vivo. Pensei ‘ah, seu bastardo’. Ele não quer morrer, então está encontrando maneiras de se tornar relevante”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão, portanto, é essa. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> pertence a todo e qualquer um que o leia. E cada um irá o ler a partir de suas individualidades e de seus próprios recortes. Afinal, não poderia ser diferente. Assim como afirma Barthes, é no leitor que toda a multiplicidade cultural e artística de uma obra se reúne. É apenas através do público que uma produção pode adquirir alma. Então, o que seria a transformação de Babadook em ícone gay se não o longa ganhando vida? No fim, a pluralidade de visões e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kzKgG54c464"><span style="font-weight: 400;">leituras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que circundam </span><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i><span style="font-weight: 400;"> é simplesmente o atestado de sua riqueza como projeto artístico e audiovisual. E, para quem ainda insiste em deslegitimar uma leitura LGBTQIA+ do filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://me.me/i/james-hassinger-if-this-is-the-official-page-why-is-761fe06367a248739888f314c3a4bf5d"><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> é gay quando quer, e ele mandou um chupa para você”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2021 21:00:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/in-treatment-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "In Treatment: você precisa de terapia, e a Uzo Aduba também"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23215" aria-describedby="caption-attachment-23215" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23215" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está atrás de uma porta de vidro, em que é possível ver reflexos de luzes da cidade. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa preta e um kimono estampado. É possível ver dos seus seios para cima. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23215" class="wp-caption-text">Produzida pela HBO e indicada ao Emmy 2021, a quarta temporada de In Treatment é um reboot da própria série, após um hiatus de mais de 10 anos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uzo Aduba é maior do que podemos imaginar. Nascida no dia 10 de fevereiro de 1981, em Boston, Uzoamaka Nwaneka Aduba é filha de imigrantes nigerianos. Criada em Medfield, ela se formou na Medfield High School, em 1999. Apesar de ter crescido com o sonho de se tornar advogada, seus rumos começaram a mudar quando uma professora a incentivou a cantar mais, e, após performar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU"><i><span style="font-weight: 400;">I Will Always Love You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em uma audição, Aduba passou a considerar um futuro mais artístico. Assim veio sua formação em canto lírico, pela Boston University. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 21 anos de idade, em 2003, a norte-americana subiu de vez aos palcos teatrais. Dois anos depois, ela debutou no meio cinematográfico, pelo curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Notes.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mas a carreira de Uzo Aduba iria, de fato, se iniciar para o grande público apenas em 2013, ao dar vida à </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/06/orange-new-black-ela-nao-e-louca-pra-mim-diz-atriz-de-crazy-eyes.html"><span style="font-weight: 400;">personagem Crazy Eyes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma das primeiras produções originais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oitnb-temp-final/"><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao interpretar a divertida e complicada Suzanne, Uzo cravou seu nome em Hollywood, conseguindo se destacar em meio ao conturbado presídio de Litchfield. A concretização de seu sucesso viria com sua primeira indicação e vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia. </span></p>
<p><span id="more-23214"></span></p>
<figure id="attachment_23216" aria-describedby="caption-attachment-23216" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23216" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja na sua sala de estar. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa e calça pretas, e um blazer verde-marinho. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23216" class="wp-caption-text">Apesar de Crazy Eyes ter servido como uma luva para Uzo, anteriormente ela havia feito o teste para interpretar Janae, a atleta, em OITNB (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de algumas mudanças dentro da cerimônia, na segunda temporada, a série passou a ser considerada na categoria de Drama, assim como Uzo se tornou Atriz Coadjuvante, e conquistou mais uma estatueta. Com esse feito, ela é a única a vencer </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmys</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Comédia e Drama pela mesma personagem, e não apenas isso: das </span><a href="https://www.emmys.com/shows/orange-new-black"><span style="font-weight: 400;">quatro vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Orange is the New Black</span></i><span style="font-weight: 400;"> na premiação, duas pertencem à ela. Após o fim da produção, em 2019, poderia se pensar que esse também seria um breve adeus à presença de Aduba nas telas, mas, muito pelo contrário. No ano seguinte, ela engatou em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/mrs-america-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, minissérie do </span><i><span style="font-weight: 400;">FX on Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, como Shirley Chisholm, primeira mulher negra a se candidatar à presidência dos EUA. Não surpreendendo mais a ninguém, Uzo Aduba levou para casa o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme pelo papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pandemia de covid-19 mudou os planos de boa parte do globo terrestre, e o meio cinematográfico foi um dos grande atingidos. Em meio às dificuldades em se promover gravações devido às medidas sanitárias adotadas, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidiu reviver um de seus nomes de maior sucesso:</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/temporadas/8216-in-treatment-8217-ganha-versao-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Adaptação da produção israelense</span><i><span style="font-weight: 400;"> BeTipul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a série estreou em 2008, e se tornou uma das principais criações do canal, acumulando </span><a href="https://www.emmys.com/shows/treatment"><span style="font-weight: 400;">sete indicações ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e duas vitórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao longo de suas três temporadas. A narrativa acompanhava as sessões do doutor Paul Weston, psicoterapeuta interpretado por Gabriel Byrne, com seus pacientes. </span></p>
<figure id="attachment_23217" aria-describedby="caption-attachment-23217" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23217" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg" alt=" A imagem é uma cena da série In Treatment. Nela, Quintessa Swindelle, que interpreta Laila, está sentada no lado esquerdo de um sofá em uma sala de estar, ao lado direito está Charlayne Woodard, que interpreta Rhonda. Laila é uma jovem negra de pele clara, com cabelos cacheados e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa, um moletom preto estilo college e calças amarelas. Rhonda é uma senhora negra, de cabelos pretos cacheados na altura nos ombros, ela veste um conjunto de saia e blazer brancos." width="2000" height="1330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-800x532.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1024x681.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1536x1021.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1-1200x798.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23217" class="wp-caption-text">A produção israelense ganhou uma adaptação em terras brasileiras também, a série Sessão de Terapia, atualmente protagonizada e dirigida por Selton Mello (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A última temporada até então foi lançada em 2010, sem muitas previsões de retorno. No entanto, em função dos empecilhos do atual contexto e a facilidade em se produzir a série, devido ao seu formato simples e com poucos atores em cena, ela foi resgatada como um </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot </span></i><span style="font-weight: 400;">para uma quarta temporada. Sem Gabriel Byrne voltando para o papel, a protagonista agora é a Dra. Brooke Taylor, interpretada por ninguém mais, ninguém menos, que Uzo Aduba. Seguindo o mesmo formato de antes, o novo ano da trama acompanha as sessões da terapeuta com quatro pacientes: Eladio (Anthony Ramos, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Colin (John Benjamin Hickey, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/quando-mulheres-tornam-protagonistas-historias/"><i><span style="font-weight: 400;">Jessica Jones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Laila (Quintessa Swindelle, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, por fim, ela mesma. A narrativa segue 6 semanas de consulta com esses personagens, que totalizam 24 episódios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma dinâmica diferente do que estamos acostumados, </span><i><span style="font-weight: 400;">In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">conduz a sessão de terapia na sua forma nua e crua, ambientada na sala da casa de Taylor. Resumida quase por completo apenas aos diálogos, descobrimos aos poucos as dores de cada paciente, que vão sendo minuciosamente dissecados pelo tratamento da personagem de Uzo, abrindo uma gaveta de pensamentos conturbados e complexos de cada personalidade. Eladio é um imigrante colombiano, bissexual, diagnosticado com um transtorno de bipolaridade e cuidador de um rapaz de uma família rica. Colin é um homem branco, milionário, recém-saído da prisão por um crime de colarinho branco, que tem que passar por sessões de terapia obrigatórias. E Laila é a representação da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/07/04/quem-decidiu-o-que-e-millennial-o-que-e-geracao-z-o-que-e-boomer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">geração Z</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma adolescente de 18 anos, rebelde, que é obrigada pela avó (Charlayne Woodard) a fazer o tratamento para deixar de ser lésbica. </span></p>
<figure id="attachment_23218" aria-describedby="caption-attachment-23218" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23218" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada ao lado de Joel Kinnaman, que interpreta Adam, apoiada em seu ombro direito. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros; ela veste uma blusa rosa de mangas compridas e uma calça jeans escura. Adam é um homem branco, de cabelo e barba loiros; ele veste uma blusa cinza de mangas compridas e calça jeans." width="1600" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23218" class="wp-caption-text">Joel Kinnaman, o Rick Flag do Esquadrão Suicida, também integra o elenco, como o ex-namorado de Brooke que retorna para sua vida (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa aqui não é fácil, mas Brooke Taylor consegue contornar muito bem a situação de cada um, e navegar pelas profundezas de seus traumas. Em meio a um roteiro com </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/joshua-allen-in-treatment/"><span style="font-weight: 400;">diálogos metodicamente ardilosos e teatrais</span></a><span style="font-weight: 400;">, observamos que, de fato, estamos em uma sessão de terapia, até nos pequenos comentários e distrações de cada paciente. E, como todo bom atendimento, ao longo dos minutos, eles vão se despindo de suas carcaças, apresentando suas piores versões e concepções pessoais. Diante da teimosia e dos comportamentos difíceis e reativos, a doutora se vê em um verdadeiro campo de guerra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não apenas gravada no contexto pandêmico, a quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acompanha a realidade do mundo real, em que é ambientada com o fim da pandemia de covid-19, com os personagens ainda retomando aos poucos para a “vida normal”. A escolha do cenário provoca uma sensação de identificação imensa com os problemas dos pacientes, em que vemos sentimentos à flor da pele e uma série de complicações potencializadas por esse trágico momento. Na figura de Eladio, que ainda tem que passar por atendimentos</span><i><span style="font-weight: 400;"> online</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao fato de cuidar de uma pessoa com comorbidades, notamos as limitações que as telas nos trazem diante dos diálogos e expressões de nossos sentimentos, além das </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/ha-um-nome-para-seu-mal-estar-na-pandemia-chama-se-definhamento.shtml"><span style="font-weight: 400;">perturbações do isolamento social</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23221" aria-describedby="caption-attachment-23221" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23221 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, John Benjamin Hickey, que interpreta Colin, está sentado em um sofá azul-marinho. Colin é um homem branco, de cabelo e barba grisalhos; ele veste uma camiseta rosa claro, um casaco cinza e calça jeans clara. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Colin-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23221" class="wp-caption-text">Para o processo criativo da Dra. Brooke, houve o apoio de uma psicoterapeuta que está na ativa, o que ajudou a construir o talento profissional da personagem, equilibrado com o carisma de Aduba (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final de cada semana, saímos da sala de terapia para adentrar à vida da doutora. Além de ter que cavar as problemáticas de cada um de seus pacientes, Brooke também lida com suas próprias angústias. Com a morte recente do seu pai, ela passa por um duro estágio de luto, que a faz reviver o alcoolismo já presente em sua vida. Tal momento se encontra com o histórico da própria atriz, que </span><a href="https://epipoca.com.br/uzo-aduba-criou-uma-identificacao-com-seu-papel-em-em-terapia/"><span style="font-weight: 400;">perdeu sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma luta difícil contra o câncer, 10 dias antes de iniciar as gravações da série. Mesmo fora dos uniformes de presidiária, e também em uma figura muito mais contida que Crazy Eyes, a observamos com a mesma sinceridade e força de Suzanne, e nisso Uzo Aduba dá um</span><i><span style="font-weight: 400;"> show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas quatro jornadas que acompanhamos, vemos em cada semana as melhorias e recaídas individuais. Em boa parte, os problemas de Taylor acabam se cruzando com o de seus pacientes, em que toma uma licença poética para se mostrar humana, muito além do pedestal profissional que é colocado à ela. Por mais que aparente ser difícil acompanhar quase 30 minutos de puro diálogo, ficamos hipnotizados pela presença de Uzo Aduba em cena, sua linguagem corporal e o confronto que trava em suas palavras.</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatment </span></i><span style="font-weight: 400;">acaba nos levando a debates mais que essenciais sobre </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/tema-racial-na-serie-in-treatment-e-oportuno-e-nao-so-para-americanos.shtml"><span style="font-weight: 400;">questões raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, o movimento </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html"><i><span style="font-weight: 400;">Black Lives Matter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aceitação pessoal, sexualidade, luta de classes e privilégios. </span></p>
<figure id="attachment_23220" aria-describedby="caption-attachment-23220" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg" alt="A imagem é uma cena da série In Treatment. Na imagem, Uzo Aduba, que interpreta Brooke Taylor, está sentada em uma poltrona laranja em uma sala de estar, virada de costas, em direção a Anthony Ramos, que interpreta Ladio, que está sentado no sofá azul-marinho em sua frente. Brooke é uma mulher negra, de cabelos pretos, lisos e acima dos ombros, ela veste um blazer e uma calça beges, não é possível ver seu rosto. Eladio é um jovem moreno, de cabelos cacheados e curtos; ele veste uma camiseta branca, um agasalho xadrez e calça jeans. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23220" class="wp-caption-text">Uzo Aduba submeteu o episódio 20, Brooke &#8211; Semana 5, para consideração no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo em meio a problemas tão particulares, é impossível não se encontrar na imensidão de obstáculos que o quarteto principal enfrenta. Seja pela luta de Eladio em se descobrir e se desprender das amarras da família de ricaços que o abriga, ou pela tentativa de Laila em correr para sua liberdade e superar as vivências de uma criação familiar difícil. Até mesmo nas complexidades do babaca do Colin, que se vê na busca constante pela aprovação dos outros. As conversas sinceras de Brooke com sua amiga Rita (Liza Colón-Zayas) divagam pela similaridade com essas e outras questões, ao passo que a protagonista passa a aceitar cada vez mais o abalo deixado pela vivência com seus pais e suas perdas ao longo da vida. Ao final, desejamos apenas que cada um se encontre em sua própria jornada, e é isso que recebemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A performance estonteante como Brooke Taylor não veio à toa, e Uzo Aduba garantiu a única indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série, como Melhor Atriz em Drama. Ao interpretar seu primeiro papel principal na televisão, a atriz concretiza de vez, ou mais uma vez, que não está aqui para brincadeira, e se encontra na dura missão de derrubar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">coroa pesada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Emma Corin ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">a força</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mj Rodriguez (para quem seria uma honra perder qualquer coisa). O fim da quarta temporada de</span><i><span style="font-weight: 400;"> In Treatmen</span></i><span style="font-weight: 400;">t deixa um sentimento de satisfação e afago profundos, além da vontade imensa de poder acompanhar e admirar Uzo Aduba aonde quer que ela vá. </span></p>
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		<title>Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Oct 2019 21:41:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas. Raquel Dutra  O segundo longa-metragem de Petra Costa leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, Elena &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Elena: um retrato sensível e necessário para debater suicídio e depressão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aviso de Gatilho: Elena pode conter elementos prejudiciais àqueles sofrendo com depressão ou pensamentos suicidas.</em></p>
<figure id="attachment_23479" aria-describedby="caption-attachment-23479" style="width: 2100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23479 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra duas mulheres flutuando num rio de águas escuras. As duas mulheres estão do lado esquerdo da imagem, e a primeira está na parte de baixo, na horizontal, com a cabeça para o lado direito e os pés em direção ao centro da imagem, virados para o lado esquerdo; e a segunda na parte de cima, de cabeça para baixo, na diagonal. As duas usam vestidos longos em tons de bege. O fundo é preto." width="2100" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1.jpg 2100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23479" class="wp-caption-text">O documentário Elena mistura realidade e ficção para contar a história de vida da irmã da cineasta Petra Costa, diretora de Democracia em Vertigem (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo longa-metragem de <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/02/quem-e-petra-costa-cineasta-brasileira-indicada-ao-oscar.html">Petra Costa</a> leva o nome de sua irmã mais velha, a atriz Elena Andrade. Sob a premissa de retratar a história da jovem e os sentimentos que a família conserva por sua memória, <em>Elena</em> toca em debates ultra sensíveis acerca de <a href="https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-a-depressao-e-a-ligacao-com-o-suicidio/">suicídio e depressão</a>, ao mesmo tempo em que carrega o valor de ser considerada como uma obra marcante da documentarista. No filme, tudo tem um único fim: construir um retrato íntimo e profundo da <a href="http://www.elenafilme.com/blog/a-historia-de-elena/">vida de Elena</a>, que aos vinte anos, tratando de doenças psicológicas e tentado se reerguer de desilusões profissionais, findou a sua própria vida.</span></p>
<p><span id="more-13003"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aclamado pela crítica, <em>Elena</em> abriu o caminho para o sucesso que sua diretora encontraria em suas produções posteriores. Com sua estreia no <em>IDFA</em> (Festival Internacional de Documentários de Amsterdã) de 2012, o filme foi premiado como o </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário pelo Júri Popular, Melhor Direção, Montagem e Direção de Arte e todos os prêmios na </span><span style="font-weight: 400;">categoria documentário</span><span style="font-weight: 400;"> no 45º Festival de Brasília</span><span style="font-weight: 400;">. Em 2014, o filme também foi <a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-110134/">pré-selecionado para o <em>Oscar 2015</em></a> na categoria de Melhor Documentário.</span></p>
<p>Considerado uma experiência única no Cinema contemporâneo, <em>Elena</em> comprova que trabalhar com questões íntimas faz parte da identidade artística de Petra Costa. Identificamos <a href="https://hhmagazine.com.br/a-estetica-do-mal-estar-ou-o-estranhamente-familiar-em-democracia-em-vertigem/">o traço personalista</a> em sua produção mais recente e conhecida, <a href="http://personaunesp.com.br/critica-democracia-em-vertigem/"><i>Democracia em Vertigem</i></a>, mas desde o começo de sua carreira no Cinema a documentarista faz com que essa característica seja marcada. Neste caso, o tema é ainda mais pessoal, caindo na morte precoce da sua irmã mais velha. O enredo, por sua vez, é desenrolado a partir de registros das vivências de Elena em busca de seu sonho de ser atriz de Cinema, com os quais Petra estabelece um profundo sentimento de identificação.</p>
<figure id="attachment_23480" aria-describedby="caption-attachment-23480" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23480 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um momento familiar entre Elena, Petra e a mãe. Primeiro, à esquerda, está Elena, uma adolescente branca de cabelos longos lisos e que veste uma camisa xadrez. Ela está de frente para a câmera mas olha para o lado, em direção ao centro da imagem, onde está a irmã Petra, ainda bebê, no colo da mãe, que está no lado direito da imagem. Ela usa uma camiseta amarela e o seu cabelo está preso num rabo no topo da cabeça. Petra olha para a irmã e aponta seu dedinho indicador em direção ao rosto dela. A mãe tem cabelos lisos curtos e usa uma camisa branca, segurando Petra no colo e olhando para o lado esquerdo, onde está Elena. Ao fundo, pode-se observar a estante de uma casa e uma planta pendurada na parede, tudo em desfoque. A imagem é colorida mas predomina em tons amarelados e alaranjados." width="1600" height="1056" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-800x528.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1024x676.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-768x507.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1536x1014.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/elena-2-e1633021772855-1200x792.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23480" class="wp-caption-text">Antes de Elena, Costa dirigiu o curta Olhos de Ressaca, de 2009 (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa eterna oscilação entre o objetivo e o abstrato, o prazer e a dor, <a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/a-ficcao-documentada-ou-o-documentario-ficcionalizado/">o real e o ficcional</a>, o pessoal e o universal, Petra dá voz as cartas da sua irmã, refaz seus passos, encenações, revive memórias e até mesmo seus sonhos. É uma brincadeira tão profunda com elementos ditos opostos que, em alguns momentos, eles se tornam surpreendentemente similares. </span><span style="font-weight: 400;">E todos os aspectos do filme trabalham para essa fusão de sentimentos conflitantes, a se destacar, primeiro a trilha. A diretora traz toda a complexidade da música clássica de uma forma tão tátil que se torna simples a rendição do espectador aos sentimentos que a Petra deseja despertar. Alegria e melancolia são os principais, algumas vezes dentro de uma mesma faixa, outras vezes em diferentes, que se conversam maravilhosamente bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À fotografia e edição do filme competiam a difícil tarefa de combinar os registros antigos de Elena com as novas imagens filmadas por Petra. Buscando também seguir a mesma linha de conciliação entre os opostos, o visual da produção faz o possível com os filmes antigos e com a harmonização das imagens e cores, mas este é um ponto que deixa a desejar. Entretanto, para reforçar a experiência de imersão no mundo de Elena e seu olhar sobre ela, Petra acerta ao misturar os diferentes registros de forma a confundir o espectador sobre suas autorias. Em muitas imagens, inclusive, o rosto das irmãs se confundiam, e o documentário é repleto destes detalhes sutis que entregam <a href="http://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-568/132323.pdf">a influência de Elena</a> na vida, sonhos, emoções, medos e personalidade de Petra.</span></p>
<figure id="attachment_13005" aria-describedby="caption-attachment-13005" style="width: 1883px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13005 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena e sua irmã Petra ainda bebê deitadas numa cama, num close nos rostos das irmãs. Elena é uma adolescente branca de cabelos lisos, e observa a irmã, no lado esquerdo da imagem, ao mesmo tempo em que segura a sua mãozinha próxima a sua bochecha esquerda. Petra, uma bebê, está deitada, de olhos fechados, abraçada com a irmã, e usa uma chupeta na boca." width="1883" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2.png 1883w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-300x171.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-768x438.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1024x584.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-2-1200x684.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13005" class="wp-caption-text">Petra ainda bebê com Elena; combinado com a sonorização e a narração de Petra, o trecho é um dos momentos mais emocionantes do filme (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As escolhas arriscadas de roteiro também são características fortes da diretora.</span><span style="font-weight: 400;"> Para <a href="https://www.aicinema.com.br/como-fazer-um-documentario/">os efeitos de sentido</a> buscados em um documentário, estabelecer a narração de <em>Elena</em> como um diálogo com a irmã é incomum e falha algumas vezes. Por se tratar de fatos tão íntimos, o espectador, conhecendo apenas o momento, necessita de uma contextualização um pouco mais abrangente. Contudo, a predominância dessa construção de narrativa é admirável porque revela muitos outros efeitos de sentido, como o de não invadir totalmente a intimidade de Elena.  Em momentos pontuais, Petra deixa de conversar com a irmã e tira de cena a narração escolhida para dar espaço a curtos (e emocionantes) depoimentos de pessoas que conviveram com ela, como um amigo que esteve próximo da atriz no dia de seu suicídio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A reconstrução da figura de Elena é um dos aspectos mais surpreendentes no roteiro e no filme como um todo. A diretora caracteriza a irmã de uma forma tão próxima e profunda que acompanhá-la ao decorrer do filme se torna uma experiência aflitiva, impressionante e dolorosa. Durante os 80 minutos, o espectador convive intimamente com as manifestações suicidas da jovem depressiva, repleta de sonhos e decepções. Assistimos através de lembranças esmaecidas a tristeza tomar conta da atriz cada vez mais, <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/depressao">sufocando cada respiro de esperança</a> diante da vida. Acompanhamos com pesar Elena admitindo a falta de amor para consigo mesma, exigindo o máximo de si como atriz mesmo não estando saudável emocionalmente, se levando assim à exaustão</span> física e psicológica.</p>
<figure id="attachment_13006" aria-describedby="caption-attachment-13006" style="width: 1875px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13006 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra Elena adolescente através de um espelho, quando ela se aprontava para uma apresentação de teatro. A imagem é um close em seu rosto, e ela é uma jovem branca, com os cabelos presos, e está fazendo uma maquiagem preta nos olhos." width="1875" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3.png 1875w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-300x172.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-3-1200x689.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13006" class="wp-caption-text">Elena em uma de suas apresentações teatrais, com cerca de 17 anos; quando ela morreu, Petra tinha sete anos (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de entrevistas com familiares e amigos de Elena, sentimos a dor, o desespero e a preocupação antes, “durante” e depois do <a href="https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio">suicídio</a>. Petra possui uma capacidade transcendental de criar identificações entre as narrativas, o espectador e ela mesma. Mesmo retratando eventos tão pessoais, a humanidade escancarada dos fatos capta toda a nossa empatia. Sendo este um de seus objetivos ou não, Petra mostra que nossas angústias, dores, belezas, prazeres, necessidades, urgências e fraquezas na verdade podem ser radicalmente convergentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando lançado, o filme </span><a href="http://www.elenafilme.com/debates/"><span style="font-weight: 400;">movimentou debates</span></a><span style="font-weight: 400;"> acerca do tabu do suicídio no Brasil inteiro e o mesmo aconteceu quando chegou no catálogo da <em>Netflix</em> no começo de setembro, o mês de prevenção ao suicídio, em 2019. Desde 1990, ano da morte de Elena, o número de suicídios no Brasil teve um aumento de 30%. Hoje, entre os jovens, o suicídio é uma das maiores causas de morte e apresenta um o aumento de 2000%. Falar sobre o assunto livre de tabus </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/10/na-contramao-da-tendencia-mundial-taxa-de-suicidio-aumenta-7percent-no-brasil-em-seis-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">nunca foi tão necessário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e segundo as perspectivas, será cada vez mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Principalmente quando fora de ambientes privilegiados como o núcleo retratado em <em>Elena</em>, o debate sobre saúde mental precisa ser colocado como uma questão de saúde pública, e por isso, precisamos também enxergar </span><a href="http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/o-suicidio-esta-associado-inclusive-a-crise-socioeconomica-que-nosso-pais"><span style="font-weight: 400;">as relações disso com o nosso contexto nacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele é resultado de crises econômicas, altas taxas de desemprego, saúde e educação precarizadas, e as políticas de prevenção ao suicídio perpassam todas essas esferas da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_13007" aria-describedby="caption-attachment-13007" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13007 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg" alt="Cena do filme Elena. A imagem mostra um registro de um dos diários de Elena, que diz, escrito em tinta preta e letra cursiva sob um papel branco, a seguinte frase: &quot;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&quot;" width="564" height="256" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/10/foto-4-300x136.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-13007" class="wp-caption-text">&#8220;Se a vida é simples, do que eu tenho medo?&#8221; (Foto: Busca Vida Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário levanta a importância de estarmos atentos aos </span><a href="https://www.instagram.com/p/B2mmZCIFcTD/"><span style="font-weight: 400;">aspectos não-óbvios do suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de se </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/09/setembro-amarelo-como-conversar-com-alguem-que-esta-pensando-em-cometer-suicidio.ghtml"><span style="font-weight: 400;">aprender a lidar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com ele e </span><a href="https://eurekka.me/como-ajudar-alguem-com-depressao/"><span style="font-weight: 400;">com a depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Também é uma obra importante para nos ajudar a debater e esclarecer a linha tênue que difere um retrato sensível da romantização. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/petra-costa-faz-retrato-afetivo-da-irma-morta-precocemente-em-documentario-8343197"><span style="font-weight: 400;">Como diz a própria cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elena tem uma história que valia a pena contar. Sem intenção de ser uma biografia, uma homenagem ou apontar culpados. Mas sim conhecer e apresentar várias faces da irmã, sua “memória inconsolável”. Petra também faz questão de a destacar como parte do elenco do longa, honrando seu sonho de ser atriz de cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da importância de todo o debate, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elena</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um movimento belíssimo de criar uma obra de Arte a partir das dores e perdas que nos rasgam o peito, por mais cruéis que elas sejam. Aliás, talvez a Arte seja exatamente isso: a transformação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o </span></i><a href="https://www.cvv.org.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Centro de Valorização da Vida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (CVV) promove apoio emocional atendendo gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (discando 188), e-mail e chat 24 horas todos os dias, além de postos de atendimento presencial.</span></i></p>
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