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	<title>Arquivos Sam Claflin &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Sam Claflin &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 13:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Há dez anos, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2 chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento dividiu público e crítica, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36861" aria-describedby="caption-attachment-36861" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de combatentes vestidos com roupas táticas pretas em um ambiente externo de clima sombrio. Eles parecem se preparar para uma missão, todos com expressões sérias e focadas. Alguns seguram armas, reforçando o caráter militar da cena. A iluminação difusa, de um dia nublado, cria sombras suaves que aumentam a tensão. Ao fundo, uma estrutura arquitetônica clássica sugere um cenário urbano abandonado ou estratégico. Há também uma figura mais distante, em uniforme camuflado, indicando diversidade de funções no grupo. A composição dá destaque ao senso de prontidão e determinação coletiva. A cena transmite expectativa e clima pré-confronto." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-3.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36861" class="wp-caption-text">Esperança Parte 2 é o quarto filme da franquia (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há dez anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegava aos cinemas encerrando uma das distopias audiovisuais mais influentes do século XXI. Em 2015, o lançamento </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/jogos-vorazes-a-esperanca-o-final-critica#:~:text=T%C3%B3picos%20como%20desigualdade%20social%2C%20manipula%C3%A7%C3%A3o%20da%20m%C3%ADdia%2C,na%20%C3%A9poca%20de%20Bella%2C%20Jacob%20e%20Edward."><span style="font-weight: 400;">dividiu público e crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas hoje, uma década depois, o filme se revela uma obra que só ganhou densidade com o tempo. A produção sintetiza o espírito de uma geração que cresceu vendo o colapso de instituições, a crise da democracia e o avanço das guerras por narrativas. Revisitar essas imagens agora, num mundo ainda mais fragmentado e polarizado, expõe a força atemporal da saga e sua capacidade de dialogar com cada novo ciclo de turbulência política. Katniss (</span><a href="https://personaunesp.com.br/que-horas-eu-te-pego-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Lawrence</span></a><span style="font-weight: 400;">), com sua mistura de heroísmo imperfeito e vulnerabilidade radical, permanece como um símbolo cultural que transcende a ficção e encontra eco nas discussões sobre poder, propaganda e resistência.</span></p>
<p><span id="more-36859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A morte de Prim (</span><a href="https://www.metropoles.com/celebridades/willow-shields-a-prim-de-jogos-vorazes-surge-irreconhecivel-veja"><span style="font-weight: 400;">Willow Shields</span></a><span style="font-weight: 400;">), talvez o momento mais devastador da franquia, envelheceu como um lembrete incômodo do custo humano dos conflitos. A abordagem da cena, marcada por uma frieza quase documental, ultrapassa o impacto emocional e revela um comentário sobre como governos, tanto no mundo real quanto na ficção, sacrificam inocentes sob o pretexto de uma estratégia maior’. Ver Katniss correr entre fumaça branca e gritos desesperados, apenas para testemunhar a perda de sua irmã, o que moldou toda sua jornada, reforça a dimensão trágica da personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma década depois, a sequência continua doendo não pela surpresa, mas pela inevitabilidade: desde o primeiro filme, a irmã da protagonista sempre foi a representação daquilo que não deveria ser tocado. E quando Panem toca, todo o restante desmorona, tudo isso agravado pelo fato de que Gale (</span><a href="https://personaunesp.com.br/megarrromantico-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liam Hemsworth</span></a><span style="font-weight: 400;">), outrora aliado íntimo da protagonista e moralmente firme, torna-se cúmplice desse mecanismo de destruição. Sua participação no desenvolvimento das bombas o coloca simbolicamente ao lado daqueles que ele jurava combater, ampliando a ferida emocional e revelando como as guerras transformam pessoas comuns em agentes de tragédias irreversíveis, como o oprimido se tornou o opressor.</span></p>
<figure id="attachment_36860" aria-describedby="caption-attachment-36860" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um grupo de cinco pessoas caminhando por um cenário devastado, repleto de ruínas e destroços. Vestidos com trajes pretos e equipamentos de combate, eles avançam com cautela, atentos ao ambiente ao redor. O homem loiro à frente carrega uma arma, enquanto a mulher ao lado segura uma flecha e uma faca, sugerindo diferentes especialidades no grupo. A iluminação natural revela sombras fortes que contribuem para o clima tenso. O cenário destruído indica uma zona de guerra ou lugar atingido por algum desastre. As expressões sérias reforçam a ideia de que estão em missão ou fuga. O tom geral é de sobrevivência, alerta e ação iminente." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-3.png 940w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36860" class="wp-caption-text">As longas cenas de luta no esgoto exigiram coreografia, coordenação de efeitos especiais e resistência dos atores diante de condições desconfortáveis (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro momento que se tornou icônico com o passar dos anos é a invasão aos túneis e o ataque dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mutts</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cena, filmada como um híbrido de terror e guerra urbana, traduz a lógica desumanizante que permeia todo o conflito, uma lógica que já havia sido aplicada sem piedade a personagens como Peeta (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2025/10/josh-hutcherson-ator-de-jogos-vorazes-e-five-nights-at-freddys-revela-que-bisavo-o-visitou-no-set-em-filmagem-de-cena-de-orgia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Josh Hutcherson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Johanna (Jena Malone). O claustro e o ritmo sufocante ecoam diretamente a experiência deles, vítimas de tortura, manipulação psicológica e condicionamento neural que os transformaram em armas vivas da Capital. Quando Peeta entra nos túneis sem saber se é capaz de distinguir amigos de inimigos, sua instabilidade emocional adiciona uma tensão quase insuportável, lembrando o espectador de que guerras produzem traumas que continuam lutando mesmo quando o corpo tenta sobreviver. Johanna, marcada por choques, afogamentos e isolamento, é uma sombra dessa mesma violência institucional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> E, nesse cenário já saturado de dor, a morte brutal de Finnick (</span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-serie-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Claflin</span></a><span style="font-weight: 400;">) se impõe como uma síntese do horror físico e emocional da guerra. O impacto é ainda maior porque ele morreu pouco depois de se casar com Annie (Stef Dawson), deixando para trás não só uma relação recém-iniciada, como também uma esposa grávida que jamais verá esse filho crescer. Um personagem tão marcado pela exploração, pelas cicatrizes do abuso e pela constante exposição pública termina consumido pelo mesmo sistema que o destruiu na juventude, evidenciando, talvez mais do que qualquer outro momento, a crítica da saga ao uso de corpos, mentes e afetos como instrumentos políticos.</span></p>
<figure id="attachment_36865" aria-describedby="caption-attachment-36865" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image6.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra quatro combatentes agachados em uma rua de cidade pós-apocalíptica, analisando o entorno antes de agir. Eles vestem uniformes de combate pretos e seguram armas, cada um com expressão concentrada e postura estratégica. A parede atrás deles exibe cartazes de propaganda com frases como “IN PANEM WE TRUST”, reforçando o clima distópico. A iluminação suave cria profundidade e mantém a atmosfera tensa. A cena parece congelar um momento de análise ou planejamento antes de um confronto. Os detalhes realistas destacam os traços individuais dos personagens. O ambiente urbano degradado reforça o senso de perigo constante. A imagem transmite urgência e vigilância." width="612" height="459" /><figcaption id="caption-attachment-36865" class="wp-caption-text">O orçamento estimado do filme foi de cerca de US$ 160 milhões, e a bilheteria mundial alcançou aproximadamente US$ 653,4 milhões (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena do Túnel da Pedra, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva um tiro e tenta convencer o Distrito 2 a não cair na lógica de ódio disseminada tanto pela Capital quanto pela própria rebelião, ganhou novos significados com o passar dos anos. Assistida dez anos depois, ela se articula diretamente com o fato de que até os distritos mais altos e privilegiados estavam sendo destruídos pela revolução, concretizando a promessa que Katniss fizera no filme anterior: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode nos bombardear, queimar nossos distritos até as cinzas. Mas está vendo isso? Está pegando fogo. E se nós queimarmos, você vai queimar com a gente!”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A devastação que atinge </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Panem</span></a><span style="font-weight: 400;"> inteira evidencia que, numa guerra, não existe lado imune às consequências, e que a retaliação irrestrita cobra seu preço mesmo entre aqueles que antes se julgavam protegidos pelo poder. Nesse contexto, o gesto da personagem no local deixa de ser apenas político e se torna ético: ela está tentando interromper um ciclo de violência que já contaminou o país de ponta a ponta. É uma sequência muitas vezes esquecida pelo grande público, porém que hoje, numa década marcada pela polarização extrema e pela normalização de discursos violentos, ressurge como uma das reflexões mais maduras da produção, uma recusa explícita a permitir que a revolução se torne tão destrutiva quanto o regime que combate.</span></p>
<figure id="attachment_36863" aria-describedby="caption-attachment-36863" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss, uma mulher branca com cabelos castanhos em uma trança, puxando a corda do arco com concentração absoluta. Seu olhar firme está direcionado a um alvo fora de quadro, indicando um momento decisivo. Atrás dela, uma multidão desfocada adiciona tensão e sugere que a ação ocorre diante de testemunhas ou em meio a caos. Ela veste roupas escuras e protegidas, típicas de combate. A iluminação natural destaca seu rosto e a expressão determinada. A profundidade de campo isola a personagem como foco visual principal. A cena combina tensão emocional e prontidão física. O clima geral é de antecipação, foco e coragem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image4-1.png 950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36863" class="wp-caption-text">As duas crianças que aparecem no epílogo do filme são, na verdade, sobrinhas da atriz principal, Jennifer Lawrence (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A troca final entre Presidente Snow e Katniss no jardim, uma conversa calma, quase íntima, permanece como um dos diálogos mais inquietantes da franquia. Coriolanus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-undoing-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donald Sutherland</span></a><span style="font-weight: 400;">), revela as fissuras internas da rebelião e planta a semente da desconfiança que levará Katniss ao ato mais ousado da saga: matar Alma Coin. Esse momento, revisitado hoje, parece menos uma reviravolta e mais uma inevitabilidade política. O filme nos lembra que revoluções também se corrompem e que a figura do tirano pode mudar, mas a estrutura de poder tende a se repetir se não for radicalmente transformada. Isso mostra aos telespectadores que Coin e Snow são duas faces da mesma moeda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Katniss escolhe matar Coin (</span><a href="https://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Julianne Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao invés de Snow, a cena, que na época dividiu opiniões, tornou-se um marco narrativo que resiste ao desgaste do tempo. O ato é simbólico, político e profundamente humano. É Katniss rejeitando ser peça de propaganda, recusando um novo ciclo de violência e destruindo o mito da salvação fácil, além de deixar o ditador morrer nas mãos do povo que tanto destratou. Uma década depois, essa cena ecoa em discussões contemporâneas sobre líderes tiranos, manipulação ideológica e a dificuldade de imaginar sistemas verdadeiramente justos. É a prova de que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi um final grandioso. Na verdade, um fim necessário e revolucionário.</span></p>
<figure id="attachment_36864" aria-describedby="caption-attachment-36864" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image5.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra um momento emocional entre dois personagens, Peeta e Katniss, em um túnel iluminado por luz artificial clara. A mulher, séria e preocupada, toca o rosto do homem ajoelhado, sugerindo cuidado ou urgência. Ambos vestem roupas táticas pretas, reforçando o clima de missão ou perigo. Ao fundo, figuras desfocadas parecem soldados ou seguranças, aumentando a sensação de tensão. As paredes laranja do túnel criam um contraste com o figurino escuro. A proximidade dos personagens torna o momento íntimo, apesar do ambiente hostil. A imagem transmite vulnerabilidade dentro do caos. O clima geral mistura drama, afeto e risco iminente." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-36864" class="wp-caption-text">A trilha sonora do filme, assinada por James Newton Howard, equilibra momentos de tensão, drama e ação (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando olha-se para trás, o epílogo, no qual </span><a href="https://www.tiktok.com/@biaglion/video/7484750071288827142"><span style="font-weight: 400;">Katniss e Peeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivem em um campo silencioso, tentando costurar traumas com histórias, revela-se infinitamente mais corajoso do que parecia em 2015. Não é um ‘felizes para sempre’ de contos de fada. É um retrato honesto de sobreviventes que carregam feridas invisíveis de guerras que nunca permitiram vencedores, apenas sobreviventes marcados. Embora sigam em frente, criando filhos e cultivando novos rituais de vida, as memórias continuam assombrando, especialmente para a protagonista, cuja paz depende de narrar o passado como forma de domá-lo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, tão melancólico quanto necessário, dialoga hoje com debates sobre saúde mental, luto coletivo e pós-guerra, mostrando que a paz não apaga o que veio antes, e sim oferece um lugar para continuar respirando. É um encerramento que cresce junto com o espectador, sobretudo em um mundo no qual a noção de ‘recuperação total’ é tão ilusória quanto as promessas dos próprios Jogos.</span> <i><span style="font-weight: 400;">“Meus filhos, que não sabem que brincam sobre um cemitério”, </span></i><span style="font-weight: 400;">cita </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Katniss Everdeen</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez o fato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continuar vivo seja o maior indicador de sua atemporalidade. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes </span></i><span style="font-weight: 400;">(2023)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltou que Panem ainda pulsa como uma metáfora dolorosamente reconhecível, mergulhando nas origens do poder, do espetáculo e da manipulação, temas que permanecem centrais nas democracias contemporâneas. Continuando o legado dos primeiros filmes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lgz4RMmbsnc"><i><span style="font-weight: 400;">Amanhecer na Colheita </span></i><span style="font-weight: 400;">(2026)</span></a><span style="font-weight: 400;">, que explora a história de Haymitch Abernathy, um dos personagens mais traumatizados e politicamente lúcidos da saga, fica evidente que Suzanne Collins e Hollywood compreendem que este universo não é apenas ficção: é comentário social. </span></p>
<figure id="attachment_36862" aria-describedby="caption-attachment-36862" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-3.png" alt="Cena de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2. A cena mostra Katniss caminhando com firmeza em direção à câmera enquanto um grupo diverso a segue de perto. Sua postura determinada e o traje preto fazem dela uma figura de liderança clara. O cenário ao fundo, com prédios altos e arquitetura moderna, sugere um ambiente futurista ou distópico. A iluminação uniforme destaca o movimento da multidão. Cada pessoa que a acompanha parece igualmente focada, transmitindo união e propósito coletivo. A composição reforça a ideia de avanço, resistência ou preparação para confronto. A imagem cria um sentido de força e mobilização. O clima geral é de decisão, coragem e impacto visual forte." width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-36862" class="wp-caption-text">Alguns cenários usados como centro de comando do Distrito 13 reutilizaram consoles que vieram de Apollo 13 (1995) (Foto: The Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a frase de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mr-morale-the-big-steppers-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;"> na performance do</span> <i><span style="font-weight: 400;">Super Bowl LIX halftime show</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">The revolution is about to be televised, you picked the right time but the wrong guy</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“A revolução está prestes a ser televisionada, você escolheu a hora certa, mas o cara errado”), ecoa como uma espécie de síntese cultural dessa nova fase. Assim como em Panem, a revolução contemporânea não é silenciosa: ela é transmitida, performada e disputada em telas, narrativas e algoritmos, e nem sempre entregue aos líderes certos. No contexto político atual dos Estados Unidos, marcado pela radicalização partidária, pela desinformação e pela disputa feroz pelo domínio do imaginário público, a produção ganha força como leitura crítica. A saga revela como sociedades podem ser conduzidas por narrativas fabricadas, como inimigos podem ser construídos e desconstruídos conforme o interesse do poder, e como revolução pode se tornar espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dez anos depois, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Esperança – Parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue sendo um dos finais mais ousados do cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">justamente porque rejeita a ilusão de um desfecho limpo. A obra insiste que vitórias políticas raramente são puras, que o espetáculo da violência pode corromper qualquer lado, e que o verdadeiro custo da luta não cabe em discursos heroicos. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua retornando ao centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, não é somente por nostalgia, mas porque seu mundo distópico, tão brutal, tão humano e tão cheio de ambiguidades, ainda conversa com o nosso. Enquanto a política real continuar funcionando de arena de espetáculo, vigilância e propaganda, Panem permanecerá menos fantasiosa e mais como aviso sobre ditaduras, revolução e poder: ao que tudo indica seguirá urgente por muitas décadas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jogos Vorazes: A Esperança - O Final | Trailer Oficial #2 (2015) Legendado HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ibUx2qHR6Es?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-esperanca-parte-2-10-anos/">10 anos de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 2: A Revolução não tem fim</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>E o Grammy vai para…Daisy Jones &#038; The Six!</title>
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		<pubDate>Fri, 12 May 2023 19:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e violência sexual. Clara Sganzerla e Letícia Stradiotto Separe sua calça boca de sino, seu óculos escuro, uma blusa com a estampa mais divertida do seu armário e entre na atmosfera dos anos 70 com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-serie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "E o Grammy vai para…Daisy Jones &#038; The Six!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Aviso: o seguinte texto discursa sobre temas que podem se tornar gatilhos para algumas pessoas que sofrem/sofreram com dependência química e violência sexual.</span></i></p>
<figure id="attachment_30872" aria-describedby="caption-attachment-30872" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.jpg" alt="Fotografia da série Daisy Jones &amp; The Six. Na foto, os personagens Billy Dunne e Daisy Jones estão centralizados. Da esquerda para a direita, temos Daisy. Ela é ruiva, tem cabelos longos e cacheados nas pontas, usa um brinco redondo e roupas brancas com transparência. Ela está de olhos fechados. Ao seu lado, Billy possui cabelos castanhos e ondulados na altura dos ombros, usa uma jaqueta marrom e uma camisa branca. Ele olha para o horizonte. O cenário atrás dos dois é de um céu azul límpido, e a luz amarelada do pôr do sol os ilumina. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30872" class="wp-caption-text">Entre brigas, farpas e composições, Billy e Daisy nos hipnotizaram com a famosa fórmula enemies to lovers (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Clara Sganzerla e Letícia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Separe sua calça boca de sino, seu óculos escuro, uma blusa com a estampa mais divertida do seu armário e entre na atmosfera dos anos 70 com a banda mais incrível que, até então, não existia. A nova série do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">baseada no livro de mesmo nome da autora </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/08/taylor-jenkins-reid-daisy-jones-evelyn-hugo-carrie-soto"><span style="font-weight: 400;">Taylor Jenkins Reid</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos apresenta, com muito drama, romance e emoção, a ascensão e queda do grupo mais polêmico e amado do </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/reidverso-como-os-livros-de-taylor-jenkins-reid-se-conectam/"><i><span style="font-weight: 400;">Reidverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Antes de mergulhar na Los Angeles regada a drogas, sexo e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock n’ roll</span></i><span style="font-weight: 400;">, não esqueça seus fones de ouvido e prepare-se para se apaixonar, chorar e voltar no tempo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30871"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma adaptação cinematográfica excepcional, temos o prazer da experiência completa ao ler, ouvir e assistir a obra de Reid. A começar, é claro, pelo elenco. Depois de nos apaixonarmos por Finnick Odair em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou por Will Traynor em </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Eu Era Antes de Você</span></i><span style="font-weight: 400;">, Billy Dunne vai te levar do céu ao inferno com todos seus charmes e defeitos, encarnados por Sam Claflin. E, enquanto nos encantamos por Camila Dunne, interpretada por </span><a href="https://www.glamour.com/story/camila-morrone-new-here-interview"><span style="font-weight: 400;">Camila Morrone</span></a><span style="font-weight: 400;">, Riley Keough incendeia a cidade dos anjos protagonizando a alma livre, rebelde e quebrada da maior musa e principal peça desse triângulo amoroso, </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-daisy-jones-conheca-riley-keough-de-daisy-jones-the-six/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor parte é que, felizmente, o drama da série não se limita aos vocalistas. A química envolvida entre Karen Sirko e Graham Dunne, materializada por </span><a href="https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/suki-waterhouse-interview"><span style="font-weight: 400;">Suki Waterhouse</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Will Harrison, nos tirou algumas lágrimas. Já a oposição de Eddie Roundtree (Josh Whitehouse) ao egocentrismo exagerado de Billy antes da chegada de Daisy à banda foi exatamente o que precisávamos &#8211; isso sem contar com o alívio cômico Warren Rhodes (Sebastian Chacon). Ao todo, o grupo tornou-se uma família dentro e fora das telas, trazendo uma versão original da caótica energia </span><a href="https://warren.com.br/magazine/festival-de-woodstock/"><i><span style="font-weight: 400;">Woodstock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mesclada com outros ícones atemporais da Música da época.</span></p>
<figure id="attachment_30873" aria-describedby="caption-attachment-30873" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30873" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de estúdio em preto e branco da banda fictícia Daisy Jones &amp; The Six. O grupo é composto por seis indivíduos, centralizados na foto. Da esquerda para a direita, temos Karen Sirko usando uma calça de veludo, uma blusa de manga longa estampada e um colete de veludo. Ela é loira e seu cabelo é médio, um pouco acima do busto. Ao seu lado, há o personagem Warren Rhodes. Ele tem cabelos cacheados castanhos na altura dos ombros, um bigode e usa calça jeans clara com cinto, além de estar segurando suas baquetas com a mão esquerda, que também abraça a personagem Karen. Sentada em uma banqueta alta, temos Daisy Jones. Ela é ruiva, possui uma franjinha curta e cabelos longos cacheados nas pontas. Ela está com as pernas levemente inclinadas para a direita, usa uma bota de salto com cano alto, um cardigan preto e um top estilo borboleta. Acima dela, há o personagem Eddie Roundtree. Seu cabelo é repicado e claro, um pouco acima dos ombros, e ele usa uma camisa vintage dos anos 70. Ao seu lado, o personagem Billy Dunne usa uma camisa com os primeiros botões abertos e uma calça jeans de lavagem escura. Seu cabelo é cacheado na altura do ombro e ele apoia sua mão esquerda na coxa de Daisy. Por último, temos Graham Dunne. Ele usa um conjunto de calça jeans e camisa na mesma estampa. Seu cabelo é também na altura dos ombros. Todos os personagens da foto são brancos. " width="564" height="533" /><figcaption id="caption-attachment-30873" class="wp-caption-text">O elenco foi acompanhado por coaches musicais e gravaram todas as cenas e músicas do álbum AURORA no estúdio Sound City (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da impecável fotografia de Checco Varese e o figurino dos sonhos de Denise Wingate, a cereja do bolo para os fãs foi, sem dúvidas, </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/daisy-jones-and-the-six-aurora/"><i><span style="font-weight: 400;">AURORA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em 11 faixas que contaram com a composição de </span><a href="https://personaunesp.com.br/punisher-critica/"><span style="font-weight: 400;">Phoebe Bridgers</span></a><span style="font-weight: 400;">, Sam e Riley soltaram a voz para que canções inspiradas nos livros grudassem em nossas cabeças com um </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> suave. A grande ironia, nesse caso, é descobrir que a neta do Elvis Presley, a intérprete de Daisy, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ExAuL80PYjc"><span style="font-weight: 400;">mentiu</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas audições ao dizer que cantava. Foi somente depois de algumas aulas que a pegada musical da família aflorou em seu espírito, entregando lindos vocais, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">The River</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Look At Us Now</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adentrando ainda mais nas particularidades da obra de Taylor Jenkins Reid, a trajetória da banda </span><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i><span style="font-weight: 400;"> bebe da essência de um dos maiores nomes da Música nos anos 70: o grupo anglo-americano Fleetwood Mac. A </span><a href="https://www.usmagazine.com/entertainment/pictures/is-daisy-jones-and-the-six-based-on-fleetwood-mac-what-to-know/"><span style="font-weight: 400;">inspiração</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora está por trás do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Rumours</span></i><span style="font-weight: 400;">, conhecido por </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Chain</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dreams</span></i><span style="font-weight: 400;">. O disco é amparado em ritmos do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, principalmente, pelas tensões amorosas moldadas em canções. Assim como Daisy e Billy, a história da banda ganha destaque pelas agulhadas de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham em suas performances ao vivo. A cantora e o guitarrista começaram a namorar e, assim como todos os casais rodeados pelo sucesso, seu amor pode ter chegado ao fim no mundo da fama, porém, ainda estavam reféns. Com fúria, ódio e doses de cocaína, o casal performou com paixão e loucura em 1982. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se não bastasse tal inspiração, o caos da fama &#8211; e, consequentemente, das drogas &#8211; em </span><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um pé na realidade de Stevie Nicks. No livro, a personagem é retratada como uma usuária frequente de substâncias ilícitas, incluindo a cocaína, algo que a cantora do Fleetwood Mac fala publicamente sobre o uso naquela década. A vocalista afirma que todos os integrantes eram viciados, mas </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/03/20/stevie-nicks-drogas/"><span style="font-weight: 400;">ela era a pior</span></a><span style="font-weight: 400;">. E se isso já é coincidência demais, aqui vai um bônus: a dependência de Nicks no narcótico mais utilizado pela indústria da Música a levou a uma overdose em 1986 que quase acabou com a sua vida. Assim como Daisy no oitavo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Parece que a Gente Conseguiu</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que obteve doses excessivas da substância no organismo, mas foi salva por Billy Dunne.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Fleetwood Mac - The Chain (Official Music Video) [HD]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kBYHwH1Vb-c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a pegada mais densa na obscuridade química do sucesso não é tão presente na adaptação quando comparada ao livro. A série retrata com mão leve o vício exacerbado em drogas e bebidas no universo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tal fato é justificado pelo objetivo de manter a obra como algo mais acessível e livre de polêmicas maiores, afinal, possui um sutil toque no público infanto-juvenil. Entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o</span><i><span style="font-weight: 400;"> soft</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção mantém o equilíbrio desejado pelos espectadores, regulando as doses de </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/8x59qp/publicidade-cocaina-anos-1970"><span style="font-weight: 400;">perplexidade da subcultura</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo nessa estrada da harmonia, a série não erra ao adentrar nas contradições do passado. Mesmo na incessante busca pela liberdade e paz que inundava o </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/a-busca-pela-celebracao-e-liberdade-popularizaram-a-disco-music-nos-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">cenário cultural da década</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda esbarramos no machismo e na homofobia. Dentro dessa narrativa de silenciamento, nossa </span><i><span style="font-weight: 400;">dancing queen </span></i><span style="font-weight: 400;">Simone Jackson (</span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/daisy-jones-and-the-six-nabiyah-be-simone-1235555740/"><span style="font-weight: 400;">Nabiyah Be</span></a><span style="font-weight: 400;">) encontra sua luz nas pistas de Nova York, mas depara-se com a escuridão ao ter a mais clichê das escolhas no contrato de sua gravadora: o amor da sua vida ou a carreira dos seus sonhos. Nos surpreenderia se esse fosse o único caso do tipo dentro da produção. A história de vida de Daisy é manchada pelo abuso psicológico de seus relacionamentos amorosos, enquanto Karen sabe que arruinará sua carreira se assumir publicamente o relacionamento com seu colega de banda Graham &#8211; exatamente ao estilo “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Odh9ddPUkEY"><i><span style="font-weight: 400;">Ele queria uma esposa/Eu estava fazendo meu nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30874" aria-describedby="caption-attachment-30874" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3.png" alt="Cena da série Daisy Jones &amp; The Six. Ao fundo, calçada com portas e janelas em uma rua de Nova Iorque, algumas paredes são feitas de tijolos e outras estão pintadas de branco. Do lado esquerdo, estão duas mulheres negras andando de bicicleta, uma na frente da outra. A de trás, é a personagem Simone, ela é uma mulher negra de cabelo black power e veste uma jaqueta laranja, blusa verde e calça vermelha. A da frente, é a personagem Bernie, ela é uma mulher negra de cabelo black power e veste uma jaqueta jeans escura, uma blusa estampada e calça marrom. Ambas estão olhando pra frente e sorrindo." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30874" class="wp-caption-text">Em uma das narrativas mais lindas da série, o episódio She’s Gone é focado na história de Simone e Bernie nas ruas de Nova York (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama demonstra o crescimento do grupo musical ao longo dos curtos anos, com shows cada vez maiores e com fãs espalhados pelo mundo, os </span><i><span style="font-weight: 400;">groupies</span></i><span style="font-weight: 400;"> garantiram o seu lugar na Lua. Mas, ainda imersa no planeta Terra, estava </span><a href="https://fugitives.com/daisy-jones-and-the-six-character-camila-explained-2023-drama-series/"><span style="font-weight: 400;">Camila Dunne</span></a><span style="font-weight: 400;">. A esposa do galã de </span><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez tenha ganhado o papel mais importante e emotivo na história. Camila é o ponto de racionalidade entre toda a bagunça e confusão dos holofotes, sendo a âncora responsável por manter firme a embarcação. Não se engane: ela pode até parecer apaixonada ou ingênua demais, mas sua sagacidade é demonstrada exatamente através do olhar que a fotógrafa exercita em sua vida &#8211; ficar ou não com Billy sempre foi, no fundo, uma escolha, e não uma dependência. Seu enredo, no fim, é tão comovente que nos faz questionar quem realmente é a protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse questionamento não é apenas dos telespectadores, mas também do próprio Billy Dunne, que se encontra constantemente dividido entre suas paixões. A narrativa construída com um compilado de entrevistas tange no estilo documentário e demonstra aquilo que não estava explícito na época. No entanto, um incômodo na trama é a ausência da exploração de alguns de seus personagens: o enredo deixa um pouco de lado o desenvolvimento de outros integrantes da banda. Com exceção de Karen e Graham, que vivem um romance, os membros do grupo como Eddie e Warren, muitas vezes, ficam em segundo plano, tendo um singelo destaque apenas no final da temporada. Dessa forma, o triângulo amoroso entre Camila, Billy e Daisy Jones é o motor responsável pelo clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">rockstar</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a universalidade das histórias consiste na </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/entre-paginas/daisy-jones-and-the-six-taylor-jenkins-reid/#:~:text=Em%20entrevista%20%C3%A0,eu%20quero%20esconder%3F%E2%80%9D."><span style="font-weight: 400;">instigação que motiva o público</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jenkins Reid. Afinal, o que as estrelas estão nos mostrando e o que elas querem esconder de suas vidas?</span></p>
<figure id="attachment_30875" aria-describedby="caption-attachment-30875" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4.png" alt=" Fotografia da série Daisy Jones &amp; The Six. Ao fundo, é possível visualizar caixas de som, um sofá na cor marrom, alguns instrumentos musicais como a bateria e diversos tapetes estampados cobrem o chão. Centralizados e sentados no chão, temos três personagens: da esquerda para direita, Camila Dunne, uma mulher branca, cabelos longos e olhos castanhos. Ela usa uma blusa de manga longa e gola alta na cor creme, acessórios dourados e apoia sua mão direita à direita, no ombro de seu marido Billy Dunne. Ele usa uma camisa jeans de botões de lavagem média e uma calça jeans de lavagem escura. Ele tem cabelos castanhos e ondulados na altura do ombro. Apoiando seu braço no colo de Billy, temos Daisy Jones. A personagem é ruiva, possui franjinhas e o cabelo longo é cacheado nas pontas. Ela usa um brinco de argola prata e seu cropped é estampado e colorido, de tecido fluido e amarrado. Seu shorts jeans é curto e de lavagem escura." width="924" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4.png 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30875" class="wp-caption-text">O triângulo amoroso entre Billy, Daisy e Camila rendeu composições como Please, Regret Me e Two Against Three (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O relacionamento de Daisy e Billy é eletrizante, e de</span> <a href="https://www.dazeddigital.com/life-culture/article/56491/1/obsessed-enemies-to-lovers-trope-love-island-hate-relationship"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">os artistas se completam por possuírem muito em comum, principalmente os defeitos. O ego e a luxúria transformam a dupla em uma espécie de bomba que pode explodir a qualquer segundo: suas características, arrebatadas em conjunto com as fraquezas emocionais, estrondam o amor impossível, caindo na expectativa de querer aquilo que não podemos ter. Ao protagonizar seu último show em 1979, a banda </span><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebe seu devido término por ter se arriscado demais ao entrelaçar desejos de sentimentos inconcebíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Música e amor agrada por ser uma coleção de clichês, com personagens e composições extremamente viciantes em uma estética muito bem construída. De Pittsburgh para as águas internacionais, a obra de Taylor Jenkins é </span><a href="https://idris.com.br/blog/2021/06/04/tudo-sobre-as-adaptacoes-dos-livros-de-taylor-jenkins-reid/"><span style="font-weight: 400;">apenas um</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos livros de sucesso da autora que ultrapassaram as barreiras da ficção &#8211; no fundo, todos nós sentimos falta de uma banda tão icônica, polêmica e talentosa para aquecer nosso coração. E se o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Evelyn Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Slam</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Carrie Soto</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> com certeza vai para </span><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: AURORA" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4ouqACcnzsOvtUlnj5abyo?si=AQZlGcK_R_yZAJioNlhL9A&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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