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	<title>Arquivos Rhea Seehorn &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 13:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Mutti Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pluribus-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem nenhuma previsibilidade, Pluribus conta uma boa história e serve de respiro em meio a produções medianas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36906" aria-describedby="caption-attachment-36906" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn, mulher branca, loira e de olhos azuis, está posicionada no centro da imagem. Ela veste uma camisa azul escura com um casaco preto aberto por cima. A foto foi tirada em um ângulo que destaca o chão de pedras como fundo principal. No canto superior direito, aparecem algumas plantas." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-2.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36906" class="wp-caption-text">Rhea Seehorn em “Pluribus”, já disponível no Apple TV (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Mutti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine viver em um mundo feliz, sem guerras, sem qualquer tipo de preconceito e com uma consciência coletiva que trabalha em prol do bem do próximo e do planeta. Parece um sonho? Um mundo utópico que nunca será possível de alcançar? Talvez. Mas, para Carol Sturka (Rhea Seehorn), isso resume seu pior pesadelo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;">, série da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estudio-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  lançada em novembro de 2025. </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Vince Gilligan</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador do seriado, conquistou o público pela trama envolvente e misteriosa e também pela ausência de respostas fáceis, fazendo com que a produção se tornasse a série mais assistida da história da plataforma. Talvez esse sucesso venha justamente do respiro em meio a alguns lançamentos do ano, que funcionam à base de explicações óbvias e finais tediosos, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016).</span></p>
<p><span id="more-36905"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma descoberta feita por um astrônomo, algo começa a fugir do controle e a infectar a humanidade com o que parece ser um ‘vírus da felicidade’. O planeta passa por uma </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DQ7UwDZktM-/"><span style="font-weight: 400;">mudança drástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, na qual cada ser humano passa a fazer parte de um todo. De alguma forma, todas as mentes se conectam e, a partir disso, compreendem como trabalhar por um mundo melhor. Todos compartilham conhecimentos, experiências, crenças e gostos, porém, funcionam em uníssono, sem priorizar ninguém, apenas o bem-estar do próximo. Entre bilhões de pessoas ‘infectadas’, 13 não se juntam a essa consciência única. Uma delas é a protagonista, escritora frustrada e rabugenta que perdeu a esposa no dia da infecção e que, agora, precisa conviver com essa nova realidade perturbadora.</span></p>
<figure id="attachment_36908" aria-describedby="caption-attachment-36908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg" alt="Rhea Seehorn está de costas, posicionada no canto esquerdo da imagem, vestindo um agasalho de fundo branco com traços em verde, amarelo, azul e rosa. À frente, Karolina Wydra, mulher branca de cabelos castanhos e olhos castanhos, está sentada usando um agasalho com traços em rosa e azul. Ao fundo, há um cenário de inverno; as paredes de vidro deixam ver árvores, duas cadeiras e a neve do lado de fora." width="800" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-800x339.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1024x433.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-768x325.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1536x650.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3-1200x508.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image3.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36908" class="wp-caption-text">Karolina Wydra já interpretou Dominika Petrova na série americana House MD (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/gSoLVRg5xrM"><span style="font-weight: 400;">simbólicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece quando Carol e a maioria dos não infectados se reúnem à mesa para tentar entender o que aconteceu com a humanidade. Ela, a única pessoa branca entre eles, parece encarar a situação como uma afronta à própria identidade e liberdade. Já os demais, de diferentes nacionalidades e etnias não brancas, veem esse novo mundo como um espaço pacífico, no qual não existe dor, racismo ou qualquer elemento que condene a própria existência. Todos conseguem conviver com suas famílias mesmo nessa condição, menos ela e Manousos (Carlos Manuel Vesga), um homem latino que se agarra ao conservadorismo do mundo antigo e sequer se faz presente à mesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é completamente diferente do que costuma aparecer em séries e filmes de ficção científica. Trata-se de um espaço organizado e limpo, que serve de palco para os movimentos orquestrados dos ‘contaminados’. O mais comum nessa temática é o questionamento sobre a origem do fenômeno, o que o causou e quem foi o responsável. Foram alienígenas? O foco da primeira temporada de Pluribus não está nisso, apesar de oferecer pequenas explicações, ainda que pouco claras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em determinado momento, é apresentada não apenas a perspectiva de Carol, mas também a de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F5dCqf_NKwc"><span style="font-weight: 400;">Manousos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vai em busca da escritora na tentativa de reverter a situação. Um dos defeitos da trama está justamente no encontro entre eles. Algo que construiu muita expectativa, principalmente pelo fato de ambos pensarem de forma semelhante, acaba se concretizando de maneira infantil, como se fossem adolescentes desconhecidos. Além disso, o encontro não é dos mais produtivos, já que não há qualquer avanço ou tentativa real de acordo. Aqui, a acidez constante de Carol e agressividade de Manousos falam mais alto.</span></p>
<figure id="attachment_36907" aria-describedby="caption-attachment-36907" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg" alt="Rhea Seehorn aparece vestindo uma camisa bege e calça jeans, segurando um celular à frente de Manousos, um homem branco com cabelo curto e castanho que usa camiseta cinza, calça social e relógio, enquanto segura um guarda-chuva rosa. Ao fundo, há vegetação seca que se encontra com o céu azul, sem nuvens." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-2.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36907" class="wp-caption-text">O encontro entre Manousos e Carol marca último episódio da 1ª temporada de Pluribus (Foto: AppleTV)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de Rhea Seehorn é um ponto crucial nessa teia de perguntas sem respostas, especialmente nos monólogos que revelam momentos de emoção e, ao final, apresentam pontos de virada. Algo muito característico de outros </span><a href="https://www.google.com/search?q=pluribus+interview&amp;num=12&amp;sca_esv=e0108723e50a180c&amp;udm=39&amp;biw=1280&amp;bih=585&amp;aic=0&amp;sxsrf=ANbL-n7Y9f_B3xLaCjOF0rimuEsNesqUfw%3A1768325802501&amp;ei=qoJmacGqHpCG5OUPqKuS-A4&amp;ved=0ahUKEwjBp7j6homSAxUQA7kGHaiVBO8Q4dUDCBI&amp;uact=5&amp;oq=pluribus+interview&amp;gs_lp=Eh1nd3Mtd2l6LW1vZGVsZXNzLXNob3J0LXZpZGVvcyIScGx1cmlidXMgaW50ZXJ2aWV3MgUQABiABDIIEAAYgAQYywEyCBAAGBYYChgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIIEAAYgAQYogQyCBAAGIAEGKIESOMZUKIIWNcYcAF4AJABAJgBqAGgAbcKqgEEMC4xMLgBA8gBAPgBAZgCC6AClQvCAg0QABiABBixAxgUGIcCwgIQEAAYgAQYsQMYQxiDARiKBcICDRAAGIAEGLEDGEMYigXCAgoQABiABBhDGIoFwgIGEAAYBxgewgILEAAYgAQYsQMYgwHCAggQABiABBixA8ICChAAGIAEGBQYhwLCAgwQABiABBixAxgKGAuYAwCIBgGSBwQxLjEwoAfoP7IHBDAuMTC4B5ALwgcGMi0xMC4xyAdDgAgA&amp;sclient=gws-wiz-modeless-short-videos#fpstate=ive&amp;ip=1&amp;vld=cid:384dd4bb,vid:hGk4VGCL3tU,st:0"><span style="font-weight: 400;">protagonistas </span></a><span style="font-weight: 400;">das séries criadas por Gilligan, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2008). Não é à toa que a atriz faturou o prêmio de Melhor Atriz de Série de Drama no </span><a href="https://revistaoeste.com/cultura/rhea-seehorn-e-a-melhor-atriz-de-serie-de-drama-no-globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://inmagazine.ig.com.br/cinema-tv/rhea-seehorn-serie-drama/amp"><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></a><span style="font-weight: 400;">. É possível sentir a solidão da personagem, mesmo antes do dia em que o mundo virou de ponta-cabeça. Uma escritora que enfrenta um bloqueio criativo, no entanto parece ter sentido uma faísca dentro de si em meio ao caos. Não é como se ela se sentisse viva novamente, porém ao menos passa a valorizar a própria existência e aquilo que perdeu, como a esposa. Algo que serve de estratégia para que Zosia possa se aproximar e se relacionar com Carol.</span> <span style="font-weight: 400;">É uma dinâmica estranha, considerando que todos no planeta estão ali no corpo de Zosia ao se envolver com Carol, mas, ao mesmo tempo, parece real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de o encerramento da temporada não ter sido dos melhores, justamente por conta do encontro indiferente entre Carol e Manousos, há a abertura de caminhos que podem ser explorados na segunda temporada, já confirmada por Gilligan. O próprio diretor afirma que </span><a href="https://ew.com/pluribus-season-2-release-will-take-a-while-vince-gilligan-11873854"><span style="font-weight: 400;">não há pressa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para concluir o futuro da produção e que trabalhará o tempo que for necessário. Não há pontos negativos nisso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pluribus</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma série em que cada detalhe precisa ser cuidadosamente articulado para o desenvolvimento da trama. Não são apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;"> que alimentam teorias entre o público,  e sim particularidades narrativas que se encaixam para construir uma contextualização o menos óbvia possível. </span></p>
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		<title>Entre a culpa e o julgamento, a 6ª temporada de Better Call Saul amarra o universo da metanfetamina</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2022 21:12:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Tenca Convergir o que há muito tempo está fragmentado nunca seria uma tarefa fácil. Saul Goodman embarca em um capítulo de desafios contra vilões-heróis já consolidados para provar que uma mente do crime e da justiça pode precisar de uma mesma qualidade: saber cortar caminhos. Na sexta temporada de Better Call Saul, olhamos para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre a culpa e o julgamento, a 6ª temporada de Better Call Saul amarra o universo da metanfetamina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28558" aria-describedby="caption-attachment-28558" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28558" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-800x450.png" alt="A imagem retangular é uma cena de Better Call Saul com um filtro preto e branco por cima. Na foto vemos Jimmy e Kim dentro de uma cela de prisão, vistos de pé um do lado do outro no canto inferior esquerdo. No canto superior direito há uma janela que lança luz na parede ao fundo e no corpo dos dois. Jimmy é um homem adulto, branco, de cabelos escuros, calvo e está usando uma roupa de detento. Kim é uma mulher adulta, branca, de cabelos escuros, longos e com franja, magra e usa uma roupa colada preta." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-1-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28558" class="wp-caption-text">Jimmy e Kim se despedem da mesma maneira que são introduzidos: dividindo um cigarro (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Tenca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Convergir o que há muito tempo está fragmentado nunca seria uma tarefa fácil. Saul Goodman embarca em um capítulo de desafios contra vilões-heróis já consolidados para provar que uma mente do crime e da justiça pode precisar de uma mesma qualidade: saber cortar caminhos. Na sexta temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/better-call-saul/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, olhamos para os detalhes finais que constroem a narrativa ressentida e desenfreada da vida de um ex-advogado. </span></p>
<p><span id="more-28557"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série da </span><i><span style="font-weight: 400;">AMC</span></i><span style="font-weight: 400;"> distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi encaixada nos novos moldes destinados aos seriados da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – separados em dois “blocos”, os primeiros nove episódios foram lançados semanalmente e, após pausa de um mês, os últimos quatro foram ao ar da mesma maneira. O método acabou por ajudar o diretor Vince Gilligan e o produtor Peter Gould com a proposta </span><a href="http://www.internerdz.com.br/2019/02/entenda-prequel-sequel-reboot-remake-e-spin-off/"><i><span style="font-weight: 400;">sequel-prequel</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do seriado, em que o telespectador se deparou com dois ambientes completamente distintos nessas duas etapas da produção.</span></p>
<figure id="attachment_28559" aria-describedby="caption-attachment-28559" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28559" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-800x450.png" alt="A imagem retangular é uma cena de Better Call Saul. Na foto vemos de fundo uma paisagem desfocada de um deserto árido, com algumas plantas rasteiras, enquanto o céu está fechado e com cara de chuva. À frente e mais à esquerda da foto há uma flor de caule verde e com muitas flores a ponto de brotar e algumas flores azul escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-2-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28559" class="wp-caption-text">A flor azul que aparece na entrada do terceiro episódio do seriado gerou inúmeras especulações e teorias entre os fãs (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 50 episódios previstos nas outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-5a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">cinco temporadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são amarrados de maneira magistral, sem deixar nenhuma ponta solta ao longo dos últimos treze. De fato, parece que Vince e Peter já tinham em mente um plano geral para a série, de modo que nenhuma decisão fora tomada em vão (um personagem, uma narrativa, um ângulo de câmera, uma transição, um cenário). Os dois passam a impressão de que houve uma grande evolução das mentes [já] brilhantes do diretor e produtor, inovando continuamente com o passar do tempo das produções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem James McGill não há um Heisenberg, sem </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i><span style="font-weight: 400;"> não existe </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/breaking-bad/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Saul não exagera em puxar sua sardinha em pleno tribunal para provar, uma última vez, que o advogado se sobrepõe à função de coadjuvante estabelecida previamente por </span><a href="https://personaunesp.com.br/el-camino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jesse</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, principalmente, Walter. É inclusive aqui que é indagada a grande questão: o que diferencia as duas séries? A resposta é simples e inusitada – a culpa é o atributo inserido no universo com a função de tornar os personagens mais dignos de afeiçoamento e salvação em meio às sequências de trapaças, golpes e vigarices. No fim das contas, esse pequeno detalhe torna a trajetória de </span><i><span style="font-weight: 400;">BCS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mais densa e realista do que a de </span><i><span style="font-weight: 400;">BrBa</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_28563" aria-describedby="caption-attachment-28563" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28563 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GIF-Culpa.gif" alt="" width="1920" height="1080" /><figcaption id="caption-attachment-28563" class="wp-caption-text">As aparições de “Máquina do tempo”, de H. G. Wells, resumem a mesma reflexão lançada repetidamente por Saul para os demais personagens – uma busca para se livrar da culpa (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os treze últimos episódios conseguem envolver o telespectador com ainda mais fervor se comparados com as temporadas anteriores. Torna-se cada vez mais difícil nos separar das angústias que atormentam cada personagem. E esses fatores são potencializados em passagens específicas, como nas cenas finais de Nacho Varga (Michael Mando), nas paranóias inusitadas de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/better-call-saul-personagens-breaking-bad.html"><span style="font-weight: 400;">Gustavo Fring</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Giancarlo Esposito), nas aparições eletrizantes de Lalo (Tony Dalton) e nos momentos sóbrios e duros de Mike (Jonathan Banks).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jimmy McGill, Saul Goodman e Gene Takavic são além de simples pseudônimos de um homem sem lei – são realidades distintas que nos aproximam ou nos repelem do protagonista que foi destinado a ser interpretado por Bob Odenkirk. Saul ultrapassa a grandiosidade de um </span><a href="https://www.omelete.com.br/breaking-bad/better-call-saul-walter-jesse-como-foi"><span style="font-weight: 400;">Heisenberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois acompanhamos o movimento pendular entre um oportunista e uma boa pessoa que, no fim das contas, merece a “salvação” das maçãs podres ao seu redor. E, no fim, o mais interessante é descobrir qual personalidade prevalece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, Rhea Seehorn transita de maneira brilhante em seu papel como Kim Wexler, vivendo uma montanha-russa de desejos, emoções, traumas e decisões. Dividida em uma Kim pré-Hamlin e pós-Hamlin, a personagem caracteristicamente justa e dedicada dá mais espaço ao seu lado </span><i><span style="font-weight: 400;">Slipping Kim</span></i><span style="font-weight: 400;"> para se entreter na vingança contra “pessoas superiores”. Em seguida, somos surpreendidos com uma Wexler totalmente entregue ao remorso, vivendo em um mundo sem cor, sem vida, sem personalidade.</span></p>
<figure id="attachment_28564" aria-describedby="caption-attachment-28564" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28564 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GIF-Remorso-1.gif" alt="" width="1920" height="1080" /><figcaption id="caption-attachment-28564" class="wp-caption-text">As passagens no período pós-Breaking Bad carregam consigo um filtro preto e branco, trazendo à tona um arco aborrecido dos protagonistas (GIF: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2022</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 7 categorias, incluindo a de Melhor Série de Drama e a de Melhor Roteiro em Drama, para Thomas Schnauz pelo episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Plano e execução</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem em sua sexta temporada a chance de tirar dos ombros o peso das constantes esnobadas da premiação. Bob Odenkirk e Rhea Seehorn, que na edição passada se contentaram apenas com lamentações por não serem sequer nomeados, concorrem neste ano como Melhor Ator em Série de Drama e Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama, buscando levar para casa as tão sonhadas e merecidas estatuetas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ponte que liga </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i><span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a mesma que aparenta fechar as portas do mundo da metanfetamina – pelo menos por enquanto. Tanto </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/better-call-saul-vince-gilligan-final-episode-interview-1393644/"><span style="font-weight: 400;">Vince Gilligan</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o próprio </span><a href="https://variety.com/2022/streaming/news/amc-plus-interview-with-vampire-better-call-saul-walking-dead-spinoffs-1235295330/"><span style="font-weight: 400;">presidente da </span><i><span style="font-weight: 400;">AMC</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já se mostraram abertos a um possível retorno de novos </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-offs </span></i><span style="font-weight: 400;">num futuro próximo. Isso se dá em função do ótimo trabalho de </span><i><span style="font-weight: 400;">BCS</span></i><span style="font-weight: 400;"> em instigar os fãs a conhecer ainda mais das trajetórias e peculiaridades de diferentes versões de “protagonistas”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mantendo a coesão da série original sem ter medo de aprofundar-se em suas próprias individualidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i><span style="font-weight: 400;"> se concretiza como um sucesso absoluto. No que diz respeito aos novos personagens preferidos de muitos fãs, podemos perceber a realidade que prevalece após um final abrupto, seco, amargo e necessariamente direto: não há mais nenhum Saul Goodman em cena, apenas um McGill, sem extravagâncias, sem demais truques, sem cortes de caminho, sem escorregões.</span></p>
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