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	<title>Arquivos Renato Góes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Renato Góes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O passado é uma roupa que O Homem de Ouro sabe vestir</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 18:44:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Mariel Mariscot foi um policial corrupto e uma celebridade dos anos 1960 e 1970 no Rio de Janeiro. Ele se envolveu com tráfico de drogas, assassinato, extorsão e outros golpes, exterminando bandidos e pessoas pobres. Fez parte da organização Scuderie Le Cocq, um ‘esquadrão da morte’ responsável por vários atentados durante suas décadas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-de-ouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O passado é uma roupa que O Homem de Ouro sabe vestir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36298" aria-describedby="caption-attachment-36298" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9.jpg" alt="Cena do filme Homem de OuroNa imagem, três homens brancos estão no centro, de frente, apontando uma pistola. O homem do meio é o mais alto, tem cabelos escuros na altura do pescoço e usa um bigode bem grosso. Ele está de cara fechada, franzindo a testa. Veste uma camiseta gola V na cor branca, com duas faixas horizontais na cor preta no peito. A calça bege está apertada com um cinto preto, um par de luvas está enfiado na cintura. Ele segura a arma com a mão esquerda. Do seu lado direito, há um homem de cabelos curtos, lisos e loiros, que veste paletó cinza, terno e calça azul. No rosto, ele usa um óculos escuro no modelo aviador, além de um cavanhaque branco. Empunha a pistola na mão direita, onde há um anel dourado no dedo mindinho. A outra mão está apoiada na cintura. Já do lado esquerdo, está um homem com um cabelo escuro também um pouco mais longo. Ele usa bigode e óculos escuros, está vestindo uma jaqueta preta de couro e calça marrom. A arma também está em sua mão direita. O céu está nublado e o cenário é um porto, há uma embarcação laranja atrás deles, do lado esquerdo, enquanto do direito uma parede de tijolos cinzas. " width="574" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-36298" class="wp-caption-text">Mauro Lima, de Meu Nome Não É Johnny (2008), vê no Rio de Janeiro um cenário para figuras emblemáticas (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><a href="https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/mariel-mariscot-o-homem-de-ouro-da-policia-que-foi-morto-tentando-ser-banqueiro-do-jogo-do-bicho.html#:~:text=No%20dia%208%20de%20outubro,homens%20diante%20de%20seu%20carro."><span style="font-weight: 400;">Mariel Mariscot</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um policial corrupto e uma celebridade dos anos 1960 e 1970 no Rio de Janeiro. Ele se envolveu com tráfico de drogas, assassinato, extorsão e outros golpes, exterminando bandidos e pessoas pobres. Fez parte da organização </span><i><span style="font-weight: 400;">Scuderie Le Cocq</span></i><span style="font-weight: 400;">, um ‘esquadrão da morte’ responsável por vários atentados durante suas décadas de atividade. Mariscot ganhou fama, frequentava lugares finos e se relacionou com personalidades célebres, atrizes e modelos. Para retratar essa história complexa e violenta, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/meu-nome-nao-e-johnny"><span style="font-weight: 400;">Mauro Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> (diretor), Valéria Costa (diretora de Arte) e Fernando Young (diretor de Fotografia) mergulham nos signos que tornaram o criminoso um ímã para a sociedade burguesa brasileira.</span><span id="more-36297"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, que faz parte da seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, vai construir a persona do fluminense por meio de um estilo pomposo e rico, uma ideia de um passado chique e elegante – mas cunhado em corrupção e sangue. A partir da aparência de Mariscot, interpretado por Renato Góes, homem alto, branco e forte, o padrão de beleza embutido pela indústria cultural americana no Brasil vai servir como uma forma de convencimento para legitimar as ações do policial contra vítimas de estaturas menores, mulheres ou pessoas de pele negra. Lima e </span><a href="https://abcine.org.br/entrevistas/fernando-young-chacrinha-o-velho-guerreiro/"><span style="font-weight: 400;">Young</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão enquadrar Góes como se estivessem esculpindo </span><i><span style="font-weight: 400;">David</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Michelangelo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um personagem que domina tanto a cena quanto a lei do Rio de Janeiro. A câmera fica hipnotizada por cada pose, cada figurino vestido por ele, que transmite não apenas ares de galã, como também cria uma atmosfera que embeleza a década em que a história acontece. Em uma cena, o protagonista faz sexo com uma mulher desconhecida, e enquanto está na cama com ela, o marido entra no quarto, porém o que acontece em seguida não é a dinâmica de costume. O homem se junta à dupla, fazendo um ménage. O corpo e a feição de </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-homem-de-ouro-a-controversa-jornada-de-mariel-mariscot-chega-as-telonas.phtml"><span style="font-weight: 400;">Mariscot</span></a><span style="font-weight: 400;"> convidam qualquer um a se despir (em vários sentidos). </span></p>
<figure id="attachment_36299" aria-describedby="caption-attachment-36299" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7.jpg" alt="Cena do filme Homem de OuroNa imagem, a personagem Darlene está sentada em um sofá, rindo, enquanto segura um copo de vidro contendo bebida alcoólica na mão esquerda e cigarro na mão direita, que está levantada na altura de sua cabeça. Do lado esquerdo da imagem, de costas e desfocado está o personagem Mariel Mariscot, com o braço apoiado nas costas do sofá. Ele usa um relógio dourado no braço. Darlene veste uma blusa preta com várias pedras enfileiradas na vertical, que se estendem do pescoço, na gola, até a barra da roupa. Ela também usa anéis e pulseira. O cenário é uma sala de uma casa. Darlene é uma mulher branca, na faixa dos 30 anos, de cabelos loiros e lisos na altura do ombro. " width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-768x513.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36299" class="wp-caption-text">O Homem de Ouro fez parte da seleção do Festival do Rio 2025 (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O passado é embargado por figuras históricas e célebres, como a atriz Darlene Glória (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Luisa Arraes</span></a><span style="font-weight: 400;">), que vive com amigos gringos, é artista de rádio, teatro e Cinema; canta e dança, além de ser rodeada por itens de pluma e cor de ouro: vestidos, anéis e outras joias. Contudo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas enfeita o estilo de vida destrutivo da </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/musa-de-arnaldo-jabor-darlene-gloria-de-78-anos-vive-isolada-em-teresopolis-recusa-convites-para-voltar-atuar-25405566.html"><span style="font-weight: 400;">estrela</span></a><span style="font-weight: 400;">, que possui um comportamento agressivo e abusa de drogas lícitas e ilícitas. As contradições entre aparências e a realidade argumentam a hipocrisia da elite e da classe média carioca, o que envolve policiais, políticos e outros poderosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, os ilustres hotéis e as badaladas casas de </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficam afastadas da violência exercida por Mariscot e o </span><a href="https://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/relatorio/tomo-i/parte-i-cap2.html"><span style="font-weight: 400;">esquadrão da morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas ocorrem em ruas residenciais ou em um porto de barcos, afastado da população. Esses locais são destituídos de graciosidade. Desta forma, a direção de Mauro Lima consegue causar impacto com os disparos de tiros e com o espaço cru, direto, que não precisa esconder a corrupção que habita ali, se afastando da romantização e exaltação da brutalidade. A pergunta que cada cena indaga ao espectador é: mesmo com toda pompa, o que esse passado reluz é ouro? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tropa-de-elite/"><i><span style="font-weight: 400;">Tropa de Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Ouro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue articular suas ideias sem se contradizer. Apesar da beleza embutida nos personagens e nos cenários, há sempre uma podridão presente e pessoas que saem machucadas. A trama de Mariscot não finaliza com ele no topo, mas em declínio. Existe uma união entre os segmentos de cada linguagem do Cinema para transmitirem os significados que Mauro Lima deseja: o passado vendido pelos saudosistas da Ditadura Militar Brasileira como melhor que o presente e dos falsos ouros que compõem a história brasileira.   </span></p>
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		<title>Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 18:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pantanal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30704" aria-describedby="caption-attachment-30704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-768x384.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30704" class="wp-caption-text">Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história contada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9caf45izB0"><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele tinha um </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/com-pantanal-cavalo-preto-cresce-quase-1000percent-em-plays-e-vira-hit-75-anos-apos-lancamento.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">cavalo preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma </span><a href="https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/brasil-tem-mais-boi-e-vaca-do-que-gente/"><span style="font-weight: 400;">quantidade exorbitante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs"><span style="font-weight: 400;">gado</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “</span><i><span style="font-weight: 400;">cutucar a onça com vara curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. </span></p>
<p><span id="more-30703"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Originalmente, a música responsável pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hfth1z2rHB8"><span style="font-weight: 400;">abertura icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi entoada por Marcus Viana e sua voz pulsante. Dessa vez, no entanto, Maria Bethânia e Almir Sater adicionaram frescor e serenidade ao instrumental, atribuindo, assim, um sentimento de pertencimento em um futuro que constantemente clama pela nostalgia do enredo; se os nossos pais assistiram o folhetim há 32 anos e nós no ano passado, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">filhos dos filhos…dos nossos filhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente também verão </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo o sentido da árvore genealógica, a nova roupagem foi adaptada por </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/bruno-luperi-autor-do-remake-de-pantanal-comenta-cenas-da-novela.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bruno Luperi</span></a><span style="font-weight: 400;">, neto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Benedito Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o escritor da versão que virou um clássico e se mantém atual graças a ambientação, feita em um bioma que traduz tão bem a resiliência e diversidade da nação através de sua fauna e flora.</span></p>
<figure id="attachment_30705" aria-describedby="caption-attachment-30705" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg" alt=" Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Marruá caminha com um semblante de desmotivação. Ela é uma mulher de cabelos e olhos escuros. A câmera captura Marruá a partir do busto. Ela segura uma bolsa nos ombros com uma das mãos. O cenário ao fundo é um ambiente florestado com diversos tons de verde e marrom." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-768x480.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30705" class="wp-caption-text">A mãe-onça Maria Marruá conduziu o embate entre humano e felino com maestria (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do contexto de consolidação das telenovelas na época em que o texto estreou &#8211; quando a extinta </span><a href="https://www.zappeando.com.br/televisao/8-novelas-da-tv-manchete-que-deixaram-muita-saudade-qual-voce-gostava-mais"><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacava clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Dona Beija</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga no Japão</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a refilmagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> herdou o fracasso de Lícia Manzo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=myARx4ufX9E"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama inédito em dois anos e o primeiro a ir ao ar totalmente gravado após uma sequência de repetições causada pela pandemia de coronavírus. E, por isso, assumiu a árdua tarefa de reerguer a audiência e chamar o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/remake-de-pantanal-atrai-o-publico-jovem-para-televisao-aberta.phtml"><span style="font-weight: 400;">público jovem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sentar no sofá e assistir à Televisão &#8211; um desafio para os dias atuais. A tentativa não foi falha: a direção composta pelos nomes </span><span style="font-weight: 400;">Davi Lacerda, Noa Bressane, Roberta Richard, Walter Carvalho e Cristiano Marques soube desde a claquete inicial como atingir em cheio o seu público-alvo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ato que soou como o cantar de um passarinho recém-nascido, que fez sentir a brisa fresca que sopra à beira-mar, o núcleo central da faixa nobre foi finalmente deslocado do ciclo vicioso fundado no uso de cenários divididos apenas entre as grandes capitais da economia e do entretenimento brasileiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Com audição e tato apurados, a direção artística de </span><span style="font-weight: 400;">Rogério Gomes e Gustavo Fernandez capturou em cena as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Qqkt4-Cues"><span style="font-weight: 400;">cores vívidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não totalmente descobertas </span><span style="font-weight: 400;">pelo espectador e, desse modo, os prédios cinzentos da Avenida Paulista e as enormes mansões do Leblon foram deixados para trás em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPRpxH33wIM"><span style="font-weight: 400;">resgate de um passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais simples e condizente com a realidade sociocultural do país.</span></p>
<figure id="attachment_30706" aria-describedby="caption-attachment-30706" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Madeleine e Filó se encontram na primeira fase da novela, quando jovens. A câmera captura ambas a partir do joelho. Madeleine é uma mulher branca de cabelos e olhos claros que veste uma calça jeans preta, uma camiseta de estampa colorida e uma mochila marrom nas costas. Filó é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros que veste um shorts jeans claro e uma regata vermelha. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira da família Leôncio." width="976" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30706" class="wp-caption-text">O talento do elenco da primeira fase surpreendeu e fidelizou o público em poucas semanas (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda novela de respeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi dividida em </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/vem-por-ai/noticia/pantanal-veja-as-transformacoes-de-5-personagens-da-primeira-para-a-segunda-fase.ghtml"><span style="font-weight: 400;">duas fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> não somente com a intenção de demonstrar a passagem de tempo, mas também de desenvolver o conflito principal da trama e transformar as suas personagens. Acontece que a atuação excepcional do elenco jovem conseguiu surpreender e fidelizar o público em poucas semanas de exibição, sendo extremamente difícil se desapegar das faces que se tornaram tão familiares. Renato Góes e Bruna Linzmeyer nos corpos de José Leôncio e Madeleine construíram uma tensão cortante digna de protagonistas imponentes. Já Letícia Salles, estreando como atriz, roubou os holofotes e entregou uma Filó forte para Dira Paes. Por outro lado, Malu Rodrigues e Gabriel Stauffer carregaram a melhor versão dos antagonistas Irma e Gustavo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se a região pantaneira ainda não havia sido habitada por camaleões, tudo mudou com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos, a quem</span><span style="font-weight: 400;"> se deve a maior aclamação artística. Na pele do ‘Véio’ </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SeqvU-9ppOc"><span style="font-weight: 400;">Joventino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator externou as marcas de uma trajetória vivida no lombo de cavalos com um berrante em mãos e, em uma escalação tão peculiar quanto a linhagem da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele voltou para a segunda fase do enredo como o neto bastardo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mI9PHXo2bPE"><span style="font-weight: 400;">José Lucas de Nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de uma personalidade completamente distinta e, não por isso, mal interpretada.</span><span style="font-weight: 400;"> Mesmo que apegados aos atores, </span><span style="font-weight: 400;">a brilhante transição não deixou a animosidade dos noveleiros cair. Marcos Palmeira, Karine Teles, Camila Morgado e Caco Ciocler conduziram o texto até o seu clímax.</span></p>
<figure id="attachment_30707" aria-describedby="caption-attachment-30707" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o personagem ‘Véio’ Joventino se posiciona no lombo de seu cavalo enquanto leva o berrante à boca. Joventino é um homem branco de cabelos e olhos escuros, ele veste uma camiseta de manga longa na cor laranja, uma calça jeans clara e botas em tom barroso. A câmera captura todo o seu corpo e metade de seu cavalo. Ao fundo, o cenário é composto das águas e do mato verde do pantanal." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30707" class="wp-caption-text">Como esperado, a paisagem deslumbrante do pantanal encantou (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico trouxe de volta os clichês intrínsecos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-mundo-novela/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que, há tempos, estavam sumidos. Isso porque as produções sofreram uma mudança brusca de tom e passaram a adaptar a estrutura para o drama ‘pé no chão’ das séries, modelo repercutido pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exibida em 2019, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H-znj_njIu4"><i><span style="font-weight: 400;">A Dona do Pedaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Walcyr Carrasco, foi a última obra antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que teve direito a coincidências improváveis e uma dose de humor cavalar. Para a surpresa de quem subverteu o formato novela, o carisma um tanto quanto utópico da mulher que vira onça, do homem que é possuído por uma entidade muito boa de viola e do senhor de idade que se transforma em sucuri foram suficientes para eternizar os personagens em memes nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a irritação de José Leôncio com “</span><i><span style="font-weight: 400;">larga a mão, Filó</span></i><span style="font-weight: 400;">”, passando por Ari na comunicação com a fazenda em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal, na escuta? Câmbio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a vontade de fugir de Juma com “</span><i><span style="font-weight: 400;">querimbóra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os jargões ganharam espaço no cotidiano. Foi graças às expressões marcantes dos protagonistas e a adesão da juventude, agente controlador da popularização pelos meios, que a novela se tornou um fenômeno multimídia. O retorno das cenas dos próximos capítulos nos minutos finais também ajudou no resgate do gênero de folhetim. O aspecto foi </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/andre-santana/de-volta-cenas-do-proximo-capitulo-foram-abolidas-no-passado-por-causa-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">extinto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente pela exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sua volta diminuiu a pressão para encaixar um gancho e aumentou o desejo de continuar assistindo com apenas alguns relances, mantendo uma ordem natural dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30708" aria-describedby="caption-attachment-30708" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, as personagens Juma e Muda observam com desconfiança o peão Tibério. A câmera captura ambas a partir do tornozelo, enquanto a figura do peão está desfocada por ele estar de costas. Juma é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Muda é uma mulher negra de cabelos e olhos escuros. Tibério é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Juma veste uma regata de estampa amarela e verde, uma saia de estampa branca e carrega em suas mãos uma arma de fogo que aponta na direção de Tibério. Muda veste uma regata branca e um shorts legging azul. Tibério veste uma camiseta de mangas longas branca com listras pretas e uma calça jeans. Ao fundo, o cenário é a tapera de Juma." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30708" class="wp-caption-text">Alanis Guillen e Bella Campos foram uma dupla imbatível como Juma e Muda (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor geral Walter Carvalho também assinou a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/fotografia-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. Vívida, esplendorosa e natural, a ilustração da região manteve uma característica autoral por todos os cenários, tenham sido eles a grande fazenda dos Leôncios ou a simples tapera dos Marruá. Ainda que rodeado de beleza, Carvalho não deixou de demonstrar o drama da violência no campo, tópico recorrente do enredo, com a mesma sensibilidade. Por meio de tons frios, o ciclo de destruição causado pela especulação latifundiária, que se alastrou pela trajetória de Gil </span><span style="font-weight: 400;">(Enrique Diaz) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ODIW-zC2LTA"><span style="font-weight: 400;">Maria Marruá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Paes), colocou em debate a luta pela terra. É tal composição visual que une as duas famílias principais da novela, quando os agricultores se apropriam de um canto abandonado pelos peões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juma (Alanis Guillen) chegou ao mundo tida como uma maldição pela mãe, desorientada depois da perda de três filhos para os senhores da agropecuária brasileira. Porém, o destino em forma de sucuri despertou a onça que defendeu a sua cria até a sua segunda morte, quando já encantada no corpo do felino pintado. Em busca de vingança pelo pai, dono de um pedaço de terra vendido ilegalmente, Muda entrou na trama para confundir os sentimentos da filha de Marruá, criada para se defender de tudo, menos do amor. Assustada pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lQnJugdmqsQ"><span style="font-weight: 400;">instinto animal</span></a><span style="font-weight: 400;"> que farejava as suas mentiras, incluindo a farsa acerca da falta de voz, a personagem falou através do olhar intenso da intérprete Bella Campos e, em sincronia com Guillen, consagraram-se em uma dupla imbatível: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não fala nada, Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30709" aria-describedby="caption-attachment-30709" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Bruaca acaricia um cavalo. A câmera captura Maria a partir do busto e somente parte da cabeça do animal. Maria Bruaca é uma mulher branca de cabelos castanhos e olhos claros. Ela veste uma camisa na cor roxa e um colar, O cavalo é marrom e está equipado. Ao fundo, o cenário é composto pelo céu azul e pelas árvores verdes do pantanal." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30709" class="wp-caption-text">Carinhosamente apelidada pelo público como Mary Bru, a personagem protagonizou cenas importantes (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de violência que pautou o roteiro foi a agressão física e psicológica enfrentada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YKl0byt3QSI"><span style="font-weight: 400;">Maria Bruaca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Isabel Teixeira) nas mãos do seu esposo e grande vilão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ji-Q75q9aBs"><span style="font-weight: 400;">Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Murilo Benício). Ao contrário da ficção, em que o apelido pejorativo marcou as falas das personagens, no ‘dia a dia’, os noveleiros se simpatizaram com a representação brutal e adotaram um apelido carinhoso, ‘Mary Bru’. Ela, inicialmente tida como uma personagem secundária, ganhou espaço de protagonista graças à interpretação fascinante de Teixeira ao lado de Benício, ambos incoerentemente unidos no mesmo tom em cena. Galã de muitas gerações, ele se desfez da face icônica de ‘mocinho’ e se transformou em um ser humano cruel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se os pais causaram uma mistura de sentimentos, os filhos do casal e da outra família do antagonista foram insuportáveis, não havendo a mínima chance do público nutrir algo por eles para além do desprezo, com destaque para a chatice apoteótica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJAx29O635Q"><span style="font-weight: 400;">Guta ‘regatinha’</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bruno Luperi, na tentativa de modernizar a narrativa, errou a mão na construção da personalidade da jovem e deu uma bomba para a atriz Julia Dalavia segurar. Ainda nessa questão, o autor conseguiu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/zaquieu-dessa-versao-e-mais-empoderado-diz-ator-do-remake-de-pantanal-84237"><span style="font-weight: 400;">reescrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trajetória de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/clara-ribeiro/doenca-grave-o-levou-quem-era-o-zaqueu-na-primeira-versao-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Zaquieu</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Silvero Pereira), mordomo que se apaixona pelo peão Alcides (Juliano Cazarré). Mas a assombração da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/pantanal-peao-gay-heteronormatividade"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu no discurso, no qual ele e Jove (Jesuíta Barbosa) foram frequentemente enquadrados como ‘frozô’ e o repúdio de José Leôncio ao ato dos boiadeiros não colou.</span></p>
<figure id="attachment_30710" aria-describedby="caption-attachment-30710" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Trindade observa Irma. A câmera captura Trindade a partir da cintura e Irma a partir do busto. Ele, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, veste uma camiseta de botões e mangas longas cinza e uma calça bege com um cinto de couro marrom repleto de adereços prateados. Trindade também carrega uma viola coberta por uma capa e um chapéu de peão. Irma veste uma regata vermelha enquanto contempla o rio do pantanal. Ao fundo, o cenário é a limpidez do rio e o verde da paisagem de mata recheada de árvores." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30710" class="wp-caption-text">Os romances de Pantanal tiveram seus altos e baixos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXvzBASDivE"><span style="font-weight: 400;">Assustadoramente encantador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possuído por um ‘cramulhão’ que fez magia com as cordas da viola, o peão Trindade (Gabriel Sater) parou o coração do público e de Irma (Camila Morgado). O casal, no entanto, foi injustiçado por um fim desanimador motivado pelo interesse da ruiva em José Lucas de Nada. O ator, filho de Almir Sater, repetiu o papel que na versão original era do pai e dividiu a cena uma última vez com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, na pele do chalaneiro Eugênio, em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gYKymNXoRhI"><span style="font-weight: 400;">batalha de Música fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que arrancou lágrimas e arrepios. Em meio a simplicidade deslumbrante da natureza, momentos como este jogaram de um precipício as passagens tenebrosas no urbano do Rio de Janeiro, felizmente deixadas de lado ao longo dos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nos altos e baixos dos romances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível o quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforçou para provar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a maior força da natureza é o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. José Leôncio e Filó provaram que o tempo realmente cura tudo. Já Muda e Tibério se encontraram em um cenário nada esperançoso e trouxeram para as telas a doçura de um enlace verdadeiro. Por outro lado, Tadeu (José Loreto) e Zefa (Paula Barbosa) superaram as diferenças de valores que os separavam para ficarem juntos. Entretanto, nenhum casal expressou com tanta fidelidade o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonado quanto Maria Bruaca e Alcides em busca da liberdade que somente o bioma fértil pode proporcionar, após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9So0xzZJz-Y"><span style="font-weight: 400;">violência covarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Tenório contra o peão que protagonizou o momento mais chocante da trama. </span></p>
<figure id="attachment_30711" aria-describedby="caption-attachment-30711" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30711" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Filó e Jove observam um confronto entre Tadeu e José Leôncio. A câmera captura todo o corpo de Filó e Jove, posicionados ao fundo de Tadeu e Leôncio, capturados a partir do joelho. Filó é uma mulher de cabelos e olhos escuros que veste uma regata amarela em conjunto com uma saia longa florida e sandálias de salto pequeno. Jove é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas branca, calça jeans, botas de couro e um chapéu de peão branco. Tadeu é um homem brano de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas em xadrez vermelho, calça jeans com cinto de couro, um chapéu de peão e duas malas. José Leôncio é um homem de cabelos e olhos escuros que veste uma camiseta de mangas longas azul e uma calça jeans com cinto de couro. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira dos Leôncios." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30711" class="wp-caption-text">Os Leôncios facilmente poderiam participar do programa Casos de Família do SBT (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Tadeu, José Loreto surpreendeu com uma atuação que fez parecer que o personagem foi escrito especialmente para ele. Ao lado de Dira Paes, o ator concretizou o feito extremamente difícil de não ser engolido pela aura de uma das veteranas mais experientes da dramaturgia. Confrontados com diálogos duros e secos, Loreto e Paes afloraram o lado sentimental de quem assistiu diariamente a relação genuína entre mãe e filho. De filho bastardo a sucessor natural do legado de boiadeiro do avô Velho Juventino, Tadeu muitas vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2XYEAh0sws"><span style="font-weight: 400;">brigou sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela atenção do pai até o seu </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/ultimo-capitulo-de-pantanal-encontro-de-tadeu-e-velho-do-rio-emociona-espectadores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">encontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ‘Véio do Rio’ no último cápitulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não ganharia a minha sela de prata se não fosse um Leôncio. [&#8230;] Diz pra ele que eu disse que ocê é o meu neto de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis por manter o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> batendo forte, Juma e Jove foram, mais do que nunca, os grandes protagonistas da novela. Em 2022, assistir o encontro do casal foi como presenciar o embate entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=605ywPGYiec"><span style="font-weight: 400;">felino e humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, nascida livre como um ser selvagem na imensidão da natureza, e ele, criado na redoma de vidro de uma mansão luxuosa, mas sem vida. Embalados pela música-tema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Z9IJAgvxs"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de índio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Gabriel Sater, a união desses dois opostos fez o amor se consagrar como sagrado. Em harmonia com o verde do bioma e o vermelho da paixão, a dupla Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa trouxe o frescor da descoberta de algo novo: uma química delirante, estrondosa e arrebatadora digna de reportagem do </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/05/26/juma-e-jove-fantastico-prepara-reportagem-para-todos-que-estao-na-torcida-pelo-casal-de-pantanal.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_30712" aria-describedby="caption-attachment-30712" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30712" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o ‘Véio do Rio’ aparece contemplando o horizonte. Ele é um homem branco de cabelos brancos e olhos claros. ‘Véio’ veste uma manta marrom, um chapéu de palha e carrega em uma de suas mãos um cajado feito da madeira de um galho de árvore. Ao fundo, o cenário é a mata verde do Pantanal." width="1224" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30712" class="wp-caption-text">Osmar Prado fez da sabedoria do ‘Véio do Rio’ a maior força de sua atuação (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte…” &#8211; Benedito Ruy Barbosa</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A entidade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cN1NlihUaw0"><span style="font-weight: 400;">‘Véio do Rio’</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a personificação do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ator Osmar Prado trouxe para a composição a força da sabedoria de quem conhece o bioma, fala com os animais e espalha o amor. Único capaz de laçar um marruá, espécie de boi feroz, ele também foi o fator responsável por arrematar as histórias das famílias Leôncio e Marruá em uma só trajetória. Entre as paisagens belas e o desmatamento impiedoso, a novela de Bruno Luperi reergueu a audiência do gênero, fez jus a versão original de seu avô e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SecT4r0-BqE"><span style="font-weight: 400;">reviveu o destino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Atemporal, é um dever que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja adaptada novamente no futuro, assim, repetindo um ciclo fundamental: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois/Lutar com unhas e dentes pra termos direito ao depois/Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Mfqv7V4q03M?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>Como comédia, O Auto da Boa Mentira é uma ótima homenagem a Ariano Suassuna</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2021 03:14:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Teixeira  “Eu gosto do mentiroso que mente por amor à arte&#8221;, declarou nosso saudoso Ariano Suassuna (1927-2014) no trecho de uma entrevista inserida logo no início do filme que tem como base, a mentira. Dirigido por José Eduardo Belmonte e saudando as boas histórias do escritor pernambucano, O Auto da Boa Mentira conta em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-auto-da-boa-mentira-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Como comédia, O Auto da Boa Mentira é uma ótima homenagem a Ariano Suassuna"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20856" aria-describedby="caption-attachment-20856" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem traz o personagem de Jackson Antunes caracterizado de palhaço, com gravata grande, roupas de cores fortes e maquiagens extravagantes. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20856" class="wp-caption-text">Cena do filme O Auto da Boa Mentira, onde retrata o palhaço Romeu, vivido por Jackson Antunes (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Teixeira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://youtu.be/R1IUt-CAgSw"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto do mentiroso que mente por amor à arte&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, declarou nosso saudoso Ariano Suassuna (1927-2014) no trecho de uma entrevista inserida logo no início do filme que tem como base, a mentira. Dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zMzqWDEmZeU&amp;t=286s"><span style="font-weight: 400;">José Eduardo Belmonte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e saudando as boas histórias do escritor pernambucano,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta em quatro esquetes, as histórias de Helder (Leandro Hassum), Fabiano (Renato Góes), Pierce (Chris Mason) e Lorena (Cacá Ottoni). O que eles têm em comum? A mentira. A boa mentira. Os quatro contos mostram as diferentes maneiras com que a lorota atua na vida de cada personagem individualmente. O time que forma o elenco do filme ainda conta com Nanda Costa, Cássia Kis, Jesuíta Barbosa, Luís Miranda e outros grandes nomes da Arte brasileira.</span></p>
<p><span id="more-20855"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro enredo que nos é apresentado é o do subgerente de RH Helder (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/03/19/leandro-hassum-e-vacinado-contra-covid-19-nos-estados-unidos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Leandro Hassum</span></a><span style="font-weight: 400;">), que é confundido com o famoso humorista Paulo Mendonça. Deslumbrado com a fama e o assédio dos fãs, Helder assume a identidade do artista e tira vantagens em cima disso. Contudo, ele não imaginava que Paulo estava na mira de Caetana (Nanda Costa), filha de um ex-rival de profissão do humorista. </span><span style="font-weight: 400;">Quando Helder, se dizendo Paulo, conhece a atraente moça num bar de hotel, logo é seduzido pela mesma, que posteriormente o dopa e tenta matá-lo sufocado com um travesseiro no quarto do hotel. Algemado na cama e prestes a morrer asfixiado, o subgerente assume sua verdadeira identidade e consegue se salvar. Uma mentira que quase lhe custou à vida, literalmente. Logo após descobrir o engano, Caetana se desculpa pelo engano, desata a chorar e vai embora. </span></p>
<figure id="attachment_20857" aria-describedby="caption-attachment-20857" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem mostra uma mulher branca de cabelos loiros seduzindo um homem branco de cabelo baixo. A frente deles há drinks em que estão bebendo e uma bolsa dourada no formato de uma concha." width="750" height="380" /><figcaption id="caption-attachment-20857" class="wp-caption-text">Caetana (Nanda Costa) seduz Helder (Leandro Hassum) no bar de um hotel (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do conto, um misterioso assassinato ocorre no hotel e um segurança define a causa da morte por </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/caetana/37855/"><span style="font-weight: 400;">“Caetana”</span></a><span style="font-weight: 400;">, e segundo Suassuna, essa mulher é a Morte. Um fato interessante sobre essa esquete é que os fãs, ao abordarem o farsante, enfatizam de que o humorista mudou muito fisicamente após emagrecer, fazendo uma alusão a </span><a href="https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/leandro-hassum-revela-o-que-motivou-sua-perda-de-peso/"><span style="font-weight: 400;">perda de peso significativa do intérprete</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo esquete do filme conta a história de Fabiano, um rapaz que, ao lado de sua mãe, exuma os ossos de seu falecido pai, com quem nunca se deu bem. Dias depois, um profeta o aborda na rua dizendo que seu pai estava com medo de morrer, porém, Fabiano rebate dizendo que seu pai havia morrido há mais de trinta anos. A surpresa do personagem acontece quando o profeta afirma que quem morreu foi o marido de sua mãe, e não o seu pai. Intrigado com as profecias que ouviu, o filho de Luzia (Cássia Kis) pressiona sua mãe até que a viúva, em um diálogo comovente onde vale ressaltar a maestria e o talento da atriz, confessa o adultério com um palhaço de um circo regional que frequentavam especificamente no dia dos pais.</span></p>
<figure id="attachment_20858" aria-describedby="caption-attachment-20858" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20858" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. À direita, temos mulher de cabelos grisalhos e roupas azul e bege, encostada no ombro de seu filho à esquerda, um homem branco de alta estatura, de cabelos e barba castanha e vestindo uma camiseta xadrez num tom escuro de verde." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20858" class="wp-caption-text">Fabiano (Renato Góes) e sua mãe Luzia (Cássia Kis), após um diálogo emocionante sobre o verdadeiro pai do rapaz (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Disposto a encontrar o palhaço Romeu (</span><a href="https://tribunaonline.com.br/jackson-antunes-a-arte-salva-vidas-estou-aqui"><span style="font-weight: 400;">Jackson Antunes</span></a><span style="font-weight: 400;">) – assim se chamava seu suposto pai, Fabiano vai até o circo e flagra o homem sendo ameaçado por um agiota que quer o espaço como forma de pagamento de uma alta dívida. Sensibilizado com angústia de seu pai e agindo com impulsividade, Fabiano entrega a ele um relógio de grande valor financeiro sem consultar sua mãe, que pretendia empenhar o relógio para reformar a jazida de seu falecido. Contudo, o mocinho revela que deu a herança familiar a seu pai e sua mãe se desespera, pois na verdade, o palhaço Romeu era uma franquia de palhaços e o verdadeiro já havia morrido. O mentiroso foge com a joia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser o melhor dos quatro contos, uma gafe é cometida e passa quase despercebida: O protagonista possui um sotaque nordestino no qual os demais personagens (inclusive sua própria mãe) não aparentam ter. Não houve explicações para essa variação, que soma pontos negativos de coerência para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo após, o público conhece a história de Pierce (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/05/06/gringo-mas-brasileiro-astro-de-riverdale-vira-carioca-malandro-em-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">Chris Mason</span></a><span style="font-weight: 400;">). Conhecido por integrar o elenco de séries americanas como </span><a href="http://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Riverdale</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUZXF76_YYs"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Little Liars: The Perfectionists</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o ator britânico tem contribuído com a audiência do filme, levando o público </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">à frente das telonas. A mentira que cerca Pierce é criada quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">bon vivant</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta explicar sua ausência no aniversário de seu amigo Zeca (Sérgio Loroza), dono de um bar onde os turistas do mentiroso frequentam.</span></p>
<figure id="attachment_20859" aria-describedby="caption-attachment-20859" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. Caminham pelo calçadão da praia em sentido esquerdo, dois homens e duas mulheres utilizando roupas claras e trajes adequados para o calor, como chapéus e chinelos." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-20859" class="wp-caption-text">O guia vivido por Chris Mason caminha pelo Rio de Janeiro com seus turistas (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para não se indispor com seu amigo e colega de negócios, o gringo inventa que foi assaltado na comunidade, o que indigna o dono de bar. Revoltado com a falta de segurança na comunidade, Zeca procura o chefe da favela, vivido por Jesuíta Barbosa, para encontrar o ladrão. Durante um encontro com Chefia, Pierce inventa características aleatórias para despistar qualquer suspeita, afinal, o assalto era uma farsa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, o “pai” da comunidade assimila as características com um rapaz que por mais inocente que fosse, leva a culpa e quase perde a vida por isso. Sensibilizado com a confusão que acabara de arrumar, o guia mentiroso confessa a mentira, mostrando no fundo, ser uma boa pessoa. Vale destacar a excelente pronúncia do ator europeu em seu primeiro trabalho em português.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando o ciclo das </span><a href="https://youtu.be/00xVCMF_sqk"><span style="font-weight: 400;">boas mentiras de Suassuna</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem Lorena (</span><a href="https://www.portalmultiplix.com/noticias/caca-ottoni-participa-de-novo-filme-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">Cacá Ottoni</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive uma situação muito conhecida no cotidiano brasileiro. A fim de se enturmar com seus colegas de trabalho, a estagiária inventa uma série de mentiras, como conhecer e entender a literatura francesa e outras lorotas para impressionar seus superiores. O clímax da mentira acontece quando a jovem escuta uma conversa particular entre seu chefe e sua namorada.</span></p>
<figure id="attachment_20860" aria-describedby="caption-attachment-20860" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem retrata a personagem Lorena, uma jovem branca e de cabelos ruivos, utilizando roupas neutras e apoiando o rosto sobre sua mão, expressando estar pensativa" width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20860" class="wp-caption-text">Lorena (Cacá Ottoni), a protagonista do último conto do filme (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa conversa, Felipe (Johnny Massaro) usa uma expressão francesa usada como apelido interno do casal. A estagiária então, se deslumbra com a elegância da frase e reproduz na frente do grupo em uma típica festa de fim de ano da empresa, crendo ser uma expressão popular entre os </span><a href="http://personaunesp.com.br/emily-em-paris-critica/"><span style="font-weight: 400;">franceses</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa mentira acaba criando uma histeria entre todos na festa. Mediante a toda confusão que acabara de criar, Lorena se embebeda e dá seu vexame final na confraternização, pedindo demissão em público e quebrando um valioso prêmio de cristal. O filme encerra com Lorena sentada na rua absorvendo o surto que acaba de ter e Felipe lhe faz companhia, confessando também não entender nada sobre a literatura francesa e os demais assuntos elitistas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa a desejar no ponto que devia ser seu principal foco: a risada. Dá para contar em uma única mão a quantidade de vezes que o telespectador ri, o que não favorece muito um filme classificado como comédia. O silêncio na sala perdurou até o início do segundo esquete, onde ainda criança, o personagem salta de um telhado acreditando ser um pássaro. Depois disso, algumas cadeiras começaram a esvaziar – fora as cochiladas tentadoras no escuro do cinema, uma lástima para um projeto que conta com nomes do alto escalão da dramaturgia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalação e o texto de João Falcão, Tatiana Maciel e Célio Porto são impecáveis, contudo, peca no exagero do humor refinado e conceitual ao abordar uma cultura onde a “farofa” reina. Entretanto é injusto pontuar as falhas do longa-metragem e não exaltar o tributo a um dos maiores escritores do Brasil e suas inúmeras facetas, mostrando sempre ser um mentiroso do bem. Em tempos onde a cultura e o Cinema brasileiro </span><a href="https://www.upespr.org.br/post/a-desvaloriza%C3%A7%C3%A3o-do-cinema-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">são tão desvalorizados</span></a><span style="font-weight: 400;">, mergulhar em um universo tão mágico e tão fértil como o de Suassuna, nos faz lembrar do que temos de melhor no Brasil, a Arte e o “jeitinho brasileiro” de levar a vida. </span></p>
<figure id="attachment_20861" aria-describedby="caption-attachment-20861" style="width: 672px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU.jpg" alt="A imagem mostra o escritor Ariano Suassuna, homem branco, idoso, de cabelo e sobrancelhas grisalhas, vestindo uma camiseta vermelha e uma jaqueta preta por cima." width="672" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20861" class="wp-caption-text">Ariano Suassuna, o grande mestre por trás das boas mentiras (Foto: Felipe Rau/Agência Estado)</figcaption></figure>
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