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	<title>Arquivos Rejane Faria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:31:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-neve-nem-pijamas-combinando-em-o-natal-dos-silva-gabriel-martins-mostra-como-o-brasileiro-realmente-celebra-o-espirito-natalino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36528" aria-describedby="caption-attachment-36528" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png" alt="Uma mulher negra mais velha, usando um vestido vermelho, segura e exibe um quadro com uma fotografia antiga em preto e branco de duas meninas. Ela sorri enquanto outra mulher ao seu lado olha para a foto. Ao fundo, um homem idoso de camisa polo cinza está sentado, observando a cena. O ambiente é um pátio iluminado por luzes de Natal." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36528" class="wp-caption-text">Bel, o eixo emocional que tenta manter a família unida, segura um retrato que evoca a presença da matriarca ausente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta ou o parente inconveniente que sempre chega atrasado. Curiosamente, essa experiência coletiva quase nunca encontra espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-bem-no-natal-que-vem-critica/"><span style="font-weight: 400;">audiovisual nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e, quando encontra, raramente tem a cor, o sotaque e a geografia do país que de fato celebra essa data. </span></p>
<p><span id="more-36525"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem para ocupar justamente essa lacuna. Se</span><i><span style="font-weight: 400;"> Marte Um </span></i><span style="font-weight: 400;">(2022) já havia confirmado Gabriel Martins como uma das vozes proeminentes do cinema brasileiro atual, sua nova produção expande esse gesto para a TV – a primeira investida da </span><a href="https://www.filmesdeplastico.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Filmes de Plástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no formato. Exibida no Canal Brasil e no Globoplay Premium, a minissérie nasce de um esforço coletivo – Martins assina o primeiro e o último episódios, enquanto Maurílio Martins e André Novais Oliveira conduzem o miolo da história.</span></p>
<figure id="attachment_36529" aria-describedby="caption-attachment-36529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36529" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png" alt="Um plano aberto mostrando um grande grupo de cerca de dez adultos reunidos em um quintal ou laje à noite. Alguns estão sentados ao redor de uma mesa redonda com garrafas de cerveja, enquanto outros estão de pé conversando. O local é decorado com varais de luzes coloridas e enfeites natalinos simples." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36529" class="wp-caption-text">Com um elenco numeroso onde cada presença é necessária, a produção abraça o caos natalino brasileiro (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;">, a morte recente da matriarca dona Zelina paira como um motor que nunca aparece em cena, mas move tudo ao redor – um luto que reverbera nos gestos e nas brigas pequenas demais para serem só brigas. Bel, filha de Zelina e vivida com entrega absoluta por </span><a href="https://oglobo.globo.com/play/noticia/2025/11/25/rejane-faria-a-chica-de-tres-gracas-estrelara-serie-de-natal-do-canal-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o eixo emocional que tenta costurar as pontas soltas da família – ainda que o faça com mãos trêmulas e um humor azedo que nasce mais da dor do que de convicção. Dividida entre a tradição que herdou e a perda que ainda não sabe nomear, ela encarna a figura da mãe brasileira que tenta manter a casa de pé enquanto tudo ao redor ameaça ruir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Bel representa o fio tenso da tradição, Lin – interpretada com delicadeza por </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/atrizes-criam-ponte-entre-teatro-e-cinema-com-filme-sobre-amizade"><span style="font-weight: 400;">Aisha Brunno</span></a><span style="font-weight: 400;"> – chega como a rachadura que faz a estrutura inteira tremer e revelar o que sempre foi mantido em silêncio. Sua presença escancara a naturalização do preconceito como uma perturbação diária, que se manifesta em olhares tortos, comentários ditos ‘no privado’ e uma hospitalidade que nunca é plena. A dinâmica com Luciano (Robert Frank), filho de Bel, mistura afeto, vergonha e tentativa de mediação, enquanto a série se recusa a transformar a transfobia em espetáculo: ela existe, porém não define Lin. </span></p>
<figure id="attachment_36526" aria-describedby="caption-attachment-36526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png" alt="Quatro adultos negros estão de pé em uma área externa à noite, sob luzes pisca-pisca azuis e brancas desfocadas. Uma mulher de vestido vermelho no centro está de braços cruzados e expressão séria, olhando para a esquerda, assim como os dois homens ao seu lado. A tensão é visível em seus rostos." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1200x720.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36526" class="wp-caption-text">Sob a sombra do luto recente pela matriarca Dona Zelina, a dinâmica familiar dos Silva oscila constantemente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao tom narrativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça o caos natalino, oscilando entre humor e drama com a mesma naturalidade com que uma família alterna piadas internas e discussões amargas em questão de minutos. É aí que a série mais acerta e, às vezes, tropeça: o humor, suave e de cantos arredondados, conversando com tensões profundas que nem sempre encontram o melhor equilíbrio. Ainda assim, a direção aposta numa estética do detalhe e constrói cenas em camadas, onde o segundo plano revela tanto quanto o diálogo em destaque. O episódio 2, inteiramente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">, cristaliza essa proposta: a câmera passeia pela casa como se estivesse se esgueirando por uma reunião de família real, ouvindo conversas picotadas e testemunhando afeto e descontrole no mesmo fôlego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, se a casa nunca para, é porque a série nunca deixa de ser atravessada por gente – </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">muita gente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um elenco que ultrapassa vinte atores, a produção faz com que cada presença pareça necessária. Não há sensação de figuração perdida no fundo; todos estão construindo o mesmo cenário. Esse dinamismo constante reforça a percepção de que estamos diante não apenas de uma minissérie, mas de uma reunião familiar que transborda para fora da tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte, feita por </span><a href="https://www.instagram.com/p/DRcpMQ3AYTV/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Rimenna Procópio</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos primeiros convites para entrar na casa, e talvez o mais caloroso. A abertura, cheia de textura, ritmo e inventividade, já anuncia que este é um Natal brasileiro: a toalha de mesa que já viveu outras festas, o pisca-pisca que insiste em falhar e os enfeites que parecem saídos de uma lembrança infantil. Nada aqui é estetizado como um cartão-postal importado. </span></p>
<figure id="attachment_36527" aria-describedby="caption-attachment-36527" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2.png" alt="Uma família negra brasileira, composta por um homem sentado, uma mulher de pé e duas crianças, está reunida ao redor de uma mesa de jantar modesta. Sobre a toalha estampada vermelha, há pratos de comida e uma pequena árvore de Natal decorativa vermelha no centro. A mulher de pé olha para a criança sentada à direita." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-36527" class="wp-caption-text">A direção de arte da série aposta em uma estética realista, longe dos clichês importados (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estreia no formato seriado, a produção acerta muito mais do que erra, e seus méritos são visíveis desde os primeiros minutos: há originalidade na forma de filmar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">Natal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, também há limitações – um desequilíbrio ocasional de tom, momentos em que o humor mina a tensão ou em que o drama pesa além do necessário. No entanto, nada disso diminui a força do conjunto. Ao final da ceia – e da série – voltamos à imagem inicial do Natal como união: essa reunião anual em que as diferenças se tornam mais nítidas, porém onde, por alguma razão, insistimos em permanecer. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como registro íntimo de uma família ficcional que, por metonímia, ecoa tantas outras famílias brasileiras, especialmente aquelas que enfrentam um país que nem sempre lhes oferece espaço. Filmá-lo hoje é, de certo modo, desafiar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/roussil-a-liberdade-da-imaginacao-prova-que-o-cinema-e-uma-das-principais-armas-contra-o-esquecimento/"><span style="font-weight: 400;">apagamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: é dizer que essas histórias importam, que esses corpos e esses afetos também merecem estar na tela. E, ao fechar a porta da casa dos Silva, fica a pergunta que carregamos para a próxima ceia: que memórias e sentimentos vão permanecer quando o caos baixar?</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 17:29:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por Gabriel Martins, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marte-um-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Exercitando o sonhar, Marte Um mira nas estrelas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28742" aria-describedby="caption-attachment-28742" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28742 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-1-1.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra duas pessoas sentadas lado a lado na calçada. À esquerda está um homem idoso, de camisa azul e laranja. À direita está uma mulher adulta, de roupa amarela. Os dois são negros e está de noite." width="750" height="313" /><figcaption id="caption-attachment-28742" class="wp-caption-text">Longe da corrida de Filme Internacional desde os tempos de Central do Brasil, o país escolhe pela primeira vez um longa dirigido por um homem negro para nos representar no Oscar (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família negra de Minas Gerais navega por um Brasil incerto e nebuloso, afetado pela eleição de um presidente que representa o oposto de quem são. O véu de mundanidade da trama, escrita e dirigida por </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/oscar2023/filme-indicado.php"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, chamou atenção por onde passou, sendo condecorada em Sundance e em Gramado, chegando, enfim, às portas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolheu a obra como a representante nacional na corrida pela estatueta de Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span id="more-28741"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem teve o prazer de assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jFMBb7Z5N24"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se encontra em cartaz em pouquíssimas salas de cinema do país que representará no ano que vem, os motivos são óbvios. De maneira quase familiar para o Cinema nacional, e </span><a href="https://sitenocenaculo.com.br/cinema-mineiro-recente/"><span style="font-weight: 400;">em especial o mineiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martins costura uma trama de seres humanos à beira de um ataque de nervos, cenário comum e habitual para a população que enxerga em Jair Bolsonaro um mal a ser excomungado de Brasília desde o dia seguinte ao fim de 2018.</span></p>
<p><figure id="attachment_28743" aria-describedby="caption-attachment-28743" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28743 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra um homem idoso negro sorrindo e parado em frente a um canteiro de jardim, com as mãos na cintura. Ao fundo, vemos prédios e o parapeito de vidro verde do pátio onde ele se encontra." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1024x554.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-768x415.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1536x830.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-2048x1107.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-2-1-1200x649.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28743" class="wp-caption-text">Antes de Marte Um, Gabriel Martins trabalhou em uma porção curtas e longas; entre eles O Nó do Diabo (2018) e No Coração do Mundo (2019) [Foto: Filmes de Plástico]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Produzido pela Filmes de Plástico com coprodução do Canal Brasil, e financiado por um </span><a href="https://twitter.com/tatianacarvalho/status/1566889046391115779"><span style="font-weight: 400;">edital</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trouxe ao mundo o igualmente excepcional </span><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou sua caminhada pelas salas de cinema no </span><a href="https://variety.com/2022/film/reviews/mars-one-review-marte-um-1235154101/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Sundance</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde disputou o Prêmio do Júri. A história, embora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6i-9JT_eSRY"><span style="font-weight: 400;">enraizada em uma realidade brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, estampando uma família da periferia que enfrenta o salário curto, o mercado caro e o país se engolindo, ressoa pelas notas de simpatia e, antagonicamente a ideia do governo atual, otimismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O responsável por capturar essa aura do sonhar, presente desde a esperança de Deivinho (Cícero Lucas) até a voracidade de Eunice (Camilla Damião), é Daniel Simitan e sua trilha sonora espectral, reconhecida com um dos quatros Kikitos que o filme levou para casa no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-vencedor-do-festival-de-cinema-de-gramado-marte-um-nos-convida-a-sonhar/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Gramado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso por conta da suavidade que o texto de Martins emprega na criação de suas cenas e ambientações, primeiro isolando sua família protagonista para então agrupá-los, fortalecendo uma das mensagens do filme: unidos, viver é mais descomplicado, ainda que o processo continue árduo e nada valorizador a quem o enfrenta.</span></p>
<figure id="attachment_28744" aria-describedby="caption-attachment-28744" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28744 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta negra dormindo de lado numa cadeira de praia vermelha. Ela usa brincos e relógio brilhantes e uma camiseta vermelha com detalhes em branco e azul." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28744" class="wp-caption-text">Encontrando suspiros de alívio e felicidade, o filme conta com a presença irreverente de Tokinho (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O pontapé vem na figura de Tércia (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KK2cIKwcv4o"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">), a matriarca em constante estado de alerta, já que, após alguns infortúnios bombásticos, passa a acreditar que tem uma maldição lhe mordendo o calcanhar e tenta a todo custo se afastar da família e poupá-los de eventuais tragédias. Na interpretação de Faria, a personagem ganha o coração de quem assiste suas desventuras, e obtém pontos na forma em que doma seus arredores, apaziguando o marido, colocando juízo na cabeça da filha mais velha e apoiando os sonhos do caçula. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wellington (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Tfc0zaTzY"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a peça mais descompassada da equação. Pai amoroso mas um tanto impaciente, é ele quem leva nas costas os maiores traumas do filme, todos condensados e enclausurados na ficha do Alcóolicos Anônimos que representa tanto uma vitória quanto um lembrete para o torcedor fanático do Cruzeiro. Nas trocas com Eunice, Francisco eletriza o ambiente, e, nas cenas com Deivinho, luta para não atolar o jovem com sonhos próprios, adormecidos pelo curso da vida.</span></p>
<figure id="attachment_28745" aria-describedby="caption-attachment-28745" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28745 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra uma mulher adulta e uma criança negras dormindo sob a luz azul do luar." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-4-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28745" class="wp-caption-text">A direção de fotografia de Leonardo Feliciano usa e abusa de planos dos familiares banhados pela luz azul da Lua (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Eunice, resta a Damião o ato de extravasar </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> e oxigenar o filme para além dos dramas de meia-idade e da adolescência. Buscando um refúgio da aconchegante casa em que nasceu e cresceu, chega a hora de exercitar sua identidade como adulta, como pessoa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como alguém há muito ofegante em se colocar como prioridade da história. Na conjectura de </span><a href="https://www.z1portal.com.br/diretor-de-marte-um-comemora-pre-selecao-para-o-oscar-nunca-tinha-ido-pra-um-diretor-negro/"><span style="font-weight: 400;">um Brasil utópico e distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mesmo tempo, o diretor molda a narrativa da filha mais velha longe dos arquétipos de preconceito e revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> se centra em personagens complexos e multifacetados, protagonizando uma trama que não se limita em momento algum. Deivinho, o elo que conecta o distante planeta vermelho ao Brasil da família mineira, não se acanha em sonhar. Visitando o reino em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUg4xE-7LyM"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, o garoto não quer saber de marcar gol e dar carrinho (por mais que tenha talento para tal). Ele quer colonizar a galáxia, mas para isso precisa enfrentar as expectativas daqueles que o criaram sob um molde. Quebrar a ordem das coisas é um processo custoso, e Gabriel Martins, que executa a montagem ao lado de Thiago Ricarte, não cansa de nos lembrar disso.</span></p>
<figure id="attachment_28746" aria-describedby="caption-attachment-28746" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28746 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg" alt="Cena do filme Marte Um, a imagem mostra quatro pessoas negras da mesma família de pé e reunidas ao redor de um telescópio. Está de noite e a luz azul da lua reflete neles." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Foto-5-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28746" class="wp-caption-text">Com um novo método e equipe selecionando o filme brasileiro para o Oscar em 2022, o país tem no histórico as submissões de Deserto Particular, Babenco e A Vida Invisível (Foto: Filmes de Plástico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando os exemplos recentes de longas nacionais deixados de lado pelos votantes estrangeiros, a </span><a href="https://academiabrasileiradecinema.com.br/academia-brasileira-de-cinema-e-artes-audiovisuais-anuncia-os-seis-filmes-brasileiros-pre-selecionados-para-concorrer-a-indicacao-ao-oscar2023%ef%bf%bc/"><span style="font-weight: 400;">Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> decidiu reformular sua equipe e método de seleção da obra que representará o país no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um corpo votante composto por dezenove profissionais da área, Bárbara Cariry presidiu a comissão em 2022, e uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-filmes-pre-selecionados-brasil#:~:text=Montada%20por%2019%20membros%2C%20a,Paloma%20(de%20Marcelo%20Gomes)."><span style="font-weight: 400;">pré-lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com 6 produções foi divulgada. Ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, estavam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CtLsCjQ01q4"><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Cristiano Burlan), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jAhGhqdMc1c"><i><span style="font-weight: 400;">A Viagem de Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Laís Bodanzky), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qaxw60-NW4U"><i><span style="font-weight: 400;">Carvão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Carolina Markowicz), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=74kfPQVKbzY"><i><span style="font-weight: 400;">Pacificado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Paxton Winters) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zQzRA3fvnZI"><i><span style="font-weight: 400;">Paloma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (de Marcelo Gomes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final das quase duas horas, a breve sinopse do longa ecoa como uma maneira de vender um filme que não se delimita como simples reimaginação ficcional de uma realidade extremamente desgastante, que diariamente </span><a href="https://www.poder360.com.br/coronavirus/2-anos-de-covid-relembre-30-frases-de-bolsonaro-sobre-pandemia/"><span style="font-weight: 400;">estampa capas de jornais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e preenche VTs da televisão no horário nobre. Mais que uma crônica sobre uma família nada endinheirada lidando com a eleição de um presidente abominável, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marte Um</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o retrato de como a Arte no Brasil resistiu e ainda reage.</span></p>
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		<title>Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:30:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Livremente inspirada no livro-reportagem Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, Colônia é a nova aposta do Canal Brasil. A série produzida e dirigida por André Ristum é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22379" aria-describedby="caption-attachment-22379" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem os personagens Gilberto e Eliza centralizados entre outras duas figuras que estão desfocadas nos cantos. Todos usam a camisola cinza do hospício e tem aparência cansada, a imagem está em preto e branco. " width="1200" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22379" class="wp-caption-text">Colônia foi lançada no dia 25 de junho e está disponível na plataforma Globoplay (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Livremente inspirada no livro-reportagem </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-holocausto-brasileiro-de-daniela-arbex/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Daniela Arbex, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a nova aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série produzida e dirigida por </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/colonia-andre-ristum-entrevista"><span style="font-weight: 400;">André Ristum</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora personagens ficcionais que reconstroem o horror vivido pelos internos do </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cidadania/2015/08/mais-de-60-mil-pessoas-morreram-no-maior-manicomio-do-brasil"><span style="font-weight: 400;">maior manicômio do país</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22378"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um vagão de carga escuro e sem ventilação leva os “doidos” para um destino cruel. Jogados no assoalho, alguns vomitam, urinam, gritam ou choram – ninguém entra ali e volta a ser como era antes. O </span><i><span style="font-weight: 400;">frame </span></i><span style="font-weight: 400;">remete à forma como os </span><a href="https://amp.dw.com/pt-br/h%C3%A1-75-anos-come%C3%A7avam-as-deporta%C3%A7%C3%B5es-de-judeus-para-os-campos-nazistas/a-36078857"><span style="font-weight: 400;">judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram encaminhados aos campos de concentração, e o aspecto degradante e impiedoso animaliza cada figura presente na cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos convida a enxergar pelos olhos de Elisa (Fernanda Marques), uma jovem que foi colocada naquele vagão a mando do próprio pai como castigo por ter engravidado do namorado e recusado se casar com um homem 40 anos mais velho. Desorientada, ela pensa ter sido alvo de um engano, já que seu diagnóstico de esquizofrenia era falso, mas logo percebe que ninguém ia para o Colônia por engano.</span></p>
<figure id="attachment_22380" aria-describedby="caption-attachment-22380" style="width: 645px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-2-1.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na fotografia a personagem Valeska está sentada em uma das camas do hospício, a personagem veste a camisola cinza e a imagem é em preto e branco. " width="645" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-22380" class="wp-caption-text">Andréia Horta contou que parte do processo de preparação para a série consistia em fazer limpezas no ambiente das gravações (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, os internos eram escolhidos a dedo. O prédio descuidado era um depósito de internações injustificadas, a maioria não tinha nenhum problema psiquiátrico, apenas era mais cômodo para os conservadores da sociedade taxá-los de doidos e mantê-los longe de vista. Gilberto (Arlindo Lopes) foi mandado para o hospício por ser </span><a href="https://danielaarbex.com.br/serie-colonia-minha-mae-quer-que-eles-me-curem/"><span style="font-weight: 400;">gay</span></a><span style="font-weight: 400;">; Raimundo (Bukassa Kabengele), um alcoólatra; Valeska (<a href="https://heloisatolipan.com.br/tv/andreia-horta-vive-prostituta-em-colonia-limpava-um-comodo-inteiro-com-um-pano-e-um-balde-com-agua-suja/">Andréia Horta</a>), uma prostituta apaixonada pelo prefeito de Barbacena, e Wanda (Rejane Faria) tinha uma história muito parecida com a de Elisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não serem protagonistas, os arcos dos personagens são super bem desenvolvidos, pois os pacientes se tornam a ponte de apoio um do outro e impedem que a loucura de viver naquele lugar os consuma completamente. Em certos momentos, as conversas e sorrisos soltos que eles compartilham amenizam o clima acinzentado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/uma-trajetoria-de-solidez-1.1473244"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a representação mais marcante da série. Wanda já estava aprisionada no Colônia há quase 30 anos, internada pelo patrão por estar grávida e com seu filho arrancado de seus braços dentro daquele edifício frio, ainda sim seu olhar é capaz de transmitir uma serenidade reconfortante. A personagem ajuda Elisa a não tomar decisões precipitadas e é o ponto de paz da protagonista ao longo da trama. As duas criam um laço praticamente maternal que torna impossível não gostar de como as atuações se complementam. </span></p>
<p><figure id="attachment_22381" aria-describedby="caption-attachment-22381" style="width: 790px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem as personagens Wanda e Elisa sentadas em uma cama, ambas vestem a camisola cinza da internação e a fotografia é em preto e branco. " width="790" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg 790w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22381" class="wp-caption-text">À esquerda Wania (Rejane Faria) e à direita Elisa (Fernanda Marques) [Foto: Globoplay]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Dentro do Colônia, a rotina fazia questão de tirar qualquer traço de humanidade de quem sobrevivia lá. Os internos passavam fome, frio, eram torturados, dopados e até levados para sessões de eletrochoque que, muitas vezes, deixavam sequelas permanentes. Os funcionários do hospício não ouviam opiniões e a direção não se preocupava com quantos iriam morrer, afinal, nenhum deles tinha alguém que se importasse e era fácil se livrar dos corpos como objetos de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/22-11-2011/comercio-da-morte-so-parou-na-decada-de-80.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa em Universidades</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das críticas visíveis aos comportamentos machistas e racistas da época, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de incluir o período da </span><a href="https://www.politize.com.br/ditadura-militar-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesses desabafos. Como a produção se ambienta na década de 70, parte dos rejeitados levados para o hospício eram opositores do governo autoritário da época. Um trato entre os militares e a coordenação do hospital permitia que alguns protestantes recebessem um destino diferente da morte e fossem levados para o hospital como punição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa também nos entrega reflexões sobre a ética médica com o confronto interno do médico da instituição, que se sente encurralado pela frustração de tantos anos de contribuição com o sistema. E com a enfermeira Laura, interpretada pela atriz Naruna Costa, que ainda vive com a esperança de fazer do Colônia um hospital que cuidasse dos pacientes com seriedade – esse desejo de mudança faz com que ela colabore com Elisa e Wanda ao longo dos episódios. </span></p>
<figure id="attachment_22382" aria-describedby="caption-attachment-22382" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png" alt="Imagem da série Colônia. Na fotografia aparecem os personagens Natalia, Eduardo e Ivan sentados no porta malas de um carro. Ivan é careca, tem pele clara e usa óculos, camiseta escura e calça jeans. Eduardo é um homem negro e usa camisa de botões branca estampada com uma calça de tom claro. Natalia é branca e tem cabelos médios e castanhos, suas roupas não aparecem na imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22382" class="wp-caption-text">“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia” (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia é um dos pontos que se destacam, as cenas foram produzidas em preto e branco e isso carrega toda uma genialidade, já que o peso daquelas paredes não poderia ser representado com cores. A trilha sonora e a locação escolhida como cenário também somam os tons sombrios e dramáticos de que a trama precisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Títulos nacionais, como </span><a href="https://diariodorio.com/critica-os-ultimos-dias-de-gilda/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Últimos Dias de Gilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/manhas-de-setembro-critica-primeira-temporada"><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-WR_Tugips"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Está Meu Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, têm chamado atenção e trazido a esperança de mais reconhecimento para o audiovisual brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não fica de fora dessa lista e facilmente poderia ser classificada como um dos melhores lançamentos de 2021. Tudo é ambientado de forma coerente, com trabalhos de atuação impecáveis que emocionam pelos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais que uma produção audiovisual, é um alerta para a questão da valorização da saúde mental e para o cuidado com os </span><a href="https://estanciabelavista.org.br/saude-mental-e-direitos-humanos-do-debate-a-implementacao/"><span style="font-weight: 400;">direitos humanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">script </span></i><span style="font-weight: 400;">sensível e delicado remonta com louvor o marco histórico de uma tragédia brasileira muitas vezes esquecida.</span></p>
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