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	<title>Arquivos Refugiados &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 20:32:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. Ousamos Sonhar é o ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ousamos-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Ousamos Sonhar, o refúgio é a esperança"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31877" aria-describedby="caption-attachment-31877" style="width: 493px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Doc_WDTD1_VioletFimls.png" alt="" width="493" height="247" /><figcaption id="caption-attachment-31877" class="wp-caption-text">Trazendo à tona os desafios dos imigrantes no esporte, Ousamos Sonhar fez parte da Competição Novos Diretores da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lutar, correr e persistir, três verbos que se encaixam perfeitamente nas rotinas de dois mundos aparentemente distantes: esporte e imigração. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span><i><span style="font-weight: 400;"> o</span></i><span style="font-weight: 400;"> ponto de encontro, uma prova de que universos se fundem e são capazes de dobrar a força de qualquer palavra. No filme, dirigido por Waad al-Kateab e presente na Competição Novos Diretores da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, os sonhos ultrapassam as linhas das fronteiras territoriais. </span></p>
<p><span id="more-31873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No documentário, cinco personagens que foram forçados a deixar seus países por diversos motivos, das economias quebradas aos movimentos opressão, expõem a realidade de lutar por um espaço no esporte nos novos locais que ocupam. Os jovens fazem parte da Equipe Olímpica de Refugiados do COI (Comitê Olímpico Internacional) que participou das </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2021/07/09/conheca-os-atletas-refugiados-que-competem-nos-jogos-olimpicos-e-paralimpicos-de-toquio-2020/"><span style="font-weight: 400;">Olimpíadas de Tóquio em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, entre desafios e grandes desejos, vivem jornadas de verdadeiras reconstruções. </span></p>
<figure id="attachment_31881" aria-describedby="caption-attachment-31881" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/we-dare-to-dream-_still_3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31881" class="wp-caption-text">A Equipe Olímpica de Refugiados é uma iniciativa do COI e competiu pela primeira vez em 2016, no Rio de Janeiro, com 12 atletas (Foto: Violet Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anjelina Nadai Lohalith, Cyrille Tchatchet II, Kimia Alizadeh, Saeid Fazloula e Wael Fawaz Al-Farraj vêm do Sudão do Sul, de Camarões, do Irã e da Síria. Suas histórias se encontram no remar contra a maré que os levou a compor a </span><a href="https://olympics.com/pt/noticias/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-equipe-olimpica-de-refugiados"><span style="font-weight: 400;">equipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 35 atletas refugiados, com enfoque no modo como o esforço de cada um os levou ao destaque no meio mesmo com as vidas inteiras a se recompor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de expor que essas dificuldades do choque com as culturas desconhecidas e da busca pelo acolhimento em suas novas moradas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vryDglIUkww"><i><span style="font-weight: 400;">We Dare to Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da produção – tem o tom inspirador como protagonista. Ver a superação dos esportistas é, sim, lindo, mas gera sentimentos conflitantes em quem está do lado de cá da tela e enxerga as circunstâncias em maiores proporções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo em que há beleza nas jornadas, saber que elas têm tantos conflitos pelo caminho por conta da ideia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/here-critica/"><span style="font-weight: 400;">fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sequer existem verdadeiramente e são apenas invenções territorialistas, faz com que as cores se acinzentem. Em certo ponto, tudo parece romântico demais para um contexto sociopolítico que definitivamente falha a cada novo passo e continua segregando os filhos da prepotência dos falsos deuses de carne e osso.</span></p>
<figure id="attachment_31875" aria-describedby="caption-attachment-31875" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg" alt="" width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/unnamed-2.jpg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31875" class="wp-caption-text">Ousamos Sonhar tem Angelina Jolie como uma de suas produtoras executivas (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, há uma espécie de admiração impossível de não existir, sobra muito de emoção nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> delicados e os enquadramentos perfeitamente adequados aos movimentos que envolvem as práticas esportivas dos protagonistas. Talvez seja exatamente essa escolha por parte da fotografia, conduzida por </span><a href="https://www.wouterboes.com/"><span style="font-weight: 400;">Wouter Boes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Franklin Dow, Alexander Hackinger e Roger Singh, que deixa os doces acima dos amargos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro acerto da obra são as perspectivas. A grande equipe de profissionais, com destaque aos diversos </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/angelina-jolie-executive-producer-refugee-sports-documentary-1235511432/"><span style="font-weight: 400;">produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">, permite que o olhar para a narrativa seja difuso. De personagens distintos a um </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;"> igualmente diverso, o fundo semelhante das conjunturas não torna, em nenhum momento, as singularidades ocultas. Pelo contrário, aqui, a primeira pessoa do plural vive na unidade de ser humano, mas não na de ser igual. </span></p>
<figure id="attachment_31882" aria-describedby="caption-attachment-31882" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/We_Dare_to_Dream_doc.webp" alt="" width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-31882" class="wp-caption-text">John Legend, além de participar da trilha sonora de Ousamos Sonhar, também está entre os produtores executivos (Foto: Violet Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais acomodado que</span> <a href="https://www.democracynow.org/2023/6/15/we_dare_to_dream_syrian_filmmaker"><i><span style="font-weight: 400;">Ousamos Sonhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> esteja aos moldes de uma sociedade que, de tão devastada, colocou os absurdos na normalidade, seu produto se faz real, concreto e sinceramente inspirador. Valorizando a força, a coragem e a flexibilidade, fica a esperança de que independente dos destroços que envenenam os trajetos é possível chegar ao lugar ao sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos contrastes entre perda e recuperação, o documentário reflete uma realidade nefasta, mas que nem sempre vence. O pódio do enredo se solidifica em algo muito maior que medalhas de bronze, prata ou ouro; vencer ganha significados ampliados. Em um encaixe exato, o título se mostra mais que certeiro, sonhar é um ato de ousadia e, nas dinâmicas de um mundo complicado, é também a personificação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Aug 2023 21:14:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Freire de Moraes “Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.” Nas primeiras páginas de Sobre a terra somos belos por um instante, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31358" aria-describedby="caption-attachment-31358" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capa_word_press.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31358" class="wp-caption-text">A estreia de Ocean Vuong na prosa, após a aclamada reunião de poemas Céu noturno crivado de balas, é um complexo testemunho autobiográfico escolhido pelo Clube do Livro do Persona (Foto: Rocco/Arte: Francisco Tigre)</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Freire de Moraes</strong></p>
<blockquote><p>“<i>Estou escrevendo para você de dentro de um corpo que era teu. O que é o mesmo que dizer: estou escrevendo como um filho.</i>”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.rocco.com.br/livro/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a terra somos belos por um instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o autor Ocean Vuong constrói sua posição durante toda a narrativa na tentativa de se refazer, se ver e perdoar por meio da alteridade de uma comunicação ao mesmo tempo concreta e hipotética. Através do resgate analítico da memória e da apresentação do ambiente, Vuong, chamado de Cachorrinho pela avó, escreve cartas para sua mãe, analfabeta funcional, revisitando episódios da infância no Vietnã e de sua adolescência nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colonialismo, maternidade, identidade, sexualidade, violência e luto são os pilares do livro, cujos episódios de trauma rememorados traçam um caminho linear para o entendimento da história de três gerações da </span><a href="https://amp.theguardian.com/books/2017/oct/03/ocean-vuong-forward-prize-vietnam-war-saigon-night-sky-with-exit-wounds"><span style="font-weight: 400;">família do escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e as complexidades recalcadas de pessoas estruturadas em meio à guerra, ao preconceito, ao refúgio e à vulnerabilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pelas memórias quando criança em um Vietnã desestabilizado pela guerra, Cachorrinho – a maneira que Vuong também se retrata em sua escrita – inicia o romance relembrando das primeiras vezes em que sua </span><a href="https://www.anothermag.com/fashion-beauty/14347/bjork-ocean-vuong-in-conversation-another-magazine-aw22"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violenta com ele. No acesso à infância, o escritor lembra alguns momentos em que ensina a matriarca a escrever, reproduzindo o que aprendeu naquele dia no jardim de infância. Esse é o momento em que a vulnerabilidade de quem o cria é escancarada para ele e que percebe que possui o que ela precisa para resolver esse problema. De uma forma sutil e perturbadora, esse episódio demonstra a maneira que o autor consegue colocar os dois se olhando do mesmo lugar. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é uma mãe, Mãe. Você também é um monstro. Mas eu também sou – e é por isso que eu não posso me afastar de você. E é por isso que eu peguei a mais solitária criação de deus e te coloquei dentro dela.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_31354" aria-describedby="caption-attachment-31354" style="width: 401px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-31354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp" alt="Na foto, duas mulheres e uma criança estão sentadas em um banco de madeira. As mulheres ficam nos cantos, enquanto o bebê no meio. Estão dentro de uma casa, ao fundo, aparece o vulto de outra mulher, do lado de fora do cômodo. Atrás, percebe-se uma janela, uma porta e roupas penduradas. No primeiro plano, uma mulher, ao canto esquerdo, está sentada ao lado de uma criança pequena. Sua pele é amarela, seus cabelos pretos estão presos. Ela veste um macacão branco, com estampa de flores azuis. Está descalça e sorri fixadamente à câmera. Assim como a criança ao seu lado, que também tem cabelos e olhos pretos. Veste uma camiseta branca com uma gola laranja e estampada com desenhos, que está enfiada dentro de um shorts roxo claro. Ao lado da criança, à direita, uma outra mulher, de cabelo curto e preto, na altura do pescoço e com uma franja cortada, também sorri à foto. Ela usa uma blusa rosa clara e uma calça branca. Está de pernas cruzadas." width="401" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602-559x800.webp 559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/602.webp 600w" sizes="auto, (max-width: 401px) 85vw, 401px" /><figcaption id="caption-attachment-31354" class="wp-caption-text">A foto que ilustra a edição estadunidense de Céu noturno crivado de balas retrata o autor com dois anos, ao lado de sua mãe e sua tia no campo de refugiados nas Filipinas (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Passando pela situação de </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/quem-ajudamos/refugiados/"><span style="font-weight: 400;">refugiado</span></a><span style="font-weight: 400;"> quando criança, em um paralelo sensível com o nascimento e morte de sua avó – entre o Vietnã e Estado Unidos –, a narrativa se torna mais política e identitária. A partir do momento que Cachorrinho conta a história das mulheres que o criaram, frutos de um estupro de guerra, nada segue sem que pautas sociais sejam colocadas de forma explícita, no entanto, nunca deixando com que a </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura/como-alguem-pode-ser-uma-sensacao"><span style="font-weight: 400;">poética</span></a><span style="font-weight: 400;"> fique em segundo plano. Assim, Vuong cria uma atmosfera sólida de questionamento, ao mesmo tempo que deixa claro as complexidades subjetivas geradas a partir desses contextos, e quão decisivas são essas condições para que ele seja ele mesmo, a mãe seja a mãe e o país seja o país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando aos Estados Unidos, na casa de seu pai com quem nunca conviveu, o escritor tem um espaço para descobrir e explorar sua sexualidade (atualmente se identifica como uma pessoa </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queer</span></a><span style="font-weight: 400;">). No livro, Vuong relata suas primeiras experiências com um homem pobre como ele, porém branco: Trevor, a única pessoa com quem ele realmente desenvolve uma relação além de sua mãe e avó. De uma forma totalmente analítica, o escritor apresenta todas as fases dessa relação, passando pelo estranhamento, o escatológico, as drogas, o entendimento, a identidade, o amor e a morte. Cachorrinho pôde conhecer a vulnerabilidade e a violência do amor e de uma relação que requer um entendimento político, social, subjetivo e identitário que não foi apresentado a nenhum dos dois, tornando tudo mais difícil e mais intenso na mesma medida.</span></p>
<figure id="attachment_31355" aria-describedby="caption-attachment-31355" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp" alt=" Sob o fundo de um arbusto flores vermelhas, o autor, criança, é segurado no colo por sua mãe, que tem seu cabelo cacheado cortado curto e usa uma camisa manga longa vermelha, com uma estampa preta na frente. A criança usa uma camiseta polo branca com listras azuis claras e escuras, e uma parte de baixo azulada. Segura um coelho de pelúcia branco, com detalhes lilases." width="800" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-800x583.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1024x746.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-768x560.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1536x1119.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-2048x1492.webp 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ocean-vuong-and-mother-1200x875.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31355" class="wp-caption-text">Quando sua mãe faleceu de complicações de um câncer de mama, Vuong demonstrou seu luto nas redes sociais: ‘‘(&#8230;) você me ensinou que nossa dor não é nosso destino – mas nossa razão.’’ (Foto: Ocean Vuong)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da memória nas passagens da infância no meio da narrativa linear da história do Cachorrinho é o traço mais analítico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobre a Terra Somos Belos por um Instante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ocean Vuong usa a </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2023/jun/03/ocean-vuong-i-dont-believe-writer-should-just-keep-writing-as-long-as-theyre-alive-time-is-a-mother-paperback"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> como ferramenta de articulação e busca, narrando sempre em primeira pessoa e, diretamente com a sua mãe, faz com que o objetivo de suas cartas nunca seja esquecido: dizer que se é. As coisas mais duras são lembradas de um jeito poético e grotesco, e quase sempre seguidas de uma imagem que bate de frente com a beleza apresentada de forma visual pela escrita. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Uma vez você me perguntou o que é ser um escritor. Então vamos lá. Sete dos meus amigos estão mortos. Quatro de overdose.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Cachorrinho tem acesso ao </span><a href="https://talkeasypod.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significado social</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua existência a partir do momento em que começa a reunir os episódios traumáticos de sua vida e colocá-los em uma posição de questionamento: ser um homem vietnamita refugiado, queer, adicto e pobre nos Estados Unidos </span><a href="https://gayletter.com/ocean-vuong/"><span style="font-weight: 400;">significa algo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso,as pessoas em volta dele fazem parte desse significado e a escrita tem o papel de síntese de sua própria vida. É como se, caso não fosse um escritor, Vuong jamais poderia contar quem é a ninguém, nem mesmo a sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Ocean Vuong Shares His Advice for Aspiring Writers | Louisiana Channel" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mG7JpAg1mrw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca pela </span><a href="https://www.gq.com/story/ocean-vuong-interview"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca acaba, mas toma um outro caráter. Depois que Cachorrinho entende sua existência, quem sua mãe e sua avó foram, e quem seu novo país abriga, o fluxo se torna outro e assume uma calma assustada de quem sabe que seu lugar está predefinido. Então, a subjetividade assume, mais que nunca, o papel de resgate do que nunca foi dado e uma possibilidade de se reconhecer no mundo. A escrita é o que salva: é o que salvou Cachorrinho de sua relação com sua mãe, que termina o livro rindo enquanto se lembra. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Porque o pôr do sol, assim como a sobrevivência, existe apenas à beira de seu desaparecimento. Para ser belo, você primeiro precisa ser visto, mas ser visto sempre permite que você seja caçado.”</span></i></p></blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/">Sobre a Terra Somos Belos por Um Instante: Ocean Vuong e a escrita como coragem de quem não tem escolha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Capitães de Zaatari não acerta o gol que precisava</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 19:45:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto A conjuntura instável e precária que refugiados no mundo todo se encontram nunca foi tão grave. São um dos grupos mais vulneráveis socialmente, agrupando pais e mães que se sujeitam aos trabalhos mais ímpios para sustentar suas famílias, e uma juventude que não vê perspectiva de um crescimento saudável. Nesse contexto, qual o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitaes-de-zaatari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Capitães de Zaatari não acerta o gol que precisava"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24258" aria-describedby="caption-attachment-24258" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24258" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13.jpg" alt="Imagem retangular, retirada do filme Capitães de Zaatari. O cenário é uma tarde em um acampamento de refugiados, com casebres construídos dos lados da rua de terra. No centro, em foco, vemos um grupo de seis garotos. Primeiro, à esquerda, um garoto usando um boné preto para trás, e vestindo uma camiseta laranja e branca e uma calça preta. Do seu lado esquerdo, está outro garoto, de cabelos raspados, vestindo uma camiseta preta e laranja e uma calça preta. Ele está prestes a cumprimentar um garoto mais alto, que aparenta ser mais velho. Esse é Mahmoud, ele usa um boné de aba curva azul, e veste uma calça preta e uma camiseta azul da seleção de futebol italiana. Mais atrás dele, está outro menino, menor, de cabelo raspado, que usa uma camisa azul e calça preta. Mais à esquerda, está Fawzi, um garoto da mesma altura de Mahmoud, que usa um boné vermelho, uma bermuda azul, e veste uma camiseta branca com detalhes em vermelho, e com a logo da banda Rolling Stones, uma boca mostrando a língua, estampada em seu centro. Por último, do lado esquerdo de Fawzi, está um garoto, que veste uma camisa azul e verde estampada e uma bermuda jeans, enquanto segura uma bola de futebol na mão direita. O grupo de garotos sorriem, conversando entre si." width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-1-13-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24258" class="wp-caption-text">Compondo a Competição Novos Diretores, da 45ª Mostra internacional de Cinema em São Paulo, falta audácia em Capitães de Zaatari (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conjuntura instável e precária que </span><a href="https://medium.com/@laboratoriodejornalismo2017/refugiados-na-contemporaneidade-da4377a3c4fe"><span style="font-weight: 400;">refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo todo se encontram nunca foi tão grave. São um dos grupos mais vulneráveis socialmente, agrupando pais e mães que se sujeitam aos trabalhos mais ímpios para sustentar suas famílias, e uma juventude que não vê perspectiva de um crescimento saudável. Nesse contexto, qual o papel que o esporte exerce? O futebol pode adquirir uma função transformadora e emancipatória para essas pessoas? Questões importantíssimas, mas que nunca são tratadas com a devida atenção por </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário egípcio que é exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24257"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário mostrado é </span><a href="https://www.acnur.org/portugues/2020/04/21/covid-19-refugiados-sirios-se-adaptam-ao-isolamento-em-campos-da-jordania/"><span style="font-weight: 400;">Zaatari</span></a><span style="font-weight: 400;">, o maior campo de refugiados da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56378202"><span style="font-weight: 400;">Guerra da Síria</span></a><span style="font-weight: 400;">, localizado na Jordânia. Circunstância essa que teria de tudo para esmagar as aspirações de qualquer um, mas não para Fawzi e Mahmoud. Os dois garotos, apaixonados por futebol, vêem no esporte uma possibilidade de </span><a href="https://pesquisa-eaesp.fgv.br/publicacoes/pibic/o-futebol-como-porta-de-saida-da-pobreza-analisando-individuos-e-organizacoes"><span style="font-weight: 400;">transformação</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas vidas e na de suas famílias. E esse sonho parece bater-lhes à porta quando uma academia de futebol vai até Zaatari para selecionar jovens jogadores para um torneio internacional em Doha, no Catar, que pode finalmente conceder aos amigos a oportunidade que eles precisavam para emergir no esporte profissionalmente.</span></p>
<figure id="attachment_24259" aria-describedby="caption-attachment-24259" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24259" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme Capitães de Zaatari. Vemos, em foco, do lado esquerdo, o rosto de um menino. Ele tem a pele clara, e cabelos curtos e lisos da cor castanha. Ele está do outro lado da grade de um portão cinza, e ele olha sério, em direção à câmera. O fundo é desfocado, e a cena se passa durante o dia." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-2-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24259" class="wp-caption-text">A perspectiva que Capitães de Zaatari traz sobre o futebol, como uma fonte de esperança e um potencial instrumento de ascensão social, é muito próxima da experiência de jogadores profissionais no Brasil (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Captains of Za`atari</span></i><span style="font-weight: 400;">, como é chamado originalmente, acompanha essencialmente esses dois núcleos: o campo de refugiados e a competição no Catar. O retrato feito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue o cotidiano daquele povo e, assim, os presenciamos travando suas lutas diárias. Vemos o pai de Fawzi, que já não está em sua melhor condição de saúde, sendo impedido de trabalhar fora do assentamento, impossibilitado de ver os seus filhos. Também nos deparamos com as </span><a href="https://www.scielo.br/j/rbepop/a/Xf7yQhXqhY3YyRp9fZZgzwm/?format=pdf&amp;lang=pt"><span style="font-weight: 400;">insalubridades do local</span></a><span style="font-weight: 400;">, as casas mal alocadas, as ruas não asfaltadas e o acesso precário a energia elétrica e </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ansiedade de superar aquele lugar, os garotos decidem sacrificar seus estudos em prol dos treinos, apostando todas as poucas fichas que têm no futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São nessas situações de extrema fragilidade emocional que vemos </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;"> alcançar seu ápice. E, se há algo para ser elogiado no filme de estreia de </span><a href="https://45.mostra.org/diretores/ali-el-arabi"><span style="font-weight: 400;">Ali El Arabi</span></a><span style="font-weight: 400;"> na direção, é como ele retrata a visceralidade do relacionamento de Fawzi e Mahmoud. Sentimos junto a eles a alegria de pisar em um gramado pela primeira vez, e a amargura de ser negado a participar de uma competição que almejava por questões além de seu controle. É esse atrito constante entre conquistas e frustrações que dá o tom do documentário, traduzindo essa sensação agridoce de maneira encantadora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos fortes nessa primeira metade do longa é a fotografia de Mahmoud Bashir. Optando por um esquema de </span><a href="https://medium.com/calebelopes/c%C3%A2mera-na-m%C3%A3o-d451741c21e0"><span style="font-weight: 400;">câmera na mão</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus enquadramentos nunca se fixam. Sempre há algum tipo de perturbação, que tira sua visão cômoda do lugar comum. E esse método ganha um potencial ainda maior quando utilizado para capturar as partidas de futebol. A primeira sequência de bola em Zaatari é excepcional. Bashir cria uma sensação de quase claustrofobia, procurando alguma brecha sobre o campo rodeado pelos 22 meninos, comunicando, também visualmente, a inquietação de Fawzi e Mahmoud em deixar o acampamento para trás.</span></p>
<figure id="attachment_24260" aria-describedby="caption-attachment-24260" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24260" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13.jpg" alt="Imagem retangular retirada do filme Capitães de Zaatari. O cenário é o pôr-do-sol de uma estrada de terra. Vemos nas extremidades vários postes elétricos e, no centro, a silhueta de alguns garotos jogando futebol na rua." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/IMAGEM-3-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24260" class="wp-caption-text">Apesar da sinopse do documentário martelar na ideia de que Fawzi e Mahmoud tomam caminhos diferentes, isso nunca ocorre de fato (Foto: Dogwoof)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o filme começa a enfraquecer assim que somos transportados para o núcleo de Doha. Essa inventividade que foi demonstrada no campo de areia de Zaatari se perde quando é levada para os gramados sintéticos. Pelas limitações de se registrar um </span><a href="http://qatarnews.com.br/site/?p=558"><span style="font-weight: 400;">torneio</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não concedem a liberdade de movimento de um jogo informal, a câmera se fixa e afasta-se da ação e adrenalina do jogo. A montagem de Menna El Shishini, na tentativa de dinamizar esses </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;">, passa a trabalhar com </span><i><span style="font-weight: 400;">slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, nesse caso, o efeito apenas evidencia o empobrecimento dos registros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma, o núcleo emocional acaba por se dispersar. Na segunda metade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i><span style="font-weight: 400;">, passam a ser priorizadas questões com relevância mínima, como o resultado de um jogo ou o desempenho objetivo na competição, e deixa a amizade dos meninos e a perspectiva da população de Zaatari de escanteio. A discussão complexa a respeito da exclusão e negligência sobre jovens refugiados é esquecida, para focar em discursos motivacionais vazios, que ganham validação por serem protagonizados por grandes nomes do futebol: no caso, </span><a href="https://brasil.elpais.com/icon/2020-08-15/xavi-hernandez-o-futebol-e-um-dos-unicos-esportes-em-que-o-trabalhador-e-insultado-e-inadmissivel.html"><span style="font-weight: 400;">Xavi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://calciopedia.com.br/2016/04/jogadores-david-trezeguet.html"><span style="font-weight: 400;">Trezeguet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesses instantes, o filme parece menos um documentário e mais um comercial da </span><a href="https://esportes.r7.com/acusacoes-de-suborno-na-fifa-geram-mais-suspeitas-sobre-copa-no-qatar-07042020"><span style="font-weight: 400;">FIFA</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente disso, </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/capitaes-de-zaatari"><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Zaatari</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exala uma paixão pujante pelo futebol e, mesmo em seus piores momentos, a direção de Ali nunca deixa isso entrar em questionamento. Porém, o seu primeiro longa-metragem perde o impacto que lhe demandava quando não se arrisca e decide manter seu tema central na superficialidade, nunca se aprofundando na </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Entenda-o-papel-do-imperialismo-por-tras-das-tragedias-migratorias"><span style="font-weight: 400;">raiz</span></a><span style="font-weight: 400;"> da problemática que ele relata. Um projeto com potencial gigantesco, mas que se perde em sua falta de ambição.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Captains Of Zaatari, Doc Edge Festival 2021 (Official Trailer)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mfxD3EE-CN0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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