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	<title>Arquivos Racionais Mc&#039;s &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 16:02:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos Em 1997, ao lançar o álbum Sobrevivendo no Inferno, os Racionais MC&#8217;s propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao dilacerante sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pcc-poder-secreto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33241" aria-describedby="caption-attachment-33241" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png" alt="A imagem foca num grupo de 9 integrantes, com camisas e shorts lisos em tons claros, em cima de um telhado, levantando uma bandeira com as iniciais da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao lado inferior esquerdo há o logo da série documental escrito “PCC Poder Secreto”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33241" class="wp-caption-text">“Cadeia um cômodo do inferno, seja no outono no inverno”: PCC: Poder Secreto desdobra a história do Primeiro Comando da Capital em narrativas antes ocultadas (Foto: Max)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1997, ao lançar o álbum </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1UzrzuOmZfBgXyS3pgKD10?si=P4y7mlYCS0WaTumxf2Y9rg"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevivendo no Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">Racionais MC&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;"> propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7wglwZzZoWUr8sOECwpu6L?si=1c4fc380acfe43fb"><span style="font-weight: 400;">dilacerante</span></a><span style="font-weight: 400;"> sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes de facções dentro de presídios, certamente é algo a ser discutido. O Primeiro Comando da Capital, popularmente conhecido como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c03x57z15l6o"><span style="font-weight: 400;">PCC</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem uma presença enorme dentro e fora das prisões, mas continua-se a ignorar este fato, uma vez que é de extrema delicadeza debater sobre como são tratados indivíduos periféricos num contexto prisional e seus efeitos na sociedade civil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A cadeia é um moedor de ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A frase dita pelo ex-agente penitenciário Diorgeres Victorio é o ponto de partida que a direção de </span><a href="https://fontesegura.forumseguranca.org.br/uma-pesquisa-que-virou-serie-sobre-pcc-poder-secreto-2/#:~:text=Nesse%20caso%2C%20a%20s%C3%A9rie%20PCC,primeiros%20documentos%20a%20ser%20consultados."><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  – exibida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, antiga </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> –  evidencia durante os quatro capítulos da obra. Entre Carandiru, Pedro Juan Caballero, Taubaté e Presidente Venceslau, os presídios são idênticos – não há nenhuma atividade de ressocialização; há somente o trancafiamento. E é a partir daí que começamos a entender o surgimento da facção.</span></p>
<p><span id="more-33240"></span></p>
<figure id="attachment_33242" aria-describedby="caption-attachment-33242" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png" alt="A imagem foca na parte da entrada da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde há um portão marrom com detalhes em prata no centro da imagem. Acima do portão, tem os dizeres sinalizando o presídio. Ao lado do portão, há duas árvores, uma para direita e outra para a esquerda, na qual há algumas pessoas sentadas em volta." width="800" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-768x537.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33242" class="wp-caption-text">O PCC foi criado depois de uma partida de futebol dentro do presídio (Foto: André Nieto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De que forma pode-se ressocializar grupos que nunca de fato foram inseridos numa sociedade por si só? Existe quase um misticismo acerca do motivo pelo qual as pessoas cometem crimes, ignorando completamente a individualidade, subjetividade e história de cada um que adentra este mundo. Somos seres grupais e necessitamos de validação externa, seja isso algo bom ou ruim. Espelhamo-nos na realidade mais próxima a nós mesmos. Precisamos ter um </span><a href="https://palestraemroda.com.br/a-teoria-dos-grupos-de-wilfred-bion/"><span style="font-weight: 400;">modelo de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser seguido, que nos dê esperança de algo no fim do dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção, baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmãos: Uma história do PCC</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://youtu.be/3UVY-BUaFAY?si=NjuVKVaPmz1PKh02"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Feltran</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu os capítulos a partir de fatos e não de achismos. A obra demonstra que o sistema prisional brasileiro é o motor das facções, que surgem de dentro para fora e como diz o autor, o PCC e a polícia vivem um ciclo de “ação e reação”. No final, essas reações sempre recaem sobre as regiões periféricas. </span></p>
<figure id="attachment_33243" aria-describedby="caption-attachment-33243" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/3.jpg" alt="Capa do livro Irmãos: Uma história do PCC, escrito por Gabriel Feltran, e publicado pela editora Companhia das Letras. Num fundo preto, as frases “Irmãos: Uma história do PCC” são dispostas como se estivessem escritas num papel amassado." width="334" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33243" class="wp-caption-text">Numa nova interpretação acerca de facções paulistas em comparação a de outros estados e países, a obra se faz de suma relevância no contexto nacional (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tentarmos encontrar um sentido e significado para a própria existência, além da questão do iminente sentimento de vínculo com algo que necessitamos, entende-se porque diversas pessoas penetram a vida do crime e a sua </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/desconfianca-e-preconceito-da-sociedade-dificultam-ressocializacao-de-presos"><span style="font-weight: 400;">dificuldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ver outras possibilidades. Seja na tentativa de obtenção de direitos básicos supostamente garantidos por lei ou na idealização de uma vida longe da própria realidade, fazer parte de instituições de acolhimento, chegando até mesmo no absurdismo de uma facção criminosa, não aparenta ser algo tão incoerente assim. É sobre pertencer e somente pertencer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De Sapopemba a Ermelino Matarazzo, são mostradas imagens e depoimentos impactantes. O relato da mãe e educadora </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/miriam-duarte-pereira/"><span style="font-weight: 400;">Miriam Duarte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dilacerante e mostra a realidade de muitas famílias brasileiras. Dois de seus filhos foram assassinados e seu único filho vivo enfrenta as consequências das violências sofridas no presídio. O desenvolvimento da obra fortalece ainda mais o que o documentário quer apresentar: relatos pessoais sem relativização do tema.</span></p>
<figure id="attachment_33244" aria-describedby="caption-attachment-33244" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/4.png" alt="Na imagem há os dizeres “paz, justiça e liberdade” escritos em branco, um embaixo do outro, e no chão. Do lado da palavra “paz” há uma bandeira do Brasil. Embaixo dos dizeres há algumas pessoas." width="615" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-33244" class="wp-caption-text">O PCC criou o seu próprio Estatuto e tem como lema “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União acima de tudo ao Comando” (Foto: Eduardo Knapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, finalista do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CwqjZCnOr5f/?igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Cinema Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na categoria de Melhor Série Documental Nacional, tem a trilha sonora como ponto alto. Nas passagens dos blocos, há a presença de inúmeras músicas com temáticas que envolvem o assunto e, seja de Racionais MC’s a Detentos do Rap, as composições – organizadas pela produtora LOUD+ – acompanham a trama construída de uma maneira poderosa, sensibilizando o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja um irmão do PCC, </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2021/02/12/justica-nega-beneficio-a-ex-pcc-que-ligou-da-cela-para-o-190-pedindo-ajuda.htm"><span style="font-weight: 400;">ex-integrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, agente penitenciário, promotor ou uma mãe que perdeu seu filho, os depoimentos presentes trazem um aspecto crucial: o de querer construir o enredo e mostrar como o poder da facção foi constituído e entrelaçado para nunca se quebrar. A obra traz esse quesito específico de escutar diversas vozes e, com o acréscimo de imagens de arquivos – seja por manchetes de jornais, rebeliões, intercepções telefônicas ou fala de políticos –, constrói muito bem a cronologia do Primeiro Comando da Capital nesses 30 anos –  de lutas contra a opressão penitenciária a um dos maiores grupos de tráfico internacional. </span></p>
<figure id="attachment_33245" aria-describedby="caption-attachment-33245" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/5.png" alt="Um prédio amarelado e antigo com muitas janelas e roupas penduradas de forma desorganizada. Presos demonstram luto com cartazes após o Massacre." width="620" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-33245" class="wp-caption-text">O massacre do Carandiru teve 111 mortos, todos detentos (Foto: Itamar Miranda)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que se compreende a importância de ser reconhecido enquanto pessoa, especialmente em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ys60iknYy9E"><span style="font-weight: 400;">contexto violento</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pode ser o da periferia, finalmente abre-se um diálogo acerca do porquê é preciso representar, dar voz e espaço para outras narrativas num contexto geral, por mais dolorosas que sejam. De que forma acolhe-se alguém que nunca é visto, especialmente num âmbito maior do que a subjetividade individual? Constantemente esquece-se do potencial que cada indivíduo marginalizado possui, indo além do quesito trabalhista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Profissões como as de </span><a href="http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2019/images/trabalhos/trabalho_submissaoId_649_6495cc6faff4c535.pdf"><span style="font-weight: 400;">assistente social</span></a><span style="font-weight: 400;">, psicólogo e sociólogo, ainda que cada vez mais sucateadas, tentam constantemente construir um mundo mais igualitário para pessoas que são tão apagadas e que merecem ser levadas a sério. Acolhimento é algo coletivo e, de fato, profissionais como estes acabam por diminuir a incidência de vidas perdidas para instituições como estas.</span></p>
<figure id="attachment_33246" aria-describedby="caption-attachment-33246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png" alt="Com vista aérea, é possível ver o Complexo Penitenciário do Carandiru sendo demolido e subindo uma fumaça avermelhada pelo entorno da região." width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6-768x472.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33246" class="wp-caption-text">Carandiru foi demolido parcialmente em 2002 (Foto: João Wainer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sugestão, </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/justica/"><i><span style="font-weight: 400;">Justiça</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Juízo </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007) – da diretora Maria Augusta Ramos – são produções documentais dos anos 2000 que dialogam de uma maneira narrativa muito parecida com </span><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Colocando sobre a mesa assuntos em que todos palpitam, mas ninguém toma iniciativa, entendemos que o sistema prisional brasileiro não vai mudar. Movido por racismo, ideologias punitivistas e outros problemas sistêmicos, os relatos da década dos anos 1990 continuam os mesmos em relação à atualidade. E é isso que a obra mostra: a cadeia é realmente um moedor de ser humano.</span></p>
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		<title>Racionais MC’s: o legado das ruas em um documentário</title>
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		<pubDate>Mon, 22 May 2023 15:08:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Julie Anne Alves Com mais de trinta anos de estrada, premiações internacionais e canções que salvaram gerações, o grupo de rap Racionais MC&#8217;s  foi contemplado com o documentário Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo, disponibilizado pela Netflix. Dirigido por Juliana Vicente, o longa estreou na plataforma em Novembro de 2022 como um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Racionais MC’s: o legado das ruas em um documentário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30929" aria-describedby="caption-attachment-30929" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1.jpg" alt="Fotografia retangular com o fundo branco. No centro estão os quatro membros do grupo Racionais Mc´s. Da esquerda para a direita tem-se Edi Rock, KL Jay, Mano Brown e Ice Blue. Todos usam calças, camisetas e jaquetas brancas, exceto Kl Jay que usa calça e camiseta preta. Os quatro homens são negros de estatura mediana, olham fixamente para frente com expressões sérias." width="1170" height="1146" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1-800x784.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1-1024x1003.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1-768x752.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30929" class="wp-caption-text">A valorização de uma estética única entre o grupo funciona como uma forte ferramenta no incentivo da autoestima da população negra (Foto: Jef Delgado)</figcaption></figure>
<p><b>Julie Anne Alves</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de trinta anos de estrada, premiações internacionais e canções que salvaram gerações, o grupo de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> Racionais MC&#8217;s  foi contemplado com o documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yygycbPNjAI&amp;pp=ygUbcmFjaW9uYWlzIG1jcyBkb2N1bWVudMOhcmlv"><i><span style="font-weight: 400;">Racionais:</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> Das Ruas de São Paulo pro Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponibilizado pel</span><span style="font-weight: 400;">a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Dirigido por Juliana Vicente, o longa estreou na plataforma em Novembro de 2022</span><span style="font-weight: 400;"> como um dos mais acessados mundialmente, e conta, em pouco menos de duas horas, a história do quarteto a partir do olhar dos membros e de quem os acompanha ao longo dos anos. </span></p>
<p><span id="more-30927"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção levou, ao todo, sete anos para ser finalizada, tendo começado com uma entrevista em 2015 entre a diretora e os </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sintetizar anos de carreira em um único  documentário não foi fácil: as versões iniciais contavam com cinco horas de duração e todas as informações pareciam muito valiosas. Essa imensidão de registros demandou um atencioso processo de revisão, fornecendo ao público um produto final sem lacunas técnicas e cumprindo sua </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/11/20/racionais-mcs-e-a-consciencia-negra-filme-mostra-como-grupo-colocou-ideias-de-movimento-em-pratica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">missão coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> em ser uma obra “</span><i><span style="font-weight: 400;">política, artística, e de quebrada</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma construção de imagens capaz de ambientar os espectadores em diferentes décadas, e ao mesmo tempo conectá-los com a realidade atual, o efeito gerado pelo filme é de acolhimento e curiosidade. Apesar da seriedade por trás da obra, isso se dá de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/aline-ramos/2022/11/17/documentario-racionais-netflix.htm"><span style="font-weight: 400;">maneira ainda mais íntima e orgânica para os fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">, fazendo com que a duração se tornem uma conversa prazerosa e muito enriquecedora. Se hoje o grupo é um fenômeno na Música é porque seu legado foi construído ao longo de muito trabalho coletivo. Nesse sentido, antes de entender o longa, é necessário conhecer quem são os Racionais MC&#8217;s.</span></p>
<figure id="attachment_30928" aria-describedby="caption-attachment-30928" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1.jpg" alt="Fotografia retangular, como fundo tem- se dois portões verdes. Na parte central, se destaca os quatro membros do grupo Racionais MC´s. Ice Blue veste calça e camiseta brancos, e um boné preto, seus braços estão abertos próximo a cintura. Mano Brown, mais ao centro da foto, veste uma calça jeans, uma camiseta polo de listras e um boné preto, seus braços se encontram no peito fazendo um símbolo de resistência que se assemelha a um escudo. Edi Rock, mais a direita, veste uma calça jeans e um agasalho bordo, seus braços se encontram na altura da cintura levemente afastados das pernas. KL Jay está à direita da foto em um posição mais à frente dos demais, veste uma calça jeans e uma camisa social verde claro aberta, sua mão direita faz um sinal de indicação para a frente." width="1400" height="958" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1-800x547.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1-1024x701.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1-768x526.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1-1200x821.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30928" class="wp-caption-text">Nos anos 80, década em que o grupo se formou, o Brasil vivenciava o pós ditadura civil-militar, tempo marcado por forte repressão policial e políticas que visavam a institucionalização do racismo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<h5><b>Um grupo de muitos</b></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Paulo Soares Pereira cresceu na região do Capão Redondo &#8211; periferia da Zona Sul de São Paulo, conhecida antigamente como a mais violenta da capital &#8211; e por lá viveu a escassez de oportunidades e “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u4lcUooNNLY"><span style="font-weight: 400;">o </span><i><span style="font-weight: 400;">kit de esgoto a céu aberto e parede madeirite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. A fim de fugir das adversidades e mudar a realidade de tantos que vinham do mesmo lugar, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-08-26/papo-reto-com-mano-brown.html"><span style="font-weight: 400;">Mano Brown</span></a><span style="font-weight: 400;"> canalizou sua revolta em letras de </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, que futuramente lhe proporcionaram reconhecimento não só dentro de sua comunidade, mas ao redor do mundo inteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Paulo Eduardo Salvador nasceu na Zona Sul da periferia de São Paulo. Antes da criação dos Racionais MC&#8217;s, o jovem se mantinha vivo através da Música, com influências internacionais que lhe permitiam sonhar com outra trajetória para sua vida, uma versão distante do cenário de violência ao qual fora submetido. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8K_3xa2Bh14"><span style="font-weight: 400;">Ice Blue</span></a><span style="font-weight: 400;"> hoje em dia se destaca por ser um grande entusiasta do</span><i><span style="font-weight: 400;"> hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, além de se manter ativo em debates sociais. </span></p>
<figure id="attachment_30932" aria-describedby="caption-attachment-30932" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7.png" alt="Imagem retangular dos quatro membros do grupo Racionais MC’s. Eles se encontram lado a lado no centro de um estúdio musical pouco iluminado. Da esquerda para a direita; Mano Brown, usa calça, moletom branco, e óculos de sol. Ao seu lado está Ice Blue, ele usa calça e jaqueta jeans, com uma camiseta branca. Ao centro da imagem está Edi Rock, ele veste calça, camiseta, e jaqueta preta. Na última extremidade a direita está KL Jay, ele veste calça preta e camisa verde musgo." width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image7-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30932" class="wp-caption-text">As apresentações dos Racionais Mc’s contam com a utilização de recursos visuais modernos e apresentações performáticas e inesquecíveis para a plateia (Foto: Alile Dara)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleber Geraldo Lelis Simões é paulista da Zona Norte e iniciou seus trabalhos na Música agitando a madrugada do centro paulistano com fitas cassetes e vinis, que em seguida ganharam bases e mixagens únicas capazes de revolucionar a arte dos toca-discos no país. </span><a href="https://www.bocadaforte.com.br/destaque-bf/memoria-bf-dj-kl-jay-mais-um-ano-de-vida-uma-historia-de-persistencia-e-resistencia"><span style="font-weight: 400;">KL Jay</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a figura por trás da sonorização da banda e revelou ao mundo a complexidade por trás dos processos criativos que envolvem uma faixa de</span><i><span style="font-weight: 400;"> rap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Edivaldo Pereira Alves é o segundo membro também da Zona Norte de São Paulo. Antes de atuar no grupo, já se apresentava em casas de shows e residências.</span><a href="http://edirock.com/"> <span style="font-weight: 400;">Edi Rock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado um dos mais notórios poetas do país, devido a sua contribuição para a música negra brasileira, pois sua lírica subjetiva e de protesto social atua na construção ativa da identidade musical de artistas pretos e periféricos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As semelhanças entre os membros do Racionais MC’s chama atenção, porém não se deve resumi-los aos contextos de origem de cada um. </span><a href="http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/cultura-e-consciencia-a-funcao-do-racionais-mcs-de-jorge-nascimento/"><span style="font-weight: 400;">Para além da raça, da favela e da música</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e Kl Jay são artisticamente inovadores. É nesse ponto que o grupo se conecta, faz seu nome e é reconhecido na produção audiovisual.  </span></p>
<figure id="attachment_30933" aria-describedby="caption-attachment-30933" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.png" alt="Fotografia retangular em preto em branco dos quatro membros do grupo Racionais MC´s. Eles se encontram em perspectiva encostados em um carro. Da direita para esquerda; Edi Rock, usa calça, camisa aberta da marca Adidas, boné, e corrente com um pingente em formato de cruz, suas mãos estão juntas na altura do umbigo. Ao lado está Mano Brown, com calças e agasalho com a letra “M” escrita no centro. Em seguida, Kl Jay, que usa calça, camiseta, e um boné com aba para trás. Por fim, Ice Blue usa calça, uma agasalho com letras estilizadas no centro. Todos olham fixamente para frente." width="700" height="541" /><figcaption id="caption-attachment-30933" class="wp-caption-text">Trazendo influências de elementos musicais diversos, o funk, o soul e o hip-hop norte-americano marcaram as apresentações dos Racionais MC’s em bailes blacks (Foto: Klaus Mitteldorf)</figcaption></figure>
<h5><b>Correria ontem, sucesso hoje</b></h5>
<p><a href="https://iconografiadahistoria.com.br/2020/10/24/tumulo-sangue-sirenes-choros-e-velas-a-historia-de-racionais-mcs/"><span style="font-weight: 400;">A união dos quatro ocorreu no final da década de 80</span></a><span style="font-weight: 400;">. De início, eram aparições mais tímidas, pela necessidade de conciliar a Música e outros trabalhos para sustento e pela falta de suporte nas periferias. Foi no centro de São Paulo, na altura da estação São Bento, que a cena começou a virar. A luta para acessar esses espaços nunca foi fácil, só a dificuldade de deslocamento levava horas e expunha o abismo social entre eles e a elite paulista, que podia desfrutar livremente de todo o aporte cultural e social que ali existia, enquanto nas periferias só se destacava a miséria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento de ida para o centro paulista foi um combustível na </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/o-que-fazer-em-sao-paulo/noticia/2020/11/20/caminhada-pelo-centro-resgata-historia-dos-negros-em-sao-paulo.ghtml#:~:text=%E2%80%9CS%C3%A3o%20Paulo%2C%20como,escolas.%E2%80%9D%2C%20completa%20Guilherme."><span style="font-weight: 400;">integração de negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> vindos de todas as regiões da cidade, na tentativa de se reunirem em comunhão com os que eram semelhantes. O reconhecimento e apoio do povo preto, bem como a manifestação e proteção de seus interesses, eram os objetivos iniciais dos Racionais, já a b</span><span style="font-weight: 400;">usca pelo sucesso nunca foi uma prioridade. </span><span style="font-weight: 400;">Essa atuação ativa incomodava os poderes públicos, principalmente na época de surgimento do grupo, logo após a ditadura militar brasileira e com forte repressão policial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grupo surge com a ideia de se comunicar com grupos da periferia, mas de início as letras e álbuns ficaram </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/06/entenda-por-que-racionais-e-leitura-obrigatoria-no-vestibular.html#:~:text=%E2%80%9CTodas%20as%20m%C3%BAsicas%20desse%20%C3%A1lbum%20tem%20uma%20quest%C3%A3o%20que%20dialoga%20direto%20com%20o%20contexto%20hist%C3%B3rico.%20Um%20acirramento%20das%20quest%C3%B5es%20sociais%20nos%20anos%2090%2C%20com%20o%20pensamento%20neoliberal%20muito%20forte%20e%20a%20precariza%C3%A7%C3%A3o%20das%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de%20vida%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">limitados ao universo de estudantes e professores de faculdades</span></a><span style="font-weight: 400;">, que de certa forma analisavam a realidade de maneira objetificada como se as músicas e os relatos ali contidos fossem meros objetos de pesquisas. O fetichismo que assombra as produções pretas é uma realidade já conhecida pelos artistas. Na contramão desta realidade, o documentário busca ressaltar um grupo de interesses semelhantes, mas que é formado por sujeitos e suas subjetividades, essa abordagem viabilizou a conexão de produções posteriores com os públicos periféricos. </span></p>
<figure id="attachment_30934" aria-describedby="caption-attachment-30934" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.png" alt="Fotografia retangular do encontro de Mano Brown, e Dexter, com o rapper internacional Ice Blue. Da esquerda para a direita está Mano Brown usando uma regata, calça, chapéu pretos, e uma corrente dourada. No centro está Ice Blue, ele veste uma calça, camiseta de mangas longas, e boné aba reta nas cores pretas. No lado direito está Dexter, o rapper veste calça, camiseta e coletes na cor preta, e uma corrente dourada com um pingente escrito “fé”." width="1170" height="1444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.png 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-648x800.png 648w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-830x1024.png 830w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-768x948.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30934" class="wp-caption-text">O movimento do hip hop no Brasil sofreu grande influência dos precursores norte americanos, Ice Blue uma referência para o grupo e todos os artistas da cena (Foto: Jef Delgado)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É só em</span> <a href="https://youtu.be/lpVXBfnm_TI"><i><span style="font-weight: 400;">Homem na Estrada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que ocorre a virada na conexão com a periferia. Esse processo se deu também com a promoção de shows gratuitos nas favelas, que atraíam multidões. Junto a isso, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Rg7vYP6tA4"><span style="font-weight: 400;">repressões truculentas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Polícia Militar acompanharam o avanço do sucesso do grupo e tiveram episódios marcantes, escancarando o racismo dentro da organização policial que reverbera na realidade de pessoas marginalizadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Resgatar o povo preto é também um processo de fornecer direitos fundamentais que foram sistematicamente negados. Educação, saúde, liberdade e cultura são direitos básicos, mas que para muitas periferias ainda são  distantes. Os MC&#8217;s foram capazes de se sensibilizar com essas ausências e passaram a promover shows dentro da extinta Febem. Com eles, havia também o </span><a href="https://www.academia.edu/46255591/Profetas_do_Brasil_Racionais_MC_s_e_o_lugar_das_pris%C3%B5es_na_constru%C3%A7%C3%A3o_da_democracia_antinegro_p%C3%B3s_Constitui%C3%A7%C3%A3o_de_1988#:~:text=Resumo%3A%20O%20artigo%20pretende%20compreender%20como%20o%20discurso,calibragem%20da%20democracia%20e%20da%20cidadania%20no%20Brasil."><span style="font-weight: 400;">respeito às produções artísticas feitas no cárcere</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que mostrava uma valorização das pessoas e de suas manifestações até mesmo em contextos de segregação social. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O salto na carreira do grupo chega com o lançamento do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevivendo no Inferno</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma obra que explora os sentimentos mais íntimos em letras severas, </span><a href="https://youtu.be/3VAaNBk3xPA"><span style="font-weight: 400;">angustiantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, </span><a href="https://youtu.be/0Pe-Pl7rgVU"><span style="font-weight: 400;">libertadoras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1998, os Racionais são premiados no</span><i><span style="font-weight: 400;"> MTV Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, a faixa que consagrou o grupo foi</span> <a href="https://youtu.be/_CZunqkl_r4"><i><span style="font-weight: 400;">Diário de um Detento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O Sobrevivendo foi minha carta de alforria</span></i><span style="font-weight: 400;">“ declara Ice Blue sobre o impacto gerado na trajetória do artista. </span></p>
<figure id="attachment_30930" aria-describedby="caption-attachment-30930" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1.jpg" alt="Fotografia retangular de uma mão negra segurando um livro preto com a palavra ‘Racionais’ escrita em vermelho, uma cruz amarela no centro da capa, e na parte inferior a frase 'Sobrevivendo no Inferno’ escrita em letras brancas. Ao fundo da fotografia se destaca uma comunidade repleta de casas." width="1170" height="1142" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1-800x781.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1-1024x999.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1-768x750.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30930" class="wp-caption-text">O álbum é repleto de citações religiosas e sua organização se assemelha a um culto evangélico; o catolicismo, a umbanda e o candomblé também estão presentes (Foto: Jef Delgado)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os anos 2000 marcam a popularização dos MC’s dentro das favelas. A periferia é representada como uma potência nas canções, sendo destaque positivo na produção artística do grupo, alimentou o sentimento de revolta. As letras, para além de um grito, fizeram essas pessoas serem vistas  em pistas de danças, shows, premiações, e se sentirem partes de uma construção. O efeito direto disso pode ser percebido com a valorização da negritude e construção de uma </span><a href="https://www.anf.org.br/o-autorreconhecimento-da-beleza-negra/"><span style="font-weight: 400;">autoestima para os pretos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todas as cenas apresentadas no documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Racionais:</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> Das Ruas de São Paulo pro Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,AA1257080-5605,00-ACUSADO+DE+MATAR+JOVEM+EM+SHOW+E+CONDENADO+A+ANOS+DE+CADEIA.html"><span style="font-weight: 400;">a morte do jovem Luiz Fernando da Silva Santos, de 19 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um show ocorrido em Bauru no ano de 2007, é pungente. Após um conflito, o jovem foi baleado e teve seu corpo arremessado no palco. A partir desse momento, o grupo encerrou suas atividades e aparições. O vazio deixado foi a resposta encontrada para as próprias questões que assombram o grupo. Em que momento haviam errado? E por que a saída para os problemas atuais ainda era a mesma que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">tentava anular desde sua criação? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viu-se que não bastava cantar a ideia de progresso sem que ela acontecesse efetivamente na sociedade. É difícil falar de Ensino Superior quando o pobre só é visto como tema de estudos acadêmicos, mas não para frequentar esses espaços. Da mesma forma, é difícil falar de amor quando o que se tem é desesperançosa por toda parte. O retorno do grupo aos palcos na</span> <a href="https://www.rapnacional.com.br/racionais-mcs-realizam-show-historico-na-virada-cultural-em-sp/"><span style="font-weight: 400;">Virada Cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2013 exigiu que o público entendesse de outra forma as letras, a mensagem clara era para que as pessoas se “mantivessem vivas”.</span></p>
<figure id="attachment_30931" aria-describedby="caption-attachment-30931" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.jpg" alt="Fotografia retangular da apresentação dos Racionais Mc 's na Virada cultural. No palco estão os membros do grupo, e membros da equipe de apoio, eles estão com os punhos cerrados em sinal de resistência. Ao fundo é possível ver a multidão que acompanhou o show." width="800" height="487" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1-768x468.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30931" class="wp-caption-text">A loja de roupas Fundão e a produtora Boogie Naipe são negócios periféricos que ganham destaque com o apoio do grupo de rap (Foto: Prefeitura de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Racionais MC´s é uma potência em cima ou fora dos palcos. A relação de admiração, orgulho e apoio dos fãs faz do grupo uma comunidade ideal para </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/filmes-e-series/racionais-netflix/#:~:text=A%20HIST%C3%93RIA%20DO,humanizam%20ainda%20mais."><span style="font-weight: 400;">encontros e pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trajetória apresentada no documentário é emocionante e instigante, gerando um sentimento de proximidade com quem já pode prestigiar o filme. Todavia, a produção pode ser considerada de curta duração, uma vez que várias passagens não foram destrinchadas na profundidade que mereciam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade das obras dos Racionais e a relevância do grupo para os públicos periféricos pedem uma sequência documental capaz de pensar mais de perto sobre as questões apresentadas. Os fãs que acompanham o grupo a mais tempo sentiram falta da presença de enredos que fizeram parte da formação dos artistas, como é o caso do</span><a href="https://portalrapmais.com/mano-brown-detalha-amizade-com-sabotage-foram-poucos-mas-bons-momentos/"> <i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">Sabotage</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não apareceu no documentário, mas é de extrema importância para a solidificação dos artistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imaginar que a história de quatro jovens pretos, periféricos e à margem do sistema seria documentada e divulgada para todo o mundo era uma realidade difícil de se acreditar por muitos. Se não fosse a persistência de Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay isso não seria possível. O grupo ensina que mobilizar, lutar e sonhar são realidades possíveis para aqueles que nunca tiveram oportunidades. Ouvi-los em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yygycbPNjAI"><i><span style="font-weight: 400;">Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> gera admiração e esperança: os manos sabem o que fazem e são referências quando o assunto é comunicar com suas músicas. Seja nos palcos, em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo na</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, os Racionais MC&#8217;s são revolucionários. </span></p>
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		<title>Febem escreve certo por linhas tortas e, com JOVEM OG, mira e acerta todas as balas</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2021 15:54:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andrezza Marques O quinto álbum de estúdio de Felipe Desiderio, ou Febem (conhecido pelas rimas que têm o mesmo peso do apelido), foi lançado em 9 de abril de 2021. Agora, já tendo completado pouco mais de um mês de existência, caminha para ser considerado um dos melhores e mais genuínos trabalhos do hip-hop, rap &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jovem-og-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Febem escreve certo por linhas tortas e, com JOVEM OG, mira e acerta todas as balas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20770" aria-describedby="caption-attachment-20770" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20770 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-1.jpg" alt="Fotomontagem com bordas de polaroid. Da esquerda para a direita, favela com casinhas de tijolos  sem reboco  ao fundo e céu azul, tons quentes. Homem com rosto pixelado e óculos de sol, tem pele negra  e não está de camisa. Ele tem cabelo raspado, veste calça preta, corrente e pulseira prateadas e tênis azul. Está sentado em  cima de uma moto azul e branca em um campinho de futebol de várzea na frente do gol.  " width="504" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-1.jpg 504w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 504px) 85vw, 504px" /><figcaption id="caption-attachment-20770" class="wp-caption-text">Capa do álbum JOVEM OG (Foto: CEIA Ent. &#8211; 2021)</figcaption></figure>
<p><b>Andrezza Marques</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O quinto álbum de estúdio de Felipe Desiderio, ou Febem (conhecido pelas rimas que têm o mesmo peso do apelido), foi lançado em 9 de abril de 2021. Agora, já tendo completado pouco mais de um mês de existência, caminha para ser considerado um dos melhores e mais genuínos trabalhos do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">grime</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(ou </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/04/rappers-trocam-gucci-por-camisas-de-time-e-dao-cara-brasileira-a-rap-britanico.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Brime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">atuais. O</span><i><span style="font-weight: 400;"> grime</span></i><span style="font-weight: 400;">, que despontou no país com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> baiano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bM8jGsJcPY4"><span style="font-weight: 400;">Vandal de Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é a aposta principal de nomes como o próprio Febem (os dois artistas tem, inclusive, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kyhI4JcsAwo"><i><span style="font-weight: 400;">feat)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tem tudo para colocar o Brasil em evidência internacional. O lançamento de </span><a href="https://open.spotify.com/album/62rhAAgqTCXMeM5xXGOXMJ"><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é mais uma prova que o</span><i><span style="font-weight: 400;"> rap </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional passa por um ótimo período, e o cantor, com trabalho consistente, se mostra cada vez mais perto do</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela qualidade técnica e lírica, sem deixar de lado a agressividade e essência crítica características do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, bem distante das </span><i><span style="font-weight: 400;">lovesongs </span></i><span style="font-weight: 400;">e outros sons comerciais que eram febres em outros tempos e ainda seguem populares no país, como os </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">sequenciais dos projetos Poetas no Topo e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bD6ifecX6rs"><span style="font-weight: 400;">Poesia Acústica</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-20767"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora as vivências da quebrada, com lírica ácida, </span><i><span style="font-weight: 400;">flow </span></i><span style="font-weight: 400;">seguro, de quem escreve certo por linhas tortas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> inusitados, ao mesmo tempo que são extremamente bem acabados e arranjados, passeando pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">grime</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">boom bap</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">e indo além. Essa originalidade sonora se deve muito a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lYj69dUPAX0"><span style="font-weight: 400;">CESRV </span></a><span style="font-weight: 400;">(ou Cesinha), produtor do álbum e parceiro quase fixo, presente nos trabalhos mais recentes de Febem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Running</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019) e o colaborativo </span><i><span style="font-weight: 400;">BRIME! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2020) &#8211; sendo o último, inclusive, </span><a href="https://perraps.com/resenhas/brime-cesrv-febem-fleezus/"><span style="font-weight: 400;">aclamado pela crítica e por fãs</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os versos, recheados de referências e metalinguagens, citam desde </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-marco-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">The Notorious B.I.G.</span></a><span style="font-weight: 400;">  e </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Racionais Mc&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;"> até Poesia Acústica, Baco Exu do Blues, e a lista não para. O disco segue alinhado com os antecessores, além de permanecer coeso na própria proposta, com as dez faixas conversando entre si. Bem amarradas, e nada óbvias, elas parecem funcionar como narrativas relatadas por personagens distintos, ou, pelo menos, por diferentes fases da vida, no mesmo universo.</span></p>
<figure id="attachment_20768" aria-describedby="caption-attachment-20768" style="width: 504px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20768" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-2.jpg" alt="Fotomontagem apresenta vários recortes amassados dispostos em superfície vertical. Chamadas de jornal sobre o rapper, fotografias de pessoas e da cidade de São Paulo, e vários pedaços de papel em amarelo com anotações estão entre os recortes. Uma linha vermelha imitando uma trama de investigação policial passa por cima dos recortes." width="504" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-2.jpg 504w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-2-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 504px) 85vw, 504px" /><figcaption id="caption-attachment-20768" class="wp-caption-text">Encarte JOVEM OG (Foto: CEIA Ent. 2021)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por acaso, o nome do álbum faz alusão à autenticidade e essência, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">O.G &#8211; Original Gangster</span></i><span style="font-weight: 400;">, termo que nomeou o </span><a href="https://www.bocadaforte.com.br/multimidia/memoria-bf-relembre-o-classico-album-o-g-original-gangster-de-ice-t"><span style="font-weight: 400;">disco lançado por ICE-T</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1991, considerado clássico da era de ouro do</span><i><span style="font-weight: 400;"> hip-hop </span></i><span style="font-weight: 400;">(meados dos anos 80 e 90), e é também muito replicado no </span><i><span style="font-weight: 400;">gangsta rap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Dois gêneros nascidos em comunidades afro-americanas, caribenhas e latinas nos EUA, e marcados pelo retrato da rotina de guerra, vivida em bairros dominados por gangues, como no </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37394879"><span style="font-weight: 400;">sul de Chicago</span></a><span style="font-weight: 400;"> e na costa oeste da Califórnia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Temas como o cancelamento virtual, a ostentação de quem está finalmente saindo das estatísticas, o dia a dia de violência nas favelas, além de fortes críticas ao estado e aos abusos policiais, estão presentes em todo o disco. O que não poderia ser diferente, já que Febem é fruto da realidade em que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-36461295"><span style="font-weight: 400;">um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e precisa romper com esse ciclo com as armas que têm. No seu caso, a arte: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se pá que era melhor ter feito um clipe de fuzil/ Pra estourar no Youtube com dez milhão de view/Nada contra/Progresso pra quem trampa/Mais uma arma no clipe é menos um menor na boca”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">ele canta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lO_gqfMx68M"><i><span style="font-weight: 400;">MÉXICO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i><span style="font-weight: 400;">, Febem traz uma extensa lista de colaborações, como as gêmeas </span><a href="https://perraps.com/materias/tracie-e-tasha-como-as-irmas-expandiram-da-moda-para-o-rap/"><span style="font-weight: 400;">Tasha e Tracie</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, assim como ele, vêm diretamente da Zona Norte de SP, e estão se impondo cada vez mais na cena, com produções únicas e consistência, e o fenômeno mineiro </span><a href="https://personaunesp.com.br/djonga-nu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Djonga</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, envolvido ou não em polêmicas, é o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2020/09/30/djonga-e-indicado-a-premio-de-hip-hop-nos-estados-unidos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Brasil indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BET Hip Hop Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Outros nomes de uma nova geração promissora de artistas como Jean Tassy, Vulgo FK e Kyan, também estão entre os convidados do álbum. </span></p>
<figure id="attachment_20769" aria-describedby="caption-attachment-20769" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-3-1.jpg" alt="Fotomontagem, da esquerda para a direita, uma fotografia polaroid mostra dois jovens em uma moto e um emoji de palhaço cobre o rosto de um deles, ele usa calça preta, camiseta branca e tênis azul. O outro usa camiseta azul e bermuda azul e vermelha. Abaixo, outra fotografia polaroid mostra Febem quando criança, sentado em um gramado vestido com uma camiseta do Corinthians branca e shorts cinza. Ao fundo recortes de chamadas e outras imagens. Em destaque a lista de faixas e colaborações do álbum em um fundo de papel amassado na cor branca. " width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-3-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/FOTO-3-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-20769" class="wp-caption-text">Verso do disco JOVEM OG (Foto: CEIA Ent. 2021)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A intensidade, revolta e verossimilhança dos versos, mais a voz suave do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> paulistano, são responsáveis por um jogo de contrastes. </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz a oposição </span><i><span style="font-weight: 400;">decadência versus otimismo</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficar em evidência nos trechos sobrepostos: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nunca estive tão bem/Posso voar também/Dizem que Deus não dá asa a cobra/Mas de vez em quando ele resolve emprestar”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">na voz melódica com</span> <span style="font-weight: 400;">o refrão cantado por Smile, e a voz robotizada, propositalmente distorcida do</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Febem nunca esteve tão bem, é fato. Em 2016, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou o </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCsuzS5lGWVjlWi2SUiJuvhw"><span style="font-weight: 400;">grupo ZRM</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zero Real Marginal), onde já tinha um trabalho significativo, pelo selo Damassaclan, e, desde 2017, integra a CEIA Ent., coletivo que tem o papel social do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> como máxima. Criada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xNvfNZM2qgE"><span style="font-weight: 400;">Don Cesão e Nicole Balestro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a CEIA une vários artistas num movimento que produz música, moda e influência, e conta com o patrocínio de marcas como a </span><i><span style="font-weight: 400;">Adidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2018, a CEIA lançou o </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Somos</span></i><span style="font-weight: 400;">, composto por 6 faixas, além da bônus </span><i><span style="font-weight: 400;">Troféu</span></i><span style="font-weight: 400;">, disponíveis em todas as plataformas digitais. Nele, Febem estrela no clipe de sua música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=StIPK2ZvzG8"><i><span style="font-weight: 400;">Bandida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contracenando com outros artistas do selo, como Tasha e Tracie. O projeto contou com a participação de todos os artistas do coletivo, como Pizzol, Djonga, e Clara Lima. Todas as composições também ganharam clipes no </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UC4lVM_OI7bFfynYYGQu9Tmg"><span style="font-weight: 400;">canal da CEIA no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O nome do primeiro projeto coletivo traz, inclusive, o que pode ser uma alusão ao patrocínio da </span><i><span style="font-weight: 400;">Adidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, numa referência às 3 listras da marca, na grafia original: </span><i><span style="font-weight: 400;">SO///OS</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Febem - Bandida" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/StIPK2ZvzG8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos videoclipes de </span><i><span style="font-weight: 400;">CRIME, MÉXICO e VAI PENSANDO</span></i><span style="font-weight: 400;">, Febem recria a mesma atmosfera de máfia e/ou quebrada e sigilo que domina o clipe do </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2018. As faixas que também mencionam os patrocínios não tem nenhuma participação nos vocais e são carregadas de referências ao próprio trabalho e à família de Febem &#8211; que menciona sua filha, irmão, mãe e avó em diversos momentos. Nos clipes, as três composições são continuações entre si, para promover o disco, além de funcionarem como encarte audiovisual, uma das apostas do selo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recheadas de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NF68ww_U84M"><i><span style="font-weight: 400;">punchline</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">MÉXICO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">CRIME</span></i><span style="font-weight: 400;"> são também as canções que carregam o versos mais contraditórios do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> no álbum, e foram até </span><a href="https://rapshit.com.br/2021/04/14/review-nacional-jovem-og-por-febem/"><span style="font-weight: 400;">alvo de críticas</span></a><i><span style="font-weight: 400;">: “Quebrada e crime é que nem vírus chinês/Tá todo mundo exposto e a vacina ninguém cria”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Ela diz que adora levar tapa/Ela tem descendência da Europa/Pra eu não me sentir mal/Pensei reparação histórica”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os versos de Febem são, por vezes, propositalmente indigestos. Tanto é que o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega a debochar disso nas letras, e consegue soar áspero e proeminente, mesmo com a voz baixa, bem longe do </span><i><span style="font-weight: 400;">speed flow</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">O que pode ser encarado como provocação ao estilo de alguns colegas do selo antigo. Mesmo com as críticas, </span><i><span style="font-weight: 400;">MÉXICO e CRIME</span></i><span style="font-weight: 400;"> trazem a </span><i><span style="font-weight: 400;">drill music, </span></i><span style="font-weight: 400;">subgênero do</span><i><span style="font-weight: 400;"> trap, </span></i><span style="font-weight: 400;">inserções de áudios de </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JMro9sSrv3s"><i><span style="font-weight: 400;">RADDIM</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">e outros </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> famosos ao fundo (marca registrada do </span><i><span style="font-weight: 400;">BRIME!</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de CESRV), junto a passagens totalmente inesperadas e inteligentes:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">E na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir”</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; CRIME</span></i></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="FEBEM - CRIME prod. CESRV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MvBH4wXmc5U?list=PLCARdaGvQmKXwIGoot1xeaX0fXIGa4F1b" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A curtíssima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ld4EeJygDGQ"><i><span style="font-weight: 400;">SEM TEMPO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como o próprio nome sugere, tem a participação de Jean Tassy em menos de dois minutos de duração, e deixa a sensação de que poderia ter durado mais. O som mais comercial, assim como o </span><i><span style="font-weight: 400;">dance-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, da onírica e auto-tunada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DmzviZ4KG74"><i><span style="font-weight: 400;">MARCHA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com Vulgo FK, fazem ambas soarem estranhas entre as mais agressivas e com grave bem marcado do resto do disco, mas acabam funcionando bem na sequência. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i><span style="font-weight: 400;">, Febem aproveita muito de palavras com duplo sentido e com a figuração e repetição de frases para construir coros pegajosos, o que poderia ser um exagero e cair na mesmice, se não fossem muito bem arranjadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exemplo disso são </span><i><span style="font-weight: 400;">CRIME</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TOEAAqpHYwI"><i><span style="font-weight: 400;">ME PAGA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com Djonga, e </span><i><span style="font-weight: 400;">BALLA</span></i><span style="font-weight: 400;">, produzida por MU540 e com participação de Kyan. Ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">ÁREA DE RISCO</span></i><span style="font-weight: 400;">, com Tasha e Tracie, as quatro são donas dos refrões mais marcantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todas com inserções pesadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk e trap</span></i><span style="font-weight: 400;">, tanto na letra, quanto nas batidas mais aceleradas, que por vezes remetem ao 140 e 150 BPM. </span><i><span style="font-weight: 400;">BALLA sampleia </span></i><span style="font-weight: 400;">trechos do som da </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCNgm2gCvqGoMDfof1c9GW3A"><i><span style="font-weight: 400;">Rave dos Fluxos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Passinho do Bota</span></i><span style="font-weight: 400;">, produzido por DJ GBR e voz por Mc Lan, e chega a despertar memórias afetivas da época do clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kzOkza_u3Z8"><i><span style="font-weight: 400;">Baile de Favela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado por Mc João em 2016. </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem viveu, sabe.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate da cultura brasileira de quebrada e para a quebrada, vindo de um cara da Vila Maria, na metrópole de contrastes que é São Paulo, acima das referências de outros países, é o  acerto máximo do álbum. A principal proposta de CESRV e Febem, desde o </span><i><span style="font-weight: 400;">CD</span></i><span style="font-weight: 400;"> colaborativo com Fleezus, o </span><i><span style="font-weight: 400;">BRIME!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2020, é justamente essa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“No fim das contas foi um processo muito natural para nós. Só traduzimos a nossa realidade para dentro das músicas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, contou CESRV ao canal </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J3-XH8hiitY"><i><span style="font-weight: 400;">Rap TV</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></a></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="FEBEM - VAI PENSANDO prod. CESRV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MyUG9N6JHgk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo grande acerto é a dinâmica das colaborações, onde os versos destaque são quase sempre das participações, como é também o caso da ácida </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p6WgyW5aUpA"><i><span style="font-weight: 400;">ÁREA DE RISCO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e da gozação de </span><i><span style="font-weight: 400;">ME PAGA</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com a experimentação diversificada, o trabalho mantém sua personalidade e essência, e entrega um resultado extremamente original.</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Sou bipolar, mas pentacampeão, jogando descalço, sem boot e meião/Na frente da tropa igual Tutancâmon/Referência pros preto pique Conceição Evaristo/Filho de Jesus Cristo, só fiz o que &#8216;tava previsto’”</span></i><span style="font-weight: 400;">, canta</span> <span style="font-weight: 400;">Djonga em</span><i><span style="font-weight: 400;"> ME PAGA</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">ÁREA DE RISCO</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tracie, com a dureza e assertividade costumeiras, denuncia: </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Na Faria Lima foi pro Peri/Achou que ia pra Santa Cecília/Ele ficou em choque/Mó fita sabia que aqui o grave só não bate mais que a polícia&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Mesmo cantadas pelos convidados, as letras são uma amostra do trabalho de base, sem a ilusão na qual Febem acredita. Ao receber elogios pelo álbum inteiro, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cKRC8bNrFMk"><span style="font-weight: 400;">entrevista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">PODPAH</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">é modesto e afirma que acabou de subir um degrau com o novo trabalho: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acho que tá bom, eu evolui, é o que eu vivo na minha vida”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Modéstia a parte, </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM OG</span></i> <span style="font-weight: 400;">é um trabalho pesado, preciso e afrontoso. A produção do álbum durou um ano, e narra de maneira cativante a trajetória marginalizada de quem está no corre e sempre correu a vida inteira: </span><i><span style="font-weight: 400;">JOVEM</span></i><span style="font-weight: 400;">, como faixa de abertura, e </span><i><span style="font-weight: 400;">OG</span></i><span style="font-weight: 400;">, que precede o encerramento com </span><i><span style="font-weight: 400;">ME PAGA</span></i><span style="font-weight: 400;">, traduzem a justaposição estratégica do discurso de quem cobra com razão por esse corre que ainda vai muito além do dinheiro. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: JOVEM OG" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/62rhAAgqTCXMeM5xXGOXMJ"></iframe></p>
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