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	<title>Arquivos Quando deixamos de entender o mundo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Julho de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 19:38:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.” — Franz Kafka Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreu no Expo Center Norte. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Julho de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28385" aria-describedby="caption-attachment-28385" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-28385 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg" alt="Arte retangular de cor lilás escuro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris roxa. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Acontecimento” ao lado de 8 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘julho de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ESTANTE_JULHO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28385" class="wp-caption-text">Em Julho, o Clube do Livro do Persona se infiltrou na narrativa intimista de Annie Ernaux e seu O Acontecimento (Foto: Fósforo Editora/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Um livro deve ser o machado que partirá os mares congelados dentro de nossa alma.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>— Franz Kafka</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Julho foi o mês do Persona se infiltrar ainda mais nos entremeios literários: dos dias 2 ao 10, membros da nossa Editoria cobriram a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ocorreu no Expo Center Norte. Dentre os destaques, a Homenagem a José Saramago – que completaria 100 anos em 2022 –, feita por Andréa Del Fuego, José Luís Peixoto e Jeferson Tenório, e a presença de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tom-farias/2022/07/paulina-chiziane-que-veio-a-bienal-do-livro-reforca-laco-entre-brasil-e-africa.shtml"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Valter Hugo Mãe, marcaram a última edição do festival.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, o evento teve dupla celebração: além do centenário do único escritor de língua portuguesa a receber o </span><a href="https://agenciaincomparaveis.com/saramago-e-universal-diz-presidente-de-portugal-durante-bienal-do-livro-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 também marca o bicentenário da Independência do Brasil. Assim, a celebração se deu na forma de reconhecimento da identidade linguística, que une continentes através do idioma em comum. O evento contou também com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, Julho também foi um período de indigestas – porém necessárias – reflexões. Após a repercussão nacional dos absurdos que envolveram o direito ao </span><a href="https://theintercept.com/2022/07/06/aborto-menina-de-sc-promotora-manda-buscar-feto/"><span style="font-weight: 400;">aborto legal de uma menina de 11 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Santa Catarina, a questão ganhou ainda mais enfoque quando, ao final de Junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão judicial de 1973 que </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/06/24/aborto-nos-eua-entenda-o-que-era-a-decisao-que-garantia-direito-ao-procedimento-e-como-foi-derrubada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">garantia a legalidade do aborto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em todo o território nacional. As discussões se nortearam no aspecto de direitos fundamentais que, a princípio, pareciam resguardados, mas que, a bem da verdade, precisam de constante vigilância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que o filme dirigido por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml"><span style="font-weight: 400;">Audrey Diwan</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a mesma temática, chegou aos cinemas brasileiros integrando o Festival Varilux de Cinema Francês, em uma adaptação cinematográfica do marcante relato da francesa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/o-acontecimento-revela-o-aborto-de-forma-nua-como-angustia-solitaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, não foi difícil escolher para o Clube do Livro do Persona a obra </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/o-acontecimento-annie-ernaux/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado em um episódio biográfico, o livro conta a história de uma jovem de 23 anos que engravida e, sem poder contar com o apoio do namorado ou da própria família, precisa fazer um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/06/o-acontecimento-filma-aborto-de-annie-ernaux-como-thriller-visceral.shtml">aborto</a>. Ilegal na França da época, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que, quarenta anos depois, revive no livro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre os corpos femininos, Ernaux mostra uma faceta literária que mistura a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção com a não-ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar – ou ampliar – um importante momento de reflexões, deixamos as indicações de mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28370"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28371" aria-describedby="caption-attachment-28371" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28371 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg" alt="Capa do livro O Acontecimento. Na imagem, o nome da autora é dividido em dois retângulos. O primeiro está na porção superior na horizontal, é cinza e tem o nome Annie grafado em preto. O segundo está na vertical à direita da página, tem a cor verde e o nome Ernaux escrito em preto. Na parte esquerda e central, há uma foto acinzentada de Annie com um vestido marrom, ela tem pele branca, cabelos escuros e olhos azuis. Há ainda, na porção inferior da capa, um quadrado azul seguido de um retângulo verde escuro com o título do livro e um retângulo amarelo com o nome da editora" width="702" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-702x1024.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-768x1121.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1052x1536.jpg 1052w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1403x2048.jpg 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1-1200x1751.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-Acontecimento-1.jpg 1754w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28371" class="wp-caption-text">O Acontecimento foi adaptado para o audiovisual em 2021, e a produção é dirigida pela roteirista francesa Audrey Diwan (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Annie Ernaux &#8211; O Acontecimento (80 páginas, Fósforo Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito com propósitos confessionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a narrativa nua e crua da história biográfica de </span><a href="http://saopauloreview.com.br/annie-ernaux-entre-a-memoria-dos-outros-e-a-escrita-de-si-mesma/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o aborto clandestino. Prorrogado pelos 40 anos subsequentes de uma gravidez indesejada aos 23 anos, o tom do texto é dado em estalos urgentes que redesenham aquilo que a autora classifica como a &#8220;experiência completa da vida&#8221;. O texto, publicado pela primeira vez na França nos anos 2000, chegou ao Brasil em maio deste ano pela <em>Fósforo,</em> e ganhou tradução nas escolhas lexicais de Isadora de Araújo Pontes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo em um momento em que o aborto era </span><a href="https://catolicas.org.br/notas/aborto-na-franca/"><span style="font-weight: 400;">ilegal</span></a><span style="font-weight: 400;"> na França, a jovem Annie encontra na gravidez o desespero de ser ameaçada pela ruína de tudo que é e do que espera para o futuro. Vinda de uma família de trabalhadores de camada social baixa, ela é a primeira a adentrar uma universidade e carrega consigo todas as expectativas do sucesso. Para além das hipóteses, são as certezas que a assombram, sua natureza livre e ciente da própria autonomia não mensura riscos para devolver ao próprio corpo a integridade que o pertence. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da longevidade entre o momento do acontecimento com o registro do mesmo nas páginas da publicação, a autora se mostra tão fiel a sua verdade que não são necessárias ressalvas. O fato se insere com uma legitimidade imponente, fazendo as marcas se gravarem nos leitores como se fossem capazes de transmitir partes das cicatrizes de Annie. Assim, </span><a href="https://variluxcinefrances.com/2022/filmes/o-acontecimento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> resiste em paradoxos: do tudo ao nada, do simples ao complexo, da superfície a profundidade… Na metonímia do corpo de uma mulher, fica difícil entender como tantas transgressões podem ganhar lar em apenas 80 páginas. <b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: O Acontecimento - Clube do Livro Julho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0oC4H6G2NI0zlBNF6UVjoy?si=6905bd4a4a394c01&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28372" aria-describedby="caption-attachment-28372" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28372 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Última Parada. A capa é uma ilustração. O cenário é o vagão de um metrô, pintado em tons de roxo, rosa e laranja. Ao centro, no topo da capa, vemos o logo da editora Seguinte. Abaixo, ocupando a parte superior da capa, vemos as palavras &quot;última&quot; e abaixo, &quot;parada&quot;, escritas em uma fonte branca que imita giz-de-cera. Abaixo, à esquerda, vemos a ilustração de uma mulher amarela, de cabelos castanhos curtos espetados, aparentando cerca de 25 anos e vestindo uma camiseta branca e casaco preto de couro. Do lado direito, vemos a ilustração de uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, longos e ondulados, aparentando cerca de 25 anos, vestindo um macacão preto e uma camiseta branca e segurando um copo de café. Elas se olham. Na parte inferior central, vemos a frase &quot;da autora de Vermelho, branco e sangue azul&quot;, em uma fonte sem serifa em amarelo. Abaixo, vemos as palavras &quot;Casey McQuiston&quot; em caixa alta, em uma fonte sem serifa em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1424x2048.jpg 1424w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1-1200x1726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/ultima-parada-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28372" class="wp-caption-text">Autora de Última Parada, a estreia de Casey McQuiston foi com o best-seller Vermelho, Branco e Sangue Azul (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; Última parada (400 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a cética August se mudou para Nova Iorque, o que ela menos esperava era criar laços. Ainda mais com uma garota presa ao metrô há 40 anos. Em seu segundo livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora </span><a href="https://portalpopline.com.br/casey-mcquiston-set-vermelho-branco-sangue-azul/"><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">Casey McQuiston segue os passos da jovem de vinte e poucos anos em sua nova vida como adulta independente na cidade grande. À princípio desapegada e desconfiada, a jovem </span><a href="https://portalpopline.com.br/ultima-parada-tudo-sobre-livro-novo-casey-mcquiston/"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> se permite se abrir e descobre que o companheirismo e amizade de seus companheiros de apartamento, Niko, Myla, Wes e o cão Noodles, são elos mais fortes do que imaginava. Também, percebe que Jane, a garota que sempre encontra no metrô e por quem tem uma quedinha, está, na verdade, impossibilitada de sair dali há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturando ficção científica e romance, o </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/01/ultima-parada-cultura-queer-e-viagem-ao-passado-no-segundo-livro-de-casey-mcquiston.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a> <span style="font-weight: 400;">cria uma narrativa no mínimo divertida e intrigante. August passa seus dias entre a faculdade e trabalhar para pagar o aluguel, mas, nas horas vagas, dedica seu tempo a negar seus sentimentos por Jane e achar formas de como libertá-la do metrô. Mesmo a premissa peculiar permite </span><a href="https://www.thecut.com/2021/06/casey-mcquiston-one-last-stop-interview.html"><span style="font-weight: 400;">McQuiston</span></a><span style="font-weight: 400;"> recriar situações comuns à </span><a href="https://br.vida-estilo.yahoo.com/o-sucesso-da-bienal-do-livro-de-sao-paulo-e-culpa-do-tik-tok-100056008.html"><span style="font-weight: 400;">nova juventude</span></a><span style="font-weight: 400;">, em uma trama cheia de representatividade LGBTQIA+ e de um linguajar </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e atraente &#8211; afiadamente traduzidos por Guilherme Miranda -, que envolve o leitor principalmente pela abordagem dos laços de amizade modernos. Tendo seu ponto alto na forma como retrata as vivências e a cabeça da nossa geração, </span><i><span style="font-weight: 400;">Última Parada </span></i><span style="font-weight: 400;">vai querer te fazer não parar. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28373" aria-describedby="caption-attachment-28373" style="width: 674px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28373 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png" alt="Capa do livro O caderno rosa de Lori Lamby. O fundo é inteiramente colorido, com o que parecem ser manchas ou respingos de tinta. Prevalece, do lado esquerdo inferior, manchas rosas e pretas, enquanto do lado direito, roxas, rosas, amarelas, pretas. Na parte superior e central, há manchas roxas, amarelas, laranjas e verde água. No topo, encontram-se, em letras garrafais, as iniciais da autora Hilda Hilst – HH – com uma grafia transparente, ainda mostrando o fundo. Abaixo, em letras de forma branca, diagramadas à direita, se lê o nome da autora. Logo abaixo disso, o título do livro, em letras de forma branca. No canto inferior direito, o selo da Companhia das Letras" width="674" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/hilst1.png 988w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28373" class="wp-caption-text">Um dos principais nomes da poesia e da prosa brasileira, Hilda Hilst foi a autora homenageada na 16ª edição da Festa Literária de Paraty (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Hilda Hilst &#8211; O caderno rosa de Lori Lamby (80 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.angelfire.com/ri/casadosol/drummond.html"><span style="font-weight: 400;">Hilda girando boates, Hilda fazendo chacrinha.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Seja pelo abalo que sua presença provocava na cena paulistana ou pelo choque em sua decisão de isolar-se em </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/galerias/literatura,casa-do-sol-a-mitica-morada-de-hilda-hilst,31452"><span style="font-weight: 400;">um sítio no interior</span></a><span style="font-weight: 400;">; olhar para a Hilda Hilst era entrar em um jogo. Um jogo de imprevisibilidades de uma escrita que apunhalava pelas costas todos os gêneros em que se aventurava. No entanto, mesmo com os elogios da crítica especializada, </span><a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/hilda-hilst-e-a-poesia-em-estado-de-urgencia/"><span style="font-weight: 400;">a obra da poeta</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha um grande alcance entre os leitores brasileiros. Lida em banheiros, lida em trens, lida para passar o tempo, o desejo de Hilst era </span><i><span style="font-weight: 400;">ser lida.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210558/o-caderno-rosa-de-lori-lamby"><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a autora dá seu xeque-mate. Ora </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/poesia/hilda-hilst-duela-com-deus"><span style="font-weight: 400;">complexa</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1201200207.htm"><span style="font-weight: 400;">louca</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hilst compõe, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lori Lamby, </span></i><span style="font-weight: 400;">um texto fácil e </span><a href="https://soundcloud.com/companhiadasletras/150-o-caderno-rosa-de-lori-lamby-um-bate-papo-com-vera-iaconelli-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">tão polêmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não teria como </span><i><span style="font-weight: 400;">não </span></i><span style="font-weight: 400;">ser lido. No diário de uma garota de 8 anos que relata sua prostituição, com uma linguagem que chega a ser ridícula de tão infantil, ao mesmo tempo que enquadra as dificuldades de seu pai, um escritor falido, a conseguir atenção do mercado editorial, a escritora constrói o absurdo da prostituição infantil e de um pai neurótico como um recurso metafórico de sua própria situação, enquanto mulher no </span><a href="https://leiturascontemporaneas.org/2019/04/18/e-metafisica-ou-putaria-das-grossas-hilda-hilst-e-o-mercado-de-livros-anotacoes-iniciais/"><span style="font-weight: 400;">mercado editorial brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em entrevistas, estranhamente frequentes na época de lançamento do livro, ainda mais para quem escolheu estar longe dos tablóides, Hilst brinca com o </span><a href="https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2017/12/05/lado-pornografico-de-hilda-hilst-pode-colocar-fogo-nos-debates-sobre-a-arte/"><span style="font-weight: 400;">impacto</span></a><span style="font-weight: 400;"> moral do </span><a href="https://blogdoims.com.br/uma-senhora-pornografica-e-por-que-nao/"><span style="font-weight: 400;">pornô</span></a><span style="font-weight: 400;"> para desafiar e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5yeFhO4G2OQ"><span style="font-weight: 400;">dar uma banana</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao mercado editorial, que a levava a sério demais para incentivar sua produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao parodiar grandes nomes da literatura erótica, como Henry Miller e Georges Bataille, a poeta constitui, com um humor muito característico  – quase que tirado de um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://newronio.espm.br/john-waters-subversao-contracultura-e-cinema-trash/"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um desafio para ser lida para além do que estava em suas páginas. </span><i><span style="font-weight: 400;">O caderno rosa de Lori Lamby </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma bandalheira de uma escritora no ápice de sua irreverência, </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2021/05/31/toda-a-ousadia-de-hilda-hilda"><span style="font-weight: 400;">tudo para pegar nos nervos dos caretas</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28374" aria-describedby="caption-attachment-28374" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28374 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg" alt="" width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1350x2048.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/labatut-1.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28374" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil sob tradução de Paloma Vidal, a obra foi finalista do International Booker Prize em 2021 (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Benjamín Labatut &#8211; Quando deixamos de entender o mundo (176 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não seria loucura pensar a ciência como uma outra faceta do pensamento mágico? A bem da verdade, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer defenderam a ideia em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571104143/dialetica-do-esclarecimento"><i><span style="font-weight: 400;">Dialética do Esclarecimento</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1947), apontando para a “razão” como uma espécie de misticismo, na qual impera nos entremeios sociais um culto aos números e formas precisas. O que se mantém oculto, porém, é a forma como as mais exatas das ciências estão ancoradas no extraordinário: na ideia absurda e abstrata de provar uma hipótese. </span><a href="https://todavialivros.com.br/livros/quando-deixamos-de-entender-o-mundo"><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é composto por quatro narrativas, que são interligadas magistralmente por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-10/o-chileno-benjamin-labatut-novo-fenomeno-editorial-da-america-latina.html"><span style="font-weight: 400;">Benjamín Labatut</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao apontarem para os sonhos e desejos místicos que nortearam grandes revoluções científicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro</span> <span style="font-weight: 400;">é vendido como um “romance de não-ficção” – uma contradição entre termos que soa absurda –, cuja principal característica é justamente a forma como aponta para a quantidade imaginativa e “mágica” que circunda o nosso mundo “real”. As descobertas científicas, muito bem estabelecidas e respeitadas por seus mecanismos técnicos, não se distanciam dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/?fbclid=IwAR2cSE-xjAKh8ZsytbCoK22s2ja_8MBabdnOlxf3vKRWzZM81uWv5jCZgaI"><span style="font-weight: 400;">aparatos fantásticos</span></a><span style="font-weight: 400;">: todas essas surgiram de uma hipótese, até mesmo de um sonho, e as verdadeiramente impactantes – como Schrödinger e sua mecânica quântica, o “Princípio da Incerteza” de Werner Heisenberg e os ideais matemáticos-anarquistas de </span><span style="font-weight: 400;">Alexander Grothendieck</span><span style="font-weight: 400;"> – foram contra tudo o que se havia estabelecido como “ciência exata” até aquele momento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possível “loucura” da obra não soa tão estranha aos leitores de Thomas Pynchon, que desenvolveu em seus livros – em especial </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571647992/o-arco-iris-da-gravidade"><i><span style="font-weight: 400;">O Arco-Íris da Gravidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973) – uma mistura pitoresca entre fato científico e invenção artística. Contudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando deixamos de entender o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova, assim como Adorno e Horkheimer fizeram, que as invenções científicas ancoradas na ideia de progresso estão sempre fadadas ao fracasso. Como escreveu </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/07/o-jovem-benjamin/"><span style="font-weight: 400;">Walter Benjamin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a técnica, por si só, é a junção da Arte e da Tecnologia. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_28375" aria-describedby="caption-attachment-28375" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28375 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg" alt="Capa do livro Shine: Uma chance de brilhar da escritora Jessica Jung. A arte da capa é um desenho estruturado em tons de rosa e roxo. O cenário é o quarto de uma jovem garota decorado com pôsteres e um enorme espelho. A jovem está de frente para o espelho e de costas para o leitor. Ela veste uma camiseta rosa e um shorts azul enquanto se imagina em cima de um palco. Na parte inferior, o nome do livro está escrito em roxo e branco, e o nome da autora está escrito em branco." width="606" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Shine-1-517x800.jpg 517w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28375" class="wp-caption-text">No Brasil, a <a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2020/10/saiba-tudo-sobre-o-lancamento-de-shine-livro-de-jessica-jung/">arte de capa</a> do livro foi escolhida por Jessica Jung em um concurso (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Jung &#8211; Shine: Uma chance de brilhar (368 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jessica Jung é uma artista sul-coreana conhecida por ter integrado o grupo feminino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7mPqycQ0tQ"><span style="font-weight: 400;">Girls Generation</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2021, ela estreou como escritora com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bv-eomSjDGw"><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma narrativa que reflete a sua trajetória pessoal na indústria do </span><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A protagonista de Jung é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPpd9b5AiC4&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><span style="font-weight: 400;">Rachel Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem garota que sonha em ascender aos palcos e acaba descobrindo o quanto os bastidores do entretenimento são extremos e cruéis. São muitas as similaridades entre autora e obra: desde a xenofobia sofrida por Kim até a doçura de sua irmã mais nova, a história parece convergir para uma biografia não autorizada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre romances escondidos dos fãs, jornadas de trabalho exaustivas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wq7ftOZBy0E"><span style="font-weight: 400;">colegas de trabalho malvadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jessica Jung ilumina a misoginia da Música sul-coreana e continua o debate sobre as condições nada humanas que as empresas de </span><i><span style="font-weight: 400;">idols</span></i><span style="font-weight: 400;">, celebridades asiáticas, impõem sobre os seus produtos: crianças e adolescentes ainda em fase de formação. </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine: Uma chance de brilhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfic</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficção criada por fãs, mas pode ser considerada uma </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/jessica-jung-revela-detalhes-sobre-seu-livro-shine-uma-chance-de-brilhar/"><i><span style="font-weight: 400;">idolfic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, enquanto Jung não se sente confortável em contar a sua vida a partir da primeira pessoa do singular, os leitores podem decifrar </span><i><span style="font-weight: 400;">Bright</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sequência lançada em 2022. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28377" aria-describedby="caption-attachment-28377" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28377 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/O-escafandro-e-a-borboleta-1-1.jpg" alt="Capa do livro O Escafandro e a Borboleta. A capa tem um fundo branco com o nome do livro centralizado na parte de cima e escrito em vermelho. Abaixo do título há uma linha vermelha pontilhada e logo após o nome do autor. Mais abaixo, há letras dispostas em 6 linhas e 6 colunas, em uma espécie de caça-palavras. Ao fundo deste caça-palavras, há quatro letras maiores e em formato minúsculo, são elas “m”, “g”, “c” e “e”" width="334" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-28377" class="wp-caption-text">A obra ganhou uma adaptação francesa em 2007 por Julian Schnabel (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>Jean-Dominique Bauby: O Escafandro e a Borboleta (144 páginas, WMF Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando as palavras, maior instrumento do seu trabalho, não podem mais ser vocalizadas? É assim que Jean-Dominique Bauby analisa sua história de vida. Após um derrame, Bauby, que era editor da revista francesa <em>Elle</em>, se encontra em uma condição chamada de </span><a href="https://www.lecturio.com/pt/concepts/sindrome-de-locked-in/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Locked-in</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou Síndrome do Encarceramento), na qual perde o movimento de quase todo seu corpo, podendo apenas movimentar o olho esquerdo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É </span><a href="https://www.google.com/amp/s/aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/personagem/jean-dominique-bauby-a-impressionante-saga-do-homem-que-escreveu-um-livro-com-a-palpebra.phtml"><span style="font-weight: 400;">apenas piscando o olho</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com a ajuda de uma fonoaudióloga, que Bauby cria <em>O Escafandro e a Borboleta</em>, uma sincera e tocante análise da vida pelos olhos de alguém que vê sua vida passar enquanto está preso dentro do próprio corpo. Mesmo nessa condição, o autor traz um humor sarcástico para a obra, sem deixar que a história caia no nicho da auto-ajuda. Porém, a história do Escafandro, armadura de mergulho pesada que dificulta seus movimentos (seu corpo) e a Borboleta, animal leve e que voa livre (sua mente) tem o poder de trazer uma nova perspectiva para como enxergamos nossa própria existência. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_28378" aria-describedby="caption-attachment-28378" style="width: 446px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28378 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-milesimo-andar-1.jpeg" alt="Capa do livro O Milésimo Andar. O fundo é completamente preto, com apenas alguns pequenos pontos luminosos, como estrelas. Ao centro, vê-se um grande prédio dourado, com o título da obra escrito na frente. Na parte superior há a frase “Quanto mais alto você está, pior é a queda”, e na inferior estão o nome da autora e a informação de que o livro é um best seller do The New York Times. Na lateral, perto do canto inferior direito, está o nome da editora" width="446" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-28378" class="wp-caption-text">O Milésimo Andar mostra que a vida nas alturas pode não ser tão maravilhosa assim (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Katharine McGee &#8211; O Milésimo Andar (420 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>“Em apenas três minutos, ela iria colidir com o cimento implacável da East Avenue, mas agora, neste exato momento, ela estava mais linda do que nunca”</em>. Assim se inicia</span> <a href="https://www.amazon.com.br/mil%C3%A9simo-andar-Katharine-McGee-ebook/dp/B079XCWG5N/ref=sr_1_2?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-2"><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obra lançada em 2018 e escrita por Katharine McGee, que aborda a vida, os segredos e os fardos de cinco jovens ー Avery Fuller, Leda Cole, Rylin Myers, Watt Bakradi e Eris Dodd-Radson ー no futuro distópico e tecnológico de Manhattan em 2118, pós aquecimento global, onde toda a população da cidade é obrigada a morar em um prédio de mil andares para viver em condições normais após o colapso da natureza.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro possui uma leitura fluida e não muito complexa. Além disso, é muito interessante para quem gosta de histórias com diversos pontos de vista, já que cada capítulo é narrado por um dos personagens principais. O ponto alto da obra são os temas fortes que são abordados com muita maestria e cuidado, como incesto, pressão familiar, desigualdade social, depressão, vício em drogas e outros. Apesar da temática delicada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Milésimo Andar</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de ser leve e divertido de se ler, e é impossível não ficar envolvido com o mistério apresentado, sendo sua única opção ler até o final para receber uma reviravolta surpreendente. E para quem gostar deste título, ainda há as sequências </span><a href="https://www.amazon.com.br/altura-deslumbrante-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B07S2T15QD/ref=sr_1_4?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-4"><i><span style="font-weight: 400;">A Altura Deslumbrante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/vista-infinita-mil%C3%A9simo-andar-Livro-ebook/dp/B08H5NQ4B3/ref=sr_1_3?keywords=o+mil%C3%A9simo+andar&amp;qid=1659724763&amp;sprefix=o+mil%C3%A9%2Caps%2C392&amp;sr=8-3"><i><span style="font-weight: 400;">A Vista Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
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<figure id="attachment_28379" aria-describedby="caption-attachment-28379" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28379 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg" alt="Capa do livro O Rei de Havana. O fundo é verde, na parte superior está escrito o nome do autor Pedro Juan Gutiérrez em letras pretas. Ao lado de seu nome, está o nome da editora Alfaguara e seu logo, arabescos entrelaçados, tudo em preto. Na parte inferior há o desenho de um corvo em preto, e o nome do livro &quot;O Rei de Havana” está escrito em branco, sobrepondo o desenho" width="660" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-660x1024.jpg 660w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-768x1192.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-990x1536.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1320x2048.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1-1200x1862.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/o-rei-de-havana-1.jpg 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28379" class="wp-caption-text">E diz Pedro Gutiérrez que “ao cubano só resta o rum, a salsa e o sexo” (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Juan Gutiérrez &#8211; O Rei de Havana (184 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro Juan Gutiérrez escreve para os fortes de estômago, aqueles estupidamente curiosos em conhecer uma parte da vida em Cuba nos anos 1990. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei de Havana </span></i><span style="font-weight: 400;">atravessa toda a triste clareza com que seu protagonista Reynaldo enxerga a vida marginalizada na capital cubana. De maneira brilhante e obscena, a obra não só </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/23/cultura/1419361987_114715.html"><span style="font-weight: 400;">enxerga o submundo do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas descreve as particularidades das pessoas que a ele pertencem com um objetivo: questionar até que ponto há dignidade na vida de um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É maluco, né? Imaginar como alguém se acostuma tanto à margem da sociedade, à pobreza, à sujeira, que se sente intrínseco àquilo. É assim que </span><a href="https://homoliteratus.com/a-literatura-suja-do-escritor-cubano-pedro-juan-gutierrez/"><span style="font-weight: 400;">o protagonista de Gutiérrez</span></a><span style="font-weight: 400;"> vê a si mesmo, sem compreender como alguém prefere água corrente na torneira e comida no prato todos os dias. Rey é só um adolescente despreocupado, com uma vida arruinada, um passado traumático, e a vontade de permanecer não pensando em nada, nunca. E só se sente um verdadeiro rei quando está transando bêbado, sujo, sem tomar banho, em um lugar qualquer que cheire a xixi. O rei de Havana. </span><b>&#8211; Nathália Mendes </b></p>
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