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	<title>Arquivos Produção Nacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>As Manhãs de Setembro em um país ensinado a odiar minorias</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2021 17:09:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanne Ramos Estamos no país que mais mata transexuais e travestis no mundo. De acordo com um relatório anual publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA), o país teve um total de 175 pessoas transexuais assassinadas em 2020. Esse número equivale a uma morte a cada dois dias, de vítimas que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/manhas-de-setembro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Manhãs de Setembro em um país ensinado a odiar minorias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22053" aria-describedby="caption-attachment-22053" style="width: 1279px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22053" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Leide na esquerda, usando uma jaqueta jeans branca, blusa azul e batom vermelho. Seu cabelo está preso e sua expressão é de emoção, olhando para frente. Está sentada de braços cruzados. No meio, o personagem Gersinho, negro, de baixa estatura, usando blusa de frio aberta preta, blusa azul marinho e olhando para frente. Na direita, a personagem Cassandra. Negra, usando um casaco de lã laranja, blusa marrom, óculos e com expressão de emoção, também olhando para a frente. O ambiente é uma sala de aula." width="1279" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1.jpg 1279w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-1200x493.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22053" class="wp-caption-text">Manhãs de Setembro brinca com a complexidade do conceito de família e emociona com elenco competente (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanne Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos no país que mais mata transexuais e travestis no mundo. De acordo com um </span><a href="https://antrabrasil.files.wordpress.com/2021/01/dossie-trans-2021-29jan2021.pdf"><span style="font-weight: 400;">relatório anual</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (</span><a href="https://antrabrasil.org/"><span style="font-weight: 400;">ANTRA</span></a><span style="font-weight: 400;">), o país teve um total de 175 pessoas transexuais assassinadas em 2020. Esse número equivale a uma morte a cada dois dias, de vítimas que eram mulheres trans/travestis, em sua maioria negras, pobres e prostitutas. E não, </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> não retrata a realidade de uma estatística, pelo contrário, a série nos permite vivenciar um drama que foge dessas fatalidades, mas sem esconder a dura realidade do que é pertencer a esse recorte num país como o Brasil.</span></p>
<p><span id="more-22050"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Luis Pinheiro e Dainara Toffoli, a série brasileira idealizada por Miguel de Almeida chegou ao catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia 25 de junho, </span><a href="https://elle.com.br/cultura/liniker-estreia-como-atriz"><span style="font-weight: 400;">chamando atenção pela protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua premissa. Liniker conquistou o país com sua voz e suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M4s3yTJCcmI&amp;ab_channel=LinikereosCaramelows"><span style="font-weight: 400;">músicas poéticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de sua trajetória única. Mas protagonizando algo tão grande? É uma novidade. Talvez a sua primeira vez no ramo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Há um certo mito de que nem todos os cantores entregam uma boa atuação &#8211; </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/critica-de-tv/em-sequencia-importante-fiuk-deixa-a-desejar-em-a-forca-do-querer"><span style="font-weight: 400;">Fiuk que o diga</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, mas esse não foi o caso da artista. Dando vida à Cassandra, Liniker expressa uma realidade que é bem conhecida por muitos e não tanto por outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma temporada única dividida em cinco episódios, somos apresentados à história de Cassandra, transexual, negra, entregadora de aplicativo, aspirante à cantora e, de certa maneira, ranzinza. Logo no início do primeiro capítulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">É Só Por Hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos a sua trajetória da aquisição de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">kitnet </span></i><span style="font-weight: 400;">na cidade de São Paulo. Não é nem preciso dizer que as condições são semelhantes a de um cortiço. Quem já teve a oportunidade de fazer uma passagem pela cidade, consegue notar a semelhança da paleta soturna e fria da obra com o </span><a href="https://www.nossasaopaulo.org.br/2020/01/22/64-das-pessoas-que-moram-em-sao-paulo-afirmam-que-se-pudessem-sairiam-da-cidade/"><span style="font-weight: 400;">local</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde é ambientada.</span></p>
<figure id="attachment_22054" aria-describedby="caption-attachment-22054" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Cassandra usando roupas estampadas e apoiada na varanda. A imagem possui tons dourados. A personagem está situada à direita da foto, olhando para o horizonte." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22054" class="wp-caption-text">O contexto de fundo colabora com o enriquecimento da trama, e a retratação de São Paulo a partir de quem está na base da pirâmide social é quase um soco de realidade (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um sortudo que não foi pego por </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e caiu de paraquedas na série, a sensação é de que a trama central é a relação de Cassandra com o seu par romântico Ivaldo (interpretado por </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/thomas-aquino-de-boca-a-boca-conta-como-foi-atuar-na-nova-serie-da-netflix-169130/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Aquino</span></a><span style="font-weight: 400;">) e os perrengues da vida afetiva de uma mulher transicionada. Mas a história vai além desse tipo de afetividade. O seu núcleo é a relação da nossa protagonista carrancuda com Leide (</span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2021/01/karine-teles-atriz-sublime-numa-personagem-irresistivel-em-nova-serie-do-canal-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Karine Teles</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma paquera da vida antes da transição, e Gersinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gersinho, interpretado pelo estreante Gustavo Coelho, é uma criança de 12 anos que nunca conheceu o pai. Ao mesmo tempo, mora em um carro carcomido com sua mãe Leide, vendedora </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/ambulantes-desafiam-fase-emergencial-e-seguem-nas-ruas-de-sao-paulo"><span style="font-weight: 400;">ambulante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sem-teto, que, impulsionada pelo desejo do filho, decide ir atrás de Clóvis, o pai do garoto. Esse é o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;">, Clóvis agora é Cassandra, que se vê desesperada ao descobrir que a relação antiga com Leide resultou em um filho que desconhecia até então. Neste momento, é como se pudéssemos enxergar uma placa de negação na testa da personagem. Ela passa por um bom tempo rejeitando o garoto, que numa espécie de pureza, enxerga na pessoa feminina a imagem de seu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O restante da série é de difícil descrição. É incrível o tanto de nuances que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro </span></i><span style="font-weight: 400;">em cinco episódios de 30 minutos cada. Mas alguns fatores são dignos de destaque, começando pela alusão à cantora Vanusa. A homenagem vem desde o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-az59cJi9dE&amp;ab_channel=Jos%C3%A9Almeida"><span style="font-weight: 400;">título da série</span></a><span style="font-weight: 400;">, até a importância dada para a artista, uma explícita inspiração de Cassandra. A narradora “fada madrinha”, uma voz oculta que aconselha &#8211; nem sempre no melhor sentido da coisa &#8211; a protagonista em diversos momentos, é um baita tributo à figura irreverente da musa brasileira que nos deixou em 2020. E as interpretações! Parte da discografia de Vanusa ganham uma roupagem incrível na voz de Liniker e costura diversos momentos em que é possível associar a riqueza lírica com a situação em cena.</span></p>
<figure id="attachment_22055" aria-describedby="caption-attachment-22055" style="width: 1331px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Cassandra está centralizada, sentada e cantando segurando um microfone. Usa roupas pretas. Ao lado esquerdo, o personagem Décio, senhor, branco, tocando instrumentos. O fundo é uma cortina vermelha de teatro." width="1331" height="749" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3.jpg 1331w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22055" class="wp-caption-text">Como um Ode à Vanusa, Liniker honra a artista fazendo o que sabe de melhor: cantar, se equilibrando numa atuação digna (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://revistacrescer.globo.com/Educacao-Comportamento/noticia/2021/01/maternidade-trans-e-resistencia-historias-de-mulheres-que-lutam-diariamente-pelo-direito-da-maternidade.html"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é outro norte precioso da obra. Temos Leide, uma mulher que ama o seu filho mas não sabe como ser uma boa mãe e passa toda a sua história entre erros tentando ser a figura materna digna que Gersinho merece. Cassandra, por sua vez, custa a aceitar o pequeno, ainda mais pela criança chamá-la de pai, inocentemente sem conseguir discernir a imagem feminina da convenção de que, se Leide é sua mãe, Cassandra só pode ser o pai. Esse embate da criança carente por aceitação e da protagonista que nega aceitá-la torna tudo menos clichê e previsível, e de certa forma até prazeroso. É satisfatório notar os momentos que o pequeno gênio consegue penetrar a casca dura de Cass. Impossível ninguém se emocionar no momento </span><a href="https://pbs.twimg.com/media/E6TSoGVWYAclxyH?format=jpg&amp;name=medium"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é muito bonita, pai</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para fechar o ciclo de abordagem familiar, somos também presenteados com algumas estruturas únicas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos apresenta ao casal Aristides (Gero Camilo) e Décio (Paulo Miklos), amigos de Cassandra e que protagonizam momentos memoráveis com Gersinho; à Grazy, colega de escola da estrela mirim, que, de maneira subentendida, é filha de uma garota de programa que confia na esperteza da filha; ao núcleo familiar de Ivaldo, onde sua filha bem resolvida pretende se assumir, chocando o pai com tanta confiança; e por último e não menos importante, também existe a rede afetiva de Cassandra, composta por outras mulheres negras transexuais &#8211; incluindo Pedrita, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y5rY2N1XuLI&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><span style="font-weight: 400;">Linn da Quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22056" aria-describedby="caption-attachment-22056" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Pedrita à esquerda usando um top e mini saia com estampas de tigre. Ao seu lado, Cassandra, de regata estampada e short. Ambas estão se movimentando e sorrindo. O cenário é um quarto." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22056" class="wp-caption-text">A série é um dos poucos materiais nacionais que retratam tamanha diversidade em núcleos centrais, que sirva de incentivo para muitas outras (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma daquelas séries que <a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/">não possui uma única mensagem, mas várias</a>. E se você pisca o olho, acaba perdendo alguma delas. É sobre as possibilidades de família, </span><a href="https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/25989"><span style="font-weight: 400;">precarização do trabalho</span></a> <span style="font-weight: 400;">e de moradias, pessoas em situação de rua, estratificação social, afetividade e acima de tudo, realidade. São tantos pontos, que alguns com certeza podem ter sido deixados de fora dessa crítica, e a visão de quem assiste pode ser distinta. Mas é isso que caracteriza um trabalho tão subjetivo. O texto foi aberto com a realidade trágica de muitas trans/travestis, mas a produção é preenchida com instantes de risos, tristezas, alegrias e prazeres, mostrando que essa não é, e nem deve ser o único aspecto a ser notado, muito menos, a única possibilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Manhãs de Setembro  | Trailer Oficial | Amazon Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NoXyFvRjem0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em tempos de amnésia seletiva, Cidade Invisível entrega esperança e suscita discussões</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 15:58:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Como seria se o nosso folclore se materializasse e convivesse todos os dias conosco, com seus personagens despercebidos e infiltrados na sociedade? Se as histórias de infância fossem realmente verdade? Essa é a proposta de Carlos Saldanha (diretor das franquias Rio e A Era do Gelo) em Cidade Invisível. Diferentemente do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em tempos de amnésia seletiva, Cidade Invisível entrega esperança e suscita discussões"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18845" aria-describedby="caption-attachment-18845" style="width: 793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular do ator Marcos Pigossi, dos ombros até o topo da cabeça. Ele é um homem de cabelos castanhos, barba e bigode. Ele está sentado numa poltrona azul claro e possui uma borboleta sobre os olhos. Ela é roxa azulada com manchas pretas nas bordas das asas. Na parte inferior de cada asa, tem um círculo branco com um círculo roxo dentro, imitando dois olhos. Marcos possui a boca semiaberta, com a parte debaixo dos dentes da frente aparecendo, como se estivesse num cochilo. Ao fundo, há um aparador de madeira. A imagem possui uma tonalidade amarela acentuada. " width="793" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1.jpg 793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-1-768x434.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18845" class="wp-caption-text">“As pessoas são cruéis, elas têm medo de tudo que é diferente porque a gente revela como elas são absurdamente iguais e entediantes” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Júlia Paes de Arruda</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como seria se o nosso folclore se materializasse e convivesse todos os dias conosco, com seus personagens despercebidos e infiltrados na sociedade? Se as histórias de infância fossem realmente verdade? Essa é a proposta de Carlos Saldanha (diretor das franquias </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hNVoO6doPuk"><i><span style="font-weight: 400;">Rio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gbipuaW6ncw"><i><span style="font-weight: 400;">A Era do Gelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) em </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/80217517"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente do que estamos acostumados, o </span><a href="https://vejario.abril.com.br/programe-se/serie-cidade-invisivel-netflix-sucesso/"><span style="font-weight: 400;">novo sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ganha um teor adulto ao unir-se com um suspense investigativo. Apesar da narrativa envolvente e provocante, a execução das ideias traz algumas problemáticas que merecem ser destacadas. </span></p>
<p><span id="more-18844"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem espera algo na mesma linha do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SSJeLs3vekE"><i><span style="font-weight: 400;">Sítio do Picapau Amarelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está muito enganado. A história é contada na visão de Eric (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1CIdcHAVe3A"><span style="font-weight: 400;">Marco Pigossi</span></a><span style="font-weight: 400;">), um detetive da polícia ambiental que acaba perdendo sua esposa, a antropóloga Gabriela (Julia Konrad) num incêndio na Vila Toré, no Rio de Janeiro, onde ela trabalhava. Em luto e cheio de questionamentos, ele se depara com circunstâncias inusitadas e imprevisíveis que desafiam seus princípios e sua própria identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resgate das narrativas orais em </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/08/19/comunidades-de-tradicao-oral-vivem-desafio-adicional-com-mortes-por-covid.htm"><span style="font-weight: 400;">risco de extinção</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo ponto de partida para a criação da série. Porém, a preservação de pontos chaves é fundamental para a autenticidade das histórias. O erro de Saldanha nesse caso é introduzi-las no Rio de Janeiro, sendo que as paisagens nortistas eram o principal cenário das originais. Afinal, é realmente estranho achar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3v2ZXWF8poo"><span style="font-weight: 400;">boto-cor-de-rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, natural de águas doces, encalhado numa praia, não é? O que pode ser considerado positivo dessa alteração é que os personagens são colocados numa capital carioca pouco apresentada aos turistas. A situação de vulnerabilidade em que estão os seres folclóricos também alavanca a ideia de &#8220;infiltrados&#8221; dentro da sociedade brasileira, evidenciando uma sensação de deslocamento que uma parte da nossa cultura enfrenta dentro da própria comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_18848" aria-describedby="caption-attachment-18848" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular de uma praia do Rio de Janeiro com os morros do Pão de Açúcar e da Urca ao fundo, no canto superior esquerdo. Mais abaixo dos morros, há uma praça arborizada com dois postes de iluminação, um mais afastado que o outro. No canto inferior direito, mais próximo a câmera, está o ator Marco Pigossi agachado na areia da praia. Ele é um homem de cabelos castanhos com barba e bigode. Ele veste uma camisa azul marinho com as mangas em azul mais escuro e uma bermuda preta. Ele usa um tênis de corrida preto com três faixas verticais e brancas na lateral. Possui uma pulseira no pulso direito e um relógio no pulso esquerdo. A mão direita está apoiada em suas coxas com a mão entre suas pernas. Com a mão esquerda, ele fala ao telefone. Próximo a ele, está um boto-cor-de-rosa morto estirado na areia. " width="768" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/cidade-inv-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18848" class="wp-caption-text">“Eu tô com um boto na caçamba do meu carro!” “Mas hoje é jogo do Flamengo. Eu tenho que ir” (Foto: Alisson Louback)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> policial é o que prende a atenção do público e o instiga a pular para o próximo episódio. Isso se deve à atuação de Pigossi, que traduz com sinceridade a carga dramática do personagem. Mas apesar do suspense instigante, incomoda a falta de aprofundamento nas entidades. Enquanto a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/cidade-invisivel-por-que-cuca-aparece-diferente-na-serie-da-netflix.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cuca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alessandra Negrini) vai e vem de uma forma que é possível compreender sua história, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=923nsj_V2Q4"><span style="font-weight: 400;">Saci</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Wesley Guimarães) serve apenas de porta de entrada para o universo folclórico, sendo deixado de lado em grande parte da narrativa. Uma boa sacada para seu disfarce entre as pessoas é a utilização de uma prótese em uma das pernas. Aliás, talvez seja um pouco óbvio, mas o roteiro deixa implícito sua verdadeira identidade ao batizá-lo de Isac &#8211; um anagrama para Saci.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de, claro, ter a função comercial, a história original de </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2015/08/18/carolina-munhoz-e-raphael-draccon-conheca-o-casal-da-literatura-fantastica.htm"><span style="font-weight: 400;">Raphael Draccon e Carolina Munhóz</span></a><span style="font-weight: 400;"> promove uma mensagem importante a respeito de prioridades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega uma oposição entre a falsa ideia de </span><a href="https://correiodoestado.com.br//opiniao/alysson-moreira-e-josilene-di-pietro-progresso-e-meio-ambiente-um/327060"><span style="font-weight: 400;">progresso</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a preservação do que é </span><a href="http://www.revistacapitolina.com.br/tradicao-oral-e-a-preservacao-de-culturas/"><span style="font-weight: 400;">ancestral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso é válido tanto para as narrativas orais, que acabam </span><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40142005000300027"><span style="font-weight: 400;">se perdendo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no volátil mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, quanto para as de preservação da natureza. No enredo, a construção de um novo empreendimento (obviamente, extremamente lucrativo) é motivo suficiente para destruir a biodiversidade nativa, obrigando os moradores da Vila Toré, até mesmo os mais persistentes, a se mudarem da região para sobreviver. Esse tópico poderia até ser uma farpa para o <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2020/09/4876493-governo-espalha-cortina-de-fumaca.html">descaso</a> com as <a href="https://www.dw.com/pt-br/brasil-encerra-2020-com-maior-n%C3%BAmero-de-focos-de-queimadas-em-uma-d%C3%A9cada/a-56119157#:~:text=Brasil%20encerra%202020%20com%20maior%20n%C3%BAmero%20de%20focos%20de%20queimadas%20em%20uma%20d%C3%A9cada,-Pantanal%20registrou%20maior&amp;text=O%20Brasil%20encerrou%202020%20com,aumento%20de%2012%2C7%25.">queimadas</a> que ocorreram em nosso país nos últimos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, é importante falar que a produção nacional da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netlfix</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/cidade-invisivel-gera-polemica-por-ausencia-de-indigenas-no-elenco"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre os pontos abordados, o mais discutido foi a falta de </span><a href="https://twitter.com/alice_pataxo/status/1361391841158004738?s=20"><span style="font-weight: 400;">representatividade indígena</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro e fora das gravações. Além disso, surgiram também críticas sobre a forma tratada de uma </span><a href="https://twitter.com/PataxoThyara/status/1361736504343748610?s=20"><span style="font-weight: 400;">religião não-cristã</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se suas crenças fossem mera fantasia. Nas </span><a href="https://twitter.com/Tdetravesti/status/1362456311288496130"><span style="font-weight: 400;">repercussões</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitos salientaram a importância de consultar os povos originários para frisar as suas versões e não as folclóricas dentro do roteiro. Isso os daria visibilidade suficiente para evitar julgamentos incoerentes e distorcidos que apenas reforçam estereótipos.</span></p>
<figure id="attachment_18849" aria-describedby="caption-attachment-18849" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-18849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-1024x576.jpg" alt="Cena da série Cidade Invisível. Fotografia retangular dos atores Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Áurea Maranhão, respectivamente. Eles estão numa sala de interrogatório, com três janelas com persianas. Alessandra é uma mulher de cabelos cacheados pretos soltos com tererês nas mechas frontais. Ela veste um vestido preto com renda nas mangas e no colo. Ela está sentada numa cadeira preta com as mãos entrelaçadas sobre a mesa verde. Ela usa uma luva preta de renda que não cobre os dedos, unhas pintadas e pulseiras na mão direita. Ela possui olhos escuros e olha diretamente para a câmera. Marco é um homem de cabelos castanhos com barba e bigode. Sua expressão facial está enfurecida. Ele veste uma blusa cinza, uma camiseta de botões cinza por cima e calça jeans preta. Pendurado em seu pescoço, está um distintivo. Ele está ao lado de Alessandra, em pé com o corpo à frente e a mão esquerda apoiada na cadeira de Alessandra e a direita na mesa. No pulso direito, há um relógio preto. Áurea é uma mulher de cabelos castanhos escuros presos em um rabo. Ela está de perfil, virado para a esquerda. Ela veste uma camisa cinza de manga curta, possui um brinco prateado na orelha esquerda e um relógio preto no pulso esquerdo. Com a mão direita, ela segura uma caneta bic azul. Ela está sentada na mesa interrogando Alessandra. Na frente de Áurea, existem papéis presos por um clips e um caderno com espiral pequeno aberto embaixo da sua mão direita. Ao fundo, pendurado na parede amarela, um cartaz com uma foto de um cachorro malhado, faixa preta na parte inferior com o texto “Maltratar animais é” em vermelho e letras maiúsculas seguido de um retângulo vermelho entortado para a esquerda com “crime” escrito em letras brancas e maiúsculas. Abaixo, parênteses brancos em tamanho decrescente seguido de “DENUNCIE” em letras maiúsculas e brancas e o telefone 456 9989 em vermelho. " width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Foto-3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18849" class="wp-caption-text">A série foi renovada para sua segunda temporada e o serviço de streaming <a href="https://twitter.com/lauromanoel/status/1366744155108618240">afirmou</a> ter noção da responsabilidades que tem nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação do elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é impecável. Marco Pigossi pode até ser o protagonista, mas não supera o desempenho de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=97SinB7Cw4k"><span style="font-weight: 400;">Alessandra Negrini</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a Cuca. A sensualidade da atriz transita com a da personagem e entrega uma caracterização poderosa e intensa. O jogo de câmeras, juntamente com a iluminação dos espaços, faz com que o público tenha dúvida do lado em que ela está, o que torna a bruxa extremamente instigante. O destaque também vai para Fábio Lago como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-W2LmqjHSI"><span style="font-weight: 400;">Curupira</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amadurecimento do guerreiro é realmente magnífico na tela e (literalmente) pega fogo com a </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/fabio-lago-fala-sobre-personagem-nick-cabeleireiro-gay-em-o-outro-lado-do-paraiso-exibe-seu-lado-humano"><span style="font-weight: 400;">dedicação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.purepeople.com.br/famosos/fabio-lago_p356881"><span style="font-weight: 400;">destreza</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lago em incorporar com garra seus papéis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A menção honrosa é de Jessica Cores como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=teeGNR2hr14"><span style="font-weight: 400;">Iara</span></a><span style="font-weight: 400;">, que soube encarnar com aptidão as características mais marcantes da conhecida sereia. O encanto da personagem é perceptível tanto pelos seus traços físicos quanto pelos trejeitos, especialmente pelo olhar hipnotizante. Obviamente, não poderia deixar de lado a voz sedutora. Ao cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Sangue Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bloco-na-rua-critica/"><span style="font-weight: 400;">Secos &amp; Molhados</span></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz mostra sua versatilidade e fascina os ouvintes, tanto do bar quanto dos que assistem a cena. Além disso, a canção ilustra o sentimento da entidade, que é obrigada a levar os homens ao mar para matá-los. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora de <em>Cidade Invisível</em> é essencial para construir a narrativa. Já no primeiro episódio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ABe9q_gB6M"><i><span style="font-weight: 400;">Tu Tá na Gaiola</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Kevin O Chris é utilizada para projetar o Saci, demarcando a vivência de Isac. A própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Nana Neném </span></i><span style="font-weight: 400;">traça os poderes da Cuca que, juntamente com uma fotografia predominantemente de cores escuras, carrega o ar de mistério que as cenas exigem. Para definir Manaus (Victor Sparapane), o boto, os clássicos </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/samba/"><span style="font-weight: 400;">sambas brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> delineiam a malícia e a malandragem que o personagem tem, ainda mais quando está agregada ao chapéu característico e às doses de bebida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sangue Latino - O canto da Sereia | Cidade Invisível" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEYLZtOzsEI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> não começou totalmente com o pé direito, mas o enredo atrativo e emocionante conquistou o coração do público. Além disso, trata-se de uma produção nacional, mérito que, recentemente, vem sendo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/em-ofensiva-contra-ancine-bolsonaro-corta-43-de-fundo-do-audiovisual.shtml"><span style="font-weight: 400;">alvo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ataques e desmanches, mesmo tendo grande impacto </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2019-12-27/sob-ataque-de-bolsonaro-cultura-defende-seu-impacto-na-economia-com-receita-de-170-bilhoes-de-reais.html"><span style="font-weight: 400;">econômico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jornaljr.com.br/2018/06/19/escrito-precisamos-falar-sobre-o-cinema-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> no país. Em tempos sombrios, apreciar o resgate às </span><a href="https://educacaointegral.org.br/reportagens/a-importancia-da-tradicao-oral-para-o-multiletramento/"><span style="font-weight: 400;">tradições orais nacionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a tentativa de engrandecer as nossas produções dá aquela ponta de esperança que não é tão ruim ser brasileiro. E se ela abranger nossos povos de maneira a eliminar estereótipos e a trazer visibilidade, melhor ainda! </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-invisivel-critica/">Em tempos de amnésia seletiva, Cidade Invisível entrega esperança e suscita discussões</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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