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	<title>Arquivos Pimentinha &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2022 22:36:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nada é copiado, tudo é herdado  Ana Júlia Trevisan “Quero tanta coisa legal, sabe. Que ela ria muito, que ela não fique pesada nunca” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de Grammys Latino. A progenitora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita: a potência da herança genética e cultural"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Nada é copiado, tudo é herdado</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<figure id="attachment_27115" aria-describedby="caption-attachment-27115" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-27115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/11420734_109450239390627_130003198_n-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27115" class="wp-caption-text">Durante seus breves 18 anos de carreira, Elis produziu sete álbuns ao vivo e vinte e um em estúdio (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quero tanta coisa legal, sabe. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oX1iftyO21s&amp;t=162s&amp;ab_channel=RodrigoSelis"><i><span style="font-weight: 400;">Que ela ria muito</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, que ela não fique pesada nunca</span></i><span style="font-weight: 400;">” desejava Elis Regina à sua filha, Maria Rita. De um lado, a dona dos discos mais importantes do país. Do outro, a brasileira com maior número de </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1461850009578655752"><i><span style="font-weight: 400;">Grammys Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A progenitora atacada por proteger sua família, a caçula golpeada por uma trupe ignorante que faz o insano questionamento de “como uma filha pode ser tão parecida com a mãe?”. Aqui o intuito não é comparar, e sim celebrar as duas carreiras meteóricas, construídas por duas mulheres libertárias, inspiradoras, donas da própria produção e que estão eternamente ligadas pelo laço materno.</span></p>
<p><span id="more-27114"></span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha mais velha de dona Ercy e seu Romeu, nasceu no dia 17 de março de 1945, num domingo ensolarado em Porto Alegre. Em casa, passava o dia ao lado do aparelho de rádio que tocava Ângela Maria, Emilinha Borba e Cauby Peixoto. Aos três anos, cantarolava pelos quartos, aos cinco, encantava mãe, avó e vizinhos que ouviam a confiante e indomável voz daquela menininha. Foi no </span><a href="http://www.radionors.jor.br/2013/10/ary-rego-e-o-clube-do-guri-2007-luiz.html"><i><span style="font-weight: 400;">Clube do Guri</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, programa da rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Farroupilha</span></i><span style="font-weight: 400;">, aos 12 anos, que Elis se rendeu de vez à música, munida com o dom que carregava desde o nascimento, arrebatou os ouvidos dos caça-talentos e de todos os gaúchos que acompanhavam a programação. Um ano mais tarde, registrou seu primeiro emprego em carteira de trabalho na rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade Gaúcha</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aos 20 anos, ela já era a cantora mais bem paga da época.</span></p>
<figure id="attachment_27116" aria-describedby="caption-attachment-27116" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-27116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg" alt="" width="800" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-800x616.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-1024x788.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001-768x591.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ELIS_001.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27116" class="wp-caption-text">Triste Amor Que Vai Morrer é a única composição assinada por Elis Regina, ela foi registrada na Editora Moderna em 1966 (Foto: Maxim Shemetov)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil nunca mais fora o mesmo após a manhã de </span><a href="https://www.cut.org.br/artigos/ditadura-nao-se-comemora-e-para-lembrar-para-que-nao-volte-a-acontecer-300c"><span style="font-weight: 400;">31 de março de 1964</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do sul, Elis Regina desembarca no Rio de Janeiro com o pai Romeu, 36 mil cruzeiros velhos, alguns endereços e uma carta de recomendação profissional. De Minas Gerais, Mourão Filho marchava de Juiz de Fora à capital carioca para borrar de sangue a história do país no </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/"><span style="font-weight: 400;">golpe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Estado que instaurou a ditadura militar. A revolução musical brasileira e a barbárie que matou os filhos da pátria davam os primeiros passos ali, no mesmo dia e no mesmo lugar. O país ficaria marcado para sempre pela glória da voz e pela dor dos cadáveres. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas antes de definitivamente se envolver com o momento mais sombrio da história recente do Brasil, Elis deu seus primeiros passos para o estrelato na rua Duvivier, em Copacabana, no quintal da bossa nova e do </span><i><span style="font-weight: 400;">samba-jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o maior número de músicos por metros quadrados: o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44783821"><span style="font-weight: 400;">Beco das Garrafas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O nome vem pela maneira com a qual a vizinhança recebia os artistas, que reconhecendo-os como arruaceiros, disparavam garrafas das janelas em direção àquela juventude insana que estava no beco. Com música e público à beça, foi no lá que começou a lapidação daquela garota de personalidade explosiva que encontrava barreiras para se expressar livremente no repertório que lhe era dado. Entre os encontros proporcionados, um dos mais marcantes na biografia da cantora fica a cargo do coreógrafo norte-americano </span><a href="http://clickondance.com.br/novidades/novidade/8904?p=4"><span style="font-weight: 400;">Lennie Dale</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dale foi um dos grandes responsáveis por instaurar a expressão corporal à música brasileira. Com seu auxílio, a autenticidade de Elis começou a quebrar a casca que a guardava. Sua musicalidade era tamanha que parecia não caber em seu 1,52m, então, a saída era fazer com que seu corpo se permitisse liberar a energia apoteótica ao cantar. Braços para cima e duas hélices formadas, a performance estava feita. Apelidada de Hélice Regina pelos movimentos que fazia durante a apresentação, ela defendeu </span><a href="https://cantodampb.com/arrastao-edu-lobo-e-vinicius-de-moraes/"><i><span style="font-weight: 400;">Arrastão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1965, no </span><a href="https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia-do-brasil/os-festivais-60-resistencia-feita-pela-musica.htm#:~:text=Em%20abril%20de%201965%2C%20ocorreu,Moraes%2C%20interpretada%20por%20Elis%20Regina."><span style="font-weight: 400;">1º Festival da Música Popular Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> da TV</span><i><span style="font-weight: 400;"> Excelsior</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo o concurso com a canção e levando o prêmio de Melhor Intérprete do evento. A maneira frenética de Elis se apresentar quebrou de vez os velhos padrões da tranquila e polida bossa nova, marcando o surgimento do que hoje é conhecido como Música Popular Brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Elis Regina- Arrastão (TV Excelsior, 1965)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/CM9VShnvbnw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocupando mais espaço em cena, o mundo se tornava cada vez menor para a grandeza de Elis Regina. Sua personalidade intensa &#8211; que lhe rendeu o apelido de </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cultura/2014/01/ha-32-anos-o-brasil-perdia-a-cantora-elis-regina"><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; começou a encontrar espaço em canções que se encaixavam perfeitamente em sua voz, reconhecendo a cantora como a dona do instrumento mais potente do Brasil e com interpretação majestosa. Em 1965, Elis Regina passou a apresentar, ao lado do cantor Jair Rodrigues, no programa </span><a href="https://recordtv.r7.com/fala-brasil/videos/o-fino-da-bossa-saiba-como-foi-o-inicio-da-carreira-de-jair-rodrigues-06102018"><i><span style="font-weight: 400;">O Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Walter Silva e transmitido na TV </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo-se no ar até 1967, foram lançados uma série de três discos em parceria, sendo o </span><a href="https://open.spotify.com/album/0oKGsYeWtjIMz703Jsc4lB?si=v6yqUJ7ISFqitRpmG1Zr0Q"><i><span style="font-weight: 400;">Dois na Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro a vender mais de um milhão de cópias</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 1970, se ainda restavam dúvidas, consagrou de uma vez por todas Elis Regina como a maior intérprete do país. Sua voz inigualável, seu carisma exacerbado e seu coração imenso abriram caminho para que outros gigantes da Música Popular Brasileira pudessem exercer a Arte. Amiga sincera, foi Elis que mostrou ao mundo o poder de compositores como Milton Nascimento, Renato Teixeira e </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/01/elis-regina-como-nossos-pais-belchior/"><span style="font-weight: 400;">Belchior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua parceria com Gilberto Gil arrebatou o cantor, não havia como não se envolver a cada estrofe cantada com tanto fervor pela Pimentinha. Ainda na primeira metade dessa década, foi gravado o histórico </span><i><span style="font-weight: 400;">LP </span></i><a href="https://jobim.com.br/elis-regina-e-tom-jobim-conheca-a-historia-dessa-parceria/"><i><span style="font-weight: 400;">Elis &amp; Tom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que como presente de 10 anos de carreira, colocou Elis para cantar ao lado de um de seus maiores ídolos em um dos álbuns mais importantes da história da Música.</span></p>
<figure id="attachment_27117" aria-describedby="caption-attachment-27117" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg" alt="" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/01125da99cb1ecbf9a8b17df9c8d90b2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27117" class="wp-caption-text">Em 1964, Tom Jobim taxou Elis Regina como “cantora de churrascaria”, reprovando-a do disco Pobre Menina Rica (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O talento e magnitude de Elis a levaram aos quatro cantos do planeta. Foi durante sua temporada na Europa que a cantora escancarou sua opinião oposta à ditadura para uma revista holandesa, ficando assim marcada no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) como inimiga do regime. A artista, que “não abaixava a cabeça para milico” sofreu o golpe mais baixo de todos: com a segurança de seus filhos, seus bem maiores, ameaçada, a artista foi obrigada pelos militares a cantar o Hino Nacional nas Olimpíadas do Exército. Cravada como traidora da pátria e enterrada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-cemiterio-dos-mortos-vivos-conheca-os-quadrinhos-que-enterravam-figuras-durante-a-ditadura.phtml"><span style="font-weight: 400;">cemitério de Henfil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina transformou a dor em combustível e seu repertório passou a ser totalmente engajado como oposição à ditadura, transformando a cantora em uma das principais vozes da resistência social comandada pela classe artística.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos álbuns homônimos aos que se transformaram em grandes espetáculos, do grito de força em </span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao choro afinado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg&amp;ab_channel=ninne"><i><span style="font-weight: 400;">Atrás da Porta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em cada trabalho Elis Regina entregava uma cantora completa, despida e que não vivia pra cantar, mas cantava para viver. Fundadora da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elis Regina moldou o formato de se apresentar música, afinal, ela não compunha, mas usava de sua voz para dar vida aos sentimentos escritos no papel por outras pessoas. É com a força e vitalidade de sua expressão que nasce seus dois maiores e mais importantes </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 257 apresentações e público de 280 mil pessoas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brilhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que teve a direção cênica de Myriam Muniz e a direção musical de Cesar Camargo Mariano, companheiro de palco e de vida de Elis &#8211; contava destemidamente a trajetória da artista com elementos teatrais circenses e um repertório de 42 músicas. Trazendo uma metáfora em seu título, o álbum destaca </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0N7CIOOxNqk&amp;ab_channel=ElisRegina-Topic"><span style="font-weight: 400;">canções contestatórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a interpretação agressiva denuncia a falta de liberdade com o </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5"><span style="font-weight: 400;">Ato Institucional nº 5</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua inquietude chega ao ápice em 1978, e rompendo com a atmosfera colorida do antecessor, a cantora equilibra técnica e emoção em <i>Transversal do Tempo</i>, um espetáculo político, pesado e grandioso, que reverberava a angústia coletiva causada pelos Anos de Chumbo.</span></p>
<figure id="attachment_27118" aria-describedby="caption-attachment-27118" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27118" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-640x800.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-819x1024.png 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n-768x960.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/275903557_388071019828783_3504511417586388556_n.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27118" class="wp-caption-text">Elis teve três filhos: João Marcelo, Pedro Mariano e Maria Rita (Foto: Arquivo Elis Regina)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos encontros que ilustram a imensidão da artista, o mais famoso se dá com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1976, a Santa Rita de Sampa foi presa, grávida de seu filho mais velho e desamparada. De gêneros distintos da música, Rita &#8211; rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e Elis &#8211; musa mor da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; mal se cumprimentavam nos bastidores até que o carcereiro falou:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Oh, Ovelha Negra, tem uma cantora famosa aí que está rodando a baiana, dizendo que vai chamar a imprensa. Ela quer te ver. Aí o delegado mandou te chamar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo em seguida, Elis Regina, a poderosa, entra em cena, de mãos dadas com João Marcelo, seu filho mais velho, e exigindo auxílio médico e comida à Rita.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso as duas viraram amigas, vizinhas na Cantareira, companheiras de luta política contra a repressão da época e parceiras musicais com Elis gravando canções de Rita. A amizade das duas rendeu a brincadeira de serem </span><a href="https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4269017436533554&amp;id=660182837417050&amp;m_entstream_source=timeline"><span style="font-weight: 400;">colegas de internato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os apelidos carinhosos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ghUnVxgXvus&amp;ab_channel=RitaLee"><span style="font-weight: 400;">Maria Elis e Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disso, vem o nome da caçula de Elis Regina. Maria Rita Camargo Mariano nasceu no dia 9 de setembro de 1977, no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com a filha no colo, Elis sorria e cantava, as gargalhadas da artista com sua menininha nos braços domavam a ala hospitalar. Maria trouxe a graça e a leveza que havia sido roubada de Elis por pertencer a um mundo dominado por homens que lhe cobrava imposição dobrada. Toda feminilidade da cantora, aguçada pelo nascimento de sua filha, desabrocha no disco <i>Essa Mulher</i>.</span></p>
<figure id="attachment_27119" aria-describedby="caption-attachment-27119" style="width: 646px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27119" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png" alt="" width="646" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-646x800.png 646w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-827x1024.png 827w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750-768x951.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Morte-de-Elis-Regina-completa-40-anos-nesta-quarta0316073301202201191750.png 968w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27119" class="wp-caption-text">Doce de Pimenta, a canção que melhor representa Elis, foi composta por Rita Lee como forma de presentear a amiga (Foto: Paulo Kawall)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1979, Elis Regina gravou o disco mais arrebatador de sua carreira e, por infortúnio do destino, o último. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2xYd1q-qN8U&amp;ab_channel=UniversalMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é repleto de técnica vocal, postura, brilho e sofisticação. Em contraponto ao martírio e rancor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Transversal do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco de 79 traz a imagem de mulher feminina que a sociedade esperava, mas com a desenvoltura de escolha de um repertório que denunciava as carências e a sensibilidade da artista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Essa Mulher</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolve </span><span style="font-weight: 400;">pela trama ousada, entretanto não perde a característica política de Elis. Foi nesse disco que a cantora eternizou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6kVBqefGcf4&amp;ab_channel=milllon"><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, hino da anistia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três anos depois, na manhã do dia 19 de janeiro de 1982, a morte de Elis Regina provocou uma ferida que demoraria para se estancar. Mãe, mulher, artista e militante, a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos; dona do maior legado da Música brasileira e eterna inspiração de Milton Nascimento, autoconsciente de seu tamanho, amante das canções e crente na bondade do ser humano. Elis desistiu de desenvolver sua carreira internacional na Europa por saudades do país e, principalmente, dos filhos. Enquanto o Brasil perdia um ídolo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DqnXJCZ0-VU&amp;ab_channel=ReplayHD"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita perdia a mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27137" aria-describedby="caption-attachment-27137" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-543x800.png 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-694x1024.png 694w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x1132.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.png 980w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-27137" class="wp-caption-text">Elis foi velada no Teatro Bandeirantes, palco que a acolheu inúmeras vezes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma alma tão grandiosa como a de Elis jamais deixaria sua pátria órfã. Seu talento foi herdado &#8211; e aqui cabe um destaque à palavra herdado, ou seja, vital e não escolhido &#8211;  por Maria Rita, que muito nova teve que lidar com a ausência materna e com a ingrata tarefa de ter o mesmo dom da mãe. Mas é em meio a pressão de seguir o ofício de sua protetora que Maria reafirma a herança genética. A caçula de Elis ouviu desde cedo que </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=661179708639929"><i><span style="font-weight: 400;">tinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> o dever de cantar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o caminho mais fácil nunca foi opção. A beleza da arte de Maria Rita desabrocha da necessidade de cantar, assim como era com a sua mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter a figura materna presente e carinhosa em seus quatro anos juntas, ser filha de Elis Regina foi o oposto do que deveria. E não por causa da presença do  amor que transcende a vida, mas por conta de urubus que rivalizaram ao jogarem as duas no coliseu para brigarem com leões. A mídia tornou o cantar de Maria mais difícil e criou o pior dos cenários, interferindo na relação mãe e filha da qual ela </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/01/19/maria-rita-desabafa-sobre-comparacoes-com-elis-regina-estou-cansada.htm"><span style="font-weight: 400;">não tem recordações</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo peso do trauma. Vinte anos depois, o resultado é a resistência do amor que soterra a rivalidade.</span></p>
<figure id="attachment_27120" aria-describedby="caption-attachment-27120" style="width: 654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg" alt="" width="654" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-654x800.jpg 654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-837x1024.jpg 837w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n-768x940.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/23825280_551558471855480_3717422837548449792_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27120" class="wp-caption-text">A primeira vez que Maria Rita pisou no palco foi em 6 de maio de 2002 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria Rita se formou em Comunicação Social na Universidade de Nova Iorque, e aluna exemplar que foi, também ganhou bolsa para concluir a cadeira de Estudos Latino Americanos. De volta ao Brasil, ela foi trabalhar com produção musical, e mais tarde &#8211; após noites de insônia -, sentiu que era o momento certo de usar a voz como instrumento para compor trilhas sonoras de vidas. Então, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xJP_rj7yXOs&amp;ab_channel=CanalBrasil"><span style="font-weight: 400;">começou a cantar</span></a><span style="font-weight: 400;"> profissionalmente aos 24 anos, autodidata, abria a boca e pronto. Sua evolução musical foi instintiva, mas a virginiana não dispensou o estudo para formalizar sua bagagem com o auxílio da preparadora vocal Maria Alvim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Maria Rita se preparou para subir ao palco do Chico Pinheiro, ali ela tomava a dolorosa decisão em favor de sua </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/gente/noticia/2021/10/maria-rita-cantar-e-sobrevivencia-nao-e-para-ser-famosa-nao-e-para-ser-a-filha-da-elis-ckuhjdas4004a017fe1lzumep.html"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e naquele lugar ela se despedia da mãe novamente. A cantora precisou &#8211; e conseguiu! &#8211; mostrar ao mundo que não é boa por ser filha de Elis Regina, mas que  é boa por si mesma, apesar de sofrer a dor solitária da ausência materna. Explorada por programas sensacionalistas que lutam em compará-la com Elis mesmo sobre a alegação de não ter lembranças da mãe, Maria se provou dona de uma voz soberana e com um domínio técnico, lidando com elegância a cada falácia, mesmo sem o colo material da figura mais importante de sua vida.</span></p>
<figure id="attachment_27121" aria-describedby="caption-attachment-27121" style="width: 687px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27121" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg" alt="" width="687" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-687x800.jpg 687w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-879x1024.jpg 879w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1-768x895.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maria-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27121" class="wp-caption-text">Maria Rita foi a primeira mulher a ganhar o Grammy Latino na categoria de Melhor Artista Revelação, e hoje, é recordista da premiação (Foto: Grammy Latino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/54724_ensaio-maria-rita-24-12-2004.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro disco</span></a><span style="font-weight: 400;">, autointitulado, foi lançado em setembro de 2003 e vendeu mais de 1 milhão de cópias em todo o mundo. O DVD, que chegou às prateleiras meses depois, atingiu a marca de 2º DVD mais vendido de 2003 no Brasil, atrás apenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Beatles Anthology</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de público e de crítica, o álbum foi Disco de Platina Triplo e DVD de Diamante em solos brasileiros, e em Portugal, CD de Platina. Primeira vez pisando no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino </span></i><span style="font-weight: 400;">Maria Rita venceu as categorias Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, Melhor Canção em Língua Portuguesa (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Festa</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Revelação do Ano &#8211; sendo até hoje a </span><a href="https://musica.uol.com.br/especiais/2004/09/02/ult1541u65.jhtm"><span style="font-weight: 400;">única brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ter vencido a categoria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atuante em um cenário musical que contou com a evolução da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, o</span> <a href="https://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Segundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Maria Rita teve sua pré-venda feita em lojas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">juntamente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S9VGw9yn-mc&amp;ab_channel=WarnerMusicBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Caminho das Águas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Rodrigo Maranhão) sendo vendido em formato digital. O efeito do lançamento foi o congestionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">site</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao alto número de </span><i><span style="font-weight: 400;">downloads</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todos queriam ter a brilhante voz de Maria em seu computador, e o Brasil já estava inteiramente imerso nas graças da paulistana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2007, Maria Rita encontrou seu lugar de maior pertencimento na Música. Seu terceiro trabalho, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EoBlVR8ND6Q&amp;ab_channel=MeuSambaBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pediu respeito para que pudesse entrar pelas portas do gênero mais popular do Brasil. A cantora foi </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/12/04/maria-rita-conta-como-arlindo-cruz-lhe-deu-1-samba-minha-referencia.htm"><span style="font-weight: 400;">apadrinhada por Arlindo Cruz</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com sua inerente entrega levou o samba às principais capitais do país e fora dele, em cidades como Londres, Espanha, Portugal e Japão. Seu </span><span style="font-weight: 400;">cuidadoso trabalho também lhe rendeu o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode, e um espaço especial na lista de 10 discos mais vendidos daquele ano. A despedida da turnê foi uma das mais difíceis da carreira, pois marcava o encerramento de algo desafiador e grandioso na mesma medida. Foram oito músicos no palco, projeções, troca de figurino e cenários que eternizaram </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;"> na discografia da cantora e na Música.</span></p>
<figure id="attachment_27122" aria-describedby="caption-attachment-27122" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27122" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/272859416_161586916206307_3064114367707124708_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27122" class="wp-caption-text">Na época de Elis não havia Grammy Latino, é o trabalho de Maria Rita que leva a Pimentinha aos holofotes do gramofone (Foto: Fundição Progresso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesses anos, Maria Rita dominou a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, se encontrou no samba, provou que é uma cantora autêntica apesar do título ‘filha de’, fez turnês nacionais e internacionais, emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;">, venceu grandes prêmios, conquistou discos de platina e marcou seu nome para sempre na Música brasileira por conta de seu incontestável talento. E, após lidar com cada pedra que insistia em aparecer em seu sinuoso caminho, chegou a aguardada hora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CsiH25p_rAk&amp;ab_channel=MariaRitaVEVO"><span style="font-weight: 400;">mergulhar no repertório de Elis</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ano era 2012, e na vida de Maria duas datas se chocavam: 10 anos de carreira e 30 anos de saudades materna. A celebração à Elis Regina se pronunciava monumentalmente, e ninguém melhor que sua caçula para dominar sua obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nomeada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Viva Elis</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homenagem se deu através de cinco</span><i><span style="font-weight: 400;"> shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> gratuitos no primeiro semestre de 2012. Sucesso absoluto, o projeto ganhou o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrir </span></i><span style="font-weight: 400;">e tornou-se CD, DVD e turnê.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Redescobrir</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7pGqf-RGDJE&amp;ab_channel=GrupoN%C3%B3sTV"><span style="font-weight: 400;"> reencontro entre mãe e filha</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foram forçadas a se separarem para garantir a sobrevivência, diante da indústria insistente em rotular as relações mais pessoais. Ao longo das 28 faixas, Maria Rita não falava ao público que poderia cantar o mesmo que sua mãe, ela trouxe Elis de volta ao seu cotidiano, às novas gerações e a levou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Grávida e de branco em cima do palco, Maria fez o que faz de melhor, tomou cada canção para si e as interpretou de maneira singular. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Eu Quiser Falar</span></i> <em>C</em><i><span style="font-weight: 400;">om Deus,</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cantora regurgita o maior dos sentimentos, se emocionando ao ver seu mundo e de Elis colidirem ao declarar <i>“tenho que subir aos céus sem cordas para segurar</i>”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Maria Rita - Essa Mulher" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/im9LX7ybggM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Missão cumprida! Maria pôde retornar ao samba. Antecedido por uma breve turnê com o </span><i><span style="font-weight: 400;">show voz:piano</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos, considerado um dos 10 melhores de 2014 pelo jornal americano </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://curitibacult.com.br/coracao-a-batucar-de-maria-rita-tras-um-samba-com-muita-personalidade/"><i><span style="font-weight: 400;">Coração a Batucar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um dos álbuns mais importantes da carreira da artista. Produzido pela própria cantora, com arranjos de Jota Moraes, o disco foi gravado num formato que transportava a sonoridade para uma roda de samba. No ano seguinte, a escola de samba Vai-Vai homenageou sua mãe com o enredo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QCfHloOwK6E&amp;ab_channel=RadarRecordsOficial"><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis: A Fábula de Uma Voz na Transversal do Temp</span></i><span style="font-weight: 400;">o</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maria Rita, na comissão de frente, emocionou a avenida carregando o desfile da escola campeã do carnaval de 2015.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o pé fincado na Lapa, a cantora estreou </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/critica-amor-musica-o-triunfo-da-maria-rita-interprete-22316266"><i><span style="font-weight: 400;">Amor e Música</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 3 de março de 2018. Agora absorta em sua espiritualidade, Maria apresentou um trabalho intenso com roteiro sincero e político em suas entrelinhas. Diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba Meu</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a cantora pedia licença à velha guarda, o disco de 2018 é a plena catarse da intérprete como sambista. As músicas escolhidas para integrarem o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> abocanham sua paixão pela Arte e a consciência de sua função social. A apoteose rítmica foi sequenciada em seu soberano </span><i><span style="font-weight: 400;">Samba da Maria</span></i><span style="font-weight: 400;"> que mantém a promessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">todo </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KEfwnAg_7C8&amp;ab_channel=J%C3%A9ssicaRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">show tem que continuar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em 1980 Elis fez ecoar o pedido de anistia aos presos políticos através de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bêbado e a Equilibrista</span></i><span style="font-weight: 400;">, em março de 2018 Maria Rita cantou a mesma com a mão em punho em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> onde o Brasil se encontrava estraçalhado pela morte de Marielle Franco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8fVm0kM3a4c&amp;ab_channel=CanalGNT"><span style="font-weight: 400;">Dois crimes impunes</span></a><span style="font-weight: 400;">, duas vozes conscientes e o mesmo hino denunciando o choro de nossa pátria mãe gentil. O Brasil continua </span><i><span style="font-weight: 400;">sendo governado por gorilas, sem querer ofender os gorilas, é claro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27123" aria-describedby="caption-attachment-27123" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27123 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg" alt="" width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/39328427_478378672643416_2660069165640974336_n.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27123" class="wp-caption-text">A extensão vocal de Elis Regina era meio-soprano, a de Maria Rita é contralto (Foto: Sérgio Aires)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primoroso é que Maria Rita fez o seu trabalho, se consagrou por conta própria. De Elis ficou a saudade e a honra de ser filha. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/maria-rita-elis-regina-de-todos-mas-mae-minha-25359366"><span style="font-weight: 400;">Dois legados</span></a><span style="font-weight: 400;"> distintos e inegavelmente importantes para suas respectivas gerações. Maria Rita não precisa chegar aos pés de Elis, a carreira de Maria Rita não começa onde Elis parou e sim, elas se parecem, mas estranho seria se Maria Rita fosse parecida com outra cantora. Dos 40 anos sem Elis Regina, 20 deles são menos amargos graças à unânime potência vocal de Maria Rita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cultura</span></i><span style="font-weight: 400;"> no especial de 75 anos de sua mãe, Maria Rita disse que se pudesse presentear sua mãe daria à ela </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=519523908982428"><span style="font-weight: 400;">o palco</span></a><span style="font-weight: 400;">. E aqui, me permito usar a primeira pessoa singular para te dar uma notícia: você conseguiu! Cada noite que você subiu ao palco para revisitar a obra de Elis, cada vez que você abaixa a cabeça e se concentra para cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente Elis</span></i><span style="font-weight: 400;"> à capela, você a presenteia com o palco sem perder sua própria enormidade, riso e leveza que aquela mãe amorosa tanto desejou.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dos 40 anos sem Elis Regina aos 20 anos de carreira de Maria Rita" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6igE1HoGBkSrzKgcMCbMqM?si=197d2f59561748bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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