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	<title>Arquivos Perda &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em O peso do pássaro morto, a perda é a grande protagonista</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Mar 2022 17:32:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto &#8220;–claro, – respondi entendendo que o tempo sempre leva as nossas coisas preferidas no mundo e nos esquece aqui olhando pra vida sem elas&#8221; Quantas vezes na vida é preciso deixar parte de nós ir? E quantas vezes isso acontece até que não reste nada? Em O peso do pássaro morto, Aline Bei &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-peso-do-passaro-morto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em O peso do pássaro morto, a perda é a grande protagonista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26736" aria-describedby="caption-attachment-26736" style="width: 709px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26736 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-709x1024.jpg" alt="Capa do livro O peso do pássaro morto. Na imagem, um fundo roxo carrega o título da obra como se as palavras estivessem apoiadas em fios elétricos pretos. No canto superior direito está grafado o nome da autora em branco, já no canto inferior esquerdo é marcada a logo da editora. Ainda há nos extremos da capa os números: 8, 17, 18, 28, 37, 48, 49, 50, 52." width="709" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-768x1109.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1-1200x1733.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.1.jpg 1595w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26736" class="wp-caption-text">O peso do pássaro morto, publicado pela Editora Nós em 2018, é a obra de estreia de Aline Bei (Foto: Editora Nós)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;–claro, – respondi<br />
</span><span style="font-weight: 400;">entendendo que o tempo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">sempre leva<br />
</span><span style="font-weight: 400;">as nossas coisas preferidas no mundo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">e nos esquece aqui<br />
</span><span style="font-weight: 400;">olhando pra vida<br />
</span><span style="font-weight: 400;">sem elas&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantas vezes na vida é preciso deixar parte de nós ir? E quantas vezes isso acontece até que não reste nada? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto, </span></i><span style="font-weight: 400;">Aline Bei nos convida para integrar essas perguntas em sua poética questionadora, que desde o lançamento do livro em 2018, compõe o ar encantador habitante da crueldade. Em um retrato versado pelo gosto amargo de perder, a autora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Rua sem saída</span></i><span style="font-weight: 400;"> apoia-se em palavras duras e sinceras para explorar o ato de se despedir, com toda sua naturalidade devastadora. </span></p>
<p><span id="more-26735"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado pela Editora </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2021/08/13/interna_pensar,1295420/virginia-woolf-leia-entrevista-com-editora-brasileira-de-ensaios-e-diarios.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nós</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o texto traz uma história comovente na qual a piedade fica por conta do leitor. Com uma escrita proseada e absolutamente fluida, somos  guiados pelos caminhos de uma vida marcada pela morte de flores secas, depois de abandonadas. Através de sua protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos coloca para viajarem sonhos sem asas, dos quais a chance de voar para longe de uma grande gaiola atulhada de frustrações foi roubada pelo tempo. </span></p>
<figure id="attachment_26737" aria-describedby="caption-attachment-26737" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem.2.jpg" alt="Na imagem a autora Aline Bei. Aline é uma mulher branca de cabelos claros, veste uma roupa de tom quase branco com os ombros à mostra. Ela segura o livro O peso do pássaro morto próximo ao seu rosto. Ao fundo um painel vermelho e o logo da editora constituem o cenário. " width="740" height="640" /><figcaption id="caption-attachment-26737" class="wp-caption-text">O peso do pássaro morto foi o vencedor do prêmio São Paulo de Literatura de 2018, na categoria Melhor Romance de Autor Estreante com Menos de 40 anos (Foto: Aline Bei)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apresentada em primeira pessoa, a personagem de </span><a href="https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Noticia/Entrevista-Aline-Bei#:~:text=Na%20entrevista%20a%20seguir%2C%20Aline,O%20Peso%20do%20P%C3%A1ssaro%20Morto."><span style="font-weight: 400;">Bei</span></a><span style="font-weight: 400;"> não precisa revelar seu nome para nos ser tão íntima a ponto de conhecermos o mais silencioso de dentro dela. Sua urgência vive na narrativa que tem para contar. Em capítulos intitulados pelas idades em que conheceu o incontrolável ato de morrer – seja de forma literal ou na abstração –, ela desabrocha em vocábulos o tom angustiante existente em suas decepções, fracassos e traumas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das fases do livro, a </span><a href="https://blogs.plural.jor.br/entre-mulheres/uma-entrevista-com-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> amadurece, e o que eram palavras de uma criança curiosa e cheia de perguntas carregadas de inocência, dá lugar para uma voz embargada e desesperançosa. A mudança na escolha lexical, no entusiasmo e na estrutura das frases a cada acontecimento significativo, cria uma atmosfera na qual o livro envelhece e se machuca junto de sua protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe conduzir a oralidade de maneira única, e é fácil esquecer que </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> se trata de uma leitura, pois assim, o som emitido pela protagonista se solidifica. Desta forma, os vários anos parecem se condensar em um espaço pequeno, mas totalmente completo por complexidade e sentimento. As 165 páginas construtoras da dor da anônima voam tão rápido quanto os pássaros deveriam ter feito.  </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;voltei pra casa chamando mãe,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">– cadê o seu luís?<br />
</span><span style="font-weight: 400;">ela não tinha me contado nada porque achou que era muita morte pra eu saber de uma vez só.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A</span><span style="font-weight: 400;"> menina que aos 8 encontra o significado da </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/a-dificuldade-de-falar-sobre-a-morte/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> como fim da vida, a de 17 que encontra a morte no fim do controle de si mesma, e a de 18 que encontra a morte no começo da vida segue perdendo seus pedaços até os 52 anos. Todas as versões se cruzam para formar uma sobrevivente, e no piloto automático resiste uma mulher que, de tanto perder, abdicou do seu direito de sentir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em algum ponto de </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ser dá lugar ao existir, e os gostos, as vontades e os desejos da personagem são ofuscados por acontecimentos. A pergunta deixa de ser “</span><i><span style="font-weight: 400;">quem?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e se torna “</span><i><span style="font-weight: 400;">quando?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">onde?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Calada por um medo e vergonha que não eram seus, mas passaram a morar em seu âmago </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/11/16/luto-e-dor-invisiveis-como-o-estupro-afeta-a-saude-mental-das-vitimas.htm"><span style="font-weight: 400;">à força</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela se esconde e passa a desconhecer o amor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação com o filho é uma dos maiores conflitos abrigados pela mente da personagem, já que alguém vindo de seu sangue, na teoria da </span><a href="https://sul21.com.br/noticias/geral/2017/05/outro-lado-da-maternidade-estereotipos-expectativas-e-mitos-sao-barreiras-para-maes/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> idealizada pela sociedade, é o amor mais verdadeiro e incodicional da vida de uma mulher. Entretanto, aqui ele representa um estranho com o qual se compartilha o mesmo teto. Por trás das barreiras, há feridas tão profundas que são incapazes de esconder a extensão do desespero. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;meu filho<br />
</span><span style="font-weight: 400;">arrumou 1 Estilingue não sei onde.<br />
</span><span style="font-weight: 400;">da janela do quarto<br />
</span><span style="font-weight: 400;">o lucas e os amigos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">bolaram um plano de matar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">passarinhos,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">eles gostam de ver<br />
</span><span style="font-weight: 400;">brutalmente interrompido<br />
</span><span style="font-weight: 400;">algo delicado que estava em<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Movimento&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i><span style="font-weight: 400;"> está intrinsecamente ligado às </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/aline-bei-faz-da-literatura-um-instrumento-a-servico-das-mulheres.shtml"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ao movimento dos corpos femininos transformados em objetos públicos para o mundo se sentir no direito de  moldar. Em suas entrelinhas, o livro guarda a alusão a tudo que as mãos de uma mulher tem de soltar enquanto a alma carrega um peso latente e agressivo determinado pela trivialidade de ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com simplicidade e brutalidade, o texto expõe os resultados dolorosos de cortes que continuam ardendo depois de estancar o sangue. Cada parte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EJ2TSnZjpYg"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> revela como uma pessoa pode deixar se ser inteira cedo demais de uma forma cativante e aflitiva. Assim, perder não é sobre um objeto desaparecido. É sobre vida, ingenuidade, pureza, confiança e tudo que representa a fé, sumindo como o pássaro que é acertado pela pedra de um estilingue.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-peso-do-passaro-morto-critica/">Em O peso do pássaro morto, a perda é a grande protagonista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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