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	<title>Arquivos Peça &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Pior de Mim: o palco como divã</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2022 17:40:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mateus Conte Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo O Pior de Mim. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da ex-global, que por diversas vezes percorreu os palcos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-pior-de-mim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Pior de Mim: o palco como divã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27707" aria-describedby="caption-attachment-27707" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27707 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e calça vermelha, enquanto sorri e abre os braços olhando para cima" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27707" class="wp-caption-text">Maitê Proença transforma sua vida em texto e seu divã em peça (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 13 de maio, um Teatro Municipal lotado recebeu, em Botucatu, a atriz Maitê Proença em seu monólogo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Redigida pela própria atriz e dirigida por Rodrigo Portella, a obra aborda de forma áspera a vida e a carreira da </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/maite-proenca-conta-como-soube-de-demissao-da-globo/"><span style="font-weight: 400;">ex-global</span></a><span style="font-weight: 400;">, que por diversas vezes percorreu os palcos do interior paulista com suas apresentações.</span></p>
<p><span id="more-27706"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de início, a peça surpreende por sua sobriedade. O figurino aparenta vir diretamente do guarda-roupas da atriz, sendo os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">looks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas atentas fotos da Revista </span><i><span style="font-weight: 400;">CARAS</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou nas páginas do finado </span><a href="http://ego.globo.com/famosos/noticia/2017/04/o-ego-se-despede-e-relembra-flagrantes-inesqueciveis-de-famosos.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ego</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu objetivo é claro: trazer autenticidade aos relatos contados pela protagonista-autora, tornando sua imagem no palco o mais próximo possível da realidade cotidiana de Maitê.</span></p>
<figure id="attachment_27708" aria-describedby="caption-attachment-27708" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27708 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, de olhos verdes, que olha para cima enquanto toca um pano preto, mas transparente, que a cobre totalmente" width="840" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2.png 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-656x800.png 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-2-768x936.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27708" class="wp-caption-text">A interação de Maitê com o tecido transparente no fundo do cenário nos remete ao véu que cobre aquilo que preferimos manter às escuras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A luz, por sua vez, também é simples: sem muita pompa, a direção sabe o que fazer com o mínimo, apostando em um enfoque básico durante as falas e trocas repentinas de cores em momentos mais impactantes da trama, servindo como marcador temporal para passagem de um bloco narrativo para outro. Mérito de </span><a href="https://gpslifetime.com.br/conteudo/entretenimento/arte/80/diretor-rodrigo-portella-desembarca-em-brasilia-para-bate-papo"><span style="font-weight: 400;">Portella</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também coordena a iluminação do espetáculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não só de trivialidade vive </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma experiência rara no teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, o próprio diretor entra em cena para filmar a protagonista. As imagens – em preto e branco, vale ressaltar – captadas pela câmera são exibidas automaticamente nas cortinas localizadas atrás do palco, em uma inovação narrativa recheada de significado: demonstra como a presença das lentes é constante na carreira da atriz, que </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/dinheiro-vivo/"><span style="font-weight: 400;">estreou</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas novelas em 1979.</span></p>
<figure id="attachment_27709" aria-describedby="caption-attachment-27709" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png" alt="A imagem apresenta um fundo todo preto destacando a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um vestido preto com bolinhas brancas sobre uma blusinha branca e sapatos dourados, enquanto senta e olha sorrindo para a plateia" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27709" class="wp-caption-text">As tragédias da vida de Maitê Proença propiciam uma rápida identificação com a plateia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tratando de artifícios pouco utilizados nas grandes </span><a href="https://personaunesp.com.br/quem-e-quem-teatro-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças que vêm ao interior</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma logo chama a atenção dos espectadores: a não-linearidade da narrativa. Cada história se intercala com as outras, sem haver um ponto medular que as organize, trazendo a sensação de uma aparente confusão. Mas isso tem um porquê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a peça, Maitê assume que, durante quatro horas por semana, fez terapia pelo período de quatro anos. Não há dúvidas que essa experiência de autoconhecimento foi transportada para o roteiro, transformando o palco em um </span><a href="https://midiamax.uol.com.br/variedades/saude/2018/saiba-porque-o-teatro-terapia-ajuda-a-tratar-timidez-estresse-e-depressao"><span style="font-weight: 400;">divã psicanalítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. A intertextualidade com uma sessão de terapia se reflete até mesmo na duração do espetáculo: a peça dura escassos cinquenta minutos, o que não foge do tempo médio de um encontro marcado com um psicólogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta psicanálise com a presença do público passa pelas mais trágicas histórias da vida da autora, o que tende a justificar os traumas e bloqueios mais profundos de sua mente ao longo da apresentação. Como nem tudo são espinhos, também há espaço para os </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/renatokramer/2015/03/1596585-eu-nunca-fui-infeliz-diz-maite-proenca.shtml"><span style="font-weight: 400;">relatos de superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Maitê passou para conseguir deixar todos esses obstáculos para trás.</span></p>
<figure id="attachment_27710" aria-describedby="caption-attachment-27710" style="width: 5497px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png" alt="A imagem apresenta a atriz Maitê Proença, uma mulher branca e loira, que veste um pijama branco com listras azuis. Ela está sentada em um sofá cinza e podem-se ver um quadro indiano e um quadro de uma pequena árvore na parede do fundo" width="5497" height="3665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4.png 5497w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27710" class="wp-caption-text">A peça iniciou sua temporada de forma on-line durante a pandemia de covid-19 (Foto: Dalton Valério)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O teatro não é apenas o que se apresenta no palco, mas também aquilo que  </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2019/11/10/interna_cultura,1099586/artistas-falam-das-razoes-e-dos-perrengues-de-interagir-com-a-plateia.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacta na plateia</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao vivo, ela acompanha ininterruptamente o espetáculo. Por isso, é impossível não perceber que, ainda que possam ser diferentes, sempre existem momentos nos quais o público se identifica com a atriz que está em cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sentimento específico do público é, ao mesmo tempo, alimentado e escrachado pelo texto: o prazer em bisbilhotar os detalhes mais sórdidos da vida alheia, ainda mais quando se tratam de celebridades. Como diz a própria sinopse da peça, </span><i><span style="font-weight: 400;">“neste </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200609.htm"><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> desenfreado, nos comparamos, para melhor compreendermos a nós mesmos. Não é assim? Venha espiar, eu deixo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esta descrição acompanha o espetáculo desde sua primeira exibição, realizada de forma totalmente </span><i><span style="font-weight: 400;">on-line</span></i><span style="font-weight: 400;">, no pandêmico ano de 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta exposição das aflições vividas pela atriz, por trás das populares câmeras das inúmeras novelas que estrelou, evidencia o fato de que, antes de ser uma profissional, Maitê Proença é uma pessoa de carne, osso e sentimentos. Sentimentos, esses, que foram atingidos pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200807.htm"><span style="font-weight: 400;">exploração massiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impiedosa de sua vida privada por parte da imprensa e que, nesta peça </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pior de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve escancarar para o mundo – mas, desta vez, a sua versão dos fatos. Maitê Proença, volte sempre!</span></p>
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		<title>Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:11:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Antígona. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. Antígona 442 A.C. Monólogo de Andrea &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/antigona-442-a-c-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Antígona 442 A.C.: aplausos para Andrea Beltrão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24467" aria-describedby="caption-attachment-24467" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Vemos apenas o busto da atriz. Ela veste jaqueta de couro preta e em sua mão direita há uma luva preta que não cobre os dedos. Suas mãos estão na altura do rosto e elas seguram uma máscara branca que cobre o rosto da atriz. A imagem é escura e o fundo é preto." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img1_antigona-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24467" class="wp-caption-text">Após a pausa nos teatros, Antígona 442 A.C. estreia na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><a href="https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-tragedia-na-peca-teatral-antigona-sofocles.htm"><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filha de Édipo Rei e Jocasta; irmã de Etéocles, Polinice e Ismênia; sobrinha de Creonte. Antígona. Obra do dramaturgo grego Sófocles que conversa com a atualidade e com os valores humanos pautados pela razão e pela emoção, e é a terceira peça da trilogia tebana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">. Monólogo de Andrea Beltrão, dirigido por Maurício Farias, destaque que integra a Mostra Brasil na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-24466"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi em 2015 que a vontade de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hebe-a-estrela-do-brasil-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrea Beltrão</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ter uma peça de teatro de resistência e que pudesse ser feita a qualquer momento, floresceu. Instigada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Torres</span></a><span style="font-weight: 400;">, Beltrão condecorou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Antígona </span></i><span style="font-weight: 400;">como um de seus textos favoritos e assim surgiu o desafio, transformar uma peça de teatro com no mínimo quinze personagens em um monólogo. A estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona</span></i><span style="font-weight: 400;"> aconteceu, oficialmente, nos palcos em 2019, mas o contexto epidêmico de covid-19 fez com que a peça tivesse um pouso forçado. Após esse hiato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C. </span></i><span style="font-weight: 400;">estreia na 45ª Mostra em forma de espetáculo filmado, onde a montagem é reestruturada para o Cinema, variando em cenas dos bastidores com estudo e mapas mentais da obra e partes da encenação no teatro.</span></p>
<figure id="attachment_24468" aria-describedby="caption-attachment-24468" style="width: 1362px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste uma blusa listrada de azul e rosa. Sua mão direita está tocando a parede. Na parede há várias folhas brancas com nomes de personagens escritos em preto. Na imagem lemos “LAIO”. Entre as folhas há fitas adesivas nas cores azul, rosa e vermelho. O fundo da imagem ao lado direito é branco" width="1362" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona.jpg 1362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-800x340.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1024x435.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-768x326.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img2_antigona-1200x510.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24468" class="wp-caption-text">“Ninguém aprendeu muito com essa história de Sófocles” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A peça se inicia com o prólogo de </span><a href="https://ims.com.br/titular-colecao/millor-fernandes/"><span style="font-weight: 400;">Millôr Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ilustra todo contraponto com a realidade que vamos encarar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “e assim a história avança, em luta fratricida, ódio mortal, violência coletiva, tudo pago por fim, naturalmente, com a escravidão do povo,</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">na derrota final.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> O texto sobre a destruição de uma cidade parecia um tanto distópico em 2015. Mas, quando Andrea Beltrão estreou sua peça em 2019, qualquer semelhança com a realidade se tornou mera coincidência e com sua chegada ao digital em 2021, sua subversão política ecoa em notas agudas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antígona enfrenta a ordem do rei Creonte de deixar seu irmão Polinice, que lutou na guerra, sem sepultura para que seus restos mortais sejam devorados por animais selvagens. A jovem desobedece, realiza um ritual funerário digno ao irmão e rebate seu ato afirmando: </span><i><span style="font-weight: 400;">“morrer mais cedo não é amargura, deixar o corpo do meu irmão é amargura”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Soberana em tela, Andrea Beltrão comove ao mesmo ponto que se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BIl-yhr4giY&amp;ab_channel=CanalCurta%21"><span style="font-weight: 400;">emociona</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as próprias falas, usando o texto para não apenas gerar reflexão, mas também para provocar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diferencial que torna magnífico é ver a própria Andrea Beltrão contando a história e se preparando para a peça. Há cortes para o teatro entre as cenas, que é quando a atriz aparece maquiada já em cima do palco, encenando com força cada uma de suas falas. Em seu estúdio de ensaio a entrega é com a mesma intensidade e precisão. De cara limpa, Andrea revela todo empenho aos estudos e a história que estava interpretando. Em sua parede, uma mapa mental dos personagens de Zeus aos </span><a href="https://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0662"><span style="font-weight: 400;">tebanos</span></a><span style="font-weight: 400;">; em seu computador, roteiro e fotos que guiam a atriz por essa viagem entre séculos.</span></p>
<figure id="attachment_24469" aria-describedby="caption-attachment-24469" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg" alt="Cena de Antígona 442 A.C.. Nela, ao lado direito, está Andrea Beltrão. Uma mulher branca, de olhos castanhos, cabelo curto e castanho. Ela veste blusa e jaqueta de couro pretas e um lenço vermelho envolta sua cabeça e seu pescoço. Seus olhos estão carregados por uma maquiagem preta e suas têmporas estão com glitter dourado. O lado esquerdo é uma parede de concreto com a iluminação preta." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/img3_antigona-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24469" class="wp-caption-text">“Cara, um herói; coroa, um tirano” (Foto: Taba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha é a devoção mostrada nos bastidores que Andrea Beltrão se firma como dona de um conhecimento inigualável sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kRLKAbzsUoU&amp;ab_channel=AncelmoGois"><span style="font-weight: 400;">texto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Antígona 442 A.C</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;">. As mudanças no tom de voz conforme ela encarna uma nova persona elucida a confiança da atriz e o conhecimento de cada vírgula da peça teatral; por meio da sua voz fica claro o poder e a importância da personagem na odisseia. Sua narrativa com olhar fixo para a plateia consagra a atriz dona do tablado, que domina o palco com tamanha destreza que não sentimos falta da plateia lotada. Sua linguagem corporal fala tão alto quanto a verbal, concentrando total atenção a figura da atriz, independente do lugar de onde a câmera esteja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imersa no próprio oásis, Andrea se emociona com a crescente narrativa. A razão e a emoção são postas lado a lado e Antígona não cede, ela abre mão de sua posição social e de poder para arriscar dar um último ato humano à memória do irmão. A peça teatral ganha nova ótica e substância no contexto pandêmico e tirano do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59096013"><span style="font-weight: 400;">Brasil de Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto os governantes responsáveis por esse genocídio não querem seus nomes correlacionados a essa tirania, temos milhares de Antígonas que lutam pelo </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/20/nao-sou-coveiro-ta-diz-bolsonaro-ao-responder-sobre-mortos-por-coronavirus.ghtml"><span style="font-weight: 400;">respeito da memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seus entes. E as palavras finais de Andrea reverberam com ainda mais precisão: </span><i><span style="font-weight: 400;">“os tebanos não tiveram outra chance, mas pra nós ainda há esperança”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANTIGONA 442a.C.- PRÓLOGO" src="https://player.vimeo.com/video/555916110?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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